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Formação e prática educativa de professores secundaristas de Lubango, em Angola

Abstract

Esta pesquisa visou a descrever e a compreender as práticas educativas e curriculares dos professores de educação moral e cívica, em escolas secundárias da cidade do Lubango, Angola. A razão da investigação reside no fato de não existirem trabalhos que fazem referência à essa temática no contexto de Angola. Esta é uma pesquisa de estudo de caso de natureza qualitativa, caráter descritivo e interpretativo, que estuda uma situação real em seu contexto cotidiano. A mesma foi realizada em escolas do ensino secundário e contou com a amostra intencional de 17 participantes. Para recolhimento, tratamento e interpretação da informação, foram utilizadas a técnica de entrevista em profundidade e a análise de conteúdo. Os resultados demonstram que a prática educativa é deficiente e faz recurso ao ensino tradicional e modelo transmissivo, sendo realizada por docentes que, na sua maioria, não têm a formação inicial, porque os critérios de admissão valorizam apenas as habilitações literárias. A formação contínua de que beneficiam não reflete as reais dificuldades dos docentes e é pouco notório o trabalho prestado pela administração escolar no acompanhamento das atividades escolares. Para existir boa prática educativa é fundamental investir na formação específica dos professores, na avaliação interna e externa das escolas, a fim de construírem-se mais infraestruturas escolares, apetrechá-las e atribuílas uma boa gestão face aos desafios atuais da educação

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Formação e prática educativa de professores secundaristas de Lubango, em Angola

Author: Caluvi Nicolau, Manuel; González Monteagudo, José
Publisher: Universidade de São Paulo
Year: 2019
DOI: 10.1590/S1678-4634201945191996
Source: https://idus.us.es/bitstreams/8d05df6e-193c-43ae-a749-a66dc2838d18/download
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Fo mação e p á ica educa i a de
p o esso es secunda is as de Lubango, em
Angola
Manuel Calu i Nicolau1
0000-0002-7135-7782
José González-Mon eagudo1
0000-0002-3094-8092
Resumo
Es a pesquisa isou a desc e e e a comp eende as p á icas educa i as e cu icula es dos
p o esso es de educação mo al e cí ica, em escolas secundá ias da cidade do Lubango,
Angola. A azão da in es igação eside no a o de não exis i em abalhos que azem
e e ência à essa emá ica no con ex o de Angola. Es a é uma pesquisa de es udo de caso
de na u eza quali a i a, ca á e desc i i o e in e p e a i o, que es uda uma si uação eal
em seu con ex o co idiano. A mesma oi ealizada em escolas do ensino secundá io e
con ou com a amos a in encional de 17 pa icipan es. Pa a ecolhimen o, a amen o e
in e p e ação da in o mação, o am u ilizadas a écnica de en e is a em p o undidade e a
análise de con eúdo. Os esul ados demons am que a p á ica educa i a é de icien e e az
ecu so ao ensino adicional e modelo ansmissi o, sendo ealizada po docen es que,
na sua maio ia, não êm a o mação inicial, po que os c i é ios de admissão alo izam
apenas as habili ações li e á ias. A o mação con ínua de que bene iciam não e le e as
eais di iculdades dos docen es e é pouco no ó io o abalho p es ado pela adminis ação
escola no acompanhamen o das a i idades escola es. Pa a exis i boa p á ica educa i a é
undamen al in es i na o mação especí ica dos p o esso es, na a aliação in e na e ex e na
das escolas, a im de cons uí em-se mais in aes u u as escola es, ape echá-las e a ibuí-
las uma boa ges ão ace aos desa ios a uais da educação.
Pala as-cha e
Fo mação de p o esso es – P á ica educa i a – Modelos de ensino-ap endizagem – Escolas
secundá ias – Educação mo al e cí ica.
1- Uni e sidade de Se ilha, Se ilha, Espanha. Con a os: [email p o ec ed]; [email p o ec ed].
DOI: h p://dx.doi.o g/10.1590/S1678-4634201945191996
SEÇÃO: ARTIGOS
This con en is licensed unde a C ea i e Commons a ibu ion- ype BY-NC.
