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Algumas notas sobre a historia do cinema documentario etnográfico

Abstract

Este texto pretende ofrecer una breve historia de documentales etnográfico, desde sus inicios hasta la actualidad. Además, vamos a incursionar en el cine etnográfico en Brasil, el aumento de las producciones más influyentes. Desde este punto de vista histórico, hay una reflexión sobre el lenguaje audiovisual, estudiar conceptos como el documentales y la ficción, ethnofiction, la improvisación, funciones de la cámara, profilm y finalmente sus relaciones con la antropología y el método etnográfico.

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Algumas notas sobre a historia do cinema documentario etnográfico

Author: Franco Coelho, Rafael
Publisher: Universidad de Sevilla, Secretariado de Recursos Audiovisuales y Nuevas Tecnologías
Year: 2012
Source: https://idus.us.es/bitstreams/71b13c0b-ecc7-4435-b9d0-ddba3d378f4b/download
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Algumas no as sob e a his o ia do
cinema documen a io e nog á ico
Ra ael F anco Coelho
Uni e sidade Fede al de Goiás, B asil
a aelcoelho@ acomb.u g.b
Resumen: Es e ex o p e ende o ece una b e e his o ia del documen ales
e nog á ico, desde sus inicios has a la ac ualidad. Además, amos a incu siona en
el cine e nog á ico en B asil, el aumen o de las p oducciones más in luyen es. Desde
es e pun o de is a his ó ico, hay una e lexión sob e el lenguaje audio isual,
es udia concep os como el documen ales y la icción, e hno ic ion, la imp o isación,
unciones de la cáma a, p o ilm y inalmen e sus elaciones con la an opología y el
mé odo e nog á ico.
Palab as cla e: cine documen al; comunicación audio isual; an opología isual.
Abs ac : This ex aims o p o ide a b ie his o y o e hnog aphic documen a y,
om i s beginning un il oday. In addi ion, will make a incu sion in o he
e hnog aphic ilm in B azil, aising he mos in luen ial p oduc ions. F om his
his o ical iew, he e is a e lec ion on he audio isual language, discussing
concep s such as documen a y and ic ion, e hno ic ion, ac ing, imp o isa ion,
came a unc ions, p o ilm and inally i s ela ions wi h an h opology and
e hnog aphic me hod.
Keywo ds: documen a y ilm; audio isual communica ion; isual an h opology.
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1. In odução
A his ó ia do ilme e nog á ico se con unde com a p óp ia his ó ia do cinema, e mais
pa icula men e do cinema documen á io, ou de ilmes não- iccionais. Es e gêne o, a
que chama emos de documen á io e nog á ico, su ge em meados do século XIX,
assim como sua companhei a insepa á el, a pesquisa e nog á ica. Ambos se
desen ol em de o ma independen e e só começam a ap esen a ce a ma u idade a
pa i de 1920.
No caso da pesquisa an opológica e da e nog a ia, é conside ado um ma co o
abalho do polonês B onislaw Malinowski, ealizado nas Ilhas T obiand, cuja
pesquisa esul a na monog a ia Os a gonau as do pací ico cen al (1922). Com
Malinowski, a pesquisa de campo passa a igu a como elemen o cen al na p odução
das eo ias an opológicas, azendo su gi o eó ico-pesquisado de campo que
desc e e de e minadas sociedades endo como base a obse ação pa icipan e. Nes a
pesquisa, a o og a ia adqui e um papel undamen al no egis o e na desc ição da
cul u a obiandesa.
Segundo Pa ícia Mon e-Mó no ex o “Tendências do documen á io e nog á ico”, a
pa i de Malinowski, a e nog a ia se desen ol e como um gêne o cien í ico e
li e á io, seguindo “uma a iedade de pad ões no ma i os pa a a pesquisa: como a
necessidade do pesquisado i e na aldeia na i a, usa a língua na i a, i e um
pe íodo jun o ao g upo es udado, in es iga emas clássicos pa a que pudesse chega
ao odo po uma de suas pa es, deixando de lado um in en á io ou a desc ição de
cos umes.” (Mon e-Mó , 2004: 101).
