SPAL 25 (2016): 149-181
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2016i25.06
AS LUCERNAS ROMANAS DO MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
ROMAN LAMPS FROM MONTE MOLIÃO, (LAGOS, PORTUGAL)
CARLOS PEREIRA*
ANA MARGARIDA ARRUDA*
“La science lychnologique, à l’ins a de la cé amologie, de la numisma ique, de l’a chéo-bo anique ou de
la paléo- ichologie, es e indissociable de l’a chéologie: à pa i de es iges ma é iels, aussi modes es soien -
ils, il con ien essen iellemen de saisi l’homme dans sa complexi é e sa ela ion a ec l’uni e s. Dans ce e
quê e, longue e di icile, pa ois désespé ée, il impo e d’amélio e sans cesse les ou ils de dé e mina ion
e d’in e p é a ion, de eille à la mul iplici é e à la di e si é des app oches, qu’il s’agisse d’analyses de
labo a oi e, d’é udes ypologiques, ch ono-quan i a i es, echnologiques, iconog aphiques ou économiques,
sans oublie les dimensions cul u elles e an h opologiques e ou en es an à l’écou e d’au es spécialis es.”
Daniel Paunie
AA.VV., Nou eau és Lychnologiques. Suisse, Lychnose ices (2003) 5.
Resumo: O abalho de campo que em sendo desen ol ido
no sí io a queológico de Mon e Molião, Lagos, Po ugal, em
pe mi ido a ecolha de um conside á el conjun o de luce nas
omanas epublicanas e al o-impe iais. Dá-se, ago a, a conhe-
ce a o alidade do conjun o, que denuncia uma inespe ada
p eponde ância de exempla es da sé ie de olu as, mas am-
bém alguns exempla es de p odução genuinamen e hispânica,
como é o caso dos ipos Rio in o-Aljus el ou Andúja . As di-
nâmicas come ciais e lec idas pelas luce nas não são, apesa
de udo, su p eenden es, se conside a mos que o sí io gozou
de ela i a impo ância du an e o inal do século I d.C. e o iní-
cio da cen ú ia seguin e. Ap esen a-se, pela p imei a ez, um
aseamen o p elimina da ocupação omana pa a Mon e Mo-
lião, legi imada pela necessidade de in eg a con ex ualmen e
alguns a e ac os.
Pala as-cha e: luce nas omanas; comé cio; iconog a ia;
ab ico.
Abs ac : The a chaeological wo k ca ied ou in Mon e
Molião, Lagos, Po ugal, allowed collec ing a conside able
numbe o Republican and High Impe ial Roman lamps. The
se exhibi an unexpec ed p eponde ance o olu e se ies, bu
also some Hispanic examples, such as Tin o-Aljus el ypes
o Andúja . The ade dynamics e lec ed by he lamps a e
no su p ising, conside ing ha he si e enjoyed a ela i e im-
po ance du ing he la e I cen u y and he beginning o he II.
The p esen a ion o a p elimina y phasing o Roman occupa-
ion o Mon e Molião is legi imized by he need o in eg a e
some a e ac s.
Key Wo ds: Roman lamps; ade; iconog aphy; clays.
* UNIARQ (Cen o de A queologia. Uni e sidade de Lisboa). Fa-
culdade de Le as. 1600-214. Lisboa. Po ugal. Co eo-e: a.m.a uda@
le as.ulisboa.p , [email p o ec ed]
Recepción: 12 de no iemb e de 2014. Acep ación: 15 de ab il de 2015
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1. INTRODUÇÃO
As ecen es in e enções a queológicas ealizadas
em Mon e Molião, Lagos ( ig. 1), ealizadas no âmbi o
do P ojec o de In es igação “Mon e Molião na An i-
guidade” e e ec uadas ao ab igo de um p o ocolo exis-
en e en e a Câma a Municipal de Lagos e a Faculdade
de Le as da Uni e sidade de Lisboa, pe mi i am a e-
colha de um conside á el olume de in o mação sob e
a sua ocupação humana, ma e ializada que em es u-
u as que em a e ac os. En e es es úl imos, encon a-
mos as luce nas omanas, de que es e abalho se ocupa.
O es udo do conjun o e ela-se impo an e, não
apenas pelos ma e iais em si, já bem conhecidos do
pon o de is a ipológico e com balizas c onológicas
bem es abelecidas, mas p incipalmen e po que con i-
bui pa a o ace o da c onologia do aseamen o ocupa-
cional do sí io alga io. Po ou o lado, é impo an e
eco da que, sendo as luce nas a e ac os pa icula -
men e bem es udados, a sua ecupe ação em con ex os
conse ados é mui o a a em á eas habi acionais, como
é o caso ago a em es udo.
A escassez de luce nas da sé ie de disco em Mon e
Molião e a abundância das de olu as chamou desde o
início a nossa a enção, a é po que o momen o de an-
sição en e ambas es á cen ado na passagem do século
I d.C. pa a o II, ou na(s) p imei a(s) décadas(s) do úl-
imo. Assim sendo, a ca ência de luce nas de disco não
pa ecia compa í el com ou os dados do sí io alga io,
que es e e ocupado, pelo menos, a é ao início do úl imo
qua el do século II (Viegas e A uda 2013; 2014), si-
uação que implica ia a exis ência de um núme o con-
side á el de luce nas de ipo D essel-Lamboglia 20 e
mesmo 27/28. Con udo, de e ambém dize -se que a
ele ada quan idade de luce nas de olu as não causa
qualque es anheza, a endendo à densa ocupação do
sí io a pa i do e cei o qua el do século I d.C., o que
pa ece conco da com o momen o em que es a sé ie es-
a a em cla o auge de consumo, conc e amen e a época
lá ia e os inícios da an onina.
O conjun o lacob igense pe mi iu ainda cons a a
que o ipo genuinamen e hispânico Rio in o-Aljus el
chegou em núme o conside á el a es a á ea da p o ín-
cia da Lusi ânia, o que, conco dando com os es an es
ma e iais impo ados, co obo a que o sul des a p o ín-
cia pa ecia es a mais conec ado, no que à ac i idade co-
me cial diz espei o, com a p o íncia da Bé ica, ainda
que adminis a i amen e es i esse in eg ada naquela.
Pouco comuns nas á eas me idionais são as luce -
nas de canal. Es a o ma já ha ia sido iden i icada em
Ossonoba, Fa o (Pe ei a 2012a) e Balsa, To e d`A es
(Pe ei a 2014b: 121). Podemos ago a a i ma que es á
ambém p esen e em Lagos, Laccob iga?, p eenchendo
os ês p incipais núcleos que se supõe e em ido al-
guma impo ância polí ico-adminis a i a na ac ual e-
gião alga ia, ainda que o Mon e Molião não ap esen e
a mesma isibilidade a queológica (A uda 2007; A -
uda e Pe ei a 2010; A uda e al. 2010).
Impo a ainda e e i que es e es udo não p e ende
se ino ado na me odologia da abo dagem. Limi amo-
-nos, assim, a segui as adicionais linhas de in es iga-
ção de es udo das luce nas omanas.
O abalho que e ec uámos e e, como é e iden e,
em conside ação o sí io p op iamen e di o, nomeada-
men e o aseamen o da sua ocupação e a sua c onolo-
gia, cons uída com base na análise des es e de ou os
ma e iais e na sua localização na sequência es a ig á-
ica obse ada. Ainda assim, o con ibu o das luce -
nas pa a a a inação das da ações p opos as pa a cada
uma das ases oi impo an e, mesmo admi indo que,
em alguns casos, esse con ibu o não enha sido pa i-
cula men e ele an e. De qualque modo, a di ulgação,
jun o da comunidade cien í ica, de um conjun o nume-
oso de luce nas omanas pa ece po si só jus i ica -se,
a é po que não é equen e a ecupe ação des e ipo de
ma e iais em con ex os u banos conse ados.
