P áxis Educa i a, Pon a G ossa, . 19, e22582, p. 1-20, 2024
Disponí el em: <h ps:// e is as2.uepg.b /index.php/p axiseduca i a>
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ISSN 1809-4031
eISSN 1809-4309
h ps://doi.o g/10.5212/P axEduc. .19.22582.029
Seção: A igos
Queb ando ba ei as e ampliando ozes:
a ciência na e a da equidade de gêne o*
B eaking ba ie s and ampli ying oices:
science in he age o gende equi y
Rompiendo ba e as y ampli icando oces:
la ciencia en la e a de la equidad de géne o
Ángela Ma ín-Gu ié ez**
h ps://o cid.o g/0000-0001-9847-245X
Nelcy Yoly Valencia-Oli e o***
h ps://o cid.o g/0000-0001-9394-8252
Resumo: O es udo da b echa de gêne o e das es a égias pa a a eliminação das desigualdades na ciência e
na ecnologia é uma linha de pesquisa complexa que analisa múl iplas dimensões, concen ando-se naquelas
com maio pode explica i o, como os es e eó ipos de gêne o, as dinâmicas e os p ocessos que pe mi em
sua supe ação, a socialização e a cons ução social da ciência e a necessidade de elabo a es udos eó icos e
empí icos ino ado es que espondam a esses p oblemas. Assim sendo, es e a igo baseia-se em uma pesquisa
quali a i a, e a o ma de ealizá-la oi po meio de uma e isão bibliog á ica e documen al com o obje i o
de mos a as ba ei as e os e os de id o das mulhe es na ciência, bem como os dados mais signi ica i os
sob e sua p omoção, p esença e ca ei a cien í ica na Espanha. Concluiu-se que as ans o mações
obse adas podem signi ica á ias coisas. Po um lado, é possí el que se es eja p esenciando um
en aquecimen o de alguns es e eó ipos de gêne o na ho a de escolhe uma ca ei a p o issional, embo a,
po ou o lado, essas ans o mações não sejam su icien es pa a ealiza as e o mas es u u ais,
ins i ucionais ou do con ex o social e cul u al necessá ias pa a a p omoção, a lide ança e a isibilidade das
mulhe es, an o nas ca ei as cien í icas quan o nas ins i uições.
Pala as-cha e: Ciência e mulhe es. Uni e sidade. Di e ença de gêne o.
* Es e abalho az pa e de um p oje o compe i i o chamado ¨Comscienciaeduspain¨ (FCT-20-15761), ealizado com
a colabo ação da Fundação Espanhola pa a a Ciência e Tecnologia – Minis é io da Ciência e Ino ação e á ias
uni e sidades espanholas.
** Dou o a In e nacional em Educação pela Uni e sidad de Se ilha (US). P o esso a sênio no Depa amen o de Teo ia
da Educação da Uni e sidad In e nacional de La Rioja (UNIR) e P o esso a do Depa amen o de Teo ia e His ó ia da
Educação e Pedagogia Social na Uni e sidad de Se illa (US). E-mail: <angela.ma in@uni .ne >; <ama [email p o ec ed]>.
*** Dou o a em Educação pela Uni e sidad Au ónoma de Mad id (UAM). P o esso a Dou o a Con a ada, na Faculdade
de Educação da Uni e sidad In e nacional de La Rioja (UNIR). E-mail: <nelcyyoly. alencia@uni .ne >.
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Abs ac : The s udy o he gende gap and s a egies o he elimina ion o inequali ies in science and
echnology is a complex line o esea ch ha analyzes mul iple dimensions, ocusing on hose ha ha e
g ea e explana o y powe such as gende s e eo ypes, he dynamics and p ocesses ha allow o e coming
hem, socializa ion and social cons uc ion o science, and he need o design inno a i e heo e ical and
empi ical s udies ha espond o hese p oblems. Thus, his a icle is based on quali a i e esea ch, and he
way o ca y i ou was h ough a bibliog aphic and documen a y e iew wi h he aim o showing he ba ie s
and glass ceilings o women in science, as well as he mos signi ican da a on hei p omo ion, p esence
and scien i ic ca ee in Spain. I was concluded ha he obse ed ans o ma ions may mean se e al hings.
On he one hand, i is possible ha we a e wi nessing a weakening o some gende s e eo ypes when i
comes o choosing a p o essional ca ee , al hough, on he o he hand, hese ans o ma ions a e no
su icien o unde ake he s uc u al, ins i u ional, o social and cul u al con ex e o ms ha a e necessa y
o he p omo ion, leade ship and isibili y o women, bo h in scien i ic ca ee s and wi hin ins i u ions.
