SPAL 27.2 (2018): 125-163
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2018i27.18
O POVOADO DA QUINTA DO ALMARAZ (ALMADA, PORTUGAL)
NO ÂMBITO DA OCUPAÇÃO NO BAIXO TEJO DURANTE O
1º MILÉNIO A.N.E.: OS DADOS DO CONJUNTO ANFÓRICO
THE SETTLEMENT OF QUINTA DO ALMARAZ (ALMADA, PORTUGAL) IN
THE CONTEXT OF THE OCCUPATION ON THE LOWER TAGUS DURING THE
1ST MILLENNIUM BC: THE DATA FROM THE AMPHORAE SET
ANA OLAIO
A queóloga.
Co eo-e: [email p o ec ed]. ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0003-2356-2893
Resumo: As esca ações a queológicas desen ol idas na
Quin a do Alma az, na ma gem esque da da oz do es uá io
do Tejo, e ela am uma ex ensa ocupação da Idade do Fe o.
Do as o conjun o de a e ac os ecolhidos, as ân o as des-
acam-se como uma ca ego ia ela i amen e nume osa e i-
pologicamen e di e sa. O es udo conc e izado demons ou
a maio i á ia p esença de p oduções locais/ egionais, ace a
uma diminu a ep esen ação de impo ações, essencialmen e
o iundas do Sul da Península Ibé ica. Os dados das ân o as
aduzem-se num impo an e con ibu o pa a a comp eensão
da dinâmica do po oado da Quin a do Alma az e es emu-
nham a p odução an ó ica desen ol ida no es uá io do Tejo
du an e o 1º milénio a.n.e., bem como a g ande au onomia
económica e capacidade de au o-abas ecimen o des a á ea ao
longo da Idade do Fe o.
Abs ac : A chaeological exca a ions ca ied ou in Quin a
do Alma az, on he le bank o Tagus es ua y’s mou h, e-
ealed an ex ensi e I on Age occupa ion. F om he as se o
a i ac s collec ed, ampho ae s and ou as a ela i ely nume -
ous and ypologically di e si ied ca ego y. The s udy showed
he p edominan p esence o local/ egional p oduc ions,
agains a small ep esen a ion o impo s, which a e mainly
om he Sou h o he Ibe ian Peninsula. The ampho a da a
e ealed an impo an con ibu ion o unde s anding he dy-
namics o he se lemen o Quin a do Alma az and es i ied
he ampho ae p oduc ion o he Tagus es ua y du ing he 1s
millennium BC and he g ea economic au onomy, as well as
sel -su iciency o his a ea h oughou he I on Age.
Pala as-cha e: Quin a do Alma az; Idade do Fe o; Ân o-
as; Es uá io do Tejo; Comé cio.
Keywo ds: Quin a do Alma az; I on Age; Ampho ae; Tagus
es ua y; T ade.
1. INTRODUÇÃO
A Quin a do Alma az localiza-se em Cacilhas, no
concelho de Almada, na ma gem esque da da oz do
es uá io do io Tejo ( ig. 1). O po oado da Idade do
Fe o oi iden i icado em 1986 po Luís Ba os e José
Manuel Sousa e, a pa i de 1988, assis iu a á ias
campanhas de esca ação, que e ela am uma densa
ocupação enquad á el no 1º milénio a.n.e.. Pe an e
a impo ância do po oado e o seu es ado de conse -
ação, oi classi icado em 2013 como Sí io de In e-
esse Público.
Recepción: 28 de julio de 2017. Acep ación: 20 de no iemb e de 2017
Olaio, A. (2018): “O po oado da Quin a do Alma az (Almada, Po ugal) no âmbi o da
ocupação no Baixo Tejo du an e o 1º milénio a.n.e.: os dados do conjun o an ó ico”,
Spal 27.2: 125-163. DOI: h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2018i27.18
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O es udo que ago a se publica em como base a
ese de Mes ado em A queologia ap esen ada pela au-
o a à Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa,
em 2015, que incidiu sob e o conjun o das ân o as da
Idade do Fe o iden i icadas na Quin a do Alma az, de-
posi ado no Museu de A queologia e His ó ia de Al-
mada. O in e esse da abo dagem esidia, po um lado,
nos con ibu os que as ân o as pode iam aze pa a
a comp eensão das dinâmicas do po oado e da sua
e olução ao longo do 1º milénio a.n.e. no âmbi o da
economia, p odução e con ac os come ciais na egião
do Baixo Tejo; po ou o, na u ilidade dos dados pa a o
ap o undamen o da discussão sob e a c onologia do sí-
io, pa a a qual o conjun o a ia e en uais in o mações
pe inen es. Finalmen e, pela impo ância que inha no
âmbi o da ca ac e ização das ân o as p oduzidas no es-
uá io do Tejo du an e a Idade do Fe o, ema que em
assis ido a g andes desen ol imen os nos úl imos anos.
2. QUINTA DO ALMARAZ: O POVOADO
DA IDADE DO FERRO
A Quin a do Alma az encon a-se na e en e Sul de
um longo espo ão, que supe a os 60 me os de al u a e
se ap esen a eco ado a No e po uma a iba, que lhe
p opo ciona excelen es condições na u ais de de esa
( ig. 2). Desen ol e-se em penden e no sen ido No e-
-Sul, ap esen ando um desní el que e mina «num ale
bem de inido, que con ina com o mo o de Cacilhas»
(Ba os e al. 1993: 144). Es a localização con e iu-lhe
um g ande con olo sob e a oz do io Tejo e e i ó-
ios en ol en es, numa posição al amen e p i ilegiada
na ajec ó ia de acesso ao in e io , bem como às o as
a lân icas e medi e âneas.
Ainda que enham sido iden i icados, nes a pla a-
o ma, es ígios ela i os a ou as c onologias, como
Calcolí ico, B onze Final e Romano Republicano (Ba -
os 2001: 13, Ba os e al. 1993: 146, Ba os e Hen i-
ques 2002b), os es emunhos ela i os à Idade do Fe o
o am os únicos que, a é ao momen o, se encon a am
em es a ig a ia conse ada, co espondendo ao mo-
men o em que a ocupação da pla a o ma se e elou
mais in ensa.
É p o á el que o po oado se es endesse, de o ma
mais ou menos con ínua, a é Cacilhas, jun o ao io. Es a
é uma á ea bas an e esgua dada, com po encialidades
na u ais de anco agem, onde o am iden i icados alguns
es ígios da Idade do Fe o, en e os quais se encon a
uma es u u a que em indo a se in e p e ada como
cais p é- omano (Ba os e Hen iques 1998a: 102).
O po oado não se encon a a, na u almen e, iso-
lado no e i ó io. São á ios os indícios que apon am
pa a o enquad amen o de Alma az numa ede de po-
oamen o, que se e á desen ol ido du an e o 1º mi-
lénio a.n.e. ( ig. 3). Apesa das pa cas in o mações
publicadas, os dados disponí eis pe mi em supo que,
pelo menos, desde o século VI a.n.e., su ge uma sé-
ie de ocupações dispe sas pela zona No e do e i-
ó io do ac ual concelho, em á eas de ácil acesso ao
Figu a 1. Localização da Quin a do Alma az no e i ó io
ac ualmen e po uguês (base ca og á ica da UNIARQ).
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io e e enos é eis (Ba os 1998: 35). En e os es-
ígios incluem-se os da Rua Manuel Feb e o/Ped ada,
na Co a da piedade (Sil a e Soa es 1986: 137) e os da
Quin a do Facho e Figuei a 1, no Mon e de Capa ica,
sí ios onde o am ecolhidos alguns a e ac os enqua-
d á eis na Idade do Fe o, como ce âmicas de engobe
e melho, ân o as e p oduções manuais (Ba os 1998:
38). Também na Quin a da To e (mon e de Capa ica)
o am econhecidos es ígios que, no en an o, denun-
ciam uma ocupação cu a e mais a dia, en e a passa-
gem da Idade do Fe o e o pe íodo Romano (Ca doso e
Ca ei a 1997-1998).
Figu a 2. Quin a do Alma az is a de Lisboa.