A análise das pas as das luce nas seguiu os c i é-
ios aplicados pela maio ia dos in es igado es que se
dedica ao es udo des es ma e iais, c i é ios que o am
ambém u ilizados, desc i os e ma izados po um de nós
no es udo sob e as luce nas da Alcáço a de San a ém
(Pe ei a 2014: 10-15). O es udo e desc ição das pas-
as, conc e amen e a iden i icação e ca ac e ização dos
elemen os não plás icos, o am e ec uados mac osco-
picamen e, endo incidido sob e a o alidade do con-
jun o. As desc ições o am ei as com base em: ipo de
a gila; na u eza; o ma e equência de elemen os não
plás icos; ex u a; du eza; co ; engobe/ e niz e sua o-
nalidade e cozedu a. Es es c i é ios o am os p opos os
po S iens a (1986) e êm sido ampliados e ajus ados
po es udos mais ecen es (p. e. Mo illo Ce dán 1999).
A análise ísica das pas as das luce nas é um p o-
cesso que ganha cada ez mais impo ância no es udo
des es ma e iais, mas, in elizmen e, a maio ia não em
co espondência com o espec i o cen o p odu o , uma
ez que nem odos es es úl imos es ão de idamen e e-
conhecidos. Ainda assim, oi possí el, em alguns casos,
p opo a egião ou á ea de ab ico, a a és da análise
compa a i a com ou os ma e iais que segu amen e
aí o am p oduzidos. Es as associações de de e mina-
das pas as a egiões conc e as são na u almen e me as
p opos as de abalho, uma ez que, e al como Ángel
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Mo illo Ce dán lemb ou, apenas uma elabo ada análise
química e ísica de pas as, e ec uada nos di e en es sí-
ios a queológicos, bem como a conc e ização de uma
base de dados in e nacional, pode iam esol e a ques-
ão (1999: 278).
O abalho que ago a se publica em, pois, po objec-
i os undamen ais a di ulgação de um conjun o lychno-
lógico inédi o e a ap esen ação p elimina do aseamen o
ocupacional omano impe ial de Mon e Molião.
2. O SÍTIO E A SUA EVOLUÇÃO
EM ÉPOCA ROMANA
Ainda que a bibliog a ia sob e Mon e Molião seja já
bas an e abundan e (en e ou os: A uda 2007; A uda
e al. 2008; A uda e Pe ei a 2010; A uda e al. 2010;
Dias 2010; Lou enço 2010; A uda e Sousa 2012), é
imp escindí el apesen a aqui alguns dados sob e o a-
seamen o da sua ocupação humana, de o ma a con-
ex ualiza , de idamen e, o conjun o das luce nas nos
di e en es sec o es esca ados no sí io ( ig. 2).
Localizado na ma gem esque da da oz da ibei a
de Bensa im, no concelho de Lagos, a colina que hoje
se conhece po Mon e Molião oi ocupada desde a
Idade do Fe o. A p oximidade a ecu sos ma inhos,
a e as é eis e a ou os ecu sos na u ais, como po-
de á se o caso dos miné ios ou da caça (De y e A -
uda 2013), jus i ica á em g ande pa e a p e e ência.
Re i a-se, ainda, que a implan ação opog á ica do sí-
io lhe assegu a a alguma de ensabilidade e ampla i-
sibilidade.
A sequência da ocupação é já ela i amen e bem co-
nhecida (A uda e al. 2008). A sua génese em sendo
a ibuída ao século IV a.C. (Ibid.: 188; A uda e al.
2011), ma e ializando-se em uma ocupação p é- omana
bas an e bem documen ada na a qui ec u a e, ambém,
nos ma e iais exumados. Mas ainda que a cons ução
da maio ia das es u u as seja a ibuída a esse século,
conc e amen e à sua segunda me ade, pa ece e sido
du an e o seguin e que Mon e Molião gozou de um
maio pode aquisi i o (Ibid.).
O século II a.C. é, con udo, bem mais complexo de
a alia . Os p imei os es ígios de uma ocupação o-
mana, que no que se e e e a con ex os que ao ní el
dos ma e iais, pa ecem se a dios den o dessa baliza
empo al (A uda e Sousa 2012: 129), e os p é- omanos
não pe mi em se p olongados a é momen os a ança-
dos desse século. A ocupação omana epublicana pa-
ece e sido iniciada nos inais do e cei o qua el do
século II, ocupação que, no en an o, dela a di e en es
i mos de impo ação.
Figu a 1. Localização do Mon e Molião, Lagos, Po ugal.
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Tendo em conside ação os es ígios a queológicos
encon ados, Mon e Molião de e á co esponde a Lac-
cob iga, núcleo u bano e e ido po Pompónio Mela e
po Plu a co, elacionando-se com o episódio das gue -
as se o ianas ela ado pelo úl imo au o (Se o ius,
XIII, 4-6). Com e ei o, os con ex os que oi possí el
esca a indiciam uma ocupação bas an e densa en e
o início do úl imo qua el do século II a.C. e as duas
p imei as décadas da cen ú ia seguin e (A uda e Sousa
2012: 129-130), ocupação que pa ece e ai -se a pa i
de en ão. Na u almen e que há dados que comp o am
que o sí io não oi abandonado po comple o, nomeada-
men e alguns escassos ma e iais da segunda me ade do
século I a.C., que su gi am descon ex ualizados, e po -
an o não associados a quaisque es u u as cons uídas.
Assim, e independen emen e da ques ão de Laccob iga
Figu a 2. Localização das di e en es á eas in e encionadas (sec o es) no Mon e Molião, Lagos.
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e da sua associação a Mon e Molião, a e dade é que
após as duas p imei as décadas do século I a.C. o sí io
pe deu pa e impo an e do seu pode aquisi i o, ac o
que pode á es a elacionado com uma c ise económica
ou demog á ica, mas que con as a com o obse ado
em ou os núcleos habi acionais coe os da egião al-
ga ia (A uda e al. 2006; Sousa 2009; 2010; Viegas
2006; 2011). Em qualque caso, a ealidade obse ada
em Mon e Molião após o inal das gue as se o ianas
pode á e elação com o ac o de e sido apoian e do
exé ci o lusi ano (A uda e Sousa 2012: 130).
Re i a-se, con udo, que ou as explicações já o am
ensaiadas, como é o caso de uma possí el oco ência de
sismo (Gomes 2010: 15, 20, 76 e ss.), p o a elmen e
seguido de sunami (A uda e Sousa 2012: 130; De y
e A uda 2013). Po ém, ou os sí ios que so e am os
mesmos enómenos não anspa ecem uma queb a eco-
nómica e demog á ica ão ab up a, nem ão p olongada
no empo (Sil a e al. 2005).
Es a si uação, indiciada pela ausência de cons u-
ções e/ou econs uções ao ní el da a qui ec u a e pela
pouca exp essi idade de p odu os impo ados, man e-
e-se a é meados do século I d.C., al u a em que o sí-
io ol ou a des aca -se como um dos mais dinâmicos
do Alga e. Toda ia, o es ado ac ual da in es igação
e idencia que nunca i ia a goza de equipamen os pú-
blicos equi alen es aos das p incipais cidades oma-
nas, nem a e a mesma isibilidade que Ossonoba ou
Balsa, o que ob iga a conside a um papel menos im-
po an e nas ac i idades polí ico-adminis a i as no
quad o da ocupação omana (Pe ei a 2012b: 176). Po-
ém, é de des aca a cons ução de es u u as que pa e-
cem obedece a um plano a qui ec u al p é io, e que
co espondem a espaços habi acionais di ididos em
á ias células, o ganizados em unção de a uamen os.
