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Na a i as P ocedu ais e In e a i as:
as No as Es a égias de C iação
e a Exp essi idade do Digi al
Daniel Peixo o Fe ei a
Escola de Comunicações e A es/Uni e sidade de São Paulo (ECA/USP)
danielp e ei [email protected]
P o . D . Gilbe o dos San os P ado
Escola de Comunicações e A es/Uni e sidade de São Paulo (ECA/USP)
g op ado@aja o.com.b
Resumen: Apesa de la é il p oducción c ea i a de los a is as que ac úan en los
medios digi ales, el po encial exp esi o p opio de es e medio aún se encuen a
ela i amen e inexplo ado. En es e a ículo amos a examina las nue as
es a egias c ea i as y exp esi as en la c eación de na a i as p ocesuales e
in e ac i as, a ando especí icamen e la cues ión de la consis encia en es as
p oducciones. También examinamos el papel de las es a egias p ocesuales de
c eación de una mane a gene al, en la consolidación del medio digi al como una
mani es ación exp esi a independien e.
Palab as cla e: na a i as p ocesuales, consis encia, exp esi idad de los medios
digi ales
Resumo: Apesa da é il p odução c ia i a po pa e dos a is as que a uam em
mídias digi ais, o po encial exp essi o p óp io des e meio ainda se encon a
ela i amen e inexplo ado. Nes e a igo examina emos as no as es a égias
c ia i as e exp essi as na c iação de na a i as p ocedu ais e in e a i as, a ando
especi icamen e sob e a ques ão da consis ência nes as p oduções. Também
examinamos o papel das es a égias p ocedu ais de c iação de uma manei a ge al,
na consolidação do meio digi al como uma o ma exp essi a independen e.
Pala as-cha e: na a i as p ocedu ais, consis ência, exp essi idade do meio
digi al
234
1. In odução
Nes e a igo p ocu amos mos a que, apesa da é il p odução c ia i a po pa e dos
a is as que a uam em mídias digi ais, o po encial exp essi o p óp io des e meio ainda
se encon a ela i amen e inexplo ado.
Examina emos as no as es a égias c ia i as e exp essi as p ocedu ais e in e a i as.
Foca emos especi icamen e sob e a ques ão da consis ência na p odução de na a i as
in e a i as, u ilizando como exemplo o gêne o dos jogos de a en u a (ou
“ad en u es”).
Também a amos sob e o papel das es a égias p ocedu ais de c iação de uma
manei a ge al, na consolidação do meio digi al como uma o ma exp essi a
independen e, dis in a de ou as linguagens já es abelecidas, como o Cinema, a
Li e a u a e a Dança, po exemplo.
2. Exp essi idade P ocedu al
Conside amos que o uso exp essi o de um meio se dá quando a poé ica de uma
de e minada ob a ou p odução a ís ica se baseia em aspec os e ca ac e ís icas que lhe
são undamen ais, exclusi as ou p edominan es. A o ma exp essi a se coloca em
oposição à adi i a, que se e e e ao emp ego de um meio a pa i de ca ac e ís icas e
aspec os que já exis em em meios an e io es (Mu ay, 2003).
O Cinema, po exemplo, inicialmen e a a a-se de uma o ma adi i a – uma espécie
de combinação en e Fo og a ia e Tea o. Assim, inicialmen e as p oduções nes e meio
se basea am p incipalmen e nos ecu sos exp essi os des as linguagens, como a
es u u a dos cená ios e a disposição dos a o es em cena no Tea o, ou o concei o de
composição e enquad amen o na Fo og a ia. Após um pe íodo de explo ação o mal, a
linguagem cinema og á ica passou a adqui i g adualmen e uma iden idade p óp ia.
122
Es a pos u a de busca do a is a pela exp essi idade do meio emp egado pode se
iden i icada nes e ela o de Gio gio Mosca i, ísico b asilei o que, em pa ce ia com o
a is a Waldema Co dei o, p oduziu as p imei as ob as de A e Compu acional do
B asil, no inal dos anos 60: “A abo dagem gi a a semp e no sen ido de pe cebe as
possibilidades de cada écnica pa a ge a no as o mas de exp essão a ís ica, ugindo
semp e do simples uso de uma no a écnica pa a subs i ui uma écnica an iga sem
eno a a mensagem.” (Gio gio Mosca i In Velho, 1993:9)
No con ex o dos p ocessos c ia i os em mídias digi ais, es a ia no aspec o p ocedu al,
exclusi o aos compu ado es, a base pa a um emp ego e dadei amen e exp essi o
des e meio, de uma o ma que não pode ia acon ece em linguagens adicionais.
