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Ma ia de Deus Bei es Manso
A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
A COMPANHIA DE JESUS EM PORTUGAL. IDENTIDADE E
HISTORIOGRAFIA
THE SOCIETY OF JESUS IN PORTUGAL. IDENTITY AND HISTORIOGRAPHY
Ma ia de Deus Bei es Manso
CICP. Uni e sidade de É o a
1
O cid: 0000-0002-6851-6519
Resumo: A ação da Companhia de Jesus cons i ui um dos emas mais analisados, e um dos mais
con o e sos, da his ó ia da Ig eja. Pela complexidade que os á ios es udos le an am, e pa a se
ap eende a his ó ia, a dinâmica, e a iden idade, a his o iog a ia em de se con ex ualizada em e apas.
Nes e es udo, pa imos da his o iog a ia p oduzida ainda no decu so da undação da Companhia e
indo a é à sua sup essão, de endo-nos ainda pa icula men e no modo como a con empo aneidade (do
século XIX ao século XXI) obse ou a p imei a época (1540-1773), que no âmbi o de uma his ó ia
ac í ica que ideológica, na ada den o e o a da O dem. No que diz espei o a Po ugal con inen al,
p ocu a-se especialmen e egis a e p oblema iza di e sas conceções his o iog á icas que sob e a
Companhia de Jesus se o am e igindo.
Pala as-cha e: Companhia de Jesus - Po ugal - his o iog a ia.
Abs ac : The opic o he Socie y o Jesus and i s ole in socie y has been among he mos s udied
as well as one o he mos con o e sial in Chu ch his o y. Due o he complex na u e o his esea ch
and he ensuing con o e sies a ached o i , I belie e ha in o de o ully unde s and he his o y, he
dynamics, and he iden i ies associa ed wi h his opic, schola s should app oach Jesui his o iog aphy
in s ages. Hence, in his s udy I analyze Jesui his o iog aphy om he e y ounding o his eligious
o de down o i s supp ession. Addi ionally, I pay pa icula a en ion o how Mode n imes (19 h
and 20 h cen u ies) iewed he i s wo hund ed yea s o Jesui p esence in he wo ld (1540-1773),
whe e he emphasis was on i s his o ical and ideological impac on socie y, wi hin as well as ou side
he Socie y o Jesus. As o Con inen al Po ugal, I will analyze and discuss di e en
his o iog aphical app oaches o he ole ha he Socie y o Jesus played in his a ea and he eac ions
o i s p esence.
Keywo ds: His o iog aphy - Jesui s – Po ugal
Fecha de Recepción: 14/1/2020
Fecha de Acep ación: 17/3/2020
1
This s udy was conduc ed a he Resea ch Cen e in Poli ical Science (UIDB/CPO/0758/2020), Uni e si y o
Minho/Uni e si y o É o a, and was suppo ed by he Po uguese Founda ion o Science and Technology
(FCT) and he Po uguese Minis y o Educa ion and Science h ough na ional unds. A igo ambém p oduzido
no âmbi o do P oje o Temá ico Pensando Goa (p oc. 2014/15657-8)
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
P eâmbulo
D. João III (1521-57) oi o p imei o mona ca eu opeu a apad inha e a acolhe
o malmen e o p oje o jesui a.
2
O sobe ano inha conhecimen o, po ca a de Diogo de
Gou eia, o Velho (c. 1471-1557), dou o em eologia pela Uni e sidade de Pa is, an i-
e asmis a e ei o do Colégio de San a Bá ba a, em Pa is, onde se ha iam o mado os
p imei os jesuí as, de que um dos desígnios da ecém-c iada o dem eligiosa e a o da
con e são dos in iéis. Dep essa a ou o mona ca de en ia uma embaixada a Roma com o
obje i o de os aze chega ao Reino. No seguimen o do pedido, o am des acados os pad es
Simão Rod igues de Aze edo (1510-79) e Nicolau Bobadilha (1511-90). Po ém, o
alecimen o des e úl imo de e minou que, em seu luga , osse colocado F ancisco Xa ie
(1506-52), o qual em 1541 segue pa a o O ien e e cujo nome ma ca á as missões o ien ais e
a á eme gi um no o pa adigma ca equé ico ao ab i um ciclo e angelizan e.
3
A p ospe idade da Companhia de Jesus em Po ugal oi ápida e ixou-se
undamen almen e em zonas u banas. Ao longo de 215 anos, cons uí am-se 30 colégios (no
Con inen e, edi ica am-se 26 colégios, seminá ios e a Uni e sidade de É o a).
4
No p imei o
momen o imedia o à sua chegada, impo a a à Co oa po uguesa eno a e aumen a o
núme o de c is ãos no O ien e, onde se cen a am os in e esses come ciais. No en an o, a
p eocupação com o a anço do P o es an ismo e a exis ência de c is ãos-no os na sociedade
po uguesa inquie a a simila men e as au o idades égias. Des a o ma, ha ia necessidade de
a a o P o es an ismo e desob iga o i o omano de adições judaicas e c enças an igas
en aizadas na sociedade. Os Jesuí as mos a am se a única O dem capaz de aze en e ao
a anço do P o es an ismo e coloca em p á ica o p oje o impe ial de D. João III. A O dem
o nou-se num pila undamen al da es u u a sociocul u al que ca ac e izou Po ugal
Mode no que só i ia a se pos a abe amen e em causa no einado de D. José I (1714-1777),
de e minando a sua expulsão do e i ó io con inen al e dos domínios ul ama inos em 1759,
e a o al sup essão em 1773, pelo b e e pon i ício Dominus ac Redemp o , de Clemen e XIV.
2
Sob e D. João III, c . Ana Isabel Buesco, D. João III. Lisboa: Cí culo de Lei o es, 2005.
3
F ancisco Xa ie inaugu ou as missões na Ásia, chegou a Goa em 1542; ou os missioná ios se segui am po
ou as egiões da Ásia, do B asil e de Á ica.
4
An ónio Lopes, “A Educação em Po ugal de D. João III à Expulsão dos Jesuí as em 1759”, Lusi ania Sac a,
2ª sé ie, nº 5 (Lisboa, 1993), pp. 27-28.
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F u o de um p oje o que se o nou global, an o geog á ico como ao ní el
sociocul u al, a ação jesuí ica egis a a egula men e as a i idades que desen ol ia,
p omo endo dessa o ma a esc i a de uma his ó ia apologé ica. Independen emen e da sua
na u eza lauda i a, a documen ação legada é essencial pa a a ap eensão do passado da O dem
e da Idade Mode na po uguesa, globalmen e eu opeia. Po ém, a isão ac í ica oi igualmen e
acompanhada po um discu so an i-jesuí a, pa icula men e em meados do século XVIII.
Resul ado das ideias libe ais e pos e io men e epublicanas, o seu discu so, cen ado no
desmesu ado pode e ambição inda da he ança pombalina, sob essaiu no amen e no século
XIX. Na p imei a me ade do século XX, apa ecem publicações pe iódicas que se dedicam à
expansão po uguesa, des acando a e angelização e o início da globalização mode na, como
O Bole im da Sociedade de Geog a ia de Lisboa e os Anais do Clube Mili a Na al, e is as
iniciadas no século XIX, O Mundo Po uguês: Re is a de cul u a e p opaganda a e e
li e a u a coloniais (1934-1947), Re is a da Escola Supe io Colonial (1948-1954), bem
como, em 1955, a e is a Es udos Ul ama inos: Re is a do Ins i u o Supe io de Es udos
Ul ama inos, da qual An ónio da Sil a Rego (1905-86), pad e não jesuí a, oi um dos
esponsá eis. Sob o signo des a di e iz su giu a edição de documen os ligados às missões
inacianas no Pad oado po uguês. O que aqui impo a salien a não é o núme o de
publicações, mas a acessibilidade à in o mação documen al pa a his o iado es e
in es igado es, onde a Companhia su ge como igu a cen al esponsá el po um p ocesso
“ci ilizado ”, a con e são do “ou o”. A Documen ação pa a a his ó ia das missões do
Pad oado Po uguês, po exemplo, insc e e-se numa lógica de a i mação das o igens e do
exe cício de uma ins i uição enquan o exp essão da ocação eligiosa da colonização
po uguesa e é uma en a i a de con es a odos os que e u am o alo /a g andeza das missões
ca ólicas po uguesas. Es as edições cons i uíam uma espécie de “ es au ação” da O dem,
es abelecendo a ligação do empo p esen e com o passado de pe seguição, is o é, uma
ecupe ação da memó ia do pasado.
