Sermão da penitencia que pregon o P.M. Fr. Pantaleam do Sacramento..
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SERMÃO D A PENITENCIA que pregou 0 P-M.FR. PANTALEAM DO SACRAwento Leitor de Prima de Tbeologia, Qualificador do Janão Ojficio } ç> Gnardiao do Collegio de Sao Boaventura da Provinda de Portugal o Real Covento do N. P.S.Frãdfco da Cidade de Lisboa ao reco - Iberfe a Procijjdo da P^eneravel Ordem Terceira. OFFEKECEO AO ex m o - senhor d.joam da sylva Marques de Gouvea, Conde de Portalegre, Prezidente do Paço, Mordomo Mor de S. Alteza, do feu Conlcdc Eftado. + ggBBgpgB Na I ^ NI COIMBRA, Com as licenças necejfarias: 1Tl P r e f íaõ dç Manoel Diait ImprcíVor da UniYcríidadc Ano dc C>Bo.
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cia de DICATOR1 a, l » E NHO R. Bm entendo , queofi ferecer a Ho ff a Excellencia efe Ser¬ mão, he culpa da minha confiança-, mas também nao deixo de entende r y que como efle Sermão he da Peniten - cia, poderá merecer a minha peniten- 'tarada aospès de hum Príncipe, o perdão da cuU Luc ‘ 7 ' V 5 f íe e fít lugar bufeou a Magdalena, pera com a \ ? J )e fi tencia grangear à fua culpa o perdão . E eu o ufeo o figuro azylo dos pês de Hojfa Excellencia gfi 1 .? P C]r dao do meo de lião , de que nunqua terei neÜ* ’ Cot 2 fi a ^° na f ua benignidade ; mas bufe o f o amparo do meo efiudo y de que ninguém poJ r a duvidar 9 que o confieguirà efie Sermão, favoreci0 da fua grandeza. Principalmente findo efle Sermão da Penitencia dotr^r? ^°fi a Excellencia , que quando o preguei tofi °P a Excellencia era da Penitencia , que como enZ e l* M tni $o da Tercçra Ordem, fi a penitencia H n fr t' a n. ^ ordem o major empenho , mjjfi Excellencia ne fie tempo era da penitencia ofiu ra/aí ÍW ft r j°j ’ ffiam grande , que nao digo eu fodentr ^ f :cellentl .(j l m a ca tyt & origem, mas ainda chaZ ^ j ) ea ^ a f cen ^ enc * a > & appellido , nao aocej 7105 ' “ e c l ue !! lt! fi a y & em outras glormas ofc' ■ tf— »» ,/fr„A SykKr; Ullaprofcrtj o que de t^ojja Excellencia po~ A i demos *
D E D I C ATOR I A. dernos di^er. Tal Sylva ? como ejle , nao o ha. Por 'f - que fendo na ajfijlencia , com que feferve ao Príncipe da terra , o minijlro mais ajujlado , foy , & he ^ na penitencia) com que fe aplaca o Key do Ceo , ommijlro mais exemplar ; eí^ nao pode ter iguaf quem a fy re¬ grada ao Ceo , & d terra. Neüa conte Vo ff a Ex* cellencia de vida tantos amos , quantos nòs contamos feus devedores, & Criados. No ff o Senhor r Coimbra zz. de Outubro de 1679. Humilde Capellão de V.Excelleneiav Fr. Pantaleao do Sacramenta* Ern
Em obfeqtiio do Sermão da Penitencia, que pregou o M, R. P. M. Pr.Pantaleão do Sacramento. S O NETO. ^ A penitencia o pálido femblante | temerozo igoalmente que temido, porque diíperte oleculo dormido, porque íufpenda o mundo vacilante, Tao douto períuadis tao elegante, que,fem receo algum dereziftido, brando fazeis o bronze endurecido docil tornais o rigido diamante. Ainda as naturezas inflexíveis Se proteftão jà agora penitentes, pois Culto triumphaisdosimpofliveis. Tudo rendeis 5 que feguem diligentes a voífo engenho os louros infalliveis, a voííb nome as palmas reverentes. A O
