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Algumas no as sob e a his o ia do
cinema documen a io e nog á ico
Ra ael F anco Coelho
Uni e sidade Fede al de Goiás, B asil
a aelcoelho@ acomb.u g.b
Resumen: Es e ex o p e ende o ece una b e e his o ia del documen ales
e nog á ico, desde sus inicios has a la ac ualidad. Además, amos a incu siona en
el cine e nog á ico en B asil, el aumen o de las p oducciones más in luyen es. Desde
es e pun o de is a his ó ico, hay una e lexión sob e el lenguaje audio isual,
es udia concep os como el documen ales y la icción, e hno ic ion, la imp o isación,
unciones de la cáma a, p o ilm y inalmen e sus elaciones con la an opología y el
mé odo e nog á ico.
Palab as cla e: cine documen al; comunicación audio isual; an opología isual.
Abs ac : This ex aims o p o ide a b ie his o y o e hnog aphic documen a y,
om i s beginning un il oday. In addi ion, will make a incu sion in o he
e hnog aphic ilm in B azil, aising he mos in luen ial p oduc ions. F om his
his o ical iew, he e is a e lec ion on he audio isual language, discussing
concep s such as documen a y and ic ion, e hno ic ion, ac ing, imp o isa ion,
came a unc ions, p o ilm and inally i s ela ions wi h an h opology and
e hnog aphic me hod.
Keywo ds: documen a y ilm; audio isual communica ion; isual an h opology.
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1. In odução
A his ó ia do ilme e nog á ico se con unde com a p óp ia his ó ia do cinema, e mais
pa icula men e do cinema documen á io, ou de ilmes não- iccionais. Es e gêne o, a
que chama emos de documen á io e nog á ico, su ge em meados do século XIX,
assim como sua companhei a insepa á el, a pesquisa e nog á ica. Ambos se
desen ol em de o ma independen e e só começam a ap esen a ce a ma u idade a
pa i de 1920.
No caso da pesquisa an opológica e da e nog a ia, é conside ado um ma co o
abalho do polonês B onislaw Malinowski, ealizado nas Ilhas T obiand, cuja
pesquisa esul a na monog a ia Os a gonau as do pací ico cen al (1922). Com
Malinowski, a pesquisa de campo passa a igu a como elemen o cen al na p odução
das eo ias an opológicas, azendo su gi o eó ico-pesquisado de campo que
desc e e de e minadas sociedades endo como base a obse ação pa icipan e. Nes a
pesquisa, a o og a ia adqui e um papel undamen al no egis o e na desc ição da
cul u a obiandesa.
Segundo Pa ícia Mon e-Mó no ex o “Tendências do documen á io e nog á ico”, a
pa i de Malinowski, a e nog a ia se desen ol e como um gêne o cien í ico e
li e á io, seguindo “uma a iedade de pad ões no ma i os pa a a pesquisa: como a
necessidade do pesquisado i e na aldeia na i a, usa a língua na i a, i e um
pe íodo jun o ao g upo es udado, in es iga emas clássicos pa a que pudesse chega
ao odo po uma de suas pa es, deixando de lado um in en á io ou a desc ição de
cos umes.” (Mon e-Mó , 2004: 101).
2. Documen á io e nog á ico
De e mina qual oi o p imei o egis o cinema og á ico com in e esses cien í icos e
e nog á icos é di ícil e polêmico. Pa a alguns au o es, como Pie e Jo dan no ex o
“P imei os con a os, p imei os olha es” (1995), “os p imei os ilmes e nog á icos,
pensados como documen ação audio isual pa a a pesquisa de campo”, o am os
ealizados pelo zoólogo Al ed Co Haddon du an e uma expedição da Uni e sidade
de Camb idge pa a documen a a cul u a dos abo ígines das Ilhas do Es ei o de
To es, en e a Aus ália e a No a Guiné.
