Uni e sidade do Minho
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
Rong ong Cui
COVID-19 em Po ugal e na
China: A Cul u a como Fa o de
In luência na P e enção e
P o eção con a a Pandemia
e e ei o de 2025
Rong ong Cui COVID-19 em Po ugal e na China: A Cul u a como Fa o de In luência na P e enção P o eção
con a a Pandemia
UMinho | 2025
e e ei o de 2025
Uni e sidade do Minho
Escola
de
Le as, A es
e
Ciências
Humanas
Rong ong Cui
COVID-19 em Po ugal e na China: A Cul u a
como Fa o de In luência na P e enção e
P o eção con a a Pandemia
Disse ação de
Mes ado
Mes ado
em
Es udos
In e cul u ais
Po uguês/Chinês : Po uguês pa a Falan es de Chinês
T abalho e e uado sob a o ien ação do
Dou o João Ma celo Mesqui a Ma ins
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que
espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os
de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em
condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do
Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial
CC BY-NC
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Que o ag adece ao meu o ien ado , Dou o João Ma celo Mesqui a Ma ins, po me e guiado
du an e o meu pe cu so académico. Embo a ge almen e ocupado, o P o esso João deu-me uma
o ien ação cuidadosa em odas as e apas da disse ação, desde a consul a de ma e iais a é à
de e minação do ema, o p imei o ascunho do abalho, a e i icação in e média e a e isão pos e io ,
e apon ou-me epe idamen e e os e alhas. Além de admi a o seu p o issionalismo, a sua a i ude
igo osa e o espí i o de pesquisa académica são exemplos que semp e ap ecia ei, algo que, ac edi o,
in luencia á posi i amen e os meus es udos e abalho u u os.
Ag adeço ambém aos meus colegas e p o esso es: P o esso Manuel Gama, P o esso a Sun Lam,
P o esso a B una Peixo o, P o esso Ped o A. Viei a, e odos os ou os p o esso es. Po exemplo, com o
P o esso Gama adqui i uma melho comp eensão da cul u a po uguesa e, g aças à P o esso a Sun
Lam, consegui ap o unda os meus conhecimen os sob e a cul u a de chá. Eles não só me de am uma
eno me o ien ação e assis ência nos meus es udos, como ambém me de am lições de ida.
Ag adeço especialmen e à minha amília! Pelo seu enco ajamen o, po odo o seu cuidado e
apoio in alí eis ao longo do meu pe cu so académicao. Sem o amo e o apoio dos meus pais, não e ia
sido capaz de comple a mais es a e apa.
Ag adeço a odos os au o es das e e ências, cujas u í e as pesquisas cons i uem a base des a
disse ação. Ag adeço a odos os especialis as que e i am a disse ação e pa icipa am da de esa.
i
DECLARAÇÃO
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados, em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que
espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
COVID-19 em Po ugal e na China: a cul u a como a o de in luência na p e enção e p o eção con a a
pandemia
RESUMO
No inal de 2019, a COVID-19 espalhou-se como uma empes ade po odo o globo. Face à
epidemia, os países ado a am di e en es medidas de eme gência, endo po base os seus p óp ios
con ex os polí icos, cul u ais, médicos e ou as ca ac e ís icas nacionais.
A p esen e pesquisa em como obje i o iden i ica e analisa os a o es subjacen es às medidas
de comba e à epidemia na China e em Po ugal, sob uma pe spe i a cul u al. Po exemplo, no início da
pandemia, o go e no comunis a chinês impôs imedia amen e um con inamen o ob iga ó io e igo oso,
enquan o Po ugal implemen ou um con inamen o ela i amen e mais lexí el. Pa a melho
comp eende es a égias nacionais ão dis in as en e O ien e e Ociden e exige-se uma in es igação
mais ap o undada sob e que di e enças cul u ais a ua am nes e con ex o.
Nes a disse ação, analisa-se a e olução da doença, u ilizando ma e iais de pesquisa ele an es
pa a e le i sob e os a o es cul u ais subjacen es às di e en es medidas pa a con e e mi iga a
COVID-19 na China e em Po ugal. O p imei o capí ulo cen a-se na e olução da epidemia e no seu
impac o na polí ica, economia, cul u a e educação mundiais. Iden i ica-se, pos e io men e, as medidas
omadas pelos go e nos chinês e po uguês e os esul ados ob idos. Po im, des aca-se os mo i os
pelo quais os dois go e nos oma am ais medidas, que eações popula es es as susci a am, de uma
pe spe i a cul u al, e que lições pode ão se ú eis no u u o, caso oco am su os semelhan es.
Pala as-cha e: COVID-19, Cul u a, Cole i ismo, Educação, Indi idualismo
i
COVID-19 in Po ugal and China: Cul u e as an In luen ial Fac o in P e en ion and P o ec ion agains
he Pandemic
Abs ac
The COVID-19 sp ead like a s o m ha a ec ed he en i e globe a he end o 2019. In he ace o
he epidemic, coun ies adop ed di e en eme gency measu es, based on hei own poli ical, cul u al,
medical con ex s and o he na ional cha ac e is ics.
This esea ch aims o iden i y and analyze he ac o s unde lying measu es o comba he epidemic
in China and Po ugal, om a cul u al pe spec i e. Fo example, a he beginning o he pandemic,
China's communis go e nmen immedia ely imposed a manda o y and s ic con inemen , while
Po ugal implemen ed a ela i ely mo e lexible con inemen . To be e unde s and such adically
di e en na ional s a egies be ween Eas and Wes , a mo e in-dep h in es iga ion in o wha cul u al
di e ences ac ed in his con ex is equi ed.
This disse a ion analyzes he e olu ion o he epidemic, using ele an esea ch ma e ials o e lec
on he cul u al ac o s unde lying he di e en measu es o comba COVID-19 in China and Po ugal.
The i s chap e ocuses on he e olu ion o he epidemic and i s impac on global poli ics, economy,
cul u e and educa ion. The measu es aken by he Chinese and Po uguese go e nmen s o comba he
epidemic and he esul s ob ained a e subsequen ly iden i ied. Finally, we highligh he easons why he
wo go e nmen s ook such measu es, wha popula eac ions hey a oused, om a cul u al pe spec i e,
and wha lessons could be use ul in he u u e, i simila ou b eaks occu .
Keywo ds: COVID-19, Cul u e, Collec i ism, Educa ion, Indi idualism
ii
葡萄牙和中国的 COVID-19:文化作为预防和保护流行病的影响因素
摘要
2019 年末新冠疫情以一种风暴的形式迅速席卷了全球,整个世界遭到了重创,面对此次
疫情各国遵循各自的政治和文化环境,比如说文化、政治、医疗等国家特点采取了不同
的应急措施来面对这场突发灾难。
基于这种背景,笔者做了此次研究,试图从文化的角度研究,寻找中国、葡萄牙两国的
抗疫措施基于的文化原因,例如,在大流行病开始时,中国在共产党的控制下立即进行
强制性的严格禁闭;与中国的社会状况不同,葡萄牙实行的是相对宽松的禁锢,是何种
文化差异造就了这种东西方完全不同的措施?
在这篇论文中,我们将回顾该流行疾病发展的过程,借鉴有关的研究材料,分析中国、
葡萄牙采取不同抗疫措施的根本原因——文化因素。第一章主要介绍疫情的发展过程,
及对世界政治、经济、文化、教育造成的影响。第二章集中在面对疫情,中国政府、葡
萄牙政府采取的抗疫措施及所取得的成就。第三章则主要从文化的角度分析两国政府为
何采取这些措施、人民对这些措施采取何种态度,以及从抗疫措施我们可以汲取的教训,
为之后的疫情提出一些建议。
关键词:COVID-19、文化、集体主义、教育、个人主义
4
Capí ulo I
O conhecimen o sob e a COVID-19
a 26 de janei o de 2021, com os obje i os de: 1. Iden i ica as lacunas no sis ema de inanciamen o global pa a a
p e enção, igilância, p epa ação e espos a a pandemias; e 2. p opo soluções iá eis pa a colma a es as lacunas nu
ma base sis emá ica e sus en á el, ap o ei ando de o ma o imizada os ecu sos dos se o es público, p i ado e ilan
ópico e das ins i uições inancei as in e nacionais.
Um í us a eu o mundo no inal de 2019, causando pe das de idas e, de manei a
concomi an e, um g ande impac o polí ico, económico, cul u al e educacional.
Os co ona í us são uma g ande amília de í us conhecidos po causa em g ipes e
doenças mais g a es, como a Sínd ome Respi a ó ia do Médio O ien e (MERS-CoV) e a
Sínd ome Respi a ó ia Aguda G a e (SARS). A COVID-19 é uma no a linhagem de co ona í us
que nunca inha sido encon ada em humanos. Os sinais comuns de in eção po em humanos
incluem sin omas espi a ó ios, eb e, osse, di iculdades espi a ó ias, en e ou os2. Em
casos mais g a es, a in eção pode conduzi a pneumonia, sínd ome espi a ó ia aguda g a e,
insu iciência enal e a é mesmo à mo e.
1.1 O início da COVID-19
Como e e ido, no inal do ano de 2019, começa a um p ocesso de pandemia global,
inédi a, causada pelo SARS-CoV-2, um co ona í us de Sínd ome Respi a ó ia Aguda G a e, que
icou conhecida como COVID-19.
Figu a 1 - O SARS-CoV-2 is o ao mic oscópio ele ónico
O p imei o caso oi egis ado na cidade chinesa de Wuhan (武汉,
Wǔhàn
) e apidamen e
se disseminou po odo o mundo3. A é 5 de ma ço de 2021, egis ou-se 1.15 milhões de
2Wo ld Heal h O ganiza ion. (2024, Janua y 3).
Co ona i us disease (COVID-19): Simila i ies and di e ences be ween COVID-19 an
d In luenza
[P ess elease]. h ps://www.who.in /eme gencies/diseases/no el-co ona i us-2019/ques ion-and-answe s-hub/q-a-de ail/c
o ona i us-disease-co id-19-simila i ies-and-di e ences-wi h-in luenza
3Gao Yu, Peng Yan eng, Yang Rui, Feng Yuding & Ma Danmeng. (2020, Feb ua y 26). 独家|新冠病毒基因测序溯源:警报是
何时拉响的 Dújiā| xīnguān bìngdú jīyīn cèxù sùyuán: Jǐngbào shì hé shí lāxiǎng de (O sequenciamen o gené ico do no o co
ona í us aça as suas o igens: Quando soou o ala me?).
CaiXin Media
. h ps://web.a chi e.o g/web/20200226161130/h p://chin
6
casos em 192 e i ó ios e países, esul ando em 256.9 mil mo es4. Es es núme os
ep esen a am um c escimen o epidémico dez ezes mais ápido, e em apenas um qua o do
empo, em compa ação com o su o de SARS an e io (2002-2003). O Sec e á io-ge al das
Nações Unidas, An ónio Gu e es, desc e eu es es acon ecimen os como a c ise global mais
se e a desde a Segunda Gue a Mundial.
Figu a 2 - Núme o de mo es causadas pelas p incipais pandemias his ó ica
De aco do com in es igado es da á ea da saúde, uma das ca ac e ís icas mais
p eocupan es da COVID-19 é o seu longo pe íodo de incubação, que pode a ingi 24 dias.
Além disso, qualque pessoa in e ada, mesmo que assin omá ica ou com sin omas le es, pode
acilmen e ansmi i o í us. Is o o na a iagem de sin omas ine icaz, ha endo uma
endência de e os de diagnós ico de ido à semelhança dos sin omas com ou as condições,
como a g ipe. Ademais, os dados médicos indicam que o se humano não é única on e de
con ágio, sendo que o ambien e ambém desempenha um papel impo an e no p ocesso de
disseminação do í us. Todos es es a o es con ibuí am pa a o pânico global que se ins alou.
a.caixin.com/2020-02-26/101520972.h ml
4Wo ld Heal h O ganiza ion. (2021, Ma ch 5) .