AO SENHOR. MARQUES PREZIDENTE&& SONETO, B O voíTo nome a gloria dilatada bufca, Senhor, empenho o mais luzido; eíte ferà da enveja obedecido, pois aquellahedo mundo reípeitada. Ambiflaofoy, mas ambiíTaõ honrada, pertender voíío amparo; quehedeuido mecenas nunqua de outro competido a empreza nunqua a outro comparada. Procura à voíTa fombra diligente por lèrefta a melhor; Heroe preclaro, do Libano Real Cedro eminente. Delia não podeis vòs íerhoy avaro, que íèndo das juftiças prezidente deveis da penitencia íèr amparo. Do Doutor Bento Conca BarroTg*
Foi. / ^hiffimus ódio habet feccatores , Qf mfertus eji fanitentibus. Eccleíiaft. i%. E as vozes quebradas nos rochedos. Se os pei¬ tos partidos com as pedras. Se os olhos afoga¬ dos em lagrimas, em hum Pedro na fua cova: em hum Hieronymo no feu Ermo: em hum te p u , . ~ Bapti fta no feu Dezerto; refufcitarão hoje nef 0 0 l 3lt °a pèrfuadir a penitencia: melhor me fora a mym m e | 5 C 1 m e 0 progala; P or< 3 0 p règala, Ievouarr - 2,u j ls ^ifcurfos; & o ou vila, ouverame de trazer alguns mo ,m e n t os. E mais quizera nefta hora difcorrer coq l lG o rre Pendido, que pregar como Letrado. Mais quizera difc» ^ X ern P ^° mc movera a pèrfuadir o que fmro: do que o t enc - r ° n ieen h n a r aaexpremiro que falo. Porque a penic5 t il ,a c l l le meus,& voííos peccadoscomeça efíedia, & deve Zes a lL1 j quarefma;%uvida de quem a faz, paílà das voP e a i j ° ^ . n 8 ano: °uvida de quem sò a diz, nao he mais que m u d encia nas vozesE dar vozes à penitencia, aonde em - tenc^ 0 cíeí * en S ano ; dar vozes a ajuílar a vida, com pcniw 023 ’ e m CJUem fe nao vè a vicla ajuítada, com a af 1C * 5 CÍar vozesa converter penitentes, quem de à penir Cnte fe nao , c on verte:fe nao he roubar a authoridade qu e li^ nda: * ie P r ^ ar a penitencia fem authoridade; porfem exCni P l°- Non foteflauthoruaum habeC afflod fiodoro. ’ ^ ulnon J uvatur exrmpto . DilTe neíle lugar Ca í-hictrac. MasfuD^ , _ y dep*n. a< ? Ui ap e .í P° . e ?iheis, que não fou eu o que venho pregar 2? ten cia o* t enc * a * venho como lâfoy Moyfes pregar pev ar £ e P e n dimento à Corte Del-Rey Pharaò. Não °’ a n , y*íjtf' 'o P r cgara coraçoensindurecidos; queentão Pregara, & tivera bem que pregar. Digo que ve¬ nho
% Sermão nho aqui,como li foy Moyfes.. Moyfes foy a Egypto defett' ganaraquèlíeRey: não porque Moyfes foíle o que avia de Exod. 4. ir; mas porque Deos não enviou a quem avia de mandar; »• 13 • Mitte quem mijjtirus es. De forte, que o fer Moyfes o pr e ' gador daquella tão defenganada penitencia, como mal ftc* Exod. 7. cedido arrependimento; Induratum efi corVharaonis . Na° n. 13. foy, porque elie o devia fer: mas porque não foy, o que aV# de ir; Mitte quem mijjurus es. E quafi que o ouço prègar Palacio de Pharaò, Supponde povo do Egypto, diz Moyfe s ’ que não fou aqui o pregador, porque outrem o ay ia de fe# mas ja que a divina providencia mebufcou entre os rigore 5 de hum dezerto: me defcobrio entre as afperezas de hü mofl' Exod. 3. te; veílido de duro fayal, como Paítor,& defcalfo; Solue cd* 71 ' ?