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Em busca de um tema esquecido: o lugar da educação nas recentes interpretações do Brasil

Freitas, Marcos Cezar de; Faria Filho, Luciano Mendes de

Abstract

Este texto se propõe a analisar o lugar reservado à educação nas contemporâneas interpretações do Brasil. Para isso, escolhemos um conjunto de obras publicadas a partir do final do século XX, ocasião em que se avolumava as comemorações/discussões sobre os 500 anos do “descobrimento”, até o ano de 2015, quando se instalou a crise que, como vimos, resultou no golpe civil parlamentar que destituiu a Presidenta eleita, Dilma Roussef, da Presidência da República. O artigo defende que, se, ao longo do século XX, o acesso à educação foi panaceia para todos os males da nação, no século XXI, interpretar o Brasil tornou-se um exercício que permite abordar a permanência de quem chegou à escola, ampliando o foco do acesso para a inclusão, procurando entender, mais do que a transposição de limites, a aproximação, o fazer juntos que a quase universalização da escola básica possibilita. Mas também impõe entender as distâncias atualizadas e ampliadas entre a casa grande e a escola pública, no cultivo dos privilégios de classe e de raça de longeva tradição no Brasil.

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A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil Looking o a o go en Subjec Ma e : he Place o Educa ion in he Recen In e p e a ion o B azil Ma cos Ceza de F ei as1 Uni e sidade Fede al de São Paulo (B asil) Luciano Mendes de Fa ia Filho2 Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais (B asil) Recibido: 11-05-17 Ap obado: 25-05-17 Resumo Es e ex o se p opõe a analisa o luga ese ado à educação nas con empo âneas in e p e ações do B asil. Pa a isso, escolhemos um conjun o de ob as publicadas a pa i do inal do século XX, ocasião em que se a oluma a as comemo ações/discussões sob e os 500 anos do “descob imen o”, a é o ano de 2015, quando se ins alou a c ise que, como imos, esul ou no golpe ci il pa lamen a que des i uiu a P esiden a elei a, Dilma Rousse , da P esidência da 1 (ma cosceza @pesquisado .cnpq.b ). A ua na á ea de An opologia da Educação. P o esso Li e Docen e do Depa amen o de Educação da Uni e sidade Fede al de São Paulo. Coo denado da Pla a o ma de Sabe es Inclusi os e Coo denado do Labo a ó io de Ensino e Vulne abilidades In an is (LEVI). Au o de: O p o esso e as ulne abilidades in an is, com Rena a Lopes Cos a P ado, Co ez Edi o a, 2016; O aluno incluído na educação básica, Co ez Edi o a, 2014 e Alunos ús icos, a caicos e p imi i os. Co ez Edi o a, 2009. 2 ([email p o ec ed]). Possui g aduação em Pedagogia pela Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais (1988), mes ado em Educação pela Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais (1991) e dou o ado em Educação pela Uni e sidade de São Paulo (1996). É p o esso Ti ula da Faculdade de Educação da Uni e sidade Fede al de Minas Ge ais, onde coo dena o P oje o “Pensa a Educação, Pensa o B asil” - 1822/2022, inicia i a desen ol ida em ede po mais de uma dezenas de ins i uições uni e si á ias do B asil. É co-au o , den e ou os abalhos, de “Cul u e he people, build he na ion: scien i ic and li e a y associa ion and educa ion in Minas Ge ais (B azil) a he beninning o he B azilian empi e. Paedagogica His o ica” (Imp imé), . 49, p. 82-89, 2013 e “The In en ion o he Mode n School in B azil: Me hods and Ma e ials in B azilian Schools in he 19 h Cen u y. In: Ma celo Ca uso”. (O g.): Class oom S uggle O ganizing Elemen a y School Teaching in he 19 h Cen u y. 1ed.F ank u : Pe e Lang, 2015, . 1, p. 127-156. 346 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 República. O a igo de ende que, se, ao longo do século XX, o acesso à educação oi panaceia pa a odos os males da nação, no século XXI, in e p e a o B asil o nou-se um exe cício que pe mi e abo da a pe manência de quem chegou à escola, ampliando o oco do acesso pa a a inclusão, p ocu ando en ende , mais do que a ansposição de limi es, a ap oximação, o aze jun os que a quase uni e salização da escola básica possibili a. Mas ambém impõe en ende as dis âncias a ualizadas e ampliadas en e a casa g ande e a escola pública, no cul i o dos p i ilégios de classe e de aça de longe a adição no B asil. Pala as-cha e: In é p e es do B asil; In elec uais; Escola Pública. Abs ac This ex is p oposed o analyze he place ese ed o educa