2. Documen á io e nog á ico
De e mina qual oi o p imei o egis o cinema og á ico com in e esses cien í icos e
e nog á icos é di ícil e polêmico. Pa a alguns au o es, como Pie e Jo dan no ex o
“P imei os con a os, p imei os olha es” (1995), “os p imei os ilmes e nog á icos,
pensados como documen ação audio isual pa a a pesquisa de campo”, o am os
ealizados pelo zoólogo Al ed Co Haddon du an e uma expedição da Uni e sidade
de Camb idge pa a documen a a cul u a dos abo ígines das Ilhas do Es ei o de
To es, en e a Aus ália e a No a Guiné.
Já pa a o amoso p odu o de documen á ios e nog á icos Jean Rouch, do qual
ala emos adian e, es e início se dá no dia 4 de ab il de 1901. “Nes e dia, Baldwin
Spence , que se no abilizou po seus es udos sob e os abo ígines aus alianos, ilmou
uma dança do cangu u e uma ce imônia pa a a chu a”. (ROUCH, 1970: 13 apud
HEIDER, 1995: 34)
Apesa dessas expe iências pionei as, ROUCH (1975) apon a como os e dadei os
p ecu so es e pais undado es do ilme an opológico o so ié ico (o iginalmen e
Polonês) Dziga Ve o e o ame icano Robe Flahe y. Ac escen a íamos que eles são
não apenas os “pais” do ilme an opológico, mas ambém do cinema documen á io
de modo ge al. O eó ico do documen á io Bill Nichols (2005) se e e e à Flahe y
como o “pai” do documen á io, embo a des aque a impo ância de Ve o e do
documen a is a inglês John G ie son.
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Pa a se comp eende o cinema de Dziga Ve o é necessá io an es con ex ualizá-lo.
Após a e olução ussa, conhecida como Re olução de Ou ub o de 1917, os a is as
ussos inicia am uma sé ie de deba es sob e a impo ância e o papel da a e na
e olução e nos mo imen os sociais da Rússia nes e pe íodo. O deba e se in ensi icou
e culminou na c iação do LEF (F en e Esque dis a de A e) pelo poe a Vladimi
Maiako ski, ao qual Ve o se associa em 1923. O LEF azia pa e de um mo imen o
mais amplo que comp eendeu á ias exp essões das angua das a ís icas ussas, o
chamado cons u i ismo usso, que inclui a is as como Alexand Rodchenko, o
cineas a Sie guéi Eisens ein e o p óp io Ve o .
Den o desse con ex o como pano de undo, Ve o começa sua ca ei a no cinema
edi ando um cine-jo nal de a ualidades do Es ado So ié ico chamado de Kinonedelia
(Cinema Semana). Depois publica á ios mani es os com suas eo ias sob e o cine-
olho e o Kinop a da (Cinema e dade). Ve o não oi só um cineas a de angua da,
mas ambém um pionei o na p odução de e lexões sob e cinema e sua eo ia da
mon agem, que ele denominou de eo ia dos in e alos. Em suas eo ias, Ve o
e u a a qualque o ma de icção e exal a a as po encialidades do “cinema e dade”.
Seu mais impo an e ilme O homem com a câme a (1929) é um exemplo cla o de
suas idéias sob e cinema e mon agem, sendo a úl ima mui o exal ada e explo ada
pelo cineas a.
Em 1922, Robe Flahe y ealizou seu mais amoso documen á io sob e a ida de um
esquimó (ou Inui ) do á ico canadense chamado Nanook o he no h. Nes e ilme,
Flahe y inaugu a uma sé ie de ino ações à linguagem e ao mé odo cinema og á ico
da época, se indo de e e ência pa a mui as das p oduções pos e io es. A p imei a
delas é o longo p ocesso de obse ação an es das ilmagens. Flahe y i eu em á ea
esquimó e iajou com os esquimós po longos pe íodos en e 1910 e 1921, a é inicia
as ilmagens de Nanook na Baía de Hudson. Du an e as ilmagens, Flahe y inaugu a
um p ocedimen o que mais a de se á esga ado po Jean Rouch como um dos pila es
da chamada “an opologia pa ilhada”. Todas as noi es, após as ilmagens, Flahe y
e ela a os nega i os num labo a ó io imp o isado e os p oje a a pa a os
p o agonis as do ilme, que assis iam e opina am sob e as cenas, pa icipando da
cons ução do ilme.
