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Fatores de satisfação com o trabalho de docentes universitários angolanos

Author: Tchitau, Adelino Salvador
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/7b8d0bf5-a1b1-42d6-9454-8f23d2d72467/download
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DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
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Dedica ó ia
Aos meus amá eis Pais Jus ino Tchi au e Ma ia Joaquina, ambos de eliz memó ia, os
p o esso es da escola da ida com quem con ac ei e con i i.
Que es e ei o hon e suas memó ias e exp esse a g andeza dos seus ensinamen os, lu as e p incípios.

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DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e abalhado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica do plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
AGRADECIMENTOS
A minha p o unda g a idão a Deus odo-pode oso, quem udo az bem e com p opósi o, que
nunca se dis ancia de seus ilhos, mesmo quando udo pa ece conhece im. Toda hon a e gló ia lhe
sejam dadas.
Às minhas O ien ado as cien í icas, nomeadamen e, à P o esso a Dou o a Ana Daniela Sil a e à
P o esso a Dou o a Ma ia do Céu Ta ei a, cuja solidez cien í ica, ca isma, p o issionalismo, disciplina,
en ega e sen ido é ico in ulga es, se ão semp e enal ecidos na minha p á ica ao longo de oda ca ei a.
Ao Go e no angolano, pela c iação do p og ama 300, abe o pa a in eg ação de odas as classes
sociais, pe mi indo, assim, a minha in eg ação no sele o g upo, median e c i é ios es abelecidos e de
cump imen o igo oso a odos, disponibilizando condições possí eis pa a o mação; à di eção do ISCED-
Huambo, mui o em pa icula , ao P o esso Dou o Má io José da Cos a Rod igues, en ão P esiden e da
mesma Ins i uição e ao Depa amen o de Ensino e Humanidades, com des aque pa a a P o esso a I ene
Inaculo Moisés, en ão Che e do espe i o depa amen o.
À P esidência da Escola de Psicologia da Uni e sidade do Minho, à Classe Docen e e de
p o issionais adminis a i os, pelos melho es p és imos, inclusi e em con ex o ex ao diná io da
pandemia da COVID-19. O mesmo ag adecimen o se es ende à Comissão de Acompanhamen o,
compos a pelo P o esso Dou o João Lopes e a P o esso a Dou o a Síl ia Mon ei o, pelo cuidado na
lei u a, conselhos e indicações de melho ias que mui o ale am à consolidação do p esen e abalho.
Aos meus colegas do Labo a ó io de in es igação de Ap endizagem, Ins ução e Ca ei a do
G upo de In es igação em Desen ol imen o de Ca ei a e Aconselhamen o, da Escola de Psicologia da
Uni e sidade do Minho, mui o em pa icula , a Paula Ba oso, à Luzia Amo im, à Joana An unes, po
odo o seu apoio, paciência e disponibilidade.
Aos meus Pais, Jus ino Tchi au e Ma ia Joaquina (ambos de eliz memó ia), não encon o
exp essão que signi ique sua g andeza, exp essa na modes a educação em con ex os mui o complexos.
Nem eles mesmo ac edi a am que os seus ilhos ossem ão longe! Quan a g a idão meus Pais! Como
gos a ia que es i essem aqui... Deus os enha em sua gló ia! Hon a ei semp e as suas memó ias, com
a p á ica da solida iedade, da a e nidade, espei o e amo ao p óximo, como esul ado dos seus bons
ensinamen os.
À minha mulhe , Rosalina Tchi au, a minha p o unda g a idão pelo companhei ismo, paciência,
apoio e amo incondicional.
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À minha ilha, Ma ia I ene Sal ado Tchi au, ‘’Si ena’’, que mui o p ezo e amo, que os esul ados
da minha ausência sejam algum dia jus i icados, quando comp eende melho a dimensão e a exigência
des e abalho.
Aos meus que idos i mãos, Inês Lo a, Januá io Tchi au, Hamuyela Tchi awila, Luísa Tchi awila,
Lau inda Tchi au, Del ina Tchi au, ão amá eis e mui o comp eensi os, com seu úl imo i mão (o
Kuassula
), ag adeço-lhes com o mais e no amo , pelo supo e e ene gia semp e posi i a e plena
consciência de que ia en en a desa ios, mas eles es a iam semp e p esen es.
Aos meus amá eis e ão especiais sob inhos, os meus esou os, po não me e em p esen e
quando de iam. Amo-os imenso e c eio mui o num u u o isonho em cada um deles. Cada um deles
ep esen a a ene gia que mo e as minhas lu as pa a os incen i a a i em semp e mais, ali onde meus
sonhos seque alcançam...
Aos meus amigos, especialmen e, os isioná ios. O meu especial ap eço ao Alís e Pin o, ao
Sé gio Liku u e ao meu p imo Jackson Cai ula, que nos momen os pandémicos áu eos, se dispuse am
em iaja comigo nas p o íncias do Bié, Benguela e Cuando Cubango, pa a o p ocesso de ecolha de
dados des a ese. A minha mais p o unda g a idão.
Finalmen e, ao Go e no da P o íncia do Huambo, especialmen e às Go e nado as Joana Lina e
Lo i Nolica; ag adeço ambém aos memb os da Adminis ação Municipal do Ecunha, de que sou pa e,
especialmen e à sua Ti ula , a S a. Guilhe mina Ca los Bacia de Lou des, pela comp eensão e
simplicidade.
Mui o ob igado!
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FATORES DE SATISFAÇÃO COM O TRABALHO DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS ANGOLANOS
Resumo
A sa is ação com o abalho docen e es imula o en usiasmo e o comp ome imen o, a o ecendo o empo
e ene gia dedicados à melho ia da ap endizagem dos es udan es. Nes e es udo, p ocu a-se es a o
modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho, incluindo os a o es de a e o posi i o, supo e social,
supo e o ganizacional, au oe icácia, p og esso nos obje i os, e os esul ados de sa is ação com o
abalho, e de sa is ação com a ida em ge al. Pa icipa am no es udo, 173 docen es uni e si á ios
angolanos a e os às oi o egiões académicas, com idades en e 26 e 66 anos, sendo 45 (26%) mulhe es.
O p o ocolo de ecolha de dados incluiu 116 ques ões pa a a ecolha de in o mação sociodemog á ica,
e medida da pe ceção do a e o posi i o, do supo e social, do supo e o ganizacional, da au oe icácia, do
p og esso nos obje i os, da sa is ação com abalho e da sa is ação com a ida em ge al. Os esul ados
de uma análise de caminhos pa a es e do modelo sociocogni i o da sa is ação com o abalho, indica am
um bom ajus e do modelo aos dados, sem os caminhos com o p og esso nos obje i os. O a e o posi i o
e o supo e social pe cebido são os p incipais p edi o es da sa is ação com o abalho de docen es
uni e si á ios no con ex o angolano. Os esul ados e idencia am que os docen es uni e si á ios
angolanos es ão sa is ei os com o seu abalho e com a ida em ge al, quando pe cecionam emoções
posi i as e pe cecionam supo e social, conc e amen e dos seus pa es e dos seus alunos. Es es
esul ados con i mam, em pa e, as hipó eses assumidas no es udo e co obo am os esul ados
encon ados nou os con ex os.
Pala as-cha e: Sa is ação com o abalho, docen es uni e si á ios, Teo ia Sociocogni i a da Ca ei a,
análise de caminhos.
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con ex uais p opos os po Bandu a (1976), es udados e aplicados em di e en es con ex os de ensino-
ap endizagem (Len e al., 2005, 2009, 2011; Sa ickas, 2021). Es e modelo oi es ado com docen es
uni e si á ios, no B asil, po Ramos e colabo ado es (2016); em Abudabi, po Bad i e colabo ado es
(2013); na Tu quia, po Buyukgoze-Ka as e colabo ado es (2014); na China, po Meng (2020), e
ambém, na A gen ina, com abalhado es do amo emp esa ial e do uncionalismo público a a és do
es udo de Lapuen e e Emp esa ial (2019).
No con ex o angolano, a sa is ação p o issional em me ecido a enção de alguns in es igado es,
conside ando-se, igualmen e, os á ios a o es que a explicam, desde os a o es con ex uais como o
ambien e p o issional, passando pelos a o es indi iduais de ca ei a, como a o mação con inua
ealizada, a p og essão na ca ei a, a é aos os a o es de na u eza o ganizacional, onde se inse e o apoio
ins i ucional, as ques ões de na u eza emune a ó ia, as condições de abalho, en e ou os a o es
necessá ios pa a o exe cício no mal da unção docen e (Ba oso e al., 2021; Munana e al., 2015;
Sousa, 2016). Es es es udos o am ealizados no con ex o do ensino supe io angolano, an o
uni e si á io como poli écnico.
Em Angola, o ensino supe io é um dos subsis emas do sis ema de educação e ensino desc i os
na lei de bases do sis ema de educação e ensino nº 17/16 de 16 de ou ub o e a lei n.º 32/20, de 12
de Agos o. O e e ido sis ema em me ecido ans o mações signi ica i as, as quais êm esul ado em
a anços quali a i os, endo em con a o p ocesso de democ a ização do ensino supe io , a a iculação
das di e en es en ol en es do p ocesso de ensino ap endizagem, e a pa icipação social e da comunidade
(Ca alho, 2012; Libe a o, 2019; Sil a, 2016; Ne o, 2005; Simões e al., 2016).
Ao longo des e p ocesso desa ian e, são me ecedo as de des aque, as lu as sindicais como
exp essão da necessidade de se encon a melho alinhamen o com o ó gão de u ela, no sen ido de se
p opo ciona às docen es condições que os deixem mais sa is ei os com a sua p o issão.
Apesa dos es udos exis en es que endem a comp eende os a o es que in e êm na sa is ação
com o abalho docen e em Angola, a a-se de um conjun o escasso de in es igações, que assen am em
di e en es e e enciais ou modelos eó icos, e analisam esul ados di e en es, em compa ação com as
egiões onde os es udos êm sido ealizados, sendo di ícil a sua gene alização. To na-se necessá io
p ossegui es a linha de es udo e ado a um quad o de e e ência in eg ado que a o eça a explicação
dos mecanismos associados à sa is ação p o issional e os esul ados des a na p o issão docen e do
ensino supe io . Conside ando es es a os, de iniu-se a seguin e ques ão de in es igação: a é que pon o
os a o es da sa is ação p o issional iden i icados pela eo ia sociocogni i a da ca ei a podem explica a
sa is ação com o abalho e com a ida de docen es uni e si á ios angolanos?

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Em e mos de es u u a, a p esen e ese es á cons i uída po uma in odução, seguida de qua o
capí ulos, nomeadamen e, os capí ulos de enquad amen o eó ico, do mé odo, esul ados e discussão
dos esul ados, e minando com uma conclusão ge al, uma seção de e e ências bibliog á icas e anexos.
O p imei o capí ulo e e e-se ao enquad amen o eó ico da sa is ação p o issional, escla ecendo
os concei os e as pe spe i as eó icas que os sus en am, com uma incu são na abo dagem da sa is ação
com o abalho docen e. Te mina-se o capí ulo azendo uma incu são sob e o ensino supe io angolano,
anco ada nos es udos que abo dam a sa is ação p o issional no con ex o angolano.
O segundo capí ulo, sob e o mé odo, ap esen a uma desc ição sob e as hipó eses, os
pa icipan es e os ins umen os de ecolha de dados, assim como sob e os p ocedimen os de ecolha,
os a amen os e a análise de dados. O e cei o capí ulo a a os esul ados do es e ao modelo
sociocogni i o de sa is ação com o abalho. O qua o capí ulo ap esen a a discussão dos esul ados,
e e indo as p incipais implicações p á icas, bem como, as limi ações do es udo e as suges ões pa a
es udos u u os. Finalmen e, ap esen a-se uma conclusão ge al, as e e ências bibliog á icas, e os
anexos.
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Capí ulo 1 –
Enquad amen o eó ico
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Nes e capí ulo az-se um enquad amen o eó ico da sa is ação P o issional, onde são ap esen adas
as de inições e di e en es pe spe i as eó icas, com des aque pa a a eo ia sociocogni i a da sa is ação
com o abalho. Em unção da necessidade da comp eensão do con ex o da in es igação, az-se ambém
uma desc ição b e e do ensino supe io angolano, e dos es udos da sa is ação com o abalho docen e
ealizados nes e mesmo con ex o.
1.1 Sa is ação com o T abalho: Concei o e Pe spe i as Teó icas
A sa is ação p o issional é es udada desde 1930, po Hoppock, com o obje i o de demos a a
impo ância des e cons uc o e o seu impac o posi i o nos abalhado es (Lee e al., 2017; Sa u , 2016;
Sa u e al., 2018). A sa is ação e e e-se aos aspe os psicológicos e isiológicos da sa is ação dos
emp egados com os a o es ambien ais do abalho, como espos as subje i as dos emp egados ao seu
ambien e de abalho (Lee e al., 2017). Nes a linha de pensamen o, mui os in es igado es êm-se
dedicado a ap o unda o concei o pa a se encon a cla eza em elação aos seus undamen os, ao seu
alcance e à sua in luência nos esul ados pessoais e o ganizacionais. Dos e e idos es udos, dep eende-
se que a sa is ação p o issional é um dos concei os mais es udados ao ní el da psicologia das
o ganizações e dos ecu sos humanos (Da idescu e al., 2020; Ra e y & G i in, 2016; Sa ickas, 2021).