5
5
An ónio da Sil a Rego publicou “Documen ação pa a a his ó ia das missões do Pad oado Po uguês no
O ien e: Índia” a pa i de 1947 e An ónio B ásio o ganizou a Monumen a Missiona ia A icana: Á ica
Ociden al a pa i de 1952. A es es dois in es igado es jun ou-se um g upo de jesuí as, como Se a im Lei e,
Joseph Wicki, Geo g Schu hamme ou John Co eia-A onso que publica am cen enas de documen os. Da pa e
inaciana, salien em-se ambém os abalhos de ca iz mais c onológico e apologé ico, cen ados na e angelização
da o dem, como é o caso de F ancisco Rod igues, A His ó ia da Companhia de Jesus na Assis ência de Po ugal.
4 omos, 7 ols., Po o: Apos olado da Imp ensa, 1931-1950.
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
A pa i dos inais do século XX, p osseguindo a é à a ualidade, poucos campos
his o iog á icos passa am em Po ugal po an as mudanças pa adigmá icas como a his ó ia
da Ig eja, no que se e e e, em pa icula , à Companhia de Jesus, nomeadamen e no ocan e
às missões in e nas (den o do e i ó io con inen al) e ul ama inas — alguns dos emas
abo dados cen a am-se no “âmbi o mo al”, como a ques ão da esc a a u a, limi ada a é
meados do século XX ao “âmbi o” do pensamen o eológico e ju ídico dos séculos XVI e
XVII pela econs ução dos esc i os eo-ju ídicos. O in e câmbio académico, a ealização de
a i idades cien í icas, assim como o c escimen o de cu sos de mes ado e dou o amen o
o am, e con inuam a se , um mo o pa a a consolidação de uma no a his ó ia da Ig eja.
Embo a se p oduzissem ob as de ca iz ac í ico, a endência his o iog á ica cen a a-se na
comp eensão dos con ex os his ó icos em que as missões se desen ol e am, a im de
comp eende as es a égias que a O dem desen ol eu den o e o a de Po ugal.
Po an o, com o obje i o de se aba ca um olha his o iog á ico sob e a Companhia
de Jesus, desde o nascimen o a é à sup essão, impo a baliza o su gimen o das his ó ias sob e
a O dem, que assen es no discu so apologé ico, que numa isão an i-jesuí ica, e pe cebe
como do século XIX ao século XXI, a O dem em sido es udada em elação ao que oi a sua
p imei a exis ência em Po ugal (1540-1763).
O egis o jesuí ico: a eme gência de uma his o iog a ia missioná ia
A o ma como a Companhia de Jesus se es u u ou aduziu-se na p odução copiosa
de documen ação. Desde os p imei os empos que os inacianos i e am o cuidado de egis a
e p ese a a memó ia das suas ações e das suas ins i uições.
6
Juan Al onso de Polanco (1527-
76) sec e á io de Inácio de Loyola
7
e seu adjun o na edação das Cons i uições da
Companhia, é ido po alguns es udiosos como o c iado de uma esc i a sob e a his ó ia da
6
Mui as des as on es encon am-se dis ibuídas po di e sos a qui os e biblio ecas em Po ugal e no
es angei o. En e as de maio des aque e i am-se a Academia das Ciências de Lisboa (Sé ie Azul e Sé ie
Ve melha); os A qui os Nacionais/To e do Tombo; a Biblio eca Nacional de Po ugal/Secção de Rese ados;
Biblio eca da Ajuda; a Biblio eca Pública e A qui o Dis i al de É o a e o A qui o Romano da Companhia de
Jesus — A.R.S.I. — (aonde os documen os se encon am o ganizados segundo um c i é io e i o ial de
localização de assis ências, p o íncias e missões. Pa a Po ugal e Assis en ia Lusi aniae e Fondo Gesui ico).
7
Joanne Alphono Polanco de, Vi a Igna ii Loiolae e e um Socie a is Jesu his o ia. T. I.Ma i i, nº 8, . 1,
Monumen a His o ica Socie a is Iesu, (Roma, 1894).
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
Companhia assen e num olha c onológico, memo ialis a, ligado à edi icação e consolidação
da i ude.
8
T a a a-se de uma esc i a inse ida na longa adição dos clássicos, de uma
his ó ia magis a, da a s his ó ica e da e udição dos Monumen a. Tan o Polanco como ou os
bióg a os de Inácio de Loyola documen a am po meno izadamen e a ida do undado , a
c iação e a expansão da Companhia, anspondo o limi e do que se pode denomina po uma
memó ia pessoal, ín ima e p i ada, pa a se ans o ma numa memó ia cole i a, social e
uni e sal.
9
No que conce ne a Po ugal, oi com o obje i o de p ese a a memó ia,
cla amen e num es ilo hagiog á ico, apologé ico, p opagandís ico e memo ialis a, que o
Ge al da Companhia de Jesus, em 1573, pediu ao P o incial Jo ge Se ão que esc e esse a
his ó ia de cada uma das casas sob sua ju isdição. Assim nasciam as His ó ias Domus,
conse adas no A chi um Romanum Socie a is Iesu, Roma (ARSI). Em 1587, a cong egação
p o incial, eunida em Lisboa, o denou que um dos esc i o es de cada p o íncia se
enca egasse da a e a. Su giu, nesse caso, o que podemos designa po c onis as da
Companhia, isando-se cons ui uma memó ia enden e ao desen ol imen o de um
elemen o de iden idade da O dem que em elação a ou as o dens que em elação aos
dou inados.
10
O p imei o a assumi essa unção oi Ál a o Lobom que edigiu qua o omos
manusc i os sob e os p imei os dezasseis anos da Companhia. Faleceu em 1608. Ou os
de am con inuidade ao seu abalho: Je ónimo Ál a es, Manuel Escoba e An ónio Lei e.
Bal asa Teles oi o p imei o a publica uma ob a sob e os p imei os anos da Companhia de
Jesus em Po ugal.
11
No século XVIII, com os mesmos p opósi os, a O dem publicou mais
duas his ó ias sob e a ins alação em Po ugal e nos e i ó ios do pad oado po ugués.
12
8
Ma ín M. Mo ales, Pela Chinchilla (Coo ds.), Del A s His o ica a la Monumen a His o ica: La his o ia
es au ada. México: Uni e sidad Ibe oama icana, 2014, p.16.
9
Luiz Fe nando Medei os Rod igues, “A Biblio hèque de la Compagnie de Jésus” de Ca los Somme ogel e
a his o iog a ia da Companhia de Jesus”, XXVIII Simpósio Nacional de His ó ia, Flo ianópolis (2015).
Uni e sidade Fede al de San a Ca a ina.
h p://www.snh2015.anpuh.o g/ esou ces/anais/39/1434389436_ARQUIVO_LuizRod igues_Biblio hequeCia
SJ.pd , [Consul a 30 de dezemb o 2019].
10
Michael Pollak, “Memó ia e iden idade social”, Es udos His ó icos, ol. 5, nº 10 (Rio de Janei o, 1992), p.
204.
11
Bal aza Teles, S. J., Ch onica da Companhia de Jesus na P o íncia de Po ugal e do que ize am, nas
conquis as d`es e Reyno. 2 ols., Lisboa: Imp. Paulo C aesbeeck, 1645-1647- An ónio T iguei os, P e ácio ao
li o de Ma ia de Deus Bei es Manso, His ó ia da Companhia de Jesus em Po ugal. Lisboa: Pa si al, 2016, p.
13.
12
Pad e An ónio F anco, S. J., Imagem da Vi ude em o No iciado da Companhia de Jesus do Real Collegio
do Espí i o San o de É o a do Reyno de Po ugal. Lisboa: O icina Real Deslandesiana, 1714- Pad e An ónio
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
A ci culação de no ícias a a és de ca as, de ins uções e de odo o ipo de
apon amen os e e um papel undamen al na expansão da O dem e na coo denação das
missões espalhadas pela Eu opa e ul ama , p e is a nas Cons i uições inacianas.