ion in he con empo a y in e p e a ions o B azil. To do so, we chose a g oup o wo ks published om he end o he wen ie h cen u y, ime when commemo a ions / discussions abou he 500 anni e sa y o he “Disco e y” ha e been buil up un il he yea 2015 when an Economic C isis has been ins alled and esul ed in he ous ing o he Dilma Rousse om he Republic P esidency. The a icle de ends ha , i , h oughou he wen ie h cen u y, access o educa ion was “Panacea” o all he e ils in he coun y, in he wen y- i s cen u y, in e p e ing B azil became an exe cise ha allows us o app oach he pe manence o hose who ha e go o school, inc easing he ocus o access o inclusion, aiming o unde s and mo e han jus o e passing he limi s, he app oxima ion, he “doing oge he ” ha he almos uni e saliza ion o he basic school p o ides. Bu i also imposes he unde s anding o he upda ed and ex ended dis ances be ween he Big house and he Public school on he os e ing o class and ace p i ileges, e y adi ion a land common in B azil Key-wo ds: In e p e e s o B azil; In elec uals; Public School In odução Es e ex o esul a de exe cícios in elec uais e polí icos desen ol idos há anos pelos seus au o es. Jun os ou sepa ados emos en ado esponde a pe gun as sob e os sen idos da educação nos p oje os de B asil elabo ados nos úl imos 200 anos pela in elec ualidade e pelos mo imen os sociais b asilei os. O que imos, ao longo de mais de 30 anos de pesquisa na á ea de his ó ia e an opologia da educação é que a educação escola semp e oi, e con inua sendo, um ema, um assun o, uma dimensão da ida social, undamen al nas discussões dos p oje os pa a o B asil. 347 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Isso é assim desde o momen o em que e ilha am os deba es em o no da independência nacional. Con o me já i emos ocasiões de demons a (Fa ia Filho, 2009), nos anos que se segui em à independência e no momen o de cons i uição do Es ado Nacional e da Nação b asilei a, a escola semp e oi ida e ha ida como uma das mais impo an es ins i uições pa a a cons ução de um de e minado “pe il de po o b asilei o”. No en an o, já naquele con ex o despon a a o p oblema a espei o do que se ia, mesmo, o po o b asilei o. Em boa pa e do século XIX, sob a égide das ideias ci ilização e ci ilidade, se concebia o “po o b asilei o” como uma massa amo a que de e ia adqui i uma o ma, a de po o do B asil, sob a di eção de uma eli e polí ica e in elec ual b anca e sin onizada com a “ci ilização eu opeia”. Nossa cons i uição híb ida ou mes iça e a is a, nesse enquad amen o, no mais das ezes, como um de nossos g andes “obs áculos” pa a aden a mos, como Nação, os caminhos da ci ilização. Na escola, de um lado e, em dado momen o, nas p á icas eugenis as de ou o, e am deposi adas as espe anças de aze mos do B asil uma imensa Eu opa. No úl imo qua el do XIX, sob e udo, o in es imen o no elã da ci ilidade pe de e eno pa a ab i espaço a uma concepção cada ez mais p og essi a de his ó ia e de dinâmica do mundo social. O p og esso, concebido ao mesmo empo como uma eo ia da his ó ia, como o ien ado da complexa ama do mundo social e como modo de en ende o desen ol imen o de cada indi íduo, passa se a ped a de oque dos in es imen os de nossas eli es. O p og esso, subo dinado à p esença da o dem (comando e o denamen o), chega ia a odos os incões ba ejados pela boa no a da p esença es a al e, sob e udo, da ins ução escola , osse ela pública ou p i ada. Foi sob a insígnia da o dem e do p og esso, insc i a no pan eão nacional, que os epublicados, his ó icos ou de úl ima ho a, busca am in es i na disseminação da escola pública em odo o e i ó io nacional. Fo ma e cons i ui um po o o dei o e abalhado passa a a se um das inalidades p ecípuas da escola, ins i uição cada ez mais de endida como de equen ação ob iga ó ia pa a odas as c ianças b asilei as. Ao mesmo empo, boa pa e da nossa in elec ualidade de endia que, lá onde cessasse o alcance e pode da escola como agência de ans o mação da cul u a pob e, g ossei a e an iquada de nossa gen e, es a a a opção pela in e enção eugênica pa a a “pu i icação de nossa aça” e pa a a “ele ação” de nosso ca á e . O ca á e au o i á io e acis a de boa pa e das p opos as pa a o B asil elabo adas sob a égide da ci ilidade e do p og esso, ambém se amplia a na p e ensão a o mula um a cabouço concei ual e polí ico que osse ab angen e o bas an e pa a abo da o conjun o do mundo social, apon ando an o pa a dimensões indi iduais e pessoais quan o cole i as