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“Muy diminuta do que em sy he, muito menos importante do que todos conhecem”: capitanias, governos e elites locais no norte do estado Do Brasil (Pernambuco e Paraíba, 1730-1756)

Abstract

Este artigo analisa o conteúdo das falas de capitães-mores, generais governadores, negociantes e da câmara da cidade da Paraíba de Nossa Senhora das Neves com o interesse de compreender detalhes do processo histórico que resultou na subordinação da Paraíba em janeiro de 1756. O objetivo é que este estudo de caso possa contribuir com os esforços historiográficos recentes que buscaram explicar o funcionamento das dinâmicas espaciais no ultramar português, notadamente quanto aos mecanismos de constituição de hierarquias e jurisdições envolvendo capitanias e governos coloniais.

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“Muy diminuta do que em sy he, muito menos importante do que todos conhecem”: capitanias, governos e elites locais no norte do estado Do Brasil (Pernambuco e Paraíba, 1730-1756)

Author: Chaves Júnior, José Inaldo
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2021
DOI: 10.12795/Temas-Americanistas.2021.i47.14
Source: https://idus.us.es/bitstreams/fa808831-121c-433d-8655-bbfe6fabd8ce/download
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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“MUY DIMINUTA DO QUE EM SY HE, MUITO MENOS IMPORTANTE DO
QUE TODOS CONHECEM”: CAPITANIAS, GOVERNOS E ELITES LOCAIS NO
NORTE DO ESTADO DO BRASIL (PERNAMBUCO E PARAÍBA, 1730-1756)
“MUY DIMINUTA DO QUE EM SY HE, MUITO MENOS IMPORTANTE DO
QUE TODOS CONHECEM”: CAPTAINCIES, GOVERNMENTS AND LOCAL
ELITES IN THE NORTH OF THE ESTATE OF BRAZIL (PERNAMBUCO AND
PARAÍBA, 1730-1756)
José Inaldo Cha es
Uni e sidade de B asília
O cid: 0000-0002-7373-975X
Resumo: Es e a igo analisa o con eúdo das alas de capi ães-mo es, gene ais go e nado es,
negocian es e da câma a da cidade da Pa aíba de Nossa Senho a das Ne es com o in e esse
de comp eende de alhes do p ocesso his ó ico que esul ou na subo dinação da Pa aíba em
janei o de 1756. O obje i o é que es e es udo de caso possa con ibui com os es o ços
his o iog á icos ecen es que busca am explica o uncionamen o das dinâmicas espaciais no
ul ama po uguês, no adamen e quan o aos mecanismos de cons i uição de hie a quias e
ju isdições en ol endo capi anias e go e nos coloniais.
Pala as-cha e: Capi anias do Es ado do B asil – go e nos subal e nos – pode es locais
Abs ac : This a icle analyzes he con en o he speeches o cap ains-mo es, gene al
go e no s, businessmen and he Pa aíba ci y council o Nossa Senho a das Ne es wi h he
in e es o unde s anding de ails o he his o ical p ocess ha esul ed in he subo dina ion
o Pa aíba in janua y 1756. The objec i e is ha his case s udy can con ibu e o he ecen
his o iog aphic e o s ha sough o explain he unc ioning o spa ial dynamics in he
Po uguese o e seas, no ably ega ding he mechanisms o cons i u ion o hie a chies and
ju isdic ions in ol ing cap aincies and colonial go e nmen s.
Keywo ds: S a e cap aincies o B azil - subo dina e go e nmen s - local powe s
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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In odução
Em clássica ob a, o his o iado b asilei o Caio P ado Júnio a i mou que “As
capi anias que o ma am o B asil são de duas o dens: p incipais e subal e nas. Es as são
mais ou menos sujei as aquelas [...]”.
1
Embo a al classi icação seja comumen e acei a como
eg a ge al da his ó ia da e i o ialização lusa na Amé ica do Sul, ac edi amos que ela ainda
ca ece de e i icação de alhada. A his o iog a ia p ecisa escla ece , po exemplo, quais
e am, pa a a adminis ação cen al e pe i é ica, os elemen os indispensá eis à cons i uição
de capi anias égias p incipais e de suas subal e nas no B asil, conside ando, den e ou os
a o es, que es es elemen os es i e am sujei os à ação do empo e do espaço, podendo a ia
con o me as necessidades de uma mul i ace ada colonização.
2
Com e ei o, não deixam de
despe a in e esse as condições e consequências locais e globais des es impo an es
expe imen os da adminis ação das conquis as lusas no B asil em seus ní eis ins i ucional,
polí ico, mili a e socioeconômico.
A en a a is o, Ma alda Soa es da Cunha lemb ou que “O Impé io po uguês e a
cons i uído po e i ó ios de desigual alo pa a a Mona quia [...]”, an e endo a edi icação
e mo imen ação das hie a quias espaciais ul ama inas a pa i do peso econômico, mili a
e simbólico p esen es na in es idu a dos o ícios do al o comando de cada capi ania, nos
o denados de seus i ula es e, sob e udo, na a ação social que susci a am,
3
uma ez que, se
“Às capi anias mais o es, diga-se com mais meios econômicos e população, de e ia se
1
Caio P ado Júnio , Fo mação do B asil Con empo âneo: colônia (São Paulo: B asiliense, 2008), p. 303-4.
2
Es e a igo é dedicado às dinâmicas polí icas e adminis a i as das capi anias égias, da Co oa. Não é nossa
in enção abo da , senão de manei a angencial, as chamadas dona a ias ou he edi á ias (de senho io), que já
o am obje o de á ios es udos, den e eles a impo an e ob a de An ónio Vasconcelos de Saldanha, As
capi anias do B asil: an eceden es, desen ol imen o e ex inção de um enômeno a lân ico (Lisboa: Comissão
Nacional pa a comemo ações dos Descob imen os Po ugueses, 2001). Pa a os casos das dona a ias de
Pe nambuco e I ama acá, c . as eses de Vi gínia Ma ia Almoedo de Assis, Pala a de Rei: Au onomia e
Subo dinação da Capi ania He edi á ia de Pe nambuco (Tese de Dou o ado em His ó ia, Uni e sidade Fede al
de Pe nambuco, 2001) e Luciana de Ca alho Ba balho Velez, Dona á ios e adminis ação colonial: a
Capi ania de I ama acá e a casa de Cascais (1692-1763) (Tese de Dou o ado em His ó ia, Uni e sidade Fede al
Fluminense, 2016).
3
Ma alda Soa es da Cunha, “Go e no e go e nan es do Impé io po uguês no A lân ico (século XVII)” in
Ma ia Fe nanda Bicalho & Ve a Lúcia Ama al Fe lini (o gs.). Modos de go e na : idéias e p á icas polí icas
no Impé io po uguês. Séculos XVI a XIX (São Paulo: Alameda, 2005), p. 72.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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dada maio esponsabilidade”, como disse Rena a Malche de A aújo,
4
al e a acompanhada
pela dignidade ida e p e endida po seus pos ulan es.
5
A pe gun a “de undo” consis e em:
po que e como, a inal, uma capi ania pode ia se alçada ou de ubada nas hie a quias
espaciais do Impé io? Como, pois, se da a a sua mo imen ação ascenden e ou dec escen e?
Não há espos a uní oca e a a iedade de si uações pa ece e sido a eg a.
In es igando as in e ações e con li os en e sujei os g aúdos das amas polí icas
locais das capi anias da Pa aíba e de Pe nambuco nos Se ecen os, es e a igo analisa o
con eúdo das alas de capi ães-mo es, gene ais go e nado es, negocian es e da câma a da
cidade da Pa aíba de Nossa Senho a das Ne es com o in e esse de comp eende de alhes do
p ocesso his ó ico que esul ou na subo dinação da Pa aíba em janei o de 1756. O obje i o
é que es e es udo de caso possa con ibui com os es o ços his o iog á icos ecen es que
busca am explica o uncionamen o das dinâmicas espaciais no ul ama po uguês,
no adamen e quan o aos mecanismos de cons i uição de hie a quias e ju isdições en e
capi anias e go e nos coloniais.
