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Memórias arquitetónicas: reabilitação sustentável de um edifício em Guimarães

Rodrigues, Pedro Daniel Silva

Abstract

Este trabalho de projeto tem como objetivo a conservação de um património que esteve muito presente na vida de familiares, onde os mesmos cresceram e criaram memórias. O alvo desta intervenção localiza-se em Longos, Guimarães, numa zona com bastantes mudanças de topografia a nível de cotas, num terreno onde se realizavam atividades agrícolas e onde foram construídos edifícios para suprir as necessidades dessas atividades. Este alvo de intervenção encontra-se isolado, na medida em que está afastado das restantes habitações e da estrada nacional. Devido às vivências dos familiares, procura-se recuperar a condição original do edificado, como se o passar dos anos não o tivesse afetado, ao mesmo tempo que, foram incorporadas soluções modernas para fazer o mesmo suprir as necessidade de habitação da atualidade. Esta intenção visa manter vivas as memórias do local e permitir que novas gerações da família criem novas memórias. O projeto passa então pelo reaproveitamento do máximo de elementos construtivos pré-existentes, assim como a sua adaptação, de maneira a suprir as necessidades atuais em termos de conforto. Para tal, o edifício de habitação passa por uma reconversão das zonas que não eram habitáveis, tornando-o num único volume. O sequeiro sofre uma reconversão total em termos de funcionalidade, tornando-se num espaço para convívio e descanso. Os dois edifícios funcionam de forma independente, apesar de se encontrarem no mesmo local, a intenção era a de criar dois espaços que não necessitassem da interação direta entre si. Para definir certos aspetos da intervenção, recorreu-se à realização de análises de iluminação natural e térmica, com vista a compreender qual a melhor forma de instalar envidraçados que proporcionem uma iluminação confortável no interior do edifício, bem como a identificar as diferenças entre as várias soluções construtivas e a forma como estas podem influenciar o conforto e os gastos energéticos do edifício. Foram assim definidas soluções que demonstrem a relação entre os elementos novos e os pré-existentes, mantendo uma harmonia em termos de materialidade..

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Pedro Daniel Silva Rodrigues Memórias Arquitetónicas: Reabilitação Sustentável de um Edifício em Guimarães Trabalho de Projeto Ciclo de Estudos Integrados Conducentes ao Grau de Mestre em Arquitetura Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Paulo Jorge Figueira Almeida Urbano Mendonça Março de 2025 Universidade do Minho Escola de Arquitetura, Arte e Design I +DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-CompartilhaIgual CC BY-SA II Agradecimentos Agradeço: Ao Prof. Paulo Mendonça pela disponibilidade, paciência e orientação ao longo de todo este trabalho. Aos meus pais que sempre me apoiaram ao longo do tempo, nunca me deixaram baixar a cabeça e sempre me fizeram correr atrás do que mais importa. A todos os amigos que fiz durante o meu percurso académico que sempre me apoiaram e tornaram esta caminhada mais fácil. Que me ajudaram a manter algum equilíbrio e sanidade ao longo desta caminhada. Em especial agradecer à minha namorada. Rita, obrigado por estares sempre ao meu lado e disponível para me ouvir nos momentos de desabafo, pelas tuas palavras de incentivo e confiança, por acreditares em mim e por te dispores a ajudar-me constantemente. Obrigado por estares sempre presente em todos os momentos e acreditares em mim. III DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. IV Resumo Este trabalho de projeto tem como objetivo a conservação de um património que esteve muito presente na vida de familiares, onde os mesmos cresceram e criaram memórias. O alvo desta intervenção localiza-se em Longos, Guimarães, numa zona com bastantes mudanças de topografia a nível de cotas, num terreno onde se realizavam atividades agrícolas e onde foram construídos edifícios para suprir as necessidades dessas atividades. Este alvo de intervenção encontra-se isolado, na medida em que está afastado das restantes habitações e da estrada nacional. Devido às vivências dos familiares, procura-se recuperar a condição original do edificado, como se o passar dos anos não o tivesse afetado, ao mesmo tempo que, foram incorporadas soluções modernas para fazer o mesmo suprir as necessidade de habitação da atualidade. Esta intenção visa manter vivas as memórias do local e permitir que novas gerações da família criem novas memórias. O projeto passa então pelo reaproveitamento do máximo de elementos construtivos pré-existentes, assim como a sua adaptação, de maneira a suprir as necessidades atuais em termos de conforto. Para tal, o edifício de habitação passa por uma reconversão das zonas que não eram habitáveis, tornando-o num único volume. O sequeiro sofre uma reconversão total em termos de funcionalidade, tornando-se num espaço para convívio e descanso. Os dois edifícios funcionam de forma independente, apesar de se encontrarem no mesmo local, a intenção era a de criar dois espaços que não necessitassem da interação direta entre si. Para definir certos aspetos da intervenção, recorreu-se à realização de análises de iluminação natural e térmica, com vista a compreender qual a melhor forma de instalar envidraçados que proporcionem uma iluminação confortável no interior do edifício, bem como a identificar as diferenças entre as várias soluções construtivas e a forma como estas podem influenciar o conforto e os gastos energéticos do edifício. Foram assim definidas soluções que demonstrem a relação entre os elementos novos e os pré-existentes, mantendo uma harmonia em termos de materialidade.. Palavras-Chave: Comportamento Térmico, Conservação, Iluminação, Pré-existência V Abstract The aim of this project is to preserve a heritage site that was very present in the lives of family members, where they grew up and created memories. The target of this intervention is located in Longos, Guimarães, in an area with many changes in topography, on land where agricultural activities were carried out and where buildings were built to meet the needs of these activities. This intervention target is isolated, as it is far from the other houses and the national road. Due to the experiences of the family members, the aim is to restore the original condition of the building, as if the passing of the years had not affected it, while incorporating modern solutions to make it meet today's housing needs. This intention aims to keep the memories of the place alive and allow new generations of the family to create new memories. The project then involves reusing as many pre-existing building elements as possible, as well as adapting them to meet current needs in terms of comfort. To this end, the residential building was converted from areas that were not habitable into a single volume. The drying area has undergone a total conversion in terms of functionality, becoming a space for socializing and relaxing. The two buildings function independently, despite being on the same site. The intention was to create two spaces that didn't require direct interaction between them. In order to define certain aspects of the intervention, natural and thermal lighting analyses were carried out to understand the best way to install glazing that provides comfortable lighting inside the building, as well as to identify the differences between the various construction solutions and how they can influence the building's comfort and energy costs. Solutions were thus defined that demonstrate the relationship between new and pre-existing elements, while maintaining harmony in terms of materiality. VI Índice Agradecimentos .................................................................................................................................. 