Pa icia Pimen a Ca alho Machado Fe ei a
(Re)desenho do Habi a na Pandemia
Do P ocesso Cogni i o à Pe ceção Espacial
ab il de 2025
UMinho | 2025 Pa icia Machado Fe ei a (Re)desenho do Habi a na Pandemia
Do P ocesso Cogni i o à Pe ceção Espacial
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a, A e e Design
Pa icia Pimen a Ca alho Machado Fe ei a
(Re)desenho do Habi a na Pandemia
Do P ocesso Cogni i o à Pe ceção Espacial
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em A qui e u a
Cul u a A qui e ónica
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o Edua do Jo ge Cab al dos San os
Fe nandes
ab il de 2025
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a, A e e Design
A ibuição
CC BY
h�ps://c ea� ecommons.o g/licenses/by/4.0/
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
E
s e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e
b
oas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
A
ssim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
C
aso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is a
s
n
o licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho
.
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iii
AGRADECIMENTOS
Ao meu O ien ado , P o esso Dou o Edua do Fe nandes, po e
acei ado es e desa io, po me incen i a e po me inspi a ao longo des e
pe cu so, onde me ajudou na descobe a do ema e à o ien ação cien í ica e
pedagógica do desen ol imen o des a disse ação.
À minha mãe, ao meu pai e ao es o da minha amília, po me da em
odas as bases e apoio ao longo des es seis anos. Em especial à minha mãe,
po se a pessoa ma a ilhosa que é, e ao meu pai po que es e pe cu so só oi
possí el com odas as c í icas cons u i as que me ize am c esce e e olui
enquan o se e es udan e de A qui e u a.
À Inês, po me acompanha desde o p imei o dia da uni e sidade, na
qual se o nou um o e pila no meu desen ol imen o académico.
À Ana Gab iela pela amizade que c iámos e que pe du a desde o
p incípio do cu so de A es na Escola Secundá ia D Dinis. Semp e unidas,
omos c escendo nes a ap endizagem em A qui e u a. Falando a mesma
linguagem, não podia deixa de lhe ag adece pelas con e sas e c í icas
cons u i as que acili a am a ealização de alguns abalhos que compuse am
es e pe cu so, inclusi e na disse ação.
Ao Miguel po se a minha companhia de odas as ho as, pela
comp eensão e pela paciência desde que emba cou nes a iagem ao meu lado.
À minha ilha, Ma ia Cla a, po me e dado uma mo i ação ex a e aze -
me um olha mais lu ado pa a odas as minhas conquis as.
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DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho
académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque
o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em
nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço
e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
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DECLARAÇÃO
Pa ícia Pimen a Ca alho Machado Fe ei a
Tí ulo da Disse ação:
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Ano de Conclusão:
2025
O ien ado :
P o esso Dou o Edua do Fe nandes
Designação do Mes ado:
Ciclo de Es udos In eg ados Conducen es ao G au de
Mes e em A qui e u a
É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTA DISSERTAÇÃO/
TRABALHO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE
DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO,
QUE A TAL SE COMPROMETE.
Uni e sidade do Minho, 02 de ab il de 2025
Assina u a: ______________________________________________
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RESUMO
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RESUMO
Es a disse ação ap esen a os esul ados de uma in es igação cen ada na
elação a i a en e o Indi íduo e o Espaço.
Dado que es a emá ica é equen emen e abo dada, p ocu ou-se sin e iza
pa e do conhecimen o exis en e, pa a depois c ia uma e lexão pessoal sob e a
pe ceção do espaço e sob e os espe i os mecanismos men ais, aplicados às ques ões
do habi a .
Ap esen a-se, inicialmen e, um conjun o de concei os ge ais elacionados com
a pe ceção – Espaço, Obje o e Indi íduo - pa a uma melho comp eensão da emá ica
dos demais capí ulos. A elação a i a en e o Espaço e o Indi íduo se á analisada
a a és de uma in es igação di ecionada pa a a p oblemá ica da Cognição Espacial,
como jus i icação pa a o compo amen o do u ilizado nos espaços habi á eis.
Conside ando que o concei o de espaço pe mi e coloca -nos num de e minado
pon o do mundo que nos odeia, explo a-se o modo como o Indi íduo é emocionalmen e
in luenciado no seu habi a , deixando o co po e a men e o na -se o oco de
desen ol imen o dos es an es capí ulos.
É nes e con ex o que o desen ol imen o des e abalho ap esen a uma análise
cien í ica de conhecimen os médicos, conside ados ele an es. Des e modo, oi
necessá io analisa com um olha mais ap o undado o cé eb o, enquan o e amen a
ca alisado a na pe ceção espacial, na p odução de conhecimen o e sob e udo, na sua
in eg ação com o campo a qui e ónico. Assim, p ocu ou-se comp eende ,
especi icamen e, o p ocesso da elação ín ima en e o Indi íduo e o Espaço.
A análise da Expe iência do Habi a , da na u eza cogni i a do Indi íduo no
espaço, ou seja, o habi a de uma de e minada ealidade idimensional, são abo dados
numa ase inal.
O condicionamen o do espaço, pelos obje os e pela p óp ia ealidade
idimensional, e o papel do a qui e o nesse condicionamen o, pe mi em en ende a
uncionalidade e a e sa ilidade dos mesmos.
Conside ando que o Espaço, e a nossa p óp ia pe ceção, in e e em na
expe iência e nos modos de habi a , es e abalho e mina com uma na a i a das
di e en es o mas de pensa e desc e e o con on o com uma ealidade nunca an es
i ida: a Pandemia Co id-19, que o iginou um eequacionamen o e uma eo ganização
do modo como habi á amos os espaços.
Assim, ap esen a-se aqui um ela o pessoal des a expe iência, no encon o com
a ealidade i ida, dando um no o sen ido a es a emá ica.
PALAVRAS- CHAVES:
Pe ceção; Cognição;
Expe iência de Habi a ;
Indi íduo; Espaço; Pandemia.
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ou os, a pe ceção, a elação e o habi a do Espaço al e am-se, o que nos
pe mi e ein e p e a o habi a com di e en es combinações.
Pa a abo da odos es es emas, dedicamos um p imei o capí ulo a
desen ol e alguns concei os ge ais (espaço, Obje o, Indi íduo); a conside ação
do Indi íduo como se pe ce i o, que ema a es e capí ulo, explo a o
compo amen o e a expe iência do u ilizado pe an e um de e minado espaço,
e le indo sob e concei os que pode ão es a na o igem do seu
condicionamen o, como a A mos e a, os Obje os e o p óp io p oje o.
No capí ulo II, a Pe ceção Espacial do indi íduo é es udada em á ios
subcapí ulos, p ocu ando abo da os mecanismos men ais que in e agem no
p ocesso cogni i o e, consequen emen e, de e minam e in luenciam a pe ceção.
Sabendo que o cé eb o é uma e amen a mui o comple a, capaz de p ocessa
in o mações num de e minado ambien e e ans o má-las em ações, em
conhecimen o, analisam-se componen es eó icas e cien í icas e ilosó icas
nes a á ea.
Es uda am-se as ideias de Ma in Heidegge , Gas on Bachela d e Edwa d
T. Hall, en e ou os, com o obje i o de p ocu a e idencia a ín ima co elação
exis en e en e a Ciência e a A qui e u a, e des aca a elação do indi íduo com
os obje os e a sua capacidade de expe iencia o luga .
É nes e con ex o que a análise an e io men e ealizada se desen ol e,
aliada aos caminhos a qui e ónicos explo ados po mes es como Fe nando
Tá o a, Pe e Zum ho , Ál a o Siza e Juhani Pallasmaa.
Pensando na Cognição como algo ine en e ao compo amen o do
indi íduo, oi possí el pe cebe a impo ância da expe iência do espaço, a sua
in ensidade e o alo que assume na ida de um indi íduo. No en an o,
conside a-se que exis i á semp e subje i idade en e indi íduos, e ambém a
possibilidade de encon a di e en es compo amen os e pe ceções pe an e um
mesmo espaço.
É nes e sen ido que desen ol emos um es udo expe imen al e
compo amen al do indi íduo, pe an e um espaço com ou sem unção
in imamen e associada. Ac edi ando que os obje os es ão in ei amen e ligados
à unção espacial, enquan o condicionan es do usu u o do espaço, analisámos
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a sua disposição, no sen ido de comp eende como de inem e condicionam a
expe iência do habi a .
Um de e minado espaço ica es i amen e associado a uma unção
quando os obje os que nele se dispõem assim o condicionam, mas não nos
podemos esquece que a unção implica a necessidade e o con o o de quem
habi a esse espaço.
Exis indo es a ideia de condicionamen o, ligado aos obje os e
consequen emen e à sua unção, é ine i á el abo da , po im, espaços que são
conside ados poli alen es e e sá eis. Es es conciliam múl iplas disposições e
en a izam a sensibilidade do a qui e o como se que habi a e c ia a a qui e u a.
A i mamos que a a qui e u a não é apenas o que o a qui e o idealiza,
mas ambém o modo como os Indi íduos a explo am e a habi am, de endendo
a necessidade de um maio ajus e en e es as duas ealidades.
Assim, com uma ideia mais conc e a dos mecanismos e concei os que
abalham em conjun o nes a emá ica, explo amos, no e cei o capí ulo, o
indi íduo no seu es ado mais a i o, ou seja, passamos do abs a o pa a o
conc e o.
A nossa p óp ia expe iência de habi a é aí explo ada, sendo ei o o
enquad amen o de oda a emá ica es udada an e io men e, ace a uma
ealidade i ida - a Pandemia - que ob igou ao eequacionamen o de odo es e
pensamen o numa ó ica nunca desen ol ida, a é en ão.
A pandemia Co id-19, como ou as doenças que a aca am g ande pa e
da sociedade, ez da a qui e u a um ab igo indispensá el. Con udo, exigiu
espaço de mudança e adap ação; nes e sen ido ap esen am-se aqui ou as
emá icas que conside amos c uciais no desen ol imen o e conclusão des e
abalho.
Nes e e cei o e úl imo capí ulo subdi idimos o ex o em duas pa es; na
p imei a, o ganizada c onologicamen e como se se a asse de um diá io, na a-
se na p imei a pessoa o encon o com es a ealidade, as mudanças que
passamos e as adap ações que izemos: omos o çados a ec ia , eo ganiza
e edesenha o nosso p óp io habi a , o nosso espaço, a nossa casa.
Es e momen o o nou-se um caso de es udo que in oduzimos e
desc e emos da o ma mais conc e a possí el. Fechados num espaço du an e
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meses, as nossas p óp ias necessidades muda am e omos le ados a explo a
os seus di e en es usos, consoan e os obje os nele dispos os ou apenas pela
nossa p óp ia pe ceção. Es a eo ganização e edesenho da nossa ealidade,
le ou-nos à p ocu a de soluções que se adequassem e se adap assem às no as
necessidades.
Po im, c iamos um úl imo subcapí ulo onde ano amos de o ma mais
dis anciada as di iculdades i idas e os passos dados pa a as ul apassa ,
ema ando com alguns exemplos de mobiliá io desen ol ido pa a soluciona
es e ipo de ca ências.
Assim, endo plena consciência da ex ensão e complexidade des e ema
de in es igação, espe a-se e con ibuído pa a uma e lexão mais ab angen e.
P e endeu-se, acima de udo, ap esen a uma no a isão sob e o Espaço, o
Obje o e a A qui e u a, como algo que eme e e comunica di e en es emoções
e expe iências no habi a de um indi íduo.
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OPÇÕES NORMATIVAS
A p esen e disse ação oi edigida segundo o no o Aco do O og á ico da
Língua Po uguesa.
As ci ações, p esen es no co po de ex o, são esul ado da adução li e
da au o a, pe mi indo assim uma lei u a con ínua; coloca-se a ci ação o iginal
em odapé, seguida da espe i a e e ência bibliog á ica.
Todas as e e ências bibliog á icas são enume adas no inal do abalho,
em capí ulo p óp io, segundo a No ma APA. No caso de se e e encia mais do
que uma ob a do mesmo au o , enume am-se po o dem de da a de publicação.
Op ou-se pela u ilização de um código o mal no co po de ex o pa a
dis ingui ou ealça exp essões. Usa-se o i álico pa a pala as que não sejam
da língua po uguesa, jogos dialé icos e nomes de a igos; o neg i o ou o
sublinhado são aplicados, de p imei a pa a segunda o dem de impo ância, pa a
ealça ideias, concei os ou pala as-cha e undamen ais aos emas abo dados.
As “aspas duplas” são usadas pa a ci ações de au o , enquan o os (pa ên esis)
são u ilizados pa a e e ência a au o es.
As legendas das imagens são compos as pelo ipo de imagem, seguida
do au o , í ulo e desc ição, local, nome da on e e da a; exis e uma lis agem no
índice de igu as, e e enciando de o ma mais comple a a on e de onde se
e i ou as mesmas.
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CAPÍTULO I
CONCEITOS GERAIS
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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“Os Edi ícios, os Obje os e os Espaços, não são is es
nem aleg es. Exis em quando ecebem gen e e exis em,
po isso e pa a isso.”
(Siza, 2018, p. 18)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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1. ESPAÇO
“O espaço é o meio que a qui e os, designe s e a is as
u ilizam pa a compo a o ma. O espaço e a o ma são co
dependen es. Sem espaço, a o ma não exis i ia, e sem
o ma, o espaço não pode ia exis i .”
(Pos ell, 2012, p. 60, adução p óp ia)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
21
ESPAÇO_ como Realidade Física
O espaço ísico é um dos componen es undamen ais da a qui e u a.
Como a qui e os, o nosso abalho é p oje a e c ia espaços uncionais,
es e icamen e ag adá eis e que a endam às necessidades das pessoas que os
habi am ou u ilizam. Nes e capí ulo, explo a emos a impo ância do espaço
ísico e como es e in luencia a nossa expe iência e pe ceção do ambien e
cons uído.
Aqui, o espaço ísico é conside ado como uma caixa com “qua o
pa edes” no qual oco em as a i idades humanas. É o es ágio em que
in e agimos, nos mo emos e expe ienciamos o ambien e. A o ma, dimensão e
layou
des e espaço êm impac o di e o no modo como nos elacionamos com
ele e como nos sen imos den o dele.
O espaço ísico é uma ela em b anco na qual os a qui e os p oje am e
c iam ambien es uncionais e es e icamen e ag adá eis. Tal como uma caixa, o
espaço em limi es e on ei as que de inem a sua ex ensão e delimi am a sua
u ilização.
A o ma e a dimensão do espaço são aspe os undamen ais que
de e minam como ele se á usado e i enciado. Um espaço g ande pode se
adequado pa a a i idades sociais, enquan o um meno pode se mais ín imo e
p opício ao abalho indi idual. A dis ibuição do espaço ambém é c ucial, pois
de e pe mi i uma ci culação luída e e icien e, e i ando obs áculos e acili ando
o acesso às di e en es á eas.
O espaço como a mos e a en e “qua o pa edes” implica ambém
conside a a elação com os obje os que o habi am. O mobiliá io, a iluminação,
os ma e iais e a deco ação são elemen os que in e agem com o espaço e
con ibuem pa a a sua uncionalidade e es é ica. Um bom p oje o de e e em
conside ação a elação en e o espaço e os obje os que o ocupam, p ocu ando
um equilíb io en e ambos e ga an indo que se complemen em.
Além disso, o espaço ísico não se limi a apenas às pa edes e e os, mas
inclui ambém os espaços ex e io es. Os ja dins, pá ios e e aços são ex ensões
do espaço in e io e podem se u ilizados pa a a i idades ao a li e, laze e
ligação com a na u eza. Esses espaços ex e nos ambém podem a ua como
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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ansições en e o in e io e o ex e io , c iando uma sensação de con inuidade e
conexão com o en o no.
É impo an e des aca que o espaço em, além da sua unção p á ica, a
capacidade de in luencia as nossas emoções e expe iências. Um espaço bem
p oje ado pode c ia sen imen os de calma, inspi ação ou ene gia, enquan o um
mal p oje ado pode c ia s ess, descon o o ou a é claus o obia. A elação en e
o espaço e as pessoas que o habi am é undamen al, e um p oje o a qui e ónico
de sucesso de e le a em conside ação as necessidades e p e e ências dos
indi íduos pa a c ia um ambien e que os acolha e os aça sen i bem- indos.
A sua o ma, dimensão e dis ibuição são aspe os essenciais a e em
con a no p oje o de a qui e u a, bem como a sua elação com os obje os que o
habi am. O espaço como caixa em o pode de in luencia as nossas emoções
e expe iências, pelo que o seu design de e p ocu a c ia ambien es uncionais,
es e icamen e ag adá eis e que melho em a qualidade de ida das pessoas que
os u ilizam.