C ise e subo dinação
No início dos Se ecen os, o en aquecimen o da economia açuca ei a ag a ou-se e
a ingiu, de modos a iados, odas as capi anias do no e do Es ado do B asil. De aco do com
Guille mo Palacios, em p imei o luga , uma adicional in e p e ação apon ou “a queda dos
p eços in e nacionais do açúca a ní eis in ole á eis pa a a aca p odu i idade do conjun o
4
Rena a Malche de A aújo, “Con igu ações in e nas: as on ei as en e as capi anias”, P omon o ia – Re is a
de His ó ia, A queologia e Pa imónio da Uni e sidade do Alga e, ano 11, nº 11, 2014, p. 73.
5
Soa es da Cunha eco da que um documen o do início da década de 1650 ap esen ou essa me odologia
adminis a i a com g ande e idência, pos o que nele “Enume a am-se os ‘pos os g andes... g aduando-se
con o me a es imação que se ez e az de cada hum’. Apon a a, assim, p imei o os ca gos mais an igos em que
à cabeça inha a Índia, depois seguiam-se as p esidências de conselhos ou pos os cimei os do go e no do eino
e o do eino do Alga e. A segui , apa eciam o go e no-ge al do B asil, depois os go e nos no no e da Á ica,
os pos os mili a es do eino, echando com o da Madei a, os dois dos Aço es, e inalmen e Pe nambuco”.
Cunha, “Go e no e go e nan es do Impé io po uguês no A lân ico (século XVII)” in Bicalho & Fe lini, Modos
de go e na , Op. ci ., p. 72. A on e ci ada es á in Biblio eca Nacional, Coleção Pombalina, 653. Ocioso
eco da que, na segunda me ade do Seiscen os, al hie a quia espacial se ia amplamen e e is a com a
“a lan ização” do Impé io no bojo dos acon ecimen os da es au ação de 1640 e da gue a ansoceânica con a
as P o íncias Unidas. Com a de ocada lusa no o ien e e a descobe a do ou o das Minas, o A lân ico Sul o na -
se-ia a “joia” da Co oa. A esse espei o, c . Edua do D’Oli ei a F ança, Po ugal na época da es au ação
(São Paulo: Huci ec, 1997), p. 381. De es o, in e namen e, a o dem espacial das capi anias do B asil, endo
Pe nambuco ocupado luga de des aque desde os Quinhen os, ambém se ia in e ida no con ex o pos -bellum,
como e emos.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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manu a u ei o ins alado na á ea”. Po ou o lado, o aumen o dos cus os de p odução –
sob e udo os de e minados pelo p eço dos esc a izados, em e iginoso c escimen o de ido
à demanda c escen e das Minas – in eg ou (embo a não esgo asse) o quad o de pa alisia
i ual da ag icul u a esc a is a na egião.
6
Aliás, como eco da Palacios, a c ise a e a a
pa icula men e a amálgama do sis ema p odu i o, que e am os esc a os, já que uma ez
pe didos e a aídos pa a as Minas, a e a ambém acaba a po pe de alo , p o ocando o
desman elamen o de inúme as unidades p odu i as e ans o mando:
[...] a an e io men e exube an e Capi ania de Pe nambuco em um g ande me cado
endedo de mão-de-ob a, um simples depósi o na cos a em que se ins ala am,
du an e as décadas de 1710 e 1720, ondas sucessi as de pequenos, médios e g andes
a ican es de esc a os que dispu a am a idamen e os es os de seus a uinados
engenhos.
7
As décadas de 1720 e 30 pa ecem e sido o ápice da dep essão quando a p odução
do açúca em Pe nambuco decaiu 50% em elação aos dados do início do século, p o ocando
um longo p ocesso de descapi alização e desmone a ização egional, o que se dep eende dos
sucessi os pedidos da câma a de Olinda pa a que, de ido à al a de nume á io, os dona i os
pa a o casamen o dos p íncipes pudessem se pagos em gêne os expo á eis (açúca e solas).
8
Somam-se a esses a o es in e nos uma g a íssima es iagem de quase dez anos, que a e ou
não apenas as capi anias açuca ei as, mas ambém as impo an es sub- egiões o necedo as
de gado acum e ca ala e seus de i ados, undamen ais ao abas ecimen o dos núcleos
u banos do li o al.
9
O a o é que a c ise do açúca associada às di íceis condições híd icas susci ou um
pe igoso ques ionamen o ace ca dos cus os da au onomia ju isdicional daquela que e a a
6
Guille mo Palacios, Campesina o e esc a idão no B asil: ag icul o es li es e pob es na Capi ania Ge al de
Pe nambuco (1700-1817), (B asília: Edi o a da UnB, 2004), p. 116.
7
Palacios, Op. ci ., 50.
8
DOC. 37, Consul a do Conselho Ul ama ino, 22/4/1730, DH, C, p. 50; DOC. 57, Consul a do Conselho
Ul ama ino, 13/11/1732, DH, C, p. 85, DOC. 59, Consul a do Conselho Ul ama ino, 2/9/1732, DH, C, p. 88.
9
Dis o dá con a o pedido da câma a de Na al, ap eciado pelo Conselho Ul ama ino, pa a que aquela capi ania
icasse isen a da cob ança do dona i o pa a o casamen o dos p íncipes em i ude da g ande seca de se e anos,
que deixa a seus habi an es “ eduzidos a maio misé ia e pob eza, po que sendo os únicos bens de que só
a am, gados acuns e ca ala es, que c iam naqueles se ões, se i am es es quase ex in os [...]”. DOC. 43,
Consul a do Conselho Ul ama ino, 9/6/1731, DH, C, p. 57.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
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1730-1756)
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
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única capi ania na egião ainda não sujei ada a Pe nambuco, mesmo que sua au onomia, de
um pon o de is a p á ico, osse cada ez mais ágil – a Pa aíba.
10
Po essa época, passa a-
se a du ida da p óp ia u ilidade de seu go e no e dos mo i os que ga an iam uma
adminis ação au ônoma e sepa ada. Com e ei o, al cená io coloca a-a numa complicada
posição no ace o egional, pois se as subo dinações do Cea á (1656) e do Rio G ande (1701)
de am-se sob bases mili a es e polí ico-adminis a i as, mo i adas pelo bu im da gue a da
Libe dade Di ina con a os holandeses e pelos obje i os égios no en en amen o dos
se ões, na Pa aíba, pelo con á io, oi sua condição iscal e econômica um dos p incipais
mo es u ilizados an o po aqueles que ad oga am a de adei a subo dinação quan o
daqueles que suge i am no os meios pa a man ê-la li e de Pe nambuco.
11
Po sua ez, en e a segunda me ade dos Seiscen os e os meados do seguin e, a
capi ania de Pe nambuco i enciou uma cu iosa expe iência polí ica, com e e be ações
sob e os e i ó ios de seu en o no, pois, se no palco do A lân ico pe de a p es ígio e
impo ância econômica pa a a Bahia e pa a o Rio de Janei o – que consegui am ecupe a -
se das pe das da cen ú ia an e io –,
12
sob os auspícios da Co oa, amealhou p oje a -se ao
ní el egional, podendo seus gene ais desa ia em po enciais conco ências locais. Em ab il
de 1731, e a exa amen e es a p ojeção que es a a em jogo quando o Conselho Ul ama ino
ap eciou duas p opos as di e gen es pa a o p oblema da galopan e insol ência iscal da
Pa aíba.
Go e nando Pe nambuco e suas anexas ao no e, o gene al Dua e Sod é Pe ei a
Tibal (1727-37) denunciou a excessi a despesa da Fazenda Real ao “sus en a o p ezidio da
Pa aíba com hum capi ão-mo que ence de soldo annual qua o mil c uzados e ou os
10
No mili a , segundo seu p óp io egimen o, o capi ão-gene al pode ia in e e i incisi amen e, o que azia,
sob e udo, no go e no da Fo aleza do Cabedelo, p incipal p aça- o e da capi ania. Além disso, a junção das
dízimas p o oca a aquilo de Moza Ve ge i de Menezes classi icou como uma “anexação b anca” (Moza
Ve ge i de Menezes, “Sonha o céu, padece no in e no: go e no e sociedade na Pa aíba do século XVIII”,
Op. ci ., p. 328).
