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Entre língua e identidade: uma experiência de estágio curricular como tradutora pt-BR em Portugal

Author: Reis, Lia Simões Conrado dos
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/02978881-343d-41c7-9365-bb7b64ba515b/download
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
Lia Simões Con ado dos Reis
En e língua e iden idade: Uma
expe iência de es ágio cu icula
como adu o a p -BR em Po ugal
janei o de 2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
Lia Simões Con ado dos Reis
En e língua e iden idade: Uma
expe iência de es ágio cu icula
como adu o a p -BR em Po ugal
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em T adução e Comunicação Mul ilingue
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ana Te esa Va ajão
Mou inho Pe ei a Co eia
janei o de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho acadêmico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei as, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso
o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con a a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii
Ag adecimen os
A ealização des e ela ó io de es ágio oi ma cada po desa ios, ap endizagens e descobe as, e
não e ia sido possí el sem o apoio de pessoas e ins i uições às quais exp esso minha p o unda
g a idão.
À minha o ien ado a, a P o esso a Dou o a Ana Co eia, pelo apoio, paciência, disponibilidade e
odas as con ibuições undamen ais pa a a es u u ação des e abalho. Seu olha c í ico e suas
e lexões o am essenciais pa a amplia minha comp eensão sob e os emas abo dados.
À Wo da achmen , pela opo unidade de ime são no ambien e p o issional e pelo ap endizado
p opo cionado ao longo do es ágio. Aos colegas de equipe, que hoje são ambém colegas de
abalho, ag adeço pelo acolhimen o, pela gene osidade em compa ilha conhecimen os e pela
colabo ação diá ia, que o na am es a expe iência ainda mais en iquecedo a.
À minha amília, que, mesmo sepa ada po ês usos ho á ios, es e e semp e p esen e. Seu apoio
incondicional, ainda que à dis ância, oi essencial pa a que eu seguisse adian e com con iança e
de e minação.
Aos amigos que, de di e en es pa es do mundo, es i e am ao meu lado ao longo des e pe cu so,
o e eço meu since o ag adecimen o. Em especial, ao Tiago e à Ma ia João, que acompanha am
cada e apa des a jo nada de pe o e me man i e am de pé, li e almen e, compa ilhando desa ios,
conquis as e pala as de incen i o nos momen os mais decisi os.
A odos que, de alguma o ma, ize am pa e des a aje ó ia, deixo aqui o meu mais since o
econhecimen o.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho acadêmico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Resumo
O p esen e ela ó io de es ágio cu icula , in i ulado
En e língua e iden idade: Uma expe iência de
es ágio cu icula como adu o a p -BR em Po ugal
, examina as dinâmicas do me cado de
adução de po uguês b asilei o (p -BR) em Po ugal e p oblema iza a iden idade do adu o
b asilei o nesse con ex o. Com base nos 30 p oje os de adução em á eas écnicas di e sas,
u ilizando e amen as CAT e de QA, es a análise isa (i) desc e e o me cado de adução de p -
BR e p -PT, (ii) e le i sob e os desa ios iden i á ios en en ados po adu o es b asilei os e (iii)
a alia c i icamen e as expe iências p á icas i enciadas du an e o es ágio. A conc e ização desses
ês obje i os con ibui pa a uma melho comp eensão das complexidades da adução em
con ex os mul ilíngues e das in e ações en e língua e iden idade. A ime são em um ambien e
p edominan emen e eu opeu des acou o enômeno da a ição linguís ica, que, colocando desa ios
cons an es à es agiá ia, acabou po o alece a sua iden idade como adu o a de p -BR.
Pala as-cha e: adução, me cado de adução, po uguês b asilei o, iden idade do adu o ,
a ição linguís ica.
i
Abs ac
This cu icula in e nship epo ,
Be ween language and iden i y: A cu icula in e nship expe ience
as a p -BR ansla o in Po ugal
, examines he dynamics o he B azilian Po uguese (p -BR)
ansla ion ma ke in Po ugal and explo es he complexi ies o he iden i y o he B azilian ansla o
in his con ex . Based on 30 ansla ion p ojec s in a ious echnical a eas and he use o CAT and
QA ools, his analysis aims o (i) desc ibe he p -BR and p -PT ansla ion ma ke , (ii) e lec on he
iden i y challenges aced by B azilian ansla o s and (iii) c i ically e alua e he p ac ical expe iences
gained du ing he in e nship. The achie emen o hese h ee objec i es con ibu es o a be e
unde s anding o he complexi ies o ansla ion in mul ilingual con ex s and he in e ac ions
be ween language and iden i y. By being imme sed in a p edominan ly Eu opean en i onmen , he
phenomenon o linguis ic a i ion was highligh ed, which, by posing cons an challenges o he
in e n, ended up s eng hening he iden i y as a p -BR ansla o .
Keywo ds: ansla ion, ansla ion ma ke , B azilian Po uguese, ansla o iden i y, language
a i ion.
ii
Índice
In odução ................................................................................................................ 1
1. Enquad amen o eó ico......................................................................................... 3
1.1. O me cado e o sis ema mundial de adução ................................................................. 3
1.1.1. O po uguês no sis ema mundial de adução ....................................................... 5
1.2. Iden idade do adu o ................................................................................................... 7
1.3. A ição .......................................................................................................................... 9
2. Ins i uição de acolhimen o .................................................................................. 11
2.1. Ap esen ação da emp esa de acolhimen o ...................................................................11
2.2. Dinâmica de abalho ..................................................................................................12
2.3. Compa ação da demanda en e as a ian es do po uguês ..........................................14
3. Es ágio cu icula ............................................................................................... 16
3.1. Visão ge al ..................................................................................................................16
3.2. Fe amen as e ecu sos...............................................................................................19
3.2.1. Fe amen as CAT ...............................................................................................21
3.2.2 Fe amen as de QA .............................................................................................22
3.2.3 Recu sos de pesquisa .........................................................................................23
3.3. A iden idade do adu o ..............................................................................................24
3.3.1. A expe iência da es agiá ia enquan o adu o a ...................................................25
3.3.2. A expe iência de ou as linguis as b asilei as ......................................................26
3.4 E olução da es agiá ia ..................................................................................................28
Conside ações inais ............................................................................................... 32
Re e ências bibliog á icas ....................................................................................... 34
5
No caso do po uguês, essa dinâmica é especialmen e ele an e de ido à sua dualidade in e na
en e o po uguês b asilei o e o po uguês eu opeu. Embo a Heilb on (1999) não abo de
di e amen e o caso do po uguês, é possí el aplica seus concei os ao en endimen o dessa língua,
que, de ido à sua di e sidade in e na en e as a ian es b asilei a e eu opeia, ap esen a
especi icidades que podem se in luenciadas po essa hie a quia global.
