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Sección Selec a
Palo Mon e, um i o Congo em Cuba.
Palo Mon e, a Congo i ual in Cuba.
Resumo:Jun a am-se em Cuba a pa i do século XVI a icanos p o enien es de oda
a cos a ociden al a icana pe encen es a mui os g upos é nicos. Es es em con ac o
com as cul u as em p esença (au óc one, espanhola, po uguesa, a icanas)
desen ol e am di e sos sis emas de c ença, i uais e p á icas mágico- eligiosas.
No Século XIX o dia de Reis cons uía o momen o mais al o da a i mação da
cul u a a icana em Cuba. Es as mani es ações e am acompanhadas da co oação
de eis e ainhas Congo, igu as p incipais da es a e da ida social a icana.
Abs ac :
A icans coming om all Wes A ica coas s om a la ge a ie y o e hnic
g oups ga he ed in Cuba since XVI h cen u y. These, in con ac wi h o he cul u es
(na i e, Spanish, Po uguese, A icans) de eloped some belie sys ems, i uals and
magical- eligious p ac ices. On XIX h cen u y he King’s day was he highes momen
o a i ma ion o A ican cul u e in Cuba. These expe iences we e accompanied o
king and queen’s c owning, p incipal igu es o A ican es i al and social li e.
A o-cuban magical- eligious sys ems / Cabildos / Ban u cul u e / Palo mon e
/ Clo hes (nganga ou nkisi).
Keywo ds:
Sis emas mágico- eligiosos a o-cubanos / Cabildos / Cul u a ban u / Palo
mon e / P endas (nganga ou nkisi).
Pala as-cha e:
José da Sil a Ribei o
(Uni e sidade Abe a de Po ugal)
1. In odução
2. T adição a icana em Cuba
3. Cabildos, a ese a da cul u a a icana em Cuba
4. Congo em Cuba
5. Conclusão
Suma io:
1. In oduc ion
2. A ican adi ion in Cuba
3. Cabildos, he ese a ion o A ican cul u e in Cuba
4. Congo in Cuba
5. Conclusion
Summa y:
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Palo Mon e, um i o Congo em Cuba
1. In odução.
O ensaio aqui ap esen ado esul a do abalho de campo ealizado em
Ha ana no início do ano de 2006, in eg ado num p ojec o mais ala gado de
es udo de i uais da cul u a ban u na Amé ica La ina. O início da pesquisa
e e o igem no B asil com a abo dagem da co oação de eis e ainhas
Congo. Po ém dep essa nos demos con a que es es i uais se es ende am
pela Península Ibé ica, po quase oda a Amé ica La ina ha endo ambém
nos Es ados Unidos algumas mani es ações que localmen e e, ao longo do
empo, se ão ans o mando e adqui indo con ínuas econ igu ações. Associa-
se pois ao olha ou pon o de is a an opológico a pe spec i a his ó ica e o
consequen e abo dagem in e disciplina e policên ica, cons uída a pa i de
uma mul iplicidade de luga es e si uações. Es a é a p imei a abo dagem do
ema que o empo ainda não deixou desen ol e e ap o unda . Achamos po ém
que a de e íamos ap esen a po duas azões. A p imei a pelo in e esse que a
emá ica em na nossa época eme endo pa a ou as o mas de globalização
da cul u a ei a não a pa i dos p ocessos sociais e cul u ais dominan es
mas a pa i das ma gens, da população esc a a ans e ida pa a a Eu opa
e pa a as Amé icas. A segunda po que se a a de um p ojec o abe o à
pa icipação de ou os in es igado es que p e endam desen ol e aspec os
especí icos da emá ica p opos a. Le amos pois es a emá ica pa a alguns
cong essos e seminá ios in e nacionais e desen ol emos a sua ap esen ação
pública num hipe media1 desen ol ido conjun amen e pelo Cen o de Es udos
das Mig ações e das Relações In e cul u ais - Labo a ó io de An opologia
Visual da Uni e sidade Abe a de Po ugal e o Núcleo de Pesquisa em
Hipe media da Pon i ícia Uni e sidade de S. Paulo do B asil.