Figu a 3. es ígios da Idade do Fe o em Almada. (1) Quin a do Alma az; (2) Cacilhas; (3) g u a de S. paulo; (4) Rua manuel
Feb e o/ped ada; (5) Quin a do Facho; (6) Quin a da To e; (7) Figuei a 1.
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Es as êm sido in e p e adas como pequenas ins ala-
ções dependen es de Alma az, que assumi ia o con olo
polí ico-económico du an e a Idade do Fe o (A uda
1999-2000: 113, Ca doso 2004: 231). Fo am ainda
iden i icados, a ce ca de 1 km da Quin a do Alma az,
numa das G u as de São Paulo, di e sos es ígios ela-
i os aos séculos VI-V a.n.e. que, no en an o, indiciam
um con ex o singula , dis in o dos an e io men e des-
c i os (Ba os 1998: 35).
Os dados são ainda insu icien es, sendo indispensá-
el p ocede ao seu es udo e publicação de alhada, de
modo a comp eende as dinâmicas de po oamen o na
ma gem esque da da oz do es uá io do Tejo ao longo
do 1º milénio a.n.e.
2.1. A qui ec u a e U banismo
Du an e as in e enções ealizadas na Quin a do Alma-
az en e 1988 e 2001, o am econhecidas algumas es-
u u as de ca iz habi acional e de ensi o.
Dado que as esca ações no sí io o am o ien adas
pa a a abe u a de di e sas sondagens ao longo do po-
oado, com o objec i o p incipal de comp eende os
seus limi es, são poucos os dados sob e o seu u ba-
nismo in e no. Des e modo, as es u u as de ca ác e
habi acional o am egis adas, a é ao momen o, apenas
em duas á eas da pa e supe io da pla a o ma.
Na á ea em que a zona esca ada oi mais signi ica-
i a (D20) o am iden i icados mu os de açado ec ilí-
neo cons uídos com ecu so a calcá ios e a gilas locais
(Ba os 1998: 36) que de inem alguns compa imen os
( ig. 4). Sob e os embasamen os pé eos ele a -se-iam
pa edes em adobe e, associados a es es, es a iam pa i-
men os em a gila cozida (Ba os 1998: 36). Den o de
um dos compa imen os oi iden i icada uma es u u a
de combus ão ( ig. 5), compos a po agmen os de ce-
âmica pa ida e placas de a gila cozida, com ce ca de
90 cm de diâme o e es ígios nas ex emidades do que
pode á e sido o a anque de uma cúpula, ambém em
a gila (Ba os 1998: 36).
A es u u a com mais á ea esca ada a a-se de um
osso, que oi iden i icado e in e encionado em di e -
sas sondagens ( ig. 6) e apa en emen e odeia o po oado
pelo lado Sul. Os oços econhecidos ap esen am g an-
des a iações ao ní el da dimensão, geome ia e o ien-
ação ( igs. 7 e 8), a iando en e os 3 m e os 3,80 m de
la gu a e os 2 m e os 3,50 m de p o undidade (Ba os e
Figu a 4. is a de sudes e das es u u as habi acionais iden i icadas no quad ado D20.
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Hen iques 2002a: 296-297). No que espei a à geome-
ia, pode ap esen a um pe il em ‘U’ ou em ‘ ’, com
undo plano, em ângulo agudo ou uma calei a no undo
(Ba os e Soa es 2004: 399). A sua o ien ação ambém
não é comple amen e egula já que, mesmo em sec o-
es p óximos, o osso anuncia um desen ol imen o em
di ecções ligei amen e dis in as.
Es as a ian es le am a que seja ques ioná el se es-
amos pe an e uma única linha de ca ac e ís icas pa -
icula es, se exis e mais do que uma es u u a; ou, po
ou o lado, podem e lec i uma adap ação ao e eno e
necessidades de ampliação da en e de de esa em de-
e minados pon os.
As dis in as ca ac e ís icas que o osso de Al-
ma az ai e elando podem, adicionalmen e, de e -
-se às unções que e e ao longo da sua u ilização.
É p o á el que, num p imei o momen o, a abe u a
do osso es i esse essencialmen e elacionada com
o ap o ei amen o de ma é ia-p ima pa a cons ução
(Lo io 2012: 78).
Adicionalmen e, es as es u u as inham ambém
um impo an e papel como delimi ado es do espaço u -
bano, p opo cionando uma ce a o ganização e segu-
ança in e na (Díes Cusí 2001: 83). pa a além de uma
e en ual unção de ensi a e delimi ado a, os ossos são
um excelen e canal de dis ibuição e d enagem de água
(Ruiz ma a 2001: 263), pa icula men e num e eno
como o de Alma az, com um o e decli e. Num mo-
men o inal, em que as unções iniciais deixam de aze
sen ido, as es u u as ipo osso podem se u ilizadas
pa a despejos de lixos, que esul am no p eenchimen o
p og essi o da es u u a.
Figu a 5. po meno da es u u a de combus ão iden i icada no
quad ado D20.
Figu a 6. plan a da pla a o ma da Quin a do Alma az com localização ap oximada das á eas esca adas en e 1988 e 2001 e
espec i as es u u as.
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Pa a nenhuma das á eas esca adas do osso oi ea-
lizada uma desc ição sis emá ica da sequência es a i-
g á ica, es ando apenas disponí el uma análise mui o
gené ica. Des e modo, sabe-se que os es a os que o en-
chiam e am endencialmen e ho izon ais, in e calando
«mic o-camadas» de «a eia e a gilas» (Ba os e Hen-
iques 2002a: 297) e que «Apesa (…) de não exis i em
es ígios de anspo e signi ica i o de ma e iais após
o depósi o, e i ica-se que é comum encon a ag-
men os da mesma peça nas mais di e sas camadas do
seu enchimen o» (Ba os e Soa es 2004: 340). A sua
colma ação oi en ão in e p e ada como um p ocesso
ápido, no deco e do séc. VII a.n.e., como consequên-
cia da necessidade de c escimen o do po oado (Ba os
2001: 14, Ba os e Soa es 2004: 340) – ol a emos a
es a ques ão mais adian e.
Fo am ambém iden i icadas algumas es u u as de
g ande dimensão ( ig. 9), p óximas do osso, in e p e a-
das como mu alha da Idade do Fe o (Ba os 2001: 12,
Ba os e Hen iques 2002a: 296). Acompanham pe pen-
dicula men e alguns dos aludes do e eno, apoiando
a sua cons ução no subs a o ochoso, e são cons i uí-
das po blocos de ped a de pequena e média dimensão
essencialmen e de o igem local (Ca doso 1990: 120).
No en an o, os dados que se conhecem a é ao momen o
não pe mi em ce ezas ela i amen e à in e p e ação
que em indo a se adop ada.
An es de mais, pelas ca ac e ís icas da es u u a,
que se ap esen a com uma espessu a conside a el-
men e eduzida e não os en a elemen os que a enqua-
d em nos sis emas ípicos da Idade do Fe o. Ainda que
não seja a o egis a -se uma associação en e osso e
mu alha na delimi ação de po oados du an e a p imei a
me ade do 1º milénio a.n.e., o modelo mais comum na
Idade do Fe o de in luência o ien al são as mu alhas de
compa imen os (Diés Cusí 2001: 75). Es e sis ema é
compos o po dois mu os que se desen ol em pa alela-
men e, deixando en e si espaços azios que, em alguns
casos, e am di ididos em compa imen os e pode iam
se p eenchidos com e a ou u ilizados pa a a mazena-
men o (López Cas o e al. 2010: 30). Em de e minados
casos e i ica-se uma ou a solução, em que um único
lanço de mu alha é e o çado, in e na ou ex e namen e,
po con a o es ou o eões espaçados de o ma i egu-
la , que con e iam obus ez à es u u a (Rode o Oli a-
es e Be ocal-Rangel 2011-12: 229-230).