Apesa disso, algumas das c í icas que se azem aos ilmes de Flahe y su gem em
deco ência de um p ocedimen o exempli icado aqui po NICHOLS: “Flahe y c iou a
imp essão de que algumas cenas se passa am den o do iglu de Nanook, quando, de
a o, elas o am g a adas ao a li e, com um meio iglu maio do que o no mal como
pano de undo. Isso deu a Flahe y luz su icien e pa a ilma , mas exigiu que seus
pe sonagens a uassem como se es i essem no in e io de um iglu de e dade.”
(Nichols, 2005: 120)
Enquan o isso, segundo RAMOS (2004: 81), nos anos 30, John G ie son es abelece
as p opos as es ilís icas e de p odução pa a o cinema documen á io que i ão domina
a p imei a me ade do século a é os anos 60. “U ilização in ensa de oz o e
exposi i a, encenação e um namo o sem má consciência com a p opaganda ma cam
es a de inição do documen á io”.
HEIDER (1995) a i ma que mui os anos se passa am após as p imei as ilmagens de
Flahe y pa a que o cinema e a e nog a ia inalmen e se encon assem, a a és de
dois an opólogos, G ego y Ba eson e Ma ga e h Mead. En e 1936 e 1939, Ba eson e
800
Mead es abelece am uma colabo ação num es udo sob e uma aldeia de Bali, cujo oco
p incipal e am as elações en e cul u a e pe sonalidade, especialmen e na educação
das c ianças balinesas. Es e p oje o ouxe di e sas con ibuições impo an es pa a a
an opologia, p incipalmen e na in eg ação en e ilme e o og a ia nas pesquisas
e nog á icas.
A p imei a publicação u o des a pesquisa, Balinese Cha ac e (Ba eson e Mead,
1942), usa a uma combinação de ex os e o og a ias, de uma o ma a amen e
en ada depois disso e nunca suplan ada. As g a ações em ilme pa ecem e ecebido
menos impo ância do que as o og a ias, já que só o am e minadas uma década
depois, apenas sob a supe isão de Mead. Seis ilmes o am mon ados e lançados
en e 1950 e 1951, como o ilme T ance and Dance in Bali, A Balinese amily e
Ka ba’s i s yea s. “Es es ilmes são e nog á icos no sen ido mais li e al da pala a.
Como az a e nog a ia esc i a, eles desc e em o compo amen o e ap esen am os
esul ados do es udo e nog á ico. Em sua maio pa e, ocalizam c ianças in e agindo
com ou as c ianças e com adul os. [...] A pesquisa de Ba eson e Mead oi a p imei a a
en a esol e sis ema icamen e o que signi ica usa o ilme como pa e in eg an e da
pesquisa an opológica”. (Heide , 1995: 40)
En e os anos 50 e 60, o a da F ança não oco e am g andes a anços no campo do
documen á io e nog á ico, e as lições deixadas po Flahe y, Ba eson e Mead ica am
suspensas no a . Podemos ci a duas p oduções como signi ica i as desse pe íodo:
The Hun e s, de John Ma shall (1958), Dead Bi ds, de Robe Ga dne (1962).
Já na F ança du an e a década de 60, hou e uma explosão de documen á ios
e nog á icos, sob a in luência do an opólogo-cineas a Jean Rouch, que me ece
des aque na his ó ia do documen á io e nog á ico e do cinema de modo ge al.
Engenhei o de o mação, abalhou po algum empo nas colônias ancesas da Á ica
como a Nigé ia cons uindo pon es e es adas, pe íodo onde su giu seu in e esse
pelas sociedades ibais a icanas. De ol a à F ança, começa a es uda iloso ia na
So bonne e decide desce o io Nige de canoa com dois amigos, usando uma câme a
pela p imei a ez pa a egis a al iagem. Es e oi o pon o de pa ida pa a uma
ex ensa p odução de inclui á ios í ulos como Ini ia ion à la danse des possédés de
1947; Les mai es ous e Jagua , ambos de 1953; Moi, un Noi de 1957; La Chasse au
lion à l’a c e aux leches de 1957-65; o amoso Ch onique d’ un é é de 1960; Le dama
d’ Amba a de 1980, den e ou os.
