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Os acontecimentos mediáticos como actos de palavra

Abstract

Este trabajo parte de la afirmación de que el acontecimiento no puede ser reducido a mera construcción mediática. Aunque los medios de comunicación social logran habitualmente reducir la discontinuidad que todo acontecimiento implica, el autor cree en la posibilidad de una acción colectiva, que se expresa a través de acontecimientos inaugurales - no mediatizados – que abren nuevos campos problemáticos.

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Os acontecimentos mediáticos como actos de palavra

Author: Rebelo, José
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2006
Source: https://idus.us.es/bitstreams/94727f5f-d0a9-4568-a16c-324077635e8f/download
ISSN: 1696-2508 _ [17]
Resumen
Es e abajo pa e de la a i mación de que el acon ecimien o no
puede se educido a me a cons ucción mediá ica. Aunque los medios
de comunicación social log an habi ualmen e educi la discon inuidad
que odo acon ecimien o implica, el au o c ee en la posibilidad de una
acción colec i a, que se exp esa a a és de acon ecimien os inaugu a-
les - no media izados – que ab en nue os campos p oblemá icos.
Abs ac
This pape s a es ha he e en is no jus a media cons uc ion. Al hough he media
pic u e e en s wi hou hei inne di e si y, he au ho belie es in he posibili y o a posi i-
e ac ion, based on piecemeal e en s ha gi e way o new dilemas.
Palab as Cla es
Acon ecimien o / mediación / medios de comunicación / asun os públicos / acciones
colec i as.
Keywo ds
E en / media ion / mass media/ public a ai s / colec i e ac ions.
Não pa ilho eo ias de na u eza cons u i is a que eduzem o acon eci-
men o a uma me a p odução mediá ica (1). P e ende que um acon ecimen o
exis e apenas em unção da sua media ização é igno a o c uzamen o das mais
elemen a es dinâmicas sociais.Suponhamos uma aldeia que nunca chamou a
IC
Re is a Cien í ica de In o mación y Comunicación
Núme o 3, (2006), Se illa
SECCIÓN CLAVES
José Rebelo
Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho e da Emp esa
ISCTE
Os acon ecimen os mediá icos como ac os de
pala a
a enção dos media. Que nunca e e hon as de publicação num qualque jo -
nal. Da qual nunca se alou em qualque es ação de ádio.Que nunca oi is a,
ou se iu, em qualque canal de ele isão.Que signi ica isso? Que nunca qual-
que acon ecimen o se p oduziu na aldeia e e ida? Pe gun e-se aos seus habi-
an es que,es es,logo denuncia ão o absu do.
In e essa, pois,de ini o concei o de “acon ecimen o” an es de nos deb u-
ça mos sob e o p ocesso da sua e en ual media ização.
Nem odas as oco ências são acon ecimen os.
Sociologicamen e,pos ulo que uma oco ência se o na acon ecimen o
segundo o po encial de ac ualidade mas, ambém, segundo os po enciais de
ele ância e de p egnância (2) que ele mani es a .
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando se p oduz no nosso espaço e no nosso empo.Daí o seu po encial
de ac ualidade.
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando p o oca uma up u a no nosso quad o de ida. No nosso
Lebenswel , concei o que Habe mas oi busca à enomenologia de Husse l
pa a designa esse ní el p o undo,de um g upo ou de uma colec i idade,onde
se en aízam as línguas,as no mas e os compo amen os comuns.No nosso
quad o expe iencial, pa a ala como Go man (1991). Daí o seu po encial de
ele ância.
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando nos inci a a econs ui esse nosso quad o de ida momen anea-
men e pe u bado pela oco ência inespe ada. Daí o seu po encial de p eg-
nância.
1. Descon inuidade e p ocu a de sen ido
“Quando [os acon ecimen os] se p oduzem, não es ão conec ados aos que
os p ecede am nem aos elemen os do con ex o: são descon ínuos ela i a-
men e a uns e a ou os e excedem as possibilidades p e iamen e calculadas;
ompem a se iação da condu a ou a do co e das coisas”, a i ma Louis Qué é.
Mas,logo a segui ,o mesmo au o escla ece: “Es a descon inuidade su p een-
de e a ec a a con inuidade da expe iência po que a domina. Po isso, azemos
udo quan o es á ao nosso alcance pa a eduzi as descon inuidades e pa a
socializa as su p esas p o ocadas pelos acon ecimen os: econs uímos, a a-
és do pensamen o,as condições que pe mi i am ao acon ecimen o p oduzi -
se com as pa icula idades que ap esen a; es au amos a con inuidade no
momen o em que a up u a se mani es ou” (2005: 61).
