h ps://doi.o g/10.4322/dilemas. 18.n2.64482
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
A igos
O Minis o da Jus iça e as ep esen ações de mo e: Um caso
de anac onismo
Rica do ZoccaI
I Uni e sidade do Minho, B aga, Po ugal
Pa indo da o o que ganhou os jo nais no inal
de 2019, na qual Sé gio Mo o, Minis o da Jus iça
à época, posa ao lado de uma escul u a oda
ei a em ca uchos de munição, o es udo p opõe
uma e lexão ace ca dos concei os de iolência,
so imen o e mo e na a ualidade. As conclusões
apon am pa a a pe da de es abilidade ge ada pelo
en aquecimen o da eligião no início do século XX,
ag a ada no pós-mode nismo. O p ocesso o iginou
uma ulne abilidade às na a i as o alizan es, que
p ome em ees abelece a o dem e buscam a
pu eza a qualque cus o. O es udo ambém conclui
que há um en o pecimen o da epulsa à iolência,
o que ai de encon o ao p ocesso de iden i icação
da mo e apon ada po A iés (1974).
Pala as-cha e: Sé gio Mo o, mo e, iolência,
mi o, pu eza
The Minis e o Jus ice and Rep esen a ions o
Dea h: A Case o Anach onism Based on a pho o
ha made headlines in la e 2019, in which Sé gio
Mo o, Minis e o Jus ice a he ime, poses nex o a
sculp u e made en i ely o ammuni ion ca idges,
his s udy p oposes a e lec ion on he concep s o
iolence, su e ing, and dea h in he p esen day. The
conclusions poin o he loss o s abili y gene a ed by
he weakening o eligion in he ea ly 20 h cen u y,
agg a a ed in pos mode nism. The p ocess ga e ise
o a ulne abili y o o alizing na a i es ha p omise o
ees ablish o de and seek pu i y a any cos . The s udy
also concludes ha he e is a numbing o e ulsion
owa d iolence, which is consis en wi h he p ocess
o iden i ica ion wi h dea h poin ed ou by A iés (1974).
Keywo ds: Sé gio Mo o, dea h, iolence, my h, pu i y
In odução
O
eco e des a no ícia implica que expliquemos o con ex o polí ico b asilei o. Ele ambém
e ela uma p o unda di isão na sociedade e como pa e dela na u aliza ei os que
pode iam se conside ados anômalos em uma sociedade comp ome ida com alo es
básicos de jus iça, igualdade e espei o às ins i uições.
A mo e é um dos mis é ios mais explo ados den o da a e e da cul u a, como o memen o
mo i, saudação u ilizada pelos e emi as de São Paulo da F ança. Assim, a lemb ança de que somos
mo ais ganhou o mundo das a es e ainda se az p esen e. Mesmo que ascine os humanos desde
a sua gênese, nenhuma p o a jamais su giu do que pode se sucede a es e acon ecimen o, o mais
impo an e de uma ida em conjun o com o nascimen o. Tamanho é o ascínio sob e o ema que
di e sas mi ologias o am c iadas pa a en a ameniza a inquie ude sob e es e mis é io, sendo a
explicação do enômeno um dos p incípios undan es da maio ia das eligiões.
Mas es a ep esen ação não su ge apenas no imaginá io mi ológico das eligiões. Ela ganha
espaço em dispu as de pode e ca ac e izações de he óis e ilões, an igos e mode nos, con e indo
2
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
2
pode es sob e aquele que em a possibilidade de decisão sob e a mo e de ou o indi íduo. Segundo
Mo is (1981), a posição de pode de um a le a e a ei a jus amen e sob e a sua capacidade de
ence a a ida do oponen e nos jogos dos gladiado es. Ainda que o concei o de mo e pe sis a,
ele se ans o mou adicalmen e ao longo do empo.
Es a al e ação se deu essencialmen e pelo que A iès (1974) chama de “mo e p oibida”,
concei o que designa os es o ços da sociedade a ual pa a se dis ancia do concei o de mo e,
a a és da diminuição de p á icas une á ias como o en e o e as isi as ao cemi é io, a ando
do assun o como uma espécie de abu mode no, pois in oca sen imen os de is eza e mono-
onia que não es ão de aco do com o que se espe a do homem pós-mode no. São enômenos
que ão de encon o a es e concei o, p opo cionando uma up u a do que se ia conside ado
a ual, que le an am ques ões sob e es as ep esen ações apa en emen e anac ônicas na a ua-
lidade e a sua ecepção na sociedade.
Um caso que me ece des aque nes e sen ido su giu na o og a ia do ex-Minis o da Jus iça
B asilei o, Sé gio Mo o, que, à época, e a o esponsá el maio pela segu ança dos cidadãos
do país. Na o og a ia, Mo o posa1 ao lado de uma escul u a oda compos a com ca uchos de
munição, ei a po Rod igo Camacho:
Figu a 1 - Sé gio Mo o, Rod igo Camacho e Majo Co bage
Fon e: Aze edo (2019).
3
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
Na Figu a 1, Sé gio Mo o posa ao lado de Rod igo Camacho e do Majo Co bage, no dia em que
oi p esen eado com a escul u a. Com o obje i o de comp eende os enômenos e aça um e a o
social da a ualidade, es e es udo se inse e no pa adigma in e p e a i o, ado ando uma abo dagem
quali a i a. Essa me odologia é pa icula men e adequada, pois pe mi e es abelece uma conexão
en e o sen ido e a ação (JENSEN, 2021). O es udo u iliza a G ounded Theo y, uma a iação do
mé odo quali a i o, que se ca ac e iza pela i e ação con ínua da amos a (JENSEN, 2021). A análise
da amos a é conduzida po meio de mé odos de p o undidade, com ên ase na obse ação e na
semió ica social, complemen ada po análises de ca á e explo a ó io e desc i i o.
Pa indo do p essupos o le an ado po Gee z (2008), de que qualque obje o ou elação que
se e como ínculo a uma concepção se o na ambém o “signi icado” do símbolo, os ca uchos
de munição aqui igu ados uncionam como um símbolo de mo e. E assim é le an ada a ques ão:
se i emos no momen o em que a mo e é p oibida, causando dis anciamen o e epulsa, po que
há a celeb ação da mesma? Ainda que Mo is (1981) enha apon ado pa a o g adual banimen o da
iolência, o que acon eceu nes e caso?
A análise pa e da boa acei ação da o o e da escul u a po uma pa cela conside á el da
população e po sua ampla di ulgação midiá ica. O os o bélico e sisudo e ela que o diálogo não é
o caminho que o en ão enca egado máximo da segu ança do país segui ia, ele não esponde a c í-
icas e ques ionamen os e e á a iolência como espos a p imá ia, apesa da sup aci ada epulsa.
Temos como obje i o comp eende como es a ep esen ação é pe cebida a ualmen e, a a és do
posicionamen o do mi o mode no, e e ido po Eco (2006), com o complemen o da busca pelo
pu o, apon ado po Bauman (1998), com o apoio de Casullo (2020). Em ce a medida, a a-se
ambém de um pequeno esga e da his ó ia ecen e da polí ica b asilei a.
A Mo e na cul u a ociden al
Em “A mo e de I an Illich”, de Tols oi, o p o agonis a so e um longo e dolo oso decu so de mo e
e, nos seus momen os inais, pe gun a-se: “E a mo e? Onde es á a mo e?”. A pe gun a de Tols oi ge a
eco no lei o , pois es a e ou as pe gun as elacionadas inquie am a humanidade há milênios. Onde
es á, po que acon ece, o que signi ica, qual o jei o ce o de a expe imen a , e como a ence ?
O homem é o único animal que en e a ou queima os indi íduos da sua espécie que mo e am e lhes p es am
homenagem ou cul o e, mais impo an e ainda, é o único que sabe que há de mo e […] Mas es a ce eza, não
adqui e, cu iosamen e, ca ác e pessoal: sei que odos ha emos de mo e , o que implica que e ei que mo e ,
mas al conhecimen o con inua a e na u eza abs ac a, não elacionada comigo (OSSWALD, 2013, p. 11).