A clássica elação en e obse ado e obse ado p esen e na an opologia, com a
câme a de Rouch ganha uma ou a dimensão. Quem ilma (obse ado ) e quem es á
sendo ilmado (obse ado) cons óem e in es igam jun os e ao mesmo empo.
Resga ando os p ocedimen os inaugu ados po Flahe y em Nanook, Rouch e o na a
Á ica pa a mos a aos “obse ados” as ilmagens ei as an e io men e ou mesmo o
ilme em ase de mon agem. A pa i desse diálogo ele p opõe o que chama á de
“an opologia pa ilhada”: “...eu já ha ia e le ido mui o sob e o absu do de esc e e
li os in ei os sob e pessoas que nunca e iam acesso a eles, e aí, de epen e, o
cinema pe mi ia ao e nóg a o pa ilha a an opologia com os p óp ios obje os de sua
pesquisa”. (ROUCH, 1975 apud MONTE-MÓR, 2004: 107)
Rouch esga a não só os p ocedimen os de Flahe y, mas ambém as eo ias de Ve o
sob e o “cinema e dade”. P opo á “e no icções” e uma sé ie de ou os
p ocedimen os que i ão ino a e ma ca a p odução pos e io . A pa i daí, o na-se
801
e e ência undamen al an o no cinema documen á io quan o em sua e en e
e nog á ica, na sua p opos a de “cinéma- é i é”: “Não um cinema e dade, mas a
e dade do cinema”. Nas pala as do p óp io Ve o : “a e dade ilmada não é a
e dade. A e dade eal é a e dade do cinema. O cinema e dade não é a e dade no
ilme. É a e dade do ilme. E a e dade e a e dade do ilme não são o mesmo.”
(NACIFY, 1979)
79
.
A discussão sob e a e dade no cinema documen á io se inse e den o de uma
polêmica iniciada, ou pelo menos o malizada, numa con e ência ealizada em Lyon
pela F ench Na ional B oadcas ing O ganiza ion (ORTF) e in i ulada 1963
Con e ence on New Documen a y, em que ame icanos e anceses (inclusi e Rouch)
se di idi am espec i amen e em dois mo imen os, o cinema di e o e o cinema
e dade.
Pa a Jean Rouch, seu pa cei o Edga Mo in e Ch is Ma ke , no cinema e dade a
câme a de e ia assumi uma p esença in e en i a, pa icipa i a e e lexi a, uma
p esença assumida e decla ada. Como em seu ilme Ch onique d’ un é é, que mos a
no ilme a o ma como ele oi p oduzido. Sua me odologia inse e na na a i a os
depoimen os e as e lexões dos p óp ios au o es além da ealização de en e is as,
sendo conside ado o p imei o documen á io a u ilizá-las. Nele as pessoas não só
alam, mas pa icipam do p ocesso de p odução do ilme, azendo c í icas e suges ões.
A p imei a cena do ilme mos a uma discussão en e os di e o es e os en e is ados
sob e a o ma como a iam o documen á io, que mais a de se ia p oje ado pa a
odos os pa icipan es assis i em e seguido de um calo oso deba e, udo
e iden emen e egis ado pela câme a dos di e o es e inse ido no ilme.
Já pa a os de enso es do cinema di e o como Richa d Leacock, Robe D ew, Donn
Pennebake , Albe e Da id Maysles a câme a de e ia assumi uma pos u a não-
in e en i a, obse acional, neu a e quase ausen e, de ecuo dian e da ida que
ansco e a a és das len es da câme a, de uma câme a escondida, compa ada a uma
“mosca na pa ede”. Além disso, a encenação, algo pe ei amen e no mal e acei á el
na na a i a documen á ia a é os anos 60, começa a se ques ionada. Nas pala as de
seus p a ican es “Se o ma e ial não e a espon âneo [...] como pode se e dade?”
(WINSTON, 1993)
80
.