Já pa a o amoso p odu o de documen á ios e nog á icos Jean Rouch, do qual
ala emos adian e, es e início se dá no dia 4 de ab il de 1901. “Nes e dia, Baldwin
Spence , que se no abilizou po seus es udos sob e os abo ígines aus alianos, ilmou
uma dança do cangu u e uma ce imônia pa a a chu a”. (ROUCH, 1970: 13 apud
HEIDER, 1995: 34)
Apesa dessas expe iências pionei as, ROUCH (1975) apon a como os e dadei os
p ecu so es e pais undado es do ilme an opológico o so ié ico (o iginalmen e
Polonês) Dziga Ve o e o ame icano Robe Flahe y. Ac escen a íamos que eles são
não apenas os “pais” do ilme an opológico, mas ambém do cinema documen á io
de modo ge al. O eó ico do documen á io Bill Nichols (2005) se e e e à Flahe y
como o “pai” do documen á io, embo a des aque a impo ância de Ve o e do
documen a is a inglês John G ie son.
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Pa a se comp eende o cinema de Dziga Ve o é necessá io an es con ex ualizá-lo.
Após a e olução ussa, conhecida como Re olução de Ou ub o de 1917, os a is as
ussos inicia am uma sé ie de deba es sob e a impo ância e o papel da a e na
e olução e nos mo imen os sociais da Rússia nes e pe íodo. O deba e se in ensi icou
e culminou na c iação do LEF (F en e Esque dis a de A e) pelo poe a Vladimi
Maiako ski, ao qual Ve o se associa em 1923. O LEF azia pa e de um mo imen o
mais amplo que comp eendeu á ias exp essões das angua das a ís icas ussas, o
chamado cons u i ismo usso, que inclui a is as como Alexand Rodchenko, o
cineas a Sie guéi Eisens ein e o p óp io Ve o .
Den o desse con ex o como pano de undo, Ve o começa sua ca ei a no cinema
edi ando um cine-jo nal de a ualidades do Es ado So ié ico chamado de Kinonedelia
(Cinema Semana). Depois publica á ios mani es os com suas eo ias sob e o cine-
olho e o Kinop a da (Cinema e dade). Ve o não oi só um cineas a de angua da,
mas ambém um pionei o na p odução de e lexões sob e cinema e sua eo ia da
mon agem, que ele denominou de eo ia dos in e alos. Em suas eo ias, Ve o
e u a a qualque o ma de icção e exal a a as po encialidades do “cinema e dade”.
Seu mais impo an e ilme O homem com a câme a (1929) é um exemplo cla o de
suas idéias sob e cinema e mon agem, sendo a úl ima mui o exal ada e explo ada
pelo cineas a.
Em 1922, Robe Flahe y ealizou seu mais amoso documen á io sob e a ida de um
esquimó (ou Inui ) do á ico canadense chamado Nanook o he no h. Nes e ilme,
Flahe y inaugu a uma sé ie de ino ações à linguagem e ao mé odo cinema og á ico
da época, se indo de e e ência pa a mui as das p oduções pos e io es. A p imei a
delas é o longo p ocesso de obse ação an es das ilmagens. Flahe y i eu em á ea
esquimó e iajou com os esquimós po longos pe íodos en e 1910 e 1921, a é inicia
as ilmagens de Nanook na Baía de Hudson. Du an e as ilmagens, Flahe y inaugu a
um p ocedimen o que mais a de se á esga ado po Jean Rouch como um dos pila es
da chamada “an opologia pa ilhada”. Todas as noi es, após as ilmagens, Flahe y
e ela a os nega i os num labo a ó io imp o isado e os p oje a a pa a os
p o agonis as do ilme, que assis iam e opina am sob e as cenas, pa icipando da
cons ução do ilme.
Apesa disso, algumas das c í icas que se azem aos ilmes de Flahe y su gem em
deco ência de um p ocedimen o exempli icado aqui po NICHOLS: “Flahe y c iou a
imp essão de que algumas cenas se passa am den o do iglu de Nanook, quando, de
a o, elas o am g a adas ao a li e, com um meio iglu maio do que o no mal como
pano de undo. Isso deu a Flahe y luz su icien e pa a ilma , mas exigiu que seus
pe sonagens a uassem como se es i essem no in e io de um iglu de e dade.”
