ISSN: 1696-2508 _ [17]
Resumen
Es e abajo pa e de la a i mación de que el acon ecimien o no
puede se educido a me a cons ucción mediá ica. Aunque los medios
de comunicación social log an habi ualmen e educi la discon inuidad
que odo acon ecimien o implica, el au o c ee en la posibilidad de una
acción colec i a, que se exp esa a a és de acon ecimien os inaugu a-
les - no media izados – que ab en nue os campos p oblemá icos.
Abs ac
This pape s a es ha he e en is no jus a media cons uc ion. Al hough he media
pic u e e en s wi hou hei inne di e si y, he au ho belie es in he posibili y o a posi i-
e ac ion, based on piecemeal e en s ha gi e way o new dilemas.
Palab as Cla es
Acon ecimien o / mediación / medios de comunicación / asun os públicos / acciones
colec i as.
Keywo ds
E en / media ion / mass media/ public a ai s / colec i e ac ions.
Não pa ilho eo ias de na u eza cons u i is a que eduzem o acon eci-
men o a uma me a p odução mediá ica (1). P e ende que um acon ecimen o
exis e apenas em unção da sua media ização é igno a o c uzamen o das mais
elemen a es dinâmicas sociais.Suponhamos uma aldeia que nunca chamou a
IC
Re is a Cien í ica de In o mación y Comunicación
Núme o 3, (2006), Se illa
SECCIÓN CLAVES
José Rebelo
Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho e da Emp esa
ISCTE
Os acon ecimen os mediá icos como ac os de
pala a
a enção dos media. Que nunca e e hon as de publicação num qualque jo -
nal. Da qual nunca se alou em qualque es ação de ádio.Que nunca oi is a,
ou se iu, em qualque canal de ele isão.Que signi ica isso? Que nunca qual-
que acon ecimen o se p oduziu na aldeia e e ida? Pe gun e-se aos seus habi-
an es que,es es,logo denuncia ão o absu do.
In e essa, pois,de ini o concei o de “acon ecimen o” an es de nos deb u-
ça mos sob e o p ocesso da sua e en ual media ização.
Nem odas as oco ências são acon ecimen os.
Sociologicamen e,pos ulo que uma oco ência se o na acon ecimen o
segundo o po encial de ac ualidade mas, ambém, segundo os po enciais de
ele ância e de p egnância (2) que ele mani es a .
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando se p oduz no nosso espaço e no nosso empo.Daí o seu po encial
de ac ualidade.
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando p o oca uma up u a no nosso quad o de ida. No nosso
Lebenswel , concei o que Habe mas oi busca à enomenologia de Husse l
pa a designa esse ní el p o undo,de um g upo ou de uma colec i idade,onde
se en aízam as línguas,as no mas e os compo amen os comuns.No nosso
quad o expe iencial, pa a ala como Go man (1991). Daí o seu po encial de
ele ância.
A oco ência em mais p obabilidades de se conside ada um acon ecimen-
o quando nos inci a a econs ui esse nosso quad o de ida momen anea-
men e pe u bado pela oco ência inespe ada. Daí o seu po encial de p eg-
nância.
1. Descon inuidade e p ocu a de sen ido
“Quando [os acon ecimen os] se p oduzem, não es ão conec ados aos que
os p ecede am nem aos elemen os do con ex o: são descon ínuos ela i a-
men e a uns e a ou os e excedem as possibilidades p e iamen e calculadas;
ompem a se iação da condu a ou a do co e das coisas”, a i ma Louis Qué é.
Mas,logo a segui ,o mesmo au o escla ece: “Es a descon inuidade su p een-
de e a ec a a con inuidade da expe iência po que a domina. Po isso, azemos
udo quan o es á ao nosso alcance pa a eduzi as descon inuidades e pa a
socializa as su p esas p o ocadas pelos acon ecimen os: econs uímos, a a-
és do pensamen o,as condições que pe mi i am ao acon ecimen o p oduzi -
se com as pa icula idades que ap esen a; es au amos a con inuidade no
momen o em que a up u a se mani es ou” (2005: 61).
José Rebelo
[18] _ In o mación y Comunicación
Resumindo: o acon ecimen o ope a uma up u a inespe ada na o dem das
coisas.Na eliz exp essão de Claude Romano,o acon ecimen o “ab e uma
alha na minha p óp ia a en u a” (1998: 45). P o oca um co e na ama dos
nossos hábi os,das nossas o inas diá ias,dos nossos p ojec os,das nossas
eco dações,esc e e Paul Ricoeu (1991: 41-55).
