scieee Science in your language
[pt] (orig)

Precariado e Género: a trajectória de mulheres portuguesas rumo a uma nova classe emformação

Abstract

A partir das características apontadas por Standing para definir o conceito de precariado, esta investigação foca-se no caso particular de mulheres portuguesas diplomadas, que acreditaram que o ensino superior lhes permitiria ter uma carreira e uma trajectória segura de trabalho. Os dados foram recolhidos através de entrevistas semiestruturadas, analisados de acordo com as técnicas de análise de conteúdo, e codificadas com o auxílio do software Atlas/TI. Os resultados evidenciam como estas experiências profissionais estão na base de sentimentos associados à frustração de estatuto, ausência de perspectivas seguras de futuro e por uma maior vulnerabilidade às armadilhas da precariedade.

Read accessible full text

Precariado e Género: a trajectória de mulheres portuguesas rumo a uma nova classe emformação

Author: Ornelas, Marta Gorete; Matos, Fátima Regina; Machado, Diego; Mesquita, Rafael
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2017
Source: https://idus.us.es/bitstreams/a8e8ae46-2dea-4480-b499-4ffabc9fe41d/download
Decembe 21, 2017
P eca iado e Géne o: a ajec ó ia de mulhe es po uguesas umo a uma no a classe em
o mação
ins i ucional.us.es/ambi os/
Ma a Go e e Rod igues O nelas
Ins i u o Supe io Miguel To ga (Po ugal)
mg o [email protected]
Fá ima Regina Ney Ma os
Ins i u o Supe io Miguel To ga (Po ugal)
Uni e sidade Po igua (B asil)
neyma [email protected]
Diego de Quei oz Machado
Uni e sidade Fede al do Cea á (B asil)
[email p o ec ed]
Ra ael Fe nandes de Mesqui a
Uni e sidade Po igua (B asil)
Ins i u o Fede al de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí-IFPI (B asil)
a ael. e nandes@i pi.edu.b
English Ve sion: P eca i y and gende : he ajec o y o po uguese women owa ds a new class in aining.
A pa i das ca ac e ís icas apon adas po S anding pa a de ini o concei o de p eca iado, es a in es igação oca-se no caso
pa icula de mulhe es po uguesas diplomadas, que ac edi a am que o ensino supe io lhes pe mi i ia e uma ca ei a e uma
ajec ó ia segu a de abalho. Os dados o am ecolhidos a a és de en e is as semies u u adas, analisados de aco do com
as écnicas de análise de con eúdo, e codi icadas com o auxílio do so wa e A las/TI. Os esul ados e idenciam como es as
expe iências p o issionais es ão na base de sen imen os associados à us ação de es a u o, ausência de pe spec i as
segu as de u u o e po uma maio ulne abilidade às a madilhas da p eca iedade.
Pala as-cha e: P eca iado, Mulhe es, T abalho, Flexibilidade.
Abs ac : Based on he cha ac e is ics poin ed ou by S anding o de ine he concep o p eca ia , his esea ch ocuses on he speci ic case o
Po uguese women g adua es, who belie ed ha highe educa ion would allow hem o ha e a ca ee and a sa e ca ee pa h. Da a we e collec ed
h ough semi-s uc u ed in e iews, analyzed acco ding o he echniques o con en analysis, and coded wi h he aid o A las / TI so wa e. The esul s
show how hese p o essional expe iences a e based on eelings associa ed wi h s a us us a ion, lack o secu e u u e p ospec s, and g ea e
ulne abili y o p eca iousness aps.
Keywo ds: P eca ia , Women, Labo , Flexibili y.
1. INTRODUÇÃO
Es e p ojec o pa ia da hipó ese lançada po S anding segundo a qual o en ec uzamen o das polí icas neolibe ais com a globalização
económica c iou as condições pa a o apa ecimen o de uma no a es u u a de classes, onde se inclui aquela que o au o designa de
“p eca iado”. Es a “classe” ca ac e iza-se po no os ipos de elações, cada ez mais ins á eis, de p odução, de dis ibuição e de
elações com o Es ado.
O p eca iado ap esen a ao ní el des as elações algo que pa ece se único na his ó ia: a a-se da p imei a classe em que a eg a é possui um ní el
de quali icações (compe ências e habilidades) supe io ao ipo de abalho que desempenha ou pode aspi a a desempenha (S anding, 2013a; 2014c),
com uma o e penalização das mulhe es que, a a és da eadap ação das dinâmicas de desigualdade, assumem ago a, po odo o mundo, o luga de
“ abalhado ideal”.
Depois de ge ações de es o ço pa a in eg a a igualdade da mulhe no abalho assala iado, assis imos a uma es u u ação do abalho que o em
ap oximado das ca ac e ís icas a ibuídas no passado aos abalhos emininos, ou ealizados exclusi amen e po mulhe es: ulne abilidade, empos de
abalho emune ado e não emune ado, salá ios mais baixos e sem espei o pelos ho á ios labo ais (S anding, 1999; Oksala, 2013; Mo ini & Be gas,
2014).
Tal como explica Judi h Re el no p e ácio à ob a de Mo ini & Be gas (2014), a eminização do abalho, nes e sen ido, não é somen e o nome que
indica a en ada massi a das mulhe es no me cado de abalho é ambém e, sob e udo, a ex ensão assus ado a das condições de explo ação e
sujeição, que his o icamen e pe encem às mulhe es, ala gada à oda a es e a de p odução. E nes e con ex o a mulhe ê-se ago a expos a a uma
“dupla pena” – como uma sub igu a empu ada pa a as ma gens da sua p óp ia condição (Mo ini & Be gas, 2014).
A opção pelo es udo des e g upo p e ende aze à discussão a p emissa comummen e acei e de que a mode nização do es a u o social, labo al e
educa i o da mulhe é, po si só, um c i é io de desen ol imen o dos países. Se po um lado as mulhe es es ão em maio núme o no ensino supe io
desde meados dos anos 80 (Fe ei a, 1998), po ou o, os dados nacionais mais ecen es disponí eis [1], ela i os a 2015, mos am que a di e ença
sala ial en e homens e mulhe es pe sis e, sendo de 16,7% na emune ação média mensal de e de 19,9% no ganho médio mensal (que con ém ou as
componen es do salá io, ais como compensação po abalho suplemen a , p émios e ou os bene ícios, ge almen e de ca ác e disc icioná io), ambos
em des a o das mulhe es. Es a di e ença aumen a à medida que aumen a o ní el de quali icação, sendo pa icula men e ele ado en e os quad os
supe io es, onde a emune ação média mensal de base das mulhe es ep esen a a 73,6% da emune ação dos homens, enquan o o ganho
ep esen a a 72,1% ace à média dos homens (CITE, 2015).