Es a eno ação u banís ica de meados do século I d.C.
es á acompanhada po um no á el desen ol imen o
da ac i idade come cial, consubs anciada em nume-
osas impo ações, de p odu os alimen a es (en asa-
dos em ân o as) e manu ac u ados (ce âmica comum e
de mesa), com o igem, undamen almen e, na p o ín-
cia da Bé ica (ân o as e ce âmica comum), como, aliás,
é equen e nos sí ios do Alga e.
Em momen o cen ado na segunda me ade do sé-
culo II, Mon e Molião é abandonado (A uda e al.
2008: 189; A uda e al. 2010: 301). Mas pa ece mui o
p o á el que a população que aí es a a ins alada se
enha deslocado pa a a ma gem opos a da ibei a de
Bensa im, onde se inha ixando desde, pelo me-
nos, meados do século an e io . Ainda assim, é indis-
pensá el lemb a que a sua nec ópole con inuou a se
u ilizada a é ao século III, mui o p o a elmen e pelos
ago a ins alados na ma gem opos a (A uda e al. 2010;
Pe ei a 2014b: 391-392).
Po ou o lado, em 2011, oi possí el de ec a uma
ocupação esidual do inal do século IV/início do V,
que co esponde, con udo, a um episódio sem an ece-
den es di ec os que não e lec e uma eocupação e ec-
i a da colina.
2.1. Fases ocupacionais
Embo a enhamos já expos o, em linhas mui o ge-
ais, a e olução da ocupação do Mon e Molião e al-
gumas das suas p oblemá icas, impo a e ec ua ainda
uma desc ição b e e das di e en es ases den o do pe-
íodo omano. Es e exe cício o na-se necessá io uma
ez que du an e o a amen o do conjun o lychnológico
(sob e o concei o Videm Pe ei a e Albuque que 2014:
15, no a 32) a -se-á e e ência às ases em que se in-
se em os seus con ex os de ecolha. Os momen os ( a-
ses) em que di idimos a ocupação omana de Mon e
Molião êm, em alguns casos, balizas c onológicas bas-
an e p ecisas, deixando e idenciada a dinâmica em
que cada um deles se inse e (cons ução, emodelação,
e acção, abandono). Salien e-se, ainda, que es as in-
o mações se ão ele an es pa a a lei u a inal de uma
ca ego ia de ma e iais que, a as ezes, apa ece em
con ex os conse ados, em á eas habi acionais.
A ocupação epublicana de Mon e Molião pôde se di-
idida em duas ases ocupacionais dis in as (A uda e Pe-
ei a 2010: 698-699; A uda e Sousa 2012), sendo a mais
ecen e di isí el em sub ases. Fo am documen adas, so-
b e udo, em um dos sec o es in e encionados (C) e não
es ão in eg almen e plasmadas nos es an es (A e B).
A mais an iga ca ac e iza-se pela cons ução e u i-
lização dos p imei os edi ícios omanos ( ig. 3). Asso-
ciados a es as es u u as de ec a am-se os ní eis mais
an igos e ecolhe am-se ma e iais c onologicamen e in-
eg á eis no úl imo qua el do século II a.C. (ân o as
de ipo D essel 1A i álicas, Mañá C2 gadi anas e no e
a icanas, ce âmica campaniense p edominan emen e
de ipo A, ce âmica de ipo Kuass, ce âmica de pa edes
inas do ipo II de Maye ).
Os edi ícios des a ase, que não e idenciam uma ab-
solu a sime ia, não so e am g andes emodelações ou
ac escen os du an e a sua u ilização, mas somen e uma
in ensa sucessão de es a os de ocupação, no seu in e io .
A que se lhe seguiu ca ac e iza-se po uma al e ação
da malha u bana ( ig. 4), que é ago a mais o ganizada
e plani icada. As es u u as p é ias o am, con udo,
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Figu a 3. Plan a das es u u as da ase omana- epublicana mais an iga, sec o C.
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Figu a 4. Plan a das es u u as da ase omana- epublicana mais ecen e, sec o C.
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eap o ei adas, endo sido a pa i delas que se desen ol-
e am os no os edi ícios. A co a de u ilização oi sob e-
le ada e, du an e es a ase, ao con á io da an e io , os
pa imen os pa ecem e sido sucessi amen e epa ados/
u ilizados, ealidade que jus i ica á a meno po ência es-
a ig á ica. A plan a dos edi ícios de um dos sec o es (C)
pa ece es a o ganizada em o no de uma á ea ex e io
que da a acesso a, pelo menos, dois edi ícios.
C onologicamen e, pa ece acei á el, pa a os ní eis
des a ase, uma baliza que aba que o p imei o qua -
el do século I a.C., ainda associados a ân o as de ipo
D essel 1 i álicas, mas com um aumen o signi ica i o
das Mañá C2 e Cas o Ma im 1 gadi anas (A uda e
Sousa 2012: 129). A ce âmica de pa edes inas engloba
as o mas 3 e 8 de Maye , man endo-se ambém a ce-
âmica campaniense de ipo A, aumen ando nume i-
camen e a o iginá ia de Cales (A uda e Pe ei a 2012:
698; Dias 2010).
Pa ece desnecessá io epe i odo o enómeno
que oco eu após es e momen o. Relemb amos, con-
udo, que o sí io e á pe manecido ocupado, a julga
pelo apa ecimen o pon ual de ma e iais pos e io es,
do inal da epública e do início do impé io, que, a é
ao momen o, não apa ece am associados a quaisque
cons uções. Es a si uação e -se-á man ido a é, sen-
si elmen e, ao início da 2ª me ade do século I d.C.,
momen o em que a po oação começou a ganha uma
eno ada dinâmica.
Também a ocupação omana impe ial é suscep í-
el de se di idida em dis in as ases, ma e ializadas
em um conjun o de cons uções de conside á el di-
mensão e lei u a. A mais an iga, localizada no sec o
A, o e eceu con ex os da á eis da segunda me ade do
século I d.C. (Viegas e A uda 2013: 729-730), con-
c e amen e em dois compa imen os de um edi ício
(os 5 e 6, ig. 5), endo em um deles sido iden i ica-
das duas ce a iae, de pequena dimensão, cuja p odu-
ção se des ina ia a um consumo de âmbi o domés ico
(Ibid.). O acesso a es es anques e a e ec uado po
uma pla a o ma linea que es a a ligada a um com-
pa imen o anexo, des inado ao a mazenamen o dos
p odu os piscícolas aí ans o mados. Es a in e p e a-
ção oi possí el de ido ao apa ecimen o de uma ap e-
ciá el quan idade de con en o es de a mazenamen o,
Figu a 5. Fo og a ia dos compa imen os 5 e 6 pe encen es à ase mais an iga,
de ec ada a é ao momen o, da ocupação omana impe ial.
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conc e amen e dolia e ân o as oleá ias eap o ei adas
(Viegas e A uda 2013), que ainda con inham es os de
auna ic iológica.
Tal como acon eceu na ase mais an iga do pe íodo
epublicano, o abandono des es compa imen os e á
sido epen ino. Ambos es a am sepul ados sob densos
e espessos ní eis de de ube das pa edes e da cobe u a,
o que, aliás, possibili ou a sua conse ação, não sendo
ainda cla os os mo i os que le a am à sua inu ilização.