2 Resumo.............................................................................................................................................. 4 Abstract.............................................................................................................................................. 5 Índice de Figuras ................................................................................................................................ 8 Índice de Tabelas ............................................................................................................................. 16 Introdução ........................................................................................................................................ 17 Estado da arte .................................................................................................................................. 19 Análise de Casos de Estudo .......................................................................................................... 19 Casa da Calçada – Ren Ito ........................................................................................................ 21 Casa Nº11-Santa Isabel - Camarim ........................................................................................... 24 Chalé das Três Esquinas – Tiago do Vale Arquiteto .................................................................... 27 Hay Barn Conversion – João Mendes Ribeiro ............................................................................. 30 Reconversão de Sequeiro – José Gigante .................................................................................. 32 Renovação Casa Rural em Felgueira – André Eduardo Tavares .................................................. 35 Outros Casos de Estudo ................................................................................................................ 38 Levantamento Arquitetónico .............................................................................................................. 43 Enquadramento Urbanístico .......................................................................................................... 44 Antiga Casa .................................................................................................................................. 45 Antigo Sequeiro ............................................................................................................................ 46 Registo Fotográfico ........................................................................................................................... 49 Antiga Casa .................................................................................................................................. 49 Antigo Sequeiro ............................................................................................................................ 51 Análises ........................................................................................................................................... 53 Análise da Iluminação Natural ....................................................................................................... 53 Análise Térmica ............................................................................................................................ 68 VII Proposta........................................................................................................................................... 80 Edifício Principal ....................................................................................................................... 82 Sequeiro ................................................................................................................................... 87 Garagem .................................................................................................................................. 91 Conclusão ........................................................................................................................................ 92 Bibliografia ....................................................................................................................................... 93 VIII Índice de Figuras Figura 1 | Fachada ........................................................................................................................ 219 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 2 | Vista Interior Volume Novo ............................................................................................. 219 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 3 | Escadaria Central .......................................................................................................... 219 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 4 | Cobertura de Madeira Aparente...................................................................................... 219 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 5 | | Planta Piso Térreo ........................................................................................................ 20 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 6 | Planta 1º Piso .................................................................................................................. 20 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 7 | Corte 1 ............................................................................................................................ 23 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 8 | Corte 2 ............................................................................................................................ 21 Fonte: https://divisare.com/projects/440414-ren-ito-ivo-tavares-studio-calcada-house Figura 9 | Vista Sobre Fachada Frontal ............................................................................................. 22 Fonte: https://divisare.com/projects/501265-camarim-nelson-garrido-house-no-11-santa-isabel Figura 10 | Fachada Posterior .......................................................................................................... 22 Fonte: https://divisare.com/projects/501265-camarim-nelson-garrido-house-no-11-santa-isabel Figura 11 | Relação Interior Exterior ................................................................................................. 22 Fonte: https://divisare.com/projects/501265-camarim-nelson-garrido-house-no-11-santa-isabel Figura 12 | Planta Piso Térreo ......................................................................................................... 