En e es es es udos, des acam-se, po um lado, aqueles es udos em que se conside a a
sa is ação p o issional uma a iá el mediado a en e as condições de abalho, as o ganizações, e os
esul ados indi iduais e cole i os. A sa is ação com o abalho é enca ada como um a o cen al pa a o
alcance de esul ados e as condições de abalho como condimen os impo an es pa a que os
p o issionais expe ienciem a sa is ação, e os esul ados do seu abalho su jam con o me as aspi ações
das o ganizações (Ra e y & G i in, 2016; Ra e y & G i in, 2016). Po ou o lado, em ou os es udos, a
sa is ação p o issional é de inida pela di e ença en e o que de e minada pessoa espe a do seu abalho
e aquilo que o abalho é obje i amen e (Ali & Akh e , 2009; Ali & Akh e , 2009). Ou seja, consis e na
in e ace en e as expec a i as e a ealidade enca ada pelo p o issional. A sa is ação p o issional ambém
pode se comp eendida como a essência de odas as a i udes posi i as ligadas ao ambien e de abalho
(Ali, 2016; Kusku, 2001; Ma queze e al., 2009). De igual modo, ambém pode se comp eendida como a
adap ação a e i a ao abalho (Kohan o abi & Abolmaali, 2014; Sa u e al., 2018).
A sa is ação p o issional é abo dada, en ão, a pa i de á ias pe spe i as eó icas. Alguns
in es igado es abo dam-na a pa i da pe spe i a eó ica humanis a e ou os a pa i da pe spe i a
u ili á ia (Ma queze e al., 2009). Os que ad ogam a pe spe i a humanis a, de endem a ideia de que os
abalhado es de em se a ados com jus eza e humanidade ap op iadas à qualidade de ida nas
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o ganizações às quais es ão inculados, po o ma a sen i em-se comp ome idos e compene ados à
causa e se man e em na o ganização. Po ou o lado, os au o es da pe spe i a u ili á ia conside am
undamen al a sa is ação dos p o issionais nas suas di e sas á eas, po con igu a a ala anca que pode
al e a o compo amen o dos p o issionais (posi i o ou nega i o) e in luencia o uncionamen o das
ins i uições (e.g., Yücel, 2012). O que se dep eende das duas posições é que a p imei a se dedica mais
a pe cebe o p ocesso de c iação de condições que o maliza em a alo ização da pessoa que se e a
o ganização, ao passo que a segunda dedica mais a enção aos esul ados das pessoas, já que o se iço
ou compo amen o que ge a esul ados posi i os es á mui o dependen e do g au ou ní el em que o
indi iduo se sen e sa is ei o ou não.
Uma ou a pe spe i a en ende a sa is ação p o issional a pa i de ês sen idos, o sen ido
mo i acional, o sen ido a i udinal e o sen ido p e en i o (Ab unhosa & Lei ão 2009; Pacheco, 2012;
Sa u , 2016). O sen ido mo i acional consubs ancia-se na mo i ação in ínseca e ex ínseca do indi iduo
em elação ao seu abalho sen ido a i udinal e le e as a i udes de de e minada pessoa em elação ao
seu abalho, as quais esul am da a aliação do cump imen o de de e minados p essupos os que
con igu am obje i os ele an es, açados pelo indi iduo. Finalmen e, o sen ido da p e enção e p omoção
da saúde, do bem-es a subje i o e social, conside a a necessidade de es es es a em sa is ei os, como
p e enção de pe u bações psicológicas e consequen e p omoção da saúde emocional e qualidade na
p es ação de se iços.
A sa is ação p o issional, enca ada no sen ido mo i acional, é conside ada uma a iá el causal
com impac os subs an i os na qualidade dos se iços p es ados, isando ga an i p odu i idade e eduzi
ausências no local de abalho, e ga an i a qualidade dos se iços p es ados nas ins i uições (He zbe g,
1923; Maslow, 1908; W oom 1932).
Maslow (1908), conside ado um dos p ecu so es da pe spe i a mo i acional desen ol eu a eo ia
da hie a quia de necessidades, a pa i da qual des acou as po encialidades e as capacidades humanas
que o ien am a sa is ação p o issional. O mesmo au o , en ende se em as necessidades como
mo i ações que impulsionam o se humano a agi des a ou daquela o ma. Hie a quizou as necessidades
e ep esen ou-as g a icamen e numa pi âmide, onde a base é ocupada pelas necessidades básicas ou
isiológicas que sus en am a exis ência, seguindo-se as necessidades de segu ança, as necessidades
sociais, as de au oes ima e, no opo da pi âmide, as necessidades de au o ealização.
Pa a uma comp eensão da sua eo ia, segundo Ab unhosa e Lei ão (2009) impõe-se a análise
dos seguin es p essupos os: i) As pessoas só endem a a ingi um ní el supe io de mo i ação, se as
necessidades dos ní eis in e io es es i e em sa is ei as; ii) à medida que se sobe na escala hie á quica
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de necessidades, ai c escendo a di e ença en e o que é comum a homens e animais e o que é
especí ico dos se es humanos; e iii) as necessidades dos ní eis in e io es são sen idas po odos os se es
humanos, enquan o as necessidades supe io es su gem apenas num núme o cada ez mais eduzido
de pessoas.
Conside am-se ambém u eis as indicações p o indas do es udo de Vasconcelos (2016), pa a
quem a ealização pessoal deco e de uma cons ução con inua, onde a passagem do ní el in e io ao
imedia amen e supe io depende da sa is ação, o al ou pa cial, das necessidades do ní el in e io . Nes e
sen ido, a sa is ação com o abalho depende, ou pelo menos de e depende , da elação es abelecida
en e a sa is ação das necessidades do indi iduo, o abalho que desempenha e o ambien e onde
desempenha suas unções. O seu acolhimen o o ganizacional adica na esponsabilização da en idade
emp egado a em p opo ciona possibilidades pa a que os seus emp egados ealizem as suas
necessidades de aco do com a sua ealidade e expec a i as, de modo a que es es alcancem ní eis
ele ados de sa is ação, c iando condições pa a que a lide ança e as polí icas o ganizacionais, o ien em
pa a a p odu i idade, e i ando o absen ismo, mui as ezes jus i icado pela ausência de condições pa a
a sa is ação das necessidades dos p o issionais.
A mesma eo ia sus en a que pa a cada ní el de necessidades, exis e um conjun o de
ecompensas e a o es o ganizacionais que de e iam se obse ados na abo dagem do cons uc o da
sa is ação. Po exemplo, no p imei o ní el, o das necessidades isiológicas, elacionado com os
alimen os, a água, o sono, sexo, o ab igo, en e ou os. En e an o conside am-se a o es o ganizacionais
des e ní el os seguin es: o encimen o, as condições de abalho ag adá eis e o e ei ó io. No segundo
ní el, o das necessidades de segu ança, e e em-se as ecompensas, a segu ança, a es abilidade, a
p o eção, en e ou os, cons i uindo-se como a o es o ganizacionais, nes e caso, as condições de
abalho segu as, bene ícios da/na emp esa, e a segu ança no abalho.
No e cei o ní el, o das necessidades sociais, as ecompensas são, po exemplo, o amo , a
a eição, o sen imen o de pe ença, que êm como co espondência, no âmbi o o ganizacional, a coesão
do g upo de abalho, na supe isão amigá el, e a associação p o issional. Po sua ez, as necessidades
de es ima es ão elacionadas com a au oes ima, o espei o, o p es ígio, sendo conside ados a o es
o ganizacionais nes e âmbi o, aspe os como o econhecimen o social, o es a u o da/na unção, e o
eedback no abalho. Finalmen e, a au o ealização, conside ada o ní el mais ele ado ou secundá io de
necessidades, es á elacionado com o desen ol imen o, a c ia i idade e o c escimen o. Os a o es
o ganizacionais elacionados são a unção es imulan e, opo unidades pa a a c ia i idade, o p ocesso de
o ganização e a ealização a a és do abalho (Vasconcelos, 2016).

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Numa pe spe i a di e en e, pelo menos em e mos de sua aplicação, au o es como B own e Len
(2008) suge em que a classi icação de necessidades de Maslow (1968) não de e ia se u ilizada de
modo hie á quico, pa a demons a melho a a iedade de necessidades de odos os indi íduos em
con ex o de abalho e no p ocesso do abalha . Des e modo, ambém, ul apassa-se á ias das c i icas
ap esen adas ao modelo da hie a quia de necessidades de Maslow (1908), dado que se e i ica que as
pessoas podem e le i e sa is aze necessidades secunda ias sem que as necessidades básicas es ejam
sa is ei as, e pode se pouco ú il e adequado, po exemplo, associa p o issões e emp egos menos
quali icados à sa is ação de necessidades básicas, ecompensando os indi íduos apenas nes e ipo de
mo i ações; e, ao mesmo empo, associa as p o issões e emp egos mais quali ican es à sa is ação de
necessidades secunda ias, esquecendo a impo ância de ga an i a ealização das necessidades de odos
os ní eis aos abalhado es, nas o ganizações e idas de abalho.
He zbe g (1923) desen ol eu a eo ia dos dois a o es. Es e au o p ocu ou undamen a a
sa is ação com o abalho, ap esen ando os concei os de sa is ação e insa is ação como enómenos de
na u eza opos a, onde a insa is ação esul a da ca ência ou na ausência de a o es higiénicos (ex ínsecos
ao indi iduo), ais como, o salá io, o ambien e de abalho, as polí icas o ganizacionais, as condições de
abalho e as elações in e pessoais es abelecidas. Po sua ez, a sa is ação exis i á quando es i e em
p esen es a o es mo i acionais in ínsecos ao indi iduo, que podem p omo e o es o ço e o bom
desempenho, ais como, a ealização, a esponsabilidade, o con eúdo do abalho e o c escimen o
p o issional (Pacheco, 2012).
He zbe g (1923), ealizou uma ca ego ização das espos as ela i as à sa is ação com o abalho
e concluiu que de en e os a o es que mais in luência inham sob e as a i udes dos p o issionais,
esponsá eis pelos índices de sa is ação nos abalhado es, es ão a ealização, o econhecimen o, a
elação com os colegas, a supe isão exe cida e a segu ança (B ázio, 2016; Vasconcelos, 2016). Na
mesma linha, pe cebeu-se ambém que os a o es mo i acionais e am os mais esponsá eis po
p omo e a sa is ação no abalho dos indi íduos, ocasionando impulsos in e nos su icien es pa a um
melho desempenho p o issional (Pe ei a, 2005; Rod igues, 2008).
V oom (1932), um dos au o es cuja isão es á o ien ada pa a o sen ido mo i acional da
sa is ação p o issional, desen ol eu a eo ia das expec a i as- alo , na qual o compo amen o do
indi íduo é egulado pelos obje i os ou pa a as me as pessoais o ien adas pa a a ealização pessoal,
suge indo que os desejos e as expec a i as conscien es dos indi íduos são mais impo an es que os
impulsos ou necessidades inconscien es (Amo im, 2012; B ázio, 2016 e Vasconceloss, 2016). Nes a
pe spe i a ainda, conside a-se que exis e um p ocesso cogni i o de aciocino lógico pa a oma decisões,
9
em que o indi iduo é a soma das suas alências e possibilidades de êxi o, o que o ien a a mo i ação
pa a o exe cício das suas a i idades.
De aco do com Rod igues (2008), a eo ia das expec a i as- alo de V oom (1932) de i a dos
concei os de alência, ins umen alidade e expec a i as. Cada um des es concei os é ambém
conside ado um p essupos o undamen al sob e os quais assen a o compo amen o do indi iduo em
elação ao abalho. A alência es á elacionada com o alo a e i o que a pessoa con e e às ecompensas
esul an es do seu desempenho, podendo es as se em posi i as, nega i as ou neu as. Assim, se o
abalhado conside a as alências como posi i as, en ende á ambém que os esul ados pode ão se
a a i os. Em sen ido in e so, pa a as alências conside adas nega i as ou neu as os esul ados pode ão
se conside ados pouco a a i os ou mesmo neu os. A ins umen alidade cons i ui uma conexão en e o
desempenho e a alência, a elação en e os esul ados a uais e u u os e a de inição de possibilidades
como o ma de ga an i sucesso e sa is ação. Finalmen e, a expec a i a e e en e a con icção de
de e minado sujei o em elação a uma ecompensa, is o é, dian e al e na i as di e enciadas, o sujei o
elege a mais ap op iada aos esul ados que espe a e . A ep esen ação da eo ia de V oom (1932)
ap esen a-se adian e, na igu a 1, adap ada de Sil a e Reis (2018).
FIGURA 1 - MODELO DAS EXPECTATIVAS DE VROOM (1932)
Conside am-se, des e modo, as con icções ela i as às alências, à ins umen alidade e à
expec a i a, como a iá eis que in e agem psicologicamen e pa a ge a a o ça mo i ado a, cuja
consequência se e le e na sa is ação p o issional e na p odu i idade dos abalhado es (Rod igues,
2008).
10
A segunda isão e e e-se à sa is ação p o issional en endida como uma a i ude. Os de enso es
des a isão, undamen a am a eo ia da disc epância e sus en am que a sa is ação p o issional é um
es ado emocional posi i o, esul an e da a aliação das expe iências do abalho (A ms ong, 2006; Hulin
& Judge, 2003; Locke, 1976; Spec o , 1997; Weiss, 2002).