José Rebelo
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Resumindo: o acon ecimen o ope a uma up u a inespe ada na o dem das
coisas.Na eliz exp essão de Claude Romano,o acon ecimen o “ab e uma
alha na minha p óp ia a en u a” (1998: 45). P o oca um co e na ama dos
nossos hábi os,das nossas o inas diá ias,dos nossos p ojec os,das nossas
eco dações,esc e e Paul Ricoeu (1991: 41-55).
Co e, logo deso dem.
Co e e deso dem que impelem, o sujei o,pa a uma p ocu a de sen ido.Que
é, a inal, p ocu a de con olo.“Ins au ando uma no a o dem, na qual o acon-
ecimen o se á insc i o,o sen ido eduz a i a ionali é p incipielle de la nou au é”,
ac escen a Ricoeu (1991: 43).
E como se ma e ializa essa p ocu a de sen ido? A a és da cons ução de
na a i as sob e o acon ecimen o.Daí que Ricoeu dis inga ês ases na géne-
se e no desen ol imen o do acon ecimen o.A p imei a ase co esponde à
eme gência da oco ência p op iamen e di a. A segunda co esponde à p ocu-
a de sen ido.A e cei a à diluição do acon ecimen o na na a i a cons uída a
seu p opósi o (3).
Na a i as media izadas,umas.Na a i as não media izadas,ou as.Umas e
ou as que pe mi em a passagem do possí el imp e isí el ao possí el p e isí-
el, pa a ci a Jocelyne A quembou g-Mo eau (2003). Passagem do possí el
imp e isí el ao possí el p e isí el. P e isibilização pela domes icação do
imp e isí el. Ul apassagem da ince eza. Res au ação de um mundo.
Fixemo-nos nas na a i as media izadas,ou media izá eis: as únicas suscep-
í eis de anspo a o acon ecimen o pa a lá dos limi es da comunidade onde
eme giu. E, den o des as, ixemo-nos nas na a i as media izadas ou media i-
zá eis pelos ó gãos de comunicação social de massas,em o no do que pode-
íamos chama os “mega-acon ecimen os” (4).
Num núme o de Dossie s de l’Audio isuel, coo denado po Daniel Dayan
(Julho de 2002), é analisado o p ocesso de p e isibilização ine en e à cobe u-
a mediá ica do «11 de Se emb o», exemplo acabado dos mega-acon ecimen-
os que acabámos de e e i .
Di e sos ex os cen am-se numa ase cu a e simples que se ou e em
undo das p imei as imagens,ob idas ocasionalmen e po um cineas a amado ,
que nos dão o emba e do p imei o a ião com a p imei a o e: “Oh my God”.
Não há, po enquan o,na a i a mediá ica. Não há explicação.A exp essão
“Oh my God” é desp o ida de qualque alo de anco agem. Não ixa qual-
que sen ido àquilo que as imagens nos mos am. Apenas “Oh my God”.
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Os acon ecimen os como ac os de pala a
Rapidamen e,con udo,ou os ope ado es de câma a a luem ao local. A
empo de egis a o segundo emba e.Um segundo emba e.De um segundo
a ião.Na segunda o e. Coincidência a mais.Negada a hipó ese de aciden e.
Dá-se,en ão,aquilo a que San os Zunzunegi chama a “suspensão do inac e-
di á el” (2002: 16-21).
O inac edi á el deixa de o se . Po quê? Po que múl iplas elações de causa-
lidade,i ompem. Indomá eis.Inicia-se,assim, a na a i a do acon ecimen o.
Uma na a i a que ge a sen ido,ao unciona como máquina de o ganização
do empo e ao assen a numa lógica da causalidade,ou melho , numa lógica
em que a causalidade se unde,coincide,com a con iguidade.Uma na a i a
que in eg a o acon ecimen o num “ odo con ex ual” (J.Dewey ci ado po
Qué é, 2001: 104).
Num ápice, esol e-se o enigma: ac o de e o ismo. Tudo se explica.
Designam-se os au o es.Enunciam-se os meios.Denunciam-se os objec i os.