Apesa de se e i ica em ou as soluções no âmbi o
da a qui ec u a de ensi a p o o-his ó ica da Península
Ibé ica ao longo do 1º milénio a.n.e., ela i amen e à
es u u a da Quin a do Alma az al am dados conc e os
undamen ais, nomeadamen e sob e as ca ac e ís icas
cons u i as e as indispensá eis associações es a i-
g á icas que con i mem o seu enquad amen o na Idade
do Fe o e con empo aneidade ela i amen e ao osso.
Sem p e ende exclui a hipó ese de se i a con i ma
a e e ida in e p e ação, conside a-se que se de e se
Figu a 7. Fosso: pe il do J27/4.
Figu a 8. Fosso: pe il do K31.
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p uden e e agua da po in e enções di eccionadas a
comp eende a es u u a em ques ão.
O único con ex o do po oado com dados es a ig á-
icos publicados, a é ao momen o, co esponde a uma
es u u a nega i a, iden i icada no quad ado U45/3 e
in e p e ada como ossa de de i os ( ig. 10). Es a e á
sido esca ada no subs a o geológico e em uma p o-
undidade máxima de 0,90 m e um diâme o de abe -
u a de con o no elíp ico de ce ca de 3 m (Ba os e
al. 1993: 146-151). Foi de endido um p ocesso de en-
chimen o p olongado no empo, em ês momen os
dis in os (Ba os e Soa es 2004: 351). No seu in e io
oi iden i icada «uma es u u a mais an iga» (Ba os
e Soa es 2004: 339), sob a qual es a ia uma camada
(«Alm11»), co esponden e a uma ase de ocupação an-
e io à abe u a da ossa, à qual oi igualmen e a i-
buída uma c onologia en e o inal do século IX e os
inícios do III a.n.e. (Ba os e Soa es 2004: 351).
Vá ios in es igado es (p. ex.: A uda 1999-2000:
108-111, Hen iques 2006: 37-40, Sousa 2014: 47) êm
ale ado pa a a di iculdade em encon a coe ência nas
in o mações publicadas, nas quais a es a ig a ia ai
sendo al o de di e en es in e p e ações. Não obs an e,
es a é a es u u a com maio núme o de dados es udados.
2.2. Ques ões c onológicas
Das esca ações de Alma az esul ou a ecolha de uma
g ande quan idade de a e ac os, encon ando-se a
maio ia po es uda . Além das abo dagens à ce âmica
de engobe e melho e ce âmica cinzen a da ossa de de-
i os (Ba os e al. 1993, Hen iques 2006), os es an-
es dados publicados de i am de uma selecção alea ó ia
de alguns agmen os ce âmicos de di e sas ca ego ias
(Ba os e Hen iques 1998b, 2002a, 2002b) com e e-
ências pouco elucida i as ao con ex o de p o eniência.
Apesa des a lacuna no conhecimen o do sí io a -
queológico, um conside á el conjun o de da ações po
adioca bono, ela i o às es u u as nega i as do po-
oado – osso e ossa de de i os –, já se encon a pu-
blicado (Ba os e Soa es 2004). Com base nas da ações
po adioca bono, o am de endidas c onologias pa a
as espec i as es u u as e, em i ude des as, enqua-
d adas «as p imei as mani es ações o ien alizan es»
no po oado na «segunda me ade do séc. IX a.C.» (Ba -
os e Soa es 2004: 344). Es as deduções le an a am, ao
longo do empo, um conjun o de ques ões, pa icula -
men e pela al a de in o mações alusi as aos con ex os
de p o eniência e a e ac os associados.
Como já oi e e ido po ou os au o es, a é ao mo-
men o não se conhecem ma e iais que consubs an-
ciem as c onologias mais an igas de Alma az (A uda
2005b: 285). mesmo endo em con a a ecen e e i-
são da sequência c onológica do Medi e âneo Cen al
e Ociden al, que pe mi iu enquad a o início da p e-
sença enícia nes as á eas no úl imo qua el do séc. X
ou pleno séc. IX cal BC, ecuando a denominada da a-
ção «his ó ica» ou « adicional» em mais de 100 anos
(Núñez 2015, López Cas o e al. 2016, en e ou os),
e apesa de algumas da ações de Alma az se em com-
pa í eis com o início da in luência o ien alizan e no
Figu a 9. Es u u a
in e p e ada como
mu alha da Idade do
Fe o.
132 ANA OLAIO
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es uá io do Tejo, os poucos ma e iais que se conhecem
não pe mi em con i ma as da ações mais an igas (A -
uda 2005b: 283-285).
Ac esce o ac o de os esul ados das da ações de
Alma az p opo ciona em, em á ios casos, amplos in-
e alos de empo – supe io es a 300 anos – (Ba os e
Soa es 2004: 349), pelo que de em se u ilizados com
p udência, em conjun o com a in o mação es a ig á-
ica e o es udo dos a e ac os (To es O iz 1998: 50,
Núñez 2015: 30-33).
Além do mais, aze deduções sob e a c onologia
de início de ocupação de um po oado a a és da da a-
ção de es u u as nega i as conside a-se a iscado, já
que es as não es ão isen as de p oblemas – pa icula -
men e quando a amos de ossos. An es de mais, po -
que é necessá io e em con a que di icilmen e da amos
o momen o de cons ução des as es u u as, a não se
que es ejam em elação ísica di ec a com uma eali-
dade da á el (Vale a e al. 2014: 14), pelo que con ém
obse a o empo que pode deco e en e a esca ação
da es u u a e o início da sua colma ação.
De e ainda conside a -se que um osso com o hipo-
é ico pe íme o p opos o pa a Alma az (Ba os e Soa-
es 2004: 339) pode ia ap esen a di e en es i mos de
cons ução e, possi elmen e, de p eenchimen o e aban-
dono. As es u u as com es as ca ac e ís icas assis em
mui as ezes a enómenos de colma ação complexos,
já que podem se al o de sucessi as eabe u as (Vale a
2013: 336). Es es casos, não sendo de idamen e iso-
lados, podem o igina si uações ambíguas de mis u a
de ma e iais de di e en es c onologias ou a é, e en ual-
men e, de « agmen os da mesma peça nas mais di e -
sas camadas» do enchimen o do osso (Ba os e Soa es
2004: 340). Adicionalmen e, de e conside a -se que a
colma ação e p ocessos de eabe u a des as es u u as
podem esul a na in eg ação de elemen os mais an i-
gos em con ex os mais ecen es, si uações em que «a
da a ob ida se á na u almen e mais an iga do que o
momen o da in eg ação da amos a da ada no depósi o
de colma ação da es u u a» ( ale a e Sil a 2011: 9),
sublinhando que o que da amos é a mo e dos elemen-
os o gânicos e não necessa iamen e o momen o em
que são in eg ados no enchimen o das es u u as (Va-
le a 2013: 336) – pelo que as da ações nem semp e e-
lec em a c onologia do con ex o.
Po odos es es mo i os, a c onologia ob ida pa a
de e minada camada em de se de idamen e con on-
ada com o es an e egis o a queológico e não pode se
ex apolada pa a oda a secção em causa - e mui o me-
nos pa a a o alidade da es u u a ( ale a 2013: 336).
Não se p e ende, des e modo, des alo iza os esul-
ados conc e os das da ações, mas sublinha que as
conclusões de ca ác e c onológico pa a o sí io a queo-
lógico da Quin a do Alma az êm de esul a de uma
combinação de elemen os, em que se de e inclui , pa a
além das da ações de adioca bono, o es udo exaus i o
dos a e ac os, consubs anciados po uma ap esen ação
cla a e comp eensí el do con ex o e elações es a ig á-
icas p ecisas. A abo dagem ao conjun o das ân o as
p e ende assim se um con ibu o nesse sen ido.
Figu a 10. Base da ossa
de de i os do U45/3.
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3. O CONJUNTO ANFÓRICO DA
QUINTA DO ALMARAZ
3.1. Ques ões p é ias
O olume de ma e iais enquad á eis no 1º milénio
a.n.e. ecolhidos du an e as esca ações ealizadas en-
e 1988 e 2001 na Quin a do Alma az o na mani es-
amen e impossí el o seu es udo in eg al num único
abalho. Po es e mo i o, conside a-se que análises
pa cela es e exaus i as, baseadas em conjun os coe en-
es, pe mi i ão uma adequada ap oximação ao sí io e a
ealização de u u os abalhos de sín ese.
