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Alfabetização científica e educação artística: perspectiva interdisciplinar na formaçao e desenvolvimento profissional docente

Abstract

Esta investigação se insere nas linhas de pesquisa do Departamento de Didáctica y Organización Educativa en la Facultad de Ciencias de la Educación – Universidad de Sevilla, e tem a intenção de suscitar reflexões docentes sobre Alfabetização Científica e Educação Artística como locus de inserção da perspectiva interdisciplinar na Formação de Professores, ressaltando a importância da interconexão com a Educação Artística e seu potencial de desenvolvimento da criatividade e integração cultural na unidade aldeia global. Esta unidade indivisível tem a sua riqueza na diversidade, e na maneira singular que o diverso é vivenciado por cada indivíduo nos processos cooperativos e dialógicos na vida cotidiana. Este estudo busca aporte teórico em Norman Lederman, para Alfabetização Científica e seu aspecto interdisciplinar, e na fundamentação teórica sobre Formação de Professores e Desenvolvimento Profissional Docente com Carlos Marcelo García. Para compreensão da Educação Artística se apoia em James Haywood Rolling Jr, Jacques Rancière, Amelia Kraehe, Kendall Crabbe, Dipti Desai, e em Yuval Harari para entender a interconexão disciplinar entre o histórico e biológico.

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Alfabetização científica e educação artística: perspectiva interdisciplinar na formaçao e desenvolvimento profissional docente

Author: Almada Leite, Claudia
Publisher: Universidad Sevilla
Year: 2020
Source: https://idus.us.es/bitstreams/f0f26277-5bcf-43bd-bedc-0e4a6d93fe97/download
Almada-Lei e, C. Communia s. 3. 2020: 45-59 // 45
COMMUNIARS · 3. 2020. ISSN 2603-6681
Al abe ização cien í ica e
educação a ís ica:
pe spec i a
in e disciplina na
o maçao e
desen ol imen o
p o issional docen e
Al abe ización cien í ica y educación a ís ica:
in e disciplina iedad en la o mación y
desa ollo p o esional docen e
Scien i ic li e acy and a educa ion:
in e disciplina y pe spec i e on aining and
p o essional de elopmen
Claudia Almada Lei e | [email p o ec ed]
UNIVERSIDAD DE SEVILLA | ESPAÑA
Recibido: 20 de diciemb e de 2019 | Acep ado: 9 de ma zo de 2020.
Cómo ci a es e a ículo: Almada-Lei e, C. (2020). Al abe ização cien í ica e educação a ís ica: pe spec i a
in e disciplina na o maçao e desen ol imen o p o issional docen e. Communia s. Re is a de Imagen, A es y
Educacion C í ica y Social, 3, 45-59.
Resumo:
Es a in es igação se inse e nas linhas de pesquisa do Depa amen o de Didác ica y O ganización
Educa i a en la Facul ad de Ciencias de la Educación – Uni e sidad de Se illa, e em a in enção de
susci a e lexões docen es sob e Al abe ização Cien í ica e Educação A ís ica como locus de inse ção
da pe spec i a in e disciplina na Fo mação de P o esso es, essal ando a impo ância da
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in e conexão com a Educação A ís ica e seu po encial de desen ol imen o da c ia i idade e
in eg ação cul u al na unidade aldeia global. Es a unidade indi isí el em a sua iqueza na
di e sidade, e na manei a singula que o di e so é i enciado po cada indi íduo nos p ocessos
coope a i os e dialógicos na ida co idiana. Es e es udo busca apo e eó ico em No man Lede man,
pa a Al abe ização Cien í ica e seu aspec o in e disciplina , e na undamen ação eó ica sob e
Fo mação de P o esso es e Desen ol imen o P o issional Docen e com Ca los Ma celo Ga cía. Pa a
comp eensão da Educação A ís ica se apoia em James Haywood Rolling J , Jacques Ranciè e, Amelia
K aehe, Kendall C abbe, Dip i Desai, e em Yu al Ha a i pa a en ende a in e conexão disciplina en e
o his ó ico e biológico.
Pala as-cha e: Al abe ização cien í ica. Educação. Educação a ís ica. In e disciplina idade. Fo mação
de p o esso es. Desen ol imen o p o issional docen e.