A pa i das ca ac e ís icas apon adas po S anding pa a de ini o concei o de p eca iado, es a in es igação deb uça-se sob e um dos aspec os
dis in i os des a “classe em o mação”: as elações de p odução, especi icamen e no caso pa icula de mulhe es diplomadas em Po ugal, que
ac edi a am que o ensino supe io lhes pe mi i ia e uma ca ei a e uma ajec ó ia segu a de abalho. A ese de S anding (2013a; 2014a; 2014c)
1/12
assen a na hipó ese de que a consciência da con adição exis en e en e o abalho execu ado e a capacidade de abalho (labou powe ), p o ocada
pela al a de opo unidade pa a de ini e man e sob con olo na a i as ou ajec ó ias pessoais de abalho, pa ece c ia um sen imen o de dissonância
de es a u o social, di ando i ências ma cadas pela alienação, us ação de es a u o e de p i ação em elação ao u u o e maio ulne abilidade às
a madilhas da p eca iedade (O nelas, Ma os, Machado & Mesqui a, 2017).
2. O NEOLIBERALISMO ENQUANTO PROMESSA DE EMANCIPAÇÃO DA MULHER
A e a da globalização e e e-se a uma sé ie complexa de e en os com início nos anos 1970 que eúne uma mul iplicidade de mudanças nos con o nos
da economia, da polí ica e da ida social. (e.g. Bauman, 1998; Giddens, 1999; Beck, 2000; Ha d & Neg i, 2000)
De aco do com Eisens ein (2005), a p o unda ees u u ação da economia dos EUA e do mundo, desde 1970, co esponde à ascensão do mo imen o
das mulhe es du an e o mesmo pe íodo e e ela o uso de algumas ideologias e p á icas des e mo imen o em a o do capi alismo. Em pa icula , o
declínio do o denado amília e a abolição do Es ado Social, o uso do mic oc édi o e do abalho eminino nas zonas de p ocessamen o de expo ação
nos países em “ ia de desen ol imen o”, podem encon a undamen o nas ideias eminis as. De a o, a c í ica ao p edomínio de uma economia
es a izada, and ocên ica, di igis a e nacionalis a, ei a pela segunda aga de eminismos, coincidiu com a c í ica que os ideólogos do neolibe alismo da
Escola de Chicago (bem como as endências neolibe ais eu opeias) di igiam à in e enção do Es ado na economia. Es as ideologias c i ica am
igualmen e a excessi a egulação, as es ei as on ei as dos nacionalismos, ace às possibilidades o e ecidas pela li e ci culação do capi al e pelo
li e uncionamen o dos me cados (F ase , 2009).
Con udo, como ealçam F ase (2009) e Eisens ein (2009), à medida que as ei indicações da segunda aga de eminismo se encon am e coincidem
com as ideologias neolibe ais, a con adição ins ala-se no mundo labo al. A c escen e p essão pela “compe i i idade”, com a co esponden e
des egulação do abalho – em a o , semp e, da mão-de-ob a ba a a, c ia am condições pa a o su gimen o de uma es u u a de classes mais
agmen ada, onde S anding inclui o p eca iado: “Não é a classe média esmagada, nem uma classe in e io , nem a classe mais baixa da classe
abalhado a” (2014a:18).
A eminização do abalho su ge, assim, como um duplo mo imen o, a en ada massi a das mulhe es no me cado de abalho, mas ambém e
sob e udo, a ex ensão assus ado a das condições de explo ação e sujeição, que his o icamen e pe encem às mulhe es, ala gada à oda a es e a de
p odução, possí eis pela in odução de uma sé ie de p e oga i as da ges ão sob e a o ganização e as condições de abalho, p óp ias das polí icas
neolibe ais (S anding, 1999; Oksala, 2013; Mo ini & Be gas, 2014).
Exa amen e po que o abalho das mulhe es é um ecu so cen al pa a o capi al global (Acke , 2004), e po que a condição his ó ica das mulhe es
o nou-se a medida de explo ação de odas as pessoas (Mo ini & Be gas, 2014), ambém não é possí el ala de globalização sem e em con a o
duplo sen ido da “ eminização” do abalho e o su gimen o do p eca iado.
3. FRAGMENTAÇÃO DA ESTRUTURA DE CLASSES E O SURGIMENTO DO PRECARIADO
S anding (2013a; 2014e) assen a a sua a gumen ação em de esa do concei o do p eca iado, enquan o classe, numa de inição idimensional de
elações: elações especí icas de p odução, elações especí icas de dis ibuição ( on es de endimen o) e elações especí icas com o Es ado. Es a
combinação p oduz uma consciência dis in a das e o mas e polí icas sociais desejá eis. No e-se que a inclusão explíci a das elações com o Es ado,
como um dos aspec os dis in i os da de inição de classe, é bas an e signi ica i a, chamando a a enção pa a a c escen e ma ginalização de mui as
pessoas em elação aos di ei os no malmen e associados à cidadania.
Em p imei o luga , em-se a dimensão das elações de p odução. Es as são, sob e udo, ca ac e izadas po uma p eca ização exis encial, já que o
abalho insegu o, os con a os a e mo e a cons an e al e nância en e es a emp egado e es a desemp egado, conduzem ambém a uma
p eca ização das ou as dimensões da ida. (S anding, 2014d; 2014e). Os aços que ca ac e izam es a elação são:
1. Ausência de uma iden idade ou na a i a ocupacional – A lexibilidade não se e i ica apenas no ínculo labo al, conc e iza-se ambém na
ca ego ia p o issional e, mui as ezes ambém, no con eúdo uncional. O p eca iado expe iencia an o a insegu ança de emp ego, como a
insegu ança p o issional. Es a si uação é on e de us ação, alienação, ansiedade e anomia (S anding, 2014d; 2014e).
2. Fal a de con olo sob e o empo ( enómeno do empo se icializado) – Mais do que o abalho p ecá io em si (que semp e exis iu), o p eca iado
ê-se o çado a aze uma ele ada quan idade de abalho que não é econhecido como abalho, nem pago como al (wo k- o -labou ). De e
es a semp e disponí el pa a o abalho, p on o pa a p o a que que abalha e, ainda, es a p epa ado pa a acei a no os ipos de emp egos.
Es a pe da de con olo sob e o empo ende a ge a uma men e p eca izada, que mani es a cansaço, s ess, us ação e incapacidade de
p io iza e agi coe en emen e. (S anding, 2014d; 2014e).
3. Excesso de habili ações – P imei o g upo de abalhado es/as pa a o qual a eg a é possui um ní el de habili ações supe io ao ipo de abalho
que pode ão aspi a ou que pode ão e -se ob igados a desempenha . Es a ci cuns ância p o oca um sen imen o de us ação de es a u o e
o mas de alienação p o undamen e es u u ais. (S anding, 2014d; 2014e).
4. Desp endimen o psicológico do abalho – Uma ez que as elações labo ais são in e mi en es ou implicam um ínculo ins umen al, o p eca iado
não desen ol e uma alsa consciência p o issional (S anding, 2014d; 2014e).
Em segundo luga , es ão as elações de dis ibuição. O endimen o do p eca iado es á concen ado no endimen o do abalho, sob e udo nos
o denados em dinhei o. A sua si uação lexí el não lhes pe mi e con a com a maio ia dos bene ícios dados pelas emp esas a abalhado es com
ca ei a e, mui as ezes, ambém não chegam a euni equisi os, como o empo de descon os, ou a passa com sucesso na p o a de condição de
ecu sos pa a e acesso aos apoios do Es ado. Es a ealidade ans o ma os memb os do p eca iado em suplican es, dependen es de decisões
disc icioná ias de ou os pa a sob e i e . Os aspec os des a elação são:
1. Ince eza – A exclusi a dependência do salá io em dinhei o p o oca uma ince eza económica c ónica. (S anding, 2014d; 2014e). Es a ince eza
não pode se con undida com noção de isco. Em economia, uma dis inção clássica en e isco e ince eza é a p opos a po F ank Knigh , na sua
ob a Risk, Unce ain y, and P o i (1964, pp. 22-48). O isco é conside ado como uma p obabilidade mensu á el, a ince eza é de inida como
uma si uação exp essa po alo es inde e minados e não quan i icá eis, is o é, e e e-se a uma si uação de “p obabilidade nume icamen e
imensu á el”.
