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Alonso Puig, Mario. El camino del despertar. Madrid: Espasa, 2023, 219 pp. [Reseña]

Lopes, Eugénio

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243243 Thémata. Revista de Filosofía • nº 69 • enero-junio (2024) pp. 243-247 • ISSN: 0212-8365 • e-ISSN: 2253-900X • DOI: 10.12795/themata.2024.i69.13 Eugénio Lopes1 Investigador independiente, Portugal Quando se fala de filosofia, deve-se também falar da antropologia. Do mesmo modo, quando se fala da pessoa humana, deve-se também abordar outros temas, tais como: o corpo e a mente, o (auto) conhecimento, o mundo interno e o mundo externo, o florescimento humano, o sentido da vida, a felicidade, etc. Porém, quando se abordam estes temas, geralmente, ou se apresenta uma conceção errónea de tais argumentos ou caem-se em alguns reducionismos, condicionando-se, assim, de vários modos, a autorrealização da pessoa humana e o desenvolvimento das sociedades. Neste sentido, considero muito interessante a supracitada obra de Mario Alonso Puig, médico e neurologista —que também se dedica ao estudo de temas sobre a psicologia, a educação, a liderança e o desenvolvimento humano—, pois apresenta uma visão muito realista com relação aos temas mencionados anteriormente. Para tal, o autor decidiu dividir esta sua obra em 20 pequenos capítulos, com os seguintes títulos 2 : 1. A pessoa e a personagem; 2. Nem o mapa é o território, nem o nome é o mesmo que a coisa nomeada; 3. Colombo, Ulisses e um continente inteiro para descobrir; 4. A doce escuridão; 5. Portas que abrem mundos; 6. Não percas o teu centro; 7. O Ara, o eixo cérebro-intestino e a alma do microcosmo; 8. O que pode surgir da polaridade; 9. Aceder a uma linguagem criptografada; 10. O encontro com as nossas feridas; 11. O guerreiro, o mago e os demônios; 12. O poder transformador do amor verdadeiro; 13. Os nove requisitos para a transformação; 14. A arte da presença; 15. A liberdade de eleger; 16. Sim, pode-se mudar, mas tens de conhecer o caminho; 1[email protected] 2As traduções dos capítulos foram feitas por mim. Alonso Puig, Mario. El camino del despertar. Madrid: Espasa, 2023, 219 pp. RESEÑAS BIBLIOGRÁFICAS 244244 Thémata. Revista de Filosofía • nº 69 • enero-junio (2024) pp. 243-247 • ISSN: 0212-8365 • e-ISSN: 2253-900X • DOI: 10.12795/themata.2024.i69.13 ALONSO PUIG, M. EL CAMINO DEL DESPERTAR. POR EUGÉNIO LOPES 17. Que a força esteja em ti; 18. O poder de transformar; 19. Seis segredos para ser-se mais feliz; 20. Perguntas que mudam as nossas vidas. Dos vários pontos positivos que se podem destacar nesta obra, gostaria de mencionar os seguintes: Metodologicamente falando, o primeiro faz referência ao facto de Mario Alonso Puig ter estabelecido um diálogo interdisciplinar entre várias áreas científicas, em particular entre a filosofia, a psicologia, a biologia, a neurociência, a educação e a sociologia, a fim de enquadrar, fundamentar e corroborar as ideias e os argumentos que apresentou e defendeu na sua obra. De igual modo, com a mesma finalidade, evidencia-se também como ideia positiva na obra que o autor tenha recorrido a vários autores, histórias, testemunhos e exemplos. Finalmente, todavia do ponto de vista metodológico, penso que na obra também se salienta positivamente que o autor tenha recorrido ao uso de vários títulos, que apresentam uma sequência lógica. Com relação aos objetivos, destaca-se positivamente na obra o facto de Mario Alonso Puig ter mostrado de que forma podemos florescer como pessoas humanas, autorrealizar-nos e alcançar a verdadeira felicidade, ou seja, como nos podemos tornar num “Herói”, termo já algumas vezes estudado desde o ponto de vista, sobretudo, filosófico, histórico, antropológico, sociológico, político e mítico. Assim, na sua obra, o autor conjuga todas estas dimensões relacionando-as, portanto, por sua vez com o Herói. Para Mario Alonso Puig, tal como o título da obra elucida, toda a pessoa humana está convidada a “despertar”, a fim de converter-se num Herói. Assim, com relação ao conteúdo da obra, salientam-se como ideias positivas sobretudo as seguintes: A primeira faz referência ao mapa que o autor ter