Resumen:
Es a in es igación o ma pa e de las líneas de in es igación del Depa amen o de Didác ica y
O ganización Educa i a de la Facul ad de Ciencias de la Educación - Uni e sidad de Se illa, y iene la
in ención de plan ea e lexiones del p o eso ado sob e Al abe ización cien í ica y Educación A ís ica
como locus de inse ción en la pe spec i a de in e disciplina iedad en la Fo mación docen e, e
impo ancia de la in e conexión con la Educación a ís ica, y su po encial pa a desa olla la
c ea i idad e in eg ación cul u al en la unidad aldea global. Es a unidad indi isible iene su iqueza
en di e sidad y en la o ma única en que cada indi iduo expe imen a la i encias en los p ocesos de
enseñanza coope a i a y dialógica en la ida co idiana. Es e es udio busca apoyo eó ico en No man
Lede man, pa a comp ensión de la Al abe ización Cien í ica y su aspec o de in e disciplina iedad, y
la base eó ica sob e Fo mación Docen e y Desa ollo P o esional Docen e con Ca los Ma celo Ga cía.
Pa a comp ensión de la Educación A ís ica, la undamen ación en James Haywood Rolling J , Jacques
Ranciè e, Amelia K aehe, Kendall C abbe, Dip i Desai, y en Yu al Ha a i pa a en ende la
in e conexión en e el his ó ico y el biológico.
Palab as cla es: Al abe ización cien í ica. Educación. Educación a ís ica. In e disciplina iedad.
Fo mación docen e. Desa ollo p o esional docen e.
Abs ac :
This esea ch is pa o he Didac ics and Educa ional O ganiza ion Depa men ’s esea ch lines a
he Educa ion Sciences Facul y - Uni e si y o Se ille, and aims o hink abou eaching s a on
Scien i ic Li e acy and A Educa ion as places o inse ion be ween in e disciplina i y o Teache
T aining, and he impo ance o in e connec ion wi h A Educa ion, conside ing i s po en ial o
de elop c ea i i y and cul u al in eg a ion in he global wo ld. This indi isible wo ld has i s ichness
in di e si y and in he unique way in which each indi idual expe iences p ocesses o coope a i e and
dialogic eaching in e e yday li e. This s udy seeks heo e ical suppo in No man Lede man, o
Scien i ic Li e acy and i s in e disciplina y aspec , and in he heo e ical ounda ion on Teache
T aining and Teache P o essional De elopmen wi h Ca los Ma celo Ga cía. Fo he unde s anding
o A is ic Educa ion look o suppo in James Haywood Rolling J , Jacques Ranciè e, Amelia K aehe,
Kendall C abbe, Dip i Desai, and in Yu al Ha a i o unde s and he disciplina y in e connec ion
be ween he his o ical and he biological.
Keywo ds: Scien i ic li e acy. Educa ion, A educa ion. In e disciplina i y. T aining eache .
P o essional de elopmen .
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1. In odução
A Al abe ização Cien í ica é uma concepção de ensino a a és da qual os indi íduos a iculam
os conhecimen os disciplina es dos quais se ap op iam em en oques in e disciplina es. Os
es udan es êm que e a capacidade de comp eende , ques iona e in e - elaciona os
concei os cien í icos com a sua ida no co idiano, numa e lexão in es iga i a da ida em
sociedade. Es e sujei o capaz de comp eende e in es iga seus p óp ios ques ionamen os, e
cu iosidade sob e os enômenos elacionados ao seu co idiano, e con ex ualiza à luz do
conhecimen o cien í ico, é o indi íduo al abe izado cien i icamen e. Is o signi ica que pa a se
conside ado al abe izado cien i icamen e e ecnicamen e, é necessá io que es es
conhecimen os sejam comp eendidos em elação a noções p o enien es das di e sas
disciplinas necessá ias ao en oque de con ex os conc e os (Fou ez, 1995) inse idos den o de
p ocessos colabo a i os e c ia i os que eme gem nas si uações i enciais e cul u ais do
co idiano em sociedade. Ma u ana (2004, p.132) explica que " odas as dimensões da pe cepção,
do da -se con a de si mesmo, ou pe cebe o ou o, su gem como ope ações elacionais" e,
i enciais.
Os Pad ões In e nacionais de Educação em Ciências (1996) de inem a Al abe ização Cien í ica
num escopo de coe ência pa a a o mação de um cidadão que con inuamen e es á se
ans o mando e se a ualizando, e em a capacidade de comp eensão do mundo e solução das
ques ões do co idiano den o de uma elação com as ciências, is o é, a "al abe ização cien í ica
em di e en es g aus e o mas, que se expandem e ap o undam ao longo da ida, não somen e
du an e os anos escola es. Mas as a i udes e alo es es abelecidos pa a a ciência nos p imei os
anos de escola ização, de e mina ão o desen ol imen o da al abe ização cien í ica de uma
pessoa ao longo de sua ida" (Pad ões In e nacionais de Educação em Ciências, 1996, p.22) e
sua capacidade de in e - elação coe en e em sociedade.