Falando de dimensão é impo an e e e i a escala e a p opo ção do
espaço ísico, sendo es es elemen os-cha e dos p oje os a qui e ónicos. Uma
boa elação en e as dimensões dos espaços in e io es e ex e io es é essencial
pa a c ia uma sensação de ha monia e equilíb io. A escala adequada ambém
in luencia a uncionalidade dos espaços, pe mi indo que as a i idades sejam
ealizadas com e iciência e con o o.
Escala e p opo ção são aspe os undamen ais do p oje o a qui e ónico,
pois desempenham um papel c ucial na pe ceção e expe iência do espaço
ísico. Esses elemen os de e minam as dimensões e as elações espaciais
den o de um ambien e cons uído que, po sua ez, in luenciam o modo como
nos elacionamos e sen imos nesse espaço.
O concei o de Escala implica mais do que a elação en e as dimensões
eais de um obje o ou espaço e a sua ep esen ação no p oje o. No con ex o
a qui e ónico, a escala pode a ia desde a escala u bana, que engloba a elação
de um edi ício com o ambien e en ol en e, a é à escala humana, que se e e e
à o ma como o espaço se elaciona com o nosso co po.
A escala u bana é impo an e pa a ga an i que um edi ício ou conjun o
de edi ícios es ejam de idamen e in eg ados no seu ambien e. Isso implica
conside a a al u a, a massa e a elação com os edi ícios izinhos, bem como a
Capí ulo I – Concei os Ge ais
23
elação com o espaço público ci cundan e. Uma escala u bana adequada pode
con ibui pa a a coesão e ha monia do ambien e cons uído.
A escala humana, po ou o lado, implica o modo como o espaço se
elaciona com o co po humano e com as nossas capacidades de pe ceção e
mo imen o. Um espaço pensado à escala humana é aquele que nos az sen i
con o á eis e nos pe mi e desloca e ealiza a i idades de o ma e icien e,
conside ando a al u a dos e os, a la gu a das po as e co edo es, a localização
dos mó eis e da iluminação, en e mui os ou os aspe os.
A p opo ção, po sua ez, e e e-se à elação en e as pa es de um obje o
ou espaço e o odo. A p opo ção adequada é essencial pa a alcança o equilíb io
e a ha monia isual no p oje o a qui e ónico. Isso en ol e conside a a elação
en e a al u a e a la gu a de um espaço, bem como a elação en e di e en es
elemen os a qui e ónicos, como janelas, po as, pa edes e pila es.
Escala e p opo ção ambém podem se usadas pa a c ia e ei os
emocionais e psicológicos nos indi íduos que habi am um espaço. Po exemplo,
um espaço com e os al os e p opo ções e icais pode c ia uma sensação de
g andeza e ele ação, enquan o um espaço com p opo ções ho izon ais pode
e oca uma sensação de calma e es abilidade.
Sendo es es concei os essenciais no p oje o a qui e ónico, podemos
conclui que a escala adequada ajuda a que um edi ício ou um g upo de edi ícios
se mis u e ha moniosamen e com seu en o no, enquan o a p opo ção adequada
c ia equilíb io e ha monia isual no p oje o. Ambos os elemen os in luenciam o
modo como nos elacionamos e sen imos num espaço, e uma conside ação
cuidadosa é undamen al pa a c ia ambien es a qui e ónicos uncionais e
es e icamen e ag adá eis.
Ou os pon os impo an es a desen ol e quando alamos de espaço
ísico e da sua a mos e a são a luz e a en ilação, elemen os c uciais na sua
conceção. A luz não só melho a a qualidade isual de um espaço, como ambém
em e ei os posi i os na nossa saúde e bem-es a . Po ou o lado, a en ilação
adequada ga an e a ci culação de a esco e ajuda a man e um ambien e mais
saudá el.
A luz na u al é uma on e de iluminação indispensá el num espaço, pois
p opo ciona um ambien e mais ha monioso e sua e em compa ação com a luz
a i icial. A exposição aos aios sola es p omo e a p odução de i amina D, ajuda
Capí ulo I – Concei os Ge ais
30
capacidade de in e agi e esponde ao ambien e, conside ando a elação e a
in e ação com o indi íduo. Os obje os êm a capacidade de p omo e di e en es
emoções e in e ações, in luenciando o habi a dos indi íduos.
Capí ulo I – Concei os Ge ais
31
3. INDIVÍDUO
“A A qui e u a não pe mi e e não acei a o imp o iso, a ideia
imedia a e di e amen e anspos a. A a qui e u a é e elação
de desejo cole i o nebulosamen e la en e. Isso não se pode
ensina mas é possí el ap ende a desejá-lo. (…) A
A qui e u a signi ica comp omisso ans o mado em
exp essão adical, is o é, capacidade de abso e o opos o e
de ul apassa a con adição. Ap ende isso exige um ensino
à p ocu a do Ou o den o de cada um.”
(Siza, 2000, p. 29-48)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
32
INDIVÍDUO_ como Se A i o
Em a qui e u a não se a a apenas de p oje a espaços ísicos, mas
ambém de c ia ambien es que espondam às necessidades e desejos dos
indi íduos que os habi am. Nes e capí ulo ealçamos a impo ância do indi íduo
como se a i o. Deb uçamo-nos sob e eo ias a qui e ónicas pa a ala na
expe iência do indi íduo e como a sua pa icipação a i a pode in luencia o
p oje o e a cons ução de espaços a qui e ónicos.
A a qui e u a e oluiu ao longo da his ó ia, passando po di e en es es ilos
e abo dagens. Nos seus p imó dios, a a qui e u a es a a mais ocada na
uncionalidade e na ep esen ação simbólica de pode e au o idade. No en an o,
com o passa do empo, a impo ância do indi íduo como u ilizado e habi an e
dos espaços a qui e ónicos oi cada ez mais econhecida.
Du an e o Renascimen o, hou e uma mudança na abo dagem da
a qui e u a em elação ao se humano. A qui e os enascen is as, como Leon
Ba is a Albe i, começa am a es uda e analisa as p opo ções e a elação en e
o co po humano e o espaço a qui e ónico. Esses es udos humanis as
in luencia am o desenho de edi ícios e cidades, buscando c ia espaços
p opo cionais e ha moniosos pa a o se humano.
No século XX su gi am eo ias enomenológicas que se oca am na
expe iência subje i a do indi íduo em elação ao ambien e a qui e ónico. A
enomenologia, desen ol ida po ilóso os como Ma in Heidegge (2015) e
Mau ice Me leau-Pon y (2006), abo da a expe iência e a pe ceção do indi íduo
no espaço como pon os undamen ais pa a a comp eensão da a qui e u a. Es a
pe spe i a en a izou a impo ância da elação en e o indi íduo e o ambien e
a qui e ónico, e como essa elação in luencia a expe iência e a o ma como nos
elacionamos com o espaço.
A expe iência do indi íduo a p oje a e a cons ui espaços em-se o nado
cada ez mais ele an e na a qui e u a con empo ânea. Os a qui e os
econhece am que o p incipal obje i o da a qui e u a é c ia espaços habi á eis
e signi ica i os pa a as pessoas que os u ilizam. Isso implica conside a as
necessidades, desejos e expe iências dos indi íduos pa a p oje a espaços que
sejam uncionais, es e icamen e ag adá eis e emocionalmen e sa is a ó ios.
Capí ulo I – Concei os Ge ais
33
A expe iência do indi íduo na pe ceção do espaço ab ange di e sos
aspe os, como e gonomia, iluminação, acús ica e in e ação social. Os a qui e os
p ocu am comp eende como os indi íduos se elacionam com o espaço, como
se sen em nele, como se mo imen am e como in e agem com ou os indi íduos.
Essa comp eensão pe mi e p oje a espaços que a endam às necessidades
ísicas, emocionais e sociais dos usuá ios, melho ando assim a sua qualidade
de ida.
A a qui e u a e oluiu pa a oca cada ez mais no indi íduo como
habi an e dos espaços a qui e ónicos. A ascensão das eo ias humanís icas e
enomenológicas in luenciou es a mudança, econhecendo a impo ância da
expe iência subje i a do indi íduo em elação ao espaço.
Ao conside a as pe ceções e expe iências dos indi íduos, os a qui e os
podem p oje a espaços que p omo em ambém um maio sen ido de
ap op iação e de ligação, o que con ibui pa a o bem-es a e pa a a qualidade
de ida.
A p eocupação dos a qui e os com o habi a le a à c iação de p ocessos
de in e ação com os u u os habi an es pa a comp eende as necessidades e
desejos des es du an e o p oje o. Po exemplo, a ealização de euniões nas
quais os indi íduos podem exp essa as suas ideias, necessidades e desejos em
elação ao espaço idealizado. Ge almen e, os a qui e os ap esen am maque es
ou exe cícios de isualização, que pe mi em comunica as suas ideias de
manei a mais e icaz.
A obse ação di e a dos indi íduos em espaços exis en es complemen a
es e ipo de pa icipação. São mé odos aliosos pa a comp eende como os
u ilizado es se en ol em com os espaços e como es es a e am a sua
expe iência. Essas écnicas quali a i as pe mi em ob e in o mações de alhadas
sob e as in e ações e pe ceções dos usuá ios, que podem o ien a g ande pa e
do p oje o a qui e ónico.
Ap esen am-se seguidamen e exemplos de p oje os a qui e ónicos que
inco po a am a pa icipação a i a do indi íduo na sua conceção e desenho:
Capí ulo I – Concei os Ge ais
34
Imagem 1, Fo og a ia de
D ago Lu
, Vis a aé ea de Supe kilen
Copenhaga, Dinama ca, A chdaily (Big, 2013)
1. Supe kilen, p oje o da au o ia: BIG (Bja ke Ingels G oup), Topo ek1,
e Supe lex, localizado em Copenhaga, Dinama ca, 2010 a 2012.
Es e p oje o de eno ação u bana en ol eu os esiden es locais na
conceção de um pa que mul icul u al. Fo am o ganizadas á ias o icinas nas
quais os mo ado es da egião pude am exp essa as suas p e e ências e desejos
em elação ao desenho do pa que. O esul ado oi um espaço que e le e a
di e sidade e as necessidades da comunidade, com á eas emá icas que
ep esen am di e en es cul u as e a i idades.
Localizado no cen o de Supe kilen, es e pa que a a essa um dos bai os
mais di e si icados a ní el social, onde i em di e sas e nias, desa iando ainda
mais a conceção de um espaço u bano e dadei amen e o iginal, com uma o e
iden idade em escala local e global. O pa que é di idido em ês zonas: a p aça
( ed squa e), o me cado (black ma ke ) e o pa que (g een pa k), di idido po
es as zonas e con endo uma coleção de obje os do quo idiano dos indi íduos
globalizados, nascidos em mais de 60 países (Big, 2013).
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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Imagem 2, "Pa que U bano Supe kilen." Mapeamen o
(A qui e u a Vi a, 2012)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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Imagem 3, "Pa que U bano Supe kilen (A qui e u a Vi a, 2012)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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A Imagem 3 ilus a a di e sidade cul u al do pa que, des acando os
obje os, mó eis u banos, sinais e elemen os a qui e ónicos que o am
selecionados pa a ep esen a as di e en es o igens das comunidades locais.
Cada i em no pa que oi inspi ado em um obje o eal azido de ou o país,
e le indo a mul icul u alidade do bai o.
O Ins i u o dos A qui e os Ame icanos (AIA) selecionou o p oje o
como um dos encedo es do p émio 2013 Ins i u e Hono Awa ds,
econhecendo ob as que exempli icam a excelência na a qui e u a, in e io es
e desenho u bano com a in luência e eal con ibu o dos habi an es (Bus le
Edi o s, 2013).
"Es e p oje o é uma aleg ia! Ele não é só o iginal, mas
imp essionan e de se e . É no á el pela sua abo dagem
es é ica, ancamen e a i icial ao in és de ingi se na u al. Uma
das dimensões mais in e essan es do p oje o é a inclusão da
comunidade di e si icada de usuá ios. O seu uso ousado de co e
a e pública em espaços que p omo em a in e ação social e
comp omisso exalam um al o ní el de exci ação e ene gia onde
an es pa ecia um espaço esidual. Supe kilen mos a o que pode
se ei o com uma abo dagem abe a e in en i a, den o das
limi ações se e as de cus o. Isso demons a o alo de pode osos
mo imen os isuais e espaciais, man endo conec ados à ealidades
de um con ex o con empo âneo mul icul u al: a condição de mui as
cidades eu opeias. A o ma do p oje o c esceu a pa i de um
p ocesso de pa icipação da comunidade que le ou a uma
iden idade cla a e ag adá el sé ie de espaços. Como uma
exp essão o mal, ele pa e-se em pedaços e encaixa-se mui o bem
na escala da á ea ci cundan e como uma in e essan e colcha de
e alhos."
Jú i, Ins i u e Hono Awa ds o Regional and U ban Design
(Bus le Edi o s, 2013)
Capí ulo I – Concei os Ge ais
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Imagem 4, o og á ica da Williane Magalhães, "
Mo a na Colômbia
”, Vis a pano âmica de
Medellín, Colômbia (Remessa Online, 2021)
2. "
Mo a na Colômbia: Como é a ida no país?"-
Localizado
em Medellín, Colômbia, 2021
Medellín des aca-se como exemplo inspi ado de egene ação
u bana, onde a comunidade desempenhou um papel undamen al na
conceção e cons ução de espaços públicos. A cidade, conhecida como a
“Cidade cons uída po á ias mãos”, es emunhou uma ans o mação
signi ica i a a a és de p oje os que en ol e am a i amen e os habi an es na
c iação de ambien es u banos mais inclusi os e adap ados às necessidades
locais. A essência da abo dagem ino ado a de Medellín eside na
pa icipação di e a da comunidade na conceção de espaços públicos (Mazo,
2017).
Em ez de ado a uma abo dagem de cons ução adicional, a
cidade ab açou a ideia de que os p óp ios habi an es são os especialis as
das suas ealidades locais. A a és de pales as e p ocessos colabo a i os,
os esiden es o am con idados a exp essa as suas necessidades, desejos
e isões pa a o ambien e u bano que pa ilham. A cidade es emunhou a
ma e ialização desses p incípios po meio da c iação de pa ques, biblio ecas
e cen os comuni á ios idealizados e cons uídos pelos p óp ios habi an es
(Magalhães, 2022).
Esses p oje os não são apenas es u u as ísicas, mas exp essões
angí eis da iden idade e aspi ações locais. Os pa ques e le em as a i idades
e p e e ências ec ea i as da comunidade, enquan o as biblio ecas se o nam
Capí ulo I – Concei os Ge ais
39
cen os de conhecimen o adap ados às necessidades educacionais
especí icas. Ao en ol e a i amen e os esiden es na cons ução desses
espaços públicos, Medellín p omo eu a ap op iação desses ambien es pela
comunidade. Os habi an es não u ilizam apenas esses locais, mas ambém
se o nam os seus gua diões e de enso es.
Esse senso de ap op iação não só con ibui pa a a p ese ação e
manu enção dos espaços, como ambém o alece os laços sociais en e os
esiden es. A coesão social é um esul ado di e o desse p ocesso
pa icipa i o. A colabo ação na c iação de espaços pa ilhados ge a um
sen imen o de pe ença e esponsabilidade cole i a. Os habi an es o nam-se
co-c iado es do ecido u bano, p omo endo elações sociais mais o es e
uma comunidade mais obus a.
Os p oje os de egene ação u bana em Medellín não são apenas
in e enções de cu o p azo, mas in es imen os du adou os na qualidade de
ida u bana. A pa icipação comuni á ia não esul a apenas em espaços
ísicos bem-adap ados, mas ambém in luencia posi i amen e aspe os mais
amplos, como a saúde men al, o bem-es a e a sa is ação ge al. A expe iência
de Medellín mos a que o sucesso da egene ação u bana não de e se
medido apenas em e mos de in aes u u a ísica, mas ambém em e mos
de capi al social cons uído (Magalhães, 2022).
A cidade não só ans o mou a sua paisagem, mas ambém
o aleceu os laços sociais e a coesão comuni á ia, c iando um modelo
exempla pa a ou as egiões que en en am desa ios semelhan es.
Capí ulo I – Concei os Ge ais
46
Con udo é impo an e e em con a que es a in e ação en e
a qui e os e indi íduos no p ocesso a qui e ónico não bene icia apenas os
habi an es mas ambém os p óp ios a qui e os. Ao en ol e os habi an es
nes e p ocesso, os a qui e os podem ob e uma pe spe i a mais ampla e
di e si icada, en iquecendo a sua p óp ia comp eensão e conhecimen o do
p oje o.