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Manuel CALUVI NICOLAU; José GONZÁLEZ-MONTEAGUDO
T aining and educa ional p ac ice o seconda y
school eache s in Lubango, Angola*
Abs ac
This esea ch aimed o desc ibe and unde s and he educa ional and cu icula p ac ices
o eache s o mo al and ci ic educa ion in seconda y schools in he ci y o Lubango,
Angola. The eason o he in es iga ion lies in he ac ha he e a e no s udies ha
make e e ence o his heme in he con ex o Angola. This is a case s udy esea ch,
based on quali a i e and in e p e i e app oaches, which s udies a eal si ua ion in i s
e e yday con ex . I was ca ied ou in seconda y schools and had an in en ional sample
o 17 pa icipan s. The in-dep h in e iew echnique and con en analysis we e used
o collec , p ocess and in e p e he da a p oduced in he esea ch p ocess. The esul s
show ha educa ional p ac ice is de icien and makes use o adi ional eaching and he
ansmissi e model, and i is ca ied ou by eache s who, o he mos pa , do no ha e
ini ial aining, because he admission c i e ia only alue academic quali ica ions. The
con inuous aining hey ecei e does no e lec he eal di icul ies aced by eache s
and he wo k ca ied ou by he school adminis a ion in moni o ing school ac i i ies is
li le known. Fo good educa ional p ac ice o exis , i is essen ial o in es in he speci ic
aining o eache s, in he in e nal and ex e nal e alua ion o schools, in o de o build
mo e school in as uc u e, equip i and gi e i good managemen in he ace o he cu en
challenges o educa ion.
Keywo ds
Teache aining - Educa ional p ac ice - Teaching and lea ning models - Seconda y
schools - Mo al and ci ic educa ion.
In odução
Angola é um país si uado na Á ica Aus al, com uma supe ície de 1. 246.700
quilôme os quad ados e uma população es imada em 26 milhões de habi an es, sendo
52% mulhe es. Con a com 42 anos de independência e 15 anos de paz. É um país
plu ilinguís ico, onde o po uguês é conside ado a língua o icial, exis indo ou as línguas
nacionais, ais como: Umbundu, Kimbundu, Kikongo, Nyaneka, Oshikwanyama, Fyo e,
Cokwe, Ngangela e ou as. O índice de pob eza es á a aliado em 58,8% da população
u al, con a 18,5% da população u bana.
O con ex o de paz que Angola i e, desde 2002, em con ibuído posi i amen e
pa a da passos na implemen ação da no a e o ma educa i a, baseada na Lei nº 13/01,
ap o ada em 31 de Dezemb o de 2001, isando a melho a a qualidade do p ocesso
educa i o. Esse a o pe mi iu o con ínuo enquad amen o no plano cu icula do sis ema
educa i o de mais disciplinas no p ocesso de ensino-ap endizagem, al como a disciplina
3Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Fo mação e p á ica educa i a de p o esso es secunda is as de Lubango, em Angola
de educação mo al e cí ica, cuja inalidade é a o mação da pessoa e da cidadania, como
con eúdo da educação escola (ANGOLA, 2001).
Pensamos que a boa p á ica educa i a dos p o esso es pode ajuda os alunos a
ap ende , cons ui e es ima alo es que azem com que sejam mais esponsá eis, li es
e iguais em di ei os. Tal p á ica con ibui á signi ica i amen e pa a uma boa con i ência
e ap endizagem, endo em is a as ca ac e ís icas da sociedade a ual, ida como sociedade
de in o mação e da di e sidade, que az pa e do mundo globalizado. Sendo Angola um
país que so eu mui os con li os e na en a i a de se melho a as elações in e pessoais e
acili a a con i ência den o da di e sidade cul u al, hou e a necessidade de in oduzi -
se, no cu ículo, uma no a disciplina denominada educação mo al e cí ica.
A e o ma educa i a é uma e olução impo an e pa a o p ocesso de ensino e
ap endizagem, po que isa a ino a e adequa o ensino de aco do com o desen ol imen o
econômico e cien í ico. Nessa base, em Angola, a educação de alo es não é is a como
ema ans e sal, pois, à luz da e o ma educa i a, a disciplina é ob iga ó ia, sendo
enca egada aze a espec i a abo dagem.
