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Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access

Alves, Ana Patrícia Ferreira

Abstract

O presente relatório de estágio refere-se ao estágio curricular realizado na empresa Market Access, no âmbito do mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês, na Universidade do Minho. Este trabalho pretende abordar a temática das oportunidades disponíveis na China para empresas portuguesas, em três setores de atividade: Agroalimentar, Casa e Materiais de Construção e Infraestruturas. O relatório dividir-se-á em três capítulos. O primeiro capítulo começará por caracterizar a empresa onde realizei o estágio, a hierarquia e organização das equipas, serviços oferecidos, e abordando aspetos mais práticos do estágio como as tarefas que me foram propostas, a respetiva resolução das mesmas e as ferramentas e conhecimentos mais utilizados. O segundo capítulo abordará brevemente a história, geografia e economia do país em estudo, procurando oferecer também uma caracterização sociológica da China, com vista a retratar o país em contexto negocial e empresarial. Irá explorar também mais a fundo cada um dos setores (Agroalimentar, Casa e Materiais de Construção e Infraestruturas) no país, procurando oferecer conhecimentos factuais sobre o estado de cada setor no país asiático, bem como evidenciar algumas oportunidades e tendências. Por último, o terceiro capítulo irá focar-se numa vertente mais prática: tarefas que desenvolvi ao longo do estágio de apoio à organização de uma missão de prospeção a mercados asiáticos. Este capítulo debruçar-se-á na seleção das cidades a visitar, a definição do perfil das entidades a contactar e a preparação das visitas tendo em conta as diferenças culturais. Este último capítulo evidenciará metodologias aplicadas e procedimentos estratégicos utilizados, bem como de que forma o conhecimento adquirido durante o mestrado terá auxiliado no desempenho destas funções.

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Ana Patrícia Ferreira Alves Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access dezembro de 2024 Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access Ana Patrícia Ferreira Alves UMinho|2024 Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas junho de 2025 Ana Patrícia Ferreira Alves Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access dezembro de 2024 Relatório de Estágio Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Sun Lam e do Professor Doutor Pedro Vieira Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas junho de 2025 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii AGRADECIMENTOS A realização deste relatório de estágio e a conclusão do meu percurso no Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês só foram possíveis graças ao apoio, incentivo e orientação de diversas pessoas e instituições, às quais gostaria de expressar o meu profundo agradecimento. Em primeiro lugar, agradeço à Market Access pela oportunidade de integrar a sua equipa e de participar em projetos desafiantes e enriquecedores, que me permitiram aplicar os conhecimentos adquiridos e desenvolver competências práticas num contexto profissional. Agradeço igualmente à equipa com quem trabalhei pela disponibilidade, apoio e partilha de experiências que tanto contribuíram para o meu crescimento, pessoal e profissional. Um agradecimento especial à Ana Pinto pelo acompanhamento, confiança ao longo do estágio e pelo “empurrão” nestes últimos anos para motivar-me a terminar o presente relatório. Aos meus orientadores, Professora Doutora Sun Lam e Professor Doutor Pedro Vieira, manifesto a minha mais sincera gratidão pela orientação valiosa, pelos conselhos e pela paciência demonstrada ao longo deste percurso. As suas sugestões foram fundamentais para a realização deste relatório e para o meu desenvolvimento académico e profissional. Não poderia deixar de agradecer aos meus amigos, que sempre me apoiaram incondicionalmente, mesmo à distância. O vosso incentivo, compreensão e presença foram essenciais nos momentos mais desafiantes. Obrigada à Ana Nogueira, Ângelo Machado e Mónica Lucas, pela motivação, conselhos e longas sessões de escrita. Obrigada aos meus amigos do “Gosto Superior” – vocês sabem quem são – as vossas palavras de incentivo, ainda que por entre brincadeiras, foram essenciais para manter o foco e nunca desistir. A vossa amizade é, sem dúvida, uma força inestimável no meu percurso. Por fim, dedico este relatório à minha família: ao meu pai, à minha mãe, tia, madrinha e avó. Dedico, sobretudo, à minha irmã. O vosso apoio incondicional é, e sempre será, maior que a vida, maior que o sonho… Muito obrigado a todos. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access Resumo O presente relatório de estágio refere-se ao estágio curricular realizado na empresa Market Access, no âmbito do mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês, na Universidade do Minho. Este trabalho pretende abordar a temática das oportunidades disponíveis na China para empresas portuguesas, em três setores de atividade: Agroalimentar, Casa e Materiais de Construção e Infraestruturas. O relatório dividir-se-á em três capítulos. O primeiro capítulo começará por caracterizar a empresa onde realizei o estágio, a hierarquia e organização das equipas, serviços oferecidos, e abordando aspetos mais práticos do estágio como as tarefas que me foram propostas, a respetiva resolução das mesmas e as ferramentas e conhecimentos mais utilizados. O segundo capítulo abordará brevemente a história, geografia e economia do país em estudo, procurando oferecer também uma caracterização sociológica da China, com vista a retratar o país em contexto negocial e empresarial. Irá explorar também mais a fundo cada um dos setores (Agroalimentar, Casa e Materiais de Construção e Infraestruturas) no país, procurando oferecer conhecimentos factuais sobre o estado de cada setor no país asiático, bem como evidenciar algumas oportunidades e tendências. Por último, o terceiro capítulo irá focar-se numa vertente mais prática: tarefas que desenvolvi ao longo do estágio de apoio à organização de uma missão de prospeção a mercados asiáticos. Este capítulo debruçar-se-á na seleção das cidades a visitar, a definição do perfil das entidades a contactar e a preparação das visitas tendo em conta as diferenças culturais. Este último capítulo evidenciará metodologias aplicadas e procedimentos estratégicos utilizados, bem como de que forma o conhecimento adquirido durante o mestrado terá auxiliado no desempenho destas funções. Palavras-chave: China, Comunicação Empresarial; Empresas Portuguesas; Negócios Internacionais vi Opportunities for Portuguese companies in China: curricular internship at Market Access Abstract This internship report refers to the curricular internship carried out at the company Market Access, within the scope of the master’s degree in Portuguese/Chinese Intercultural Studies, at the University of Minho. This report aims to address the issue of opportunities available in China for Portuguese companies, in three sectors of activity: Agrifood, Home and Building Materials and Infrastructures. The report will be divided into three chapters. The first chapter will begin by characterizing the company where I did my internship, the hierarchy and organization of the teams, the services offered, and addressing more practical aspects such as the tasks I was given, how I solved them and the tools and knowledge I used most. The second chapter will briefly cover the history, geography and economy of the country under study, and will also provide a sociological characterization of China, portraying the country in a business and entrepreneurial context. It will also explore in greater depth each of the country's sectors (Agri-food, Home and Building Materials and Infrastructure), seeking to provide factual knowledge about the state of each sector in the Asian country, as well as highlighting some opportunities and trends. Finally, the third chapter will focus on a more practical aspect: tasks I carried out during my internship to support the organization of a prospecting mission to Asian markets. This chapter will focus on selecting the cities to visit, defining the profile of the entities to contact and preparing the visits taking into account cultural differences. This final chapter will highlight the methodologies applied and the strategic procedures used, as well as how the knowledge acquired during the master's degree will have helped in the performance of these duties. Keywords: Business Communication; China, International Business; Portuguese Companies vii 4 Capítulo I - O estágio na Market Access Capítulo I - O estágio na Market Access 5 1.1 – Caracterização e contexto da Market Access O presente capítulo procura oferecer contexto sobre o estágio curricular que desenvolvi na empresa Market Access, desde março a julho de 2021, no decorrer de 5 meses. Irei identificar e caracterizar a empresa, bem como apresentar uma breve descrição da sua organização interna aquando do meu estágio, descrição das tarefas comummente desempenhadas e ferramentas frequentemente utilizadas para o desenvolvimento dos trabalhos. 1.1.1 - A empresa Estabelecida em 2005, a Market Access (MA) é uma empresa de consultoria, especializada em internacionalização e no apoio às empresas na concretização dos seus projetos de negócios internacionais. Tem escritórios no Porto e Lisboa, em Portugal, e em São Paulo, no Brasil. Figura 1 - Logótipo da empresa Market Access Conta já com mais de 15 anos de experiência no ramo, tendo levado a cabo mais de 1000 projetos com mais de 500 empresas, que confiaram na Market Access (MA) para desenvolver os seus projetos de internacionalização. A equipa da MA conta com mais de 40 consultores locais e internacionais, espalhados por mais de 50 países que oferecem os seus conhecimentos e expertise para facilitar os projetos de expansão ou abordagem a mercados externos. A Market Access oferece serviços em 4 áreas distintas de ação: • Estudos de Mercado e Análises Estratégicas – a realização de estudos quantitativos e qualitativos dos mercados alvos, pesquisa de fontes de informação primárias e secundárias, análise estatística de dados e uma vasta rede de consultores em vários mercados, permite à empresa propor e apoiar estratégias sustentadas de Capítulo I - O estágio na Market Access 6 internacionalização. Alguns dos serviços associados são: estudos de seleção de mercados prioritários; estudos de mercado macroeconómicos e sectoriais; diagnóstico e auditoria para a internacionalização; análises de benchmarking 2 ; teste de produto nos mercados internacionais; estudos de tendências de consumo; identificação e caracterização de canais de distribuição e venda nos mercados; planos de marketing internacional; planos estratégicos e de inovação; identificação de modos de entrada nos mercados; plano estratégico de entrada num mercado; estudos de viabilidade e atratividade de mercado; • Prospeção de Mercados e Captação de Clientes – A Market Access disponibiliza serviços de acompanhamento em todo o processo de internacionalização e expansão comercial, desde o estabelecimento dos objetivos e escolha dos mercados prioritários, até à concretização dos objetivos propostos para os mercados escolhidos. Esta abordagem integrada de internacionalização, juntamente com metodologias distintas e uma vasta rede de consultores com uma igualmente vasta experiência em prospeção e captação de clientes em mercados externos, permite à MA oferecer serviços de: prospeção e captação de clientes em mercados internacionais; identificação de entidades para concretização de parcerias; projetos de internacionalização; desenvolvimento comercial de mercado; mapeamento e qualificação de leads; Country Manager (representação comercial no mercado); apoio à participação em feiras internacionais; organização de reuniões B2B 3 virtuais ou visitas comerciais aos mercados; expansão e consolidação comercial de mercado; implementação de projetos de ativação de marca em mercados externos; apoio à negociação e suporte em processos associados à exportação; • Missões Empresariais, Missões Inversas e Missões Virtuais aos Mercados – Estas missões podem decorrer através de uma visita presencial ao mercado, ou através de reuniões virtuais. Empresas e associações poderão ainda recorrer à organização de missões inversas (em que empresas do mercado alvo se deslocam ao mercado de origem). Esta multitude de tipologias de missões permite-nos fazer a prospeção direta do mercado, perceber a sua abertura aos produtos e/ou serviços a oferecer, 2 Processo de pesquisa e comparação entre empresas similares, do mesmo setor, para tirar elações sobre como os seus produtos, processos e serviços se comparam em termos de desempenho ao dos seus concorrentes. 