Michael Ma eas, pesquisado na á ea de in eligência a i icial e na a i a in e a i a,
explica que “a au o ia p ocedu al é necessá ia pa a o pleno ap o ei amen o do pode
122
No e que a eme gência de uma no a linguagem não necessa iamen e subs i ui as linguagens
an e io es. Fo og a ia e Tea o con inuam exis indo, an o como linguagens a ís icas
independen es, quan o na o ma de es a égias exp essi as den o da p óp ia linguagem
cinema og á ica.
235
ep esen acional do compu ado como um meio exp essi o.” (Ma eas e S e n,
2005:8)
123
2.1. O Aspec o P ocedu al
A au o a Jane Mu ay, em seu li o Hamle no Holodeck (Mu ay, 2003), ap esen a
os qua o aspec os que, segundo ela, de inem o meio digi al. São eles, o aspec o (1)
pa icipa i o, que se e e e à possibilidade de in e ação com o usuá io, o (2) espacial,
que elaciona-se ao ca á e “na egá el” do con eúdo numé ico,
124
o (3) enciclopédico,
que a a da capacidade p a icamen e ilimi ada de a mazenagem e acesso à
in o mação no meio digi al e o (4) aspec o p ocedu al, que é a capacidade do meio
numé ico de execu a ins uções de manei a au ônoma.
Mu ay mos a que es e qua o aspec o - a p ocedu alidade – se ia a p incipal
ca ac e ís ica das mídias digi ais, dis inguindo-as undamen almen e dos demais
meios: “O elemen o mais impo an e que o no o meio ac escen a ao nosso epe ó io
de capacidades de ep esen ação é sua na u eza [p ocedu al], sua habilidade de
cap u a expe iências como sis emas de ações in e - elacionadas.” (Mu ay,
2003:256)
125
Ha old Cohen oi um dos pionei os no emp ego do compu ado como um meio
exp essi o, com a c iação do sis ema de ge ação de imagens Aa on (1973-)
126
(Figu a
1). Ele chama a enção pa a a p imazia da au onomia nas mídias digi ais: “A única
ques ão que di e encia o compu ado undamen almen e das demais e amen as (...)
não é o que se pode aze com um p og ama, mas sim o que um p og ama pode aze .
Pa a o a is a, a essência do compu ado é a sua au onomia.” (Cohen, 1986:194)
127
Ou os au o es compa ilham des a opinião, en e eles o cien is a da compu ação Alan
Kay e o pesquisado Michael Ma eas, mencionado an e io men e, que explica que a
essência do compu ado como meio de ep esen ação es á jus amen e na sua
capacidade de “compu a ” (is o é, de ealiza cálculos e execu a p ocedimen os), e não
em a i idades de i adas dis o, como a compu ação g á ica, a in e a i idade, o con ole
de sis emas e a comunicação (Ma eas e S e n, 2005; Ma eas, 2003).
123
Tex o o iginal: "p ocedu al au ho ship is equi ed o ake ull ad an age o he
ep esen a ional powe o he compu e as an exp essi e medium."
124
O aspec o espacial es a ia elacionado à noção de "cibe espaço", seja como ep esen ação
idimensional de um ambien e i ual, ou e e indo-se a uma noção mais abs a a de espaço
(como a in e ne ).
125
G i o nosso. O e mo em inglês "p ocedu al" oi aduzido como "p ocedimen al" na e são
em po uguês des e li o, di e en e da o ma que emp egamos em nossa pesquisa -
"p ocedu al".
126
Aa on é capaz de ge a imagens (ou “pin u as”) o iginais, do adas de de e minadas
ca ac e ís icas especí icas (ou “es ilo”). Suas c iações ge almen e consis em de igu as humanas
posicionadas ao lado de asos de plan as, embo a exis am a iações ao longo das di e en es
e sões do sis ema. A a és de Aa on, Cohen p opõe e lexões como o que az um conjun o de
aços se conside ado “uma imagem”, qual a unção do a is a na sociedade e a in es igação da
men e humana como en idade c ia i a. Obs: a Figu a 1 consis e em uma imagem ge ada po
Aa on e pin ada po Ha old Cohen.