23 Fonte: https://divisare.com/projects/501265-camarim-nelson-garrido-house-no-11-santa-isabel Figura 13 | Planta 1º Piso ................................................................................................................ 23 XV Figura 114 | Alçado Oeste ............................................................................................................... 86 Figura 115 | Planta de Piso ............................................................................................................. 89 Figura 116 | Alçado Norte ................................................................................................................ 90 Figura 117 | Alçado Este ................................................................................................................. 90 Figura 118 | Alçado Sul ................................................................................................................... 90 Figura 119 | Alçado Oeste ............................................................................................................... 90 XVI Índice de Tabelas Tabela 1 | Tabela Níveis Recomendados de LUX em Habitações ...................................................... 54 Fonte: DicasLed. 2012. “Niveis Recomendados de Iluminação Por Zonas.” Dicas Led. March 21, 2012. https://dicasled.pt/niveis-recomendados-lux/. Tabela 2 | Valores Recomendados de Daylight Factor ....................................................................... 55 Fonte: Silva, Ivo Emanuel Pinheiro da. 2021. “Análise Dos Índices de Conforto Do Edifício Lino Dos Arquitetos Arménio Losa E Cassiano Barbosa. Bases Para Uma Intervenção.” Dissertação de Mestrado, Universidade do Minho. Tabela 3 | Cálculo do Coeficiente de Transmissão Térmica .............................................................. 68 Tabela 4 |Parâmetros Utilizados no Programa Beopt ........................................................................ 70 17 Introdução O presente trabalho centra-se na reabilitação de um edifício de habitação que continha áreas reservadas à atividade agrícola, acompanhado de um sequeiro. Este espaço representa um papel importante a nível familiar, uma vez que, foi onde a minha avó viveu toda a sua infância, uma vez que pertencia à sua família e também onde a minha mãe e os meus tios passaram grande parte das suas infâncias também, enquanto a casa era habitada pelos meus bisavós. Este espaço acabou por ser vendido por estar em desuso e anos mais tarde recomprado por um tio meu, retornando assim à família. Após a compra, o espaço perdeu a atividade agrícola original e passou a ser utilizado para a criação de ovelhas, o que levava apenas ao uso de um dos dois edifícios presentes no local, o sequeiro, o que originou que o edifício principal se fosse degradando. Uma vez que este espaço representava grande parte da infância da minha avó, senti a necessidade de reabilitar o edificado. Dessa forma, através de uma conversa com o meu tio, expliquei-lhe a minha intenção para o espaço, ao que ele ficou sensibilizado e apoiou, deixando ao meu critério todas as escolhas do projeto, como forma de manter e reavivar todas as memórias dos meus familiares no local. Assim sendo, a intervenção proposta tem como principal objetivo revitalizar ambos os edifícios, preservando ao máximo a sua originalidade e caráter histórico, introduzindo em simultâneo melhorias que garantam o conforto térmico e uma adequada iluminação natural e conferindo a adequação espacial que corresponda às necessidades de habitação da atualidade. Assim sendo, o principal objetivo é reabilitar o edifício principal e o sequeiro, transformando-os em espaços habitacionais confortáveis e eficientes. Para alcançar tal objetivo foi necessário passar por várias fases que serão enunciadas ao longo do trabalho através de capítulos. Essas fases são: a análise de casos de estudo, o levantamento arquitetónico da ruína, o registo fotográfico da mesma, para depois proceder a análises mais concretas sobre soluções construtivas a utilizar e terminando assim na realização da proposta. A importância da Análise de Casos de Estudo passou pela observação do que alguns arquitetos realizaram em situações de reabilitação de ruína, para melhor entender de que forma proceder. Foram analisadas quais são as estratégias utilizadas pelos mesmos, quais as soluções construtivas utilizadas, 18 assim como perceber de que maneira conseguem adaptar um edifício antigo que correspondia a certas necessidades, para se encaixar nas necessidades da atualidade em termos de habitabilidade. O capítulo seguinte trata o Levantamento Arquitetónico, onde é feito o desenho CAD da atualidade do edifício, e vai ser complementado pelo capítulo do Registo Fotográfico, onde será registado fotograficamente a atualidade da ruína, para melhor entender assim os desenhos do levantamento e também para facilitar a tomada de decisões na fase do projeto, relativamente a elementos a manter e a preservar. Por fim o capítulo da proposta, onde será apresentada a proposta de intervenção para o edifício principal, o sequeiro e também a adição de novos elementos, assim como a intervenção a nível de modelação de terreno para melhor atender à proposta global. Nesta fase serão também explicadas decisões tomadas, assim como as soluções e métodos construtivos adotados e de que maneira estas garantem um equilíbrio entre a preservação do património e as exigências de conforto contemporâneas. 19 Estado da arte Análise de Casos de Estudo Dado que o presente trabalho de projeto se encontra focado na reabilitação de edifícios em desuso e em degradação, com importância histórica, uma vez que se insere na arquitetura popular portuguesa, é importante realizar a análise de alguns casos de estudo, para desse modo, conseguir entender e sistematizar, quais os métodos e sistemas utilizados neste tipo de intervenção, com o intuito de obter referencias para a realização do mesmo. Foi realizada uma investigação sobre vários projetos de habitações resultantes de intervenção em ruínas e construções vernaculares em contexto rural, sendo apresentada uma lista dos casos de estudo encontrados. Foram selecionados 6 casos de estudo, que representam o tipo de intervenção pretendida, nomeadamente em termos de materiais e programa. De salientar também, que foram analisadas algumas obras de reabilitação noutros países, com o intuito de entender como seriam os métodos e abordagens neste tipo de intervenções fora do país em obras que que encontravam em ruínas, mas sem a componente da arquitetura popular portuguesa. • Borgo Baccile - Itália - Rocco Valentini - 2017 • Casa Clara - Vilar - Inês Cortesão - 2008 • Casa da Calçada - Porto - Ren ito - 2020 • Casa da Quinta da Cavada - Guimarães - Fernando Távora - 1990 • Casa Ferraz - Porto - Paulo Moreira Architectures - 2014 • Casa Melgaço - Melgaço - Nuno Brandão Costa - 2016 • Casa nº11 - Santa Isabel - Lisboa - Camarim - 2021 • Casa SH - Sever do Vouga - Paulo Martins ARQ&Design - 2016 • Chalé das Três Esquinas - Braga - Tiago do Vale Arquitectos - 2013 • Country House - Itália - Bricolo Falsarella - 2013 • Duas casas no Largo do Trovador - Guimarães - Pitagoras group – 2013 • Hay Barn Conversion – Cortegaça – João Mendes Ribeiro - 2015 20 • House CR - Caldas da Rainha - Gonçalo Duarte Pacheco - 2017 • House renovation In Treia - Itália - Wespi de Meuron Romeo Architects - 2010 • La Capanna - Itália - Cechini Chiantelli & Parteners - 2016 • Missionsstrasse House - Suíça - Butcner Brundler Architekten - 2020 • Pink House - São Miguel - Mezzo Atelier - 2017 • Reconversão de Sequeiro - Guimarães - José Gigante Arquitecto - 2002 • Renovação casa Rural em Felgueira - Vale de Cambra - André Eduardo Tavares - 2012 • Recuperação de Núcleo Rural em Vidago - Vidago - Nuno Graça Moura - 2013 • Renovação de Casas Rurais em Trebilhadouro - Vale de Cambra - André Eduardo Tavares - 2015 • Ristrutturazione Casa 63 - Suíça - Ruinelli Architetti – 2016 Será ainda feita uma breve descrição sobre as restantes obras. 