COVID-29 S a is ics
[P ess elease]. h ps://co id19.who.in
7
1.2 A p opagação da COVID-19 e o ag a amen o da si uação
A COVID-19 expandiu-se g adualmen e pa a os países izinhos da China, como a
Tailândia, o Japão e a Co eia do Sul, em janei o de 2020, e, no dia 21 do mesmo mês, o í us
chegou à cidade de Sea le, nos Es ados Unidos da Amé ica (EUA). Na China, o núme o de
casos in ensi icou-se, a ingindo um pico em meados de e e ei o; de igual o ma, o núme o de
casos con i mados na I ália, Co eia do Sul e I ão dispa a a exponencialmen e. No dia 29 de
e e ei o, a OMS ele ou o ní el de ale a pa a "mui o al o", endo, a 11 de ma ço, decla ado o
su o como "pandemia global", após a iden i icação de mui os casos em países da Eu opa e
do Médio O ien e.
A 5 de ou ub o de 2020, a OMS es ima a que ce ca de 10% da população mundial
pode ia e sido in ec ada pelo í us5. Es es e en os ma ca am a escalada da g a idade da
si uação em odo o mundo, com uma ápida disseminação do í us e um núme o c escen e
de casos con i mados.
Figu a 3 - Mapa de in e ados no mundo
5CGTN. (2020).
C onog ama da COVID-19
[P ess elease]. h ps://news.cg n.com/e en /2020/The-Pandemic/index.h ml
8
Na Eu opa, o p imei o caso6de in eção egis ou-se em Roma, a 29 de janei o de 2020,
elacionado com dois u is as o iundos de Wuhan. Imedia amen e após es a no ícia, a I ália
suspendeu odos os oos pa a a egião da g ande China, incluindo Hong Kong, Macau e
Taiwan, e decla ou o es ado de eme gência que se p olongou po seis meses. Ce ca de 20
dias depois, o su o no no e da I ália con a a com 60 no os casos e a p imei a mo e
egis ada no país.
No início de ma ço, a p imei a onda de COVID-19 a ingiu á ios países eu opeus,
diminuindo g adualmen e en e meados de ab il e início de maio7. Pos e io men e, em agos o
do mesmo ano, um segundo su o começou em a iados países, como F ança ou Espanha,
com um aumen o signi ica i o nas axas de in eção, mas sem um aumen o signi ica i o na
mo alidade8.
Dados da OMS demons am que a 19 de ma ço a pandemia alcança a mais de 150
países e e i ó ios9. O núme o o al de casos con i mados e a de 209.809, sendo que um
o al de 16.498 egis a am-se o a da China (Figu a 4; a linha azul egis a o núme o de no os
casos po dia na China e a linha ama ela apon a o núme o de no os casos diá ios o a da
China). Em 13 de ab il, o núme o de in e ados ascendia a 1.905.935 pessoas em odo o
mundo, com 118.623 mo es egis adas. Na Eu opa, ainda no cen o da pandemia, o
aumen o oi de 30.852 casos, o alizando 965.927 casos acumulados.
6Se e gnini, Chia a. (2020, Janua y 30). Co ona i us, p imi due casi in I alia «Sono due cinesi in acanza a Roma».
Co ie i del
la Se a.
h ps://www.co ie e.i /c onache/20_gennaio_30/co ona i us-i alia-co ona-9d6dc436-4343-11ea-bdc8- a 1 56 19b7.sh ml
7Anzolin, Elisa & Aman e, Angelo. (2020, Feb ua y 22). Fi s I alian dies o co ona i us as ou b eak la es in no h.
Reu e s.
h p
s://www. eu e s.com/a icle/us-china-heal h-i aly/co ona i us-ou b eak-g ows-in-no he n-i aly-16-cases- epo ed-in-one-day-idUSKBN20F0UI/
8(2022, Janua y 2). No dia de Ano No o, o núme o cumula i o de casos con i mados de pneumonia de Wuhan na Eu opa ul
apassou 100 milhões.
The Libe y Times.
h ps://web.a chi e.o g/web/20220102114326/h ps://news.l n.com. w/news/wo ld/b eaki
ngnews/3787366
9Depa men o Science and Technology o Guangdong P o ince. (2020, Ap il 15).
欧洲为何成为新冠肺炎“大流行”中心?这篇
文章说清楚了 Ōuzhōu wèihé chéngwéi xīnguān èiyán “dà liúxíng” zhōngxīn? Zhè piān wénzhāng shuōqīngchǔle
(
Po que é qu
e a Eu opa se o nou o epicen o da pandemia da COVID-19? Es e a igo deixa cla o
) [P ess elease]. h p://gds c.gd.go .cn/kj yz
l/ ykp/con en /pos _2973849.h ml
9
Figu a 4 - Núme o de no os casos po dia na China e o a da China, no início de 2020
1.3 Os impac os causados pela COVID-19
1.3.1 O impac o na economia
Um ela ó io do Banco Mundial es ima que a pandemia de COVID-19 desencadeou a
maio c ise económica global do úl imo século, com a a i idade económica em 2020 a
con ai -se em 90% dos países, o que excede o núme o de nações que i encia am declínios
semelhan es du an e as duas gue as mundiais, a G ande Dep essão dos anos 1930, as
c ises da dí ida de economias eme gen es da década de 1980 e a c ise inancei a global de
2007–2009. O documen o salien a ainda que a economia mundial encolheu ce ca de 3%, a
pob eza global aumen ou pela p imei a ez numa ge ação e os impac os o am especialmen e
se e os nas economias eme gen es10.
A igu a 5 ilus a a elação en e o PIB
pe capi a
e o núme o de casos con i mados po
milhão habi an es em alguns países. Obse a-se uma co elação es a ís ica posi i a en e o
núme o de casos con i mados e o ní el de desen ol imen o económico dos países analisados:
os países com PIB
pe capi a
mais ele ado ( alo es em US$ de 2018) endem a ap esen a
um maio núme o de casos con i mados po milhão de habi an es (núme o de casos
acumulados a é 18 de ma ço de 2023).
10 Banco Mundial. (2022). Desen ol imen o Mundial 2022. Finanças a Se iço de uma Recupe ação Equi a i a. Washing on, D.C.
10
Figu a 5 - Co elação en e o PIB pe capi a e o núme o de casos con i mados po milhão de habi an es em alguns países
Os países mais desen ol idos egis a am maio p opensão à in eção e ápida
p opagação de ido à al a ci culação populacional e à in ensa in e nacionalização. Além disso,
sublinhe-se que alguns deles ap esen am axas ele adas de en elhecimen o populacional, o
que aumen a a ulne abilidade às in eções11.
Po ou o lado, os países em desen ol imen o en en a am desa ios adicionais de ido à
p eca iedade dos seus sis emas de saúde12. Mui os deles inham capacidade limi ada pa a
ealiza es es em la ga escala, esul ando num meno núme o de casos con i mados e numa
subno i icação dos casos de COVID-19 nessas egiões.
11 P e i a. (2020, Ap il 23).
Co id-19 em idosos: po que eles são mais ulne á eis ao no o co ona í us
[P ess elease].
h ps://www.p e i a.com.b /no osi e/co id19emidosos/
12 O ganização das Nações Unidas. (2010, Sep embe 9).
世卫组织:发展中国家和发达国家拥有和使用医疗设备差距悬殊 Shì
wèi zǔzhī: Fāzhǎn zhōng guójiāhé ādá guójiāyǒngyǒu hé shǐyòng yīliáo shèbèi chājù xuánshū
(OMS:
Exis e uma eno me lacuna en e os
países em desen ol imen o e os desen ol idos na p op iedade e u ilização de equipamen os médicos)
[P ess elease].
h ps://news.un.o g/zh/s o y/2010/09/136962
11
Figu a 6 - P opo ção de amílias pob es com es agens i ais e e uadas
Como opo unamen e se e e iu, as classes mais ulne á eis o am mais se e amen e
a e adas pela COVID-19. Os dois g á icos ap esen ados, ambos do Fundo Mone á io
In e nacional (Figu a 6 e 7), e elam uma co elação in e samen e p opo cional en e o ní el
socioeconómico das amílias e o acesso à es agem do í us. Pa a além disso, mos am que a
es agem em massa em um impac o posi i o no núme o de idas sal as em con ex o da
pandemia.
12
Figu a 7 – Relação en e es agem e núme o de idas sal as
O apoio económico especí ico às amílias oi uma o ma di e a de a enua o impac o dos
choques económicos des a o á eis e em g ande escala no seu consumo. Ao mesmo empo, a
melho ia da in o mação sob e o su o, bem como a ealização de es agens ex ensi as,
melho a am a capacidade de iden i ica e isola no as in eções, eduzindo o isco de con ágio.
Regis ou-se mais de um milhão de mo es desde o início do su o de COVID-19. Pa a
além disso, milhões de pessoas pe de am os seus emp egos e meios de subsis ência, e
es imou-se que mais 130 milhões de pessoas i e iam em ex ema pob eza se a c ise
pe sis isse. O impac o económico sem p eceden es expôs de o ma d ás ica as aquezas
p é-exis en es da economia global, a asando signi ica i amen e o desen ol imen o global. A
lexibilização das polí icas mone á ias em espos a ao impac o da epidemia ge a am
13
p eocupação quan o à o ma como a economia mundial ecupe a á no pe íodo pós-epidémico.
A epidemia oi sendo con olada à medida que a acina chega a a mais países.
En e an o, o uncionamen o no mal do comé cio global oi comple amen e pe u bado e se á
di ícil que es e ecupe e a cu o p azo, já que a p odução oi se e amen e a e ada e a
lexibilização mone á ia não conseguiu impulsiona a economia como espe ado.
Nos p óximos cinco anos, a economia mundial de e á man e a sua len a endência de
ecupe ação, mas há ambém a possibilidade de uma desacele ação no c escimen o ou a é
mesmo de uma ecessão. Embo a es eja a ualmen e sob con olo ou em emissão em alguns
países, a epidemia con inua a espalha -se globalmen e e as pe spe i as de c escimen o
económico mundial es ão eple as de ince ezas, podendo expe imen a pad ões ecessi os
em o ma de "W", de pe íodos de ecupe ação seguidos de ecessão, e le indo a ola ilidade
económica causada pela pandemia13.
1.3.2 O impac o na cul u a
A ameaça da COVID-19 e e um g ande impac o no con ex o cul u al. No início da
pandemia, 90% dos países echa am o al ou pa cialmen e os seus sí ios classi icados como
Pa imónio Mundial, segundo a O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e
a Cul u a ou UNESCO:
No auge da pandemia, o acompanhamen o egula da UNESCO suge ia que
ce ca de 90% dos países com locais ma cados como Pa imónio Mundial os
inham ence ado o al ou pa cialmen e, com consequências sociais e
económicas e iden es pa a as comunidades ci cundan es.
14 (UNESCO, 2021,
13 Zhang, X. (2021). 新冠肺炎疫情持续蔓延对经济全球化的深远影响 Xīnguān èiyán yìqíng chíxù mànyán duì jīngjì quánqiú huà
de shēnyuǎn yǐngxiǎng (O Impac o P o undo da P opagação Con ínua de COVID-19 na Globalização Económica).
Desen ol imen o e Pesquisa,
(06)
, 54-59.
14 O iginal: “A he heigh o he pandemic, egula acking by UNESCO sugges ed ha nea ly 90% o coun ies wi h Wo ld He i age p ope ies
had o ally o pa ially closed hem, wi h o e social and economic consequences o he su ounding communi ies becoming s eadily
appa en .”
20
Capí ulo II
Reações e conquis as de ambos os países ace à pandemia
21
2.1 A eação de Po ugal à ameaça da COVID-19
Apesa dos dois p imei os casos e em sido con i mados apenas a 2 de ma ço de 2020,
o go e no po uguês ado ou medidas de p epa ação pa a a c ise sani á ia desde janei o e, no
inal de e e ei o, começou a publica dia iamen e bole ins in o ma i os26. Pouco depois da
p imei a mo e egis ada no país (16 de ma ço), oco eu o p imei o pico do su o, en e 23 e
25 de ma ço, quando o núme o de casos aumen ou 28,75% dia iamen e, de aco do com a
Di eção-Ge al da Saúde (DGS)27.