2. Declínio da mobilidade social – Desde o início da e a da globalização, na maio pa e da Eu opa e Amé ica do No e, a mobilidade social
diminuiu, jun amen e com a c escen e desigualdade de endimen o (Blanden, G egg and Machin, 2005; Sawhill, 2008; OECD, 2010; S anding,
2013a, 2014d, 2014e).
2/12
Em e cei o luga , es ão as elações com o Es ado. A p essão exe cida po odos os aspec os an e io men e desc i os, o emen e impulsionados pelos
p ocessos de globalização do abalho, es á a p o oca uma e osão sis emá ica nos di ei os de cidadania his o icamen e consag ados: ci is, cul u ais,
polí icos, sociais e económicos. Es a ealidade ans o ma mui as pessoas que i em no p eca iado em subcidadãos [denizen] (S anding, 2014d;
2014e).
A conjugação en e os me cados de abalho lexí eis e o uncionamen o do sis ema de segu ança social con ibui pa a o úl imo aspec o que
ca ac e iza o p eca iado: as a madilhas da p eca iedade e da pob eza. Es as a madilhas são causadas pela impossibilidade de con abalança os
cus os/bene ícios da acei ação de qualque emp ego (S anding, 2014e).
4. METODOLOGIA
Es e abalho em um ca ác e explo a ó io, a é pelo ac o de aze uso de uma a iação concep ual (não con undi “ e mo” e “concei o”) que ac escen a
no os aços ao concei o de “p eca iado” al como cunhado po Cas el e Bou dieu, nos anos 80. Tal como, os usos “p eca iedade” e “p eca ização”,
êm se ido sob e udo pa a desc e e de e minadas condições labo ais, ou ainda pa a discu i o mas de au o-exclusão, mui o ípico nos discu sos
neolibe ais, pa a explica as i ências daqueles que são incapazes de “ ence ” na sociedade. Do pon o de is a me odológico, a nossa abo dagem
jus i ica-se pela necessidade de “desen ol e , escla ece e modi ica concei os e ideias, com is a na o mulação de p oblemas mais p ecisos ou
hipó eses pesquisá eis pa a es udos pos e io es” (Gil, 1989, pp. 44-45).
Nes e abalho oi escolhida a abo dagem quali a i a endo em is a a sua elação com “o uni e so de signi icados, mo i os, aspi ações, c enças,
alo es e a i udes, o que co esponde a um espaço mais p o undo das elações, dos p ocessos e dos enómenos que não podem se eduzidos à
ope acionalização de a iá eis” (Minayo, 1994, p. 22). Assim, a modalidade adop ada pa a es a in es igação oi, de aco do com a ipologia p opos a
po Me iam (1998), o es udo quali a i o básico ou gené ico, de o ma a possibili a a desc ição das pe spe i as e isões de mundo das pessoas
en ol idas (Mesqui a, Sousa, Ma ins & Ma os, 2014; Mesqui a & Ma os, 2014).
Como c i é io de inse ção o am seleccionadas mulhe es diplomadas que se encon am em si uação p o issional p ecá ia. Todas as esponden es
inham a expec a i a que o ensino supe io lhes p opo ciona ia uma ca ei a na sua á ea de especialidade. Todas à excepção da mais no a, já i e am
expe iências de abalho nas suas á eas de o mação académica, mas nenhuma conseguiu a é ao momen o, que isso se aduzisse em segu ança,
que inancei a, que p o issional. A iden i icação de po enciais esponden es iniciou-se a pa i do c i é io de acessibilidade e con inuou com a
es a égia “bola-de-ne e”, na qual uma pa icipan e apon ou ou as que possuíssem ca ac e ís icas de in e esse na in es igação. Es e mé odo é ú il no
acesso a populações di íceis de iden i ica (Bogdan & Biklen, 1994). Impo a ealça que hou e alguma di iculdade em consegui olun á ias pa a es e
es udo. Algumas mulhe es nes a si uação e ela am eceio de se em iden i icadas, sob e udo pela en idade pa onal, pe cebendo-se ainda alguma
e gonha social pela si uação i ida.
A abela 1 esquema iza a in o mação conside ada impo an e pa a con ex ualiza a ajec ó ia p o issional e pessoal de cada en e is ada. Pa a
p ese a o anonima o das en e is adas, as suas comunicações são assinaladas com a le a “E”, seguida pelo núme o que co esponde à o dem pela
qual a en e is a oi ealizada, de aco do com a abela 1.
A ecolha de dados oi ealizada po meio de en e is as indi iduais semies u u adas a mulhe es diplomadas que se encon am em si uação
p o issional p ecá ia, con idando-as a aze uma desc ição das suas pe cepções sob e os ópicos e dimensões, seleccionadas de aco do com os
abalhos de S anding sob e o p eca iado.
O p o ocolo da en e is a consis iu numa solici ação pa a a en e is ada aze um pequeno esumo do seu pe cu so académico, bem como uma
ap eciação sob e o e lexo desse pe cu so em e mos p o issionais ( ínculos, pe íodos de desemp ego). A pa i des a p imei a ques ão, a en e is a oi
sendo desen ol ida de modo a pe cebe as seguin es ques ões: Como é se iden i ica am p o issionalmen e quando al lhe e a solici ado (po exemplo
em o mulá ios o iciais ou em espos as a anúncios de emp ego; Em que á eas é que p ocu a am emp ego e se acei a iam abalha numa á ea
comple amen e di e en es e mui o abaixo das suas quali icações o mais (se ainda não osse o caso). O que pesa ia / pesa nes a decisão; Como é que
desc e em a sua elação com o abalho e que ac o es a mo i am a i pa a o emp ego odos os dias; Como é que azem a ges ão das suas
ac i idades/quais são; Que pe spe i as êm em elação ao u u o; composição do endimen o (dependem ou não de ou as ajudas); O que espondem
às pessoas que lhes dizem pa a a isca , po exemplo com um negócio p óp io ou emig a , ou que se calha não se es o ça o su icien e; Sen em que
os seus di ei os undamen ais es ão assegu ados (ci il, polí ico, cul u al, social e económico); Como é que desc e em a sua elação
( ep esen a i idade) com o Es ado. Essas en e is as du a am ce ca de 30 a 40 minu os, o am conduzidas ia Skype e g a adas com a conco dância
das en e is adas.
3/12
A análise de dados seguiu as écnicas de Análise de Con eúdo p opos as po Ba din (1977), mais especi icamen e a análise emá ica a pa i do
mé odo ca ego ial. As ca ego ias es abelecidas co espondem às já e e idas po S anding, nos seus abalhos sob e o p eca iado, ag upadas em
amílias, de aco do com a sua con ibuição pa a as consequências mais p esen es na acção do p eca iado que é cons i uída po pessoas com
o mação académica (S anding 2013a; 2014d; 2014b), con o me abela 2.