No ex enso conjun o de a e ac os, as ân o as da
Idade do Fe o es ão ela i amen e bem ep esen a-
das. Conside ando que o espólio do sí io não se encon-
a a o ganizado, e elou-se ob iga ó ia a iagem da
o alidade dos agmen os ecolhidos du an e as esca-
ações da Quin a do Alma az. Des a o ma, sepa a am-
-se odos os agmen os de bo dos, asas e undos que
pudessem co esponde a ân o as – não se excluindo,
na u almen e, a possibilidade de i em a se iden i ica-
dos mais agmen os em iagens u u as.
Des e modo, o am iden i icados e selecciona-
dos 929 agmen os classi icá eis de ân o a, dos quais
501 são bo dos, 425 são asas, apenas dois undos e
um co po. A maio ia do conjun o (63,72%) p o ém do
osso, 8,96% da á ea de habi ação, 11,15% da ossa de
de i os e 16,17% esul am de limpezas de supe ície
e pequenas sondagens dis ibuídas po á ias á eas do
po oado. De aco do com o p o ocolo de quan i icação
de mon Beu ay (A celin e Tu eau-Lib e 1998), de-
idamen e adap ado às especi icidades da amos a, o
conjun o aduziu-se num Núme o Mínimo de 501 In-
di íduos (NmI) - ainda que apenas 463 sejam passí eis
de enquad amen o ipológico.
O es udo p i ilegiou, em p imei o luga , a o igem
dos ab icos e, pos e io men e, a análise com base em
c i é ios mo ológicos. Dado que 96,8% do conjun o
o al é de o igem local/ egional, os desa ios na iden i-
icação das o mas o am á ios, pa icula men e pelo
seu es ado de agmen ação, que impossibili ou a e-
cons i uição de exempla es comple os.
Depa ámo-nos ainda com as limi ações impos as
pela ainda insu icien e in o mação que possuímos pa a
as p oduções do es uá io do Tejo. Dado que mui as das
ân o as que se conhecem são esul ado de achados de
supe ície, esca ações an igas ou ou as mais ecen es
ealizadas em con ex o u bano, com odas as es ições
ine en es a es e ipo de in e enção (nomeadamen e a
exiguidade das á eas de esca ação, que p opo cionam
um egis o mui o pa cela ), ainda são poucas as asso-
ciações con ex uais que se consubs anciem em c ono-
logias segu as. O p óp io caso da Quin a do Alma az
ambém é pa adigmá ico pois, apesa de e sido al o
de esca ações sis emá icas a é 2001 e não e sido a ec-
ado po cons uções ecen es, a ausência de um egis o
que e lic a uma sequência es a ig á ica comple a, pu-
blicado de o ma escla ecedo a, não au o iza conclu-
sões de ca ác e c onológico mui o conc e as.
Ou o dos desa ios na iden i icação das p oduções
do es uá io é o ac o de, não a as ezes, nos es udos de
conjun o ealizados, a a ibuição mo ológica se sob e-
po à análise dos ab icos - iden i icando-se (po ezes,
e adamen e) como p o ó ipos do Sul peninsula aquilo
que são, na e dade, p oduções locais/ egionais –, algo
que acon ece com pa icula incidência nos exempla es
mais an igos, a ins aos da sé ie 10 de Ramon To es. No
caso da á ea do es uá io do Tejo, a semelhança de al-
gumas o mas de p odução local/ egional com modelos
de ou as zonas do Sul da Península Ibé ica, conduziu,
como já oi e idenciado po ou os au o es (Sousa 2014:
107), a uma u ilização indisc iminada da ipologia de
Ramon To es. É dis o exemplo o caso das á ias ân o-
as classi icadas como 1.3.2.4., uma p odução mui o es-
pecí ica da á ea de illa icos que deco e du an e o séc.
a.n.e. (Ramon To es 1995: 172) e que co espondem,
com g ande p obabilidade, ao ipo 4 de inido pa a o Tejo
(Sousa 2014: 108). No caso conc e o de Alma az, e i i-
cou-se uma si uação semelhan e aquando da iden i ica-
ção da o ma 2.1.1.1. de Ramon To es (Ba os e Soa es
2004: 344) e da o ma 3.1.1.1. da mesma ipologia (Ba -
os e Soa es 2004: 344) não sendo, po ém, explici adas
as ca ac e ís icas de ab ico que pe mi i am econhece
ais p oduções. Es e ipo de omissão não é incomum. Tal
como e e em os au o es da sín ese ipológica do Tejo,
«os dados publicados a é ao momen o sob e es as ân o-
as não escla ecem, na maio pa e dos casos, as ca ac-
e ís icas mac oscópicas de ab ico» (Sousa e Pimen a
2014: 305), o que se e ela um obs áculo no momen o
de es abelece pa alelos.
A abo dagem ao conjun o de Alma az e lec e as-
sim um quad o de ques ões p é ias, sublinhando-se que
é u gen e a ap esen ação de es udos que p i ilegiem o
c i é io p odu i o, além do mo ológico.
3.2. Ân o as de p odução local/ egional
A p odução de ân o as no es uá io do Tejo e ela-
-se, ac ualmen e, como um enómeno a iado e com-
plexo, com uma g ande ampli ude c onológica. Apesa
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Figu a 16. ân o as de p odução local/ egional na Quin a do Alma az: Tipo 3 do Tejo.
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pe il em ogi a in e ida, ípico de di e sos modelos de
ân o as da Idade do Fe o – habi ualmen e designadas
ân o as “de saco”. O ou o ap esen a um undo on-
cocónico de pequenas dimensões, maciço e essencial-
men e p eenchido com a gila.
Rela i amen e às asas, econhece am-se dois ipos
de secção ( ig. 20). A ci cula – mais ep esen ada no
conjun o – que con abiliza 401 agmen os de secção
simples, no e com uma saliência cen al ao longo da
pa e ex e na da asa e apenas um com um sulco cen al
Figu a 17. Ân o as de p odução local/ egional na Quin a do Alma az: Tipo 4 do Tejo.
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ao longo do lado ex e no; a secção o al, que con a com
14 exempla es com um sulco cen al, no amen e acom-
panhando a pa e ex e na da asa, e dois exempla es
que, além des e sulco cen al, ap esen am uma di isó-
ia na pa e in e na, eco dando as asas de secção bí-
ida. Tendo em conside ação a diminu a ep esen ação
da asa o al com sulco cen al no conjun o de Alma az,
con a iamen e ao que se e i icou na Rua dos Co -
eei os (Sousa 2014: 104), podemos es a pe an e uma
adição que se desen ol e essencialmen e a pa i de
meados do milénio.
3.3. Ân o as impo adas
Após uma e isão do conjun o, depa ámo-nos com um
núme o de possí eis impo ações supe io ao econhe-
cido du an e a disse ação que deu o igem a es e a igo.
pe an e a di iculdade em iden i ica conc e amen e a
o igem dos á ios ab icos, e pa a e i a equí ocos, op-
ou-se apenas po desc e e mac oscopicamen e, den-
o do possí el, cada um dos ab icos iden i icados
( igs. 22 e 23). Des a o ma, não se á apon ada uma
o igem conc e a pa a cada um dos ab icos, ainda que
se conside e que de e ão se o iundos de ou as á eas,
nomeadamen e do Sul da Península Ibé ica (Cádiz ou
málaga). Di e em dos ab icos locais/ egionais essen-
cialmen e pela depu ação e ex u a da pas a e o ipo de
inclusões que ap esen am, salien ando-se a iden i ica-
ção de elemen os neg os de eduzida dimensão, con-
side a elmen e equen es (no caso dos ab icos 4, 5
e 6), e a colo ação ama elada da pas a (no caso dos a-
b icos 7 e 8), ca ac e ís icas que não se e i icam nas
Figu a 18. Ân o as de p odução local/ egional na Quin a do
Alma az: Tipo 7 do Tejo.