E es a elação é bas an e an iga: quando o se humano começou a esc e e na ped a ou na a gila,
a possibilidade de in oca a mo e oi comple ada. Com al écnica, e a possí el celeb a os ei os dos
4
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
senho es da gue a e dos eis, con idando à ado ação de sua memó ia e à insc ição dos anos de suas
idas e suas linhagens. O ínculo en e a humanidade e a mo e se o na apidamen e uma obsessão
e a mo e acaba po se ans o ma na Mo e, uma en idade implacá el que subjuga e aniquila udo
o que é elho, mas que ambém pode es ende os seus pode es sob e os jo ens (OSSWALD, 2013).
O concei o de mo e, assim, se o na amilia e exaus i amen e ep esen ado em di e sas
p oduções cul u ais, sejam elas ilmes, sé ies, desenhos, animações, his ó ias, jogos, omances e c.,
sendo o emen e p esen e em uma g ande pa e das na a i as a uais, de cunho e ídico ou ic í-
cio, his ó ico ou no icioso. A a e, no ge al, como já ci ado na in odução, em g ande pa icipação
na di usão e ep esen ação cul u al da mo e em seu memen o mo i. A epe ição do concei o e a é
mesmo o empi ismo a ual, ine en e à ida, ge a uma sé ie de símbolos de mo e.
Des a manei a, e emos o concei o de “símbolo” de Gee z. Segundo o au o (2008, p. 67), “ele é
usado pa a qualque obje o, a o, acon ecimen o, qualidade, ou elação que se e como ínculo a uma
concepção – a concepção é o ‘signi icado’ do símbolo”. O símbolo de Gee z (2008) di e e um pouco
daquele eo izado po Du and (1993), es ando mais p óximo do que es e úl imo nomeou como signo.
“A mo e é, nes as ep esen ações da simbologia pe sis en e du an e an os séculos, o esquele o, a sinis-
a igu a a mada de oçadou a a iada, o a e ado ca alei o do Apocalipse” (OSSWALD, 2013, p. 12).
Nes a pe spec i a, não apenas o esquele o e o ca alei o do apocalipse, mas ambém o
p óp io a o de iolência pode se enca ado como um símbolo ou signo de mo e, de manei a que
o cul o à iolência pode se ambém o cul o à mo e. A c escen e ên ase écnica e p agmá ica na
comp eensão do mundo az com que a mo e pe ca sua dimensão exis encial e e lexi a, sendo
eduzida a um simples a o ou e en o. A espei o disso, Fe nando Pessoa di ia em se poema de
1932 que a mo e é a cu a da es ada, onde simplesmen e deixamos de se is os. A acei ação da
mo e como a o passagei o, em que, num minu o es amos aqui e no ou o não, no en an o, não
ajuda nas espos as pa a a inquie ação da humanidade em elação a esse e en o.
O pesquisado A iés (1974) ealizou um es udo com o obje i o de en ende quais e am as
a i udes da ci ilização ociden al pe an e a mo e no pe íodo de quase um milênio, pa indo do
início da Idade Média a é meados do século XX, no pe íodo que ma ca o im da mode nidade e
o início da pós-mode nidade. O es udo concluiu que es as a i udes pode iam se di ididas em
qua o ca ego ias: Mo e domada ( ammed dea h)2; Mo e do indi íduo (one’s own dea h); Mo e
dos eus ( hy dea h) e a Mo e p oibida, e e ida acima. Es as qua o ca ego ias e oluí am de uma
pa a ou a de o ma len a e g adual, ainda que mui as si uações in oquem sen imen os que podem
se conside ados “de ou o ipo de mo e”, pe sis indo a a és de anac onismos, especialmen e na
a e, que pe mi em a sensibilização e pe cepção da mo e de manei as di e en es.
O p imei o ipo de mo e eo izada pelo au o oi a “mo e domada”. Ela e a a mo e anun-
ciada, os sinais na u ais ou a p óp ia con icção pessoal da ap oximação da mo e, en endida como
implacá el e na u al. Es e posicionamen o da época (início da Idade Média) em elação à mo e
indica a con o mismo e inabilidade de lu a con a al na u eza. É nes a época que su gem ases
5
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
epe idas, como “sin o que o im es á p óximo”, o que indica a como a mo e e a p epa ada e
acei a socialmen e como o des ino de odos os homens (A iès, 1974).
No passado, a mo e <<domada>> ins ala a-se na ida dos amilia es (mo e em casa, eló io noc u no p olongado,
lo es, co oas, acompanhamen o do é e o, não só po amilia es, mas igualmen e po co po ações ou ep esen an-
es de ins i uições asila es) e os le a a a mani es a a sua do de o ma exube an e (cho o, e en ual pa icipação de
ca pidei as), e a insc e e nas lápides mensagens de <<e e nas saudades>> (OSSWALD, 2013, p. 16).
A noção da mo e como uma das g andes leis da espécie humana oi indi idualizada com o empo.
A es e p ocesso A iès (1974) ba izou de “mo e do indi íduo”, que consis iu jus amen e no abalho de
pe soni icação da acei ação da mo e, bem como de esponsabilização indi idual pelos a os come idos
an es da pa ida. Os homens da ig eja c ia am monumen os pa a a sua mo e que pe mi i iam a essu-
eição, inspi ada em C is o, enquan o os he eges e am esquecidos e negados no Pa aíso.
A ideia de juízo ou es e inal su ge pa a os indi íduos que es ão no lei o de mo e, indicando
a possibilidade de en ada no Pa aíso ou a condenação ao In e no baseada nos a os ei os em ida.
Nes e pe íodo, oi in ensi icada a ideia de que aze o bem pode ia le a ao Pa aíso, assim como
aze o mal pode ia le a ao In e no e à condenação e e na, mas o julgamen o e a ei o na ho a da
mo e. Assim, g ande pa e das pessoas da época dedica am suas idas ao p epa o pa a uma boa
mo e, com a ga an ia de que e iam acesso ao Pa aíso no Julgamen o Final.
A “mo e dos eus” oi o passo seguin e, deslocando o sen ido da impo ância da mo e. An es,
o momen o de ápice e a o juízo ou es e inal, mas, com a ascensão do oman ismo, ele oi al e ado
pa a a mo e dos en es que idos, que passou a se pe cebida com maio d ama icidade e maio ên ase
no pe íodo de lu o. Es e mo imen o ambém ag egou um no o cul o aos cemi é ios e umbas a pa i
ambém da oman ização, sexualização e a é e o ização dos símbolos da mo e (ARIÉS, 1974). Na
mode nidade, um enómeno o almen e inespe ado acon eceu: “A mo e que de ão onip esen e no
passado e a amilia , se ia apagada, desapa ece ia. Se ia e gonhosa e p oibida (ARIÉS, 1974, p. 85)”.
T a a-se da qua a e úl ima ca ego ia iden i icada pelo au o , a “mo e p oibida”, na qual os amilia es
escondem o es ado do doen e, men indo sob e a sua eal condição.
O médico Wal e Osswald (2013) discu e es e p ocesso, assinalando que a en idade mo e pas-
sou a se dis ancia dos se es humanos. Com o aumen o g adual da expec a i a de ida e diminuição
da mo alidade in an il, ela deixou de se comum pa a as pessoas, além de se o na mais escusa. A
mo e oi ans e ida das esidências, que e am locais mui o mais humanizados, pa a ins i uições
hospi ala es, que não são habi ações nem o icinas de epa os: “Sabendo-se ini o, o se humano com-
po a-se como se esse conhecimen o não lhes dissesse espei o” (OSSWALD, 2013, p. 14).
Ainda que A iés aga um ela o bas an e ico dos e ei os da mo e du an e longos pe íodos
da sociedade, é impo an e ela i iza alguns aspec os, como apon a Mónica (2015, p. 25):
6
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
A ideia de que, desde a Idade Média a é o século XIX, os indi íduos mo iam com esignação não co esponde
aos ela os de que dispomos sob e como as coisas se passa am. Em 1842, um médico ancês publicou o egis o
das suas obse ações jun o de mo ibundos. Se ha ia indi íduos, con a-nos, que espe a am calmamen e pelo im,
ou os agiam de o ma bem di e en e (MÓNICA, 2015, p. 25).