(Nichols, 2005: 120)
Enquan o isso, segundo RAMOS (2004: 81), nos anos 30, John G ie son es abelece
as p opos as es ilís icas e de p odução pa a o cinema documen á io que i ão domina
a p imei a me ade do século a é os anos 60. “U ilização in ensa de oz o e
exposi i a, encenação e um namo o sem má consciência com a p opaganda ma cam
es a de inição do documen á io”.
HEIDER (1995) a i ma que mui os anos se passa am após as p imei as ilmagens de
Flahe y pa a que o cinema e a e nog a ia inalmen e se encon assem, a a és de
dois an opólogos, G ego y Ba eson e Ma ga e h Mead. En e 1936 e 1939, Ba eson e
800
Mead es abelece am uma colabo ação num es udo sob e uma aldeia de Bali, cujo oco
p incipal e am as elações en e cul u a e pe sonalidade, especialmen e na educação
das c ianças balinesas. Es e p oje o ouxe di e sas con ibuições impo an es pa a a
an opologia, p incipalmen e na in eg ação en e ilme e o og a ia nas pesquisas
e nog á icas.
A p imei a publicação u o des a pesquisa, Balinese Cha ac e (Ba eson e Mead,
1942), usa a uma combinação de ex os e o og a ias, de uma o ma a amen e
en ada depois disso e nunca suplan ada. As g a ações em ilme pa ecem e ecebido
menos impo ância do que as o og a ias, já que só o am e minadas uma década
depois, apenas sob a supe isão de Mead. Seis ilmes o am mon ados e lançados
en e 1950 e 1951, como o ilme T ance and Dance in Bali, A Balinese amily e
Ka ba’s i s yea s. “Es es ilmes são e nog á icos no sen ido mais li e al da pala a.
Como az a e nog a ia esc i a, eles desc e em o compo amen o e ap esen am os
esul ados do es udo e nog á ico. Em sua maio pa e, ocalizam c ianças in e agindo
com ou as c ianças e com adul os. [...] A pesquisa de Ba eson e Mead oi a p imei a a
en a esol e sis ema icamen e o que signi ica usa o ilme como pa e in eg an e da
pesquisa an opológica”. (Heide , 1995: 40)
En e os anos 50 e 60, o a da F ança não oco e am g andes a anços no campo do
documen á io e nog á ico, e as lições deixadas po Flahe y, Ba eson e Mead ica am
suspensas no a . Podemos ci a duas p oduções como signi ica i as desse pe íodo:
The Hun e s, de John Ma shall (1958), Dead Bi ds, de Robe Ga dne (1962).
Já na F ança du an e a década de 60, hou e uma explosão de documen á ios
e nog á icos, sob a in luência do an opólogo-cineas a Jean Rouch, que me ece
des aque na his ó ia do documen á io e nog á ico e do cinema de modo ge al.
Engenhei o de o mação, abalhou po algum empo nas colônias ancesas da Á ica
como a Nigé ia cons uindo pon es e es adas, pe íodo onde su giu seu in e esse
pelas sociedades ibais a icanas. De ol a à F ança, começa a es uda iloso ia na
So bonne e decide desce o io Nige de canoa com dois amigos, usando uma câme a
pela p imei a ez pa a egis a al iagem. Es e oi o pon o de pa ida pa a uma
ex ensa p odução de inclui á ios í ulos como Ini ia ion à la danse des possédés de
1947; Les mai es ous e Jagua , ambos de 1953; Moi, un Noi de 1957; La Chasse au
lion à l’a c e aux leches de 1957-65; o amoso Ch onique d’ un é é de 1960; Le dama
d’ Amba a de 1980, den e ou os.
A clássica elação en e obse ado e obse ado p esen e na an opologia, com a
câme a de Rouch ganha uma ou a dimensão. Quem ilma (obse ado ) e quem es á
sendo ilmado (obse ado) cons óem e in es igam jun os e ao mesmo empo.