Figu a 19. Ân o as de p odução local/ egional na Quin a do
Alma az: Fundos.
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Figu a 20. Ân o as de p odução local/ egional na Quin a do Alma az: Asas.
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p oduções locais/ egionais. Po ém, não desca amos a
hipó ese de ou as o igens e espe amos que u u as aná-
lises a queomé icas compa a i as nos pe mi am con-
clusões mais consis en es.
Rela i amen e às o mas, egis am-se essencial-
men e exempla es da sé ie 10 de Ramon To es. Fo am
econhecidos dois exempla es de 10.1.1.1 da e e ida
ipologia ( ig. 24, n.º115 e 121), modelo p oduzido e
come cializado en e meados ou o segundo qua el do
séc. VIII e a p imei a me ade do séc. VII a.n.e. (Ra-
mon To es 1995: 229-230). Iden i ica am-se ambém
26 exempla es de 10.1.2.1 ( ig. 24), modelo p oduzido
e come cializado amplamen e en e o século VII e os
meados do séc. VI a.n.e. (Ramon To es 1995: 230-
231). Os exempla es de Alma az ap esen am alguma
a iação no pe il do bo do, sendo de des aca aqueles
que exibem uma mo ologia mais angulosa (como os
n.º 129, 136, 228 e 640). Es es encon am pa alelos em
alguns sí ios do Sul da Península Ibé ica, e idencian-
do-se aqui a cla a semelhança com as o mas dos es a-
os IV e IIb do co e 5 de Ce o del Villa , da ado en e
a segunda me ade do séc. VII e o séc. VI a.n.e. (Aube
e al. 1999: 407), dado que se pode o na ele an e no
econhecimen o da sua o igem.
Regis a-se ainda um exempla de Pellice D (ou
4.2.2.5 de Ramon To es), uma ân o a bas an e mais
a dia que, endo em con a a exis ência de es ígios e-
la i os ao pe íodo Romano Republicano em Alma az,
pode á inclusi amen e já não pe ence a um con ex o
da Idade do Fe o. O exempla iden i icado ( ig. 25) su -
giu na banque e do quad ado U45/3 ( ossa de de i os),
não es ando egis ada a camada de p o eniência – pelo
que não excluímos a possibilidade de e sido ecolhida
em camadas supe iciais. Con udo, a o ma é p oduzida
e come cializada en e o século III e o séc. II a.n.e. (Ra-
mon To es 1995: 194, Ni eau de Villeda y 2002: 240,
ga cía a gas e ga cía Fe nández 2009: 148), podendo
e chegado ainda du an e a ase p é- omana.
3.4. Dis ibuição do conjun o e lei u a
compa ada dos dados
O conjun o me ece ainda se analisado endo em
conside ação a sua dispe são pelos á ios con ex os
iden i icados no sí io a queológico da Quin a do Alma-
az, pa icula men e pelos con ibu os que pode p opo -
ciona à discussão sob e a diac onia do po oado.
Ainda que sejam mui o poucos os dados publicados
pa a as es an es ca ego ias ce âmicas e que a al a de
in o mações ela i as à sequência es a ig á ica limi e
bas an e a maio ia das e lexões que aqui se pode ão
desen ol e , conside a-se que a in o mação já publi-
cada me ece uma ap eciação conjun a. Op ou-se assim
po des aca os con ex os mais ele an es, conc e a-
men e o osso (sob e udo os oços que êm a e ac os
publicados além das ân o as), a á ea de habi ação e a
ossa de de i os.
3.4.1. Á ea do osso
pa a o oço esca ado no quad ado J27/4, além das ân-
o as ( abela 2), encon am-se publicadas da ações po
adioca bono (Ba os e Soa es 2004) e alguns exem-
pla es de ce âmica de engobe e melho (Ba os e
Figu a 21. Ân o as de p odução local/ egional na Quin a do
Alma az: Co po.
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Figu a 22. Fab icos impo ados.
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Hen iques 2002: 308-309). As da ações publicadas,
p o enien es da camada 31, e elam um in e alo am-
plo, en e o séc. XII e o cal BC (Ba os e Soa es
2004: 341), com in e secções en e o im do séc. X e
os inícios do III cal BC (917, 802 e 796). Es a in-
e secção ap oxima-se do que oi ob ido pa a San a-
ém, conc e amen e nos es a os mais an igos (Fase I),
onde se iden i ica am ân o as do ipo 10.1.1.1, p a os
de engobe e melho de bo do es ei o e amplo diâme-
o, bem como uma g ande pe cen agem de ce âmica
manual (A uda 2005a: 27-28). Em Alma az, na ca-
mada de onde p o êm as da ações, oi iden i icada uma
10.1.2.1 e indi íduos do ipo 1.B do Tejo, bem como
exempla es do ipo 1.C e do ipo 3 do Tejo – que, como
imos an e io men e, são o mas que se desen ol em
a pa i dos inais do séc. I a.n.e. e con inuam a su gi
em á ios con ex os du an e o séc. V a.n.e.
Alguns exempla es de ce âmica de engobe e -
melho do J27/4 o am publicados jun amen e com
a e ac os de ou as á eas de Alma az (Ba os e Hen-
iques 2002a: 308-309). Cons a a-se a p esença de o -
mas a ins ao ipo p.3.d. de Ru e e Tomico ( ig. 26), que
em Huel a se o na equen e em con ex os do séc. VI
a.n.e. (Ru e e Tomico 1988-89) e em Alma az su ge em
di e sas camadas do osso, inclusi amen e naquela de
onde p o êm as da ações sup aci adas.
Foi ambém iden i icado um exempla semelhan e
à o ma p.1.d., que se egis a em Huel a en e o inal
Figu a 23. Fab icos impo ados.
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Figu a 24. Ân o as impo adas na Quin a do Alma az: exempla es de 10.1.1.1 e 10.1.2.1.
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do séc. VIII e o início do VI a.n.e. (Ru e e Tomico
1988-89) - mas que, em Alma az, su ge na mesma ca-
mada que ân o as do ipo 1.C - que, como e e imos,
êm pa alelos no Tejo a pa i dos inais do séc. I
a.n.e. em dian e.
Salien amos, po ém, o ac o de es as o mas de p a-
os de engobe e melho es a em ausen es do conjun o
da Rua dos Co eei os, o que suge e que deixa am de se
p oduzi em algum momen o do séc. V a.n.e. - não obs-
an e a p esença de ân o as do ipo 1.C e ipo 4 do Tejo
indica que o im da colma ação des e oço de osso já
de e á enquad a -se no séc. V a.n.e.
Finalmen e, egis a-se um agmen o de aso de ala-
bas o, p o enien e da camada 22 ( ig. 29: ALz 1649).
Es e, apesa da eduzida dimensão, exibe algumas a i-
nidades com o ipo 6 - pa icula men e o 6 C - de inido
pa a a nec ópole de Lau i a, o ma de adição egípcia
que su ge po odo o Medi e âneo desde época a caica
e pe du a a é aos séculos VI e V a.n.e. (Pellice Ca a-
lán 2007: 49).
Do quad ado J28/2, além dos dados das ân o as ( a-
bela 3), que no amen e eme em pa a á ios momen-
os c onológicos en e o séc. VII e o V a.n.e. (ou a é
mesmo o IV a.n.e., endo em con a a p esença do ipo
7 do Tejo), o único elemen o publicado a a-se de um
agmen o de ce âmica g ega a ibuí el ao Co ín io
médio – is o é, 600 a 575 a.n.e. – (Ca doso 2004: 229,
A uda 2007: 135).
No quad ado K29 ol amos a e mais alguns da-
dos publicados além das ân o as ( abela 6), dos quais
se des acam as ce âmicas de engobe e melho e a ce-
âmica cinzen a (Ba os e Hen iques 2002a; ig. 27).
A ce âmica cinzen a esume-se a exempla es de po es
com pa alelos no ipo 3 da Sé de Lisboa, sí io onde é a
o ma mais bem ep esen ada (A uda e al. 2000: 32).
Tabela 1. Quad ado A12/B12 ( osso) – dis ibuição dos
ipos an ó icos (NmI).