Cada ansc ição oi cuidadosamen e lida á ias ezes e o am des acados os emas eme gen es, elacionados com as ca ac e ís icas des e g upo,
associadas ao excesso de habili ações em elação ao abalho que desempenham, nomeadamen e a dissonância de es a u o, a al a de sen ido de
u u o, a ausência de uma na a i a p o issional e a insegu ança.
Pa a a análise dos dados e pos e io codi icação associou-se à écnica da Análise de Con eúdo o so wa e A las/TI, e são 7.0. Os esul ados ge ados
pelo so wa e A las/TI pe mi e-nos isualiza a ede de elações exis en es en e os di e en es códigos (ca ego ias e amílias), a o ça des as elações,
o núme o de ci ações exis en es pa a cada ca ego ia, e ainda a quan idade de elações que cada ca ego ia em com as es an es (Figu a 1).
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A consciência da con adição exis en e en e o abalho que execu am e a capacidade de abalho que possuem es á e lec ida nos pe cu sos
ap esen ados pelas en e is adas. A al a de opo unidade de cons ui e man e sob con olo na a i as p o issionais assen es nas suas eais
quali icações mani es a-se pela e balização de sen imen os associados à us ação de es a u o e à p i ação de u u o.
O in es imen o na educação em sido ap esen ado nos discu sos polí icos como a solução pa a os p oblemas da aca compe i i idade do nosso país.
No caso especí ico das mulhe es, o acesso à educação e o mação oi semp e apon ado como um dos ac o es decisi os pa a a sua emancipação
económica, ci il e polí ica.
O in es imen o na quali icação de ní el supe io como meio de alcança independência económica é desc i o aqui po uma licenciada em di ei o:
Tenho 40, aço 41 es e mês. En ei pa a a uni e sidade com 18 anos, ui pa a uma p i ada i a Di ei o, semp e achei desde c iança que ia i a Di ei o,
mas isso é ou a his ó ia que não in e essa. Andei 6 anos a pensa : ok, ou se ad ogada e ou e uma ida ma a ilhosa…aquelas coisas que eu acho
que odas pensamos. Com cu so, o es ágio e a o dem dos ad ogados acabei udo com 27. Comecei a en ia cu ículos… a é que ealmen e começou
a se um ano sem aze p a icamen e nada e comecei a e que não ia se penalis a. Pensei: eu que o sai de casa, enho p a icamen e 28 anos e
que o abalha (E ).
A desilusão p esen e nes a desc ição ilus a bem o desajus e en e a p omessa do in es imen o em quali icações supe io es e o seu e o no eal: “um
ano sem aze nada”.
A p eocupação com a ins ução e a educação das mulhe es oi especialmen e ele an e no con ex o e desen ol imen o do mo imen o eminis a
po uguês. Conside a a-se que o anal abe ismo cul u al e in elec ual das mulhe es e a decisi o não só pa a a de inição do seu es a u o de
subal e nidade, mas ambém pa a o seu p ocesso de emancipação (Sil a, 1983). A eminização do ensino supe io em Po ugal, embo a já isí el no
ano lec i o de 1960/61, com as mulhe es a ep esen a em 31,4% dos es udan es massi ica-se sob e udo a pa i de meados dos anos 80 (Fe ei a,
1998), al u a a pa i da qual a pe cen agem de mulhe es insc i as no ensino supe io oi semp e, de aco do com a base de dados Po da a [2] (2017),
supe io à dos homens. Es e emp eendimen o em Po ugal não pode se des inculado do im da di adu a, em 1974, acon ecimen o que coincidiu com
o a anço das co en es de pensamen o neolibe ais no mundo ociden al. De a o, a cons ução de um sis ema de me cado global e e impo an es
consequências em odas as dimensões da ida.
O sis ema de ensino em indo a ans o ma -se numa indús ia de p ocessamen o de diplomas e quali icações, com cada ez menos es udan es a
consegui em o e o no do seu in es imen o.
Po an o, já inha quase 40 anos quando i e o meu p imei o con a o de abalho. Só que e a um con a o, nes e p og ama Ciência 2007, com im. Só
du a a cinco anos. (…) Depois o p og ama acabou, sem possibilidade de eno ação. (…) Fomos odos pa a ao desemp ego… (E ).
Uma das ace as da me can ilização da educação é a p oli e ação dos es ágios. Os es ágios, inicialmen e enca ados como um modo de ganha
expe iência e que, em p incípio, inham como objec i o a in eg ação do es agiá io na emp esa, êm sido u ilizados po mui as emp esas como abalho
ba a o e dispensá el, uncionando como uma in eg ação desquali ican e no me cado de abalho (Paugam, 2000).
Sendo um es ágio cu icula (em á eas di e en es) – não é emune ado, pode-se aze quan os quise ! E já ai pe cebe po que é que es ou a dize
is o… P on o, en ei pa a a [emp esa de consul ado ia] pa a o e cei o es ágio cu icula , e a ce ca de 3 meses. Depois iz o es ágio p o issional a
segui , de 9 meses (…) Em Junho do ano passado, comecei a aze uma o mação de 3 meses em p og amação em Ja a e ambém, po que a pa i de
5
1
4/12
“x” ho as emos di ei o a um es ágio cu icula – O 4º es ágio cu icula ! ( isos) que é onde es ou ago a. (…) Sendo que e a acul a i o, mas o meu
in ui o oi mais uma ez en a na á ea de alguma o ma. P on o, mas ambém já i e conhecimen o, que não ão pode ica comigo. Ou seja, o am
mais 6 meses a abalha de g aça (E ).
Pe cebe-se nes a passagem como o sis ema pode se sub e si o. Po um lado, os ecém-licenciados compe em po es es es ágios não emune ados,
ou inanciados pelo Ins i u o Emp ego e Fo mação P o issional, na espe ança de “en a na á ea de alguma o ma”. Po ou o lado, as emp esas não
só não êm limi e pa a a quan idade de es agiá ios que podem ecebe , como ambém são p essionadas, pelas emp esas de o mação e pelo p óp io
uncionamen o dos sis emas de ensino supe io , pa a ecebê-los.
A p opagação dos es ágios em uncionado como impulso do c escimen o do p eca iado. Os jo ens, na espe ança de consegui uma opo unidade de
abalho, sujei am-se a abalho ba a o e sem pe spec i as de p og essão, ao mesmo empo em que exe cem p essão sob e os es an es
abalhado es e sob e o alo do abalho (S anding, 2014a).
Eu acho que is o é comple amen e dispa a ado, es ágios assim…se bem que a culpa ambém é nossa po nos…po expo mos… não é bem expo mo-
nos, acabamos po compac ua , is o po que – no meu caso- emos semp e aquela espe ança de ica , como já acon eceu uma ez…pode acon ece
ou a ez, não é? É um bocadinho com essa espe ança, po que como lhe disse há bocadinho na ou a emp esa de Coimb a oi assim que eu en ei,
com um es ágio cu icula (E ).