Nes e con ex o, do desen ol imen o do indi íduo al abe izado cien i icamen e in e -
elacionamos à Educação A ís ica, numa pe spec i a pa a o ap endizado di igida pela
Educação STEAM (A es, Ciências, Tecnologia, Engenha ia e Ma emá ica), pa a o
desen ol imen o da c ia i idade dos alunos. Rolling (2016) pon ua que o abalho do
educado a ís ico "é ins iga e p omo e a p á ica a ís ica e p oje a o pensamen o como um
meio pa a ap endizado indi idual, esponsabilidade social e solução c ia i a de p oblemas -
mediando ideias e ma e iais pa a soluções signi ica i as e du adou as" (p.45), es as
ca ac e ís icas da Educação A ís ica e STEAM em seu pon o de conexão com os obje i os da
Al abe ização Cien í ica, à medida que es a ambém obje i a a o mação do indi íduo
au ônomo, com au o esponsabilidade social e que em capacidade de comunicação pa a
solução das ques ões socias (Fou ez, 1995; Pad ões In e nacionais de Educação em
Ciências,1996).
É impo an e des aca que a Educação STEAM "não é in eg ação a ís ica" (Wa son, 2016, p.8),
nes a, odas as disciplinas são co-iguais: a es, ciências, ecnologias, engenha ias e
ma emá icas. Num de e minado dia o p o esso pode abalha nas suas aulas com algum
componen e a ís ico, e em ou as aulas, não inclui nenhum componen e a ís ico, e in e -
elaciona ou as ciências. O oco p incipal do STEAM é semp e es a abalhando com
in e seções en e ciências di e en es, inci ando a c ia i idade, num con ex o que dimensione a
c iação, ino ação e in e disciplina idade.
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O conhecimen o cien í ico ins iga a c ia i idade no indi íduo, e es a, é a base cen al do
desen ol imen o da capacidade de in es igação cien í ica. A c iação pos a em p á ica, é
ino ação, e es a, no con ex o da Fo mação e Desen ol imen o P o issional Docen e, pe mi e o
ap imo amen o do conhecimen o pedagógico, conhecimen o didá ico do con eúdo e
conhecimen o p o issional docen e. Apesa disso, os documen os de e o ma da ciência pouco
se deb uçam no ensino com oco no pensamen o c ia i o como se obse a nos Na ional
Resea ch Council [NRC], 1996, 2000; 2012 (Lede man, 2013).
Re le i sob e c ia i idade e ino ação docen e pe passa ques ões sob e o p ocesso dis up i o
da Fo mação Docen e T adicional (Ma celo y Vaillan , 2018), e das p á icas adicionais, que
implica um deba e polí ico, pedagógico e ilosó ico a ní el da comunidade docen e mundial.
Den o de um con ex o c ia i o, de ino ação e de ações de in e disciplina idade, eme ge o
en endimen o de que "a c ia i idade é uma undação do conhecimen o cien í ico; assun o em
si, que é nascido dele. A epis emologia da ciência suge e que a c ia i idade é a base cen al do
desen ol imen o da in es igação cien í ica" (Lede man, 2013, p.1), e pa a alunos c ia i os
"supõe-se, quase po de inição, que os p óp ios p o esso es são c ia i os" (Woods, 1999, p.127).
E nes e sen ido, pensa no desen ol imen o in e disciplina e c ia i o do ensino das ciências,
eque pensa em ino ação docen e, po que es a é a dimensão p á ica do p ocesso c ia i o da
docência.