13
As ca as,
an o as edi ican es como as in o ma i as, os se mões úneb es, os menológios, as c ónicas,
en e ou os egis os, o na am-se uma o ma de ano ação das a i idades desen ol idas e
o am igualmen e undamen ais na cons ução da memó ia da a uação dos jesui as.
14
T a a a-
se de uma ede de comunicação, uma ob igação p esc i a pelas Cons i uições, salien ando-se
pela sua quan idade, i mo egula e obse ância das missões.
15
A eiculação de ca as,
comple as ou apenas de exce os, esc i as a í ulo indi idual ou cole i amen e, o mou um
meio de in e câmbio de no ícias manusc i as comum en e os memb os da O dem. Pa a que
a ci culação osse egula , c ia am-se eg as, con oladas a pa i de Roma, pa a o en io de
no ícias, podendo se semanais, mensais ou anuais, dependendo da egião onde os jesuí as se
encon assem. De uma inicial ob igação quad imes al, le a de cua o meses, le a
cua omes e — exce o pa a os missioná ios que se encon a am nas Índias passou a se , a
pa i de 1568, anual. Es a co espondência, é uma na a i a edi ican e, usada como exemplo,
uncionou como uma ex ensão da missão e angélica dos Jesuí as, que depois de lida e
comen ada e a inco po ada nas unções pas o ais.
16
As missi as, pa a além de man e em o
F anco S. J., Synopsis Annalium Socie a is Jesu in Lusi ânia, ab anno 1540 usque ad annum 1725, S. L. Vei h
Joanne He dei os, 1726.
13
M. F ied ich, “Go e nmen and In o ma ion-Managemen in Ea ly Mode n Eu ope. The Case o he Socie y
o Jesus (1540-1773)”, Jou nal o Ea ly Mode n His o y, nº 12 (Bon on; F ank u , 2008), pp. 539-563.-
Fe nando Bouza, Co e manusc i o: una his o ia cul u al del Siglo de O o. Mad id: Ma cial Pon, 2001, p. 18.
Nes e abalho, Bouza esc e e sob e a impo ância do manusc i o na Idade Mode na, como meio de di ulgação
de in o mação. Pa a mais in o mação sob e “Los sec e á ios, modelos y p a icas epis ola es” c . Roge Cha ie ,
Lib os lec u as y lec o es en la Edad Mode na. Mad id: Aliança Edi o ial, 1993, p. 286.
14
Inácio de Loyola en e os anos de 1524 e 1556 e ia esc i o seis mil e oi ocen as e quinze ca as. E a uma
o ma de p opaga o E angelho, cons ui uma imagem da Companhia e ins ui an o os missioná ios como
ou os lei o es - San Inácio de Loyola, Ob as Comple as. T ansc ipción, in oducciones y no as Ignacio
Ipa agui e, BAC. Mad id: La Edi o ial Ca ólica, 1963, p. 649. Sob e as di e en es o mas de egis o consul a
Pe la Chichilla Pawling, Pie e An oine Fab e, No ma Du án Rod íguez A ana, Gene ie e Galán Tamés, a .al.,
Lexicón de o mas discu si as cul i adas po la Compañía de Jesús. Uni e sidad Ibe oame icana, 2018.
15
Paul Nelles, “Chancille ía en colegio: la p oducción y ci culación de papeles jesui as en el siglo XVI”,
Cuade nos de His o ia Mode na, 2014, Anejo XIII, p. 52.
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/286172505_Chancille ia_en_colegio_la_p oduccion_y_ci culacion_
de_papeles_jesui as_en_el_siglo_XVI , [Consul a: 20 dezemb o 2019] ISNN: 978-84-669-3493-0
16
C . Cuade nos de His o ia Mode na, 2014, Anejo XIII, p. 52.
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/286172505_Chancille ia_en_colegio_la_p oduccion_y_ci culacion_
de_papeles_jesui as_en_el_siglo_XVI , [Consul a: 20 dezemb o 2019] ISSN: 978-84-669-3493-0; I. - C . Inês
Župano , Dispu ed Mission: Jesui Expe imen s and B ahmanical Knowledge in Se en een h Cen u y India.
New Delhi: Ox o d Uni e si y P ess, 1999, p.103.- F. Palomo, “Co egi le as pa a uni espí i us. Los jesui as
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co po da Companhia in e ligado e in o mado, inham ambém um ca ác e p opagandís ico
des inado à di ulgação de no ícias e ao enal ecimen o da ob a missioná ia, ela ando com
ce o d ama ismo as di iculdades e o ma í io a que alguns dos missioná ios ha iam sido
sujei os (po exemplo, as g ande caminhadas que se aziam nas missões ou a dis ância de
uma de e minada missão a ou a).
17
Lemb e-se a mo e de Gonçalo Sil ei a, em 1562,
pe pe ada po muçulmanos na cos a o ien al a icana, onde a missão ganhou pa icula
con on o com o Islão, que po azões me can is, que de é.
18
E en uais no ícias menos
“edi ican es” como os negócios, as doenças ou a a aliação das ap idões e das mo i ações dos
eligiosos, de e iam se e e idas nas hijuelas — ca as de go e no in e no — ou ca as
anexas às p incipais, icando a sua lei u a es ingida aos esponsá eis da O dem.
19
Nos séculos XVI e XVII um ele ado conjun o de ca as ânuas oi publicado.
20
Rela a am con eúdos selecionados, na sua maio ia incadamen e apologé icos e o am
aduzidas e edi adas em di e sas cidades eu opeias.
21
T a a a-se de uma cul u a des inada a
y las ca as edi ican es en el Po ugal del siglo XVI ”, Cuade nos de His o ia Mode na. Anejos, nº IV (Lisboa,
2005), pp. 57-81.
17
Fe nando To es Londoño, “Esc e endo ca as. Jesuí as, esc i a e missão no século XVI”, Re is a B asilei a
de His ó ia, nº 22.43 (S. Paulo, 2002), pp. 11-32.
18
Joseph Wicki (ed.), Documen a Indica, 5, nº 79, Roma: Monumen a His o ica Socie a is Iesu, 1968, pp. 547-
548. C ., po exemplo: Ped o A boleda, sob e quem iz uma pequena biog a ia, incluída numa publicação sob e
o C is ianismo-Islamismo: “Ped o de A boleda”, Ch is ian-Muslim Rela ions. A Bibliog aphical His o y, ol.
7. Cen al and Eas e n Eu ope, Asia, A ica and Sou h Ame ica (1500-1600), Thomaz, Da id, and Cheswo h,
Hohn, eds., (Leinden/Bos on: BRILL, 2015), pp. 866-869.
19
San Inácio de Loyola, Ob as Comple as, op. ci ., pp. 649‑50.
20
Rela i amen e aos missioná ios que mais ma ca am a missão do B asil, com des aque pa a Manuel da
Nób ega, José de Anchie a e An ónio Viei a, as suas ca as só o am publicadas no século XX, c . Se a im
Lei e, S. J., in odução e no as, Ca as do B asil e mais esc i os do Pe. Manuel da Nób ega (Ope a Omnia), Ac a
Uni e si alis Conimb igensis, Coimb a: Uni e sidade de Coimb a (1938 -1950).- His ó ia da Companhia de
Jesus no B asil. Lisboa, Rio de Janei o: Po ugália: Ci ilização.- José de, Anchie a S.J., Ca as, in o mações,
agmen os his ó icos e se mões. Rio de Janei o: Ci ilização B asilei a, 1993.- An ónio Viei a, S. J., Ca as I –
II – III. Coo d. e ano . J. Lúcio de Aze edo, Lisboa: INCM. 1995. - Ca as do B asil (1626‑1697): Es ado do
B asil e Es ado do Ma anhão e G ão‑Pa á. O g. João Adol o Hansen, São Paulo, 2003.- An ónio Viei a,
Se mões (1679‑1748). Po o: Lello & I mão.B asilei a [10 ols, a pa i do 3.º ol.], Lisboa: Po ugália; Rio de
Janei o: Ins i u o Nacional do Li o,1959.