traçado um mapa do Herói. Neste sentido, é pertinente a distinção que o autor estabelece entre o conceito de “pessoa” e de “personagem”. Segundo o autor, o conceito de pessoa, que faz referência ao Herói concretamente, dirige-se por sua vez a outros conceitos: de identidade, de autenticidade e de autoaceitação, porém, sempre com a intenção de a pessoa superar-se dia-após-dia, isto é, de crescer como pessoa continuadamente. Aliado a isto, o autor destaca igualmente a importância de nos autoconhecermos, nas mais variadas formas, e de conhecermos a realidade na qual estamos inseridos, devendo-se para tal ser-se realista, independentemente do sacrifício que nos possa custar. Com relação ao (auto) conhecimen- 245245 Thémata. Revista de Filosofía • nº 69 • enero-junio (2024) pp. 243-247 • ISSN: 0212-8365 • e-ISSN: 2253-900X • DOI: 10.12795/themata.2024.i69.13 ALONSO PUIG, M. EL CAMINO DEL DESPERTAR. POR EUGÉNIO LOPES to, salienta-se também positivamente na obra que o autor tenha mostrado a importância de conjugar-se a consciência com a inconsciência, mostrando de que forma a unidade é melhor do que a separação e a divisão. Com relação aos conceitos e argumentos mencionados, salienta-se também como ponto positivo na obra que Mario Alonso Puig tenha analisado o corpo, o intelecto, a vontade e a afetividade, mostrando de que forma estas componentes, apesar de serem essencialmente distintas, podem relacionar-se entre si. Neste sentido, considera-se da mesma forma como ponto positivo na obra que o autor tenha estudado a memória e a imaginação e a sua relação com as aquelas entidades, bem como o impacto que todas elas acarretam, de uma forma geral, para o desenvolvimento da pessoa humana. Com relação à análise que Mario Alonso Puig tece à afetividade, considero sobretudo como ideia positiva que o autor tenha distinguido basicamente dois tipos de afetividade —uma positiva e outra negativa— e de que forma elas condicionam a autorrealização da pessoa humanas. De facto, frequentemente, em alguns trabalhos científicos, com relação a esta temática, tende-se a cair em alguns tipos de reducionismo: O primeiro, próprio do monismo, como por exemplo se verifica no psicologismo, dá uma primazia a esta componente da pessoa humana, negligenciando-se, assim, as suas outras componentes, que são igualmente indispensáveis para que ela se autorrealize; já o segundo, próprio do dualismo, como se verifica por exemplo no racionalismo, considera a afetividade como uma componente irracional, que condiciona negativamente a autorrealização da pessoa humana. Já com relação ao estudo que Mario Alonso Puig tece ao corpo na sua obra, menciona-se sobretudo como ideia positiva que o autor tenha estudado e relacionado o cérebro, o coração, o sistema digestivo, a musculatura e a o sistema celular, mostrando a importância de estabelecer-se uma coerência entre estas entidades e, ao mesmo tempo, como se pode estabelecer tal coerência. Assim, considera-se também como ponto positivo que o autor tenha traçado um mapa do cérebro humano, como também o tenha analisado, distinguido e relacionado algumas partes do cérebro, em particular, o hemisfério esquerdo do hemisfério direito. Já no que diz respeito aos hemisférios, mais concretamente, foi igualmente importante que Mario Alonso Puig os tenha diferenciado, mostrando igualmente as suas funções correspondentes 246246 Thémata. Revista de Filosofía • nº 69 • enero-junio (2024) pp. 243-247 • ISSN: 0212-8365 • e-ISSN: 2253-900X • DOI: 10.12795/themata.2024.i69.13 ALONSO PUIG, M. EL CAMINO DEL DESPERTAR. POR EUGÉNIO LOPES e as vantagens e desvantagens de um com relação ao outro, justificando, desta forma, a importância de eles deverem “dialogar” entre si. Com relação às entidades humanas mencionadas, evidencia-se também na obra que o Mario Alonso Puig tenha relacionando-as com o sistema imunitário, a saúde e o stress. No que diz respeito ao stress, mais concretamente, considera-se igualmente fundamental que o autor tenha mostrado como as feridas emocionais não integradas, em casos mais extremos, os traumas, afetam seriamente a saúde da pessoa humana, de diferentes formas. Aliado à saúde, considero também fundamental