11
José Inaldo Cha es J ., As Capi anias de Pe nambuco e a cons ução dos e i ó ios e das ju isdições na
Amé ica po uguesa (século XVIII) (Tese de Dou o ado em His ó ia, Uni e sidade Fede al Fluminense, 2017),
p. 126 passim; Ped o Pun oni, O Es ado do B asil: pode e polí ica na Bahia colonial – 1548-1700 (São Paulo:
Alameda, 2013), p. 84.
12
Dau il Alden, “La e Colonial B azil (1750-1808)” in Leslie Be hell (o g.). The Camb idge His o y o La in
Ame ica. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess, 1984.

José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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subal e nos ãobem desnecessá ios [...]”.
13
Pa a Pe ei a Tibal, o mesmo adminis ado que
ou o a di igi a os abalhos de cons ução da ede u bana nos se ões do Cea á e busca a
impo e mo e go e no ao p edomínio dos bandos locais,
14
e a necessá io “ eduzi a
gua nição des a p aça e se a despeza con o me a i alidade que della ezul a [...]”.
15
Não
ha ia g ande no idade nes a ideia, pois e a opinião a aigada nos ci cui os da adminis ação
cen al que uma conquis a não de e ia esul a em p ejuízo pa a a azenda do ei.
16
Nes e
caso, Pe ei a Tibal pa ece e se ap o ei ado do senso de ealismo da Co oa pa a alega o
inadimplemen o da Pa aíba e suge i a anexação ao seu p óp io go e no como um
mo imen o na u al.
O go e nado de Pe nambuco eco da a que a Pa aíba e a compos a po uma única
cidade, que “pela pob eza dos seos mo ado es es a eduzida a hum a amen o humilde [...],
sem mais ou a ila nem po oação de con a”. Tibal denuncia a o p ecá io es ágio de sua
gen e de o denança, não “mais que huns pob es pescado es, e os soldados que a gua necem
hoje são uns qua en a e seis a ilhey os, muy o pequena gua nição “[...]”, ao passo que odo
o gas o ei o com a o aleza do Cabedelo e a pago pela p o edo ia da Al ândega de
Pe nambuco.
17
Com es a minguada ida u bana, esul ado da c ônica dep essão econômica
que lhe aba ia, a Pa aíba man inha, na isão de Pe ei a Tibal, uma incong uen e es u u a
go e na i a sem e o no algum pa a a Co oa.
18
De aco do com o go e nado e capi ão-
gene al, udo le a a a c e que a subo dinação da Pa aíba e a a melho solução não apenas
pa a o e á io égio, que economiza ia com a edução de pos os e co e de gas os, mas
sob e udo pa a a adminis ação colonial, que se ia melho ealizada a pa i de Pe nambuco,
como oco ia, po exemplo, na coma ca das Alagoas, que sendo mui o maio que a Pa aíba,
13
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
14
José Inaldo Cha es J ., Op. ci ., p. 70.
15
Pa a o go e nado , “O zello do Se iço de Vossa Mages ade e a ecadação da sua azenda são a cauza de
expo na sua eal p esença a g ande despeza que se az com os pos os, e p ezidio que há na cidade da Pa aíba,
sem u ilidade alguma, podendo es a e ou a aplicação mais con enien e ao se iço de Vossa Mages ade”.
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
16
F ancisco Be hencou , “As capi anias” in F ancisco Be hencou & Ki i Chaudhu i, His ó ia da expansão
po uguesa, Vol. 1 (Lisboa: Temas e Deba es, 1998), p. 341-352.
17
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
18
Ibidem, g i os nossos.
José Inaldo Cha es
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locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
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cons i uindo-se de ês ilas e mui as eguesias, es a a sob as o dens do go e no de
Pe nambuco, o que e a econhecido po Tibal como uma expe iência de g ande êxi o.
19
O caso das Alagoas suge ia a p óp ia inco po ação da Pa aíba ao e i ó io
pe nambucano, al como, pos e io men e, oco e á à dona a ia de I ama acá. Mas, segundo
Pe ei a Tibal, a au onomia da Pa aíba e a injus i icá el ambém quando compa ada ao caso
do Cea á, que e a sujei o a Pe nambuco mesmo dis ando 240 léguas do Reci e. Es a
capi ania, que inha duzen as léguas de cos a e mais cem de se ão, os en a a um dízimo que
ende a 4:850 mil éis no ano an e io – o dob o da a ecadação pa aibana – e sua impo ância
somen e c escia, ala ancada pelos cu ais de gado – “que cada ez ão a mais sendo a melho
azenda da Amé ica” – que abas eciam as Minas Ge ais, a Bahia e o p óp io Pe nambucano.
Com amanha ele ância, nem po isso o Cea á deixa a de se go e nado po um capi ão-
mo pago com 400 mil éis e sujei o ao gene al de Pe nambuco. Si uação pa ecida com a do
Rio G ande, cujo capi ão-mo ecebia soldo ainda meno – apenas 200 mil éis.
20
Ques ionando a p óp ia necessidade de man e uncionando a o aleza do Cabedelo,
cujos gas os com a manu enção de sua in aes u u a e en io anual de sup imen os, como
pól o a e a mas, des ia am os ecu sos necessá ios a a ende pos os mais des acados no
Cea á, Rio G ande e I ama acá, Pe ei a Tibal econhecia que a Pa aíba ou o a “ oy de
melho e mais conside ação do que hoje he, mas nunca oy de so e que pudesse aze a ob a
da Fo aleza que lá há senão à cus a da Fazenda Real de Pe nambuco [...]”. Po isso, ainda
que osse in adida pelo inimigo, a cidade da Pa aíba não e ia o que saquea dada a pob eza
dos seus mo ado es, “e ainda que quise a o inimigo, senão pode á ahy conse a pella
izinhança des a P aça [do Reci e]”.
21
O diagnós ico ealizado pelo go e nado de
Pe nambuco e a o mais ágico possí el e sinaliza a um conspícuo in e esse em demons a
a ine i abilidade da subo dinação da capi ania ou mesmo a sua ex inção, com consequen e
inco po ação e i o ial.
19
“[Alagoas] cujo dízimo anda a endado com pouca di e ença [da Pa aíba] em 3:873 mil éis go e nados po
sinco capi ães mo es de o denança em que há qua en a e se e engenhos de assuca , dis ando a cabeça da
comma ca des a p aça [do Reci e] 60 legoas, e a di a ila do Penedo mais de 90, e nunca oy go e nada po
capi ão-mo pago, e há poucos anos em ou ido ”. AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30,
Lisboa).
20
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
21
Idem.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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Po ém, o Conselho Ul ama ino, seguindo a p áxis plu alis a e concelhia da
mona quia, buscou ou i ou as pa es do li ígio, de manei a que pode emos econs ui os
p incipais a gumen os con á ios aos do gene al e iden i ica de onde pa i am. Mani es ou-
se como polo opos o o go e nado da Pa aíba, à época o capi ão-mo F ancisco Ped o de
Mendonça Go jão (1729-1734), que a i mou e colhido no ícias e dadei as ace ca do
“oppulen o es ado a que es a Capi ania chegou pela iqueza de seus mo ado es, e que della
a despejou a es e ilidade de dez annos de sucessi as secas que a puze ão na mayo
decadência [...]”.
22
Toda ia, se e a de público conhecimen o a uína i ida na década de
1730, o capi ão-mo da Pa aíba ap esen ou um equen ado e ambicioso plano pa a seu
en en amen o: sujei a I ama acá, Rio G ande e o Cea á aos domínios da Pa aíba e, com
isso, o ça o aumen o das azendas des a úl ima.
23
A ideia o a o iginalmen e elabo ada po Diogo do Campos Mo eno no início do
século XVII, quando suge iu que a inco po ação de I ama acá o alece ia o comé cio
pa aibano, pe mi indo-lhe ealiza uma bené ica conco ência à pode osa dona a ia de
Dua e Coelho, que anda a po ias de consolida seu p o agonismo come cial,
incompa í el, ao menos em ese, com a o ça espe ada das capi anias de el- ei.
24
Ce amen e
o con ex o e a ou o e, em 1730, ninguém du ida a se iamen e dos di ei os égios sob e
Pe nambuco.
