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As montras das mortes na Póvoa de Varzim

Abstract

O título aqui expresso poderia estar vinculado a mais um excêntrico capítulo emplacado às rotinas urbanas contemporâneas. No entanto, ainda que seja passível haver episódios estonteantes no município da Póvoa de Varzim no tocante à morte, frustro o leitor que busca uma narrativa com algum espírito sensacionalista. Por sua vez, arrisco em dizer que o tema que lanço possa ser visto por muitos como curioso, ou mesmo excêntrico. Tratar da morte é um exercício ocasional para grande parte das pessoas, mas há profissionais que seguem essa prática em sua rotina, inclusive atuam em ambientes que vibram em torno dos óbitos. No entanto, é comum que essa sombra da vida seja esgueirada dos nossos olhares. Uma dinâmica compreensível quando pensamos nas diferentes estratégias criadas pelo ser humano para negar esse destino certeiro (Morin, 1970). Quando a morte bate à porta, os mais reflexivos podem questioná-la com o apoio dos filósofos, percebendo diferentes máximas diante dos (des)caminhos que a morte nos impõe (Critchley, 2020). Os campos da História e da Arte também oferecem fontes para refletirmos sobre a nossa finitude e até mesmo a banda desenhada, mais especificamente a personagem “Dona Morte”, de Maurício de Sousa (Araújo, 2022), apresenta o tema para o público infantil de modo chistoso. [...] Além dessa panóplia de indicadores que sinalizam a morte e como ela se emaranha às nossas vidas, indico outras esquinas onde podemos encontrá-la. Para tanto, seguiremos para as ruas da Póvoa de Varzim, onde as fotografias de pessoas falecidas são impressas em folhas brancas e anexadas em distintas vitrines espalhadas pela cidade. Cabe dar atenção que essas imagens a ilustrar o morto, selecionadas pela família do mesmo, são registos captados do período de vida do falecido. É válido salientar esse mote, pois, diferente de nossa conduta contemporânea, retratar o morto é algo naturalizado e adotado em outros tempos e lugares (Hermosilla & Krause, 2022).

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Pages 1-2