Co e, logo deso dem.
Co e e deso dem que impelem, o sujei o,pa a uma p ocu a de sen ido.Que
é, a inal, p ocu a de con olo.“Ins au ando uma no a o dem, na qual o acon-
ecimen o se á insc i o,o sen ido eduz a i a ionali é p incipielle de la nou au é”,
ac escen a Ricoeu (1991: 43).
E como se ma e ializa essa p ocu a de sen ido? A a és da cons ução de
na a i as sob e o acon ecimen o.Daí que Ricoeu dis inga ês ases na géne-
se e no desen ol imen o do acon ecimen o.A p imei a ase co esponde à
eme gência da oco ência p op iamen e di a. A segunda co esponde à p ocu-
a de sen ido.A e cei a à diluição do acon ecimen o na na a i a cons uída a
seu p opósi o (3).
Na a i as media izadas,umas.Na a i as não media izadas,ou as.Umas e
ou as que pe mi em a passagem do possí el imp e isí el ao possí el p e isí-
el, pa a ci a Jocelyne A quembou g-Mo eau (2003). Passagem do possí el
imp e isí el ao possí el p e isí el. P e isibilização pela domes icação do
imp e isí el. Ul apassagem da ince eza. Res au ação de um mundo.
Fixemo-nos nas na a i as media izadas,ou media izá eis: as únicas suscep-
í eis de anspo a o acon ecimen o pa a lá dos limi es da comunidade onde
eme giu. E, den o des as, ixemo-nos nas na a i as media izadas ou media i-
zá eis pelos ó gãos de comunicação social de massas,em o no do que pode-
íamos chama os “mega-acon ecimen os” (4).
Num núme o de Dossie s de l’Audio isuel, coo denado po Daniel Dayan
(Julho de 2002), é analisado o p ocesso de p e isibilização ine en e à cobe u-
a mediá ica do «11 de Se emb o», exemplo acabado dos mega-acon ecimen-
os que acabámos de e e i .
Di e sos ex os cen am-se numa ase cu a e simples que se ou e em
undo das p imei as imagens,ob idas ocasionalmen e po um cineas a amado ,
que nos dão o emba e do p imei o a ião com a p imei a o e: “Oh my God”.
Não há, po enquan o,na a i a mediá ica. Não há explicação.A exp essão
“Oh my God” é desp o ida de qualque alo de anco agem. Não ixa qual-
que sen ido àquilo que as imagens nos mos am. Apenas “Oh my God”.
ISSN: 1696-2508 _ [19]
Os acon ecimen os como ac os de pala a
Rapidamen e,con udo,ou os ope ado es de câma a a luem ao local. A
empo de egis a o segundo emba e.Um segundo emba e.De um segundo
a ião.Na segunda o e. Coincidência a mais.Negada a hipó ese de aciden e.
Dá-se,en ão,aquilo a que San os Zunzunegi chama a “suspensão do inac e-
di á el” (2002: 16-21).
O inac edi á el deixa de o se . Po quê? Po que múl iplas elações de causa-
lidade,i ompem. Indomá eis.Inicia-se,assim, a na a i a do acon ecimen o.
Uma na a i a que ge a sen ido,ao unciona como máquina de o ganização
do empo e ao assen a numa lógica da causalidade,ou melho , numa lógica
em que a causalidade se unde,coincide,com a con iguidade.Uma na a i a
que in eg a o acon ecimen o num “ odo con ex ual” (J.Dewey ci ado po
Qué é, 2001: 104).
Num ápice, esol e-se o enigma: ac o de e o ismo. Tudo se explica.
Designam-se os au o es.Enunciam-se os meios.Denunciam-se os objec i os.
Sem que,no e-se bem, qualque o ganização i esse,en e an o, ei indicado
o sucedido.A inal, adian am p essu osos alguns comen ado es,aquilo e a p e-
isí el. Tan o mais,ac escen am, quan o é ce o que os se iços sec e os
no e-ame icanos inham já ale ado pa a essa e en ualidade…
O acon ecimen o como pon o de chegada de uma causalidade em cadeia: o
p ocesso de ac ualização es á consumado.