Pa a aze ace à si uação epidemiológica, o go e no po uguês aplicou á ios ní eis de
espos a. A Lei de Bases da P o eção Ci il es abelece ês ní eis di e en es de espos a a
aciden es g a es ou ca ás o es: si uação de ale a (a menos g a e), si uação de con ingência
(in e média) e calamidade. O es ado de eme gência, acima do es ado de calamidade, em de
se inicia i a do P esiden e da República e oi ado ado á ias ezes du an e a pandemia.
No auge do aumen o, o Se iço Nacional de Saúde (SNS) ado ou um a amen o
di e enciado, pa a e i a o colapso, como acon eceu em alguns países eu opeus. Is o incluiu a
possibilidade de os casos suspei os ese a em es es a a és da linha Saúde 24; enquan o os
casos con i mados com sin omas mode ados ica am em qua en ena domiciliá ia, sob
igilância do Cen o de Saúde mais p óximo, aqueles com sin omas g a es e am in e nados
no hospi al e os doen es de al o isco ecebiam a amen o especial em unidades de cuidados
in ensi os.
26 Ba os, S. G. e al. (2023, May). Vigilância e ele ada cobe u a acinal: Como Po ugal supe ou o colapso e e omou o con ole da
pandemia.
Ciência & Saúde Cole i a, 28(5)
, 1297-1312.
27 Di eção-Ge al da Saúde (DGS). (2020, Ap il 16).
Rela ó io de Si uação nº 015
. h ps://www.dgs.p /em-des aque/ ela o io-de-si uac
ao-n-015-17032020-pd .aspx
22
Figu a 8 - Núme o de casos con i mados po da a de início de sin omas
Figu a 9 - Ca ac e ização dos casos con i mados
Inicialmen e, o no e de Po ugal ap esen ou uma ca ga signi ica i a, em especial
conside ando o núme o absolu o de casos con i mados e mo es de idas à COVID-19. A 3 de
junho, o núme o de in eções na egião ep esen a a 50,5% do o al de casos con i mados e
55% do núme o o al de mo es28. Con udo, a epidemia espalhou-se pelo país: em ou ub o de
2022 inha-se egis ado já 5.509.424 casos, 25.125 mo es e 4.237.853 ecupe ações.
28 Shaaban, A. N., Pele ei o, B., & Ma ins, M. R. O. (2020, Augus 21). COVID-19: Wha is nex o Po ugal?
F on ie s in Publi
c Heal h, 8
. h ps://www. on ie sin.o g/jou nals/public-heal h/a icles/10.3389/ pubh.2020.00392/ ull
23
Figu a 10 - Todos os casos da COVID-19 em Po ugal
A disseminação da COVID-19 c iou uma p essão sem p eceden es nos hospi ais e nos
ecu sos médicos a ní el mundial. Em Po ugal, ul apassou-se a capacidade do sis ema de
saúde ao ní el do núme o de lei os e cuidados c í icos, que exigi am uma e isão subs ancial.
Po ugal possuía um o al de 35.000 camas dis ibuídas en e hospi ais públicos, p i ados e
pa ce ias público-p i adas (22.400, 10.900 e 1.600, espe i amen e). O núme o de
p o issionais memb os da O dem dos Médicos e a de 53.657 em 2018 e ha ia um o al de
73.650 en e mei os a i os naquele ano, de aco do com a O dem dos En e mei os.
Regis a a-se igualmen e desigualdades geog á icas no acesso à saúde, com a
concen ação de equipamen o sani á io e o necedo es em Lisboa e no Po o, em compa ação
com ou as á eas do país. Pa a além disso, os ecu sos médicos concen am-se
adicionalmen e em á eas do li o al, mais desen ol idas de um pon o de is a económico,
enquan o as zonas in e io es des a o ecidas êm di iculdades de acesso a se iços médicos
co esponden es.
2.1.1 Medidas e conquis as con a a COVID-19
O go e no comunicou as suas decisões a a és de um websi e ins i ucional (no ícias,
documen os, comunicados de imp ensa e mul imédia), bem como ealizando com
24
egula idade con e ências de imp ensa e decla ações nos média po pa e do P esiden e da
República, P imei o-Minis o, á ios memb os do go e no e al os uncioná ios de o ganizações
públicas. O go e no ambém c iou uma página web especí ica, chamada "Es amos ON - A
Respos a de Po ugal à COVID-19. As in o mações sob e a e olução da pandemia o am
di ulgadas conjun amen e pelo Minis é io da Saúde e pela Di eção Ge al de Saúde, numa base
diá ia, na imp ensa e na página web.
Conside ando a e olução da epidemia em Po ugal, as medidas-cha e omadas pelo
go e no e pelas au o idades públicas podem se di ididas em ês e apas: (1) a é à decla ação
de si uação de ale a a 13 de ma ço; (2) desde es a da a e a é à decla ação do es ado de
eme gência a 18 de ma ço; (3) após a decla ação do es ado de eme gência e a
implemen ação de medidas conc e as pelo Conselho de Minis os em 19 de ma ço.
(1) A é à decla ação de es ado de ale a a 13 de ma ço
As medidas omadas nes e pe íodo o am p og essi amen e mais o es. O go e no e as
au o idades públicas não oma am medidas conc e as com impac o nos di ei os undamen ais,
an es do p imei o caso con i mado, limi ando-se a di ulga in o mações e conselhos
des inados a p o ege os cidadãos. Depois dos p imei os casos con i mados de in eção, as
medidas omadas p ocu a am sob e udo p epa a as en idades públicas. Po exemplo, o
Despacho nº 2836-A/2020 de 2 de ma ço de e minou que os emp egado es públicos de iam
elabo a um plano de con ingência, con o me as di e izes emi idas pela DGS, pa a a
p e enção e con olo da con aminação pela COVID-19. No Despacho nº 3219/2020, de 3 de
ma ço, de e minou a comp a de medicamen os, disposi i os médicos e equipamen os de
p o eção pessoal pa a o SNS, po o ma a ga an i condições adequadas pa a o a amen o da
doença e e o ço dos espe i os s ocks em 20%. O Despacho nº 3186-B/2020 de 6 de ma ço
c iou a Linha de Apoio ao Médico, assumindo-se como uma e amen a impo an e pa a
con i ma casos suspei os da doença e escla ece dú idas que pudessem su gi nos se iços
de saúde.
Com elação às p oibições de iagens, o Despacho nº 3186-D/2020 de 10 de ma ço
suspendeu odos os oos, come ciais ou p i ados, com o igem ou des ino pa a I ália a pa i
de 11 de ma ço e pelo pe íodo de 14 dias, isando con e a p opagação. A p oibição oi
25
es endida a odo o país após I ália e decla ado qua en ena. A Resolução do Conselho de
Minis os n.º 10-A/2020 de 12 de ma ço es abeleceu á ias medidas ela i as ao COVID-19,
nomeadamen e o e o ço das ins alações de saúde do Hospi al das Fo ças A madas e ou as
unidades sani á ias das Fo ças A madas; o e o ço da capacidade de espos a ope acional da
Au o idade Nacional de Eme gência e P o eção Ci il; a ap o ação de medidas iscais e
económicas especí icas (como medidas de incen i o pa a emp esas); a adoção de medidas
pa a o a endimen o nos se iços públicos e a ap o ação de apoios aos abalhado es e
emp egado es a e ados pela COVID-19.
(2) A é à decla ação do es ado de eme gência a 18 de ma ço;
O Despacho n.º 3298-B/2020 de 13 de ma ço decla ou si uação de ale a em odo o
e i ó io nacional e o Dec e o-Lei n.º 10-A/2020, da mesma da a, es abeleceu medidas
excecionais empo á ias de espos a à epidemia SARS-CoV-2, nomeadamen e ao ní el da
con a ação pública e au o izações de despesa, e da suspensão de odas as a i idades le i as
e não le i as a pa i de 16 de ma ço de 2020, em odos os g aus de ensino. Os
es abelecimen os de ensino i e am de ado a medidas necessá ias à alimen ação dos
es udan es com apoio social e pa a acolhe em os ilhos dos abalhado es dos se iços
essenciais (po exemplo, p o issionais de saúde, bombei os, o ças e se iços de segu ança).
Também o acesso a locais públicos oi limi ado, como es au an es ou ba es com espaços de
dança, conside ando ainda as eg as de ocupação es abelecidas na Po a ia n.º 71/2020 de
15 de ma ço. O SNS con a ou mais médicos e en e mei os, es ingindo as é ias ao
es i amen e necessá io.
26
Figu a 11 - C onog ama de implemen ação de es ições do go e no po uguês
Os po ugueses cump i am as es ições, que aumen a am de o ma p og essi a, e o
con inamen o. Os cidadãos eduzi am signi ica i amen e a sua mobilidade diá ia, ao ní el de
comp as e laze (-83%), a i idades ao a li e (-80%) e anspo e (-79%)29.
A inen e às medidas in e nacionais, a Po a ia n.º 3298-C/2020 de 13 de ma ço p oibiu
o desemba que e a licença de desemba que de passagei os e ipulan es de na ios de
c uzei o em po os nacionais, podendo es es a aca apenas pa a ins de abas ecimen o e
manu enção. Não obs an e, es a p oibição não se aplicou a cidadãos nacionais ou i ula es de
au o izações de esidência nacionais.
Uns dias mais a de, o Conselho de Minis os implemen ou empo a iamen e o con olo
documen al nas on ei as com is a à de esa da saúde pública, o que se e i icou en e 16 de
ma ço e 15 de ab il daquele ano, a a és da Resolução n.º 10-B/2020 de 16 de ma ço. Is o
cons i uiu uma es ição ao Aco do de Schengen e suspendeu os oos, comboios, anspo es
lu iais e ma í imos e o á ego odo iá io p o enien e de Espanha. Regis a am-se algumas
exceções, ao ní el do anspo e in e nacional de me cado ias, ci culação de abalhado es
ans on ei iços, ci culação de eículos de eme gência, di ei o de en ada de nacionais e
i ula es de au o izações de esidência, ci culação de pessoal diplomá ico, o ças a madas e
29 Google. (2020, Ap il 4).
COVID-19 communi y mobili y epo s
. Re ie ed [2021, Ap il 22]. h p://www.google.com/co id19/mobi
li y
27
o ças e se iços de segu ança, as unidades de saúde em aco dos bila e ais de cuidados de
saúde, e o di ei o de saída de cidadãos que esidiam nou os locais.
A Po a ia n.º 3427-A/2020 de 18 de ma ço p oibiu o á ego aé eo de e pa a Po ugal
de países o a da União Eu opeia, sal o ce as exceções, ais como países ligados ao Espaço
Schengen (Liech ens ein, No uega, Islândia e Suíça); países de língua po uguesa (do B asil,
só os oos de e pa a São Paulo e de e pa a o Rio de Janei o o am admi idos); e o Reino
Unido, EUA, Venezuela, Canadá e Á ica do Sul, po causa das g andes comunidades
po uguesas ali exis en es. Toda ia, não oi aplicá el aos oos pa a Po ugal p omo idos pelas
au o idades po uguesas, que isa am o eg esso de cidadãos nacionais ou i ula es da
au o ização de esidência, nem aos oos p omo idos po ou as au o idades es angei as, com
o aco do das au o idades po uguesas, des inados a pe mi i o eg esso de cidadãos
es angei os que se encon assem em Po ugal. A pa i de 20 de ma ço, odos os que
en assem em Po ugal de iam pe manece em isolamen o p o ilá ico du an e 14 dias30. A
p oibição ambém não ab angeu oos de Es ado e das Fo ças A madas, oos pa a o
anspo e exclusi o de ca ga e co eio, ou oos de na u eza humani á ia ou pa a eme gências
médicas.