Os emp egado es, cada ez mais p essionados pela compe i i idade global, en am a odo o cus o adap a os ní eis de con a ação aos ní eis de
p odução. O e mo “ lexibilidade” su ge, nas úl imas décadas, como um dos ocábulos mais epe idos nos discu sos dos go e nan es e dos
emp esá ios. A necessidade de in oduzi p á icas lexí eis nas elações de abalho em como a gumen o undamen al a necessidade de
acionalização da ac i idade económica e de es ímulo à p odu i idade. Es es a gumen os assen am na ideia segundo a qual a compe i i idade
depende da agilidade e elas icidade dos p ocessos p odu i os, do sis ema o ganizacional e do sis ema de emp ego (Dua e, 2011:15-16).
A p es ação de abalho em egime independen e, bem como os con a os a p azo, são as modalidades de abalho que melho se adequam a um
sis ema que p ecisa de se ajus a pe manen emen e à lei da o e a e da p ocu a.
As consequências das á ias o mas de lexibilidade são mui as ezes d amá icas pa a es as mulhe es. Uma das consequências é, sem dú ida, a
pe da de di ei os – os quais es ão mais associados a um con a o de abalho es á el –, a pa , e iden emen e, da impossibilidade de cons ui uma
ca ei a na á ea da sua especialidade:
En e an o enho abalhado [depois de e deixado de lecciona ]. T abalhei num ba , abalhei num es au an e e ago a es ou a abalha como écnica
adminis a i a. (…) E a semp e com con a o. Mas po ezes e am con a os de 3 meses ou 6 meses, logo depois não conseguia e di ei o ao undo de
desemp ego po que… sal o e o, p ecisá amos de e 9 meses (E ).
A impossibilidade de man e um ínculo es á el nas elações de p odução em ambém como consequência a p eca iedade na elação com o Es ado,
uma ez que se segue da ausência de con a o de abalho, ou da sua in e mi ência, a impossibilidade de acesso aos di ei os concedidos pela
acumulação e es abilidade de ínculos labo ais, al como desc i o nas expe iências ap esen adas. A p eca iedade na elação com o Es ado signi ica
ambém uma di iculdade de exe cício de a o do alo da igualdade e do acesso à polí ica. O denizen não consegue exe ce a sua cidadania nas
mesmas condições de igualdade. Se é na acção que os di ei os e dadei amen e se exe cem, as consequências polí icas da p eca ização dos ês
ipos de elações pode ão se desas osas.
As elações de abalho lexí eis in oduzem a ques ão da “ eme can ilização” do abalho, que de aco do com S anding, em sido a p incipal causa
di ec a do aumen o do p eca iado global (S anding, 2014a) e é essencial pa a pe cebe a sua pe da sis emá ica de di ei os.
As expe iências an e io men e desc i as si uam-se odas no âmbi o do sec o de se iços. O c escimen o des e sec o é uma das ca ac e ís icas da
globalização e oi acompanhado pelo aumen o do emp ego eminino. Em Po ugal es e alo passa de 477.0 em 1974 pa a 1.796,5 em 2016 (Po da a,
2016). A companhia de segu os onde uma das en e is adas abalha é um bom exemplo des a ealidade:
“[…] a companhia em imensas mulhe es, naquela emp esa sei lá …85% são mulhe es” (E ).
A axa de eminização no sec o de se iços, associada à maio lexibilização das elações de abalho, em sido duplamen e penalizado a pa a as
mulhe es. O abalho no sec o de se iços es á no malmen e associado à aca o ça manual e à pouca impo ância de sis emas de ap endizagem de
longo p azo, jus i icando-se assim, os baixos salá ios. Po ou o lado, os eceios de que a con a ação de mulhe es possa en ol e cus os não sala iais,
associados à g a idez ou a ausências pa a acompanha os ilhos, o nam-se menos signi ica i os se as elações labo ais o em de inidas po con a os
de cu a du ação ou não incula i os, como é o caso da p es ação de se iços e dos es ágios (S anding, 2014a).
De aco do com Casaca (2010:283), “a maio agilização dos ínculos con a uais, a insegu ança de emp ego e o abalho a empo pa cial in olun á io,
a ingem sob e udo a população abalhado a eminina”, o que pe mi e que o seu abalho seja duplamen e ap o ei ado pelo capi al global. T a a-se de
um enómeno pa adoxal. Po um lado, a pe sis ência da imagem dos “co pos dóceis” (Foucaul , 1987), pe ei os pa a o abalho o inei o e sem
pe spec i as e, po ou o, o uso de imagens, de ideologias de eminilidade, pa a cons ui modelos de abalhado as e se iços desejá eis (Acke ,
2004).
A é aqui, oi já possí el mos a como alguns aspec os da combinação de elações dis in as de p odução, de dis ibuição e com o Es ado, se combinam
e elacionam na o mação de expe iências que não pe mi em a de inição de na a i as ou ajec ó ias pessoais de abalho segu as e g a i ican es.
Ve emos a segui , com base ainda nas expe iências des as mulhe es, como a consciência da con adição exis en e en e o abalho execu ado e a
capacidade de abalho (labou powe ), esul am em i ências ma cadas pela us ação de es a u o e p i ação em elação ao u u o, con ibuindo pa a
uma maio ulne abilidade em elação às a madilhas da p eca iedade.
5.1. F us ação de es a u o
A p eca iedade nas elações de p odução, consequência da insegu ança no emp ego, não cons i ui, po si só, a ca ac e ís ica dis in i a do p eca iado
(S anding, 2013a, 2014c). A ques ão undamen al es á na dis inção en e segu ança de emp ego, elacionada com o ínculo labo al, e segu ança
p o issional, elacionada com a na u eza de uma p o issão – que comp eende a capacidade de abalho (labou powe ) e que pe mi e a cons ução de
uma iden idade ocupacional (S anding, 2014d). Quando alamos em capacidade de abalho, alamos do ag egado das capacidades ísicas e men ais
exis en es no se humano.
3
3
4
2
5/12

A us ação de es a u o não esul a apenas da in e mi ência e agilidade dos ínculos labo ais, embo a se conside e mais uma das o mas pe e sas
da p eca ização que a ec a os diplomados, cujo desemp ego quase iplicou desde 2009 (Mon ei o, 2015).
Con a o? Um e dadei o con a o?…Nunca! Po que são es es con a os de emp esas de abalho empo á io que podem escindi e pô ou o pos o
de abalho e manda a pessoa o a. Po an o nunca i e um e dadei o con a o de abalho (E ).
Casaca (2013) escla ece a si uação labo al das abalhado as po uguesas, a i mando:
as abalhado as po uguesas es ão en e aquelas que, no quad o da União Eu opeia, mais exibem um en ol imen o labo al con ínuo. No en an o, é
aca a qualidade da elação de emp ego e das condições de abalho em ge al: as mulhe es são mais a ingidas pela p eca iedade e pelo desemp ego,
endem a ocupa pos os de abalho socialmen e menos alo izados e econhecidos, au e em salá ios in e io es aos dos homens, mesmo quando
de êm o mesmo ní el de quali icação.(Casaca, 2013:44)
Nes as ci cuns âncias, a cons ução de uma ca ei a e a iden i icação com uma comunidade p o issional o nam-se impossí eis:
Quando a bolsa acabou, e eu ambém acabei o mes ado, comecei a abalha em p ojec os. Po ou o lado, nunca consegui chega à si uação de
p o esso a uni e si á ia, po que nunca ui con idada! E quem não é con idado depois em um p oblema. É que quando chegam os concu sos pedem a
docência, que ale 30-40% nos concu sos. Eu ico com ze o […] Es i e quase dois anos na si uação de desemp egada. E, en e an o, consegui uma
bolsa de pós-dou o amen o. Mas pa a mim is o é ol a pa a ás, po que enho 47 anos e ol ei a se bolsei a (E ).