127
Tex o o iginal: "[The] only ques ion which di e en ia es he compu e undamen ally om
o he ools (...) is no , wha can you do wi h a p og am, bu , wha can he p og am do? Fo he
a is , he essence o he compu e is i s au onomy."
236
Ma eas mos a que di e en es pessoas ou g upos em a endência a p i ilegia
di e en es aspec os de aco do com os seus in e esses pa icula es - assim,
pesquisado es em in e aces en a izam o aspec o pa icipa i o, aqueles que lidam com
bancos de dados eem o aspec o enciclopédico como o mais impo an e, e assim po
dian e. Po ém, enquan o odos os aspec os omam como base e dependem da
p ocedu alidade pa a que possam exis i , o opos o não é e dade. Is o é, um
de e minado con eúdo p ocedu al não emp ega undamen almen e ou depende
necessa iamen e dos aspec os pa icipa i o, enciclopédico ou espacial.
2.2 Um Po encial Rela i amen e Inexplo ado
Como imos, o meio digi al se dis ingue das demais mídias e linguagens po con a da
sua p ocedu alidade. En e an o, o po encial do aspec o p ocedu al ainda é
ela i amen e inexplo ado, an o pelos usuá ios de compu ado de uma manei a ge al,
quan o po pa e dos a is as e c ia i os. Baseamos es a análise p incipalmen e nos
es udos de Alan Kay e Michael Ma eas, bem como na pesquisa de Le Mano ich,
es udioso das no as mídias e coo denado da inicia i a dos Es udos do So wa e.
128
Qualque p og ama de compu ado , seja um p ocessado de ex o, um aplica i o
g á ico ou uma p odução a ís ica, é de na u eza p ocedu al, uma ez que é capaz de
execu a ins uções p e iamen e p og amadas, e de manei a au ônoma. Po ém, a
maio pa e dos usuá ios de compu ado , incluindo a is as, não lida di e amen e com
es e elemen o p ocedu al. Emp egam as mídias digi ais exclusi amen e como meio de
acesso a con eúdo de na u eza es á ica, como planilhas, o os, músicas e ex os.
Mesmo quando o usuá io manipula um con eúdo p ocedu al, ge almen e isso acon ece
de manei a supe icial, a a és da con igu ação de um aplica i o (como a de inição das
eg as de il os pa a e-mails, ou as p op iedades de um “pincel” no Pho oshop) ou a
c iação de unções simples (como os mac os
129
).
Há décadas Alan Kay em se dedicado a muda es a si uação a pa i de uma
abo dagem pedagógica, na en a i a de es imula o pensamen o p ocedu al no uso do
compu ado . Es e oi o caso do Dynabook, po exemplo, um p oje o de compu ado
pessoal desen ol ido nos anos 60, mas que nunca se ealizou na p á ica. Kay lamen a
que es e aspec o ão undamen al às mídias digi ais - “me amídias” po excelência -
seja ão pouco ap o ei ado.
Ha old Cohen, na época em que iniciou o desen ol imen o de Aa on, suge iu que
e en ualmen e o po encial do compu ado como meio p ocedu al se o na ia e iden e,
e assim se ia ine i á el o seu emp ego exp essi o no meio a ís ico (Cohen, 1974).
A ualmen e, se po um lado o compu ado es á cada ez mais p esen e na a e e mas
a i idades c ia i as em ge al, bem como nas demais es e as da sociedade, a abo dagem
p ocedu al ainda se encon a p edominan emen e em á eas mais écnicas, como na
128
A disciplina dos Es udos do So wa e (ou So wa e S udies) se de ine como uma pe spec i a
cul u al ao so wa e e à p og amação. Assim, se opõe ao olha écnico ca ac e ís ico de á eas
como a engenha ia e a compu ação p op iamen e di a (Fulle , 2008).
129
Os mac os são uma espécie de linguagem de p og amação simples especí ica a um
de e minado aplica i o, e que pe mi em au oma iza algumas das suas unções. No e que, a
pa i de um ce o ní el de complexidade, es as p á icas começam a coincidi e se con undi com
a a i idade de um p og amado .