A c ise sani á ia sem p eceden es mo i ou um no o dec e o que pe mi iu aos
imig an es legais que solici a am esidência a é 18 de ma ço, quando o es ado de eme gência
oi dec e ado, e acesso aos se iços de saúde du an e a pandemia (Despacho
n.º 3863-B/2020, de 27 de ma ço). Es es imig an es passa am a e os mesmos di ei os dos
cidadãos po ugueses, como eco e ao SNS e a quaisque apoios sociais e inancei os
a ibuídos pelo go e no. A decisão ouxe igualmen e bene ícios pa a os candida os a asilo.
No que diz espei o à igilância, no início de junho, o go e no es abelece a uma ede de
cen os de es es, com 205 labo a ó ios dis ibuídos po odo o país31: a maio ia pe encen e à
ede do SNS (45,2%), mas incluindo ambém o se o p i ado (39,3%) e ou os labo a ó ios,
mili a es e académicos (15,7%). Em ab il de 2020, o núme o médio de es es e a de 11.500
30 Di ec o -Gene al o Heal h. (2020, Ma ch 20). P ess con e ence [P ess elease]. Re ie ed [2021, Ap il 23].
31 Ci ado po Shaaban, Pele ei o & Ma ins (2020), a ci .
28
po dia e, em maio seguin e, de 13.550 es es diá ios32.
(3) Após a decla ação do es ado de eme gência e a implemen ação de medidas
conc e as pelo Conselho de Minis os em 19 de ma ço.
O es ado de eme gência en ou em igo de aco do com a Cons i uição Po uguesa,
pe mi indo a suspensão de alguns di ei os undamen ais, e oi egulamen ado pelo Dec e o
n.º 2-A/2020 de 20 de ma ço, des acando-se: es ições de mobilidade, con inamen o
ob iga ó io pa a doen es e pessoas sob igilância, p o eção e con inamen o pa a pessoas com
mais 70 anos, e um de e ge al de pe manece em casa pa a pessoas sem p oblemas de
saúde. Os se iços públicos o am eduzidos, sal o os se iços p io i á ios como os se iços de
saúde, o ças policiais e o ças a madas, que o am e o çados. O ele abalho o nou-se
ob iga ó io quando possí el e os se iços p esenciais o am eduzidos, sendo comum a
assis ência ele ónica ou em linha. Hou e igualmen e uma o dem ge al de ence amen o de
emp esas p i adas, sal o pada ias, supe me cados, me cea ias e a mácias, que de iam
cump i as eg as di adas pela DGS.
Alguns bancos anuncia am uma sé ie de medidas pa a mi iga o impac o da c ise
p o ocada pela epidemia, bene iciando as amílias que ica am sem ou i am os seus
endimen os eduzidos, incluindo soluções de c édi o pessoal, mo a ó ia de seis meses na
amo ização de capi al dos c édi os à habi ação e p o isões especiais pa a as emp esas33.
G aças a es as medidas e segundo dados do Ins i u o Nacional de Es a ís ica (INE), os
po ugueses pude am ob e , em média, um alí io nos seus enca gos mensais supe io a 200
eu os34.
Ap o ou-se ambém uma sé ie de medidas di igidas a ou os g upos ulne á eis, po
exemplo, a Comissão pa a a Cidadania e a Igualdade de Géne o c iou um ende enço
32 Se iço Nacional de Saúde (2020, Ma ch 6). Co id-19 Tes es de diagnós ico.
h ps://www.inem.p /2020/06/04/co id-19- es es-de-diagnos ico-2/
33 P ado, M. (2020, Ma ch 22). BPI ai da mo a ó ia nos c édi os de amílias e emp esa.
Exp esso.
h ps://exp esso.p /sociedade/co ona i us/2020-03-22-BPI- ai-da -mo a o ia-nos-c edi os-de- amilias-e-emp esas
34 P ado, M. (2020, Ma ch 21). C édi o à habi ação: Mo a ó ia pode aze alí io mensal médio de 200 eu os po amília.
Exp es
so.
h ps://exp esso.p /sociedade/co ona i us/2020-03-21-C edi o-a-habi acao-mo a o ia-pode- aze -ali io-mensal-medio-de-200-eu os-po -
amilia
29
ele ónico pa a esponde a pe gun as e pedidos de apoio de í imas de iolência domés ica35.
O Conselho Po uguês pa a os Re ugiados implemen ou á ias medidas de p e enção
des inadas aos uncioná ios e à população e ugiada, incluindo a dis ibuição de ki s de
higiene simples, em linha com as ecomendações do Minis é io da Saúde. A Au o idade de
Segu ança Alimen a e Económica (ASAE) e e uou múl iplas inspeções com o obje i o de
comba e luc os ilegí imos p o enien es da enda de bens necessá ios pa a a p e enção e
comba e ao co ona í us, nomeadamen e equipamen o de p o eção pessoal e disposi i os
médicos (másca as, lu as, a os), bem como álcool, higienizado de mãos e desin e an es36.
Desde en ão, es as medidas o am ajus adas e o imizadas, em di e en es g aus, pa a
esponde à e olução da epidemia.
Analisando a espos a à pandemia em Po ugal, Ba os e al. (2023) concluí am que o
país e e uma espos a i me e ápida, du an e a p imei a onda da doença, sublinhando ainda
a exis ência de coo denação polí ica nessa a uação, sendo as decisões omadas pelo
P esiden e da República, em conjun o com o P imei o-minis o, espaldados pelo Conselho de
Minis os, Pa lamen o e ins âncias écnicas da DGS.Sob e o conjun o de medidas
elacionadas com o dis anciamen o ísico, a equipa de in es igado es concluiu que esul a am
num ele ado
s ingency index
(indicado p opos o pela Uni e sidade de Ox o d pa a mensu a
o igo das polí icas de es ição/lockdown ado adas pelos go e nos): a iou en e 82,41 e
87,96 no pe íodo de 19 de ma ço a 3 de maio de 2020, um dos mais ele ados dos países
eu opeus.37
2.2 A eação da China pe an e a ameaça COVID-19
É possí el dis ingui qua o ases p incipais no desen ol imen o da epidemia na China,
nomeadamen e (1) o p imei o g ande su o na p imei a me ade de 2020; (2) su os dispe sos
35 Comissão pa a a Cidadania e Igualdade de Géne o [CIG]. (2020, Ma ch 18).
Co id-19 -- No o email pa a apoio na á ea da
iolência domés ica
. h p://www.cig.go .p /2020/03/co id-19-no o-email-apoio-na-a ea-da- iolencia-domes ica/
36 T iguei ão, S. (2020, Ma ch 20). ASAE apanha come cian e a ende álcool a 20 eu os.
Público
.
h ps://www.publico.p /2020/03/20/sociedade/no icia/asae-apanha-come cian e- ende -alcool-20-eu os-1908638
37 (Ba os e al., 2023)
36
China es abilizou, com exceção da e e ida p o íncia. À luz da e olução da si uação, o go e no
decidiu coo dena a p e enção e o con olo da epidemia com o desen ol imen o
socioeconómico, e omando o abalho e a p odução de uma o ma o denada.
No dia 21 de e e ei o, as p o íncias eduzi am os seus ní eis de espos a de
eme gência, ali iando g adualmen e as es ições. A 24, odos os pon os de es angulamen o
odo iá ios inham sido libe ados e a libe dade de ci culação oi g adualmen e es abelecida,
com exceção da p o íncia de Hubei e do município de Pequim. A 6 de ma ço, o núme o de
casos con i mados baixou pa a menos de 100 em odo o país e pa a menos de dez a 11
desse mês, assim pe manecendo na semana seguin e. O pico da epidemia passa a e, a 17 de
ma ço, as p imei as 42 equipas médicas nacionais em Wuhan o am desmobilizadas.
(4) Resul ados decisi os na de esa em Wuhan e Hubei (18 de ma ço - 28 de ab il)
A p opagação da epidemia em Wuhan oi in e ompida, con udo, a 25 de ma ço, 23
p o íncias no i ica am casos impo ados do es angei o. Nes e seguimen o, dois dias depois, o
Comi é Cen al do Pa ido Comunis a da China ( 中国共产党中央委员会,
Zhōngguó
gòngchǎndǎng zhōngyāng wěiyuánhuì
) al e ou a es a égia nacional pa a p e eni a
impo ação de casos e ga an i a ecupe ação in e na. A ní el in e no, oi p omo endo a
e oma do abalho e da p odução po ca ego ias.
O Minis é io dos Negócios Es angei os ( 外 交 部 ,
Wàijiāo bù
) e a Adminis ação
Nacional de Mig ação (国家移民管理局,
Guójiāyímín guǎnlǐjú
) anuncia am a suspensão
empo á ia de en ada de es angei os, mesmo que de en o es de is os ou au o izações de
esidência álidas45, que en ou em igo a 28 de ma ço de 2020. No mesmo dia, a
Adminis ação da A iação Ci il da China (中国民航局,
Zhōngguó mínháng jú
) anunciou a
edução dos oos in e nacionais46, ao ab igo do qual cada companhia aé ea só pode ia
45 Minis y o Fo eign A ai s o he People's Republic o China & Na ional Immig a ion Adminis a ion. (2020, Ma ch 26).
中华人
民共和国外交部、国家移民管理局关于暂时停止持有效中国签证、居留许可的外国人入境的公告 Zhōnghuá énmín gòngh
éguó wàijiāo bù, guójiāyímín guǎnlǐjú guānyú zhànshí íngzhǐchí yǒuxiào zhōngguó qiānzhèng, jūliú xǔkěde wàiguó én ùjìng
de gōnggào (Announcemen by he Minis y o Fo eign A ai s and he Na ional Immig a ion Adminis a ion on he empo a y suspe
nsion o en y by o eign na ionals holding alid Chinese isas o esidence pe mi s)
. h ps://www.nia.go .cn/n741440/n741542/c1
267259/con en .h ml
46 Ci il A ia ion Adminis a ion o China. (2020, Ma ch 26).
关于疫情防控期间继续调减国际客运航班量的通知 Guānyú yìqíng
37
ese a uma o a da China con inen al pa a qualque país, ope ando a é um oo po semana.
A 1 de ab il, passou a es a -se odos os passagei os que chegassem ao e i ó io chinês po
ia aé ea, ma í ima ou e es e. A 26 de ab il, odos os hospi alizados em Wuhan inham
ecupe ado.
(5) A no malização da p e enção e con olo nacional de epidemias (desde 29 de ab il
de 2020)
A epidemia em ap esen ando um ca á e espo ádico desde en ão, com aglome ados
locais. Os casos impo ados do ex e io o am con olados e a p e enção nacional da epidemia
en ou num pe íodo de es abilidade.
2.3 A coope ação mú ua
De aco do com uma en e is a dada po Cai Run à Rádio e Tele isão de Po ugal
(RTP)47 em ab il de 2020, desde o su gimen o da COVID-19 que a China e Po ugal
ap o unda am laços de coope ação em á ias á eas. O embaixado chinês em Po ugal
a i mou que
“
a China em o alecido a coope ação com a comunidade in e nacional, incluindo
os lados po uguês e eu opeu, de o ma abe a, anspa en e e esponsá el pa a comba e a
epidemia, e o neceu apoio e assis ência a po uguês no comba e à epidemia em odos os
aspe os” [
sic
]. A coope ação e e ida pelo embaixado es ende-se a di e sos se o es, incluindo
a p on a pa ilha de in o mações sob e a COVID-19 à comunidade in e nacional:
a) As au o idades chinesas ecebe am o ela ó io de um caso suspei o a 27 de
dezemb o de 2019, lançando de imedia o uma in es igação epidemiológica no dia 29;
b) No i ica am o icialmen e a OMS no dia 3 de janei o de 2020, e pa ilha am com es a
a sequência gené ica comple a do í us no dia 12;
áng kòng qíjiān jìxù diào jiǎn guójì kèyùn hángbān liàng de ōngzhī(No ice on con inuing o educe he olume o in e na ional passenge
ligh s du ing he epidemic p e en ion and con ol pe iod)
. h p://www.caac.go .cn/XXGK/XXGK/TZTG/202003/ 20200326_201746.h ml
47 Embassy o he People's Republic o China in he Republic o Po ugal. (2020, June 7).
Ambassado Cai Run's in e iew wi h
Ms. Pin o o RTP, in oducing China's e o s in igh ing COVID-19 and coope a ion wi h Po ugal and Eu ope in epidemic con ol,
and answe ing ela ed ques ions
. h p://p .china-embassy.go .cn/chn/sgd /202004/ 20200407_2965202.h m
38
c) Desde en ão, êm a ualizado os dados dia iamen e e espondido às p eocupações de
odas as pa es em empo opo uno. Com base nis o, os países pude am desen ol e
eagen es de diagnós ico e e o ça a capacidade pa a p e eni e con ola a epidemia.