Essa elação do homem com a câme a é um dos p incipais pon os de di e gência
en e o cinema e dade e o cinema di e o. A pa i do momen o em que a câme a é
ligada, algo acon ece, e o que acon ece dian e da câme a al ez nunca i esse
acon ecido caso ela não es i esse ali. Ligada ou não, na mão do cineg a is a ou sob e
um ipé, sua p esença, decla ada ou dis a çada, al e a de alguma o ma o modo
como a ida que ansco e dian e dela acon ece. Essa é uma ques ão a é hoje
polêmica pa a os adep os do cinema di e o: É possí el ecua ou não-in e i na ida
que ansco e a a és das len es da câme a? Como nega uma p esença que é
comp o ada pelas p óp ias imagens egis adas pela câme a?
Documen á io e nog á ico no B asil
79 T adução do au o : “ he u h ilmed is no he u h. The eal u h is he u h o he ilm. The cinema e i é is no he e i é in ilm. I is he
u h o he im. And he u h and he u h o he ilm a e no he same.”
80 T adução do au o : “I he ma e ial was no spon aneous, hey said, how could i be ue?”

802
No B asil, podemos começa a ala da his ó ia do ilme e nog á ico a pa i da
Comissão de Linhas Teleg á icas e Es a égicas do Ma o G osso ao Amazonas, a
amosa Comissão Rondon. Segundo JORDAN (1995), comandada pelo en ão Co onel
Cândido Ma iano da Sil a Rondon, a Comissão passa a u iliza a o og a ia
inicialmen e pa a documen a os abalhos das linhas eleg á icas e, pos e io men e,
pa a o og a a as a i idades co idianas e os i uais dos índios. Em 1910, Rondon
con ida o Majo Luiz Thomaz Reis pa a se o o óg a o o icial da Comissão. Nes e
mesmo ano, oi c iado o Se iço de P o eção aos Índios (SPI), cujo p esiden e
ambém e a Rondon e que em 1967 se ans o ma ia na a ual Fundação Nacional do
Índio (FUNAI).
Em 1912, sob o comando de Thomaz Reis, c ia-se o se iço cinema og á ico da
Comissão e Reis ealiza seu p imei o ilme sob e os índios Pa eci e Nhambiqua a.
Es e ilme chamado de Os se ões de Ma o G osso é lançado em 1915 e me ade do
alo a ecadado em suas bilhe e ias oi doado ao SPI. Em 1917, Reis lança seu mais
impo an e ilme, Ri uaes e es as Bo o o, conside ado “o p imei o ilme e nog á ico
e dadei o... u ilizando odas as po encialidades que lhe o e ece o ipo de ma e ial de
que dispõe; Reis esc e e com a câme a”. (Jo dan, 1995: 20). Segundo TACCA (2004),
é um dos p imei os ilmes e nog á icos do mundo e con ém ca ac e ís icas de
me odologia de campo pos e io men e desen ol idas pela an opologia.
Thomaz Reis colabo ou com a Comissão a é 1938, p oduzindo um as o ma e ial
o og á ico e cinema og á ico de singula qualidade, conside ados excepcionais pa a a
época.
81
O an opólogo Claude Lé i-S auss e sua mulhe Dina ealiza am uma sé ie de
egis os o og á icos e cinema og á icos du an e suas expedições ao B asil Cen al.
Sua p odução o og á ica oi o ganizada e publicada em li os e já é bem conhecida
do g ande público, enquan o que seus egis os cinema og á icos ainda não o am
de idamen e di ulgados e analisados em sua de ida impo ância.
Segundo Pa ícia Mon e-Mó (2004), “os ilmes ealizados pelos Lé i-S auss, nos
anos 30, são um e a o das p imei as di usões dos equipamen os cinema og á icos
na expe iência acadêmica no B asil”. Alguns dos í ulos desse pe íodo são:
Ce imônias une á ias en e os Bo o o, Aldeia Nalike e Fes a do Di ino Espí i o
San o. Es es ilmes o am ealizados quando Dina es a a à en e da Sociedade de
E nog a ia e Folclo e, undada em São Paulo, em 1936, pelo esc i o Má io de
And ade.