2. T adição a icana em Cuba.
1 O Hipe media Co oação de Reis Congo esul a da in es igação conjun a dos e e idos núcleos de
pesquisa ma e ializada em ês p ojec os – An opologia Visual e Hipe media, Co oação de Reis
Congo e (in e )cul u alidade A o-a lân ica.
Desde Fe nando O iz [1951] que se iden i icam em Cuba qua o sis emas
p incipais de c enças de subs a o a icano: San e ía, ou Reg a de Ocha; Reg a
A a á; Ñañiguismo ou abakuá (Sociedad Sec e a Abakuá); Reg a de Palo Mon e
ou Reg a Conga. O sis ema mais echado e egido po eg as mais ígidas é
o Ñañiguismo ou abakuá. A eg a A a á é mino i á ia e a menos es udada. A
San e ia ou Reg a de Ocha é o cul o mais popula e di undido al ez pelo seu
ca ác e es i o, suas ce imónias, seus O ixás. Exis em po ém mui o ou os cul os
mino i á ios ou menos es udados, en e es es o espi i ismo (espi i ual) que se
in e elaciona quase odos os sis emas o mando sis emas c uzados. A Reg a de
Palo Mon e ou Reg a Conga é um cul o in e io izado, menos es i o, i ado pa a
a esolução de p oblemas amilia es ou sociais e de ma iz cul u al ban u, que,
50
Sección Selec a
como o p óp io nome indica eme e pa a o eino do Congo e pa a uma população
esc a a que e á sido c is ianizada an es da deslocação2.
Meio século mais a de das cons a ações de Fe nando O iz o médico
Albe o Cu ié (2004) diz ainda exis i em em Cuba qua o sis emas mágico-
eligiosos - Reg a de Ocha ou San e ía, Reg a Conga ou Palo Mon e, o
Espi i ismo de Co dón, o Vodú na sua a ian e cubana, e alguns subsis emas
de i ados des es. Cada um des es sis emas em cosmogonias e p á icas i uais
especí icas que lhe con e em uma ce a au onomia. No en an o a sua génese
e desen ol imen o em Cuba esul a da mis u a de esc a os de di e en es
p o eniências, e nias egiões e eligiões de o igem conduzi am a um p ocesso
de mes içagem cul u al e dos sis emas mágico- eligiosos. En e es es há alguns
aços comuns que pode ão denomina -se sinc é icos. O Vodú oi in oduzido
em Cuba po imig an es hai ianos adqui indo aí ca ac e ís icas p óp ias. O
Espi i ismo de Co dón em uma o igem mais ecen e. Su ge du an e a gue a da
independência e é conside ado po alguns in es igado es como genuinamen e
(ou o igina iamen e) cubano po que su gido nos momen os de c is alização ou
o mação da nacionalidade. Con ibuí am pa a seu apa ecimen o, segundo
Joel James (1989), a si uação social o iginada pela gue a en e 1868 e
1898 em que os “homens de Mambí”, “Mambís” o “Mambíses”(duas ezes
homem), opas mambisas (gue as mambissas a adas du an e 30m anos
pela independência) e as populações insu eccionadas e am massac adas
pelas opas espanholas. Es es massac es ge a am um es ado de pânico e
de his e ia colec i a das populações que se i a am pa a a celeb ação do
co dón, no qual os b ancos e os neg os se da am as mãos, guiados pelos
an igos esc a os congos, pa a e oca os espí i os, sabe po eles a so e
dos amilia es em comba e e conhece o u u o deles mesmos. Os esc a os
congos inham po cos ume in oca o ecém- alecido de manei a colec i a,
como pa e dos i os une á ios, a an ipa ia dos colonos b ancos com o cle o
espanhol, o na a-os pa icipan es nas p á icas sinc é icas e alheados dos
emplos ca ólicos. As Reg as Conga (Palo Mon e) e Ocha (San e ía) pa ecem
e -se es u u ado desde o início da esc a a u a em Cuba.