A China disponibilizou os seus planos de p e enção e a amen o, pa a que a
comunidade in e nacional pudesse e uma e e ência. Man e e igualmen e uma comunicação
es ei a com o go e no po uguês, o Minis é io dos Negócios Es angei os, o Minis é io da
Saúde e a DGS, pa a es abelece um mecanismo egula de oca de in o mações e e o ça a
coo denação polí ica pa a comba e conjun amen e a epidemia. O país o ganizou
ideocon e ências de especialis as com países eu opeus, incluindo Po ugal, a im de di ulga
p á icas e expe iências chinesas no diagnós ico e a amen o clínico e oca pon os de is a
sob e o comba e à epidemia. Ou ossim, o neceu a Po ugal dados e manuais ace ca da sua
expe iência na p e enção e con ole da doença.
Em seguida, a China o neceu apoio ma e ial e assis ência a Po ugal e à Eu opa,
acili ando a aquisição de ma e iais de p e enção48. A China, incluindo p o íncias e municípios
ele an es, emp esas chinesas em Po ugal e expa iados chineses, es i e am a i os no apoio
a Po ugal em á ias á eas, doando po exemplo ma e iais de p e enção49.
Po ugal apoiou os es o ços ei os pela China pa a esponde à epidemia, a aliando
posi i amen e a coope ação daquele país com a comunidade in e nacional e con a iou
quaisque decla ações ou ações disc imina ó ias con a países ou g upos especí icos.
O ganizou igualmen e inicia i as pa a demons ação de apoio a Wuhan e à China a a és de
á ios meios, ais como doações de ma e iais de p e enção, chamadas ele ónicas, emails e
mensagens em linha. A Câma a Municipal de Lisboa ul apassou as di e enças pa idá ias e
ado ou po unanimidade a inicia i a "Jun amen e com a diáspo a chinesa". No âmbi o
despo i o, oi exibido o ca az "Fo ça China, es amos con igo!” (中国加油,我们与你同在!,
Zhōngguó jiāyóu, wǒmen yǔnǐ óng zài!
) du an e um jogo da P imei a Liga, en e o Spo
Lisboa e Ben ica e o Spo ing Clube de B aga.
48 Execu i e Diges . (2020, Ap il 2). Comunidade chinesa em Po ugal paga a iões da China com másca as, es es e en ilado es.
Execu i e Diges .
h ps://execu i ediges .sapo.p /no icias/comunidade-chinesa-em-po ugal-paga-a ioes-da-china-com-masca as- es es-e- e
n ilado es/
49 Lusa. (2020, Ma ch 23). Co ona í us: Go e no chinês doa ma e ial de apoio a Po ugal pa a comba e pandemia.
Público
. h p
s://www.publico.p /2020/03/23/sociedade/no icia/co ona i us-go e no-chines-doa-ma e ial-apoio-po ugal-comba e -pandemia-1909136
39
Figu a 13 – “Fo ça, China, es amos con igo!”
Du an e o comba e à epidemia, a pa ce ia es a égica global en e a China e Po ugal oi
ap o undada, p opo cionando uma panóplia de possibilidades de coope ação in ensi a em
á ias á eas no u u o.
40
Capí ulo III
Análise das eações de ambos os países à pandemia
41
A cul u a é a soma das ca ac e ís icas de um po o, e le indo a sua espi i ualidade, o
seu es ado men al, a sua o ma de pensa , os seus alo es. Há mui as di e gências en e as
cul u as o ien ais e ociden ais, di e enças que não podem se quali icadas como supe io es ou
in e io es, sendo obje i amen e o madas e dando o igem ao desen ol imen o con ínuo da
humanidade. É impossí el qualque nação pe de ou des aze -se da sua p óp ia cul u a
adicional. Uma imposição do ex e io ou uma dese ção do in e io não é a o á el ao
desen ol imen o das nações e à alo ização das sociedades. A di e ença mais ób ia en e as
cul u as o ien ais e ociden ais é, nes a pe spe i a, o indi idualismo e o cole i ismo.
A China é um país mul ié nico com uma his ó ia milena , o emen e moldado pelo
Con ucionismo, que in luencia de o ma p o unda a sociedade. Os chineses semp e u iliza am
a ideia de mode ação como um modo de ida clássico, o que eme e pa a a Dou ina do
Meio50 (中 庸 之 道 ,
Zhōngyōng zhīdào
) do Con ucionismo como eg a básica de
compo amen o. Os ideais con ucionis as de bene olência (仁,
Rén
), e idão (义,
Yì
), decência
(礼,
Lǐ
), sabedo ia (智,
Zhì
) e idelidade (信,
Xìn
)51 são como um guia do compo amen o
cole i o. Há que es uda a doçu a, a bondade, o espei o, a ugalidade, e a concessão, e
o gulho na modés ia e opo -se à au oexp essão excessi a. Po an o, a cul u a chinesa é
cole i is a, não pe mi indo que os alo es indi iduais sejam colocados acima dos in e esses do
g upo.
50 De aco do com o Dicioná io Mode no de Chinês, es a dou ina p opos a po Con úcio de ende neu alidade, sem excessos, sem
al as. Na ida e no abalho, há dois pon os de o ien ação mui o impo an es: o p imei o é a a as pessoas de uma o ma n
eu a. Não se a a de coba dia, nem de aqueza, mas sim de ole ância e co agem pa a supo a a al a de isibilidade. Depois,
é p eciso se mode ado na p ossecução dos obje i os. Não se a a de não lu a pelo p og esso, mas sim de não se demasia
do ambicioso, de es abelece obje i os den o das possibilidades e de acei a o esul ado com uma men alidade calma.
Guo, Y. P. (2014, Decembe 4). 浅谈“中庸之道” Qiǎn án “zhōngyōng zhīdào” (Uma b e e discussão sob e "A Dou ina do M
eio").
Rede de Memb os do Pa ido Comunis a.
h ps://www.12371.cn/2014/12/04/ARTI1417673303468241.sh ml
51 As cinco i udes cons an es do con ucionismo são bene olência, e idão, decência, sabedo ia e con iança. Con úcio p opôs as
ês p imei as, Mêncio ac escen ou sabedo ia e Dong Zhongshu expandiu-as pa a inclui con iança. Mais a de, passa am a se desi
gnadas como “cinco i udes cons an es”. A bene olência ep esen a o amo do homem, que não pensa apenas em si p óp io,
mas ambém nos ou os e em conside ação po eles. A e idão signi ica ajuda os ou os quando es ão em di iculdades. A decê
ncia signi ica que há di e enças de nob eza e in e io idade, de espei abilidade, de an iguidade e junio idade, e de p oximidade; a
s pessoas de em ado a um es ilo de ida e um compo amen o de aco do com o seu es a u o e a sua posição social e polí ic
a no seio da amília.
SOHU.com. (2019, Ap il 29). 仁义礼智信,学无止境 Rényì lǐzhì xìn, xué wú zhǐjìng (bene olência, e idão, decência, sabedo ia,
idelidade, ap endizado sem im).
SOHU.com
. h ps://www.sohu.com/a/311068306_650905
42
Já os alo es dominan es nos países ociden ais o am o emen e moldados du an e o
Renascimen o. A iloso ia o ien ado a do Renascimen o e a o humanismo, que se concen a a
no indi íduo, p omo ia a p imazia do indi idualismo e da au oexp essão. O concei o de
"modés ia" na cul u a ociden al é negligenciá el; as pessoas alo izam o " o e" e o "he oico".
Aqueles que são o es e alen osos são ap eciados, os que são acos e ca ecem de
au ocon iança são esquecidos. A cul u a ociden al enca na assim uma iden idade cul u al
indi idualis a, exal ando o alo do indi íduo acima dos in e esses do g upo52.
3.1 Indi idualismo e Cole i ismo em Po ugal e na China
3.1.1 Indi idualismo e Cole i ismo em Po ugal
O indi idualismo é uma a i ude mo al, iloso ia polí ica, ideologia e isão da sociedade
que en a iza o alo in ínseco do indi íduo. Os indi idualis as p omo em a ealização de
obje i os e ambições pessoais, a impo ância da independência e au ossu iciência e a
p io idade dos in e esses indi iduais sob e o Es ado ou g upo social, ao mesmo empo que se
opõem à in e e ência ex e na nos in e esses indi iduais. Essencialmen e, é uma isão do
mundo que pa e da sup emacia do indi íduo, colocando a sociedade e as elações humanas
ao ní el indi idual. A sociedade é apenas um meio pa a a ingi um im indi idual, sendo odos
os indi íduos conside ados, assim, mo almen e iguais.
A geog a ia elaciona-se in imamen e com a cul u a local. Jean Bodin53, o iginado
ancês de es udos sob e geog a ia polí ica, conside ou que o ambien e geog á ico consis e na
localização, clima, opog a ia e p odução ag ícola, a o es que in luenciam di e amen e os
ideais, cul u a, psicologia, o ma ísica e modo de ida do po o e, indi e amen e, a polí ica.
Be ço da democ acia e da ci ilização ociden al, a G écia An iga é uma e e ência
ob iga ó ia da cul u a ociden al. Do pon o de is a geog á ico, possuía um clima medi e ânico
e uma e a agmen ada pelo ma . Os po os e a pesca e am de suma impo ância pa a a
52 Wu, B. (2009). 西方个人主义传统的渊源与发展, Xī āng gè én zhǔyì chuán ǒng de yuānyuán yǔ āzhǎn (A o igem e o de
sen ol imen o da adição ociden al do indi idualismo).
Pon e do Século, 21
, 56-58.
53 Jean Bodin (1530 - 1596) oi um ju is a e ilóso o ancês, memb o do Pa lamen o e p o esso de Di ei o em Toulouse. É conhecido pela
sua Teo ia da Sobe ania do Es ado, independen e de in luências in e nas e ex e nas. Os seus es udos con ibuí am signi ica i amen e pa a o
a anço dos concei os de sobe ania e absolu ismo dos Es ados.
43
p ospe idade come cial - o luc o e a igualdade e am as me as comuns, cons i uindo uma
consciência social egocên ica na base do indi idualismo54.
Du an e a época dos Descob imen os, Po ugal o nou-se uma das po ências ma í imas
mais pode osas da Eu opa, con olando as p incipais o as do comé cio mundial e
es abelecendo um g ande núme o de pos os de comé cio e colónias. O sucesso e as
conquis as dos na egado es e am conside ados p imo diais; a libe dade indi idual e a
independência e am alo izadas. Os me cado es explo a am não apenas no as opo unidades
come ciais, mas ambém no as ins i uições sociocul u ais, que e le i am alo es cada ez
mais indi idualis as. En e os séculos XV e XIX, Po ugal cons uiu um as o impé io colonial,
ocupando e i ó ios que incluem os a uais B asil, Índia, Angola e Moçambique, en e ou os.
O concei o de indi idualismo oi amplamen e ado ado no domínio colonial, dando, po
exemplo, aos go e nado es as os pode es pa a oma em as suas p óp ias decisões sob e
assun os polí icos, económicos e sociais nos e i ó ios colonizados. Es es a o es con ibuí am
pa a uma maio di usão do indi idualismo.