21
Tomem-se como exemplo as ca as publicadas pelo jesuí a Fe não Gue ei o S.J. 1550-1617. O Jesuí a oi
missioná io em Po ugal e nas ilhas a lân icas. As suas “Relações Anuais”, em cinco olumes, a am da ação
dos jesuí as nas conquis as po uguesas du an e os p imei os anos do século XVII. em 1607, publica a, em
Lisboa, en e ou as ob as, indico a Relaçam annual. das cousas que ize am os Pad es da Companhia de Iesu
nas pa es da India O ien al, & em alguas ou as da conquis a des e Reyno nos annos de 604. & 605. & do
p ocesso da conue sam & Ch is andade daquellas pa es. Ti ada das ca as dos mesmos Pad es que de la ie am,
pello Pad e Fe nam Gue ei o da mesma Companhia... Vay diuidida em qua o liu os, o p imei o de Iapam, o
segundo da China, e cei a [sic] da India, qua o de E hiopia & Guinè, Ped o C asbeeck, 1607 e Imagens de
CARTAS Edi ican es, y Cu iosas, esc i as de las misiones ex anje as po algunos missione os de la Compañia
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
u i ica ad maio em Dei glo iam, a sal ação dos homens a a és da e angelização.
22
Ainda
no domínio lauda i o, igualmen e c onológico e in o ma i o, impo a ac escen a as
biog a ias ou os abalhos edi ican es em p ol de alguns missioná ios que impo a a di ulga
pa a ajuda a c ia um modelo pa adigmá ico de missão sem, no en an o, coloca em causa a
adap ação aos espaços que a O dem le ou a cabo em mui as ci cuns âncias. F ancisco Xa ie
é um bom exemplo. Foi um dos mais biog a ados desde o século XVI. Não apenas é
conside ado o g ande missioná io do O ien e, como o seu cul o oi di undido em Po ugal e
em mui as pa es do Impé io. Em Sal ado da Baía (B asil), po exemplo, passou a se o
pad oei o da cidade em 1686, po al u a de uma g ande pes e que ali oco eu.
23
Pa alelamen e
a es e conjun o de ca as e biog a ias, hou e um ou o g upo de missi as, ca as pa a a
missão / Li e ae Indepe ae, que ajudou na consolidação de uma his ó ia inaciana, na
de inição do missioná io, na educação e na espi i ualidade jesuí a, assim como na escolha e
de Jesus. T aducidas del Idioma F ancés po el Pad e Diego Da in. En Mad id: En la O icina de la Viuda de
Manuel Fe nandez, 1753-1755. Sob e o assun o consul a : Aníbal Pin o de Cas o, As Ca as dos Jesuí as do
Japão, Documen o de Um Encon o de Cul u as, Coimb a: Uni e sidade de Coimb a, 1991:
h ps://www.uc.p / luc/eclassicos/publicacoes/ ichei os/humani as43-44/10_Pin o_Cas o.pd , [consul ado 20
dezemb o 2019]. Pa a o B asil são poucas as ca as publicadas pa a o século VI ou XVII. Se a im Lei e
menciona apenas ca as de José de Anchie a como endo sido publicada em Lisboa, Roma, Ba celona e Veneza:
Ca as dos P imei os Jesuí as no B asil, 2 ols., São Paulo: IV Cen ená io, 1953, pp. 133-209. In elizmen e não
emos publicações simila es pa a as missões in e nas – P o íncia Lusi ana – on es como as edições que se
seguem: Monumen a Igna iana.- Monumen a Bo gia.- Fab i Monumen a.- Monumen a Xa e iana.- Bobalillae
Monumen ae.- Polanco His o ia Socie a is Iesu.-Monumen a Pedagogica. Pa a ou as P o íncias le :
Monumen a Japoniae.- Monumen a Missioná ia A icana: Á ica Ociden al.- Monumen a Mexicana.-
Monumen a Pe uana.- Monumen a B asiliae.
22
Deco idos ês anos sob e a mo e de F ancisco Xa ie , a 3 de Dezemb o de 1552, saía dos p elos de João
Al a es, em Coimb a, a Copia de unas ca as de algunos Pad es y He manos de la Compania de Jesus que
esc iuie on de la índia, lapon, y B asil a los Pad es y He manos de la misma Compania asladadas de po uguês
en cas ellano. No as edições, ac escen adas, ambém em cas elhano, sai iam em 1562 e1565 da ipog a ia de
João de Ba ei a. Em 1570, An ónio de Ma iz edi a a em Coimb a, e com duas a ian es g á icas, ambas
dedicadas ao Bispo des a diocese D. F . João Soa es, um olume in i ulado Ca as que os Pad es e I mãos da
Companhia de lesus, que andão dos Reynos de lapão esc eue âo aos da mesma Companhia da índia, e Eu opa,
desdo anno de 1549. A e o de 66: Nellas se co a o p incipio, socesso, e bõdade da Ch is andade daquellas pa es,
e á ios cos umes, e idola ias da gen ilidade. Ou os casos podiam se indicados, como po exemplo, as
publicadas em É o a, po Manuel de Li a, a mando do de D. Teo ónio de B agança, A cebispo da me ópole
alen ejana, as ca as q e os pad es e i mãos da Companhia de Iesus esc eue ão dos Reynos de lapão & China
aos da mesma Companhia da In / dia, & Eu opa, des do anno de 1549. a e o de / 1580 / [...] Nellas se con a o
p incipio, socesso, & bondade da Ch is andade daquellas pa es, & á ios cos umes, & alsos i os da
gen ilidade.
23
João de Lucena, S.J. 1550-1600, His o ia da ida do pad e F ancisco de Xa ie : e do que ize am na India os
mais eligiosos da Companhia de Iesu compos a pelo pad e Ioam de Lucena, da mesma Companhia, po uguesa,
na u al da Villa de T ancoso. Lisboa: Ped o C asbeek, 1600.- Alessand o Valignano, His o ia del p incipio y
p og esso de la Compania de Jesus en las Indias o ien ales (1542-64), Jose Wicki, ed., Rome: Ins i u um
his o icum S.I., 1944. Vale essal a que hou e ou os abalhos publicados que, e en ualmen e, o am de
g ande ajuda pa a as missões no ex e io , como é o caso de g amá icas e dicioná ios, en e ou os esc i os.
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mo i ação pa a as missões. São ca as pessoais, di igidas ao Ge al, esc i as po jo ens
inacianos solici ando se em en iados pa a as missões ul ama inas. A ualmen e exis em no
ARSI mais de 14.000 ca as, manusc i as, edigidas en e 1583 e 1770 po 5.167 pad es.
24
Os
ac os ela ados pe mi em iden i ica um géne o de biog a ia espi i ual da O dem. Es as
epís olas possibili am ec ia o pe il psicológico e ísico do pad e, que nelas exp essa as
azões da sua opção po de e minado espaço geog á ico e onde sob essai, não apenas a
on ade de con e e o ”ou o”, mas ambém de alcança a sua p óp ia sal ação. Ou seja, a
ca a de e se pe cebida como um mapa e ó ico em p og esso da p óp ia con e são.
25
Con o é sia egalis a s esc i a an ijesui a
Deco idos mais de dois séculos desde a sua undação, os a aques con a a Companhia
de Jesus acen ua am-se den o e o a da Eu opa. Em Po ugal, a maio o ensi a su giu no
einado de D. José I, endo como Sec e á io de Es ado do Reino Sebas ião José de Ca alho
e Melo, Ma quês de Pombal. Poucas ins i uições eligiosas exe ce am ao longo dos empos
an o ascínio e an a hos ilidade. Sob e a O dem, como Michel Le oy demons ou, aba eu-
se uma “lenda neg a”, cons uiu-se um mi o pela nega i a, designado em alguns es udos
“mi o do es ado jesuí ico”, po ezes “impé io jesuí ico”, ou "impé io ocul o", cuja ambição
e de e minação e a o ma um go e no global, e não apenas oma con a de Po ugal ou do
B asil.
26
Uma das ques ões, en e ou as, que se coloca a e a a da obediência, is o é, de iam
os jesuí as obedece ao Ge al, ao Papa ou ao Rei?
Po oda a Eu opa, desde a Idade Média, o alece am-se mo imen os con a a Ig eja;
os desen endimen os en e mona cas e papas ocupa am luga p imo dial em odos os países,
especialmen e en e os séculos XVI e XVII. A discussão ul apassa a a es e a eligiosa e
cen a a-se na impo ância polí ica, es ando di e amen e elacionada com a a i mação
g adual da au o idade dos mona cas.
27
Po ém, no século XVIII, o an agonismo ado ou
24
Ma ina Massimi, Um incendido desejo das Índias. S. Paulo: Edições Loyola, 2002, p. 14.