A ans o mação digi al e a localização de con eúdos êm exe cido uma in luência signi ica i a sob e
a posição das línguas pe i é icas no sis ema mundial de adução. No caso especí ico da língua
po uguesa, obse a-se um aumen o na demanda pela localização de con eúdos, o que exige
p o issionais especializados capazes de p ese a a in eg idade do ex o o iginal enquan o a endem
às expec a i as cul u ais e linguís icas do público-al o. Nesse cená io, as compe ências écnicas e
cul u ais o nam-se a ibu os indispensá eis pa a os adu o es que a uam em con ex os ma cados
pela di e sidade linguís ica e cul u al.
O me cado de adução, po sua ez, em expe imen ado impac os signi ica i os deco en es de
ino ações ecnológicas, no adamen e o uso de e amen as de adução au omá ica baseadas em
in eligência a i icial. Embo a essas ecnologias possibili em maio e iciência ope acional e edução
de cus os, sua aplicação encon a limi es em con ex os que eque em ele ada sensibilidade cul u al
e c ia i idade, á eas nas quais a in e enção humana pe manece imp escindí el.
Nesse sen ido, o adu o humano con inua a desempenha um papel cen al, especialmen e no
caso do po uguês, cuja complexidade in e na e a iação geog á ica demandam ní eis ele ados de
especialização e e inamen o. O me cado de adução, ao e le i as dinâmicas globais do sis ema
mundial, ea i ma a impo ância de adu o es al amen e quali icados e cul u almen e conscien es
pa a a ende às necessidades de uma audiência global cada ez mais di e si icada.
1.1.1. O po uguês no sis ema mundial de adução
A posição do po uguês no sis ema mundial de adução é ma cada po sua condição de língua
pe i é ica, con o me os modelos eó icos de E en-Zoha (1990) e Heilb on (1999). Apesa de se
a língua o icial de mais de 260 milhões de pessoas e de es a p esen e em di e sos con inen es,
o po uguês não ocupa uma posição cen al no me cado global de adução. Isso se e le e na
quan idade limi ada de aduções de ob as em po uguês pa a ou as línguas, especialmen e
quando compa ado ao olume de aduções do inglês ou pa a o inglês.

6
O po uguês eu opeu e o po uguês b asilei o ap esen am especi icidades den o desse pano ama.
O po uguês eu opeu, po es a inse ido no con ex o da União Eu opeia, pa icipa de um me cado
de adução mais in eg ado, ecebendo in es imen os em á eas como adução ju ídica e
ins i ucional. Po exemplo, a União Eu opeia emp ega milha es de adu o es pa a ga an i a
adução de documen os o iciais em odas as suas línguas o iciais, incluindo o po uguês. Já o
po uguês b asilei o, de ido à dimensão e i o ial e populacional do B asil, concen a suas p á icas
adu ó ias em me cados in e nos e egionais, com oco na localização de con eúdos, na indús ia
de en e enimen o (como dublagem e legendagem) e na adução edi o ial. (Mil on, 2005).
Além disso, o po uguês, enquan o língua de pa ida, en en a desa ios no que ange à isibilidade
in e nacional de suas p oduções cul u ais. Mui as ob as li e á ias em po uguês pe manecem
es i as a con ex os lusó onos, sendo aduzidas na sua maio ia pa a línguas cen ais apenas em
casos de g ande p ojeção midiá ica ou p êmios in e nacionais. Po ou o lado, como língua de
chegada, o po uguês ecebe aduções p incipalmen e do inglês, e le indo as endências globais
de consumo cul u al. Mil on (2005) a i ma que, his o icamen e, g ande pa e das aduções
publicadas no B asil são o iundas de ob as em inglês, o que demons a a o e in luência dessa
língua no me cado edi o ial lusó ono.
As elações de pode no sis ema mundial de adução são equen emen e desiguais, com as
línguas cen ais, como o inglês, di ando as no mas e expec a i as pa a o es an e do sis ema.
T adu o es que ope am em línguas pe i é icas, como o po uguês, en en am desa ios adicionais
de ido à necessidade de adap a seu abalho às especi icidades cul u ais e linguís icas do público-
al o (Moe e al., 2019). Essa adap ação não apenas en ol e ques ões de e minologia, mas
ambém exige uma a enção cons an e à adequação cul u al, e i ando o es anhamen o en e o
ex o aduzido e o lei o de des ino (Snell-Ho nby, 1999).
Apesa disso, a globalização e a localização de con eúdo êm ampliado as opo unidades e desa ios
pa a os adu o es, especialmen e no con ex o do po uguês. As expec a i as de adap a di e en es
ipos de con eúdo pa a me cados globais, man endo ao mesmo empo a coe ência com as no mas
cul u ais locais, exigem que os adu o es possuam compe ências écnicas e cul u ais a ançadas.
Essa demanda não só e le e as necessidades de um público global di e si icado, mas ambém
sublinha a impo ância de um einamen o con ínuo e uma isão c í ica pa a a p á ica adu ó ia,
isando ga an i a qualidade e a adequação cul u al das aduções (Moe e al., 2019).
7
1.2. Iden idade do adu o
A iden idade do adu o cons i ui um concei o complexo e mul idimensional, que ab ange aspec os
pessoais, p o issionais e cul u ais do indi íduo en ol ido no p ocesso adu ó io. De manei a ge al,
e e e-se ao conjun o de ca ac e ís icas que de inem o adu o , não apenas como especialis a na
ansposição de ex os en e línguas, mas ambém como agen e cul u al e linguís ico, cujas
expe iências e con ex o social in luenciam suas escolhas adu ó ias (Snell-Ho nby, 1999).
Ela é con igu ada po sua o mação acadêmica, aje ó ia p o issional, c enças, alo es, língua
ma e na e pela elação es abelecida com as línguas e cul u as com as quais in e age. Além disso,
no âmbi o da p á ica adu ó ia, a iden idade do adu o é, igualmen e, moldada pelas dinâmicas
do me cado de abalho, pelas expec a i as de clien es e pelas no mas que egem a p o issão, as
quais podem, em de e minados con ex os, desa ia ou e o ça sua pe cepção ace ca de sua unção
enquan o adu o . Embo a a aquisição de compe ências seja essencial pa a ga an i a qualidade
e a exa idão da adução (Hu ado Albi , 2010), a o es como a iden idade cul u al, social e
p o issional do adu o ambém in luenciam di e amen e as escolhas ei as ao longo do p ocesso
adu ó io.
No caso em análise, a iden idade da es agiá ia, cuja a ian e na i a é o po uguês b asilei o, é
di e amen e impac ada pela sua ime são no co idiano em Po ugal, onde a a ian e pad ão é a
eu opeia. Desse modo, essa dinâmica le an a ques ões ele an es sob e o papel da iden idade
adu ó ia em con ex os de ime são e as implicações desse a o pa a a p á ica p o issional.