21 Casa da Calçada – Ren Ito Esta casa localiza-se em Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, e nasce como a proposta de reabilitar o que seria um antigo solar com 5000m2. “o local foi dividido pelos edifícios espalhados pelo local do projeto, e cada parte foi projetada como um local único (Divisare, 2021). Havia uma serie de edifícios anexos que teriam diversos fins, alguns foram adicionados à casa principal e outros transformados em casa de hóspedes. Foi realizada uma hierarquização dos espaços, deixando o piso térreo da casa principal para as áreas comuns, como por exemplo sala de estar e cozinha, enquanto o segundo piso foi reservado para as áreas privadas da habitação, como por exemplo, os quartos. Esta habitação desenvolve-se segundo uma planta em cruz, onde o elemento central e peça fundamental para o bom funcionamento da habitação é a escadaria. Na totalidade da habitação é valorizada a cobertura em madeira. Elemento que não foi escondido e deixa em evidencia a utilização de asnas de madeira para suportar a cobertura como elemento estético. Figura 1 | Fachada Figura 2 | Vista Interior Volume Novo Figura 3 | Escadaria Central Figura 4 | Cobertura de Madeira Aparente 22 Figura 6 | Planta 1º Piso Figura 5 | | Planta Piso Térreo 23 Figura 7 | Corte 1 Figura 8 | Corte 2 24 Casa Nº11-Santa Isabel - Camarim Localizada em Lisboa, a Casa Nº11 foi concluída em 2021 e esteve em risco de ser demolida por se encontrar entre uma escola industrial e um cemitério. Apesar disso o edifício foi adquirido com a intenção de o converter na totalidade “numa casa com um programa ambicioso” (Camarim, 2024). “procuramos reagir a casa confrontaçãoalargamento de rua, cemitério verdejante, jardim, rio. e articular estas reações num movimento continuo em torno da casa e através dela” (Camarim, 2024). Assim sendo, a intervenção respeita a volumetria pré-existente, mantém a fachada frontal com elementos tradicionais enquanto o interior adota uma linguagem contemporânea através da reorganização espacial e da materialidade. Outras fachadas sofreram alterações, devido à necessidade de maior aproveitamento do espaço e da luz natural, sendo dessa forma a fachada posterior a que “expressa o interior do edifício” (Divisare, 2024) de forma mais clara. A entrada de luz natural foi valorizada neste edifício através da utilização de cores claras nos materiais e a criação de aberturas para essa entrada de luz, permitiu a criação de uma relação maior entre os espaços interior-exterior, mantendo os em comunicação nos diversos patamares da habitação. Figura 9 | Vista Sobre Fachada Frontal Figura 10 | Fachada Posterior Figura 11 | Relação Interior Exterior 31 Figura 28 | Planta Piso Térreo Figura 29 | Planta 1º Piso Figura 30 | Cortes Longitudinal e Transversal 32 Reconversão de Sequeiro – José Gigante Localizado em Guimarães, o edifício concluído em 2002 pelo arquiteto José Gigante, encontrava-se num terreno que foi vendido e o proprietário pretendia transferi-lo para outra localização. A dimensão original do sequeiro não permitia cumprir o programa exigido para o projeto, pelo que foi necessário o edifício sofrer uma expansão. Para tal, foram adicionados dois módulos aos quatro existentes, a parede de granito foi mantida como componente estrutural, sendo adotada uma estrutura de aço e madeira no piso superior e na cobertura. O interior é marcado pelo aproveitamento das aberturas com janelas de vidro e pelas portadas de madeira no exterior, que quando fechadas continuam a transmitir a sensação de sequeiro. Essas portadas conferem uma privacidade maior relativamente ao exterior, sendo ainda assim possível observar o exterior enquanto entra alguma luz natural para o interior. Quando as mesmas estão abertas, revelam um enorme pano de vidro. O desenho destas portadas permite um maior controlo do utilizador através da abertura total ou parcial das mesmas para responder ao nível de conforto exigido, assim como para permitir uma ventilação melhor e mais controlada. A nível de programa, no piso de baixo foram inseridas as salas de estar e de jantar, assim como a cozinha e um wc de apoio. No piso superior foram colocados três quartos, sendo um deles suite, com closet e quarto de banho e ainda um quarto de banho de apoio aos outros dois quartos. No exterior foi também utilizado granito, permitindo assim uma leitura do edifício mais uniforme com o próprio exterior. Figura 31 | Fachada Frontal (Portadas Abertas) Figura 32 | Fachada Frontal (Portadas Abertas) Figura 34 | Vista Interior Piso Térreo Figura 33 | Fachada Posterior 33 Figura 35 | Planta Piso Térreo Figura 36 | Planta 1º Piso 34 Figura 37 | Corte Transversal 35 Renovação Casa Rural em Felgueira – André Eduardo Tavares Este edifício situa-se em Vale de Cambra e foi concluído em 2012. Devido ao facto de este estar implantado numa zona de declive acentuado, o edifício conta com 3 pisos que se distribuem ao longo de 2 volumes. O arquiteto procurou estabelecer novas relações com os espaços envolventes, aproveitando-se do declive e recorrendo à transformação das fachadas com novas aberturas. “Para estas transformações foram utilizadas as mesmas regras construtivas e composicionais do conjunto, e os materiais característicos da época” (Divisare, 2017), como forma de manter uma harmonia na relação do pré-existente com o novo. Para tal o arquiteto recorreu ao uso de ripados de madeira para revestir certos pontos da fachada, à semelhança do existente em antigos espigueiros presentes nas proximidades. Foi também criada uma hierarquização de espaços através da caracterização dos pisos. inferiores com materiais mais brutos, como por exemplo “a utilização de betume com aditivos de óxido de ferro no chão, reboco mineral calcário nas paredes”(André Tavares, 2017 ), e vigas do teto aparentes. Nos pisos superiores, onde se localizam os quartos, o arquiteto optou por utilizar materiais mais agradáveis e detalhados, como “pavimentos de madeira, rodapés, guarnições, caixilhos de portas e revestimentos de tetos em madeira, com um design tradicional”(André Tavares, 2017). Para assegurar que o conforto térmico era obtido, o arquiteto escolheu construir uma parede com blocos térmicos de barro no interior do edifício, com isolamento térmico e uma caixa de ar entre os tijolos e a alvenaria de pedra. Figura 38 | Vista Exterior Figura 39 | Vista Exterior - Ripado de Madeira Figura 40 | Materialidade Pisos Superiores Figura 41 | Materialidade Pisos Inferiores 36 Figura 42 | Planta Piso -1 Figura 43 | Planta Piso 0 37 Figura 44 | Planta Piso 1 Figura 45 | Cortes 38 Outros Casos de Estudo Borgo Baccile Este refúgio em Itália, que combina a arquitetura tradicional do meio rural com as comodidades modernas, é fruto do restauro e