Spec o (1997), um dos de enso es des a isão, de ine a sa is ação p o issional como a o ma
em que as pessoas se sen em em elação aos di e en es aspe os do seu emp ego. É um sen imen o
global ou conjun o de a i udes elacionadas com á ios a o es ou ace as do abalho, nomeadamen e,
a es ima, comunicação, colegas de abalho, bene ícios, condições de abalho, a na u eza do p óp io
abalho, o ganização, polí icas e p ocedimen os o ganizacionais, emune ação, c escimen o pessoal,
opo unidades de p omoção, econhecimen o, segu ança e supe isão (Leono , 2018). Nes a pe spe i a,
a a aliação que é ealizada pelo indi íduo esul a da pe ceção das disc epâncias en e o que a pessoa
almeja, aquilo que pe cebe consegui e a impo ância dada aos alo es pe seguidos (San os & Gonçal es,
2011).
A ms ong (2006) de ende a mesma isão da sa is ação p o issional en endida como a i udes e
emoções e sus en a que a sa is ação p o issional pode se concebida como a i udes e sen imen os que
de i am da elação das pessoas com os seus abalhos. O mesmo au o conside a que as a i udes
posi i as podem indica a sa is ação no abalho e as a i udes nega i as podem indica a ausência da
sa is ação no abalho. De e-se comp eende que pa a es e au o , os sen imen os posi i os ou nega i os
e le em as a i udes dos p o issionais e, po sua ez, es as a i udes podem se conside adas como
ins umen os de medida pa a comp eensão da sa is ação dos p o issionais em elação ao seu abalho
(San os, 2012). As a i udes englobam espos as a e i as, c enças e compo amen os em elação aquilo
que é a aliado, chegando-se a de ende a sa is ação como a i ude ou como uma espos a a e i a (Weiss,
2002
ci in
Sa u , 2016).
Na sa is ação p o issional en endida como a i ude incluem-se ambém espos as psicológicas
mul idimensionais ao p óp io abalho, sendo que as mesmas espos as ap esen am as componen es
cogni i as (a alia i as), a e i as (emocionais) e compo amen ais (Saa i & Judge, 2004). Assim, os
de enso es des a pe spe i a en endem-na como sendo o mada po a o es a e i os e cogni i os que
esul am da a aliação que de e minada pessoa az em elação ao seu abalho e a aspe os elacionados.
A es e espei o, au o es como Hell iegel e Slocum, (2011), po exemplo, suge em que as ins i uições
o madas po abalhado es sa is ei os, endem a se mais e icazes nos seus esul ados que ou as, cujos
p o issionais não es ejam assim ão sa is ei os com a sua p o issão.
11
A e cei a isão da sa is ação p o issional, assen a, como já e e ido, em ques ões de domínio
social e humanis a, nomeadamen e, na p e enção e p omoção da saúde men al, no bem-es a subje i o
e social. Nes a isão, a sa is ação p o issional é uma o ma de pe cebe o ní el o ganizacional das
ins i uições que se p eocupam em p omo e e man e a saúde e o bem-es a de seus colabo ado es.
Es a pe spe i a em g ande ele ância na abo dagem da sa is ação p o issional po aze es a
isão impo an e assen e no bem-es a do indi iduo, an o do pon o de is a de sua saúde ísica, como
men al, median e p omoção de condições adequadas à ealização das a i idades p o issionais (G an e
al., 2009). En ende-se, nes e sen ido, que p o issionais sa is ei os expe ienciam menos s esse ao longo
de seu pe cu so p o issional e são socialmen e mais es á eis que ou os (S enlund e al., 2021).
A pa das pe spe i as an e io es, des aca-se a classi icação de sa is ação com o abalho
ap esen ada po Pujol-Cols e Dabos (2018) assen e em ês pe spe i as, nomeadamen e: (i) a sa is ação
com o abalho desde o pon o de is a do en oque si uacional, onde se sublinha a in luência que as
a iá eis o ganizacionais exe cem sob e o compo amen o, as a i udes e bem-es a dos emp egados; (ii)
a pe spe i a do pon o de is a o disposicional que assegu a que os indi íduos possuem es ados men ais
não obse á eis, ligados a aços de pe sonalidade, que são do ados de ela i a es abilidade ao longo do
empo e, como al, p edispõem a sua a i ude e compo amen o numa g ande a iedade de con ex os
o ganizacionais; e, inalmen e, (iii) a sa is ação com o abalho desde o pon o de is a in eg acionis a que
de manei a gené ica, in eg a as duas an e io es pe spe i as, ou seja, cong ega os p essupos os das
pe spe i as si uacional e disposicional.
Nes e domínio de in es igação, de e e i ainda os con ibu os de Smi h (1969) que ap esen ou
o
Job Desc i i e Index
(JDI), a a és do qual p ocu ou ope acionaliza o cons uc o de sa is ação
p o issional em cinco dimensões, nomeadamen e, o p óp io abalho, o salá io, a supe isão, a p omoção
e opo unidades de p omoção, e os colegas de abalho. Na mesma linha, Zhang e Liao (2007)
p opuse am um modelo com cinco dimensões que explicam a sa is ação p o issional, nomeadamen e,
a sa is ação com o mesmo abalho, com a supe isão, a elação com os colegas, a p omoção e o salá io
(Lee e al., 2017).
Em suma, endo em con a a li e a u a e is a, podemos conclui que a sa is ação p o issional ou
com o abalho é explicada po di e sos a o es. Os au o es coincidem em iden i ica (i) a o es de
na u eza o ganizacional que deco em da ges ão e da supe isão dos ges o es em elação aos abalhos
desen ol idos pelos p o issionais, sendo undamen al o ní el de p epa ação dos ges o es e a sua
capacidade de a icula as a ias po encialidades disponí eis nas suas equipas; ii) a o es de na u eza
elacional, que esul am da elação que os p o issionais es abelecem com os seus colegas e o ambien e
18
nas escolas dos Es ados Unidos da Amé ica, conside ando as axas de abandono escola ele adas. Nes e
sen ido, como e e em Pe ie e Bake (1997), a iden i icação de modi icado es da sua sa is ação se ia
socialmen e ú il.
A segunda azão elaciona a-se com a possibilidade da u ilização de uma amos a compos a po
indi íduos com a mesma ocupação p o issional, pois is o cons i ui ia um e e encial comum pa a a alia
di e en es pa icipan es, em elação às a e as da sua ca ei a p o issional, obje i os e condições de
abalho (Len & B own, 2006). Po con a dis o, baseando-se no modelo de sa is ação com o abalho os
seus au o es de ini am a hipó ese segundo a qual, cada uma das cinco a iá eis que compõem o modelo,
nomeadamen e, o supo e social pe cebido, o supo e o ganizacional, as expec a i as de au oe icácia, o
a e o posi i o, e o p og esso nos obje i os pe mi iam p oduzi caminhos di e os pa a a sa is ação com o
abalho, al como ep esen ado na igu a 3, adian e.
Ao mesmo empo, o am idealizados á ios conjun os de elações de mediação nas quais, o
p og esso nos obje i os de abalho media ia pa cialmen e a elação da au oe icácia, do apoio aos
obje i os e condições de abalho com a sa is ação no abalho; no segundo conjun o, a au oe icácia
media ia pa cialmen e a elação en e o apoio aos obje i os e o e ei o posi i o da sa is ação no abalho;
num e cei o conjun o ou caminho, as condições de abalho i iam media pa cialmen e a elação en e
au oe icácia com o abalho e o apoio aos obje i os com a sa is ação no abalho; e, inalmen e, no qua o
conjun o ou caminho, o apoio aos obje i os i ia media pa cialmen e a elação de a e o posi i o com a
sa is ação no abalho (Du y & Len , 2009). Espe a a-se, assim, que o modelo p opos o po Len e B own
(2006) o necesse um ajus e global sa is a ó io aos dados.
No en an o, o modelo não pe mi iu ob e e idência que apoiasse odos os caminhos idealizados.
Po es a azão, o am examinados pelos au o es do modelo, ês caminhos, nomeadamen e i) as c enças
de au oe icácia mediam a elação en e o a e o posi i o e a sa is aço com o abalho, ii) as condições de
abalho medeiam a elação en e a au oe icácia e a sa is ação com o abalho, e iii) as condições de
abalho medeiam a elação en e o supo e aos obje i os e a sa is ação com o abalho (Du y & Len ,
2009).
A análise p opo cionou bons esul ados de ajus e dos dados ao modelo es u u al, apesa de
que, nem odos os caminhos o am consis en es. Em pa icula , des aca-se ês a iá eis do modelo,
nomeadamen e, as condições de abalho, a au oe icácia, e o a e o posi i o, que p oduzi am elações
di e as com a sa is ação com o abalho, enquan o o p og esso nos obje i os e o supo e social não
p oduzi am elações signi ica i as com a sa is ação no abalho. Adicionalmen e, as condições de
abalho o am idas como um g ande mediado da elação do supo e social com a sa is ação com o

19
abalho e, po ou o lado, um mediado pa cial da elação da au oe icácia com a sa is ação com o
abalho (Du y & Len , 2009).
Assim, en endeu-se que os p o esso es que expe iencia am emoções posi i as (a e o posi i o),
que se sen iam mais con ian es na ealização das a e as da sua ca ei a (c enças de au oe icácia), e
que pe cebiam e condições adequadas e supo e o ganizacional con enien e pa a ealização das suas
a e as, endiam a es a mais sa is ei os com o seu abalho compa a i amen e àqueles com sen imen os
e pe ceções dissemelhan es a es es.
Impo a des aca ou os e ei os elacionados que podem con igu a limi ações do es udo em causa,
nomeadamen e, o ipo de amos a cons i uída maio i a iamen e po mulhe es e homens b ancos o que
limi ou cla amen e a gene alização dos esul ados; os ins umen os u ilizados, po se em medidas de
co ela os esul ando e en ualmen e numa iés me odológica e em alguma espécie de de e minismos
na de inição dos elemen os de ep esen ação de de e minadas cons uções la en es do modelo, como
po exemplo, o a e o posi i o que oi u ilizado em sepa ado pa a ep esen a os aços a e i os da
pe sonalidade, deixando de pa e o a e o nega i o (Du y & Len , 2009).
Em unção dos es udos an e io es e das limi ações elencadas, o modelo oi es ado numa
amos a di e en e, em e mos cul u ais e conside ando a ep esen ação do géne o. Adicionalmen e a
es es elemen os, pa a da espos a a uma das limi ações do es udo an e io , nomeadamen e, a u ilização
do a e o posi i o como único ins umen o de a aliação das emoções posi i as, Len e colabo ado es
FIGURA 3 - MODELO SOCIOCOGNITIVO DE SATISFAÇÃO (DUFFY & LENT, 2009)
20
(2011) es a am o modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho, adicionando mais uma a iá el,
nomeadamen e a sa is ação com a ida em ge al. Impo a desde logo conside a que as limi ações do
es udo an e io , nomeadamen e, o da limi ada ep esen ação é nica e da ep esen a i idade em e mos
de géne o não o am suplan adas em nenhum dos dois es udos e e idos.
No no o es udo conduzido po Len e colabo ado es (2011), o am encon ados índices
adequados de ajus e do modelo, capazes de explica ce ca de 41% da sa is ação com o abalho e 24%
da sa is ação com ida em ge al, al como se pode con i ma as es ima i as ap esen adas adian e na
igu a 4. A maio ia dos caminhos di e os idealizados pelo modelo o am conside ados plausí eis; de
o ma pa icula , o a e o posi i o, as condições de abalho e o supo e social elacionam-se di e amen e
e de modo signi ica i o com a sa is ação com o abalho. Con a iamen e ao es e ealizado po Du y e
Len (2009), não se e i icou uma associação di e amen e signi ica i a en e a au oe icácia e a sa is ação
com o abalho.
A maio ia das elações de mediação o am ambém conside adas consis en es. Des acam-se a
au oe icácia, as condições de abalho e o supo e social pe cebido, cada um dos quais associado
di e amen e ao p og esso nos obje i os, explicando 29% da a iação no p og esso nos obje i os. Po
ou o lado, a au oe icácia e o supo e social, p oduzi am caminhos di e os às condições de abalho. O
a e o posi i o mos a-se o emen e ligado à au oe icácia e mode adamen e ao supo e social pe cebido.
Con a iamen e ao que e a expec á el, não o am encon adas elações signi ica i as en e o
supo e social e a au oe icácia. Iguais esul ados não signi ica i os o am achados pa a o p og esso nos
obje i os e pa a a au oe icácia, já que cada um deles não con ibui pa a explica a sa is ação com o
abalho.
21
Finalmen e, concluiu-se que a sa is ação com o abalho, o p og esso nos obje i os e o a e o
posi i o es ão di e a e o emen e associados à sa is ação com a ida em ge al.
Do e e ido es udo, suge i am-se um conjun o de caminhos pa a in es igações pos e io es, ais
como: es a o modelo numa amos a compos a po p o issionais não docen es, pelo a o de pode em
exis i p edi o es como o apoio social que pode se mais impo an e pa a classe docen e, onde as
in e ações sociais são mais cons an es que em abalhos mais soli á ios. Nes es, e en ualmen e, o
desempenho não depende mui o das ap eciações sociais; ou a di eção se ia examina com mais de alhe
os obje i os
e sus
aspe os especí icos das a e as no modelo; ambém se conside a que se ia ú il
compa a di e en es mé odos de a aliação do p og esso dos obje i os pa a se a alia melho os
esul ados.
