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Recepção ansmidiá ica:
incu sões pela Teo ia A o - ede
Pa ícia Azambuja
1
Uni e sidade Fede al do Ma anhão
pa [email protected]
Má cio Mon ei o
Uni e sidade Fede al do Ma anhão
hema cmon @ho mail.com
Resumo: P opomos aqui uma análise de campo ambien ada em espaço ansmi-
diá ico, e u ilizamos como e amen a me odológica o P incípio da Sime ia com
base na Teo ia A o - ede. Seguindo a ideia de as ea conexões, a pa i de uma
esc i a e nog á ica, o mé odo p opõe pensa o social menos como ca ego ia de base
analí ica - pos a an ecipadamen e e des inculada do campo das expe iências - e mais
como algo ocado no p ocesso con ínuo. As p á icas sociais e midiá icas são
a iculadas aqui pa a além dos limi es humanos (ou exclusi amen e écnicos), en im,
o a o - ede se es abelece não como uma en idade ixa, mas, a a és de luxos com
base nos quais o mé odo i á desc e e a p opagação de associações.
Pala as-cha e: Teo ia A o - ede. Ne nog a ia. T ansmídia.
Resumen: P oponemos aquí un análisis de campo ansmedia ambien ado en el
espacio y el uso del p incipio de sime ía basada en la eo ía del ac o - ed como una
he amien a me odológica. Siguiendo la idea de as eo de conexiones de una
esc i u a e nog á ica, el mé odo p opone conside a lo social como una ca ego ía de
meno base analí ica - llamado po adelan ado y sin elación con el campo de la
expe iencia - y como algo más cen ado en un p oceso con inuo. Las p ác icas
sociales y los medios de comunicación se a iculan aquí más allá de los lími es
humanos (o pu amen e écnicas), po úl imo, el ac o - ed se es ablece no como una
en idad ija, sino a a és de los lujos en los que el mé odo se desc ibe la
p opagación de las asociaciones.
Palab as cla e: Teo ía Ac o - ed. Ne nog a ia. T ansmedia.
Abs ac : P opose he e an analysis o c oss-media ield se in space, as a
me hodological ool and use he p inciple o symme y based on Ac o -
Ne wo k Theo y. Pu suing he idea o acing connec ions om an e hnog aphic
w i ing, he me hodology p oposes o conside less he social as a ca ego y
o analy ical basis - called in ad ance and un ela ed o he ield o expe ience -
and as some hing mo e ocused on con inuous p ocess. Social and media
cos umes a e he e a icula ed beyond human limi s (o pu ely echnical),
anyway, he ac o -ne wo k is es ablished no as a ixed pe sona, bu ough
lows on which he me hod will desc ibe he sp ead o associa ions.
Keywo ds: Ac o -Ne wo k Theo y. E hnog aphy. C oss-Media.
1
P oje o de Pesquisa “Pe o mances Cogni i as em In e aces Con e gen es”, inanciado pela
Fundação de Ampa o à Pesquisa no Ma anhão - FAPEMA
17
O sociólogo ancês B uno La ou (1994) ap esen a a si p óp io e a seu g upo de
amigos
2
como es udiosos de si uações es anhas que a cul u a in elec ual não consegue
classi ica . Também se au odenominam “sociólogos, his o iado es, economis as,
cien is as polí icos, ilóso os, an opólogos [...] ac escen ando semp e o geni i o: das
ciências e das écnicas” (LATOUR, 1994: 9). No in e io de ins i uições cien í icas,
buscam desc e e as amas a a essadas po acon ecimen os ligados à ciência e a
oda mis u a esponsá el po ece as eias do co po social. Seguem as amas aonde
elas os le em, omando como meio de anspo e a noção de ede. “Mais lexí el que a
noção de sis ema, mais his ó ica que a de es u u a, mais empí ica que a de comple-
xidade, a ede é o io de A iadne des as his ó icas con usas” (LATOUR, 1994: 9).
Apesa de se em conside ados po demais calculis as e ins umen ais, às ezes, ma gi-
nais, La ou a isa que isso acon ece po equí oco no en endimen o dos seus abalhos,
pois suas pesquisas não es ão in e essadas em discu i a na u eza ou o conhecimen o
pu os (on ologia e epis emologia), mas as suas elações, os seus en ol imen os com
cole i os, sujei os e obje os, sem edução a uma coisa ou a ou a.