A es a ase cons u i a ( ig. 6) pudemos associa
ainda pa e do edi ício que se desen ol ia a Oes e, con-
c e amen e o Compa imen o 8, não sendo impossí-
el pensa que o edi ício que exis e a Sul pode á e
ainda o igem nes a época. Con udo, a g ande maio ia
Figu a 6. Plan a das es u u as da ase omana impe ial mais an iga, de ec ada no sec o A.
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Figu a 14. Luce nas do ipo D essel-Lamboglia 11/14.
165AS LUCERNAS ROMANAS DO MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
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a mo imen ação de e as que de e á se explicada pela
cons an e manu enção/cons ução no sí io.
Os ní eis da 2ª ase são aqueles que mais agmen os
des a ca ego ia o nece am. Não pode deixa de se es a-
nha es a p eponde ância num momen o que em sendo
da ado en e o inal do século I e, sob e udo, a p imei a
me ade do século II d.C. Ainda assim, não podemos es-
quece que ambas as c onologias coincidem, em pa e,
apesa de es a p imazia aze mais sen ido na ase ocupa-
cional mais an iga, a qual co esponde, mais adequada-
men e, à da ação que em sendo a ibuída a es as luce nas.
Po ou o lado, se i e mos em conside ação a exis ên-
cia de duas p oduções com ca ac e ís icas dis in as (Mo-
illo Ce dán 1999: 87-88; Casas-Geno e e Sole -Fus é
2006: 124), que mo ológicas que c onológicas, epa-
amos que as luce nas do Mon e Molião se enquad am
na p odução mais ecen e, da segunda me ade do século
I d.C. e p imei os decénios do seguin e. Co esponde a
uma e olução da p odução mais an iga do mesmo ipo,
com o bico mais cu o e olumoso, as o las mais amplas
e con exas e as olu as mais ajus adas ao bico, quase se
unindo uma à ou a. A ipologia que melho de ine as ca-
ac e ís icas des as p oduções, e a e olução de uma pa a
a ou a, é a que oi elabo ada po Jean Bussiè e pa a as lu-
ce nas no e-a icanas da A gélia (2000: 73, Fig. 6).
Con empo ânea des e ipo é a o ma D essel-Lam-
boglia 16, que, aliás, ap esen a gene icamen e os mes-
mos aços mo ológicos. As di e enças exis en es en e
os ipos 15/16 e os an eceden es 11/14 esidem somen e
nas olu as, que deixam de se duplas pa a exis i em
apenas no bico (Pe ei a 2014a: 28). é semp e mui o di-
ícil indi idualiza agmen os des as o mas num con-
jun o bas an e agmen ado, como é o caso em análise.
As o las, a pa e das luce nas mais comum nos sí ios
a queológicos, os en am as mesmas ca ac e ís icas,
sendo ligei amen e con exas, po ezes ho izon ais,
com duas ou ês moldu as e com o omb o bas an e
ma cado. D essel dis inguiu os ipos 15 e 16 pela mo -
ologia do co po e pela p esença ou ausência de deco-
ação na o la. Po ém, ou os au o es desma ca am-se
des a di isão adicional, que, semp e ao ab igo das
ca ac e ís icas olu as dos ipos 15 e 16 de D essel-
-Lamboglia, c ia am subg upos, com base, sob e udo,
na p esença ou ausência de asa (Bussiè e 2000: 75-76,
Fig. 6, ipos B IV 2 e B IV 3).
Ainda que es e ipo de luce nas enha con i ido
com o an e io , pa ece pací ico admi i que a sua c ono-
logia ai pa a além dos p imei os decénios do século II
d.C., conc e amen e a é aos seus meados (Mo illo Ce -
dán 1999: 92; Mo ais 2005: 322; Casas-Geno e e So-
le -Fus é 2006: 133-134).
Em Mon e Molião, apenas iden i icámos cinco
agmen os pe encen es ao ipo D essel-Lamboglia 16
( ig. 15), que ap esen am o las deco adas. Algumas das
lisas podem e pe encido ao ipo 15, mas, es ando as
olu as ausen es, al iden i icação é impossí el. Mais
Figu a 15. Luce nas do ipo D essel-Lamboglia 16.
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uma ez, as pas as denunciam uma cla a o igem da á ea
li o al da Bé ica.
A es ei a elação come cial que o Alga e man e e
com a á ea de Cádis já oi po di e sas ezes econhe-
cida, sendo e iden e mesmo pa a momen os an e io es
à época omana (A uda 2005; 2007; A uda e Pe ei a
2008; 2010; Fabião 2007; 2009; Gambelas 2009; San-
os 1971; 1972; Sousa 2009; Sousa e A uda 2010; Vie-
gas 2007; 2011; apenas pa a ci a alguns casos). Po
ou o lado, sabemos ambém que, desde cedo, es a e-
gião andaluza se assumiu como uma das mais dinâmi-
cas no que à p odução ce âmica e piscícola diz espei o,
si uação bem expos a nos ecen es abalhos de An ónio
Saez Rome o (2005; 2008; 2014).
Quan o aos con ex os de ecolha, a si uação é idên-
ica à dos ipos p eceden es. Con ém salien a , con udo,
que es a o ma oi apenas ecolhida em ní eis que asso-
ciámos à 2ª ase impe ial, an o no sec o A como no C.
As luce nas do ipo “de i adas das D essel-Lam-
boglia 9”, mais conhecidas como “luce nas minei as”
(Luzon Nogué 1967) ou ainda ipo “Rio in o-Aljus el”
(Ala cão 1966: 26; Pe ei a 2014b: 122), ambém es ão
p esen es nes e sí io alga io, ha endo-se econhecido
seis exempla es ( ig. 16).
Ainda que as luce nas des e ipo, ecolhidas na ne-
c ópole de Valdoca, Aljus el, enham sido da adas de
meados do século I d.C. (And ade e al. 1957; Ala cão
1966: 26; Belchio 1970: 76-78), Luzón Nogué, es u-
dando os exempla es de Rio in o, a ançou a sua c ono-
logia a é à p imei a me ade da cen ú ia seguin e (1967:
139-142). Desde en ão êm sendo econhecidos exem-
pla es em con ex os que pe mi i am a ina con inuamen e
a c onologia des a p odução de mo ologia genuina-
men e hispânica, nomeadamen e em Munigua (Rad-
da z 1973: 39), Huel a (Del Amo 1976: 92), Mina de la
Peña del Hie o, Huel a (Bailey 1988: 175, Q 1667), e
em ou os sí ios da Bé ica (Mo eno Jiménez 1991: 132-
135), mas ambém em Ossonoba (Gami o 1992: 116) e
em Mé ida (Rod íguez Ma ín 2002: 25). Es es con ex-
os pe mi i am da a es as luce nas dos séculos II e III
(López Rod íguez 1981: 14; Mo illo Ce dán 1999: 105).
A á ea de ab ico des e ipo de luce nas não le an a
ac ualmen e p oblemas de maio , sendo acei e, sem g an-
des ese as, que o am p oduzidas em cen os olei os
do Sudoes e peninsula (Mo illo Ce dán 1999: 105; Mo-
illo Ce dán e Rod íguez Ma ín 2008: 301-302), onde,
aliás, uma das ma cas (L.I.R.) em indo a se associada
a Lucius Iulius Rebu inus, iden i icado no memo ial da
sua sepul u a (Campos Ca asco e al. 2004: 126 e 140;
Pé ez Macías e Delgado Domínguez 2012: 316; Del-
gado Domínguez e Pé ez Macías 2014: 407).