237
engenha ia e na compu ação g á ica. Es a endência é pa icula men e e iden e nos
jogos, que ap esen am g á icos, simulação de ísica e in e aces cada ez mais
elabo adas, de alhadas e ealis as, enquan o que os elemen os exp essi os e poé icos
des as p oduções, como a na a i a e o compo amen o dos pe sonagens, endem a se
pouco explo ados.
Mesmo quando abo dagens p ocedu ais são explo adas de manei a exp essi a nos
jogos, is o acon ece de o ma su il e pon ual, ge almen e limi ando-se a um único
aspec o do jogo. Em alusão a es e con as e, Michael Ma eas suge e a noção de uma
simulação de “ ísica social” (ou “social physics”) (Ma eas, 2011).
130
Jane Mu ay, ao examina a c iação p ocedu al sob o pon o de is a da na a i a,
exp essa a necessidade de iden i ica as es a égias exp essi as que só pode iam se da
nes e meio (Mu ay, 2003). Como imos, es a ia na capacidade que o compu ado em
de execu a ins uções (ou leis), is o é, o seu aspec o p ocedu al, o po encial pa a o
desen ol imen o de uma na a i idade p óp ia do digi al. Es e ipo de na a i a não
se ia apenas quan i a i amen e di e en e das o mas a uais (po exemplo, o e ecendo
múl iplos en edos al e na i os), mas ha e ia ambém uma mudança quali a i a (is o é,
um abandono das es a égias na a i as linea es adicionais).
Con ém menciona aqui um echo de uma pales a p o e ida há quase in e anos pelo
designe de jogos Ch is C aw o d, na qual ele decla a es a abandonando a indús ia
po con a da supe icialidade pela qual os p o issionais da á ea explo am o po encial
do meio digi al: “Eu sonhei com o dia no qual jogos de compu ado se iam uma mídia
iá el pa a exp essão a ís ica - uma o ma de a e. Eu sonhei com os jogos de
compu ado englobando o amplo espec o da expe iência e emoção humana.”
(C aw o d, 1992:pa e 2, 4m15s)
131
Embo a sua c í ica seja especí ica à á ea de jogos, ela ambém e le e uma ca ência
mais uni e sal elacionada às mídias digi ais, is o é, a necessidade de explo a o
po encial des e meio de uma manei a mais ampla. Nos anos seguin es, C aw o d
passa ia a se dedica exclusi amen e à pesquisa, em p oje os no qual pode ia explo a
o compu ado com maio p o undidade e libe dade (en e seus p oje os mais ecen es
es á S o y on, um sis ema pa a au o ia de icções in e a i as).
2.3 Consis ência nas Es a égias P ocedu ais
A p incípio não exis em limi es pa a a exp essão a ís ica. Po ém, uma ez de inida a
poé ica de uma de e minada ob a, es a se o na a eg a da sua p óp ia composição,
130
Um a anço nes a á ea é o concei o do jogo abe o, com uma abo dagem mais li e e não
linea . Embo a ce amen e não seja no idade, es a abo dagem em sido cada ez mais
explo ada. Es e gêne o é de inido em inglês pelo e mo "sandbox", em e e ência às caixas de
a eia dos pa ques de di e são.
131
Es a pales a é conhecida como "The D agon Speech" (ou "A Pales a do D agão"), po con a
da analogia que C aw o d aça en e a busca pela exp essi idade do meio digi al e a caça a um
d agão mis e ioso, que ele a i ma nunca e is o comple amen e, embo a enha ce eza da sua
exis ência. Ele conclui a pales a saindo do audi ó io com uma espada em punho, simbolizando
sua busca. URL do ídeo: www.you u.be/_04PLBdhqZ4 Tex o o iginal: "I d eamed o he day
when compu e games would be a iable medium o a is ic exp ession - an a o m. I d eamed
o compu e games encompassing he b oad ange o human expe ience and emo ion." (a
indicação de empo na e e ência es á em elação à pa e 2 do ídeo, de um o al de 5)
238
is o é, sua “legalidade in e na” (Pa eyson, 1989:33)
132
. Es a legalidade pode se
ans o ma ao longo do p ocesso c ia i o, mas semp e ha e á uma eg a p esen e.