De aco do com Snell-Ho nby (1999), o adu o exe ce um papel mediado en e cul u as, si uando-
se em um espaço de negociação en e as no mas linguís icas e cul u ais do ex o de o igem e as
expec a i as do público-al o. A iden idade do adu o , nesse sen ido, anscende a dimensão
indi idual e assume um ca á e uncional, di e amen e elacionado às exigências do me cado e às
especi icidades cul u ais do abalho ealizado.
Tou y (2012) de ende que a adução é egida po no mas cul u ais e sociais que e le em as
expec a i as da cul u a de chegada. Essas no mas são mediadas pela iden idade do adu o , que
a ua como um agen e cul u al, negociando en e os sis emas cul u ais de pa ida e de chegada
(E en-Zoha , 1990). Nesse con ex o, o adu o não apenas ans e e o con eúdo de uma língua
8
pa a ou a, mas ambém pa icipa de uma in e ação dinâmica en e di e en es sis emas cul u ais
e linguís icos, con ibuindo pa a a o mação de iden idades globais (C onin, 2010).
No caso do po uguês b asilei o, a iden idade da es agiá ia não se limi a à me a adesão às no mas
linguís icas dessa a ian e, mas e le e um comp omisso é ico e cul u al com o público-al o. Singe
(2022) a gumen a que a iden idade adu ó ia pode se is a como um p ocesso dinâmico, em
cons an e cons ução, em que a o es ex e nos in e agem com as c enças e alo es do adu o .
No con ex o de ime são em Po ugal, esse p ocesso é in ensi icado, uma ez que a con i ência
com a a ian e eu opeia e o ça a necessidade de delimi ação cla a da iden idade linguís ica e
cul u al da es agiá ia.
Embo a o ambien e de abalho es eja si uado em Po ugal, o público-al o das aduções ealizadas
é exclusi amen e b asilei o. No con ex o do p esen e es udo, isso exige da es agiá ia, enquan o
adu o a, uma pos u a de ea i mação iden i á ia. A con i ência com no mas e p á icas dis in as
pode ge a um aumen o da consciência linguís ica e uma sensibilidade maio às di e enças en e
as a ian es. Con udo, essa exposição não al e a as escolhas adu ó ias, que pe manecem
o ien adas pela a ian e b asilei a, mas con ibui pa a uma e lexão mais ampla sob e a iden idade
p o issional do adu o e seu papel no me cado global de adução.
Li (2014) a gumen a que as escolhas adu ó ias são, mui as ezes, moldadas pela expe iência
cul u al e pela pe spec i a pessoal do adu o , o que pode esul a em in e p e ações dis in as de
um mesmo ex o. Po ou o lado, Singe (2022) des aca que a o mação da iden idade p o issional
do adu o es á in imamen e elacionada ao g au de comp ome imen o com a á ea, in luenciando
an o a p á ica adu ó ia quan o o econhecimen o da adução como um campo p o issional e
acadêmico. A ime são em um ambien e p edominan emen e eu opeu, longe de agiliza a
iden idade adu ó ia, pa ece o alecê-la. O abalho em um ambien e onde a a ian e eu opeia
p edomina sublinha a impo ância de p ese a a au en icidade do po uguês b asilei o como um
a o de ep esen ação cul u al, ga an indo que o público-al o eceba um ex o alinhado às suas
expec a i as linguís icas e cul u ais.
Adicionalmen e, o impac o da iden idade do adu o é pa icula men e ele an e em con ex os
bilíngues ou mul ilíngues, onde a a ição linguís ica pode in luencia a p odução linguís ica (Schmid
& Köpke, 2007; Schmid & Meho che a, 2012). Esses es udos essal am a in e ação en e a
compe ência linguís ica e a expe iência de ime são cul u al, des acando o modo como o con a o
9
p olongado com ou as línguas e cul u as, en e ou os a o es ex e nos, podem molda a iden idade
do adu o e, consequen emen e, sua p á ica adu ó ia.
Con o me eo izado po Venu i (2017), o concei o de in isibilidade do adu o é equen emen e
ap esen ado como um ideal no me cado adu ó io, em que o ex o aduzido de e pa ece uma
c iação o iginal na língua de chegada. Con udo, essa in isibilidade pode ge a ensões em si uações
em que ques ões iden i á ias es ão em jogo, especialmen e em con ex os nos quais a ian es
linguís icas coexis em e possuem elações de pode dis in as.
No caso em es udo, a in isibilidade do adu o não implica a ausência de iden idade, mas sim a
sua ea i mação po meio da qualidade e adequação do ex o ao público b asilei o. A manu enção
das ca ac e ís icas do po uguês b asilei o no p odu o inal, mesmo em um ambien e
p edominan emen e eu opeu, e le e uma escolha conscien e e é ica da es agiá ia, que equilib a
as demandas do me cado com a p ese ação de sua iden idade linguís ica. Essa pos u a, longe de
comp ome e a luidez do ex o aduzido, en iquece a p á ica adu ó ia ao p omo e uma conexão
mais au ên ica en e o ex o e o lei o .
A iden idade do adu o , nesse con ex o, eme ge como um elemen o cen al que o ien a as
decisões adu ó ias e e le e o comp omisso do p o issional com a cul u a e a língua de seu
público-al o. A expe iência de ime são em Po ugal e idencia o papel da iden idade como uma
o ça que anscende as on ei as linguís icas e cul u ais, consolidando o adu o como um agen e
a i o no me cado global de adução.
1.3. A ição
A a ição da língua na i a é um enômeno que eme ge no con ex o do bilinguismo e ca ac e iza-se
pela edução na p o iciência de uma língua p e iamen e adqui ida. Esse p ocesso não pa ológico,
desc i o po Schmid e Köpke (2007) como uma mudança no compo amen o linguís ico de ido à
diminuição ou cessação do con a o com a comunidade linguís ica de o igem, é especialmen e
ele an e em cená ios de mig ação e exposição in ensa a uma segunda língua (L2). Tal enômeno
é amplamen e in luenciado pela in e ação en e os sis emas linguís icos da p imei a língua (L1) e
da segunda (L2), cená io em que a o es como a edução do uso da L1 e o aumen o da exposição
à L2 desempenham papéis cen ais (Schmid & Köpke, 2007; Schmid & Meho che a, 2012).