3 Business to business. Empresas cujo produto se destina a outras empresas. Modelo de negócio de empresa para empresa. Capítulo I - O estágio na Market Access 7 e estabelecer contacto privilegiado com potenciais clientes, bem como o agendamento de reuniões B2B. Alguns dos serviços associados são: planeamento e organização de missões comerciais/inversas/virtuais (individuais ou de grupo) a mercados prioritários; matchmaking entre produtores e compradores e agendamento de reuniões B2B; apoio à participação em feiras internacionais; desenvolvimento de ações de promoção internacional; organização de international business meetings; capacitação das empresas participantes nas missões para o desenvolvimento do discurso de venda (sales pitch) durante as missões virtuais; • Formação e Consultoria em Internacionalização – A MA desenvolve ações de formação e consultoria para estratégias de internacionalização. Os serviços consistem em: sessões de aconselhamento estratégico em internacionalização; workshops sobre mercados internacionais, as suas características, oportunidades e desafios; capacitação para o desenvolvimento do discurso de venda (sales pitch) durante as reuniões B2B; formação em internacionalização (modos de entrada em mercados, logística e termos de comércio, técnicas comerciais nos mercados internacionais, instrumentos de apoio ao comércio internacional na cobertura de risco, procurement 4 internacional); 1.1.2 - Organização da empresa A Market Access é gerida e liderada por Rui Sousa (CEO 5 ), Manuel Campos (COO 6 ) e Pedro Vieira (Fundador e CCO 7 ), e dividia-se, em 2021, em três áreas orgânicas de operações: Setor Conhecimento, Setor Público e Setor Privado. Cada setor é encabeçado por um chefe de equipa (denominado internamente por Business Unit Manager), responsável de delegar projetos e tarefas, gerir gestores e respetivas equipas e supervisionar o desenvolvimento dos objetivos – sendo necessário que, pontualmente, assuma a gestão direta dos projetos mais ambiciosos. Para além disso, a empresa dispõe ainda de várias unidades de apoio e suporte - marketing e comunicação, inovação, mercado, recursos humanos, gestão administrativa e 4 Intrinsecamente ligado ao departamento de compras de uma empresa: procura aumentar a eficiência dos processos de compra de produtos, matérias-primas e/ou serviços necessários à realização da atividade habitual da empresa. 5 Chief Executive Officer, ou em português, “Chefe Executivo”. 6 Chief Operating Officer, o equivalente em português de “Diretor de Operações”. 7 Chief Commercial Officer, ou em português, “Diretor de Comunicação”. Capítulo I - O estágio na Market Access 8 infraestruturas, sistema de gestão e melhoria, e gestão de informação e conhecimento - e de vários consultores internacionais que trabalham e mantêm relações estreitas com a equipa da MA. A equipa integra também todos os anos um número considerável de estagiários, quer por via de estágios curriculares, quer por estágios profissionais, para jovens qualificados provenientes de formações diversificadas e de experiências singulares. Um dos valores guia da empresa no que toca à procura de colaboradores, é a capacidade de adaptação e jovens com vivências diferenciadoras, com experiências no estrangeiro ou com diferentes culturas. Figura 2 - Organigrama da organização da empresa, com especial foco nas 3 áreas principais de operações (2021) 8 O Setor Conhecimento (encabeçado por Filipe Silva) foca-se sobretudo na área de ação acima mencionada, referente a «Estudos de Mercado e Análises Estratégicas», sendo por isso o seu objetivo principal o desenvolvimento de pesquisa e obtenção de informação necessária ao desenvolvimento de projetos sob a alçada deste setor, bem como para 8 Este organigrama foi disponibilizado aquando do início do estágio curricular e não está disponível em qualquer website ou documento oficial da empresa. Capítulo I - O estágio na Market Access 9 qualquer projeto sob a alçada da empresa. Este setor é um pilar importante para todo e qualquer projeto, visto que é o objetivo deste setor apurar toda e qualquer inteligência relevante aos setores e mercados alvo, para assegurar um melhor resultado das missões de internacionalização, estudos de mercado, estudos de tendências de consumo, estudos setoriais, entre outros serviços oferecidos. O Setor Privado, liderado por Carolina Lucas, tal como o nome indica, trabalha diretamente com o cliente privado, ou seja, empresas nacionais ou internacionais que procurem trabalhar com a MA no sentido de iniciar ou expandir os seus planos de internacionalização. Por último, mas não menos importante, o Setor Público (gerido por Ana Pinto). Este setor trabalha com vários tipos de associações, entidades governamentais e público-privadas – quer sejam associações empresariais e/ou setoriais, municípios, ou instituições de ensino superior, entre outros – com o intuito de promover setores, produtos e/ou serviços, desenvolver eventos e/ou missões de internacionalização, ou prospeção de mercados. Apesar desta organização diferenciada, em prática esta organização é bastante flexível: para cada projeto forma-se uma equipa que engloba vários membros das distintas equipas. Desta maneira, através da cooperação entre os vários setores e os vários colaboradores, a passagem de conhecimento e a entreajuda, aumentam a probabilidade de sucesso dos projetos. Cada projeto tem um Gestor de Projeto, encarregue de distribuir tarefas, comunicar diretamente com o cliente, identificar e mitigar pontos fracos do projeto, orientar e motivar a equipa e certificar-se da boa execução da missão; e um Gestor de Cliente, encarregue da comunicação comercial com o cliente e certificar-se de qualquer alteração aos objetivos da missão. 1.2 – Caracterização do estágio Durante o meu estágio curricular na Market Access fui integrada na equipa do Setor Público, onde desde logo pude fazer parte de uma multitude de projetos, para variados mercados, aos quais emprestei os meus conhecimentos e, em troca, foi-me possível desenvolver capacidades e soft skills 9 necessárias ao mundo corporativo e da consultoria. Como mencionado anteriormente, esta equipa é liderada pela Ana Pinto (que também tive o 9 Conjunto de habilidades e competências relacionadas com o comportamento humano, necessárias para o desenvolvimento profissional e objetivos de carreira. Capítulo I - O estágio na Market Access 10 prazer de ter como coordenadora de estágio curricular), e constituída por vários outros membros permanentes e estagiários. Esta metodologia de trabalho permitiu-me expandir o meu conhecimento em várias áreas do saber e testar conhecimentos adquiridos durante a licenciatura e mestrado – como por exemplo, o contacto com diferentes países, línguas e culturas, a comunicação intercultural no meio dos negócios, e o desenvolvimento de pesquisa e tratamento de dados. Permitiu-me ainda desenvolver aptidões críticas para o contacto com empresas e associações nacionais e/ou internacionais, entender e trabalhar com vários setores e indústrias, perceber todo o funcionamento por detrás de uma missão de internacionalização, bem como introduzir e aprofundar conceitos empresariais e económicos. Da mesma forma, permitiu-me utilizar de maneira compreensiva várias ferramentas e websites para a resolução de problemas e tarefas, sendo alguns deles o Microsoft Word, o Canva 10 , o Apollo 11 , o Linkedin, o Dun&Bradstreet 12 , Santander Trade 13 e o Trade Map 14 . Por último, desenvolvi competências sociais de trabalho em equipa, comunicação, e um forte sentido de organização e responsabilidade. 1.2.1 – Tarefas realizadas e metodologias adotadas Aquando do meu estágio, as tarefas que mais desempenhei foram as de realização de bases de dados, a procura de contactos relevantes e o contacto com empresas. Para além disso, também realizei traduções, auxiliei na realização e edição de relatórios finais de projeto, na pesquisa necessária a estudos e seleções de mercado, na realização de fichas de mercado e de perfil de empresas, na manutenção de um website para eventos e reuniões B2B online, acompanhamento em back office 15 de eventos online, entre outros. 1.2.1.1 - Bases de Dados 10 Website de design que permite a execução de todo o tipo de documentos e/ou conteúdo multimédia. https://www.canva.com 11 Website de leads de contacto. Esta plataforma faz uma busca generalizada por toda a internet e redes sociais para disponibilizar meios de contacto (e-mail, número de telefone, etc.), bem como cargos e informação útil, de funcionários de empresas de interesse. https://app.apollo.io 12 Website que disponibiliza um diretório de empresas, organizadas por país, produto importado e quantidade (em USD dólares). https://www.dnb.com 13 Este website disponibiliza informação política, geográfica, económica, social, histórica e cultural de todos os países, bem como tendências de consumo, dados macro e microeconómicos, percentagens e previsões. https://santandertrade.com/en/portal/searchwebsite 14 Website que disponibiliza informação relativa às importações e exportações de cada país – desde quantidades, a produtos, preços médios, principais parceiros, entre outros, em percentagens, valores absolutos e gráficos. https://www.trademap.org/Index.aspx 15 Termo usado frequentemente para descrever tarefas realizadas nos “bastidores”, ou seja, cujo desempenho não é visível para o cliente final, mas que têm repercussões importantes nos resultados. Capítulo I - O estágio na Market Access 11 Aquando de um novo projeto de internacionalização, e após definição do mercado de interesse, a equipa começa de imediato por realizar uma base de dados. Estas bases de dados (BD) são compilações de empresas de interesse, localizadas nos países-alvo, em Excel. Através de um exemplo prático retórico: o cliente “A” é uma grande fábrica de sapatos em Portugal, sem marca própria e que produz sapatos de gama alta em sistema private label 16 , e que pretende começar a exportar para o Canadá – a equipa MA sabe que, de acordo com o perfil da empresa “A”, as tipologias de cliente que serão de maior interesse serão: marcas de vestuário e acessórios de luxo e que necessitem de outsourcing 17 para a produção desses produtos, bem como importadores e distribuidores especializados, de origem e/ou localizados no Canadá. Através de uma busca intensiva em várias plataformas, fontes de informação e revistas setoriais (para nomear alguns métodos de pesquisa mais utilizados), podemos encontrar várias empresas com características aparentemente parecidas às desejadas. Só depois de uma minuciosa consideração do website das empresas, e constatar se está de acordo com o perfil estipulado pelo cliente, se adicionará (ou não) a empresa à BD. Numa fase inicial, a informação que procuramos levantar é: o nome da empresa, a tipologia da empresa (marca, distribuidor, importador, produtor, etc.), a origem do contacto, morada, código postal, cidade, região, código do país, número de telefone ou telemóvel da empresa, website, descrição geral da empresa, e por fim, o e-mail geral de contacto. A descrição geral da empresa, consiste numa breve descrição da atividade principal da empresa a considerar, características históricas e financeiras relevantes, mercados abordados, produtos e/ou serviços oferecidos, bem como características da empresa que coincidem com o perfil estipulado pelo cliente. Não existe um limite máximo ou mínimo de entradas numa BD, visto que depende da oferta do mercado. 1.2.1.2 - Procura de contactos relevantes Após a aprovação das empresas adicionadas à base de dados, numa segunda fase, 16 O regime de private label pressupõem que um produtor se encarregará da criação de um produto, em nome de uma outra empresa e/ou marca privada, ficando este último apenas responsável pela promoção, distribuição e comercialização do mesmo. 