Es as suges ões pe mi i am que ou os in es igado es ambém pudessem desen ol e es udos
e es a o modelo sociocogni i o de sa is ação em g upos populacionais de di e en es con ex os e e i ica
sua e icácia, bem como as elações in e nas que explicam não só a sa is ação com o abalho e com a
ida em ge al, como ambém, as elações que se es abelecem en e as espe i as a iá eis. Seguem-se
alguns esul ados dos es udos empí icos ealizados com ecu so ao es e do modelo sociocogni i o de
sa is ação com o abalho.
Bad i e colabo ado es (2013) ealiza am um es udo com uma amos a de 5022 docen es em
Abu Dhabi, nos Emi ados Á abes Unidos, com o obje i o de de e mina a alidade de cada um dos a o es
p edi o es do modelo de Len e B own 2006 e de Len e colabo ado es, (2011). Pa a medi a sa is ação
com o abalho, o am usados dois ins umen os, nomeadamen e, os cinco i ens da e são cu a do
.35*
Au oe icácia
Docen e
Supo e
O ganizacional
Supo e
Social
Sa is ação
com o
T abalho
Sa is ação
Vida em
Ge al
A e o
posi i o
P og esso
nos obje i os
.
.10*
.13*
FIGURA 4 - MODELO SOCIOCOGNITIVO DE SATISFAÇÃO COM O TRABALHO DE (LENT ET AL., 2011)
22
índice de sa is ação com o abalho (Judge e al. 1998) e a escala de sa is ação docen e (Lim-Ho & Tung-
Au, 2006). Pa a medi o a e o posi i o o am usados os i ens posi i os da escala do a e o posi i o e
nega i o (Wa son e al., 1988) na sua e são eduzida, e são es a usada (Len e al., 2006).
Pa a medi o g au em que os pa icipan es conside a am o ambien e como de supo e, oi
aplicada a escala modi icada po Du y e Len , (2009), especi icamen e desen ol idas pa a o es udo de
e e ência. Pa a medi a pe ceção em elação a a o abilidade do seu ambien e de abalho, usa am-se
ês ins umen os/escalas, nomeadamen e, a escala do ajus e pessoa/o ganização, a escala das
necessidades/supo e desen ol idas po Cable e DeRue, (2002); e a e são eduzida da escala de
pe ceção do supo e o ganizacional con o me Eisenbe ge e colabo ado es (1986), que, nes e es udo,
oi u ilizada pa a medi as condições de abalho.
Pa a o e e ido es udo, o am de inidas as hipó eses do modelo sociocogni i o de sa is ação com
o abalho de Len e B own (2006), bem como os es es pos e io es ealizados pa a caminhos di e os e
indi e os en e os a o es do modelo pa a escla ece a associação des as à sa is ação com o abalho e
a sa is ação com a ida (Len e al., 2009, 2011). É o es udo que mais pa icipan es e e, con ando com
um uni e so de 5022 docen es com ep esen a i idade ligei amen e equilib ada em e mos de géne o.
Não obs an e a is o, o c i é io da ep esen a i idade é nica não oi conside ado, con o me suge ido (Len
e al., 2011).
Os esul ados do es e das hipó eses ela i as ao modelo apon a am pa a um ajus e ó imo do
modelo es u u al, com o a e o posi i o, o p og esso nos obje i os e as condições de abalho, as a iá eis
que de o ma di e a o am capazes de explica a sa is ação com o abalho (Bad i e al., 2013). Tal como
nos esul ados ob idos do es udo ealizados po Len e colabo ado es (2011), a au oe icácia ambém
não p oduziu uma elação es a is icamen e signi ica i a, mui o menos o supo e social pe cebido, na sua
elação com sa is ação com o abalho.
Não obs an e, o am encon adas elações en e a iá eis, ais como do a e o posi i o com o
supo e social pe cebido, do a e o posi i o com a au oe icácia, do a e o posi i o com as condições de
abalho, do supo e social com a au oe icácia e do apoio social com as condições de abalho. Em ou os
aje os de mediação co esponden es às hipó eses do modelo, concluiu-se que o p og esso ela i o aos
obje i os medeia pa cialmen e os e ei os da au oe icácia na sa is ação com o abalho; as condições de
abalho medeiam pa cialmen e a elação da au oe icácia e do supo e social pe cebido com a sa is ação
com o abalho (Bad i e al., 2013a).
En endeu-se ambém que os esul ados di e i am dos es udos de e e ência, nomeadamen e,
dos es udos de Du y e Len (2009) assim como de Len e B own (2006), po não ap esen a em uma
23
elação di e a en e a au oe icácia e a sa is ação com o abalho. Es e esul ado di e en e pode se
explicado pelas condições sala iais dos docen es que, à da a da ealização da pesquisa, não
co espondiam às exigências con ex uais, com uma in lação mui o al a em elação às ecei as
pe capi a
.
Po ou o lado, Buyukgoze-Ka as e colabo ado es (2014), es a am o modelo es u u al numa
amos a de 500 p o esso es de Anka a, Tu quia (73% mulhe es) com o obje i o de a alia como as
a iá eis do modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho, nomeadamen e, o p og esso nos
obje i os, au oe icácia, a pe ceção do supo e o ganizacional e o a e o posi i o, p ediziam a sa is ação
de docen es u cos. Além dis o, es es au o es p e endiam compa a como es as co elações di e iam de
aco do com os ní eis de ensino, nomeadamen e, en e os p o esso es do ensino básico e os p o esso es
do ensino secundá io.
Os esul ados das análises indica am que as a iá eis que es a am di e a e posi i amen e
associadas à sa is ação com o abalho docen e e am o supo e o ganizacional, o p og esso nos obje i os
e o a e o posi i o, suge indo des a o ma que p o issionais que êm um sen ido posi i o da ida ou que
expe iencia am emoções posi i as (a e o posi i o), que pe ceciona am p og esso em elação aos seus
obje i os de abalho (p og esso nos obje i os) e se sen iam apoiados pela es u u a o ganizacional de
u ela (supo e o ganizacional), es a am mais sa is ei os com o seu abalho (Buyukgoze-Ka as e al.,
2014). A exemplo do es udo ealizado po Len e colabo ado es (2011) e Sheu e Bo don (2016),
Buyukgoze-Ka as e colabo ado es (2014) e i ica am que a au oe icácia e o p og esso nos obje i os não
se mos a am di e a e es a is icamen e signi ica i os em elação ao p og esso nos obje i os.
Na mesma senda, Ramos e colabo ado es (2016) ealizam um es udo explo a ó io-desc i i o
cujo obje i o consis iu em iden i ica a o es sociocogni i os da sa is ação com o abalho. O es udo
con ou com a pa icipação de 495 p o esso es dos es ados de Pa á, Amapá e Ma anhão, no B asil, a
abalha em escolas de educação in an il, ensino undamen al e médio, e i ados duma população de
1079, selecionados a a és de amos agem alea ó ia simples.
Em e mos de seleção de ins umen os, e de inição de hipó eses, os e e idos au o es o am
cong uen es com (Len e al., 2011). No en an o, os esul ados ap esen a am-se com alguma di e ença
conside á el compa a i amen e aos es udos já desc i os. Apesa de exis i um ajus e global signi ica i o
do modelo, as a iá eis como o a e o posi i o e as condições de abalho de o ma isolada não p oduzi am
caminhos di e os pa a a sa is ação com o abalho. Igualmen e, a au oe icácia com o abalho docen e
não p oduziu um caminho di e o pa a a sa is ação com o abalho. Con udo, es e esul ado ai ao
encon o dos esul ados encon ados em ou os es udos (Bad i e al., 2013; Len e al., 2011). Es a

24
a iabilidade pode se explicada pela p eca iedade das condições de abalho e condições sala iais dos
p o esso es b asilei os (Ramos e al., 2016).
Po ou o lado, pode se ambém um sinal de que o modelo enha maio aplicabilidade em
con ex os cujas condições básicas pa a o exe cício da a i idade p o issional e ealização das a e as
consen âneas às ca ei as, es ejam assegu adas como se em pe cebendo no p esen e es udo. Ainda
no mesmo es udo, e i icou-se a a és de análises de eg essão que a au oe icácia cole i a/supo e social
pe cebido e a au oe icácia indi idual não explicam a sa is ação com o abalho docen e. No en an o, o
supo e social explica a au oe icácia, o p og esso nos obje i os, a sa is ação com a ida em ge al, o a e o
posi i o e o apoio de e icácia ele an e (Ramos e al., 2016).
FIGURA 5 - MODELO SOCIOCOGNITIVO DE SATISFAÇÃO COM O TRABALHO (RAMOS ET AL., 2016)
Assim, conside ando odos os c i é ios me odológicos acei á eis pa a a ealização do e e ido
es e do modelo, concluiu-se que o modelo explica a de o ma ge al 12% e cada uma das a iá eis
explica a apenas 1%, si uação jus i icada pela p eca iedade das condições disponibilizadas aos
p o issionais, baixos salá ios e pelas di e enças signi ica i as encon adas nos pa icipan es em
compa ação com a amos a dos pa icipan es do es udo inicial (Ramos e al., 2016).
Lee e Shin (2017) ambém es a am o modelo com o obje i o de explo a os p edi o es do
modelo sociocogni i o que melho explica am a sa is ação com o abalho e com a ida (Du y & Len ,
2009; Len e al., 2011; Len & B own, 2006). Pa icipa am nes a pesquisa, 221 (151 mulhe es)
p o esso es de escolas da Co eia do Sul, com uma média de idades, de 39.61 anos, a exe ce em unções
docen es em escolas públicas e p i adas do segundo ciclo, com expe iências p o issionais que a ia am
de 1 a 43 anos.
Impo a e e i o ac o de e em ei o ecu so a um ins umen o di e en e pa a medi a sa is ação
com o abalho, is o é a
Sa is ac ion Ques ionnai e o Minneso a
de Weiss e al. (1967), ci ado po (Lee
25
& Shin, 2017). Em elação às hipó eses o am igualmen e coe en es aos demais au o es, sob e udo aos
que es a am o modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho, exce uando o ac o de e em incluído
mais uma a iá el, nomeadamen e, a do supo e amilia . O modelo p oduziu um bom ajus e, consis en e
com os esul ados dos es udos an e io es.
A a iá el de apoio amilia e e um e ei o di e o e indi e o na sa is ação com o abalho e com a
ida, enquan o o a e o posi i o e e um e ei o di e o na sa is ação com a ida, mas apenas um e ei o
indi e o na sa is ação com o abalho a a és da au oe icácia e as expec a i as de esul ados. Toda ia os
au o es conside am um ajus e ó imo do modelo, endo em con a as ques ões cul u ais ou con ex uais
que, à pa ida, impõem mudanças na abo dagem dos esul ados (Lee & Shin, 2017).
Lapuen e e Emp esa ial (2019) es a am o modelo com o i o de explo a os a o es que p edizem
a sa is ação com o abalho. O es e oi ealizado numa amos a de 684 abalhado es não docen es do
sec o p i ado da cidade de Có doba, na A gen ina (55% homens), di e en e de odos es udos desc i os.
De aco do com os esul ados, o MSCTS e e ajus e inicial insa is a ó io (x2 = 9.33, gl = 1, CFI=.98,
TLI = .78, SRMR = .03), jus i icado pela p esença de caminhos
cuja co a iância não e a es a is icamen e
signi ica i os. Po exemplo, a a és de uma análise de eg essão, os au o es do es udo pe cebe am que
o aje o en e a au oe icácia e o p og esso nos obje i os não e am es a is icamen e signi ica i os (β
es anda dizado= -.02, p = .80). No en an o, depois de e sido eliminado es e aje o, os esul ados
melho a am signi ica i amen e al como se pode obse a na igu a 6.
Com es a al e ação as a iá eis do modelo o am capazes de explica ce ca de 65% de
a iabilidade da sa is ação com o abalho, endo conseguido alcança os mesmos esul ados ou
caminhos dos es udos de (Len e al., 2011).
De o ma pa icula , nes e es udo, os a o es do modelo que melho p edisse am a sa is ação
com o abalho o am o a e o posi i o e o supo e social pe cebido. Na elação en e a iá eis ambém
o am con i mados os aje os do a e o posi i o ao supo e social pe cebido e à au oe icácia, sendo es e
o que ob e e maio índice. Na mesma o dem, os aje os do apoios social pe cebido à au oe icácia,
p og esso nos obje i os e expec a i as de esul ados o am con i mados, assim como ambém o caminho
en e o supo e social mediado pelo p og esso nos obje i os e do supo e social mediado pelas
expec a i as de esul ados pa a com a sa is ação com o abalho; inalmen e, ambém oi con i mado o
aje o en e o supo e social pe cebido mediado pela au oe icácia pa a com a sa is ação com o abalho
(Lapuen e & Emp esa ial, 2019).
O que se pode dep eende depois dos a iados es es ealizados em elação ao MSCT é que
exis e uma dependência signi ica i a dos a o es con ex uais. A exemplo dis o, os ajus es o am de o ma
26
eco en e mui o di e en es em elação a cada con ex o social. Po exemplo, quando o con ex o social é
de maio desen ol imen o, melho pa ece se o ajus e do modelo. Assim, impo a analisa , nes e caso,
o con ex o do ensino supe io angolano, ap esen ado no pon o seguin e des e abalho, pa a melho
comp eende mos a é que pon o o modelo sociocogni i o de sa is ação docen e no ensino supe io pode á
se ú il e ado ado como quad o explica i o no con ex o angolano.