1. Sociologia das Associações: ede socio écnica
Um dos amigos de La ou , John Law (2008), disco e sob e a o mação
in e disciplina no campo CTS - Ciência, Tecnologia e Sociedade, p opondo a análise
das di e enças e das sob eposições en e es e campo e a Sociologia, com oco na ne-
cessidade de busca em-se mé odos de in es igação condizen es com ealidades pe o -
ma i as
3
. Pa a isso, ponde a na elação en e a sociologia do conhecimen o cien í ico,
o campo es udado e uma me odologia p agmá ica, a possibilidade de inclusão que ele
iden i icou como P incípio de Sime ia. Pa a ele, “[...] heo y is done in he o m o
case s udies”
4
(LAW, 2008: 630), uma “e nome odologia”
5
em descompasso com a
ideia de g andes na a i as, que aça elações en e ciência, aspec os cul u ais, p á-
icas co idianas e es udos de caso empí icos. B uno La ou (1997) e oma o concei o ao
analisa ques ões de dominação en e ins umen os écnicos e se es humanos, a pa i
de um exemplo clássico, “a mas ma am pessoas”, e do dualismo exis en e na busca po
possí el agen e no p ocesso: a a ma, o cidadão ou ou a c ia u a (uma a ma-cidadão
ou um cidadão-a ma)? Es e mo imen o p ecisa se simé ico. Nem sujei o, nem obje o
são ixos ou independen es. “Em sen ido algum se pode dize que os humanos exis em
como humanos sem en a em em con a o com aquilo que os au o iza e capaci a a
exis i (ou seja, agi ) [...] Obje os que exis em simplesmen e como obje os, apa ados
de uma ida cole i a, são desconhecidos” (LATOUR, 1997: 221). Es e “alguém mais”,
La ou (2001) chama de “a o híb ido”.
2
Pesquisado es do campo de es udo “Ciência, Tecnologia e Sociedade” (CTS).
3
Em oposição à idéia de cons ução social edi icada sob bases absolu as, John Law (2008)
coloca em discussão a noção de p ocesso con ínuo e pe o ma i o.
4
T adução nossa: “A eo ia é ei a sob a o ma de es udo de caso”.
5
B uno La ou (1997) analisa a e nome odologia como um mo imen o de eação ao abuso da
me alinguagem em sociologia. “Em luga de impu a aos a o es sociais, a cada ez, in e esses,
cálculos, classes, hábi os, es u u as, supondo-os ma ione es da sociedade, a e nome odologia
que es azia a sociologia de oda a sua me alinguagem e que oma o a o e sua p á ica como o
único sociólogo compe en e […] En e o sociólogo que põe o dem e o a o que ac escen a
deso dem, é melho con ia no a o – e pio pa a a deso dem” (LATOUR, 1997: 28).
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Sime ia, como p incípio me odológico, p opõe, em p imei o luga , pensa o social
menos como ca ego ia de base analí ica, pos a an ecipadamen e e des inculada da
ede de elações he e ogêneas ge adas no campo das expe iências, e mais como algo
ocado no p ocesso con ínuo. Seguindo a ideia de en a desc e e sem explica ,
as eando as conexões a pa i de uma esc i a e nog á ica, a An opologia Simé ica -
Sociologia das Associações (LATOUR, 1994, 2005) - ede ine a noção de social pa a
além dos limi es humanos, como um as o de associações (e eassociações) en e
elemen os he e ogêneos (humanos e não-humanos). Uma abo dagem his o icamen e
conhecida como Teo ia A o - ede (Ac o -Ne wo k-Theo y). Pa a o au o , de ão
es anho e con uso, o e mo me ece se man ido, isso po que a TAR (ANT pa a a sigla
em inglês) nem p e ende a uni e salidade de uma eo ia, pois é mais compa í el com a
p opos a de mé odo; nem p i ilegia os aspec os humanos daqueles no malmen e
conhecidos como a o es sociais. Po ou o lado, a sigla ANT e seu signi icado em inglês
- o miga – uncionam pe ei amen e como analogia pa a a impo ância das pequenas
conexões.