Resga ando os p ocedimen os inaugu ados po Flahe y em Nanook, Rouch e o na a
Á ica pa a mos a aos “obse ados” as ilmagens ei as an e io men e ou mesmo o
ilme em ase de mon agem. A pa i desse diálogo ele p opõe o que chama á de
“an opologia pa ilhada”: “...eu já ha ia e le ido mui o sob e o absu do de esc e e
li os in ei os sob e pessoas que nunca e iam acesso a eles, e aí, de epen e, o
cinema pe mi ia ao e nóg a o pa ilha a an opologia com os p óp ios obje os de sua
pesquisa”. (ROUCH, 1975 apud MONTE-MÓR, 2004: 107)
Rouch esga a não só os p ocedimen os de Flahe y, mas ambém as eo ias de Ve o
sob e o “cinema e dade”. P opo á “e no icções” e uma sé ie de ou os
p ocedimen os que i ão ino a e ma ca a p odução pos e io . A pa i daí, o na-se
801
e e ência undamen al an o no cinema documen á io quan o em sua e en e
e nog á ica, na sua p opos a de “cinéma- é i é”: “Não um cinema e dade, mas a
e dade do cinema”. Nas pala as do p óp io Ve o : “a e dade ilmada não é a
e dade. A e dade eal é a e dade do cinema. O cinema e dade não é a e dade no
ilme. É a e dade do ilme. E a e dade e a e dade do ilme não são o mesmo.”
(NACIFY, 1979)
79
.
A discussão sob e a e dade no cinema documen á io se inse e den o de uma
polêmica iniciada, ou pelo menos o malizada, numa con e ência ealizada em Lyon
pela F ench Na ional B oadcas ing O ganiza ion (ORTF) e in i ulada 1963
Con e ence on New Documen a y, em que ame icanos e anceses (inclusi e Rouch)
se di idi am espec i amen e em dois mo imen os, o cinema di e o e o cinema
e dade.
Pa a Jean Rouch, seu pa cei o Edga Mo in e Ch is Ma ke , no cinema e dade a
câme a de e ia assumi uma p esença in e en i a, pa icipa i a e e lexi a, uma
p esença assumida e decla ada. Como em seu ilme Ch onique d’ un é é, que mos a
no ilme a o ma como ele oi p oduzido. Sua me odologia inse e na na a i a os
depoimen os e as e lexões dos p óp ios au o es além da ealização de en e is as,
sendo conside ado o p imei o documen á io a u ilizá-las. Nele as pessoas não só
alam, mas pa icipam do p ocesso de p odução do ilme, azendo c í icas e suges ões.
A p imei a cena do ilme mos a uma discussão en e os di e o es e os en e is ados
sob e a o ma como a iam o documen á io, que mais a de se ia p oje ado pa a
odos os pa icipan es assis i em e seguido de um calo oso deba e, udo
e iden emen e egis ado pela câme a dos di e o es e inse ido no ilme.
Já pa a os de enso es do cinema di e o como Richa d Leacock, Robe D ew, Donn
Pennebake , Albe e Da id Maysles a câme a de e ia assumi uma pos u a não-
in e en i a, obse acional, neu a e quase ausen e, de ecuo dian e da ida que
ansco e a a és das len es da câme a, de uma câme a escondida, compa ada a uma
“mosca na pa ede”. Além disso, a encenação, algo pe ei amen e no mal e acei á el
na na a i a documen á ia a é os anos 60, começa a se ques ionada. Nas pala as de
seus p a ican es “Se o ma e ial não e a espon âneo [...] como pode se e dade?”
(WINSTON, 1993)
80
.
Essa elação do homem com a câme a é um dos p incipais pon os de di e gência
en e o cinema e dade e o cinema di e o. A pa i do momen o em que a câme a é
ligada, algo acon ece, e o que acon ece dian e da câme a al ez nunca i esse
acon ecido caso ela não es i esse ali. Ligada ou não, na mão do cineg a is a ou sob e
um ipé, sua p esença, decla ada ou dis a çada, al e a de alguma o ma o modo
como a ida que ansco e dian e dela acon ece. Essa é uma ques ão a é hoje
polêmica pa a os adep os do cinema di e o: É possí el ecua ou não-in e i na ida
que ansco e a a és das len es da câme a? Como nega uma p esença que é
comp o ada pelas p óp ias imagens egis adas pela câme a?