25
Com algum exage o, F ancisco de Mendonça Go jão a i ma a que uma
e en ual decisão égia a a o des a capi ania não causa ia nenhuma es anheza nem
con on a ia a ealidade, pelo con á io, con i ma ia uma p ojeção his o icamen e esboçada
no plano ju isdicional:
Es a g aça não cauza á a mayo admi ação po que a Capi ania de I ama acá nos
p imi i os p incípios des a Pa ayba oy a ella sugei a como se ê de mui as da as
an igas e as do Sia á e Rio G ande, não se a as ão de húa boa a mónia, po que
co egendo o ou ido des a Capi ania o Rio G ande de e se ambém sugei a a es e
Go e no; e pa a udo o mais que oca em se iço de Vossa Mages ade, e pa a a boa
22
Ibidem.
23
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
24
Engel Slui e , “Repo on he S a e o B azil, 1612”, The Hispanic Ame ican His o ical Re iew Documen s,
no embe , 1949, p. 547.
25
Sob e o p ocesso de inco po ação de Pe nambuco ao pa imônio égio, c . a ese ci ada de Vi gínia Assis,
Pala a do ei, Op. ci ..
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
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adminis ação da Jus iça aos seus mo ado es, e ambém se e i a ão melho os
homicídios, e delic os que se comme em, icando se os execu o es delles no e úgio
que achão nas di as capi anias em que se ocul ão, e encob em com o a o de alheya
ju isdição [...].
26
Re u ando o a gumen o do gene al de Pe nambuco de que a longa dis ância não
impedi a que o Rio G ande e o Cea á es i essem-lhes sujei os, o capi ão-mo ap esen a a a
Pa aíba pela alcunha de “capi ania-mãe”, explicando que es ando mais p óxima do Rio
G ande e do Cea á: “[...] mais na u al lhe ica a sua sujeição do que passando pellos limi ez
e e as della a deixa em pa a hi em os Po os busca o seu ecu so a capi ania de Pe nambuco
de que se achão mais a as adas, e em maio dis ância”.
27
A descon inuidade espacial da
ju isdição do gene al de Pe nambuco e a, pois, apon ada como um con assenso no
desempenho sa is a ó io da adminis ação colonial.
28
Não obs an e, o capcioso a i ício u ilizado pelo capi ão-mo oi mesmo apela pa a
o ecen e his ó ico de ebeldia de Pe nambuco, cujos “mo ado es são dados a pe u bações,
e le an es”, pondo em dú ida a sua cons ância no seio da mona quia.
29
Resga ando os
episódios da gue a dos masca es, em 1710-11, quando o go e nado da Pa aíba João da
Maia da Gama comandou o enquad amen o dos pa en es “pa aibanos” do pa ido da nob eza
olindense, impedindo, assim, que in eg assem as ilei as con á ias aos negocian es
po ugueses do Reci e,
30
Mendonça Go jão azia menção a um mecanismo polí ico que ia
26
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
27
Ibidem.
28
Com e ei o, no Po ugal mode no, a é ao menos a e o ma e i o ial do Alga e nos anos 1790, já sob
in luência da Ilus ação, as i egula idades, di e sidade ins i ucional e descon inuidade das ci cunsc ições
o am uma ma ca indelé el da ges ão dos e i ó ios, como apon ou Ana C is ina Noguei a da Sil a, O Modelo
Espacial do Es ado Mode no. Reo ganização Te i o ial em Po ugal nos inais do An igo Regime (Lisboa:
Edi o ial Es ampa, 1998), p. 49-50. Não es anhamos que o mesmo oco esse no B asil e no ul ama de
manei a ge al.
29
Sob e o assun o, e pa icula men e E aldo Cab al de Mello, A onda dos mazombos: nob es con a
masca es, Pe nambuco (1666-1715) (São Paulo: Companhia das Le as, 2005), p. 287-8.
30
Com o im da gue a, a a uação de João da Maia da Gama, que, segundo E aldo Cab al de Mello, possuía
uma ascendência sob e a masca a ia, ecebeu uma se e íssima ep eensão da pa e do ice- ei d. Lou enço de
Almada, que o acusou de supo se go e nado -ge al do Es ado do B asil, inge indo nos assun os de ou as
capi anias, como icou comp o ado em sua in e enção no Rio G ande, que e minou po impedi que uma
ajuda da pa e dos paulis as da gua nição do Assú chegasse ao pa ido de Olinda. Também Maia da Gama o a
acusado de inci a ódios e paixões e de en a a apalha o apaziguamen o en e mazombos e masca es nas
capi anias do No e, do que da a con a a sua insis ência pa a que medidas puni i as ossem ado adas con a a
nob eza olindense, des onando do om mode ado imp imido pela Co oa, que deseja a mais acalma os ânimos
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
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expos o a que o ma em ou lhe a i em a sua mesma po a, como ize am a dois capi ães-
mo es do Rio G ande [...].
51
Em sua a aliação, a independência polí ico-ins i ucional da Pa aíba e a es a égica
pa a a de esa de oda a conquis a e, po isso, não pode ia sucumbi às es ei as elações
econômicas com Pe nambuco, um a gumen o que se á esga ado em meados do século, na
an essala da subo dinação ou o gada em 1756. A inal, quan o ao pon o cen al do pa ece do
gene al Dua e Sod é Pe ei a Tibal, que se subo dinasse ao go e no de Pe nambuco a
capi ania da Pa aíba, no es ilo do que já se p a ica a no Rio G ande e no Cea á, Maia da
Gama ejei a a-o po conside a que “nem os mo ado es daquella Capi ania pa ece o
admi i ão, po se e c iado semp e desde a sua c iação emdependen e de Pe nambuco, nem
o asei a á bem o ice Rey e capi am ge al do Es ado, po se lhe dmininui a sua au ho idade,
e ju isdição”.
52
Seu pa ece ejei a a as no idades p opos as po ambas as pa es e indica a
que a Co oa ou isse os po os sob e o que aze , no que, na u almen e, comp o a ia que a
manu enção da hodie na di isão espacial se ia o melho caminho a oma .
53
Como se sabe, man e os po os paci icados e a um p incípio da go e nação lusi ana,
ainda mais em localidades com ecen e his ó ico de mo ins de colonos e gue as con a os
índios do in e io .
54
Ou i as câma as sob e al ma é ia e a, pois, um p uden e conselho ao
ei dado po esse expe ien e mili a . Em 1734, o ice- ei, conde de Sabugosa, quando
inqui ido pelo Conselho Ul ama ino sob e es as p oposi u as, ambém se acau elou,
51
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa), g i os nossos.
52
Idem.
53
“A is a do e e ido, sou de pa ece que, quando aos minis os de Vossa Mages ade se o e eça ezão
con enien e, e ú il ao se iço de Vossa Mages ade pa a se ino a qualque des as uniões, e sujeições, se de em
p imei o ou i os po os, aos da Pa ayba se lhe acomoda, e com em ica em sogey os ao go e no de
Pe nambuco, e os do Sia á, Rio G ande e I ama acá, se lhe con em a sujeição (sic) a Pa ayba, po que en endo
que nenhuns nem ou os o ab assa ão bem, e se le an a am no as pe u bações naquelles po os, o que se de e
a alha an es de se execu a qualque das di as esoluções ap o ada pelo ice Rey, e he o que me pa ece [...]”.
AHU_ACL_CU_015, cx. 41, doc. 3705 (1731, ab il, 30, Lisboa).
54
Analisando o go e no colonial no século XVIII, Souza e Bicalho assinala am que “A conjugação en e medo
e ensão, in asão e mo im, ameaça ex e na e pe igo in e no le ou os esponsá eis pela polí ica ul ama ina, no
eino e nas conquis as, a ede ini os mecanismos de go e no e de conse ação da colônia. Nesse sen ido i iam
a p e alece , na elação da me ópole com a pa e p incipal de seu impé io, as máximas baseadas na cau ela,
na p udência, no bom go e no e no alí io das con ibuições excessi as quando os ânimos dos colonos se
al e assem a pon o de ameaça sub e e a o dem colonial, osse pela e ol a, osse pela aliança com o inimigo
ex e no. Lau a de Mello e Souza e Ma ia Fe nanda Bicalho, 1680-1720: o impé io des e mundo (São Paulo:
Companhia das Le as, 2000), p. 97.