17 Técnica de gestão interna na qual uma empresa subcontrata os serviços de outra, para desempenhar tarefas outrora desempenhadas internamente, pelos seus colaboradores. Capítulo I - O estágio na Market Access 12 proceder-se-á a uma procura de contactos relevantes que integrem as empresas na BD - ou seja, pessoas que detenham cargos de interesse na organização das mesmas, para que, numa fase seguinte, a equipa do projeto possa iniciar o contacto e aferir um possível interesse destas empresas de reunir com os clientes, com vista a desenvolver uma transação/parceria comercial. Cabe à equipa definir e encontrar contactos relevantes dentro das empresas, ou seja: dependendo do objetivo de cada projeto, os cargos dentro da empresa que devemos contactar poderão ser diferentes. No caso prático acima exposto da fábrica de calçado «A», que procura produzir em regime private label para marcas canadianas, será do maior interesse da equipa de encontrar contactos de compradores, ou chefes de departamento de calçado, gestores de projetos e/ou designers. 1.2.1.3 - Contacto Empresarial Numa terceira fase, iniciamos então a fase de contacto empresarial. Para primeira etapa desta fase, a equipa procura fazer uma primeira abordagem por e-mail, enviando uma apresentação ou qualquer outro material de comunicação disponibilizado pelo nosso cliente ao e-mail geral da empresa, ou a qualquer contacto direto presente na BD (se disponível). Estes e-mails são enviados sempre pelo nosso email institucional da Market Access, e visamos sempre que apenas agimos enquanto mediadores entre as marcas internacionais e o nosso cliente. O objetivo deste contacto será sempre o de tentar atrair as empresas internacionais a agendar uma breve reunião inicial com o cliente, procurando estabelecer uma relação entre os intervenientes e, possivelmente, levar a uma parceria entre ambos. O mais frequente é não obter nenhuma resposta aos e-mails iniciais por parte das empresas ou dos contactos diretos. Nesse sentido, os contactos empresariais são sempre seguidos por chamadas telefónicas Antes do agendamento de qualquer reunião, poderão surgir questões sobre preços, quantidades mínimas, capacidade de produção, outros serviços disponíveis, entre outras dúvidas. Caso alguma das empresas contactadas tenha interesse em reunir, a equipa deverá certificar-se dos fusos horários e averiguar disponibilidades. Cabe à MA mediar estas situações – pedir a informação necessária ao cliente, responder às empresas, verificar a disponibilidade de ambas as partes para agendar a reunião, e agendar a mesma. Capítulo I - O estágio na Market Access 13 Diversas vezes, poderá igualmente ser necessária a comparência de um membro da equipa para introduzir as partes, mediar e traduzir. 1.2.1.4 - Traduções Ao longo do estágio curricular, foi necessária a tradução de material corporativo, como por exemplo apresentações de empresas, fichas de produto, fichas de inscrição e catálogos. Para além de requisitarem traduções inglês/português e português/inglês, requisitaram também traduções português/chinês e inglês/chinês. De forma a obter esse efeito, foram disponibilizadas cópias dos documentos que iam sendo alterados à medida que as traduções eram feitas, mantendo a formatação original e assegurando que estes ficassem logo prontos para entrega ao cliente. Na minha experiência pessoal, para este tipo de tarefa de tradução, não utilizei nenhum tipo de metodologia específica - no entanto, visto que muitas vezes era necessário vocabulário específico a diferentes setores e atividades (como o setor vitivinícola, pedra, construção e metal, chocolate, entre outros), era necessária uma pesquisa prévia em websites chineses para aprender a empregar o uso de novos vocábulos, antes de desenvolver a tradução. Para esta tarefa, recorri frequentemente a recursos como o NAVER Dictionary 18 e o Pleco 19 , que são dicionários de chinês/inglês, inglês/chinês. Após a tradução para chinês, os documentos eram enviados para umas das colaboradoras da MA estabelecida na China, e após a sua revisão final e posterior aprovação, seriam enviados para o cliente. Para traduções português/inglês e inglês/português, o método diferia bastante, tendo em conta o nível de fluência com ambas as línguas. A maioria das traduções foram feitas quase sem recurso a dicionários da língua inglesa ou portuguesa, ou uma pesquisa prévia da utilização de vocábulos – exceto raras exceções em que os materiais a traduzir requeriam conhecimento profundo de vocábulos específicos ao setor. Nestes casos, a tradução também foi realizada nos próprios materiais (para facilitar a formatação e entrega dos mesmos ao cliente), e não necessitaram de verificação prévia. Para além destas línguas, a equipa Market Access tem ainda capacidade interna 18 https://dict.naver.com/linedict/zhendict/dict.html#/cnen/home 19 https://www.pleco.com Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 20 posições de cada individuo são mais estritamente observadas. Isto implica que não só em meios empresariais, mas também em termos políticos e familiares, a figura de poder mantêm uma distância considerável para com os outros. Hofstede e Minkov (2010) dizemnos que em países onde a distância ao poder é mais longa, existe uma relação de codependência autoritária e/ou paternalista entre a figura de poder e os subordinados, o que resulta num afastamento de ambas as partes, e numa recusa por parte dos “subordinados” de se aproximar ou contradizer a figura de poder. A alta pontuação da China indica uma sociedade em que as pessoas aceitam as desigualdades e as relações polarizadas entre subordinados e superiores. Os abusos de poder por parte dos superiores não são muitas vezes contestados. Os indivíduos respeitam a autoridade formal e as sanções, sendo otimistas quanto às capacidades de liderança dos outros. No que toca ao Individualismo, Hofstede e Minkov (2010, p.92), no seu estudo, caracterizam as sociedades individualistas como “sociedades em que os laços entre os indivíduos são soltos: espera-se que todos cuidem de si mesmos e da sua família imediata” 32 . No entanto, também discutem o oposto de uma sociedade individualista – uma sociedade coletivista e, portanto, com pontuação baixa no parâmetro de Individualismo. Hofstede e Minkov (2010, p.92) descrevem este coletivismo como “sociedades nas quais as pessoas desde o nascimento estão integradas em grupos fortes e coesos, que ao longo da vida das pessoas continuam a protegê-los em troca de uma lealdade inquestionável” 33 . Tanto a China como Portugal apresentam valores baixos similares, estabelecendo ambos os países como sociedades coletivistas. Sendo assim, a China estabelece-se como uma cultura coletivista em que os interesses do grupo têm precedência sobre as preocupações individuais. As afiliações dentro do grupo, especialmente a família, influenciam a contratação e as promoções. O empenho dos trabalhadores é geralmente baixo e as relações dentro dos grupos são cooperativas, enquanto as relações com os grupos externos podem ser hostis. As ligações pessoais são mais valorizadas do que as tarefas ou a lealdade à empresa. Para o parâmetro da Masculinidade, o estudo debruça-se sobre aspetos culturais e nas expectativas para cada um dos géneros - segundo Hofstede e Minkov (2010, p.138) espera32 “Individualism pertains to societies in which the ties between individuals are loose: everyone is expected to look after him - or herself and his or her immediate family.” (TdA) 33 “Collectivism as its opposite pertains to societies in which people from birth onward are integrated into strong, cohesive in-groups, which throughout people’s lifetime continue to protect them in exchange for unquestioning loyalty.” (TdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 21 se que os homens sejam "assertivos, competitivos, e duros” 34 , enquanto se espera que as mulheres sejam “mais preocupadas em cuidar do lar, das crianças, e de pessoas em geral – assumindo papéis delicados” 35 . Portanto, este parâmetro não procura, na verdade, quantificar a virilidade da sociedade, mas sim se a população da mesma apresenta características mais assertivas e competitivas, ou características mais afáveis. Neste parâmetro a China apresenta uma diferença considerável de Portugal, demonstrando ser uma sociedade bem mais assertiva e de valores fixos. O modelo de trabalho do indivíduo é caracterizado por uma elevada motivação para a realização e o sucesso. Esta motivação é tão forte que os indivíduos sacrificam frequentemente a família e os tempos livres pelo trabalho: os trabalhadores migrantes mudam-se sem as suas famílias para obterem melhores oportunidades de emprego nas cidades; os estudantes chineses dão prioridade às notas dos exames e às classificações, considerando-as cruciais para o seu sucesso e deixando de parte o lazer em prol da progressão profissional. Quanto ao parâmetro Prevenção de Incertezas, Hofstede e Minkov (2010, p.191) pode ser categorizado como a “medida em que os membros de uma cultura se sentem ameaçados por situações ambíguas ou desconhecidas. Este sentimento é, entre outras manifestações, expresso através de stress nervoso e numa necessidade de previsibilidade: uma necessidade de regras escritas e não escritas” 36 , e não deverá ser confundido com prevenção de riscos. Como podemos verificar, é neste parâmetro que podemos verificar a maior diferença: Portugal apresenta quase a pontuação máxima, enquanto a China apresenta uma pontuação relativamente baixa – estes valores transparecem uma sociedade chinesa mais relaxada, com um menor sentido de urgência, uma maior aceitação pela ambiguidade e uma menor necessidade por regras. Embora exista uma preocupação com a verdade nos círculos sociais, prevalece a flexibilidade no cumprimento de regras e leis, sendo comum a adaptação a diferentes situações. A ambiguidade é confortável para os chineses, o que se reflete na sua linguagem. Eles são adaptáveis e empreendedores. A maioria das empresas chinesas são de pequena a média dimensão e de cariz familiar, o que evidencia a sua abordagem pragmática e flexível. 34 “Men, in short, are supposed to be assertive, competitive, and tough.” (TdA) 35 “Women are supposed to be more concerned with taking care of the home, of the children, and of people in general—to take the tender roles.” (TdA) 36 “Uncertainty avoidance can therefore be defined as the extent to which the members of a culture feel threatened by ambiguous or unknown situations. This feeling is, among other manifestations, expressed through nervous stress and in a need for predictability: a need for written and unwritten rules.” (TdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 22 Em penúltimo, no parâmetro de «Orientação de Longo Prazo», falam-nos de: A orientação a longo prazo significa a promoção de virtudes orientadas para recompensas futuras - em particular, perseverança e parcimónia. O seu polo oposto, a orientação a curto prazo, representa a promoção de virtudes relacionadas com o passado e o presente - em particular, o respeito pela tradição, a "preservação do rosto" e o cumprimento de obrigações sociais. (Hofstede e Minkov, 2010, p.239) 37 Tendo em conta os resultados apresentados pelo gráfico, podemos atribuir a discrepância dos resultados – sendo a sociedade chinesa de orientação a longo prazo, e a sociedade portuguesa de orientação de curto prazo – ao facto de a primeira exibir comportamentos mais relacionados com “moderação, não esperar gratificação imediata dos seus desejos, tenacidade na procura dos seus objetivos, e humildade” (Hofstede e Minkov, 2010, p.242) 38 . A China tem uma pontuação elevada de 77 na dimensão do pragmatismo. Isto indica uma cultura em que a verdade é vista como dependente da situação. As pessoas são adaptáveis, mudando facilmente as tradições para se adaptarem a novas circunstâncias. Apresentam fortes hábitos de poupança e de investimento, dando ênfase à parcimónia e à perseverança para alcançar resultados. Por último, definem Indulgência como: A indulgência representa uma tendência para permitir uma gratificação relativamente livre dos desejos humanos básicos e naturais relacionados com o gozo da vida e a diversão. O seu polo oposto, a contenção, reflete a convicção de que tal gratificação precisa de ser restringida e regulada por normas sociais rigorosas (Hofstede e Minkov, 2010, p.281) Podemos assim constatar que a China é um país ligeiramente menos indulgente que