• ceamenU dápedihús tuís; como o mais pobre zagal; atten^ o Ceo,& a terra is vozes deíla penitencia. Judite ctcli q tlfi T)eut. 3 z loquor : audiat terra verba oris mei. Cuido eftou declarada n \ 1 • nem pera auditorio tão entendido neceífito de mayor exph' caílàõ. • Que refumidas, fe não a rethoricos difcurfos, a verdade*' rosdefenganos , faõ as Vozes que dioEfpiritoSan&oP 01 ' bocadoÉcclefiaílico no capitulo 12. Jltijjimus odio bd e peccatores , &mifertus ejlpcenitenúbus . Ò AltiíTimo U&l aborrece os peccadores, diz o meu thema, & compadecei dos penitentes. Nas quaes palavras fe incluem peccados»^ fe fizenio,& penitencias,que por elles fe fazem. Dos p ecC , - dos,que fe ítzerão, não he hoje o Sermão que fe faz, da p eíl * tencia,que hoje começa, he quefecoíhima o Sermão E com bem acertada rezão. Porque fe o pcccado, conij' o E vangeitíta, não he outra couza mais,que hüa efcura y Io An. 1. bra, & hüa negra corrupção ; Tenebne eam non camprd }e ^ n. 5. derunt • E a penitencia, hüa luz divina' hum refplendor Ieftial; comoavemos de vnir-noimefmo diabas trevas do P e ^ cado, - com a lus da peiiirencia? Se. D e os^s divide, pera ( l LlC 10
da Penitencia. *3 nSo Vnãoj divifit Deus lucem à tenebris : em que dia podem tieil r ^ S ^ Ue ^ e os no me ^ mo dia não quis-confentir? Nao sò ira" 1 ? j não ca ^ eai a penitencia perfuadida, & a culpa eft 11 la d a: ma s nem neíte púlpito fe podam a vifinhar efpiris generosos da penitencia, cõ enormes baxezas da culpa, aya do mefmo altar em q eílà co a arca da virtude, o ídolo per ? 10 . ^ 0 l atr *a;q fe athè perafe differenciare fe poderão fiana 1 ^ ^ Vn ^ os 5 P or ^ e nao parecere no lugar eítejão entre je fo}/j os, ^ efça precipitada deite púlpito a culpa,a q ho- £ro e § !° r ioza a penitencia: q por não occupar hum monfaiiA a ent °dehua Eítrella; melhor hedeixalo impunido, 1 Q^ ern dtilo também aflèntado. temi i? n t oma is,quenodia,queapparece a penitencia, não com° 10S f era a pparecer a culpa: tãto fe auzenta de quem a que e ’ quefetreslada aonde ninguém a veja. Opeccado Na C ° nieteo ^ a vid; no mefmo dia, que digo no mefmo dia? hora, & no mefmo inííante, que elle moítrou ao defa Gta ^ ataa a & ia penitencia; Peccavi . Logo 0 peccado Pato PareCe0; ^ om ^ nus tr(in fl 1 ditpeceatum tuam à te. Nao re¬ de o C Om ^ an( ^ G Augpftinho na prcíla, com que fe apartou tel av ^dofeu peccado. Quocituup<cnitcncia?negeris,eo a e* lUs pecçatim tollis. Mas vou a reparar, q apparecendo ^ 0 f cL encÍa ^ avic ^ ’ 0 ^ eu peccadodefapareceo , que enios P era P ndefe tresladou. Dominus quoque tranf ^f eccatumtuum ^ t e ' A que parte, pregunto,fe tresladou Dizermos r qnc fe tresladou a Natan , a quem Vid w defcobrio; ou que fe tresladou a Urias, a quem Dádeliét 0 !°^ dílb he por o peccado,,em quem não comcteo o Pado a ^ Ucrer P a S ue 0 innocenté as fem rezoens do culcq ^ 0 Ac ]ue parte, p'ois,fe fez a tresladação deita culpa ,q du v j^ l0rl:a p e ila penitência ficou capaz de treíladarfe? S£ dos d e u C i Ue íc treil a dou de Qavid, pera Deos *• que os pecdsE ^ o saioílos Deixs lhepagou o treslado. B ta Gen. i. num. 4, t . Reg. f mm. 5. J. Reg. D. lz_iük 53 - »- 4 - cr 12.