O p esen e es udo isou a desc e e a o mação e as p á icas educa i as ealizadas
pelos p o esso es das escolas secundá ias, pa indo das expe iências dos p incipais a o es do
p ocesso educa i o. Pensamos que es e es udo pode in e essa pelo a o de con ibui com
uma isão mais asse i a ace ca da ealidade educa i a dos p o esso es no seu co idiano,
de manei a a inspi a a ino ação, a o mação e a p á ica docen e adequada que con ibua
pa a melho ia da a uação em sala de aulas e, consequen emen e, na qualidade de ensino
em unção da di e sidade cul u al dos alunos. Nesse sen ido, Muñoz (2009) a gumen a
que in es iga a espei o da p á ica docen e pa a melho a a qualidade do p ocesso de
ensino-ap endizagem de e ocupa um luga cen al na p eocupação dos p o esso es de
con inua com a nob e a e a de pesquisa pa a ensina e o ien a melho a ap endizagem.
Me odologia
Es a in es igação u ilizou a me odologia de es udo de caso que, no en ende de
Denzin; Lincoln (2013), é o mé odo a i o de ap endizagem, que pa e da desc ição de
uma si uação eal isando a es uda essa ealidade em seu con ex o co idiano. O mé odo
ocaliza a comp eensão da pe cepção ou opinião das pessoas en ol idas na pesquisa
ace ca da o mação e p á ica educa i a dos docen es. Quan o à na u eza da in es igação,
é de ca á e quali a i a, po que ge almen e e i a núme os e lida com in e p e ações da
ealidade social (FLICK, 2013).
A amos agem é não p obabilís ica e u ilizou a amos a in encional, pelo a o de
seleciona pa icipan es que êm a noção do obje o de es udo, sendo cons i uída po 17
pa icipan es, en e p o esso es, di e o es de escolas secundá ias e esponsá eis da di eção
da educação. Pa a adesão dos pa icipan es ao p oje o, i emos de negocia com eles
de ido à implicação em e mos de audiência na pesquisa. Yáñez (2010) ad e e que a
elação en e docen es e in es igado es não é luida. Quando não se negocia o acesso ao
campo, esul am-se incong uência com lógica di e en e e mal-en endido.
Desse modo, oi c ucial sal agua da a iden idade dos pa icipan es a ibuindo-
lhes nomes ic ícios, o que con ibuiu pa a a boa adesão à pesquisa, pois, segundo Banks
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Manuel CALUVI NICOLAU; José GONZÁLEZ-MONTEAGUDO
(2010), exis em ou as manei as de ga an i ou p o ege a iden idade nos es udos de caso.
É p eciso sabe que o anonima o e a iden idade dos pa icipan es podem se assegu ados,
nas publicações, pelo uso de pseudônimos pa a pessoas, ins i uições e luga es.
Fei o o desenho e ap o ação dos ins umen os, ealizou-se a en e is a em
p o undidade com o obje i o de comp eende a ealidade da p á ica educa i a ealizada em
escolas secundá ias. Assim, seguindo a con ibuição de Goe z; Lecomp e (2010), os dados
p o enien es das en e is as o am g a ados e, depois, egis ados median e à ansc ição
que, em seguida, oi ap esen ada aos pa icipan es pa a ga an i a con iabilidade e alidade
dos dados. No en an o, Olabuénaga (2012) e e e que os dados não alam po si, há que
aze ala , ex ai in e ências e signi icados.
Assim, pa a análise, a amen o e in e p e ação da in o mação, u ilizou-se a écnica
de análise de con eúdo, cujo obje i o oi classi ica , codi ica , analisa o con eúdo e
cons ui as ca ego ias signi ica i as. Desse modo, oi essencial in es iga p o undamen e
o con eúdo dos depoimen os, o ganiza e ans o ma as na a i as esul an es das
en e is as em ca ego ias de análise mais signi ica i as (SIMONS, 2011).
Na ó ica de Flick (2015), a in o mação quali a i a em es udo de caso não se associa de
manei a mui o es ei a com a gene alização dos esul ados. Pa a aze -se a gene alização
es a ís ica em es udo com en e is as, de e-se basea em amos a ep esen a i a da
população, isando a quan i ica os esul ados. Mas, como u ilizou-se uma amos a não
ep esen a i a, K ale (2011) ecomenda que se aça a gene alização analí ica, pois o nece
conhecimen os de um es udo que pode se u ilizado como guia pa a o que pode ia oco e
em ou o caso, em unção da semelhança e di e ença en e si.