Em elação a ino ação das p á icas docen es, Cos a (2012) inci a a pensa mos que "os ecu sos
disponí eis hoje na In e ne pe mi em inúme as linhas de uga às p á icas adicionais [...] com
ma e iais de es udo in e a i os disponibilizados em a iadíssimas gale ias de a e e museus
i uais" (p.77). Es a p opos a az a possibilidade do desen ol imen o dos es udan es de uma
o ma in eg al e in eg ada à c iação, à au onomia e ao sen ido de comum-unidade, in e ligados
pelas edes digi ais, mas com consciência do conhecimen o e in o mação que es ão sendo
eiculados, isando às me as cole i as e não indi iduais. No in ui o de desen ol e a i udes
de empa ia, coope ação e comunicação, mas sob e udo de um ap endizado cien í ico que
es eja coe en e com um sen ido da impo ância do ap ende , pa a o sabe i e e con i e em
sociedade. Es a é a impo ância undamen al do ap endizado STEAM, e o pon o c ucial pa a
a o mação do sujei o al abe izado cien i icamen e: sabe , comp eende e in e - elaciona os
di e sos con eúdos das ciências, num con ex o in e disciplina e in adisciplina , em conexão
com ques ões que susci am no co idiano.
Po an o, o desen ol imen o do pensamen o c ia i o, cons i ui o ce ne da ques ão do
Desen ol imen o P o issional Docen e, po que com o desen ol imen o das habilidades
c ia i as dos p o esso es é que eme ge as possibilidades de desen ol imen o das unções
psicológicas supe io es ambém de seus alunos, unções es as que são a base cons i ucional
o gânica da ap op iação de no os ap endizados (Vigo ski, 2009). Des a o ma, os educado es
êm que e a capacidade de man e a cu iosidade sob e a sua u ma, iden i ica in e esses
signi ica i os nos p ocessos de ensino, e alo iza e p ocu a o diálogo em sala de aula, pois
sabemos que "[...] as con e sações nas quais es amos ime sos ao aze mos ciência que
de e minam o cu so da ciência" (Ma u ana, 2001, p.146), e pe mi em o desen ol imen o da
c ia i idade e as possibilidades de ino ação.
Pa a alunos c ia i os, necessi amos de p o esso es c ia i os, e se como pon ua Lede man e .al.
(2013): a c ia i idade é a base do po encial pa a mo i a a cu iosidade in es iga i a de um
indi íduo, emos que oca es o ços em p ocessos de Fo mação e Desen ol imen o
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P o issional Docen e de p o esso es das ciências, com uma undamen ação didá ica do
con eúdo mui o bem es u u ada, que ins igue a c ia i idade dos es udan es, com ias a
desen ol e a capacidade in es iga i a, e a consciência do pe encimen o a bios e a; e de que
po isso são um odo in eg ado em sociedade, pa a que enham cu iosidade de se
comp eende em e se ans o ma em. Es e é o pon o p imo dial que ins iga o po encial c ia i o
dos alunos.
Des a o ma, os p o esso es o mado es de em ins iga a o mação e desen ol imen o de um
p o esso com capacidade c ia i a pa a ap ende e ensina (Ma celo, 2001). Lede man, An ink
& Ba os (2014) essal am que "embo a o conhecimen o cien í ico seja, pelo menos
pa cialmen e, baseado e/ou a pa i de obse ações do mundo na u al (is o é, empí ico),
en ol e, no en an o, imaginação e c ia i idade" (p.288). O que nos eme e a e lexões de que o
po encial c ia i o, é uma das capacidades mais impo an es a se em abalhadas pa a a
o mação do cidadão al abe izado cien i icamen e, e o mado numa Educação A ís ica e
STEAM, is o é, a sua habilidade de c ia as suas p óp ias es a égias pa a esolução das suas
ques ões da ida no co idiano, desen ol endo es a c ia i idade, e possibilidade de ações
ino ado as, a pa i de uma base de conhecimen o cien í ico de na u eza in e disciplina .
2. Al abe izaçao cien í ica, educação a ís ica,
in e disciplina idade na o mação e desen ol imen o
p o issional docen e
Den o da pe spec i a da na u eza do conhecimen o cien í ico e da in es igação cien í ica,
baseado na Al abe ização Cien í ica, Ge a d Fou ez (1995) des aca que "na medida em que a
obse ação se liga à linguagem e a p essupos os cul u ais ala de um sujei o de obse ação
pu amen e indi idual, é icção" (p.59), ou seja, "a obse ação é uma in e p e ação" (Fou ez,
1995, p.40) des e sujei o his ó ico-cul u al, que i e em sociedade, e em um con ex o de
i ências, não é um p ocesso indi idual e sim, social. Nes e aciocínio, Mo ei a e Candau
(2007) explicam que "quando um g upo compa ilha uma cul u a, compa ilha um conjun o
de signi icados, cons uídos, ensinados e ap endidos nas p á icas de u ilização da linguagem"
(p.27), es e mecanismo ep esen a o in acul u al, nos espaços dialógicos de uma mesma
cul u a, o in e cul u al, nos espaços dialógicos en e cul u as, e mul icul u al, nos espaços
dialógicos de edes cul u ais globais, "a pala a cul u a implica, po an o, o conjun o de
p á icas po meio das quais signi icados são p oduzidos e compa ilhados em um g upo [...]
um conjun o de p á icas signi ican es" (Mo ei a e Candau, 2007, p.27) nas i ências cole i as
de um g upo. Cul u a é linguagem que pode e de e se compa ilhada en e cul u as, num
espaço dialógico, in e cul u al e in e disciplina .