reaproveitamento de um conjunto de pequenos edifícios em avançado estado de degradação. A ideia do arquiteto foi manter as estruturas originais, tornando-as antissísmicas. As características estruturais já existentes foram realçadas com a incorporação de materiais neutros e em harmonia cromática. Casa Clara Com uma arquitetura contemporânea e minimalista, a casa integra perfeitamente os materiais rústicos. Os espaços interiores foram projetados para transmitir conforto e promover a convivência através das áreas comuns. As aberturas no volume de pedra procuram aproveitar melhor a luz natural com caixilharias finas, mantendo o aspeto de “amontoado de pedra aparelhada”(Inês Cortesão, 2012) Casa da Quinta da Cavada Uma propriedade histórica portuguesa que reúne elemento arquitetónicos típicos das casas rurais portuguesas, através do uso de pedra e madeira, integrada harmoniosamente na envolvente. Figura 48 | Casa da Quinta da Cavada Figura 47 | Casa Clara Figura 46 | Borgo Baccile 39 Casa Ferraz Localizada no Porto, a habitação que se encontrava em ruína sofre uma intervenção. Porem com um desafio: transformar o edifício em dois apartamentos, com um orçamento reduzido. Para tal, reutilizaram o máximo de elementos construídos preexistentes, deixando algumas paredes de pedra à vista, relembrando sempre a originalidade do edifício nos dias de hoje. Casa Melgaço As características de ruína existentes contribuíram para uma construção atemporal, limitada apenas no que toca á seleção de materiais locais. Trata-se de um edifício constituído por um corpo subterrâneo, que permite a entrada de luz através de um recorte do terreno. Combina a tradição e a modernidade, proporcionando conforto e hospitalidade. Casa SH O edifício destaca-se pela geometria simples e minimalista, dividida em dois pisos, onde a sala de estar foi colocada no piso térreo para tirar o melhor proveito da relação com exterior. A pré-existência é tao importante quanto a contemporaneidade e o arquiteto tirou o máximo proveito da relação das duas. Figura 49 | Casa Ferraz Figura 50 | Casa Melgaço Figura 51 | Casa SH 40 House CR Explora uma disposição minimalista e prática, com uma abundante iluminação natural devido aos painéis de vidro virados para o pátio que consequentemente favorecem a eficiência energética. Este projeto é o reflexo da arquitetura contemporânea que destaca a sustentabilidade e a flexibilidade dos espaços. House renovation In Treia Este projeto distingue-se dos outros por transformar uma estrutura histórica, preservando elementos da construção original, como as paredes de pedra e as vigas de madeira, enquanto incorpora o conforto e elementos contemporâneos. Deste modo, a renovação realça a fusão entre o passado e o presente, e revitaliza o edifício para a vida moderna não deixando que a sua arquitetura tradicional se perca. La Capanna É uma casa de campo italiana que concilia a tradição rustica com toques de modernidade. A palavra “Capanna” significa cabana, que justifica a construção simples, sendo renovada mais tarde para acomodar os estilos de vida atuais. A simplicidade externa contrasta com o interior moderno, devido ao maior aproveitamento da luz natural . Figura 54 | La Capanna Figura 53 | House Renovation in Treia Figura 52 | House CR 47 Figura 61 | Planta de Cobertura 48 Figura 62 | Alçado Norte Figura 63 | Alçado Este Figura 64 | Alçado Oeste Figura 65 | Alçado Sul 49 Registo Fotográfico Antiga Casa Através do registo fotográfico, é possível ver que o edifício se encontra num estado de degradação avançado, devido à falta de uso e manutenção. No entanto as paredes de pedra exteriores ainda se encontram em bom estado, como se tivessem sido erguidas recentemente, com a degradação a ser mais evidente nos elementos de madeira, como coberturas e paredes exteriores do piso superior. A casa apresenta um estilo simples, típica de casa de Arquitetura popular de ambiente agrícola, onde a função apresentava maior importância do que a apresentação. O interior da habitação (piso superior) encontra-se extremamente degradado, por ser de madeira e devido a infiltrações de água pela cobertura que degradaram os elementos de madeira. Figura 66 | Vista Sobre Fachada Este e Sul Figura 67 | Vista Sobre Fachada Sul Figura 68 | Escadaria de Acesso Piso Superior 50 Figura 70 | Vista Sobre Fachada Norte Figura 71 | Vista Sobre Fachada Norte Figura 69 | Vista Sobre Fachada Sul 51 Antigo Sequeiro O sequeiro encontra-se em melhor estado de conservação. Na quinta ainda se mantém a atividade pecuária, pelo que o sequeiro ainda se encontra a ser utilizado para guardar utensílios e por vezes rações dos animais. Devido ao uso regular, foram-se mantendo melhor todos os elementos do edifício, mesmo a cobertura que foi sendo reparada e cuidada ao longo do tempo. Figura 72 | Vista Sobre Fachada Oeste Figura 73 | Vista Sobre Entrada de Anexo Lado Oeste Figura 74 | Vista Sobre Fachada Este 52 Figura 75 | Vistas 1, 2 e 3 sobre Sequeiro 53 Análises Análise da Iluminação Natural A iluminação natural desempenha um papel crucial no projeto nas habitações e espaços de trabalho, uma vez que influencia diretamente o conforto, o bem estar e a produtividade dos ocupantes. Para além disso, uma boa utilização da iluminação natural também permite reduzir o consumo de energia associado à iluminação. Para tal efeito, foram realizadas análises da iluminação natural num compartimento de escritório da habitação, comparando esse espaço aquando da ruína e a proposta de espaço do projeto, tendo em atenção os níveis LUX e o Daylight Factor. A análise foi realizada no estado de ruína, para servir como base de comparação, e posteriormente no estado de projeto, para analisar a viabilidade do mesmo. Essa análise foi feita nos meses de junho e dezembro, uma vez que estes representam os solstícios de inverno e verão, que são os momentos do ano com as menores e maiores durações de luz solar durante o ano. O solstício de verão é em junho e este oferece o máximo de luz natural e altura solar, o que é importante para avaliar o risco de sobre iluminação, já o solstício de inverno, que coincide com dezembro, apresenta a menor altura solar e menos horas de luz solar, e a analise nessa altura torna-se importante, para assegurar a existência de iluminação natural suficiente em condições de menor disponibilidade solar. Para tal a análise foi realizada de 2 em 2 horas, ao longo do dia, começando as 7 horas da manhã e terminando as 19 horas da tarde. A norma NP EN 12464-1:2011 especifica os requisitos de iluminação para diferentes tipos de edifícios e áreas internas, incluindo espaços residenciais, estabelecendo valores mínimos de iluminância em função das atividades realizadas em cada espaço. Foi também utilizado uma tabela fornecida por uma empresa de iluminação (Dicasled) como referência sobre os níveis LUX necessários dentro de uma habitação. 