10
Con o me discu ido na subseção an e io , a iden idade do adu o é cons uída a pa i de sua
compe ência na língua de abalho, mas ambém pela sua inse ção em con ex os cul u ais e
linguís icos especí icos. O con a o p olongado com a a ian e eu opeia do po uguês pode ge a
hesi ação e e isões eco en es du an e o p ocesso adu ó io pa a a a ian e b asilei a. T adu o es
b asilei os, ao i e em e exe ce em suas a i idades em Po ugal, en en am um p ocesso de
cons an e ea i mação de sua iden idade linguís ica e cul u al pa a p ese a a in eg idade da
a ian e b asilei a no p odu o de seu abalho. Nes e es udo, al enômeno é analisado sob a
pe spec i a da es agiá ia enquan o adu o a, cuja L1 é o po uguês b asilei o, no exe cício de suas
a i idades es ando inse ida em um ambien e co idiano p edominan emen e ime so na a ian e
eu opeia do po uguês, conside ada L2 nes e con ex o.
Sendo assim, a a ição oco e como uma consequência ine i á el da exposição equen e e in ensa
à L2. Essa exposição pode le a à assimilação inconscien e de aços lexicais, sin á icos e
es ilís icos p óp ios do po uguês eu opeu. Singe (2022) a gumen a que a iden idade adu ó ia é
di e amen e in luenciada pelo g au de comp ome imen o do p o issional com sua língua de
abalho, podendo so e lu uações dian e de p essões ex e nas, si uações de c ise e es esse.
Po an o, essa iden idade ambém pode ia se ensionada pela necessidade de adap ação a um
ambien e linguís ico dis in o, como o obse ado nes e caso.
A expe iência da es agiá ia ambém az à ona, con o me já e e ido, a ques ão da in isibilidade
do adu o , um concei o amplamen e discu ido po Venu i (2017). O au o de ende que o ex o
aduzido de e ap esen a luidez e na u alidade, ocul ando a in e enção do adu o no p ocesso
de mediação. No en an o, a a ição linguís ica pode comp ome e a ealização desse ideal ao
in oduzi ma cas da L2 que o nam o ex o menos alinhado com as expec a i as do público-al o.
Esse enômeno mani es a-se, po exemplo, na adoção in olun á ia de es u u as g ama icais ou
escolhas es ilís icas que, embo a adequadas à a ian e eu opeia, podem causa es anhamen o ao
lei o b asilei o. Assim, a a ição não apenas ameaça a au en icidade linguís ica do ex o, mas
ambém di icul a a manu enção da in isibilidade do adu o , ao expo um des asamen o en e a
a ian e espe ada e a en egue.
Ademais, a a ição in ensi ica a necessidade de um es o ço conscien e po pa e do adu o pa a
p ese a a consis ência e minológica, lexical, sin á ica e es ilís ica com a a ian e b asilei a. Snell-
Ho nby (1999) des aca que a iden idade linguís ica é um ecu so es a égico que pode se u ilizado

11
pa a esis i à p essão assimila i a do ambien e. No en an o, al esis ência demanda uma
cons an e igilância po pa e do adu o e a u ilização de e amen as e ecu sos que e o cem a
a ian e b asilei a du an e o p ocesso adu ó io e a enuem os e ei os do con a o linguís ico.
Logo, é possí el a i ma que a a ição, a iden idade e a in isibilidade do adu o encon am-se
in e conec adas. Pa a adu o es b asilei os que a uam em um ambien e ime so na a ian e
eu opeia do po uguês, a a ição ep esen a um desa io signi ica i o que exige es a égias
consis en es de mi igação. A e lexão sob e esses aspec os e ela não apenas os desa ios ine en es
à p á ica adu ó ia em con ex os mul ilíngues, mas ambém as po encialidades de c escimen o
p o issional e o alecimen o iden i á io que podem eme gi de ais si uações.
2. Ins i uição de acolhimen o
A p esen e seção em como obje i o de alha as p incipais ca ac e ís icas e expe iências do es ágio
cu icula ealizado no âmbi o do mes ado em T adução e Comunicação Mul ilíngue da
Uni e sidade do Minho. Assim, são ap esen ados o pe il da emp esa de acolhimen o e sua
es u u a o ganizacional, bem como os p ocessos de supe isão e o ien ação que no ea am o
desen ol imen o das a i idades. Cada uma dessas dimensões é ap esen ada de o ma a des aca
como o es ágio con ibuiu pa a o c escimen o écnico e e lexi o da es agiá ia.
2.1. Ap esen ação da emp esa de acolhimen o
A Wo da achmen é uma emp esa p es ado a de se iços linguís icos sediada no Po o,
especializada na adução, edição e e isão de con eúdo em uma a iedade de línguas, incluindo
po uguês eu opeu (p -PT), po uguês b asilei o (p -BR), inglês, alemão, espanhol, ancês e i aliano.
A emp esa dis ingue-se pela lexibilidade, qualidade e apidez na en ega de seus se iços, sendo
al amen e adap á el às exigências e p azos do se o , sem comp ome e o igo e a excelência do
abalho ealizado. Com oco na adução de documen ação écnica e come cial, a Wo da achmen
o e ece ainda se iços de localização de so wa e e websi es. En e as á eas mais equen es de
especialização es ão as Ciências da ida (incluindo Medicina e Fa macêu ica), Ma ke ing,
Tecnologias da in o mação (TI), Indús ia au omó el e Cons ução e maquina ia.
12
No que diz espei o à es u u a in e na, a Wo da achmen é compos a po uma equipe de ges o es
de p oje os e linguis as1. Um di e encial impo an e da emp esa é a polí ica de con a ação exclusi a
de linguis as na i os de po uguês eu opeu e po uguês b asilei o, assegu ando que cada
p o issional abalhe exclusi amen e pa a sua espec i a a ian e linguís ica. Esse c i é io de
seleção é undamen al pa a ga an i a qualidade das aduções e a idelidade ao idioma e à cul u a
de cada a ian e. A adução é um p ocesso in imamen e elacionado à iden idade linguís ica e
cul u al, e a Wo da achmen econhece a impo ância de p ese a essas ca ac e ís icas, an o em
seu p ocesso de seleção de p o issionais quan o no esul ado en egue aos clien es.
2.2. Dinâmica de abalho
A dinâmica de abalho na Wo da achmen segue uma es u u a o ganizada e cen alizada, que
pe mi e uma ges ão e icien e das a i idades adu ó ias. Con o me ep esen ado na Figu a 2
abaixo, o luxo de abalho começa com a designação de a e as aos linguis as, que podem se
eelance s ou in-house, os quais são esponsá eis pela execução das aduções. Esses
p o issionais, no en an o, não man êm qualque comunicação di e a com os clien es inais ou com
os clien es da Wo da achmen . Os linguis as são di ididos po especializações emá icas e
abalham em colabo ação com os PMs (p ojec manage s; ges o es de p oje os), que a uam como
mediado es en e o clien e e os linguis as. A im de dinamiza esse p ocesso, a emp esa u iliza
uma pla a o ma in e na, o WAMS (Wo da achmen Managemen Sys em), pa a o ganiza e
moni o a o luxo de abalho, assegu ando que odos os p azos e equisi os especí icos dos clien es
sejam cump idos.