Segundo a au o a, os ela os des e médico-an opólogo ancês ão desde um abalhado
u al que, ao descob i que a amília ha ia chamado um pad e pa a minis a a ex ema-unção, só
conseguia imagina o in e no, pedindo a Deus aos be os pa a que não o punisse, a é ou os que,
em seu lei o de mo e, imagina am comida.
No passado, as a i udes dian e da mo e e am mais a iadas do que se c ê, o que nos ob iga a e cuidado quando
as con as amos com as de hoje. É e dade que os i uais muda am, é e dade que se al e ou a manei a como
alamos da mo e, é e dade que mui a gen e deixou de ac edi a no in e no, mas a e olução não pode se is a
a p e o e b anco (MÓNICA, 2015, p. 26).
No en an o, o p ocesso da mo e p oibida em espaldo no ideal pós-mode no, no qual exis e
uma p essão pa a que a ida seja semp e eliz ou que pelo menos pa eça se , modelo bas an e
e o çado a ualmen e com o desen ol imen o das edes sociais. A mo e se o na o opos o des e
ideal, inclusi e sendo di idida em uma sé ie de passos con usos em que já não se sabe onde ela de
a o oco e, se quando a pessoa pe de a consciência ou quando deixa de espi a .
Es e p ocesso é i ido de manei a a e i a ou minimiza qualque causa de is eza ou mono-
onia. Nes a sociedade, es a in eliz é o mesmo que se de o ado, o que ge a uma p essão cada ez
maio no indi iduo a ual, o que ambém em sido ema de p oduções cul u ais des a e a (ZOCCA,
2022). Es a p essão pode se ambém ca alisado a dos e ei os de de ocada da saúde men al e
social expe imen ada na nossa sociedade.
Ac ualmen e, é equen e não se no icia a mo e de uma pessoa, mesmo que socialmen e p eeminen e; adop a-se
maio sob iedade nas mani es ações lu uosas e ulga iza-se a c emação em ez do en e amen o. O a a c emação
pode se en endida como um ac o de ein eg ação da ma é ia o gânica, que cons i ui o cadá e , na ha monia
cósmica (<<cinzas às cinzas>>); mas é e dade ambém que uma u na com cinzas se o na um obje o de di ícil
conse ação e alo ização simbólica. (OSSWALD, 2013, p. 16)
Os es udos de A iés (1974), con udo, mos am que o en endimen o do p ocesso social da
mo e não oi semp e o mesmo na humanidade. Num p imei o momen o, ela e a acei a como
na u al e ine en e aos homens, depois oi indi idualizada e esponsabiliza a as pessoas po suas
ações em ida. Num e cei o momen o, o sen ido oi deslocado e a mo e passou a se mais sen-
ida pelos i os, que oman iza am a mo e dos pa en es e en es que idos, a é chega ao úl imo
momen o, em que ela é p oibida e ep esen a o opos o dos alo es sociais da a ualidade.
À luz da de inição de “mo e p oibida”, e ol ando à imagem do juiz Se gio Mo o, pode-se
dize que a o o não se a a apenas de um anac onismo no es ilo de mo e, mas de uma comple a
7
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
al a de his o icidade dele. Enquan o no oman ismo hou e uma exace bação do so imen o cau-
sado pela mo e humana, o que o au o A iès (1974) ba izou de “mo e dos eus”, nes e momen o
há um desligamen o comple o, um esquecimen o do so imen o alheio. Exis iu, na es u u a do
go e no de Jai Bolsona o, um apelo pa a e i e as “gló ias do passado”, sendo cons an es as
e e ências ao pe íodo da Di adu a Mili a . Foi c iada uma na a i a mí ica e pu is a que celeb a
es e passado como um pe íodo li e de p oblemas, ais como a c iminalidade e a co upção. Esse
apelo ao passado iolen o con on a-se com o a ual pad ão de ole ância à iolência e à mo e na
sociedade ociden al con empo ânea, enômeno que denominamos de anac onismo.
Conside ando que a caça a animais sel agens não con igu a uma p á ica comum no B asil, a
munição, na o o, se o na somen e um símbolo de mo e de humanos, es ando quase que exclusi a-
men e associada aos emba es en e policiais e os supos os c iminosos. A c iação de uma escul u a oda
ei a em ca uchos de munição, associada ao minis o que comanda a ação das polícias é a inculação e
acei ação de polí icas de mo e e iolência po pa e do Es ado. Assim, as igu ações de mo e p opos as
po A iès (1974) o nam-se mais complexas no caso b asilei o. Se i emos no momen o em que a
mo e é p oibida, po que há a celeb ação da mesma em uma escul u a cons i uída de símbolos de
mo e e o e ada ao en ão Minis o da Jus iça, esponsá el máximo pela segu ança no país?
Violência e no os mi os
Ao da mos a enção pa a os es udos sob e a iolência e a sua p esença no desen ol imen o do
se humano, az ainda mais sen ido associá-la com a mo e ou en endê-la como símbolo de mo e.
Pois o cul o à iolência e à caça es á in imamen e ligado à sociedade. Passamos mui o mais empo
da his ó ia acei ando a iolência do que a ecusando.
Mo is (1981) de ende que os se es humanos são au ên icas máquinas de caça , dado que as
p incipais di e enças e olu i as en e os homens e os chimpanzés são o ien adas pa a a p edação.
É o caso do ó ax com maio ampli ude, que pe mi e a ci culação de uma quan idade maio de
oxigênio, da posição bípede, que possibili a enxe ga a p esa a longas dis âncias, além dos mem-
b os alongados, capazes de pe co e g andes dis âncias e de usa e amen as. Ele ainda des aca
que não somos apenas adap ados à caça, como necessi amos psicologicamen e dela.
Quando deixou de se uma on e i al de alimen o de ido ao seden a ismo das populações,
os se es humanos ainda assim con inua am p a icando caça espo i a, enômeno exis en e a é hoje,
mesmo que não seja mais pela necessidade e sim pela simples emoção da caçada. Com a c iação das
á eas u banas nos an igos impé ios, o am desen ol idas manei as de aze a caça a é es as á eas
como o ma de en e enimen o, c iando g andes encenações de caçadas pa a um público seden o
po iolência. Assim su gi am os coliseus e as lu as en e gladiado es e animais.
8
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
Ainda que as lu as com se es humanos enham sido ex in as com o passa dos anos, as lu as
en e animais pe du a am, sendo mui o comuns na Idade Média. Elas seguiam a mesma es u u a
de encenação e espe áculo, como é o caso das ou adas. O uso de animais pa a a saciedade da
iolência e caça ine en es ao se humano só oi colocado em causa depois da Re olução Indus ial
e do ad en o da mode nidade, pe íodo em que um no o êxodo u al acon eceu e su gi am as
p imei as associações de de esa dos animais nes as no as aglome ações u banas (MORRIS, 1981).
Foi ambém nes a época que espo es como u ebol, basque ebol, handebol e ou os su gi am
ou ganha am mais o ça, como uma al e na i a saudá el aos an igos espe áculos iolen os.
Ao in es iga mos as aízes da T ibo do Fu ebol passamos po qua o ases p incipais. P imei o, ínhamos os Caçado es
pela sob e i ência – os nossos p imi i os an epassados, pa a quem caça e ma a cons i uíam ques ão de ida ou de
mo e. Em segundo luga , os Caçado es Despo i os – homens que con inua am a caça , mesmo depois de a caça
como a i idade des inada a ob e alimen os e deixado de se uma necessidade. Em e cei o luga , os Despo is as
Sang en os de A ena, que ouxe am a caçada pa a a cidade. E, po im, em qua o luga , os Despo is as da Bola, que
ans o ma am os an igos despo os sang en os em mode nos jogos de bola (MORRIS, 1981, p. 15).
O pe íodo ambém ma ca o en aquecimen o de ins i uições eligiosas, pois o encon o egula ,
que e a um dos e ei os p omo idos po elas, ambém passou a se da pela p á ica e acompanhamen o
dos espo es (MORRIS, 1981). Dessa o ma, en ende-se que o u ebol ambém ep esen a uma das
amálgamas de sen ido que subs i uí am os an igos egimes de ado ação (MAFFESOLI, 2002).