e/ou socie á ias da ci ilidade e do p og esso. 348 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Não é po acaso que a educação escola (ou, ao con á io, a sua ausência) osse c i é io decisi o pa a c edi a a p esença maio ou meno ci ilidade ou p og esso da pessoa e da sociedade como um odo. Se p edominan emen e as pessoas e am conside adas omando po base o que não inham, o que não e am, o que não conseguiam, a ausência de escola idade despon a a como “ausência essencial” indicado a de “impossibilidades a á icas”. Há uma in lexão exp essi a, sob e udo no pós gue a, quando a noção de desen ol imen o passa a hegemoniza as discussões e elabo ações sob e o mundo social e a educação. A p esença do concei o de desen ol imen o no bojo das inalidades ol adas pa a a eo denação do país em e ei o amalgaman e, que se desdob a em inúme as co en es de pensamen o a é mis u a -se às p omessas da eo ia do capi al humano. Nessas pe spec i as, o mundo social e, pa icula men e, a educação são omados a pa i de uma e en e ni idamen e economicis a, com a cap u a do pensamen o social pelo pensamen o econômico e pela edução da educação como es a égia de quali icação de ecu sos humanos pa a a compe ição numa o dem sala ial que elabo a a um capi alismo “p óp io”, he dei o de seu p óp io passado esc a oc a a. No en an o, em que pese a p esença dessas e e ências – ci ilização, p og esso e desen ol imen o – no pensamen o in elec ual e nas polí icas de endidas como necessá ias ao país, essa p esença semp e compo ou ensões e dissensos den e os in elec uais que se p opuse am a in e p e a e a ans o ma o B asil. Mesmo na segunda me ade do século XX, momen o de uma cla a hegemonia das pe spec i as desen ol imen is as as mais di e sas nas in e p e ações do B asil, ou as manei as de in e p e a o B asil o am p oduzidas e mobilizadas, sob e udo no in e io de mo imen os sociais que se p opunham a cons ui ou o B asil. No en an o, no campo da educação, a amen e ais in e p e ações ganha am os co ações e men es de nossa in elec ualidade e, mesmo, dos polí icos b asilei os, pois não log a am undamen a polí icas e, mui o menos, p á icas educacionais, malg ado o es o ço de mui os daqueles e daquelas que mili a am no campo educacional. O ema educação escola , mencionado inin e up amen e como necessá io e undamen al o nou-se, no século XX, exp essão de um pa adoxo. Mencionado po odos, não deixou de se “coisa de educado es”. A ques ão da educação do po o nos eme e, pois, às múl iplas in e p e ações do B asil e o luga nelas ese ado à educação. Se, como já se disse, há um es o ço cole i o sendo ei o pa a comp eende esse enômeno em nossa his ó ia, nesse momen o nosso olha se ol a, mais especi icamen e, pa a o empo p esen e. É nele e a pa i deles que indagamos: qual o luga ese ado à educação nas con empo âneas in e p e ações do B asil? 349 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Pa a esponde a essa ques ão, escolhemos um conjun o de ob as publicadas a pa i do inal do século XX, ocasião em que se a oluma a as comemo ações/ discussões sob e os 500 anos do “descob imen o”, a é o ano de 2015, quando se ins alou a c ise que, como imos, esul ou no golpe ci il pa lamen a que des i uiu a P esiden a elei a, Dilma Rousse , da P esidência da República. Nesse ex o, especi icamen e, compa ilhamos a lei u a que izemos de algumas in e p e ações ecen emen e publicadas e o ganizamos um e o de busca a gumen a i a. Ou seja, se po mais de um século o acesso à educação oi panaceia pa a odos os males da nação, no século XXI, com in e p e a o B asil o nou-se um exe cício que pe mi e abo da a pe manência de quem chegou, ampliando o oco do acesso pa a a inclusão, p ocu ando en ende mais do que a ansposição de limi es, mas ambém a ap oximação, o aze jun os que a quase uni e salização da escola básica possibili a aos que se es o çam po in e p e a “o que somos, com base no que izemos”. B asil no século XXI: um país em busca de in é p e es? Quan os são os modos de se in e p e a o B asil e quais são os sujei os que se colocam essa a e a? Essa é uma pe gun a de ácil elabo ação e de di ícil espos a, dado o ca á e polissêmico da p óp ia noção de in e p e ação. Recen emen e a Fundação Pe seu Ab amo publicou um denso es udo elacionado às pe cepções e alo es polí icos p esen es nas pe i e ias de São Paulo (FPA, 2017). A pesquisa abo dou, especi icamen e, um segmen o elei o al compos o po pessoas que se bene icia am de p og amas sociais e que