José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
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alegando, po meio de uma sucin a ca a, “se az pe cizo mais empo a espei o de alguns
exames, e diligências; e po essa azão deixo pa a ou a occazião a espos a des a
P o izão”.
55
O Conselho Ul ama ino e minou sem uma espos a do ice- ei, que
demons ou ce o desin e esse na ma é ia, como se quisesse simplesmen e deixa udo como
es a a.
56
O a o é que a de ocada da P o edo ia da Pa aíba le a a a eboque a au o idade do
capi ão-mo , c escen emen e eduzida pela dependência dos in e mil c uzados da dízima
que inham, semp e em a aso, de Pe nambuco. O impasse seguiu po mais de in e anos a é
que, no es eio do e o mismo ilus ado, a adicional polí ica de ges ão e i o ial baseada na
c iação, ex inção ou subo dinação de capi anias e seus go e nos oi no amen e acionada no
no e do Es ado do B asil, dessa ei a pa a sujei a a Pa aíba. Na mesma época em que uma
ágil Pa aíba e a subo dinada (1756), as minas de Goiás e do Ma o G osso ecebiam
go e nos au ônomos e equipamen os adminis a i os de peso (1749), con i mando as
p io idades da geopolí ica po uguesa no século XVIII, ol adas, em essência, pa a as
p oblemá icas on ei as com os domínios espanhóis.
57
Po ou o lado, no amos que a
sujeição da Pa aíba a Pe nambuco não o a um plano ocado in a ia elmen e pelo cen o da
mona quia, isen o de negociações com as o ças locais.
Mui o ao con á io, as on es e elam a exis ência de á ias e complexas posições
que se es o ça am pa a se em ou idas nos dois lados do A lân ico e e em seus in e esses
esgua dados. Além disso, as es abelecidas in e ligações come ciais e socioeconômicas en e
Pe nambuco e Pa aíba o am ão pe sis en es que, ao im e ao cabo, impedi am o
esp aiamen o pela capi ania do “bloco au onomis a”, que pe maneceu es i o à capi al da
55
AHU_ACL_015, cx. 47, doc. 4243 (1734, no emb o, 16, Bahia).
56
Ap oxima am-se os meados do século XVIII e as p io idades da Co oa ha iam se deslocado pa a ou as
á eas da Amé ica do Sul, especialmen e no B asil me idional. Nos in a anos seguin es, a implan ação do
T ibunal da Relação no Rio de Janei o (1751) e a pos e io ans e ência da capi al do Es ado do B asil de
Sal ado pa a a cidade do Rio de Janei o (1763) ans o ma iam de ez a hie a quia u bana da Amé ica
po uguesa, in e endo as posições ou o a ocupadas pelos ês maio es conglome ados coloniais –
Pe nambuco, Bahia e Rio de Janei o. A esse espei o, c . An ônio Ca los Robe de Mo aes, Bases da o mação
e i o ial do B asil: o e i ó io colonial b asilei o no “longo” século XVI (São Paulo: Huci ec, 2000).
57
Fe nando Lobo Lemes, “Goiás na a qui e u a geopolí ica da Amé ica po uguesa”, REVISTA TEMPO (UFF),
Ni e ói, ol. 19, nº 35, p. 185-219, 2013.
José Inaldo Cha es
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Pa aíba com seu en aquecido capi ão-mo e seus poucos homens de negócio. Vejamos udo
isso com mais de alhes.
Comé cio, iscalidade e pode es locais
Uma o dem égia de quinze de ou ub o de 1742, na qual se lia a de e minação de se
não despacha em azendas “de huns pa a ou os po os” no B asil, deixou mui íssimo
eceosos alguns me cado es e homens de negócio da cidade da Pa aíba. Eles emiam que a
p oibição do comé cio in e colonial en e as p aças da Amé ica lusa pudesse p ejudica o
abas ecimen o in e no, a comp a de insumos e esc a os e, inclusi e, o p óp io inanciamen o
da ag oindús ia açuca ei a nas á zeas do io Pa aíba onde es a am os maio es engenhos da
capi ania. O dano se ia incalculá el se as an igas o as me can is en e o Reci e e os po os
meno es ossem, de a o, in e ompidas em nome do iscalismo égio, semp e mais
in e essado em sus a os caminhos do con abando e es anca os canais de e asão dos di ei os
eais, c ônicos no comé cio po cabo agem.
58
P eocupados, os me cado es, caixei os e p ocu ado es do comé cio eci ense na
Pa aíba esc e e am à câma a da cidade clamando po sua in e e ência e apelo jun o ao
mona ca pa a que declinasse da ação, pos o que “es a cidade não em o a, e [a] mesma o a
de Pe nambuco he a o a des e Po o [...]”.
59
Sem comé cio não ha e ia a ecadação,
p ejudicando an o os se o es p odu i os e me can is quan o a p óp ia Co oa, pois que
“mili ando a di a o dem al a ão as azendas, e ica ão os Engenhos, e os mo ado es com
58
Fe nando A. No ais, Po ugal e B asil na C ise do An igo Sis ema Colonial (1777-1808). 8ª ed. (São Paulo:
Huci ec, 1995), p. 240 passim.
59
AHU_ACL_CU_015, cx. 66, doc. 5578 (1747, julho, 6, Pa aíba). Sob e o papel do egime de o as na
es u u ação da hin e land eci ense, E aldo Cab al de Mello a i mou que: “Come cialmen e, o en epos o
eci ense, esboçado sob o domínio ba a o, consolida a-se, na segunda me ade de Seiscen os, g aças ao sis ema
de o as anuais en e Po ugal e o B asil, que, po mo i os de segu ança, eleja am em comboio, ocando no
Reci e, Sal ado e Rio de Janei o. Tal sis ema eque ia a cabo agem a i a que ligou o Reci e aos núcleos
populacionais da ma inha; e quando abolido, em meados do século XVIII, os p i ilégios da p aça
pe nambucana pe manece am in ocados. A e ême a Companhia de Comé cio de Pe nambuco e Pa aíba
p ese o-os. Acossado pela conco ência de Sal ado , com que e e que pa ilha , em si uação des an ajosa, o
comé cio dos ‘se ões de den o’, o Reci e compensou-se, a no oes e, nos ‘se ões de o a’, que pode iam se
alcançados a meno cu so a a és dos ‘po os do se ão’, como e am designados os núcleos li o âneos a oes e
da baía de Tou os, an o mais que, no e cei o qua el do século XVIII, a população das capi anias da Pa aíba,
Rio G ande do No e e Cea á e a ês ezes maio que a da á ea pe nambucana além-Bo bo ema, inclusi e a
coma ca do São F ancisco”. E aldo Cab al de Mello, A ou a independência: o ede alismo pe nambucano de
1817 e 1824 (Rio de Janei o: Edi o a 34, 2004), p. 32.
José Inaldo Cha es
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do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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cus o g ande pa a os is ua ios e a e a sem dinhey o [...]”.
60
Como apon ou E aldo Cab al
de Mello, “o en epos o eci ense oi media izado po uma ede de cúmplices, de sócios
meno es, cen os locais que ope a am como agen es come ciais do Reci e”.
61
O pedido de exceção basea a-se ambém no a o de que, desde 1723, as dízimas das
Al ândegas de Pe nambuco e Pa aíba e am a ema adas em único con a o no Conselho
Ul ama ino, de modo que e a exage ado o eceio da Co oa de que di ei os sob e p odu os
impo ados deixassem de se pagos no suspei o ânsi o in e colonial, uma ez que sendo
qui ada a dízima em Pe nambuco, es a ia igualmen e nos negócios ei os na Pa aíba, a é
po que seus a ema an es e am os mesmos, quase semp e masca es do Reci e com
p ocu ado es na izinhança. Do pon o de is a dos me cado es “pa aibanos”, inadmissí el
se ia a dupla ibu ação, o que one a ia ainda mais os já ca os p odu os impo ados azidos
pelo comé cio eci ense.
62
A junção das dízimas em um único con a o isa a, ao menos em ese, p e eni e
emedia a P o edo ia da Pa aíba, que ica a em lag an e p ejuízo com o pouco comé cio
no seu po o, uma ez que quase udo en a a pelo Reci e.