Assim, independen emen e do meio de p odução, supo e de exibição, es ilo ou
mesmo emá ica de uma de e minada ob a, a consis ência é um elemen o undamen al
na expe iência a ís ica.
133
Po exemplo, conside emos um esc i o que p oduz ex os de o ma adicional, is o é,
de manei a es á ica e linea . A p incípio seu p ocesso c ia i o não é in luenciado de
manei a signi ica i a pela e amen a emp egada, seja ela um lápis, uma máquina de
esc e e ou um compu ado . Sua exp essi idade acon ece a a és da linguagem esc i a
e das suas es a égias e es u u a pa icula es, às quais a consis ência da sua a uação
a ís ica es á subme ida. Is o é, es e esc i o não p ecisa explo a os mecanismos ou a
exp essi idade p óp ia do meio ou supo e ísico emp egado na c iação do seu ex o
pa a ga an i a consis ência do seu abalho (Ma eas, 2003).
134
Po ou o lado, em alguns casos pa ece ha e um descompasso en e a p opos a ou
in enção po ás de uma de e minada ob a e o meio ou linguagem escolhida pa a a
sua ealização e exibição.
Nas Poé icas P ocedu ais, a ques ão da consis ência é de ce a o ma ga an ida, na
e apa da execução do algo i mo. A inal, o compu ado é capaz - ou melho , só é capaz -
de segui à isca as ins uções de inidas de an emão pelo a is a. En e an o, como
e emos mais adian e, a consis ência nes e momen o especí ico do p ocesso c ia i o
não ga an e que exis a uma consis ência da poé ica de uma manei a mais ampla.
O p ocesso c ia i o não é algo ígido - no con ex o das Poé icas P ocedu ais, isso
signi ica que não se a a da me a adução de uma ideia “p on a” na men e do a is a
pa a a memó ia do compu ado , na o ma de uma sé ie de ins uções. O a is a em
libe dade pa a c ia o que bem en ende , de inindo ele mesmo as eg as que de em se
obedecidas na p odução da ob a. No seu emba e com o meio, a ideia ou poé ica pode
se ans o ma , se adap a , amadu ece e se desen ol e , le ando em conside ação as
limi ações écnicas do supo e, a na u eza da linguagem, e assim po dian e. De
qualque manei a, seja qual o o caminho pe co ido pelo a is a, espe a-se que a
consis ência da ob a como um odo seja p ese ada.
De o ma a exempli ica es a ques ão, conside emos os jogos no gêne o denominado
“a en u a” (ou “ad en u es”), ca ac e izados pela ên ase no aciocínio, em oposição à
coo denação mo o a, po exemplo.
132
Segundo o ilóso o Luigi Pa eyson, es a “legalidade in e na” não se a a de uma lei no
sen ido es i o da pala a, mas sim de uma eg a de o mação p óp ia: “Na a e a lei ge al é a
eg a indi idual da ob a a se ei a. (...)[A] única lei da a e é o c i é io do êxi o. (...) Em a e, (...)
a ob a iun a po que iun a: iun a po que esul a al como ela p óp ia que ia se (...);
desejada, na sua ealidade, pelo au o , mas na sua in e na coe ência, po si mesma.” (Pa eyson,
1989:139)
133
Isso ambém é álido nos casos em que a poé ica em ques ão é a p óp ia ausência de uma
consis ência apa en e (como acon ece no Dadaísmo, po exemplo). Mesmo quando a ob a
en ol e elemen os alea ó ios, es es são conhecidos e emp egados de manei a consis en e com o
es an e da p opos a poé ica.
134
Não es amos conside ando nes e momen o a in luência que o meio pode exe ce sob e o
abalho do a is a, um a o que não es á necessa iamen e elacionado à ques ão do emp ego
exp essi o do meio. Também não conside amos nes a análise especí ica o caso de esc i o es que
inco po am em seu abalho ou os elemen os além daqueles da o ma esc i a adicional.