Keywo ds: Science and women. Uni e si y. Gende gap.
Resumen: El es udio de la b echa de géne o y de las es a egias pa a la eliminación de las desigualdades en
la ciencia y la ecnología es una línea de in es igación compleja que analiza múl iples dimensiones,
concen ándose en aquellas que ienen mayo pode explica i o como son los es e eo ipos de géne o, las
dinámicas y los p ocesos que pe mi en su supe ación, la socialización y la cons ucción social de la ciencia,
y la necesidad de diseña es udios eó icos y empí icos inno ado es que espondan a es os p oblemas. Siendo
así, es e a ículo se basa en una in es igación cuali a i a, y la o ma de ealiza la ue po medio de una
e isión bibliog á ica y documen al con el obje i o de mos a las ba e as y los echos de id io de las
muje es en la ciencia, así como los da os más signi ica i os sob e su p omoción, p esencia y ca e a cien í ica
en España. Se concluyó que las ans o maciones obse adas pueden signi ica a ias cosas. Po un lado, es
posible que se es é asis iendo a un debili amien o de algunos es e eo ipos de géne o a la ho a de elegi la
ca e a p o esional, si bien, po o o lado, es as ans o maciones no sean su icien es pa a ealiza las
e o mas es uc u ales, ins i ucionales o del con ex o social y cul u al necesa ias de ca a a la p omoción, el
lide azgo, y la isibilidad de las muje es, an o en la ca e a cien í ica como en las ins i uciones.
Palab as cla es: Ciencia y muje es. Uni e sidad. B echa de géne o.
In odução
O gêne o na ciência e na ecnologia é uma linha de es udo es abelecida que su giu na
segunda me ade do século XX (Flo es-Espínola, 2018) e abo da ques ões his ó icas e a uais
elacionadas ao acesso, à e enção, à p omoção, à isibilidade e às con ibuições das mulhe es pa a
a ciência (Guillaume; Pochic, 2009; Lek e; Gunnes, 2022; Ligh ; Benson; Diekman, 2022). A ên ase
em sido colocada na análise da seg egação ho izon al e e ical, a im de de e mina as causas que
in luenciam a escolha e a con inuidade nas ca ei as cien í icas, bem como o papel e os es e eó ipos
de gêne o que c iam in luências e o ças sociais que podem se i pa a pe pe ua ou ans o ma
sua posição em di e en es cená ios de ida (Adams; Applega h; Simpson, 2020; Xie, 2006). Esse
é um campo pa icula men e é il que busca explicações elacionadas a di e en es ambien es e
econhece, po sua ez, que a escolha pode se condicionada po in e esses, pe sonalidade,
habilidades, conhecimen o disponí el e pelas opo unidades exis en es (Halpe n, 2006). Essas
úl imas ambém es a iam elacionadas a di e enças geog á icas (Hyde, 2006), à p esença de modelos
emininos den o e o a da amília (Su e , 2006) ou à ansmissão de alo es de gêne o den o e
o a do con ex o amilia (Weisne ; Wilson-Mi chell, 1990), en e ou os a o es.
Os dados alam da ans o mação dessa ealidade ao longo do século XX e do que oi
alcançado nes e século. De aco do com os ela ó ios do Fó um Econômico Mundial (2021), a
lacuna educacional já oi eduzida em 95% em odo o mundo (Subíndice de Alcance Educacional).
A Espanha, em pa icula , es á en e os países que p og edi am apidamen e pa a echá-la (99%),
acima da média de odos os países conside ados, embo a enha um subíndice mais baixo em elação
Ángela Ma ín-Gu ié ez e Nelcy Yoly Valencia-Oli e o
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ao empode amen o polí ico (49% em compa ação com 58% em odo o mundo), à economia, à
pa icipação e às opo unidades (69% em compa ação com 58% em odo o mundo).
Os núme os co esponden es à edução da di e ença de gêne o no subíndice de educação
exp essam mudanças elacionadas ao acesso das mulhe es. No Ensino Supe io , isso se des aca,
po exemplo, na eminização de algumas disciplinas e á eas de pesquisa – como En e magem,
Se iço Social (Lo en e; Luxa do, 2018), Ciências Biomédicas (Sego ia-Saiz e al., 2021; Shannon e
al., 2019), Ciências Sociais e Humanas (Na asimhan, 2021), Economia (Guisan, 2021), Li e a u a
(Cal o-Iglesias, 2019; Haba-Osca; Osca-Lluch; González-Sala, 2019), Comunicação (Ma ín-
Alga a; Se ano-Puche; Rebolledo, 2018), Educação Social (Rome o; Mo ales, 2018), Ma emá ica
(Ce ia; Bianche i, 2017) ou Ciências Químicas (Tom e al., 2021).