25
Péco a, A., Ca as à Segunda Escolás ica. A ou a ma gem do Ociden e. A. No aes (o g.), São Paulo:
Companhia das Le as, 1999, p. 373.
26
C . José Edua do F anco, “Fundação pombalina do mi o da Companhia de Jesus”, Re is a de His ó ia das
Ideias, nº 22 (Coimb a, 2001), pp. 209-253.
27
Luís Reis To gal, Ideologia polí ica e eo ia do Es ado na Res au ação. Coimb a: Biblio eca Ge al da
Uni e sidade de Coimb a, 1981, pp. 53-54; 54-63.
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obscu an ismo do País e ainda pa a a decadência nacional, como o am a Inquisição, a
expulsão e pe seguição de judeus e de muçulmanos.
51
Mui os des es his o iado es ambém
associa am o mo imen o das Descobe as po uguesas a um momen o nega i o da His ó ia
de Po ugal, ao qual a O dem es á o emen e ligada. Po ém, ainda que em meno núme o
su gi am abalhos de eo an i-cong egacionis a, pa icula men e an i-jesuí a como oi a ob a
de José E nes o de Sousa Caldas, Os jesuí as e sua in luência na ac ual sociedade
po uguesa: meio de a conju a , publicada no Po o, em 1901. No en an o, a Companhia de
Jesus ambém não expôs uma p odução li e á ia que osse capaz de eba e as c í icas e aze
enasce o elho mi o. A espos a que se conhece à c í ica de Caldas oi a dia e em do
inaciano F ancisco Rod igues, (1873-1956), com o li o Jesui ophobia: Respos a se ena a
uma dia ibe, publicado no Po o, em 1917.
52
A eação e ação inaciana no século XIX oi
como que uma e u ação às inc iminações que du an e séculos os jesuí as ecebe am, o a aso
cien i ico a que o a am o ensino em Po ugal. Ago a, cen a am-se undamen almen e no
ensino, associando a ciência e eligião, p omo endo o ensino expe imen al das ciências
na u ais e o desen ol imen o da in es igação na bo ânica e zoologia, endo como po a- oz
a e is a inaciana, c iada em 1902, no Colégio de São Fiel, a B o é ia. A edição de e is as
inacianas, em di e en es países, no inal do século XIX e início do século XX oi uma
cons an e.
His ó ia ao se iço do nacionalismo
No Es ado No o (1933-74) enal ece-se a época da Expansão como o ma de o alece
o p esen e colonial, mobilizando um g upo de his o iado es cada ez mais ma cados po uma
pe spe i a nacionalis a do ema, apesa de algumas exceções como a do médico-his o iado
po uguês Jaime Co esão (1884-1960), ou, mais a de, a de Vi o ino Magalhães Godinho
51
Em 1899, An ónio José Teixei a, len e de Ma emá ica na Uni e sidade de Coimb a, enca egue de euni um
conjun o de documen os, em1860, pa a coo dena a his ó ia li e á ia da Uni e sidade de Coimb a, publicou a
ob a Documen os pa a a his ó ia dos Jesuí as em Po ugal. Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade, ao ape cebe -
se da quan idade de documen os e da impo ância que a Companhia de Jesus desempenhou em Po ugal, C :
h ps://a chi e.o g/de ails/documen ospa ahi00 eix/page/460.
52
F ancisco Rod igues oi um dos p imei os pad es expulsos na República que p oduziu uma ob a de ul o, de
de esa e di ulgação da o mação e missão inaciana em Po ugal e no impé io, con a iando o elho mi o
pombalino, libe al e epublicano. C . A o mação in ellec ual do jesui a: leis e ac os. Po o, Li . Magalhães e
Moniz, 1917.- His ó ia da Companhia de Jesus na assis ência de Po ugal. Po o, Li . Apos olado da Imp ensa,
1931.- Os Jesuí as e Moni a Sec e a. Roma: Tip. Pon i ícia no Ins i u o Pio IX, 1912.- Jesuí as Po ugueses
As ónomos na China: 1583-1805. [S.l. :s.n.]. 1925.
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(1918-2011) lendo a economia da Expansão em con ex o mundial. Godinho, no pano ama
his o iog á ico nacional, mas com eno me essonância in e nacional, ompeu, com a his ó ia
nacionalis a da expansão po uguesa. Discípulo da escola ancesa ag upada em o no da
e is a Annales, acen ua com igo a impo ância essencial dos a o es económicos e das
in aes u u as sociais na explicação do passado colonial luso. A ob a Os Descob imen os e
a Economia Mundial (1965-71) cons i ui uma on e imp escindí el a se me iculosamen e
pesquisada que in eg a o papel desempenhado pelos po ugueses num sis ema de comé cio
global en e os séculos XV e XVIII, mos ando como se en elaçam e conjugam aspe os
á ios das disciplinas das ciências sociais na in es igação his ó ica, mas sem impo ância
pa a a his ó ia das missões ul ama inas. Ob iamen e as suas eses não o am acei es pelo
“Es ado No o”.
O “Es ado No o”, desde o início, acolhe algumas eses do sociólogo b asilei o
Gilbe o F ey e (1900-87) p a icamen e ado ando o luso opicalismo enquan o jus i icação
da especi icidade do colonialismo po uguês. O his o iado b i ânico Cha les Richa d Boxe
(1904-2000), que em espos a às eses de F ey e publicou Race Rela ions in he Po uguese
Colonial Empi e (1963) p ocu ando demons a que a na u eza do egime colonial po uguês,
longe de pode se eduzida a uma e são idealizada da con i ência en e aças e ci ilizações,
e ia de se ca ac e izada em unção das di e sas si uações de desc iminação social, amplo
ecu so ao esc a ismo, bem como à u ilização polí ica e social de ins umen os de coe ção e
iolência p óp ios do colonialismo. Boxe ence a um ciclo his o iog á ico opos o ao
de endido pelo egime e ambém di e en e do iés de uma economia global, como ize a
Godinho, e ap esen a um impé io he e odoxo na sua es u u a, colocando em ação di e en es
g upos sociais e ins i uições. Boxe o na-se um dos maio es especialis as in e nacionais
sob e a expansão po uguesa.
53
Re elando um amplo domínio das on es, an o eu opeias
como japonesas, em 1969, pública The Po uguese Seabo ne Empi e (1415-1825), ob a de
sín ese, com des aque pa a aspe os sociais e eligiosos no âmbi o do pad oado, eco de-se
53
Embo a a ob a de Boxe enha ido maio p ojeção, de o, no en an o, sublinha um dos p imei os abalhos
esc i os po um his o iado ancês sob e os jesuí as no Japão: Léon Bou don, La Compagnie de Jésus e le
Japon. La Fonda ion de la Mission Japonaise pa F ançois Xa ie (1547-1551) e les P emie s Résul a s de la
P édica ion Ch é ienne sous le Supé io a de Cosme de To es (1551-1570). Lisboa: Fundação Calous e
Gulbenkian, 1993.
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ainda, en e ou as ma é ias, Po uguese Me chan s and Missiona ies in Feudal Japan, 1543;
The Chu ch Mili an and Ibe ian Expansion: 1440-1770.
No século XX, e omando a di ulgação do que o am os p imei os empos da
Companhia de Jesus, publica am-se g andes cole âneas documen ais de ca as (e alguns
es udos), po ezes com in odução e no as explica i as basicamen e ligadas às missões
ul ama inas dos séculos XVI e XVII, ob as de ab angência espacial e empo al, mos ando
a impo ância des as na cons ução do impé io ul ama ino. Des acamos as edições
o ganizadas pelos jesuí as Joseph Wicki, Geo ge Schu hamme , e Se a im Lei e, en e
ou os, além de An ónio da Sil a Rego, sace do e. Pa a além da edição de on es, o na am-
se ambém es udiosos da O dem e, globalmen e, ab i am-se pa a os c i é ios da his ó ia
c í ica mode na. No en an o, a a-se de es udos cen ados essencialmen e na di ulgação do
que o am os p imei os dois séculos de exis ência da O dem, embo a ex ao dina iamen e
icos na indicação de on es documen ais. Ainda que a apologia à O dem seja uma cons an e,
aqueles abalhos são imp escindí eis pa a quem hoje quei a es uda a Companhia de Jesus.