Esse momen o his ó ico ambém e idencia os p imei os indícios de que a iolência, que an es e a
uma p á ica socialmen e acei a em ou as o mas de en e enimen o, começa a a se pe cebida
como um p oblema a se con ido. Is o se e le e no p óp io u ebol, que subs i uiu espo es mais
iolen os po um jogo es u u ado em o no de eg as e con ole.
Fa o que é ambém apoiado po Buch (2010) ao des aca o uso de imagens do início do século
XX (pe íodo que ambém coincide com o banimen o da p á ica iolen a) de jo ens chineses sendo
o u ados, mu ilados e assassinados po Ba aille em um de seus li os:
Como consequência da ap op iação, po Ba aille, as o os se o na am uma espécie de oken pa a a es é ica da
ansg essão do esc i o ancês, discu i elmen e uma das mais ambiciosas e p oeminen es en a i as no século
XX de coloca um islumb e da do e do so imen o no cen o da e lexão e expe iência es é ica, uma en a i a
que e e um impac o signi ica i o em di e sas á eas (BUCH, 2010, p. 28).
O echo des aca que oi apenas no início do século XX que as ca ac e ís icas como do e
so imen o passa am a se e e i amen e e le idas na sociedade. A discussão se es ende a é a a uali-
dade na Comunicação, onde as o mas de iolência e de so imen o necessi am de um a amen o
di e enciado pa a se em media izadas, a amen o esse que dá a ônica da sua in e p e ação:
A o og a ia de imp ensa não só passou a ap esen a uma p odução mais he e ogênea quan o ao manejo da emá-
ica do so imen o naquilo que elabo a o mas di e enciadas de exp essão, mas, sob e udo, de ine uma no a zona
9
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
de dispu a e/ou ensões em o no das p á icas a e i as e subje i as que es as mesmas imagens possibili am. Nes e
con ex o, o na-se necessá io in es iga os elemen os exp essi os que ca ac e izam as si uações de so imen o e,
não apenas e , mas pensa o co po so edo em suas disposições e a anjos an o es é ico quan o polí icos, a im de
con empla quais compe ências de ap op iação são ope an es e solici adas aqui (BIONDI, 2016, p. 230).
A o ma de se pensa e ep oduzi a ep esen ação da iolência e da mo e se al e ou d as ica-
men e com o passa do empo. Segundo a au o a, o so imen o e os so edo es o am es abelecidos
socialmen e a a és de edes semân icas a i adas po meio de di e sas na a i as, mi os e códigos,
p oduzindo modos de expe iência a a és dessas imagens (Biondi, 2016). A mídia aplica ais edes
semân icas pa a a ep esen ação que melho comunique a his ó ia que p e ende, u ilizando-se de
edes de in e p e ações p e iamen e en aizadas na sociedade. Rosa (2022) e o ça a ideia de uma
his o icidade de imagens, conside ando que, quando colocadas em luxo con ínuo, são ca egadas
imagens an e io es, que ma cam discu sos e empo alidades especí icas:
As imagens que chamam nossa a enção enquan o obje o de pesquisa, e o ma de comp eensão do mundo, são
as imagens midiá icas que con igu am um imaginá io ambém midiá ico a pa i de um conjun o de elabo ações
de sujei os di e sos e díspa es. En endemos que a pon a isí el do imaginá io midiá ico são suas ma e ializações
( ídeos, o og a ias, manche es); po ém, a dimensão in isí el se p esen i ica nas elações que ais imagens desen-
ol em com o imaginá io social e cole i o, is o é, com imagens p o undas do social. Tais imagens p o undas são
mobilizadas cons an emen e, como cha es de lei u a do mundo, mas ambém como ba ei as pa a que no os
sen idos possam ci cula (ROSA, 2022, p. 94).
As imagens p o undas do social sob e as quais a au o a se e e e encon am espaldo em ou a
discussão eó ica, que implica na comunicação não e bal da ap esen ação do co po. A p óp ia his o-
icidade das imagens con ibui pa a a c iação desses espec os, en endidos aqui como imagens p o un-
das ou edes semân icas, que ansmi em mensagens cla as sem a necessidade de um p onunciamen o.
Os agen es das delibe ações do mundo eal não são consciência pu a, mas se es co po izados cuja co po eidade
anspo a o palimpses o de ma cas da sua classe, idade, e nia e o ien ação sexual, en e ou as. A au o-ap esen-
ação co po al in o ma como o a e o, a iden i icação e a ep esen ação polí ica são es abelecidos mesmo an es de
as pala as se em aladas (CASULLO, 2020, p. 27).
A conjun u a de odos esses elemen os oi ba izada po Eco (2006) como mi o. Nela, o mi o
assume-se como aquilo que não é in encionalmen e e le ido pelo se humano, ou seja, é na p ojeção
dos medos, desejos e pe sonalidades de oda uma sociedade que su gem os ãos esponsá eis po
da espaço à c iação dos mi os. Des a o ma, os mi os ge almen e são c ia u as humanas ou com
ca ac e ís icas humanas, que ambém em suas p óp ias limi ações como as suge idas acima, mas
com um algum pode ou qualidade sob e-humana, de manei a que se ap oximem e se dis anciem
das pessoas comuns ao mesmo empo. Assim como Ma esoli (2002), Eco (2006) de ende que
16
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
deixa o go e no Bolsona o, Mo o oi con a ado pela consul o ia Al a ez & Ma sal, uma emp esa
sediada nos Es ados Unidos com a uação em casos de ees u u ação inancei a e alências in e -
nacionais. Esse a o ge a p eocupações é icas signi ica i as, uma ez que a Al a ez & Ma sal oi
esponsá el pela ecupe ação judicial de di e sas emp esas a e adas pela ope ação La a-Ja o, da
qual Mo o oi o juiz p incipal. A epo agem suge e que essa conexão pode indica um alinha-
men o de in e esses en e Mo o e o se o econômico dos Es ados Unidos, le an ando ques iona-
men os sob e a impa cialidade de sua a uação e o impac o nas polí icas in e nas b asilei as.
O episódio esul ou no maio aco do global an ico upção i mado o a dos Es ados Unidos.
Con o me epo ado pela Agência Pública15, emp esas b asilei as o am ob igadas a paga US$
2,6 bilhões a au o idades dos Es ados Unidos, Suíça e B asil. O papel dos Es ados Unidos nesse
p ocesso oi amplamen e in e encionis a, com en ol imen o di e o no moni o amen o e na
condução das in es igações em solo b asilei o. Esse apoio con ou com a colabo ação a i a dos
p ocu ado es da Ope ação La a-Ja o, e elando a in luência ex e na no desen ola da ope ação e
o po encial acobe amen o de in e esses es angei os no con ex o b asilei o.
Em 2022 o am candida os odos os ês. Jai Bolsona o se candida ou à eeleição pa a a p e-
sidência, sendo o p imei o p esiden e a pe de uma eeleição desde a edemoc a ização do país.
Lula ambém se candida ou e enceu à p esidência, numa dispu a aci ada, e Sé gio Mo o, que
iniciou a campanha como candida o à p esidência, ez uma oca de pa idos e acabou dispu ando
e encendo a aga de senado do es ado do Pa aná (PR).
O ex-minis o Sé gio Mo o é uma pe sonagem que conseguiu enca na , como apon ado
po Eco (2006), a na u eza humana com suas alhas, que acaba am po se in ensi icadas com
os dados e elados pelo jo nalis a Glenn G eenwald no episódio da Vaza-Ja o. Ele conseguiu
enca na ambém a na u eza sob e-humana, sendo a ele a ibuído um pode que oi capaz de
coloca , mesmo que de manei a e icamen e du idá el, um ex-p esiden e do B asil na cadeia. A
imagem com a escul u a em ca uchos me iculosamen e elabo ada ai além da me a exal ação
do a mamen o; ela cons i ui um elemen o i al em uma eng enagem complexa esponsá el po
alimen a uma máquina de mo e, con ibuindo pa a a des alo ização de idas especí icas po
meio da aniquilação, como essal a Rosa (2022). E sua ep esen ação isual nos meios de comu-
nicação de massa não apenas glo i ica a le alidade, mas ambém se in eg a a um sis ema mais
amplo que pe pe ua a desumanização dos impu os.