Pensando no con ex o con empo âneo de ansmidialidade
6
- de onde são le an adas
possibilidades de maio dinamismo e libe dade po pa e da audiência, buscamos
comp eende essas no as cenas midiá icas como complexas es u u as socio écnicas
em ans o mação. Buscando expe imen a , po an o, me odologias pa a as ea
ins abilidades e ealidades em p ocesso. Nes e sen ido, a ideia de p ocessualidade é
o almen e coe en e com a abo dagem p opos a pela TAR. Assim, o social passa a se
en endido não como um domínio especial da ealidade, mas como um p incípio de
conexões as eá eis. E, na ação de mon a (e emon a ) as conexões sociais, a
sociedade passa a se comp eendida como cole i o. Não há g upos, mas o mação de
g upos, possi elmen e iden i icados a a és da isualização de as os e con o é sias
nas ligações empo á ias en e os a o es (ou ac an es)
7
des es cole i os. Pa a La ou
(2005:34), ag egados sociais não são como g upos es á eis ou como algum ipo de
obje o ou con enção, mas azem pa e de um uni e so que ele chamou de “ on es de
ince ezas”: um campo de de inição pe o ma i o. Es udos inculados à TAR, po -
an o, ale am pa a a necessidade de de inições menos dogmá icas. A eg a não pode
se a o dem. Pa a os sociólogos das associações, a eg a é pe o ma i a, e as exceções,
os con li os, a c iação ambém de em se con abilizados ou es abilizados nas edes
analisadas. Nesse caso, La ou (2000) ap esen a sua p imei a eg a me odológica:
“Es udamos a ciência em ação, e não a ciência ou a ecnologia p on a; pa a isso, ou
chegamos an es que os a os e máquinas se enham ans o mado em caixas-p e as, ou
acompanhamos as con o é sias que as eab em” (LATOUR, 2000: 421).
O obje i o cen al des e a igo é, po an o, ap esen a esul ados e análises de um
abalho empí ico capaz de a ea conexões possí eis en e sociedade e écnica em
cená io de comunicação ansmídia. A pa i da pe spec i a me odológica que não aça
dis inção en e na u eza, sociedade e obje os écnicos, buscamos pe cebe p esenças e
ausências no encadeamen o p opos o pela eia de elações en e expe iências
6
Analisado po Hen y Jenkins (2008), possibili a a expe iência de na a i as se expandi em
pa a além da sua pla a o ma o iginal. Si uações a a és das quais os con eúdos o iundos dos
mais di e sos meios e linguagens ão sendo desdob ados em ou os espaços – ele isão, lap ops,
celula es, e is as e c., com o obje i o de agmen a a na a i a e complemen á-la.
7
De aco do com B uno La ou , a pala a a o , do inglês ac o , se limi a a humanos, po isso,
mui as ezes u iliza ac an e (ac an ), e mo emp es ado da semió ica, pa a inclui não-humanos
no en endimen o sob e cole i o.
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humanas, p ocessos comunicacionais e seus apa a os de mediação. A caixa-p e a
8
com
a qual p e endemos mexe dá con a de um con ex o de digi alização em ede que
p essupõe - a pa i do c escen e núme o de e minais e modos de ecepção a eles
associados - maio libe dade de escolha e pa icipação nos luxos de in o mações, ao
con á io do que his o icamen e é p opo cionado pelos disposi i os con encionais (a
ele isão, po exemplo). En im, es amos à p ocu a de ins abilidades e con o é sias
capazes de ab i as caixa-p e as.
2. Teo ia A o - ede em cená io ansmídia
Pa a a análise das p á icas sociais com as quais nos depa amos, desconside amos a de-
inição p é- ealis a do social que coloca em p imei o plano o pa icipan e humano,
pa a en ão des ela o mundo social pa a além des e. Segundo La ou (2005), é p eciso
p i ilegia os mediado es, cuja p oli e ação ge a o que podemos chama de quase-
obje os e quase-sujei os. Os memb os humanos e o con ex o social de em se
colocados em segundo plano. A sociedade, pe cebida aqui em seu sen ido cole i o,
passa a exis i a pa i desses ínculos p o isó ios de no as associações e não como
uma es u u a de laços sociais ixos. O a o - ede, en ão, não é mais is o como um
pon o; assume o ma de es ela, de onde os ínculos o azem exis i . Os enlaces
p imei o e os a o es depois. Es a pe spec i a pe segue a Teo ia A o - ede: conexões e
quase-obje os são os e dadei os cen o do mundo.