A impo ância da publicação de on es, an o de ca as como ou o ipo de documen ação,
da a con inuidade ao in e esse de se esc e e uma his ó ia de ini i a da Companhia. O
assun o ha ia sido abo dado em 1892, na XXIV Cong egação Ge al, eunida em Loyola, mas
só oi ins i ucionalizado em 1930 com a undação em Roma do Ins i u o His ó ico da
Companhia de Jesus.
Esse e a o pon o comum a es as bibliog a ias. E o g ande in e esse dos á ios au o es
pelos abalhos sob e a his ó ia das missões da Companhia e sob e as on es documen ais,
esidia no anseio de se es abelece uma his ó ia de ini i a da O dem. Em quase odas, po ém,
e a pe ce í el o obje i o da edi icação, do modelo, uma ez que se ol a am sob e udo pa a
um público que de e ia es a ao in e no da p óp ia O dem. E quando oi des inada ao público
em ge al, a esc i u a o na a-se apologé ica.
Um aspe o a des aca no âmbi o da his o iog a ia sob e a Companhia de Jesus no inal
do século XIX e no início do século XX oi a c iação de e is as, edi adas pelos Jesuí as em
di e en es países, assim como a imp essão de ob as in elec uais e de e udição his ó ica nas
suas espe i as p o íncias. A pa i de 1810 a publicação de bibliog a ias passou a se mais
écnica e p o issional; as bibliog a ias ge ais in e nacionais cede am espaço às ob as
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nacionais, bem mais especializadas com epe ó ios e ospe i os, mas p og essi os. Ao
mesmo empo, acompanha am a publicação de a ados eó icos sob e as bibliog a ias.
Missões e edes globais
Cha les Boxe com o li o A Ig eja e a expansão a lân ica ab e um ciclo
his o iog á ico que mobilizou di e sos pesquisado es es angei os que ouxe am no as
abo dagens e no as emá icas à in es igação sob e o impé io, des acando a capacidade da
Companhia de Jesus no apoio dado às co oas ibé icas na expansão colonial. A mudança
azida po Boxe oi igualmen e acompanhada, an o nos Es ados Unidos da Amé ica como
na Eu opa, po uma ge ação de his o iado es jesuí as que inaugu a am a New Jesui His o y
a as ando-se da na a i a apologé ica que ca ac e izou a his o iog a ia pós- es au ação.
O his o iado no e-ame icano A. J. R. Russell-Wood (1940-2010), na ob a A Wo ld
on he Mo e: The Po uguese in A ica, Asia, and Ame ica 1415–1808,
54
de ende se o ma
a o ça uni icado a do dispe so Impé io po uguês, aonde ci cula um mo imen o cons an e
de pessoas, bens e ideias. O li o de Wood pe mi e-nos en ende como a Companhia de Jesus,
de ido à mobilidade cons an e, oi um dos p incipais agen es da ci culação cul u al, eligiosa
e a é come cial. Assim, esba eu-se a ideia de um impé io o almen e con olado pela Co oa,
pa a se pensa simul aneamen e num impé io o icioso, no qual a Companhia de Jesus oi uma
peça cen al, que an o podia ajuda os ep esen an es égios como os pa icula es que
ci cula am pela as íssima “ ede” que de ine o impé io po uguês, mas onde igualmen e
omen a a um clima de ins abilidade, que na sua elação com ou as o dens eligiosas,
dispu ando as c is andades, que na in e ação com as comunidades de c is ãos locais,
en ando impo a p a ica do i o omano.
55
Um pouco mais a de, o his o iado no e-
ame icano Dau il Alden (1926- ), em The Making o an En e p ise: The Socie y o Jesus in
Po ugal, I s Empi e, and Beyond, 1540-1750,
56
edige a his ó ia Companhia de Jesus desde
a undação a é à expulsão de Po ugal e do impé io. Embo a se epo e às a i idades
e angélicas e educacionais dos jesuí as, o li o dá ealce às elações polí icas com
au o idades po uguesas e au óc ones, à undação de ins i uições de apoio às missões, às
54
New Yo k: S . Ma in's. 1992.
55
C . Comé cio e Con li o. A P esença Po uguesa no Gol o de Bengala 1500-1700. Lisboa: Edições 70, 1994.
56
S an o d: S an o d Uni e si y P ess, 1996.
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
a i idades económicas con e indo uma pe spe i a “emp esa ial”, na qual eme ge a ideia de
emp esa económica ace ao con on o en e o o o de pob eza e a adminis ação de uma
abulosa iqueza, à sua elação com ou as o dens eligiosas e às dis in as es a égias
missioná ias que a O dem emp egou pa a unda as missões.
57
As missões jesuí as não se limi a am à es e a polí ica po uguesa, como no caso do
Tibe e, onde o p imei o eu opeu a chega oi o jesuí a po uguês, An ónio de And ade. Es a
iagem cons i uiu ma é ia pa a di e sos abalhos do his o iado ancês Hugues Didie
(1942-), especialis a em His ó ia e Li e a u a eligiosa ibé ica.
58
Mais ecen emen e, a
his o iado a c oa a Inês G. Župano (1955-), ambém elege a Companhia de Jesus como a
o dem eligiosa mais ci culan e e li e á ia, esponsá el pela eiculação de conhecimen o e
em es udado, em pa icula , as missões na Índia, dedicando especial a enção à egião do
Madu é (hoje Madu ai, no hodie no Es ado de Tamil Nadu), onde as ques ões da
ca equização são peculia es, e aonde os Jesuí as apa ecem como mediado es cul u ais.
59
Tan o as missões inacianas em Á ica, como a elabo ação de ocabulá io e de
g amá icas com o p opósi o de " aduzi " o c is ianismo pe ce í el pa a o “ou o”,
pa icula men e no caso da China, êm sido ema de abalho do his o iado no e-ame icano
Joseph Ab aham Le i.
60
Também in es igado es o ien ais se êm in e essado pelos p imei os
57
Tempos an es de Alden, John W. O’Malley publicou The Fi s Jesui s. Camb idge: Ha a d Uni e si y P ess,
1993. O’Malley ap esen a uma sín ese da Companhia de Jesus en e os séculos XVI e XX, onde des aca o seu
papel na Con a-Re o ma. Ou a sín ese oi esc i a po Jean Lacou u e, Jésui es, omo 1, Les Conqué an s, 1991,
Jésui es, omo 2, Les Re enan s, 1992, aonde des aca as p incipais igu as ligadas à Missão e à Ciência. No
en an o, nem O'Malley nem Lacou u e analisa am as missões ao se iço da Co oa po uguesa.
58
Hugues Didie , Les Po ugais au Tibe : Les p emiè es ela ions jésui es, 1624-1635. Pa is: Edi ions
Chandeigne, 1996.- Hugues Didie , “Es udo his ó ico”, Os Po ugueses no Tibe e: os p imei os ela os dos
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Ma ia de Deus Bei es Manso
A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
con ac os en e a Eu opa e o O ien e, o que não su p eende pois F ancisco Xa ie oi dos
p imei os missioná ios jesuí as a chega ao Japão. A his o iado a japonesa Oka Mioko, com
base em on es japonesas e po uguesas, em es udado a ação que de jesuí as que de g upos
de me cado es em Macau, Manila e Japão, ocalizando-se nas con eniências que ligam e
di idem es es g upos. Uma das igu as a que em dedicado a enção é ao jesuí a, poli ico e
diploma a po uguês João Rod igues Tçuzu (1561- 1633;Tçuzu = in e p e e), in é p e e e
linguis a au o do p imei o dicioná io japonês-po uguês, da p imei a g amá ica da língua
japonesa e, po incumbência dos supe io es, esc e eu ambém a His o ia da Ig eja do Japão,
dando uma pe spe i a de alhada da ci ilização japonesa.