Es es aspec os são su icien es pa a a c iação do mi o mode no de Eco (2006), p o ocando
e mexendo com as emoções de milhões de b asilei os que se sen iam ins á eis e que ago a são
capazes de apoia a é os seus algozes em ideias pe igosas. A a ma de ogo como anglo iação da
mo e, ep esen ada não apenas na imagem, mas em oda a sua es é ica e comunicação, pa ece
deslocada, mas ela é me iculosamen e calculada, essencial pa a a sua campanha. A a ma de ogo
é o ins umen o que mais ma a no B asil – ou se á que é a c ença em uma solução simpli ican e?
17
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
A mas de ogo
Um dos p incipais mo es da campanha de Jai Bolsona o em 2018 e a: “Bandido é bom é
bandido mo o”, a pa i do qual se p opunha um adical apoio à acili ação da aquisição de a mas
de ogo po cidadãos ci is no B asil, sob a pe spec i a de que os cidadãos ambém de e iam se
de ende dos bandidos. A insa is ação que le ou pa e da população à acei ação des e discu so se
dá pa cialmen e pelo a o de o B asil se um dos países mais iolen os do mundo. Segundo o es udo
do ins i u o Iga apé16, de ab il de 2018, o B asil ocupa o 13º luga no anking de países com maio
núme o de homicídios a cada 100 mil habi an es, sendo o líde em núme os absolu os no mundo.
A p ocu a po uma espos a simples pa a o caso ala man e, impulsionada pelos modelos de
abalho do pós-mode nismo (BAUMAN, 1998), pelo ecnicismo c escen e (MARTINS, 2017) e
pela us ação gene alizada (RESNICK; WOLFF, 2006), pode e empode ado es e ipo de dis-
cu so na população, c iando uma onda de apoio às a mas de ogo, ainda que es as sejam a p inci-
pal causa de mo e po homicídios no país. O a las da iolência de 201917 apon a que o núme o de
mo es po a ma de ogo no B asil em 2017 oi eco de e o núme o de homicídios diminuiu le e-
men e nos anos seguin es, ainda que as mo es iolen as enham aumen ado18. Segundo o es udo,
apenas no ano de 2017, 65.602 pessoas o am assassinadas po a mas de ogo no país. Ou o pon o
a se essal a sob e esse ele ado núme o de mo es no país é que ela oco e de manei a desigual.
Segundo dados do a las da iolência19, 75,5% das í imas de homicídios o am de indi íduos
neg os, con igu ando a axa de homicídios a cada 100 mil neg os de 43,1, ao passo que a de não
neg os é de 16. A polícia b asilei a é uma das mais le ais do mundo20 e numa das medidas do
paco e an ic ime, p opos o pelo en ão minis o Sé gio Mo o, es a a a chamada “excluden e de
ilici ude”, que lexibiliza ia eno memen e a esponsabilização dos policiais no caso de assassina os,
azão pela qual icou conhecida como a “ca a b anca pa a ma a ”.
Após alguns casos de escândalos polí icos e a des inculação do en ão p esiden e Jai Bolsona o ao
seu pa ido de eleição, oi ealizada uma p opos a pa a a c iação de um no o pa ido encabeçado pelo
ex-p esiden e, com o nome de Aliança pelo B asil. A sigla do pa ido se ia o núme o 38 (em e e ência
ao e ól e de calib e 38, de comum u ilização pela polícia b asilei a), indicando o e endência a ma-
men is a. A p opos a, no en an o, não conseguiu assina u as su icien es pa a se conc e iza .
Um a esão apoiado de Bolsona o, Rod igo Camacho21, p esen eou o en ão p esiden e com
mais de uma escul u a ei a o almen e em p ojé eis e ca uchos de bala. É impo an e essal a a
pos u a dos polí icos que se u ilizam de discu sos populis as, como g i ado po Casullo (2020, p.
29): “A o ma como os populis as se compo am a e a os seus seguido es e de a o es com an a
o ça como aquilo que dizem”, se u ilizando da noção de populismo ap esen ada po Mo i (2016)
ci ada em Casullo (2020, p. 29): “O populismo é um es ilo polí ico, ou seja, uma a uação co po i i-
cada que apela ao ‘po o’ con a a ‘eli e’, a a és de uma a uação pública es a égica de an i-eli ismo
e, mui as ezes, de ‘maus modos’”.
18
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
Exis e um en o pecimen o da mo e e da iolência no país, que já não choca po que é eco-
en e, e que pode ambém e sido causado pela a uação do jo nalismo ou pelo o ojo nalismo.
Biondi (2016) des aca uma possí el solução, ao se u iliza de ou os ipos de edes semân icas na
comunicação da mo e pa a que assim se possam e oma o sen ido macab o do acon ecimen o
pa a a população. Mas o jo nalismo do país não pa ece comp ome ido com a si uação, e os p oble-
mas, como o da imagem analisada, se o nam co iquei os e i e le idos na p og amação nacional,
como a do caso Láza o22, que ganhou odos os jo nais e oi mo i o de especulação sensaciona-
lis a po odo o país. Ou o exemplo emblemá ico do endosso desse ipo de polí ica excluden e e
pu is a são os inúme os p og amas de “jo nalismo policial”23, que se baseiam no sensacionalismo
e no julgamen o de pessoas ao i o, enquan o são pe seguidas pela polícia ou em agédias, mui as
ezes mos ando o co po das í imas de manei a descuidada24.
Es a é a azão pa a a escul u a do os o se a mais eco en e do po ólio do a esão. Após
Rod igo Camacho ganha no o iedade a ní el nacional, o no o p esen eado oi Sé gio Mo o,
que ganhou uma escul u a ca egada com a insc ição “La a Ja o”, em pose he oica, abaixo de seu
os o25, que endossa a se e idade do ep esen ado e o associa jus amen e a es e aspec o epe i i o
das ep esen ações sociais no país.
A ep esen ação isual do os o de Mo o na escul u a pa ece ejei a os ges os de cuidado,
empa ia e acolhimen o, especialmen e daqueles que de e iam espe a uma espos a de econhe-
cimen o e conside ação po pa e do mais al o ep esen an e da Jus iça. Essa imagem esculpida a
bala não apenas des aca a igidez e a al a de ecep i idade, mas ambém simboliza uma ba ei a
apa en e en e o líde judicial e a sensibilidade humana, minando a espe ada in e ação compassi a
com aqueles que buscam jus iça e comp eensão. Vol ando à eo ia de Casullo (2020), a a-se
jus amen e da supe ície signi ican e do co po populis a, a exp essão aus e a pa ece não apenas
esis i ao mo imen o da empa ia, mas ambém dis ancia -se da essência da humanidade que se
espe a ia da igu a máxima do sis ema judiciá io, colabo ando pa a a c iação de um mi o supos-
amen e do ado de pode es sob e-humanos.
Conclusão
Ainda que não seja obje i o do abalho ex apola es a análise pa a oda a sociedade pós-mo-
de na ociden al, é impo an e essal a a sua o iginalidade em elação ao campo de es udo e o po quê
des e caso se conside ado pa a um eco e ep esen a i o. O pe íodo que i emos pode e sido consi-
de ado anômalo po di e sas azões. Po essa azão, oi ambém on e pa a es udos de di e sos au o es,
alguns dos quais incluídos nes e ex o. Con udo, a ap oximação des a chamada “no a polí ica” aos sím-
bolos de mo e não oi abo dada, ainda que ep esen e um signi ican e p isma semió ico pa a a análise
de suas ações e comunicações. Es e es udo buscou adiciona mais es a camada de análise, o e ecendo
19
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
ao campo da sociologia e comunicação social uma comp eensão es i a e ap o undada de enômenos
co iquei os, mas que quase inconscien emen e en iam mensagens e posicionam o mensagei o num
g upo bas an e especí ico, no qual ele é pe cebido e ep oduzido como al.