1.4 O Con ex o do Ensino Supe io em Angola
O ensino supe io em Angola es á associado ao pe cu so do con ex o socio-his ó ico e polí ico do
País. Pa a cada es ádio de desen ol imen o socio-his ó ico, o am c iadas condições e medidas de
polí icas co esponden es. Inicialmen e, assen ou os seus obje i os na c iação de uma na a c í ica capaz
de ga an i a emancipação socioeconómica do país.
Seguidamen e, p ocu ou-se o ma p o issionais capazes de in e p e a e de ende a e olução.
Pos e io men e, median e as necessidades con ex uais e a mudança do oco na go e nação, es es
obje i os de de ende e in e p e a con enien emen e os di ames da e olução, o am suplan ados com
a necessidade de se o ma quad os capazes de in e p e a a ins alação de uma economia de me cado
e uma sociedade democ á ica (Sil a, 2016). É impo an e des aca que a maio ia dos conhecimen os
que desc e o deco em dos esc i os de Sil a (2016
2
), po se o au o quem mui o se des aca no es udo
da his ó ia do ensino supe io e que ambém di ige a Sec e a ia de Es ado do Minis é io do Ensino
Supe io em Angola.
Nes e âmbi o, o ensino supe io oi c iado o icialmen e em 1962, en e an o, an es des a da a,
á ios passos o am dados. Su ge num con ex o con u bado da his ó ia de angola, mo i ado po p essões
in e nas e ex e nas. Do pon o de is a de p essões ex e nas, des aca-se: as ações da bu guesia colonial
que sen iu us ada a con inuidade dos es udos de seus ilhos; a conjun u a in e nacional, com ealce
as di e en es con e ências in e nacionais (
e.g.
con e ência a o-asiá ica de
Bandung
), enden es a
despe a a necessidade de libe dade dos po os ou das colónias. A ní el in e no, des aca-se a p imei a
mani es ação em 1940, na Huila, quando um g upo de académicos e/ou docen es da época decidiu
ap esen a uma p opos a que i ia a se negada po se en ende como uma opo unidade de c iação de
um oco de nacionalismo à exemplo do B asil, o que e mina ia num mo imen o de independen is a
(Ca alho, 2013).
2
Eugénio Adol o Al es da Sil a, Dou o amen o em Educação, na especialidade de O ganização e Adminis ação Escola pelo Ins i u o de Educação da
Uni e sidade do Minho, em B aga, Po ugal, ins i uição onde minis ou aulas du an e 19 anos (1994-2013). Desempenha a unção de Sec e á io de Es ado
do ensino supe io desde 2017 á da a. É publicado egula com des aque pa a o li o ges ão do Ensino Supe io em Angola, ob a que mui o se iu pa a
undamen ação da secção da con ex ualização do ensino supe io em Angola.
27
A pa dos en a es pa a sua a i mação, es o ços pa alelos não al a am pa a ga an i
con inuidade na linha do desen ol imen o do ensino supe io . Nes e sen ido, des acam-se as ações da
Ig eja Ca ólica que, den o da sua ocação de o mação sace do al, em 1958 c iou o Seminá io com
es udos supe io es em Luanda e no Huambo, que unciona iam como um impo an e ins umen o
mo i acional pa a au oa i mação do po o e e o ço da on ade do po o angolano em e uma ins i uição
de ensino supe io pa a o ma quad os locais. Adiciona-se a es es es o ços, a c iação do Ins i u o Pio XII
em 1962 ocacionado pa a a o mação de assis en es sociais, igualmen e da esponsabilidade da ig eja
Ca ólica.
Com as ações an e io men e isadas, que in luencia am a c iação do ensino supe io angolano,
a adminis ação po uguesa ê-se p essionada a cede e, em Ab il de 1962, com a ap o ação do p oje o
do Diploma Legisla i o nº 3235, pelo Conselho Legisla i o de Angola, ins i uí am-se os Cen os de
Es udos Uni e si á ios, jun o dos Ins i u os de In es igação en ão exis en es e do Labo a ó io de
Engenha ia de Angola (Simões e al., 2016).
Em 1962, com a ap o ação do Dec e o-Lei nº 44530, Minis é io da Ul ama (1962), c ia am-
se os Es udos Ge ais Uni e si á ios de Angola e Moçambique. Em 1968, os es udos ge ais ganham um
es a u o de uni e sidade e passa a chama -se Uni e sidade de Luanda, si uação que e o ça ia a
au onomia em elação a sua me ópole, o alecida com a au o ização pa a se pode con e i o g au de
licencia u a, di ei os que lhes o a negado (Libe a o, 2019; Ul a ama , 1968).
Com a p oclamação da Independência em 1975, a Uni e sidade de Luanda passa a se
chamada Uni e sidade de Angola, nome que pe maneceu a é 1985, pe íodo que passou a se chamada
de Uni e sidade Agos inho Ne o (UAN) em homenagem ao seu p imei o Rei o e concomi an emen e,
p imei o P esiden e da República Popula de Angola (Sil a, 2016). a segui ap esen am-se igualmen e
um conjun o de ap eciações ligadas ao ensino supe io angolano ex aídas dos ex os do p o esso
Eugénio Sil a.
A assina u a dos aco dos de
Bissesse
em 1991, al u a da ealização de eleições mul ipa idá ias
de 1992 e a a i icação do p o ocolo de Lusaca em 1994, p o agoniza am uma i agem na con igu ação
da ida go e na i a do País, ab indo-se espaço pa a implan ação do mul ipa ida ismo e a democ acia
social. Es e p ocesso acenou pa a um cená io de conc e ização do p ocesso de democ a ização da
adminis ação uni e si á ia, bem como, da c iação da p imei a Uni e sidade p i ada - Uni e sidade
Ca ólica de Angola (UCAN), que mo i ou o su gimen o de mais de uma cen ena de Ins i uições de Ensino
Supe io (IES) p i adas espalhadas em odo país.
34
Num ou o es udo ealizado em angola, conc e amen e na p o íncia de Benguela, Chipuca
(2020) conclui que exis e uma ligação iangula sis émica en e elemen os que engend am o
desempenho p o issional. Com o e e ido es udo p e endia pe cebe a ele ância da mo i ação como
impulsionado da sa is ação e do desempenho p o issional dos docen es. No en an o, a a és do
iangulo de componen es que conco em pa a o bom desempenho p o issional usado pela au o a, a
mesma conclui que a sa is ação acaba sendo um condimen o impo an íssimo, con indo pa a al a
a enção aos di e en es a o es que conco em pa a a sa is ação docen e.
Nes a o dem, o es udo e elou que os pa icipan es do es udo em e e ência, es a am sa is ei os
com o ambien e de abalho que en ol e essencialmen e os seus colegas de abalho e alunos, no en an o
mais de 80% não es a am sa is ei os em elação aos salá ios, ce ca de 42% não es a am sa is ei os em
elação a di eção da suas ins i uições ou seja, não pe ceciona am supo e o ganizacional ele an e; em
elação as condições de abalho a escala que ai de pouca di iculdade a mui o g ande di iculdade
ep esen a a 74%; po ou o lado o nume o do pessoal docen e que pe ceciona a insa is ação com o
ele ado nume o de alunos na sala ep esen a a 82.3%, al como e e e (Chipuca, 2020).
Os esul ados do es udo an e io indicam ní eis al os da ausência de sa is ação po pa e da
classe docen e angolana, que a ní el do ensino supe io que en ol e o ensino uni e si á io e o
poli écnico, como os pe encen es ao ensino ge al, is o é, em aspe os cen ais da ida dos espe i os
p o issionais, indicando igualmen e a necessidade de melho ia nes es a o es po o mas a aumen a a
mo i ação e o desempenho dos espe i os quad os.
Lunga e colabo ado es (2020) p e endiam en e ou os obje i os pe cebe o g au de sa is ação
docen e e a in luencia des a na compe i i idade e no desen ol imen o das ins i uições de ensino supe io .
Pa a al ap esen ou uma sé ie de a o es, nomeadamen e, a sa is ação global dos uncioná ios com a
ins i uição; a sa is ação com a ges ão e o sis ema de ges ão; a sa is ação com as condições de abalho;
a sa is ação com desen ol imen o da ca ei a; a sa is ação com o ní el de mo i ação; a sa is ação com
o es ilo de lide ança; a sa is ação com es ilo de lide ança de opo; sa is ação com as condições de
higiene, segu ança, equipamen os e se iços; e a sa is ação com o sis ema de emune ação igen e.
Os esul ados indica am que os docen es angolanos da egião do Cuanza sul sa is ei os com a
maio ia dos a o es, com exceção da sa is ação com as condições de higiene, segu ança, equipamen os
e se iços e da sa is ação com o sis ema de emune ação igen e (Lunga e al., 2020). Es es esul ados
con e em uma ez mais a ideia da necessidade de se em melho adas as condições de abalho que
ga an em segu ança, melho p es ação de se iços e a qualidade da p óp ia ema cação que se a ibui
aos docen es uni e si á ios angolanos. De essal a , que es es aspe os cons i uem apanágio das mui as

35
lu as p o agonizadas pela classe docen e angolana, azão pela qual, du an e o p ocesso de esc i a da
p esen e ese, o ensino supe io angolano e a classe docen e em pa icula p o agoniza am mui as
pa alisações das aulas como o ma de se mani es a con a as condições julgadas insu icien es.
Um ou o es udo a não igno a , ealizado po Capi a (2021) em solo angolano p ocu ou
comp eende a sa is ação das expec a i as dos
s akeholde s
in e nos da Uni e sidade Onze de No emb o
(UON) e suas implicações na qualidade de ensino. Baseados em Robbins e colabo ado es (2011) o au o
u iliza uma escala que ques iona quão sa is ei os os docen es es a am com seu abalho e de seguida
p ocu am iden i ica os a o es do abalho alinhados a sa is ação global pa a se pode ins ui uma
escala pad onizada e, a a és do soma ó io dos espe i os a o es, se pode ob e uma pon uação ge al
da sa is ação com o abalho.
Nes e es udo o am iden i icados di e en es a o es conco des a sa is ação das espec a i as dos
docen es, onde se inse e as condições adequadas de abalho, uma emune ação condigna, a
possibilidade de se aze ca ei a (p omoção na ca ei a), o econhecimen o do abalho, es udan es
comp ome idos e os bene ícios sociais que mui o são necessá ios pa a a cons ução e uncionamen o
da es u u a social do docen e uni e si á io (Capi a, 2021).
Como esul ados das análises, os esul ados apon a am pa a o seguin e: (i) Em elação ao
econhecimen o do abalho e p og essão na ca ei a, hou e ce a mani es ação da es agnação na
ca ei a po mais de 3 anos pa a a maio ia dos docen es, numa pe cen agem de 90.9, suplan ando
es a uído po lei, a a és do Dec e o n˚ 3/95 de 24 de ma ço, que ap o ou o Es a u o da ca ei a docen e
uni e si á ia; (ii) em e mos de usu uição de uma ema cação condigna, o es udo indicou que as
condições de emune ação não são su icien es pa a a ende as p incipais necessidades dos docen es
uni e si á ios a e os à UON, uma ez que os p o esso es são ob igados a eco e a ou as on es ou
o mas pa a sa is aze algumas das mui os necessidades e co esponde des a o ma as exigências e
esponsabilidades amilia es; (iii) quando as condições de abalho, o es udo concluiu que há
necessidade de consegui condições adequadas e ajus adas ao ensino de qualidade eque ido. É de
no a que algumas condições exis en es, sob e udo ligadas as on es bibliog á icas, especi icamen e pa a
as biblio ecas ísicas não se ajus am ao ní el de ensino. Os manuais são insu icien es, desajus ados e
an igos; (i ) Em e mos de ga an ia de se iços sociais, conside am os inqui idos como sendo
insu icien es, conside ando a necessidade da acessibilidade a mais se iços e possibilidades po pa e
dos docen es pa a da maio dignidade a classe e anquilizá-los na con inuidade da p es ação de bons
o ícios.
36
Dadas a limi ações de es udos nacionais, conside a-se impo an e comp eende a sa is ação dos
docen es uni e si á ios angolanos a pa i do enquad amen o do subsis ema do ensino supe io
angolano, pa a se pode conhece o posicionamen o assumido pelos docen es uni e si á ios ao longo
dos empos pa a se alcança a sa is ação.
37
Capí ulo 2 - Mé odo
38
2.1 Hipó eses
Es e es udo es a o ajus e global de um modelo de sa is ação com o abalho docen e
uni e si á io p opos o po Len e colabo ado es (2011). Es e modelo p e ê a exis ência de elações di e as
e indi e as de a iá eis sociocogni i as (e.g., au oe icácia), com a sa is ação com o abalho, e com a
sa is ação com a ida em ge al. Em coe ência com o modelo, a segui são ap esen adas as seguin es
hipó eses:
- H1 - Todas as a iá eis do modelo êm um e ei o di e o na sa is ação com o abalho;
- H2 – O a e o posi i o es á di e amen e associado ao supo e social pe cebido, à
au oe icácia, ao p og esso nos obje i os e ao supo e o ganizacional;
- H3 - O supo e social pe cebido es á di e amen e associado à au oe icácia, ao
p og esso nos obje i os e ao supo e o ganizacional;
- H4 – A au oe icácia es á di e amen e associada ao p og esso nos obje i os e ao
supo e o ganizacional;
- H5 – O p og esso nos obje i os, o a e o posi i o e a sa is ação p o issional es ão
di e amen e associadas à sa is ação com a ida em ge al.