deixa am de o a no espec o polí ico pa idá io que se ap esen a com pla a o mas do cen o pa a a esque da. Pe cebeu-se que esses sujei os assumi am, desde 2014, uma pe spec i a elei o al cla amen e iden i icada com o léxico polí ico que con ém as “pala as cha e” (Williams, 2010) do mo imen o elei o al que se desloca do cen o pa a a di ei a. Aos pesquisado es esponsá eis po essa ap oximação em elação ao ecido ideológico que se gua da sob o e o dos cinco salá ios mínimos como enda máxima oi possí el cons a a uma “adesão” às pala as cha e de um p ocesso que amalgama um se e o conse ado ismo de cos umes, com pe spec i as de um neolibe alismo adicalizado. No conse ado ismo de cos umes são p onunciadas as e e ências à supe io idade da me i oc acia e na assimilação adicalizada do neolibe alismo são p onunciadas as abju ações aos p incípios dos di ei os sociais que a é en ão lhes se iam àqueles que esponde am às ques ões da pesquisa. Tais pessoas, segundo o con eúdo di ulgado, pa icipam da e ocação do emp eendedo ismo como quem clama po um mundo não con aminado pela 350 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 co upção polí ica e se posicionam na mesma inchei a da qual são lançados os a aques ao Es ado, aos impos os e aos “p i ilégios sindicais”. A pesquisa epe cu iu e oi imedia amen e ap op iada pela g ande imp ensa que encon ou nas alas dos mo ado es das pob es pe i e ias de São Paulo o mo e pa a esc e e que os que alam “em nome do po o” não conhecem a ealidade “de pe o”. Se iu, segundo essa isão, pa a denuncia um “dé ici de in é p e es e in e p e ações” nes e século que já es á quase concluindo sua segunda década, mas que ainda e e be a p oblemas do século XIX. Essa imp ensa cons an emen e lag ada em seu indis a çá el eli ismo se ale do con eúdo da pesquisa pa a expo suas eses a espei o dos chamados p oblemas nacionais. Po isso mesmo, é no espaço des inado aos edi o iais que se p onuncia. No caso especí ico, ap o ei am as bases da pesquisa pa a expo linhas e, p incipalmen e, en elinhas. P oclamam o im dos e ei os sedu o es daqueles que ad ogam a p esença do Es ado na a iculação de polí icas sociais e que os en am p omessas epublicanas como as que de endem a educação pública, laica, uni e sal e g a ui a ao lado do sis ema público, uni e sal e g a ui o de acesso à saúde. Saúdam, com indis a çá el des aça ez, a “descobe a” de uma “é ica emp eendedo a” ago a localizada nas populações de baixa enda. Isso ea i ou diagnós icos que ci cula am na década de 1950, quando os que de endiam a “supe io idade” da escola p i ada sob e a escola pública ap esen a am o a gumen o que os pob es que em “p og edi ” e que as amílias que em “escolhe ” e que, em deco ência, que em “me ece o que êm” (Bu a, 1979, F ei as e Biccas, 2009, Weins ein, 2000). Pode pa ece apenas uma cena de um en edo no qual pessoas pob es e mui o pob es mani es am encan amen o com alo es que azem pa e da lógica daqueles que os subjugam. No en an o, a al íssima complexidade que pe meia esse deslocamen o elei o al diz espei o não somen e às exace bações conse ado as no campo dos cos umes, mas à adesão a alo es econômicos, polí icos e ju ídicos que, no limi e, e omam aquilo que Oli ei a Vianna, um ícone de um au o i a ismo com punhos de enda a i ma a na década de 1940, segundo quem “exo ismos” como lu a de classes, democ acia ep esen a i a são es anhos à “pe sonalidade do país” (Vianna 1949). A pesquisa em ela de e ensina algo aos que o mulam e de endem di ei os sociais e polí icas públicas. Mas de e ambém chama a enção pa a o uni e so ideológico da ap op iação dos seus esul ados. Esse é um campo de lu as que suge e a pe manência dos emas das in e p e ações e dos in é p e es do B asil como dado a se cons an emen e e isi ado. Os que se ap op ia am dos esul ados da pesquisa pa a p omo e o es aziamen o de di ei os sociais ocupam um espaço desc i o pelos mesmos como de “opo unidade pa a eno a in e p e ações do B asil”. 