Além disso, há um aumen o na axa de mulhe es g aduadas (Collado; Vázquez-Cupei o,
2023; Ma a anz; Ramí ez, 2018) e um papel maio no ensino. Os subíndices que medem a
pa icipação das mulhe es, as opo unidades econômicas e o empode amen o polí ico exp essam
ou as ealidades menos lisonjei as, como a al a de pa idade, p incipalmen e quando se a a de
ca gos de lide ança e ges ão. Sua sub- ep esen ação nas chamadas ca ei as STEM (Ciência,
Tecnologia, Engenha ia e Ma emá ica) ambém é no á el (Allen e al. 2022; Almukhambe o a;
He nández-To ano; Nam, 2022; A acil, 2021; B eda e al., 2020; Cob e os; Galindo; Raigada, 2024;
De Philippis, 2023; E en; Yamashi a; Cummins, 2023; Voo en e al., 2022).
Ou a a iá el explica i a da di e ença de gêne o é iden i icada em pesquisas sob e a
dis ibuição do empo do co po docen e na academia (Bagues; Clo s-Figue as; Zino ye a, 2018;
Cabe o; Epi anio, 2021). Alguns es udos (Gua ino; Bo den, 2017; Re e e -Bañon, 2021) mos am
que as mulhe es endem a pa icipa de a i idades de meno p es ígio e isibilidade, publicam
menos a igos cien í icos e dedicam mais empo a a i idades de ex ensão, como ação social e
se iços, bem como men o ia, a endimen o a alunos e o ien ação de eses, en e ou as. Essa linha
de pesquisa desen ol eu um in e esse na análise de a qué ipos que pe mi em de e mina pe is de
uso do empo e ca ga de abalho no co po docen e (Cabe o; Epi aio, 2021; López-Belloso;
Sil es e-Cab e a; Ga cía-Muñoz, 2021), bem como em e ela as di e enças en e homens e
mulhe es na acei ação e no ecebimen o de solici ações de a e as pouco p omocionais, o que
p omo e a seg egação e ical pa a as mulhe es (Babcock e al., 2017).
As ans o mações obse adas podem signi ica á ias coisas. Po um lado, podemos es a
es emunhando um en aquecimen o de alguns es e eó ipos de gêne o nas escolhas de ca ei a,
mas, po ou o lado, essas ans o mações não são su icien es pa a ealiza as e o mas es u u ais,
ins i ucionais ou do con ex o social e cul u al (Lek e; Gunnes, 2022) que são necessá ias pa a a
p omoção, lide ança e isibilidade das mulhe es, an o nas ca ei as cien í icas (Gallego-Mo ón;
Mon es-López, 2021) e den o das ins i uições (Ga cía-Luján; Alba eda-Tiana, 2024; Mo ales-
Robles e al., 2023; Sego ia-Saiz e al., 2021), bem como em elação à ans o mação dos
undamen os epis emológicos e me odológicos da ciência (Pé ez-Sedeño, 2018), sob o p essupos o
de que a ciência não é neu a – o que e e um e ei o ad e so sob e a c ia i idade e a excelência
(Inco aia; Fealing; Schiebinge , 2023).
Nessa linha de es udos, ambém podemos inclui os abalhos que denunciam como a
ecnologia em ei o uso do abalho eminino, que adicionalmen e em sido in isibilizado. Essa
si uação es á começando a muda com o su gimen o da In e ne ; o Cibe eminismo (Adams;
Applega h; Simpson, 2020; Schoe le , 2023) e o Tecno eminismo (Olmos, 2023; Wajcman, 2010)
de endem, nesse sen ido, uma essigni icação do papel da mulhe como ecelã de in o mações e a
coope ação en e “mulhe es, máquinas e no as ecnologias”. Essa p ojeção é is a como uma
opo unidade pa a as mulhe es pa icipa em a i amen e da ans o mação da sociedade,
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des acando o cibe espaço como um luga de c iação e eap op iação da ecnologia (Leibe e al.,
2023; Mayo al-Gas ón e al., 2023; Peña anda-Veizaga, 2019).