O modelo ambém p e iu aje os indi e os, ais como:
- H6 - O a e o posi i o es á associado indi e amen e à sa is ação com o abalho a a és
da au oe icácia e do supo e o ganizacional e do supo e social pe cebido;
- H7 - O supo e social pe cebido es á associado indi e amen e à sa is ação com o
abalho a a és da au oe icácia e ao supo e o ganizacional;
- H8 - O supo e social pe cebido es á associado indi e amen e à sa is ação com o
abalho median e a a és do p og esso nos obje i os.
2.2 Pa icipan es
Pa icipa am nes e es udo, docen es de Ins i uições de Ensino Supe io Públicas e P i adas
(IESPP), selecionados pelo c i é io não p obabilís ico, na modalidade alea ó ia simples, dando a
possibilidade ao maio núme o possí el dos docen es in eg ados em odas as egiões académicas de
Angola, endo em conside ação o Dec e o P esidencial nº 7/09 de 12 de maio (Diá io da República,
2009) conjugado com o Dec e o P esidencial nº 188/14 de 4 de Agos o (Angola, 2014). Os e e idos
dec e os es abelecem a eo ganização das Ins i uições de Ensino Supe io Públicas e P i adas, bem
como, o edimensionamen o da VII egião e consequen e c iação da VIII egião académica.
39
Conside a-se ele an e o c i é io da ep esen a i idade geog á ica pa a e ei os de sua
gene alização, endo em con a que o p o ocolo de ecolha oi disponibilizado em odas egiões
académicas e ececionados pela maio ia dos espe i os docen es. Es e p ocedimen o ambém pe mi iu
que o p o ocolo de ecolha alcançasse odas as p o íncias do País.
Fo am de e minados como c i é ios de inclusão pa a pa icipação no es udo, os seguin es
a o es: i) se -se angolano ou es angei o inculado numa das IES pública, público-p i ada, e ou p i ada,
ii) e pelo menos 1 um ano de expe iência, iii) e e disposição de pa a pa icipa no es udo. Fo am
de inidos como c i é ios de exclusão, os seguin es a o es as seguin es condições p o issionais: i) se
p o esso jubilado, ou e ecém-admi ido, ou mesmo sem expe iência em con ex o de sala de aula; ii) e
aqueles que no momen o da ecolha, es ejam a exe ce de e minada unção de di eção e che ia ao ní el
da espe i a ins i uição de ensino supe io ou em uma ou a que não seja a sua ins i uição o icial.
Assim, pa icipa am no es udo um o al de 173 docen es uni e si á ios angolanos, com idades
comp eendidas en e 26 e 66 anos (
M
=39.02,
DP
= 9.291), sendo 45 (26%) mulhe es e 128 (74%)
homens. Pa icipa am docen es uni e si á ios a e os às Ins i uições públicas e p i adas das oi o egiões
académicas do ensino supe io , sendo a 5ª egião a que ap esen a mais pa icipan es (n=65, 37.6%),
seguida da II egião académica com 40 (23.1%) pa icipan es – em de imen o da 3ª e 8ª com apenas
3 (1.6%) pa icipan es pa a cada uma delas, en e an o, en e os pon os mais al os e baixos, igu am a I,
a VI e a III egiões com 20(11.6%), 27(15.6%) e 11 (6.4%) espe i amen e.
Dos pa icipan es, 171 (98.84%) são angolanos, 1(0.6%) um ie nami a e (0.6%) um cubano. Dos
mesmos, 47 (27.2%) são licenciados, 82 (47.4%) são mes es, 41 (23.7%) dou o es e Pós-Dou o ados,
ep esen ados pelas seguin es ca ego ias cien í icas: 54 (31.2%) assis en es es agiá ios, 55 (31.8%)
assis en es, 45(26%) p o esso es auxilia es e, 10 (5.8%) p o esso es associados, e 9 no e (5.2%)
p o esso es ca ed á icos. Do o al dos pa icipan es, 108 (62.4%) es ão na docência como sendo a
p imei a opção de ca ei a, con a iamen e aos 65 (37.4%), os quais não êm a ca eia docen e como
p imei a opção de ca eia. Cen o e seis dos pa icipan es (61.3%) nunca i e am opo unidades de
p omoção na ca ei a, enquan o 67 (38.7%) que assumem já e em ido opo unidade de p omoção na
ca ei a. Dos pa icipan es, 111 (64.2%) não se sen em sa is ei os com seus salá ios, con a iamen e a
is o, 62 (35.8%) sen em-se sa is ei os com os seus salá ios.

40
2.3 Ins umen os
Nes a secção desc e em-se os ins umen os u ilizados pa a a ecolha dos dados,
nomeadamen e, a escala do a e o posi i o, a escala de pe ceção do supo e social, a e são cu a da
escala de pe ceção de c enças de au oe icácia docen e, a e são cu a da escala de pe ceção do supo e
o ganizacional que pa a es e caso ep esen a a medida das condições de abalho, a escala de pe ceção
de p og esso nos obje i os, a escala de pe ceção da sa is ação com o abalho e a escala pa a a alia a
pe ceção de sa is ação com a ida em ge al, desc i os em seguida.
2.3.1 A e o Posi i o.
Foi a aliado pela u ilização dos dez i ens do a e o posi i o (AP – posi i e a ec ) da e são
angolana Elías (2013) da escala do A e o Posi i o e Nega i o (PANAS -
Posi i e and Nega i e A ec
Schedule
) cons uída po Wa son e colabo ado es (1988), pa a en ende a endência com que os
pa icipan es expe imen am emoções posi i as. Os pa icipan es são con idados a indica em a medida
como ge almen e se sen em em cada uma das dez emoções posi i as (e.g., “o gulho”). A escala é
a aliada numa escala numé ica do ipo
like
de cinco pon os, onde um equi ale a mui o pouco ou quase
nada; cinco equi ale ex emamen e. A medida em ob ido uma adequada consis ência in e na com um
alpha de c onbach de .82 (Elías, 2013). Impo a e e i que a mesma escala oi u ilizada num ou o
es udo ealizado com docen es uni e si á ios do Lubango, endo p oduzido um
Alpha
de
C onbach
de
.88 (Sousa, 2016). No p esen e es udo, a medida e e um bom índice de con iabilidade, com um
alpha
de
C onbach
de .93.
2.3.2 Supo e Social Pe cebido no T abalho Docen e.
Foi usada a escala de oi o i ens, na eo ia de Bandu a, onde os pa icipan es são solici ados a
indica o quan o es ão de aco do em cada p oposição, numa escala numé ica do ipo
like
de se e
pon os, onde um equi ale a conco do o emen e a se e equi ale a disco do o emen e. Os i ens incluem
(e.g., na minha ins i uição compa ilho com pessoas que no malmen e me dão eedback sob e a minha
pe o mance como p o esso ” e “na minha ins i uição há p o esso es com quem posso ap ende mui o,
obse ando-os”). No es udo de Len e colabo ado es (2011) a medida e e uma boa consis ência in e na
com uma alpha de C onbach de 0.70. Pa a o p esen e es udo, e i icou-se uma boa consis ência in e na,
endo o alpha de C onbach de .82.
41
2.3.3 Au oe icácia no T abalho Docen e.
A e icácia docen e oi a aliada median e os 12 i ens da escala cu a que mede a au oe icácia no
abalho como docen e (Tschannen-Mo an & Hoy, 2001). Os pa icipan es o am solici ados a desc e e
quan a con iança inham em sua capacidade de execu a compo amen os (e.g., “lida com
compo amen os pe u bado es na sala”; o nece explicações al e na i as pa a explica ou exempli ica
quando os es udan es es ão con usos”), obedecendo uma escala do ipo
like
de dez pon os que a iam
de ze o que equi ale a descon iança e no e que equi ale a comple amen e con ian e. No es udo de Len
e colabo abo es (2011) o ins umen o e e uma boa consis ência in e na, endo alcançado um alpha de
C onbach
de .91. Foi ei a uma adução do ins umen o obedecendo as no mas, azendo ecu so a uma
especialis a pa a e e ida adução. Depois de aduzido nas duas ias, de inglês a po uguês e de
po uguês pa a inglês, o am compa adas aduções dos i ens pa a e i ica o sen ido das ases e
idelidade da in o mação. No p esen e es udo, a medida e e uma boa consis ência in e na, endo ob ido
um alpha de C onbach
de .92.
2.3.4 Supo e O ganizacional Pe cebido no T abalho Docen e
.
Foi a aliado a a és dos 16 i ens da escala cu a de pe ceção do supo e o ganizacional
Eisenbe ge e colabo ado es (1986) adap ada pa a po uguês po Len (2009), onde os pa icipan es
o am solici ados a indica em o g au em que i encia am condições a o á eis de abalho na sua
ins i uição. O ins umen o oi a aliado numa numé ica de se e pon os, onde um equi ale a disco do
o emen e e se e equi ale a conco do o emen e. Es ão incluídas ques ões como (e.g., “minha
ins i uição p eocupa-se com meu bem-es a ”). A e são i aliana p oduziu uma boa consis ência in e na
com um alpha de C onbach de 0.91 (Len e al., 2011). No p esen e es udo, oi e i icada uma boa
consis ência in e na endo um alpha de C onbach de .70.
2.3.5 P og esso nos Obje i os Docen e. O p og esso nos obje i os oi a aliado a a és de 14 i ens
da escala de a aliação da pe ceção do p og esso nos obje i os, desen ol ida Len e colabo ado es
(2011), aduzida e adap ada pa a a ealidade angolana po Elías (2013), com uma escala numé ica de
cinco pon os do ipo
like ,
onde um equi ale a absolu amen e nenhum p og esso, e cinco equi ale a
excelen e p og esso, incluindo ques ões como (e.g., “Melho a o seu conhecimen o sob e a ma é ia que
ensina”). A medida oi aplicada na população angolana, em es udan es uni e si á ios, endo ob ido um
alpha
de
C onbach
de .87 (Elías, 2013). No p esen e es udo, o ins umen o e e um índice de
42
con iabilidade de .67 (alpha de C onbach)
na
subamos a de 73 pa icipan es que esponde am à
medida.
2.3.6 Sa is ação com o T abalho.
Pa a se medi a pe ceção da sa is ação com o abalho eco eu-se aos cinco i ens da escala
cu a da sa is ação com o abalho. Os pa icipan es o am solici ados a mani es a a o ma como se
sen em sa is ei os com o seu abalho (e.g., “sin o-me o almen e sa is ei o com meu no o a ual
emp ego”). As espos as o am dadas numa escala numé ica do ipo
like
de se e pon os, onde um
equi ale a disco do o almen e e se e equi ale a conco do o almen e. Es a escala em p oduzido
adequadas p op iedades mé icas em Po ugal, com uma boa consis ência in e na e um alpha de
C onbach
de 0.90 (Sin al e al., 2018). No p esen e es udo, oi e i icado um baixo índice de
con iabilidade ou consis ência in e na, endo alcançado um alpha de C onbach
de .32. Fei a a análise
aos i ens, à consis ência in e na da escala e à sua alidade de cons uc o na amos a em análise, op ou-
se po e uma e são mais eduzida da escala de sa is ação com o abalho de docen es uni e si á ios
angolanos, con endo apenas ês i ens, e i ando os i ens nº 3 e 5 (i ens com co ação in e ida), o que
esul ou num alpha de C onbach
de .63.
2.3.7 Sa is ação com a Vida em Ge al.
A pe ceção da sa is ação com a ida em ge al oi a aliada a a és dos cinco i ens da escala de
Sa is ação com a Vida (Diene e al., 1999). Os pa icipan es o am indicados o seu ní el de sa is ação
com a ida em ge al (e.g., “es ou sa is ei o com a minha ida”), a a és de uma escala numé ica do ipo
like de se e pon os, onde um equi ale a disco do o emen e e se e equi ale a conco do o emen e. O
e e ido ins umen o em p oduzido uma boa consis ência in e na nos es udos an e io es e.g., Comp on
e colabo ado es (1996); Diene e colabo ado es (1985), com um alpha de C onbach
de .88 (Len e al.,
2011). No es udo di igido a população es udan il uni e si á ia angolana, u ilizando a mesma medida,
ob e e-se um alpha de C onbach de .77 Elías (2013), sendo que em docen es uni e si á ios do Lubango
ob e e um alpha de C onbach de .89 (Sousa, 2016). No p esen e es udo, a medida e e um bom índice
de con iabilidade, com um al a de C onbach de .86.
43
2.4 P ocedimen os
A ecolha de dados do es udo en ol eu ês momen os, nomeadamen e, i) o momen o da
cons ução do p o ocolo de ecolha e submissão do mesmo à comissão de é ica ins i ucional; ii) o
momen o da ins ução e es e da comp eensão de cada i em e dos ins umen os; e, iii) o momen o do
con ac o com as ins i uições, solici ação e consequen e ecolha dos dados.
Assim, no p imei o momen o, depois de se e cons uído o p o ocolo de ecolha, o mesmo oi
subme ido à Comissão de É ica da Uni e sidade do Minho, que oi de pa ece a o á el, con e indo ao
p ocesso o nº CEICSH077/2020.
No segundo momen o, o am selecionados cinco p o esso es ( ês p o esso es e duas
p o esso as) aos quais se solici ou que a aliassem a comp eensão dos i ens do p o ocolo de ecolha de
dados. Es es a alia am o con eúdo dos i ens de o ma sa is a ó ia, endo en endido o mesmo como
adequado. No en an o, mani es a am ce a p eocupação com a ex ensão do p o ocolo, o que pode ia
limi a o núme o de pa icipan es.