Con ex o educa i o em Lubango
Du an e o pe íodo colonial, em Angola, i iam poucos po ugueses po se
conside ada como e a de exílio. Pa a in e e o quad o, Po ugal c iou condições pa a
a ai as amílias po uguesas a i e em naquele e i ó io, implemen ando o ensino,
em 1845. No on de Ma os, esponsá el po uguês, pensou que o ensino ajuda ia a
ci iliza os indígenas, ap endendo a ala , le e esc e e o po uguês, aze as qua o
ope ações a i mé icas, dando-lhes conhecimen o da moeda co en e de Angola e alguns
conhecimen os ace ca da higiene. E a p oibido ala ou as línguas (LIBERATO, 2014).
Em 1978, Angola ado ou o seu sis ema de educação, ca ac e izado essencialmen e
po uma maio opo unidade de acesso à educação e à con inuação dos es udos, o
ala gamen o da g a ui idade e o ape eiçoamen o pe manen e do pessoal docen e. As
pesquisas ealizadas em Á ica ace ca da educação, segundo Sacco; Fe ei a; Kolle (2016)
e e em que os con li os a mados in luencia am nega i amen e o sis ema de ensino dos
países em que hou e gue a. Assim, Angola não é uma exceção.
Na época da independência, a população angolana na sua maio ia e a anal abe a, na
o dem de 85%. Desse modo, segundo Helena (2014), o go e no e e de en en a á ios desa ios
de ido à al a de docen es e aliado ao a o de a lide ança no se o educa i o se exe cida po
líde es sem o mação. Dian e desse quad o, o go e no e e de eco e ao apoio de ou os
países pa a auxilia , de ido à explosão massi a de alunos e à aca ede de in aes u u as, sem
ma e iais escola es, p og amas e cu ículos mais sis ema izados e e icien es.
5Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Fo mação e p á ica educa i a de p o esso es secunda is as de Lubango, em Angola
Pa a Ad a (2016), a ualmen e o núme o de alunos ma iculados em odos os ní eis
de ensino aumen ou de 2,2 milhões, em 2001, pa a 8 milhões, em 2014. En e an o, ainda
exis em o es assime ias no seu acesso, com 22% das c ianças em idade escola o a do
sis ema educa i o, an o nas á eas u banas como nas u ais. Esse ele ado núme o de e-se
à al a de escolas, is o o colonizado e cons uído poucas nos cen os u banos. Nesse
con ex o, as c ianças que i em em amílias pob es ap esen am ní eis de pa icipação
escola mui o in e io , pa icula men e, nas zonas u ais. Desse modo, os desa ios do se o
o am con i mados pelo Censo de 2014, que demons ou que a axa de anal abe ismo
pe manece ele ada e es á el no país, calculada em 34%, sendo a maio ia na o dem de
60%, co espondendo à zona u al.
A o mação de p o esso es em Angola
A o mação de p o esso es em Lubango é uma á ea do sis ema de educação que
me ece uma a enção especial, já que um dos p incipais pon os de es angulamen o do
sis ema educa i o a ual, implemen ado desde 1978, se si ua na qualidade e quan idade
do co po docen e. Pa a Molina (2012), a o mação docen e eque que a abo dagem da
complexidade ecupe e uma sé ie de aspec os indispensá eis na cons ução de disposi i os
que implicam esol e p oblemas, explica , a gumen a , ecolhe in o mação e desen ol e
uma es a égia de esol e de e minada p oblemá ica nos di e sos con ex os sociais.
A ualmen e, como a gumen a Ma ia (2015), a ap endizagem dos p o esso es e a
ans o mação ou colocação do seu conhecimen o em p á ica em bene ício do c escimen o
dos alunos êm sido os p incipais p oblemas associados com a necessidade cons an e do
desen ol imen o p o issional do p o esso em um sen ido mais amplo, pa a con ibuí em
na e olução da escola e qualidade de ensino.
Sabemos que o ma p o esso es es á elacionado com as polí icas que cada país
implemen a no âmbi o do desen ol imen o educacional. Nessa ó ica, o abalho de Kamus;
Souza (2016) espelha a necessidade de implica os docen es como sujei os polí icos da
ação de o mação no agi e aze , pois cons i ui um desa io pa a a melho ia da qualidade
de educação básica. Assim, essa o mação oi ese ada ao Es ado Angolano, mas, de ido
à demanda pela p ocu a, con ibuiu pa a que hou esse abe u a pa a as ins i uições do
amo p i ado. No en an o, o ag a amen o das condições de abalho dos p o esso es e a
pouca qualidade dos p og amas êm es imulado o deba e en e os especialis as, a im de se
busca no as polí icas de a uação que isam a melho a as condições de abalho, ealiza
e o mas cu icula es e ino ação de p og amas pa a o p ocesso o ma i o dos docen es.