Enquan o isso, o go e no de Ge úlio Va gas incula á o cinema a ins cul u ais como
polí ica es a égica de seu go e no, seguindo as endências eu opéias da época. Em
1937, oi c iado o Ins i u o Nacional de Cinema Educa i o (Ince), pos e io INC, como
o ma de impulsiona a p odução documen al nacional com o apoio e inanciamen o
do es ado. Du an e esse pe íodo, des acamos a p odução do di e o Humbe o
Mau o, que na en e do Ince p oduziu mais de 300 documen á ios como a sé ie de
cu as-me agens B asilianas.
81
Pa a maio es de alhes, e : TACCA, Fe nando de (2001)
:
A imagé ica da Comissão Rondon: e nog a ias ílmicas es a égicas. Campinas,
Papi us.
803
Dando con inuidade às expe iências iniciadas pela Comissão Rondon, o Se iço de
P o eção aos Índios (SPI) in eg a a sua equipe uma sé ie de o óg a os e cineg a is as.
Numa pa ce ia en e o an opólogo Da cy Ribei o e o o óg a o e cineas a alemão
adicado no B asil Heinz Fo hmann, o am p oduzidos Um dia na ida de uma ibo
da lo es a opical (1950) e Fune al Bo o o (1953). Es e úl imo, podendo se a ado
como a e cei a ge ação de ilmes sob e os i uais une á ios dos Bo o o, iniciado pelo
Majo Reis e seguido pelo ilme dos Lé i-S auss.
F u o de ou as pa ce ias, a p odução de Heinz Fo hmann ainda inclui á os ilmes
Kua up (1965), com a pa icipação do an opólogo Robe o Ca doso de Oli ei a e
Jo nada Kamayu á (1965) com o an opólogo Roque La aia. Nes es ilmes, a
pa icipação dos an opólogos é mais na unção de consul o es do que de ealizado es
p op iamen e.
A pa i da década de 60, in luenciados pelas ino ações écnicas e es ilís icas do
cinéma- é i é F ancês e do Neo- ealismo i aliano, o documen á io b asilei o se
eno a com a no a ge ação do Cinema No o. Nes e pe íodo, a Ca a ana Fa kas
(1968-1972) oi um ma co na p odução de documen á ios. Em busca do “B asil
Ve dade”, o obje i o da ca a ana e a mos a o B asil aos b asilei os. P oduzindo
ilmes inicialmen e des inados à ede escola , Fa kas en ia a jo ens ealizado es ao
No des e e à pe i e ia do Rio com o in ui o de e ela o país. Des acamos o longa-
me agem B asil e dade, que é a eunião de qua o média-me agens: Vi amundo
de Ge aldo Sa no, Sub e âneos do Fu ebol de Mau ice Capo illa, Memó ia do
Cangaço de Paulo Gil Soa es e Nossa escola de samba de Ho ácio Gimenez.
Em 1966 os ame icanos Sol Wo h, um p o esso de comunicação e John Adai , um
an opólogo, inicia am uma sé ie de expe iências ino ado as na qual os índios
Na ajos aziam ilmes sob e sua p óp ia cul u a, na en a i a de da aos na i os uma
oz e olha p óp ios.
Seguindo a ilha abe a po Wo h e Adai , nos anos 80 o an opólogo Te ence
Tu ne in oduz equipamen os de ídeo jun o às populações indígenas b asilei as
como os Caiapó. Essa expe iência in luencia p o undamen e os in eg an es do Cen o
de T abalho Indigenis a (CTI), uma o ganização não-go e namen al undada em
1979 po um g upo de an opólogos e de educado es que deseja am es ende sua
expe iência de pesquisa e nológica na o ma de p og amas de in e enção au o-
sus en á eis e adequados às comunidades indígenas com as quais se elaciona am.
(GALLOIS; CARELLI, 1995)
Nes e con ex o, em 1987 su ge o p oje o “Vídeo nas Aldeias”, coo denado po Vincen
Ca elli, e as an opólogas Dominique Gallois e Vi gínia Valadão. Inicialmen e, o
obje i o do p oje o e a ealiza o icinas e cu sos de o mação e capaci ação das
populações indígenas pa a a ealização de p odu os audio isuais sob e a sua cul u a,
o nando acessí el o uso do ídeo a um núme o c escen e de comunidades indígenas,
p omo endo a ap op iação e manipulação de sua imagem de aco do com seus
p oje os polí icos e cul u ais. Mas no deco e do p oje o essas me as o am
ex apoladas, não só pela qualidade dos esul ados ob idos, mas ambém pela
quan idade e di e sidade de usos do ídeo ei os pelas sociedades indígenas
b asilei as que pa icipam do p oje o.