351 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 No âmbi o dos en en amen os ideológicos que es ão p esen es no cená io em que esses esul ados de pesquisa se ap esen am, obse amos mui os p o agonis as e çando a mas pa a en en a a ba alha que, ao e mo, segundo seus p opósi os, ha e á de limi a (ou quem sabe des ui comple amen e) a es e a pública b asilei a, eduzindo-a ao amanho do “opo uno”, ou seja, às dimensões que não possam a apalha a amília e o emp eendedo ismo. Chama a enção, po ém, a o ma a a és da qual se eap esen a a ex u a do “mode no”. A ap op iação que a g ande imp ensa ez e az dos esul ados da pesquisa da Fundação Pe seu Ab amo in e p e a o país sin e izando-o numa e ância de o dem con igu ado a e de p onúncia p o é ica: não se mode niza á enquan o não disciplina , con e e limi a sua es e a pública. O mode no, mais uma ez essu ge como negação de quaisque ep esen ações de cole i idades e se agi a den o do es ojo com o qual nossa “ceguei a polí ica” em gua dado o mé i o como mo o da his ó ia. E, mais uma ez, os abalhado es, as pa celas conside adas ús icas, a caicas e p imi i as en am em cena pela ia da nega i idade. Ou seja, e omando a ica análise p opos a po Paoli e Sade (1986), a desc ição das pe sonagens que es a iam ago a descob indo uma no a é ica es a iam a caminho do mesmo luga pa a onde se di igi á o país quando se li a dos seus a asos. À medida que esses a asos são iden i icados com a hipe o ia da es e a pública, que agigan ada inibi ia o mode no de i ompe nas endas do cimen o b u o do a caísmo que se alimen a de p og amas sociais, essa população “que não é” az pa com o país “que não em”. Po isso, o supos o deslocamen o de pe spec i a elei o al que ago a é es ejado po ais se o es p odu o es de opinião, não diz espei o à mobilidade social, à ap oximação, ao acesso a bens de di ei o. A mobilidade social, is a com descon iança po que ei a à cus a de a caísmos como, po exemplo, ans e ência de enda, diz espei o a pessoas “incomple as” que no acesso às ins i uições es a iam imp egnando-as de inconsis ência e p eca iedade, po que es a iam chegando “com a al a de”: es a iam chegando sem bases a gumen a i as, sem bases analí icas e sem condições p é ias pa a hon a acessos ob idos ia expansão de di ei os. É impo an e no a que na segunda década do século XXI p oduzimos diagnós icos semelhan es àqueles que na segunda década do século XX indica am que o país não inha um po o a al u a dos desa ios epublicanos que se ap esen a am. Não é ob a do acaso que naquele con ex o osse possí el a i ma que a epública que ínhamos, não e a a epública sonhada. P oduzia-se, en ão, um a icínio que pe mi ia an e e ou o u u o, um u u o desg udado das he anças do passado e inalmen e mode no po que le ado a e ei o a a és da ampliação do acesso à escola. 352 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Nas duas décadas seguin es po en osas in e p e ações do B asil o am publicadas e o pon o de des endamen o que p opo ciona am dizia espei o a en ende o p o undo de um país singula , u dido nas amas de um luga com imp essionan e capacidade pa a c ia e ec ia hie a quias sociais. Os clamo es po in e p e ações do B asil p onunciados na década de 1920 encon a am ecos nas in enções analí icas que esul a am nos í ulos que a pa i da década de 1930 passa am a explica o “compo amen o social” à luz das o mas como aqui se deg ada am as elações en e es e as pública e p i ada, en e ação indi idual e cole i a, en e os domínios da casa e do Es ado. Os in é p e es do B asil a pa i da década de 1930, como Gilbe o F ey e, Sé gio Bua que de Holanda e Caio P ado Júnio , o am cuidadosos ao lemb a em que o país já con a a com in e p e ações desde o século XIX e, em alguns aspec os especí icos, desde a expe iência colonizado a. Iden i ica a p esença de de e minado ema no co ação a gumen a i o dos in é p e es do B asil é, po an o, um mo imen o exegé ico possí el e necessá io. Quando a g ande imp ensa des aca que a “pe sonalidade do país mudou” e que al am in é p e es pa a conhece essa ealidade de pe o, se p oduz uma análise supe icial. É supe icial po que o pensamen o social b asilei o não ez ou a coisa que não en a deci a enigmas a espei o das a i udes, posicionamen os e indi e enças dian e dos chamados g andes p oblemas nacionais. Essa é quase a sín ese do abalho in elec ual que há décadas, com a iações ideológicas, me odológicas e epis emológicas, in e p e ou o que somos e, p incipalmen e o que não somos. É isso o que possibili a a pesquisado es busca po especi icidades, como po exemplo, a cons ução da amília em al ob a, a iden i icação do Es ado em al au o e assim po dian e. Que o país semp e esul e embasbacan e em qualque in e p e ação não nos su p eende, mas nesse ma de lei o es e lei u as do B asil alguns emas êm maio incidência do que ou os. Den e esses, o ema educação nos in e essa de pe o. Na ampla e is osa es an e em que es ão os in é p e es do B asil, do século XIX pa a o século XX, o ema educação pouco apa ece jus amen e po que em mui as in e p e ações a educação e a indicada como dado ausen e a explica c ônicos p oblemas e a indica es a égias cu a i as pa a os males da nação, median e a i adiação de sabe es escola izados. A educação como ema das in e p e ações não despon a a po que pa a a maio ia daqueles in é p e es se des enda a um passado de alguma o ma plasmado na expe iência colonial e, quando mui o, abo da a educação signi ica a e le i po que dela ínhamos ão pouco. Na maio ia das sín eses, eses e an í eses a educação despon a ia, quando apa ecesse como an ído o aos males he dados de um passado in aus o e e gonhoso. 