A eleição de Donald T ump em 2016 como p esiden e dos Es ados Unidos oi um g ande
ma co pa a a his ó ia, pois ep esen ou o que icou conhecido como a ascensão da ex ema-di ei a
pelo mundo26, em especial en e á ios países da Eu opa27. No B asil, o Bolsona o e o bolsona-
ismo o am o e lexo des e mo imen o.
Exis e uma agenda po ás dessa ascensão, que pe passa quase odos esses go e nos. Exis e uma
agenda po ás dessa ascensão, que pe passa quase odos esses go e nos. Essa agenda se mani es a
em a os de xeno obia, como a ejeição de imig an es du an e a c ise dos e ugiados sí ios na Eu opa,
e ambém na escalada de pau as eligiosas, que, po sua ez, es imulam a ep essão a mino ias, como
os gays, e a c iminalização mais igo osa do abo o e do uso de d ogas. A pandemia ambém se
e elou um g ande palco pa a a poli ização e negacionismo po pa e des e mo imen o polí ico28.
Começa a su gi ambém um obscu an ismo e a negação da ciência, ep esen ados em eo-
ias como a e a plana e o mo imen o an i acinas, que colabo a pa a que doenças conside adas
e adicadas ol em a su gi em países como Es ados Unidos e B asil, além da en a i a de lexibili-
zação de medidas sani á ias na pandemia causada pelo co ona í us, le ando os Es ados Unidos e
o B asil a se em os campeões de óbi os po Co id-19, esul ados da má ges ão da pandemia e dos
biza os exemplos dos che es de go e no de ais países à época29. No en an o, o que mais ma ca a
ascensão da ex ema-di ei a é um e o ço do neolibe alismo, ga an indo e e o çando os aspec os
do capi alismo a dio e o acúmulo massi o de iquezas.
É cu ioso elaciona as ex os de A iès (1974), Mo is (1981), Eco (2006) e Bauman (1998)
po que os qua o au o es selecionam o início da mode nidade como um di iso de águas em suas
eo ias, seja a mudança do pa adigma da mo e, da iolência, da es abilidade na c ença ou uma
adicalização da p ocu a pelo pu o.
A iès (1974) apon a o a as amen o da população aos luga es como o cemi é io e des aca a
p á ica da c emação como uma a on a ao pode eligioso que se ex inguia. Fa o endossado po
Mo is (1981), que indica que a al e ação eligiosa se deu pela oca dos momen os de sociali-
zações dos indi íduos, an es ei os nos encon os eligiosos e pos e io men e passam a se nos
es ádios e na p á ica espo i a. Ao cai o e ei o mí ico da imagem eligiosa, a c ise psíquica se
inicia. Como Eco (2006) des aca, es a c ise em undação na al a de um discu so o alizado e
pu o, que oi agmen ado nes e pe íodo, como apon a Bauman (1998).
Con udo, emos odos esses aspec os se em o emen e in ensi icados na pós-mode nidade,
ep esen ando no amen e o ciclo de ascensão e queda de ideais an igos. Um dos a o es que
impulsionam essa e omada é a ulne abilidade social ampliada pelas ans o mações econômi-
cas, polí icas e cul u ais, que o nam amplas pa celas da população mais susce í eis a discu sos
20
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
que p ome em es au a uma supos a o dem baseada na pu eza. A pu eza ga an ia uma espécie de
es abilidade que deixou de exis i ou pe deu ele ância, como ambém apon a Ma esoli (2002).
A análise da o o de Sé gio Mo o, posando ao lado de uma escul u a ei a de ca uchos de
munição o e ece no as pe spec i as sob e o deba e em o no da iolência e da mo e na polí ica
con empo ânea, especialmen e ao conec a essa imagem com as eo ias des es au o es. A imagem de
Mo o se o na um símbolo pode oso da adicalização das na a i as de pu eza e o dem, ca ac e ís-
icas in ensi icadas na pós-mode nidade. A a és de um dis anciamen o c escen e da população em
elação à mo e e ao so imen o, con o me apon ado po A iès (1974), Mo is (1981) e Buch (2010),
e a c ise psíquica esul an e da agmen ação de discu sos o alizado es, con o me Eco (2006) e
Bauman (1998), a sociedade se mos a ulne á el a igu as públicas que enca nam a p omessa de
es abelecimen o da o dem po meio de ações iolen as. A escul u a de munição ao lado de Mo o
não apenas e o ça essa es é ica de o ça e pu eza, mas ambém e idencia o en o pecimen o cole i o
en e à iolência, exace bado pela busca po uma pu eza mo al que pa ece jus i ica qualque meio.
Dessa o ma, a análise amplia o deba e sob e como a polí ica, po meio de ep esen ações midiá icas,
pode con ibui pa a a no malização e/ou edução da sensibilidade à iolência, em con as e com o
p ocesso de iden i icação da mo e discu ido po A iès (1974).
O ápido ad en o de ideias p og essis as na década de 2000 ez com que pa e da popu-
lação se sen isse deslocada da sociedade e buscasse e úgio em o mas al e na i as de in e ação. As
edes sociais e o ça am a c iação de g upos ex emis as e as pessoas se i am odeadas de ou as
pessoas que con i ma am suas opiniões, po mais absu das que pudessem se . Es e mo imen o
é esponsá el pela p opagação de ideias obscu an is as, an iciência, an i acinas e ou os ideais
pe igosos. Tal apoio mú uo unciona como um ca alisado pa a e oma algum ní el de es abili-
dade e pu eza po pa e des a população. Es a es abilidade pode se de ca á e emocional, ela i a
à c ença no u u o ou a é mesmo de cunho espi i ual. O mo imen o nacionalis a e a en a i a de
ea i a as o ças das eligiões ambém co obo am al pe spec i a, pois con ibuem pa a um
sen imen o de pe ença e de cons ução de algo apa en emen e pe ene e indes u í el, capaz de
esis i às al e ações causadas pelo p og essismo.
Sabendo capi aliza poli icamen e es a angús ia, a a és de ases ei as e soluções sim-
ples pa a p oblemas complexos, a ex ema-di ei a e e sua ascensão me eó ica em meados
da década de 2010 e deu sinais de en aquecimen o, com a de o a de Donald T ump em
2020, candida o à eeleição nos Es ados Unidos, as di e sas eleições de candida os con á ios
a es e mo imen o na Amé ica do Sul e a de o a de Bolsona o nas eleições do B asil de 2022.
P oblemas sociais como o excesso de iolência não são esol idos de manei a sim-
ples, sendo discu idos há mais de uma cen ena de anos como apon a Buch (2010) e de
comp eensão ainda discu í el, como des acado po Biondi (2016).
A humanidade, no en an o, é cíclica e semp e passa po momen os de ascensão e
queda. Essa ápida guinada con a as ideias p og essis as das úl imas décadas pode já
21
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
No as
1 A o o oi no iciada em di e sos po ais:
h ps:// einaldoaze edo.blogos e a.uol.com.b /2019/12/12/mo o-esculpido-a-bala- em-a-ca a-an ipob e-e-an ip e o-
da-ex ema-di ei a/;
h ps:// e is a o um.com.b /poli ica/mo o- ambem-ganha-painel- o mado-po -balas-e-posa-com-ele/;
h ps://www.pode 360.com.b /go e no/mo o-e-homenageado-com-ob a- ei a-com-ca uchos-de-balas;
h ps://no icias.uol.com.b /poli ica/ul imas-no icias/2019/12/11/mo o-ganha-ob a-de-ca uchos-de-bala.h m. Acesso
em: 08 jun. 2024.
2 Todas as aduções o am ei as li emen e po mim.
3 Compe ições de jogos ele ônicos, em que os jogado es são conside ados a le as p o issionais e a pla eia assis e
p esencialmen e e/ou a a és de pla a o mas de s eaming.
4 Pa a mais in o mações, con e i : h ps://www.bbc.com/po uguese/a icles/c gl7x0e0lmo. Acesso em: 18 se . 2024.
5 Pa a maio es in o mações, acessa : h ps://supe .ab il.com.b /his o ia/a-ambigua- elacao-en e-hi le -e-a-ig eja. Acesso
em: 18 se . 2024.