Também conhecidas como luce nas minei as, con-
cei o que ac ualmen e não se adequa, con enien e-
men e, à sua dispe são geog á ica e à sua u ilização
em con ex os de habi a (Pe ei a 2014b: 122), con ex-
os onde, aliás, já se documen ou ambém a sua p o-
dução (Vázquez Paz 2012: 422), se iam a unção de
ecipien e obus o e esis en e, adequado ao abalho
e ec uado nas minas (Mod zewska 1992: 66). Con udo,
es as ca ac e ís icas, al ez aliadas ao cus o e à p oxi-
midade egional, a o ece am a sua g adual dispe são
pela á ea cen al, sul e oes e da Península Ibé ica, com
especial concen ação na á ea nuclea da p odução.
Toda ia, alcançou ambém egiões mais se en ionais
(Mo illo Ce dán 1999: 105-106; Mo ais 2005: 342),
embo a em núme o eduzido e, apa en emen e, em um
momen o ligei amen e mais a dio, e ainda o li o al do
No e de Á ica (Mo illo Ce dán 1999: 105).
Os con ex os de ecolha das peças do Mon e Mo-
lião conco dam, sob e udo, com uma c onologia do
século II, conc e amen e da p imei a me ade. Não obs-
an e, e i a-se a ecolha de um agmen o em um es a o,
[108], que em sendo conside ado da segunda me ade
do século I d.C. Es a ealidade con i ma que, mesmo que
a maio ia das peças o e eça uma da ação do século II,
podem exis i exempla es mais an igos, como é, aliás,
de endido pa a a á ea onde o am p oduzidas (Delgado
Domínguez e Pé ez Macías 2014: 404). A inal es a p o-
dução genuinamen e hispânica baseou-se na mo ologia
do ipo D essel-Lamboglia 9, ca ac e ís ico da p imei a
me ade do século I. Re i a-se ainda que a sua p odução
nes e mesmo século es á pe ei amen e a es ada em um
o no domés ico iden i icado na Plaza de la Enca nación,
em Se ilha (Vázquez Paz 2012: 422), que, segundo o au-
o , não e á labo ado além da década de 70 d.C.
Tal como as luce nas da sé ie de olu as po encia-
am a p odução des a o ma genuinamen e hispânica,
conc e amen e as de bico iangula (Mo illo Ce dán
1999: 104-105; Mo illo Ce dán e Rod íguez Ma ín
2008: 301-302; Pe ei a 2014b: 108-109), ou as pe-
ças de ab ico hispânico demons am ca ac e ís icas
que anspa ecem uma inspi ação nos p o ó ipos i áli-
cos, é o caso do ipo Andúja , luce nas ambém conhe-
cidas como “de i adas da D essel 3” (Mo illo Ce dán
1999: 100-101; Mo illo Ce dán e Rod íguez Ma ín
2008: 298-299). Embo a já i éssemos di ulgado al-
gumas luce nas que anspa eciam pas as com ca ac-
e ís icas que dela a am es a o igem (Pe ei a 2012a;
2013), ainda que co espondendo a imi ações idedig-
nas, podemos ago a a i ma com maio segu ança que
as ípicas luce nas de ipo Andúja alcança am sí ios lo-
calizados no Ex emo Ociden e.
167AS LUCERNAS ROMANAS DO MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
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Ap esen am ge almen e o co po oncocónico de
pa edes al as e ec as, a o la bas an e ho izon al com
duas moldu as e duas ale as a cada lado. O bico em
uma o ma mais ou menos iangula , com os ex e-
mos salien es, e no opo os en a duas olu as em e-
le o (Mo illo Ce dán e Rod íguez Ma ín 2008: 299).
O disco é bas an e cônca o e em semp e ep esen ada
uma concha de iei a.
As pas as de um exempla do Mon e Molião ( ig. 17,
nº 1) encaixam naquelas desc i as po Ángel Mo illo
Ce dán e Ge mán Rod íguez Ma ín (2008: 299), coin-
cidindo com as pas as de ipo A já an es desc i as em
ou o abalho (Ga cía Giménez e al. 1999: 191). No
en an o, a peça alga ia os en a es os de um engobe
espesso de onalidade cas anha mui o escu a ou neg a.
No e-se, con udo, que os au o es apenas e e em que a
maio ia das peças não em qualque e es imen o, epe-
indo o que um deles já an es ha ia a i mado (Mo illo
Ce dán 1999: 100).
Ou o exempla ( ig. 17, nº 2) e ela, oda ia, ca ac-
e ís icas ecno-pe og á icas que ex a asam aquelas
que as pas as mais comuns e elam. T a a-se de um ag-
men o de bico com as ex emidades ema adas e com o-
lu as, ainda que mui o esba idas, de pas a de onalidade
Figu a 16. Luce nas de ipo Rio in o-Aljus el.
168 CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
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la anja a e melhada com a supe ície esb anquiçada. Es-
amos, p o a elmen e, pe an e um agmen o de luce na
de ipo Andúja , que pode e sido ab icado o a da Bé-
ica, al ez na capi al da p o íncia da Lusi ânia. Ou os
au o es já ha iam ale ado pa a o ac o de es e ipo pode
e sido ep oduzido em ou as á eas da Península Ibé ica
(Mo illo Ce dán 1999: 100), além de que, mesmo na p o-
íncia da Bé ica, desconhecemos ainda a o alidade dos
cen os p odu o es que e ão p oduzido es as luce nas.
Ainda que es a o ma seja p eponde an e du an e
a p imei a me ade do século I, oi já a ançado que o
inal da sua p odução pode alcança o pe íodo lá io
(So omayo e al. 1976: 135). Po ém, o deba e em-se
cen ado sob e udo no início da sua p odução, ha endo
au o es que o si uam no einado de Tibé io e ou os que
o a ançam a é ao de Cláudio (Mo illo Ce dán 1999:
100). Embo a não possamos p ecisa ainda a da ação
do exempla de Mon e Molião, pois oi ecolhido na
campanha de esca ação do ano co en e e os es an es
ma e iais associados não es ão de momen o con enien-
emen e a ados, pa ece co esponde a um exempla
an igo, al ez do segundo qua el do século I d.C.
Não obs an e, o agmen o de bico oi ecolhido
em um es a o que incluímos na 2ª ase da ocupação
impe ial, sendo, po an o, mais a dio. Ainda assim, a
elação en e es a o e a e ac o pa ece es a de aco do,
se conside a mos que o momen o inal de p odução
des a o ma coincide com o momen o inicial da ocu-
pação da 2ª ase. E ec i amen e, an o a qualidade do
ab ico como as ca ac e ís icas das pas as, e a possí el
o igem, eme em pa a uma p odução a dia.
Tal como os exempla es de ipo Rio in o-Aljus el,
ambém o ipo Andúja gozou de uma ampla dispe são
po oda a Península Ibé ica, ainda que, comp eensi el-
men e, com maio isibilidade na á ea me idional, onde
acompanha a e a sigilla a p oduzida no sí io epó-
nimo. No No e, ez-se ep esen a em núme o consi-
de á el, de endo aze -se no a que es a p esença de e
se explicada pela ausência de p oduções lychnológi-
cas que abas ecessem as comunidades locais, uma ez
que, nes a egião, a e a sigilla a p oduzida em T icio
es a a plenamen e assimilada (Mo illo Ce dán 1999:
101-102). As luce nas de ipo Andúja segui am, ce -
amen e, as p incipais ias Sul-No e, acompanhando
o azei e bé ico.