Une-se à impossibilidade de iden i ica a sua o mação com o abalho que ealizam:
É di ícil iden i ica -me com o que aço. Since amen e, nas al u as quando enho que esc e e a minha p o issão… quando olho pa a esses papéis,
enho um sen imen o de e ol a e ao mesmo empo de is eza. Re ol a po que ob iamen e, que nós quando es udamos ambicionamos abalha na
á ea pela qual lu ámos an o, e is eza po que ambém oi an o dinhei o in es ido, an o empo, e ago a se esume a… nada! Ou seja, é e um
abalho, mas é i numa ia o almen e di e en e daquela que ambiciona a (E ).
É ambém es a p eso a es ilos de ida, ligados à ealização de abalho, que não incluem um sen imen o de desen ol imen o p o issional (S anding,
2014a), exigindo, po isso, es o ços adicionais pa a não pe mi i que as compe ências já adqui idas sejam diluídas:
Po exemplo quando es i e na loja de shopping, a única coisa que azia e a ende sapa os. Tinha que “puxa pelo cé eb o” pa a con inua a pensa
em e olui . Se o um abalho onde começamos a aze as coisas mecanicamen e, é mau sinal (E ).
A ausência de es a u o p o issional que esul a da combinação des es ac o es aduz-se, mui as ezes, numa elação de desp endimen o psicológico
com o abalho: “O que me az i abalha é simplesmen e e que paga as minhas con as. É só isso. Po que… é um clima em que e sen es semp e
desgas ado, semp e em al a” (E ).
A alienação é cla a e é po isso que são menos p opensas a desen ol e uma alsa consciência p o issional:
Vou pa a o abalho e penso “ enho de i lá”, mas não es ou minimamen e e ol ada, es ou con en e, es ou ag adecida, espe o que is o du e pelo
menos, a é ao e ão. Ago a, “aquela” mo i ação, não enho (E ).
É mui o di ícil. Se me pe gun a es – És eliz? Sen es que aleu a pena i a es a ua licencia u a? O empo, o dinhei o in es ido?!…não ejo, não ejo.
Que dize como pessoa ob iamen e que me sin o en iquecida mas em e mos de econhecimen o da sociedade… (E ).
É di ícil que es as i ências não enham implicações na au o-es ima e que não con ibuam pa a um sen imen o de des alo ização social.
5.2. P i ação em elação ao u u o
O modo e a o ça como as ês ca ac e ís icas baseadas em classe – elações de p odução, elações de dis ibuição e elações com o Es ado – se
combinam, esul am em i ências de p i ação di e en es e di idem in e namen e o p eca iado.
Es a in es igação incide sob e a acção do p eca iado que é cons i uída po pessoas com o mação académica, que ac edi a am que o in es imen o
na sua escola idade as coloca ia em condições de e uma ca ei a, uma ajec ó ia segu a de abalho, com pe spec i as de ascende socialmen e. A
sua i ência ca ac e iza-se po um sen imen o de p i ação de u u o (S anding, 2014d).
[…] eu en o não aze planos assim a longo p azo…É udo mui o ins á el e depois o que acon ece é que uma pessoa az planos, como eu azia há 10
anos a ás ou há 5 anos a ás e os planos saem odos u ados. En ão eu op ei po …p on o, aquela ase cliché: i e um dia de cada ez, acho que…
aplica-se, aplica-se cada ez mais. Po que depois uma pessoa acaba po ica us ada, ansiosa… (E ).
A isão a cu o p azo que de ine es a expe iência es á elacionada, mui as ezes, com a quase exclusi a dependência dos o denados em dinhei o,
ca ac e ís ica da maio ia das elações de abalho ac uais, al como explica uma das pa icipan es:
Vi o numa casa alugada. Se i esse sozinha e ia mesmo que i pa a a casa dos pais, no amen e. Po que a ní el de salá io, ob iamen e que não
consigo supo a odas as despesas, só comigo apenas a paga-las, logo… […]. Sou eu e o meu ma ido. O o çamen o não chega pa a pensa em ilhos.
In elizmen e as coisas êm sido assim (E ).
A concen ação, de no o, do endimen o nos salá ios mone á ios, mas ago a a a és de sis emas emune a ó ios a iá eis, como os p émios de
desempenho ou de p odu i idade, as comissões, os bónus, a pa ilha de luc os, pagamen o de despesas, en e ou os (S anding, 2014a), de aco do
com uma polí ica de ecu sos humanos baseada numa supos a me i oc acia (Chaui, 2014), e ela-se como mais uma das ace as du idosas da
lexibilidade.
Os ais p émios (desempenho) que são dis ibuídos anualmen e em Ab il, em po base aquela al a aliação…e que é ei a…é ho í el, é ho í el.
Fecham- e numa sala com 3 pessoas: um di ec o , a supe isão e o coo denado . Faz-me lemb a o empo em que eu inha p o as o ais na
aculdade… ais num es ado de ne os ho í el… Dizem- e: alcanças e is o, não alcanças e is o. E depois azem um b e e esumo: “Es e ano
achamos que u es i es e menos ou mais mo i ada pa a o clien e, ens ainda algumas di iculdades na ges ão da ua ila de abalho”. Is o é odos os
anos a mesma coisa….a mesma lenga-lenga.. Chegam a dize : p on o, amos da - e mais uma opo unidade, espe amos que o p óximo ano co a
melho , al, al e al. Po an o, icas semp e com a sensação de que… eh pá – es ão a da -me mais uma opo unidade, a e se não sou despedida!
Es ão-me a da mais uma opo unidade! (E ).
5
1
4
6
2
5
2
3
4
2
6/12
É nes e con ex o, al como a gumen a Rolnik (2011: 48), que o mesmo indi íduo se di ide em dois, sendo o seu p óp io mes e e esc a o, capi alis a e
p ole á io. To na-se cla o nes a expe iência, como os memb os do p eca iado se podem ans o ma em suplican es, semp e dependen es de decisões
disc icioná ias, com cada ez menos possibilidade de agência (S anding, 2013a, 2014a, 2014d, 2014e).
Pa a a maio ia das abalhado as e dos abalhado es, a dependência exclusi a dos o denados em dinhei o e a di iculdade em a ingi pad ões de
desempenho que pe mi am aumen a esse endimen o, esul a numa ince eza que se pode ia chama c ónica. A mesma en e is ada, conc e iza es a
expe iência, quando se coloca a ques ão: não acha que pode ia a isca e en a muda de emp ego ou a é i pa a o es angei o?
Po que eu enho medo! Repa a! Eu não enho nada po ás de mim que me dê supo e, no caso de alguma coisa co e mal. Não enho! Se de epen e
deixa de ecebe o meu o denado, eu não enho ninguém a quem eco e . Po an o, eu es ou de pe nas e b aços a ados! Tenho que es a ali, a aze
uma coisa que me o na in eliz, po que enho que ga an i que no im do mês consigo paga as con as (E ).
