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Oportunidades para empresas portuguesas na China: experiência de estágio curricular na Market Access

Author: Alves, Ana Patrícia Ferreira
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/7264c30a-a735-456f-bc14-70b2b4970a06/download
Ana Pa ícia Fe ei a Al es
Opo unidades pa a emp esas po uguesas
na China: expe iência de es ágio cu icula
na Ma ke Access
dezemb o de 2024
Opo unidades pa a emp esas po uguesas na China: expe iência de es ágio cu icula na Ma ke Access
Ana Pa ícia Fe ei a Al es
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
junho de 2025
Ana Pa ícia Fe ei a Al es
Opo unidades pa a emp esas po uguesas
na China: expe iência de es ágio cu icula
na Ma ke Access
dezemb o de 2024
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Es udos In e cul u ais Po uguês/Chinês
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Sun Lam
e do
P o esso Dou o Ped o Viei a
Uni e sidade do Minho
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
junho de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO
TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
A ealização des e ela ó io de es ágio e a conclusão do meu pe cu so no Mes ado em
Es udos In e cul u ais Po uguês/Chinês só o am possí eis g aças ao apoio, incen i o e o ien ação
de di e sas pessoas e ins i uições, às quais gos a ia de exp essa o meu p o undo ag adecimen o.
Em p imei o luga , ag adeço à Ma ke Access pela opo unidade de in eg a a sua equipa e de
pa icipa em p oje os desa ian es e en iquecedo es, que me pe mi i am aplica os conhecimen os
adqui idos e desen ol e compe ências p á icas num con ex o p o issional. Ag adeço igualmen e à
equipa com quem abalhei pela disponibilidade, apoio e pa ilha de expe iências que an o
con ibuí am pa a o meu c escimen o, pessoal e p o issional. Um ag adecimen o especial à Ana Pin o
pelo acompanhamen o, con iança ao longo do es ágio e pelo “empu ão” nes es úl imos anos pa a
mo i a -me a e mina o p esen e ela ó io.
Aos meus o ien ado es, P o esso a Dou o a Sun Lam e P o esso Dou o Ped o Viei a,
mani es o a minha mais since a g a idão pela o ien ação aliosa, pelos conselhos e pela paciência
demons ada ao longo des e pe cu so. As suas suges ões o am undamen ais pa a a ealização
des e ela ó io e pa a o meu desen ol imen o académico e p o issional.
Não pode ia deixa de ag adece aos meus amigos, que semp e me apoia am
incondicionalmen e, mesmo à dis ância. O osso incen i o, comp eensão e p esença o am
essenciais nos momen os mais desa ian es. Ob igada à Ana Noguei a, Ângelo Machado e Mónica
Lucas, pela mo i ação, conselhos e longas sessões de esc i a. Ob igada aos meus amigos do “Gos o
Supe io ” – ocês sabem quem são – as ossas pala as de incen i o, ainda que po en e
b incadei as, o am essenciais pa a man e o oco e nunca desis i . A ossa amizade é, sem dú ida,
uma o ça ines imá el no meu pe cu so.
Po im, dedico es e ela ó io à minha amília: ao meu pai, à minha mãe, ia, mad inha e a ó.
Dedico, sob e udo, à minha i mã. O osso apoio incondicional é, e semp e se á, maio que a ida,
maio que o sonho…
Mui o ob igado a odos.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida
ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade
do Minho.
Opo unidades pa a emp esas po uguesas na China: expe iência de es ágio cu icula na
Ma ke Access
Resumo
O p esen e ela ó io de es ágio e e e-se ao es ágio cu icula ealizado na emp esa
Ma ke Access, no âmbi o do mes ado em Es udos In e cul u ais Po uguês/Chinês, na
Uni e sidade do Minho. Es e abalho p e ende abo da a emá ica das opo unidades
disponí eis na China pa a emp esas po uguesas, em ês se o es de a i idade:
Ag oalimen a , Casa e Ma e iais de Cons ução e In aes u u as.
O ela ó io di idi -se-á em ês capí ulos. O p imei o capí ulo começa á po
ca ac e iza a emp esa onde ealizei o es ágio, a hie a quia e o ganização das equipas,
se iços o e ecidos, e abo dando aspe os mais p á icos do es ágio como as a e as que me
o am p opos as, a espe i a esolução das mesmas e as e amen as e conhecimen os mais
u ilizados.
O segundo capí ulo abo da á b e emen e a his ó ia, geog a ia e economia do país em
es udo, p ocu ando o e ece ambém uma ca ac e ização sociológica da China, com is a a
e a a o país em con ex o negocial e emp esa ial. I á explo a ambém mais a undo cada
um dos se o es (Ag oalimen a , Casa e Ma e iais de Cons ução e In aes u u as) no país,
p ocu ando o e ece conhecimen os ac uais sob e o es ado de cada se o no país asiá ico,
bem como e idencia algumas opo unidades e endências.
Po úl imo, o e cei o capí ulo i á oca -se numa e en e mais p á ica: a e as que
desen ol i ao longo do es ágio de apoio à o ganização de uma missão de p ospeção a
me cados asiá icos. Es e capí ulo deb uça -se-á na seleção das cidades a isi a , a de inição
do pe il das en idades a con ac a e a p epa ação das isi as endo em con a as di e enças
cul u ais. Es e úl imo capí ulo e idencia á me odologias aplicadas e p ocedimen os
es a égicos u ilizados, bem como de que o ma o conhecimen o adqui ido du an e o
mes ado e á auxiliado no desempenho des as unções.
Pala as-cha e: China, Comunicação Emp esa ial; Emp esas Po uguesas; Negócios
In e nacionais
i
Oppo uni ies o Po uguese companies in China: cu icula in e nship a Ma ke Access
Abs ac
This in e nship epo e e s o he cu icula in e nship ca ied ou a he company
Ma ke Access, wi hin he scope o he mas e ’s deg ee in Po uguese/Chinese In e cul u al
S udies, a he Uni e si y o Minho.
This epo aims o add ess he issue o oppo uni ies a ailable in China o Po uguese
companies, in h ee sec o s o ac i i y: Ag i ood, Home and Building Ma e ials and
In as uc u es.
The epo will be di ided in o h ee chap e s. The i s chap e will begin by
cha ac e izing he company whe e I did my in e nship, he hie a chy and o ganiza ion o he
eams, he se ices o e ed, and add essing mo e p ac ical aspec s such as he asks I was
gi en, how I sol ed hem and he ools and knowledge I used mos .
The second chap e will b ie ly co e he his o y, geog aphy and economy o he
coun y unde s udy, and will also p o ide a sociological cha ac e iza ion o China, po aying
he coun y in a business and en ep eneu ial con ex . I will also explo e in g ea e dep h
each o he coun y's sec o s (Ag i- ood, Home and Building Ma e ials and In as uc u e),
seeking o p o ide ac ual knowledge abou he s a e o each sec o in he Asian coun y, as
well as highligh ing some oppo uni ies and ends.
Finally, he hi d chap e will ocus on a mo e p ac ical aspec : asks I ca ied ou
du ing my in e nship o suppo he o ganiza ion o a p ospec ing mission o Asian ma ke s.
This chap e will ocus on selec ing he ci ies o isi , de ining he p o ile o he en i ies o
con ac and p epa ing he isi s aking in o accoun cul u al di e ences. This inal chap e
will highligh he me hodologies applied and he s a egic p ocedu es used, as well as how
he knowledge acqui ed du ing he mas e 's deg ee will ha e helped in he pe o mance o
hese du ies.
Keywo ds: Business Communica ion; China, In e na ional Business; Po uguese Companies
ii
4
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access

Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
5
1.1 – Ca ac e ização e con ex o da Ma ke Access
O p esen e capí ulo p ocu a o e ece con ex o sob e o es ágio cu icula que
desen ol i na emp esa Ma ke Access, desde ma ço a julho de 2021, no deco e de 5 meses.
I ei iden i ica e ca ac e iza a emp esa, bem como ap esen a uma b e e desc ição da sua
o ganização in e na aquando do meu es ágio, desc ição das a e as comummen e
desempenhadas e e amen as equen emen e u ilizadas pa a o desen ol imen o dos
abalhos.
1.1.1 - A emp esa
Es abelecida em 2005, a Ma ke Access (MA) é uma emp esa de consul o ia,
especializada em in e nacionalização e no apoio às emp esas na conc e ização dos seus
p oje os de negócios in e nacionais. Tem esc i ó ios no Po o e Lisboa, em Po ugal, e em
São Paulo, no B asil.
Figu a 1 - Logó ipo da emp esa Ma ke Access
Con a já com mais de 15 anos de expe iência no amo, endo le ado a cabo mais de
1000 p oje os com mais de 500 emp esas, que con ia am na Ma ke Access (MA) pa a
desen ol e os seus p oje os de in e nacionalização. A equipa da MA con a com mais de 40
consul o es locais e in e nacionais, espalhados po mais de 50 países que o e ecem os seus
conhecimen os e expe ise pa a acili a os p oje os de expansão ou abo dagem a me cados
ex e nos.
A Ma ke Access o e ece se iços em 4 á eas dis in as de ação:
• Es udos de Me cado e Análises Es a égicas – a ealização de es udos quan i a i os
e quali a i os dos me cados al os, pesquisa de on es de in o mação p imá ias e
secundá ias, análise es a ís ica de dados e uma as a ede de consul o es em á ios
me cados, pe mi e à emp esa p opo e apoia es a égias sus en adas de
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
6
in e nacionalização. Alguns dos se iços associados são: es udos de seleção de
me cados p io i á ios; es udos de me cado mac oeconómicos e sec o iais;
diagnós ico e audi o ia pa a a in e nacionalização; análises de benchma king
2
; es e
de p odu o nos me cados in e nacionais; es udos de endências de consumo;
iden i icação e ca ac e ização de canais de dis ibuição e enda nos me cados;
planos de ma ke ing in e nacional; planos es a égicos e de ino ação; iden i icação
de modos de en ada nos me cados; plano es a égico de en ada num me cado;
es udos de iabilidade e a a i idade de me cado;
• P ospeção de Me cados e Cap ação de Clien es – A Ma ke Access disponibiliza
se iços de acompanhamen o em odo o p ocesso de in e nacionalização e
expansão come cial, desde o es abelecimen o dos obje i os e escolha dos
me cados p io i á ios, a é à conc e ização dos obje i os p opos os pa a os
me cados escolhidos. Es a abo dagem in eg ada de in e nacionalização, jun amen e
com me odologias dis in as e uma as a ede de consul o es com uma igualmen e
as a expe iência em p ospeção e cap ação de clien es em me cados ex e nos,
pe mi e à MA o e ece se iços de: p ospeção e cap ação de clien es em me cados
in e nacionais; iden i icação de en idades pa a conc e ização de pa ce ias; p oje os
de in e nacionalização; desen ol imen o come cial de me cado; mapeamen o e
quali icação de leads; Coun y Manage ( ep esen ação come cial no me cado);
apoio à pa icipação em ei as in e nacionais; o ganização de euniões B2B
3
i uais
ou isi as come ciais aos me cados; expansão e consolidação come cial de me cado;
implemen ação de p oje os de a i ação de ma ca em me cados ex e nos; apoio à
negociação e supo e em p ocessos associados à expo ação;
• Missões Emp esa iais, Missões In e sas e Missões Vi uais aos Me cados – Es as
missões podem deco e a a és de uma isi a p esencial ao me cado, ou a a és
de euniões i uais. Emp esas e associações pode ão ainda eco e à o ganização
de missões in e sas (em que emp esas do me cado al o se deslocam ao me cado
de o igem). Es a mul i ude de ipologias de missões pe mi e-nos aze a p ospeção
di e a do me cado, pe cebe a sua abe u a aos p odu os e/ou se iços a o e ece ,
2
P ocesso de pesquisa e compa ação en e emp esas simila es, do mesmo se o , pa a i a elações sob e como os seus p odu os,
p ocessos e se iços se compa am em e mos de desempenho ao dos seus conco en es.
3
Business o business. Emp esas cujo p odu o se des ina a ou as emp esas. Modelo de negócio de emp esa pa a emp esa.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
7
e es abelece con ac o p i ilegiado com po enciais clien es, bem como o
agendamen o de euniões B2B. Alguns dos se iços associados são: planeamen o e
o ganização de missões come ciais/in e sas/ i uais (indi iduais ou de g upo) a
me cados p io i á ios; ma chmaking en e p odu o es e comp ado es e
agendamen o de euniões B2B; apoio à pa icipação em ei as in e nacionais;
desen ol imen o de ações de p omoção in e nacional; o ganização de in e na ional
business mee ings; capaci ação das emp esas pa icipan es nas missões pa a o
desen ol imen o do discu so de enda (sales pi ch) du an e as missões i uais;
• Fo mação e Consul o ia em In e nacionalização – A MA desen ol e ações de
o mação e consul o ia pa a es a égias de in e nacionalização. Os se iços
consis em em: sessões de aconselhamen o es a égico em in e nacionalização;
wo kshops sob e me cados in e nacionais, as suas ca ac e ís icas, opo unidades e
desa ios; capaci ação pa a o desen ol imen o do discu so de enda (sales pi ch)
du an e as euniões B2B; o mação em in e nacionalização (modos de en ada em
me cados, logís ica e e mos de comé cio, écnicas come ciais nos me cados
in e nacionais, ins umen os de apoio ao comé cio in e nacional na cobe u a de
isco, p ocu emen
4
in e nacional);
1.1.2 - O ganização da emp esa
A Ma ke Access é ge ida e lide ada po Rui Sousa (CEO
5
), Manuel Campos (COO
6
) e
Ped o Viei a (Fundado e CCO
7
), e di idia-se, em 2021, em ês á eas o gânicas de ope ações:
Se o Conhecimen o, Se o Público e Se o P i ado. Cada se o é encabeçado po um che e
de equipa (denominado in e namen e po Business Uni Manage ), esponsá el de delega
p oje os e a e as, ge i ges o es e espe i as equipas e supe isiona o desen ol imen o
dos obje i os – sendo necessá io que, pon ualmen e, assuma a ges ão di e a dos p oje os
mais ambiciosos.