E ec i amen e, a densa concen ação de cen os p o-
du o es nas á eas me idionais e á omen ado a maio
p odução de luce nas, ambém po enciada pela maio
Figu a 17. F agmen o de
luce na de ipo Andúja .
169AS LUCERNAS ROMANAS DO MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
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acilidade de acesso ao azei e pa a iluminação e ao seu
baixo cus o (Mo illo Ce dán 1999: 101). Toda ia, epe-
imos que o li o al alga io man inha, desde longa da a,
elações come ciais p i ilegiadas com essa egião.
3.1.3. Luce nas impe iais de disco
As luce nas de disco são apenas ês. Sendo es a sé-
ie exclusi a do século II d.C., não deixa de se cu ioso
que a sua ep esen a i idade no conjun o lychnológico
do sí io seja quase nula, 1,4%. Como já dissemos na
In odução, o ac o de a ocupação do Mon e Molião
se e p olongado a é momen o a ançado do século II
(Viegas e A uda 2013: 729-730) de e ia aduzi -se
numa p esença mais e ec i a de luce nas des a ca ego-
ia, al como acon ece em ou os sí ios (Maia e Maia
1997: 36-37; Ala cão e al. 1976: 99; Rod íguez Ma ín
2002: 33; Mo ais 2005: 330).
Dos ês agmen os classi icados nes a sé ie, dois
pe encem a exempla es da o ma D essel-Lambo-
glia 19 ( ig. 18), com bico ma cadamen e dis in o dos
do ipo p eceden e. Ap esen am pas as que denun-
ciam uma o igem da á ea da Bé ica cos ei a. São de
onalidade maio i a iamen e bege, bas an e compac-
as, mas mui o pol o en as (sob e a emá ica das pas-
as e das p opos as sob e as suas o igens, e Pe ei a
2014: 10-15). Tal como sucedia com os exempla es
de olu as, não conse am o engobe. A iden i icação
des e ipo em conc e o oi possí el de ido ao ac o
de a supe ície do bico se , ge almen e, ni elada com
o opo da o la.
Ainda que a maio ia dos au o es es eja de aco do
com a c onologia que em sendo p opos a, p imei a
me ade do século II (Loeschcke 1919: 51; B onee
1930: 83-87; Bisi 1977: 88-95), alguns suge i am ou-
as da ações pa a o início da p odução ou mesmo pa a
o seu momen o inal. Donald Bailey ecuou o seu apa-
ecimen o pa a a época lá ia (1980: 303), o que só
pode se de ensá el pa a o einado de Domiciano, uma
ez que é só a pa i desse momen o que os cen os p o-
du o es es ão ela i amen e bem documen ados na á ea
da Campânia ou no cen o da Península I álica (Pa o-
lini 1977: 38; Ce ulli 1977: 62-63). Na u almen e que
pa a as p oduções p o inciais a c onologia e á, ob i-
ga o iamen e, que a ança um pouco, mesmo que ape-
nas ligei amen e.
Os con ex os de ecolha de ambos os agmen-
os incluídos nes e ipo es ão de aco do com es es da-
dos c onológicos. Fo am exumados em ní eis da ados
da p imei a me ade do século II, conc e amen e no
sec o A, embo a um deles seja p o enien e de um es-
a o de a e o, U.E. [85], ealidade que pode jus i ica
a sua con i ência com um abundan e núme o de luce -
nas de ipo D essel-Lamboglia 11/14, si uação que já
jus i icámos an es. Ainda assim, é e iden e que ambas
as o mas con i e am du an e algum empo.
O es an e agmen o da sé ie de disco co esponde
a um exempla do ipo 20 ( ig. 19), um dos mais co-
muns da sé ie e, po isso mesmo, dos mais abundan es
em sí ios a queológicos al o-impe iais (Mo illo Ce -
dán 1999: 117). Ap esen a a maio ia das ca ac e ís i-
cas do ipo an e io , di e enciando-se des e pelo ac o
de o bico se encon a a um ní el ligei amen e in e-
io , compa a i amen e à o la, ladeado po dois pon-
os em nega i o. Quan o à c onologia, os di e en es
in es igado es pa ecem es a de aco do sob e o seu
apa ecimen o ainda em inais do século I d.C., c o-
nologia a es ada em Pompeia e Vindonissa (Denau e
1969: 165), sendo ambém consensual o inal da sua
p odução, na segunda me ade do século seguin e. Ve-
i icamos, pois, que as ques ões le an adas pa a o ipo
p eceden e podem ambém se colocadas no âmbi o
des a o ma, a é po que, o agmen o lacob igense, oi
igualmen e ecolhido em um es a o da p imei a me-
ade do século II.
Figu a 18. Luce nas do ipo D essel-Lamboglia 19.
Figu a 19. Luce na do ipo D essel-Lamboglia 20.
170 CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
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3.1.4. Luce nas impe iais de canal
Menos comuns são as luce nas de canal do ipo
D essel-Lamboglia 5, equi alen e ao X de Loes-
chcke (1919), ambém conhecido como Fi malampen
(Fishback 1896: 11), ca ac e izadas po um bico mais
alongado com um canal p o undo, no opo, ge almen e
ligado ao disco. Os en a ainda dois apêndices la e ais,
nes e ipo em conc e o, descen alizados. Nes as luce -
nas, o disco não es á, ge almen e deco ado, e a deco-
ação, quando p esen e, limi a-se a ep esen ações de
másca as ea ais (Mo illo Ce dán 1999: 127).
Compa a i amen e com as es an es o mas iden-
i icadas, es e ipo não é mui o comum em e i ó io
alga io. Quando exis e, az-se ep esen a em pe-
quenas quan idades e em sí ios com uma c onologia
que aba ca o século II d.C., ainda que o início da sua
p odução es eja documen ado em momen o cen ado
na segunda me ade do século I d.C. (Mo illo Ce -
dán 1999: 128). Es a escassez de Fi malampen não
deixa de causa es anheza, p incipalmen e endo em
con a que es a oi a p imei a sé ie cujas ca ac e ís i-
cas pe mi iam o seu ab ico massi o (Mo illo Ce dán
1999: 127), des inado a uma expo ação de la ga es-
cala (Mo illo Ce dán e Rod íguez Ma ín 2008: 297).
Po ou o lado, não se conhecem, no li o al andaluz,
quaisque cen os p odu o es des e ipo. A sua p odu-
ção es á documen ada em ou as á eas, mais a No e
(Ama é Ta alla e Ga cía Ma cos 1994; Ama é Ta alla
e al. 1983; Díaz T ujillo 1988: 190; Mo illo Ce dán
1999: 161-162; 2008: 298; Mo ais 2005: 373-374),
ob igando a ponde a ou a o igem pa a as peças aqui
a adas.
Fo am já ensaiadas explicações pa a es e enó-
meno, endo Ángel Mo illo esumido o deba e sob e
a pouca exp essi idade de luce nas de canal na á ea
me idional da Península Ibé ica (1999: 129), omando
em conside ação as hipó eses a ançadas po ou os
au o es (Bailey 1980: 276; Pa olini 1987: 149). Em-
bo a a o igem des as luce nas se localize no No e de
I ália, sabemos que o am expo adas pa a as p o ín-
cias mais p óximas, onde o am apidamen e imi a-
das, como oi o caso da Gália. O g ande sucesso de
que goza am ampliou geog a icamen e a sua ep o-
dução, endo chegado ao no e da Península Ibé ica
(Casas-Geno e e Sole -Fus é 2006: 170-171). O seu
consumo não é, po ém, homogéneo no No e e Sul,
sendo mais pa co nes e.