804
Den e os á ios ilmes desen ol idos, podemos ci a : O espí i o da TV de 1990, A
a ca dos Zo’é de 1993, Eu já ui seu i mão de 1993, Mo aynga a de 1997, Seg edos
da Ma a de 1998, além de ou os í ulos sob e os Xa an e como Wai’á: o seg edo dos
homens de 1988, Wai’á ini: o pode do sonho de 2001, Da i izé: ap endiz de
cu ado de 2003 e inalmen e Wap é M’nhõnõ: a iniciação do jo em Xa an e de
1999.
Com o p oje o “Vídeo nas aldeias”, o am p oduzidos documen á ios e e no- icções
dos mais a iados ipos: egis os de i uais, u o da pa ce ia en e os índios e o
p oje o; egis os de con li os con a in asões e pela dema cação de e as; sé ies
pa a a ele isão educa i a e o ensino undamen al; além dos ilmes p oduzidos no
deco e das o icinas de capaci ação e das chamadas ídeo-ca as. Es a úl ima me ece
especial a enção de ido a sua o iginalidade. T a a-se de p oduções ei as pelos índios
e en iadas a ou as aldeias como uma ca a. Lá o ilme é exibido e se inicia uma
p odução pa a se en iada como espos a. Um diálogo in e -é nico ico e
di e si icado.
Os mé i os do p oje o “Vídeo nas Aldeias”, além do seu pionei ismo, é o nece
ins umen o polí ico e subsídios pa a a au onomia dos po os indígenas b asilei os
en e aos ó gãos go e namen ais. Além disso, o ídeo p opicia as condições
necessá ias pa a a exp essão de suas p óp ias ozes, iabiliza e po encializa a
comunicação en e g upos é nicos di e en es espacial e cul u almen e e ambém
auxilia no egis o de momen os his ó icos especí icos, a uando na p ese ação de
adições cul u ais em cons an e ans o mação. Segundo GALLOIS e CARELLI
(1995) “O p oje o p e endia con ibui a esse mo imen o, colocando à disposição dos
po os indígenas a opo unidade de um diálogo adap ado a suas o mas de
ansmissão cul u al. O ídeo ep esen a, de a o, um ins umen o de comunicação e
um eículo de in o mação ap op iado ao in e câmbio en e g upos que não só
man êm adições cul u ais di e sas, mas desen ol e am o mas di e enciadas de
adap ação ao con a o com os b ancos”.
Além da p odução de ilmes, o p oje o ambém implan ou uma ede de ideo ecas e
cen os de p odução de ídeos em 12 aldeias, en e os po os Waiãpi (Amapá),
Enawenê Nawê, Xa an e e Nambikwa a (Ma o G osso), Ga ião-Pa ka êjê e Xik im-
kayapó (Sul do Pa á), K inka i (Ma anhão), Te ena e Gua ani (Ma o G osso do Sul).
Documen á io e nog á ico con empo âneo
A ualmen e, quando endências pós-mode nas ede inem a pesquisa e nog á ica, o
ex o an opológico em sua au o idade ques ionada, sendo cons uído como
“na a i as iccionais”. Concebida como diálogo e poli onia, a pesquisa hoje ques iona
as elações en e sujei o e obje o. Com os no os pa adigmas da disciplina, os
an opólogos descob em que “con am his ó ias”, p ocu ando ambém con á-las
a a és das imagens. (MONTE-MÓR, 2004)
Da mesma o ma, o documen á io e nog á ico hoje ques iona uma sé ie de
p ocedimen os idos como e e ências clássicas. Con amina-se com o cinema
con empo âneo e com a icção, enquan o a icção se ap oxima da es é ica do
documen á io. As on ei as en e documen á io e icção se con undem com a
inse ção de á ias ozes e á ios pon os de is a nos ilmes, inclusi e a dos “na i os”.