Documen á io e nog á ico no B asil
79 T adução do au o : “ he u h ilmed is no he u h. The eal u h is he u h o he ilm. The cinema e i é is no he e i é in ilm. I is he
u h o he im. And he u h and he u h o he ilm a e no he same.”
80 T adução do au o : “I he ma e ial was no spon aneous, hey said, how could i be ue?”
802
No B asil, podemos começa a ala da his ó ia do ilme e nog á ico a pa i da
Comissão de Linhas Teleg á icas e Es a égicas do Ma o G osso ao Amazonas, a
amosa Comissão Rondon. Segundo JORDAN (1995), comandada pelo en ão Co onel
Cândido Ma iano da Sil a Rondon, a Comissão passa a u iliza a o og a ia
inicialmen e pa a documen a os abalhos das linhas eleg á icas e, pos e io men e,
pa a o og a a as a i idades co idianas e os i uais dos índios. Em 1910, Rondon
con ida o Majo Luiz Thomaz Reis pa a se o o óg a o o icial da Comissão. Nes e
mesmo ano, oi c iado o Se iço de P o eção aos Índios (SPI), cujo p esiden e
ambém e a Rondon e que em 1967 se ans o ma ia na a ual Fundação Nacional do
Índio (FUNAI).
Em 1912, sob o comando de Thomaz Reis, c ia-se o se iço cinema og á ico da
Comissão e Reis ealiza seu p imei o ilme sob e os índios Pa eci e Nhambiqua a.
Es e ilme chamado de Os se ões de Ma o G osso é lançado em 1915 e me ade do
alo a ecadado em suas bilhe e ias oi doado ao SPI. Em 1917, Reis lança seu mais
impo an e ilme, Ri uaes e es as Bo o o, conside ado “o p imei o ilme e nog á ico
e dadei o... u ilizando odas as po encialidades que lhe o e ece o ipo de ma e ial de
que dispõe; Reis esc e e com a câme a”. (Jo dan, 1995: 20). Segundo TACCA (2004),
é um dos p imei os ilmes e nog á icos do mundo e con ém ca ac e ís icas de
me odologia de campo pos e io men e desen ol idas pela an opologia.
Thomaz Reis colabo ou com a Comissão a é 1938, p oduzindo um as o ma e ial
o og á ico e cinema og á ico de singula qualidade, conside ados excepcionais pa a a
época.
81
O an opólogo Claude Lé i-S auss e sua mulhe Dina ealiza am uma sé ie de
egis os o og á icos e cinema og á icos du an e suas expedições ao B asil Cen al.
Sua p odução o og á ica oi o ganizada e publicada em li os e já é bem conhecida
do g ande público, enquan o que seus egis os cinema og á icos ainda não o am
de idamen e di ulgados e analisados em sua de ida impo ância.
Segundo Pa ícia Mon e-Mó (2004), “os ilmes ealizados pelos Lé i-S auss, nos
anos 30, são um e a o das p imei as di usões dos equipamen os cinema og á icos
na expe iência acadêmica no B asil”. Alguns dos í ulos desse pe íodo são:
Ce imônias une á ias en e os Bo o o, Aldeia Nalike e Fes a do Di ino Espí i o
San o. Es es ilmes o am ealizados quando Dina es a a à en e da Sociedade de
E nog a ia e Folclo e, undada em São Paulo, em 1936, pelo esc i o Má io de
And ade.
Enquan o isso, o go e no de Ge úlio Va gas incula á o cinema a ins cul u ais como
polí ica es a égica de seu go e no, seguindo as endências eu opéias da época. Em
1937, oi c iado o Ins i u o Nacional de Cinema Educa i o (Ince), pos e io INC, como
o ma de impulsiona a p odução documen al nacional com o apoio e inanciamen o
do es ado. Du an e esse pe íodo, des acamos a p odução do di e o Humbe o
Mau o, que na en e do Ince p oduziu mais de 300 documen á ios como a sé ie de
cu as-me agens B asilianas.