Pa a além disso, a emp esa dispõe ainda de á ias unidades de apoio e supo e -
ma ke ing e comunicação, ino ação, me cado, ecu sos humanos, ges ão adminis a i a e
4
In insecamen e ligado ao depa amen o de comp as de uma emp esa: p ocu a aumen a a e iciência dos p ocessos de comp a de
p odu os, ma é ias-p imas e/ou se iços necessá ios à ealização da a i idade habi ual da emp esa.
5
Chie Execu i e O ice , ou em po uguês, “Che e Execu i o”.
6
Chie Ope a ing O ice , o equi alen e em po uguês de “Di e o de Ope ações”.
7
Chie Comme cial O ice , ou em po uguês, “Di e o de Comunicação”.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
8
in aes u u as, sis ema de ges ão e melho ia, e ges ão de in o mação e conhecimen o - e de
á ios consul o es in e nacionais que abalham e man êm elações es ei as com a equipa
da MA. A equipa in eg a ambém odos os anos um núme o conside á el de es agiá ios,
que po ia de es ágios cu icula es, que po es ágios p o issionais, pa a jo ens
quali icados p o enien es de o mações di e si icadas e de expe iências singula es. Um dos
alo es guia da emp esa no que oca à p ocu a de colabo ado es, é a capacidade de
adap ação e jo ens com i ências di e enciado as, com expe iências no es angei o ou com
di e en es cul u as.
Figu a 2 - O ganig ama da o ganização da emp esa, com especial oco nas 3 á eas p incipais de ope ações
(2021)
8
O Se o Conhecimen o (encabeçado po Filipe Sil a) oca-se sob e udo na á ea de ação
acima mencionada, e e en e a «Es udos de Me cado e Análises Es a égicas», sendo po
isso o seu obje i o p incipal o desen ol imen o de pesquisa e ob enção de in o mação
necessá ia ao desen ol imen o de p oje os sob a alçada des e se o , bem como pa a
8
Es e o ganig ama oi disponibilizado aquando do início do es ágio cu icula e não es á disponí el em qualque websi e ou documen o
o icial da emp esa.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
9
qualque p oje o sob a alçada da emp esa. Es e se o é um pila impo an e pa a odo e
qualque p oje o, is o que é o obje i o des e se o apu a oda e qualque in eligência
ele an e aos se o es e me cados al o, pa a assegu a um melho esul ado das missões de
in e nacionalização, es udos de me cado, es udos de endências de consumo, es udos
se o iais, en e ou os se iços o e ecidos.
O Se o P i ado, lide ado po Ca olina Lucas, al como o nome indica, abalha
di e amen e com o clien e p i ado, ou seja, emp esas nacionais ou in e nacionais que
p ocu em abalha com a MA no sen ido de inicia ou expandi os seus planos de
in e nacionalização.
Po úl imo, mas não menos impo an e, o Se o Público (ge ido po Ana Pin o). Es e
se o abalha com á ios ipos de associações, en idades go e namen ais e público-p i adas
– que sejam associações emp esa iais e/ou se o iais, municípios, ou ins i uições de ensino
supe io , en e ou os – com o in ui o de p omo e se o es, p odu os e/ou se iços,
desen ol e e en os e/ou missões de in e nacionalização, ou p ospeção de me cados.
Apesa des a o ganização di e enciada, em p á ica es a o ganização é bas an e lexí el:
pa a cada p oje o o ma-se uma equipa que engloba á ios memb os das dis in as equipas.
Des a manei a, a a és da coope ação en e os á ios se o es e os á ios colabo ado es, a
passagem de conhecimen o e a en eajuda, aumen am a p obabilidade de sucesso dos
p oje os. Cada p oje o em um Ges o de P oje o, enca egue de dis ibui a e as,
comunica di e amen e com o clien e, iden i ica e mi iga pon os acos do p oje o, o ien a
e mo i a a equipa e ce i ica -se da boa execução da missão; e um Ges o de Clien e,
enca egue da comunicação come cial com o clien e e ce i ica -se de qualque al e ação
aos obje i os da missão.
1.2 – Ca ac e ização do es ágio
Du an e o meu es ágio cu icula na Ma ke Access ui in eg ada na equipa do Se o
Público, onde desde logo pude aze pa e de uma mul i ude de p oje os, pa a a iados
me cados, aos quais emp es ei os meus conhecimen os e, em oca, oi-me possí el
desen ol e capacidades e so skills
9
necessá ias ao mundo co po a i o e da consul o ia.
Como mencionado an e io men e, es a equipa é lide ada pela Ana Pin o (que ambém i e o
9
Conjun o de habilidades e compe ências elacionadas com o compo amen o humano, necessá ias pa a o desen ol imen o p o issional e
obje i os de ca ei a.

Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
10
p aze de e como coo denado a de es ágio cu icula ), e cons i uída po á ios ou os
memb os pe manen es e es agiá ios.
Es a me odologia de abalho pe mi iu-me expandi o meu conhecimen o em á ias
á eas do sabe e es a conhecimen os adqui idos du an e a licencia u a e mes ado – como
po exemplo, o con ac o com di e en es países, línguas e cul u as, a comunicação
in e cul u al no meio dos negócios, e o desen ol imen o de pesquisa e a amen o de dados.
Pe mi iu-me ainda desen ol e ap idões c í icas pa a o con ac o com emp esas e
associações nacionais e/ou in e nacionais, en ende e abalha com á ios se o es e
indús ias, pe cebe odo o uncionamen o po de ás de uma missão de in e nacionalização,
bem como in oduzi e ap o unda concei os emp esa iais e económicos. Da mesma o ma,
pe mi iu-me u iliza de manei a comp eensi a á ias e amen as e websi es pa a a
esolução de p oblemas e a e as, sendo alguns deles o Mic oso Wo d, o Can a
10
, o
Apollo
11
, o Linkedin, o Dun&B ads ee
12
, San ande T ade
13
e o T ade Map
14
. Po úl imo,
desen ol i compe ências sociais de abalho em equipa, comunicação, e um o e sen ido de
o ganização e esponsabilidade.
1.2.1 – Ta e as ealizadas e me odologias ado adas
Aquando do meu es ágio, as a e as que mais desempenhei o am as de ealização de
bases de dados, a p ocu a de con ac os ele an es e o con ac o com emp esas. Pa a além
disso, ambém ealizei aduções, auxiliei na ealização e edição de ela ó ios inais de
p oje o, na pesquisa necessá ia a es udos e seleções de me cado, na ealização de ichas de
me cado e de pe il de emp esas, na manu enção de um websi e pa a e en os e euniões
B2B online, acompanhamen o em back o ice
15
de e en os online, en e ou os.
1.2.1.1 - Bases de Dados
10
Websi e de design que pe mi e a execução de odo o ipo de documen os e/ou con eúdo mul imédia. h ps://www.can a.com
11
Websi e de leads de con ac o. Es a pla a o ma az uma busca gene alizada po oda a in e ne e edes sociais pa a disponibiliza meios
de con ac o (e-mail, núme o de ele one, e c.), bem como ca gos e in o mação ú il, de uncioná ios de emp esas de in e esse.
h ps://app.apollo.io
12
Websi e que disponibiliza um di e ó io de emp esas, o ganizadas po país, p odu o impo ado e quan idade (em USD dóla es).
h ps://www.dnb.com
13
Es e websi e disponibiliza in o mação polí ica, geog á ica, económica, social, his ó ica e cul u al de odos os países, bem como
endências de consumo, dados mac o e mic oeconómicos, pe cen agens e p e isões. h ps://san ande ade.com/en/po al/sea ch-
websi e
14
Websi e que disponibiliza in o mação ela i a às impo ações e expo ações de cada país – desde quan idades, a p odu os, p eços
médios, p incipais pa cei os, en e ou os, em pe cen agens, alo es absolu os e g á icos. h ps://www. ademap.o g/Index.aspx
15
Te mo usado equen emen e pa a desc e e a e as ealizadas nos “bas ido es”, ou seja, cujo desempenho não é isí el pa a o clien e
inal, mas que êm epe cussões impo an es nos esul ados.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
11
Aquando de um no o p oje o de in e nacionalização, e após de inição do me cado
de in e esse, a equipa começa de imedia o po ealiza uma base de dados.
Es as bases de dados (BD) são compilações de emp esas de in e esse, localizadas
nos países-al o, em Excel.
A a és de um exemplo p á ico e ó ico: o clien e “A” é uma g ande áb ica de
sapa os em Po ugal, sem ma ca p óp ia e que p oduz sapa os de gama al a em sis ema
p i a e label
16
, e que p e ende começa a expo a pa a o Canadá – a equipa MA sabe
que, de aco do com o pe il da emp esa “A”, as ipologias de clien e que se ão de maio
in e esse se ão: ma cas de es uá io e acessó ios de luxo e que necessi em de
ou sou cing
17
pa a a p odução desses p odu os, bem como impo ado es e dis ibuido es
especializados, de o igem e/ou localizados no Canadá.
A a és de uma busca in ensi a em á ias pla a o mas, on es de in o mação e
e is as se o iais (pa a nomea alguns mé odos de pesquisa mais u ilizados), podemos
encon a á ias emp esas com ca ac e ís icas apa en emen e pa ecidas às desejadas. Só
depois de uma minuciosa conside ação do websi e das emp esas, e cons a a se es á de
aco do com o pe il es ipulado pelo clien e, se adiciona á (ou não) a emp esa à BD. Numa
ase inicial, a in o mação que p ocu amos le an a é: o nome da emp esa, a ipologia da
emp esa (ma ca, dis ibuido , impo ado , p odu o , e c.), a o igem do con ac o, mo ada,
código pos al, cidade, egião, código do país, núme o de ele one ou elemó el da
emp esa, websi e, desc ição ge al da emp esa, e po im, o e-mail ge al de con ac o. A
desc ição ge al da emp esa, consis e numa b e e desc ição da a i idade p incipal da
emp esa a conside a , ca ac e ís icas his ó icas e inancei as ele an es, me cados
abo dados, p odu os e/ou se iços o e ecidos, bem como ca ac e ís icas da emp esa que
coincidem com o pe il es ipulado pelo clien e.
Não exis e um limi e máximo ou mínimo de en adas numa BD, is o que depende
da o e a do me cado.
1.2.1.2 - P ocu a de con ac os ele an es
Após a ap o ação das emp esas adicionadas à base de dados, numa segunda ase,
16
O egime de p i a e label p essupõem que um p odu o se enca ega á da c iação de um p odu o, em nome de uma ou a emp esa e/ou
ma ca p i ada, icando es e úl imo apenas esponsá el pela p omoção, dis ibuição e come cialização do mesmo.
17
Técnica de ges ão in e na na qual uma emp esa subcon a a os se iços de ou a, pa a desempenha a e as ou o a desempenhadas
in e namen e, pelos seus colabo ado es.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
12
p ocede -se-á a uma p ocu a de con ac os ele an es que in eg em as emp esas na BD -
ou seja, pessoas que de enham ca gos de in e esse na o ganização das mesmas, pa a que,
numa ase seguin e, a equipa do p oje o possa inicia o con ac o e a e i um possí el
in e esse des as emp esas de euni com os clien es, com is a a desen ol e uma
ansação/pa ce ia come cial.
Cabe à equipa de ini e encon a con ac os ele an es den o das emp esas, ou
seja: dependendo do obje i o de cada p oje o, os ca gos den o da emp esa que
de emos con ac a pode ão se di e en es. No caso p á ico acima expos o da áb ica de
calçado «A», que p ocu a p oduzi em egime p i a e label pa a ma cas canadianas, se á
do maio in e esse da equipa de encon a con ac os de comp ado es, ou che es de
depa amen o de calçado, ges o es de p oje os e/ou designe s.
1.2.1.3 - Con ac o Emp esa ial
Numa e cei a ase, iniciamos en ão a ase de con ac o emp esa ial.
Pa a p imei a e apa des a ase, a equipa p ocu a aze uma p imei a abo dagem
po e-mail, en iando uma ap esen ação ou qualque ou o ma e ial de comunicação
disponibilizado pelo nosso clien e ao e-mail ge al da emp esa, ou a qualque con ac o
di e o p esen e na BD (se disponí el). Es es e-mails são en iados semp e pelo nosso e-
mail ins i ucional da Ma ke Access, e isamos semp e que apenas agimos enquan o
mediado es en e as ma cas in e nacionais e o nosso clien e. O obje i o des e con ac o
se á semp e o de en a a ai as emp esas in e nacionais a agenda uma b e e eunião
inicial com o clien e, p ocu ando es abelece uma elação en e os in e enien es e,
possi elmen e, le a a uma pa ce ia en e ambos.