Figu a 1 - Cap u a de ela do painel p incipal do WAMS
Com base nessa dinâmica, a es u u a in e na da Wo da achmen pode se ep esen ada como
um luxo de abalho in e conec ado en e linguis as, PMs e clien es. A Figu a 2, abaixo, ilus a a
1 No con ex o da Wo da chmen , um linguis a é um p o issional especializado em ques ões elacionadas à linguagem,
com oco na qualidade e na p ecisão dos se iços de adução e localização. O linguis a assegu a uma gama mais
ampla de se iços do que um adu o , que se ocupa ia exclusi amen e do abalho de adução.
13
elação en e os di e en es agen es en ol idos na cadeia de p odução, sendo a Wo da achmen
in e mediá ia en e linguis as e clien es.
Figu a 2 - Es u u a in e na da Wo da achmen (elabo ação p óp ia)
Os linguis as en iam os abalhos concluídos pa a os PMs, que ealizam a comunicação, ges ão e
en ega ao clien e. Os clien es da Wo da achmen , denominados in e namen e como
clien s
,
ep esen am emp esas ou agências que con a am os se iços de adução. Es as, po sua ez,
encaminham os p oje os aos clien es inais, as
accoun s
, que são os des ina á ios inais do
con eúdo aduzido.
Esse modelo ope acional ilus a o papel da Wo da achmen como um in e mediá io no p ocesso
de adução, ao assegu a a qualidade e a e iciência na in e ação en e os linguis as e os
clien s
.
Além disso, o luxo ilus ado con ibui pa a a en ega de se iços inais que a endem aos pad ões
de excelência demandados pelo me cado. A cen alização das ope ações na Wo da achmen
pe mi e uma maio pad onização dos p ocessos, o imização de p azos e con ole de qualidade,
ga an indo que os linguis as, sejam eelance s ou in-house, sigam di e izes especí icas e
alinhadas às necessidades dos clien es inais, as
accoun s,
e e o çando a con iabilidade da
Wo da achmen como uma pa cei a es a égica an o pa a os linguis as quan o pa a as emp esas
con a an es, os
clien s
.
A comunicação en e os linguis as e os clien es é in eg almen e in e mediada pela Wo da achmen ,
o que assegu a a p ese ação da iden idade dos linguis as e a manu enção de uma in e ace
cen alizada de ges ão de p oje os. Toda e qualque oca de in o mações, como escla ecimen os,
dú idas ou que ies sob e o ma e ial a se aduzido, é mediada pela emp esa. Dessa o ma, o
linguis a não em acesso di e o aos clien es da Wo da achmen , ga an indo uma comunicação
con olada e es u u ada en e as pa es en ol idas.
14
2.3. Compa ação da demanda en e as a ian es
do po uguês
A compa ação en e as a ian es do po uguês no con ex o da demanda po se iços de adução
pe mi e iden i ica pad ões signi ica i os no me cado. A análise da dis ibuição da demanda pelas
a ian es eu opeia (p -PT) e b asilei a (p -BR) en e 2020 e 2023 e ela endências e a iações na
quan idade de p oje os e no olume de pala as aduzidas pa a cada uma delas.
Como pa e dessa análise, o am u ilizados dois g á icos pa a ilus a a dis ibuição da demanda
en e as a ian es no con ex o da ins i uição de acolhimen o, a Wo da achmen en e 2020 e 2023.
O p imei o mos a a p opo ção de p oje os ealizados do inglês pa a p -PT e p -BR, enquan o o
segundo ap esen a a dis ibuição pe cen ual de pala as aduzidas pa a essas a ian es no mesmo
pe íodo.
G á ico 1 – Núme o de p oje os ealizados pa a p -PT e p -BR en e 2020 e 2023
21
e podem se acessados an o em o ma o o line, po meio de a qui os digi ais, quan o em
pla a o mas online especí icas, com acesso con olado.
3.2.1. Fe amen as CAT
As CAT ools, ou e amen as de adução assis ida po compu ado , são so wa es p oje ados pa a
auxilia adu o es, o e ecendo uncionalidades como memó ia de adução, glossá ios
e minológicos e uncionalidades de ges ão de p oje os. Tais e amen as são undamen ais pa a
aumen a a e iciência, consis ência e qualidade das aduções. Con o me ilus ado no G á ico 5
acima, os p oje os ealizados ao longo do es ágio cu icula o am execu ados com ecu so a
di e en es so wa es.
Em p imei o luga su ge o XTM. O es ágio cu icula ep esen ou o p imei o con a o da es agiá ia
com es a e amen a, que se ca ac e iza po sua na u eza online, em con as e com e amen as
locais. Adicionalmen e, o XTM dis ingue-se pela sua in e ace in ui i a, supo e a múl iplos o ma os
de a qui os, in eg ação com ou as e amen as de adução e uncionalidades a ançadas de
colabo ação em empo eal. Es as ca ac e ís icas con e em ao XTM uma e sa ilidade e e icácia
ímpa es em p oje os de adução complexos e de g ande escala.
Em segundo luga , encon am-se as e amen as GlobalLink e MemoQ, ambas u ilizadas em qua o
p oje os cada. O GlobalLink é econhecido po sua obus a capacidade de in eg ação com sis emas
de ges ão de con eúdo e po sua a qui e u a escalá el, que acili a a ges ão de g andes olumes
de adução. O MemoQ, po sua ez, é amplamen e ap eciado po sua lexibilidade e po suas
po en es uncionalidades de memó ia de adução, alinhamen o de ex os e ges ão e minológica.
Cabe essal a que a escolha da e amen a de adução não se a a de uma p e e ência pessoal
do adu o , mas sim de uma exigência es ipulada pelo clien e nas ins uções do p oje o. Dessa
o ma, obse ou-se que os clien es de p -BR da Wo da achmen demons am uma cla a
p e e ência po p oje os ealizados em pla a o mas online, con abilizando 26 p oje os online e
apenas 4 locais, con o me é possí el obse a abaixo no G á ico 6.

22
G á ico 6 - Local de execução dos p oje os
Possí eis a o es que jus i icam essa p e e ência na indús ia da adução incluem a acilidade de
acesso e colabo ação p opo cionada pelas e amen as online, a eliminação da necessidade de
ins alação e manu enção de so wa e local, a possibilidade de abalho emo o e em empo eal,
além do a mazenamen o e compa ilhamen o cen alizado e segu o de memó ias de adução e
glossá ios. Tais an agens o nam as CAT ools online uma escolha es a égica pa a emp esas e
p o issionais de adução.
3.2.2. Fe amen as de QA
As e amen as de Quali y Assu ance (QA) o am in eg adas ao luxo de abalho como pa e do
p ocesso de e i icação e con ole de qualidade das aduções. Essas e amen as desempenha am
unções especí icas pa a iden i ica inconsis ências, e os e disc epâncias em di e en es e apas do
abalho, con ibuindo pa a a adequação das en egas aos pad ões es abelecidos.