A base económica de e mina a supe es u u a. P o ágo as55, ilóso o da G écia An iga,
p opôs que "o homem é a medida de odas as coisas". Du an e o pe íodo soc á ico, o oco da
in es igação ilosó ica ociden al ans e iu-se da na u eza pa a o p óp io homem. Sóc a es56
a i mou que " i ude é conhecimen o", sendo que pa a que um homem seja i uoso de e se
acional e conhecedo . Com o Renascimen o, a Re o ma e o Iluminismo, o indi idualismo do
Ociden e desen ol eu-se ainda mais. Os pensado es humanis as en a iza am a emancipação
do indi íduo, a i ma am os di ei os humanos e ejei a am a au o idade di ina; a Re o ma
a i mou o alo e o papel do indi íduo e a ideia de que odos pode iam comunica di e amen e
com Deus; o iluminis a Thomas Hobbes57 suge iu que o alo do indi íduo não pode se
igno ado, que em e mos de ida eal, que em e mos de c enças eligiosas58.
54 Wu, B. (2009),
a . ci .
55 P o ágo as (c. 490 a.C. - c. 420 a.C.) oi um ilóso o g ego p é-soc á ico e eó ico e ó ico.
56 O a eniense Sóc a es (470-399 a.C) é c edi ado como o undado da iloso ia ociden al e um dos p imei os ilóso os mo ais da adição
é ica do pensamen o.
57 O ilóso o inglês Thomas Hobbes (1588 - 1679) é conside ado um dos undado es da iloso ia polí ica mode na.
58 Liu, S. (2017). 中国集体主义与西方个人主义价值观之对比 Zhōngguó jí ǐzhǔyì yǔxī āng gè én zhǔyì jiàzhíguān zhīduì
bǐ(Uma compa ação dos alo es do cole i ismo chinês e do indi idualismo ociden al).
Ma e iais Cul u ais e Educa i os, (6)
, 94-9
44
Po ugal é um país ca ólico, eligião que en a iza o li e a bí io e a esponsabilidade do
indi íduo pelas suas p óp ias ações. Cada pessoa é uma c iação de Deus, em dignidade e
alo , e de e pensa independen emen e.
Nes e sen ido, é possí el indaga sob e o quão indi idualis a é a cul u a po uguesa, sob
uma pe spe i a da Dimensão Cul u al, um quad o eó ico desen ol ido no inal dos anos 1960
po Gee Ho s ede59, des acado psicólogo social, pa a explica di e enças cul u ais em
di e en es países. Ho s ede esc e eu o amoso li o "O Fim da Cul u a", baseado em dados
ecolhidos de um o al de 116.000 ques ioná ios em 40 países e em 20 línguas em e mos de
a i udes e alo es, que ab angem desde abalhado es a dou o ados e ges o es de opo.
Inicialmen e, ele di idiu as o ien ações de alo das di e en es cul u as em qua o dimensões
básicas: 1. dis ância ao pode , 2. indi idualismo e cole i ismo, 3. índice de p e enção de
ince eza e 4. masculinidade e eminilidade. Mais a de, o am ac escen adas duas
dimensões: 5. o ien ação a longo p azo e 6. indulgência s es ição.
Figu a 14 - As seis dimensões cul u ais na China e Po ugal
6.
59 Ge a d Hend ik (Gee ) Ho s ede (2 de ou ub o de 1928 - 12 de e e ei o de 2020) oi um psicólogo social holandês, uncioná io da IBM, e
p o esso emé i o de An opologia O ganizacional e Ges ão In e nacional na Uni e sidade de Maas ich , bem conhecido pela sua in es igação
pionei a sob e g upos e o ganizações anscul u ais.
45
De aco do com a explicação o icial,
Po ugal, in compa ison wi h he es o he Eu opean coun ies (excep o Spain)
is Collec i is (because o i s sco e in his dimension: 27). This is mani es in a
close long- e m commi men o he membe ‘g oup’, be ha a amily, ex ended
amily, o ex ended ela ionships. Loyal y in a collec i is cul u e is pa amoun ,
and o e - ides mos o he socie al ules and egula ions. The socie y os e s
s ong ela ionships whe e e e yone akes esponsibili y o ellow membe s o
hei g oup.
Po ugal ap esen a um equilíb io en e cole i ismo e indi idualismo. Po um lado, o po o
po uguês alo iza a amília e a comunidade, as elações in e pessoais e a coope ação mú ua,
e há uma c ença gene alizada de que os indi íduos de em abalha pa a o bem das suas
amílias e comunidades, em ez de pe segui em os seus p óp ios in e esses. O go e no
ambém implemen ou uma sé ie de polí icas cole i is as, ais como nacionalizações60 e um
sis ema de bem-es a social61, logo após a Re olução do 25 de ab il.
Po ou o lado, de ido a a o es his ó icos e cul u ais, os po ugueses ambém
demons am um al o g au de indi idualismo; p eocupam-se com a p o eção das libe dades e
di ei os consag ados na Cons i uição Po uguesa, de endendo-os a i amen e, nomeadamen e:
libe dade de exp essão, libe dade eligiosa, libe dade de eunião e libe dade de imp ensa. Os
po ugueses p eocupam-se com a p i acidade, eg a ge al, man êm ce a dis ância e
independência em si uações amilia es e sociais, e não in e e em acilmen e nos assun os
p i ados dos ou os; p eocupam-se com a ealização pessoal, buscando sucesso e espei o
a a és do seu es o ço e c ia i idade.
60 Após a Re olução de Ab il de 1974, o go e no po uguês nacionalizou mui as indús ias e emp esas impo an es, incluindo o se o das
elecomunicações, pe óleo, a iação, na egação, e o ias, bancos, e c. O p incipal obje i o dessas emp esas nacionalizadas e a esponde
aos in e esses es a égicos e económicos do país, e não a busca de luc o.
61 O sis ema de bem-es a social p essupõe apoios na á ea da saúde, pensões, subsídio de desemp ego, abonos de amília, licença de
ma e nidade e pa e nidade, en e ou os, p oje ados pa a o nece p o eção e assis ência aos g upos des a o ecidos, eduzi a p essão social
e melho a a qualidade de ida de odos.
52
à sua e a na al (Figu a 16). No con ex o u banizado da China, a mobilidade e a sepa ação
amilia são a no ma, pelo que as b e es euniões são p eciosas. Con udo, de ido à COVID-19,
o Pa ido ez um cla o apelo ao con inamen o em casa (居家隔离,
Jūjiāgélí
) e o país in ei o
espondeu posi i amen e.
Figu a 16 – Mobilidade habi ual du an e o Ano No o Chinês
O amoso di ado de Mêncio (孟子,
Mèngzǐ
) - “ao apoia e hon a os mais elhos, não
nos de emos esquece dos ou os anciãos que não são nossos pa en es. Ao educa os
p óp ios ilhos, não nos de emos esquece das ou as c ianças que não são nossas
pa en es”70 - signi ica que o concei o chinês de amília se es ende ao elacionamen o com os
ou os, a sociedade e o Es ado. A epidemia demons ou que a elação en e amília e Es ado
pe manece a ped a angula da es u u a social da China. A polí ica nacional é dominada pelos
in e esses do po o, e o amo do po o pelo país e pela amília, cha e pa a a es abilidade e
p ospe idade. A i ó ia con a a epidemia de eu-se ao espí i o de cole i ismo g a ado no po o
chinês.
70 O iginal: “老吾老以及人之老,幼吾幼以及人之幼” (
lǎo wú lǎo yǐjí én zhīlǎo, yòu wú yòu yǐjí én zhīyòu
). Mêncio ou Mencius, (c.
372 a.C - 289 a.C) oi um ilóso o, pensado e educado do pe íodo dos Es ados em Gue a, ep esen an e da escola de pensamen o
con ucionis a.
53
3.2 Dis ância ao Pode em Po ugal e na China
A dis ância ao pode , a pa i de dimensão cul u al de Ho s ede, mede o g au em que o
pode é concen ado e a lide ança é au o i á ia numa o ganização, bem como o g au em que
uma sociedade pode acei a ais desigualdades na dis ibuição do pode . Nes a dimensão, a
China ob e e 80 pon os e Po ugal 63, indicando que a desigualdade é acei á el nos dois
países.
Na sociedade chinesa, as elações en e che ias e subo dinados endem a se
pola izadas, os indi íduos são in luenciados pela au o idade o mal e pelas sanções, há um
o imismo ge al sob e a capacidade dos líde es, mas as pessoas não de em aspi a a mais do
que sua ca ego ia. Na sociedade po uguesa, es a desigualdade é ela i amen e pio acei e,
mas a maio ia dos cidadãos acei a a exis ência de alguma desigualdade e hie a quias.
3.2.1 Dis ância ao Pode em Po ugal
Po ugal egis a uma dis ância ao pode ela i amen e ele ada, o que signi ica que
pe sis em di e enças no es a u o social en e as pessoas e uma dis ibuição do pode e da
iqueza desigual. Em al sociedade, exis e um ní el ela i amen e ele ado de acei ação da
au o idade e do pode , bem como da hie a quia social. No local de abalho, as elações en e
supe io es e subo dinados são equen emen e igo osas. Os abalhado es de em segui as
ins uções dos seus líde es e a comunicação en e hie a quias ende a se unila e al. Também
há uma endência pa a espei a as di e enças de idade e es a u o, sendo que as pessoas
mais elhas, as de opo e as de au o idade êm ge almen e um es a u o mais ele ado na
sociedade. Tal si uação pode se a ibuída a uma a iedade de a o es, incluindo his ó ia,
cul u a e desen ol imen o económico.
Po ugal em uma longa his ó ia, uma es u u a social ela i amen e es á el e um
p o undo sen ido de adição. Em 1139, D. A onso Hen iques au oin i ulou-se ei e, poucos
anos depois, o Condado Po ucalense o nou-se um eino independen e sob a sua lide ança. O
sis ema eudal impac a a p o undamen e a es u u a e alo es sociais, ca ego izando as
pessoas po classes: po um lado exis ia a nob eza, que possuía e as, pode polí ico ou
54
cle ical, po ou o ha ia o po o, cons i uído po ag icul o es ou a esãos endei os, si uados no
undo da escada social. Es e legado his ó ico e e um p o undo e ei o sob e a dis ância ao
pode na sociedade po uguesa.
A pa i do século XVI, Po ugal o nou-se uma impo an e po ência ma í ima e, no seu
apogeu, oi uma po ência económica, polí ica e mili a na Eu opa. En e os séculos XVI e XIX,
Po ugal con inuou a sua expansão colonial, que du ou quase 600 anos, cons uindo um as o
impé io que incluía pa es de 53 e i ó ios. Nes as colónias, a o ça do abalho e a ga an ida
po esc a os desp o idos de di ei os e libe dades básicas, que i iam em condições
ex emamen e di íceis, o que exace bou ainda mais a exis ência de ais dispa idades. A
sociedade po uguesa con inuou inclinada a acei a desigualdades de pode e de es a u o.
Pa a além disso, em Po ugal as c enças eligiosas exe cem ainda um p o undo impac o
sociocul u al.
A população po uguesa é maio i a iamen e ca ólica, de ido sob e udo à adição
e às ci cuns âncias his ó icas que Po ugal e e e i eu no passado. Os ca ólicos,
segundo os censos de 2011, compõem ce ca de 81% da população po uguesa,
con e indo, po isso, à Ig eja Ca ólica uma conside á el in luência jun o da
sociedade, embo a ago a não an o como ou o a71 .
Figu a 17 - Dis ibuição da população po uguesa quan o à eligião nos censos de 1900, 1940, 1950, 1960, 1981, 1991, 2001, 2011 e
2021
71 Ins i u o Nacional de Es a ís ica (INE),
Censos 2011
.
55
O ca olicismo, cujos alo es adicionais alo izam noções de lealdade, obediência e
e e ência, en a iza o emo e lealdade a Deus e à au o idade da Ig eja, que se pode es ende
à iden i icação com a au o idade polí ica, social e económica. Es es concei os a o ecem um
alo au o i á io na sociedade, le ando a uma maio endência de acei ação como azoá el da
desigualdade de pode e de es a u o. De o ma concomi an e, os alo es ca ólicos adicionais
con ibuí am, em ce a medida, pa a um indi idualismo não pu amen e egocên ico, pois
sublinha a in e ação en e o indi íduo e a sociedade. Os indi íduos de em agi de aco do com
no mas mo ais e não na pu a busca do in e esse p óp io. Es a adição con ibuiu pa a a
impo ância que se a ibui aos di ei os humanos e à igualdade, en a izando a dignidade e
di ei os do indi íduo, especialmen e dos g upos ulne á eis.
