(Re)desenho do Habitar na pandemia do processo cognitivo à perceção espacial
Abstract
Esta dissertação apresenta os resultados de uma investigação centrada na relação ativa entre o Indivíduo e o Espaço. Dado que esta temática é frequentemente abordada, procurou-se sintetizar parte do conhecimento existente, para depois criar uma reflexão pessoal sobre a perceção do espaço e sobre os respetivos mecanismos mentais, aplicados às questões do habitar. Apresenta-se, inicialmente, um conjunto de conceitos gerais relacionados com a perceção – Espaço, Objeto e Indivíduo - para uma melhor compreensão da temática dos demais capítulos. A relação ativa entre o Espaço e o Indivíduo será analisada através de uma investigação direcionada para a problemática da Cognição Espacial, como justificação para o comportamento do utilizador nos espaços habitáveis. Considerando que o conceito de espaço permite colocar-nos num determinado ponto do mundo que nos rodeia, explora-se o modo como o Indivíduo é emocionalmente influenciado no seu habitar, deixando o corpo e a mente tornar-se o foco de desenvolvimento dos restantes capítulos. É neste contexto que o desenvolvimento deste trabalho apresenta uma análise científica de conhecimentos médicos, considerados relevantes. Deste modo, foi necessário analisar com um olhar mais aprofundado o cérebro, enquanto ferramenta catalisadora na perceção espacial, na produção de conhecimento e sobretudo, na sua integração com o campo arquitetónico. Assim, procurou-se compreender, especificamente, o processo da relação íntima entre o Indivíduo e o Espaço. A análise da Experiência do Habitar, da natureza cognitiva do Indivíduo no espaço, ou seja, o habitar de uma determinada realidade tridimensional, são abordados numa fase final. O condicionamento do espaço, pelos objetos e pela própria realidade tridimensional, e o papel do arquiteto nesse condicionamento, permitem entender a funcionalidade e a versatilidade dos mesmos. Considerando que o Espaço, e a nossa própria perceção, interferem na experiência e nos modos de habitar, este trabalho termina com uma narrativa das diferentes formas de pensar e descrever o confronto com uma realidade nunca antes vivida: a Pandemia Covid-19, que originou um reequacionamento e uma reorganização do modo como habitávamos os espaços. Assim, apresenta-se aqui um relato pessoal desta experiência, no encontro com a realidade vivida, dando um novo sentido a esta temática.