Pa a La ou (2005), implan a con o é sias signi ica amplia o núme o de pa icipan-
es e con igu a ea anjos pa a o a o - ede a a és de no as possí eis associações. São
os ínculos que o azem exis i . Nes e sen ido, u iliza a me odologia com base na TAR
é da condições pa a que ou os ac an es possam aze pa e do cole i o obse ado, e
assim aze à ona elemen os ausen es à p imei a is a.
A e apa seguin e é en a segui a manei a como os p óp ios ac an es es abalizam as
con o é sias, pa a assim, busca en ende suas mo i ações e desdob amen os.
Hoje, si uações com a in e ne chamam a a enção po seu po encial de conexão
en emeios. As compa ações en e Web e ele isão, po exemplo, semp e apa ecem
pa a os nossos in o man es e demons am no pode de escolha da Web o seu maio
un o. Nes e caso, nos depa amos com ques ões elacionadas à possí el au onomia do
espec ado -usuá io
9
, e passamos a comp eende a in e a i idade como um ínculo não
exclusi amen e associado à écnica ou aos hábi os e in luências sócio-cul u ais, mas
como es abilizações empo á ias com as quais nossos in o man es lidam nos mo-
men os de in e ação com os supo es comunicacionais. Assim, p opomos aqui mapea
momen os nos quais a p og amação de TV e en ualmen e é conec ada às edes
8
“A exp essão caixa-p e a é usada em cibe né ica semp e que uma máquina ou um conjun o de
comandos se e ela complexo demais” (LATOUR, 2000: 14). Há, po an o, elação com a os
di os incon es á eis, os quais adqui em es abilidade ao consegui em neu aliza ince ezas e
con o é sias ao seu edo . Nes e caso, a caixa-p e a es á echada; icando a ca go de algum ipo
de polêmica ou mudança no cená io ge al de exis ência do a o o pode de eab i-la.
9
Apesa de ainda sabe mos mui o pouco sob e as ans o mações no indi íduo ecep o de
mensagens po meios digi ais – possi elmen e mais a i o em elação ao consumo de in o mação
- já são chamados de di e sas o mas, en e elas: lei o ime si o ou usuá io, (SANTAELLA,
2004), in e agen e (PRIMO, 2003), in e a o (MURRAY, 2003), pa icipado (MACIEL, 2009)
ou eleusuá io (BRACKMANN, 2010).
20
i uais com o obje i o de “amplia ” – pela complemen ação com banco de dados,
in o mações e imagens adicionais ou espaço pa a oca de opiniões pessoais – o p o-
cesso comunicacional de um con eúdo especí ico.
Em seu abalho sob e edes sociais digi ais, Lúcia San aella e Rena a Lemos (2010)
pe co em es e mesmo caminho, no en an o, suge em cuidado na possí el con usão
en e ede de ac an es e algum concei o de edes em con ex o exclusi amen e écnico
digi al. A Teo ia A o - ede di e encia-se das eo ias de edes sociais “po amplia de
manei a a é desconce an e a noção de a o es ou ac an es pa a além do dominio hu-
mano, alcançando quaisque en idades não-humanas e não indi iduais”
(SANTAELLA; LEMOS, 2010: 28). Pa a as pesquisado as, a TAR “não p e ende
adiciona edes às eo ias sociais, mas econs ui a eo ia social a pa i das edes”
(SANTAELLA; LEMOS, 2010: p.28). Assim, ac an es não são en idades ixas, são
luxos com base nos quais o mé odo i á desc e e a p opagação de associações.
San aella e Lemos (2010) p opõem eo ganiza e es ende as explicações de La ou
(1997) sob e as edes cien í icas nos labo a o ios aos es udos de edes sociais na in-
e ne . E apesa de algumas c í icas em o no da sua negligência às es u u as mais
amplas de pode , pa a elas, a
TAR nos ajuda a e i a o uncionalismo p esen e em mui os es udos de mídia, ela
ambém insis e na hib idação do que é chamado de elações sociais; além disso,
ela impede que as mídias sejam iden i icadas com a sociedade como um odo,
assim como nos o nece uma linguagem p ecisa pa a o mula como os luxos
complexos de a o es ep esen am uma o ma dis in a de pode (SANTAELLA E
LEMOS, 2010: 46).