As CAT Tools, como MemoQ e XTM, dispõem de uncionalidades de QA que pe mi em a de ecção
au omá ica de incong uências e minológicas em elação a glossá ios, ale as pa a omissões de
ex o e iden i icação de e os em elemen os es u u ais, como ags e o ma ação. Essas e amen as
o am u ilizadas de o ma sis emá ica ao longo do es ágio, ga an indo maio con ole sob e os
aspec os o mais e e minológicos dos ex os aduzidos.
O Xbench oi emp egado como uma e amen a complemen a às uncionalidades na i as das CAT
ools. Ele oi u ilizado pa a análises mais de alhadas, pe mi indo a e i icação c uzada de
23
consis ências em p oje os complexos e a iden i icação de e os não de ec ados em e apas
an e io es. Sua lexibilidade pa a con igu ação de pa âme os de QA a endeu às necessidades de
di e en es ipos de p oje os, ampliando a p ecisão das e isões.
Além das e amen as especializadas, o Mic oso Wo d oi u ilizado pa a a ealização de
e i icações o og á icas, ga an indo a iden i icação de e os ipog á icos e o og á icos que
pode iam comp ome e o ex o inal. Embo a não seja uma e amen a p oje ada exclusi amen e
pa a adu o es, sua aplicação complemen ou os ecu sos ecnológicos de QA ao longo do es ágio.
A a iculação en e di e en es e amen as de QA e idenciou a impo ância da combinação de
soluções ecnológicas no p ocesso de e isão e alidação de aduções. Esse uso in eg ado pe mi iu
o ap imo amen o do con ole de qualidade e a endeu às exigências dos p oje os, e o çando a
ele ância das e amen as no con ex o p o issional da adução.
3.2.3. Recu sos de pesquisa
O abalho de pesquisa desempenhou um papel undamen al no p ocesso adu ó io, sendo
essencial pa a assegu a a p ecisão, coe ência e adequação das aduções ealizadas. Uma das
e amen as de maio ele ância oi o Vocabulá io O og á ico da Língua Po uguesa (VOLP),
desen ol ido pela Academia B asilei a de Le as. Esse ecu so oi amplamen e u ilizado pa a
e i ica a g a ia co e a e a pad onização de e mos em con o midade com a o og a ia o icial do
po uguês b asilei o, especialmen e em casos em que ha ia di e gências e minológicas en e as
a ian es b asilei a e eu opeia. Dada a iden idade linguís ica da es agiá ia como alan e na i a de
po uguês b asilei o e seu pe íodo de esidência em Po ugal, hou e si uações em que as di e enças
en e as a ian es se o na am mo i o de dú ida, pa icula men e em elação à g a ia de ce as
pala as. Nesses momen os, o VOLP oi consul ado pa a soluciona ais ques ões, assegu ando
que a adução es i esse plenamen e adequada ao po uguês b asilei o e ga an indo o igo
linguís ico necessá io pa a a ende às demandas dos clien es com p ecisão e consis ência.
A e são online do Camb idge English-Po uguese Dic iona y oi u ilizada como uma e amen a de
consul a linguís ica, sendo uma on e con iá el pa a e i ica a co espondência en e o inglês e o
po uguês, especialmen e em e mos de uso ge al e co idiano. Embo a não seja um ecu so
e minológico especializado, esse dicioná io oi undamen al pa a ga an i que as aduções
p ese assem a na u alidade e luidez do po uguês b asilei o, p opo cionando equi alências que
e le issem o uso linguís ico comum no B asil.
24
Além disso, a es agiá ia ambém eco eu ao P oZ.com Te m Sea ch, especialmen e pa a consul as
e minológicas em á eas écnicas e especializadas. Como uma pla a o ma colabo a i a
amplamen e u ilizada po adu o es p o issionais, o P oZ.com pe mi iu acesso a uma as a base
de dados de e mos discu idos po especialis as na á ea de adução. Isso possibili ou à es agiá ia
não apenas encon a soluções e minológicas adequadas, mas ambém compa a di e en es
p opos as e jus i ica i as, assegu ando uma escolha in o mada e embasada na p á ica p o issional.
O Mic oso Language Po al, po sua ez, oi emp egado na busca de e minologia écnica
elacionada a so wa e e p odu os ecnológicos, o e ecendo di e izes de adução consis en es e
alinhadas às con enções ado adas pela indús ia de ecnologia. Esse ecu so oi pa icula men e
ú il em p oje os que en ol iam in e aces de usuá io e documen ação écnica, em que a
uni o midade e a p ecisão e minológica são imp escindí eis.
Po im, a pesquisa na in e ne , especialmen e po meio do Google, oi u ilizada pa a complemen a
as on es adicionais com e e ências con ex uais e a ualizadas. A es agiá ia eco eu a essa
e amen a pa a acessa si es especializados e ma e iais di e amen e elacionados aos emas
abo dados em cada p oje o, como websi es de emp esas ou o ganizações mencionadas nos ex os,
ga an indo que as in o mações adicionais cole adas es i essem em con o midade com o po uguês
b asilei o e adequadas ao con ex o cul u al dos p oje os em ques ão.
3.3. A iden idade do adu o
Nes a seção e oma-se um aspec o cen al do p esen e abalho, nomeadamen e a iden idade do
adu o . Es a emá ica acabou po se impo de o ma espon ânea de ido às di iculdades sen idas
pela es agiá ia, uma es udan e b asilei a esiden e em Po ugal desde 2019, ao aduzi pa a a sua
a ian e ma e na es ando ime sa em um con ex o em que a a ian e eu opeia p e alece. A
expe iência da es agiá ia o e ece uma isão única sob e a p á ica da adução no con ex o lusó ono,
pe mi indo uma e lexão ace ca das in luências cul u ais e linguís icas que moldam o p ocesso
adu ó io.
A in es igação busca e le i sob e como a ime são em um ambien e cul u al e linguís ico dis in o
impac a a abo dagem adu ó ia, e como essa expe iência pessoal con ibui pa a a comp eensão
das especi icidades da adução pa a as a ian es do po uguês. Além disso, a análise conside a
25
as expe iências de ou os adu o es que ope am nesse con ex o, p opo cionando uma isão c í ica
e ab angen e sob e os desa ios e as dinâmicas da adução den o da luso onia.
3.3.1. A expe iência da es agiá ia enquan o adu o a
O es ágio cu icula ealizado pela es agiá ia e elou uma expe iência singula no que se e e e à
cons ução de sua iden idade. A sua con i ência com as duas a ian es esul ou em e lexões
p o undas ace ca de sua p á ica adu ó ia e em desa ios especí icos elacionados à in e e ência
in e linguís ica. Episódios de in luência da a ian e eu opeia sob e suas escolhas linguís icas,
especialmen e em pad ões lexicais e g ama icais, o am equen es, des acando o impac o do
con a o cons an e en e a ian es em seu desempenho p o issional.