2. En e a “necessidade e ospec i a” e a “con ingência p ospec i a”
Como salien a Alain Flageul, num a igo incluído no núme o de Dossie s de
l’Audio isuel já e ocado (2002: 21-25), a na a i a jo nalís ica compo a uma
ipla p ojecção no empo.Desc e e um mo imen o pa a ás,no sen ido de
descob i algumas causas p o iso iamen e ap esen adas como p imo diais.
Recons i ui, em seguida, os caminhos possí eis,desde as causas de ec adas a é
aos e ei os obse ados. Po úl imo,p olonga esses caminhos p e endo as con-
sequências.
O p esen e ac ual cons ói-se,po an o,no con ex o do passado e do u u-
o. Do passado,pelas analogias que suge e. Do u u o, pelas an ecipações que
pe mi e.Baliza-se en e a “necessidade e ospec i a” e a “con ingência p os-
pec i a”, diz Ricoeu (1991: 50). A as a consigo di e sas empo alidades
in e p e a i as,sublinha Jo ge Lozano,ci ando Yu i Lo man (2002: 15-16). Po
um lado, ica ligado à eco dação que se gua da do súbi o,do inespe ado. Po
ou o, adqui e uma dimensão de p edes inação,de ine i abilidade. Reco dação
e p edes inação,o an es e o depois que cons i uem os dois pila es de uma espé-
cie de no malização a que Lo man, segundo Lozano, chama “p ocesso de
José Rebelo
[20] _ In o mación y Comunicación
consciência”: passagem do o ui o ao egula ,do es anho ao no mal, do
imp e isí el ao ine i á el.
Dessa dualidade empo al esul a que o acon ecimen o seja, simul aneamen-
e, explicá el e explica i o. Explicá el pela p odução de “es ó ias” que o igina.
Explica i o pelo pode que anspo a, enquan o e elado daquilo que ele
( ans) o ma, ou pode ( ans) o ma ,nas pessoas e nas coisas.
Tal con luência de passado e de u u o não é alea ó ia. É ideológica.
Segundo os e ei os p e endidos,pode exp imi uma maio insis ência no pas-
sado ou uma maio insis ência no u u o.
O eg esso ao ins an e imedia amen e an e io ao acon ecimen o,objec o da
ope ação de media ização,é cheio de signi icado. Repa e-se no e ei o p oduzi-
do pela incessan e epe ição das imagens das o es,ainda de pé, logo seguidas
das imagens do seu desmo onamen o.Imagens de um empo quase sem
empo.Imagens que nos p endem. Imagens hipnó icas.Que ge am um sen i-
men o de a acção/ epulsão.Ou melho ,de uma epulsão que c esce com a
a acção que,em nós,elas despe am. As imagens do desmo onamen o não
nos dão apenas o desmo onamen o.Dão-nos bem mais do que isso.Dão-nos
a isão de um mundo a desmo ona -se.A não se que…
Mas é, ambém, cheio de signi icado a deslocação/ins alação da na a i a a
mon an e do acon ecimen o.Decididamen e, ompe-se a clássica lógica linea
segundo a qual o p esen e se explica a pelo passado e an e ia o u u o. Nas
sociedades adicionais,as na a i as mí icas,ins au ando uma o dem discu si-
a do mundo,p oduziam e ei os de sen ido a a és dos quais as coisas e am
legi imadas e i idas.A ememo ação (Heidegge ) dos acon ecimen os unda-
do es,da a sen ido aos acon ecimen os em cu so.Hoje,essa ajec ó ia in e -
e-se e são as inalidades p ojec adas no u u o que dão sen ido ao p esen e. O
p esen e si ua-se,cada ez menos,na con inuidade do passado.
Em l’Inhumain: cause ies su le emps, Jean-F ançois Lyo a d ala a já de um
«desa io» que,na sua opinião,es a ia a se lançado pela ecnologia elec ónica
às sociedades con empo âneas: o de subo dina o p esen e,que deixa ia de
desemboca num «depois» ince o e con ingen e,a um u u o cada ez mais
p ede e minado pela no as ecnologias de in o mação e comunicação. Lyo a d
aça a, assim, uma no a pe spec i a empo al pa a as sociedades capi alis as
em que udo se ia unção de es a égias – os jogos es a égicos – esul an es de
p e isões supo adas pelas ecnologias digi ais.A ac ualidade de um qualque
pe cu so não se ia mais do que a con i mação da sua p e isão,ou seja, o u u-
o se ia an ecipado pelo p esen e que o ealiza ia ou, no mínimo,o con igu a-
ia como possí el.