6 Da aísmo é uma isão de mundo eme gen e, popula izada po Yu al Noah Ha a i, ap o undada po Alex Sandy Pen land,
que coloca os dados e os luxos de in o mação como a base undamen al pa a a comp eensão da ealidade e pa a a
omada de decisões. Segundo essa pe spec i a, a ida, os p ocessos humanos e a é mesmo a consciência podem se
is os como sis emas de p ocessamen o de dados. O Da aísmo suge e que a máxima e iciência e a melho comp eensão
do mundo ad êm da cole a, análise e in e p e ação de g andes olumes de dados, o nando-se, assim, uma no a o ma
de " eligião" que alo iza o luxo i es i o de in o mação.
7 Pa a mais in o mações, con e i : h ps://www. ice.com/p /a icle/po -que-es e-audiao-pis ola- esume-o-b asil-da-
me i oc acia/. Acesso em: 19 jun. 2024.
8 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www. p.p /no icias/mundo/b asil-bandido-bom-e-bandido-mo o_
a1120003. Acesso em: 06 jun. 2024.
9 Pa a maio es in o mações, con e i : h p://g1.globo.com/ma o-g osso/no icia/2016/04/ad ogado-mobiliza- aquinha-
e- az-bonecao-de-supe -mo o-em-m .h ml. Acesso em: 05 jun. 2024.
10 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.publishnews.com.b / anking/anual/13/2016/0/0. Acesso em: 05 jun. 2024.
11 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.publishnews.com.b / anking/anual/0/2016/23/0. Acesso em: 05 jun. 2024.
12 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps:// hein e cep .com/2020/01/20/linha-do- empo- aza-ja o/. Acesso em: 05 jun. 2024.
13 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www. e a.com.b /no icias/b asil/poli ica/pg - eco e-da-decisao-que-
es ende-e ei o-da-suspeicao-de-mo o-a-ou os-p ocessos,c37e539 6c1682ac 56279b2320e7d01c295czy2.h ml.
Acesso em: 05 jun. 2024.
14 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.lemonde. /en/a chi es/a icle/2022/03/11/la a-ja o- he-b azilian-
ap_5978421_113.h ml. Acesso em: 17 se . 2024.
15 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://apublica.o g/2020/03/como-a-la a-ja o-escondeu-do-go e no- ede al-
isi a-do- bi-e-p ocu ado es-ame icanos/. Acesso em: 18 se . 2024.
16 Em anking mundial de homicídios, B asil ocupa 13º luga . Disponí el em: h ps://no icias. 7.com/in e nacional/
em- anking-mundial-de-homicidios-b asil-ocupa-13-luga -20072018. Acesso em: 07 jun. 2024.
17 A las da iolência 2019: núme o de mo os po a ma de ogo c esce 6,8% e a inge pa ama inédi o. Disponí el em:
h ps://oglobo.globo.com/b asil/a las-da- iolencia-2019-nume o-de-mo os-po -a mas-de- ogo-c esce-68-a inge-
pa ama -inedi o-23718281. Acesso em: 07 jun. 2024.
da indícios de sua queda, mas ambém podem indica uma ou a coisa: como o a aque
desespe ado de um animal encu alado, es a pode se a úl ima pulsão alucinada de algo
que es á no limia da de sua mo e.
22
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
18 A las da Violência 2021 e ela queda de homicídios e aumen o de mo es iolen as no B asil. Disponí el em:
h ps://www.cnnb asil.com.b /nacional/a las-da- iolencia-2021- e ela-queda-de-homicidios-e-aumen o-de-mo es-
iolen as-no-b asil/. Acesso em: 07 jun. 2024.
19 B asil e e 65,6 mil assassina os em 2017, e ela a las da iolência; núme o é maio do que o di ulgado pelas au o idades
de segu ança. Disponí el em: h ps://g1.globo.com/sp/sao-paulo/no icia/2019/06/05/b asil- e e-656-mil-assassina os-
em-2017- e ela-a las-da- iolencia-nume o-e-maio -que-o-di ulgado-pelas-au o idades-de-segu anca.gh ml. Acesso
em: Acesso em: 07 jun. 2024.
20 Fo ça policial b asilei a é a que mais ma a no mundo, diz ela ó io. Disponí el em: h ps://g1.globo.com/globo-news/
no icia/2015/09/ o ca-policial-b asilei a-e-que-mais-ma a-no-mundo-diz- ela o io.h ml. Acesso em: 07 jun. 2024.
21 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.me opoles.com/b asil/a esao-que- ez-ob as-pa a-bolsona o-
jamais- a ia-pa a-lula. Acesso em: 08 jun. 2024.
22 Láza o Ba bosa en e a icção e a ealidade. Disponí el em: h ps://you u.be/GR1uJ19 kXI. Acesso em: 08 jun. 2024.
23 Duas pessoas mo em em en a i a de assal o na G ande SP. Disponí el em: h ps://www.band.uol.com.b /no icias/b asil-
u gen e/ul imas/duas-pessoas-mo em-em- en a i a-de-assal o-na-g ande-sp-16636243. Acesso em: 08 jun. 2024.
24 Reco d é acusada de aze sensacionalismo com a ogamen o de homem du an e enchen e em SP: “canalhas”.
Disponí el em: h ps://www.b asil247.com/midia/ eco d-e-acusada-de- aze -sensacionalismo-com-a ogamen o-de-
homem-du an e-enchen e-em-sp-canalhas. Acesso em: 08 jun. 2024.
25 Mo o é p esen eado com ob a ei a com ca uchos de bala. Disponí el em: h ps://no icias.uol.com.b /poli ica/ul imas-
no icias/2019/12/11/mo o-ganha-ob a-de-ca uchos-de-bala.h m. Acesso em: 07 jun. 2024.
26 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.bbc.com/po uguese/in e nacional-38447192. Acesso em: 08 jun. 2024.
27 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.dw.com/p -b /onde-o-populismo-de-di ei a-es %C3%A1-no-pode -
no-mundo/a-46065697. Acesso em: 08 jun. 2024.
28 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://www.publico.p /2020/10/27/mundo/no icia/ex emadi ei a-ap o ei a-
co id19-ganha -espaco- uas-1936795. Acesso em: 08 jun. 2024.
29 Pa a maio es in o mações, con e i : h ps://g1.globo.com/mundo/no icia/2020/04/24/ ump- ala-em-injecao-de-
desin e an e-con a-co ona i us-e-medico- eba e-i esponsa el-e-pe igoso.gh ml. Acesso em: 08 jun. 2024.
23
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
Re e ências
ACAYABA, Cín ia; REIS, Thiago; SILVEIRA, Daniel. “B asil e e 65,6 mil assassina os em 2017,
e ela A las da Violência; núme o é maio que o di ulgado pelas au o idades de segu ança”. G1
São Paulo, 05 jun. 2019.
ANDRÉS, Robe o. A azão dos cen a os. Rio de Janei o: Zaha , 2023.
ANTENA 1. B asil. “Bandido bom é bandido mo o”. RTP No ícias, 30 dez. 2018.
ARIÈS, Philippe. Wes e n a i udes owa d dea h. Lond es: Ma ion Boya s Publishe s, 1974.
AZEVEDO, Reinaldo. “Mo o esculpido a bala em a ca a an ipob e e an ip e o da ex ema-di ei a”.
Re is a UOL, 12 dez. 2019
BAUMAN, Zygmun . O mal-es a da pós-mode nidade. Rio de Janei o: Zaha , 1998.
BIONDI, Angie Gomes. "T ês igu ações do co po so edo no o ojo nalismo". In: MARTINS, Moisés
de Lemos; CORREIA, Ma ia da Luz; VAZ, Paulo Be na do; ANTUNES, El on (eds.). Figu ações
da mo e nos média e na cul u a: en e o es anho e o amilia . B aga, CECS, 2016, pp. 227–245.
BIROLI, Flá ia; TATAGIBA, Luciana; QUINTELA, Débo a F ançolin (2024). "Reações à igualdade de
gêne o e ocupação do Es ado no go e no Bolsona o (2019-2022)". Opinião Pública, ol. 30,
pp. 1–32, 2024.