81
Pa a maio es de alhes, e : TACCA, Fe nando de (2001)
:
A imagé ica da Comissão Rondon: e nog a ias ílmicas es a égicas. Campinas,
Papi us.
803
Dando con inuidade às expe iências iniciadas pela Comissão Rondon, o Se iço de
P o eção aos Índios (SPI) in eg a a sua equipe uma sé ie de o óg a os e cineg a is as.
Numa pa ce ia en e o an opólogo Da cy Ribei o e o o óg a o e cineas a alemão
adicado no B asil Heinz Fo hmann, o am p oduzidos Um dia na ida de uma ibo
da lo es a opical (1950) e Fune al Bo o o (1953). Es e úl imo, podendo se a ado
como a e cei a ge ação de ilmes sob e os i uais une á ios dos Bo o o, iniciado pelo
Majo Reis e seguido pelo ilme dos Lé i-S auss.
F u o de ou as pa ce ias, a p odução de Heinz Fo hmann ainda inclui á os ilmes
Kua up (1965), com a pa icipação do an opólogo Robe o Ca doso de Oli ei a e
Jo nada Kamayu á (1965) com o an opólogo Roque La aia. Nes es ilmes, a
pa icipação dos an opólogos é mais na unção de consul o es do que de ealizado es
p op iamen e.
A pa i da década de 60, in luenciados pelas ino ações écnicas e es ilís icas do
cinéma- é i é F ancês e do Neo- ealismo i aliano, o documen á io b asilei o se
eno a com a no a ge ação do Cinema No o. Nes e pe íodo, a Ca a ana Fa kas
(1968-1972) oi um ma co na p odução de documen á ios. Em busca do “B asil
Ve dade”, o obje i o da ca a ana e a mos a o B asil aos b asilei os. P oduzindo
ilmes inicialmen e des inados à ede escola , Fa kas en ia a jo ens ealizado es ao
No des e e à pe i e ia do Rio com o in ui o de e ela o país. Des acamos o longa-
me agem B asil e dade, que é a eunião de qua o média-me agens: Vi amundo
de Ge aldo Sa no, Sub e âneos do Fu ebol de Mau ice Capo illa, Memó ia do
Cangaço de Paulo Gil Soa es e Nossa escola de samba de Ho ácio Gimenez.
Em 1966 os ame icanos Sol Wo h, um p o esso de comunicação e John Adai , um
an opólogo, inicia am uma sé ie de expe iências ino ado as na qual os índios
Na ajos aziam ilmes sob e sua p óp ia cul u a, na en a i a de da aos na i os uma
oz e olha p óp ios.
Seguindo a ilha abe a po Wo h e Adai , nos anos 80 o an opólogo Te ence
Tu ne in oduz equipamen os de ídeo jun o às populações indígenas b asilei as
como os Caiapó. Essa expe iência in luencia p o undamen e os in eg an es do Cen o
de T abalho Indigenis a (CTI), uma o ganização não-go e namen al undada em
1979 po um g upo de an opólogos e de educado es que deseja am es ende sua
expe iência de pesquisa e nológica na o ma de p og amas de in e enção au o-
sus en á eis e adequados às comunidades indígenas com as quais se elaciona am.
(GALLOIS; CARELLI, 1995)
Nes e con ex o, em 1987 su ge o p oje o “Vídeo nas Aldeias”, coo denado po Vincen
Ca elli, e as an opólogas Dominique Gallois e Vi gínia Valadão. Inicialmen e, o
obje i o do p oje o e a ealiza o icinas e cu sos de o mação e capaci ação das
populações indígenas pa a a ealização de p odu os audio isuais sob e a sua cul u a,
o nando acessí el o uso do ídeo a um núme o c escen e de comunidades indígenas,
p omo endo a ap op iação e manipulação de sua imagem de aco do com seus
p oje os polí icos e cul u ais. Mas no deco e do p oje o essas me as o am
ex apoladas, não só pela qualidade dos esul ados ob idos, mas ambém pela
quan idade e di e sidade de usos do ídeo ei os pelas sociedades indígenas
b asilei as que pa icipam do p oje o.