Pa a Rod iguez; A mengol; Menezes (2017), ge almen e az pa e dos obje i os das
p opos as de o mação a possibilidade de ans e ência da ap endizagem pa a a p á ica
p o issional, de manei a a co esponde o mundo acadêmico com o mundo de abalho. Nessa
base, pa a se ealiza uma o mação comple a, al como jus i ica T aibas (2008), é necessá io
que haja uma in e ligação en e os sabe es e e en es à á ea disciplina , me odológica, didá ica
e psicopedagógica. Essa in e ligação en e os sabe es é que con ibui o emen e pa a a elação
indissociá el e de in e dependência en e a eo ia e a p á ica, ice- e sa.
A es u u a do sis ema de educação angolano, ap o ado em 1977 e implemen ado em
1978, con empla o ensino médio no mal e o magis é io p imá io, com du ação de qua o

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Manuel CALUVI NICOLAU; José GONZÁLEZ-MONTEAGUDO
anos. Hou e ou as o mações in e mediá ias de p o esso es, denominadas po Supe ação
de P o esso es e Fo mação Acele ada, que isa am a, em pouco empo ou em menos de
qua o anos, p epa a docen es pa a abalha em no ensino p imá io. Os magis é ios são
ins i uições ocacionadas pa a a o mação de p o esso es de ní el médio pa a exe ce em
unções nas escolas do ensino p imá io e o 1º ciclo do ensino secundá io (ANGOLA, 2004).
Ca ac e ização da o mação de p o esso es
A es u u a das escolas não con empla a o mação de p o esso es pa a odas as
disciplinas que co espondem ao cu ículo do 1º ciclo do ensino secundá io, pois, mui os
p o esso es, po exemplo, de educação mo al e cí ica, educação isual e plás ica, educação
ísica e educação labo al, são ec u ados sem e em a o mação inicial. Em mui os casos,
não se ealizam cu sos ou seminá ios especí icos nas espec i as á eas an es de começa em
a leciona . Os esul ados são mui as di iculdades na ges ão do p ocesso o ma i o, o que
conduz, assim, pa a um pe il de saída menos desejado, se compa a mos os esul ados e
os obje i os de inidos pelo minis é io da educação (ANGOLA, 2014).
Nessas ins i uições de o mação de p o esso es, ealiza-se uma o mação mui o
ge al, eó ica e abs a a, essencialmen e dominada po abo dagens no ma i as p esc i i as
e desc i i as. As condições de es udo o e ecidas aos alunos ca ac e izam-se pelo excessi o
núme o de alunos po u ma, ausência de labo a ó ios e de in aes u u as despo i as,
can inas, li a ias, al a de manuais escola es e p og amas uni o mizados e es u u ados.
A al a de inspeção egula às e e idas escolas pode con ibui ou in luencia na qualidade
do sis ema de educação (ANGOLA, 2010).
As pesquisas a espei o da o mação de p o esso es, segundo Sil a Júnio ; Ga iglio
(2014), su gem ligadas à p o issionalização do ensino e do magis é io, em unção do
empenho de in es igado es em escla ece a na u eza dos conhecimen os p o issionais
que se i iam de base ao exe cício da docência. Nesse sen ido, ajuda ia os go e nos a
p oje a em pad ões cu icula es nacionais pa a a o mação de p o esso es, bem como as
me as a se em alcançadas pelos cen os de o mação inicial e con inuada.
Cu ículo de o mação de p o esso es
Pa a os p o esso es que es ão abalhando, alguns cu sa am a o mação de
p o esso es, o e ecida pelo minis é io da educação, al como expõe a Lei de Bases
nº13/2001, do Sis ema da Educação, que de e mina que a o mação de p o esso es de odo
o ensino secundá io em de se ei a pelo magis é io e ensino supe io . Nessa o mação,
o aluno-mes e não assume uma pos u a de empenho au o o ma i o e independen e, já
que o cu ículo u ilizado eme e pa a uma o mação mui o compa imen ada e epe i i a
(ANGOLA, 2004).