BITTENCOURT, Julinho. “Mo o ambém ganha painel o mado po balas. E posa com ele”. Fó um,
Polí ica, 11 dez. 2019.
BUCH, Robe . The pa hos o he eal: On he aes he ics o iolence in he wen ie h cen u y.
Bal imo e: Johns Hopkins Uni e si y P ess, 2010.
BUTLER, Judi h. Quad os de gue a: Quando a ida é passí el de lu o? Rio de Janei o: Ci ilização
B asilei a, 2015.
CARVALHO, Rone. “O que explica mul iplicação de emplos e angélicos no B asil”. BBC B asil,
São Paulo, 12 jul. 2023.
CASULLO, Ma ia Espe anza. "The Body Speaks Be o e I E en Talks: Delibe a ion, Populism and
Bodily Rep esen a ion". Jou nal o Delibe a i e Democ acy, ol. 16, n. 1, pp. 27–36, 2020.
CHAGAS-BASTOS, Fab ício "Poli ical ealignmen in B azil: Jai Bolsona o and he igh u n".
Re is a de Es udios Sociales, ol. 2019, n. 69, pp. 92–100, 2019.
CUNHA, Magali do Nascimen o “'B azil Abo e E e y hing. God Abo e E e yone.' Poli ical-
Religious Fundamen alis Exp essions in Digi al Media in Times o Ul a-Righ Populism in
B azil". In e na ional Jou nal o Communica ion, ol. 17, pp. 2841–2863, 2023.
DURAND, Gilbe . A Imaginação Simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993.
ECO, Umbe o. Apocalíp icos e In eg ados.São Paulo: Pe spec i a, 2006.
24
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
ESTRADA, Gaspa d; BOURCIER, Nicolas. “‘La a Ja o’, he B azilian ap”. Le Monde, 11 ab . 2021.
EURONEWS. “Sup emo T ibunal dos EUA acaba com ga an ia de di ei o ao abo o”. Eu onews,
24 jun. 2022.
G1. “T ump ala em injeção de desin e an e con a co ona í us e médico eba e: 'i esponsá el e
pe igoso'”. G1 Mundo, 24 ab . 2020.
G1 MT. “Com aquinha, ad ogado az boneco de 12 me os de 'Supe Mo o' em MT”. G1 MT,
01 ab . 2016.
GEERTZ, Cli o d. A In e p e ação das Cul u as. São Paulo: LTC, 2008.
GLOBO NEWS. “Fo ça policial b asilei a é a que mais ma a no mundo, diz ela ó io”. Globo
News, 07 se . 2015.
GOUVEIA, Lais. “Reco d é acusada de aze sensacionalismo com a ogamen o de homem du an e
enchen e em SP: ‘canalhas’”. B asil 247, 15 ma . 2023.
GOUSSINSKY, Eugenio. “Em anking mundial de homicídios, B asil ocupa 13º luga ”. No ícias R7,
In e nacional, 15 jul. 2018.
HARARI, Yu al. Homo Deus. Uma b e e his ó ia do amanhã. Rio de Janei o: Companhia das Le as, 2015.
JENSEN, Klaus B uhn A Handbook o Media and Communica ion Resea ch: Quali a i e and
quan i a i e me hodologies. Lond es: Rou ledge, 2021.
KOKAY, É ika. “Onde o populismo de di ei a es á no pode no mundo”. DW, Polí ica, 28 ou . 2018.
LARA, Ra aela; FERRARI, Mu illo. “A las da Violência 2021 e ela queda de homicídios e aumen o
de mo es iolen as no B asil”. CNN B asil, São Paulo, 31 ago. 2021.
LORRAN, Tácio. “Quem é Rod igo Camacho, a esão de p ojé eis que ganhou Bolsona o”.
Me ópoles, 22 no . 2019.
MAFFESOLI, Michel. "U opias e di ino social". In: MARTINS, Moisés de Lemos (ed.), Comunicação
e Sociedade (4 h ed., pp. 11–25). B aga: CECS, 2002, pp. 11-25.
MARTINS, Moisés de Lemos. A linguagem, a e dade e o pode - ensaio de semió ica social.
B aga: Edições Húmus, Lda, 2017.
MÓNICA, Ma ia Filomena. A Mo e. Lisboa: Fundação F ancisco Manoel dos San os, 2015.
MORRIS, Desmond. A ibo do u ebol. Sin a: Publicações Eu opa-Amé ica, 1981.
MOTTA, Rayssa. “PGR eco e da decisão que es ende e ei o da suspeição de Mo o a ou os
p ocessos”. Te a, Polí ica, 2 jul. 2021.
OSSWALD, Wal e . Sob e a mo e e o mo e . Lisboa: Fundação F ancisco Manoel dos San os, 2013.
25
Dilemas, Re . Es ud. Con li o Con ole Soc. – Rio de Janei o – Vol. 18 – no 2 – 2025 – e64482
Rica do Zocc a
PEREIRA, Ede Johnson de A ea Leão; FERREIRA, Paulo Jo ge Sil ei a; RIBEIRO, Luis de Ca los
San ana; CARVALHO, Te ciane Sabadini; PEREIRA, He nane Bo ges de Ba os. "Policy in B azil
(2016–2019) h ea en conse a ion o he Amazon ain o es ". En i onmen al Science and
Policy, ol. 100, pp. 8–12, 2019.
RESNICK, S ephen; WOLFF, Richa d. New depa u es in ma xian heo y. Lond es: Rou ledge, 2006.
REDAÇÃO. “Duas pessoas mo em em en a i a de assal o na G ande SP”. Band, B asil U gen e, 28 se . 2023.
REIS, Ped o Bas os. “Ex ema-di ei a ap o ei a a co id-19 pa a ganha espaço nas uas”. Público,
27 ou . 2020.
ROSA, Ana Paula. Con li os midia izados: das idas pe didas à polí ica das imagens em ci culação.
Líbe o, ol. 52, pp. 92–109, 2022.
ROSCOE, Bea iz. “Mo o é homenageado com ob a ei a com ca uchos de balas”. Pode 360, 11 dez. 2019.
SACONI, João Paulo; GUERRA, Rayande son. “A las da Violência 2019: núme o de mo os po
a mas de ogo c esce 6,8% e a inge pa ama inédi o”. O Globo, Polí ica, 05 jun. 2019.
SZKLARZ, Edua do. “A ambígua elação en e Hi le e a Ig eja”. Supe in e essan e, 23 maio 2018.
THE INTERCEPT BRASIL. “Leia odas as epo agens que o In e cep e pa cei os p oduzi am pa a a
Vaza Ja o”. The In e cep B asil, 20 jan. 2020.
UOL. “Mo o é p esen eado com ob a ei a com ca uchos de balas”. Uol, São Paulo, 11 dez. 2019.
VIANA, Na alia; FISHMAN, And ew; SALEH, Ma yam; Agência Pública/The In e cep B asil.
“Como a La a Ja o escondeu do go e no ede al isi a do FBI e p ocu ado es ame icanos”.
Agência Pública, 12 ma . 2020.
ZOCCA, Rica do. T ês ilmes e a mesma na a i a: o capi alismo a dio no cinema. RUA-L: Re is a
Da Uni e sidade de A ei o. ol. 10, pp. 131-149, 2022.
RICARDO ZOCCA (zocca. ica [email protected])
é dou o ando em Ciências da Comunicação no Cen o
de Es udos de Comunicação e Sociedade (CECS) pela
Uni e sidade do Minho (Uminho, B aga, Po ugal),
mes e em Comunicação es a égica pela Uni e sidade
da Bei a In e io (UBI, Co ilhã, Po ugal) e g aduado em
Comunicação Social com habili ação em Publicidade
e P opaganda pela Uni e sidade Fede al do Pampa
(Unipampa, Rio G ande do Sul, B asil).
h ps://o cid.o g/0000-0002-2243-725X
Recebido em: 21/06/2024
Ap o ado em: 16/10/2024
Edi o esponsá el: Michel Misse