(Re) desenho do Habi a na Pandemia
Do P ocesso Cogni i o à Pe ceção Espacial
47
CAPÍTULO II
PERCEÇÃO ESPACIAL
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
48
“E hoje: edescob i a mágica es anheza, a singula idade
das coisas e iden es”
(Siza, 2019, p. 22-23)
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
49
1. COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO
“Somos uma aglome ação de expe iências quo idianas do
passado, incluindo as suas ex u as espaciais e egis os
a e i os”
(Ga de-Hansen e Jones, 2012, p.8, adução p óp ia)
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
50
COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO_ Cognição Espacial
O compo amen o do Indi íduo oco e no espaço que o odeia, e,
como al, “pa a agi de o ma e icaz, as pessoas p ecisam de
ep esen ações men ais do espaço” (T e sky, 2003, p.66).
Es e capí ulo cons ui -se-á a pa i de alguns undamen os eó icos-
cien í icos e das descobe as mais ecen es de médicos no que espei a ao
uncionamen o do cé eb o humano, u ilizando a a qui e u a e o aciocínio
a qui e ónico como campo expe imen al, en endendo-se que o obje i o
des e es udo não é a analise nem a eo ia em si mas as con ibuições que,
c uzadas com a a qui e u a, podem le a a uma lei u a mais sensí el do
nosso habi a .
Uma das cha es des e capí ulo esul a na comp eensão de uma
no a disciplina de in es igação, a “neu ologia compo amen al”, que
consis e na ciência que es uda o compo amen o do indi íduo, a pa i das
elações en e a pe ceção do luga e a expe iência de habi a .
Só as ciências do compo amen o ou a neu ologia compo amen al
pode ão aze no idades quan o ao modo como o nosso co po se elaciona
com o espaço, a a és dos nossos sen idos e expe iências.
Conside ando que a neu ologia ocupa um luga in e médio en e a
pe ceção do indi íduo e o compo amen o, en endendo-se po “pe ceção” o
a o de conhece a a és dos sen idos, e po “compo amen o” as a i idades
do indi íduo e o modo como es e se elaciona e habi a o luga .
Nes e sen ido, é ób ia a elação que es e concei o man ém com o
ema undamen al des e abalho: o Compo amen o do Indi íduo.
Pa a en ende mos is o omamos a pe ceção como pon o de pa ida
pa a es a in e p e ação. O indi íduo como en idade exis encial que pensa e
se emociona, p e iamen e in o mado pela sua única e exclusi a his ó ia
pessoal e expe iência social, c ia o seu habi a pelo a o de conhece , pelo
en endimen o e pela sua consciência.
Quando se ala de pe ceção emos de en ende a sensibilidade dos
luga es, não os podendo eduzi a uma lei u a me amen e analí ica, acional
ou cien í ica; de em es abelece elação com o indi íduo no qual se c uzam
com os seus sen idos.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
51
Juhani Pallasmaa, e e e-se a es e ema como “a qui e u a
senso ial”, conside ando a enomenologia do indi íduo como o cen o do
compo amen o humano.
A a qui e u a, o na-se, assim uma ex ensão da na u eza humana,
en ol endo odos os domínios senso iais. Pallasmaa e e e ainda que a
a qui e u a é uma in e ação cons an e com os nossos sen idos, con a iando
oda a eo ia me amen e isual e analí ica da a qui e u a. Pa a es e au o ,
os nossos mo imen os es ão em con an e in e ação com o que nos odeia,
abso idos pela pe ceção, num p ocesso onde o olha colabo a com o co po
e com os ou os sen idos (Pallasmaa, 2009).
Tal como a a qui e u a não é algo que possa se en endido com
uma simples abo dagem analí ica, o nosso co po ambém não pode á se
esumido a uma en idade ísica; al como a a qui e u a, ele “en iquece-se
pela memó ia e pelo sonho” e de e á in e agi com um pensamen o
senso ial (Pallasmaa, 2011, p.43).
Realçando as sensações, e emos de abo da a pala a sines esia,
que no campo da medicina signi ica um es ímulo que é ecebido po um dos
nossos sen idos e que causa uma expe iência mul issenso ial. Es a pala a
p o ém da conjugação do la im Syn (jun amen e) e Ais hesis (sensibilidade);
es a expe iência sines ésica p ocessa-se no nosso cé eb o, sendo uma
condição neu ológica.
Cien is as como Daphne Mau e ap esen am a sines esia como
“uma p o usão de ligações ne osas en e as pa es do cé eb o que
con olam os cinco sen idos” (Gea y, 2017, p.151). Assim, a isão, a
audição, o ol a o, o palada e o a o es abelecem elações en e si, o nando-
se e amen as essenciais no en endimen o do nosso compo amen o num
de e minado luga .
Pesquisas nes e sen ido a i mam que os bebés nascem com a
capacidade sines ésica mais desen ol ida e que pe dem essa capacidade a
pa i dos qua o meses, quando o cé eb o es á desen ol ido e e êm
emoções ao elaciona em-se com ou os indi íduos e luga es.
“Se o co po i esse sido mais ácil de en ende , ninguém e ia pensado que
inha uma men e” (Pallasmaa, Ro y 1979).
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
52
Abo dando o Cé eb o como mecanismo de elação en e as emoções e o
compo amen o humano, se á necessá io comp eende mais sob e es a
ciência.
O nosso sis ema ne oso cen al é cons i uído po qua o pa es
num conjun o con ínuo de o mações ne osas que ecebem in o mações
do espaço e en iam aos músculos; es es p opo cionam o mo imen o e,
pos e io men e, a expe iência do indi íduo. Ap o undando um pouco mais
sob e es e sis ema, encon amos inicialmen e um onco en e a medula e
o cé eb o onde ecebemos a in o mação cap ada no espaço e é en iado à
nossa cabeça; depois, encon a emos o ce ebelo, esponsá el pelas
de i ações da es u u a an e io , onde são con olados os nossos
mo imen os.
Po im chegamos ao cé eb o, que em unções mui o mais
complexas: é cons i uído po dois hemis é ios dis in os e é esponsá el pelas
unções pe ce i as, mo o as e cogni i as, a ca go do có ex ce eb al. O lobo
on al es á p og amado pa a os a os e mo imen os do nosso co po, já o
lobo pa ie al es á elacionado com a nossa sensibilidade e linguagem.
Con inuando nes e sen ido, o lobo occipi al es á ligado à isão, o lobo
empo al, à audição, à ap endizagem e à memó ia (Russo, 2023).
Imagem 9, Esquema de Lana Magalhães, Ana omia do
Sis ema Ne oso Cen al, Esquele o Axial C aniano,
Toda Ma é ia (Magalhães, n.d.)
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
53
O in e esse pelas localizações ce eb ais de e-se, essencialmen e, às
con ibuições do neu oci u gião canadiano Wilde G a es Pen ield, cujos
es udos e a amen os ci ú gicos dos epilé icos, ealizados em inais dos
anos 1950, pe mi i am es abelece um mapa uncional do có ex ce eb al
humano. Foi a pa i des e momen o que se con i mou a localização das
di e en es unções elemen a es (mo o a, sensi i a e senso ial) em zonas
conc e as do cé eb o, legi imadas em pa alelo com os a anços no campo
da neu ologia, nomeadamen e a a és da possibilidade de isualização das
es u u as ce eb ais do doen e (a imagiologia) (Po o Edi o a, n.d).
O desen ol imen o do cé eb o - e, po an o, dos compo amen os -
es á ligado à in e enção de dois a o es: gené icos e epigené icos. Os
a o es gené icos são ansmi idos po he edi a iedade, ixados nas
ca ac e ís icas dos nossos an epassados; os a o es epigené icos incluem
oda a in o mação não gené ica e a mul iplicidade de a o es que in e e em
na cons an e modelação, an o em c iança como em idade adul a, do ecido
ne oso ce eb al, sob a in luência da p óp ia expe iência do indi íduo, casual
ou induzida, com o seu con ex o ísico e social.
Imagem 10, Esquema de Lana Magalhães, Ana omia do
Cé eb o, Lobos e hemis é ios ce eb ais, Toda Ma é ia
(Magalhães, n.d.)
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
54
Es udos mais ecen es do domínio da elação en e o cé eb o e o
compo amen o do indi íduo acen uam o papel das emoções como um
conjun o o mado pela expe iência men al e pela expe iência ísica.
Michel Habib em “
Bases neu ológicas dos compo amen os
”
escla ece que a emoção é desencadeada a pa i da pe ceção senso ial de
um es ímulo acompanhado pelo compo amen o emocional que es e
p o oca. Es a es imulação senso ial é um p ocesso ine en e ao indi íduo
no mal, po que se não a i e mos e emos pe ceções dis o cidas da
ealidade, ou seja, alucinações (Habib, 2000).
No cen o do cé eb o si ua-se um conjun o de mecanismos que
pe mi em econhece as p op iedades a e i as de um es ímulo, o que
desencadeia uma de e minada pe ceção ou uma expe iência emocional
especí ica, legi imando a conside ação do nosso es udo sob e modos
dis in os de in e p e a o luga e ambém de exp essa di e en es au o es.
Po ém, Habib e e e que a expe iência das emoções é um dos aspe os mais
di íceis de explo a (Habib, 2000).
Es e ipo de es udos cien í icos e neu ológicos le an am o éu sob e
a impo ância dos nossos sen idos na pe ceção do espaço e no nosso
compo amen o, o que, pa a o campo da a qui e u a, em con ibui pa a
uma impo ância ac escida do campo expe imen al.
Du an e mui os anos, os espaços basea am-se na ideia de que a
o ma segue uma unção, mas hoje, ol amos a conside a o pode das
emoções, das expe iências e dos modos de i e um espaço, com odos os
sen idos, numa sín ese quase pe ei a en e o cons ui , o pensa e o habi a .
A a qui e u a o na-se um p ocesso de ein e p e ação c ia i a e
sensí el do Habi a . O homem p oje a um espaço com base no seu cé eb o;
habi a não é mais do que uma ep esen ação do nosso pensamen o.
En ão, podemos conclui que p oje a é um modo de pensa , e que
habi a é um modo de c ia a qui e u a. Semp e que pensamos em
a qui e u a de emos en ende as elações en e o a qui e o/sujei o e o luga ,
e o a qui e o/sujei o e a ob a, essencialmen e po que o sen ido do seu Se
no mundo é espacial. É uma ques ão exis encialis a po que o luga é a
combinação das noções de espaço, mo imen o, expe iência pessoal e
pe ceção.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
55
Conside e-se uma pon e, po exemplo: pensamos nela como um
pe cu so de ligação en e dois luga es an e io men e sepa ados; sendo um
pe cu so, induz na u almen e ao mo imen o do indi íduo. A sua expe iência
pessoal e a du ação do seu “a a essa ” ai aze pa e da sua memó ia.
A pala a Memó ia designa a capacidade de e e ideias; em e mos
p á icos, se á a a i idade do pensamen o, do cé eb o, e do co po que i á
pô em ação a pe ceção do indi íduo no momen o p esen e, no
econhecimen o das elações do luga que habi a. O econhecimen o,
segundo es e pensamen o, dá luga à expe iência, que desencadeia
na u almen e a memó ia, a eco dação, a lemb ança e a compa ação; udo
is o az pa e da poesia a qui e ónica.
Hen i Be gson, ilóso o ancês, no es udo in i ulado como “
Ma é ia
e Memó ia
”, e e e que qualque pe ceção é in e p e ação, é
econhecimen o, é um mo imen o ce eb al que cap a o obje o deixando uma
imagem na memó ia. No nosso caso dá-se o p ocesso in e so, o p oje o
a qui e ónico esul a de uma ep esen ação men al do espaço (iden i icação
o mal). A memó ia desempenha um papel undamen al no p ocesso de
eco dação e na expe iência i ida pelo a qui e o ao isi a o luga , no
momen o da c iação do p oje o (Be gson, 2019).
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
62
Teo ias como as de No be g-Schulz, Pallasmaa e Pé ez-Gómez
o e ecem pe spe i as ilosó icas que anscendem a simples conceção do
espaço a qui e ónico. Cada uma dessas abo dagens p opo ciona aspe os
aliosos sob e a dimensão espi i ual e emocional do espaço, a impo ância
dos sen idos na expe iência a qui e ónica e a isão do espaço como um
luga de ansição e ans o mação.
Em suma, No be g-Schulz, com a sua abo dagem enomenológica,
con ida a conside a a elação en e o indi íduo, o ambien e ísico e cul u al
como aspe os que in luenciam a c iação de um sen ido de luga e de um
signi icado pa a o espaço. Já Pallasmaa en a iza a impo ância dos sen idos
e da expe iência senso ial na a qui e u a, p eocupando-se com que o espaço
despe e um es ímulo, p opo cionando uma expe iência mais comple a,
signi ica i a e emocional. Finalmen e, Pé ez-Gómez ap esen a uma isão
elacionada com o espaço limina , um espaço de ansição que nos pode
o e ece expe iências di e en es, o nando-se undamen al pa a a nossa
expe iência e comp eensão da a qui e u a, pe mi indo-nos expe imen a
mudanças ísicas e emocionais. Acaba, assim, po e uma abo dagem
ilosó ica que nos con ida a e le i sob e a impo ância da subje i idade e
da di e sidade nas expe iências no p oje o a qui e ónico.
Pensa na elação do se humano com o ambien e, na impo ância
dos sen idos e da expe iência senso ial e na noção de espaços de ansição
e ans o mação, é impo an e pa a o nosso ema. Todas es as eo ias
in luencia am, e ainda in luenciam, a manei a como a a qui e u a e os
espaços são concebidos e abo dados hoje em dia; de igual modo,
enco ajam-nos a p oje a espaços au ên icos, es imulan es e signi ica i os,
en iquecendo assim a nossa expe iência e a comp eensão do ambien e
cons uído.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
63
CONDICIONAMENTO DO ESPAÇO_
Papel do A qui e o
Josep Mun añola, a qui e o e eó ico ca alão, e e e-se ao a qui e o
como poe a que desenha á os espaços onde i em os indi íduos, habi ando-
os com a sua imaginação e o nando-os possí eis g aças às écnicas de
cons ução (do desenho à ob a inal).
O a qui e o é um indi íduo de ação e de esponsabilidade: uma
espécie de poe a que “desenha” um poema e ansmi e uma mensagem
di e en e a cada lei o , consoan e as suas expe iências e memó ias.
Mun añola e e e que “poe icamen e o homem habi a po que p oje a a pa i
do con ui e do habi a ” (Mun añola, 1981).
S e en Holl, a qui e o ame icano, ala p ecisamen e des a me á o a,
uma ez que a a qui e u a e o espaço de em c ia uma ligação poé ica
(Ma ques, 2013). Es a ligação e a mani es ada sem in e ação conscien e,
que pelo uso de ma e iais, que po écnicas locais, que pela associação à
paisagem ou aos ac os his ó icos. Ago a, a ligação com o sí io de e se
cons uída em unção dos indi íduos.
O a qui e o c ia os espaços que lhe são dados a p oje a e o
indi íduo ans o ma esses mesmos espaços, exp essando modos de habi á-
los. A a qui e u a, mais do que in e ompe uma paisagem, se e pa a
explicá-la.
A c iação a qui e ónica de ine a capacidade de o na possí el um
habi a a pa i de um cons ui , undamen ando-se no modo como
“poe icamen e o Homem habi a es a e a” (Heidegge , 2002). A lei u a
pe ei a de um p oje o de e e como cen o poé ico o “cons ui ”, o
“habi a ” e o “pensa ” (Heidegge , 1951).
Es a poesia le ada a casos conc e os, le a-nos a e que o a qui e o
pode á c ia an o no cons uído como na elação do cons uído com a
en ol en e. Sabemos que alguns le a am es a p eocupação da poesia mais
além do que ou os.
Po exemplo, a Casa da Casca a de F ank Lloyd W igh (1939) é
incomp eensí el sem o seu con ex o; pelo con á io a Villa Sa oye de Le
Co busie (1931), não necessi a da sua localização geog á ica pa a a sua
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
64
lei u a, alendo apenas como expe iência, limi ada pela sua o ma.
Enquan o a poesia da Villa Sa oye em como oco a ha monia dos
espaços, a Casa da Casca a ambém conside a o seu elacionamen o com
a en ol en e.
Se quem c ia espaços é o a qui e o, se á ele quem e á de a ibui
a essência aos espaços que in en a, a pa i da sua lei u a dos luga es que
lhe são dados; os luga es não pode ão e uma lei u a me amen e analí ica,
pois es es ans o ma -se-iam acilmen e em en idades ep odu í eis; em ez
de uma au o ia que se de ende e em um p opósi o, c ia-se algo que se
epe e.
Pa a Ma ín Heidegge , iloso o alemão, es a “essência” de e á e
sen ido a a és da “ma é ia”, do “con eúdo”, que sin e izada com a sua
o ma esul a no obje o e pos e io men e na lei u a do habi a (Heidegge ,
2001).