ISSN: 1696-2508 _ [21]
Os acon ecimen os como ac os de pala a
Reg essando à dualidade empo al da na a i a mediá ica do acon ecimen o.
Abundam os exemplos dessa jus i icação de um p esen e com um u u o
anunciado impe a i amen e.É o caso do discu so ac ual sob e a gue a p e-
en i a cujo p essupos o (Duc o , 1972: 5-24) assen a na inques ionabilidade
de um pe igo. O pe igo do e o ismo.O e o ismo enquan o p oblema
público que,p oclamam ins âncias de pode ,u ge acau ela .
3. Do acon ecimen o ao p oblema público
Segundo Gus ield, ci ado po Louis Qué é numa con e ência p onunciada
no Po o em Fe e ei o de 1999 (2001) a e i icação de um “p oblema públi-
co” implica: que ele seja assumido,enquan o p oblema, pela sociedade no seu
conjun o; que ele susci e deba e con adi ó io e con li ual; que ele es eja asso-
ciado a uma acção pública isando a sua esolução.Só que,a nossa con ibui-
ção pa a a de inição de um p oblema é bem meno do que se ia de supo .Di o
de ou a o ma: a ins i uição de um p oblema enquan o p oblema é, em g an-
de medida, ex e io a cada um de nós.Na maio ia das ezes,são-nos ex e io-
es,as es a égias conducen es à sua assunção colec i a e à sua colocação no
cen o de deba es, al como nos são ex e io es as acções,ou a simulação das
acções,que se p opõem esol ê-los.
O quo idiano é ei o de um e e no ilha ,em ziguezague,po en e p oble-
mas.Desemp ego. Insegu ança. Fal a de habi ação.P oblemas que são e não
são nossos p oblemas.São «nossos p oblemas» na medida em que nos a ec am
di ec amen e,em que,deles,somos í imas.Não são «nossos p oblemas», na
medida em que a sua génese nos é ex e io . T a a-se de p oblemas que conhe-
ce am um p ocesso de na u alização.E é, jus amen e,esse p ocesso de na u-
alização que nos az pe de a ideia de ex e io idade.Que az com que não en-
hamos consciência plena da cons ução de um i ine á io que,se não nos é
impos o,nos é insinuado.Que az com que se es abeleça uma espécie de cum-
plicidade en e dominan e e dominado, a a és da qual o dominado,negligen-
ciando a sua condição de dominado,ou nem seque dela se ape cebendo,
econhece,e ao econhece legi ima, undamen a, o es a u o do dominan e.
Ou, dizendo com Bou dieu, que az com que o dominado “se esqueça de si e
se igno e, subme endo-se [ao dominan e] da mesma manei a que con ibui, ao
econhecê-lo,pa a undá-lo” (1982: 119).
Os media cons i uem um dos disposi i os mais impo an es pa a o desen-
cadea desses p ocessos de na u alização. Pa a ab ica adesões. Pa a o ja
consensos,não os “consensos comuns” de inspi ação Kan iana mas os que
ocul am es a égias que G amsci designa ia po “hegemónicas”. Pa a con e -
e ,como po magia, uma his ó ia agmen ada, em unção de in e esses e de
José Rebelo
[22] _ In o mación y Comunicación
opo unidades,po ezes incon essá eis, numa con inuidade ei a de mu açõ-
es ão dissimuladas quan o incessan es.C iando,assim, uma apa en e “unida-
de indi isí el”, pa a eco e ao concei o de Husse l. Unidade que se mani es-
a ia sem in e upções,sem hia os.Unidade consen ida e com-sen ido en e “o
que acaba de se passa ” e “o que ai passa -se”.