Como ou as eligiões a o-ame icanas os sis ema de c enças a o-cubanas
esul am de mescla de qua o elemen os: as eligiões a icanas azidas pelos
esc a os (pa a os Yo uba da ac ual Nigé ia, os Ewe dos ac uais Benin e Togo,
pa a os Ban u, os ac uais Republica popula do Congo, Congo, Angola e,
embo a em meno escala, Moçambique); o ca olicismo azido pelos espanhóis
e po ugueses; o espi i ismo c iado po Allan Ka dec em meados do século
XIX e apidamen e in oduzido na Amé ica, e as c enças dos indígenas índios
ame icanos. A di e en e combinação des es qua o elemen os, o p edomínio de
um deles sob e os ou os de ido a pa icula idades his ó icas e sociais de cada
país deu o igem a uma g ande di e sidade de a ian es egionais: o udú no
Hai í; o shango em T inidad e G anada; o candomblé de Bahía, o ambo de
2 C is ianizados no eino do Congo con e ido aos c is ianismo após o con ac o com os po ugueses.
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3. Cabildos, a ese a da cul u a a icana em Cuba.
Fes a de Reis em Ha ana
Os cabildos, conside ados
como o ese a ó io ( ese a)
cul u a a icana em Cuba,
e am associações o madas
po esc a os de uma mesma
nação ou o igem e di igidos
po um ei (capa az ou
capi ão) que dispunha de
conside á el pode den o dos
limi es de acção consen ida
pelos b ancos. Du an e o ano
o ei gua da a e ge ia os
undos da sociedade, ecolhia
minas de Ma anhão, o xangô de Reci e, o ca imbau o ca imbó da Amazónia,
o ba uque de Po o Aleg e a umbanda que, nascida no Río de Janei o, se
espalhou po odo o B asil; a san e ía, o palo mon e (Cuba).
Fo am os cul os de san e ia e palo mon e que obse amos nas uas de
Ha ana a Velha. P imei o pelas sono idades que ansbo da am dos exíguos
espaços domés icos pa a as uas onde epousa am ca os an igos à espe a
de mais uma engenhosa epa ação pa a oma no o olgo ao se iço
dos u is as. Depois, a a és das po as en eabe as que pe mi iam aos
anseun es um diminu o olha sob e as ce imónias e mais a de nas con e sas
com pa icipan es no Seminá io In e nacional Ri o Y Rep esen ación (2006).
As con e sas com in o man es, p a ican es da San e ía no bai o chinês em
Ha ana ap esen ou-se semeada de iscos e pouco p o ei osa. Não e a po ém
a San e ía o nosso objec o de es udo. P ocu á amos em Cuba as in luências
Congo no sis ema de c enças a o-cubano. Es a ma e ializa a-se na Reg a
Palo Mon e ou Reg a Conga. Foi des e sis ema de c enças que izemos os
p imei os egis o de imagem e é pa i dele que p e endemos desen ol e a
p esen e in es igação. Pa a isso i emos de ealiza uma p imei a abo dagem
de enquad amen o his ó ico guiadas pelos es udos de Fe nando O iz e pelas
con e sas com José F o ún do Museu Nacional da Musica.
Palo Mon e, um i o Congo em Cuba
dádi as e impunha mul as aos sócios. O ei inha ambém a unção de sace do e
dos cul os locais de o igem a icana. A ainha ocupa a o ca go imedia o. Ha ia
ambém ou os ca gos de ca ác e ce imonial bem de inidos, um dos quais
o abande ado enca egue da bandei a do cabildo. No dia de eis, es as
p incipal dos cabildos, “el ey congo es ía casaca y pan alones, somb e o
de dos pun as, bas ón bo lado, e c. Todos esos a ibu os de o igen eu opeo
y, además, un man o eal y un ce o, e an p opios del ey congo a icano,
ecibidos en obsequio del ey de Po ugal, en 1888. Desde los- iempos de la
colonización a icana los eyes congos gus aban de es i la indumen a ia de
los g andes magna es blancos, como signo de su pode ío: co onas, somb e os
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Sección Selec a
3 A impo ância do dia de Reis no B asil e no U uguai e A gen ina oi semelhan e à cubana. As
Lhamadas no U uguai cons i uem ainda a es a neg a mais impo an e em que se ocam os ambo es
de candombe.