na obra o espaço que Mario Alonso Puig deu à necessidade e à importância de cultivarem-se bons hábitos, tais como: uma boa alimentação, exercício físico, descanso, meditação, uma vida equilibrada, etc. Salienta-se também positivamente na obra que o autor tenha mostrado a importância de possuirmos pessoas de referência, ou seja, modelos, como também da boa literatura, em particular da poesia, que nos possam ajudar “a despertar” e a percorrer o caminho do Herói. Neste sentido, evidencia-se também positivamente a relação que o autor estabeleceu com as relações interpessoais, mostrando, assim, como é fundamental cultivarem-se boas e virtuosas relações com os demais, a fim de convertemo-nos em Heróis e, ao mesmo tempo, podermos ajudar os outros neste processo. Um outro ponto fundamental da obra consiste na relação que Mario Alonso Puig estabeleceu entre o desenvolvimento da pessoa humana e o da sociedade e vice-versa. Isto torna-se mais evidente quando o autor menciona que todos nós fomos criados para tornar o mundo melhor, num lugar digno de ser vivido por nós e pelos demais. Assim, segundo o autor, ao convertermo-nos em Heróis, devemos também de ajudá-los neste processo; e não o contrário, servindo-nos de elas, a fim de satisfazermos os nossos interesses. Por outro lado, para o autor, só se pode ajudar os outros neste processo, de eles tornarem-se por sua vez Heróis também, quando nós mesmos percorremos o caminho do Herói. Portanto, neste sentido, considero fundamental a relação “simbiótica” que o autor estabeleceu entre o nosso crescimento, enquanto pessoas humanas, e o crescimento das outras pessoa. Nesta linha, destaca-se também na obra a relevância que Mario Alonso Puig atribuiu à necessidade de viver-se uma vida virtuosa, sobretudo de 247247 Thémata. Revista de Filosofía • nº 69 • enero-junio (2024) pp. 243-247 • ISSN: 0212-8365 • e-ISSN: 2253-900X • DOI: 10.12795/themata.2024.i69.13 ALONSO PUIG, M. EL CAMINO DEL DESPERTAR. POR EUGÉNIO LOPES praticar as virtudes do amor e da compaixão, inclusive para connosco mesmos, que não é sinónimo de egocentrismo, pelo contrário. Por outro lado, menciona-se igualmente como ponto positivo na obra que o autor tenha relacionado o Herói com os valores, bem como, neste sentido, com o sentido da vida e com a felicidade. Desta forma, aliado em particular a estes pontos, destaca-se, então, também positivamente que o autor tenha os tenha relacionado com o arrependimento. Já no que diz respeito mais concretamente à felicidade, evidencia-se igualmente na obra que Mario Alonso Puig tenha distinguido uma felicidade inautêntica de uma felicidade autêntica, felicidade esta que se alcança quando se percorre o caminho do Herói. Desta forma, considero também fundamental na obra que o autor tenha mostrado que a felicidade autêntica se encontra não só no fim do caminho (apesar de, a meu ver, o autor não identificar concretamente em que é que consiste o fim do caminho, algo que poderia dar mais consistência a esta sua observação bastante plausível e pertinente), como também durante todo o percurso do mesmo caminho. Associado a esse ponto, nesta linha, um outro ponto positivo da obra reside no facto de Mario Alonso Puig ter mostrado, assim, que tornar-se num Herói consiste num processo contínuo. Ou seja, segundo o autor, podemos dia-após-dia (re) entrar e percorrer este caminho, tornando-nos, desta forma, num Herói que gradualmente se encontra num patamar superior. Num período, onde várias vezes possui-se uma incompleta ou inclusive má conceção da pessoa humana, condicionando, assim, o seu desenvolvimento e sua autorrealização, bem como a dos demais, penso que esta obra de Mario Alonso Puig vem a desmistificar e corrigir algumas dessas ideias, permitindo, desta forma, com que possamos, tal como o título indica, “despertar” e percorrer o caminho do Herói e ao mesmo tempo ajudar os outros neste processo, algo que sem dúvida contribui para o desenvolvimento das sociedades e das gerações vindouras. Desta forma, gostaria de terminar esta recensão, se me é permitido, motivando o autor a continuar com o seu bom trabalho de investigação, que ao longo dos tempos tem vindo a desenvolver.