A ob a não esul a apenas da me a p esença o mal, mas sim de
um p ocesso in e p e a i o da pa e do indi íduo, con on ado com o espaço
e com o obje o. Es amos pe an e um desen ol imen o concep ual ine en e
a cada indi íduo. Assim a en a i a de de ini um habi a não de e á se
a ingida de modo g ossei o e imedia o, caindo nas ba ei as do ób io, mas
pode coloca de lado os ilusó ios concei os comuns e assen a na nossa
p óp ia expe iência.
O a qui e o exe ce o seu di ei o de au o sob e as ob as ealizadas,
a a és de um p ocesso c ia i o que esul a do pensamen o; já o
indi íduo/sujei o/u ilizado , ec ia os espaços consoan e a sua necessidade,
con ando com a in e ligação en e o luga e a sua expe iência.
Segundo Be gson, a a qui e u a de um espaço de e se u ilizada
“
ocada, pene ada, i ida
” pelo con ac o ísico e senso ial; o u ilizado
encon a á o espaço já manipulado pelo a qui e o (Be gson, 2010, p.72-73).
Be gson é undamen al pa a o desen ol imen o que se p e ende aze nes a
disse ação, pois es e au o es abelece con ibuições impo an es no
en endimen o da pe ceção, como uma in e p e ação do sí io, ans o mada
em Memó ia. Es a mesma memó ia do sí io se á eu ilizada na a qui e u a,
inicialmen e como ma é ia i ual pa a o es abelecimen o de p incípios e
concei os, e pos e io men e como ma é ia p esen e e manipulada na
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
65
cons ução. Já do pon o de is a do obse ado , a pe ceção in e p e a i a da
ob a cons uída in eg a-se já num sí io manipulado, onde i á es imula a
memó ia e pe mi i á ab i po as pa a a o ma de descodi ica as es a égias
idealizadas pelo au o . Es as duas abo dagens, apa en emen e dis in as,
êm um pon o em comum: o Espaço.
Em esumo, a a qui e u a em um papel undamen al, como
a i idade do pensamen o e como ma é ia conc e a; o au o e u ilizado
complemen am-se na pe ceção do espaço, como elemen o comum às duas
en idades. Se, nes e con ex o, o a qui e o ans o ma e ope acionaliza o
espaço, o obse ado /indi íduo que habi a pode á descodi ica e
sis ema iza um pe cu so de descobe a a a és das elações e expe iências
com o mesmo espaço. En ende-se assim a elação da pe ceção e da
memó ia como mo o an o da c iação/ ans o mação, como do
econhecimen o.
Os a qui e os, no en an o, ambém habi am e a i am a sua pe ceção
dos sí ios a pa i de uma in e p e ação, u ilizando os seus sen idos.
Es a expe iência de i encia o espaço, po sua ez, en iquece a
memó ia, que é solici ada quando p oje a ou os espaços, no seu abalho.
Tal como os ou os indi íduos, a i a á a sua pe ceção, a sua expe iência e
a sua memó ia quando o co po eúne in e p e ações do espaço, u ilizando
os seus sen idos.
O condicionamen o do espaço é um p ocesso c ucial na
a qui e u a; os a qui e os desempenham um papel undamen al na c iação
de ambien es que despe am emoções nas pessoas que os habi am.
Es udos ecen es abo dam o papel do a qui e o na conceção do espaço.
O desa io a ual da a qui e u a na cons ução de no as cidades es á
p esen e na capacidade de os a qui e os in luencia em a expe iência e o
compo amen o das pessoas a a és do design do espaço. Es a abo dagem
não se limi a à c iação de es u u as ísicas, mas isa ambém es abelece
ambien es que ão além da uncionalidade básica, impac ando
emocionalmen e os u ilizado es. Ao conside a aspe os emocionais, os
a qui e os equacionam o modo como os espaços podem a e a o es ado de
espí i o das pessoas, a a és da escolha de co es, ex u as e ma e iais.
O a qui e o ao adqui i um amplo conhecimen o em á eas como,
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
66
Teo ia da a qui e u a, p oje o e ou as dimensões a qui e ónicas, ob ém as
bases necessá ias pa a c ia espaços que e ocam emoções e expe iências
nas pessoas. A eo ia da a qui e u a pe mi e a comp eensão dos p incípios
undamen ais da disciplina (co en es es é icas e mo imen os a ís icos). O
desen ol imen o do p oje o, po sua ez, ab ange habilidades de conceção,
ans o mando ideias e concei os em soluções conc e as que conside am as
necessidades dos u ilizado es, endo em con a as es ições locais e as
no mas egulamen a es. Po im, as dimensões da a qui e u a e e em-se à
comp eensão da o ma, do espaço, da luz, da co e dos ma e iais, que
in luenciam p o undamen e a c iação de ambien es impac an es e
es e icamen e coe en es.
A neu ologia compo amen al e ela que as ca ac e ís icas dos
espaços podem es imula a c ia i idade das pessoas. Os a qui e os podem
aplica essa in o mação ao c ia ambien es que p omo am a ino ação,
conside ando elemen os como e os al os (pa a c ia uma sensação de
ampli ude e libe dade), pa edes cu as (pa a ge a luidez e mo imen o),
co es b ilhan es (pa a c ia um ambien e que ansmi e mais ene gia) e a
u ilização de ma e iais na u ais (pa a uma maio conexão com a na u eza).
Es a abo dagem des aca a impo ância de conside a aspe os
senso iais na conceção do espaço, indo além da uncionalidade básica. A
neu ologia compo amen al ambém e ela que espaços abe os e bem
iluminados podem es imula a in e ação social. Os a qui e os podem aplica
essa in o mação ao p oje a ambien es que in luenciem a sua u ilização;
espaços abe os pa a enco aja a in e ação isual e e bal, com iluminação
adequada pa a c ia ambien es acolhedo es; mó eis e ma e iais
ap op iados, pa a es imula a in e ação social. Assim, o na-se e iden e a
impo ância de c ia ambien es que acili em o encon o e a conexão en e
os indi íduos.
A neu ologia compo amen al ambém pode guia o design de
espaços acessí eis pa a pessoas com de iciência. Es a égias como boa
iluminação, sinalização cla a, uso de ampas e ele ado es, além de
ma e iais ap op iados, podem melho a a acessibilidade pa a odos.
Essas di e izes isam c ia espaços inclusi os e acessí eis,
ga an indo que odos os u ilizado es possam des u a dos ambien es
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
67
p oje ados.
Em sín ese, a conceção do espaço na a qui e u a é um p ocesso
mul idimensional. Os a qui e os desempenham um papel e oca i o na
c iação de ambien es que ão além da uncionalidade, conside ando
aspe os emocionais, es é icos e uncionais. Ao ado a uma abo dagem mais
comple a, os p o issionais da a qui e u a con ibuem pa a a c iação de
espaços que impac am posi i amen e a ida das pessoas, p omo endo bem-
es a , in e ação social, ino ação e acessibilidade.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
68
CONDICIONAMENTO DO ESPAÇO_ Obje o
O condicionamen o do espaço a a és dos obje os é um aspe o
undamen al no campo da a qui e u a e do design, desempenhando um
papel c ucial na o ma como os indi íduos pe cebem, in e agem e i enciam
os ambien es ao seu edo . A in luência desses elemen os ai mui o além
do aspe o es é ico, pene ando di e amen e na expe iência humana e no
compo amen o, moldando a manei a como nos conec amos com o espaço
que habi amos.
A conceção cuidadosa dos obje os e da sua elação com o ambien e
ísico em um impac o di e o na pe ceção do espaço pelos indi íduos. A
disposição e a p esença dos obje os podem al e a subs ancialmen e a
sensação de amanho de um ambien e. Um espaço apa en emen e pequeno
pode pa ece mais amplo e acolhedo com uma escolha es a égica de
mobiliá io e a o imização da ci culação. Os a qui e os e os designe s de em
conside a não só a unção dos obje os, mas ambém o impac o psicológico
da sua posição e p esença no espaço (Gi o d, 2007).
O design dos obje os pode molda a o ma como as pessoas
in e agem quando u ilizam o espaço. A disposição do mobiliá io em
ambien es pa ilhados, como salas de es a , com disposição mais abe a
pode enco aja a in e ação social, enquan o uma disposição mais modula
pode in luencia a uncionalidade, mas pe mi i maio lexibilidade e
pe sonalização.
A escolha de co es é ou o aspe o ele an e nesse con ex o. Co es
mais cla as e ib an es podem c ia ilusão de espaços mais amplos,
enquan o ons mais escu os podem con e i uma sensação de aconchego.
Essa in e ação en e co e pe ceção do espaço des aca a impo ância de
uma abo dagem global no design, conside ando não só a es é ica isual,
mas ambém o e ei o psicológico das escolhas c omá icas (Valdez e
Meh abian, 1994).
A iluminação a i icial ambém desempenha um papel impo an e.
Ambien es bem iluminados não a e am apenas a pe ceção isual, mas
ambém podem c ia uma a mos e a mais acolhedo a, a o ecendo a
in e ação social. Em con apa ida, a iluminação mais sua e e di ecionada
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
69
pode c ia espaços mais ín imos e p opícios à e lexão indi idual (Külle ;
Ballal; Laike; Mikellides E Tonello, 2006).
Além do con o o isual, a iluminação é uma e amen a es a égica
u ilizada pa a des aca elemen os a qui e ónicos. A manipulação in eligen e
da luz pode di eciona o oco, c iando pon os de in e esse e in luenciando a
pe ceção do espaço.
A comp eensão da in e - elação en e elemen os senso iais e o
condicionamen o obje o-espaço des aca a impo ância de abo dagens mais
comple as no design. É impe a i o conside a não só a es é ica isual, mas
ambém as expe iências ác eis e isuais, pa a c ia ambien es que ca i em
e en ol am os ocupan es (Pallasmaa, 2012).
O condicionamen o obje o-espaço não se es inge apenas à isão;
ele es ende-se às expe iências senso iais, des acando a impo ância dos
ma e iais, ex u as e es ímulos isuais na c iação de ambien es en ol en es.
A escolha de ma e iais na u ais, an o pa a obje os como pa a
e es imen os - madei a, ped a en e ou os - con e em uma es é ica
ag adá el, mas ambém e ocam uma sensação de conexão com a na u eza,
p omo endo o bem-es a emocional. Es udos sob e es ímulos isuais e
expe iências de co no espaço in e io des acam a in luência di e a na
pe ceção das pessoas. O design de in e io es pode u iliza co es de manei a
es a égica pa a c ia ambien es que es imulem ou anquilizem,
dependendo das necessidades especí icas de cada espaço (Mais Finishings,
2024).
Com o a anço ecnológico, o condicionamen o do espaço en en a
no os desa ios e opo unidades. A in eg ação de sis emas in eligen es e
disposi i os ele ónicos nos espaços o e ece no as possibilidades de
pe sonalização e adap ação às necessidades indi iduais, pe mi indo que os
ambien es se ajus em au oma icamen e às p e e ências do u ilizado ,
p opo cionando con o o e e iciência.
Conside a cuidadosamen e a in e secção en e ino ação e es é ica
é c ucial pa a c ia ambien es que não apenas a endam às expec a i as
con empo âneas, mas que ambém an ecipem e se ajus em às e oluções
u u as, nas o mas como in e agimos com o espaço ao nosso edo . Es e
desa io, embo a complexo, o e ece opo unidades pa a molda ambien es
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
70
e dadei amen e adap a i os e pe sonalizados.
À medida que a ançamos pa a uma e a cada ez mais ecnológica,
a adap ação a no as necessidades e a inco po ação sensa a de ino ações
são essenciais. A conside ação cuidadosa desses elemen os, baseada em
pesquisas e eo ias con empo âneas, é undamen al pa a a qui e os e
designe s que p ocu am c ia espaços que não só ag adem isualmen e,
mas ambém in luenciem no bem-es a e na ida daqueles que os habi am.
A in e secção en e o condicionamen o do obje o no espaço e a
saúde men al é um campo de pesquisa em ápido c escimen o, e elando
a in luência subs ancial que o design de in e io es exe ce sob e o bem-es a
das pessoas. A comp eensão dessa elação complexa não des aca apenas
a impo ância de ambien es isualmen e ag adá eis, mas ambém e idencia
o modo como o condicionamen o obje o-espaço pode se um ca alisado
di e o pa a p omo e es ados de espí i o posi i os e de saúde men al
obus a.
Pesquisas ecen es êm des acado que o design de in e io es
desempenha papel c ucial na p omoção da saúde men al, p opo cionando
es ados de espí i o posi i os e con ibuindo pa a um ambien e p opício à
in ospeção e calma (Ul ich, 1991). Elemen os especí icos, como co es
sua es e a inco po ação de elemen os na u ais, êm sido iden i icados como
acili ado es desses es ados emocionais desejá eis (Kaplan e Kaplan,
1989).
O uso de co es sua es, como ons de azul e e de, em sido
associado à edução do s ess e da ansiedade, c iando ambien es que
p omo em uma sensação de anquilidade (Mais Finishings, 2024). A
p esença de elemen os na u ais, como asos com plan as, não adiciona
apenas uma es é ica cuidada, mas ambém es á ligada a bene ícios
psicológicos, como aumen o da c ia i idade e melho ia do humo
(B ingslima k, 2007).
A psicologia ambien al desempenha um papel i al ao analisa como
os elemen os ísicos do ambien e in luenciam o compo amen o e as
emoções humanas (Gi o d, 2007). A associação en e a Psicologia
Ambien al e o Design, numa abo dagem cen ada no indi íduo,
undamen ada em p incípios da psicologia ambien al, pe mi e que
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
71
a qui e os e designe s c iem espaços que a endam às exigências
emocionais dos indi íduos (Ko le , 1973).
A in e ação en e os obje os, o espaço e os elemen os senso iais é
um campo ascinan e que e ela a impo ância de conside a não só a
es é ica isual, mas ambém a expe iência ác il na c iação de ambien es.
Obje os com ma e iais mais ios, me álicos, ansmi em uma
a mos e a mode na e indus ial, p opo cionando uma expe iência senso ial
dis in a. Esses elemen os podem se escolhidos pa a c ia ambien es que
buscam uma es é ica con empo ânea e uma espos a senso ial mais sób ia
(Gi o d, 2007). Ma e iais que p opo cionam uma espos a ác il posi i a,
jun amen e com uma es é ica isual cuidadosamen e planeada, con ibuem
pa a a c iação de espaços que são pe cebidos de manei a mais comple a e
in eg ada. Ao abo da o condicionamen o do espaço pelos obje os, a
inclusão delibe ada de elemen os senso iais ab e po as pa a a c iação de
ambien es memo á eis e en ol en es.
Es a in luência do obje o, da ecnologia e ino ação es á
ep esen ada no ilme
Meu Tio (Mon Oncle
) de Jacques Ta i, ealizado em
1958. A pe sonagem p incipal, o senho Hulo , é um indi íduo comum e
desajei ado, que se con on a com a ida mode na, sendo e iden es as suas
di iculdades em habi a essa ealidade.
A Villa A pel, uma casa p oje ada com olumes pu os e co es mui o
sób ias ( ons ios e me álicos como cinzas e b ancos) e le e a e iciência
mecanizada do mundo mode no, en a izando o dis anciamen o e o isolamen o
expe ienciado pelos seus habi an es.
Es a casa e le e uma sensibilidade alimen ada po Le Co busie — uma
inspi ação da “máquina pa a i e ”, com os seus disposi i os écnicos, a sua
ieza deco a i a e a sua no á el al a de con o o (Weinbe g Mode n, 2015).
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
78
FUNCIONAMENTO E VERSATILIDADE DO ESPAÇO
A conceção a qui e ónica con empo ânea econhece a impo ância
in ínseca da uncionalidade e da e sa ilidade do espaço como a o es
undamen ais pa a a c iação de ambien es que a endam às necessidades
a uais, mas que ambém e oluam e se adap em à cons an e mudança dos
indi íduos. Es e subcapí ulo explo a a ligação en e uncionalidade,
e sa ilidade e e iciência, de endendo que essa abo dagem não e le e
apenas as endências a uais mas ambém o e ece bene ícios ligados ao
bem-es a e à p odu i idade dos indi íduos que os habi am.
A dinâmica social, ecnológica e cul u al em cons an e e olução
exige uma abo dagem lexí el na conceção de espaços a qui e ónicos. A
uncionalidade do espaço ai além de a ende as necessidades imedia as e
ab aça a capacidade de adap ação do ambien e cons uído ao longo do
empo. Espaços e sá eis são concebidos pa a se ans o ma e e olui ,
ga an indo que pe maneçam ele an es e e icazes, independen emen e das
mudanças nas a i idades humanas e nas expec a i as sociais.