O mais equen e é não ob e nenhuma espos a aos e-mails iniciais po pa e das
emp esas ou dos con ac os di e os. Nesse sen ido, os con ac os emp esa iais são semp e
seguidos po chamadas ele ónicas
An es do agendamen o de qualque eunião, pode ão su gi ques ões sob e
p eços, quan idades mínimas, capacidade de p odução, ou os se iços disponí eis, en e
ou as dú idas. Caso alguma das emp esas con ac adas enha in e esse em euni , a
equipa de e á ce i ica -se dos usos ho á ios e a e igua disponibilidades. Cabe à MA
media es as si uações – pedi a in o mação necessá ia ao clien e, esponde às emp esas,
e i ica a disponibilidade de ambas as pa es pa a agenda a eunião, e agenda a mesma.
Capí ulo I - O es ágio na Ma ke Access
13
Di e sas ezes, pode á igualmen e se necessá ia a compa ência de um memb o da
equipa pa a in oduzi as pa es, media e aduzi .
1.2.1.4 - T aduções
Ao longo do es ágio cu icula , oi necessá ia a adução de ma e ial co po a i o,
como po exemplo ap esen ações de emp esas, ichas de p odu o, ichas de insc ição e
ca álogos. Pa a além de equisi a em aduções inglês/po uguês e po uguês/inglês,
equisi a am ambém aduções po uguês/chinês e inglês/chinês.
De o ma a ob e esse e ei o, o am disponibilizadas cópias dos documen os que
iam sendo al e ados à medida que as aduções e am ei as, man endo a o ma ação
o iginal e assegu ando que es es icassem logo p on os pa a en ega ao clien e.
Na minha expe iência pessoal, pa a es e ipo de a e a de adução, não u ilizei
nenhum ipo de me odologia especí ica - no en an o, is o que mui as ezes e a
necessá io ocabulá io especí ico a di e en es se o es e a i idades (como o se o
i i inícola, ped a, cons ução e me al, chocola e, en e ou os), e a necessá ia uma
pesquisa p é ia em websi es chineses pa a ap ende a emp ega o uso de no os
ocábulos, an es de desen ol e a adução. Pa a es a a e a, eco i equen emen e a
ecu sos como o NAVER Dic iona y
18
e o Pleco
19
, que são dicioná ios de chinês/inglês,
inglês/chinês.
Após a adução pa a chinês, os documen os e am en iados pa a umas das
colabo ado as da MA es abelecida na China, e após a sua e isão inal e pos e io
ap o ação, se iam en iados pa a o clien e.
Pa a aduções po uguês/inglês e inglês/po uguês, o mé odo di e ia bas an e,
endo em con a o ní el de luência com ambas as línguas. A maio ia das aduções o am
ei as quase sem ecu so a dicioná ios da língua inglesa ou po uguesa, ou uma pesquisa
p é ia da u ilização de ocábulos – exce o a as exceções em que os ma e iais a aduzi
eque iam conhecimen o p o undo de ocábulos especí icos ao se o . Nes es casos, a
adução ambém oi ealizada nos p óp ios ma e iais (pa a acili a a o ma ação e
en ega dos mesmos ao clien e), e não necessi a am de e i icação p é ia.
Pa a além des as línguas, a equipa Ma ke Access em ainda capacidade in e na
18
h ps://dic .na e .com/linedic /zhendic /dic .h ml#/cnen/home
19
h ps://www.pleco.com
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
20
posições de cada indi iduo são mais es i amen e obse adas. Is o implica que não só em
meios emp esa iais, mas ambém em e mos polí icos e amilia es, a igu a de pode
man êm uma dis ância conside á el pa a com os ou os. Ho s ede e Minko (2010) dizem-
nos que em países onde a dis ância ao pode é mais longa, exis e uma elação de
codependência au o i á ia e/ou pa e nalis a en e a igu a de pode e os subo dinados, o
que esul a num a as amen o de ambas as pa es, e numa ecusa po pa e dos
“subo dinados” de se ap oxima ou con adize a igu a de pode . A al a pon uação da China
indica uma sociedade em que as pessoas acei am as desigualdades e as elações pola izadas
en e subo dinados e supe io es. Os abusos de pode po pa e dos supe io es não são
mui as ezes con es ados. Os indi íduos espei am a au o idade o mal e as sanções, sendo
o imis as quan o às capacidades de lide ança dos ou os.
No que oca ao Indi idualismo, Ho s ede e Minko (2010, p.92), no seu es udo,
ca ac e izam as sociedades indi idualis as como “sociedades em que os laços en e os
indi íduos são sol os: espe a-se que odos cuidem de si mesmos e da sua amília imedia a”
32
.
No en an o, ambém discu em o opos o de uma sociedade indi idualis a – uma sociedade
cole i is a e, po an o, com pon uação baixa no pa âme o de Indi idualismo. Ho s ede e
Minko (2010, p.92) desc e em es e cole i ismo como “sociedades nas quais as pessoas
desde o nascimen o es ão in eg adas em g upos o es e coesos, que ao longo da ida das
pessoas con inuam a p o egê-los em oca de uma lealdade inques ioná el”
33
. Tan o a China
como Po ugal ap esen am alo es baixos simila es, es abelecendo ambos os países como
sociedades cole i is as. Sendo assim, a China es abelece-se como uma cul u a cole i is a em
que os in e esses do g upo êm p ecedência sob e as p eocupações indi iduais. As a iliações
den o do g upo, especialmen e a amília, in luenciam a con a ação e as p omoções. O
empenho dos abalhado es é ge almen e baixo e as elações den o dos g upos são
coope a i as, enquan o as elações com os g upos ex e nos podem se hos is. As ligações
pessoais são mais alo izadas do que as a e as ou a lealdade à emp esa.
Pa a o pa âme o da Masculinidade, o es udo deb uça-se sob e aspe os cul u ais e nas
expec a i as pa a cada um dos géne os - segundo Ho s ede e Minko (2010, p.138) espe a-
32
“Indi idualism pe ains o socie ies in which he ies be ween indi iduals a e loose: e e yone is expec ed o look a e him - o he sel
and his o he immedia e amily.” (TdA)
33
“Collec i ism as i s opposi e pe ains o socie ies in which people om bi h onwa d a e in eg a ed in o s ong, cohesi e in-g oups, which
h oughou people’s li e ime con inue o p o ec hem in exchange o unques ioning loyal y.” (TdA)

Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
21
se que os homens sejam "asse i os, compe i i os, e du os”
34
, enquan o se espe a que as
mulhe es sejam “mais p eocupadas em cuida do la , das c ianças, e de pessoas em ge al –
assumindo papéis delicados”
35
. Po an o, es e pa âme o não p ocu a, na e dade,
quan i ica a i ilidade da sociedade, mas sim se a população da mesma ap esen a
ca ac e ís icas mais asse i as e compe i i as, ou ca ac e ís icas mais a á eis. Nes e
pa âme o a China ap esen a uma di e ença conside á el de Po ugal, demons ando se
uma sociedade bem mais asse i a e de alo es ixos. O modelo de abalho do indi íduo é
ca ac e izado po uma ele ada mo i ação pa a a ealização e o sucesso. Es a mo i ação é
ão o e que os indi íduos sac i icam equen emen e a amília e os empos li es pelo
abalho: os abalhado es mig an es mudam-se sem as suas amílias pa a ob e em
melho es opo unidades de emp ego nas cidades; os es udan es chineses dão p io idade às
no as dos exames e às classi icações, conside ando-as c uciais pa a o seu sucesso e deixando
de pa e o laze em p ol da p og essão p o issional.
Quan o ao pa âme o P e enção de Ince ezas, Ho s ede e Minko (2010, p.191) pode
se ca ego izado como a “medida em que os memb os de uma cul u a se sen em ameaçados
po si uações ambíguas ou desconhecidas. Es e sen imen o é, en e ou as mani es ações,
exp esso a a és de s ess ne oso e numa necessidade de p e isibilidade: uma necessidade
de eg as esc i as e não esc i as”
36
, e não de e á se con undido com p e enção de iscos.
Como podemos e i ica , é nes e pa âme o que podemos e i ica a maio di e ença:
Po ugal ap esen a quase a pon uação máxima, enquan o a China ap esen a uma pon uação
ela i amen e baixa – es es alo es anspa ecem uma sociedade chinesa mais elaxada,
com um meno sen ido de u gência, uma maio acei ação pela ambiguidade e uma meno
necessidade po eg as. Embo a exis a uma p eocupação com a e dade nos cí culos sociais,
p e alece a lexibilidade no cump imen o de eg as e leis, sendo comum a adap ação a
di e en es si uações. A ambiguidade é con o á el pa a os chineses, o que se e le e na sua
linguagem. Eles são adap á eis e emp eendedo es. A maio ia das emp esas chinesas são de
pequena a média dimensão e de ca iz amilia , o que e idencia a sua abo dagem p agmá ica
e lexí el.
34
“Men, in sho , a e supposed o be asse i e, compe i i e, and ough.” (TdA)
35
“Women a e supposed o be mo e conce ned wi h aking ca e o he home, o he child en, and o people in gene al— o ake he ende
oles.” (TdA)
36
“Unce ain y a oidance can he e o e be de ined as he ex en o which he membe s o a cul u e eel h ea ened by ambiguous o
unknown si ua ions. This eeling is, among o he mani es a ions, exp essed h ough ne ous s ess and in a need o p edic abili y: a need
o w i en and unw i en ules.” (TdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
22
Em penúl imo, no pa âme o de «O ien ação de Longo P azo», alam-nos de:
A o ien ação a longo p azo signi ica a p omoção de i udes o ien adas pa a ecompensas
u u as - em pa icula , pe se e ança e pa cimónia. O seu polo opos o, a o ien ação a cu o
p azo, ep esen a a p omoção de i udes elacionadas com o passado e o p esen e - em
pa icula , o espei o pela adição, a "p ese ação do os o" e o cump imen o de ob igações
sociais. (Ho s ede e Minko , 2010, p.239)
37
Tendo em con a os esul ados ap esen ados pelo g á ico, podemos a ibui a
disc epância dos esul ados – sendo a sociedade chinesa de o ien ação a longo p azo, e a
sociedade po uguesa de o ien ação de cu o p azo – ao ac o de a p imei a exibi
compo amen os mais elacionados com “mode ação, não espe a g a i icação imedia a dos
seus desejos, enacidade na p ocu a dos seus obje i os, e humildade” (Ho s ede e Minko ,
2010, p.242)
38
. A China em uma pon uação ele ada de 77 na dimensão do p agma ismo.
Is o indica uma cul u a em que a e dade é is a como dependen e da si uação. As pessoas
são adap á eis, mudando acilmen e as adições pa a se adap a em a no as ci cuns âncias.
Ap esen am o es hábi os de poupança e de in es imen o, dando ên ase à pa cimónia e à
pe se e ança pa a alcança esul ados.
Po úl imo, de inem Indulgência como:
A indulgência ep esen a uma endência pa a pe mi i uma g a i icação ela i amen e li e
dos desejos humanos básicos e na u ais elacionados com o gozo da ida e a di e são. O seu
polo opos o, a con enção, e le e a con icção de que al g a i icação p ecisa de se es ingida e
egulada po no mas sociais igo osas (Ho s ede e Minko , 2010, p.281)
Podemos assim cons a a que a China é um país ligei amen e menos indulgen e que
Po ugal, e que ambos os países são conside ados países con idos, sendo que Po ugal
ap esen a uma maio p edisposição pa a ap o ei a os p aze es da ida e pa a a di e são.
Po ou o lado, a China é classi icada como uma sociedade comedida, com uma endência
pa a o cinismo e o pessimismo. Em con as e com as sociedades indulgen es, as sociedades
37
“(…) long- e m o ien a ion s ands o he os e ing o i ues o ien ed owa d u u e ewa ds—in pa icula , pe se e ance and h i . I s
opposi e pole, sho - e m o ien a ion, s ands o he os e ing o i ues ela ed o he pas and p esen —in pa icula , espec o adi ion,
p ese a ion o “ ace,” and ul illing social obliga ions.” (TdA)
38
“The child en lea n h i , no o expec immedia e g a i ica ion o hei desi es, enaci y in he pu sui o hei goals, and humili y.” (TdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
23
mode adas, como a China, não dão p io idade ao empo de laze ou à sa is ação imedia a
dos desejos. As pessoas des as sociedades sen em que as suas ações são limi adas po
no mas sociais e conside am a au oindulgência mo almen e ques ioná el.