63
Em meados do século XVIII,
ha ia se o nado e dadei o opoi a alegação da g ande pob eza e pouco negócio da capi al
da Pa aíba, de modo que e a impe iosa a elação come cial com Pe nambuco. Quase nada ia
di e amen e ao seu po o. E, desde os Seiscen os, o que saía dele inha como p incipal des ino
o Reci e. Isso não signi ica a, e iden emen e, que, em seu conjun o, a capi ania da Pa aíba
não ecebesse p oduções de ou os po os do no e, esul ado do in icado sis ema de es adas
e o as lú io-ma í imas cons i uído a pa i da conquis a dos se ões.
64
Na es ei a do clássico
60
Idem.
61
E aldo Cab al de Mello, Um imenso Po ugal. His ó ia e his o iog a ia (São Paulo: Edi o a 34, 2002), p.
180-181.
62
“[...] pois coando se comp ão naquele Reci e já sam mais ca as, e pagando segundos gas os nes a Al andêga,
mos a a mesma Rezão de em subi de p eço”. AHU_ACL_CU_015, cx. 66, doc. 5578 (1747, julho, 6,
Pa aíba).
63
De aco do com Moza Ve ge i de Menezes, “Na Pa aíba, o ecolhimen o da dízima – impos o que
co espondia à cob ança de 10% dos bens impo ados – oi ins i uído em 1711. Em 1723, po dec e o eal, oi
mandado que se izesse a sua a ema ação jun o com a dízima de Pe nambuco. Independen emen e do alo
alcançado na a ema ação, a p o edo ia pe nambucana de ia eme e , anualmen e, in e mil c uzados – oi o
con os de éis – pa a a congêne e pa aibana [...]”, o que, como apon a Menezes, a amen e o a ei o,
ocasionando uma as idão de con endas en e as duas p o edo ias e o c escimen o de uma dí ida
eco en emen e cob ada pela Pa aíba. C . Moza Ve ge i de, Colonialismo em ação, Op. ci ..
64
O que ica pa icula men e apon ado na ca a do capi ão-mo F ancisco de A uda Câma a, po en ado local
e ben ei o da ila de Pombal, no se ão da Pa aíba, à anha dona Ma ia I. Na ocasião, A uda Câma a esboçou
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.14
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es udo de I êneo Jo ily sob e a Pa aíba colonial, Campina G ande e sua ei a de gados
o ma am um en oncamen o des as o as que expo a am/impo a am p oduções que
inham po des ino/o igem di e sos luga es da egião.
65
De es o, isso não obscu ece o papel desempenhado pela p aça do Reci e, mui o ao
con á io, pois impõe-nos o desa io de comp eende seu papel como aglu inado a des es
di e en es ci cui os. E am o as cos umei as da economia colonial, di íceis de i a da
memó ia das gen es, an as ezes i e e en es às pouco cla as de e minações do cen o da
mona quia e que en a am, mui as ezes com capacidade inócua, con ola seus luxos.
66
Nes es e mos, em seis de julho de 1747, os edis da câma a da Pa aíba in e cede am jun o
ao ei dom João V e ansmi i am a queixa ecebida dos negocian es, explicando que
“Semp e es a Cidade desde a sua undação se conse ou mandando i os mo ado es, e
homens de negócio dela azendas do Po o de Pe nambuco [...]”.
67
A ca a alega a que a
e e ida p oibição de 1742 p ejudica ia não apenas os me cado es, mas impossibili a ia
“la ado es e senho es de Engenho, pois que não em dinhey o, não em azenda pa a o
o necimen o de Engenhos”.
as elações econômicas e a comunicação en e os se ões da Pa aíba e a ila cea ense do A aca i. “He o
suplican e aquelle iel açalo, zeloso do bem publico aman e da Pá ia, e p o e o dos en e eces da mesma, que
semp e e e po obje o o bene ício comum com despendio da azenda p óp ia, cuidando semp e no go e no e
come cio da di a Villa de Pombal com an agens quase inac edi á eis se não es i essem pa en es ao publico.
Elle p ocu ou e igi a di a illa, es abelecendo nella huma Came a, a quem cons i uo pa imónio da azenda
p óp ia. A sua cus a ez o pelou inho, e com dispêndio de seu p óp io pa imónio p ocu ou aze comunicá el
a mesma Villa com os ce ões, e e as izinhas a é consegui comme cio do Po o de ma da Villa do A aca i,
ab indo pa a esse im es adas publicas no espaço de mais de secen a legoas po luga es escab osos, e nunca
dan es comunicados”. AHU_ACL_CU_014, cx. 29, doc. 2164 (an . 1786, dezemb o, 5, Pa aíba), g i os nossos.
A esse espei o, c . Capis ano de Ab eu, Capí ulos de His ó ia Colonial (1500-1800) (B asília: Senado
Fede al, 2006), p. 107 passim; Caio P ado J ., Fo mação do B asil con empo âneo: colônia (São Paulo:
B asiliense, 2004), p. 241; Celso Fu ado, Fo mação Econômica do B asil. 34ª ed. (São Paulo: Companhia das
Le as, 2007), p. 92 passim.
65
A esse espei o, c . I enêo Jo ily, No as sob e a Pa ahyba. 2ª ed. Facsimila . (B asília: Thesau us, 1977), p.
225-6; e, mais ecen emen e, Moza V. Menezes & Yamê Pai a, “Ilus ação, população e ci cui os me can is:
a Capi ania da Pa aíba na i ada do século XVIII” in Ca la Ma y S. Oli ei a; Moza Ve ge i Menezes &
Regina Célia Gonçal es (o gs.). Ensaios sob e a Amé ica Po uguesa (João Pessoa: Edi o a
Uni e si á ia/UFPB, 2009), p. 173.
66
De aco do com Ci o Flama ion San ana Ca doso, “[...] ambém é e dade que as a i idades de conquis a e
colonização i e am como esul ado o apa ecimen o de sociedades cujas es u u as in e nas possuem uma
lógica que não se eduz exclusi amen e ao impac o da sua ligação com o me cado mundial em o mação e com
as me ópoles eu opeias”. Ci o Flama ion S. Ca doso, “As concepções ace ca do ‘sis ema econômico mundial’
e do ‘an igo sis ema colonial’: a p eocupação obsessi a com a ‘ex ação de exceden es’ in José Robe o do
Ama al Lapa (o g.). Modos de p odução e ealidade b asilei a (Pe ópolis: Vozes, 1980), p. 127.
67
AHU_ACL_CU_015, cx. 66, doc. 5578 (1747, julho, 6, Pa aíba), g i os nossos.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 249-278
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“Com es as Fazendas se cos uma assis i aos Engenhos que depois de ecolhida a
sa a se sa is az com o mesmo asuca , e os mo ado es e la ado es ambém a comp ão pa a
paga em com os meios da e a, pela mui a al a de dinhey o que há nella”.
68
O iscalismo
égio, que e en ualmen e pode ia pende sua balança pa a as p aças meno es isando amplia
as possibilidades de a ecadação e ape a os canais de cob ança a im de e i a as eco en es
e asões dos di ei os eais, no caso das capi anias do no e e e que equen emen e cede às
p essões do pode oso comé cio eci ense, cujo hin e land e a compos o po in e miná eis
ami icações, dos se ões do baixo São F ancisco (Penedo) à ila de San a C uz do A aca i,
no Cea á, do ale do Mamanguape, na Pa aíba, às ibei as do Mosso ó e Apodi no Rio
G ande.
69
Nu indo elações socioeconômicas mui o pe sis en es, na maio ia das ezes as eli es
senho iais, e mesmo seus me cado es espalhados pelas p incipais ibei as, iam no po o do
Reci e o des ino mais segu o pa a suas azendas e negócios, pois lá ecebiam bom p eço e
me cado ce o, como êm demons ando copiosa his o iog a ia.
70
Mas não e a só isso.