Pa a K asilchick (2011), "é impo an e conside a o papel do desen ol imen o da linguagem
no ap endizado das ciências e ambém o papel do po encial desse ap endizado no
desen ol imen o das habilidades pa a exp essa ideias e pensamen os ou pa a a gumen a
nos ní eis mais complexos do aciocínio" (p.59). Es a au o a es abelece elação en e as ases
da al abe ização cien í ica e os qua o es ágios de aquisição de linguagem. No p imei o es ágio
"a linguagem é desc i i a e es i a aos nomes de obje os, enômenos e espécimes", no segundo
es ágio apa ecem elações causais "com exp essões como po que, po an o, mesmo que, po ém

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limi adas a um a o ". O e cei o es ágio ap esen a ca ac e ís icas que en ol em o "uso de
a gumen os mul idimensionais na análise dos p oblemas", no qua o es ágio há o
desen ol imen o da "linguagem ma emá ica, que amplia as possibilidades e a p ecisão das
exp essões" (K asilchick, 2011, p.60, g i os da au o a).
A cada e apa da aquisição da linguagem, co esponde a ap op iação de elemen os ine en es a
o mação do indi íduo al abe izado cien i icamen e. Es e p ocesso e idencia a impo ância
dos p o esso es es a em a en os, e se em p epa ados du an e sua Fo mação e
Desen ol imen o P o issional Docen e pa a a ua em no p ocesso de ensino com a
in encionalidade da o mação do aluno al abe izado cien i icamen e. Es e, é o es udan e capaz
de in e liga os conhecimen os das di e sas disciplinas escola es, "pois nenhuma segu a
on ei a sepa a o e i ó io do sociólogo, do e i ó io do ilóso o, ou o his o iado do e i ó io
da li e a u a [...] somen e a linguagem da his ó ia pode aça a on ei a, o ça o enigma
insolú el da ausência de azão, po de ás das azões das disciplinas" (Ranciè e, 2015, p.186).
É nes e con ex o, que os o mado es de p o esso es, e os p o esso es escola es e uni e si á ios
em o de e de o ien a os seus alunos, num p ocesso con ínuo da Educação STEAM, e do
desen ol imen o da Al abe ização Cien í ica e Educação A ís ica, que seja dema cada po um
início, mas nunca po um im, po que o que i emos, é his ó ia, e a his ó ia da humanidade
não em im, somos indi íduos em o mação, ans o mação, e em cons an e e o mulação. A
não acei ação des a condição de indi íduos socio-his ó icos, e po sociais e his ó icos,
his ó ico-cul u ais. nos põe à ma gem da his ó ia, à ma gem do desen ol imen o da ino ação,
e olução e ans o mação como indi íduos em sociedade.
O desen ol imen o dos conhecimen os cien í icos no con ex o da Al abe ização Cien í ica e
Educação A ís ica, na pe spec i a STEAM, não signi ica o que a c iança conseguiu ou não
en ende numa aula conc e a, signi ica "quais são os caminhos undamen ais do p ocesso
in e no de desen ol imen o dos concei os que a c iança de e pe co e , num de e minado
campo, sob a in luência do ensino das ciências na u ais, das ciências sociais, e c" (Vigo ski,
2010b, p.282), is o é, no con ex o in e disciplina . Po que quando a c iança consegue exp essa
sua ideia, isso não signi ica que o p ocesso de desen ol imen o es á inalizado, esse ep esen a
o "pon o de pa ida do desen ol imen o seguin e do concei o" (Vigo ski, 2010b, p.282). Es e
pon o signi ica que o es udan e inicia seu p ocesso de al abe izado cien i icamen e, com
capacidade espacial a ís ica, e o mação STEAM, quando consegue exp essa ideias associá-
las, e aze in e conexões com as si uações do seu co idiano, que possam su gi elacionadas a
de e minado concei o, e mais, in e liga den o de um mecanismo in e disciplina dos
di e en es concei os ap endidos no ambien e escola , den e as di e sas disciplinas.