Ou o mé odo de a aliação u ilizado pa a a alia mais p o undamen e aspe os
cul u ais da China, e aça um pa alelo com a sociedade po uguesa, é a u ilização do
Ranking Global do Índice In e nacional de Desempenho Logís ico (ou LPI)
39
. A LPI é uma
e amen a in e a i a de benchma king c iada pelo Wo ld Bank pa a ajuda os países a
iden i ica an o os desa ios como as opo unidades que pode ão en en a no seu
desempenho em logís ica come cial. A LPI 2023 pe mi e aça compa ações en e 160
países, compa á-los e classi icá-los po cada pa âme o sepa adamen e, ou a a és de uma
pon uação global. No pa âme o “Al ândega”
40
, p ocu a-se medi a e iciência no p ocesso de
desal andegamen o pelos o ganismos de con olo on ei iço – ou seja, são idos em
conside ação a o es como apidez, simplicidade e p e isibilidade das o malidades. Nas
“In aes u u as”
41
, al como o nome indica, a alia-se a qualidade de in aes u u as
elacionadas ao anspo e e comé cio, ais como po os, es adas, caminhos e o iá ios,
en e ou os. No que conce ne às “Remessas In e nacionais”
42
, des ina-se à acilidade de
a anja en ios in e nacionais com p eços compe i i os. O pa âme o da “Compe ência
Logís ica”
43
p ocu a es uda a compe ência e qualidade dos se iços de logís ica de um país
(po exemplo: uncioná ios aduanei os, anspo ado as, e c.). O “Ras eio e Localização”
44
assegu a-se de a alia a capacidade de as eio e localização de pa celas. E po úl imo, o
pa âme o da “Pon ualidade”
45
a alia a pon ualidade do en io das emessas, em
compa ação com o empo es imado de en io. Abaixo, se á possí el consul a as pon uações
ge ais da China e de Po ugal (pa a o ano de 2023), bem como dos pa âme os
indi idualmen e, e aça uma compa ação en e ambos os países:
39
“In e na ional Logis ics Pe o mance Index (LPI) Global Ranking” (TdA)
40
“Cus oms” (TdA)
41
“In as uc u es” (TdA)
42
“In e na ional Shipmen s” (TdA)
43
“Logis ics Compe ence” (TdA)
44
“T acking & T acing” (TdA)
45
“Timeliness” (TdA)
G á ico 2 - Compa ação das pon uações da China (ama elo) e Po ugal (la anja) pa a os pa âme os
do «In e na ional LPI Global Ranking» (2023)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
24
A China ap esen a pon uações mais al as pa a odos os pa âme os: pa a o pa âme o
de Al ândega (3,30, con a os 3,20 pon os de Po ugal), In aes u u as (4,00, con a os 3,60
pon os de Po ugal), Remessas In e nacionais (3,60, con a os 3,10 pon os de Po ugal),
Compe ência Logís ica (3,80, con a os 3,60 pon os de Po ugal), Ras eio e Localização (3,80,
con a os 3,20 pon os da China) e Pon ualidade (3,70, con a os 3,60 pon os de Po ugal).
Não é de es anha , po an o, que a China ap esen e uma pon uação global mais ele ada
que Po ugal - a pon uação global LPI suma i a da China si ua-se nos 3,70 pon os, e a de
Po ugal nos 3,40 pon os.
Em e mos económicos, e se indo-nos de in o mação o necida pelo websi e T ade
Map
46
(dados mais ecen es de 2023), os p incipais impo ado es de p odu os chineses são
os Es ados Unidos da Amé ica, a Região Adminis a i a Especial de Hong Kong, Japão,
Républica da Co eia, e o Vie name – ep esen ando 14,5% de odas as expo ações mundiais.
Em con apa ida, a China impo a sob e udo p odu os p o indos de Taiwan, Es ados Unidos
da Amé ica, Républica da Co eia, Japão, e Aus ália – ou seja, 10,9% das impo ações
mundiais. Os p odu os mais expo ados pela China consis em em máquinas e apa elhos
elé icos e suas pa es, ea o es nuclea es e caldei as, eículos e suas pa es e acessó ios
(exce o ma e ial e o iá io ou elé ico), plás icos, e mobiliá io.
Em con apa ida, os p odu os mais impo ados são combus í eis mine ais, máquinas
e apa elhos elé icos e suas pa es, miné ios, ea o es nuclea es e caldei as, e pé olas,
ped as e me ais p eciosos.
Po úl imo, po o ma a ealiza mos uma análise comple a do país, e com o obje i o de
consegui co elaciona odos es es a o es acima mencionados (económicos, sociais,
46
T ade Map é uma pla a o ma online pelo In e na ional T ade Cen e, c iada em 1999, que disponibiliza dados e es a ís icas o iciais das
ansações come ciais de mais de 220 países e 5300 p odu os. Es a pla a o ma é ei a em colabo ação com a União Eu opeia, a Wo ld
T ade O ganiza ion e Con e ência das Nações Unidas sob e Comé cio e Desen ol imen o. (NdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
25
cul u ais, en e ou os), pode emos ainda u iliza uma con ex ualização his ó ica pa a
adiciona ainda mais de alhe e conhecimen o sob e es e país, bem como uma análise do país
em con ex o in e nacional, e das elações bila e ais com Po ugal.
2.1.1 – B e e in odução his ó ica
Os úl imos 50 anos da his ó ia chinesa englobam á ios acon ecimen os
signi ica i os, que despole a am mudanças ans o mado as que molda am a China
mode na.
De 1966 a 1976 dá-se a Re olução Cul u al, bem como o im da e a de Mao
Zedong
47
(毛泽东, máo zédōng), P esiden e do comi é cen al Pa ido Comunis a da China
(ou PCC, em chinês:
中 国 共 产 党
, zhōngguó gòngchǎndǎng) en e 1945-1976. Es e
mo imen o sociopolí ico iniciado pelo p óp io Mao Zedong inha po obje i o p ese a a
ideologia comunis a e elimina os elemen os capi alis as e adicionais da sociedade. De
aco do com J. D. Spence (1991) es e oi um pe íodo con u bado do país, ma cado po
lu as polí icas, con ulsões sociais e e o ideológico, que se ez sen i ao longo da década
de 70.
Mao lançou a Re olução Cul u al pa a ea i ma o seu con olo sob e o Pa ido
Comunis a e ea i a o e o e olucioná io. Ac edi a a que a China p ecisa a de
desa ia con inuamen e os elemen os bu gueses da sociedade pa a man e o e dadei o
espí i o do comunismo. É nes a época que Mao une o ças com Lin Biao (em chinês 林彪,
lín biāo, a quem deu o ca go de no o Minis o da De esa e che e de ac o do Exé ci o de
Libe ação Popula , de sigla ELP) pa a que, em 1963, sejam c iadas as “Ci ações do
P esiden e Mao” (ou “O Pequeno Li o Ve melho”, em chinês 毛主席语录, máo zhǔxí
yǔlù): uma compilação de a o ismos a pa i do eno me conjun o de documen os e
discu sos que Mao inha p oduzido ao longo dos in a anos an e io , la gamen e
es udadas la gamen e pela população e que le a am a uma idola ia excessi a.
Embo a o signi icado ideológico dessa coleção, com as suas cons an es exo ações ao
au ossac i ício, au ossu iciência, e a manu enção do ímpe o e olucioná io e da lu a
con ínua, não osse apa en e pa a a maio ia dos líde es do PCC, milhões de soldados
começa am a es uda e memo iza os di os de Mao, ele ando-o a um no o ní el de
47
Mais conhecido como Mao Tsé-Tung, de aco do com a ansli e ação Wade-Giles.

Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
26
e e ência. (Spence, 1991, p.596 e 597)
48
Ago a endou inados, Mao mobilizou os jo ens, o mando-os na Gua da Ve melha (
红卫兵 hóng wèi bīng) que inham a a e a de elimina os "Qua o Velhos" (四旧, sì jiu) -
elhos cos umes, elha cul u a, elhos hábi os e elhas ideias. A Gua da Ve melha inha
como al o os in elec uais, os p o issionais libe ais e odos os que ossem conside ados
uma ameaça à ideologia comunis a. As escolas e uni e sidades o am ence adas e
milhões de jo ens o am en iados pa a o campo pa a se em " eeducados" a a és do
abalho manual.
Mui os dos memb os do pa ido en a am pô um a ão a es a e olução
desen eada, mas sem sucesso. Em con apa ida, as suas opiniões mais mode adas
o am idas como capi alis as po Mao e os seus apoian es, que ap o ei a am pa a le a a
cabo uma pu ga gene alizada den o do PCC. Mui os o iciais e in elec uais o am
humilhados publicamen e, p esos ou mo os. A e ac os cul u ais e his ó icos de alo
ines imá el o am des uídos numa en a i a de e adica a he ança p é comunis a da
China. O caos esul ou num colapso da lei e da o dem, a e ando g a emen e a sociedade
chinesa.
Ainda de aco do com Spence (1991), a economia so eu imenso du an e a
Re olução Cul u al. Com o ence amen o das escolas e a pe seguição dos in elec uais,
egis ou-se uma pe da signi ica i a de conhecimen os écnicos nunca an es is a. A
p odução ag ícola e indus ial caiu a pique, le ando à pob eza gene alizada e à ome em
algumas egiões.
Em 1976 dá-se a mo e de Mao, que ma cou o im da Re olução Cul u al. O seu
sucesso , Deng Xiaoping, mudou o oco da China pa a as e o mas económicas e a
abe u a ao mundo. Deng desman elou mui as polí icas adicais maoís as, dando ên ase
ao desen ol imen o económico, à mode nização e à es abilidade. Depois de á ios anos
de con o é sia, es a mudança lançou as bases pa a o ápido c escimen o económico da
China nas décadas seguin es. Mas an es de udo, inha ainda uma a e a di ícil: ganha a
con iança do seu po o.
48
“Though he ideological signi icance o his collec ion, wi h i s cons an exho a ions o sel -sac i ice, sel - eliance, and he main enance
o e olu iona y impe us and ongoing s uggle, was no appa en o mos CCP leade s, i s housands and hen millions o soldie s began
o s udy and memo ize Mao's sayings, aising him o a new le el o e e ence.” (TdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
27
O G ande Sal o Adian e
49
inha, pelo menos, uma isão económica e social signi ica i a no
seu ce ne. A G ande Re olução Cul u al P ole á ia mos ou que nem Mao nem o PCC
pa eciam sabe como ou pa a onde a nação de e ia i . (Spence, 1991, p.617)
50
O génio de Deng Xiaoping (邓小平, dèng xiǎopíng) e as suas ideias e olucioná ias,
ans o ma am a China de uma economia cen almen e plani icada numa das maio es
po ências económicas do mundo. A isão de Deng consis ia em mode niza a economia
chinesa a a és da in odução de e o mas o ien adas pa a o me cado, in es imen os
es angei os e a anços ecnológicos. Es as e o mas anuncia am uma no a e a, le ando à
eme gência da China como uma po ência económica mundial – en e elas, essal a-se as
e o mas ag ícolas, a c iação de zonas económicas especiais (ZEE), abe u a ao
in es imen o es angei o, e o mas indus iais e a anços ecnológicos, a en a i a de
descen alização económica e a mode nização dos sis emas inancei o e ju ídico.
Mas o manda o de Deng não oi sem con o é sia: em 1989 oco em os p o es os
da P aça Tiananmen (
天 安 门 广 场
, iān ānmén), um mo imen o p ó-democ acia em
Pequim. Es es ma ca am uma i agem signi ica i a na his ó ia mode na do país. O
mo imen o, lide ado p incipalmen e po es udan es, in elec uais e abalhado es, exigia
e o mas polí icas, libe dade de exp essão e o im da co upção no seio do Pa ido
Comunis a. A eação do go e no chinês oi uma iolen a ep essão mili a , que esul ou
numa condenação in e nacional gene alizada e moldou o pano ama polí ico da China nos
anos seguin es.
A comunidade in e nacional condenou eemen emen e as ações do Go e no chinês
- mui os países impuse am sanções e a China en en ou o isolamen o diplomá ico. O
acon ecimen o e e um impac o du adou o na imagem global da China, le ando a
elações ensas com á ias nações. A ní el in e no, o go e no chinês in ensi icou o seu
con olo sob e a in o mação e a dissidência. A discussão sob e os p o es os da P aça de
Tiananmen o nou-se abu na China, com a adoção de medidas de censu a igo osas. O
go e no sup imiu a i amen e qualque menção ou comemo ação do acon ecimen o,
di icul ando às ge ações mais jo ens da China o conhecimen o da dimensão o al dos
49
O G ande Sal o Adian e ou G ande Sal o pa a F en e (大跃进, dàyuèjìn) oi uma campanha lançada po Mao Zedong, en e 1958 e 1960,
que isa a ans o ma a República Popula da China num país desen ol ido e socialmen e igual, acele ando a cole i ização do campo po
meio da indus ialização u bana e da Re o ma Ag á ia o çada. No en an o, é is o como a causa da G ande Fome Chinesa. (NdA)
50
“The G ea Leap Fo wa d had a leas had a meaning ul economic and social ision a i s hea . The G ea P ole a ian Cul u al Re olu ion
showed ha nei he Mao no he CCP seemed o know how o whe e he na ion should be heading.” (TdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
28
p o es os. Embo a as e o mas económicas enham p osseguido, as e o mas polí icas
es agna am e a dissidência con inuou a se o emen e con olada.