Sem que,no e-se bem, qualque o ganização i esse,en e an o, ei indicado
o sucedido.A inal, adian am p essu osos alguns comen ado es,aquilo e a p e-
isí el. Tan o mais,ac escen am, quan o é ce o que os se iços sec e os
no e-ame icanos inham já ale ado pa a essa e en ualidade…
O acon ecimen o como pon o de chegada de uma causalidade em cadeia: o
p ocesso de ac ualização es á consumado.
2. En e a “necessidade e ospec i a” e a “con ingência p ospec i a”
Como salien a Alain Flageul, num a igo incluído no núme o de Dossie s de
l’Audio isuel já e ocado (2002: 21-25), a na a i a jo nalís ica compo a uma
ipla p ojecção no empo.Desc e e um mo imen o pa a ás,no sen ido de
descob i algumas causas p o iso iamen e ap esen adas como p imo diais.
Recons i ui, em seguida, os caminhos possí eis,desde as causas de ec adas a é
aos e ei os obse ados. Po úl imo,p olonga esses caminhos p e endo as con-
sequências.
O p esen e ac ual cons ói-se,po an o,no con ex o do passado e do u u-
o. Do passado,pelas analogias que suge e. Do u u o, pelas an ecipações que
pe mi e.Baliza-se en e a “necessidade e ospec i a” e a “con ingência p os-
pec i a”, diz Ricoeu (1991: 50). A as a consigo di e sas empo alidades
in e p e a i as,sublinha Jo ge Lozano,ci ando Yu i Lo man (2002: 15-16). Po
um lado, ica ligado à eco dação que se gua da do súbi o,do inespe ado. Po
ou o, adqui e uma dimensão de p edes inação,de ine i abilidade. Reco dação
e p edes inação,o an es e o depois que cons i uem os dois pila es de uma espé-
cie de no malização a que Lo man, segundo Lozano, chama “p ocesso de
José Rebelo
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consciência”: passagem do o ui o ao egula ,do es anho ao no mal, do
imp e isí el ao ine i á el.
Dessa dualidade empo al esul a que o acon ecimen o seja, simul aneamen-
e, explicá el e explica i o. Explicá el pela p odução de “es ó ias” que o igina.
Explica i o pelo pode que anspo a, enquan o e elado daquilo que ele
( ans) o ma, ou pode ( ans) o ma ,nas pessoas e nas coisas.
Tal con luência de passado e de u u o não é alea ó ia. É ideológica.
Segundo os e ei os p e endidos,pode exp imi uma maio insis ência no pas-
sado ou uma maio insis ência no u u o.
O eg esso ao ins an e imedia amen e an e io ao acon ecimen o,objec o da
ope ação de media ização,é cheio de signi icado. Repa e-se no e ei o p oduzi-
do pela incessan e epe ição das imagens das o es,ainda de pé, logo seguidas
das imagens do seu desmo onamen o.Imagens de um empo quase sem
empo.Imagens que nos p endem. Imagens hipnó icas.Que ge am um sen i-
men o de a acção/ epulsão.Ou melho ,de uma epulsão que c esce com a
a acção que,em nós,elas despe am. As imagens do desmo onamen o não
nos dão apenas o desmo onamen o.Dão-nos bem mais do que isso.Dão-nos
a isão de um mundo a desmo ona -se.A não se que…
Mas é, ambém, cheio de signi icado a deslocação/ins alação da na a i a a
mon an e do acon ecimen o.Decididamen e, ompe-se a clássica lógica linea
segundo a qual o p esen e se explica a pelo passado e an e ia o u u o. Nas
sociedades adicionais,as na a i as mí icas,ins au ando uma o dem discu si-
a do mundo,p oduziam e ei os de sen ido a a és dos quais as coisas e am
legi imadas e i idas.A ememo ação (Heidegge ) dos acon ecimen os unda-
do es,da a sen ido aos acon ecimen os em cu so.Hoje,essa ajec ó ia in e -
e-se e são as inalidades p ojec adas no u u o que dão sen ido ao p esen e. O
p esen e si ua-se,cada ez menos,na con inuidade do passado.