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A Mos a In e nacional do Filme E nog á ico, oco ida anualmen e na cidade do Rio
de Janei o e a ualmen e o ganizado pela an opóloga Pa ícia Mon e-Mó e pelo
documen a is a José Inácio Pa en e, passou a o ganiza a sua p og amação incluindo
a ca ego ia E noclip. Nes a ca ego ia, o am exibidos ideoclipes musicais de ca á e
come cial que alo izam a e nicidade em sua p opos a imagé ica, como em Ma aca u
a ômico de Chico Science e Zé Limei a de Mes e Amb ósio. (MONTE-MÓR, 2004)
A mais longa adição de ilmes e nog á icos em da Aus ália. Desde Baldwin
Spence , ci ado aqui nas o igens do ilme e nog á ico, a é as ecen es expe iências de
Da id e Judi h MacDougall. Da ex ensa p odução dos MacDougalls podemos ci a
como exemplo a ilogia Wedding camels (1980). Segundo NICHOLS (2005), nesses
3 ilmes sob e os Tu kanas do no e do Quênia, os di e o es ado am á ias es a égias
e lexi as pa a nos conscien iza do en ol imen o a i o dos cineas as na elabo ação
das cenas. São ei as pe gun as aos expec ado es ou usadas legendas pa a ge a uma
a i ude e lexi a dos expec ado es dian e do ilme.
Seguindo a ilha das ino ações que oco em no ilme e nog á ico a ualmen e,
podemos ci a a ob a da Vie nami a T inh T. Minh-ha. Seu ilme Reag upamen o
(1982), ilmado numa á ea u al do Senegal, ala sob e os p oblemas e as con enções
do ilme e nog á ico. No ilme, T inh o na-se uma pe sona ou pe sonagem em seu
p óp io ilme, além de sua c iado a. Segundo Bill Nichols (2005: pág. 163) “Em
Reag upamen o, a decla ação de T inh T. Minh-há, de que ai ‘ ala p óxima’ da
Á ica, em ez de ala ‘sob e a Á ica’, simboliza essa mudança [...] ompendo com as
con enções ealis as da e nog a ia pa a ques iona o pode do olha ixo da câme a de
ep esen a , ou desc e e enganosamen e, os ou os.”
Sob enome Vie nome de ba ismo Nam (1989), ou o ilme de T inh, se baseia em
en e is as com mulhe es do Vie nã desc e endo as condições op essi as que
en en am desde o im da gue a. Du an e o ilme descob imos que as mulhe es que
ep esen am o papel de mulhe es ie nami as no Vie nã são, na e dade, emig an es
que o am pa a os Es ados Unidos e que eci am, num cená io, ela os ansc i os e
edi ados po T inh de en e is as ealizadas no Vie nã po ou a pessoa com ou as
mulhe es. Essa mis u a en e a o e icção, de cenas p epa adas e não p epa adas, de
en e is as ensaiadas e en e is as apa en emen e espon âneas, ins iga-nos a
epensa a u ilidade de qualque idéia de documen á io como o ma que ansmi e
in o mações ou e dade na u almen e. (NICHOLS, 2004)
Da mesma o ma, Da id MacDougall em seu li o T anscul u al Cinema (1998), no
capí ulo 3, in i ulado “The subjec i e oice in e hnog aphic ilm” ques iona o ealismo
e a obje i idade da linguagem documen al e a i ma que “O alo da oz subje i a, na
an opologia e nos ilmes documen á ios, é que ela pode da acesso ao c uzamen o de
di e en es ins an es em elação a sociedade – pa a o qual caso con á io se ia
con adi ó io, ambíguo e pa adoxal.”
NICHOLS (2005) no seu li o In odução ao documen á io a i ma que nos ídeos e
ilmes documen á ios podemos iden i ica seis modos de ep esen ação que
uncionam como subgêne os do gêne o documen á io p op iamen e di o: poé ico,
exposi i o, obse a i o, pa icipa i o, e lexi o e pe o má ico. A o dem desses seis
modos co esponde, ap oximadamen e, a c onologia de seu su gimen o na his ó ia,
mas a iden i icação de um ilme com um ce o modo não é o al, mas sim com