Camada/
Fo ma 1.A 1.B 1.C 3 4 7 10.1.2.1
1 1 2 1
2 1
3 2 1 1
4 1
8 2
11 1
12 1
14 1 1 1
16 1
18 3
21 1
22 1
24 2 8
25 1
26 1 1 1 1
28 1 1 2
29 1
31 4 1 3 1
33 1
34 1
35 1 1
36 1
s/c 1 2 1
Tabela 2. Quad ado J27/4 ( osso) - dis ibuição dos i-
pos an ó icos (NmI).
Camada/
Fo ma 1.A 1.B 1.C 3 4 10.1.1.1 10.1.2.1
3 1
5 4 1
61
7 1 1 4
10 2
15 1 2 2 1
16 1
18 1 1
19 1 2 1
22 2 2 2
23 1
25 2 3 1 2
28 1 1 2
31 4 3 1 1
s/c 2 2 1
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A sua p esença em con ex os do séc. VI a.n.e., como a
Sé e a T a essa do Cha a iz d’el Rei e, po ou o lado,
a ausência em con ex os já do séc. V a.n.e., como a Rua
dos Co eei os, le ou a que se colocasse a hipó ese
de es a se uma o ma ca ac e ís ica do séc. VI a.n.e.
(Sousa 2014: 144).
Rela i amen e à ce âmica de engobe e melho, su -
gem algumas o mas com pa alelos no séc. V a.n.e., das
quais se des acam as igelas ( ig. 27, n.º 25-26) idên icas
ao ipo 1Ba dos Co eei os (Sousa 2014: 119). Encon-
am-se igualmen e publicados p a os ( ig. 27, n.º 27, 28
e 29) com cla as a inidades com o ipo 3Ba da Rua dos
Co eei os (Sousa 2014: 116), ainda que es a seja uma
o ma que su ge no Tejo du an e o séc. VI a.n.e. (A uda
1999-2000: 117). po im, egis a-se a p esença de um
agmen o de ce âmica g ega (Ca doso 2004: 229), no-
amen e a ibuí el ao Co ín io médio – 600-575 a.n.e.
(A uda 2007: 135). Tendo em con a odos es es dados,
encon amo-nos mais uma ez pe an e um in e alo c o-
nológico si uá el en e o séc. VII e o V a.n.e.
No quad ado K31 cons a a-se a ep esen ação de
á ios ipos de ân o as ( abela 4), incluindo se e exem-
pla es de 10.1.2.1 dis ibuídos po á ias camadas do
osso que, em conjun o com os dados das p oduções lo-
cais, apon am pa a á ios momen os, en e o séc. VII
e o V a.n.e. Também nes a zona do osso, conc e a-
men e no K31/2 (c. 14), oi iden i icado um esca a e-
lho em aiança com uma insc ição na base (Ca doso
2004: 229). Es e já oi objec o de análise em duas pu-
blicações, das quais esul a am p opos as c onológicas
que a iam en e o séc. VII-VI (Almag o-Go bea e To -
es O iz 2009) e o séc. II- a.n.e. (Almeida e A aújo
2009). Na mesma camada em que oi iden i icado o es-
ca a elho, oi ambém econhecida uma ou a impo -
ação, designadamen e um agmen o de bo do de um
aso de alabas o (Ca doso 2004: 237; ig. 29: ALz
1785), no amen e a im ao ipo 6 de inido pa a a nec ó-
pole de Lau i a e pa icula men e semelhan e com um
exempla des a o ma iden i icado em guadale e (pelli-
ce Ca alán 2007: 49, 145).
A Sondagem 6 da ala E é o úl imo oço de osso
que ap esen a ou os dados publicados além das ân-
o as ( abela 5), incluindo da ações po adioca bono.
Do con ex o «Alm 9» (que co esponde à camada 9
da sondagem) exis em apenas duas da ações. A p i-
mei a, ealizada sob e osso, esul ou num in e alo a
dois sigma en e o p imei o qua el do séc. X e o séc.
IX, com uma in e secção em inais do séc. IX cal BC
Figu a 25. Ân o as impo adas na Quin a do Alma az:
exempla de Pellice D.
Figu a 26. Exempla es de engobe e melho do J27/4 (segundo
Ba os e Hen iques 2002a, adap ado).
156 ANA OLAIO
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se p olonga en e o séc. V e o IV a.n.e. Em pa icula , a
p esença de uma ân o a do ipo 2 do Tejo no con ex o
«Alm 11», o na di ícil ecua pa a c onologias an e-
io es ao séc. V a.n.e. Do mesmo modo, a exis i uma
ase de ocupação an e io à abe u a da ossa – algo
que ambém necessi a de escla ecimen os, uma ez que
oi assumido que a ossa e ia sido abe a no subs a o
geológico (Ba os e al. 1993) –, es a ase ambém não
pa ece se ão an iga como oi de endido, a endendo à
p esença de o mas de meados do milénio.
Es a análise ealça assim a necessidade de con on-
ação do adioca bono com as in o mações dos con-
jun os ce âmicos, já que só uma lei u a conjun a dos
dados, apoiada num egis o es a ig á ico sólido e coe-
en e, possibili a conclusões consis en es.
4. O CONJUNTO ANFÓRICO DA QUINTA
DO ALMARAZ NO ÂMBITO DA
PRODUÇÃO DE ÂNFORAS NO BAIXO
TEJO DURANTE O 1º MILÉNIO A.N.E.
Os dados que esul a am des a análise e elam não só
um impo an e con ibu o pa a a ca ac e ização da di-
nâmica do po oado da Quin a do Alma az, como am-
bém pa a a comp eensão da p odução an ó ica do
es uá io do Tejo.
An es de mais, pelos elemen os que ouxe am pa a
solidi ica a ipologia elabo ada pa a as p oduções an-
ó icas des a á ea que, num p imei o momen o, icou
o emen e ma cada pela « ep odução» dos con en o es
an ó icos do Sul peninsula - pa icula men e os da sé-
ie 10 de Ramon To es (Sousa e pimen a 2014: 305).
O conjun o de Alma az au o izou ambém uma p i-
mei a p opos a de a ian es pa a o ipo 1 do Tejo, já que
é o mais ep esen ado no local. Ainda que enha sido
possí el pe cebe algumas das al e ações a que es e
p imei o modelo oi sujei o ao longo do seu ex enso
Tabela 10. Quad ado B5 (ou os con ex os) -
dis ibuição dos ipos an ó icos (NmI).
Camada/Fo ma 1.C 4 7
1 1
2 1
63
7 1 1
12 1 1
Tabela 11. Quad ado B6 (ou os con ex os) -
dis ibuição dos ipos an ó icos (NmI).
Camada/Fo ma 1.B 1.C 3 4
2 1
3 1
5 1121
8 1
10 1 1 1
s/c 2 1
Tabela 12. Quad ado C6 (ou os con ex os) -
dis ibuição dos ipos an ó icos (NmI).
Camada/Fo ma 1.C 3
2 1
3 2
Tabela 13. Quad ado J29 (ou os con ex os) -
dis ibuição dos ipos an ó icos (NmI).
Camada/Fo ma 1.B 1.C 3
61
7 1 1 3
11 1
s/c 1 2
Tabela 14. Quad ado C4 (ou os con ex os) -
dis ibuição dos ipos an ó icos (NmI).
Camada/Fo ma 1.B 1.C 3 4 10.1.2.1
1 1
5 2 1
7 1
9 2 3 3
10 1 1 1
12 1
13 1
17 1
19 3 1
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pe íodo de p odução, sublinha-se a necessidade de ob-
e mais dados de ca ác e es a ig á ico que pe mi am
o de ido enquad amen o c onológico das di e sas a-
ian es. No en an o, pelas in o mações disponí eis a é
à da a, pa ece ce o que a sua p odução se iniciou num
momen o conside a elmen e an igo no âmbi o da in-
luência enícia no Ociden e da península Ibé ica, con-
c e amen e en e os inais do séc. III e o II a.n.e.
(Sousa e pimen a 2014: 305), como suge em os dados
da p imei a a ian e de inida pa a o ipo 1.