Po ugal é um país desen ol ido, memb o da União Eu opeia, com uma base indus ial
aca. Têx eis, calçado, ini icação e u ismo são os pila es da economia nacional. A p odução
de co iça é esponsá el po mais de me ade da p odução o al mundial e a sua expo ação
ocupa o p imei o luga no mundo. O c escimen o económico é desigual, concen ado nas
cidades e nas mãos de poucos, enquan o as pessoas das zonas u ais, mais pob es, são
equen emen e incapazes de pa icipa nos di idendos do c escimen o económico. Is o le ou
a uma dis ibuição dissemelhan e de ecu sos e c iou di iculdades pa a os des a o ecidos no
acesso a bene ícios e ecu sos sociais adequados, aduzindo-se numa pola ização das classes
sociais e num aumen o da desigualdade.
Todos es es a o es con ibuem pa a a dis ância ao pode ela i amen e ele ada na
sociedade po uguesa e as di e enças hie á quicas en e supe io es e subo dinados.
3.2.1.1 Re lexões sob e a Dis ância ao Pode em Po ugal
Nas sociedades com uma al a dis ância ao pode exis e um ele ado g au de
iden i icação com a dis ibuição do pode e da hie a quia, sendo comum o espei o e a
obediência à au o idade, com menos ên ase na igualdade e nos di ei os indi iduais. Is o
56
ambém signi ica que a au oexp essão e o desen ol imen o indi idual são mais es i os e a
desigualdade ela i amen e mais p e alecen e. Se ele ada dis ância ao pode é conducen e a
uma o dem social es á el e a sis emas de ges ão e icazes, é ambém p opensa ao abuso de
pode e à injus iça.
Po ém, a acei ação de dis ibuição do pode não é uni e sal; as hie a quias não são
ixas e impene á eis, as libe dades e di ei os indi iduais são ga an idos a é ce o pon o e a
es u u a social é mais lexí el e iguali á ia. Os cidadãos no malmen e espei am as igu as de
au o idade, mas ambém a en am na libe dade e di ei os indi iduais, alo izam a igualdade e a
jus iça. Sob es a es u u a social, o pode não es á in ei amen e concen ado nas mãos de
poucos, as pessoas comuns es ão ela i amen e bem posicionadas pa a e em oz e
opo unidade de pa icipa em na omada de decisões. As sociedades com uma dis ância ao
pode ela i amen e ele ada endem a se mais iguali á ias do que as es an es. Es a es u u a
social é p opícia à au oexp essão e desen ol imen o indi idual e, ao mesmo empo, pe mi e o
es abelecimen o de uma o dem social es á el e de sis emas de ges ão e icazes.
Po ugal é uma epública com um sis ema de go e no uni á io semip esidencial, onde a
dis ibuição do pode é mais cen alizada e a omada de decisões é ela i amen e e icien e.
Es a dimensão cul u al e le iu-se na omada de decisões cen alizada das medidas de
comba e à pandemia, de o e implemen ação e de manu enção da o dem social. O go e no
omou uma sé ie de medidas pa a con ola a epidemia, ais como es ições à ci culação e
ence amen o de escolas; aumen o dos ecu sos médicos, e o ço dos es es e do
isolamen o, edução dos impos os sob e as emp esas e concessão de subsídios de
desemp ego. Nes a sequência, c iou ambém o Comi é Nacional de Eme gência, compos o
po di igen es go e namen ais e ep esen an es de á ias á eas da sociedade, pa a
desen ol e e implemen a medidas de p e enção. Foi igualmen e c iado um ó gão egulado ,
a Agência de Respos a de Eme gência, com unções de coo denação e supe isão. Es as
ins i uições acili a am a omada de medidas opo unas e e icazes.
Em e mos de implemen ação, o go e no e o çou a de eção e isolamen o de casos
suspei os e con i mados e aumen ou os ecu sos médicos. No que espei a à manu enção da
o dem social e da segu ança pública, es ingiu a ci culação de pessoas, e o çou o
des acamen o da polícia e sancionou as iolações, ao mesmo empo que in o ma a o público
57
sob e a epidemia em empo ú il, ga an indo a anspa ência, pa a e i a umo es.
Regis ou-se uma ele ada acei ação da au o idade, com a maio ia da população a
cump i as o ien ações o iciais sob e con inamen os, u ilização de másca as, e c. Os
po ugueses e o ça am o seu sen ido de solida iedade social e coope ação, apoiando-se
mu uamen e e ajudando os g upos ulne á eis na lu a con a a epidemia. Con udo, dado que
as pessoas ambém se p eocupa am com a p o eção dos seus di ei os à p i acidade e à
libe dade pessoal, hou e uma sé ie de iolações, nomeadamen e mani es ações. Nes e
con ex o, o go e no p ocu ou não in ingi di ei os indi iduais undamen ais, equilib ando
e iciência e jus iça, enquan o en a a con ola a epidemia de o ma a empada e e icaz.
Ba os e al. (2023) sublinham a sin onia en e che e de Es ado, Pa lamen o e di eção
da DGS na condução de uma go e nança cen alizada pa a coo dena a espos a nacional, em
cons an e diálogo com um Comi é cien í ico de aconselhamen o e a nomeação de cinco
sec e á ios de Es ado pa a execu a o es ado de eme gência, bem como a impo ância da
es abilidade polí ica pa a c ia um consenso en e a população72.
3.2.2 Dis ância ao Pode na China73
O Con ucionismo em desempenhado um papel indelé el na cul u a adicional chinesa,
in luenciando a economia, a polí ica, o Di ei o e odos os aspe os da ida social. Du an e o
Pe íodo de Chunqiu (春 秋 时 代 ,
chūnqiūshídài
, 770 a.C. - 476 a.C. ) e o Pe íodo dos
Es ados Comba en es (战国时代,
zhànguó
shídài, 475 a.C./403 a.C. – 221 a.C.), quando a
China ansi a a de uma sociedade esc a a pa a uma sociedade eudal e a posição do
go e nan e ainda não es a a segu a, a sua elação com os súbdi os e a de espei o mú uo, ou
seja, ha ia uma isão hie á quica de bene olência, sem g ande dis inção en e supe io e
subo dinado. Con úcio ad oga a que as pessoas de e iam ama -se de igual pa a igual, e
compaixão e espei o mú uos, sob o p incípio mo al sup emo da bene olência. A hie a quia
72 (Ba os e al., 2023)
73 Gao, Y. (2014). 等级中构建秩序——儒家礼教思想发展演变研究 Děngjí zhōng gòujiàn zhìxú - újiālǐjiào sīxiǎng āzhǎn
yǎnbiàn yànjiū(Cons ui a o dem na hie a quia - Um es udo sob e o desen ol imen o e a e olução do pensamen o i ual con uci
onis a).
Teo ia Académica, (5)
, 46-48.
58
anunciada nos Analec os de Con úcio “que o ei seja um ei, o minis o seja um minis o, o pai
seja um pai e o ilho seja um ilho”74, baseada no concei o de bene olência, des ina a-se a
assegu a que go e nan e, súbdi o e ilho cump issem os seus de e es e ob igações e se
man i essem iéis. Mêncio, ilóso o chinês já ci ado an e io men e, ambém conside ou que a
elação en e go e nan e e sujei o e a de igualdade ao a i ma :
se um go e nan e a a o seu súbdi o como a sua mão e pé, en ão o seu súbdi o
a á-lo-á como o seu co ação; se ele a a o seu súbdi o como o seu cão e
ca alo, en ão o seu súbdi o a á-lo-á como um anseun e; se ele a a o seu
súbdi o como uma e a mu cha, en ão o seu súbdi o a á-lo-á como um
inimigo
75.
Du an e o einado do impe ado Wu ( 汉 武 帝 ,
Hàn wǔdì
), sé imo go e nan e da
dinas ia Han76 (汉朝,
Hàn cháo)
, conhecido po se um es adis a e es a ega ex ao diná io, a
sociedade eudal en ou num pe íodo de p ospe idade g aças ao desen ol imen o das o ças
p odu i as. Nes e pe íodo, o aleceu-se a cen alização do pode absolu o. O ilóso o Dong
Zhongshu (董仲舒,
dǒngzhòngshū
)77 ap esen ou a ideia, 罢黜百家,独尊儒术”78 (
bàchù
bǎi jiā, dú zūn úshù
); a classe dominan e monopolizou es e pensamen o e usou o pode
polí ico pa a p omo e a sua ideologia, eco endo aos i uais con ucionis as pa a subme e o
po o. Dong suge iu o di ei o di ino dos eis, ac edi ando que o impe ado e a sac ossan o e,
74 O iginal: 君君 、臣臣、父父 、子子 (
jūn jūn, chén chén, ù ù, zǐzǐ
).
75 O iginal: “君主对待臣民如手足,则臣民对待他如心;对待臣民如狗马,则臣民对待他,如过路人;如臣如枯草,则臣
将视之如敌” (
Jūnzhǔduìdài chénmín ú shǒuzú, zé chénmíng duìdài ā ú xīn; duìdài chénmín ú gǒu mǎ, zé chénmíng duìdài ā, ú guòlù
én; ú chén ú kūcǎo, zé chén jiāng shì zhī ú dí
.). De “Mencius”, ob a clássica do con ucionismo, esc i a po Mêncio e seus discípulos Wan
Zhang e Gongsun Chou du an e o Pe íodo dos Es ados Comba en es.
76 A dinas ia Han p olongou-se en e 206 a.C. e 220 d.C. e oi go e nada pela amília conhecida como o clã Liu. Os 400 anos
co esponden es à dinas ia Han são conside ados um dos g andes pe íodos his ó icos da China.
77 Dong Zhongshu (179 a.C. - 104 a.C.) combinou os ideias con ucionis as com as necessidades sociais da época e abso eu ou as eo ias
pa a c ia um no o sis ema de pensamen o, o nando-o uma o odoxia que in luenciou a sociedade chinesa po mais de dois mil anos. A sua
escola es a a cen ada no pensamen o pa ia cal con ucionis a, mis u ado com os cinco elemen os do
yin
e
yang
. A es e in eg ou o pode
di ino, o pode moná quico, o pode pa e nal e o pode conjugal, o mando um sis ema eológico impe ial.
78 Is o é, aboli as ou as ideias e espei a apenas as dou inas do con ucionismo.
59
pa a man e a o dem eudal de go e no, usou a eo ia de que
Yang
(阳,
Yáng
, o go e nan e, o
pai, o ma ido) é supe io e
Yin
(阴,
Yīn
, o súbdi o, o ilho, a esposa) é in e io . O
Yin
só pode
e o seu alo , desde que seja compa í el com
Yang
. Es e ilóso o ambém explo ou o
concei o hie á quico “君君、臣 臣、父父 、子子” (
Jūn jūn, chén chén, ù ù, zǐzǐ
) nos T ês
Guias Ca deais e Cinco Vi udes Cons an es79 (三纲五常,
sāngāngwǔcháng
), a sabe : "o
go e nan e é o esboço dos seus súbdi os, o pai é o esboço dos seus ilhos, e o ma ido é o
esboço da sua esposa”80 e os ideais de bene olência, e idão, decência, sabedo ia e
idelidade. Após a e isão des e pensamen o po con ucionis as Han como o p óp io Dong, a
isão hie á quica bene olen e do Con ucionismo p imi i o deu luga a uma hie a quia eudal
ígida que pene ou em odos os aspe os da polí ica e da é ica do Es ado.