Olinda e, pos e io men e, a ila do Reci e, o na am-se o polo egional que es u u a a e
es abelecia hie a quias no in e io daquele as íssimo e i ó io, man endo com ele ligações
du adou as, embo a nem semp e ha moniosas, pois, como ad e iu Claude Ra es in, odo
68
AHU_ACL_CU_015, cx. 66, doc. 5578 (1747, julho, 6, Pa aíba). As sociedades do An igo Regime não
conheciam a iden i icação au omá ica da economia com o me cado, al como no mundo con empo âneo,
ineb iado pelo que Polanyi chamou de “ icção me can il aplicada ao abalho e à e a”, “como se [es es]
i essem sido p oduzidos pa a enda”. Em economias pouquíssimo mone a izadas, o p incípio o ma i o dessa
“sociedade de me cado” – o exceden e, p odui ne – não encon a a um luga assegu ado e de ini i o, uma
ez que e a e abalho – homem e na u eza, espec i amen e – não es a am plenamen e disponí eis a quem
quisesse (e pudesse) comp á-los, ao passo que o escasso dinhei o não e a mais que uma a ian e na complexa
equação das elações de pode no mundo colonial. C . Ka l Polanyi, A subsis ência do homem e ou os ensaios
co ela os, T ad. Ve a Ribei o (Rio de Janei o: Con apon o, 2012), p. 51.
69
Geo ge Félix Cab al de Souza, T a os e Mo a as: o g upo me can il do Reci e colonial (c.1654-c.1759)
(Reci e: Edi o a Uni e si á ia/UFPE, 2012), p. 57; E aldo Cab al de Mello, Um imenso Po ugal, Op. ci ., p.
181; Tiago Sil a Medei os, “O Se ão ai pa a o Além-Ma ”: a elação cen o-pe i e ia e as áb icas de cou o
em Pe nambuco nos se ecen os (Disse ação de Mes ado em His ó ia, Uni e sidade Fede al do Rio G ande
do No e, 2009); Leona do Cândido Rolim, “Tempo das ca nes no Sia á G ande: dinâmica social, p odução
e comé cio de ca nes secas na ila de San a C uz do A aca i (c.1690-c.1802)” (Disse ação de Mes ado em
His ó ia, Uni e sidade Fede al da Pa aíba, 2012); José Inaldo Cha es J ., “Po se Pe nambuco ão chegado:
anexação, go e nos e me cados ul ama inos na Capi ania da Pa aíba (1791-1799)”, ALMANACK, Gua ulhos,
ol. 8, p. 120-141, 2014.
70
Ibidem.

José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
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mo imen o de cen alidade é acompanhado da p odução de ma ginalidades às ezes
acen uadas.
71
Uma das consequências mais canden es e a a e asão de di isas na Pa aíba e demais
capi anias do no e do Es ado do B asil, que deixa am de ecolhe localmen e mui os
ibu os, endo seus di idendos segui em pa a Pe nambuco nas mãos de ep esen an es e
in e mediá ios dos a ema an es des a p aça; ao menos isso é o que dão con a as alas de
mui os o iciais égios, especialmen e seus capi ães-mo es go e nado es. Sem con ole sob e
as endas da capi ania e sob e as p oduções que dela saíam com o selo de Pe nambuco, o
go e no da Pa aíba e a um dos p incipais p ejudicados pelo comé cio in e colonial. Não po
menos, ao longo dos Se ecen os, ele oi um dos que mais oci e ou con a a baldeação da
p odução “pa aibana” pa a o izinho ao sul.
Em no e de dezemb o de 1754, o capi ão-mo e go e nado da Pa aíba, co onel Luís
An ónio Lemos de B i o (1754-7), oi encu alado po uma o dem de Sua Majes ade na qual
de e mina a-lhe que, com o seu pa ece , apon asse “os meyos que me oco e em pa a se
e i a alguma u ilidade des a Capi ania [...]”.
72
Embo a ób io da pa e da adminis ação
cen al, semp e in e essada em maximiza os ganhos com suas conquis as ul ama inas com
o mínimo de dispêndio inancei o, es e e a um ques ionamen o po demais capcioso, pois
punha em pe igosa e idência a insol ência iscal da Pa aíba e não conside a a
p oposi almen e a qualidade econômica dos negócios ei os a pa i do Reci e.
73
En ão, se a
p incipal exigência da Co oa, em meados de Se ecen os, e a que o capi ão-mo ap esen asse
71
Claude Ra es in, Po uma Geog a ia do Pode , T ad. Ma ia Cecília F ança (São Paulo: Edi o a Á ica, 1993),
p. 190.
72
AHU_ACL_CU_O14, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba).
73
Ka l Polanyi opõe os dois signi icados possí eis do concei o “econômico”, o sen ido o mal e o subs an i o.
Segundo ele, “O signi icado subs an i o p o ém da lag an e dependência do homem em elação à na u eza e
aos seus semelhan es pa a sob e i e . Ele sob e i e g aças a uma in e ação ins i ucionalizada com o meio
na u al; isso é a economia, que lhe o nece os meios de sa is aze suas necessidades ma e iais. Es a ase não
de e se in e p e ada no sen ido de que as necessidades sejam exclusi amen e co po ais, como alimen o e
ab igo [...]. Os meios, não as necessidades, é que são ma e iais. É i ele an e se os obje os ú eis são necessá ios
pa a e i a a ome ou são usados com ins educacionais, mili a es ou eligiosos. Se a sa is ação das necessidades
depende de obje os ma e iais a e e ência é a economia. Aqui, econômico se e e e simplesmen e ao p ocesso
de sa is aze as necessidades ma e iais [...]. O signi icado o mal em uma o igem in ei amen e di e sa. Vem
da elação meios- ins. É um concei o uni e sal que não se es inge a nenhum campo especí ico do in e esse
humano. Os e mos lógicos ou ma emá icos dessa na u eza são chamados o mais, em con as e com as á eas
especí icas a que se aplicam [...]”. Ka l Polanyi, A subsis ência do homem e ou os ensaios co ela os, Op. ci .,
p. 63-4.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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os meios “pa a se aumen a a Fazenda Real”, desa io maio não pode ia a ibui -lhe. Em uma
ca a conside ada emblemá ica nos an eceden es da subo dinação, o capi ão-mo Lemos de
B i o suge iu um ou o expedien e pa a se aumen a a Fazenda Real: que se izesse a
a ema ação dos con a os de impos os na p óp ia capi ania, pos o que quando a ema ados
no Conselho Ul ama ino só pode iam a o ece os g andes homens de negócio do Reci e.
74
Espe a a-se que a ealização do p egão local es imulasse os habi an es da capi ania
a ing essa em nos con a os, p oduzindo e ei o posi i o sob e o comé cio e aplacando a
gue a iscal com Pe nambuco.
75
De a o, na elação do endimen o anual da P o edo ia da
Pa aíba, en iada ao ei pelo capi ão-mo naquele maio de 1755, no a-se que o con a o dos
dízimos eais, um dos mais impo an es da capi ania, o a a ema ado no Conselho
Ul ama ino po João Hen ique Ma ins, que paga ia p eço anual de 3:833$333 po ês anos.
Po uguês na u al de Oei as, ele e a i mão do ambém negocian e Hen ique Ma ins, cuja
ede amilia incluía ou os come cian es como And é Gomes Ba os (a ô ma e no de sua
esposa) e João Machado Gaio (casado com uma ia de sua esposa), odos po ugueses
solidamen e es abelecidos no Reci e, com conexões e co esponden es em á ias pa es do
Impé io, inclusi e no eino.
76
Em 1759, nou a elação de endimen os p epa ada pela P o edo ia da Pa aíba, João
Hen ique Ma ins no amen e igu a a como con a ado , dessa ei a do subsídio das ca nes,
que o a a ema ado no Conselho Ul ama ino po ês anos (1756-9) pelo p eço o al de
74
“Pa ece me que Vossa Mages ade se si a de manda seja (sic) a ema ados nes a cidade os sob edi os
con ac os [do dízimo e subsídio do açúca ], e que os Dizimos do ce ão se a ema em em ibey as, ou amos
sob e sy pella u ilidade que se segui á a Real Fazenda de Vossa Mages ade, e aquelles mo ado es, pois a he
ago a oda a con eniência e a dos homens de negócio de Pe nambuco, que em azão do seu comé cio
conse ão co esponden es no Reyno, po quem os manda ão a ema a no Concelho Ul ama ino [...]”.
AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba), g i os nossos.