54 Tabela 1 | Tabela Níveis Recomendados de LUX em Habitações Com base nesses dados e nas análises realizadas através de simulações, é possível ver que na preexistência, as zonas que seriam agora quartos , corredor e escadas, de certa forma cumpririam, uma vez que na zona dos quartos atingem os 200 LUX durante grande parte do dia, assim como no corredor e nas escadas, sendo o máximo LUX recomendado nesses locais de 200. Já na zona que seria de reservada para sala de estar e cozinha a simulação da preexistência indica que o valor mínimo atingido é de 200LUX, mas tal não significa que essa iluminação seja uniforme, uma vez que a análise foi feita para dar 200LUX como valor mínimo. Assim sendo, a zona da cozinha cumpriria os requisitos mínimos de certa maneira, no entanto, a zona de sala de estar não atinge o mínimo recomendado. Passando para a zona onde se iriam localizar o escritório e área de trabalho, este também não atinge o valora mínimo recomendado de 300LUX, mostrando-se assim ser uma zona insalubre. Como forma de cumprir todos os requisitos mínimos, foram criadas novas aberturas ao longo de todo o edifício. Assim sendo, é possível observar que na zona dos quartos, corredor e escadas os níveis de LUX atingidos cumprem os requisitos, chegando a ultrapassar em alguns casos, como por exemplo na zona do corredor, onde os valores atingidos são de 900LUX na sua maioria e o máximo recomendado é de apenas 150. Na zona de cozinha e sala de estar, no solstício de verão a area atinge valores superiores ao recomendado, atingindo os 900LUX e sendo o máximo recomendado de 500 nas salas de estar. Passando para a zona do escritório, pode-se observar a mesma situação no solstício de verão, atingindo valores de 900LUX e o máximo recomendado ser apenas de 750LUX Áreas Minimo (LUX) Ótimo (LUX) Mãximo (LUX) Quartos 100 150 200 Casas de Banho 100 150 200 Salas de Estar 200 300 500 Quartos de trabalho ou estudo 300 500 750 Cozinha 100 150 200 Zona de Circulação e corredores 50 100 150 Escadas 100 150 200 55 Estes valores são apenas recomendações, mas nos casos onde esse valor é ultrapassado, é possível o utilizador proceder ao sombreamento artificial através de blackouts ou persianas. O daylight factor “representa a quantidade de iluminação disponível em ambientes interiores em relação à iluminação presente em ambientes exteriores ao mesmo tempo sob céu nublado”(Advanced Buildings). Interpretando as figuras relativas a esse factor e relacionando com a figura xx, que indica a percentagem que cada divisão deve comportar, é possível observar que os valores são cumpridos em todas as divisões. Nos quartos(Figura 85) o valor deveria ser de 0,5% a ¾ do comprimento do espaço e o quarto com valor menor, regista 3%, enquanto os outros dois registam 4%. Na zona de sala o valor pretendido a metade do comprimento deveria ser de 1%, e a sala(Figura 87) e o valor registado durante a simulação foi de 4%. Na zona de cozinha o valor que se pretendia era de 2% também a meio do comprimento do espaço e esta que se encontra no mesmo espaço da sala(Figura 87), regista um valor de 4%. Apesar dos valores recomendados serem ultrapassados, isso permite uma melhor iluminação do espaço e em caso de necessidade pode ser recorrer a persianas ou blackouts para realizar o sombreamento do espaço. Tabela 2 | Valores Recomendados de Daylight Factor Local Daylight Factor Caso de Estudo Quartos 0,5% A ¾ do comprimento do espaço Cozinha 2% A meio do comprimento do espaço Sala 1% A meio do comprimento do espaço 56 Figura 76 | Simulação Iluminância Piso Inferior - Junho - Ruína 63 Figura 83 | | Simulação Iluminância Piso Inferior - Dezembro - Projeto 64 Figura 84 | | Simulação Iluminância Piso Intermédio - Junho - Projeto 65 Figura 85 | Simulação Iluminância Piso Intermédio - Dezembro - Projeto 66 Figura 86 | Simulação Iluminância Piso Superior - Junho - Projeto 67 Figura 87 | Simulação Iluminância Piso Superior - Dezembro - Projeto 68 Análise Térmica No contexto da eficiência térmica nas habitações, a escolha dos materiais e das soluções construtivas representa um papel importante no desempenho energético das mesmas. Foram realizados cálculos do isolamento térmico das paredes de fachada com a utilização do programa de calculo de coeficiente de transmissão térmica disponibilizado online pela empresa URSA e foram também feitas análises dos diferentes sistemas construtivos, no programa BEopt, desenvolvido pelo National Renewable Energy Laboratory (NREL), que permite fazer simulações detalhadas das diferentes soluções construtivas. O programa funciona apenas com as métricas americanas, o que implica a conversão de certas unidades. Os tipos de paredes analisados incluem soluções que utilizam a parede pré-existente de granito, onde foram feitas adições de isolamentos como o XPS, EPS e Lã de Rocha, assim como a utilização de materiais tradicionais como o tijolo e ainda a utilização de pladur. A comparação entre estas soluções será feita com base nos resultados obtidos através das simulações, com a intenção de identificar a mais vantajosa em termos de eficiência energética. As soluções construtivas estão enunciadas do exterior para o interior do edifício e são as seguintes: Soluções Construtivas Coeficiente de transmissão térmica (W/m2K) Granito 570mm + Reboco ……………..…………………… 2,72 W/m2K Granito 570mm + EPS 80mm + Tijolo 90……….….…………….. 0,34 W/m2K Granito 570mm + EPS 80mm + Gesso laminado ……..………… 0,34 W/m2K Granito 570mm + Lã de Rocha 80mm + Tijolo……………… 0,35 W/m2K Granito 570mm+ Lã de Rocha 80mm + Gesso laminado 26mm………………………………………………………………………… 0,35 W/m2K Granito 570mm + XPS 80mm + Tijolo 90mm…………………… 0,36 W/m2K Granito 570mm + XPS 80mm + Gesso laminado 26mm………. 0,36 W/m2K Tabela 3 | Cálculo do Coeficiente de Transmissão Térmica 69 Segundo a Portaria n.º 138-I/2021 o requisito de coeficiente de transmissão térmica superficiais máximos dos elementos da envolvente opaca dos edifícios de habitação para a zona onde o edifício se localiza, que é na zona I2, é de 0,40 W(m2.ºC). Praticamente todas as soluções construtivas se enquadram nos limites dos requisitos, sendo a solução de Granito + EPS + Tijolo/Pladur a mais eficaz de todas as analisadas. Por uma questão de ocupação de espaço interno, a solução escolhida foi a que utiliza placas de gesso laminado, como forma de ocupar menos espaço interno do edifício. Para realizar as simulações no programa BEopt, foram utilizados os parâmetros representados na tabela abaixo, que indica o tipo de equipamento e a opção utilizada para o mesmo. Apesar de o regulamento estabelecer o ponto de arrefecimento de 25 ºC e o de aquecimento de 18 ºC, nas análises foram considerados outros valores , que iam de encontro ao exigido por parte dos utilizadores Nos resultados foram tidos em conta os parâmetros de aquecimento fornecido, arrefecimento fornecido, a perda de calor através das paredes, a perda de arrefecimento através das paredes e a temperatura dentro do espaço habitacional para cada solução construtiva, por se considerar que estes corroboram de melhor forma as intenções das soluções construtivas em termos de comportamento térmico. 