Assim, es á p e is o que os docen es equen em a o mação inicial nas seguin es
especialidades: ancês, inglês, po uguês, ma emá ica e ísica, his ó ia e geog a ia,
biologia e química, educação isual e plás ica e educação Física. Vale salien a que a
execução desse plano cu icula não é de cump imen o ob iga ó io a ní el de odo país,
7Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Fo mação e p á ica educa i a de p o esso es secunda is as de Lubango, em Angola
pois depende das condições de cada con ex o, o qual em po unção implemen a os
cu sos na especialidade onde exis i condições pa a isso.
No que ange à especi icidade des a pesquisa, as escolas de o mação de p o esso es,
sediadas no Lubango, não minis am a o mação de p o esso es pa a as disciplinas de
educação isual e plás ica, educação labo al e educação mo al e cí ica.
P o esso es no con ex o angolano
A de inição de p o esso , de aco do com a legislação angolana que egula o
subsis ema de o mação média no mal, conside a p o esso es os écnicos o mados em
magis é ios p imá ios e em escolas de o mação de p o esso es, de ní el secundá io,
habili ados a exe ce em a a i idade docen e em escolas do ensino p imá io ou do 1º
ciclo do ensino secundá io. Assim, pa a além da de inição de p o esso es, é igualmen e
escla ecido o es a u o de agen es de educação: écnicos o mados em ou as escolas, que
não são as de o mação de p o esso es, e que exe çam a a i idade docen e em escolas do
ensino p imá io ou I ciclo do ensino secundá io (ANGOLA, 2011).
Nessa pe spec i a, o p o esso é conside ado como aquele que ensina e o ganiza
o abalho p á ico e colabo a na in es igação. No con ex o de Angola, o p o esso de
educação mo al e cí ica, educação isual e plás ica, educação labo al é o indi íduo
ec u ado pa a abalha no se o educa i o, a im de leciona na escola secundá ia a
e e ida disciplina. Mesmo não endo a o mação inicial, os c i é ios de seleção são as
habili ações li e á ias que o candida o em, endo como mínima exigência 9ª classe, não
impo ando se a mesma esul ou da o mação ge al ou da o mação p o issional.
Pa a Ba ón (2015), o p o esso é um sujei o que oma decisões e emi e juízos endo
em con a as suas c enças. A omada de decisão pe mi e analisa os momen os in e a i os
i idos du an e a p á ica docen e com o obje i o de ino a pa a o bom desen ola do
p ocesso educa i o.
A p á ica educa i a
No pano ama educacional, podemos en ende a p á ica como uma p axis que
implica conhecimen o pa a se alcança de e minado obje i o, pois a p á ica e e e-se ao
sabe aze . Desse modo, emos a eo ia educa i a como conhecimen o o mal exis en e
ou p oduzido a espei o da educação e da p á ica educa i a como sendo a a i idade de
ensina e educa que se desen ol e nos cen os educa i os (ÁLVAREZ, 2012).
Pa a He nández e al. (2013), a p á ica educa i a, cuja unção undamen al é econs ui
e ein en a a exis ência humana, consis e em um conjun o de ações sociopedagógicas
o ganizadas em um empo e espaço de ca á e his ó ico, que pe mi e ensina e ap ende a
pa i de expe iências o ma i as e p á icas. No abalho de Ga cía; Lo edo; Ca anza (2008)
es á pa en e a ação que o p o esso desen ol e em aula, e e indo-se, especi icamen e, ao
p ocesso de ensina em con ex o ins i ucional, conside ando o cen o da educação o aluno
que ap ende e ai à busca do seu conhecimen o, pelo que p essupõe ans o mações no
p ocesso, de manei a a basea -se não só no ensino, mas ambém em uma educação baseada
na ap endizagem.
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Manuel CALUVI NICOLAU; José GONZÁLEZ-MONTEAGUDO
Segundo Juan e al. (2015), a análise da p á ica educa i a de e ealiza -se po meio
dos acon ecimen os que esul am da in e ação en e p o esso – aluno e aluna, ice- e sa.