Es e desen ol imen o p ecoce de uma p odução an-
ó ica e ela que o es uá io do Tejo desen ol eu, logo
nos p imei os momen os da in luência medi e ânea na
zona, uma au onomia económica e capacidade de au-
o-abas ecimen o, o mando uma es u u a económica
consolidada, que desde cedo se o nou p a icamen e in-
dependen e da es e a do comé cio medi e âneo. Es a
des inculação o na-se ainda mais e iden e a pa i de
meados do milénio (A uda 2005a: 105), al como in-
dicam a escassez de impo ações an ó icas no es uá io
do Tejo du an e a segunda me ade do 1º milénio a.n.e.
(Sousa 2014: 308) e a es igial p esença de o mas ão
comuns nos epe ó ios do Sul da Península Ibé ica,
como a ce âmica Kuass (A uda 2005a: 139).
A pa i do século VI e pa icula men e do V a.n.e.,
as mo ologias das ân o as di e si icam-se (Sousa 2014,
Sousa e pimen a 2014). O desen ol imen o da p odu-
ção icou ma cado pelas simili udes com os epe ó ios
da Al a Andaluzia e da Ex emadu a Espanhola, es-
ando po de ini que ligações inham es es ocos cul u-
ais com o es uá io do Tejo. Ressal a-se, po ém, que a
e olução egional das o mas, quando com uma o igem
comum (nes e caso, as «R1»), pode ia ge a modelos
mo ologicamen e semelhan es sem que is o implicasse
um con ac o di ec o en e as di e sas zonas que os p o-
duzem (ga cía Fe nández e Saéz Rome o 2014: 109)
– como, aliás, é possí el cons a a pelo modo como se
desen ol e am os epe ó ios de odo o Sul da Penín-
sula Ibé ica, que e oluí am de o ma análoga indepen-
den emen e do con ac o en e as á ias á eas.
Algumas ca ac e ís icas acompanham oda a p o-
dução an ó ica do es uá io do Tejo. An es de mais, os
conjun os ap esen am-se mui o pouco es anda dizados,
egis ando-se uma g ande a iabilidade den o de um
mesmo modelo. Uma das ca ac e ís icas que dema ca
es a al a de pad onização nas p oduções an ó icas é a
g ande oscilação nos diâme os e a a iabilidade mo -
ológica dos bo dos den o de um mesmo modelo an-
ó ico, que já inha sido e i icada no conjun o dos
Co eei os (Sousa 2014: 90-108) e que pudemos igual-
men e cons a a na Quin a do Alma az.
Es a al a de pad onização pode indica -nos algo so-
b e a o ganização des a p odução, já que o ní el de es-
anda dização es á, po no ma, associado à dimensão
da p odução, ao g au de especialização dos p odu o es
– nes e caso, olei os –, e/ou à sua quan idade (Cos in
1991: 33). Quan o meno é o núme o de cen os p odu-
o es e maio a p odução de de e minado objec o den o
de cada um desses cen os, mais es anda dizado ende
a se o esul ado (ibd). Face aos dados que possuímos
pa a o Tejo, não é imp o á el que es ejamos pe an e
um modelo p odu i o onde unciona iam á ios cen-
os olei os com p oduções de pequena dimensão. Es es
localiza -se-iam p esumi elmen e jun o dos po oados,
ou mesmo no seu in e io , concen ados num sec o de-
dicado a ac i idades a esanais.
Os dados que possuímos a é ao momen o ela i os
à p odução ce âmica no es uá io do Tejo, ainda que di-
minu os, con ibuem pa a es a hipó ese. Veja-se, em
p imei o luga , o caso de Alma az, em que a iden i i-
cação de pelo menos 10 p ismas ce âmicos ( ig. 30) se
e ela como um indício da exis ência de á eas de p o-
dução ce âmica no po oado. Na ou a ma gem do io,
em Lisboa, é e e ida a p esença de um o no de p odu-
ção de ce âmica de engobe e melho na colina do cas-
elo (A uda 2014: 523) e, na sua base, uma es u u a
de combus ão na Rua dos Co eei os em sido in e p e-
ada como o no ce âmico (Sousa 2014: 85) - ainda que
a uncionalidade des a es u u a não seja inequí oca,
is o que a sua con ig.ção não se enquad a nas ipolo-
gias conhecidas pa a os o nos de p odução ce âmica
do 1º milénio a.n.e. e, além do mais, se encon a no in-
e io de uma habi ação, numa á ea echada (Ma alo o
2004: 53-54).
Es a p odução de e ia, no en an o, encon a -se dis-
pe sa pelo es uá io e não apenas concen ada jun o aos
g andes po oados. Disso é exemplo o o no de Mi oiço
(Ca doso e Enca nação 2013: 176), bem como os p is-
mas da Quin a da Ma quesa, ecolhidos em p ospec-
ção, associados a agmen os de o mados de ân o as
(pimen a e mendes 2010-11: 606).
Independen emen e do modelo p odu i o que se de-
sen ol eu du an e o 1º milénio a.n.e. no es uá io do
Tejo, é ce o que se e i icou uma g ande al e ação so-
cioeconómica. A ap endizagem das no as ecnologias
– o o no e es u u as de combus ão que pe mi iam um
melho con olo do p ocesso de cozedu a – implica a
necessa iamen e a p esença de alguém que as dominasse
e/ou de quem i esse ap endido com quem as conhecia,
já que não são écnicas que se ap eendam apenas com
base na obse ação do esul ado (A uda 2005a: 53).
Es a ans o mação não se e lec e apenas na in odução
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das no as ecnologias, mas ambém numa no a men a-
lidade p odu i a, que deixa de sa is aze uma lógica de
me a au o-subsis ência, de base domés ica, pa a passa
a uma dinâmica cujo objec i o e a p oduzi exceden-
es pa a come cialização, com um ca ác e mais espe-
cializado.
Mas á ias ques ões pe manecem sem espos a,
nomeadamen e o olume de p odução, o alcance da
ci culação des es con en o es (me cados) e, cla o, o
con eúdo que anspo a iam.
Quan o à discussão sob e o alcance da ci culação
das ân o as p oduzidas no es uá io do Tejo, os dados
são ainda insu icien es, embo a se assuma que os ci -
cui os de dis ibuição des es con en o es enham ido
uma escala essencialmen e egional (Sousa e Pimen a
2014: 313). Na ma gem No e da oz do es uá io, e-
cen es abo dagens aos sí ios a queológicos do 1º mi-
lénio a.n.e. demons a am uma g ande homogeneidade
nos espólios, po en u a esul ado de um comé cio di-
nâmico, pa icula men e en e o que em sido in e p e-
ado como o g ande po oado dessa ma gem (Lisboa) e
os núcleos mais pequenos, localizados nos concelhos
da Amado a, Sin a e Oei as (Sousa 2014). Foi ambém
mencionada a exis ência de con o midades mo ológi-
cas en e os ipos p oduzidos no Tejo e alguns exempla-
es do Sado, do no oes e da Península Ibé ica e a é do
Alen ejo (Sousa e pimen a 2014: 313), icando po de-
ini a o igem do ab ico dos exempla es em ques ão.
Po ou o lado, com a p esen e abo dagem, ambém se
o nou cla a a semelhança do epe ó io an ó ico de Al-
ma az com o dos sí ios da ma gem No e do es uá io,
inclusi amen e ao ní el dos ab icos, o que e idencia a
p o unda ligação en e as duas ma gens – e, em pa i-
cula , en e Alma az e Lisboa, algo que em sido salien-
ado po ou os au o es (A uda 1999-2000: 223, Sousa
2014: 309).
O ema dos con eúdos, po sua ez, é um dos que
em egis ado menos a anço na in es igação ela i a às
ân o as na achada a lân ica peninsula . Se é e dade
que a as ezes se ecolhem es os do con eúdo no in-
e io dos ecipien es, ambém já icou po demais de-
mons ado que o mesmo modelo de ân o a pode e
Tabela 15. Tipos an ó icos (NmI) iden i icados em supe ície ou sem con ex o (s/c).