Portugal, e que ambos os países são considerados países contidos, sendo que Portugal apresenta uma maior predisposição para aproveitar os prazeres da vida e para a diversão. Por outro lado, a China é classificada como uma sociedade comedida, com uma tendência para o cinismo e o pessimismo. Em contraste com as sociedades indulgentes, as sociedades 37 “(…) long-term orientation stands for the fostering of virtues oriented toward future rewards—in particular, perseverance and thrift. Its opposite pole, short-term orientation, stands for the fostering of virtues related to the past and present—in particular, respect for tradition, preservation of “face,” and fulfilling social obligations.” (TdA) 38 “The children learn thrift, not to expect immediate gratification of their desires, tenacity in the pursuit of their goals, and humility.” (TdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 23 moderadas, como a China, não dão prioridade ao tempo de lazer ou à satisfação imediata dos desejos. As pessoas destas sociedades sentem que as suas ações são limitadas por normas sociais e consideram a autoindulgência moralmente questionável. Outro método de avaliação utilizado para avaliar mais profundamente aspetos culturais da China, e traçar um paralelo com a sociedade portuguesa, é a utilização do Ranking Global do Índice Internacional de Desempenho Logístico (ou LPI) 39 . A LPI é uma ferramenta interativa de benchmarking criada pelo World Bank para ajudar os países a identificar tanto os desafios como as oportunidades que poderão enfrentar no seu desempenho em logística comercial. A LPI 2023 permite traçar comparações entre 160 países, compará-los e classificá-los por cada parâmetro separadamente, ou através de uma pontuação global. No parâmetro “Alfândega” 40 , procura-se medir a eficiência no processo de desalfandegamento pelos organismos de controlo fronteiriço – ou seja, são tidos em consideração fatores como rapidez, simplicidade e previsibilidade das formalidades. Nas “Infraestruturas” 41 , tal como o nome indica, avalia-se a qualidade de infraestruturas relacionadas ao transporte e comércio, tais como portos, estradas, caminhos ferroviários, entre outros. No que concerne às “Remessas Internacionais” 42 , destina-se à facilidade de arranjar envios internacionais com preços competitivos. O parâmetro da “Competência Logística” 43 procura estudar a competência e qualidade dos serviços de logística de um país (por exemplo: funcionários aduaneiros, transportadoras, etc.). O “Rastreio e Localização” 44 assegura-se de avaliar a capacidade de rastreio e localização de parcelas. E por último, o parâmetro da “Pontualidade” 45 avalia a pontualidade do envio das remessas, em comparação com o tempo estimado de envio. Abaixo, será possível consultar as pontuações gerais da China e de Portugal (para o ano de 2023), bem como dos parâmetros individualmente, e traçar uma comparação entre ambos os países: 39 “International Logistics Performance Index (LPI) Global Ranking” (TdA) 40 “Customs” (TdA) 41 “Infrastructures” (TdA) 42 “International Shipments” (TdA) 43 “Logistics Competence” (TdA) 44 “Tracking & Tracing” (TdA) 45 “Timeliness” (TdA) Gráfico 2 - Comparação das pontuações da China (amarelo) e Portugal (laranja) para os parâmetros do «International LPI Global Ranking» (2023) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 24 A China apresenta pontuações mais altas para todos os parâmetros: para o parâmetro de Alfândega (3,30, contra os 3,20 pontos de Portugal), Infraestruturas (4,00, contra os 3,60 pontos de Portugal), Remessas Internacionais (3,60, contra os 3,10 pontos de Portugal), Competência Logística (3,80, contra os 3,60 pontos de Portugal), Rastreio e Localização (3,80, contra os 3,20 pontos da China) e Pontualidade (3,70, contra os 3,60 pontos de Portugal). Não é de estranhar, portanto, que a China apresente uma pontuação global mais elevada que Portugal - a pontuação global LPI sumativa da China situa-se nos 3,70 pontos, e a de Portugal nos 3,40 pontos. Em termos económicos, e servindo-nos de informação fornecida pelo website Trade Map 46 (dados mais recentes de 2023), os principais importadores de produtos chineses são os Estados Unidos da América, a Região Administrativa Especial de Hong Kong, Japão, Républica da Coreia, e o Vietname – representando 14,5% de todas as exportações mundiais. Em contrapartida, a China importa sobretudo produtos provindos de Taiwan, Estados Unidos da América, Républica da Coreia, Japão, e Austrália – ou seja, 10,9% das importações mundiais. Os produtos mais exportados pela China consistem em máquinas e aparelhos elétricos e suas partes, reatores nucleares e caldeiras, veículos e suas partes e acessórios (exceto material ferroviário ou elétrico), plásticos, e mobiliário. Em contrapartida, os produtos mais importados são combustíveis minerais, máquinas e aparelhos elétricos e suas partes, minérios, reatores nucleares e caldeiras, e pérolas, pedras e metais preciosos. Por último, por forma a realizarmos uma análise completa do país, e com o objetivo de conseguir correlacionar todos estes fatores acima mencionados (económicos, sociais, 46 Trade Map é uma plataforma online pelo International Trade Centre, criada em 1999, que disponibiliza dados e estatísticas oficiais das transações comerciais de mais de 220 países e 5300 produtos. Esta plataforma é feita em colaboração com a União Europeia, a World Trade Organization e Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. (NdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 25 culturais, entre outros), poderemos ainda utilizar uma contextualização histórica para adicionar ainda mais detalhe e conhecimento sobre este país, bem como uma análise do país em contexto internacional, e das relações bilaterais com Portugal. 2.1.1 – Breve introdução histórica Os últimos 50 anos da história chinesa englobam vários acontecimentos significativos, que despoletaram mudanças transformadoras que moldaram a China moderna. De 1966 a 1976 dá-se a Revolução Cultural, bem como o fim da era de Mao Zedong 47 (毛泽东, máo zédōng), Presidente do comité central Partido Comunista da China (ou PCC, em chinês: 中 国 共 产 党 , zhōngguó gòngchǎndǎng) entre 1945-1976. Este movimento sociopolítico iniciado pelo próprio Mao Zedong tinha por objetivo preservar a ideologia comunista e eliminar os elementos capitalistas e tradicionais da sociedade. De acordo com J. D. Spence (1991) este foi um período conturbado do país, marcado por lutas políticas, convulsões sociais e fervor ideológico, que se fez sentir ao longo da década de 70. Mao lançou a Revolução Cultural para reafirmar o seu controlo sobre o Partido Comunista e reavivar o fervor revolucionário. Acreditava que a China precisava de desafiar continuamente os elementos burgueses da sociedade para manter o verdadeiro espírito do comunismo. É nesta época que Mao une forças com Lin Biao (em chinês 林彪, lín biāo, a quem deu o cargo de novo Ministro da Defesa e chefe de facto do Exército de Libertação Popular, de sigla ELP) para que, em 1963, sejam criadas as “Citações do Presidente Mao” (ou “O Pequeno Livro Vermelho”, em chinês 毛主席语录, máo zhǔxí yǔlù): uma compilação de aforismos a partir do enorme conjunto de documentos e discursos que Mao tinha produzido ao longo dos trinta anos anterior, largamente estudadas largamente pela população e que levaram a uma idolatria excessiva. Embora o significado ideológico dessa coleção, com as suas constantes exortações ao autossacrifício, autossuficiência, e a manutenção do ímpeto revolucionário e da luta contínua, não fosse aparente para a maioria dos líderes do PCC, milhões de soldados começaram a estudar e memorizar os ditos de Mao, elevando-o a um novo nível de 47 Mais conhecido como Mao Tsé-Tung, de acordo com a transliteração Wade-Giles. Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 26 reverência. (Spence, 1991, p.596 e 597) 48 Agora endoutrinados, Mao mobilizou os jovens, formando-os na Guarda Vermelha ( 红卫兵 hóng wèi bīng) que tinham a tarefa de eliminar os "Quatro Velhos" (四旧, sì jiu) - velhos costumes, velha cultura, velhos hábitos e velhas ideias. A Guarda Vermelha tinha como alvo os intelectuais, os profissionais liberais e todos os que fossem considerados uma ameaça à ideologia comunista. As escolas e universidades foram encerradas e milhões de jovens foram enviados para o campo para serem "reeducados" através do trabalho manual. Muitos dos membros do partido tentaram pôr um travão a esta revolução desenfreada, mas sem sucesso. Em contrapartida, as suas opiniões mais moderadas foram tidas como capitalistas por Mao e os seus apoiantes, que aproveitaram para levar a cabo uma purga generalizada dentro do PCC. Muitos oficiais e intelectuais foram humilhados publicamente, presos ou mortos. Artefactos culturais e históricos de valor inestimável foram destruídos numa tentativa de erradicar a herança pré comunista da China. O caos resultou num colapso da lei e da ordem, afetando gravemente a sociedade chinesa. Ainda de acordo com Spence (1991), a economia sofreu imenso durante a Revolução Cultural. Com o encerramento das escolas e a perseguição dos intelectuais, registou-se uma perda significativa de conhecimentos técnicos nunca antes vista. A produção agrícola e industrial caiu a pique, levando à pobreza generalizada e à fome em algumas regiões. Em 1976 dá-se a morte de Mao, que marcou o fim da Revolução Cultural. O seu sucessor, Deng Xiaoping, mudou o foco da China para as reformas económicas e a abertura ao mundo. Deng desmantelou muitas políticas radicais maoístas, dando ênfase ao desenvolvimento económico, à modernização e à estabilidade. Depois de vários anos de controvérsia, esta mudança lançou as bases para o rápido crescimento económico da China nas décadas seguintes. Mas antes de tudo, tinha ainda uma tarefa difícil: ganhar a confiança do seu povo. 48 “Though the ideological significance of this collection, with its constant exhortations to self-sacrifice, self-reliance, and the maintenance of revolutionary impetus and ongoing struggle, was not apparent to most CCP leaders, first thousands and then millions of soldiers began to study and memorize Mao's sayings, raising him to a new level of reverence.” (TdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 27 O Grande Salto Adiante 49 tinha, pelo menos, uma visão económica e social significativa no seu cerne. A Grande Revolução Cultural Proletária mostrou que nem Mao nem o PCC pareciam saber como ou para onde a nação deveria ir. (Spence, 1991, p.617) 50 O génio de Deng Xiaoping (邓小平, dèng xiǎopíng) e as suas ideias revolucionárias, transformaram a China de uma economia centralmente planificada numa das maiores potências económicas do mundo. A visão de Deng consistia em modernizar a economia chinesa através da introdução de reformas orientadas para o mercado, investimentos estrangeiros e avanços tecnológicos. Estas reformas anunciaram uma nova era, levando à emergência da China como uma potência económica mundial – entre elas, ressalta-se as reformas agrícolas, a criação de zonas económicas especiais (ZEE), abertura ao investimento estrangeiro, reformas industriais e avanços tecnológicos, a tentativa de descentralização económica e a modernização dos sistemas financeiro e jurídico. Mas o mandato de Deng não foi sem controvérsia: em 1989 ocorrem os protestos da Praça Tiananmen ( 天 安 门 广 场 , tiān ānmén), um movimento pró-democracia em Pequim. Estes marcaram uma viragem significativa na história moderna do país. O movimento, liderado principalmente por estudantes, intelectuais e trabalhadores, exigia reformas políticas, liberdade de expressão e o fim da corrupção no seio do Partido Comunista. A reação do governo chinês foi uma violenta repressão militar, que resultou numa condenação internacional generalizada e moldou o panorama político da China nos anos seguintes. A comunidade internacional condenou veementemente as ações do Governo chinês - muitos países impuseram sanções e a China enfrentou o isolamento diplomático. O acontecimento teve um impacto duradouro na imagem global da China, levando a relações tensas com várias nações. A nível interno, o governo chinês intensificou o seu controlo sobre a informação e a dissidência. A discussão sobre os protestos da Praça de Tiananmen tornou-se tabu na China, com a adoção de medidas de censura rigorosas. O governo suprimiu ativamente