Como podemos obse a , o es udo da b echa de gêne o e das es a égias pa a a eliminação
e edução das desigualdades em ciência e ecnologia é uma linha de pesquisa complexa que analisa
múl iplas dimensões, concen ando-se naquelas com maio pode explica i o, como os es e eó ipos
de gêne o, as dinâmicas e os p ocessos que pe mi em sua supe ação, a socialização e a cons ução
social da ciência e a necessidade de elabo a es udos eó icos e empí icos ino ado es que
espondam a esses p oblemas (Collado; Vázquez-Cupei o, 2023).
Me odologia
Es e abalho az pa e de um p oje o compe i i o chamado “Comunicación y di ulgación de la
ciencia en la educación en España a a és de las edes sociales – Comscienciaeduspain” (FCT-20-15761),
ealizado com a colabo ação da Fundación Española pa a la Ciencia y la Tecnología (FECYT) – Minis e io
de Ciencia e Inno ación e á ias uni e sidades espanholas e inanciado pa a o g upo de pesquisa
Inclusión Socioeduca i a e In e cul u al, Sociedad y Medios (SIMI).
Es e a igo baseia-se em uma abo dagem de pesquisa quali a i a (Aleg e-B í ez, 2022;
He nández-Sampie i, 2018), com escopo explo a ó io e in e p e a i o, e lexi o e concei ual. A
análise documen al oi usada como écnica pa a iden i ica o po encial das edes sociais (RRSS)
como es u u a ideal pa a as pesquisado as ompe em algumas das ba ei as que impedem sua
aje ó ia e p omoção p o issional. Essa análise consis e em uma análise de in o mações esc i as e
publicadas sob e um de e minado ópico, com o obje i o de es abelece elações, di e enças,
es ágios, posições ou o es ado a ual do conhecimen o sob e o ópico em es udo (Be nal, 2010;
Ma ínez-Co ona; Palacios-Almón; Oli a-Ga za, 2022). Po an o, o escopo que a pesquisa
p e ende alcança se concen a em mos a as ba ei as e os e os de id o das mulhe es na ciência,
bem como os dados mais signi ica i os sob e sua p omoção, p esença e ca ei a cien í ica na
Espanha en e 2015 e 2023.
A li e a u a suge e que as edes sociais podem se um meio e icaz pa a que as mulhe es
cien is as supe em os es e eó ipos de gêne o que di icul am suas ca ei as e sua ascensão
p o issional. No en an o, as pesquisado as que usam edes sociais acadêmicas en en am
di iculdades em seu uso egula de ido a es ições de empo e equisi os de pos agem. Pa a supe a
essas ba ei as, as pesquisado as podem explo a es a égias como ge enciamen o de empo e
p io ização e busca apoio de colegas e men o es. Dessa o ma, elas podem maximiza o po encial
das edes sociais pa a a ança em suas ca ei as e pesquisas.
Resul ados
Es a seção encon a-se di idida em cinco pa es. Na p imei a, abo damos a p esença de
mulhe es em ca ei as cien í icas; na sequência, disco emos sob e as ba ei as e e o de id o pa a
as mulhe es na ciência; em seguida, a amos da p omoção, da isibilidade e das ca ei as cien í icas
das mulhe es na Espanha; pos e io men e, e samos sob e os c edenciamen os pa a ca ei as
cien í icas e a isibilidade da ciência pelas mulhe es; po im, discu imos sob e a ans e ência de
conhecimen o.
Ángela Ma ín-Gu ié ez e Nelcy Yoly Valencia-Oli e o
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A p esença de mulhe es em ca ei as cien í icas
Há uma sé ie de indicado es que nos pe mi em e a si uação das mulhe es cien is as na
Espanha. Com elação à sua p esença nas ca ei as cien í icas, o ela ó io elabo ado pela Unidade
de Mulhe es e Ciência do Minis é io da Ciência e Ino ação (Espanha, 2022) mos a que, no início
de suas ca ei as p o issionais, há uma al a pe cen agem de mulhe es que diminui ab up amen e
quando elas en am acessa ca gos de lide ança e de ca ego ia supe io . Além disso, em 2021, a
pe cen agem de eses de Dou o ado de endidas po mulhe es oi de 49,8% (acima da média
eu opeia de ce ca de 47,8%). As á eas de conhecimen o com meno ep esen ação o am Ciência
da Compu ação (21,8%), Engenha ia, Indús ia e Cons ução (38,4%); e as com maio p esença
o am Saúde e Se iços Sociais (62,2%), Educação (59,7%), Ciências Sociais, Jo nalismo e
Documen ação (53,4%) e A es e Humanidades (52,8%), con o me dados da Unidad de Muje es y
Ciencia – do a an e UMyC (2021).