A li e a u a acadêmica co obo a esses achados ao iden i ica que a a ição linguís ica não se limi a
à pe da de con a o com a língua ma e na, mas ambém e le e uma eo ganização in e na da L1
induzida pela exposição cons an e à L2. Con o me a gumen ado po Schmid e Meho che a (2012),
esse enômeno pode causa uma edução na e iciência do p ocessamen o linguís ico na L1,
incluindo di iculdades na ecupe ação de i ens lexicais e na aplicação de eg as g ama icais. A
al e nância con ínua en e os sis emas linguís icos, ca ac e ís ica da o ina co idiana e p o issional
da es agiá ia, in ensi icou esses e ei os.
Um dos desa ios cen ais do es ágio oi equilib a sua iden idade como adu o a b asilei a com as
demandas do me cado. Mui os clien es in e nacionais con a am a emp esa po uguesa
Wo da achmen pa a ealiza aduções des inadas ao público b asilei o, um enômeno pouco
comum no B asil de ido à obus ez e luc a i idade do me cado local. Essa especi icidade esul a a,
po ezes, em glossá ios com inconsis ências o og á icas, con endo e mos edigidos de aco do
com a no ma eu opeia pa a p oje os ol ados ao po uguês b asilei o. Essa si uação exigia a enção
edob ada du an e a e isão pa a ga an i a adequação à no ma b asilei a, além de equen es
in e ações com as PMs pa a escla ece disc epâncias.
Di iculdades semelhan es su gi am em elação ao eedback e ela ó ios o necidos pelos clien es.
Aspec os co e os do po uguês b asilei o e am, ocasionalmen e, ma cados como e os de ido à
a aliação baseada em e e ências eu opeias. En e os exemplos con am-se cons uções
g ama icais ou escolhas lexicais adequadas à a ian e b asilei a, mas conside adas inadequadas
sob o p isma do po uguês eu opeu. Esses episódios não apenas ep esen a am uma duplicação
26
do abalho, mas ambém e idencia am a necessidade de maio alinhamen o po pa e dos clien es
em elação às especi icidades das a ian es do po uguês.
Apesa das ad e sidades, a es agiá ia ap imo ou signi ica i amen e sua capacidade de análise
c í ica dos ecu sos o necidos, iden i icando inconsis ências nos ma e iais e o alecendo sua
iden idade como adu o a b asilei a. O con a o con ínuo com as duas a ian es ambém des acou
a complexidade do
code-swi ching
, is o é, a al e nância de código linguís ico, is o que a es agiá ia
endia a usa o po uguês eu opeu no co idiano e o po uguês b asilei o no con ex o p o issional.
Esse enômeno in luenciou di e amen e sua p á ica adu ó ia, e o çando a impo ância de discu i
a iden idade do adu o em ambien es mul ilíngues.
Tendo em con a os obs áculos da conciliação das duas a ian es do po uguês, a es agiá ia decidiu,
con o me e e ido, o ien a o oco do seu ela ó io pa a es a ques ão da iden idade. Foi nesse
con ex o que, com o apoio das supe iso as da ins i uição de acolhimen o, su giu a ideia de
con ac a linguis as com i ências idên icas, uma inicia i a da qual se da á con a na subsecção
que se segue.
3.3.2. A expe iência de ou as linguis as b asilei as
Na 12ª semana do es ágio, con o me egis ado pela es agiá ia em seu diá io de bo do, oi
o ganizada uma eunião, ealizada no o ma o on-line, que con ou com a p esença dos seguin es
pa icipan es:
● A es agiá ia, b asilei a e esiden e em Po ugal há 5 anos;
● Linguis a A, b asilei a, linguis a eelance da Wo da achmen e esiden e em Po ugal há
16 anos;
● Linguis a B, b asilei a, linguis a eelance da Wo da achmen e esiden e no B asil;
●
P ojec manage
da Wo da achmen .
O me cado de adução em Po ugal, que ab ange como línguas de chegada an o o po uguês
b asilei o quan o o po uguês eu opeu, ap esen a ca ac e ís icas dis in i as que e le em a
demanda e as especi icidades de cada a ian e. De aco do com as in o mações ob idas, obse ou-
se que a demanda po se iços de adução pa a p -BR é signi ica i a em á ias á eas,
pa icula men e na adução écnica, engenha ia, ecnologia da in o mação e ciências da ida. A
linguis a A ela ou que, ao longo dos anos, seu abalho em se concen ado p incipalmen e na

27
á ea de ciências da ida, enquan o a linguis a B des acou a c escen e demanda na á ea médica,
que exige um ele ado conhecimen o écnico.
A alo ização e o econhecimen o da p o issão de adu o em Po ugal são pe cebidos de manei a
mais posi i a do que no B asil. A linguis a B obse ou que, em Po ugal, a p o issão é mais
espei ada e econhecida, e le indo uma maio alo ização dos adu o es como especialis as em
suas á eas. Esse econhecimen o é co obo ado pela expe iência da linguis a A, que, ao se muda
pa a Po ugal, no ou um aumen o na alo ização de seu abalho, embo a não possuísse o mação
uni e si á ia em adução na época de sua chegada. A p esença de o ganizações de adu o es em
Po ugal con ibui pa a a o malização e alo ização da p o issão.
A coexis ência das a ian es p -BR e p -PT é um aspec o undamen al do me cado de adução
po uguês. A linguis a A indicou que a demanda po p -BR é subs ancial de ido ao amanho da
população de alan es, e que a necessidade de man e as duas a ian es é pe sis en e. A linguis a
B conco dou com essa pe spec i a, des acando que as di e enças e minológicas e de ecu sos
ecnológicos en e as a ian es ga an em a con inuidade da necessidade de ambos os ipos de
adução.
No que ange à p ese ação da iden idade do adu o b asilei o, en en am-se desa ios
signi ica i os ao aduzi pa a o p -BR em um ambien e dominado pelo po uguês eu opeu. A
linguis a A e a linguis a B menciona am es a égias essenciais pa a man e a au en icidade
linguís ica e cul u al das aduções. A linguis a A, apesa de e adap ado seu ocabulá io ao
po uguês eu opeu no co idiano, man ém a au en icidade do p -BR po meio do consumo de mídia
b asilei a e da in e ação com a comunidade b asilei a, além de equen es isi as ao B asil. A
linguis a B, po sua ez, ado a p á icas semelhan es, incluindo o consumo de con eúdo b asilei o
e o con a o con ínuo com a comunidade b asilei a, pa a ga an i a p ecisão e a ele ância cul u al
nas suas aduções.