O a as amen o que o p óp io La ou (2005) p omo e en e a TAR e a in e ne
comp eende-se pelo en endimen o da Web como ligação en e ecnologias ou pessoas
a pa i de elemen os que se epe em. Ao con á io, a TAR se p opõe ao he e ogêneo e
ao imp e isí el. O a o - ede não é p é-exis en e, ou um pon o isolado in e ligado a
ou o. A ede es abelece-se no domínio da expe iencia e de conexões as eá eis.
Alguns pesquisado es jus i icam na Teo ia A o - ede um mé odo p i ilegiado “na
habilidade de aze insigh s pa a comp eende a umul uada complexidade das RSIs”
(SANTAELLA; LEMOS, 2010: 48) - Redes Sociais na In e ne - e p epa ada pa a da
con a dos múl iplos ac an es, sejam as di e sas pla a o mas, so wa es, códigos de
linguagens, sujei os, suas in enções ou cená ios de ecepção. As “con e sas e ocas de
indi íduo a indi íduo são apenas uma supe icie isí el que a TAR pode ans o ma
em dizí el (SANTAELLA E LEMOS, 2010: 48).
Nes e con ex o de no as possibilidades écnicas em cená io de conco ência midiá ica,
a p og amação da ele isão começa a se deixa con amina pelas ca ac e ís icas
hipe midiá icas da in e ne . Alguns p odu os ele isi os passam a u iliza di e en es
pla a o mas pa a dis ibuição e acesso. Hen y Jenkins (2008) desc e e es e cená io de
mudanças, onde a cinema og a ia clássica, sé ies ou eali y shows ele isi os
inco po am um luxo de con eúdo que pe passam múl iplos supo es midiá icos,
in luenciados sob e udo pelo compo amen o mig a ó io do público que ai em busca
de suas p óp ias expe iências de en e enimen o. Em linhas ge ais, o pesquisado nos
desc e e um espaço de p odução e ci culação de con eúdo que se dis ancia de um pólo
cen alizado , de ca á e massi o, e passa a desc e e uma concepção pós-massi a de
21
onde são es imulados no os compo amen os ligados aos p odu os de en e enimen o,
baseados inclusi e no que chamou de cul u a da pa icipação. Assim, si uações mais
complexas começam a o na -se possí el nas o inas da audiência ele isi a, e
ques ões inculadas ao maio pode de pa icipação, coope ação e sub e são das
g ades ganham des aque nas discussões en ol endo TV e in e ne
.
A in luência da “amiga” Madeleine Ak ich (1998) à TAR p e ê a in e enção a i a do
usuá io no p ocesso, uma ez que conside a incomple a a con igu ação dos dispo-
si i os écnicos. Com base na Sociologia das Ino ações, segundo a qual as pessoas
ein en am os obje os écnicos a pa i dos seus p óp ios usos, az uma lei u a da
Cul u a da Ma é ia, pelo iés da ecnologia, buscando obse a nos obje os écnicos o
aci amen o de suas unções p á icas. A conexão en e usuá io e o momen o p á ico
com obje os écnicos pode al e a signi ica i amen e a gama de in enções p e endidas
pa a os disposi i os. Os usuá ios libe am algumas es a égias ino ado as e são o que
Ce eau (2009) chama de dimensão á ica do uso, pa a a qual os obje os não es ão
eduzidos aos seus p og amas p é-es abelecidos. Há semp e a possibilidade de des ios
de sua unção o iginal, ea anjada po seu compo amen o á ico no momen o de uso.
As o mas de uso semp e podem se sub e idas.
Nes e sen ido,
uma das g andes lições que as ecnologias da in eligencia êm dando é que,
quando as aplicações ecnológicas chegam à men es e mãos dos usuá ios, es es
p oduzem des ios mais ou menos d ás icos no planejamen o o iginalmen e
espe ado. O uso, po an o, lexibiliza o p og ama. Os p ocesos bo om-up (de
baixo pa a cima) e inam e azem esul ados que não es a am p e iamen e
codi icados (SANTAELLA; LEMOS, 2010: 50).
3. No os desa ios me odológicos
A nossa obse ação de campo, po an o, pa e das con o é sias, dos des ios no uso,
dos exemplos saudá eis de ana quia ou, algumas ezes, submissão, en im, dos mui os
exemplos nos quais os se iços disponí eis pela in e ne podem exace ba a oca de
in o mação, de a e i idade, humo , ou mesmo, ge a “pequenos acenos de p esença”
(SANTAELLA E LEMOS, 2010: 52). Os disposi i os mó eis começam a p opo ciona
uma i acidade ini e up a en e humanos e os
pequenos sinais de p esença são ão ou mais impo an es do que os con eúdos do
que é comunicado, o que aumen a a equência da unção á ica da linguagem e
das in e jeições exclama i as, uma insis en e li ania de mensagens exp essi as
cu as (SANTAELLA E LEMOS, 2010: 52).