mili a es y ma inos, y has a de copa (!), uni o mes de odas clases, escope as,
sables, pa aguas, e cé e a” (O iz, 1921:3). O ei inha a es ima e o espei o
dos seus súbdi os e ínculos com os b ancos (senho es) e jun o das au o idades
coloniais e a c edi ado como embaizado da espec i a nação a icana. A sua
eleição e a ealizada no dia de Reis, após longa igília e cons i uía um ac o
social ele an e. Sua mo e e a um acon ecimen o social impo an e seguida
de um en e o solene. Alguns des es eis e ainhas e am sepul ados em luga es
dis in os dos cemi é ios da cidade, p i ilégio apenas ese ados aos b ancos. O
nosso in e locu o José Fo ún, di ec o do Museu da Música de Ha ana, e e e um
documen o de 1608 em Ma ga i a Angola, ainha de um cabildo, al ez li e e
do ado de pode económico, a quem lhe pe mi iam esse p i ilégio. Os associados
des e cabildo p o a elmen e e am homens li es ou e iam comp ado sua
libe dade e de alguns ou os esc a os de sua e nia ou nação.
A é à abolição da esc a a u a (1880) o dia de Reis3, 6 de Janei o, os
neg os esc a os e li es celeb a am sua es a, conside ado Ca na al dos
neg os pois “blancos y neg os, como odos los pueblos, ienen su ca na al,
esa ies a uidosa y o giás ica que se man iene i memen e a aigada en las
conciencias popula es, como esis en la acción dei iempo los ancios i ualismos
eligiosos. Y p ecisamen e el ca na al es ambién una supe i encia de
p o undo signi icado eligioso” (O iz, 1921:54).
Segundo José Fo ún oi g aças aos cabildos que se sal a am os
an eceden es a icanos em Cuba. Os cabildos o am c iados com base nas
co adías espanholas (e po uguesas) (con a ias, g émios ou a e nidades)
p imei amen e o ganizadas em Se ilha, po ol a do século XIV. Es as
co adías e am colocadas sob a p o eção de um san o ca ólico e suas
euniões inham luga na capela do san o. Há ambém a e e encia des as
con adías ao cul o de Nossa Senho a do Rosá io (não explo a emos aqui
es a e e ência po eme e-nos pa a a complexa ede de i mandades do
osá io que a pa i do século XII se es endem po oda a Eu opa e mais
a de po Á ica, B asil e ou os países da Amé ica La ina).
O iz in o ma que esses g émios ou a e nidades o am o ganizados
du an e o einado de Al onso el Sabio, quem, após a c iação do código
legal espanhol conhecido po Las Sie e Pa idas, desejou “pô o dem nas
ques ões eclesiás icas e ci is”. Isido o Mo eno, um his o iado espanhol que
ez uma imp essionan e in es igação das co adías a icanas na Espanha,
ci a que O iz de Zúñiga esc e eu em 1474, que os esc a os a icanos em
Se ilha e am a ados bondosamen e e lhes e a pe mi ido “ euni -se pa a
suas danças e celeb ações nos e iados, de manei a que depois cump i iam
p aze osamen e seu abalho e se iam mais ole an es com seu ca i ei o”.