61
As úl imas duas décadas, de ido ao in e câmbio acen uado que se em es abelecido
en e a academia po uguesa e b asilei a e à acilidade de acesso a maio quan idade e mais
di e si icada documen ação, assim como em i ude da mudança epis emológica e
me odológica que a His ó ia ado ou, nomeadamen e o ecu so a ou as ciências sociais e
humanas, êm modi icado o olha sob e a his ó ia da colonização po uguesa. A academia
b asilei a despe ou com mais en usiasmo pa a a his ó ia colonial, di e si icando as emá icas
de abalho, com des aque pa a as missões inacianas no âmbi o da e angelização e con e são
dos indígenas ao ca olicismo. Os es udos sob e a his ó ia dos po os indígenas sus en ada em
ou os campos do sabe , como a an opologia, a discussão do papel das missões no con ex o
das elações in e cul u ais adqui em ên ase na his o iog a ia b asilei a. As missões da
Companhia de Jesus endem a se es udadas na dialé ica do encon o en e o eu opeu/jesuí a
e o “ou o”/indígena, a deba e de que o ma as iden idades são ( e) cons i uídas a pa i desse
con ac o, e de que modo o missioná io e o indígena se adap a am às ci cuns âncias do
momen o. Um conjun o de his o iado es em abo dado as missões inacianas o a dos g andes
61
Le : Mihoko Oka. “A Memo andum by Tçuzu Rod igues: The O ice o P ocu a o and T ade by he Jesui s,
Japan,”Bulle in o Po uguese/Japanese S udies, n° 13, (Lisboa, 2006), pp. 81-102. Michael Coope (1930-
2018) oi um dos p imei os ame icanos a es uda o encon o en e os jesuí as e o Japão: João Rod igues, A
Jesui Missiona y Who Wo ked in Japan and China om 1577 o 1633; Michael Coope . They Came o Japan:
An An hology o Eu opean Repo s on Japan, 1543-1640. Ann A bo : Cen e o Japanese S udies – Uni e si y
o Michigan, 1995. Foi ambém o edi o da Monumen a Nipponica.
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Ma ia de Deus Bei es Manso
A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
cen os de pode como e am a Baía e o Rio de Janei o. P esen emen e, po exemplo, Se gipe,
Espí i o San o ou G ão-Pa á e Ma anhão alcançam e idência na his ó ia colonial do B asil.
62
Ciência, pode e espi i ualidade
Em Po ugal, epo amo-nos a pa i dos anos 90 do século XX, o pendo
his o iog á ico em elação à Companhia pau a-se po uma “secula ização” do discu so,
mesmo em ob as esc i as po jesuí as. A mudança de e-se à in luência de uma his o iog a ia
eu opeia p o enien e de ou as ciências sociais como o alemão Max Webe (1864-1920), o
ancês Émile Du kheim (1858-1917), o ancês Michel Foucaul (1926-1984), mas ambém
o ancês Jean Delumeau (1923-), o b i ânico Cha les R. Boxe (1904-200) e ou os já
ci ados. Na u almen e, o in e câmbio uni e si á io em ajudado na eno ação do pa adigma
nas inúme as egiões abalhadas, como a segui ap esen a emos.
A exis ência da Comissão Nacional pa a as Comemo ações dos Descob imen os
Po ugueses (1986-2002), e a c iação de mes ados e dou o amen os sob e a expansão
po uguesa, ez com que os es udos sob e a Companhia de Jesus enham conhecido maio
c escimen o no que diz espei o às missões além-ma .
A O dem ez pa e do p ocesso de globalização que se ampliou a pa i do século
XVI, es abelecendo-se em mui as pa es do O ien e, como em Macau e na China. A pa i do
Colégio de São Paulo de Goa e do Colégio de São Paulo de Macau seguiam missioná ios que
iam pa a as missões do Japão, Tonquim, Tido e, China, Te na e, Sião, Amboino, Malaca,
Pegu, Camboja, Solo , Cochinchina, Macassa , Bengala, Bisnaga, Madu e, Cos a da
62
Um bom pon o de pa ida pa a os in e essados nas missões jesuí as no B asil é Se a im Lei e, His ó ia da
Companhia de Jesus no B asil. 10 ols, Rio de Janei o: Imp ensa Nacional, 1938-1950. Ou os es udos, mais
ecen es podem se indicados, como exemplo, Cha lo e de Cas elnau-L'Es oile, Les ou ie s d'une igne s é ile:
les jésui es e la con e sion des indiens au B ésil, 1580-1620. Pa is: Fundação Calous e Gulbenkian, 2000.-
José Eisenbe g, As Missões Jesuí icas e o pensamen o Polí ico Mode no. Belo Ho izon e: UFMG, 2000.-
Ma cia Aman ino. “Esc a idão, mes içagens e o p oje o c is ão dos jesuí as na A gen ina colonial e no Rio de
Janei o, séculos XVII e XVIII”, Isna a Pe ei a I o, Edua do F ança Pai a, e Ma cia Aman ino (eds), Religião,
eligiosidades, esc a idão e mes içagens, São Paulo: In e meios.- Ma ia José dos San os Cunha, Os Jesuí as no
Espí i o San o: Con ac os, Con on os e Encon os: (1549 1759). Tese de Dou o amen o, Uni e sidade de
É o a, 2015. Ob iamen e, exis em mui os ou os abalhos sob e esse ópico; no en an o, uma “análise
especi ica” sob e a p esença inaciana no B asil, es á o a do escopo des e ensaio. Também ale menciona aqui
o a o de ha e um g upo de académicos b asilei os que em publicado sob e a p esença jesuí a na Ásia, a sabe :
Célia Ta a es, Pa ícia de Souza Fa ia, e, mais ecen emen e, B una Du a C uz, Jo ge Hen ique Leão e Laís
Sousa Viena de Sousa.
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
Pesca ia, Ceilão, T a anco , Malaba , Goa, Salse e, em Bombaim, Laho e, Diu, E iópia, ou
Monomo apa, pa a além de mui as ou as egiões de Á ica e das Amé icas onde ambém
es i e am p esen es. Se á impossí el indica uma lei u a indi idual sob e cada abalho
esc i o. Mas aços globais sob epõem-se ao que de mui o se em edigido: a O dem não
apa ece apenas como uma in é p e e da on ade da Co oa po uguesa, ou a é da Ig eja
Romana, mas azem-se es udos sob e o modo como alguns memb os da Companhia
desen ol e am um p oje o, endo em con a os con ex os sociocul u ais ou de sob e i ência
ísica, en ando em con li o que com alguns inacianos, que com ou as o dens eligiosas,
bem como com os dis in os pode es. Po exemplo, o his o iado po uguês João Paulo
Oli ei a e Cos a, na sua ese de dou o amen o O C is ianismo no Japão e o Episcopado de
D. Luís Ce quei a
63
alo izou a missão eligiosa num dos espaços mais dis an es do impé io
po uguês, onde os jesuí as uí am de impo ância. F ancisco Xa ie ep esen ou um ma co
no início da missionação mode na. A p esença inaciana no Japão excedeu o p oje o eligioso
e a Companhia ajudou a es abelece uma conexão come cial com Po ugal. É onde a O dem
se o na ambém “me cado a” pa a aze ace aos gas os com as missões. Após uma época
de p ospe idade, o ca olicismo oi banido. En e os mui os a o es pa a que al sucedesse
podemos des aca as discó dias no seio da O dem e as consequências sociais que o
c is ianismo es a a a in oduzi no seio da sociedade nipónica, como êm e idenciado os
abalhos do his o iado po uguês Lúcio Manuel Rocha de Sousa.
64
A missão na China não em sido es udada pelo cômpu o dos con e idos, pois o
núme o oi limi ado, mas em sido abo dada a a és das igu as que ab i am a China ao
ociden e, usando a ciência e o conhecimen o do idioma chinês pa a se em acei es pela Co e.
Ma eo Ricci (1552-1610) e Michele Ruggie i (1543-1607) o am as duas p incipais igu as
na missão chinesa. Se Ricci se no abilizou na ma emá ica e na as onomia, Michele Ruggie i,
em 1584, execu ou a p imei a ob a imp essa em ca a e es e idioma chineses, compos a po
um diálogo en e um eu opeu e um chinês sob e o e dadei o Deus e a e dadei a eligião
63
João Paulo Cos a, O C is ianismo no Japão e o Episcopado de D. Luís Ce quei a. Lisboa: Uni e sidade No a
de Lisboa, 1998.- A mando Ma ins Janei a, O impac o po uguês sob e a ci ilização japonesa. Lisboa: 1970,
ou, mais ecen emen e eses sob e como os missioná ios iam o Japão e ou as egiões do Ex emo O ien e.
64
C . Japão e os Po ugueses (1580-1614): Religião, Polí ica e comé cio. Tese de Dou o amen o, Uni e sidade
do Po o, 2007.