Uma ez que o compo amen o e sen imen os dos alunos dependem de a o es sociais,
como a a i ude do p o esso , o ambien e que c ia na sala de aula é um elemen o essencial
pa a mo i a e desen ol e as emoções dos alunos.
Modelos de ensino
Exis em á ios modelos de ensino, den e os quais o adicional que, pa a Geijo
(2008), es á cen ado na ansmissão - ecepção de conhecimen os e as co esponden es
isões de conside a os alunos como ábua asa e de conside a a ciência como um conjun o
de conhecimen os absolu os e inques ioná eis que o p o esso deposi a na cabeça azia
dos educandos. Esses, po sua ez, de o ma passi a, in e nalizam e ep oduzem quando
o exigido nos exe cícios ou exames pa a medi o ní el de aquisição dos con eúdos.
O modelo cons u i is a, segundo We neck (2006), sus en a que a ap endizagem
esul a ia de um p ocesso de cons ução indi idual do sujei o a pa i de suas ep esen ações
in e nas e da in e p e ação pessoal. Esse modelo e e e que o aluno seja a i o na cons ução
do seu conhecimen o e comp eenda cada ase do p ocesso, pe ceba os ínculos exis en es
en e eles e inco po e como seu aquele con eúdo.
Pa a além desses es ilos, ainda se des aca a ap endizagem coope a i a que, na isão
de Na a o e al. (2015), é de inida como uma o ma de abalho em g upo baseada na
cons ução cole i a de conhecimen o e desen ol imen o de habilidades que con ibuem
pa a uma ap endizagem pessoal e social, em que cada memb o do g upo é esponsá el po
sua ap endizagem e pela dos ou os memb os do g upo.
A adminis ação escola e a sua unção
Segundo Ayala; Molina; P ie o (2012), pa a exis i o sucesso educa i o é necessá io
que a adminis ação escola ome medidas pe inen es com is a ao alcance dos obje i os.
Ela de e a icula delibe ações ela i as à o ganização das escolas, cu ículos e a o mação
dos p o esso es endo em con a as eais possibilidades que elas podem o e ece pa a que
se alcancem os obje i os do ensino. Pa a al, segundo Fe nández; He nández (2013), é
imp escindí el que a adminis ação escola u ilize um modelo de lide ança compa ilhada
(colabo a i a), capaz de con ibui pa a que haja boas p á icas educa i as nas escolas,
pois omen a a implicação, colabo ação e pa icipação democ á ica na manei a de a ua .
Assim, somos apologis as de que a qualidade de ensino, à semelhança de Mul o d
(2006), depende ambém da lide ança e esponsabilização que os docen es u ilizam no
con ex o de abalho. Daí a necessidade de se comp eende o abalho ealizado pelos
líde es nas escolas secundá ias, a im de seleciona e de ado a , en e os á ios ipos de
lide ança, aquele que melho con ibui pa a uma educação in eg ado a.
Pa a Rica do (2012), a adminis ação escola busca ga an i que as suas o mas de
comp eende a ins i uição e os seus obje i os p e aleçam sob e as dos demais sujei os
pa icipan es no p ocesso educa i o e le e-os a agi em de aco do com os p opósi os
9Educ. Pesqui., São Paulo, . 45, e191996, 2019.
Fo mação e p á ica educa i a de p o esso es secunda is as de Lubango, em Angola
p econizados pela di eção escola . Segundo Fe nández; Rod íguez; Fe nández (2016), a
compe ência docen e é o conjun o in eg ado de ca ac e ís icas pessoais, conhecimen os,
habilidades e a i udes que são necessá ias pa a uma a uação e icaz no p ocesso de
ensino-ap endizagem em di e sos con ex os. Ac edi amos que pa a cump i com esse
in en o, há a necessidade de a adminis ação escola a alia as compe ências dos
docen es pa a encon a a gumen os que pe mi em emi i juízos de alo pe inen es
pa a elabo ação de desenhos cu icula es e sua aplicação na o mação inicial de u u os
docen es e a o mação pe manen e dos p o esso es já em desempenho da p o issão.
Em suma, a adminis ação escola ambém em a unção de con ola ou ge i a
ins i uição escola , pa a ga an i a de inição e o cump imen o dos ideais sob e os quais se
cons uiu o p ocesso de ges ão, que é um p ocesso de p ocu a, dispu a, conquis a e socialização
da supe isão desse con ole de decisão que cada escola segue du an e o seu uncionamen o.