IO Sermão peccado, que fendo mal cometido, não foy bem chorado: Otf he o peccado, que fendo bem fé fizeííè por elle penitencia, não fefes bem penitencia por elle. Tanto que he menor a penitencia, que fefas: íica o peccado mayor que a peniten¬ cia,que por elle fe fez. Por iílò aconfelha o San do Doutor; T amtentia crimine m i nor non ft. Em Iudas, notem, não foy a fua penitencia mais, que reílituir o dinheiro, que levara por hüa venda de injufto contrado. 'Reddidit triginta ar¬ gênteos ; fendo que eílava obrigado a reílituir a honra , de quem metera em hüa prizão; Tene te eum. ; a vida, de quem entregara a hüa morte. Tr adens fanguinem jufii , E com correndo tantas reílituiçoens naconciencia deite peniten¬ te; poílè achorar o dinheiro, que reílituia. Panitentia duc - tus reddiditfe m lhe cuítar o menor fentimeto, a vida, & Ifora que tirara. Oi que bem fizera eíte homem na penitencia que fez, fe fizera bem penitencia. Çongruè egerit panitefr tiam. M as como a penitencia fe não fez bem, tudo aqui ficoü mal; a penitencia fem proveito: o peccado fem perdão: o nitente fem remedio. Laqueo fefufpendit. Eíla era a difficuldade,que Saudo Ambrofio confideraV^ na penitencia; nãofazela,não ; que athe hum Iudas afaz; Panitentia duftus; mas fazela bem; que he mais facil acb# quem não cometa hüa culpa, que quem faça bem hüa pefli' Lhc .3. tencia. Laciliusinveni, qai innocentiam fervaverit, num. 3. qui congnie egerit p cenitentiam . E fe a divina verdade taflt° nos encomenda, que façamos frudos dignos de penitencia í acite fruftus dignos panitentia. He, porque aíly como frudos ham de correfponder dignameiite às arvores, de q uC procedem; afly as penitencias fe hão de igualar proporei 0 ’ nadamente às culpas, por quem fe fazem. 1 Ah como temo a noílòs mal fatisfeitos peccados, que o que em Deos he mi^ r ricordia, fe converta em vingança& o que em Deos he c& paixão, fe transtorme.em caíligo - por nenhua rezão tsa&fy
XI ■ Jr da penitencia. quepor níÍQ fazerernos fru&os dignos,de penitencia. Queila arvore tâo chea de difgraças, como de folhas; em H emlearreigavãotantoscaftigos, que fe íhecòntavao os ^gores pellos troncos; amaldifoqua Chriíto pera fempre T 1tn quqifitefruSíus. nafcqtur., E que fez eíla ar yoreinfe? Matt. 1 1 T 1 '"'-? pera QUa o». TV—^ t-m r>IIo f'na m num. ip. nl.it. Namf r ^ ança,Cíiuacom P a fazerf G a r Uc os dignos de fua natureza. E bailou natn quam rUC ^ s , de quem era, pera deixar de fer o que fora. NunP°tPegcadores fomos.- nãofey fe p°i$ n tl ! m .e>fe por natureza* Por natureza devemos de fer; d 0 ; 0 ll 0 f S hQ uaturalopecçado: -quefoyepm po&oge;ra T mea p°y c 5 n ofco c oncèú&ó. fnpectathconçepilmetnatet; p l* de noíf m ° tantas *vezes chorava o Profeta Rey. Os fruétes nnm ' 1 9 ' Çados r£ atureza faõ os peccadps: o temedio dejaQflôs j^eoDeo S > aõ 0? ftut^os da peníten^4> Eftqsbufcaem OOS hojt nio S ° U bufcamo^nòsa tieoshoje.iAlfçomoícf 3 ^ Ue não adiemos a Deosepflipaíjivo, fç nos Pa© achar nier° S COm / ru( ^ os dignos de penitençia, E como torno a tej e ^3 Ue ilao achando Deos em nòs a penitencia, digna de r -^ s > venhamos a achar £m .Oeasjo caíàgor^que da 'ni t P^ ca dores,em lugar da cpmpaixao, quç^oomosp^ t p e $- Mtferttís-eftpxniiçntiÜus* r - . ' i - ^ fi / . j* c a fyadithculdade.çtJazerEem penitencia, copenir mbrQfl ° D0S ení ~ lnava: vejamos: a derteza, deqúea ^ V Ce JJ'<iri tam i u fi ns pfittjkw nwqáflmfit: út paubmwtti-\ t paraboT r ^ a ^Ifrtaiacas Veze^ cekbrádat o coto* repetida r Wan a . dçz Virgens-, em íquQíiiQàsffnalueonfeíl"»^^^ ^ nt 5fô perderão ‘outràstèem adv^twtodifcròtáme- ‘ .* X w \ '1 efl at j a ^ ar *Oiadaoii^ Origorib fdymiwjkzavii oprcebate^»^ vv.u. ,fi Cojiu s Qrepfakwum ú kttwgdtoiQSfrfunlx ^dqrôe? h . C que