Em 1997, dá-se a ans e ência da sobe ania de Hong Kong do Reino Unido pa a a
China. De aco do com o p incípio "Um país, dois sis emas"
51
(一国两制, yīguó liǎngzhì),
oi p ome ido a Hong Kong um ele ado g au de au onomia, pe mi indo-lhe man e os
seus sis emas económicos e polí icos sepa ados dos da China con inen al. Con udo, nos
úl imos anos, es e aco do em en en ado desa ios signi ica i os, o que susci a
p eocupações quan o à au onomia de Hong Kong e ao u u o da sua iden idade única.
Desde aí, a China em expe ienciado uma ascensão económica no á el ao longo das
úl imas décadas, com o país a ans o ma -se na segunda maio economia do mundo. As
capacidades de p odução da China, o c escimen o o ien ado pa a a expo ação e a
in eg ação nas cadeias de abas ecimen o mundiais desempenha am um papel c ucial.
A pandemia de COVID-19, causada pelo no o co ona í us SARS-CoV-2, que su giu
en e o inal de 2019 e o início de 2020, o nando-se uma c ise sani á ia mundial, e e
p o undas implicações sociais, económicas e polí icas no país. A China, onde o su o e e
o igem, en en ou desa ios signi ica i os na ges ão da p opagação inicial do í us, sendo
po di e sas ezes, al o de c í icas e descon iança po pa e de á ios países e en idades
de saúde. Ainda hoje se azem sen i as epe cussões des e pe calço inicial com as
medidas sani á ias, nomeadamen e os con ínuos e equen es con inamen os, o
desen ol imen o con o e so da acina, e o ence amen o das on ei as do país (que
apenas em 2023 ol a am à no malidade).
2.1.2 – A China num con ex o in e nacional
Uma das écnicas u ilizadas pa a pe cebe mos o con ex o in e nacional de qualque
país, emp esa, associação, ou indi iduo, passa po ealiza uma análise PESTEL (ou PEST) –
es e nome nada mais é que uma sigla, e p ocu a analisa a o es ex e nos que possam
in luencia o caso de es udo em á ios se o es e ambien es (Gup a, 2013). Cada le a do
nome ep esen a uma ca ego ia de a o es ex e nos: “P” pa a a o es “Polí icos”, que nos
le am a a alia as condições polí icas do caso de es udo, desde in e enções na polí ica e
51
Ideia o iginalmen e p opos a po Deng Xiaoping, en ão líde da China pa a a uni icação o al do país, e implemen ada du an e os anos de
1997 e 1999. É um p incípio cons i ucional da República Popula da China que se aplica sob e a adminis ação go e namen al de Hong
Kong e de Macau (an igas colônias do Reino Unido e de Po ugal, espe i amen e) e di a que ambos e i ó ios pode iam con inua a
p a ica o capi alismo sob um al o ní el de au onomia po 50 anos após a euni icação. (NdA)
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
29
na economia, a leis e in luências polí icas; “E” pa a a o es “Económicos”, que p ocu am
a alia a si uação mac oeconómica do ambien e do caso de es udo; “S” pa a a o es
“Sociais”, que co espondem à si uação social, cul u al e demog á ica de um país; “T”
pa a a o es “Tecnológicos”, que a alia p og esso, mudança e in aes u u as
ecnológicas; “E” pa a a o es de “En i onmen ” (ou “Ambien ais” em po uguês), que
nos ajudam a pe cebe de que modo as condições ambien ais ou medidas legais de
p o eção ambien al pode ão impac a o nosso caso de es udo; “L” pa a a o es “Legais”,
que comp eende o pano ama legal do nosso caso de es udo (Ho, 2014). Des e modo, uma
análise PESTEL segundo Peng e Nunes (2007) é uma “ o og a ia pano âmica” que ajuda a
emp esa a comp eende e a alia melho odo o seu ambien e ex e no, podendo le a a
um melho conhecimen o do meio ex e no e das condições locais que podem al e a o
modo como qualque emp esa p oduz alo .
De aco do com um es udo ealizado pela Ma ke Access, p omo ido pela AEP
(2021), a ní el polí ico, deno a os seguin es a o es: o Pa ido Comunis a da China (PCC),
que subiu ao pode em 1949 e que con a com mais de 90 milhões de memb os, de ém o
o al con olo de odos os aspe os do go e no, desde a o mulação legal, a é o ní el
p o incial. No en an o, desde 1986, a China segue uma polí ica de “po as abe as”,
p omo endo medidas sociais e polí icas, no sen ido de ajuda ao desen ol imen o
económico do país e pe pe uando a China como uma das economias mundiais de mais
ápido c escimen o. Apesa des es es o ços, em 2018, a China ob e e uma pon uação de
8,9% no pa âme o de oz e esponsabilidade nos Indicado es de Go e nação Mundial –
es e núme o indica-nos a libe dade populacional na escolha dos seus ep esen an es
polí icos, bem como a libe dade de exp essão, libe dade de associação e libe dade dos
media ( ambém es es es i amen e con olados pelo go e no). A China é dos países com a
meno pon uação nes e pa âme o de ido ao seu Es ado de Di ei o cen alizado que
ap o ei a de um sis ema de p incípios comunis as en aizados. Com a pandemia de COVID-
19, a China passou a en en a uma maio espos a polí ica mundial, e a um maio apelo
de abe u a da in o mação e anspa ência dos media.
Em e mos económicos, ambém a China en en ou um ag a amen o em á ias
en es: de ido à c ise económica global, jun amen e com elações ensas com os Es ados
Unidos da Amé ica em anos ecen es, le ou a uma consequen e desacele ação do
c escimen o económico do país, de 6,6% em 2018, e 6,1% em 2019. Também a pandemia
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
36
in e esse pelo es ilo neo chinese, que combina elemen os chineses e ociden ais. Es e
es ilo es á em ascensão, bem como peças com um design mais con empo âneo.
Uma análise do me cado chinês e ela á ias opo unidades eme gen es no
se o domés ico. A população chinesa es á cada ez mais dispos a a in es i em mó eis
e deco ação, endência es a impulsionada pelo aumen o do pode de comp a, que
c esceu ce ca de 8,9% em 2019, bem como o aumen o do ní el de u banização na
China que a ingiu, em 2019, os 60,6% (um aumen o em elação ao ano an e io ).
Após a adesão da China à O ganização Mundial do Comé cio (OMC), as axas de
impo ação de mó eis diminuí am signi ica i amen e, com uma axa de 0% aplicada a
odos os mó eis desde 2005, exce o pa a alguns p odu os especí icos.
A assina u a do Regional Comp ehensi e Economic Pa ne ship Ag eemen
(RCEP)
54
acili a o comé cio in e nacional, ab angendo an o bens quan o se iços, e
eduzindo pa a 0% as axas de á ios p odu os ao en a em na China. Es udos indicam
que es e aco do pode á aumen a as expo ações da China em 11,44%, e a axa de
c escimen o das impo ações em 17,12%.
2.2.3 – O se o In aes u u as na China
De aco do co, o es udo da AEP (2021), de o ma ge al, p e ê-se que o se o da
cons ução c esça ce ca de 22,3% em 2024, embo a o i mo de c escimen o da
indús ia de a desacele a . O segmen o de laze e hospi alidade em aumen ado
signi ica i amen e o inanciamen o de p oje os, impulsionado po e en os despo i os
a ealiza em Pequim.
Espe a-se que a p ocu a po in aes u u as não- esidenciais ambém c esça,
especialmen e no se o da saúde, de ido ao en elhecimen o da população. A é 2027,
ce ca de 22% da população do país e á mais de 60 anos, c iando opo unidades pa a o
desen ol imen o de cons uções adap adas aos cuidados com idosos. Da a cen e s
55
des acam-se ambém como um dos p incipais p oje os em desen ol imen o.
A demog a ia da China de e á con inua a impulsiona o c escimen o da
54
Também denominado po Pa ce ia Económica Regional Ab angen e (em po uguês), é um a ado de li e comé cio com es e a de
a uação na egião da Ásia-Pací ico en e os dez es ados-memb os da Associação das Nações do Sudoes e Asiá ico (comummen e
conhecido como ASEAN, e que inclui o B unei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanma , Filipinas, Singapu a, Tailândia e Vie name),
bem como os cinco países pa cei os: Aus ália, China, Japão, No a Zelândia e Índia. (NdA)
55
Local ísico pa a o a mazenamen o de máquinas, compu ado es e ou os equipamen os de ha dwa e, que po sua ez a mazenam dados,
se iços ecnológicos e a ins de emp esas, en idades e p i ados.

Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
37
cons ução esidencial, com o aumen o dos endimen os das amílias e a mig ação
pa a á eas u banas a alimen a em a p ocu a po habi ação.
As ge ações nascidas nos anos 90 e 2000, que ep esen a ão ce ca de 35% da
população em 2027, con inua ão a depende da ecnologia e da digi alização, e e ão
pad ões mais ele ados de qualidade. Como esul ado, a p ocu a po ecnologias
in eligen es e sis emas in eg ados nas habi ações, como con olos au omá icos de
iluminação e egulação de empe a u a, de e á aumen a .
Além disso, espe a-se uma maio exigência po p odu os de qualidade,
especialmen e em elação às ques ões ambien ais, impulsionando a p ocu a po
ma e iais de isolamen o e painéis sola es.
De aco do com o es udo AEP (2021), no Plano de U banização de No o Tipo
2014-2020 (国家新型都市化计划, guójiā xīnxíng dōushìhuà jìhuà), es abelece-se
ambém a me a de aumen a a pe cen agem de edi ícios e des de 2% em 2012, pa a
50% em 2020, em no as cons uções. Como mui os o necedo es chineses ainda não
es ão amilia izados com ma e iais ecologicamen e esponsá eis, es a opo unidade
con inua a a o ece p odu o es e in es ido es es angei os.
Em e mos de di iculdades, a egulamen ação pode á se um g ande obs áculo,
de ido à sua complexidade e igo - pode á ab ange ques ões elacionadas com
pe missões de planeamen o, e a é ques ões de saúde e segu ança no local de
cons ução, o que acaba po aumen a os cus os ope acionais. Es as es ições na
cons ução endem a limi a a o e a, o que, po sua ez, eduz a p ocu a e ele a os
p eços. Além disso, os emp ei ei os p ecisam de eque e uma licença concedida pelo
Minis é io da Habi ação e do Desen ol imen o U bano e Ru al (中华人民共和国住房
和城乡建设部, zhōnghuá énmín gònghéguó zhù áng hé chéngxiāng jiànshèbù) pa a
ope a na China, e os emp ei ei os es angei os só podem ealiza p oje os em que o
inanciamen o es angei o exceda 50%. Ou o desa io que as emp esas de cons ução
en en am é a lu uação dos p eços dos ma e iais de cons ução.
Po ou o lado, o c escen e ní el de consciencialização ambien al na China
o e ece opo unidades pa a emp esas es angei as que possuam ecnologia e know-
how pa a desen ol e p odu os de cons ução mais sus en á eis. Embo a os ma e iais
de cons ução não sejam o ipo de p odu o mais es i o, alguns pode ão bene icia de
a amen o iscal a o á el. Des acam-se os ma e iais que conse am ene gia, os
Capí ulo II - Análise de opo unidades pa a emp esas po uguesas nos se o es selecionados
38
u ilizados no a amen o de esíduos ou que subs i uem madei a e aço. No en an o, há
ambém medidas adminis a i as na indús ia de ma e iais de cons ução que podem
se obs áculos, como os equisi os de licenciamen o. Pa a p oduzi e ende ce os
ma e iais de cons ução, as emp esas p ecisam cump i egimes de licenciamen o
especí icos, que a iam con o me o p odu o. Esses egulamen os são emi idos pela
Adminis ação pa a a Supe isão da Qualidade, Inspeção e Qua en ena (de sigla
AQSIQ, em chinês: 中华人民共和国国家质量监督检验检疫总局, zhōngguó guójiā
zhìliàng jiāndū jiǎnyàn jiǎnyì zǒngjú), esponsá el pelas inspeções de me cado ias.
39
Capí ulo III – Caso P á ico: o ganização de uma missão
de p ospeção a me cados asiá icos
Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
40
Du an e o meu es ágio cu icula na Ma ke Access i e a opo unidade de in eg a
di e en es equipas, esponsá eis po a iados p oje os. Pa a e ei os de adequação do
es ágio cu icula ao mes ado a que es ou a e a, i e opo unidade de pa icipa num
p oje o cuja es e a de ação se oca nos me cados asiá icos. Po ou o lado, os ecu sos e
conhecimen os adqui idos, du an e a minha o mação pode iam se e icien emen e
u ilizados pa a po encia os esul ados do p oje o.
O p oje o em si, desen ol ido sob a alçada do Se o Público, e no âmbi o do Po ugal
2020
56
, p ocu a a auxilia uma g ande en idade pública po uguesa na capaci ação e apoio
de emp esas po uguesas na en ada nos me cados asiá icos.
A es u u a o iginal des e p oje o e á sido inicialmen e idealizada no pe íodo p é-
co id: p e ia, inicialmen e, o desen ol imen o de es udos de me cado, seguida de uma
missão explo a ó ia aos países asiá icos, á ias sessões de capaci ação às emp esas
po uguesas, c iação de e amen as digi ais pa a apoio à in e nacionalização, a o ganização
de um e en o em Po ugal que eúna emp esas po uguesas e emp esas asiá icas,
e minando com a comunicação e disseminação dos esul ados.