Em l’Inhumain: cause ies su le emps, Jean-F ançois Lyo a d ala a já de um
«desa io» que,na sua opinião,es a ia a se lançado pela ecnologia elec ónica
às sociedades con empo âneas: o de subo dina o p esen e,que deixa ia de
desemboca num «depois» ince o e con ingen e,a um u u o cada ez mais
p ede e minado pela no as ecnologias de in o mação e comunicação. Lyo a d
aça a, assim, uma no a pe spec i a empo al pa a as sociedades capi alis as
em que udo se ia unção de es a égias – os jogos es a égicos – esul an es de
p e isões supo adas pelas ecnologias digi ais.A ac ualidade de um qualque
pe cu so não se ia mais do que a con i mação da sua p e isão,ou seja, o u u-
o se ia an ecipado pelo p esen e que o ealiza ia ou, no mínimo,o con igu a-
ia como possí el.
ISSN: 1696-2508 _ [21]
Os acon ecimen os como ac os de pala a

Reg essando à dualidade empo al da na a i a mediá ica do acon ecimen o.
Abundam os exemplos dessa jus i icação de um p esen e com um u u o
anunciado impe a i amen e.É o caso do discu so ac ual sob e a gue a p e-
en i a cujo p essupos o (Duc o , 1972: 5-24) assen a na inques ionabilidade
de um pe igo. O pe igo do e o ismo.O e o ismo enquan o p oblema
público que,p oclamam ins âncias de pode ,u ge acau ela .
3. Do acon ecimen o ao p oblema público
Segundo Gus ield, ci ado po Louis Qué é numa con e ência p onunciada
no Po o em Fe e ei o de 1999 (2001) a e i icação de um “p oblema públi-
co” implica: que ele seja assumido,enquan o p oblema, pela sociedade no seu
conjun o; que ele susci e deba e con adi ó io e con li ual; que ele es eja asso-
ciado a uma acção pública isando a sua esolução.Só que,a nossa con ibui-
ção pa a a de inição de um p oblema é bem meno do que se ia de supo .Di o
de ou a o ma: a ins i uição de um p oblema enquan o p oblema é, em g an-
de medida, ex e io a cada um de nós.Na maio ia das ezes,são-nos ex e io-
es,as es a égias conducen es à sua assunção colec i a e à sua colocação no
cen o de deba es, al como nos são ex e io es as acções,ou a simulação das
acções,que se p opõem esol ê-los.
O quo idiano é ei o de um e e no ilha ,em ziguezague,po en e p oble-
mas.Desemp ego. Insegu ança. Fal a de habi ação.P oblemas que são e não
são nossos p oblemas.São «nossos p oblemas» na medida em que nos a ec am
di ec amen e,em que,deles,somos í imas.Não são «nossos p oblemas», na
medida em que a sua génese nos é ex e io . T a a-se de p oblemas que conhe-
ce am um p ocesso de na u alização.E é, jus amen e,esse p ocesso de na u-
alização que nos az pe de a ideia de ex e io idade.Que az com que não en-
hamos consciência plena da cons ução de um i ine á io que,se não nos é
impos o,nos é insinuado.Que az com que se es abeleça uma espécie de cum-
plicidade en e dominan e e dominado, a a és da qual o dominado,negligen-
ciando a sua condição de dominado,ou nem seque dela se ape cebendo,
econhece,e ao econhece legi ima, undamen a, o es a u o do dominan e.
Ou, dizendo com Bou dieu, que az com que o dominado “se esqueça de si e
se igno e, subme endo-se [ao dominan e] da mesma manei a que con ibui, ao
econhecê-lo,pa a undá-lo” (1982: 119).
Os media cons i uem um dos disposi i os mais impo an es pa a o desen-
cadea desses p ocessos de na u alização. Pa a ab ica adesões. Pa a o ja
consensos,não os “consensos comuns” de inspi ação Kan iana mas os que
ocul am es a égias que G amsci designa ia po “hegemónicas”. Pa a con e -
e ,como po magia, uma his ó ia agmen ada, em unção de in e esses e de
José Rebelo
[22] _ In o mación y Comunicación
opo unidades,po ezes incon essá eis, numa con inuidade ei a de mu açõ-
es ão dissimuladas quan o incessan es.C iando,assim, uma apa en e “unida-
de indi isí el”, pa a eco e ao concei o de Husse l. Unidade que se mani es-
a ia sem in e upções,sem hia os.Unidade consen ida e com-sen ido en e “o
que acaba de se passa ” e “o que ai passa -se”.