En e an o, não é obje i o cen al des e abalho con i ma ou e u a as caixas-p e as,
mas, le an a as ins abilidades capazes de eab i-las, buscando na complexidade das
múl iplas si uações de con e gência en e TV e Web de alha as possibilidade e
algumas de suas mo i ações. Assim, buscamos segui o conselho de Lúcia San aella e
Rena a Lemos (2010: 8): “Não é p uden e se deb uça monog a icamen e sob e um
enômeno quando ele ainda se encon a em es ado de e u a”.
Tão cau elosa quan o San aella e Lemos (2010), a p o esso a Ma ia Immacola a
Vassallo Lopes (2011) ponde a em o no dos desa ios me odológicos na passagem da
22
ecepção ele isi a pa a as no as mídias: “a é onde podemos ap ende com as
expe iências de pesquisa de ecepção, e o quan o de emos começa de no o?” (LOPES,
2011: 1). A pesquisado a sepa a dois momen os de ecepção com a ele isão – an es e
depois dos p ocessos que incen i am a ansmidiação e a in e a i idade – e a i ma que
os desa ios com a in e ne são ampliados, e nos con oca a es a mos abe os às
expe iências de pesquisa com os chamados web mé odos. Lopes (2011) man em sua
p eocupação ocada no g au e no modo de pa icipação das audiência dian e das
si uações complexas de mul iplicação das elas e modos de uso: da sua mobilidade,
ca ac e ís icas e linguagem.
Assim, as pesquisas de ecepção com os no os meios começam a epensa suas
e amen as me odológicas, p incipalmen e, quando a igu a do ecep o passa a
inco po a ambém o pe il de p odu o de na a i as e in o mação. A c iação das
ob as e suas si uações de in e ação começam a assumi ca ac e ís icas de au o ia
compa ilhada. Pa a Lopes (2011), em con eúdos que implicam o uso da in e ne , as
pessoas compa ilham um maio núme o de in o mações e, ao que udo indica, es ão
mais en ol idas com o p ocesso de ecepção. Po es e mo i o, ques ões sob e as e a-
men as e o en oque pa a as pesquisas empí icas, segundo a pesquisado a, de em es a
pau ados po um p o ocolo mul i-me odológico. Já pa a Raquel Recue o (2009) os
es udos de ag upamen os sociais no cibe espaço são ainda pouco conhecidos no B asil
e es ão em ase de cons ução de suas bases empí icas. Seguem, a pa i da obse ação
sis emá ica dos enômenos, no sen ido de “ e i ica pad ões e eo iza sob e os
mesmos. Es uda edes sociais, po an o, é es uda os pad ões de conexões exp essos
no cibe espaço. É explo a uma me á o a es u u al pa a comp eende elemen os
dinâmicos e de composição dos g upos sociais” (RECUERO, 2009: p.22).
Assim, a e nog a ia i ual ambém pode inco po a e ei o pe o ma i o no sen ido em
que o pesquisado pa icipa da c iação des es a e a os cul u ais ao pene a po en e
seus luxos de conexões e analisa as suas mo i ações, an o no espaço online como
nas si uações o line. Nes e sen ido, escolhemos alguns p og amas de ele isão -
SWU/2011
10
, Acesso MTV
11
e BBB 12
12
- e passamos a acompanha po alguns dias, ia
si es de elacionamen o (especi icamen e, Facebook
13
e Twi e
14
), as ansmissões e,
pa alelamen e, os comen á ios sob e a p og amação.
10
O SWU é um es i al de música que acon ece anualmen e no in e io do es ado de São Paulo.
A sus en abilidade é a emá ica cen al do e en o, e a edição de 2011, ealizada en e os dias 12 e
14 de no emb o, oi ansmi ida pela Rede Globo. Segundo os o ganizado es, ce ca de 180 mil
pessoas pa icipa am des a edição.