Sendo es e plano bas an e ab angen e, a ase do planeamen o e á ainda en ol ido
uma ponde ação sé ia de quais os me cados e se o es a abo da no âmbi o do p oje o, po
o ma a a unila o espe o do mesmo. Nesse sen ido o am escolhidos os países asiá icos de
maio dimensão (Japão, China e Co eia do Sul), bem como as ilei as com maio
ep esen a i idade em Po ugal (“Ag oalimen a ”, “Casa”, e “In aes u u as e Ma e iais de
Cons ução”).
Con udo, e de ido à na u eza imp e isí el da pandemia COVID-19, es e plano o iginal
acabou po so e al e ações – endo em con a as es ições ela i as a deslocações e
e en os, o p oje o necessi ou não só de al e a a sua abo dagem, como ede ini p azos e a
o dem das ases, po o ma a conclui o p oje o de uma manei a p o ei osa pa a odos os
en ol idos.
Nesse sen ido, o p oje o, que se iniciou em 2020 e e minou em 2023, acabou po
es u u a -se da seguin e manei a:
• Ou ub o de 2021: desen ol imen o e publicação de es udos de me cado (um
es udo po cada um dos países asiá icos a p ospeciona , com en oque nos ês
56
Aco do de pa ce ia celeb ado en e Po ugal e a Comissão Eu opeia que isa o inanciamen o de p oje os nacionais que enham em is a
o desen ol imen o económico, social e e i o ial de Po ugal, en e 2014 e 2020. O seu sucesso é o Po ugal 2030. (NdA)
Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
41
se o es). Os es udos de me cado abo da am ópicos de in e esse como
ca ac e izações ge ais dos países, o seu pano ama económico, análise das ês
ilei as selecionadas em cada um dos me cados, análise es a égica de cada ilei a,
as elações bila e ais com Po ugal, cul u a negocial, es a égias de
in e nacionalização, es udos de benchma king, en e ou os ópicos de ele ada
pe inência pa a a con ex ualização das emp esas po uguesas;
• Maio e junho de 2022: p epa ação e ealização de wo kshops, em o ma o i ual,
pa a capaci ação das emp esas po uguesas das ilei as selecionadas, em elação a
aspe os p á icos da abo dagem aos me cados a p ospeciona . Os wo kshops
se iam in ei amen e g a ui os, e e sa iam a pa icipação de especialis as do
ópico, o iundos de cada um dos me cados;
• Julho 2022: desen ol imen o e disponibilização dos guias de me cado e das
e amen as digi ais de apoio à in e nacionalização;
• Ou ub o 2022: o ganização do e en o “Po ugal P emium E en s”, que colocou
emp esas po uguesas das ilei as selecionadas em con ac o di e o com
in e locu o es, emp esas e opinion make s
57
, p o enien es do Japão, China e
Co eia do Sul. O e en o, de dois dias de du ação, o ganizou á ios momen os de
pa ilha e ne wo king
58
. O p imei o dia de e en o iniciou com pales as
in o ma i as (uma pales a po ilei a), lide adas po painéis cons i uídos po
emp esas po uguesas ep esen a i as das ilei as, pa a da a conhece a a i idade
e desen ol imen o dos se o es aos pa icipan es in e nacionais, seguido de um
momen o de pe gun as e espos as e de um momen o de descon ação e
desen ol imen o de elações p o issionais e in e pessoais. No segundo dia, o
g upo de isi an es in e nacionais oi di idido po ilei a, e oi o ganizada uma
isi a aos locais de p odução de á ias emp esas ep esen a i as de cada se o ;
• De ab il a junho de 2023: o ganização de isi as aos me cados selecionados,
nomeadamen e, e po o dem, Japão, Co eia do Sul e China. Des a missão
pa icipa am a en idade pública p omo o a e o ganizado a do p oje o,
57
Nome u ilizado pa a designa p i ados ou en idades cuja unção se baseia na eiculação de opiniões, p e e ências ou pa ece es sob e um
de e minado ópico. Nes e g upo, es ão incluídos in luence s, e e is as, blogues, jo nais, en e ou os meios de comunicação
especializada.
58
Meio pelo qual p o issionais cons oem elações in o mais, com is a ao desen ol imen o de ca ei a, acesso a no os ecu sos ou
in o mação p i ilegiada.

Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
42
ep esen an es de emp esas signi ica i as de cada ilei a, e um g upo de
consul o es. Os g andes obje i os des a ase passa am pela assina u a de aco dos
de en endimen o mú uo e coope ação en e a en idade pública e as en idades
homólogas locais, a ealização de um e ail ou
59
, bem como a o ganização de um
e en o que p e ia o con i e e a pa icipação de in e locu o es de in e esse,
emp esas homólogas e opinion make s.
Como i e a opo unidade de con inua a desempenha unções na Ma ke Access
após o é mino do meu es ágio cu icula , i e o p aze de acompanha es e p oje o em
odas as suas ases, a é à sua conclusão. Con udo, pa a e ei os do p esen e ela ó io, i ei
apenas abo da as a e as desempenhadas ao ab igo do meu es ágio, e con ex ualizá-las à
luz das minhas expe iências no seu desen ol imen o, bem como os conhecimen os
p e iamen e adqui idos que ajuda am à ealização das mesmas. Assim sendo, as p incipais
a e as desempenhas aquando do meu es ágio o am: apoio na seleção de cidades a isi a e
de inição das en idades a con ac a aquando das missões p esenciais aos me cados, e
p epa ação da isi a endo em con a ques ões cul u ais – sendo es a úl ima a de maio
impo ância e em que es i e mais en ol ida.
3.1 – Seleção de cidades a isi a
Tendo em con a o impac o da pandemia COVID-19 no planeamen o o iginal des e
p oje o, o çando a uma al e ação da o dem das suas ases, a missão p esencial aos
me cados selecionados oi adiada po empo inde inido – endo em con a que, pa a es a
ase em pa icula , não só in e essa am as eg as po uguesas de con olo pandémico, mas
ambém as eg as sani á ias do Japão, China e Co eia do Sul (po no ma, bas an e mais
es i as).
Con udo, os ges o es de p oje o e equipa de implemen ação p ocu a am semp e
man e uma pe spe i a posi i a quan o às possibilidades u u as do desen ol imen o des a
ase, e decidi am mesmo assim p og edi com um planeamen o mais gené ico,
simul aneamen e p i ilegiando as es an es ases do p oje o sem es ições sani á ias. Des a
o ma, caso no u u o hou esse um elaxamen o des as es ições, es e planeamen o inicial
59
Técnica de benchma king. Consis e na isi a de á ios e alhos locais pa a análise de á ios a o es (económicos, legais, es é icos e
sociais, en e ou os), que pode ão auxilia no en endimen o das eg as do me cado, e pos e io men e, se eplicadas, pode ão auxilia à
en ada de p odu os in e nacionais no me cado. Fa o es como es é ica da embalagem, ó ulo, disposição em loja, p eço, compe ição
disponí el, ações de p omoção, en e ou os, são julgados e de idamen e analisados. “Tou de e alho” (TdA)
Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
43
es a ia já ei o, simpli icando as seguin es ases de p epa ação des a ase.
Assim sendo, a p imei a coisa a de ini pa a es a ase oi: quais as cidades a isi a , em
cada me cado selecionado.
Es a seleção oi ei a maio i a iamen e pela en idade pública o ganizado a des e
p oje o, com o auxílio da equipa de implemen ação do p oje o da Ma ke Access. A equipa
p ocedeu à ealização de uma pesquisa p elimina de ce os pa âme os, pa a á ias das
p incipais cidades de cada país, que pudessem ajuda ca ac e iza as mesmas de uma o ma
mais p o unda e ajuda na decisão. Pa âme os como a densidade populacional, PIB e PIB
pe capi a das cidades, in es imen os, e núme o de associações e emp esas dos se o es
selecionados p esen es, o am analisados e ap esen ados à en idade pública ( e capí ulo
1.2.1.9.).
Pa a o caso do Japão e da Co eia do Sul, es a decisão oi bas an e ápida e di e a: as
capi ais de ambos países lide a am em quase odos os pa âme os es udados – sendo assim,
Tóquio e Seul, o am as cidades escolhidas pa a a missão p esencial.
Con udo, o caso da China, mos ou-se bem mais complicado de delibe a : de ido à
as idão do e i ó io chinês, e a plu alidade de cidades e indús ias, bem como a
o ganização especial e única do país, le ou a que á ias possí eis cidades ossem analisadas.
Pequim oi a p imei a cidade suge ida, não só po se a capi al, mas ambém pela
densidade populacional da mesma. Pa a além disso, Pequim é um dos p incipais cen os
económicos e go e namen ais do país, com mui as associações (chinesas e in e nacionais) a
escolhe em es a cidade p i ilegiada pa a o cen o das suas ope ações. Pa a além disso, é de
essal a a p esença de o ganismos go e namen ais po ugueses, nomeadamen e a
embaixada de Po ugal na China, podendo p es a auxílio na logís ica da missão, e
con e indo um ca iz o icial à mesma.
Em segundo luga , a cidade de Xangai (上海, shànghǎi) oi conside ada – uma cidade
cosmopoli a e in e nacional, com p esença a ul ada de emp esas e indús ia nacionais e
in e nacionais, e ambém algumas associações de in e esse (se bem que em meno núme o
que em Pequim). Po ugal ambém se az ep esen a o icialmen e em Xangai, a a és da
p esença da Associação In e nacional das Comunicações de Exp essão Po uguesa (AICEP)
60
.
60
En idade pública, com ocação emp esa ial, que isa a p omoção e o apoio do desen ol imen o da luso onia, bem como a
in e nacionalização da economia po uguesa, a a és da p omoção do ecido emp esa ial po uguês e cap ação de in es imen o
es angei o.
Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
44
Po úl imo, cidades como Shenzhen (深圳, shēnzhèn), Chongqing (重庆, chóngqìng),
Chengdu (成都, chéngdū) e Guangzhou (广州, guǎngzhōu), ambém o am conside adas,
pela sua densidade populacional, pela p esença de indús ia nacional especializada, e pelo
c escen e in es imen o nacional e es angei o nes as egiões. Con udo, a p esença de
en idades públicas e a ainda diminu a.
Sendo es a uma missão que p essupunha duas ace as dis in as – um associa i o, e
ou o de ca iz emp esa ial – cidades que possuam um núme o conside á el de indús ia e
en idades públicas o am p i ilegiadas. Pa a além disso, um ou o a o decisi o pa a es a
decisão oi a in e nacionalidade da cidade, ou seja, o ca iz apela i o da mesma não só ao
ecido emp esa ial po uguês, como o acesso a emp esas nacionais e in e nacionais.
No planeamen o inicial, a capi al chinesa e ia sido a cidade escolhida pa a acolhe a
comi i a po uguesa e o ganiza es a missão p esencial. Con udo, po es a linha de
pensamen o, a en idade pública o ganizado a logo acabou po al e a o seu e edi o,
escolhendo a cidade de Xangai.
3.2 – De inição do pe il das en idades a con ac a
Após escolha as cidades, a equipa da Ma ke Access enca egue da implemen ação
des e p oje o p ocu ou, de o ma g adual e an ecipa ó ia, desen ol e uma base de dados
que incluísse pe is de in e esse à missão.
Tendo em con a a plu alidade de necessidades da missão p esencial, a base de dados
a desen ol e de e ia e le i e esponde de o ma e icien e a odas as ace as des a ase
do p oje o. Sendo assim, o am p i ilegiadas en idades que, não só se localizassem na cidade
(ou ela i a cu a dis ância), mas ambém de g ande ele ância e impo ância. Sendo assim,
a base de dados, à semelhança das an e io es mencionadas nes e ela ó io, p e endiam não
só aglome a o maio núme o possí el de en idades, como ambém ca ac e izá-las ao
de alhe e iden i ica in e locu o es deciso es. Na base de dados o am egis ados de alhes
como websi es, mo adas e códigos pos ais, núme os de ele one e e-mails ge ais, b e e
desc ição das en idades e da sua a i idade, bem como con ac os di e os de pessoas
in eg an es na hie a quia des as en idades. Fo am c iadas 3 bases de dados di e en es, uma
po cada me cado (Japão, China e Co eia do Sul), com 3 sepa ado es di e en es – um
sepa ado po cada uma das ilei as selecionadas.
Capí ulo III – Caso P á ico: apoio à o ganização de uma missão de p ospeção de me cados
45
Pa a a e en e ins i ucional da missão, nomeadamen e a assina u a dos aco dos de
en endimen o e coope ação, se ia necessá io adiciona à base de dados en idades como
associações, coope a i as, câma as de comé cio e ou as en idades homólogas.
Pa a a e en e emp esa ial, nomeadamen e pa a o e en o p esencial, de e iam de
se adicionadas emp esas das á ias ilei as ep esen adas, bem como opinion make s.
Pos e io men e, pode ia ambém se ende eçado um con i e às en idades ins i ucionais
pa a pa icipa no e en o, e e o ça os no os laços.
Tendo de inido bem as cidades, pa âme os e en idades a con ida , a equipa ez um
le an amen o minuciosos, en iando no im a base de dados pa a ap o ação do clien e.