239
FIGURA 1: Theo (Ha old
Cohen, 1992)
FIGURA 2: Leisu e Sui La y… (Al Lowe, 1987)
Nes es jogos, o in e a o ge almen e con ola um pe sonagem que de e isi a
de e minados locais, dialoga com ou os pe sonagens e manipula obje os, de o ma a
a ingi um obje i o. À medida que o jogado in e age com o uni e so i ual, ele
ap ende sob e os seus mecanismos e sua lógica - po exemplo, depa ando-se com um
pe sonagem, é possí el con e sa com ele; dian e de um obje o, é possí el pegá-lo; e
assim po dian e.
Po ém, es as “ eg as” ine i a elmen e acabam sendo sub e idas (ou igno adas) em
algum momen o pelo sis ema do jogo - po exemplo, e en ualmen e o in e a o
encon a um pe sonagem com o qual não é possí el dialoga , ou en ão é impedido de
pega um de e minado obje o, sem nenhuma jus i ica i a lógica (ou na a i a) pa a
al.
Po exemplo, no jogo de a en u a Leisu e Sui La y in he Land o he Lounge Liza ds
(Al Lowe, 1987), em uma de e minada cena o in e a o pode pega uma osa que es á
sob e uma mesa, po ém mais adian e é impedido de pega um apa elho de ele isão
(Figu a 2). O jogo exibe uma mensagem a i mando que “não há azão” pa a pega es e
obje o, con a iando a p óp ia essência da na a i a p ocedu al in e a i a (es a
decisão de e ia se do jogado , não impos a a ele).
135
Es a inconsis ência na mecânica do jogo (e do p óp io uni e so iccional) ende a
us a as expec a i as do ecep o , e pode p ejudica a uição plena da expe iência.
É possí el a gumen a que es e igo não se aplica a á eas como a e e en e enimen o,
ou en ão que é jus i icá el que o c iado da expe iência possa “guia ” o in e a o (ou
limi a suas ações) de o ma a ob e o e ei o planejado. Inconsis ências como as
mencionadas an e io men e ambém endem a se jus i icadas po azões écnicas ou
135
Na cena mos ada na Figu a 2, o jogado é incapaz de subi as escadas po que o segu ança
es á bloqueando o seu caminho. A solução "co e a" é muda os canais na TV a é que algum
p og ama dis aia o segu ança, le ando-o a deixa seu pos o.
240
p á icas - se ia mui o complexo ou demo ado p oduzi um jogo no qual é possí el
in e agi com odos os obje os, po exemplo.
Além disso, mui as ezes a exis ência de elemen os es á icos é uma escolha c ia i a. No
caso dos jogos de a en u a, po exemplo, a é hoje es e gêne o é alo izado não apenas
pelos seus elemen os na a i os p ocedu ais, mas ambém pelo seu con eúdo es á ico,
como os diálogos, músicas, g á icos e mesmo o p óp io en edo p é-de inido.
Conside ando as p á icas p ocedu ais de c iação de uma manei a ge al, mui os a is as
que emp egam es as es a égias exp essi as endem a azê-lo de manei a in eg ada a
elemen os de na u eza es á ica. Po exemplo, na na a i a p ocedu al Façade (Michael
Ma eas e And ew S e n, 2005), conside ada como um dos casos mais bem sucedidos
do emp ego de es a égias p ocedu ais pa a a p odução de uma expe iência exp essi a
des e gêne o, há uma sé ie de linhas de en edo p é-de inidos que ajudam a guia o
compo amen o dos pe sonagens (Figu a 3).
FIGURA 3: Façade (P ocedu al A s, 2005)
Mas es e apa en e descompasso en e o emp ego das abo dagens es á ica e p ocedu al
não é necessa iamen e p ejudicial, desde que o a is a enha consciência dos
mecanismos e implicações associadas a cada uma des as es a égias, conside ando-os
na o mulação da sua poé ica.
A ques ão é que a abo dagem p ocedu al é di e en e daquela de linguagens
adicionais – como imos, seus mecanismos são undamen almen e dis in os. Em
uma na a i a p ocedu al in e a i a, po exemplo, a p incípio o au o não de e ia c ia
e en os especí icos, como a animação de cada mo imen o indi idual en ol ido em
uma de e minada ação, ou esc e e as alas comple as pa a um diálogo. A au o ia
de e ia acon ece sob e os p ocessos e compo amen os que ge am es es e en os,
como a de inição de uma ce a mecânica de mo imen o, ou de um sis ema dinâmico
de diálogo, po exemplo. Is o é, o a is a, nes e caso, não c ia de manei a es á ica - sua
au o ia é de na u eza p ocedu al. Michael Ma eas chega a suge i que odo o con eúdo
(g á icos, som, compo amen os e in e ações) seja p ocedu al - nas suas pala as, um
“ udo p ocedu al” (ou “p ocedu al e e y hing”) (Ma eas, 2011).