De aco do com os dados publicados pelo Minis é io de Assun os Econômicos e
T ans o mação Digi al (Espanha, 2021) elacionados ao Pessoal Docen e de Pesquisa e suas
ca ego ias con a uais, a pe cen agem de pesquisado as po milhão de habi an es não ul apassa
40% em nenhum ano. Esses núme os mos am um compo amen o esis en e quando se a a de
acessa as ca ego ias que p opo cionam maio p es ígio p o issional, isibilidade e a possibilidade
de di igi p oje os de Pesquisa, Desen ol imen o e Ino ação (P&D&I) inanciados (Figu a 1).
Figu a 1 – Pe cen agem de uncioná ios de ensino e pesquisa, uncioná ios públicos e con a ados, em cen os
uni e si á ios públicos, disc iminados po sexo, anos 2015-2020
Fon e: Elabo ada pelas au o as com base em dados publicados pela Sec e a ia de Es ado de Digi alização e In eligência
A i icial, Minis é io de Assun os Econômicos e T ans o mação Digi al.
1
Con o me mos ado na Figu a 1, pa a o ano de 2019-2020, podemos obse a que as
mulhe es ao longo de sua ca ei a p o issional pe manecem a i as e ocupam ca ego ias de abalho
es á eis.
A Figu a 2 mos a que a pe cen agem de p o esso es de ensino e pesquisa do sexo eminino,
na ca ego ia de P o esso Ti ula , excede a p opo ção de homens a é 2020. Essa é uma das
ans o mações mais impo an es nos dois pe íodos analisados, de 39,9% em 2015-2016 pa a
1
Disponí el em: h ps://da os.gob.es/ca alogo. Acesso em: 19 ma . 2024.
64,45
64,3
64,06 63,72
63,2
35,55 35,7 35,94 36,28
36,8
54,43 54,2 53,63 53,14
100
43,13 43,73 44,33 44,96
86,19
0
20
40
60
80
100
120
2015-2016 2016-2017 2017-2018 2018-2019 2019-2020
Homens uncioná ios públicos Mulhe es uncioná ias públicas
Homens con a ados Mulhe es con a adas
Queb ando ba ei as e ampliando ozes: a ciência na e a da equidade de gêne o...
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58,2% em 2020. No en an o, na úl ima ca ego ía (P o esso Uni e si á io), os núme os se in e em,
ep esen ando apenas 24,9%.
Figu a 2 – Pe cen agem de p o esso as e pesquisado as em cen os uni e si á ios públicos, disc iminada po
ca ego ia p o issional, anos 2015-2020
Fon e: Elabo ada pelas au o as com base em dados publicados pela Sec e a ia de Es ado de Digi alização e In eligência
A i icial, Minis é io de Assun os Econômicos e T ans o mação Digi al.
2
Ou o indicado que o nece in o mações é a pa idade quando se a a de emp ega pessoas
em a i idades de P&D&I. Em 2020, o núme o de pessoas emp egadas e a de 231.769 – dessas,
apenas 94.386 e am mulhe es, ep esen ando 40,7%. Além disso, das 145.371,5 pessoas en ol idas
em pesquisa em empo in eg al, apenas 58.004 e am mulhe es (39,9%), co o me dados do Ins i u o
Nacional de Es adís ica – do a an e INE (2021).
A Figu a 3 mos a a e olução desse úl imo indicado pa a os anos de 2015 a 2020 (em odos
os anos, as mulhe es não ul apassam 40%). De emos obse a que a pa idade é uma me a incluída
na Agenda 2030 (especi icamen e 9.5), daí a p opos a de aumen a a pesquisa cien í ica e melho a
a capacidade ecnológica.
2
Disponí el em: h ps://da os.gob.es/ca alogo. Acesso em: 19 ma . 2024.