A e iciência do espaço é um p incípio o ien ado na conceção
a qui e ónica con empo ânea. A o imização do uso do espaço não se limi a
à sua ocupação ísica, mas ambém à capacidade de acomoda di e sas
unções e a i idades. Espaços e sá eis são p oje ados com a p emissa de
maximiza a sua u ilidade, p opo cionando uma di e sidade de usos sem
comp ome e a qualidade ou a expe iência do indi íduo. Esse exage o da
e iciência espacial con ibui não só pa a a sus en abilidade ambien al, mas
ambém pa a a maximização do in es imen o da in aes u u a.
Es udos cien í icos e o çam a impo ância da e sa ilidade na
conceção de espaços. O es udo publicado na e is a
F on ie s in Psychology
des aca como a adap abilidade do ambien e ísico impac a di e amen e a
p odu i idade e o bem-es a dos u ilizado es. Ao c ia espaços lexí eis e
adap á eis, os a qui e os êm a capacidade de in luencia posi i amen e a
dinâmica de g upos de abalho, acili ando a colabo ação, es imulando a
c ia i idade e p omo endo a sa is ação no ambien e de abalho (Ke che ,
Rahman e Pede sen, 2024).
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
79
Es a ideia implica que os espaços concebidos pa a se em e sá eis
não são apenas cómodos, mas ambém po enciam o desempenho humano.
A elação di e a en e espaços e sá eis e a acili ação da colabo ação e
c ia i idade é um pon o cen al nes e con ex o. A capacidade de ajus a a
con igu ação do espaço con o me as necessidades especí icas de uma
a e a ou p oje o pe mi e uma espos a dinâmica às necessidades de
in e ação e oca de modos de habi a . A lexibilidade espacial o na-se,
assim, um acili ado ligado à ino ação, con ibuindo pa a o
desen ol imen o de ambien es que o alecem a c ia i idade e p omo em
soluções ino ado as.
A ligação en e uncionalidade do espaço e sa is ação no abalho é
c ucial. Espaços e sá eis, ao se adap a em às p e e ências indi iduais e
cole i as, con ibuem pa a um ambien e de abalho mais ha monioso e
ag adá el. A lexibilidade do espaço não esponde apenas às necessidades
ope acionais, mas ambém conside a o con o o e o bem-es a dos
indi íduos, p omo endo uma a mos e a que a o ece a ealização
p o issional e a sa is ação pessoal.
A in e secção en e uncionalidade e e sa ilidade na conceção
a qui e ónica con empo ânea anscende o simples a anjo de elemen os
ísicos, como os obje os ou o mobiliá io. É um comp omisso com a
adap ação, a ino ação e o ap imo amen o con ínuo. À medida que a
sociedade e olui, a a qui e u a de e esponde ; a c iação de espaços que
são simul aneamen e uncionais e e sá eis eme ge como p incípio
o ien ado pa a a qui e os comp ome idos em molda ambien es que
en iqueçam a ida, p omo am a p odu i idade e a endam às necessidades
a iadas de uma comunidade em cons an e ans o mação.
A ideia subjacen e à esiliência u bana, a a és da conceção de
espaços e sá eis, é um campo ascinan e e c ucial na a qui e u a
con empo ânea, abo dando não só a uncionalidade imedia a dos espaços,
mas ambém a sua capacidade de se adap a ace a mudanças nas
necessidades e condições u banas. P ocu a emos explo a os elemen os
undamen ais dessa eo ia, des acando como a e sa ilidade na conceção
espacial pode se um impulsionado signi ica i o nes a esiliência.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
80
A esiliência u bana e e e-se à capacidade de uma cidade se
ecupe a , adap a e ans o ma ace a pe u bações e mudanças, sejam
elas sociais, económicas ou ambien ais. A noção de espaços e sá eis
suge e que a adap abilidade dos espaços u banos desempenha um papel
undamen al nesse p ocesso.
Espaços e sá eis são aqueles que não es ão igidamen e de inidos
po elemen os que imponham uma única unção, mas que podem se
econ igu ados pa a se adequa em a di e en es u ilizações e ci cuns âncias,
o nando-os al amen e ajus á eis às exigências u banas em cons an e
e olução.
Uma in es igação publicada na e is a
En i onmen and Planning
B: U ban Analy ics and Ci y Science
des aca a elação in ínseca en e a
e sa ilidade espacial e a esiliência u bana. Espaços mul i uncionais
demons a am uma capacidade única de se adap a a di e en es usos e
si uações, esul ando em e iciência e sus en abilidade a longo p azo. Ao
pe mi i uma a iedade de a i idades e unções, esses espaços espondem
de manei a dinâmica às necessidades eme gen es, e i ando a pe da
p ema u a e con ibuindo pa a a du abilidade e ele ância con ínua na
paisagem u bana (Sage Jou nals, n.d.).
A adap abilidade é iden i icada como es a égia undamen al pa a
o alece a esiliência u bana. Espaços e sá eis agem como luga es
lexí eis, pe mi indo que a cidade ajus e as suas dinâmicas em espos a a
imp e is os, mudanças demog á icas ou e oluções económicas. Ao
con á io de espaços igidamen e especializados, a lexibilidade ine en e
desses ambien es con ibui pa a uma espos a ágil a desa ios u banos,
o necendo soluções que se alinham de manei a mais e icaz às
necessidades eme gen es.
Um elemen o-cha e na eo ia é a pa icipação a i a das
comunidades na conceção e adap ação desses espaços. A in eg ação de
u ilizado es e a conside ação das necessidades especí icas dos indi íduos
ga an em que a e sa ilidade seja o ien ada pelas suas p óp ias dinâmicas.
Is o não só e o ça o sen ido de pe ença, mas ambém p omo e a
sus en abilidade social, c iando espaços que são e dadei amen e
moldados pela iden idade e aspi ações das comunidades que se em.
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
81
Es a eo ia é ealçada pelos exemplos a ás ap esen ados, como a
“High Line”
em No a Io que e o p oje o
“The Ben way”
em To on o. Ambos
demons am como espaços an e io men e subu ilizados o am
ans o mados em ambien es e sá eis que não só esis em a mudanças,
mas ambém se o nam ca alisado es de egene ação u bana. A adap ação
desses espaços às necessidades locais especí icas des aca a e icácia p á ica
da eo ia na p omoção da esiliência u bana.
A eo ia da esiliência u bana, conc e izada com a conceção de
espaços e sá eis, p opo ciona uma isão es a égica pa a en en a os
desa ios dinâmicos en en ados pelas cidades mode nas. Es a abo dagem
não só de ine a a qui e u a como disciplina i al na cons ução de cidades
esilien es, mas ambém des aca a necessidade de uma colabo ação
con ínua en e a qui e os, designe s, e os p óp ios habi an es na busca de
soluções sus en á eis e ino ado as.
Em suma, a uncionalidade e e sa ilidade dos espaços são
concei os c uciais na conceção a qui e ónica con empo ânea,
desempenhando um papel undamen al na adap ação à e olução das
necessidades dos indi íduos e na o imização da e iciência dos espaços.
A a és de uma concen ação na lexibilidade, e iciência e adap ação, os
a qui e os podem c ia espaços que sa is açam as necessidades em
cons an e mudança dos indi íduos e p omo am o bem-es a e o uso dos
mesmos a longo p azo.
Es e ema, sus en ado pelos es udos e e idos nes e capí ulo,
o e ece uma comp eensão mais ap o undada sob e como a conceção de
espaços e sá eis não só esponde aos desa ios a uais mas, ambém,
p omo e bene ícios signi ica i os em á ias á eas, desde a p odu i idade a é
à saúde men al.
O es udo publicado na e is a
F on ie s in Psychology
da au o ia de
Ke che , Rahman e Pede sen, des aca que a conceção de espaços e sá eis
es á di e amen e associada à melho ia da p odu i idade e do bem-es a dos
u ilizado es. A lexibilidade e adap abilidade desses espaços são
undamen ais pa a acili a a colabo ação, es imula a c ia i idade e
aumen a a sa is ação no abalho. A a qui e u a, nesse con ex o, eme ge
como e amen a que não só o nece ab igo, mas ambém molda
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
82
expe iências e in luencia es ados emocionais (Ke che , Rahman e Pede sen,
2024).
Assim é necessá io des aca a impo ância da comp eensão e
desen ol imen o no espaço humano. O ensino da conceção do espaço
a qui e ónico é abo dado como um p ocesso baseado nas descobe as da
psicologia con empo ânea, en a izando as habilidades undamen ais de
pe ceção no espaço. Essa abo dagem não só o ma p o issionais
capaci ados, mas ambém p omo e uma comp eensão mais p o unda do
impac o do espaço na expe iência humana.
Nos es udos analisados é possí el des aca a in luência dos obje os
em á ios aspe os e um deles é o ambien e educacional. Desde a achada
dos edi ícios a é ao mobiliá io, cada elemen o espacial desempenha um
papel na o mação dos es udan es. Es es con ex os ealçam como a
conceção cuidadosa dos espaços pode in luencia posi i amen e o p ocesso
de ap endizagem, c iando ambien es adequados ao desen ol imen o
educacional e ao bem-es a dos alunos.
Ou o es udo sublinha o papel do design de in e io es na p omoção
da saúde men al. Num mundo onde ansiedade e s ess são p e alen es, a
capacidade de c ia ambien es que p omo am in ospeção, calma e conexão
emocional é iden i icada como essencial. Aqui, a a qui e u a é pe cebida
como e amen a e apêu ica que pode con ibui pa a o equilíb io men al.
Essa análise essal a a a iedade de sis emas e exp essões do limi e
na a qui e u a, p opo cionando uma comp eensão mais p o unda de como
o espaço é de inido e pe cebido. Pa a isso é impo an e econhece o papel
da a qui e u a na comp eensão e conhecimen o do espaço, en a izando as
qua o dimensões con encionais: al u a, la gu a, comp imen o e empo
(Ke che , Rahman e Pede sen, 2024).
Desde a p odu i idade no local de abalho a é o impac o na
educação e na saúde men al, a conceção de espaços e sá eis não
esponde apenas às necessidades do p esen e, mas ambém p epa a o
e eno pa a ambien es a qui e ónicos mais adap á eis, cen ados no
u ilizado e socialmen e en iquecedo es. Espaços que p omo em
segu ança, seja po meio de obje os, iluminação ou planeamen o u bano,
con ibuem pa a uma expe iência u bana mais sus en á el. A a qui e u a,
Capí ulo II – Pe ceção Espacial
83
assim, é pe cebida não só como cons ução ísica, mas como peça essencial
na melho ia da qualidade de ida e no desen ol imen o dos indi íduos.
A lexibilidade des aca-se ambém como pila essencial na c iação
desses espaços a qui e ónicos signi ica i os. A lexibilidade não só a ende à
di e sidade de a i idades das comunidades, mas ambém p omo e a
u ilização o imizada do espaço. A e iciência en a como elemen o
insepa á el da uncionalidade. Espaços a qui e ónicos e icien es são
aqueles que a endem às necessidades dos habi an es de manei a di e a,
minimizando despe dícios de ecu sos e maximizando a u ilidade. A
e iciência é in ínseca à uncionalidade, con ibuindo pa a a c iação de
ambien es que o e ecem o máximo bene ício com o mínimo de ecu sos.
A adap abilidade, po sua ez, é a espos a à ine i abilidade da
mudança. Ambien es que podem adap a -se a no as ecnologias, pad ões
de compo amen o e dinâmicas sociais ga an em a sua ele ância con ínua
ao longo do empo. A conceção a qui e ónica adap á el é a cha e pa a a
longe idade e a sus en abilidade dos espaços. Assim sendo, o na-se
impo an e comp eende compe ências undamen ais como Pe ceção e
Cons ução sob e o espaço, na conceção de um espaço a qui e ónico.
A compe ência pa a comp eende e desen ol e um espaço é
essencial pa a os a qui e os, e a me odologia aqui p opos a econhece a
singula idade dessa capacidade, exigindo abo dagens especí icas de ou as
á eas de ensino.
Ao in eg a lexibilidade, e iciência e adap abilidade, os a qui e os
podem c ia ambien es que não a endem apenas às necessidades
imedia as, mas ambém p omo em o bem-es a , a esiliência e o uso
sus en á el a longo p azo. Es es p incípios são uni e sais e aplicá eis em
di e sos con ex os, desde a educação a é à mobilidade u bana e à habi ação
de in e esse social, implicando a ele ância con ínua des es concei os na
a qui e u a con empo ânea.
(Re)desenho do Habi a na Pandemia
Do P ocesso Cogni i o à Pe ceção Espacial
84
CAPÍTULO III
O HABITAR DO ABSTRATO AO CONCRETO
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
85
1. ENQUADRAMENTO
“Todos p ecisamos de nos pe de pa a nos ol a mos a
encon a ”
(San os, 2020, Sub í ulo)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
86
Enquad amen o
“Es a em casa - a maio pa e do empo - mudou a elação com a
exis ência. O abalho e o descanso passa am a acon ece quase que
simul aneamen e, sem sepa ação cla a. Pe deu-se a noção das ho as, da
o ina e dos in e alos”.
(B and ne e Wül ing, 2021, p. 108)
No im do ano de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, p o íncia de
Hubei, oi iden i icado pela p imei a ez em humanos um í us que i ia a
con e e -se numa das maio es pandemias mundiais econhecidas a é aos dias
de hoje. No dia 11 de ma ço de 2020, a O ganização Mundial de Saúde (OMS)
decla ou como pandemia a doença p o ocada po esse no o í us, o SARS-
CoV-2 (Sínd ome Respi a ó ia Agudo G a e Co ona Ví us), mais conhecido
como Co id-19 (designação em Inglês- Co ona Vi us Desease o 2019). Es a
doença, ca ac e izou-se, p incipalmen e, pela sua capacidade de causa
in eções espi a ó ias g a es, como a pneumonia, podendo p o oca a mo e
(Assunção, 2022, p.44-45).
Após a con i mação dos seus ápidos e pe igosos ní eis de p opagação
e con ágio, a doença alas ou-se mundialmen e e os casos começa am a su gi
em mui os ou os países, dis an es da sua o igem, como se pode comp o a
com a imagem (SNS24, 2023).
Imagem 14, Esquema de E nes o S ein e Camila Valencia, P opagação do í us
Co id-19 a ní el mundial Banco In e ame icano de Desen ol imen o (BID)
(E nes o e Valencia, 2020)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
87
O Co id-19 ob igou a que odos os indi íduos i essem de al e a o seu
quo idiano, com impac os signi ica i os.
Em quase odo o mundo, os ó gãos go e namen ais dec e a am o
echo de on ei as e o dena am con inamen o ob iga ó io das populações nas
suas casas: impunha-se assim o dis anciamen o social.
Es e isolamen o se iu como meio pa a e a da a ansmissão e o
con ágio da doença, e i ando assim um colapso nos sis emas de saúde. Des e
modo, diminuiu-se o con ac o social e aumen ou o empo de pe manência em
casa. A ida pessoal e a ida p o issional en elaça am-se (Assunção, 2022,
p.44-45).
As amílias passa am a desempenha odas as a e as, a i idades de
abalho, da escola e de laze no mesmo espaço, dia iamen e. Es e con í io
que e a c iado no meio amilia ajudou a aumen a mais a in imidade e a
p oximidade en e os amilia es, con udo ambém p o ocou desgas es pela
in ensidade e pela necessidade de adap ação ápida a uma no a ealidade.
Com o con inamen o ob iga ó io, as pessoas i e am de adap a os
espaços da habi ação a es as á ias a e as: abalha , es uda , aze exe cício
e a i idades de laze .
Nes e con ex o, pe cebeu-se que o Co id-19 e idenciou lacunas já
exis en es nas casas e o iginou no os p oblemas.
Ago a, nes e pe íodo pós-Co id-19 em que i emos, alo izamos mais
ce os equisi os, como a e sa ilidade e a lexibilidade (Assunção, 2022, p.44-
45).
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
94
A casa se ia apenas como um e úgio do s esse da ida quo idiana,
mas na e dade não e a só pa a isso que de e ia se i . Pode emos alcança
o maio con o o com uma ó ima iluminação e espaços amplos; nada dis o nos
se e ago a se a casa não passa a se is a como um Sis ema em ez de um
simples edi ício.
A casa é um conjun o de elemen os que se eúnem e in e ligam po
um p opósi o de ha monia, de endo semp e ans o ma -se con o me as
nossas necessidades; só assim pode se conside ada um sis ema.
No con ex o p esen e, conhecemos uma cons an e abs ação do
espaço, onde conside amos es anho i e nes a casa, pois os espaços
domés icos nunca o am habi ados e ocupados como a ualmen e. A Pandemia,
além de e in adido as nossas o inas, in adiu a nossa men e, colocando em
causa p econcei os an e io es sob e o que se ia cada compa imen o. Temos
de se c ia i os. Somos o çados a c ia i ências di e en es nos espaços, ace
a es a no a ealidade, an e io men e desconhecida.