353 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Embo a seja ema essencial em Manoel Bon im(1868-1932), po exemplo, lemb ado semp e pa a deci a o enigma chamado B asil, em sua in e p e ação “os males de o igem” são mais impo an es anali icamen e que a educação em si, enquan o e o de in e p e ação. O século XXI já p oduziu no as lei u as e in e p e ações de B asil. Nada que se compa e ao p ocesso que ge ou as sín eses das décadas de 1930 e 1940, mas num ou o con ex o já es amos no amen e in e p e ando o país. Mas e os no os in é p e es que êm o p óp io século XX palco de g ande expansão nos núme os escola es, como ol am ao passado e, em ol ando, o que pe cebem, se é que pe cebem, da educação? No que diz espei o ao ema educação, é undamen al lemb a que en e um con ex o e ou o, no ansco e do século, o país p oduziu exp essi a expansão nos seus núme os escola es. Há que se pe gun a pelo luga ese ado pa a a educação escola nas in e p e ações “de ago a” que pude am con a com a expansão dos núme os educacionais e pensa sob e a ausência, mas ambém sob e a p esença da escola pública em nosso ecido social. A educação nos no os in é p e es do B asil Em nossas in es igações, es amos me gulhados num p ocesso de pe manen e mapeamen o das in e p e ações sob e o B asil. No en an o, con ém a isa que esse ex o não é um es ado da a e, ampouco um le an amen o sob e quais e quan as são as a uais in e p e ações do B asil no século XXI. Es amos esc e endo à medida que se o na possí el ecolhe em ce as ob as a p esença ou ausência do ema educação. Especi icamen e aqui es amos analisando b e emen e os li os publicados de Bo elho e Schwa z (2009) Um enigma chamado B asil, de Bo elho e Schwa z (2011) Agenda b asilei a, de Schwa z e S a ling (2015) B asil, uma biog a ia e de Mo a e Lopez (2015) His ó ia do B asil: uma in e p e ação. Pa a pe gun a do ema educação nas no as in e p e ações do século XXI é impo an e a i ma que as no as in e p e ações não pude am (nem quise am) igno a a o una his o iog á ica p eceden e. Os in é p e es com suas in e p e ações de B asil poucas ezes explici a am nos í ulos de seus abalhos a in enção de in e p e a . O econhecimen o de que uma in e p e ação o a le ada a e ei o na maio ia das ezes esul ou da ci culação e da ap op iação dos p essupos os desen ol imen os em cada análise. Ou seja, o am os lei o es os esponsá eis pelo econhecimen o de que de e minada ob a inha a g andeza e a p o undidade de uma in e p e ação de país, e iden emen e com adesões e ejeições. Foi o que acon eceu, po exemplo, quando a ca ego ia “ o mação” 360 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 O século XX oi abe o com exp essi o núme o de a o es polí icos se ap esen ando pa a esga a a dí ida educacional do século XIX. A his ó ia das e o mas educacionais da década de 1920, o impac o do Minis é io de Educação e Saúde, na década de 1930, o pós segunda gue a, as desas osas consequências do golpe ci il mili a de 1964, a ecupe ação cidadã ensejada na Cons i uição de 1988, pa ecem delinea um único o ei o que, uma ez pe ilado, e ia o condão de assegu a o espaço “ao educacional” den o da in e p e ação. Nas en elinhas, essa passada ligei a do ex o pelo uni e so das escolas públicas pa ece indica que o de alhe, o po meno , o singula e especí ico se ia obje o de especialis as. Po ou o lado, é in e essan e pensa , po ém, que a maio pa e das in e p e ações sob e o B asil não se dis anciou dos emas desigualdade e di e sidade na sociedade b asilei a. Temas que adqui i am densidade a iá el con o me a pe spec i a de egis o. Mas oi jus amen e com o ad en o da escola pública mul i udiná ia que aspec os mui o sensí eis de nossas desigualdades e di e sidades se mos a am, se en e ece am e se o e ece am pa a que analis as e in é p e es pudessem isi a as ensões