qualquer menção ou comemoração do acontecimento, dificultando às gerações mais jovens da China o conhecimento da dimensão total dos 49 O Grande Salto Adiante ou Grande Salto para Frente (大跃进, dàyuèjìn) foi uma campanha lançada por Mao Zedong, entre 1958 e 1960, que visava transformar a República Popular da China num país desenvolvido e socialmente igual, acelerando a coletivização do campo por meio da industrialização urbana e da Reforma Agrária forçada. No entanto, é visto como a causa da Grande Fome Chinesa. (NdA) 50 “The Great Leap Forward had at least had a meaningful economic and social vision at its heart. The Great Proletarian Cultural Revolution showed that neither Mao nor the CCP seemed to know how or where the nation should be heading.” (TdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 28 protestos. Embora as reformas económicas tenham prosseguido, as reformas políticas estagnaram e a dissidência continuou a ser fortemente controlada. Em 1997, dá-se a transferência da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China. De acordo com o princípio "Um país, dois sistemas" 51 (一国两制, yīguó liǎngzhì), foi prometido a Hong Kong um elevado grau de autonomia, permitindo-lhe manter os seus sistemas económicos e políticos separados dos da China continental. Contudo, nos últimos anos, este acordo tem enfrentado desafios significativos, o que suscita preocupações quanto à autonomia de Hong Kong e ao futuro da sua identidade única. Desde aí, a China tem experienciado uma ascensão económica notável ao longo das últimas décadas, com o país a transformar-se na segunda maior economia do mundo. As capacidades de produção da China, o crescimento orientado para a exportação e a integração nas cadeias de abastecimento mundiais desempenharam um papel crucial. A pandemia de COVID-19, causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que surgiu entre o final de 2019 e o início de 2020, tornando-se uma crise sanitária mundial, teve profundas implicações sociais, económicas e políticas no país. A China, onde o surto teve origem, enfrentou desafios significativos na gestão da propagação inicial do vírus, sendo por diversas vezes, alvo de críticas e desconfiança por parte de vários países e entidades de saúde. Ainda hoje se fazem sentir as repercussões deste percalço inicial com as medidas sanitárias, nomeadamente os contínuos e frequentes confinamentos, o desenvolvimento controverso da vacina, e o encerramento das fronteiras do país (que apenas em 2023 voltaram à normalidade). 2.1.2 – A China num contexto internacional Uma das técnicas utilizadas para percebermos o contexto internacional de qualquer país, empresa, associação, ou individuo, passa por realizar uma análise PESTEL (ou PEST) – este nome nada mais é que uma sigla, e procura analisar fatores externos que possam influenciar o caso de estudo em vários setores e ambientes (Gupta, 2013). Cada letra do nome representa uma categoria de fatores externos: “P” para fatores “Políticos”, que nos levam a avaliar as condições políticas do caso de estudo, desde intervenções na política e 51 Ideia originalmente proposta por Deng Xiaoping, então líder da China para a unificação total do país, e implementada durante os anos de 1997 e 1999. É um princípio constitucional da República Popular da China que se aplica sobre a administração governamental de Hong Kong e de Macau (antigas colônias do Reino Unido e de Portugal, respetivamente) e dita que ambos territórios poderiam continuar a praticar o capitalismo sob um alto nível de autonomia por 50 anos após a reunificação. (NdA) Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 29 na economia, a leis e influências políticas; “E” para fatores “Económicos”, que procuram avaliar a situação macroeconómica do ambiente do caso de estudo; “S” para fatores “Sociais”, que correspondem à situação social, cultural e demográfica de um país; “T” para fatores “Tecnológicos”, que avalia progresso, mudança e infraestruturas tecnológicas; “E” para fatores de “Environment” (ou “Ambientais” em português), que nos ajudam a perceber de que modo as condições ambientais ou medidas legais de proteção ambiental poderão impactar o nosso caso de estudo; “L” para fatores “Legais”, que compreende o panorama legal do nosso caso de estudo (Ho, 2014). Deste modo, uma análise PESTEL segundo Peng e Nunes (2007) é uma “fotografia panorâmica” que ajuda a empresa a compreender e avaliar melhor todo o seu ambiente externo, podendo levar a um melhor conhecimento do meio externo e das condições locais que podem alterar o modo como qualquer empresa produz valor. De acordo com um estudo realizado pela Market Access, promovido pela AEP (2021), a nível político, denota os seguintes fatores: o Partido Comunista da China (PCC), que subiu ao poder em 1949 e que conta com mais de 90 milhões de membros, detém o total controlo de todos os aspetos do governo, desde a formulação legal, até o nível provincial. No entanto, desde 1986, a China segue uma política de “portas abertas”, promovendo medidas sociais e políticas, no sentido de ajudar ao desenvolvimento económico do país e perpetuando a China como uma das economias mundiais de mais rápido crescimento. Apesar destes esforços, em 2018, a China obteve uma pontuação de 8,9% no parâmetro de voz e responsabilidade nos Indicadores de Governação Mundial – este número indica-nos a liberdade populacional na escolha dos seus representantes políticos, bem como a liberdade de expressão, liberdade de associação e liberdade dos media (também estes estritamente controlados pelo governo). A China é dos países com a menor pontuação neste parâmetro devido ao seu Estado de Direito centralizado que aproveita de um sistema de princípios comunistas enraizados. Com a pandemia de COVID19, a China passou a enfrentar uma maior resposta política mundial, e a um maior apelo de abertura da informação e transparência dos media. Em termos económicos, também a China enfrentou um agravamento em várias frentes: devido à crise económica global, juntamente com relações tensas com os Estados Unidos da América em anos recentes, levou a uma consequente desaceleração do crescimento económico do país, de 6,6% em 2018, e 6,1% em 2019. Também a pandemia Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 36 interesse pelo estilo neo chinese, que combina elementos chineses e ocidentais. Este estilo está em ascensão, bem como peças com um design mais contemporâneo. Uma análise do mercado chinês revela várias oportunidades emergentes no setor doméstico. A população chinesa está cada vez mais disposta a investir em móveis e decoração, tendência esta impulsionada pelo aumento do poder de compra, que cresceu cerca de 8,9% em 2019, bem como o aumento do nível de urbanização na China que atingiu, em 2019, os 60,6% (um aumento em relação ao ano anterior). Após a adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), as taxas de importação de móveis diminuíram significativamente, com uma taxa de 0% aplicada a todos os móveis desde 2005, exceto para alguns produtos específicos. A assinatura do Regional Comprehensive Economic Partnership Agreement (RCEP) 54 facilita o comércio internacional, abrangendo tanto bens quanto serviços, e reduzindo para 0% as taxas de vários produtos ao entrarem na China. Estudos indicam que este acordo poderá aumentar as exportações da China em 11,44%, e a taxa de crescimento das importações em 17,12%. 2.2.3 – O setor Infraestruturas na China De acordo co, o estudo da AEP (2021), de forma geral, prevê-se que o setor da construção cresça cerca de 22,3% em 2024, embora o ritmo de crescimento da indústria deva desacelerar. O segmento de lazer e hospitalidade tem aumentado significativamente o financiamento de projetos, impulsionado por eventos desportivos a realizar em Pequim. Espera-se que a procura por infraestruturas não-residenciais também cresça, especialmente no setor da saúde, devido ao envelhecimento da população. Até 2027, cerca de 22% da população do país terá mais de 60 anos, criando oportunidades para o desenvolvimento de construções adaptadas aos cuidados com idosos. Data centers 55 destacam-se também como um dos principais projetos em desenvolvimento. A demografia da China deverá continuar a impulsionar o crescimento da 54 Também denominado por Parceria Económica Regional Abrangente (em português), é um tratado de livre comércio com esfera de atuação na região da Ásia-Pacífico entre os dez estados-membros da Associação das Nações do Sudoeste Asiático (comummente conhecido como ASEAN, e que inclui o Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname), bem como os cinco países parceiros: Austrália, China, Japão, Nova Zelândia e Índia. (NdA) 55 Local físico para o armazenamento de máquinas, computadores e outros equipamentos de hardware, que por sua vez armazenam dados, serviços tecnológicos e afins de empresas, entidades e privados. Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 37 construção residencial, com o aumento dos rendimentos das famílias e a migração para áreas urbanas a alimentarem a procura por habitação. As gerações nascidas nos anos 90 e 2000, que representarão cerca de 35% da população em 2027, continuarão a depender da tecnologia e da digitalização, e terão padrões mais elevados de qualidade. Como resultado, a procura por tecnologias inteligentes e sistemas integrados nas habitações, como controlos automáticos de iluminação e regulação de temperatura, deverá aumentar. Além disso, espera-se uma maior exigência por produtos de qualidade, especialmente em relação às questões ambientais, impulsionando a procura por materiais de isolamento e painéis solares. De acordo com o estudo AEP (2021), no Plano de Urbanização de Novo Tipo 2014-2020 (国家新型都市化计划, guójiā xīnxíng dōushìhuà jìhuà), estabelece-se também a meta de aumentar a percentagem de edifícios verdes de 2% em 2012, para 50% em 2020, em novas construções. Como muitos fornecedores chineses ainda não estão familiarizados com materiais ecologicamente responsáveis, esta oportunidade continua a favorecer produtores e investidores estrangeiros. Em termos de dificuldades, a regulamentação poderá ser um grande obstáculo, devido à sua complexidade e rigor - poderá abranger questões relacionadas com permissões de planeamento, e até questões de saúde e segurança no local de construção, o que acaba por aumentar os custos operacionais. Estas restrições na construção tendem a limitar a oferta, o que, por sua vez, reduz a procura e eleva os preços. Além disso, os empreiteiros precisam de requerer uma licença concedida pelo Ministério da Habitação e do Desenvolvimento Urbano e Rural (中华人民共和国住房 和城乡建设部, zhōnghuá rénmín gònghéguó zhùfáng hé chéngxiāng jiànshèbù) para operar na China, e os empreiteiros estrangeiros só podem realizar projetos em que o financiamento estrangeiro exceda 50%. Outro desafio que as empresas de construção enfrentam é a flutuação dos preços dos materiais de construção. Por outro lado, o crescente nível de consciencialização ambiental na China oferece oportunidades para empresas estrangeiras que possuam tecnologia e knowhow para desenvolver produtos de construção mais sustentáveis. Embora os materiais de construção não sejam o tipo de produto mais restrito, alguns poderão beneficiar de tratamento fiscal favorável. Destacam-se os materiais que conservam energia, os Capítulo II - Análise de oportunidades para empresas portuguesas nos setores selecionados 38 utilizados no tratamento de resíduos ou que substituem madeira e aço. No entanto, há também medidas administrativas na indústria de materiais de construção que podem ser obstáculos, como os requisitos de licenciamento. Para produzir e vender certos materiais de construção, as empresas precisam cumprir regimes de licenciamento específicos, que variam conforme o produto. Esses regulamentos são emitidos pela Administração para a Supervisão da Qualidade, Inspeção e Quarentena (de sigla AQSIQ, em chinês: 中华人民共和国国家质量监督检验检疫总局, zhōngguó guójiā zhìliàng jiāndū jiǎnyàn jiǎnyì zǒngjú), responsável pelas inspeções de mercadorias. 