Mo eno conco da com O iz ao iden i ica os cabildos a o-cubanos como
con inuado es das con adías (con a ias) a icanas em Espanha. Howa d
ambém apon a pa a a exis ência de ins i uições compa á eis em Á ica. O
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mesmo acon ece em Po ugal e no B asil. Aqui e am as I mandades de Nossa
Senha do Rosá io dos Homens Neg os que ga an iam a con inuidade dos
cul os sinc é icos de o igem a icana e eu opeia. ( e Fo um)
Inês Ma ia u conside a que uma das mais comple as mani es ações ea ais
da e a colonial e a a es a a ocubana de Reis em que os p o agonis as e am os
esc a os. Es e g ande hapenning inha um ca ác e público de g ande ele ância
de a i mação da a icanidade e i ualidade ( i ual de in e são – esc a os que
se o nam eis, de passagem). Fe nando O iz em Los bailes y o ea o de
los neg os en el Folklo e de Cuba abo da a essa ea ialidade in ínseca aos
sis emas mágico eligiosos cubanos e às es as popula es (sob e udo o i o ñáñigos
ou abakuá del sac i ício, “ al ez o mais compexo e ea al” minuciosamen e
desc i o, Í ime dos abakuá, Egun ou egungun dos lucumis e Mojiganga dos
congos). Ma ia u ai mais além nes a elação en e a cul u a a icana de
adição o al e a d ama u gia cubana “las uen es o ales son las p incipales
que han nu ido la d ama u gia su gida de las adiciones de o igem a icano”
(Ma ia u, 2005:6). Não oi po ém apenas a o alidade (imagem sono a) da
cul u a a icana que in luenciou o ea o cubano mas a p óp ia pe o mance
i ual. Com e ei o em Réquiem po Ya ini de Ca los Felipe e Ma ia An ónia de
Eugénio He nádez Espinosa (um dos d ama u gos cubanos i os) es á p esen e
a concepção mágico a ocubana, seus o áculos, sace do es e concepção
d amá ica. Também o encenado Má io Mo ales e omou a eg a de Palo Mon e
nas suas encenações ea ais. O ea o cubano ac ual cons i uiu um p ocesso
de pe sis ência da cul u a a icana em Cuba. Ha ia nes a ansposição das
mani es ações de cul o a o-cubanas pa a o ea o a pe sis ência da exp essão
co po al como ecnologia de memó ia.
No abalho de campo ealizado em Fe e ei o de 2006 simul aneamen e
em a elie s de ep esen ação ea al (Má io Mo ales), de design de ea o e
na ep esen ação de Réquiem po Ya ini, no isionamen o de Ma ia An ónia
e na pa icipação em i uais de o igem ban u Palo Mon e e i icamos uma
con inuidade mágico eligioso semp e p esen e como que con inuando a
memó ia inco po ada das mani es ações ances ais. O ea o econ ex uliza-
as e econ igu a-as mas man ém-se sua dimensão mís ica, di íamos quase
eligiosa. Tal ez po isso as másca as sag adas “diabli os” não enham
en ado nos ea os e caba és de Cuba, diz Fe nando O iz em 1951 não
po al a de espec acula idade “sino po que aún deseñam since amen e sus
unciones en la ida eligiosa popula e inspi a emo el usa las p o anamen e
ue a de los i os” se ia p ossegue O iz “como si an e los u is as que
en in ie no ienen a Cuba les salie a un diabli o o un Cahgó mon ão a
baila le pi ue as g o escas, po unas moedas. Tamaña p o anación no se
da en Cuba” (O iz:1951: 340-341).
Ac edi a-se que da he ança a icana, e ocada e cons an emen e
elabo ada (adap ada a no as si uações e con ex os) que mui o se pe deu
de ido á iolência do á ico (jo ens, condições da iagem – ce ca de 1/5 dos
esc a os mo iam na i agem, adap ação às no as si uações), às pe seguições
Palo Mon e, um i o Congo em Cuba
54
Sección Selec a
a que es e e subme ida du an e mui as décadas - (o medo) di iculdade de
ansmissão en e ge ações (os esc a os ans e idos e am e idos de Á ica
ainda jo ens), igno ância e egoísmo dos líde es que mo e am sem ans e i
aos discípulos mui os dos seus sabe es. Também a olclo ização con ibuiu
pa a a pe da de sen ido e do simbólico da cul u a a icana.
4. O Congo em cuba.
Ve i icamos que a exube an e es a de Reis deixou de se aze . Que os ambo es
p oibidos du an e mui o empo, apa ecem ago a nas pa edes das ob as de econs ução
da cidade de Ha ana. Foi o que ambém que acon eceu com a “nação Congo”, a que
p es amos mais a enção nes a p imei a abo dagem. Os ban u (bakongo) cons i uíam a
e nia dominan e do con ingen e de esc a os que chega am a Cuba. Os esc a os bakongo,
pe an e a dominação polí ica e económica dos espanhóis, dissimula am suas c enças
o nando sec e as suas p á icas ocalizando-as na esolução de p oblemas indi iduais
em elação á doença, aos p oblemas conjugais e amilia es, a pob eza e p ocessos
judiciá ios man êm no en an o a coe ção espanhola e a in luência e a hib idação
Congo, yo uba e ca ólico. A eligião bakongo “man êm e conse a a lemb ança das
suas o igens Congo nos can os e as o ações, mas ambém em documen os esc i os
que ci culam na comunidade dos pale os. O ações, can os, ecei as i uais que azem
e e ência ao Congo - o nado um e i ó io mí ico - são ansc i os lá. A maio ia des e
ma e ial é p oceden e da adição o al. No en an o, a e e ência à His ó ia do Congo
e de Angola deixa pensa que os pale os u ilizam on es his o iog á icas pa a eac i a
ou mesmo econs ui a memó ia colec i a” (Dian eill, 2002:78).