On em e a Ben Laden e o A eganis ão,a Bósnia e o Koso o. Os massac es
no Ruanda e no Bu undi. O p ocesso de paz em Angola. A subida elei o al da
ex ema-di ei a eu opeia. Hoje é o genocídio no Sudão.As ca ica u as de
Maomé. A g ipe a iá ia. A i ó ia do Hamas.A ameaça nuclea do I ão.«Da
ca ás o e aé ea ao ciclone,do a en ado ao aciden e odo iá io,do ai -di e s
ao c ime de gue a, nos ec ãs ele isi os uma desg aça segue-se a ou a. E a
explicação do mundo eduz-se cada ez mais a uma ol a ao mundo do so i-
men o.Num bom no iciá io de ele isão,há cadá e es aos mon es,mães que
g i am, c ianças que cho am, casas de as adas e unidades de ajuda psicológica
que con idam as í imas a exp imi em a sua do .Comen adas com as mesmas
pala as,as mesmas ozes g a es,os mesmos olhos húmidos, odas as agé-
dias humanas acabam po se assemelha » exclama Elisabe h Lé y,p odu o a
do p og ama adio ónico Le P emie Pou oi ,consag ado aos media, emi ido
pela es ação F ance Cul u e (2006: 78).
É o ai-e- em das no ícias.Ou das supos as no ícias.
Hoje,as páginas dos jo nais,os empos de emissão adio ónica e ele isi a,
enchem-se com um assun o.Amanhã, o mesmo assun o desapa ece.Sem que
se conheça o seu desenlace (Rebelo,2003).
Na na a i a mediá ica não há, aliás,desenlace.
Em unção dos espec i os p ojec os edi o iais,da ep esen ação que cons-
oem dos seus lei o es,ou in es ou elespec ado es,os media na a i izam um
acon ecimen o.Depois,deixam-o cai po que o acon ecimen o e á a ingido o
seu momen o Kai os (Ma in, 1990-1991): momen o da mu ação quali a i a em
que o acon ecimen o deixa de se si ua na cu a do in e esse dec escen e pa a
se si ua na cu a do c escen e desin e esse.
E nós?
Ul apassados pelos discu sos, ex uais e iconog á icos,sal amos de no ícia
em no ícia. Renuncia emos a comp eende ,pela incapacidade de encon a ,no
in e io de nós mesmos,o im da na a i a? A iscamo-nos,pelo menos, a
acei a a amálgama. A in eg a a amálgama. Uma amálgama que ganha ia sen-
ido den o de nós.A iscamo-nos a me gulha na apa en e «unidade indi isí-
el». Po que a al e na i a é a descolagem, is o é, a exclusão do p ocesso global
de ecepção da in o mação ci culan e (5).
O ansbo dan e (Hen i-Pie e Jeudi) ou o azio.
ISSN: 1696-2508 _ [23]
Os acon ecimen os como ac os de pala a
Uma ez media izado,o acon ecimen o ai alimen a o p oblema público: o
ence amen o de uma áb ica e o ça, em nós,a ideia de c ise. Po sua ez, o
p oblema público cons i ui o quad o explica i o do acon ecimen o: é po
causa da c ise que a áb ica ence a.
P oblema público e acon ecimen o es abelecem, pois,en e si, au ên icas
elações de simbiose.O « e o ismo», enquan o p oblema público,cons i ui o
quad o explica i o do «11 de Se emb o». Po sua ez, o «11 de Se emb o» ali-
men a o p oblema público chamado « e o ismo»
O «11 de Se emb o»: cu ioso p ocesso de da ação.
Quando se e oca o «11 de Se emb o», não há quem desconheça o e e en-
e.E quando se e oca o «15 de Fe e ei o»?
No dia 15 de Fe e ei o de 2003, milhões de pessoas em odo o mundo in a-
dem a ua. Assim, de epen e.Sem que al ac o se de a a con ocações pa i-
dá ias adicionais.Mas,sim, a mensagens, apelos e pe ições que e ilham em
ede,essa “ma ca” dis in i a e es u u an e dos no os mo imen os sociais.
Globalização do p o es o.Em cada mani es ação mis u am-se línguas,e nias,
idades,posicionamen os polí icos,es ilos de ida. Em cada cidade a causa uni-
icado a é a mesma: “Não à gue a”. Uma causa que a a essou on ei as e é
ex e io a odas as on ei as.Nunca nada se i a de semelhan e.
O «11 de Se emb o» ma ca uma da a ( ai da e,como dizem os anceses).
O «15 de Fe e ei o» não ma ca uma da a, sal o, cla o es á, pa a os mili an-
es mais ac i os desses mo imen os sociais.
Po quê?