75
Em 1752, uma ep esen ação de João Lei e Fe ei a, mo ado do se ão do Piancó, de endeu que a
a ema ação dos dízimos dos gados acon ecesse na p óp ia ibei a, al como já e a p a icado nas capi anias do
Rio G ande do No e e do Cea á, pois somen e assim os habi an es dos se ões pode iam aze en e à
conco ência dos homens de negócio do Reci e. Após pa ece a o á el do Conselho Ul ama ino, em 1753
uma o dem égia de e minou que ais ibu os ossem leiloados na p óp ia ibei a do Piancó, conquan o as
a ema ações ossem conduzidas, in locum, pelo p o edo e pelo esc i ão da Fazenda. Toda ia, o mesmo não
o a con e ido a ou os con a os, nem mesmo no caso dos dízimos de ou as ibei as se anejas como o Ca i i.
E a uma medida absolu amen e pon ual. A esse espei o, c . AHU_ACL_CU_014, Cx. 17, doc. 1407 (1754,
no emb o, 4, Lisboa); AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba).
76
As in o mações biog á icas do g upo me can il do Reci e o am e i adas de Geo ge Félix Cab al de Souza,
T a os e Mo a as, Op. ci ., p. 452, 461-2 passim.
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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4:215$000. Na mesma elação, ou o homem de negócio “pe nambucano” apa ece como
a ema an e do subsídio do açúca pa a o iênio 1758-61. E a João da Cos a Soa es, que
comp a a o di ei o po p eço o al de 1:875$000.
77
De aco do com es udo p osopog á ico
emp eendido po Geo ge Félix Cab al de Souza, João da Cos a Soa es, na u al da eguesia
de San iago, em Coimb a, e a me cado de azendas, eme endo p odu os de Lisboa pa a
Pe nambuco, po an o, alguém in imamen e ligado à cabo agem nas capi anias do no e.
Cab al de Souza suge e que Cos a Soa es e a “uma das igu as ‘pendula es’ das o as
a lân icas”, e, nesse sen ido, não é de es anha que apa ecesse como con a ado de impos os
na Pa aíba.
Faz-se necessá io conclui ap esen ando as demais suges ões dadas pelo capi ão-mo
Luís An ónio Lemos de B i o, que, em 1755, ecebeu a á dua a e a de demons a a u ilidade
da Pa aíba. A e icácia des as suges ões pode ia li a a capi ania da iminen e subo dinação.
Como dissemos, as p incipais colocações de Lemos de B i o e sa am sob e a a ema ação
dos con a os, cuja de esa do p egão local isa a es imula os habi an es a ing essa em no
negócio. Con udo, um p oje o mos ou-se in e essan e jus amen e po esga a o his ó ico de
suges ões an e io es, como as p o e idas po Diogo de Campos Mo eno e, depois, po João
da Maia da Gama. O co onel Lemos de B i o suge iu que, como “Tem a Capi ania de
Pe nambuco os Engenhos dos e i ó ios con íguos do Reci e e da cidade de Olinda, e além
des es os muy os que há nos e i ó ios das capi anias sugey as de Iga assu, São Lou enço
da Ma a de Ipojuca, de Se inhaem, do Po o Cal o, e das Alagoas [...]”,
78
osse Sua
Majes ade se ido “o dena que os assuca es de Goyanna se anspo em pa a es a Cidade
[...]”, de modo que “[...] aumen a -se-há o come cio” com a en ada de cinco ou seis na ios
“em luga de dous ou hum que cos umão i o dina iamen e”.
79
Se a ideia e a en adonhamen e epe ida – o ça o aumen o do luxo come cial na
p aça da Pa aíba po meio do ca eamen o da p odução açuca ei a da capi ania de I ama acá,
o que, po conseguin e, a ai ia os na ios que lá pousa am –, as consequências e am is as
77
C . AHU_ACL_CU_014, cx. 21, doc. 1591 (1759, e e ei o, 20, Pa aíba).
78
AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba). Como “capi anias sugey as” o capi ão-mo
da Pa aíba menciona a apenas as capi anias de o denanças, ci cunsc ições mili a es comandadas po um
capi ão-mo , ge almen e che e ou po en ado local, sem, con udo, ci a as capi anias eais subo dinadas à
Pe nambuco à época, que e am Rio G ande do No e (desde 1701) e Cea á (desde 1656).
79
AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba).
José Inaldo Cha es
“Muy diminu a do que em sy he, mui o menos impo an e
do que odos Conhecem”: capi anias, go e nos e eli es
locais no no e do es ado Do B asil (Pe nambuco e Pa aíba,
1730-1756)
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como mui o posi i as, na a aliação do capi ão-mo . Ele ac edi a a que, aumen ando o
núme o de na ios no po o, e i a -se-ia dois dos p ejuízos mais no ó ios da elação come cial
com Pe nambuco: a desmone a ização e a dependência iscal.
E i a -se-há a ex ação de odo o dinhey o que dá de sy o paiz po que como a es a
cidade não em azendas bas an es nem gêne os comes í eis são os me cado es de
Pe nambuco os que o necem as logeas dos me cado es da e a e que le ão des es
em pagamen o quan o dinhey o adqui em, e segui -se-há em i ude des a mu ação
pode mos espi a li es da P o edo ia de Pe nambuco [...].
80
Nunca o am mui o cla os os limi es ju isdicionais en e Pa aíba, Pe nambuco e
I ama acá – es a úl ima “uma dona a ia en e capi anias eais”, na p ecisa acepção de
Luciana Ba balho Velez.
81
Dis an e apenas se en a quilôme os da cidade da Pa aíba, a ila
de Goiana, cabeça de I ama acá a é 1763, quando inalmen e a dona a ia oi ex in a e e e
seu e i ó io inco po ado a Pe nambuco, azia pa e, po ém, da coma ca da Pa aíba.
82
Mesmo assim, a elha dona a ia in eg a a economicamen e o hin e land eci ense, de modo
que con ence seus p odu o es e come cian es a des aze em-se de seus negócios ao sul do
io Goiana em a o da subsidiá ia p aça da Pa aíba, com seu desp es igiadíssimo po o,
con inua a sendo nada mais que um p oje o de êxi o an asioso. Mui os go e nado es an es
dele p opuse am saídas ao p oblema da insol ência iscal, mas, em 1755, o maio desa io do
go e no da Pa aíba aumen a a na exa a p opo ção da dí ida da dízima da Al ândega, que
a ingi a a inc í el soma de 51:829$545.
83
80
AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc. 1434 (1755, maio, 4, Pa aíba), g i os nossos.
81
Luciana de Ca alho Ba balho Velez, “I ama acá: uma dona a ia en e as Capi anias Reais do No e” in José
Inaldo Cha es J . & A iadne K. Cos a, Faze e e aze o Impé io: agências e agen es na Amé ica po uguesa
(séculos XVII-XIX) (Vi ó ia: DLL/UFES, 2011).
82
A esse espei o, c . o ecen e e impo an e es udo de Luciana de Ca alho Ba balho Velez, Dona á ios e
adminis ação colonial: a Capi ania de I ama acá e a Casa de Cascais (1692-1763). (Tese de Dou o ado em
His ó ia, Uni e sidade Fede al Fluminense, 2016).
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Em 9/5/1755, o go e nado da Pa aíba esc e eu ao sec e á io de Es ado, Diogo de Mendonça Co e Real,
in o mando que con inua a em a aso o epasse anual dos 20 mil c uzados da dízima da Al ândega, mesmo
após a Co oa e emi ido uma ca a-p eca ó ia ob igando o pagamen o. C . AHU_ACL_CU_014, cx. 18, doc.
1436 (1755, maio, 9, Pa aíba). O p o edo da Fazenda e o go e nado e capi ão-gene al de Pe nambuco
alega am não e em endimen os su icien es pa a hon a o comp omisso. Chega am a suge i que a dí ida
osse paga pela P o edo ia da Bahia, o que oi ecusado pelo Conselho Ul ama ino. Segundo o capi ão-gene al
de Pe nambuco, Luís Co eia de Sá, o p incipal mo i o pa a o a aso no en io do pagamen o da dízima da
Al ândega à Pa aíba esidia no c ônico p oblema en en ado pelo egime de o as e comboios (que só se ia
ex in o em 1765), pois que como as o as, que de e iam se anuais, chega am a passa dois anos sem chega em