70 Os dados obtidos servem para comparar as referências com a “Passive House”. Este é um conceito que procura otimizar da melhor maneira as casas de modo a obter uma poupança energética de cerca de 75-80% comparativamente à construção tradicional, através de isolamentos térmicos e envidraçados de alta qualidade, uma melhor ventilação natural dentro das habitações, uma orientação estratégica das habitações para melhor aproveitamento da luz solar, entre outros. A mesma estabelece que a necessidade de energia total utilizada deve ser no máximo de 15Kwh/m2. Analisando os valores anuais presentes das figuras 103 até a 108,é possível afirmar que qualquer solução construtiva analisada cumpre esse requisito de utilização de energia, exceto a solução de granito que não possui isolamento térmico nenhum. Equipamento Tipo Envidraçados Low-E, Vidro Duplo, Com Gás Árgon Portas Madeira Ventilação mecânica Exaustão Ventilação Natural 3 dias por semana Ar Condicionado SEER2 13.4 Caldeira 100% Elétrica Estações de Aquecimento/Arrefecimento Aquecimento-Novembro-Março, ArrefecimentoJunhoSetembro Ponto de Regulação de Arrefecimento 23ºC Ponto de Regulação de Aquecimento 22ºC Aquecedor de Água Elétrico Luzes 100% LED Frigorifico Classe A Fogão Elétrico Máquina Lavar Louça Classe D Máquina Lavar Roupa Classe A Tabela 4 |Parâmetros Utilizados no Programa Beopt 71 Solução Construtiva 1 - Granito Figura 89 | Tabelas Relativas ao Gráfico da Solução Construtiva Granito Figura 88 | Gráfico da Solução Construtiva de Granito 72 Solução Construtiva 2 - Granito + EPS + Tijolo Figura 91 | Tabelas Relativas ao Gráfico da Solução Construtiva Granito+ EPS+ Tijolo Figura 90 | Gráfico da Solução Construtiva de Granito+ EPS+ Tijolo 79 Figura 106 | Gráfico solução construtiva 4 - Granito+ Lã de Rocha+ Tijolo Figura 107 | | Gráfico solução construtiva 5 - Granito+ XPS+ Tijolo Figura 108 | | Gráfico solução construtiva 5 - Granito+ XPS 80 Proposta 81 A premissa fundamental do projeto passa pela preservação da identidade histórica e arquitetónica dos edifícios. Foi tida especial atenção à originalidade dos mesmos, apesar da introdução de soluções contemporâneas que pretendem corresponder aos requisitos de conforto térmico, acústico e iluminação natural. Cada volume do conjunto edificado foi abordado com uma atenção especifica à sua função e uso. Esta abordagem originou a hierarquização de zonas, como forma de definir os usos específicos. O edifício principal sofre algumas alterações de conversão de usos e funciona como núcleo central do projeto, onde se manteve grande parte da sua estrutura original. O sequeiro, por outro lado, teve de ser alvo de uma adaptação mais profunda, mas mantendo o respeito pelas suas características. Houve ainda a adição de um novo volume separado destes dois edifícios e que centralizou o edifício principal ainda mais no projeto, que foi uma garagem. Como não existia nada semelhante na propriedade, esta nasce da importância de responder às necessidades atuais de utilização de veículos. Nesta proposta, todas as soluções construtivas adotadas visam a maximização do desempenho térmico, assim como a otimização do aproveitamento da iluminação da natural, com o intuito de comprometer o menos possível a estética do edificado. 82 Edifício Principal Estrutura A estrutura do edificado foi mantida em pedra de granito, sendo necessária apenas uma manutenção das paredes para reforçar pontos que estariam com alguma degradação. Quanto à estrutura da cobertura, decidiu manter-se em madeira. Uma vez que a estrutura pré-existente se encontra em elevado estado de degradação devido à exposição descuidada ao clima, propõe-se substituir toda essa estrutura para não comprometer a segurança dos utilizadores, mas mantendo ainda assim uma estrutura em madeira, como forma de prolongar a pré-existência e manter de certa forma a originalidade do edifício. Na habitação principal, optou-se por colocar uma viga central com dimensões de 150x250mm, na cumeeira da cobertura que atravesse a extensão total do edifício longitudinalmente e que está assente em paredes resistentes ao longo do edifício. Foram também utilizadas vigas secundárias com dimensões de 80x200mm, com a intenção de ficarem aparentes, uma vez que a intenção pretendida é deixar a estrutura aparente. Acima dessas vigas, a estrutura segue a configuração de placa de OSB de 15mm, seguido de XPS 800mm, OSB de 15mm novamente, revestido com uma subtelha para proteger de eventuais fugas de água, terminando com o assentamento de telhas canudo, para manter a estética de telha que existia na ruína. 83 Organização Espacial O programa definido para a habitação faz parte de uma necessidade de espaços recorrentes nas habitações. Ou seja, antigamente as necessidades espaciais eram diferentes e tinham apenas as divisões essenciais como Cozinha, Quarto de banho e Quartos, devido ao estilo de vida. Na atualidade esse estilo de vida alterou-se e cresce a necessidade de espaços internos que sejam confortáveis. Resultante dessas necessidades, a habitação que no passado ocupava apenas uma porção do edifício, estende-se agora para a totalidade do edifício, e nascem divisões como escritório, sala, lavandaria e ainda quartos privados. Como o edificado em si possui 3 volumes distintos, cada volume foi destacado com uma função importante para o desenvolvimento interno, criando assim uma hierarquia de zonas. Assim sendo, no piso 0, que seria o piso intermédio, havia 3 entradas orientadas para sul, que dariam entrada para diversos compartimentos, todas elas transformadas em janelas, uma vez que este piso foi dedicado na sua totalidade para a área privada da casa, a área de repouso, onde se encontram 3 quartos e duas casas de banho, sendo uma delas associado a um quarto e a outra comum aos dois quartos restantes. O Quarto 1 com uma área de 14.5m2 ao qual está associada uma Casa de Banho com 5.3m2, totalizando assim 19.8m2. O Quarto 2 possui uma área de 12.6m2, a Casa de Banho comum tem 5.5m2 e o Quarto 3 uma área de 11.5m2. Como forma de ligação destes quartos internamente, foi criado um corredor do lado norte da habitação que ocupa praticamente todo o comprimento do volume e possui uma área de 11.7m2. A fachada norte deste volume é uma fachada cega, sem qualquer janela, assim sendo, como forma de iluminar esse corredor foram criadas janelas ao longo do mesmo, criando um ritmo de janelas e permitindo assim uma boa iluminação natural. Nessa mesma fachada norte, foi criado um volume, que enquadra as caixas de escada do edifício, volume esse todo de vidro, com apenas umas ripas de madeira na frente, como forma de controlar a entrada de sol e de conferir alguma privacidade para o interior. Este volume totaliza uma área de 9.4m2 e, devido à colocação da garagem no lado norte da propriedade, foi aberta uma entrada para o edifício, como forma de facilitar o acesso para quem chega de carro. 84 O piso 1 engloba toda a área comum da casa e é também onde existe uma das entradas para o edifício, devido à pré-existência de uma escadaria e ao facto de antigamente ser apenas neste volume que se organizava toda a habitação. Assim sendo, a partir da escadaria existente, existe um espaço de lazer exterior com 12.5m2, que dá acesso à porta de entrada da habitação. A entrada é feita através de um hall com 7.5m2 e em frente encontra-se uma casa de banho social de apoio à área comum, que conta com 3.9m2. A partir do hall de entrada, a entrada na área comum é feita através de uma abertura pré-existente que possuía uma porta. Para conferir um maior à vontade ao atravessar essa porta, a abertura da mesma foi alargada, colocando duas portas de vidro para permitir a passagem de luz entre as áreas e ainda assim conferir uma barreira para diferenciação de espaços. Passando então para a área comum que conta com a zona de cozinha, zona de refeições e zona de estar, tudo num conceito de espaço aberto para melhor aproveitamento desta área de 40m2. Este espaço permite uma organização adaptável às necessidades do utilizador devido