Pa ilho casa com o meu namo ado, Miguel, e apesa de i e mos
jun os nunca i emos uma o ina coinciden e. Ele é ge en e de uma emp esa,
não em ho á ios de abalho ixos, e necessi a de mui as comunicações com
ou os abalhado es. Já eu, nes a ase, necessi o mais de es abilidade de
ho á ios e anquilidade pa a consegui le , in e p e a e esc e e .
Vi emos os dois na mesma casa, com necessidades opos as; isso
ob iga-nos a epensa as nossas necessidades e com is o olha o nosso espaço
de ou a manei a.
É necessá io ( e)desenha os compa imen os a pa i das a i idades
de cada um, ac edi ando que, mais do que nunca, os espaços de em
esponde e adequa -se a uma maio e sa ilidade de unções. Assim,
ans o mamos a casa em unção de uma mul iplicidade de p opósi os,
e o çando o que es a já e ia, mas de modo pouco e iden e.
Daqui nasce am á ias soluções pa a acili a e adequa a casa aos
di e en es p opósi os que es a passou a e : esc i ó io, escola, ginásio, sala de
cinema, en e an as ou as coisas.
A manipulação dos obje os de iniu uma de e minada unção, num
de e minado espaço e con ex o. Eu e o meu namo ado sen amo-nos e
depa amo-nos com um mon e de li os e cade nos, num dos can os da mesa
As nossas necessidades enquan o
habi an es p esos em qua o pa edes,
muda am e, pa a isso, oi necessá io que
es as “qua o pa edes” mudassem
connosco
.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
95
de jan a , que de inia o meu esc i ó io. Do ou o lado, a colocação de alhe es
e copos delimi a am a zona de e eições. A cozinha passou a se a di isão mais
dinâmica de casa, onde nos ans o mamos em au ên icos
Mas e che s
,
ag icul o es de uma pequena ho a pendu ada na janela ou a é a is as
plás icos a pin a quad os, apenas pa a ocupa e di e si ica as nossas o inas.
O qua o deixou de se apenas um do mi ó io e passou a se um
segundo esc i ó io, des a ez pa a o Miguel, onde o uído das euniões e
ideochamadas ica a aba ado. A sala de es a , po sua ez, i e numa
deso ganização pe manen e, na qual ilmes, li os, acessó ios de ginásio e
jogos se encon am abandonados no chão. Apesa da desa umação, há uma
dis ibuição po zonas; es e é mais um espaço que habi ámos sem es ições.
Finalmen e a a anda, que nunca inha sido u ilizada, pela ausência de
mobiliá io, o na-se ago a uma au ên ica bênção, uma zona de e lexão, de
descanso de e úgio ao s ess da ida quo idiana.
Os obje os nunca o am ão poucos, mas nunca demos an o alo a
cada um deles. É a a és deles que a casa esponde às nossas a i idades,
como come , abalha , eina , do mi e di e i mo-nos.
Não é ácil uma pequena casa obedece a an os c i é ios, mas assim
em de se . To na-se e iden e que cada casa de e se desenhada e pensada
não só pela u ilidade imedia a (da cozinha, sala, qua o, en e ou os) mas
ambém pa a necessidades imp e isí eis, c iadas pelas a i idades e hábi os
dos indi íduos que a ão habi a .
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
96
Ida pa a Casa dos Pais
San o Ti so, 12 de julho de 2020
Junho oi um mês em que alguns já podiam sai de casa mais
anquilos, depois de acinados. Vol amos a sen i mo-nos ú eis, i os; não ão
i os como gos a íamos, mas, inalmen e, podemos espi a alguma
no malidade após o caos que se ins alou há mais de um ano.
Lemb o-me de que oi no início des e mês que decidi pega nas minhas
coisas e muda -me pa a casa dos meus pais; necessi a a de muda de a es,
e a amília po pe o, an es que udo ol asse a echa . Com is o consegui,
além de es a mais p óxima da minha amília, ica a mo a numa casa maio ,
com ja dim, piscina e melho exposição sola , o que acili ou bas an e es e
ecomeço.
Apesa de se mos ago a qua o pessoas em casa e dos ho á ios de
abalho ou de laze coincidi em, a casa o nou-se, em poucos meses, pequena
e sob eocupada.
Sin o que ado meci, que echei os olhos em ma ço e aco dei ago a. Se
pensa no que iz es e empo odo, a espos a é nada. Não izemos nada; não
saímos, não jan ámos o a, não passeamos, e i ámos as comp as no
supe me cado.
Ago a ol amos aos poucos a uma ida quase no mal. Começo a
esp eguiça -me e a en a ab i os olhos des e sono p o undo.
Olhando pa a ás pe cebo que, de odas as a i idades que podíamos
aze em casa, nada nos compensa a a al a de es a com as pessoas de que
mais gos á amos.
Hoje saí de casa pa a i ao supe me cado. Saí com medo, com eceio
de pa ece uma c iminosa. Olhando ao meu edo es e medo e a comum. Toda
a gen e de másca a, a as ada, ninguém ala a, apenas olhá amos pa a os
ces os uns dos ou os pa a pe cebe o que os ou os inham e nós não. Nada
podia ica em al a.
Apesa de odos en en a mos o Co id-19 de manei a di e en e,
consoan e os ideais de cada um, as o inas, a idade e a manei a como
enca amos a ida, o medo, é sem dú ida o sen imen o p edominan e.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
97
Chegámos a uma ase em que o medo e o cansaço se ins ala am, em
que umas acumulações de sen imen os se jun a am à men e de cada indi íduo.
Uns começam a sen i e ol a, ou os a a essam es e p oblema com mais
paciência, ou os dep imidos e ansiosos: a ida o nou-se uma lu a cons an e
con a os sen imen os.
Chega! Depois de á ios meses de uma lu a diá ia, chega!
Aquilo que mais pa ecia icção num ilme e a a nossa ealidade c ua e
nua; não alia de nada echa os olhos e en a aco da des e pesadelo, pois
i íamos (e i emos) com a ince eza de quando is o i á acaba .
Ago a, chegou a al u a de oma consciência e da espos as a oda
es a si uação, que ai ce amen e ma ca p esença na his ó ia da humanidade.
A pala a c ise no al abe o chinês esc e e-se com os mesmos
ca ac e es que a pala a opo unidade. I onia do des ino: da China eio o í us,
mas pode não i a opo unidade. Te emos de se nós a e a esponsabilidade
de ol a à “no malidade”, den o da ano malidade, ap endendo alguma coisa
com es a c ise (Mai , 2009).
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
98
Fé ias de Ve ão
San o Ti so, 26 de agos o de 2020
Sabendo que o Co id-19 não eio apenas passa é ias de Páscoa nem
de Ve ão, ap o ei o as é ias com a minha amília. Hoje, depa o-me com
pensamen os e e lexões sob e a si uação a ual que nos odeia, e a ligação que
es a pode e com a a qui e u a. O Co id-19 mudou as nossas idas de uma
o ma que nunca ínhamos imaginado. Embo a inicialmen e pensássemos que
es a pandemia não a e a ia as nossas é ias de e ão, ago a pe cebemos que
a ida de e con inua , mesmo no meio da ince eza.
A o ina de e ol a , mas não podemos igno a que o í us ainda es á
p esen e. A espe ança de uma solução ápida e de ini i a eio com a p omessa
de uma acina. No en an o, apidamen e pe cebemos que a acina não se ia a
solução que espe á amos. A ealidade é que o comba e ao Co id-19 é um
desa io complexo e mul i ace ado que exige mais do que uma simples solução.
Como a qui e a, e li o sob e as ques ões colocadas po es e desa io,
p ocu ando encon a soluções c ia i as. No en an o, es a c ise sani á ia le ou-
nos a epensa que, como na a qui e u a, a nossa p óp ia ida se baseia na
in e ação humana e na c iação de espaços que p omo am o bem-es a e a
con i ência.
Vi endo es es empos, dou po mim a pensa na condição humana e
nas emoções que nos de inem. Es a pandemia despe ou em nós medos e
ansiedades que an es pa eciam dis an es. Pe cebemos a nossa ulne abilidade
e a impo ância de cuida uns dos ou os. A a és da minha esc i a, en ei
cap u a essas emoções e ansmi i uma mensagem de espe ança e
esiliência.
A ida de e con inua , mas não podemos azê-lo à cus a da nossa
saúde e do nosso bem-es a . A acina pode se uma luz no im do únel, mas
ambém de emos es a conscien es de que a sua implemen ação exigi á empo
e es o ço. Não podemos depende apenas dela pa a esol e odos os nossos
p oblemas.
A pandemia Co id-19 mudou adicalmen e as nossas necessidades e
p io idades.
A ida em de con inua , a
o ina em de ol a , e se a ida con inua
não se emos nós a mo e pa a ela.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
99
A adap ação dos espaços públicos e p i ados o nou-se essencial. Os
es au an es, po exemplo, i e am de econ igu a as suas á eas de e eições
pa a ga an i uma sepa ação adequada en e os clien es. Os espaços de
abalho ambém i e am de se epensados, com a inco po ação de ba ei as
ísicas e a eo ganização das sec e á ias pa a man e o dis anciamen o en e
os colabo ado es.
Além disso, a pandemia des acou a impo ância dos espaços ao a
li e. Pa ques, ja dins e esplanadas o na am-se e úgios pa a as pessoas,
p opo cionando um ambien e segu o onde podem des u a do a li e. Como
a qui e a, isso le ou-me a conside a como in eg a mais á eas ex e io es nos
meus p oje os, c iando espaços que es imulem a conexão com a na u eza e a
saúde men al.
Fui desa iada pela pandemia a e le i sob e o meu cu so e sob e a ida
a ual. Po ém, ambém encon ei opo unidades de c esce e me adap a a es a
no a ealidade. Como a qui e a, ap endi a conside a cuidadosamen e a saúde
e a segu ança nos meus p oje os, p ocu ando c ia espaços que se adap em
às no as necessidades das pessoas.
À medida que a ançamos pa a o u u o, é impo an e lemb a que a
ida con inua e que emos a capacidade de supe a os desa ios que su gem no
nosso caminho. O Co id-19 eio eco da -nos a nossa ulne abilidade mas,
ambém, a nossa capacidade de adap ação e de encon a soluções c ia i as.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
100
Um ecomeço
San o Ti so, 18 de se emb o de 2020
E ago a? O que sen imos quando ol amos àquilo que deixamos pa a
ás du an e um ano? O que sen imos quando nos ol amos a es i pa a i
abalha ? Como es á a nossa men e? Es amos elizes? Mais ansiosos?
Eu sim, sin o-me eliz, li e, e ac edi o que ou alo iza mui o mais
udo o que me odeia, inclusi e a minha casa.
Finalmen e, sem mui o es eja mos e com medo de da passos maio es
do que a nossa ealidade, eg essamos ao que en endíamos como
no malidade.
O simples ac o de me es i pa a i abalha no amen e, despe a
emoções con usas. Po um lado, é emocionan e ol a à o ina, sen i -me
p odu i a e in e agi ca a a ca a com os colegas. Po ou o lado, ge a alguma
ansiedade e s esse, p incipalmen e depois de es a a abalha em casa
du an e mui o empo.
Podemos ol a a e ca as conhecidas em alguns luga es; podemos
ol a a jan a o a e con empla as dádi as da ida. Chegou a al u a de ol a
a i e depois de udo o que passamos.
Sin o que es ou com uma isão mais concen ada; não só em mim, no
meu au oconhecimen o como, sob e udo, nos ou os. Daí a necessidade de
pa ilha a minha expe iência e a capacidade de me adap a ao longo des a
ase.
Ac edi o que se es i e mos abe os a ap ende com es a si uação,
podemos alcança algo de posi i o, an o como Indi íduos, como na nossa
p óp ia expe iência de habi a .
Es e ecomeço é mui o ince o e complexo. Como o Co id-19 con inua
a a e a o mundo, é di ícil p e e como se á o u u o e que mudanças
pe manen es a á.
Uma das lições mais impo an es que ap endemos com es a pandemia
é a capacidade de adap ação. Mui as pessoas i e am de muda adicalmen e
os seus hábi os e es ilos de ida pa a aze ace à c ise. O ele abalho o nou-
se a no ma pa a mui os, pe mi indo que as emp esas se man i essem em
a i idade e que as pessoas man i essem os seus emp egos. Es a expe iência
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
101
mos ou que o abalho à dis ância pode se uma opção iá el no u u o, o que
pode á e um impac o signi ica i o na o ma como as emp esas es ão
es u u adas e os espaços de abalho es ão o ganizados.
Além disso, a pandemia acele ou a adoção da ecnologia em á ios
aspe os das nossas idas. O ensino a a és do compu ado , as consul as
médicas i uais e as comp as on-line o na am-se comuns. É p o á el que
es as endências se man enham no u u o, uma ez que as pessoas
descob i am os bene ícios des as soluções digi ais.
O u u o pós-pandémico se á um desa io mas, ambém, uma
opo unidade pa a epensa e econs ui as nossas idas e sociedades. A
adap abilidade, a ecnologia e a esiliência se ão undamen ais nes e p ocesso.
É impo an e lemb a que odos emos um papel a desempenha pa a ga an i
um u u o segu o e p óspe o, an o pa a nós p óp ios como pa a as ge ações
pos e idades.
À medida que começamos a ecolhe o que deixamos pa a ás du an e
es e ano de pandemia, é no mal sen i uma mis u a de emoções. Po um lado,
pode ha e uma sensação de elicidade e libe ação ao ol a a aze as coisas
que an es conside á amos no mais, como encon a amigos e amilia es, iaja
ou des u a de a i idades ao a li e. Valo izamos mais cada momen o e
pe cebemos a impo ância das pequenas coisas que an es não “exis iam”.
No en an o, sen e-se ainda uma ansiedade e ince eza nes e p ocesso
de ansição. Depois de an o empo ajus ando-se a no os modos de ida, exis e
alguma ap eensão. P eocupamo-nos com a nossa saúde e a dos nossos
amilia es e ques ionamo-nos se es amos a oma odas as p ecauções
necessá ias.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
102
Na al
San o Ti so, 25 de dezemb o de 2020
O Na al chegou com uma mis u a de emoções e espe anças
eno adas. Após um ano cheio de desa ios e mudanças, es a da a ão espe ada
o e ece a opo unidade de celeb a , e le i e encon a aleg ia no meio da
ince eza.
Es e ano, o signi icado do Na al o na-se ainda mais p o undo. Lemb a-
nos da impo ância de es a mos jun os e de alo iza cada momen o com os
nossos amilia es. Depois de e mos expe imen ado a sepa ação e a dis ância,
o simples a o de nos euni mos adqui e um signi icado especial. As isadas, as
con e sas e os ab aços o nam-se ainda mais ap eciados e enchem os nossos
co ações de g a idão.
Nes e dia, ambém nos lemb amos do e dadei o espí i o do Na al: o
amo e a gene osidade. Após e mos passado po momen os di íceis,
ap endemos a impo ância de nos apoia mos mu uamen e. O Na al semp e
nos inspi ou a se compassi os e ajuda aqueles que p ecisam, mas o des e
ano, se á i ido de uma o ma mais sensí el po odos. Seja po meio de
doações, a os de bondade ou simples ges os de gen ileza, podemos aze a
di e ença na ida dos ou os e le a um pouco de luz e espe ança àqueles ao
nosso edo .
Es e ano, em especí ico, o dia de Na al i e-se mais in ensamen e e
cada segundo é ap o ei ado como osse o úl imo. É como um econec a com
as nossas adições e alo es. Desde deco a a á o e de Na al a é p epa a as
deliciosas e eições, cada ges o conec a-nos com as nossas aízes e
p opo ciona-nos um sen imen o de saudade. As luzes cin ilan es, os cân icos
na alícios e os isos p eenchem o ambien e com calo e lemb am a impo ância
da amília e da amizade.
Nes e 25 de dezemb o de 2020, lemb ámo-nos que o Na al não é
apenas um dia no calendá io mas sim um es ado de espí i o e uma a i ude
pe an e a ida. É um lemb e e de que, mesmo em empos di íceis, podemos
encon a aleg ia, espe ança e eno ação.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
103
Um Ano No o
San o Ti so, 7 de janei o de 2021
O Ano No o chegou com mis o de emoções e expec a i as eno adas.
Nes e ano em pa icula , o Ano No o assume um signi icado especial.
Tendo en en ado uma pandemia global e expe imen ado mudanças sem
p eceden es nas nossas idas, encon amo-nos num momen o de ansição,
um momen o de aze um balanço, pa a a alia as conquis as e desa ios, e
de ini no as in enções pa a es e ano que se inicia.