39,5
50,2 51,5
39,9
20,9
41,4
48,9 50,2
58,2
24,9
0
10
20
30
40
50
60
70
P o esso associado
(P o eso Asociado)
P o esso assis en e
(P o eso Ayudan e
Doc o )
P o esso adjun o
(P o eso Con a ado
Doc o )
P o esso
uni e si á io pleno
(P o eso Ti ula de
Uni e sidad)
P o esso ca ed á ico
de uni e sidade
(P o eso Ca ed á ico
de Uni e sidad)
% de mulhe es em 2015-2016 % de mulhe es em 2019-2020
Ángela Ma ín-Gu ié ez e Nelcy Yoly Valencia-Oli e o
P áxis Educa i a, Pon a G ossa, . 19, e22583, p. 1-20, 2024
Disponí el em: <h ps:// e is as2.uepg.b /index.php/p axiseduca i a>
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Figu a 3 – Pe cen agem de pesquisado es (equi alen e em empo in eg al) po milhão de habi an es, po sexo
Fon e: Elabo ada pelas au o as com base em dados publicados pelo INE (2021). Es a ís icas sob e a i idades de
P&D&I 2015-2020.
Esses dados ajudam a ce i ica que as mulhe es, apesa de p odu i as, não são isí eis em
suas ca ei as cien í icas. Nesse sen ido, a pe cen agem, po exemplo, de pesquisado as po milhão
de habi an es em 2020 oi meno do que a de homens (39,9% con a 60,10%).
Po um lado, as ca ei as cien í icas das mulhe es são pon uadas po e en os que le am ao
abandono, à es agnação e a é mesmo à doença (E ans e al., 2018). Po ou o lado, a possibilidade
de acesso a ca gos de lide ança e ges ão em p oje os de P&D&I inanciados é o emen e a e ada
de ido à impossibilidade de acesso ao pos o de p o esso uni e si á io ou p o esso pesquisado
em uma O ganização Pública de Pesquisa na Espanha (IPO).
Con o me demons ado pelo Obse a ó io da Mulhe da Ciência e da Ino ação –
do a an e OMCI (2021), na Espanha, na maio ia das á eas do conhecimen o, as jo ens
pesquisado as de ní el D são maio ia, embo a à medida que se a ança pa a ní eis mais al os, su ja
o chamado “g á ico de esou a”. Além disso, as exigências de dedicação, mobilidade e
compe i i idade, as di iculdades de inanciamen o e a conciliação com a ida pessoal ou amilia
podem o na a ca ei a de pesquisa das jo ens uma si uação eple a de obs áculos (OMCI, 2021).
Ba ei as e e o de id o pa a as mulhe es na ciência
As ca ei as cien í icas das mulhe es en en am uma sé ie de ba ei as, incluindo os sis emas
de a aliação aos quais elas de em subme e suas pesquisas (López-Na a e e e al., 2021), a al a de
p omoção e isibilidade (Se ano-Á ila, 2018), o sexismo, a exigência de se con o ma a papéis
adicionais, a pe sis ência de es e eó ipos de gêne o, uma isão and ocên ica da ciência (Repiso
e al., 2020), disc iminação no abalho, assédio sexual (Valan ine e al., 2022), al a de in luência,
compo amen o disc imina ó io, al a de modelos, al a de ep esen ação em ca gos de lide ança
com a consequen e al a de pa idade na omada de decisões e al a de apoio (A edondo; Vázquez;
Velázquez, 2019; Sego ia-Saiz e al., 2021). Tudo isso le a à insa is ação no abalho, ao abandono,
à exaus ão emocional (bu nou ) (Henny e al., 2014) e ao es esse causado pela p essão pa a publica
(Goyanes; Rod íguez-Gómez, 2018). Esse úl imo aspec o ganhou in e esse especial nos úl imos
anos, bene iciando-se de con ibuições que mos am que as mulhe es do mundo acadêmico so em
maio exaus ão emocional de ido às condições de abalho, po pe ence em a ca ego ias
p o issionais mais ins á eis ou po e em maio di iculdade de concilia a ida pessoal e p o issional
(Rod íguez-Ga cía; Sola-Ma ínez; Fe nández-C uz, 2017).
61,2 60,88 61,22 61,21 60,15 60,1
38,98 39,12 38,78 38,79 39,85 39,9
0
10
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30
40
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Homens Mulhe es
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O abandono das ca ei as cien í icas po pa e das mulhe es é uma das consequências mais
palpá eis e d amá icas. Na década de 1980, os dados mos am que, na Espanha, mais da me ade
dos g aduados e am mulhe es, mas que, de cada dez que de endiam sua ese de Dou o ado, apenas
qua o e am mulhe es. Na ca ei a docen e, as mulhe es ep esen a am um qua o do o al e apenas
uma mulhe em cada dez homens alcança a o ca go de p o esso . Essa é uma ealidade que mudou
com o empo. A ualmen e, as mulhe es são maio ia em quase odas as disciplinas, com algumas
di e enças, sendo mais ep esen adas nos cu sos de Humanidades, enquan o man êm uma cla a
sub- ep esen ação nos cu sos STEM (Pé ez-Sedeño, 2018).