A coincidência p odu i a, em e mos c onológicos,
de es as luce nas com os exempla es de disco pode á,
segundo Mo illo Ce dán, jus i ica a ausência daquelas
na egião Sul, o que se jus i ica ia pela queb a na homo-
geneidade p odu i a e come cial das luce nas da sé ie
de olu as, a pa i des e momen o. As ês á eas do Im-
pé io onde se p oduzi am e come cializa am ipos lych-
nológicos dis in os, se iam, assim, as seguin es:
“el Medi e aneo Occiden al, dominado po los ejem-
pla es de disco i álicos o a icanos; el No e de I a-
lia y las p o íncias sep en ionales del Impe io, cuyos
me cados es an copados po las luce nas de canal; en
e ce Iuga , G ecia y las p o incias o ien ales, que si-
guen una e olución apa e con sus p opias a iedades
de disco” (Op. Ci . 1999: 129).
Assim, dis in as á eas, ou p o íncias do Impé io,
o am in luenciadas po di e en es egiões da Península
I álica, embo a as peças mais comuns do Sul ambém
enham sido consumidas no No e e ice- e sa. Reco -
damos que a sé ie de canal ambém es á documen ada,
inclusi e, no No e de Á ica (Bussiè e 2000: 84-85,
Fig. 8). Além disso, de e-se salien a que a egião me-
idional inha já uma longa adição de p odução ce-
âmica, conc e amen e luce nas, omen ando um ce o
des asamen o ela i amen e aos p odu os i álicos e ins-
pi ando-se, p incipalmen e a pa i de inal do século II
d.C., nos no e-a icanos.
A análise p elimina das pas as e ec uada po Ángel
Mo illo Ce dán, a quem ag adecemos, con i mou que
os exempla es de Molião não podem se associados às
iglinae do No e. Po ou o lado, as suas ca ac e ís icas
excluem segu amen e um ab ico bé ico, onde es e ipo
não de e á e sido p oduzido. Assim, um dos exem-
pla es ( ig. 20, nº 2) pode co esponde a uma p odução
no e-i álica. Ap esen a uma pas a compac a e homogé-
nea, de onalidade co de ijolo, com poucos desengo -
du an es (qua zos, calci es), e em engobe ino e de co
neg o acinzen ado.
O es an e agmen o ( ig. 20, nº 1) de e se con-
side ado de p o eniência inde e minada. A pas a, de
onalidade bege, é mui o compac a, homogénea e pol-
o en a. é mui o bem depu ada, con endo poucos e pe-
quenos desengo du an es di íceis de dis ingui com
ecu so a lupa de 14 aumen os, os en ando um engobe
ino, co -de-la anja.
Es e ipo é, de ac o, bas an e a o no Sul da Lusi â-
nia. Não obs an e, a sua p esença oi já e e enciada em
Ossonoba (Fa o), nes e caso uma única peça, de apa en e
ab ico bé ico (Pe ei a 2012a: 125), bem como na cidade
de Balsa (To e d` A es, Ta i a) (Pe ei a 2014b: 121).
As peças lacob igenses são p o enien es de um es-
a o de a e o, a unidade [85], e ec uado mui o p o a-
elmen e em meados do século II d.C.
171AS LUCERNAS ROMANAS DO MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
SPAL 25 (2016): 149-181
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2016i25.06
3.1.5. Um ipo a o de luce na
Salien amos ainda a exis ência de um agmen o de
asa co esponden e a uma peça “bilychnis” ( ig. 21),
p o enien e do mesmo es a o que a an e io , que clas-
si icámos do ipo Deneau e XC. Es e ipo engloba pe-
ças de bico duplo jus apos o, que podem se da sé ie
de olu as ou de disco, ge almen e com dois o i ício
de alimen ação e uma asa cen ada no disco, des inada
à sua suspensão. Dada a a iedade de ipos que es a
o ma pode inclui , como oi possí el a e igua pe-
los análogos salacienses (Pe ei a 2013: 20-22), é di-
ícil a ança com uma da ação pa a um agmen o de
dimensões ão eduzidas. Re i a-se, ainda assim, a sua
ecolha no mesmo ní el das peças an es a adas, po-
dendo se acei á el uma da ação da p imei a me ade/
meados do século II d.C.
3.2. Iconog a ia
Como é usual em conjun os ão agmen ados, é
g ande a quan idade de agmen os de disco que não
pe mi em a lei u a da deco ação que os en a am.
Da o alidade do conjun o (214 peças), pudemos
iden i ica 24 agmen os que ap esen am deco ações
no disco ou na o la, dos quais apenas se e pe mi i am
uma iden i icação dos mo i os iconog á icos ep esen-
ados no disco.
As deco ações das o las co espondem a o mas
geomé icas e esumem-se a semicí culos i ados pa a
as moldu as ( ig. 15), ó ulos em ele o ( ig. 16) ou
mesmo a junção das duas écnicas ( ig. 15). Os mes-
mos ó ulos apa ecem em exempla es de ipo Rio in o-
-Aljus el, ambém em nega i o ( ig. 16). Com e ei o,
es a é uma das o mas onde a o la é deco ada com ó u-
los em ele o e em nega i o. Os es an es agmen os
co espondem a peças do ipo D essel-Lamboglia 16.
Dos discos deco ados, um os en a o bus o de Hélios
( ig. 22, nº 1), de en e e co oado po aios. Sob o bus o
es á o c escen e luna . Tal igu ação, co esponden e
Figu a 20. Luce nas de
canal do ipo D essel-
Lamboglia 5, onde é
isí el o apêndice.
Figu a 21. F agmen o de luce na “bilychnis”.
172 CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
SPAL 25 (2016): 149-181
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a uma di indade meno (Mo illo Ce dán 1999: 180),
es á e ec uada sob e uma luce na pe encen e ao ipo
D essel-Lamboglia 11/14, o ma na qual es e mo i o
não é pa icula men e comum. O cul o a es a di in-
dade pa ece e ganho especial alen o du an e o século
II d.C., mui o po enciado pela in luência das eligiões
o ien ais (Lozano 1995: 126 apud in Mo illo Ce dán
1999: 180). Não obs an e, de emos e em conside a-
ção que es e ipo de luce na es á sob e udo da ado do
século I, mesmo que possa e sido ab icada no(s) p i-
mei o(s) decénio(s) des a cen ú ia. Po ou o lado, a
exis ência des e cul o ainda no século I d.C. ambém
não é comple amen e imp o á el (Ibidem). Ambos os
ac os pe mi em assim esba e as apa en es incompa-
ibilidades c onológicas en e a o ma da luce na e o
cul o. O ce o é que a maio ia das ep esen ações de
Hélios pode se encon ada em o mas mais a dias, da
sé ie de disco.
Em Mé ida, pudemos documen a a exis ência de
um exempla análogo, an o na o ma como na icono-
g a ia, que conco da com a c onologia a ançada (Ro-
d íguez Ma ín 2002: 67-68, Fig. V, nº 61). Re i am-se
ainda ou os, de Ca ago (Deneau e 1969: XXXV,
nº 282), de Conímb iga (Belchio 1969: 53, nº 10), de
Pe ogua da (Viana e Nunes 1956: 37), de Cádis (Mo-
eno Jiménez 1991: 406), de I álica (Mo eno Jiménez
1991: 476, nº 3340, 3341, 3111 e 3367), de Regina
(Mo eno Jiménez 1991: nº 2268), po exemplo.