39 Capítulo III – Caso Prático: organização de uma missão de prospeção a mercados asiáticos Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 40 Durante o meu estágio curricular na Market Access tive a oportunidade de integrar diferentes equipas, responsáveis por variados projetos. Para efeitos de adequação do estágio curricular ao mestrado a que estou afeta, tive oportunidade de participar num projeto cuja esfera de ação se foca nos mercados asiáticos. Por outro lado, os recursos e conhecimentos adquiridos, durante a minha formação poderiam ser eficientemente utilizados para potenciar os resultados do projeto. O projeto em si, desenvolvido sob a alçada do Setor Público, e no âmbito do Portugal 2020 56 , procurava auxiliar uma grande entidade pública portuguesa na capacitação e apoio de empresas portuguesas na entrada nos mercados asiáticos. A estrutura original deste projeto terá sido inicialmente idealizada no período précovid: previa, inicialmente, o desenvolvimento de estudos de mercado, seguida de uma missão exploratória aos países asiáticos, várias sessões de capacitação às empresas portuguesas, criação de ferramentas digitais para apoio à internacionalização, a organização de um evento em Portugal que reúna empresas portuguesas e empresas asiáticas, terminando com a comunicação e disseminação dos resultados. Sendo este plano bastante abrangente, a fase do planeamento terá ainda envolvido uma ponderação séria de quais os mercados e setores a abordar no âmbito do projeto, por forma a afunilar o espetro do mesmo. Nesse sentido foram escolhidos os países asiáticos de maior dimensão (Japão, China e Coreia do Sul), bem como as fileiras com maior representatividade em Portugal (“Agroalimentar”, “Casa”, e “Infraestruturas e Materiais de Construção”). Contudo, e devido à natureza imprevisível da pandemia COVID-19, este plano original acabou por sofrer alterações – tendo em conta as restrições relativas a deslocações e eventos, o projeto necessitou não só de alterar a sua abordagem, como redefinir prazos e a ordem das fases, por forma a concluir o projeto de uma maneira proveitosa para todos os envolvidos. Nesse sentido, o projeto, que se iniciou em 2020 e terminou em 2023, acabou por estruturar-se da seguinte maneira: • Outubro de 2021: desenvolvimento e publicação de estudos de mercado (um estudo por cada um dos países asiáticos a prospecionar, com enfoque nos três 56 Acordo de parceria celebrado entre Portugal e a Comissão Europeia que visa o financiamento de projetos nacionais que tenham em vista o desenvolvimento económico, social e territorial de Portugal, entre 2014 e 2020. O seu sucessor é o Portugal 2030. (NdA) Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 41 setores). Os estudos de mercado abordavam tópicos de interesse como caracterizações gerais dos países, o seu panorama económico, análise das três fileiras selecionadas em cada um dos mercados, análise estratégica de cada fileira, as relações bilaterais com Portugal, cultura negocial, estratégias de internacionalização, estudos de benchmarking, entre outros tópicos de elevada pertinência para a contextualização das empresas portuguesas; • Maio e junho de 2022: preparação e realização de workshops, em formato virtual, para capacitação das empresas portuguesas das fileiras selecionadas, em relação a aspetos práticos da abordagem aos mercados a prospecionar. Os workshops seriam inteiramente gratuitos, e versariam a participação de especialistas do tópico, oriundos de cada um dos mercados; • Julho 2022: desenvolvimento e disponibilização dos guias de mercado e das ferramentas digitais de apoio à internacionalização; • Outubro 2022: organização do evento “Portugal Premium Events”, que colocou empresas portuguesas das fileiras selecionadas em contacto direto com interlocutores, empresas e opinion makers 57 , provenientes do Japão, China e Coreia do Sul. O evento, de dois dias de duração, organizou vários momentos de partilha e networking 58 . O primeiro dia de evento iniciou com palestras informativas (uma palestra por fileira), lideradas por painéis constituídos por empresas portuguesas representativas das fileiras, para dar a conhecer a atividade e desenvolvimento dos setores aos participantes internacionais, seguido de um momento de perguntas e respostas e de um momento de descontração e desenvolvimento de relações profissionais e interpessoais. No segundo dia, o grupo de visitantes internacionais foi dividido por fileira, e foi organizada uma visita aos locais de produção de várias empresas representativas de cada setor; • De abril a junho de 2023: organização de visitas aos mercados selecionados, nomeadamente, e por ordem, Japão, Coreia do Sul e China. Desta missão participaram a entidade pública promotora e organizadora do projeto, 57 Nome utilizado para designar privados ou entidades cuja função se baseia na veiculação de opiniões, preferências ou pareceres sobre um determinado tópico. Neste grupo, estão incluídos influencers, e revistas, blogues, jornais, entre outros meios de comunicação especializada. 58 Meio pelo qual profissionais constroem relações informais, com vista ao desenvolvimento de carreira, acesso a novos recursos ou informação privilegiada. Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 42 representantes de empresas significativas de cada fileira, e um grupo de consultores. Os grandes objetivos desta fase passaram pela assinatura de acordos de entendimento mútuo e cooperação entre a entidade pública e as entidades homólogas locais, a realização de um retail tour 59 , bem como a organização de um evento que previa o convite e a participação de interlocutores de interesse, empresas homólogas e opinion makers. Como tive a oportunidade de continuar a desempenhar funções na Market Access após o término do meu estágio curricular, tive o prazer de acompanhar este projeto em todas as suas fases, até à sua conclusão. Contudo, para efeitos do presente relatório, irei apenas abordar as tarefas desempenhadas ao abrigo do meu estágio, e contextualizá-las à luz das minhas experiências no seu desenvolvimento, bem como os conhecimentos previamente adquiridos que ajudaram à realização das mesmas. Assim sendo, as principais tarefas desempenhas aquando do meu estágio foram: apoio na seleção de cidades a visitar e definição das entidades a contactar aquando das missões presenciais aos mercados, e preparação da visita tendo em conta questões culturais – sendo esta última a de maior importância e em que estive mais envolvida. 3.1 – Seleção de cidades a visitar Tendo em conta o impacto da pandemia COVID-19 no planeamento original deste projeto, forçando a uma alteração da ordem das suas fases, a missão presencial aos mercados selecionados foi adiada por tempo indefinido – tendo em conta que, para esta fase em particular, não só interessavam as regras portuguesas de controlo pandémico, mas também as regras sanitárias do Japão, China e Coreia do Sul (por norma, bastante mais restritas). Contudo, os gestores de projeto e equipa de implementação procuraram sempre manter uma perspetiva positiva quanto às possibilidades futuras do desenvolvimento desta fase, e decidiram mesmo assim progredir com um planeamento mais genérico, simultaneamente privilegiando as restantes fases do projeto sem restrições sanitárias. Desta forma, caso no futuro houvesse um relaxamento destas restrições, este planeamento inicial 59 Técnica de benchmarking. Consiste na visita de vários retalhos locais para análise de vários fatores (económicos, legais, estéticos e sociais, entre outros), que poderão auxiliar no entendimento das regras do mercado, e posteriormente, se replicadas, poderão auxiliar à entrada de produtos internacionais no mercado. Fatores como estética da embalagem, rótulo, disposição em loja, preço, competição disponível, ações de promoção, entre outros, são julgados e devidamente analisados. “Tour de retalho” (TdA) Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 43 estaria já feito, simplificando as seguintes fases de preparação desta fase. Assim sendo, a primeira coisa a definir para esta fase foi: quais as cidades a visitar, em cada mercado selecionado. Esta seleção foi feita maioritariamente pela entidade pública organizadora deste projeto, com o auxílio da equipa de implementação do projeto da Market Access. A equipa procedeu à realização de uma pesquisa preliminar de certos parâmetros, para várias das principais cidades de cada país, que pudessem ajudar caracterizar as mesmas de uma forma mais profunda e ajudar na decisão. Parâmetros como a densidade populacional, PIB e PIB per capita das cidades, investimentos, e número de associações e empresas dos setores selecionados presentes, foram analisados e apresentados à entidade pública (ver capítulo 1.2.1.9.). Para o caso do Japão e da Coreia do Sul, esta decisão foi bastante rápida e direta: as capitais de ambos países lideravam em quase todos os parâmetros estudados – sendo assim, Tóquio e Seul, foram as cidades escolhidas para a missão presencial. Contudo, o caso da China, mostrou-se bem mais complicado de deliberar: devido à vastidão do território chinês, e a pluralidade de cidades e indústrias, bem como a organização especial e única do país, levou a que várias possíveis cidades fossem analisadas. Pequim foi a primeira cidade sugerida, não só por ser a capital, mas também pela densidade populacional da mesma. Para além disso, Pequim é um dos principais centros económicos e governamentais do país, com muitas associações (chinesas e internacionais) a escolherem esta cidade privilegiada para o centro das suas operações. Para além disso, é de ressaltar a presença de organismos governamentais portugueses, nomeadamente a embaixada de Portugal na China, podendo prestar auxílio na logística da missão, e conferindo um cariz oficial à mesma. Em segundo lugar, a cidade de Xangai (上海, shànghǎi) foi considerada – uma cidade cosmopolita e internacional, com presença avultada de empresas e indústria nacionais e internacionais, e também algumas associações de interesse (se bem que em menor número que em Pequim). Portugal também se faz representar oficialmente em Xangai, através da presença da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa (AICEP) 60 . 60 Entidade pública, com vocação empresarial, que visa a promoção e o apoio do desenvolvimento da lusofonia, bem como a internacionalização da economia portuguesa, através da promoção do tecido empresarial português e captação de investimento estrangeiro. Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 44 Por último, cidades como Shenzhen (深圳, shēnzhèn), Chongqing (重庆, chóngqìng), Chengdu (成都, chéngdū) e Guangzhou (广州, guǎngzhōu), também foram consideradas, pela sua densidade populacional, pela presença de indústria nacional especializada, e pelo crescente investimento nacional e estrangeiro nestas regiões. Contudo, a presença de entidades públicas era ainda diminuta. Sendo esta uma missão que pressupunha duas facetas distintas – um associativo, e outro de cariz empresarial – cidades que possuam um número considerável de indústria e entidades públicas foram privilegiadas. Para além disso, um outro fator decisivo para esta decisão foi a internacionalidade da cidade, ou seja, o cariz apelativo da mesma não só ao tecido empresarial português, como o acesso a empresas nacionais e internacionais. No planeamento inicial, a capital chinesa teria sido a cidade escolhida para acolher a comitiva portuguesa e organizar esta missão presencial. Contudo, por esta linha de pensamento, a entidade pública organizadora logo acabou por alterar o seu veredito, escolhendo a cidade de Xangai. 