Nes e con ex o, da impo ância do es udan e in e liga e aze conexões en e os concei os
ap eendidos em sala de aula, Ha a i (2016, p.7057) des aca que "as e oluções na bio ecnologia,
na in o ecnologia são desen ol idas pelos engenhei os, emp eendedo es e cien í icos,
somen e conscien es das implicações polí icas de suas decisões, e que ce amen e não
ep esen am a ninguém", es es p o issionais assim, des oam do con ex o de cidadãos
al abe izados cien i icamen e, e p epa ados na Educação A ís ica, na pe spec i a STEAM.
Sendo assim, como pensam somen e na ó ica polí ica, não azem as in e conexões de o ma a
in eg a o social, o cul u al, o econômico e o polí ico, o que causa uma deses u u ação, queb a
e desconexão do conhecimen o o iundo das suas c iações, ino ações que compa ilham em
sociedade.
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Po an o den e a g ande quan idade de in o mações ecebidas a a és da ede digi al, a odo
momen o, mui as são de qualidade, mas mui as e le em somen e, "as necessidades polí icas e
as o ças de manob a" (Ha a i, 2016, p.6203), com o in ui o de conduzi os indi íduos numa
pe spec i a de manob a de massa, uma manipulação do iés capi alis a, den o da ó ica
pe encen e a co obo a com as necessidades da o ça polí ica igen e. Em con apa ida, se
es as ans o mações ecnológicas o em abalhadas po p o esso es, engenhei os,
emp eendedo es e cien í icos, de o ma in encional e conscien e da epe cussão das suas
implicações cul u ais, sociais e econômicas, es es p o issionais são conside ados STEAM,
po que azem uma in eg ação in e disciplina , com as á ias ciências, den e as quais a A e
que acili a a isão cul u al, geomé ica e espacial possibili ada pela Educação A ís ica. Es a
pe spec i a in e disciplina é necessá ia ao desen ol imen o das compe ências des es
p o issionais pa a o ensino, que engloba ques ões sob e ino ação cu icula , e a ualização
cons an e e con ínua dos o mado es de docen es, no que conce ne a epensa os p ocessos de
Fo mação e Desen ol imen o P o issional Docen e.
Des a o ma, são os p o esso es al abe izados cien i icamen e, que possibili am a a és da
docência, a o mação de uma sociedade mundial al abe izada cien i icamen e, po que
signi icam e essigni icam os seus conhecimen os, in encionalmen e, pa a a melho ia do
p ocesso de ensino-ap endizagem, e di usão do conhecimen o cien í ico, na pe spec i a
in e disciplina dos aspec os sociais, cul u ais, econômicos e polí icos de o ma in eg al e
in eg ada à cidadania mundial.
2.1. Al abe izaçao cien í ica, educação a ís ica, e in e disciplina idade
Na pe spec i a da Al abe ização Cien í ica, Educação A ís ica e In e disciplina idade, Dip i
Desai (2016) des aca o incen i o di ecionado pa a que os jo ens desen ol am mo imen os que
insi am a A e, in e ligada a ou os ecu sos pedagógicos pa a a comp eensão das ques ões
sociais em comunidade. Na mesma pe spec i a, Amelia K aehe pesquisado a da
Uni e sidade do Texas, e especialis a em es udos in e cul u ais em Educação, que a ualmen e
desen ol e seus abalhos em Tucson, uma cidade on ei iça com o México no A izona, uma
egião de ca ac e ís ica mul icul u al de ido aos " luxos cul u ais en e di e sos po os, às
ezes olun á ios, e ou as ezes o çado" (K aehe y C abbe, 2019, p.4). Es a pesquisado a es á
en ol ida e i enciando o co idiano des a egião há dois anos, e essigni icou o seu olha sob e
es a egião on ei iça, que ago a in i ula, como sua casa.