On em e a Ben Laden e o A eganis ão,a Bósnia e o Koso o. Os massac es
no Ruanda e no Bu undi. O p ocesso de paz em Angola. A subida elei o al da
ex ema-di ei a eu opeia. Hoje é o genocídio no Sudão.As ca ica u as de
Maomé. A g ipe a iá ia. A i ó ia do Hamas.A ameaça nuclea do I ão.«Da
ca ás o e aé ea ao ciclone,do a en ado ao aciden e odo iá io,do ai -di e s
ao c ime de gue a, nos ec ãs ele isi os uma desg aça segue-se a ou a. E a
explicação do mundo eduz-se cada ez mais a uma ol a ao mundo do so i-
men o.Num bom no iciá io de ele isão,há cadá e es aos mon es,mães que
g i am, c ianças que cho am, casas de as adas e unidades de ajuda psicológica
que con idam as í imas a exp imi em a sua do .Comen adas com as mesmas
pala as,as mesmas ozes g a es,os mesmos olhos húmidos, odas as agé-
dias humanas acabam po se assemelha » exclama Elisabe h Lé y,p odu o a
do p og ama adio ónico Le P emie Pou oi ,consag ado aos media, emi ido
pela es ação F ance Cul u e (2006: 78).
É o ai-e- em das no ícias.Ou das supos as no ícias.
Hoje,as páginas dos jo nais,os empos de emissão adio ónica e ele isi a,
enchem-se com um assun o.Amanhã, o mesmo assun o desapa ece.Sem que
se conheça o seu desenlace (Rebelo,2003).
Na na a i a mediá ica não há, aliás,desenlace.
Em unção dos espec i os p ojec os edi o iais,da ep esen ação que cons-
oem dos seus lei o es,ou in es ou elespec ado es,os media na a i izam um
acon ecimen o.Depois,deixam-o cai po que o acon ecimen o e á a ingido o
seu momen o Kai os (Ma in, 1990-1991): momen o da mu ação quali a i a em
que o acon ecimen o deixa de se si ua na cu a do in e esse dec escen e pa a
se si ua na cu a do c escen e desin e esse.
E nós?
Ul apassados pelos discu sos, ex uais e iconog á icos,sal amos de no ícia
em no ícia. Renuncia emos a comp eende ,pela incapacidade de encon a ,no
in e io de nós mesmos,o im da na a i a? A iscamo-nos,pelo menos, a
acei a a amálgama. A in eg a a amálgama. Uma amálgama que ganha ia sen-
ido den o de nós.A iscamo-nos a me gulha na apa en e «unidade indi isí-
el». Po que a al e na i a é a descolagem, is o é, a exclusão do p ocesso global
de ecepção da in o mação ci culan e (5).
O ansbo dan e (Hen i-Pie e Jeudi) ou o azio.
ISSN: 1696-2508 _ [23]
Os acon ecimen os como ac os de pala a
Uma ez media izado,o acon ecimen o ai alimen a o p oblema público: o
ence amen o de uma áb ica e o ça, em nós,a ideia de c ise. Po sua ez, o
p oblema público cons i ui o quad o explica i o do acon ecimen o: é po
causa da c ise que a áb ica ence a.
P oblema público e acon ecimen o es abelecem, pois,en e si, au ên icas
elações de simbiose.O « e o ismo», enquan o p oblema público,cons i ui o
quad o explica i o do «11 de Se emb o». Po sua ez, o «11 de Se emb o» ali-
men a o p oblema público chamado « e o ismo»
O «11 de Se emb o»: cu ioso p ocesso de da ação.
Quando se e oca o «11 de Se emb o», não há quem desconheça o e e en-
e.E quando se e oca o «15 de Fe e ei o»?
No dia 15 de Fe e ei o de 2003, milhões de pessoas em odo o mundo in a-
dem a ua. Assim, de epen e.Sem que al ac o se de a a con ocações pa i-
dá ias adicionais.Mas,sim, a mensagens, apelos e pe ições que e ilham em
ede,essa “ma ca” dis in i a e es u u an e dos no os mo imen os sociais.
Globalização do p o es o.Em cada mani es ação mis u am-se línguas,e nias,
idades,posicionamen os polí icos,es ilos de ida. Em cada cidade a causa uni-
icado a é a mesma: “Não à gue a”. Uma causa que a a essou on ei as e é
ex e io a odas as on ei as.Nunca nada se i a de semelhan e.
O «11 de Se emb o» ma ca uma da a ( ai da e,como dizem os anceses).
O «15 de Fe e ei o» não ma ca uma da a, sal o, cla o es á, pa a os mili an-
es mais ac i os desses mo imen os sociais.