Pa ece-nos que es a in e enção esume a di e ença en e a noção de isco e a de ince eza. A possibilidade de in es i numa mudança não pode se
conside ada um isco, uma ez que as p obabilidades não pe mi em nenhuma a aliação do ipo: o ças/ aquezas; ameaças/opo unidades do
p ojec o. Os alo es aqui em causa são inde e minados e não quan i icá eis (Knigh , 1964; S anding, 2014d, 2014e). Em condições de ida ão
insegu as, é e iden e que a ascensão social o na-se um emp eendimen o quase impossí el.
O p ojec o de i a um cu so, e um emp ego, subi na ca ei a, consegui e casa p óp ia com endimen os es á eis, começa a se cada ez mais
uma quime a, ilus ada po es a en e is ada de 35 anos que i e em casa dos pais:
Eu nes e momen o es ou com o subsídio de desemp ego. Felizmen e enho o apoio dos meus pais quando é necessá io e… Eles êm casa p óp ia,
não é alugada nem nada disso, e só po si já ajuda em e mos de despesa…cá nos amos o ien ando… não é ácil… (E ).
A ins abilidade e ince eza das ajec ó ias apenas pe mi em almeja a momen os de emp ego p ecá io (com ajuda dos pais, os que podem), seguidos
de desemp ego (mais ajuda dos pais, os que podem), no o abalho p ecá io e, com oda a ins abilidade e ince eza, o adia da cons i uição de amília,
de planos de ida, no mais nes a ase do ciclo de ida (Mon ei o, 2015).
Mais uma ez, es a ins abilidade e ince eza êm aços mui o ní idos no caso das mulhe es. Como assinala Rosa (2016) apoiado na base de dados do
Eu os a , em 2009 a emune ação média dos homens em Po ugal e a supe io à das mulhe es em 10%, enquan o em 2014 já e a de 14,9%. Es a
disc iminação comum a mui os países da União Eu opeia, diminui no pe íodo 2009-2014 em 2,9%, po an o uma endência in e sa da e i icada no
nosso país.
5.3. A madilhas da p eca iedade
Um dos aspec os dis in i os do p eca iado, as elações de p odução, que pa ece se único na his ó ia, es á elacionado com o des asamen o en e o
ní el de quali icações possuído e o ipo de abalho que se desempenha ou que se pode aspi a a desempenha (S anding, 2013a; 2014c).
O modo como os me cados de abalho lexí eis uncionam ag a a a ulne abilidade dos diplomados, sob e udo dos mais jo ens, em elação às
a madilhas da p eca iedade (S anding, 2013a, 2013b, 2014a, 2014d, 2014e). O in es imen o na educação p essupõe a aquisição de compe ências e
sabe es que se ão ealizados, desen ol idos e econhecidos, nos anos seguin es a a és da cons ução de uma ca ei a p o issional. O a, se os anos
seguin es são passados a muda de emp ego p ecá io pa a emp ego p ecá io, a possibilidade de desen ol e esses alen os ica p ejudicada de o ma
po encialmen e pe manen e, como nos pa ece se o caso des a en e is ada que, embo a a e mina o mes ado na á ea dos Recu sos Humanos, em
abalhado semp e como emp egada de balcão em cen os come ciais:
Acho que as emp esas pedem mui a expe iência em elação àquilo que eu posso ap esen a (…) Se não a anja en e an o, imagine nos p óximos 10
anos abalho na ges ão de ecu sos humanos, que é a á ea que eu gos o, que eu me iden i ico e que eu que o mesmo abalha , saio mesmo de
Po ugal. Ao sai , só se o pa a abalha na minha á ea (E ).
Es e isco não é exclusi o dos jo ens. Se é e dade que exis e, pa a eles, a possibilidade de de e minadas capacidades não encon a em o e eno
adequado pa a se desen ol e em, no caso de pessoas com alguma ca ei a e que, de momen o, se encon em em si uação de desemp ego, a
p essão pa a acei a um abalho qualque pode implica ambém a des alo ização das suas compe ências de abalho. O pode pa a compe i po um
emp ego em aco do com as suas compe ências o na-se diminuído, pela simples azão (ou suges ão) de que, se alguém que se ap esen a com
de e minadas compe ências e es á num ní el ão baixo, al só pode de e -se ao a o de não as e . Es a consciência é assim aduzida po es a
en e is ada:
Os meus pais sabem ob iamen e, e um cí culo de amigos mais echado que ambém sabe. Po que p e i o não dize aos colegas ad ogados. Aos
colegas ad ogados digo que a anjei um pa - ime po que comecei ago a a abalha sozinha e p eciso daquele dinhei o ce inho pa a paga aquelas
despesas mais ixas. Mas sem dú ida que i iam pensa en ão se ela é ad ogada… […] Ago a…lá es á, eu não digo is o a oda a gen e, nem pensa .
Digo que sou ad ogada, enho um esc i ó io, abalho mui o em casa po que enho essa opo unidade e pon o inal! (E ).
As pessoas com quali icações académicas supe io es encon am-se mui as ezes di ididas en e as suas aspi ações apoiadas pelos seus diplomas,
po anos de es udo, e a necessidade de ob e endimen o (S anding, 2014a). Es a si uação o na-as ambém mais ulne á eis ao pe igo das
a madilhas da p eca iedade. A expe iência da nossa en e is ada E o mada na a ian e Po uguês-Espanhol que, depois de conclui o mes ado, em
abalhado semp e com con a os p ecá ios, a exe ce unções mui o abaixo do ní el da sua quali icação académica, como a p óp ia explica:
“[…] p eciso de abalha , po que enho as minhas con as ao inal do mês…e a pa i dai, i e mesmo que…olhe qualque coisa, des e de que seja
abalho” (E ).
As a madilhas da p eca iedade assumem á ias o mas, mas em ge al denunciam o a o de as no as o mas de abalho es a a in ensi ica a
insegu ança pessoal, enquan o des oem a nossa capacidade de usa o empo de o ma p o ei osa. (S anding, 2013b).
Numa sociedade se icializada, o empo é in adido e deixa de se possí el a delimi ação das ac i idades. É di ícil hoje sepa a o empo em blocos: o
empo no emp ego, o empo de ou as ocupações, o empo pa a a amília e o empo de epouso. A sensação de comp essão do empo é bem ilus ada
po es a en e is ada:
Não enho! Inclusi e, ac ualmen e enho que anda a aze sessões de… com uma psicóloga… pa a en a lida com alguns p oblemas que comecei a
e nes e abalho. Ou seja eu chego a casa mais ou menos 8:30, 9:00 da noi e esgo adíssima de… o cansaço não é ísico, o cansaço é psicológico …
o que eu aço é: le o o meu cão à ua, como qualque coisa, dei o-me no so á a e um bocado de ele isão e ado meço ins an aneamen e. Não
2
3
6
5
4,
4
7/12
enho… não enho on ade de sai , não enho empo pa a es a com as pessoas… enho só os ins-de-semana, quando ambém, não nos pedem pa a
i abalha aos sábados! Não enho ida social, não enho ida amilia . Du an e a semana não enho nada! (E ).