Amelia K aehe nos seus ela os de pa icipação, in es igação e a i ismo na egião on ei iça
de Tucson explica que sua isão sob e a on ei a mudou depois que passou a i e , con i e
e aze pa e des a sociedade. E assim a sua pe cepção sob e es a egião oi moldada, pelas
in o mações ecebidas ex e namen e, que in e nalizou, is o é, se ap op iou como cul u a. E
pe cebe ago a, que inha uma isão de u pada, um olha ex e no, "uma manei a pa icula de
olha , in e p e a e ep esen a o mundo de pessoas em luga es dis an es, que ge almen e êm
pouco conhecimen o, expe iência ou conexão pessoal pa a as on ei as. Ou i e sem dú ida
in e nalizei his ó ias sob e a on ei a con ada po polí icos" e epó e es (K aehe y C abbe,
2019, p.4) que nada condiz com a ealidade i enciada no co idiano. E ac escen a que "esses
con ado es de his ó ias ex e nos olham pa a as on ei as de manei a que pa ece emo a,
dis an e do co idiano, das o inas e i mos cul u ais da ida das pessoas que mo am aqui"
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(K aehe y C abbe, 2019, p.5), e ela a o quan o o abalho com a A e e es es cidadãos
o alecem e empode am a in e cul u alidade nes a egião on ei iça, e que possa se modelo
de comp eensão de uma o ma de desen ol imen o da con i ência en e os cidadãos de
di e sas cul u as, em ou os egiões de luxo mig a ó ios na aldeia mundial.
Assim sendo, es a e lexão da in es igado a Amelia K aehe (2019) nos inci a a pensa nos
es udos de Vigo ski, po que Amelia explica que in e nalizou in o mações eiculadas po
polí icos e epó e es quando es a a dis an e das i ências na egião, e que somen e depois de
i enciá-las in loco, pe cebeu a de u pação das in o mações que ecebeu e in e nalizou. Es a
ques ão é p eocupan e, po que quando um indi íduo in e naliza de e minada in o mação,
signi ica que se ap op iou, e is o é cul u a. Es e p ocesso de in e naliza ep esen a a aquisição
cul u al, is o é, aquilo que oco e en e as pessoas num g upo a a és das i ências, e que
depois se á ans o mado pa a acon ece numa só, que Vigo ski (2010) chama de aquisições
in e nas.
Na pe spec i a da Educação, comp eendemos quando Vigo ski (2010, p.699) nos explica que
"no meio exis e uma o ma ideal ou inal que in e age com a o ma p imá ia da c iança e, em
esul ado, uma dada o ma de ação se o na uma aquisição in e na da c iança, o na-se dela
p óp ia, o na-se uma unção de sua pe sonalidade", e é es a aquisição in e na, como
educado es, que emos que e esponsabilidade e in encionalidade, da manei a co e a de
o ien a nossos alunos. Não há mais espaço, nes a "aldeia global" (Ha a i, 2016, p.6090) pa a
ansmissão de conhecimen o. Como educado es, de emos es a conscien es que ansmissão
não é ins ução, como p o esso es, somos o ien ado es, e não me os ansmisso es de
conhecimen os pa a os nossos alunos, endo que es a semp e a ualizados no con ex o da
Fo mação e Desen ol imen o P o issional Docen e num cons uc o in e disciplina .
Den o da Educação STEAM se essal a a impo ância das ecnologias pa a o desen ol imen o
in eg al do indi íduo. Po an o, é u gen e uma discussão da impo ância de uma análise
c i e iosa do que é eiculado pelos meios de ecnologia de in o mação. E ac escen o, mais
u gen e ainda, uma isão c í ica dos o mado es de docen es, na pe spec i a da Fo mação e
Desen ol imen o P o issional Docen e, de e o mulação e ajus e c i e ioso do limia de um
p ocesso de ensino, onde os p o esso es enham au o esponsabilidade sob e a sua
in encionalidade ao o ien a seus alunos com in o mações e conhecimen os, passando pelo
c i o de ês indagações: "o que", "como" e "pa a que" es ão o ien ando de e minado con eúdo.
Es as indagações possibili am a alidação, e au o-conscien ização dos p o esso es sob e com
qual in encionalidade es ão desen ol endo a sua p o issão docen e. A a i ude é ica é essencial
na cons i uição do sujei o p o esso . Não há mais espaço pa a o ien ação de conhecimen os
que não es ejam coe en es com a ealidade i enciada.