Quad ado/Fo ma 1.B 1.C 2 3 4 10.1.2.1
J33 1
Q35 1
S33 1
S35 1
S37 1
S40 1
T33 1
U41 1
U42 2
V41 1
V44 1
W48 1
Y49 1
Z50 1
Base mu alha (supe ície) 2 1 1
s/c 1 4
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Figu a 30. P ismas ce âmicos da Quin a do Alma az.
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anspo ado di e en es p odu os (p. ex.: F u os e al.
1987, Ruiz ma a e Ni eau de illeda y 1999). pa icu-
la men e du an e os p imei os momen os de p odução,
em que se e i ica uma pa ca a iabilidade das o mas,
a possibilidade do mesmo modelo se u ilizado pa a
anspo a di e en es con eúdos é bas an e al a (Ni eau
de illeda y 2011: 14-15). Apesa de exis i em ce os
indícios, como os e es imen os in e io es, que podem
indicia o anspo e de p odu os líquidos ou semi-lí-
quidos (azei e, inho ou p epa ados piscícolas), esses
e es imen os a amen e se conse am (Ramon To es
1995: 265) e no caso das ân o as de Alma az não hou e
excepção.
Coloca-se ainda a ques ão de se possí el uma eu-
ilização des es ecipien es que, num segundo momen o
de u ilização, podiam se di eccionados pa a ou os
ins. A unção p imá ia das ân o as e mina no mo-
men o em que a ca ga chega ao des ino (Risueño Ola e
e Ad ohe Au oux 1990), pelo que, pos e io men e, ou
e am abandonadas, ou eu ilizadas, nomeadamen e en-
quan o ecipien es de a mazenagem, como modelo pa a
ep odução de o mas ou mesmo como base pa a p o-
cessamen o de ma é ias-p imas (Aube e al. 1999: 279,
ma alo o 2004: 76).
O p ocesso de amo ização de um ecipien e é as-
sim in luenciado po di e sos ac o es, sendo um deles
a elação pe da/ ecupe ação - is o é, se o ecipien e, no
caso de ica inu ilizá el, é acilmen e subs i uído (Sáez
Rome o 2012: 375). As ân o as, pelas suas ca ac e ís i-
cas in ínsecas, não pe mi em uma subs i uição céle e,
pelo que p o a elmen e con inua am a se u ilizadas
du an e longos pe íodos de empo, adqui indo di e sas
unções e a mazenando dis in os p odu os. Po odos
es es mo i os, o na-se di ícil p ocu a a i ma ca ego-
icamen e qual se ia o con eúdo de de e minada o ma.
No caso das p oduções an ó icas do es uá io do Tejo
não emos qualque indício do que pode iam anspo -
a , em g ande medida pela al a de es udos paleoam-
bien ais. É en ado e e i , na u almen e, os esul ados
das análises polínicas ealizadas no Paul dos Pa udos
(Alpia ça), que demons am uma al e ação signi ica i a
da paisagem em 2590 BP e indiciam um p ocesso de
des lo es ação, ao mesmo empo que os pólens de i is
a ingem alo es que podem se e elado es de um cul-
i o in encional (Leeuwaa den e Janssen 1985 apud A -
uda 2005a: 54).
Independen emen e des es dados, e ainda que o io
Tejo e e as en ol en es enham p opo cionado uma
ampli ude e di e sidade de ecu sos que pode iam se
anspo ados nes es con en o es, é impossí el, pa a já,
apon a con eúdos especí icos.
5. BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE
A DINÂMICA DO POVOADO DA
QUINTA DO ALMARAZ À LUZ
DOS DADOS ANALISADOS
Apesa de odas as ques ões em abe o ela i amen e à
p odução an ó ica no es uá io do Tejo, a abo dagem ao
conjun o an ó ico e idenciou alguns aspec os ela i os
à dinâmica do po oado da Quin a do Alma az sob e os
quais impo a e lec i .
Des acam-se os dados ela i os ao p eenchimen o
do osso, comen ados no pon o 3.4.1. Pe an e a in o -
mação analisada, pa ece-nos imp o á el que a colma-
ação des a es u u a se enha p ocessado num único
momen o do séc. VII a.n.e., como oi de endido (Ba os
2001: 14, Ba os e Soa es 2004: 344). Tendo em con a
os dados con on ados, e i ica-se que es ão p esen es,
no seu enchimen o, di e sas o mas - de ân o as, ce-
âmica de engobe e melho e ce âmica cinzen a - que
eme em pa a c onologias pos e io es ao momen o de
p eenchimen o e e ido. Além do mais, se conside a -
mos as já mencionadas di e enças en e a c onologia
“ adicional” e a do adioca bono, e i icamos que o
enquad amen o dos a e ac os analisados coincide, em
á ios casos, com os in e alos suge idos pelas da a-
ções absolu as.
Des e modo, e endo em conside ação os p ocessos
de colma ação de es u u as nega i as discu idos an e-
io men e, e ela-se mais p o á el que o osso enha ido
um p eenchimen o p og essi o, si uá el, com base nos
elemen os mais ecen es do seu enchimen o, en e o séc.
VI e o séc. V a.n.e., num p ocesso que le ou à in eg ação
de elemen os mais an igos; ou, po ou o lado, num p o-
cesso de colma ação mais len o e p olongado no empo,
associado a enómenos de eabe u as e eu ilizações,
que apenas i ia a e mina no in e alo e e ido.
Não obs an e, se admi i mos que o osso e ia uma
ou a unção inicial, p é ia ao momen o em que oi u i-
lizado como «lixei a», en ão assumimos na u almen e
que já es a ia em u ilização an es do início do seu p een-
chimen o. Po ou o lado, a cons ução de uma es u u a
des a dimensão implica mani es amen e um g ande es-
o ço social, pelo que o po oado já inha de e algum
po encial demog á ico nos momen os que an ecede am
a cons ução do osso. Des e modo, como já inha sido
admi ido po ou os au o es (A uda 2005a: 31), não é
impossí el que o po oado enha es ado ocupado sob in-
luência o ien alizan e desde a p imei a me ade do séc.
III a.n.e. (ou a é an es), ainda que con inuem a al a
os dados conc e os que con i mem a sua ocupação du-
an e esse momen o.
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Tendo em con a a ep esen ação dos á ios mode-
los de ân o as e a peculia p esença dos ipos que se de-
sen ol em en e o século VII e os inícios do V a.n.e.,
o po oado pa ece assim e assis ido a um g ande di-
namismo du an e esse pe íodo. Os dados ela i os aos
modelos an ó icos mais a dios, especi icamen e aque-
les cuja p odução se desen ol eu a pa i do século V
a.n.e. em dian e, indicam que o po oado e á pe dido
alguma i alidade, não sendo pe cep í el se Alma az se
encon ou ocupado ao longo de oda a segunda me ade
do 1º milénio a.n.e.
Coloca-se, po im, a ques ão da elação que o po-
oado da Quin a do Alma az es abeleceu com os sí ios
da ma gem esque da da oz do Tejo. É possí el que,
num p imei o momen o, Alma az i esse e ec i amen e
alguma p eponde ância sob e os es an es sí ios do seu
e i ó io imedia o, mas os dados que apon am pa a a
pe da de algum dinamismo po pa e do po oado ao
longo do século V a.n.e. suge em um cená io polí ico-
-económico dis in o du an e os momen os inais do 1º
milénio a.n.e., que ainda não é possí el en ende . Es a
a a-se, po ém, de uma me a e lexão, que só um es-
udo exaus i o do conjun o da Quin a do Alma az, bem
como dos es an es es ígios da Idade do Fe o da ma -
gem esque da do es uá io, pe mi i á comp eende .
Ag adecimen os
Ao Luís Ba os pela disponibilização dos dados ela i-
os a Alma az. À P o . Dou o a Ana Ma ga ida A uda
pela o ien ação da ese que deu o igem a es e abalho e
e isão do p esen e a igo. À Elisa de Sousa, Rui Ma a-
lo o e Fe nando Hen iques pela e isão c í ica e impo -
an es suges ões que de am a es e abalho.
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