Foi no cen o de Ha ana a Velha e em Mi ama que oi possí el en a no
mundo des as p á icas mágico- eligiosas da eg a de palo mon e. Nes a eg a
as c enças undamen ais são nos mo os e na na u eza e as p á icas mágico-
eligiosas ealizam-se no in e io das casas em o no de um nkisi, ngnaga, aqui
denominado de p enda, um aso (casoela) de ba o ou e o ca egado com
di e sas subs âncias de o igem ege al, mine al, animal, ossos humanos, e as de
di e sas p o eniências 21 pedaços de madei a, paus (palos):
1. Vence Ba alla
2. Guyaba
3. Namo
4. Palo Hueso
5. Palo San o
6. Alb i o
7. Caimi o Mo ado
8. Guama
9. Ca é Cima ón
10. Guasima
11. Palo Caja
21 palos da p enda:
12. Maca a Bomba
13. Ba aco
14. Caimoni
15. Campeche
16. Piñón
17. Pomo
18. Penda
19. Almi a
20. Gua amo
21. Gicaco
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P enda sa abanda
A eg a conga (palo mon e) é mono eís a.
A en idade di ina sup ema é Inzambi. O
cul o baseia-se na c iação, po pa e do
p a ican e (pale o) de um cen o de o ça
excepcional (de ene gia) num chegado
nkishi, nganga, p enda o mada po
dis in os elemen os que adqui em sen ido
me a ó ico (alegó ico): ossos humanos
simbolicamen e seleccionados e mui os
elemen os na u ais que o mam o cen o
mágico e que e ia como im subme e os
enómenos na u ais à on ade do homem,
p o egê-lo de odos os seus inimigos e de
odo o géne o de pe igos, da -lhe pode
de p ejudica os que lhe são hos is. O Palo
em um sis ema adi inha ó io u ilizando-se
equen emen e como ei iça ia e magia
com ins malé icos. Tem ambém e apêu icos
homeopá icos baseados no ínculo com
a na u eza e com o conhecimen o da
lo es a e possi elmen e, em suas o igens, com o conhecimen o da
a macopeia na u al ( i o á macos) (mon e). Os mo os u iliza-se pa a
o o alecimen o do pode espi i ual e social da amília que possuem os
ngangas ou p endas. Há pois uma ap oximação pe manen e dos mo os,
ou de um mo o escolhido à o alidade li ú gica.
A p enda de e á se egada com equência com sangue de uma a e
(uma pomba, uma galo) e se -lhe-ão dadas o e endas e alimen os. Assim se
man e á o e, luga de concen ação dos pode es da na u eza capaz de,
a a és da acção da sace do isa (p a ican e) em anse, esol e os p oblemas
que dos c en es nes as p á icas: doenças, p oblemas conjugais e amilia es.
A p enda, ambém chamada sa abanda ou p enda c is ã. Es a exe ce a sua
acção bené ica sob e os consulen es (consul an es) - esolução de p oblemas.
Du an e o domínio espanhol e os p imei os anos da independência cubana
es e cul o (p á ica) e a p oibido. Uma das azões e ocadas e a a acusação
que lhes e a di igida de u iliza em sangue humano de c ianças sac i icadas
pa a alimen a as p endas. Nunca se con i mou es a acusação que é
pe emp o iamen e negada pelos seus p a ican es.