que, aqui, con igu am a dialé ica en e o pa icula e o uni e sal. Se o B asil pa icipa a seu modo do p ocesso que desde o século XIX ai con e indo uma o ma escola à educação, que com uma ma e ialidade p óp ia p oduz a escola se iada e p og essi a como módulo de expansão do acesso, é jus amen e no modo como a desigualdade c ia ma cado es sociais pa a as di e enças que a escola pública o e ece ecu sos signi ica i os pa a que in é p e es pensem na dis ância en e acessibilidade e inclusão. Se pe manece mos na ó bi a da pala a enigma, que deu í ulo a uma das ob as aqui comen adas, podemos pensa que o que há de enigmá ico na elação en e escola e democ acia no B asil não se des enda com os núme os c escen es das expansões, que inclusi e oco e am em con ex os di a o iais. Diz espei o a pensa em como, sem pe de a mesma o ma, a escola pública ai sendo conside ada de “ou o pad ão”, p incipalmen e em elação ao “pad ão de clien ela” que aden a seus domínios. Se o ma e pad ão podem não coincidi , o acesso pode se da ( al como se deu) ao mesmo empo em que o bem dado à pa ilha “pe de alo ”, “dep ecia-se”. Os no os in é p e es e iam na escola pública do século XX mais que um ema, mas uma g ande opo unidade pa a e le i sob e o p ocesso que oi p oduzindo a escola u bana po den o dos p ocessos de mobilidade social. Ou seja, enquan o pa e exp essi a da sociedade se e e e à escola pública com um saudosismo que se epo a a um empo no qual ela não somen e ensina a, mas p incipalmen e pa icipa a da dema cação de dis âncias en e es a os mais ou menos escola izados, es a inconclusa a a e a de pensa his o icamen e não a escola que ínhamos e pe demos, mas exa amen e aquela que p oduzimos com nosso modo de joga o jogo de ap oximação e dis anciamen o de odos com odos. 361 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Inclusão, pala a do inal do século XX pode se p oje ada sob e o passado sem que isso ep esen e uma delibe ada p odução de anac onismo. Pode se aqui ap op iada como ecu so in e p e a i o pa a analisa as pa icula idades desse o ei o pa a se comp eende o enigmá ico país que cons uímos nos ópicos. A ampliação de agas oi acompanhada de um c escen e p ocesso de desp o issionalização da a i idade docen e com a con ínua e p og essi a busca po ecu sos “mode nizado es” que pudessem ga an i a ap op iação de con eúdos “a despei o” da ação docen e, conside ada cada ez mais menos p epa ada. A ampliação do acesso e ia sido e e i amen e mais inclusi a se a he e ogeneidade que ma ca a sociedade b asilei a osse econhecida, al como pedia Anísio Teixei a, como pon o de pa ida e não como dado de in iabilidade de seus p opósi os? Há que se des enda a causa que az com que in elec uais da educação e suas p oduções não igu em en e os in é p e es do B asil, quando in é p e es são elencados. É p eciso, pois, pe gun a : po que nessas ob as a educação pública, sua p esença ou ausência, não compa ece como um ema impo an e pa a se in e p e a o país quando seus o ganizado es(as) e au o es(as) são, odos eles(as) a do osos de enso es da escola pública –da educação in an il ao ensino supe io – como um di ei o social undamen al e como uma condição pa a o es abelecimen o da democ acia en e nós? Ao que pa ece, expulsa dos domínios da his ó ia (Ca doso e Vain as, 1997), a educação es a ia ambém sendo esquecida pelos no os in é p e es do B asil como uma cha e impo an e pa a en ende o que somos e como nos cons i uímos. Mas se ia isso e dadei o pa a odos os b asis? Se á que a ausência da e e ência à escola pública nas in e p e ações a uais do B asil nos diz, ambém, da au o ep esen ação de nossa in elec ualidade e de sua elação com aqueles “ou os” que equen am a escola pública básica? Não es a ia aí, ambém, uma cha e pa a en ende po que é con ínua a e e ência à uni e sidade e ao ensino supe io pa a se en ende o B asil, mas não à escola p imá ia. No caso do B asil, chama a a enção que mesmo quando se discu e es es emas e, sob e udo, quando se discu e sob e as condições pa a o e igo amen o da es e a e da pa icipação públicas, ou, dizendo de ou a o ma, quando se p opõe o o alecimen o da democ acia e do jogo democ á ico en e nós, mesmo assim, mui o pouco se discu e sob e o papel da escola pública nes a a e a. Há, po assim, dize , um esquecimen o da escola pública no deba e público dos in elec uais b asilei os sob e a democ acia, a es e a pública e a pa icipação polí ica. É como se, in elizmen e, nossa in elec ualidade es i esse ac edi ando que é possí el cons ui uma sociedade democ á ica sem o concu so de uma escola pública de qualidade. 