Con ex o educa i o em Lubango
A cidade do Lubango em uma supe ície e i o ial de 3.140 quilôme os quad ados
e uma população es imada em 731.575 habi an es. Segundo os dados da di eção p o incial
da educação na p o íncia da Huíla, mencionados pelo po al angop, o ano le i o de
2016 con ou com 850 mil alunos ma iculados, nas 1.826 escolas exis en es, com 18.195
docen es, núme o ainda insu icien e pa a a ende a demanda de alunos e de escolas na
egião, daí exis i um dé ici que es á calculado na o dem de 3.094 docen es. O município
do Lubango em 199.514 alunos, dos quais 48.313 es ão ma iculados em 21 escolas do
ensino secundá io do p imei o ciclo, em um p ocesso assegu ado po 7.176 p o esso es
des acados nas comunas da A imba, Hoque, Huíla e Quilemba.
O abalho é ealizado em um ambien e di ícil, pois exis em p oblemas de saneamen o
nas escolas secundá ias, al a de água, ene gia, li os de ex os, al a de mais salas de aulas,
papel, giz, quad o pa a esc e e , en e ou os. Algumas di iculdades êm sido minimizadas
com o dinhei o esul an e do pagamen o imes al da copa icipação coe ci a exigida às
amílias ou enca egados dos alunos. Mui as dessas amílias, sem ecu sos inancei os,
es ão descon en es desse sis ema de copa icipação, po que al inicia i a é local e não
esul ou de uma o ien ação do minis é io da educação.
Resul ados e discussão
Exp essamos, de manei a na a i a, os esul ados do en oque quali a i o, sis ema izados
em di e sas ca ego ias, com desc ições dos assun os mais signi ica i os, que ap esen amos
nas seguin es ca ego ias:
Mé odos de ensino
É uma ca ego ia que isou a iden i ica os mé odos de ensino mais p edominan es
du an e as aulas. Assim, oi e iden e que os p o esso es das escolas secundá ias con inuam
a u iliza o mé odo exposi i o e o modelo ansmissi o, jus i icando-se nesses e mos:
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são c uciais pa a o sucesso das a i idades escola es, po isso, de em unciona em equipe,
po que con ibuem pa a o ien ação e melho ia dos abalhos que os p o esso es ealizam
an es, du an e e depois das aulas.
Os esponsá eis das escolas p ecisam de o mação pa a deixa em de se au o i á ios
e a ua em como ges o es democ á icos e colabo a i os ace aos desa ios das escolas. Daí
a necessidade da con inuação de eajus es das polí icas educa i as pa a ga an i a boa
sus en abilidade da p á ica educa i a dos p o esso es, alo izando a o mação ino ado a,
aumen a a ci a do o çamen o pa a o se o da educação, de o ma a aze in es imen os
nas in aes u u as escola es. Po an o, é essencial que se implemen em as a aliações
ex e na e in e na das escolas, pa a en ende -se o seu es ado eal e ajuda na elabo ação
ou a ualização da polí ica educa i a, de manei a a busca mudanças pa a a melho ia da
qualidade de ensino e sua in luência na ida dos cidadãos da sociedade angolana.
Em suma, não se a a de uma in es igação absolu a e com esul ados gene alizados,
de ido à me odologia e amos a selecionada. Po isso, as pesquisas u u as são necessá ias
no âmbi o educacional. É p eciso incen i a a p odução de conhecimen o no con ex o
angolano, pa a comp eende e melho a o sis ema de educação, ges ão, o mação e a
p á ica educa i a dos p o esso es, em unção dos desa ios a uais do mundo globalizan e e
busca con inuamen e o in e câmbio in e nacional.
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Recebido em: 22.02.2018
Re isado em: 24.04.2018
Ap o ado em: 13.06.2018
Manuel Calu i Nicolau é dou o ando no P og ama de Pós-G aduação em Educação da
Uni e sidade de Se ilha, pesquisado da linha de in es igação de agen es e p ocessos de
o ien ação, o mação e desen ol imen o p o issional.
José González-Mon eagudo é in es igado de pe il in e nacional e em pa icipado em p oje os
in e nacionais em uni e sidades de Eu opa e Amé ica. Á eas de in e esse: eo ias educa i as,
me odologias biog á icas, mig ações e di e sidade cul u al.