ii Sermão , que contíá Hoje éftèmyftíço c àtpó dal^efadé Éãó éhtte fy cóWtrarias, cjüê teh^CKnê {)éÒtéúra véiiásroníe^ . vádas,çliégaaferefcandalover,quefccòrifervão. Bons, & maosvnídòs no méfmo corpo. Bomaim màl?s> Réprobos,» efcolhidÒs no mefmo corpo adímados. Rjproài aún elêfflà Mayor protenroaverà,masnaopòdeàvermáyortrcacinJoEntra pois hoje a penitencia a fer terceira ha cómpoziç^p deftas partes; & fendo hda, como vamos dizendo, de hom eS tão juftificados,que fe lhe não acha culpa: & outra déhofflés tão deftrahidos,que tudò nelleshe peccado;a huns,& outros fedèfçobrehoje a penitencia tãòneceílaria r q üéa nenhu^ delles eXcíüéhòJe a peniíéncíàçE jà pode fer,q por iílb neft fc dia, a penitente fagrada òrdem dé Francifco vòs repf e ' zentou cóm todos “os eftadosda Igreja, heíla prociflao a f c ' nitenciadetodos; quecomohetãoneceílària,, ninguém, ^ íeja juBoiOu peccádòr, pode algüa hora dizerquelhé t ^ 3 he necedãria a penitencia. Nemo peteft effe tamjujhis, ^ ntmquàm fii eipxríiteniíanecejfaria. Porque fe he jufto, a P e ' nitencia helhe neceflãria pera o prefervar da culpa, 8 i ^ delinquente, a penitencia helhe neceíTaria pera o livrar do peccado. E ftãofd eu qual he mais netreílarió, fefugtf ^ M *l* ** peccado, queeftà pera fe cometer; fe livrar do peccado, ^ e “* ^ c °metido> O certo he, que a penitencia éni qU aflí<7 V • contrição adiffinem os Theologos:remedio da culpa cof* 1 ^ nlnt 4. cautela da que fe pode cometer. Pr*tenta m ^ a PÍ a ^ G. Hmt. & erey ® lterum P} àn & en tianòncam m nterc> Gomo lè diífc r * Mfv. 1. mos * q uea P *oitenciaheneceí]ariaaopeccador , pera efl dif. 1. ? fe leyante, & ao jufto pera que fe não precipite. Ao mao,P e | Lug. difquefe melhore no bemí ao bom pera que íè prefer ve do ^ pftt.i. Mandá Chrifto a feus Difdpulos, que viveflèm tão a P^ Mf? V7 *> tados na vida, quéfofle a fua vida hQa apertada peniten^ »íp* veftnpr&cmfti. Pouco tinhãoqüc apertar o£ ™ .jftf&W ciptios,que como largarão, quanto tinhão: Etc# nosrf ^ 1 fjjt**
té.' da Penitencia. t 5 ™ t u ° Mnia;^ç lhes fiçaya que apertar? A eftes mandais vós otmor, quejfeapçjrtem com a penhcppia? Sint\lutrMvtfiri y*xcin£ii> Sim; que a penitencia não ãpertacomos que tem; 7 u, . t Q, aperta fim apenitenciaçqm os que tem pouco.. Que Pouco ape r t^c) as yi vem com a penitencia as thearas, a$ cooas, as purpy t as 3 k as Mythras? E como a penitencia aperr 3 vfui Qni dç hum barcq rot<^ r ; & coni amizeriadç^ ení ' r ° m P i das S int lunái vejlripracinãi. Poüa afy I to n , C ?^ oa penitencia aos pifçipulos; jid virtiulhe^Oiriír J e fembrafíèm ,que erao faí de terra; Vos efiis falter? A4*th. f ià m depenitecia me parece çfte?; Porque fe aos*- 1 $ • apertos Çhriftoljje acrefeeí^a© faliPhqu^dur i C 11 Ven) a fera pepiteniíia! Bemíabem f ; q uê ofelfe? aa^ a deiiuujiapertado elementpj tamosiàÕosaped;os,que tada° a r^^ ecej 1 l ue fe chega a congelar dèapertada; & aper~ to» a fe transforma quaííemqutra naturçza ; Como acrefçç llt á^hriíío,o íal-aqs: apertos \$n£d,itmtiyej!;H. 11 • < MB* Nãobaftahum rigor? Nãobafta huãfsds&ção* ^ oaítahQa penitencia? Não, diz David, não baila hüa, P en i teucia j-1% aindamais pemtcncia nãobafta.. C j P l J ls lava me Domine-, ainda he neceílaria mais penitep f al - í° ©s r ' S i ^*Mk a i n da maisem hu^r Dayid, em quem nòs menos; porque .naoíam.mais^ dous;. E em ,' ern q uem .os peccados fam mais de dous mil à penitenemh u Coa d e uaçaode Balrhazar çonciftioem íium mais, & hum ^^eoos: em híí meuos^ue a balança pezou; & em pez° ^ |d s ^uepezou abalança. Ornais quçfia lhe achou no MioJ f^ 0 m aisdefuaculpa: omenosque,i>o ppzo felllç , ^, 0 , ÍUenosdeíuapí:njicr.cia. hiventtts efi vnnvt baD atnc JSUe yfeis ; fe quereis, que clc VcíTas culpas v os peze: ou n ' 15 ^kt^u le ^° pezadas yoíias culpas,, pezayas com yolTa pe- '• a ? çijlp^sj>eza^5m ; mgis, & apemteacia meC2 nos
J 4 Ser imo nds,'advárí-^^iie-áè-^éaífe^'tfêíãdfnèrfèsp a ^ètVS terfc^-nl a is. ‘ • GkW tâmbe áos ouVK V n sq & $ ) ■■ p;fntf b.\Wvi/^ ^ * Á -rezao •f5pí^«er ; C l Tr?ft^ ) íèftlíor : tioíTò, conforme o q 11 ^ entendo , : d J $ ê à fèos difcipáfósv ^ué etão fály défpojède en^é^á^^èíí^â ^Smk^b^pdftmitíHr, ?&f\ pept pO^femdtf dfeèr r^yaán^^qiièk' ( &h¥$è<áit erá v a-t:<Mò^iféteí]áFÍa; aos >fííà°$ • peta réniedio das cúlpas: âçèbohs pera-prefervaçam dõS i •' ■ *•»'• Dúeeadnfc*? vYrtAíiÀVrfft^M •J.ífctè»». « ,;>«*«>,«*,**#í% rWcíWifas, Jo/z;?. »• 3 P , . . , —,-j-^^fiíténíéiàf^érá^tí^'- ., t téi dtfmúOd^dézêíiga riâfei 4 tttfe? âpenitenáai í ü ntó f propriedade dò fáí' •' que prefèrvôndo dè còítupfòcns vici°' fas, te(É^^9tí(^§5^eaf^j^s.' Còrrufiípidò eftaV* tazaro no f epulçhro, & tani éòrrumpido, quejafenao^ 11 fríà. */aní fíètèl. Sahedòfepulclíro eíbe conta giozo cadaV^ Sahe dòfepulclíro eíle eohtàgiozo C- ... ^^rè^aíbita^dQ fi vklà melhorou'dé efíadó ; & dé corj^ píam ; porquê da queíle termo, jam falei-, flcoü prelêrvadõ' &doqtíe tinha fidolitré. Querrt melhorou èfte peccadot * niortalhado em fy mefmo, do q antesera: 8 i o^prefervotV'^ que podia fer déípòis^ Que; pregunto, prêfèrvcu a eíte t# ll _ íõs diás culpadò doè faítioè deliurtifepiddito,’ &óliber^ das €ólitjagk)éhs : dè càdaver? -Humaá Iagriifcas*-ejúe qü an em feo author,não foílèm de penitêcia,Como forâo dè a & Qj*° modo amabat emn\ fempre erao de pezar . Lacriw* 1 tjl Ufitè* Ditozás lagrimas, feliçes pezares, bem íl VeI1 ef v« radaspenitencias, que parecendo amargas ypèllo ^ u f ,fal' 'désdèpènà, ; Vindes afer goílozas, pelloque rendes-d 0 Vosefiw fal.Y osfòisfal, torno adizer, gloriofos ap eí ^ fabrõzás rnortifiçaçoens, amadas penitencias; pois nl ^ l t ^ rándò tantos corruptos defeitos, prefervais de tantos» 1 tos de lidos? Hua, & outra couza eítais a dever \ c*^ 10 ^ s )
da Penitencia. ry ^ a * xam da divina Mízericòrdia: 1 como o diz ^^°da4° Efpiriro Sznfto.dltijjlmus mifertus eflpxni* Àfiyni hc-t| U C 4 penitencia h : e a todos neceflaria; porque lelhora;^ p rezer vai mas tahibem be neceflaria a penitenla ’ í or 4fc a todos transforma, &nmda. ‘E como na mudanSímí?