ao conceito aberto. Na parede norte do volume, existiam duas janelas que proporcionavam pouca iluminação, então optouse por colocar janelas a marcar um ritmo, com 1m de largura e 2.5 m de altura cada uma. O Piso 2 conta com um misto de áreas privadas, comuns e áreas técnicas, isto é, o mesmo possui um espaço multiusos com 13.6m2 que permite ao utilizador fazer o que bem entender com esse espaço, uma lavandaria com 6.33m2 com espaço suficiente para a colocação de maquinas e ainda com espaço suficiente para, se assim o utilizador desejar, passar as roupas a ferro e tratar de toda essa lida, e um escritório com 16.7m2 com espaço suficiente para ter mais do que uma mesa de trabalho, caso o utilizador assim deseje. Foram também colocadas janelas na parede norte, em alinhamento com as janelas do piso acima, conferindo uma simetria visual da fachada. Já na parede sul, onde existiam apenas aberturas de portas, foi optado por criar aberturas maiores que atravessam de um lado ao outro, criando assim uma cortina de vidro que dá para uma área exterior com 25.7m2 85 Figura 109 | Planta Piso 1 Figura 110 | Planta Pisos 2 e 3 86 Figura 112 | Alçado Norte Figura 113 | Alçado Sul Figura 111 | Alçado Este Figura 114 | Alçado Oeste 87 Sequeiro Estrutura Devido à boa conservação do sequeiro, quase todos os elementos se encontram em bom estado. Assim sendo, as paredes em pedra de granito foram mantidas originais, apenas recorrendo à adição de isolamento térmico pelo interior e pladur para cobrir e conferir um maior conforto interno aos utilizadores. No interior foi também utilizado tijolo para a construção das divisões do Quarto de Banho e do Quarto para o resto do edifício que segue um conceito aberto. As aberturas existentes, que eram portas, foram mantidas, colocando apenas portadas de madeira para regular a passagem de luz como o utilizador bem entender. Foram também colocadas janelas de correr pelo interior, afastadas do pilar, de maneira a transmitir a sensação de se encontrar um painel de vidro atras das aberturas, quando as portadas estiverem abertas. A cobertura foi mantida de madeira como na original, no entanto substituída por novos elementos para garantir segurança para os utilizadores do espaço. A cobertura de madeira deste volume segue a mesma tipologia da que foi utilizada no edifício principal, como forma de manter uma coesão entre os dois edifícios apesar de estarem separados. Como forma de simplificar a construção do novo elemento, sendo a madeira algo muito presente nestes dois edifícios, a estrutura foi também feita em madeira, com pilares de madeira e entre os pilares apenas vidro, para permitir uma maior transparência e marcar afirmativamente a presença deste novo volume. 88 Organização Espacial Este volume encontra-se projetado como um espaço de lazer e de convívio, mas com a adição de um espaço onde convidados possam permanecer. Ou seja, no sequeiro foi colocado um quarto com 13.7m2 para poder acolher alguém que esteja de visita na residência, dando a hipótese de continuar a manter a privacidade dos habitantes da casa principal, assim como a privacidade das visitas. Este espaço possui apenas uma casa de banho para atender a todo o espaço, casa de banho essa que conta com uma área de 6m2. Toda a área social da casa desenvolve-se a partir dai, com uma cozinha e espaço de jantar a partilhar o mesmo espaço, com uma área de 22.3m2. A entrada no sequeiro é feita através de uma porta localizada na parede norte preexistente do sequeiro, dando acesso direto à zona de cozinha e espaço de refeições. Para conseguir albergar um espaço de lazer interior onde se pudessem reunir os habitantes da casa e visitas de forma confortável e espaçosa, foi criado um volume, maioritariamente em vidro para permitir uma entrada melhorada de luz natural, assim como para permitir um melhor aproveitamento da vista que o local proporciona sobre os campos agrícolas de Longos. Na fachada norte do volume foi adicionado um ripado, à semelhança da habitação principal, como forma de controlar a entrada de sol e para proporcionar uma maior privacidade da casa para o sequeiro. Esta área conta com 23.6m2 e abre diretamente para um pátio exterior que envolve quase a totalidade do sequeiro e conta também com uma piscina com borda infinita, dando a sensação de que a água nasce a partir do deck de madeira e se prolonga para a paisagem. Esta área de pátio possui 103m2 e a piscina em si possui 37m2 de área. Com a existência de uma piscina, nasceu a necessidade de criar uma casa de máquinas. Para não se criar algo que ficasse dissociado de todo o edificado, este espaço encontra-se enterrado, em alinhamento com a piscina para maior facilidade nas ligações e a entrada da mesma é feita através da parte mais baixa do terreno, e conta com10m2 de área, para a colocação das máquinas e tanque. 95 ———. 2024a. “Camarim, Nelson Garrido · House No. 11 – Santa Isabel.” Divisare. 2024. https://divisare.com/projects/501265-camarim-nelson-garrido-house-no-11-santa-isabel. ———. 2024b. “Wespi de Meuron Romeo Architects, Hannes Henz · House Renovation in Treia.” Divisare. 2024. https://divisare.com/projects/239484-wespi-de-meuron-romeo-architects-hannes-henz-house-renovation-in-treia. Douglas, James. 2006. Building Adaptation. 2a Edição. Elsevier. Guerreiro, Aline , and Paulo Mendonça. 2017. 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Planta Pisos 2 e 3 220.00 219.50 219.50 1234 5 678 9 1 2 34 5 6 7 218.705 3 56789 2 1 4 4 3 2 1 220.00 221.53 221.53 220.27 220.00 220.00 219.64 220.00 220.00 220.00 1 2 3 4 5 6 7 220.00 219.64 Planta Sequeiro Panta Piso 1 Plantas Vermelhos e Amarelos Escala 1/200 Planta de Localização 1:5000 Planta de Localização 1:50 000 Plantas de Localização 220.0 216.0 219.0 219.5 219.5 218.5 218.0 218.0 217.5 217.0 216.5 219.0 220.0 Planta Coberturas - Escala 1:200 1 2 3 4 5 6 7 220.00 219.64 G' G E' E D' D C' C H' H F' F 218.705 4 3 2 1 220.00 Planta de Piso 1Edificio Principal - Escala 1:100 1 - Espaço Polivalente 2 - Lavandaria 3 - Escritório 123 123456789 0.000.00 1 2 3 4 5 6 7 219.565 218.705 G' G E' E D' D C' C B' B A' A H' H 3 5 6 7 8 9 2 1 4 4 3 2 1 220.00 221.53 221.53 220.27 220.00 220.00 219.64 220.00 220.00 220.00 F' F Plantas de Piso 2 e 3 - Edificio Principal - Escala 1:100 1 2 3 4 5 6 8 7 1 - Quarto 1 2 - Casa de Banho 1 3 - Quarto 2 4 - Casa de Banho 2 5 - Quarto 3 6 - Sala / Cozinha 7 - Hall de Entrada 8 - Casa de Banho 3 Alçado Sul Alçado Oeste Alçado Norte A3 Escala 1_200 Alçado Este Alçados Edificio Principal - Escala 1:200 Corte GG' F F F FFF Corte HH' Corte FF' Cortes Edificio Principal - Escala 1:150 Corte EE' Corte DD' Corte CC' Corte BB' Corte AA' 220.00 224.03 225.75 222.51 223.78 224.38 224.31 223.01 221.91 221.49 218.95 225.44 224.05 220.28 226.23 223.79 225.26 225.75 219.54 219.97 220.99 221.91 224.41 224.83 225.06 226.22 222.49 220.01 84.80 84.80 219.64 223.88 221.92 83.41 220.55 220.00 219.64 220.92 83.41 83.41 83.41 83.41 220.00 223.88 219.28 226.22 218.95 221.49 225.06 Isolamento Térmico Parede de Alvenaria de Pedra Parede de Alvenaria de Tijolo Placa de OSB Placa de Gesso Laminado Viga de Madeira Viga de Madeira em Vista Viga Secundária de Madeira Pedra Esmagada Laje de Betão Armado Argamassa de Regularização Revestimento de Piso de Madeira Revestimentos de Madeira Cortes Edificio Principal - Escala 1:150