Mais a de, a escola do Neocon ucionismo, lide ada po pensado es com longa
expe iência de lu a e in eg ação en e Con ucionismo, Budismo e Taoísmo, eio de ende que
o p incípio81 (理,
Lǐ
) é omnip esen e e o undamen o mais ele ado da sociedade, ele ando os
pad ões mo ais do eudalismo a p incípios celes iais in iolá eis, usando-os pa a jus i ica a
mo alidade humana e exigi obediência absolu a. Em ha monia com os
T ês Guias Ca deais e
Cinco Vi udes Cons an es
, Zhu Xi (朱熹,
zhūxī
)82 ca ego izou as elações humanas em cinco
é icas (五伦,
Wǔlún
): pai e ilho, mais elho e mais no o, ma ido e mulhe , go e nan e e
súbdi o, e amigos. Segundo aquele ilóso o, as cinco hie a quias não e am adqui idas, mas
o ganizadas ao nasce , não sendo possí el al e á-las ou ansg edi-las. As cinco é icas
co espondem a cinco p incípios mo ais: há pa en esco en e pai e ilho, o dem en e os
jo ens e os idosos, sepa ação en e ma ido e mulhe , jus iça en e go e nan e e súbdi o e
con iança en e amigos. Zhu Xi de endeu que a lealdade ao go e nan e e a piedade ilial e am
79 Os T ês Guias Ca deais e Cinco Vi udes Cons an es são as ês elações humanas e as cinco i udes mais impo an es, de aco do com
os p ecei os do Con ucionismo, conside ados os equisi os mo ais e polí icos, bem como a e e na e imu á el "essência da ida e dos laços da
sociedade". A exp essão e e o igem no li o "O alho Luxu ian e dos Anais da P ima e a e do Ou ono" (春秋繁露,
ChūnqiūFánlù
) de Dong
Zhongshu, publicado du an e a dinas ia Han Ociden al.
80 O iginal: “君为臣纲,父为子纲,夫为妻纲”(
Jūn wèi chén gāng, ù wèi zi gāng, ūwèi qīgāng
).
81 O p incípio é a o igem de odas as coisas no uni e so. A a és da in es igação da azão das coisas, podemos alcança a e dade. O
p incípio é usado pa a cla i ica a lógica no mal do mo imen o das coisas; o seu obje i o é o na cla as as nossas esponsabilidades e
ob igações, com base no au ocon olo.
82 Zhu Xi (1130-1200) oi um cien is a, pensado , ilóso o, educado e poe a chinês da dinas ia Song do Sul (宋朝,
Sòngcháo
).
60
as duas é icas mais impo an es, que as leis do Es ado de e iam se baseadas nas elações
humanas como c i é io de bem e do mal e como pad ão de punição. Se um subo dinado
o endesse um supe io , de ia se ep eendido, mesmo que al o ensa osse jus i icá el.
Du an e as dinas ias Ming (明朝,
Míng cháo
, 1368-1644) e Qing (清朝,
Qīngcháo
,
1636-1912), o capi alismo desen ol eu-se no e i ó io chinês e pensado es como Kang
Youwei83 e Tan Si ong84 o am in luenciados pelo pensamen o ociden al, p omo endo
igo osamen e a ideologia de libe dade, igualdade e a e nidade. As pessoas começa am a
libe a -se de hie a quias e i uais, pa a pe segui em a ideia de igualdade. Embo a o
Con ucionismo começasse a dissipa -se, depois de se a ideologia dominan e nos empos
an igos, pe meou g adualmen e odos os aspe os da ida social e o nou-se o pad ão de
condu a do po o chinês, con inuando i o a é hoje.
3.2.2.1 O cen alismo democ á ico
Desde o início que oda a China conce ou es o ços pa a comba e o no o co ona í us.
O go e no c iou apidamen e um mecanismo de espos a de eme gência, euniu ecu sos
nacionais e omou medidas ab angen es, igo osas e minuciosas. A ápida o mação de uma
en e unida con a a epidemia e a endência obje i a de melho ia é um impo an e e lexo da
o ça da lide ança cen alizada e uni icada do Pa ido Comunis a Chinês.
O cen alismo democ á ico sob a lide ança do Pa ido ajuda a concen a o pode nas
g andes ques ões. O Pa ido lide a de o ma c edí el em assun os nacionais; uma o dem
bas ou pa a que dezenas de milhões de pessoas deixassem de ci cula em Wuhan; pa a que
1,4 mil milhões de chineses icassem em casa; a o ça aé ea anspo ou apidamen e
dezenas de milha es de oneladas de equipamen os e sup imen os; dezenas de milha es de
médicos o am pa a a linha de en e; um g ande núme o de abalhado es oi chamado pa a
cons ui o Hospi al Huoshenshan em dez dias, e assim po dian e. Inúme as pessoas ize am
sac i ícios, chegando a da a ida, pa a ence a epidemia. O ac o de o país e conseguido
83 Kang Youwei (1858-1927) oi um pensado do inal da dinas ia Qing e p incipal iniciado da Re o ma dos Cem Dias.
84 Tan Si ong (1865-1898) oi um pensado do inal da dinas ia Qing e p incipal iniciado da Re o ma dos Cem Dias.
61
uma o e execução baseada na conce ação de es o ços oi uma eno me an agem
ins i ucional.
O cen alismo democ á ico é o p incípio o ganizacional undamen al e o sis ema
de lide ança do Pa ido Comunis a da China, e é um símbolo impo an e que
dis ingue os pa idos ma xis as de ou os pa idos polí icos. Ele combina
democ acia e cen alização, impedindo e supe ando e e i amen e o
descen alização da discussão sem decisão e decisão sem ação. Um dos seis
p incípios básicos é que os memb os indi iduais do Pa ido es ão subo dinados à
o ganização do Pa ido, que a mino ia es á subo dinada à maio ia, que as
o ganizações es ão subo dinadas às o ganizações supe io es, e que odas as
o ganizações do Pa ido e os memb os do Pa ido es ão subo dinados ao
Cong esso Nacional e ao Comi é Cen al do Pa ido85
Mao Tse Tung disse: "Não há nenhuma ala p o unda en e democ acia e cen alização
que não possa se a a essada". Pa a ele, democ acia e a cen alização e libe dade e a
disciplina; dois lados que são con adi ó ios e uni icados. A implemen ação do cen alismo
democ á ico p e ende c ia uma si uação polí ica que combine an o cen alização como
democ acia, disciplina como libe dade. A um ní el espi i ual, a milena cul u a con ucionis a
de e mina a hie a quia que pe sis e na sociedade chinesa; enquan o ao ní el ins i ucional, o
cen alismo democ á ico consolida a hie a quia.
3.3 Indulgência em Po ugal e na China
A indulgência, enquan o dimensão cul u al, mede o g au em que as pessoas en am
con ola desejos e impulsos. A indulgência implica um con olo mais aco e, po sua ez, a
con enção implica um con olo mais o e.
A China ap esen a 24 pon os no índice de indulgência, indicando que se a a de uma
85 Qiu Shi Wang Ping Lun Yuan. (2023, Decembe 25). 民主集中制是我们党的根本组织原则和领导制度
Minzhu jizhongzhi shi
women dang de genben zuzhi yuanze he lingdao zhidu (Democ acia cen alizada é o p incípio o ganizacional undamen al e sis ema de
lide ança do nosso pa ido).
QSTHEORY:CN. h p://www.qs heo y.cn/wp/2023-12/25/c_1130043916.h m
68
As pandemias são, po de inição, enómenos globais, pelo que az sen ido se em
analisadas de uma pe spe i a in e nacional. Além disso, não são apenas um ac o sani á io e
epidemiológico; mas “igualmen e um ac o polí ico e social, pois a sua p opagação depende
não só da na u eza do í us, mas ambém da o ma como unciona e se o ganiza a
comunidade po ele a ingida”89.
Como opo unamen e e le imos, no p imei o capí ulo des a disse ação, a epidemia
e e impac os em qua o g andes á eas: económica, polí ica, cul u al e educacional. Na á ea
económica, egis ou-se um eno me impac o global, com mui as emp esas a en en a em o
ence amen o e o desemp ego o çado dos seus colabo ado es, e mui as indús ias a so e em
g a es p ejuízos. Poli icamen e, a epidemia e e um impac o igualmen e p o undo, com
mui os países a a alia em a e icácia de medidas de p e enção da epidemia e as suas
consequências na es abilidade social. A pandemia e e ainda um impac o sob e os hábi os
cul u ais, adições e c enças, es ando a adap abilidade e esiliência das cul u as. Na á ea da
educação, desa iou o calendá io escola , os modelos de ensino e os p ocessos de
ap endizagem, acili ando, ao mesmo empo, o desen ol imen o de no os modelos
educa i os.
No segundo capí ulo, o am ap esen adas as medidas omadas po Po ugal e pela
China du an e a epidemia e os esul ados alcançados. A China omou medidas mais igo osas
pa a con ola a epidemia, isolando cidades e es ingindo a ci culação de pessoas, ao mesmo
empo que in ensi ica a es o ços no desen ol imen o e p odução de acinas. O go e no
po uguês oi mais b ando nas ases iniciais, mas, à medida que a epidemia se in ensi icou,
o am omadas medidas mais igo osas, como o es ado de eme gência. A es a égia nacional
da China de concen a os seus es o ços nas p incipais ques ões e le iu-se na e icácia do
con olo da doença, alcançando esul ados ela i amen e bem-sucedidos, enquan o Po ugal
se concen ou mais na au op o eção dos cidadãos e na esponsabilidade pessoal.
Num e cei o momen o, analisou-se as causas his ó icas e ca ac e ís icas cul u ais de
ambos os países que se e le i am no momen o do comba e à COVID-19. Fo am conside ados
ês indicado es das dimensões cul u ais eo izadas po Ho s ede: cole i ismo e
89 Mon ei o, Nuno & Jalali, Ca los (coo d.) (2022).
Impac os da pandemia de COVID-19 em Po ugal
, Lisboa: Fundação F ancisco Manuel dos
San os, p. 39.
69
indi idualismo, dis ância ao pode , e indulgência e con enção. No que espei a à p imei a
dimensão cul u al, na China es á p o undamen e en aizado o concei o de cole i ismo e amília,
enquan o em Po ugal, onde an o o cole i ismo como o indi idualismo são man idos, a
população coloca mais ên ase nos di ei os e libe dades indi iduais e, po isso, es a á mais
inclinada a equilib a os in e esses indi iduais com o in e esse público. Em e mos de
dis ância ao pode , desde empos an igos que a China é in luenciada pelo Con ucionismo, pelo
que o go e no chinês goza de uma maio concen ação de pode , conseguindo oma medidas
cen alizadas de con olo e p e enção, e i icando-se um maio ní el de obediência po pa e
da população. Já em Po ugal, in luenciados pela cul u a adicional e pelo ca olicismo, os
cidadãos p ocu a am equilib a os seus di ei os undamen ais e obediência ci il. Em e mos de
indulgência e con enção, a China coloca mais ên ase nas no mas de compo amen o e
disciplina, enquan o Po ugal coloca mais ên ase no au ocon olo indi idual.
Analisando o acima expos o, conclui-se que os a o es cul u ais o am mui o
impo an es pa a in luencia as medidas de p e enção e con olo da epidemia. Di e en es
o igens e alo es cul u ais de e minam a eação e a uação que dos países, que dos
indi íduos, em con ex o de si uações de eme gência. Na China, ado ou-se uma es a égia
nacional de concen ação de es o ços, ecebendo o apoio de oda a população. Em Po ugal,
hou e um ele ado sen ido de au op ese ação e de esponsabilidade pessoal, que conduziu a
alguma desobediência às medidas go e namen ais. Po exemplo, nos p imei os empos, as
pessoas ecusa am-se a usa másca as e ainda pa icipa am em a i idades sociais, como
pa icipa em euniões em ba es, e c.
Impo a p es a mais a enção à in luência dos a o es cul u ais na p e enção e con olo de
epidemias, pa a e i a os e ei os ad e sos das di e enças cul u ais, e pa a melho desen ol e
e implemen a medidas ap op iadas pa a alcança melho es esul ados na p e enção e
con olo de doenças.
70
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