3.2 – Definição do perfil das entidades a contactar Após escolha as cidades, a equipa da Market Access encarregue da implementação deste projeto procurou, de forma gradual e antecipatória, desenvolver uma base de dados que incluísse perfis de interesse à missão. Tendo em conta a pluralidade de necessidades da missão presencial, a base de dados a desenvolver deveria refletir e responder de forma eficiente a todas as facetas desta fase do projeto. Sendo assim, foram privilegiadas entidades que, não só se localizassem na cidade (ou relativa curta distância), mas também de grande relevância e importância. Sendo assim, a base de dados, à semelhança das anteriores mencionadas neste relatório, pretendiam não só aglomerar o maior número possível de entidades, como também caracterizá-las ao detalhe e identificar interlocutores decisores. Na base de dados foram registados detalhes como websites, moradas e códigos postais, números de telefone e e-mails gerais, breve descrição das entidades e da sua atividade, bem como contactos diretos de pessoas integrantes na hierarquia destas entidades. Foram criadas 3 bases de dados diferentes, uma por cada mercado (Japão, China e Coreia do Sul), com 3 separadores diferentes – um separador por cada uma das fileiras selecionadas. Capítulo III – Caso Prático: apoio à organização de uma missão de prospeção de mercados 45 Para a vertente institucional da missão, nomeadamente a assinatura dos acordos de entendimento e cooperação, seria necessário adicionar à base de dados entidades como associações, cooperativas, câmaras de comércio e outras entidades homólogas. Para a vertente empresarial, nomeadamente para o evento presencial, deveriam de ser adicionadas empresas das várias fileiras representadas, bem como opinion makers. Posteriormente, poderia também ser endereçado um convite às entidades institucionais para participar no evento, e reforçar os novos laços. Tendo definido bem as cidades, parâmetros e entidades a convidar, a equipa fez um levantamento minuciosos, enviando no fim a base de dados para aprovação do cliente. Por último, foram também redigidos e-mails de convite, personalizados para cada um dos interlocutores a convidar – estes e-mails foram inicialmente redigidos em português, e aprovados pelo cliente. Numa segunda fase, a equipa procedeu à tradução dos mesmos para as variadas línguas dos mercados. Também nesta tarefa tive o prazer de ajudar a equipa, estando responsável pela tradução da carta de convite para chinês. Posteriormente, a tradução foi aprovada pela delegação em Xangai da AICEP. 3.3 – Preparação da visita tendo em conta questões culturais Sendo estes mercados ainda virtualmente desconhecidos para a maioria do tecido empresarial português, e tendo toda a equipa de implementação do projeto conhecimento da dimensão que os aspetos culturais tem no sucesso desta missão, sentiu-se a necessidade de colmatar estas lacunas de conhecimento, feita de forma transversal em todas as fases do projeto e os materiais de apoio criados. Durante a fase de pesquisa e desenvolvimento dos estudos para os três mercados selecionados, tornou-se evidente que as questões culturais poderiam ter um papel decisor não só nas relações interpessoais e negociações comerciais, mas também um impacto profundo nas tendências e procura do mercado nos vários setores. Tal como é evidenciado no presente relatório, através de uma análise simples e direta dos parâmetros de Hofstede pode-se evidenciar uma discrepância significativa em valores chave de ambas as sociedades quando comparadas à sociedade portuguesa. Também evidenciado no presente relatório, quando analisamos as oportunidades, constrangimentos e tendências de cada um dos setores na China, denotamos uma clara influência de questões culturais naquelas que são as necessidades e previsões do setor. 52 Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas 53 Acordos bilaterais. (n.d.). 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De acordo com a Autoridade de Informação Geoespacial do Japão (国土地理院, kokudochiriin), este arquipélago conta ainda com cerca de 377 975 quilómetros quadrados de área, espalhados pelas suas 6 852 ilhas. A sua capital é Tóquio (東京, tōkyō), a cidade mais populosa do país (e a maior área metropolitana do mundo) – de acordo com as estatísticas recentes do Gabinete de Estatística do governo do Japão (総務省統計局, sōmushōtoukeikyoku), 37,4 milhões de habitantes dos mais de 125 milhões de habitantes totais vivem nesta metrópole. O Japão é também a décima primeira maior população do mundo. Sendo o Japão um país arquipélago, constituído por mais de 6 000 ilhas, o seu território principal resume-se às 4 maiores ilhas: Honshu (本州, honshū), Hokkaido (北海道, hokkaidō), Kyushu (九州, kyūshū) e Shikoku (四国, shikoku) – que estão por sua vez divididas em 47 prefeituras entre elas. Devido à sua origem vulcânica, o território nacional é montanhoso e com a presença de vários vulcões, sendo casa dos “Alpes Japoneses” e o internacionalmente conhecido Monte Fuji (富士山, fuji san). Também conhecido como o país do Sol Nascente, o Japão herda esse nome por causa dos caracteres do seu nome (日本) significam «origem do sol». A sua língua oficial é o japonês (日本語, nihongo), e a sua moeda oficial é o Iene (de símbolo ¥, em japonês 円, en) 61 . Este país é uma monarquia constitucional, onde o imperador tem um poder bastante limitado e praticamente nominal. O atual é o Imperador Naruhito (今上天皇徳仁, kinjoutennou naruhito), após a abdicação do Imperador Akihito (天皇明仁, tennou akihito) a 30 de abril de 2019. No entanto, o chefe do governo é o primeiro-ministro (内閣総理大臣, 61 1 EUR equivale a 159.72 JPY [consultado a 19/09/2024]. Anexos 59 naikaku sōri daijin) – atualmente este cargo é encabeçado por Fumio Kishida (岸田文雄, kishida fumio), desde 4 de outubro de 2021. O primeiro-ministro deve ser escolhido pela Dieta Nacional (国会, kokkai), eleito por voto popular e apoiado pelo imperador, já que detém as funções de chefe do governo, chefe de gabinete, e órgão executivo e que elege e demite ministros. Por sua vez, a Dieta Nacional, um parlamento com duas camaras, é o órgão legislativo do Japão, e é constituída pela Câmara dos Representantes (em japonês 衆 議院, shūgiincom, com 465 membros, eleitos por voto popular a cada 4 anos) e a Casa dos Conselheiros (em japonês 参議院 sangiin, com 245 membros, votados a cada 6 anos). O ambiente político japonês é pluripartidário, com a presença de seis grandes partidos políticos – apesar disso, o seu maior partido é o Partido Liberal Democrata (自由民主党, jiyū minshutō), que tem vindo a dominar as camaras de voto desde 1955. O seu maior oponente é o Partido Democrático do Japão (立憲民主党, rikken minshutō). De acordo com o The World Factbook (2024) 62 , a sociedade japonesa é composta na sua maioria por homens (0,95 homens por cada 1 mulher), e cerca de 58,4% da sua população está em idade ativa. De acordo com a tendência dos países desenvolvidos, também o crescimento populacional tem vindo a desacelerar, atingindo os -0,43% em 2024. Isto deve-se sobretudo a uma baixa taxa de natalidade (6,9 nascimentos por 1000 habitantes), e uma longa expectativa de vida (84,83 anos, para a população geral). 92% da população vive em meios urbanos, e a população rural tem vindo a diminuir de ano para ano (-0,25% para o período de 2020-2025). As maiores e mais prevalentes religiões do Japão são o Xintoísmo (48,6% da população), o Budismo (46,4%) e o Cristianismo (1,1%). 4% da população segue outras religiões. Servindo-nos novamente do método de Hofstede que procura relacionar parâmetros como Distância ao Poder, Individualismo, Masculinidade, Prevenção de Incertezas, Orientação de Longo Prazo e, por último, Indulgência, para comparar países outrora incomparáveis em tópicos culturais, segue-se o seguinte gráfico comparativo: Gráfico 3Comparação dos parâmetros de Hofstede para a China (azul), Japão (roxo) e Portugal (verde) 62 Fonte de informação compilada pela CIA (Center Intelligence Agency), sobre dados e estatísticas dos países. Anexos 60 Para o primeiro parâmetro, o Japão apresenta uma pontuação de 54, sendo o país com a pontuação mais baixa de entre os três. À primeira vista, e tendo por base o conhecimento que possuímos sobre o país, esta pontuação baixa poderá parecer um contrassenso. Contudo, embora a hierarquia seja importante nos ambientes sociais japoneses, não é tão pronunciada como noutras culturas asiáticas. Alguns estrangeiros consideram o Japão extremamente hierárquico devido a um processo de tomada de decisão lento, em que as decisões necessitam da aprovação de vários níveis hierárquicos. Paradoxalmente, este processo lento realça o facto de o Japão não ter uma única figura de autoridade isolada. A distância ao poder relativamente baixa do Japão também se reflete nos seus valores meritocráticos, que dão ênfase à igualdade de oportunidades e ao trabalho árduo para que os indivíduos sejam bem-sucedidos, independentemente da sua origem. Por outro lado, o Japão é o país com a maior pontuação para o segundo parâmetro: o Individualismo. A sociedade japonesa difere da chinesa e da portuguesa por não ter um sistema de família alargada. Tradicionalmente, o Japão tem um cariz paternalista, com o nome da família e os bens herdados pelo filho mais velho, levando à separação dos irmãos por ramos familiares diferentes. Na cultura japonesa, as dinâmicas de grupo são situacionais e, embora valorizem a privacidade e a reserva, a sua lealdade às organizações escolhidas demonstra um traço distinto de individualismo. A Masculinidade é, mais uma vez, um parâmetro no qual o Japão se destaca, com um valor mais alto que a China, e três vezes mais alto que Portugal. Segundo o mesmo website, o Japão é dos países com a maior pontuação para este parâmetro. No Japão, apesar de um ligeiro coletivismo, a assertividade individual é rara, prevalecendo uma forte competição de grupo. No mundo empresarial, os empregados japoneses sentem-se mais motivados quando trabalham em conjunto como uma equipa vencedora contra os concorrentes. Este espírito Anexos 61 competitivo também se reflete na procura da excelência e perfeição, na produção material, nos serviços (como hotéis e restaurantes), na apresentação (incluindo embrulhos de presentes e apresentação de comida) e em vários aspetos da vida. O a cultura do trabalho excessivo do Japão, uma caraterística notória do país, é outra manifestação da sua determinação. No que toca à Prevenção de Incertezas, o Japão tem uma pontuação notavelmente elevada de 92 (quase tão alta como a pontuação portuguesa), atribuída à ameaça constante de catástrofes naturais como terramotos, tsunamis, tufões e erupções vulcânicas. Esta ameaça perpétua enraizou uma cultura de preparação meticulosa para as incertezas, não só em situações de emergência, mas em todos os aspetos da vida. A sociedade japonesa é altamente ritualizada e regulada para obter o máximo de previsibilidade. Desde o nascimento até à morte, as cerimónias e os eventos sociais seguem protocolos rigorosos. Os livros de etiqueta ditam o vestuário e o comportamento em casamentos, funerais e outras ocasiões importantes. Tanto nas escolas como no mundo empresarial, a adesão a precedentes e estudos de viabilidade pormenorizados são fundamentais. Esta forte necessidade de previsibilidade faz com que a implementação de mudanças seja muitas vezes um desafio no Japão. O Japão apresenta a pontuação mais elevada (com uma pontuação de 88 pontos) no parâmetro Orientação a Longo Prazo, enfatizando a perspetiva da vida como um momento fugaz na longa história da humanidade. Nas empresas japonesas, esta orientação é evidente através de investimentos consistentes em Investigação e Desenvolvimento (I&D), mantendo uma elevada taxa de capital próprio e dando prioridade ao crescimento estável da quota de mercado em detrimento dos lucros imediatos. Esta abordagem garante a durabilidade da empresa, alinhando-se com a crença de que as empresas servem não só os acionistas, mas também as partes interessadas e a sociedade ao longo das gerações. Por último, a baixa pontuação do Japão (42 pontos), semelhante (mas ligeiramente superior) à dos outros dois países em estudo, indica que a sua cultura é de contenção. As sociedades que obtêm uma pontuação baixa nesta dimensão têm maior probabilidade de serem pessimistas e cínicas. Para além disso, as sociedades moderadas restringem a realização dos seus desejos e dão menos valor ao tempo de lazer do que as civilizações indulgentes. Os indivíduos que se identificam com este ponto de vista acreditam que as regras sociais limitam o seu comportamento e que, de alguma forma, é incorreto Anexos 68 plantas; produtos químicos orgânicos. Quanto à balança comercial de ambos os países: as exportações de Portugal para o Japão atingiram o seu valor mais alto no ano de 2014 (ano em que Portugal transacionou 1,1 milhões de dólares em produtos para o país asiático). Contudo, esse número diminui em anos posteriores. Apesar de desde 2020, o valor das exportações para o Japão terem vindo a aumentar novamente, ainda não alcançou o valor do ano de 2014. Para além disso, apesar desta melhoria significativa ano após ano, a balança comercial é ainda extremamente tendenciosa para o país asiático. O setor Agroalimentar no Japão De acordo com o estudo AEP (2021), a popularidade das dietas com baixo teor de hidratos de carbono impulsionou o desenvolvimento de produtos específicos, como pão com baixo teor de hidratos de carbono, e aumentou