De qualque manei a, não é nossa in enção julga ou a alia a alidade (e mui o menos
a qualidade) des as p oduções, mas sim de chama a enção pa a a possibilidade de um
descompasso en e o ipo de expe iência p e endida pelo a is a e a linguagem e meio
escolhido pa a a sua ealização. No caso do esc i o que c ia a a és do compu ado ,
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mencionado an e io men e, seu obje i o é p oduzi um ex o cuja na u eza é
essencialmen e es á ica e linea . Des a o ma, ele não em in e esse em explo a
exp essi amen e os mecanismos do meio digi al, pois sua poé ica se mani es a em
ou a e apa (ou camada) do p ocesso c ia i o. En e an o, no caso dos jogos de
a en u a, enquan o a in enção c ia i a o iginal é de p oduzi um con eúdo de na u eza
p ocedu al (em oposição a um li o ou ilme, po exemplo), o que se e i ica é um
emp ego equen e de es a égias linea es de na a i a.
Ou o exemplo na á ea dos jogos que ilus a es e a gumen o é o emp ego excessi o das
“cu scenes”, que são os ídeos ou animações es á icas linea es emp egadas como uma
o ma de complemen a o desen ol imen o da his ó ia de um jogo. Se es as
“in omissões” se o nam excessi as, o in e a o ica insa is ei o, pois sua expec a i a
po uma expe iência p ocedu al e dinâmica é us ada.
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3. Au o ia P ocedu al (Conclusão)
Ao longo des e a igo p ocu amos mos a que, de o ma a explo a o po encial das
no as mídias, o a is a de e i além das es a égias es á icas e linea es de c iação,
explo ando as ca ac e ís icas, a lógica e os mecanismos undamen ais des e meio,
des a o ma exe ci ando um ipo de au o ia de na u eza p ocedu al. Es a abo dagem
exige um epe ó io e habilidades únicas, dis in as daquelas associadas às linguagens e
mani es ações a ís icas adicionais an e io es.
Alguns pesquisado es e mesmo a is as suge em que o emp ego das mídias digi ais
pode se p ejudicial à c iação ou exp essão a ís ica, po con a de uma supos a ieza
da ecnologia. Ac edi amos que isso depende p incipalmen e do uso que o a is a az
des es meios. O se humano é o c iado dos sis emas aos quais ele mesmo se encon a
subme ido e, de ce a o ma, limi ado - a sociedade e suas con enções, a écnica, e
assim po dian e.
Assim, o emp ego a ís ico ou exp essi o das mídias digi ais - incluindo as
mani es ações associadas às Poé icas P ocedu ais, sob e as quais a amos nes e a igo
– é de e minada p incipalmen e pela pos u a do a is a dian e des as e amen as,
pela sua capacidade de deixa -se aliena , ao mesmo empo man endo uma a i ude
conscien e e c í ica dian e dos seus mecanismos.
É ince o, e oge à nossa discussão, se e en ualmen e se á alcançado um equilíb io (ou
in eg ação) en e a in ui i idade humana e a acionalidade maquínica. Sob e udo, o
a is a de e p ese a a pos u a poé ica, o ça mo iz e mo i ação p imei a na
explo ação po no as o mas exp essi as, e sem a qual es a busca não e ia sen ido.
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Ou a compa ação que pode se ei a é em elação à música se ial ou gene a i a, que mui as
ezes oma como base os samples - sons di e sos e no as p é-g a adas de ins umen os ou
echos de músicas. Apesa do uso des es elemen os es á icos, a es a égia c ia i a
p edominan e nes as composições é de na u eza p ocedu al. Enquan o isso, nos jogos de
a en u a, há descompasso na medida que a na u eza do aspec o cen al da expe iência - a
na a i a, o compo amen o dos pe sonagens e assim po dian e - al e na de manei a a bi á ia
en e o p ocedu al e o es á ico.