Nes e dia, é comum enche mo-nos de espe ança e o imismo, deixa
de lado o passado e começa de no o. É uma opo unidade de nos
ein en a mos, ap ende mos com nossas expe iências e c esce mos como
pessoas. Sen imo-nos mo i ados a aça no os obje i os, an o pessoais como
p o issionais, e abalha pa a alcançá-los.
Além disso, o Ano No o con ida-nos a e le i sob e o que ealmen e
alo izamos na ida. Após um ano cheio de ince ezas, alo izamos mais do
que nunca a impo ância da saúde, da amília, da amizade e do amo .
Pe cebemos que são essas conexões e expe iências signi ica i as que
ealmen e dão sen ido às nossas idas. Po isso, emos o comp omisso de
cul i a e nu i essas elações, dedicando empo e ene gia ao que ealmen e
impo a.
O Ano No o ambém nos dá a opo unidade de nos li a mos de
qualque essen imen o ou nega i idade que acumulamos. É ho a de pe doa ,
deixa o passado pa a ás e ab i caminho pa a no as opo unidades.
Libe amo-nos da ca ga emocional e ab imo-nos pa a a possibilidade de um
u u o melho . Comp ome emo-nos a se mais compassi os, mais ole an es e
a a a os ou os com gen ileza e espei o.
No en an o, é impo an e lemb a que a mudança não acon ece da
noi e pa a o dia. De ini no as me as e hábi os eque es o ço e
comp ome imen o. É undamen al es abelece um plano ealis a e da
pequenos passos consis en es em di eção aos nossos obje i os, nunca
esquecendo do passado que i emos. Também é impo an e se mos
comp eensi os e pacien es connosco, pois o p ocesso de c escimen o pessoal
le a empo e exige pe se e ança.
Depois de e deixado pa a ás
um ano cheio de desa ios e mudanças,
es a da a dá-nos a opo unidade de
e le i sob e o que i emos e aça
no os obje i os e desejos pa a o u u o.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
110
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
111
3. CONSEQUÊNCIA DA PANDEMIA
“A a qui e u a é a on ade de uma época aduzida em
espaço.”
(Mies Van de Rohe em HARROUK, 2020, adução p óp ia)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
112
CONSEQUÊNCIA DA PANDEMIA_
Na Pe ceção, Cognição e O ganização Espacial
A pandemia Co id-19 p o ocou ans o mações signi ica i as na
pe ceção e u ilização dos nossos ambien es esidenciais. O aumen o
subs ancial do empo passado em espaços echados despe ou um in e esse
c escen e em comp eende como os p ocessos cogni i os e a pe ceção
espacial podem in luencia a econ igu ação das nossas casas nes e pe íodo
desa iado .
Encon amo-nos apenas nos es ágios iniciais do p ocesso que nos
le a á a comp eende plenamen e os impac os da pandemia na a qui e u a; à
medida que ap endemos mais sob e o í us e as suas implicações a longo
p azo, o nou-se mais e iden e a necessidade de p ocu a soluções
a qui e ónicas que equilib em as necessidades imedia as dos indi íduos com
as ealidades u u as ainda desconhecidas.
De ac o, a pandemia mudou d as icamen e a o ma como i emos e
emos os espaços, e é undamen al en ende como os nossos pensamen os,
emoções e expe iências a e am o nosso elacionamen o com o ambien e
cons uído. Es amos pe an e uma ans o mação p o unda na elação dos
indi íduos com os seus espaços esidenciais.
É necessá io es a cien e que a adap ação dos espaços pa a o no o
no mal anscende a me a eo ganização ísica e uma ede inição do signi icado
de la . Nes e momen o, passamos po uma ans o mação que ai além da
es é ica e uncionalidade dos espaços, ab açando a impo ância da conexão
emocional, do equilíb io e do bem-es a dos indi íduos.
Dian e des a ealidade, a análise a en a da pe ceção do indi íduo e da
sua cognição espacial eme gem como aspe os c uciais pa a a c iação de
soluções cujo oco p incipal seja o bem-es a . A nossa expe iência e
conhecimen o p é io moldam a o ma como in e p e ámos as nossas casas,
sendo que a o es como cul u a e con ex o social modulam essa pe ceção. Já
o p ocesso cogni i o, ab ange a enção, memó ia, emoção e omada de decisão
e desempenha ou o papel c ucial no nosso bem-es a , na nossa elação e
in e p e ação dos espaços.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
113
Des acando es es aspe os numa época ão especi ica, como a que
i emos, mo i ada pela pandemia, eco damos a impo ância da saúde na sua
elação com o ambien e cons uído.
No passado, as epidemias como a pes e neg a, a cóle a, a g ipe
espanhola, a ube culose, en e ou as, es imula am mudanças posi i as e
modela am as cidades e os indi íduos.
O mesmo se passa á após es a pandemia. Des a ez, a mudança
deb uça-se sob e a necessidade de epensa os espaços pa a esponde às
p eocupações impos as pelo isolamen o e o bem-es a . A ele ância des a
ques ão é um desa io complexo e eque uma comp eensão calculosa, le ando
os p o issionais de a qui e u a a p ocu a apoia as suas análises no abalho
de ou os especialis as, nomeadamen e na á ea da Saúde.
Es a colabo ação en e p o issionais de a qui e u a, saúde pública e
ou as á eas elacionadas é essencial pa a en en a os desa ios azidos pela
pandemia. Es a oca de conhecimen os pode le a a soluções ino ado as e
adap á eis, que possam se aplicadas em di e en es con ex os.
Es amos numa al u a de uni o ças; es a in eg ação de conhecimen os
especializados e mul idisciplina es, a oca con ínua de expe iências, e a
c iação de soluções adap á eis são undamen ais pa a cons ui no os espaços
a qui e ónicos que espondam não só às necessidades imedia as, mas ambém
às necessidades u u as, com o obje i o de o e ece uma solução in eg a e
comple a.
A a qui e u a encon a-se cada ez mais di ecionada pa a as
necessidades e a i idades do indi íduo, o nando-se, assim, capaz de
esponde de uma o ma mais e icien e, pa a uma maio in e ação e
adap abilidade do indi íduo no espaço, ou seja, c iando uma solução
pe sonalizada às necessidades de cada um, con ibuindo signi ica i amen e
pa a o bem-es a men al dos indi íduos.
A in ensi icação da necessidade de adap abilidade e segu ança
des aca-se como um dos esul ados mais e iden es.
A adap abilidade o nou-se c ucial pa a acomoda es as múl iplas
unções desempenhadas nos espaços e e le e não só a necessidade imedia a
de acomoda a i idades a iadas, mas ambém uma espos a es a égica a
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
114
uma mudança de pa adigma na o ma como concebemos e u ilizamos os
nossos ambien es in e io es.
O momen o de isolamen o, que i emos ensinou-nos que os espaços
domés icos p ecisam de mudanças com base nas necessidades imedia as e
nos hábi os de cada indi íduo. Nasce am no as necessidades pa a acili a e
adequa as nossas casas à mul iplicidade de p opósi os.
O con inamen o gene alizado du an e os pe íodos de qua en ena e o
aumen o do abalho emo o impulsiona am as p imei as g andes mudanças
na o ma como pe cebemos, u ilizamos e p oje amos as nossas casas.
A adap ação de espaços pa a acomoda o abalho emo o e o ensino
à dis ância o nou-se uma p io idade na econ igu ação a qui e ónica e
disposição do mobiliá io. O
home o ice
e as salas de aula i uais in luencia am
di e amen e na necessidade de c ia ambien es que supo em e icien emen e
o abalho e a educação. Essa mudança ede ine os espaços esidenciais,
exigindo uma abo dagem mais lexí el na o ganização dos in e io es e na
escolha de mobiliá io, que a enda às múl iplas unções desempenhadas den o
de casa.
Pe an e es a ealidade, obse a-se uma p eocupação nos indi íduos na
p ocu a de adap a as suas habi ações pa a a ende às exigências do
ele abalho, das aulas online e ou as a i idades ec ea i as e de laze . Es e
enómeno in ensi icou a p ocu a po espaços e sá eis, mas ambém, a
p eocupação com a qualidade do a e a iluminação na u al, que eme gem
como p eocupações c uciais na conceção de no os p oje os, conside ando o
econhecimen o do seu impac o na saúde e bem-es a dos indi íduos.
Na e Be kus, a qui e o e designe de in e io es, essal a a impo ância
de espaços que p omo am o bem-es a e a p odu i idade, inco po ando
elemen os na u ais como plan as e luz na u al (Minha casa b ilha, Be kus,
n.d.).
Os espaços pa ilhados, como salas de es a e jan a , an e io men e
pe cebidos como simples locais de con í io, ago a são is os como espaços
que eque em um cuidado especial e que ansmi am um ambien e mais
anquilo, ajus ando-se às di e sas a i idades do quo idiano, desde a i idades
de laze a é ao apa ecimen o do abalho emo o.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
115
A c iação e p ocu a de ambien es calmos ep esen a uma espos a
angí el à necessidade c escen e de bem-es a num con ex o de s ess
p olongado: a pandemia, ma cada po ince ezas e desa ios cons an es,
p o ocou um aumen o na p ocu a po espaços que p omo am a se enidade.
Á eas de elaxamen o e ecan os anquilos o na am-se in es imen os
signi ica i os na busca po um e úgio do mundo ex e io .
A c iação de espaços como can os de lei u a e qua os com casas de
banho p i a i as ep esen am uma espos a di e a à p ocu a po ambien es
que p opo cionem aos indi íduos a capacidade de escapa da agi ação diá ia.
Os can os de lei u a, es a egicamen e posicionados nas nossas casas,
p opo cionam nichos aconchegan es pa a a ime são em lei u as inspi ado as
e momen os de anquilidade.
Além disso, as suí es com casa de banho p i a i as assumi am um
papel cen al na o e a de p i acidade e elaxamen o. Esses espaços isolados
den o das nossas casas p opo cionam um ambien e se eno, pe mi indo que
os mo ado es des u em de momen os de descanso e eju enescimen o,
essenciais pa a lida com o s ess diá io.
Essas á eas especí icas, cuidadosamen e planeadas pa a p omo e a
p i acidade e o elaxamen o, e le em uma consciência c escen e sob e a
impo ância de equilib a a uncionalidade dos espaços com a necessidade
humana undamen al aos momen os de anquilidade e in ospeção,
con ibuindo pa a uma expe iência de habi a mais ab angen e e sa is a ó ia.
Com o ence amen o de ginásios e cen os despo i os, mui as
indi íduos p ocu a am al e na i as pa a se man e em a i as den o de casa.
Isso esul ou numa maio p ocu a po espaços dedicados ao exe cício, como
salas de i ness ou á eas pa a a p á ica de ioga ou pila es.
O ence amen o de locais de en e enimen o desencadeou uma
e olução nas nossas casas, ans o mando-as em cen os de laze
au ossu icien es. O su gimen o de salas pa a e ilmes, b inca , le e espaços
dedicados a ou as a i idades e idencia uma mudança signi ica i a na busca
po expe iências ec ea i as den o dos limi es da nossa casa. Es a e olução
não p eenche apenas a al a deixada pelo echo de cinemas e ea os, mas
ambém e o ça a impo ância de c ia ambien es mul i uncionais que a endam
às necessidades de en e enimen o di e si icado.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
116
A pandemia ez com que as pessoas p ocu assem manei as de se
di e i e des u a de expe iências nas suas casas. A c iação de espaços
dedicados às a i idades como e ilmes, joga jogos ou aze p oje os de a es
pe mi e-nos des u a de momen os de di e são e en e enimen o sem p ecisa
de sai de casa.
Es as mudanças não e le em apenas uma eação empo á ia às
ci cuns âncias, mas uma e olução du adou a nas p e e ências e p io idades
da o ganização espacial.
Ou a necessidade espacial que su giu du an e a pandemia é a p ocu a
po á eas de a mazenamen o adequadas. Com o aumen o das comp as online
e as medidas de qua en ena, mui os indi íduos i am-se ob igados a a mazena
maio es quan idades de man imen os e alimen os em casa. Isso esul ou numa
c escen e p ocu a po espaços de a mazenamen o uncionais e o ganizados.
Assim, podemos dize que a pandemia despe ou a consciência das pessoas
pa a a impo ância de dispo de mais espaço de a mazenamen o nas suas
casas. Isso implica a c iação de a má ios bem planeados, despensas
o ganizadas e ou as soluções de a mazenamen o in eligen es que pe mi am
man e udo acessí el, sem comp ome e a uncionalidade e a es é ica dos
ambien es.
Ou o a o no á el oi o aumen o da p ocu a po á eas ex e io es. Com
as es ições de ci culação e o ence amen o de espaços públicos, o nou-se
necessá io encon a nas habi ações e úgios e pon os de conexão com a
na u eza. Ja dins, e aços e a andas ganha am um alo especial,
p opo cionando às pessoas uma sensação de libe dade e bem-es a ,
des u ando do a li e sem comp ome e a sua segu ança.
Es es espaços, ca ac e izam-se ago a como uma ex ensão e um
p i ilégio nas nossas casas, p opo cionando locais segu os pa a elaxa ,
p a ica despo o e conec a mos com a na u eza.
O desejo po á eas ex e io es eme giu como um ema undamen al na
adap ação de espaços pa a o no o no mal, ca alisando uma mudança
signi ica i a na alo ização de pá ios e a andas como ex ensões i ais dos la es
con empo âneos. Es a ans o mação e le e uma busca c escen e po uma
conexão mais p o unda com o ambien e ex e io e a necessidade de espaços
que p opo cionem uma ansição sua e en e o in e io e o ex e io .
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
117
Os pá ios e a andas, an es is os como á eas pe i é icas, ago a
assumem um papel cen al na de inição do concei o de la . Esses espaços são
concebidos não só como á eas de laze , mas como ex ensões uncionais dos
in e io es, p opo cionando um equilíb io ha monioso en e p i acidade e
conec i idade com o en o no.
O in es imen o c escen e em melho ias como ja dins me iculosamen e
planeados, mó eis ex e io es con o á eis e á eas de en e enimen o uncional
indica uma p ocu a conscien e po ambien es que ão além do aspe o es é ico.
Essas ans o mações e le em o econhecimen o de que os espaços ao a li e
desempenham um papel c ucial no supo e à qualidade de ida - ísica e men al
- supo ando a opo unidade de espi a a pu o, ap o ei a o sol e nos conec a
com a na u eza.
Es a p e e ência po ambien es abe os e en ilados é uma espos a
imedia a à busca po maio qualidade do a e à edução de iscos elacionados
à saúde. A en ilação adequada o nou-se uma conside ação p imo dial nos
espaços, des acando-se como uma medida p e en i a essencial con a a
p opagação de bac é ias. Espaços mais amplos e a ejados não p omo em
apenas a ci culação do a , mas ambém p opo cionam uma sensação de
libe dade e expansi idade, con apondo a sensação de con inamen o que
mui os expe imen a am du an e os pe íodos de qua en ena.
Ao c ia ambien es ag adá eis e uncionais, os indi íduos não in es em
apenas nas suas esidências, mas ambém nu em um senso de calma e
equilíb io ace às ince ezas da ida. Essa endência não esponde apenas às
exigências da pandemia, mas sinaliza uma mudança du adou a na conceção
dos espaços ex e io es como componen es undamen ais pa a uma ida mais
saudá el e equilib ada.
Ma die Townsend, especialis a em saúde e ambien e cons uído,
des aca num a igo, a impo ância da exposição à na u eza pa a melho a a
saúde men al (Rod iguez, 2015). Num momen o em que a ida u bana mui as
ezes se desconec a da na u eza, a pandemia ouxe à ona a necessidade de
espaços e des acessí eis e á eas ex e io es.
O enascimen o dos ambien es ex e io es e in e io es e le e a
esiliência da a qui e u a e do design na capacidade de se adap a e e olui
dian e dos desa ios do nosso empo.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
118
Ou o a o que ansmi e es a ideia de anquilidade e segu ança
pe an e o i ido é o ma e ial. A escolha de ma e iais de ácil limpeza e
desin eção, eme giu como um elemen o essencial na seleção de acabamen os
pa a p oje os u u os. Supe ícies que podem se acilmen e higienizadas ago a
são alo izadas pela sua p a icidade, mas ambém como uma medida adicional
de segu ança. Isso e le e uma mudança na pe ceção dos ma e iais, não pela
sua es é ica, mas ambém pela sua capacidade de p omo e ambien es mais
higiénicos e segu os.
Nesse con ex o, p o issionais do se o são desa iados a equilib a a
es é ica com a uncionalidade, in eg ando elemen os de ma e iais na u ais que
não só ap imo am o ambien e ísico, mas ambém êm um impac o posi i o na
saúde men al e emocional dos indi íduos.
A a qui e u a e o design de in e io es eme gem como e amen as
c uciais nesse con ex o. O desa io ago a é con inua a e olui esses espaços
pa a a ende às no as necessidades pós-pandemia. Nesse cená io, os
p o issionais des as á eas êm a esponsabilidade única de lide a a c iação de
ambien es que não espondam apenas aos desa ios a uais, mas ambém a um
u u o onde os espaços p omo am o bem-es a cole i o.