Em 2020, 41% da equipe de pesquisa na Espanha e a compos a po mulhe es. Essa
pe cen agem es á acima da média eu opeia de 34% (UMyC, 2021). En e an o, nas disciplinas em
que a pa idade é maio , ela desapa ece no opo da ca ei a cien í ica. Esse cená io é um pouco pio
nas O ganizações Públicas de Pesquisa (PRIs), onde as mulhe es são mino ia desde o início da
ca ei a cien í ica. Quando chega o momen o de acessa um ca go pe manen e ou uma ca ego ia
que lhes p opo cione es abilidade no emp ego, a pe cen agem diminui (em 2018, e a de 43%, e em
2020, 44%). Nas ca ego ias que são undamen ais pa a acessa ca gos de ge ência, os núme os caem
d as icamen e: 25% em 2018 e 24% em 2020 (Pé ez; Alcalá, 2006; Pé ez-Sedeño, 2018; UMyC,
2021). Em elação a ins i uições como o Consejo Supe io de In es igaciones Cien í icas – do a an e CSIC
(2018), a pe cen agem de mulhe es, em 2018, e a de 52% (na ca ego ia de pesquisado p é-
Dou o ado), 43% (na ca ego ia de pesquisado pós-Dou o ado), 41% (na ca ego ia de pesquisado
Ramón y Cajal), 25% (na ca ego ia de Pesquisado Dis in o), 40% (na ca ego ia de Cien is a Pleno),
35% (na ca ego ia de Cien is a Pesquisado ) e 26% (na ca ego ia de P o esso Pesquisado ) (CSIC,
2018).
Ou os es udos po á ea geog á ica ou egião mos a am as seguin es endências. Na União
Eu opeia, em 2020, a pe cen agem de mulhe es p esen es nos p incipais comi ês pa a a elabo ação
de polí icas e p io idades nacionais de pesquisa cien í ica e ecnológica e a de 36% (Sego ia-Saiz e
al., 2021). No campo da biomedicina, na Espanha, as mulhe es ep esen am quase 60% do o al de
pessoas que ob i e am o í ulo de Dou o ado, embo a sua p esença nos ca gos acadêmicos mais
impo an es seja eduzida pa a 36% (na condição de p o esso as associadas) e 18% (na condição
de p o esso as i ula es) (Díaz-Faes e al., 2020). No Chile, a ges ão eminina em uni e sidades
públicas é de 24,3% e es á concen ada em ei o ias e di e o ias de depa amen os (A iagada e al.,
2018). No México, na Uni e sidade de Guadalaja a, um es udo insis iu na necessidade de o alece
a lide ança eminina e o ma edes p o issionais pa a eduzi a lacuna de gêne o exis en e em
ca gos de ges ão (Cas añeda-Ren e ía e al., 2019).
Na Espanha, embo a algumas melho ias possam se obse adas, a sub- ep esen ação em
ca gos de ge ência con inua a se a ca ac e ís ica dominan e. Em 2020, a pe cen agem de mulhe es
em ca gos de ge ência em uni e sidades públicas e a de 23%; 50% em o ganizações públicas de
pesquisa (UMyC, 2021). Esse núme o mos a, em elação aos anos an e io es, que hou e um le e
aumen o no núme o de mulhe es em ca gos de ge ência, embo a concen ado em ice- ei o ias
(42%) (UMyC, 2021).
De aco do com os dados exp essos acima, a lacuna de gêne o no Ensino Supe io , em
elação às ca ei as es udadas, às aje ó ias p o issionais e ao acesso a ca gos de ges ão (Rome o-
Mad id; Del Co al; Gómez-González, 2018), le a a uma pe da signi ica i a de capi al social
(Rincón-Díez; González; Ba e o, 2017). Com base nessas p emissas, é u gen e implemen a
polí icas que e enham o alen o eminino (Pé ez-Sedeño, 2018) e o nem isí el o conhecimen o
p oduzido pelas mulhe es, bem como suas con ibuições eó icas e empí icas cla amen e
ino ado as (López-Na a e e e al., 2021).