Os p ocessos de iniciação são complexos. Pode mos sin e izá-los em duas
ce imónias. A p imei a é conhecida com o nome de undamen o, o caminho
inicial que iden i ica o c en e como memb o do cul o e com os pode es sec e os
cen ados ( ayamien o) na p enda ou nganda. Diz-se que o neó i o de aia -se
(liga -se) no palo pa a melho a a saúde, pa a esol e o seus p oblemas ou
pa a pode gue ea . O pad inho pede ao neó i o pa a aze de e minados
“ing edien es” pa a “ca ega ” ou “subi ” a p enda pa a que seja possí el
Palo Mon e, um i o Congo em Cuba
56
Sección Selec a
o ayamien o (no malmen e um animal de 2 pa a e ou o de 4 pa as e
agua den e pa a p epa a a chamba – bebida i ual). Pode ha e na ce imónia
um adju an e ou ajudan e ( ako ula) que en a em in e acção e bal com o
pad inho e ha e oque de ambo e bailes. Es es po ém não são imp escindí el
e em Ha ana (c ioulos) a amen e exis em. O neó i o pode en ão se possuído
po uma en idade. Depois de e em o e ecido comida e bebida ao nganga ou
p enda pe gun a -lhe-á se es á acheche, “subida”, “ o e”. Se ecebe uma
espos a a i ma i a pode aia -se o iniciado, is o é, aze -se incisões com um
ins umen o co an e em ce as pa es dói co po (nyo a são as esca i icações)
que ealiza o nganga nos seus pacien e com in enção cu a i a ou mágico-
p o ec o a. A segunda pa e da iniciação chama-se “nasce em cima de nkisi”.
É a ce imónia de en ega do nganga. Supõe-se que o aiado (a ingido pelo
aio) ou iniciado enha passado po um p ocesso de ap endizagem do i ual
e dos p ocessos de adi inhação jun o do pad inho como ajudan e ako ula
(adjun o) ou como simples pale o. O iniciado, u u o ngangule o, de e escolhe
o ipo de p enda - c is ã ou judia, a en idade es á inculada (sa abanda,
ogun gue ei o), o mo o que se á conduzido à p enda.
Há pois uma di e sidade de p endas e en idades inculadas. As p endas são
denominadas: c is ã e judia. As en idades inculadas da p enda c is ã obse ada
e a sa abanda e da judia ogun gue ei o. Nela se cen am ene gias pode osas
capazes de desencadea as o ças do mal. O objec o i ual em que cen a a
o ça da na u eza na p enda judia é uma ped a que se c ê p o enien e de um
aio ou a ingida po um aio e ansmi e-se de pais a ilhos. Exis e ambém um
calde o com ês palos e uma a ma de ogo (pis ola).
Embo a haja na Reg a Palo Mon e e em odas as ou as p á icas mágico-
eligiosas uma eg a esc i a, hoje amplamen e di ulgada na In e ne , sob e udo
na comunidade cubana de Miami, es a con inua a e p á icas localizadas mui o
di e sas. As p á icas em que pa icipamos e o es emunho que encon amos no
abalho de campo e do qual izemos o documen o audio isual Congo em
Cuba, Reg a de Palo Mon e mos a -nos aspec os pa icula es e di e enciados
dos e e idos na li e a u a consul ada. Na p imei a pa e do documen o
audio isual ap esen a-se a acção i ual em o no p enda sa abanda e na
segunda pa e a p enda judia. Es a e mina com o anse da acção i ual.
O anse ou possessão espi i ual cons i ui uma o ma de mediação di ec a
com os an epassados – undamen o des e sis ema de c enças. O animismo, o
e ichismo e a magia são componen es secundá ios subo dinados ao cul o dos
an epassados, há ambém um o e con eúdo mágico do ei icei o. No i ual há
elemen os alheios à cul u a ban u e pe encen es a ou as c enças – c uci ixos,
elas, osá ios, água ben a, imagens de san os ou mesmo pól o a e a mas;
cul o dos san os e de i os judaico-c is ãos, saudações muçulmanas. Também
cabildos, casinos, sociedades e locais de cul o são alheios à cul u a ban u. A
junção das unções de cu a e ei iço num mesmo celeb an e ou a cen ação do
cul o no nganga são ambém conside ados alheios à cul u a ban u. A c ença de