804
Den e os á ios ilmes desen ol idos, podemos ci a : O espí i o da TV de 1990, A
a ca dos Zo’é de 1993, Eu já ui seu i mão de 1993, Mo aynga a de 1997, Seg edos
da Ma a de 1998, além de ou os í ulos sob e os Xa an e como Wai’á: o seg edo dos
homens de 1988, Wai’á ini: o pode do sonho de 2001, Da i izé: ap endiz de
cu ado de 2003 e inalmen e Wap é M’nhõnõ: a iniciação do jo em Xa an e de
1999.
Com o p oje o “Vídeo nas aldeias”, o am p oduzidos documen á ios e e no- icções
dos mais a iados ipos: egis os de i uais, u o da pa ce ia en e os índios e o
p oje o; egis os de con li os con a in asões e pela dema cação de e as; sé ies
pa a a ele isão educa i a e o ensino undamen al; além dos ilmes p oduzidos no
deco e das o icinas de capaci ação e das chamadas ídeo-ca as. Es a úl ima me ece
especial a enção de ido a sua o iginalidade. T a a-se de p oduções ei as pelos índios
e en iadas a ou as aldeias como uma ca a. Lá o ilme é exibido e se inicia uma
p odução pa a se en iada como espos a. Um diálogo in e -é nico ico e
di e si icado.
Os mé i os do p oje o “Vídeo nas Aldeias”, além do seu pionei ismo, é o nece
ins umen o polí ico e subsídios pa a a au onomia dos po os indígenas b asilei os
en e aos ó gãos go e namen ais. Além disso, o ídeo p opicia as condições
necessá ias pa a a exp essão de suas p óp ias ozes, iabiliza e po encializa a
comunicação en e g upos é nicos di e en es espacial e cul u almen e e ambém
auxilia no egis o de momen os his ó icos especí icos, a uando na p ese ação de
adições cul u ais em cons an e ans o mação. Segundo GALLOIS e CARELLI
(1995) “O p oje o p e endia con ibui a esse mo imen o, colocando à disposição dos
po os indígenas a opo unidade de um diálogo adap ado a suas o mas de
ansmissão cul u al. O ídeo ep esen a, de a o, um ins umen o de comunicação e
um eículo de in o mação ap op iado ao in e câmbio en e g upos que não só
man êm adições cul u ais di e sas, mas desen ol e am o mas di e enciadas de
adap ação ao con a o com os b ancos”.
Além da p odução de ilmes, o p oje o ambém implan ou uma ede de ideo ecas e
cen os de p odução de ídeos em 12 aldeias, en e os po os Waiãpi (Amapá),
Enawenê Nawê, Xa an e e Nambikwa a (Ma o G osso), Ga ião-Pa ka êjê e Xik im-
kayapó (Sul do Pa á), K inka i (Ma anhão), Te ena e Gua ani (Ma o G osso do Sul).
Documen á io e nog á ico con empo âneo
A ualmen e, quando endências pós-mode nas ede inem a pesquisa e nog á ica, o
ex o an opológico em sua au o idade ques ionada, sendo cons uído como
“na a i as iccionais”. Concebida como diálogo e poli onia, a pesquisa hoje ques iona
as elações en e sujei o e obje o. Com os no os pa adigmas da disciplina, os
an opólogos descob em que “con am his ó ias”, p ocu ando ambém con á-las
a a és das imagens. (MONTE-MÓR, 2004)
Da mesma o ma, o documen á io e nog á ico hoje ques iona uma sé ie de
p ocedimen os idos como e e ências clássicas. Con amina-se com o cinema
con empo âneo e com a icção, enquan o a icção se ap oxima da es é ica do
documen á io. As on ei as en e documen á io e icção se con undem com a
inse ção de á ias ozes e á ios pon os de is a nos ilmes, inclusi e a dos “na i os”.