A
p ojec manage
des acou a impo ância do uso ho á io en e Po ugal e o B asil como uma
an agem ope acional signi ica i a. Com e ei o, a di e ença ho á ia pe mi e uma dis ibuição
e icien e dos p oje os, ap o ei ando a sob eposição de ho á ios pa a o imiza o luxo de abalho.
A o malidade e a es u u a no luxo de abalho de adução em Po ugal o am essal adas como
28
um aspec o posi i o pela linguis a B, que obse ou um ambien e mais egulado em compa ação
com o B asil, e le indo um con ole mais igo oso na ges ão de p oje os e na aplicação das CAT
ools.
Po im, as linguis as obse a am uma endência c escen e no me cado de e isão e pós-edição
em unção do a anço da in eligência a i icial (IA). Com a au omação da adução, espe a-se que
os adu o es assumam papéis mais ol ados à e isão de con eúdo ge ado po máquinas, o que
demanda um ap imo amen o con ínuo das habilidades linguís icas e ecnológicas.
As in o mações ob idas du an e a eunião e idenciam a coexis ência e a in e dependência das
a ian es p -BR e p -PT no me cado de adução po uguês, bem como a capacidade dos adu o es
b asilei os de p ese a sua iden idade linguís ica e cul u al enquan o se adap am a um ambien e
p edominan emen e eu opeu. A expe iência adqui ida du an e o es ágio con i ma a impo ância da
adap ação e da o ganização na p á ica adu ó ia, des acando o papel essencial da alo ização e
da au en icidade na p odução de aduções de al a qualidade pa a o me cado b asilei o. Assim, as
discussões azidas pela eunião e le em a complexidade da iden idade do adu o /linguis a
b asilei o que a ua em um ambien e eu opeu. A necessidade de adap ação cul u al e écnica, a
alo ização di e enciada da p o issão e as mudanças ecnológicas eme gen es são elemen os
cen ais na cons ução dessa iden idade no con ex o a ual.
3.4. E olução da es agiá ia
De aco do com Hu ado Albi (2010), a compe ência em adução é uma habilidade mul i ace ada
que en ol e um conjun o in eg ado de subcompe ências, como as linguís icas, cul u ais,
ecnológicas e de ges ão. No con ex o do es ágio ealizado, a análise de e os o nou-se uma
e amen a essencial pa a iden i ica as á eas de maio di iculdade e o ien a o desen ol imen o
dessas compe ências. O G á ico 7 e le e a ipologia de e os obse ada em 20 dos 30 p oje os
aduzidos ao longo dos ês meses de es ágio, com base no eedback quali a i o o necido pela
supe iso a.
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G á ico 7 - Classi icação dos e os come idos pela es agiá ia
Os e os mais equen es oco e am nas ca ego ias de "consis ência" (14 oco ências),
"capi alização" (10 oco ências) e "omissão de e mos" (9 oco ências). Esses esul ados des acam
desa ios elacionados à uni o midade e minológica, a enção aos de alhes e manu enção da
comple ude do con eúdo aduzido, especialmen e em p oje os mais écnicos e de alhados. A
ca ego ia " adução", com 9 oco ências, e idencia ainda di iculdades em alcança p ecisão
semân ica e idelidade ao ex o de o igem.
E os ligados a "ins uções especí icas do clien e" (7 oco ências) e " o ma ação e layou " (6
oco ências) e le em a necessidade de segui igo osamen e os guias de es ilo e as ins uções
ecebidas, ga an indo que as en egas a endam aos equisi os écnicos e es é icos espe ados. Po
ou o lado, ca ego ias como "p e e encial" (5 oco ências), "g amá ica e conco dância" (3
oco ências) e "es ilo" (2 oco ências) ap esen a am meno incidência, apon ando pa a um
domínio sólido da língua po uguesa.
Vale essal a que a equência de e os oi maio no p imei o mês de es ágio, pe íodo de adap ação
às exigências dos p oje os e ao luxo de abalho da emp esa. Com o passa do empo, à medida
que a es agiá ia se amilia izou com os p ocessos, as e amen as e as expec a i as especí icas
dos clien es, os e os o na am-se cada ez menos equen es. Esse p og esso demons a não
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apenas o ape eiçoamen o das habilidades écnicas e linguís icas, mas ambém o comp omisso da
es agiá ia com a qualidade e a excelência em suas en egas.
Além disso, a e olução da es agiá ia e le iu um p og esso signi ica i o nas di e sas compe ências
p e is as no
Compe ence F amewo k
do EMT (Eu opean Commission, 2022). Esse
desen ol imen o oco eu an o no domínio écnico quan o no das habilidades adu ó ias, e elando
uma adap ação e icaz às exigências da p á ica p o issional e ao igo que ca ac e iza o me cado
de adução.
Inicialmen e, a es agiá ia demons ou um conhecimen o básico das CAT ools, como MemoQ e
SDL T ados S udio, e dos p ocessos básicos de con ole de qualidade. À medida que o es ágio
p og ediu, sua capacidade de u ilização dessas ecnologias e oluiu conside a elmen e, mos ando
um domínio ap imo ado da compe ência ecnológica. Ela passou a u iliza com e iciência as TMs,
TBs e e amen as de QA, como o XBench, pa a assegu a a consis ência e minológica e o
cump imen o das di e izes dos clien es.
No que conce ne à compe ência adu ó ia, a es agiá ia ambém ap esen ou a anços subs anciais.
No início do es ágio, sua pa icipação limi ou-se ao acompanhamen o dos colegas mais expe ien es,
à ealização de um p oje o simulado e à amilia ização com os documen os e p ocessos in e nos.
No en an o, a es agiá ia passou a assumi a esponsabilidade po p oje os eais ainda no p imei o
mês, ab angendo á eas écnicas como medicina, ecnologia e documen ação de so wa e. A
adução de in e aces g á icas, po exemplo, exigiu não apenas uma adap ação e minológica, mas
ambém uma a enção especial à o ma ação e ao uso co e o de ags e elemen os es u u ais. Ao
aplica com igo as no mas linguís icas e espei a o público-al o de cada p oje o, a es agiá ia
demons ou um p og esso cla o na habilidade de lida com ex os de na u ezas dis in as, ga an indo
semp e a adequação uncional e es ilís ica das aduções.
O desen ol imen o da compe ência de ges ão de p oje os oi pa icula men e ele an e no con ex o
da in e ação com as PMs da Wo da achmen . A es agiá ia ap imo ou suas capacidades de
o ganização e planejamen o, especialmen e no que diz espei o à ges ão de p azos e à execução
de a e as den o das expec a i as dos clien es. Um aspec o cen al desse desen ol imen o oi a
elabo ação de
que ies
pa a escla ece dú idas e minológicas e con ex uais jun o às PMs. A p á ica