O s ess p o ocado pela incapacidade de con ola o uso do seu empo se mani es a a a és de um cansaço excessi o aliado à us ação de não
consegui e empo pa a dedica a si, aos seus amigos, ou a ou as ac i idades de laze e en e enimen o. A p eca ização da men e (S anding, 2013b;
2014; 2014d; 2014e), como uma das consequências possí eis des a deso ganização do empo e do espaço, es á cla amen e isí el nes a in e enção,
al como os e ei os psicológicos debili an es que esul am des a si uação: “sessões com uma psicóloga”.
Es a expe iência eme e pa a ou o dos aspec os dis in i os des a “classe”. O p eca iado ê-se ob igado a desempenha uma quan idade cada ez
maio de “ abalho-pa a- abalha ”, ela i amen e ao abalho p op iamen e di o (wo k- o -labou ). Enquan o no capi alismo indus ial, as abalhado as
e am explo adas nas ho as de abalho emune ado, o que acon ece hoje é que as abalhado as são pagas pelo pe íodo labo al, mas espe a-se que
abalhem ambém o a desse pe íodo sem di ei o a emune ação (S anding, 2014b; 2014d). É a p óp ia ida pos a a abalha (Mo ini & Fumagalli,
2010: 236).
A impossibilidade de consegui pe cebe qual das nossas acções pode á e o e o no desejado – um con a o de abalho -, az com que o nosso
empo seja odo dedicado a uma sé ie de ac i idades que isam p omo e a nossa emp egabilidade (S anding, 2013b). Es a ealidade é bem ilus ada
po es a en e is ada:
A minha pos u a é um dia de cada ez. Mas não pa o, es ou semp e a abalha e a en iquece o meu cu ículo, pois quando apa ece opo unidade
is o há-de con a alguma coisa, penso eu! Es ou semp e a i aos cong essos e aze comunicações, a publica (…) Po an o, ainda não sei a que me
candida a a segui … pa a além de se uma p o issional de in es igação, sou uma p o issional de concu sos. (…) Passo o empo a conco e a
qualque coisa. (…). Todos os dias leio o Diá io da epública, os si es de emp ego, e c. E enho udo p epa ado, nas pas as do PC, pa a pode
conco e (E ).
A análise con empo ânea dos p ocessos de abalho eque , de aco do com S anding (2014d), que se aça dis inções en e emp ego e abalho e en e
di e en es ipos de abalho.
Pela exposição das expe iências des as mulhe es, o a o de possuí em um ní el supe io de educação o mal, aliado à ci cuns ância de não
consegui em man e ajec ó ias p o issionais, de aco do com aquilo que conside am se a sua capacidade de abalho, aduz-se num o e sen imen o
de us ação de es a u o. Es e sen imen o é e o çado pela ausência de pe spec i as em elação ao u u o e pelo ag a amen o da agilidade em
elação às a madilhas da p eca iedade. A a iculação des as dimensões é bas an e isí el nes e comen á io:
Quando é p eciso iden i ica -me p o issionalmen e, ap esen o-me semp e como es udan e. Po que eu não enca o es e abalho como… uma p o issão,
uma ca ei a. […] Mas não é um abalho em que eu eja u u o, que eu quei a cons ui uma ca ei a. Não, nem pensa (E ).
A de inição do p eca iado assen a, sob e udo, em ês dimensões baseadas no concei o de classe. A p eca iedade nas elações de p odução, a
ulne abilidade nas elações de dis ibuição e a ma ginalidade nas elações com o Es ado. Os á ios aspec os e e ei os das ês p incipais
ca ac e ís icas de em se comp eendidos como pa e de uma dinâmica em ede – em que, mui as ezes, um aço é simul aneamen e um e ei o. Pa a
acili a a isualização des as in e - elações ap esen a-se o mapa ge ado pelo so wa e A las/TI 7.0, ilus ado na Figu a 1, a segui :
2
1
6
8/12
No e-se que as elações dis in as de p odução chamam a si odas as es an es ca ego ias, sendo de assinala que a sua elação com a ca ego ia
ausência de iden idade ou na a i a p o issional, a a és da ca ego ia “excesso de habili ações” e, des as, com o “declínio da mobilidade social”, são
mui o signi ica i as e, al como se pode isualiza pelo mapa, odas elas dispa am em di ecção às ês amílias que ma cam a i ência do g upo aqui
em análise.
Mais ainda, as elações encon adas en e o pa de ca ego ias “ausência de iden idade ou na a i a p o issional”/“ elações dis in as de p odução” e as
“ elações dis in as com o Es ado”, ealçam um dos aspec os que S anding em indo a chama à a enção nos seus abalhos – aspec o que jus i ica a
inclusão das elações com o Es ado na de inição de classe social. Po um lado, em-se o Es ado a assumi as unções egulado as dos p óp ios
emp egado es. É dis o exemplo, a licença de acesso à p o issão e a ans e ência pa a as en idades es a ais da compe ência da a ibuição dessas
licenças, o que jus i ica que, nos esul ados, apa eça a in e - elação en e as ca ego ias “ausência de iden idade ou na a i a p o issional”/“ elações
dis in as com o Es ado”. Po ou o lado, e i ica-se a exis ência de um núme o c escen e de pessoas que i em ma ginalizadas em elação aos di ei os
no malmen e associados à cidadania. Es a ma ginalização esul a dos p ocessos de globalização do abalho. Es ando a cidadania associada ao
abalho p odu i o, a pa i da ixação dos “di ei os labo ais” assen es na es abilidade do ínculo labo al e dos “anos de se iço”, o acesso à p o ecção
social, à egulação e à edis ibuição, icam se iamen e comp ome idos pela lexibilidade. Tal explica a o e in e - elação en e a ca ego ia “ elações
dis in as de p odução” e a ca ego ia “ elações dis in as com o Es ado”.
As consequências dos p ocessos de globalização económica, e i icadas nas úl imas qua o décadas, coloca am no cen o do deba e a p eca ização
es u u al do abalho. O comp omisso com p incípios de me cado conduziu inexo a elmen e a um sis ema de p odução global, de emp esas em ede,
de p á icas labo ais lexí eis. Um p ocesso jus i icado, pelos seus de enso es, pela necessidade de acionalização da ac i idade económica e de
es ímulo à p odu i idade, com o ajus e dos ní eis de con a ação aos ní eis de p odução. Con udo, es as mudanças na economia e na polí ica
ge a am, em odo o mundo, uma endência que não oi p e is a nem pelos neolibe ais nem pelos líde es polí icos que as coloca am em p á ica
(S anding, 2014a). À medida que os p ocessos de abalho o am globalizados, uma no a es u u a de classes começou a oma o ma, sob epondo-se
às an e io es es u u as nacionais.
A expe iência do p eca iado não pode se dissociada das suas condições his ó icas e em maio g au, no caso das mulhe es, do con ex o his ó ico (ou
polí ico) das lu as da segunda aga de eminismos. Es as duas ci cuns âncias em conjun o pe mi em uma explicação pa a o a o de as p omessas
libe ado as, incluídas na c escen e eminização do ensino supe io e dos me cados de abalho, não pe mi i em c ia as espec i as opo unidades na
de inição de na a i as ou ajec ó ias pessoais de abalho segu as e g a i ican es.
9/12