Ángela Ma ín-Gu ié ez e Nelcy Yoly Valencia-Oli e o
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Esses núme os mos am que o e o de id o pa a as mulhe es cien is as pe manece
(Gallego-Mo ón; Ma us-López, 2018) e que mic o desigualdades ou compo amen os de exclusão
apa en emen e insigni ican es ge am um clima hos il e as deses imulam a pe manece na ca ei a
cien í ica (Pé ez-Sedeño, 2018). Em ou as pala as, dian e desses dados, são necessá ias pesquisas
pa a iden i ica os obs áculos en en ados pelas mulhe es cien is as na es abilização de suas
ca ei as p o issionais, bem como as ba ei as que impedem sua isibilidade e acesso a ca gos de
ges ão.
Dessa manei a, po um lado, alguns es udos apon a am a exis ência de uma abo dagem
me i oc á ica na in e p e ação do sis ema cien í ico como uma possí el causa que pode con ibui
pa a a pe sis ência do e o de id o – limi ação elada do a anço da ca ei a das mulhe es nas
o ganizações (Sego ia-Saiz e al., 2021). Da mesma o ma, há uma necessidade u gen e de in eg a
a dimensão de gêne o no con eúdo e na a aliação dos p oje os de P&D&I (apenas 23% dos
en e is ados conside a am ele an e inclui essa dimensão) (UMyC, 2021). Esse úl imo aspec o
em epe cussões ele an es, pois, embo a o núme o de mulhe es que se candida am a
inanciamen o enha aumen ado, as axas de sucesso são mui o in e io es às dos homens.
Po ou o lado, alguns es udos insis em na necessidade de in eg a a o ganização da
pesquisa, p omo endo modelos egidos po c i é ios que p omo am a ansmissão e o in e câmbio
de conhecimen os, a esponsabilidade social, a anspa ência, a colabo ação e o abalho
in e disciplina (Sego ia-Saiz e al., 2021). Nessa acepção, ambém oi en a izada a necessidade de
os cen os e em planos de igualdade. A ualmen e, apenas 44 uni e sidades êm esse ins umen o
(das quais dez são p i adas) (UMyC, 2021). Há ambém uma necessidade u gen e de alo iza a
di e sidade das pessoas que ealizam pesquisas, a im de ge a conhecimen o com uma isão ampla,
no as pe gun as, soluções e o mas de aze ciência (Bo ella e al., 2019; Pé ez-Sedeño, 2018).
P omoção, isibilidade e ca ei as cien í icas das mulhe es na Espanha
Pa a examina os a o es associados à p omoção e à isibilidade das mulhe es nas ca ei as
cien í icas, ainda al am es udos que in es iguem as ca ac e ís icas especí icas de suas condições de
acesso e desen ol imen o: se elas passa am pelos mesmos es es, se supe a am as mesmas
di iculdades, se ecebe am o mesmo econhecimen o, se o ganiza am sua ida acadêmica,
p o issional e p i ada da mesma o ma que seus colegas homens e c. (Cas añeda-Salgado; O do ika,
2015). Essas são pe gun as que con ibuem pa a man e uma isão c í ica das opo unidades que
as mulhe es êm pa a o desen ol imen o de suas ca ei as cien í icas, en a izando sua lu a pa a se
posiciona , denunciando a supos a neu alidade dos mecanismos de a aliação que, no en an o,
o nam in isí el a sob eca ga de abalho e o in es imen o em empo e es o ço e c. (Cas añeda-
Salgado; O do ika, 2015).
As mulhe es na ciência, assim como em ou os con ex os, en en am uma sé ie de ba ei as
que as colocam em des an agem ao longo de suas ca ei as. Essa é uma si uação que pode
in luencia o apelo de ou as mulhe es pa a segui ca ei as cien í icas, pois ecebem a mensagem
de que não há luga pa a elas e que, po an o, de em op a po pe manece em posições baixas ou
in e mediá ias ou desis i da ida p o issional (Sego ia-Saiz e al., 2021). Esse cená io se aduz na
exis ência de menos edes de apoio pa a acessa ca gos ele an es e na pe da de opo unidades de
p omoção. Da mesma o ma, as mulhe es que se candida am a emp egos em ní eis que exigem
mais empo e dedicação en en am mais obs áculos do que os homens (Díaz-Faes e al., 2020).
As polí icas públicas que p omo em a pa icipação das mulhe es na ciência, a alo ização
de sua p odução cien í ica e a inco po ação de abo dagens com pe spec i a de gêne o p o êm de
di e izes eu opeias, en e as quais o Plano de Ação da Unidade de Mulhe es e Ciência (1999), o
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Recibido: 02/11/2023
Ve sión co egida ecibida: 20/03/2024
Acep ado: 30/03/2024
Publicado online: 05/05/2024