Po quê?
Po que, explica Jacques De ida, pa a ma ca da a é p eciso que o acon eci-
men o seja gene icamen e sen ido,de manei a apa en emen e imedia a, como
algo de singula .De ida insis e no uso da exp essão “apa en emen e imedia-
a” já que,ac escen a, esse sen imen o é mui o menos espon âneo do que pa e-
ce: “ele é, em g ande pa e,condicionado,quando não cons uído e,em odo
o caso,media izado po uma o midá el máquina ecno-socio-polí ica” (2001,
p. 134).
“Pela epe ição”, assinala Mosco ici, “a ideia dissocia-se do seu au o ; ans-
o ma-se numa e idência independen emen e do empo,do luga e da pessoa;
deixa de se a exp essão de quem ala e passa a se a exp essão da coisa de que
se ala” (1981: 198-199). Insacia elmen e epe ido nos media “numa espécie
de encan ação i ual, o ma esconju a ó ia, li ania jo nalís ica, e ão e ó ico”
(2001: 134), o “11 de Se emb o”, aliado ao concei o de “ e o ismo”, ganha
au onomia. Impõe-se-nos.Insc e e-se no nosso discu so o diná io.Inco po a
o nosso exé ci o de p é-concei os (Gadame ,1995: 110). E quan o maio o
José Rebelo
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a sua au onomia e quan o mais se nos impuse ,mais se nos escapa a sua
dimensão ins umen al. A sua a bi a iedade.A sua ambiguidade.
4. Po encialidades e limi es da acção colec i a
Os media não cons i uem um pode homogéneo e au ónomo.Mais do que
um pode ,eles são um luga de c uzamen o de pode es.São,em cada ins an-
e,a exp essão de uma elação de o ças.Segundo essa elação de o ças des-
en ol em-se,no in e io dos media, os mecanismos de ga ekeeping e de news-
making, e mos já consag ados na sociologia da comunicação (Rebelo,2002:
36-38). Segundo essa elação de o ças,os media ac uam na sociedade en ol-
en e.Mas,pos o que essa elação de o ças é uma elação social, a sociedade
en ol en e ai ambém, po seu lado,ac ua sob e os media. Os media com-
po am-se,po an o,como sujei os e como objec os de uma sociedade onde
se en elaçam expe iências,acções colec i as le adas a cabo,nomeadamen e,
po indi íduos do ados de uma “passibilidade” supe io .
Louis Qué é de ine “passibilidade”, pala a pouco comum, a pa i do seu
an ónimo,“impassibili é”: “é impassí el aquele que não é suscep í el de se
ocado,a ec ado,pe u bado,emocionado pelo que lhe acon ece e,po conse-
guin e,de supo a ,de aguen a ,de so e o que que que seja (2005: 66).
A i ma emos,en ão,que são do ados de uma “passibilidade” supe io os indi-
íduos pa icula men e ocados,a ec ados,pe u bados,emocionados pelo
que lhes acon ece e,po conseguin e,capazes de supo a ,de aguen a ,de
so e o que que que seja. Di o de ou a o ma: são do ados de uma “passi-
bilidade” supe io os indi íduos que ecusam a in-di e ença, a in-signi icância,
a des- ealização das coisas.
A sua acção,emp eendida no con ex o de uma sociedade democ á ica, pode
i a p o ei o da “des e i o ialização”, das “linhas de uga” de que nos alam
Gilles Deleuze e Félix Gua a i (1976, 1980). E culmina em na denúncia de
p ocessos de na u alização ou na con igu ação de no os campos p oblemá i-
cos.Assim, po exemplo,as aspi ações ecologis as modi ica am, po comple-
o,as ep esen ações da ida no plane a. Tal como as no as elações en e
sexos modi ica am, po comple o,as ep esen ações da ida em amília.
E chegamos à ques ão de undo.Cada época é ma cada, dece o,po sis e-
mas de alo ,po eg as de compo amen o que uma sociologia do senso
comum pode es uda .Cada época é ma cada po discu so de anscendência
(Cha audeau, 1997) des inados a delimi a campos p oblemá icos.Sis emas de
alo , eg as de compo amen o,discu sos de anscendência que in adem as
páginas dos g andes jo nais.Que sa u am as g andes cadeias de ele isão e as
g andes es ações de ádio.
ISSN: 1696-2508 _ [25]
Os acon ecimen os como ac os de pala a