Nes a conjec u a, a Educação é o mação e in enção em ação pa a incen i a e lexões em
sociedade, e despe a o indi íduo pa a o en endimen o de quais ideias e in o mações que nos
chegam a a és das edes, sejam es as midiá icas ou in e pessoais, que co obo am com a
in encionalidade de ação pa a o mação, e quais de ação pa a manipulação, e impulsos de
dominação na bios e a. Como educado es, se pe mi imos, a discó dia ai ex e mina a
ci ilização, po que os cidadãos c í icos em o mação não acei a ão se em manipulados pelas
mídias, e nem em suas elações pessoais, pa a in ensão da dominação, e nem com in enção
sem ação. Os con li os azem pa e da ida, do mo imen o dialógico do i e em sociedade,
con li os são o mas de in e ação social, mas não de em inci a a discó dia. Con li os podem
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oco e em sociedade, em sala de aula, em amília, na comunidade e êm o igem em
"pe cepções dis o cidas pela imaginação, o que le a a sen imen os des u i os p o ocados po
necessidades con a iadas que desencadeiam ações mais ou menos iolen as", que p o ocam
eações ambém iolen as po pa e da pessoa que oi a ingida (Weil, 2011, p.159). Mui as
des as ques ões de con li os em sociedade se passam en e cul u as di e en es, jus amen e po
pe cepções dis o cidas pela imaginação, o iundas do não pe encimen o, da exclusão, po que
os que excluem, excluem não po in enção, mas po al a de es ima i a, e assim a "medida que
o mundo nos ap esen a ques ões cada ez mais desa iado as, p ecisa emos de uma
pe spec i a in e disciplina pa a descob i as soluções" (Young, 2018, p.18).
Nes e con ex o, eme ge a impo ância da in e disciplina idade nos cu sos de Fo mação e
Desen ol imen o P o issional Docen e, Young (2018, p,23) apon a o sucesso de cu sos
in e disciplina es na o mação p o issional, e des aca uma expe iência numa escola de Música,
com um no o modelo de ensino onde o e eceu den o do Cu so de Musico e apia um
Seminá io in i ulado, Música e o Cé eb o, baseado no pon o de in e conexão en e a
neu ociência e a A e. Es e Seminá io do "p o esso de neu ociência John Mille e de Shane
Col in, um musico e apeu a licenciado e assis en e de ensino, a aiu g ande in e esse de
es udan es em odo o campus [...] Es e Seminá io de sucesso esul ou em es udan es que
ap esen a am p oje os em pesquisas indi iduais, e em pequenos g upos de al a qualidade" o
que pe mi iu en ende o quan o a A e inci a o desen ol imen o da capacidade de c ia i idade
e ino ação nos indi íduos, quando in encionalmen e abalhada, num planejamen o baseado
na Educação A ís ica e Al abe ização Cien í ica no con ex o in e disciplina p opos o em
p oje os STEAM.
Den o des e aspec o, Mu illo (2011, p.122) essal a que no âmbi o do ensino é essencial o
desen ol imen o de p oje os que isem a melho ia dos mecanismos de ensino nas escolas, e
pa a isso, alguns aspec os eme gem como essenciais, quais sejam "a) Comp omisso pessoal
dos docen es [...] b) Possibilidade de ecebe o mação e assesso amen o ex e no [...] Um clima
que p edomine as boas elações [...] d) A impo ância da lide ança", endossando assim que é
p imo dial a p omoção da capaci ação dos p o esso es no âmbi o escola , e ambém no
uni e si á io.
Nes a pe spec i a da Educação STEAM e da Al abe ização Cien í ica Cos a (2012) des aca que
o uso das ecnologias digi ais in eg adas ao ensino das ciências nas escolas é di ecionado ao
"desen ol imen o de compe ências do domínio da comunicação" (p.69), mas que es udos já
e idenciam que es e é um pensamen o es i o, po que a in eg ação ciências e ecnologias
digi ais "p omo e um conjun o de compe ências cien í icas que se e elam em odos os
domínios da ap endizagem (conhecimen os, capacidades e a i udes)" (Cos a, 2012, p.69), e não
somen e no desen ol imen o da compe ência comunica i a. Sendo assim, quando os
p o esso es aliam as ciências num con ex o in e disciplina in encional, como in e liga a A e,
as ciências na u ais, como a Biologia e a Química, em conjun o com as ecnologias digi ais, há
a possibilidade de um sal o quali a i o no po encial do desen ol imen o das unções psíquicas
supe io es dos es udan es, po que inci a a "Zona de Desen ol imen o Iminen e" (Vigo ski,
2008, p.35), e no as conexões ce eb ais em a possibilidade de se em desen ol idas em odas
os domínios da ap endizagem.
Nes e sen ido, abalha no campo in e disciplina , pe mi e a ans o mação do indi íduo no
con ex o das suas habilidades e compe ências, e é es e o ce ne da exp essão da Al abe ização