No úl imo momen o, o e cei o, man e e-se con ac os com as di eções das ins i uições, pa a
solici ação da au o ização ( e bal e documen al) pa a a ealização do es udo. Os encon os p esenciais
e e ua am-se nas P o íncias do Huambo, Bié, Cuando – Cubango, Benguela, Lubango, Namibe, Cuanza
Sul, Cabinda e Luanda. Ou as p o íncias como Uíge, Cuanza – No e, Bengo, Cunene, e algumas
unidades o gânicas de Luanda o am con ac adas ia ele ónica e email, endo sido o ins umen o
en iado, igualmen e, ia email. A es e p ocesso, seguiu-se a pa ilha do ins umen o jun o dos docen es
a a és das suas pla a o mas in e nas, a a és da oca de emails e mensagens de Wha sApp.
De o ma gené ica, hou e boa acei ação do es udo e colabo ação po pa e das di eções das
ins i uições de ensino supe io , com exceção de uma ins i uição p i ada que, de aco do com a sua
di eção, conside ou que se ia melho não pa icipa , não obs an e os p essupos os desc i os no
consen imen o in o mado alegando que p ecisa a de p ese a a in eg idade e imagem da ins i uição.
Uma ez au o izados, p ocedeu-se ao en io do ins umen o po ia das condições écnicas e
ecnológicas exis en es nas ins i uições, sendo es as esponsabilizadas a en ia o ques ioná io aos
espe i os p o esso es pa a que es es, de o ma indi idual, e endo as con a as condições disponí eis,
pudessem esponde ao mesmo. Os p o esso es con ac a am com o ins umen o ia
email
e Wha sApp.
Os pa icipan es assina am o consen imen o in o mado, po meio dele, o am in o mados que a sua
pa icipação e a li e, olun á ia e sem ins luc a i os, sendo que pode iam pa a /desis i com o
p eenchimen o semp e que não se sen issem con o á eis em con inua .
50
4.1 Discussão dos Resul ados
Es e es udo dá con inuidade à linha de in es igação sob e o modelo in eg a i o de sa is ação
com o abalho (Len & B own, 2006, 2008, 2009, 2011). O mesmo isou esponde à seguin e ques ão
de in es igação: a é que pon o os a o es de sa is ação p o issional iden i icados pela eo ia sociocogni i a
da ca ei a podem explica a sa is ação com o abalho e com a ida de docen es uni e si á ios
angolanos? Pa a esponde a es a ques ão de in es igação, p ocu ou-se es a o modelo sociocogni i o
de sa is ação com o abalho numa amos a compos a po docen es uni e si á ios angolanos, pa a
comp eende como os a o es do modelo sociocogni i o de sa is ação explicam a sa is ação com o
abalho e com a ida dos e e idos docen es.
O modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho já oi es ado em a iados con ex os com
des aque pa a os Es ados Unidos, B asil, Emi a os Á abes Unidos, A gen ina, e I ália onde se egis a am
egis os de ajus amen o (Du y & Len , 2009; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Lee e al., 2017; Len e
al., 2011; Mohd e al., 2020; Ramos e al., 2016). Po es a azão, oi de inida como hipó ese cen al
des e es udo, que odas as a iá eis do modelo êm um e ei o di e o na sa is ação com o abalho, al
como assumido nos es udos de e e ência desc i os.
De o ma ge al, no p esen e es udo, o modelo o neceu bons esul ados de ajus e; no en an o,
de o ma especi ica, nem odos os caminhos de inidos ap esen a am elações di e as à sa is ação com
o abalho docen e. Di e en e do espe ado, dois dos p edi o es, nomeadamen e, o a e o posi i o e o
supo e social pe cebido, p oduzi am caminhos/ aje os di e os pa a sa is ação com o abalho, o que
se ajus a pe ei amen e aos esul ados encon ados em es udos ealizados na A gen ina, na I ália, no
B asil e, na China e em Taiwan (Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Len e al., 2011; Ramos e al., 2016;
Sheu & Bo don, 2016). Es es esul ados espondem pa cialmen e à p imei a hipó ese e sus en am os
p essupos os eó icos segundo os quais os docen es uni e si á ios angolanos es ão mais sa is ei os com
o seu abalho, quando pe cecionam emoções posi i as, quando es ão sa is ei os com a sua ida em
ge al e quando pe cecionam supo e da pa e dos seus colegas e, excecionalmen e, dos seus es udan es.
Igualmen e, os e e idos a o es, o a e o posi i o, a sa is ação com a ida em ge al e o supo e
social pe cebido, o am conside ados os melho es p edi o es da sa is ação com o abalho de docen es
uni e si á ios angolanos, o que ão ao encon o dos esul ados dos es udos de e e ência.
A segunda hipó ese es a a assen e na ideia de que o a e o posi i o es á di e amen e associado
ao supo e social pe cebido, à au oe icácia, ao p og esso nos obje i os e às condições de abalho. Es a
hipó ese oi con i mada e es es esul ados ajus am-se à li e a u a (Bad i e al., 2013; Buyukgoze-Ka as
e al., 2014; Du y & Len , 2009; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Len e al., 2011; Ramos e al., 2016).

51
Ainda assim, o a o ou a a iá el p og esso nos obje i os oi excluida po não e cump ido com o
p essupos o da linea idade, limi ando des a o ma, o cump imen o o al des a hipó ese.
A e cei a hipó ese assume que o supo e social pe cebido es á di e amen e associado à
au oe icácia, ao p og esso nos obje i os e às condições de abalho. No p esen e es udo, não se con i ma
a associação en e o supo e social pe cebido e a au oe icácia, e os esul ados mos am que p o esso es
que se sen em apoiados pelo seu ambien e de abalho não pe cecionam compe ências de au oe icácia,
p esumindo-se a possibilidade de alguma dependência em e mos de compe ências de au oe icácia. Os
esul ados an e io es es ão em con o midade com os esul ados encon ados em dois es udos an e io es
Du y & Len , 2009; Len e al., 2011).
Toda ia, os esul ados do p esen e es udo em elação a es a hipó ese não se alinham com os
es udos de Bad i e colabo ado es (2013), Lapuen e e Emp esa ial (2019), e Ramos e colabo ado es
(2016). Es es es udos ap esen am uma associação posi i a en e o supo e social pe cebido e a
au oe icácia no abalho como p o esso es, signi icando que p o esso es que se sen em apoiados e
es imados pelos espe i os ambien es de abalho expe ienciam mais sen imen os de au oe icácia.
Em e mos de di e enças de esul ados elacionados com es a hipó ese, e en ualmen e, as
ques ões socio-his ó icas e cul u ais podem es a na base des es esul ados, se i e mos em con a que
são es udos ealizados em con inen es di e en es e com his ó ias mui o dis in as e papéis de ida
expe ienciados pelos pa icipan es p óp ias das espe i as idiossinc asias.
Na mesma o dem, con i ma-se a associação en e o supo e social pe cebido e o supo e
o ganizacional que ep esen am as condições de abalho, al como se e i ica na maio ia dos es udos
(e.g, Bad i e al., 2013; Du y & Len , 2009; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Len e al., 2011; Ramos e
al., 2016). Is o exp essa a ideia de que p o esso es que se sen em apoiados pelo seu ambien e
o ganizacional, podem expe iencia mais sa is ação com sua es u u a o ganizacional. Di e en e dos
an e io es es udos, não se con i mou a associação en e o supo e social pe cebido e o supo e
o ganizacional pe cebido no es udo (Ramos e al., 2016).
A qua a hipó ese assume que a au oe icácia es á associada di e amen e ao p og esso nos
obje i os e à sa is ação com o abalho. Es a hipó ese não se con i ma no p esen e es udo. O mesmo
acon ece com os esul ados de ou os es udos (Len e al., 2011a; Ramos e al., 2016). Is o ansmi e a
ideia de que p o esso es que se sen em au o e icazes podem não es a sa is ei os com o seu abalho.
En e an o, o mesmo não acon ece em ou os con ex os onde se con i mou a associação en e
a au oe icácia e a sa is ação com o abalho, signi icando que p o issionais e/ou p o esso es com ní eis
al os de au oe icácia podem expe iencia maio sa is ação com o seu abalho (e.g., Du y & Len , 2009;
52
Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Meng, 2020; Ramos e al., 2016). As di e enças de esul ados nos
di e en es con ex os pode aduzi a ideia de que, pa a de e minados con ex os, pode ão exis i ou os
a o es que jus i iquem a sa is ação no abalho docen e, di e en e do con ex o angolano.
É impo an e essal a que, uns dos a o es aludidos em con ex o angolano em que e com a
emune ação ou o salá io, e exis em es udos de in es igado es angolanos que se dedica am a pe cebe
o ní el de sa is ação docen e em elação ao seu salá io, os quais concluem se em os p edi o es da
sa is ação docen e (Agos inho, 2020; Chipuca, 2020; Munana e al., 2015; Sousa, 2016).
Toda ia, a li e a u a é pe en ó ia em conside a que p o esso es que se sen em compe en es a
ealiza suas a e as (au oe icácia) endem a es a ap os pa a encon a soluções mais e icazes pa a os
exigen es desa ios do seu abalho, nes e caso em pa icula , pa a a docência (Klaeijsen e al., 2017).
Aliás, a au oe icácia é conside ada um g ande ins umen o mo i acional pa a os p o issionais de o ma
gené ica e pa a os docen es uni e si á ios, em pa icula (Meng, 2020).
A quin a hipó ese p e ia que (o p og esso nos obje i os) o a e o posi i o e a sa is ação p o issional
es ão di e amen e associadas à sa is ação com a ida em ge al. Es a hipó ese con i ma-se no p esen e
es udo, com exceção da a iá el e i ada, o que se ajus a com os achados na li e a u a de base (Len e
al., 2011). Nes e caso, pe cebe-se que p o esso es que expe ienciam emoções posi i as são capazes de
es a sa is ei os com o abalho.
O modelo ambém p e iu aje os indi e os ais como se exp essa na sex a hipó ese onde se
p e ê que o a e o posi i o es á associado à sa is ação com o abalho median e a au oe icácia e as
condições de abalho e o supo e social pe cebido. Es a hipó ese não se con i mou no p esen e es udo.
En e an o, os esul ados de ou os es udos con i ma am a e e ida associação (Bad i e al., 2013; Du y
& Len , 2009; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Len e al., 2011). As di e enças nes es esul ados em
elação aos es udos de e e ência le am-nos a in e i que os docen es uni e si á ios angolanos
pe cecionam que podem con a apenas com eles mesmos e não com a es u u a o ganizacional, em
e mos de supo e. É impo an e e e i que pa e do aje o oi alcançado, no en an o, ainda que os
mesmos expe ienciem emoções posi i as, con i mem o supo e dos seus colegas e se sin am capazes
em ealiza suas a e as e a ibuições, da pa e da ges ão co esponden e não se ecebe o su icien e pa a
se sen i em e man e em sa is ei os com seu abalho. Es es dados podem se comp eendidos pela
inexis ência em Angola de algumas condições que jus i iquem o uncionamen o e e i os das ins i uições
de ensino supe io , nomeadamen e, as condições in aes u u ais, ecnológicas, acesso abe o às bases
de dados, condições sala iais e de sus en abilidade, en e ou as que impulsionem e man enham o
equilíb io emocional pa a que o uncionamen o e desempenho docen e seja o mais e e i o.
53
Na sé ima hipó ese assumiu-se que o supo e social pe cebido es á associado à sa is ação com
o abalho median e a au oe icácia e as condições de abalho, hipó ese que não se con i mou no
p esen e es udo, signi icando que p o esso es que se sen em apoiados pelo seu ambien e de abalho
podem não pe cebe o apoio o ganizacional e, po con a dis o, eduzi a sua pe ceção de au oe icácia e,
no seguimen o, limi a a sa is ação com o seu abalho. o mesmo não acon ece em ou os con ex os,
onde se con i ma que a pe ceção do supo e social es á associada à sa is ação com o abalho docen e
median es as condições de abalho e as c enças de au oe icácia, (Du y & Len , 2009; Lapuen e &
Emp esa ial, 2019).
Como se pode dep eende , exis e a possibilidade de dois aje os numa só hipó ese, eme endo
a esul ados di e en es. Os esul ados ap esen am di e enças po con a dos aje os, onde alguns
assegu am exis i uma associação indi e a en e o supo e social pe cebido com a sa is ação com o
abalho median e as condições de abalho (Bad i e al., 2013; Len e al., 2011). Ou os con i mam a
exis ência des a associação (Lapuen e & Emp esa ial, 2019). Ou os, po ém, não con i mam a
associação en e o supo e social pe cebido com a sa is ação p o issional median e a au oe icácia (Bad i
e al., 2013; Len e al., 2011).
Pa a es e caso, exis e ce o equilíb io nos esul ados po se con i ma na maio ia dos casos.
En e an o, no p esen e es udo não se con i ma, o que nos le a a in e i que o ac o de os docen es
angolanos se sen i em apoiados pelos seus colegas e es udan es, não lhes eme e, necessa iamen e, a
se sen i em e icazes pa a expe iencia em a sa is ação com o seu abalho po não pe ceciona em o
supo e o ganizacional que ambém ep esen a as condições de abalho.