a procura por produtos com alto teor em proteína, como frango processado refrigerado, além de revigorar a procura por produtos tradicionais, como o tofu. Restrições de tempo dos consumidores aumentaram a procura por produtos que reduzem o tempo e o esforço de preparação e confeção, como alimentos congelados e refeições prontas. Esta tendência foi reforçada com a crescente procura por produtos e embalagens adequadas para o consumo “pronto a comer”. Durante a crise sanitária da pandemia de COVID-19, houve um aumento na procura por alimentos saudáveis e de bem-estar no Japão, com o intuito de fortalecer os sistemas imunitários e prevenir infeções. De acordo com o Inquérito de Saúde e Nutrição da Euromonitor International (2020), mais de metade dos inquiridos japoneses preferem adotar soluções naturais ou tradicionais na prevenção de doenças, posicionando o Japão em terceiro lugar neste aspeto entre todos os países inquiridos (AEP, 2021). Durante o ano de 2020, a pandemia acelerou essa tendência, beneficiando categorias como iogurte, que registou um aumento nas vendas após quatro anos de declínio. Segundo dados do Eurostat (2021), o Japão é o quinto principal destino das exportações de produtos alimentares europeus, tendo recebido 7 876 milhões de euros em produtos alimentares da União Europeia (UE) em 2019, representando 4% do total exportado mundialmente. Observa-se uma tendência de crescimento do valor exportado pela UE para o Japão nesse setor, indicando uma aceitação dos produtos europeus no Anexos 69 mercado japonês. O relatório The Food and Beverage Market Entry Handbook (2022) sugere que este crescimento será ainda maior devido aos recentes acordos ratificados entre a UE e o Japão. O relatório destaca a carne e seus derivados como os produtos com maior potencial de exportação, mas também aponta cereais, queijo e vinho como produtos promissores. Pesquisas da União Europeia mostram que os produtos europeus têm uma boa reputação entre os consumidores japoneses, embora haja reservas em relação à segurança, qualidade, diversidade e sabor em comparação com produtos de outras regiões. Os principais produtos agroalimentares importados pelo Japão incluem carne de porco, carne bovina, soja, trigo, vitela, frango e café, com uma predominância de produtos estrangeiros no mercado. No entanto, o país é autossuficiente em arroz e alguns outros segmentos alimentícios. Os principais fornecedores de alimentos para o Japão são os Estados Unidos e a China, responsáveis por uma parcela significativa das importações, mas o país não é excessivamente dependente de nenhum fornecedor específico. As principais categorias de importação incluem peixes e crustáceos, carnes e preparações, representando uma parcela substancial das importações totais – o saldo comercial do Japão nesses produtos é deficitário, indicando uma dependência dos mercados internacionais para atender à procura interna. O estudo denota também que o valor das importações de produtos alimentares pelo Japão tem aumentado de forma consistente desde 2015. O setor de produtos alimentares japonês é amplamente reconhecido pela sua dimensão e diversidade. Devido a restrições estruturais e ao aumento da produção interna, a procura por produtos internacionais tem crescido, com uma valorização especial dos produtos da União Europeia devido à longa relação comercial e à reputação deste bloco econômico. Além disso, o Japão possui uma infraestrutura logística bem desenvolvida, facilitando o comércio internacional, para além de que se espera que a implementação do acordo de parceria entre a UE e o Japão venha ampliar as oportunidades no mercado para produtos europeus, eliminando barreiras comerciais (ex.: taxas de importação). Alguns produtos passíveis de deixarem de ser sujeitos a taxas de importação incluem: vinhos, carne suína e laticínios. Espera-se também um aumento das oportunidades para produtos inovadores e orgânicos, enquanto restrições comerciais relacionadas à certificação deverão ser mitigadas pelo acordo. As principais ameaças aos produtos europeus no mercado japonês incluem a possibilidade de o Japão estabelecer acordos comerciais com outros países de proximidade e Anexos 70 a forte fidelidade dos consumidores aos produtos domésticos. Além disso, os complexos quadros regulamentares e a preferência por relações comerciais já estabelecidas podem dificultar a entrada neste mercado. A tendência de envelhecimento da população japonesa também deverá ser considerada para projetos a longo prazo, principalmente no que concerne as tendências. A regulamentação da importação de produtos alimentares para o Japão é extensa e varia de acordo com o produto, exigindo procedimentos de certificação e documentação específicos - o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar (de sigla MHLW; em japonês 厚生労働省, kouseiroudoushyō) é a entidade responsável pela avaliação e autorização dos produtos importados, com possibilidade de exigir avaliações adicionais mesmo após a aprovação inicial. Os procedimentos alfandegários incluem diversos documentos, como faturas e certificação de embarque, além de possíveis certificados de qualidade e segurança alimentar. As regras de rotulagem também podem variar, representando um desafio adicional para a entrada de produtos alimentares no mercado japonês. Em suma, as barreiras legais são o principal obstáculo para a entrada de produtos alimentares no Japão. O setor Casa no Japão De acordo com o estudo AEP (2021), as principais tendências do setor da casa no Japão mostram uma diminuição tanto no número de retalhistas quanto de grossistas, refletindo uma consolidação do mercado. Os hábitos de compra dos consumidores japoneses mudaram significativamente, passando de compras esporádicas e em grandes quantidades para aquisições mais frequentes, mas em menores volumes. Existe uma forte procura nos extremos do mercado: o segmento “relação custo-benefício” 67 e o de alto luxo, o que pressiona as marcas tradicionais e intermédias. Com a ascensão de uma nova geração de consumidores, há uma maior inclinação para compras online, especialmente de móveis e artigos de decoração, substituindo gradualmente as compras em lojas físicas. A distribuição no Japão, tradicionalmente complexa e cheia de intermediários, está a simplificar-se, com retalhistas a envolverem-se diretamente na importação de marcas europeias. Os consumidores japoneses mostram uma preferência clara por designs modernos, 67 “Value-for-money” (TdA) Anexos 71 simples e sofisticados, com sofás, camas, conjuntos de jantar e armários sendo os produtos mais procurados. A confiança dos consumidores, crucial para as compras de móveis, tem vindo a melhorar em consonância com o desempenho da economia nacional, o que diminui ligeiramente a sensibilidade ao preço. O mesmo estudo indica ainda que o minimalismo japonês continua a influenciar as escolhas dos consumidores, levando-os a dispensar certos produtos para casa. No entanto, para investimentos mais significativos, a procura pela melhor relação entre qualidade e preço é predominante, beneficiando cadeias como a IKEA 68 e Nitori 69 . A crise económica recente levou alguns consumidores, especialmente os mais jovens, a preferirem produtos mais baratos e de menor qualidade, o que abriu espaço para as marcas brancas ganharem quota de mercado, uma mudança notável num país que tradicionalmente valorizava produtos de alta qualidade. Ainda assim, existem nichos de mercado voltados para consumidores de maior rendimento – de relembrar que o setor de luxo no Japão, apesar de um pequeno declínio em anos recentes, continua a ser dos maiores do mundo. Os consumidores japoneses demonstram uma grande abertura para a compra de produtos de marcas internacionais, especialmente aqueles que consideram provenientes de países especializados. Por outro lado, embora a lealdade às marcas seja característica de todas as faixas etárias, é mais acentuada entre os consumidores mais velhos do que entre as gerações mais jovens. Em suma, a apresentação de Portugal como um país especializado na produção de mobiliário, têxteis, e decoração, e a criação de uma imagem premium, mas acessível para os produtos locais, poderá beneficiar a entrada neste mercado, que certamente se deixará influenciar pelo estatuto, qualidade e estética dos produtos. Por outro lado, o mercado também apresenta obstáculos únicos, como por exemplo a pouca competição do setor – o mercado é altamente consolidado, com as quatro maiores empresas a deter mais de 50% da participação no mercado. Para além disso, a China é o principal fornecedor de móveis para o Japão, responsável por 40% das importações, o que cria dificuldades competitivas, dado os baixos custos de mão de obra chinesa (AEP, 2021). Existe também a necessidade de adaptar os móveis às especificidades deste mercado, devido à tendência de economizar espaço nas residências e edifícios. Por último, existe também uma forte procura tanto no segmento de produtos com um bom custo-benefício, 68 Multinacional sueca, retalhista de mobiliário, decoração, eletrodomésticos, utensílios e acessórios para o lar. (NdA) 69 Empresa japonesa, retalhista de mobiliário e acessórios para casa. (NdA) Anexos 72 mas também para o mercado de luxo, o que limita as oportunidades para marcas que operam entre esses dois segmentos. O setor Infraestruturas no Japão Segundo o estudo desenvolvido pela AEP (2021), apesar da desaceleração do crescimento da população japonesa, a esperada queda no setor da construção não se confirmou, em grande parte devido ao aumento do índice de urbanização no país. Embora não tenha sido registado um grande crescimento do setor nos últimos anos (até 2024), o mercado mantém algumas características notáveis - uma delas é a preferência dos compradores por casas por terminar, ainda em construção e sem acabamentos, que permitem às empresas obter resultados de vendas com menores custos de produção, tornando o processo mais eficiente. Para que as empresas japonesas possam vender um projeto final de construção num terreno específico, precisam primeiro de adquirir o terreno, o que implica altos investimentos iniciais antes de receberem qualquer receita. Esse modelo favorece a concentração de grandes players no mercado. O desenvolvimento de métodos de construção com menor impacto ambiental e edifícios "inteligentes" (Smart Buildings) tem vindo a ser promovido por políticas governamentais, com o objetivo de aumentar o número de “Casas de Energia Zero” (ZeroEnergy Houses), levando a uma procura acentuada por: • Tecnologias de produção e gestão de energia; • Sistemas em rede, condicionadores e acumuladores de energia; • Medidores inteligentes, sensores e tecnologias de IoT 70 ; • Tecnologias que promovam renovação e demolição de forma ambientalmente sustentável. No domínio da maquinaria, há uma crescente procura por equipamentos de alto desempenho, como robôs para soldagem, limpeza, polimento de pisos, construção de telhados e segurança. Ainda de acordo com o mesmo estudo, as oportunidades neste mercado estão fortemente ligadas ao conhecimento dos fatores culturais, às mudanças de mentalidade e à inovação: a crescente preocupação ambiental tem impulsionado uma procura cada vez mais 70 Referente a “Internet das Coisas” (ou “Internet of Things”, em Inglês). Termo referente à interconexão digital de objetos quotidianos com a internet, formando um único sistema integrado. Anexos 73 acentuada por materiais de construção mais sustentáveis. O governo japonês está também focado na redução das emissões de carbono, e procura aumentar a aderência às fontes de energia renováveis - em 2018, essa participação era de 17,4%, com a expectativa de que, até 2030, esta participação se situasse entre os 22% e 24%. No campo das tecnologias, o setor da construção continuará a registar uma grande procura por materiais e soluções para a proteção contra terremotos, sistemas inteligentes, e segurança baseada em inteligência artificial. Para as empresas de construção que desejam aventurar-se internacionalmente, é essencial saber adaptar-se ao mercado local e enfrentar com sucesso os possíveis desafios de cada mercado, como por exemplo o acesso limitado e o custo elevado de materiais de construção e maquinaria. No entanto, no caso do Japão, estes fatores não representam um grande risco, já que a maior parte dos materiais de construção são produzidos localmente.