11
O p og ama Acesso MTV é eiculado dia iamen e pela MTV B asil. T az in o mações sob e o
uni e so da música e echos de ideoclipes. Ao longo do p og ama, pe gun as ei as pelas
ap esen ado as e espondidas pelos elespec ado es po meio das edes sociais. Algumas
espos as são selecionadas e lidas ao i o.
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Em sua décima segunda edição, o Big B o he B asil é um eali y show p oduzido pela Rede
Globo. Na e são b asilei a do p og ama, os pa icipan es icam con inados du an e os meses de
janei o, e e ei o e ma ço, e dispu am o p êmio de R$ 1,5 milhão.
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Sis ema c iado em 2004 e e e como obje i o inicial c ia uma ede de con a os que uncio-
nasse a a és de pe is e comunidades. O Facebook (h p://www. acebook.com) é o segundo
maio si e de ede social no B asil e so eu um c escimen o de 192% sua quan idade de
isi an es, de 8 milhões pa a 24,5 milhões em junho de 2011. Fon e: Rela ó io da comSco e
Media Me ix.
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As edes sociais ou comunidades i uais se cons i uí am a pa i da comunicação
mediada po compu ado , ans o mando a noção de “luga ” geog á ico das elações
sociais. Uma ans o mação de começa não necessa iamen e ligada à in e ne , mas
com o “ad en o das ca as, do ele one e de ou os meios de comunicação mediada
[que] inicia am as ocas comunicacionais, independen e da p esença” (RECUERO,
2009: 135). Es as comunidades se cons i uem sob a o ma aglome ados de pessoas que
possuem algum ipo de elacionamen o ou in e esse comum, e que a a és de si es
pela in e ne es ebelecem ou os ínculos. Raquel Recue o (2009: 13) “se p opõe a
pensa as edes sociais na in e ne econhecendo-as jus amen e como ag upamen os
complexos ins i uídos po in e ações sociais apoiadas em ecnologias digi ais de comu-
nicação”. Uma ede social, na sua o ma digi al de mediação, es abelece alguns
pad ões de conexões en e os seus di e sos pa icipan es, assim como o que acon ece
como os g upos sociais não- i uais.
Os usuá ios se o nam iden i icá eis pelos pe is que diponibilizam nas suas páginas,
pelas associações que azem a g upos de amigos ou comunidades, pelos comen á ios
que p oduzem e, a pa i das in e ações en e es as di e sas ações - ma é ias-p ima
das elações e dos laços sociais - nós começamos a as ea e busca en ende o que
mo i a a esses pa icipan es e quais se iam os seus in e esses cen ais.
Especi icamen e sob e os si es de elacionamen o, os luxos de oca de in o mação
acon ecem de o ma assínc ona e ea i a - alguns usuá ios ão apenas eagindo aos
es ímulos lançados po ou os pa icipan es ou den o de um cí culo limi ado de
a o es – no sen ido em que P imo (2003a) elaciona ao “uso que es á p on o”. No
en an o, além disso há e amen as sínc onas pa a con e sas em empo eal. E os si es
em ques ão ambém o e ecem um espaço de decisões mul idi ecionais e in en idas:
campos disponí eis (mu ais e imelines) pa a lança ques ões, o os, ídeos, aze
comen á ios pessoais, e ealiza um amplo diálogo en e as di e en es pa es
en ol idas, com pode de con e e es es espaços de elacionamen o em a ena de
discussão e negociação c ia i a, a pa i da conexão en e á ios comen á ios.
4. Pene ando a ede em p ocesso
Uma análise pano âmica das edes denuncia que os si es ambém assumem uma
ace a a e i a, ligada à in imidade, que o a pa ece i es i a e o a, como o alecimen o
de elações p é-exis en es. São p a icamen e diá ios os cump imen os lançados pa a a
ede de amigos. Mas, se alguns cump imen os pa ecem ecoa no azio, assim como
nos eículos con encionais, ou os denunciam que es as edes, apesa de o iginal-
men e ex ensas, na e dade, em o pode de con i ma laços ín imos de amizade. Após
uma análise mais ge al, buscamos localiza possí eis in o man es nos espaços onde as
in e ações acon eciam: di e o nos pe is de comunidades inculados aos p og amas de
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É um ipo de si e (h p:// wi e .com/) que ap esen a uma es u u a semelhan e ao dos blogs,
no en an o, pe mi e apenas a inse ção 140 ca ac e es ( wee ) a pa i da pe gun a: o que ocê
es á azendo? Po es e mo i o, con encionou-se chamá-lo de mic oblogging. Foi undado em
2006 e unciona a pa i da escolha de seguido es e pessoas a segui ,assim, il ando as
in o mações que deseja ecebe . O Twi e não é mui o popula no B asil, ocupa o qua o espaço
no anking de si es de edes sociais e alcançou 12 milhões de isi an es no mês de junho de 2011.