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A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
(Tianzhu shilu - Ve dadei o T a ado do Senho do Céu).
65
Também o jesuí a po uguês
Tomás Pe ei a (1645-1708), p esidiu in o malmen e ao Obse a ó io de Pequim, na co e
impe ial, onde os jesuí as ica am conhecidos como os “Pad es da Co e”.
66
Os colégios
inacianos no O ien e ambém êm pe mi ido pe cebe /compa a o pe cu so de algumas
missões que no âmbi o da ca equização, das ma é ias lecionadas, que a sua di e sidade na
adap ação aos espaços - adap ação e a acomoda io.
67
Olhando pa a a Cos a Ociden al de Á ica, ali, as missões inacianas não sing a am
como no O ien e ou no B asil. Nuno da Sil a Gonçal es, S.J. (1958- ), na sua ese Os Jesuí as
e a missão de Cabo Ve de (1604-1642),
68
apoiado em on es de di e en es a qui os, explica
a exis ência b e e e a complexidade da missão, pelo ac o de ab ange dez ilhas e o li o al
a icano, uma á ea as íssima de composição demog á ica mui o he e ogénea a que ac escia
o núme o eduzido de missioná ios e os con li os cons an es en e a Co oa e a população. De
uma manei a ge al oi di ícil a ixação da ig eja ca ólica em Á ica. Fo a da Cos a Ociden al,
as missões ambém não se a i ma am. Pa a além de uma o e p esença muçulmana, da
di e sidade cul u al, da de icien e coo denação dos missioná ios, o seu en ol imen o nos
negócios, a sua elação p óxima com as au o idades polí icas e a sua iqueza, como no caso
de Angola, ou ainda a lu a com os capuchinhos espanhóis no Congo, udo con ibuiu pa a o
seu acasso.
69
65
C : Ho ácio de A aújo. Os Jesuí as no Impé io da China: o p imei o século (1582-1680). Macau: IPOR 2000.-
Isabel Pina ambém abalhou os jesuí as na missão da China: Os Jesuí as em Nanquim (1599-1633). Lisboa:
Cen o Cien í ico e Cul u al de Macau, 2008.
66
Le : Tomás Pe ei a, Luís Filipe Ba e o, A naldo do Espí i o San o, Ana C is ina da Cos a Gomes e Ped o
Co eia, Ob as. 2 ols. Lisboa: CCCM, 2011. Le : Leono Diaz de Seab a, “Macau e os jesuí as na China
(séculos XVI e XVII)”, His ó ia Unisinos, 15. n.º 3 (S. Leopoldo, 2011), pp. 417-424.
67
Pa a uma maio comp eensão do ema le : Ma ia de Deus Manso, e Leono Diaz de Seab a, “Ensino e Missão
Jesuí a no O ien e” , Cul u as e Sociabilidades A lân icas, Suely Almeida, Ma ília Ribei o, e Gian Sil a (eds.),
Reci e: UFPR, UFRPE e Uni e sidade de Pe nambuco, 2012, pp. 83 -130.- Ma ia de Deus Bei es Manso e
Leono Diaz Seab a, “Jesui Schools and Missions in he O ien ”, Pe manen T ansi . Discou ses and Maps The
In e cul u al Expe ience, Cla a Sa men o, Sa a B usaca e Sil ia Sousa (ed.), Newcas le–upon-Tyne: Camb idge
Schola s Publishing, 2012, pp. 177-210.
68
Uni e si à G ego iana, Roma, 1995. Mais a de publicada como: Os jesuí as e a missão de Cabo Ve de (1604-
1642). Lisboa: B o é ia, 1996.
69
Pa a uma maio in o mação sob e a p esença inaciana em Á ica, le : Joseph Ab aham Le i “A missionação
em Á ica nos séculos XVI-XVII”, Re is a Lusó ona de Ciência das Religiões 7, n.º 13/14 (Lisboa, 2008)
[2009], pp. 439-462.- Ca los Almeida,“A Companhia de Jesus em Cabo Ve de (1604-1642)”, Po os e Cul u as
4 (Lisboa, 1998), pp. 535-573.- Ca los Almeida. “A p imei a missão da Companhia de Jesus no eino do Congo
(1548-1555)”, D.João III e o Impé io - Ac as do Colóquio In e nacional comemo a i o do seu nascimen o,
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Ma ia de Deus Bei es Manso
A Companhia de Jesus em Po ugal. Iden idade e His o iog a ia
Pa a conclui mos es a nossa ápida analogia de abo dagens missioná ias e cul u ais,
epo amo-nos de seguida ao caso de Po ugal. O his o iado po uguês José Ped o Pai a e o
his o iado espanhol F ede ico Palomo são dois exemplos a egis a no âmbi o das missões
in e nas, com des aque pa a a mic o-his ó ia,
70
quando se e e em a egiões como É o a e
ou as cidades meno es do eino. As unções nas comunidades u ais, como a p egação, a
dou inação, a paci icação de con li os, a con issão, a di ulgação de imagens, de ex os, e de
ou os ins umen os ao seu alcance, ga an i am a e icácia da a i idade missioná ia na
ansmissão de um modelo de ida, de espi i ualidade, assegu a am a i ência c is ã e
unciona am como um ins umen o disciplinado .
71
Nes e aspe o, segundo o his o iado
i aliano Giuseppe Ma cocci, os jesuí as po ugueses obse a am o “modelo de é de endido
pela Inquisição” com a qual colabo a am, pa icula men e na segunda me ade do século
XVII.
72
O que não in alida que ambém i esse ha ido jesuí as pe seguidos e ques ionado a
ins i uição, como já abo dámos. Tan o a Inquisição como as isi as pas o ais apoia am a
p eponde ância sob e a sociedade do modelo de Ig eja saído do Concílio de T en o (1545-
63).
73
Os inacianos desen ol e am um p oje o de a aque con a o p o es an ismo e a he esia,
e ao mesmo empo de eno ação na e angelização.
74
Lisboa: CHAM-CEPCEP, 2004, pp. 865-888.- Ma ia de Deus Manso, His ó ia da Companhia de Jesus em
Po ugal. Lisboa: Pa si al: 2016.
70
José Ped o Pai a ambém lida com mac o-his ó ia quando o nece in o mações sob e a complexidade da ida
no Reino, onde compa a missões em di e en es á eas geog á icas do Impé io Po uguês: Balua es da é e da
disciplina: o enlace en e a Inquisição e os bispos em Po ugal (1536-1750). Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade
de Coimb a, 2011.
71
Le : José Ped o Pai a, “As missões in e nas”, His ó ia Religiosa de Po ugal, Ca los Mo ei a Aze edo, ed.,
Lisboa: Cí culo de Lei o es, 2000, pp. 239-250, e José Ped o Pai a, Balua es da é e da disciplina: o enlace
en e a Inquisição e os bispos em Po ugal (1536-1750), op.ci . Es e li o en oca os p ocessos polí icos,
ins i ucionais, sociais e cul u ais do Po ugal mode no. Discu e os laços en e a Inquisição Po uguesa e os
bispos po ugueses (1536-1750). Pai a mos a como os bispos po ugueses e os agen es da Inquisição
Po uguesa o am undamen ais pa a de ende a é ca ólica na Con a-Re o ma. Le ainda, en e ou as ob as
F ede ico Palomo, Faze dos campos escolas excelen es: os jesuí as de É o a e as missões do in e io em
Po ugal: 1551-1630. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, 2003.-
F ede ico Palomo, A Con a-Re o ma em Po ugal 1540-1700. Lisboa: Li os Ho izon e, 2006.
72
Giuseppe Ma cocci, A consciência de um impé io. Po ugal e o seu mundo (sécs. XV-XVII). Coimb a:
Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a, 2012, p. 220.- Giuseppe Ma cocci, “Inquisição, jesuí as e c is ãos-no os
em Po ugal no século XVI,” Re is a de His ó ia das Ideias 25 (Coimb a, 2004), pp. 247-326.
73
José Ped o Pai a,” Inquisição e isi as pas o ais: dois mecanismos complemen a es de con olo social”,
Re is a de His ó ia das Ideias, 11 (Coimb a, 1989), pp. 85-102.
74
Louis Châ ellie , A eligião dos pob es, as on es do C is ianismo mode no séc. XVI-XIX. Lisboa: Edi o ial
Es ampa, 1995, pp. 27-28.