362 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Den e os indícios desse esquecimen o es á, em p imei o luga , o a o de nenhum dos in elec uais con idados pa a igu a nos li os ou pa a pa icipa de deba es/seminá ios como aqueles o ganizados há duas décadas po Adau o No ais3, e uma aje ó ia de e lexão sis emá ica sob e a so e da escola pública, de ní el undamen al, no B asil. Quase odos abalham em uni e sidades e, al ez po isso, es ão mui o mais p eocupados com as polí icas de co as pa a acesso à uni e sidade do que com o que se passa na escola pública de ensino undamen al do país. Ou o indício do esquecimen o é a ausência, nos deba es, de uma e lexão undamen ada e sis ema izada sob e a impo ância da escola pública de qualidade pa a o jogo democ á ico no país. Con ém essal a , no en an o, que nem semp e oi assim. Ou seja, nem semp e os in elec uais b asilei os es i e am ão pouco p eocupados com a escola pública que não seja a de ní el supe io . Desde o século XIX, sob e udo a pa i da independência, se o es exp essi os da in elec ualidade b asilei a semp e es i e am con encidos da impo ância da democ a ização da escola como um índice da democ a ização da sociedade e como condição do ap endizado de uma cul u a polí ica pública. De Be na do P. de Vasconcelos, passando po Ta a es Bas os, Rui Ba bosa, F ancisco Campos, Gus a o Capanema, Anísio Teixei a a é Flo es an Fe nandes e Paulo F ei e, mesmo com ma cadas di e enças polí icas, há uma c ença unânime na impo ância da escola pública undamen al pa a o p oje o de país que odos de endiam. Não e a, pa a eles, possí el pensa em um p oje o Nação sem de ende que a escola a ia pa e, como p odu o e p odu o a, de al p oje o. É possí el pensa as e lexões de um Pie e Bou dieu, sem lemb a as suas undamen ais e seminais pesquisas sob e a escola ancesa? Do mesmo modo, é possí el esquece as undamen ais lições de Edga d Mo in sob e a impo ância da escola pa a o u u o da democ acia? Há, pois, que se pe gun a sob e o signi icado do esquecimen o da escola pública pelos in elec uais b asilei os. Po que se á que já não p eocupam an o com a so e da escola pública, mesmo quando discu em as condições de possibilidade de o alecimen o da democ acia? Se á po que, de ini i amen e no B asil, a escola pública oi abandonada pela classe média, es a o de onde em a maio ia dos in elec uais? Se á po que, uma ez mais, a escola pública é a escola dos ou os já que a nossa escola, a dos nossos ilhos e ilhas, é a escola p i ada? O p oblema é que uma espos a posi i a a qualque uma das ques ões acima coloca-nos uma sé ia ques ão: com quem e pa a quem que emos cons ui a democ acia nes e país? Se ab i mos mão de uma de esa igo osa 3 P o esso e jo nalis a, di igiu, du an e in e anos, o Cen o de Es udos e Pesquisas da Fundação Nacional de A e/Minis é io da Cul u a e é esponsá el pela o ganização de Seminá ios Nacionais que, desde o início da década de 1990, eúne os p incipais in elec uais b asilei os na discussão dos g andes ema nacionais e in e nacionais. 363 Em busca de um ema esquecido: o luga da educação nas ecen es in e p e ações do B asil A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 da escola pública es a emos, na e dade, ab indo mão da p óp ia es e a pública como condição e possibilidade do jogo democ á ico. Po mais que a escola pública undamen al seja c í ica hoje no mundo in ei o como insu icien e pa a a o mação do cidadão ap o pa a pa icipa da ida pública, a democ acia jamais se á cons uída sem a mesma, pelo menos as o mas a uais que conhecemos de democ acia e de escola. Ab i mão do sonho de uma escola pública de qualidade pa a odos nós, e não apenas pa a os ilhos dos ou os, pode se uma manei a de pe pe ua as desigualdades imensas que hoje exis em no país no que diz espei o à pa icipação pública. O silêncio sob e a educação ou o esquecimen o da escola pública po pa e de nossos mais impo an es in elec uais são, assim, os indícios de mais um dos g andes pe igos que ondam a nossa já ágil democ acia. 364 Ma cos Ceza de F ei as y Luciano Mendes de Fa ia Filho A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades, año 19, nº 38. Segundo semes e de 2017. Pp. 345-364. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 doi: 10.12795/a auca ia.2017.i38.15 Re e ências: AZEVEDO, F. 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