Pa a além de des aca a in luência da pandemia na pe ceção e
adap ação de espaços esidenciais é impo an e salien a como es a ambém
in luenciou a econ igu ação das cidades e comunidades, eme gindo ambém
como ema undamen al no âmbi o da a qui e u a e u banismo nos úl imos
empos.
A pandemia, nes e con ex o, sublinhou a necessidade de p oje a
espaços que es imulem a saúde e o bem-es a social, conside ando aspe os
como a qualidade do a , a iluminação na u al e a in eg ação de espaços e des
nas cidades.
A c ise global de saúde exigiu uma e isão p o unda da o ma como
in e agimos e ocupamos os espaços públicos cons uídos, espondendo às
imposições das medidas de dis anciamen o social implemen adas
mundialmen e.
A adap ação de espaços públicos pa a inco po a o dis anciamen o
social ap esen a desa ios e opo unidades de design. P o issionais do design e
u banismo êm a opo unidade única de desen ol e es a égias ino ado as que
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
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pe mi am a coexis ência do dis anciamen o social com a cons ução de
comunidades mais o es. Du an e a pandemia imos pa ilhões despo i os
se em ans o mados em hospi ais de campanha, hos els e ho éis a u iliza em
os seus qua os como espaços de con inamen o.
É incon es á el que a pandemia desencadeou mudanças subs anciais
na pe ceção espacial e na adap ação de espaços públicos e p i ados. Assim, a
a qui e u a e o u banismo eme gem, como p o agonis as na ede inição de
cidades e comunidades, p io izando a segu ança, a inclusão e o bem-es a ,
adap ando-se às no as necessidades da sociedade.
A eo ganização do mobiliá io o nou-se uma abo dagem essencial
pa a ga an i o dis anciamen o social e se i as nossas necessidades, an o
em espaços p i ados como públicos. Depois do isolamen o ob iga ó io,
ol a mos ao abalho, às escolas, aos es au an es, às salas de espe a e às
á eas de con i ência, en e ou os espaços públicos, que exigem ago a uma
análise minuciosa pa a melho a a sua uncionalidade e segu ança. Em odos
es es espaços se des aca a impo ância da disposição es a égica de
sec e á ias/mesas/assen os, man endo uma sepa ação e um a as amen o
adequado en e eles; a implan ação de ba ei as, como painéis de id o ou
di isó ias, é uma solução possí el pa a man e a sepa ação sem comp ome e
o con ac o isual; a c iação de zonas de ci culação unidi ecional, e i a
aglome ações e eduz o isco de ansmissão de í us.
Não se a a apenas de um aumen o na dis ância en e indi íduos, mas
ambém de encon a soluções c ia i as que pe mi am uma in e ação segu a,
sem comp ome e o con o o.
Nos esc i ó ios, a adoção do abalho emo o le an a ques ões sob e o
layou dos espaços. O design p ecisa de c ia ambien es colabo a i os e icazes,
man endo a lexibilidade pa a acomoda modelos de abalho híb idos.
Soluções como á eas de abalho modula es e lexí eis ganham des aque como
abo dagens adap a i as ao no o no mal.
O esc i ó io Pe kins and Will, conhecido pelas suas análises e
ino ações no campo do design e da a qui e u a, c iou um conjun o
de es a égias de o ien ação que o e ece di e en es soluções, que podem se
adap adas segundo as necessidades de cada esc i ó io, p opo cionando uma
ansição segu a na ol a ao abalho p esencial.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
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u u amen e es es espaços de e ão se pensados como di isões
comple amen e independen es da unção. Nes e con ex o, se á bas an e
impo an e a p eocupação com o mobiliá io, eduzindo a impo ância de
aspe os me amen e es é icos do espaço e o nando os obje os mais
con o á eis e adequados pa a a unção que ão exe ce (Namo a, 2020).
O edesenho dos espaços e a necessidade de melho amen o do
usu u o deles, incula-se p incipalmen e com a manipulação dos obje os,
uncionando como um mecanismo de pe ceção que esponde às di e en es
necessidades habi acionais. Es a pe ceção espacial az uma ap oximação à
Neu ologia, à pa e men al do indi íduo, à expe iência do habi a , à Neu o
A qui e u a.
Salien amos que os obje os de inem uma de e minada unção, num
de e minado espaço den o de casa; po exemplo, as mesas de jan a
uncionam como zonas de abalho pa a os pais, ou como sec e á ia pa a as
c ianças. A sala ou o hall se em pa a le , p a ica despo o ou pa a sessões
de cinema. E os qua os pa a além de se i em pa a descansa começa am a
se um segundo ecan o pa a abalhos que exigem menos agi ação e mais
silêncio. Assim, es as di isões podem ganha unções dis in as daquelas a que
es á amos habi uados (Assunção, 2022, p.47).
Imagem 16, Ilus ação de Daniloz, “
O ganismo i o
”,
Mudanças de Hábi os pe an e as necessidades do Con inamen o,
Casa Vogue (Daniloz, 2020)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
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Com o capí ulo “A minha his ó ia” oi possí el e a a es as
necessidades e mudanças ealizadas na minha p óp ia casa, que e a
o ganizada como se pode e na plan a ap esen ada seguidamen e: sala
comum em
open-space
(com ecan o pa a cozinha, espaços de es a e de
jan a ), abe a pa a o hall de en ada (que dá acesso ao wc de se iço) e pa a
o co edo que dá acesso aos ês qua os (cada um com a sua casa de banho
p i a i a); no ex e io , exis e uma a anda com can ei os aja dinados.
Es e apa amen o, de ipologia T3, cump iu pe ei amen e odas as
nossas necessidades du an e anos mas, com o Co id-19, hou e necessidades
de adap ação, de ido às no as o inas. Eu, como es udan e e o meu namo ado
Imagem 17, Plan a de minha casa, legendada po zonas,
Paços de Fe ei a, 2020
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
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como emp esá io ínhamos necessidades incompa í eis: eu p ecisa a de le e
es uda ; o Miguel de ealiza euniões e ele onemas.
O ac o da sala se o ganizada em open-space, e a an e io men e uma
an agem, odos os espaços se in e ligam e podemos aze di e en es a e as
sem es a mos sozinhos. Ou seja, semp e que alguém es a a a cozinha pode ia
es a em con e sa com ou a pessoa sen ada no so á, en e ou as si uações.
Du an e o con inamen o, es e ac o não oi ão an ajoso; apesa de dispo mos
de mais á ea li e pa a as a i idades, não exis ia a p i acidade e o isolamen o
necessá io. Po ezes um es a a a cozinha e o ou o a es uda ou a ealiza
uma eunião, o que p o oca a um con li o. Po isso, passámos a di idi os
espaços da casa po a i idades.
A sala de es a e a sala de jan a passa am a se locais de con í io e
pa ilha onde íamos ilmes, azíamos a i idade ísica e jan á amos. E a
possí el abalha na mesa de jan a , mas semp e que necessá io íamos pa a
o qua o, onde dispúnhamos, ago a, de uma pequena sec e á ia. Es e o nou-
se o espaço mais esgua dado, pa a consegui mos aze euniões ou le um
li o.
O hall e a casa de banho de se iço deixa am de se espaços de
passagem pa a começa em a se u ilizados como zona de higienização.
Semp e que saiamos de casa, e a aí que, no eg esso, e i á amos a oupa, o
calçado e ou os pe ences. Es es pe maneciam no hall, den o de um ces o,
a é se em de idamen e desin e ados. Usá amos a casa de banho de se iço
pa a la a as mãos e desin e á-las. Já no apa ado do hall colocá amos as
másca as, o álcool, e odos os ou os acessó ios. Todos es es no os hábi os
le a am à comp a de mobiliá io pa a auxilia as no as o inas: um banco, um
bengalei o e um ces o de oupa suja.
A cozinha começou a necessi a de mais a umação; os dias de isi a
ao supe me cado e am mais espaçados, ha ia a necessidade de comp a mais
man imen os e p odu os, pe an e as ince ezas do con inamen o. A despensa
o nou-se pequena, e com isso passamos g ande pa e das nossas coisas pa a
um dos qua os, u ilizando-o como zona de a mazenamen o. Nes e qua o
ap o ei á amos os oupei os pa a coloca a comida, e comp amos uma es an e
modela . É desmon á el e econ igu á el, pe ei a pa a o seu p opósi o, se
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
129
p o isó ia. Essa es an e, depois, se iu pa a á ios e ei os: es an e, apa ado e
mó el de ele isão. A ualmen e ainda a u ilizamos nos a umos da ga agem.
O e cei o qua o semp e pe maneceu azio, mas no Co id-19 i emos
a necessidade de coloca um so á-cama, uma ele isão e ou os obje os pa a
se i de espaço de isolamen o, semp e que necessá io. Es e e a u ilizado
igualmen e pa a a e as em simul âneo, como complemen o à á ea social; po
exemplo, quando um p a ica a despo o na sala de es a , o ou o pode ia es a
a e um ilme nes e qua o.
Com a necessidade de nos sen i mos mais p óximos da na u eza,
cuidá amos das lo es dos can ei os da a anda; ap o ei ando o bom empo,
op amos po comp a umas esp eguiçadei as dob á eis pa a dis u a mos da
nossa pequena a anda.
Es a p ocu a po cadei as dob á eis oi de ido à necessidade de as consegui
gua da mais acilmen e quando não u ilizadas.
Imagem 18, Plan a de minha casa, Esquema de co es, ep esen ando as
mudanças e á eas pa a di e en es usos no Isolamen o,
Paços de Fe ei a, 2020
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
130
Na igu a an e io ap esen a-se o no o esquema de a i idades que deco iam
no nosso apa amen o: Zona e melha (higienização); Zona Lilás (A mazenamen o);
Zona Ama ela (cozinha); Zona Azul (Laze ); Zona Ve de (A i idades ísicas); Zona
Tu quesa (Re eições e T abalho); Zona La anja (Isolamen o); Zona Cinza
(Relaxamen o).
Nes a ealidade, o mobiliá io já dispos o no espaço nem semp e conseguem
adap a -se às nossas necessidades; na p ocu a po no os mó eis escolhemos aqueles
que p omo iam maio e sa ilidade ao uso do espaço. Es e ipo de mobiliá io é ago a
o mais es udado e desen ol ido, eme gindo como p o agonis a de soluções mais
in eligen es.
Exis e hoje uma g ande p ocu a po peças ans o má eis, adap á eis,
dob á eis e mo í eis, que possam a ende a di e en es unções, ede inindo a o ma
como abo damos o design de in e io es.
Consequen emen e, exis e ambém uma maio o e a de peças ino ado as,
p oje adas com uma es é ica cuidada, de modo que se in eg em pe ei amen e na
deco ação; a usão de uncionalidade e beleza p opo ciona não só a e iciência,
mas ambém um oque de elegância aos espaços: camas com a umação,
mesas de jan a que se con e em em apa ado es, mobiliá io modela , obje os
dob á eis, capazes de ans o ma cada can o da casa num espaço
mul i uncional e dinâmico. A c iação de uma peça de mobiliá io des e ipo exige
inspi ação e o comp omisso de da p aze a quem o u iliza. (Assunção, 2022,
p.51).
Bobby Be k, a qui e o e designe de in e io es des aca que, ao ea alia
o layou e o design das casas, su ge uma opo unidade pa a in eg a
uncionalidade e es é ica (Be k, 2023).
Face às mudanças epen inas dos compo amen os e, po an o, das
a i idades ealizadas nos in e io es domés icos, os mó eis de em pe mi i a
u ilização de á ias unções num só obje o, acili ando a econ igu ação
con ínua do espaço. Uma peça de mobiliá io com ca á e lexí el ga an e um
impac o ambien al posi i o, uma ez que, quan o mais u ilizações um p odu o
o e ece , mais longo se á o seu pe íodo de ida ú il, po an o e i a á a hipó ese
de cai em desuso e se desca ado (NOMADS, 2007, p.5).
Ap esen am-se, seguidamen e, alguns exemplos de mobiliá io
desen ol ido an es e du an e a pandemia Co id-19 e que co espondem aos
equisi os necessá ios após es a c ise.
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
131
1. “
MOON
” Co esponde a um a má io de madei a inspi ado nas
ases da lua. Com um aspe o a empo al, es e a má io pe mi e á ias
con igu ações di e en es na sua mon agem modula . A es u u a des e mó el
ans o ma-se pa a a ende às di e en es necessidades, como as ases da lua.
Tem po as de a má io, a umação abe a e ga e as que ab angem con emple
odo o ipo de soluções de a mazenamen o numa única peça de mobiliá io.
Caso a peça não es eja a se u ilizada pa a a umação, pode se i pa a assen o
e mesa, po que oi cons uído pa a supo a o peso humano. A “
MOON
” é um
exemplo de mobiliá io du adou o e uncional que maximiza a lexibilidade
a a és do seu minimalismo (Thuk al, 2020).
Imagem 19, Esquema de Chi Thuk al,
MOON
, Designe : Chia
Chun Chuang (Yanko Design, 2020)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
132
2. “
INFINE
” é uma cadei a dob á el que em apenas 23 milíme os
de espessu a quando es á echada e pode se pendu ada na pa ede, como um
componen e deco a i o. Tem um acabamen o em bambu na u al, apesa de
es a disponí el nou o ipo de acabamen o e co es. Es a é uma peça p emiada,
endo ganho em 2009 os p émios Coup de Coeu P ess Idea e Decou e e
Now (Made In ine, n.d)
O seu design oi so endo al e ações. A ideia o iginal e a pa i de um
painel de madei a com apenas um co e digi al, pa a aze uma cadei a que,
uma ez dob ada, ambém pudesse se usada como ampo de mesa sob e
ca ale es (Made In ine, n.d).
Imagem 20, Cadei a dob á el, “In ine”,
Designe : Ch is ian Desile, 2009 (Made In ine, n.d)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
133
3. “
AS IF FROM NOW HERE.
..” c iação de O la Reynolds, é uma
es an e mul i uncional que unciona em módulos de o ma independen e e
inclui os mó eis de jan a : uma mesa e qua o cadei as (imagem 21). Es a
es an e de dupla unção, é des inada a espaços pequenos ou pa a quem
p ecisa de ecebe alguém inespe ado em casa. “
As i om now he e…
” oi
inspi ada no ea o, nas mudanças de cena no deco e das peças. A
a umação das mesas e das cadei as, quando não são necessá ias, dá ida à
es an e, pelas co es que as peças lhe o necem. (O la Reynolds, 2022).
A es an e pode e á ias con igu ações, nomeadamen e em o ma
quad ada, compos a pelas seis peças sob epos as, ou o ganizada de ou as
o mas, c iando um sepa ado de espaço na di isão.
Assim, a peça de O la o na-se imp e isí el, com um ca á e
su p eenden e (Assunção, 2022, p.58).
Imagem 21, es an e em di e en es con igu ações, “
AS IF FROM NOW
HERE…
”, Designe : O la Reynolds
(O la Reynolds, 2022)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
134
4. “
GIRÒ
” é um mó el mul i uncional que pode se i como mesa de
jan a , apa ado ou local pa a abalha , com a umação. É um sis ema
compos o po dois ampos dob á eis com um sis ema mecânico o a i o. O
compa imen o de a mazenamen o pode se pe sonalizado colocando po as
ou deixando a es an e abe a (Clei, 2021).
Imagem 22, Rep esen ações de di e en es usos
do mo el.
“Gi ò”,
Designe : Clei
(Clei, 2021)
Capí ulo III – O Habi a do Abs a o ao Conc e o
135
5. “
HOME OFFICE
” é um mó el com duas con igu ações possí eis:
echado assemelha-se a um caixo e e abe o ans o ma-se numa zona de
abalho com espaço pa a ealiza á ios ipos de a e as. O mó el dispõem de
bas an e espaço pa a a mazena ma e ial de esc i ó io e ins ala equipamen o
in o má ico, como compu ado es e imp esso as. No ex e io , em um gancho
pa a pendu a um casaco ou mesmo uma mala e uma echadu a pa a ga an i
a p i acidade e a segu ança. O ma e ial u ilizado é o alumínio, que é um
excelen e dissipado de calo . O “Home o ice” é um modelo anunciado pelo
A elie Opa em 2010, sendo lemb ado em 2020, pela “
A chi ec u al Fu ni u e
Foldway O ice
”, como solução pa a as di iculdades que se ize am sen i no
con inamen o, com o abalho emo o (A elie Opa, s.d.).
Imagem 23, Rep esen ações do mó el, “
HOME OFFICE
”, mó el
desen ol ido pela emp esa A elie Opa em 2010
(A elie Opa, s.d.).
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