® vida,' tòtíciíle ó feguro dd nò® àlrtià. jjém ájji a a 1! V e7es?a pcni t e n c ia, cj por nos augurar a cadahudenòs u 1113 » niove a cada hum a mudar a vida. Sam Paulo dizia, jr-^^formado do q uc fora no q qra, era ja outro do cj fora. non ego. Eu viuo, & nao fou o que viuo, diz fam uin. EudifTerá, que fe Paulo tem vida, não fendo elleo fj? bu Paulo bíp hè b que foy: ou à vidá tiãò Ive a que confeqdeucia mudou Paulo a vida, & ficou ourià >3 Ue era ’ °diz Sam Chryfoftomo. Viuo enojam fedph* faniteritiam viuit in m e Chryjlur. Y^^qi]a^do. fe comiérteo a Cliriílo fes tam gjfãiide peninon mà\idwauitnc<júkífbh\ Tam tjgorozafoy f * ^ e ucí‘a'{ do feu jejum: Eelle ; d iz de fy, que *, caftigó to'i J Tamaípera era afua difciplina. Mas por ifCCVe 3 ohiin .mo «íírt fdnSÍ'1 «ifiríOnlA S. Io An. Chryft hon . uiuciou cuni a puuueucm a viua. y ivu ego jam §- P orc i ue na mudança da vida, vio que conciftia o dçJ^^ilma. Todas ás vezes, que cõcideroaquêllegranHylátiani diíer ba hora da morfea fuá alma, y^ ? ^ ar fifle daquelle dezerto pera o Ceo feguraEgredeYè, animamea quidâubüas> Adoro as m l1c j r * 3s clc fuá penitencia pois foi tam poderofa, que vidsi; lhe pode fegurar a alma. Egredere ^°he, & ncmundobem fabido: Dicetur intolomuHwdhoç'fecit\ que as lagrimas cia penitente Magdhlena In !e&. fctt. 1 I. Oãobris
1 $ Sermão & niegraii£c<*iaui amui. /nuuuiriy^çw u ujt n . _ ’ fervar de novos pecçados-.perdao perá a purificar de antigas; culpas; que tudo ifto tem a peni renda. Mas reparo eu 9 em quefeo, & noílb meftre Chrifto lhe deo aconhecer íua VSíifâi tencia, pglla mud|ça da vida. Efie oqazo que .afogada eip. hum,mar delagrímas, a quella não ja naufragantjê pecc^j qora; olhando Chrifto pera ella, & peta o Farizeo, cm cuj* çaza Chrifto comia,& a Magdajçnadiqra.va; difle Chrifto a Symao. Vides hanc mulierem ? Synuo vesefta molher, co¬ nheces eftaafligida? Eflâ certo, quç eftalie a Magdalena». Vides hanc mulierem ? Senhor ta m pouco conheçid^he a Magdalena,que feja neeeftario darefía vos a conhecer? EÍk homem não eftà dizendo, q ella he huma peccaddra; ccatrix ejl. Como lhe perguntaes fe a conhece? Vides han c mulierem} Porventura he tal eftc Farizeo, quenaoconhÇj Petr. uiune ier rarizeo. ^vias nao, acoae d.am reato ^qryiou^ imo; ÀMagdaíena, pregunta Chrifto a Symao .fe a.qonb^ çe; porque dèfpois das lagrimas de fua penitencia ficou iiç outra, que mydquavida; à ^hiima vida mudada do 0 . era, nfnghem açonhece pello que fpra. Venit ipfp , di^ 1 ? Chrifo - , P edro Chryfqftorno, altera, aífêra [ed ip[a x ut jniwfí hg, mutaretur vila, nonnomine'. Efte he o effeito da verdade^* fcrm. 74 penitencia, mudar a vida, & mudada ella efperar da divh 1 * compayxao, quedara gloripfa firmeza , em tam mudança. Mifertus eftjxvuitentiius: , > Eqpàndo íe ha de fazer:eftá mudança da vida? Nao^ ha de guardar pera o tempo da mpcte.’ Porque ainda 0 ' Eccle f\ que Salamgò djz, qpe tudo temfep tempp; omnia n ' l ' habet. Com que parece , que todo o tempo nãq he pera ^ do* pera apenitençia aíy he;queo tempo da morte não jjgP a peqiteqçía...É ppfto que a Igreja câthoiica, May^vj
v da Pèmtèma . Í7\ 'fofofcotíi àlròf)íx&ü&#b dà penitdfiaa? WrM^F^ur P t J s: fôy ; pera quê vhteénfftfè ^penftÃiEiá cdmjfrmor- ' j^ au ' 6m G rmaspera que nós lembremos de hao guardar’perôó tem- ^ j ^ f C c a .p ^ rte 5 ao ccafiam da penitencia. AíTy o pregavà no' m\ind0 ? - 'a^QSl^^feb^cpfeVfíté.nte;' fè bem vivo éxemplor de^penitéh.çia, b gra nçje Bâptiftà* Porque vipdo à prègàr, fè a g ° er ^ burn dèííes dias, hum deftes fermoenstodo ofeií ,liní p t oera pregar Baptifmo de penitencia. Baptifmum ^ W 7 ^ w/ ^ . ;^ 0 ta V èlalIump t0 ? Baptifmo de penitencia? E p **1° n a o prègaua o Sacramento da Unção? Que fe como c roteta eüava vendo osXàèramentos da Ley da Graça, °tno pregava mais hum,que outro Sacramento} x « r. 3 . cnr*!?