Po úl imo, o am ambém edigidos e-mails de con i e, pe sonalizados pa a cada um
dos in e locu o es a con ida – es es e-mails o am inicialmen e edigidos em po uguês, e
ap o ados pelo clien e. Numa segunda ase, a equipa p ocedeu à adução dos mesmos pa a
as a iadas línguas dos me cados. Também nes a a e a i e o p aze de ajuda a equipa,
es ando esponsá el pela adução da ca a de con i e pa a chinês. Pos e io men e, a
adução oi ap o ada pela delegação em Xangai da AICEP.
3.3 – P epa ação da isi a endo em con a ques ões cul u ais
Sendo es es me cados ainda i ualmen e desconhecidos pa a a maio ia do ecido
emp esa ial po uguês, e endo oda a equipa de implemen ação do p oje o conhecimen o
da dimensão que os aspe os cul u ais em no sucesso des a missão, sen iu-se a necessidade
de colma a es as lacunas de conhecimen o, ei a de o ma ans e sal em odas as ases do
p oje o e os ma e iais de apoio c iados.
Du an e a ase de pesquisa e desen ol imen o dos es udos pa a os ês me cados
selecionados, o nou-se e iden e que as ques ões cul u ais pode iam e um papel deciso
não só nas elações in e pessoais e negociações come ciais, mas ambém um impac o
p o undo nas endências e p ocu a do me cado nos á ios se o es.
Tal como é e idenciado no p esen e ela ó io, a a és de uma análise simples e di e a
dos pa âme os de Ho s ede pode-se e idencia uma disc epância signi ica i a em alo es
cha e de ambas as sociedades quando compa adas à sociedade po uguesa.
Também e idenciado no p esen e ela ó io, quando analisamos as opo unidades,
cons angimen os e endências de cada um dos se o es na China, deno amos uma cla a
in luência de ques ões cul u ais naquelas que são as necessidades e p e isões do se o .
52
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56
Anexos
Anexos
57
Anexo 1 – Ficha de Ap eciação de Desempenho de Es ágio

Anexos
58
Anexo 2 – Análise complemen a ao Japão
Japão: noções ge ais polí icas, económicas e sociais
O Japão (日本, nihon ou nippon) é um país insula localizado no sudes e asiá ico, no
Oceano Pací ico e a les e do Ma do Japão, ao longo da China, Co eia do No e, Co eia do Sul
e Rússia. De aco do com a Au o idade de In o mação Geoespacial do Japão (国土地理院,
kokudochi iin), es e a quipélago con a ainda com ce ca de 377 975 quilóme os quad ados
de á ea, espalhados pelas suas 6 852 ilhas. A sua capi al é Tóquio (東京, ōkyō), a cidade
mais populosa do país (e a maio á ea me opoli ana do mundo) – de aco do com as
es a ís icas ecen es do Gabine e de Es a ís ica do go e no do Japão (総務省統計局,
sōmushō oukeikyoku), 37,4 milhões de habi an es dos mais de 125 milhões de habi an es
o ais i em nes a me ópole. O Japão é ambém a décima p imei a maio população do
mundo.
Sendo o Japão um país a quipélago, cons i uído po mais de 6 000 ilhas, o seu
e i ó io p incipal esume-se às 4 maio es ilhas: Honshu (本州, honshū), Hokkaido (北海道,
hokkaidō), Kyushu (九州, kyūshū) e Shikoku (四国, shikoku) – que es ão po sua ez di ididas
em 47 p e ei u as en e elas. De ido à sua o igem ulcânica, o e i ó io nacional é
mon anhoso e com a p esença de á ios ulcões, sendo casa dos “Alpes Japoneses” e o
in e nacionalmen e conhecido Mon e Fuji (富士山, uji san).
Também conhecido como o país do Sol Nascen e, o Japão he da esse nome po causa
dos ca ac e es do seu nome (日本) signi icam «o igem do sol». A sua língua o icial é o
japonês (日本語, nihongo), e a sua moeda o icial é o Iene (de símbolo ¥, em japonês 円,
en)
61
.
Es e país é uma mona quia cons i ucional, onde o impe ado em um pode bas an e
limi ado e p a icamen e nominal. O a ual é o Impe ado Na uhi o (今上天皇徳仁,
kinjou ennou na uhi o), após a abdicação do Impe ado Akihi o (天皇明仁, ennou akihi o) a
30 de ab il de 2019. No en an o, o che e do go e no é o p imei o-minis o (内閣総理大臣,
61
1 EUR equi ale a 159.72 JPY [consul ado a 19/09/2024].
Anexos
59
naikaku sō i daijin) – a ualmen e es e ca go é encabeçado po Fumio Kishida (岸田文雄,
kishida umio), desde 4 de ou ub o de 2021. O p imei o-minis o de e se escolhido pela
Die a Nacional (国会, kokkai), elei o po o o popula e apoiado pelo impe ado , já que
de ém as unções de che e do go e no, che e de gabine e, e ó gão execu i o e que elege e
demi e minis os. Po sua ez, a Die a Nacional, um pa lamen o com duas cama as, é o
ó gão legisla i o do Japão, e é cons i uída pela Câma a dos Rep esen an es (em japonês 衆
議院, shūgiincom, com 465 memb os, elei os po o o popula a cada 4 anos) e a Casa dos
Conselhei os (em japonês 参議院 sangiin, com 245 memb os, o ados a cada 6 anos).
O ambien e polí ico japonês é plu ipa idá io, com a p esença de seis g andes pa idos
polí icos – apesa disso, o seu maio pa ido é o Pa ido Libe al Democ a a (自由民主党, jiyū
minshu ō), que em indo a domina as cama as de o o desde 1955. O seu maio oponen e
é o Pa ido Democ á ico do Japão (立憲民主党, ikken minshu ō).
De aco do com o The Wo ld Fac book (2024)
62
, a sociedade japonesa é compos a na
sua maio ia po homens (0,95 homens po cada 1 mulhe ), e ce ca de 58,4% da sua
população es á em idade a i a. De aco do com a endência dos países desen ol idos,
ambém o c escimen o populacional em indo a desacele a , a ingindo os -0,43% em 2024.
Is o de e-se sob e udo a uma baixa axa de na alidade (6,9 nascimen os po 1000
habi an es), e uma longa expec a i a de ida (84,83 anos, pa a a população ge al).
92% da população i e em meios u banos, e a população u al em indo a diminui de
ano pa a ano (-0,25% pa a o pe íodo de 2020-2025).
As maio es e mais p e alen es eligiões do Japão são o Xin oísmo (48,6% da
população), o Budismo (46,4%) e o C is ianismo (1,1%). 4% da população segue ou as
eligiões.
Se indo-nos no amen e do mé odo de Ho s ede que p ocu a elaciona pa âme os
como Dis ância ao Pode , Indi idualismo, Masculinidade, P e enção de Ince ezas,
O ien ação de Longo P azo e, po úl imo, Indulgência, pa a compa a países ou o a
incompa á eis em ópicos cul u ais, segue-se o seguin e g á ico compa a i o:
G á ico 3- Compa ação dos pa âme os de Ho s ede pa a a China (azul), Japão ( oxo) e Po ugal ( e de)
62
Fon e de in o mação compilada pela CIA (Cen e In elligence Agency), sob e dados e es a ís icas dos países.
Anexos
60
Pa a o p imei o pa âme o, o Japão ap esen a uma pon uação de 54, sendo o país com
a pon uação mais baixa de en e os ês. À p imei a is a, e endo po base o conhecimen o
que possuímos sob e o país, es a pon uação baixa pode á pa ece um con assenso.
Con udo, embo a a hie a quia seja impo an e nos ambien es sociais japoneses, não é ão
p onunciada como nou as cul u as asiá icas. Alguns es angei os conside am o Japão
ex emamen e hie á quico de ido a um p ocesso de omada de decisão len o, em que as
decisões necessi am da ap o ação de á ios ní eis hie á quicos. Pa adoxalmen e, es e
p ocesso len o ealça o ac o de o Japão não e uma única igu a de au o idade isolada. A
dis ância ao pode ela i amen e baixa do Japão ambém se e le e nos seus alo es
me i oc á icos, que dão ên ase à igualdade de opo unidades e ao abalho á duo pa a que
os indi íduos sejam bem-sucedidos, independen emen e da sua o igem.
Po ou o lado, o Japão é o país com a maio pon uação pa a o segundo pa âme o: o
Indi idualismo. A sociedade japonesa di e e da chinesa e da po uguesa po não e um
sis ema de amília ala gada. T adicionalmen e, o Japão em um ca iz pa e nalis a, com o
nome da amília e os bens he dados pelo ilho mais elho, le ando à sepa ação dos i mãos
po amos amilia es di e en es. Na cul u a japonesa, as dinâmicas de g upo são si uacionais
e, embo a alo izem a p i acidade e a ese a, a sua lealdade às o ganizações escolhidas
demons a um aço dis in o de indi idualismo.
A Masculinidade é, mais uma ez, um pa âme o no qual o Japão se des aca, com um
alo mais al o que a China, e ês ezes mais al o que Po ugal. Segundo o mesmo websi e,
o Japão é dos países com a maio pon uação pa a es e pa âme o. No Japão, apesa de um
ligei o cole i ismo, a asse i idade indi idual é a a, p e alecendo uma o e compe ição de
g upo. No mundo emp esa ial, os emp egados japoneses sen em-se mais mo i ados quando
abalham em conjun o como uma equipa encedo a con a os conco en es. Es e espí i o
Anexos
61
compe i i o ambém se e le e na p ocu a da excelência e pe eição, na p odução ma e ial,
nos se iços (como ho éis e es au an es), na ap esen ação (incluindo emb ulhos de
p esen es e ap esen ação de comida) e em á ios aspe os da ida. O a cul u a do abalho
excessi o do Japão, uma ca a e ís ica no ó ia do país, é ou a mani es ação da sua
de e minação.
No que oca à P e enção de Ince ezas, o Japão em uma pon uação no a elmen e
ele ada de 92 (quase ão al a como a pon uação po uguesa), a ibuída à ameaça cons an e
de ca ás o es na u ais como e amo os, sunamis, u ões e e upções ulcânicas. Es a
ameaça pe pé ua en aizou uma cul u a de p epa ação me iculosa pa a as ince ezas, não só
em si uações de eme gência, mas em odos os aspe os da ida. A sociedade japonesa é
al amen e i ualizada e egulada pa a ob e o máximo de p e isibilidade. Desde o
nascimen o a é à mo e, as ce imónias e os e en os sociais seguem p o ocolos igo osos. Os
li os de e ique a di am o es uá io e o compo amen o em casamen os, une ais e ou as
ocasiões impo an es. Tan o nas escolas como no mundo emp esa ial, a adesão a
p eceden es e es udos de iabilidade po meno izados são undamen ais. Es a o e
necessidade de p e isibilidade az com que a implemen ação de mudanças seja mui as ezes
um desa io no Japão.
O Japão ap esen a a pon uação mais ele ada (com uma pon uação de 88 pon os) no
pa âme o O ien ação a Longo P azo, en a izando a pe spe i a da ida como um momen o
ugaz na longa his ó ia da humanidade. Nas emp esas japonesas, es a o ien ação é e iden e
a a és de in es imen os consis en es em In es igação e Desen ol imen o (I&D), man endo
uma ele ada axa de capi al p óp io e dando p io idade ao c escimen o es á el da quo a de
me cado em de imen o dos luc os imedia os. Es a abo dagem ga an e a du abilidade da
emp esa, alinhando-se com a c ença de que as emp esas se em não só os acionis as, mas
ambém as pa es in e essadas e a sociedade ao longo das ge ações.
Po úl imo, a baixa pon uação do Japão (42 pon os), semelhan e (mas ligei amen e
supe io ) à dos ou os dois países em es udo, indica que a sua cul u a é de con enção. As
sociedades que ob êm uma pon uação baixa nes a dimensão êm maio p obabilidade de
se em pessimis as e cínicas. Pa a além disso, as sociedades mode adas es ingem a
ealização dos seus desejos e dão menos alo ao empo de laze do que as ci ilizações
indulgen es. Os indi íduos que se iden i icam com es e pon o de is a ac edi am que as
eg as sociais limi am o seu compo amen o e que, de alguma o ma, é inco e o
Anexos
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plan as; p odu os químicos o gânicos.
Quan o à balança come cial de ambos os países: as expo ações de Po ugal pa a o
Japão a ingi am o seu alo mais al o no ano de 2014 (ano em que Po ugal ansacionou 1,1
milhões de dóla es em p odu os pa a o país asiá ico). Con udo, esse núme o diminui em
anos pos e io es. Apesa de desde 2020, o alo das expo ações pa a o Japão e em indo a
aumen a no amen e, ainda não alcançou o alo do ano de 2014. Pa a além disso, apesa
des a melho ia signi ica i a ano após ano, a balança come cial é ainda ex emamen e
endenciosa pa a o país asiá ico.
O se o Ag oalimen a no Japão
De aco do com o es udo AEP (2021), a popula idade das die as com baixo eo de
hid a os de ca bono impulsionou o desen ol imen o de p odu os especí icos, como pão com
baixo eo de hid a os de ca bono, e aumen ou a p ocu a po p odu os com al o eo em
p o eína, como ango p ocessado e ige ado, além de e igo a a p ocu a po p odu os
adicionais, como o o u.