Fon e: Rela ó io da comSco e Media Me ix.
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ele isão já mencionados. A pa i dos comen á ios lançados pelos usuá ios íamos
buscando iden i ica suas o inas e ca ac e ís icas, assim como, en ando es abelece
um con a o mais di e o, ia canal de mensagens.
4.1. In e ação “com” e “sob e” ele isão
A equência e o eo dos comen á ios nos le a am a in e pela os pa icipan es, no
en an o, a di e sidade de in e esses e as o mas de compo amen o já demons a am o
g au de complexidade no campo. Assim, buscamos algumas es abilizações p o isó ias
ao sepa a dois g upos de pa icipan es: 1) os que aziam comen á ios pa a os
p og amas de ele isão e; 2) os que aziam comen á ios sob e os p og amas de
ele isão.
Como já desc i o po Jenkins (2008), as na a i as e con eúdos audio isuais es ão
sendo desdob ados pa a os o ma os digi ais, sendo ambém dis ibuídos em suas
e sões adap adas ia Web. A azão pode se an o a ende a uma demanda de
espec ado es mais exigen e e quali icada, como explo a ou os espaços de come cia-
lização desses con eúdos ele isuais. Nes e caso, passamos a pe cebe um compo a-
men o ípico do ã e @Ba ba aCas o é um bom exemplo pa a ilus a es a si uação.
An es mesmo do p og ama Acesso MTV ol a das é ias à sua p og amação no mal,
ela já pos a a wee s clamando po seu e o no. Ao longo do p og ama ao i o, não e a
di e en e, a in o man e semp e pos a a wee s com comen á ios ou com espos as às
pe gun as das ap esen ado as. Visi elmen e, nes e pe íodo, es a a en e as mais en u-
siasmadas. Ques ões ma e iais nos ajuda am a en a en ende uma pa icipação ão
a i a. No caso da ã em ques ão, u ilização de conexão ia celula e no ebook.
De ce o que o p og ama es imula a es a pa icipação, colocando pe gun as di e as
aos espec ado es e lendo ao i o algumas espos as pos adas. Is o ce amen e ajuda a
a alimen a o g au de in imidade en e os espec ado es-usuá ios e o p og ama, assim
como, a ecip ocidade e a con iança en e os mesmos. Com @Ba ba aCas o não e a
di e en e. Disse que a sua mo i ação e a que em algum dia o seu nome osse ci ado ou
alguém do p og ama alasse com ela. Quando pe gun amos o que sen i ia: “O QUE
SENTIRIA? Eu i ia começa a pula , g i a , co e pela casa e ica indo sozinha”
(En e is a ia Twi e , janei o de 2012).
Mas, o que obse á amos em ge al e am comen á ios que pa eciam dize algo apenas
pa a si mesmos. Eles exis iam pa a o pu o p aze de alguém exp essa -se. Vale
lemb a a a i mação de San aella e Lemos (2010) sob e o con a o con ínuo possí el
pelos disposi i os mó eis e pelas edes de encon o ou oca, quando p i ilegiam
aqueles “pequenos sinais de p esença” (p. 52), ão impo an e quan o os con eúdos
exis en es nas mani es ações. Um dos nossos in o man es en e is ados, @Pouquinho,
a i ica o que as au o as chamam de “b e es acenos”, e diz: “O Face [Facebook] é um
espaço pa a discussões menos sé ias e não pa a g andes ques ões” (En e is a
p esencial, janei o de 2012).
Mesmo em si uações nas quais os p og amas (ou as ansmissões) u ilizam os mu ais e
imelines pa a p ospec a espec ado es, os compo amen os são bem a iados.
Cu iosamen e, alguns ep oduzem si uações pa ecidas com as de p es ação de se iços
dos p og amas de ádio: en io de beijos, p omoções, so eios e c. O que pa ece se i
de es ímulo pa a os eleusuá ios. @Angelica, inclusi e, disse que pa icipa dos p og a-