Uma ou a luce na, da mesma o ma, os en a a e-
p esen ação de uma biga ( ig. 13, nº 1), que pode se
incluída na ca ego ia de quo idiano e subca ego ia de
cenas de ci co. Não obs an e, a pe sonagem que con-
duz a biga pa ece e os ípicos a ibu os de Vic ó ia
alada, o que ob iga à sua inclusão na ca ego ia de di-
indades meno es. De ac o, a pe sonagem pa ece es-
i o peplos, insu lado pelo a , e em as ípicas asas. Não
é es anha a exis ência de uma ep esen ação de Vic ó-
ia sob e uma biga, p incipalmen e se i e mos em con-
side ação que es a di indade pe soni ica o iun o. Não
obs an e, a ep esen ação da di indade sob e a biga é
bas an e a a.
Co esponden e à ca ego ia de mi os e lendas é um
agmen o de disco, in elizmen e inclassi icá el quan o
à o ma, que os en a a ep esen ação de Ac éon ( ig. 22,
nº 2). Nes e ele o, Ac éon en a libe a -se da sua p ó-
p ia ma ilha que, não econhecendo o dono, o a aca.
Figu a 22. F agmen os
de disco de luce nas com
mo i os deco a i os.
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SPAL 25 (2016): 149-181
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2016i25.06
Es a si uação ad ém da maldição que lhe oi e ocada
po A emis, que o ans o mou em ce o como cas-
igo po a e esp ei ado enquan o se banha a (G imal
1999: 5). Alguns au o es conside am que a ma ilha e a
de Diana (Mo illo Ce dán 1999: 192; Casas-Geno e e
Sole -Fus é 2006: 15). O que emos é, p ecisamen e,
o início da ans o mação de Ac éon, nu e em posição
de de esa. Ten a p o ege -se de um cão com o b aço di-
ei o, e, no esque do, segu a uma lança e a capa, que lhe
cai. Podemos ap ecia que em já as has es de ce ídeo,
que pendem pa a ambos os lados da cabeça.
Embo a não possamos deci a qual a o ma a que
pe enceu es e agmen o, é consensual que es a ep e-
sen ação é equen e sob e udo no século I d.C. (Bai-
ley 1988: 771; Deneau e 1969: nº 286; Mo illo Ce dán
1999: 192), pelo que segu amen e e á pe encido a
um exempla da sé ie de olu as. A sua g ande dispe -
são pode se sin omá ica da g ande ama de que go-
zou na An iguidade, sendo econhecida desde a egião
mais ociden al do Impé io a é à mais o ien al (Mo illo
Ce dán 1999: 192), e da sua ampla diac onia, conc e a-
men e desde o einado de Augus o a é inal do século I
d.C. A endendo ao con ex o de ecolha e aos pa alelos
econhecidos (Casas-Geno e e Sole -Fus é 2006: 15,
G59), pode se admissí el uma da ação em o no ao ei-
nado de Tibé io.
Se conside a mos que es e agmen o pode, e en-
ualmen e, e pe encido a uma luce na do ipo D es-
sel/Lamboglia 9, não é imp o á el que seja o iginá io
da iglina domés ica que oi ecen emen e iden i icada
em Se ilha (Vázquez Paz 2012). De ac o, pa ece com-
pa i a inidades, que iconog á icas que ecno-pe o-
g á icas, com os a e ac os p oduzidos nesse o no.
Ou o agmen o de disco os en a um animal em
co ida ( ig. 22, nº 3). In elizmen e, não podemos asse-
gu a a que animal co esponde, podendo a a -se an o
de um ja ali, como de um u so ou de um cão. A peça
co esponde a uma o ma da sé ie de olu as, p o a el-
men e do ipo D essel-Lamboglia 11 ou 14.
Relemb amos a exis ência da luce na de ipo Andú-
ja , com a ep esen ação de uma concha de iei a, que
pe mi e a sua inclusão na ca ego ia da auna ( ig. 17).
Na ca ego ia da lo a, pudemos inclui dois ag-
men os de disco, que os en am uma co oa de ca alho
( ig. 13, nº 2) e uma co oa de lou ei o ( ig. 22, nº 4). As
co oas ege ais cons i uem um dos p incipais emas nas
ep esen ações lo ais (Pe ei a 2008: 91). O p imei o
caso oi possí el de iden i ica de ido à maio dimen-
são do agmen o e, ambém, pelo ac o de a co oa os-
en a uma bolo a. No segundo, oi a o ma da olha que
pe mi iu a nossa in e p e ação.
3.3. Epig a ia
As ma cas epig á icas são, compa a i amen e com
o núme o o al de luce nas, em núme o bas an e edu-
zido. Apenas i emos opo unidade de iden i ica qua-
o exempla es que i e am, ou o a, a ma ca do olei o
ou da iglina. O exempla deco ado com Vic o ia alada
a conduzi a biga em, na base, a ma ca OPPI em nega-
i o ( ig. 13, nº 1). Sob a ma ca, em ele o, es á a le a
“M”, que pode a a -se de uma con a-ma ca.
Es a ma ca não o e ece hoje quaisque dú idas quan o
à sua in e p e ação, es ando a ac i idade des a o icina do-
cumen ada desde o pe íodo lá io a é meados ou inais do
séc. II d.C. No en an o, é equen e depa a mo-nos com
a ian es que ap esen am um enquad amen o c onoló-
gico mais p eciso, como é o caso da ma ca COPPIRES,
i mada em exempla es do ipo 11, ou da ma ca COR,
e ec uada sob e exempla es do ipo 20, mais a dios (Mo-
illo Ce dán 1999: 300) e que podem co esponde a dis-
in as ge ações da mesma gens. Sabemos, ac ualmen e,
que es a oi uma das iglinae que disseminou os seus p o-
du os po uma á ea ampla do Impé io. Fab icada inicial-
men e na Península I álica, apidamen e oi ep oduzida
no No e de Á ica e ambém na Gália, conc e amen e em
Mon ans (Be ges 1989: 110; Mo illo Ce dán 1999: 300).
No en an o, e no caso conc e o da á ea me idional
hispânica, es es a e ac os êm ca ac e ís icas que pe -
mi em supo a sua p odução na p o íncia da Bé ica,
onde, aliás, são abundan íssimos, como se em ei e-
ando. Con udo, não é cla o se es a si uação esul a da
cópia dos p odu os de Caius Oppius Res i u us ou, pelo
con á io, é o p óp io que em iliais nessa zona, que
ep oduzem os seus a igos o iginais (Joly 1974: 89).
O ce o é que a egião o e ece uma abundan e quan i-
dade des as ma cas (F anco 1970: 16; Fe nández Chi-
ca o 1954: 62; Fe nández Gómez e Hu ado Rod íguez
1991: 35-36; Mo eno Jiménez 1991: 243-247; Balil
1965-66: 117-123; Ama é Ta alla 1989-90: 135-172).
Os ês es an es agmen os não pe mi i am, in eliz-
men e, uma lei u a sa is a ó ia das ma cas, o que ica a de-
e -se ao ac o de conse a em apenas uma pequena pa e
des a. Re i a-se, oda ia, a possibilidade de duas pode em
a a -se de ma cas de CIVNDRAC ou CIVNALEX.
4. CONCLUSÃO
O conjun o de luce nas de Mon e Molião me ece
ainda um comen á io inal, que, de alguma o ma, ecu-
pe a mui as das obse ações que o am ei as ao longo
do ex o.
180 CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
SPAL 25 (2016): 149-181
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