Po que, explica Jacques De ida, pa a ma ca da a é p eciso que o acon eci-
men o seja gene icamen e sen ido,de manei a apa en emen e imedia a, como
algo de singula .De ida insis e no uso da exp essão “apa en emen e imedia-
a” já que,ac escen a, esse sen imen o é mui o menos espon âneo do que pa e-
ce: “ele é, em g ande pa e,condicionado,quando não cons uído e,em odo
o caso,media izado po uma o midá el máquina ecno-socio-polí ica” (2001,
p. 134).
“Pela epe ição”, assinala Mosco ici, “a ideia dissocia-se do seu au o ; ans-
o ma-se numa e idência independen emen e do empo,do luga e da pessoa;
deixa de se a exp essão de quem ala e passa a se a exp essão da coisa de que
se ala” (1981: 198-199). Insacia elmen e epe ido nos media “numa espécie
de encan ação i ual, o ma esconju a ó ia, li ania jo nalís ica, e ão e ó ico”
(2001: 134), o “11 de Se emb o”, aliado ao concei o de “ e o ismo”, ganha
au onomia. Impõe-se-nos.Insc e e-se no nosso discu so o diná io.Inco po a
o nosso exé ci o de p é-concei os (Gadame ,1995: 110). E quan o maio o
José Rebelo
[24] _ In o mación y Comunicación
a sua au onomia e quan o mais se nos impuse ,mais se nos escapa a sua
dimensão ins umen al. A sua a bi a iedade.A sua ambiguidade.
4. Po encialidades e limi es da acção colec i a
Os media não cons i uem um pode homogéneo e au ónomo.Mais do que
um pode ,eles são um luga de c uzamen o de pode es.São,em cada ins an-
e,a exp essão de uma elação de o ças.Segundo essa elação de o ças des-
en ol em-se,no in e io dos media, os mecanismos de ga ekeeping e de news-
making, e mos já consag ados na sociologia da comunicação (Rebelo,2002:
36-38). Segundo essa elação de o ças,os media ac uam na sociedade en ol-
en e.Mas,pos o que essa elação de o ças é uma elação social, a sociedade
en ol en e ai ambém, po seu lado,ac ua sob e os media. Os media com-
po am-se,po an o,como sujei os e como objec os de uma sociedade onde
se en elaçam expe iências,acções colec i as le adas a cabo,nomeadamen e,
po indi íduos do ados de uma “passibilidade” supe io .
Louis Qué é de ine “passibilidade”, pala a pouco comum, a pa i do seu
an ónimo,“impassibili é”: “é impassí el aquele que não é suscep í el de se
ocado,a ec ado,pe u bado,emocionado pelo que lhe acon ece e,po conse-
guin e,de supo a ,de aguen a ,de so e o que que que seja (2005: 66).
A i ma emos,en ão,que são do ados de uma “passibilidade” supe io os indi-
íduos pa icula men e ocados,a ec ados,pe u bados,emocionados pelo
que lhes acon ece e,po conseguin e,capazes de supo a ,de aguen a ,de
so e o que que que seja. Di o de ou a o ma: são do ados de uma “passi-
bilidade” supe io os indi íduos que ecusam a in-di e ença, a in-signi icância,
a des- ealização das coisas.
A sua acção,emp eendida no con ex o de uma sociedade democ á ica, pode
i a p o ei o da “des e i o ialização”, das “linhas de uga” de que nos alam
Gilles Deleuze e Félix Gua a i (1976, 1980). E culmina em na denúncia de
p ocessos de na u alização ou na con igu ação de no os campos p oblemá i-
cos.Assim, po exemplo,as aspi ações ecologis as modi ica am, po comple-
o,as ep esen ações da ida no plane a. Tal como as no as elações en e
sexos modi ica am, po comple o,as ep esen ações da ida em amília.
E chegamos à ques ão de undo.Cada época é ma cada, dece o,po sis e-
mas de alo ,po eg as de compo amen o que uma sociologia do senso
comum pode es uda .Cada época é ma cada po discu so de anscendência
(Cha audeau, 1997) des inados a delimi a campos p oblemá icos.Sis emas de
alo , eg as de compo amen o,discu sos de anscendência que in adem as
páginas dos g andes jo nais.Que sa u am as g andes cadeias de ele isão e as
g andes es ações de ádio.
ISSN: 1696-2508 _ [25]
Os acon ecimen os como ac os de pala a