Res ições de empo dos consumido es aumen a am a p ocu a po p odu os que
eduzem o empo e o es o ço de p epa ação e con eção, como alimen os congelados e
e eições p on as. Es a endência oi e o çada com a c escen e p ocu a po p odu os e
embalagens adequadas pa a o consumo “p on o a come ”.
Du an e a c ise sani á ia da pandemia de COVID-19, hou e um aumen o na p ocu a
po alimen os saudá eis e de bem-es a no Japão, com o in ui o de o alece os sis emas
imuni á ios e p e eni in eções. De aco do com o Inqué i o de Saúde e Nu ição da
Eu omoni o In e na ional (2020), mais de me ade dos inqui idos japoneses p e e em ado a
soluções na u ais ou adicionais na p e enção de doenças, posicionando o Japão em
e cei o luga nes e aspe o en e odos os países inqui idos (AEP, 2021). Du an e o ano de
2020, a pandemia acele ou essa endência, bene iciando ca ego ias como iogu e, que
egis ou um aumen o nas endas após qua o anos de declínio.
Segundo dados do Eu os a (2021), o Japão é o quin o p incipal des ino das
expo ações de p odu os alimen a es eu opeus, endo ecebido 7 876 milhões de eu os em
p odu os alimen a es da União Eu opeia (UE) em 2019, ep esen ando 4% do o al
expo ado mundialmen e. Obse a-se uma endência de c escimen o do alo expo ado
pela UE pa a o Japão nesse se o , indicando uma acei ação dos p odu os eu opeus no

Anexos
69
me cado japonês. O ela ó io The Food and Be e age Ma ke En y Handbook (2022) suge e
que es e c escimen o se á ainda maio de ido aos ecen es aco dos a i icados en e a UE e
o Japão. O ela ó io des aca a ca ne e seus de i ados como os p odu os com maio po encial
de expo ação, mas ambém apon a ce eais, queijo e inho como p odu os p omisso es.
Pesquisas da União Eu opeia mos am que os p odu os eu opeus êm uma boa epu ação
en e os consumido es japoneses, embo a haja ese as em elação à segu ança, qualidade,
di e sidade e sabo em compa ação com p odu os de ou as egiões.
Os p incipais p odu os ag oalimen a es impo ados pelo Japão incluem ca ne de
po co, ca ne bo ina, soja, igo, i ela, ango e ca é, com uma p edominância de p odu os
es angei os no me cado. No en an o, o país é au ossu icien e em a oz e alguns ou os
segmen os alimen ícios. Os p incipais o necedo es de alimen os pa a o Japão são os
Es ados Unidos e a China, esponsá eis po uma pa cela signi ica i a das impo ações, mas o
país não é excessi amen e dependen e de nenhum o necedo especí ico. As p incipais
ca ego ias de impo ação incluem peixes e c us áceos, ca nes e p epa ações, ep esen ando
uma pa cela subs ancial das impo ações o ais – o saldo come cial do Japão nesses
p odu os é de ici á io, indicando uma dependência dos me cados in e nacionais pa a
a ende à p ocu a in e na. O es udo deno a ambém que o alo das impo ações de
p odu os alimen a es pelo Japão em aumen ado de o ma consis en e desde 2015.
O se o de p odu os alimen a es japonês é amplamen e econhecido pela sua
dimensão e di e sidade. De ido a es ições es u u ais e ao aumen o da p odução in e na,
a p ocu a po p odu os in e nacionais em c escido, com uma alo ização especial dos
p odu os da União Eu opeia de ido à longa elação come cial e à epu ação des e bloco
econômico. Além disso, o Japão possui uma in aes u u a logís ica bem desen ol ida,
acili ando o comé cio in e nacional, pa a além de que se espe a que a implemen ação do
aco do de pa ce ia en e a UE e o Japão enha amplia as opo unidades no me cado pa a
p odu os eu opeus, eliminando ba ei as come ciais (ex.: axas de impo ação). Alguns
p odu os passí eis de deixa em de se sujei os a axas de impo ação incluem: inhos, ca ne
suína e la icínios. Espe a-se ambém um aumen o das opo unidades pa a p odu os
ino ado es e o gânicos, enquan o es ições come ciais elacionadas à ce i icação de e ão
se mi igadas pelo aco do.
As p incipais ameaças aos p odu os eu opeus no me cado japonês incluem a
possibilidade de o Japão es abelece aco dos come ciais com ou os países de p oximidade e
Anexos
70
a o e idelidade dos consumido es aos p odu os domés icos. Além disso, os complexos
quad os egulamen a es e a p e e ência po elações come ciais já es abelecidas podem
di icul a a en ada nes e me cado. A endência de en elhecimen o da população japonesa
ambém de e á se conside ada pa a p oje os a longo p azo, p incipalmen e no que
conce ne as endências. A egulamen ação da impo ação de p odu os alimen a es pa a o
Japão é ex ensa e a ia de aco do com o p odu o, exigindo p ocedimen os de ce i icação e
documen ação especí icos - o Minis é io da Saúde, T abalho e Bem-Es a (de sigla MHLW;
em japonês 厚生労働省, kousei oudoushyō) é a en idade esponsá el pela a aliação e
au o ização dos p odu os impo ados, com possibilidade de exigi a aliações adicionais
mesmo após a ap o ação inicial. Os p ocedimen os al andegá ios incluem di e sos
documen os, como a u as e ce i icação de emba que, além de possí eis ce i icados de
qualidade e segu ança alimen a . As eg as de o ulagem ambém podem a ia ,
ep esen ando um desa io adicional pa a a en ada de p odu os alimen a es no me cado
japonês. Em suma, as ba ei as legais são o p incipal obs áculo pa a a en ada de p odu os
alimen a es no Japão.
O se o Casa no Japão
De aco do com o es udo AEP (2021), as p incipais endências do se o da casa no Japão
mos am uma diminuição an o no núme o de e alhis as quan o de g ossis as, e le indo
uma consolidação do me cado. Os hábi os de comp a dos consumido es japoneses
muda am signi ica i amen e, passando de comp as espo ádicas e em g andes quan idades
pa a aquisições mais equen es, mas em meno es olumes. Exis e uma o e p ocu a nos
ex emos do me cado: o segmen o “ elação cus o-bene ício”
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e o de al o luxo, o que
p essiona as ma cas adicionais e in e médias.
Com a ascensão de uma no a ge ação de consumido es, há uma maio inclinação pa a
comp as online, especialmen e de mó eis e a igos de deco ação, subs i uindo
g adualmen e as comp as em lojas ísicas. A dis ibuição no Japão, adicionalmen e
complexa e cheia de in e mediá ios, es á a simpli ica -se, com e alhis as a en ol e em-se
di e amen e na impo ação de ma cas eu opeias.
Os consumido es japoneses mos am uma p e e ência cla a po designs mode nos,
67
“Value- o -money” (TdA)
Anexos
71
simples e so is icados, com so ás, camas, conjun os de jan a e a má ios sendo os p odu os
mais p ocu ados. A con iança dos consumido es, c ucial pa a as comp as de mó eis, em
indo a melho a em consonância com o desempenho da economia nacional, o que diminui
ligei amen e a sensibilidade ao p eço.
O mesmo es udo indica ainda que o minimalismo japonês con inua a in luencia as
escolhas dos consumido es, le ando-os a dispensa ce os p odu os pa a casa. No en an o,
pa a in es imen os mais signi ica i os, a p ocu a pela melho elação en e qualidade e
p eço é p edominan e, bene iciando cadeias como a IKEA
68
e Ni o i
69
. A c ise económica
ecen e le ou alguns consumido es, especialmen e os mais jo ens, a p e e i em p odu os
mais ba a os e de meno qualidade, o que ab iu espaço pa a as ma cas b ancas ganha em
quo a de me cado, uma mudança no á el num país que adicionalmen e alo iza a
p odu os de al a qualidade. Ainda assim, exis em nichos de me cado ol ados pa a
consumido es de maio endimen o – de elemb a que o se o de luxo no Japão, apesa de
um pequeno declínio em anos ecen es, con inua a se dos maio es do mundo.
Os consumido es japoneses demons am uma g ande abe u a pa a a comp a de
p odu os de ma cas in e nacionais, especialmen e aqueles que conside am p o enien es de
países especializados. Po ou o lado, embo a a lealdade às ma cas seja ca ac e ís ica de
odas as aixas e á ias, é mais acen uada en e os consumido es mais elhos do que en e as
ge ações mais jo ens. Em suma, a ap esen ação de Po ugal como um país especializado na
p odução de mobiliá io, êx eis, e deco ação, e a c iação de uma imagem p emium, mas
acessí el pa a os p odu os locais, pode á bene icia a en ada nes e me cado, que
ce amen e se deixa á in luencia pelo es a u o, qualidade e es é ica dos p odu os.
Po ou o lado, o me cado ambém ap esen a obs áculos únicos, como po exemplo a
pouca compe ição do se o – o me cado é al amen e consolidado, com as qua o maio es
emp esas a de e mais de 50% da pa icipação no me cado. Pa a além disso, a China é o
p incipal o necedo de mó eis pa a o Japão, esponsá el po 40% das impo ações, o que
c ia di iculdades compe i i as, dado os baixos cus os de mão de ob a chinesa (AEP, 2021).
Exis e ambém a necessidade de adap a os mó eis às especi icidades des e me cado,
de ido à endência de economiza espaço nas esidências e edi ícios. Po úl imo, exis e
ambém uma o e p ocu a an o no segmen o de p odu os com um bom cus o-bene ício,
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Mul inacional sueca, e alhis a de mobiliá io, deco ação, ele odomés icos, u ensílios e acessó ios pa a o la . (NdA)
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Emp esa japonesa, e alhis a de mobiliá io e acessó ios pa a casa. (NdA)
Anexos
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mas ambém pa a o me cado de luxo, o que limi a as opo unidades pa a ma cas que
ope am en e esses dois segmen os.
O se o In aes u u as no Japão
Segundo o es udo desen ol ido pela AEP (2021), apesa da desacele ação do
c escimen o da população japonesa, a espe ada queda no se o da cons ução não se
con i mou, em g ande pa e de ido ao aumen o do índice de u banização no país. Embo a
não enha sido egis ado um g ande c escimen o do se o nos úl imos anos (a é 2024), o
me cado man ém algumas ca ac e ís icas no á eis - uma delas é a p e e ência dos
comp ado es po casas po e mina , ainda em cons ução e sem acabamen os, que
pe mi em às emp esas ob e esul ados de endas com meno es cus os de p odução,
o nando o p ocesso mais e icien e. Pa a que as emp esas japonesas possam ende um
p oje o inal de cons ução num e eno especí ico, p ecisam p imei o de adqui i o e eno,
o que implica al os in es imen os iniciais an es de ecebe em qualque ecei a. Esse modelo
a o ece a concen ação de g andes playe s no me cado.
O desen ol imen o de mé odos de cons ução com meno impac o ambien al e
edi ícios "in eligen es" (Sma Buildings) em indo a se p omo ido po polí icas
go e namen ais, com o obje i o de aumen a o núme o de “Casas de Ene gia Ze o” (Ze o-
Ene gy Houses), le ando a uma p ocu a acen uada po :
• Tecnologias de p odução e ges ão de ene gia;
• Sis emas em ede, condicionado es e acumulado es de ene gia;
• Medido es in eligen es, senso es e ecnologias de IoT
70
;
• Tecnologias que p omo am eno ação e demolição de o ma ambien almen e
sus en á el.
No domínio da maquina ia, há uma c escen e p ocu a po equipamen os de al o
desempenho, como obôs pa a soldagem, limpeza, polimen o de pisos, cons ução de
elhados e segu ança.
Ainda de aco do com o mesmo es udo, as opo unidades nes e me cado es ão
o emen e ligadas ao conhecimen o dos a o es cul u ais, às mudanças de men alidade e à
ino ação: a c escen e p eocupação ambien al em impulsionado uma p ocu a cada ez mais
70
Re e en e a “In e ne das Coisas” (ou “In e ne o Things”, em Inglês). Te mo e e en e à in e conexão digi al de obje os quo idianos
com a in e ne , o mando um único sis ema in eg ado.
Anexos
73
acen uada po ma e iais de cons ução mais sus en á eis. O go e no japonês es á ambém
ocado na edução das emissões de ca bono, e p ocu a aumen a a ade ência às on es de
ene gia eno á eis - em 2018, essa pa icipação e a de 17,4%, com a expec a i a de que, a é
2030, es a pa icipação se si uasse en e os 22% e 24%. No campo das ecnologias, o se o
da cons ução con inua á a egis a uma g ande p ocu a po ma e iais e soluções pa a a
p o eção con a e emo os, sis emas in eligen es, e segu ança baseada em in eligência
a i icial.
Pa a as emp esas de cons ução que desejam a en u a -se in e nacionalmen e, é
essencial sabe adap a -se ao me cado local e en en a com sucesso os possí eis desa ios
de cada me cado, como po exemplo o acesso limi ado e o cus o ele ado de ma e iais de
cons ução e maquina ia. No en an o, no caso do Japão, es es a o es não ep esen am um
g ande isco, já que a maio pa e dos ma e iais de cons ução são p oduzidos localmen e.