Na oi a a hipó ese assumiu-se igualmen e que o supo e social pe cebido es á associado
indi e amen e à sa is ação com o abalho median e o p og esso nos obje i os, hipó ese anulada no
p esen e es udo.
O a e o posi i o es á o emen e associado à au oe icácia e mode adamen e associado ao supo e
social pe cebido, al como sus en ado po ou os es udos (e.g., Bad i e al., 2013; Buyukgoze-Ka as e
al., 2014; Du y & Len , 2009; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Len e al., 2009, 2011). Es a associação
é amplamen e con i mada nou os es udos como se pode e i ica na me a-análise desen ol ida po
Mohde colabo ado es (2020). Com is o, pode-se dep eende que a i ência cons an e e signi ica i a de
emoções posi i as, pode le a os p o esso es a se sen i em cada ez mais mo i ados e p on os pa a
pode em desempenha com êxi o as a ibuições ele an es da sua ca ei a.
Os esul ados ambém e idenciam que au oe icácia não es á associada di e amen e à sa is ação
com o abalho. Is o alinha-se com os esul ados ob idos em es udos p é ios (Bad i e al., 2013; Lee e
54
al., 2017; Len e al., 2011; Ramos e al., 2016). Po ou o lado, em elação a es a associação, ou os
es udos con aiam os esulados ob idos e elando elações es a is icamen e signi ica i as (Buyukgoze-
Ka as e al., 2014; Du y & Len , 2009c; Lapuen e & Emp esa ial, 2019; Meng, 2020; Rasdi & Ah a i,
2020).
In es igações u u as pode ão dedica mais a enção à elação en e p edi o es, especi icamen e,
à elação en e a au oe icácia e a sa is ação com o abalho, endo em con a que os esul ados nos
di e en es es udos di idem o en endimen o e di icul am in e i de o ma p ecisa. Com e ei o, um núme o
conside á el de es udos encon a uma elação es a is icamen e signi ica i a en e as duas a iá eis, ao
passo que ou os não a con i mam. Explo a o impac o de e en uais a o es cul u ais e/ou con ex uais
nes a elação pode se um aspe o ele an e. Na mesma senda, a a enção a e na associação en e a
au oe icácia pe cebida e a sa is ação com abalho pode es a mui o elacionada com a ques ão
me odológica, pelo ecu so a di e en es ins umen os em cada um dos es udos de e e ência, ao que se
pode ão alia ambém os p ocedimen os me odológicos, endo em con a a in luência que podem e nos
esul ados. Toda ia, não é uma isão acabada, po con a mos com o ac o de exis i em es udos com as
mesmas medidas que ap esen am esul ados di e en es.
Po exemplo, no es udo desen ol ido po Buyukgoze-Ka as e colabo ado es (2014) a exemplo
do p esen e es udo u ilizou-se o mesmo ins umen o, is o é,
he Teache Sel -E icacy scale– Sho Fo m
de
Tschannen-Mo an e Wool olk Hoy (2001)
,
pa a medi a au oe icácia pe cebida. No en an o, os
esul ados são di e en es. Con a iamen e a is o, po exemplo, Lapuen e e Emp esa ial (2019) u iliza am
a
‘’Maslach Bu nou In en o y-Gene al Su ey
(MBI-GS)’’ di e en e de Meng (2020) que usa a ‘’
he
Gene al Sel -e icacy Scale de
Schwa ze e colabo ado es (1997)’’, e de Bad i e colabo ado es (2013)
apesa de não especi ica em, usam uma medida conexa pa a pode em acede a pe ceção de
au oe icácia, endo no inal alcançado ambém esul ados di e en es. Com es es esul ados pode-se
ambém in e i que nem semp e a me odologia pode á se a causa da a iação nos esul ados; no
en an o, não se pode e i a o almen e es a possibilidade enquan o se ão es udando ou as saídas que
melho escla eçam as di e enças encon adas, como pode se po exemplo a quan idade e qualidade
dos pa icipan es, as ques ões de na u eza cul u al, a linguagem e/ou idioma p edominan e, elemen os
que podem se con o ma impo an es pa a conside a no ajus e da a iá el em pa icula e do modelo
em ge al.
55
4.2 Limi ações do Es udo
O p esen e es udo pe mi iu iden i ica algumas limi ações que pode ão o ien a os p óximos
es udos, bem como algumas implicações pa a a p á ica que pode ão con ibui pa a a omada de
decisões em e mos de polí icas educacionais que o ien em o uncionamen o das ins i uições e do
p ocesso de ensino ap endizagem no subsis ema do ensino supe io pa a a melho ia do p ocesso das
in e enções em e mos de aconselhamen o e desen ol imen o de ca ei a ao longo da ida.
Assim, em e mos de limi ações, em p imei o luga apon a-se o núme o de pa icipan es que
es á aquém do desejado, conside ando que dos es udos ealizados a é ago a pa a o es e do modelo, o
p esen e es udo é o único cuja núme o de pa icipan es é in e io a 200, o que pode e in luenciado
conside a elmen e na qualidade dos esul ados.
Em segundo luga , o pe íodo de ecolha dos dados é ambém uma limi ação, se conside a mos
que a ecolha oi ealizada no auge do pe íodo pandémico, ob igando que se op asse pela ecolha
online
em de imen o da ecolha p esencial. É impo an e aqui aze um pouco do con ex o de ecolha (Angola),
onde a ealização de es udos cien í icos com ele ado g au de p ecisão e igo pessoal e cole i a são
ainda mui o limi adas. O aceso a in e ne é mui o dependen e da capacidade económica de cada um,
conside ando que é um se iço ca o e nem semp e ajus ado aos bolsos de odos.
Em e cei o luga , o núme o de pa icipan es e o úme o de pe gun as do ins umen o
ans o mou-se numa g ande limi ação. Toda ia, oi impossí el alcança os esul ados espe ados em
elação ao núme o de pa icipan es. Mesmo dian e daquela que podemos conside a a maio anja
académica do país, um núme o supe io a 600 con ac ou o ins umen o e somen e 173 e mina am o
p eenchimen o.
O núme o de ques ões po cada ins umen o pa a comple a escala compósi a de 116 i ens. A
pa ida, conside ando o ní el de li e acia, p esumia-se ao menos 30 minu os pa a comple a o p o ocolo,
no en an o, a ealidade e á sido con á ia. Po es a azão, o núme o dos que con ac a am o p o ocolo
oi signi ica i o, no en an o, a maio ia des es acabou po desis i enquan o ou os ize am mais empo do
que espe ado. Nes a o dem, pa a a população com ca ac e ís icas semelhan es, se á semp e bom
conside a o núme o de i ens dos ins umen os e op a po medidas cu as ou com menos i ens.
A inexis ência de de e minados ins umen os já adap ados e alidados pa a a população
angolana, o que exigiu um abalho adicional pa a sua u ilização.

56
4.3 Implicações pa a a P á ica
Em e mos de implicações pa a a p á ica, o p esen e es udo eme e pa a uma p o unda e lexão
sob e a o ma como uncionam as polí icas e p á icas do ensino supe io . Sob e udo, à necessidade de
se p es a maio a enção à adoção de polí icas ol adas pa a os docen es, an o do pon o de is a da
conceção de polí icas públicas ol adas ao sis ema de educação em ge al e ao subsis ema do ensino
supe io em pa icula , do pon o de is a pessoal e amilia , como pon o de is a da uncionalidade das
espe i as ins i uições de ensino supe io do País. Pa a al, se ia necessá io le a a cabo um p ocesso
de ans o mação e mudanças signi ica i as a ní el das polí icas educa i as pa a se de ini uma ilosó ica
baseada na ealidade, capaz de p opo ciona melho ias na conceção, es u u ação e uncionamen o.
Nes e sen ido, a exemplo de ou os subsis emas de ensino, se ia necessá io olha pa a o ensino supe io
a a és da pe spe i a da c iação de um p oje o nação, que esul e de um diagnós ico in e no e ex e no
de idamen e ealizados pa a de inição de polí icas educa i as e e i as, conc e as, écnica e
cien i icamen e apu adas, cla as e obje i as, cujos ins sejam e dadei amen e a o mação de um homem
que se ajus e as dinâmicas e exigências do seu con ex o.
A a és do es e do p esen e modelo oi possí el pe cebe que a sa is ação docen e depende
an es da sa is ação das necessidades que pode iam se conside adas como que básicas pa a o
uncionamen o do sis ema de educação em ge al e do subsis ema do ensino supe io de o ma pa icula ,
como po exemplo, e in aes u u as de qualidade e com condições de uncionamen o, ó gãos di e i os
comp ome idos, biblio ecas com ace o cien i ico conside á el e a ual, acesso a in e ne , condições de
higiene, en e ou as. Po es a azão, pe cebe-se que o modelo não e e os êxi os especí icos endo em
con a que as ques ões básicas se encon a am em al a e di icilmen e se pode ia ala das ques ões que
exijam mais de odos e de cada um dos docen es.
Nes e sen ido, p ecisa-se olha pa a medidas de polí icas e ações e e i as que pe mi em c ia
condições in aes u u ais, começando pelas p óp ias escolas e ins i u os supe io es, endo em con a
que na sua maio ia o am concebidas pa a o ensino p imá io e secundá io, sem condições e ambien e
académicos p óp ios ao ensino supe io de qualidade. Se ia con enien e o in es imen o em condições
de abalho como o acesso acili ado a uma in aes u u a ecnológica e aos se iços de in e ne de
qualidade, a possibilidade de acesso às bases de dados de especialidade pa a con ac a com li e a u a
de especialidade com qualidade e a ual; a necessidade de se em c iadas biblio ecas com ace o
bibliog á ico que uncione e a enda as necessidades eais dos es udan es e à odos que equen am os
e e idos espaços, ado ando ho á ios lexí eis, uncionais, colocando nos e e idos espaços p o issionais
que pe cebam seu abalho ou que se pe mi am a conhece as suas esponsabilidade; en e ou as
57
ques ões que ca ecem de in e enção em e mos de medidas de poli icas pa a melho ia do sec o e
ga an ia da qualidade dos p ocesso educa i os e consequen e melho ia p og essi a da qualidade de
ensino e sa is ação dos p o issionais.
O p esen e es udo pe mi iu e uma isão escla ecida sob e a necessidade de se desen ol e um
p ocesso que o gulhe, inspi e e ga an a essência à ca ei a docen e no ensino supe io , nomeadamen e,
num con ex o cul u al especí ico. Se -se docen e uni e si á io p ecisa se uma ca ego ia de ele ação,
libe ada das isões me can is e de acesso à emp egabilidade possí el. Há necessidade de se in es i
mais em compe ências pessoais e sociais pa a enob ece a classe e inspi a os po enciais candida os à
docência, po o mas a que seu alcance esul e em sa is ação à pa ida e es imule à en ega, a boa
disposição e o empenho na p o issão e pa a a p o issão.
58
Conclusão Ge al
Es e es udo mos a sua ele ância po discu i um ema ainda pouco deba ido no âmbi o da
psicologia ocacional e do desen ol imen o da ca ei a a ní el do con ex o angolano, apon ando pa a a
necessidade de que os ocos eó icos-me odológicos no campo do desen ol imen o de ca ei a
con emplem as no as exigências sociop o issionais. Nes a o dem de ideias, az mui o sen ido abo da e
ap o unda o modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho como o ma de e um p o undo
conhecimen o eó ico e me odológico pa a comp eensão da sa is ação p o issional dos docen es
uni e si á ios angolanos.
Ao es a o modelo sociocogni i o de sa is ação com o abalho, p ocu ou-se pe cebe como os
seus a o es explicam a sa is ação com o abalho e com a ida de docen es uni e si á ios angolanos?
Os esul ados ap esen a am um bom ajus e do modelo aos dados em elação ao con ex o angolano,
endo sido possí el e i ica a o ma como os docen es uni e si á ios angolanos es ão sa is ei os com o
seu abalho e e i ica os a o es em que melho explicam a sa is ação.
Em elação às hipó eses le an adas, o am con i madas cinco hipó eses e o am ejei adas duas
hipó eses, cujos aje os não se con i ma am. Es es esul ados são jus i icados pelas limi ações
con ex uais, conside ando que pa a os pa icipan es, exis em a o es do modelo que não acolhem seus
eais in e esses, ou seja, pelos esul ados, os docen es uni e si á ios angolanos podem con a mais com
eles mesmos, seus colegas e alunos, excluindo assim a o es impo an es, nomeadamen e, os a o es
de na u eza o ganizacional que jogam um papel undamen al pa a a pe ceção da sa is ação com o
abalho e com a ida em ge al nou os con ex os geog á icos.
Pe cebeu-se que os p incipais p edi o es da sa is ação com o abalho de docen es uni e si á ios
angolanos são o a e o posi i o, a sa is ação com a ida em ge al e o supo e sociais pe cebido. Des a
o ma, conclui-se que os docen es uni e si á ios angolanos expe ienciam emoções posi i as, sen em
apoiados pelos seus colegas e alunos, exp essando, oda ia, a necessidade do apoio o ganizacional,
a iá eis impo an es e conducen es à sa is ação com o seu abalho, ga an indo igualmen e a
p odu i idade, o empenho, o comp ome imen o pa a a qualidade do p ocesso de ensino-ap endizagem.
Igualmen e pe cebe-se pouca con iança no u u o, e nas condições de abalho, o que limi a as c enças
de au oe icácia e a edução da sua mo i ação pa a o exe cício da p o issão docen e.
59
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