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A Mos a In e nacional do Filme E nog á ico, oco ida anualmen e na cidade do Rio
de Janei o e a ualmen e o ganizado pela an opóloga Pa ícia Mon e-Mó e pelo
documen a is a José Inácio Pa en e, passou a o ganiza a sua p og amação incluindo
a ca ego ia E noclip. Nes a ca ego ia, o am exibidos ideoclipes musicais de ca á e
come cial que alo izam a e nicidade em sua p opos a imagé ica, como em Ma aca u
a ômico de Chico Science e Zé Limei a de Mes e Amb ósio. (MONTE-MÓR, 2004)
A mais longa adição de ilmes e nog á icos em da Aus ália. Desde Baldwin
Spence , ci ado aqui nas o igens do ilme e nog á ico, a é as ecen es expe iências de
Da id e Judi h MacDougall. Da ex ensa p odução dos MacDougalls podemos ci a
como exemplo a ilogia Wedding camels (1980). Segundo NICHOLS (2005), nesses
3 ilmes sob e os Tu kanas do no e do Quênia, os di e o es ado am á ias es a égias
e lexi as pa a nos conscien iza do en ol imen o a i o dos cineas as na elabo ação
das cenas. São ei as pe gun as aos expec ado es ou usadas legendas pa a ge a uma
a i ude e lexi a dos expec ado es dian e do ilme.
Seguindo a ilha das ino ações que oco em no ilme e nog á ico a ualmen e,
podemos ci a a ob a da Vie nami a T inh T. Minh-ha. Seu ilme Reag upamen o
(1982), ilmado numa á ea u al do Senegal, ala sob e os p oblemas e as con enções
do ilme e nog á ico. No ilme, T inh o na-se uma pe sona ou pe sonagem em seu
p óp io ilme, além de sua c iado a. Segundo Bill Nichols (2005: pág. 163) “Em
Reag upamen o, a decla ação de T inh T. Minh-há, de que ai ‘ ala p óxima’ da
Á ica, em ez de ala ‘sob e a Á ica’, simboliza essa mudança [...] ompendo com as
con enções ealis as da e nog a ia pa a ques iona o pode do olha ixo da câme a de
ep esen a , ou desc e e enganosamen e, os ou os.”
Sob enome Vie nome de ba ismo Nam (1989), ou o ilme de T inh, se baseia em
en e is as com mulhe es do Vie nã desc e endo as condições op essi as que
en en am desde o im da gue a. Du an e o ilme descob imos que as mulhe es que
ep esen am o papel de mulhe es ie nami as no Vie nã são, na e dade, emig an es
que o am pa a os Es ados Unidos e que eci am, num cená io, ela os ansc i os e
edi ados po T inh de en e is as ealizadas no Vie nã po ou a pessoa com ou as
mulhe es. Essa mis u a en e a o e icção, de cenas p epa adas e não p epa adas, de
en e is as ensaiadas e en e is as apa en emen e espon âneas, ins iga-nos a
epensa a u ilidade de qualque idéia de documen á io como o ma que ansmi e
in o mações ou e dade na u almen e. (NICHOLS, 2004)
Da mesma o ma, Da id MacDougall em seu li o T anscul u al Cinema (1998), no
capí ulo 3, in i ulado “The subjec i e oice in e hnog aphic ilm” ques iona o ealismo
e a obje i idade da linguagem documen al e a i ma que “O alo da oz subje i a, na
an opologia e nos ilmes documen á ios, é que ela pode da acesso ao c uzamen o de
di e en es ins an es em elação a sociedade – pa a o qual caso con á io se ia
con adi ó io, ambíguo e pa adoxal.”
NICHOLS (2005) no seu li o In odução ao documen á io a i ma que nos ídeos e
ilmes documen á ios podemos iden i ica seis modos de ep esen ação que
uncionam como subgêne os do gêne o documen á io p op iamen e di o: poé ico,
exposi i o, obse a i o, pa icipa i o, e lexi o e pe o má ico. A o dem desses seis
modos co esponde, ap oximadamen e, a c onologia de seu su gimen o na his ó ia,
mas a iden i icação de um ilme com um ce o modo não é o al, mas sim com