*^ Ah que Sanftol Ah que.penitente! Mas ah que n . 5 . tr enc *ido penitente. & que difcreto Sando. Pregar na éx0 ^ rna 'Vnção a penitencia, hé guardar a penitencia pera ti ^ cni p o da extrema-unçao, que he á morte. Pregar Bapti ^° ^penitericia, he fazer penitepcia no tempo do Bap- ( l U e he logo em nafcendo oprimeiro tempo. Pera Qü f Uão P e raoutto fgiía deguárdàr a penitencia; PorRonf 2 l n ec:eíli 4 ad e , que delia temos, nos obriga aquelofedil mos ’ Oxjúehenecefíãrio, qlogo fefafla, pera que %of *n ^ era outro tempo. St ah quando cur nonmodo}Qow D<j4u£. t4 c a l a Sanfto Agoftinho; pera quando ha de fer a penip 0 la A , 0 P e haja de fer he heceflario; a duvida eílâ no temla mbe > < l ue a % como 0 tempo pafla , pode paíiãr a p enitencia. Eílehe otepodis SamPaulo; Eci-adtor. agora C letn P u s acceptaòile. Ainda naopafíà; porque ainda ca p - ^ Kon, t Cor ^eíTa. Ol comeflèmosagora, que comeílàmosa P^ as ni P °. Que fe o foy pera as lagrimas de hum Pedro: Mdjjt an eiasde huma Magdalena-.pera as confifloens de hü tG nciV ^ on h fí°ens, andas, & lagrimas todas fampeni- ’ Deos aceita defpois, que o nega humdifciprlo; defpois
i8 Sermão defpois, que o ofícnde hua peccadora: defpois, que oblaf fema hum perjuro. E fe nôs a eftes lhe feguimos ja os paííôs? 1 figamof-lhe agora os arrependimentos, que aquelle Senhor, que deftes penitentes fe çompadeceo com fua graça , coifl amefina fe compadecera dos outros penitentes.. Miferltis eji panitentibus . E defpois de neíta vida cpmpâdecido:fl<J outra fe nos moílrarà gloriozo. Quam mihi, & vobis pr ér tare dígnetur Sandiííima Trinitas Pater, & Filius, &SpF SandusAmen. cenfura SanBa Matrit Ecclejta. i
C E N G, ü R A S, P pR ordem do N. M. R.P.M. Fr. Manoel de Santiago ente jubilado, Calificador do S. OíHcio Examinador das p ^ r dens Militares, & Miniftro Provincial da Provinda de tugal vi cftc fermão, que pregou o P. Fr. Pantaleam do Sa¬ rmento Lente dcTheologia, Calificador do S. Ofíicio exaColíe ° r ^ aS ^ r d cns Miliatares, & de prezente Guardiam do tarde ^ 1 0 Boa-Ventura de Coimbra em quarta Feira de d C m / n reCOlh e r dâ Procifsáòdos Irmãos Terceiros da OrjHohçA eni tcncia, & nellc não achei q fcníurar antes hc mui pnos C ^ U vor porque fc os Sermoens de Penitencia faõ protivo ^ C r a k imprimirem, porque todos podé achar nellcs morC ç e( P e r a fc arrependerem , eftecó mais particularidade tile¬ is ^hnprcíTo por mais efiicax ícntenciofo, & doutrinavel. k-,. j^*°nvcnto de S. Francifco de Coimbra em 20. dc Sctcmdci(S 75. Fr. Hicronymo da Mttlre de Dc*t. x °RCommi(ra»do N. M.R.P.M. Fr. Manoel de SanTiaLente jubilado Qualificadordo S. Ofíicio Examinador das Ordens Militarcs^iniftfo Provincial da Província de da regular Obfervãcia de Noflb Seraphico P. S. Frandcjjj Vlc °tn particular cuidado cftc Sermão q na Quarta Feira ^ s C - a4Urdcao r ecolher da ProíTiçaô, que Cuftumáofazer fo ç 0 a ° s da Vcncravel-Ordcm Terceira da Penitencia no nof* $ a m p^ancifco da Cidade, Pregou O Padre Fr. O** do Sacramento Lente de Prima Qualificadm do S. novç. ’ ^ Ouardiam aéíual do Collegio de Sv Boa-Ventura o ncjjç ç^^inhajjtouvkto, Sítornandoo agora a ler não achei U a » que cncontraçc noflaS. Fcc, & bons cuftutncs, ann ° E -^*'do, & na doutrina, com^oaflumpto; do s ^ ai «niaqucHix 0 wa&icothUtito moveo bscora^ochs ^ntes apcnitcncia, & Scrnúôtampottcitoítoa jultado, que fede àedampa p e r a q *