scieee Science in your language
[pt] (orig)

A arte(auto) educação para a consciência de si e do outro

Abstract

Depois de 39 anos trabalhandocomo professora de arte, inicialmente na Educação Básica(escolas públicas e privadas) e posteriormente no Ensino Superior (UFPE), venho descobrir a educação informal como um processo de ensino-aprendizagem, considerando-a de grande relevância para a aprendizagem da arte, pensando nessa possibilidade de se autoeducar e, consequentemente, educar quem está próximo. Depois de orientar várias/váriosestudantesque não têm experiência na educação formal ou mesmona não formal, fui identificando essa aprendizagem. E foi então que surgiu a arte(auto)educação, uma consciência de si e do outro por meio do processo artístico. Neste artigo, trago como esse termo vem tomando corpo em minhas pesquisase parte doresultado dessas reflexões apresenteiem Paris, em 2017. Essas reflexões sobre si na produção artística se aprofundou nesse tempo de pandemia,entre 2020 e 2021,momento em que as/os estudantes estão em casa e, com isso,identificoque estão mergulhados na produção artística para se compreender, se fortalecer e não adoecer nesse tempo de solidãoque oisolamento, por causa da Covid-19, provoca. Oensino de arte formal, na formação de professoras e professores na Universidade Federal de Pernambuco, campo que tomo como meu lugar de fala, vaialém da sala de aula, seja nas escolas ou nos espaços não formais como ongs, ateliês e outros, se dá no próprio corpo dessas professoras e professores em formação. Com base nas experiências vividas em sala de aula e fora dela vamos aprendendo e reaprendendo a ser quem somos; o processo artístico e a criatividade são elementos fundamentais para essa arte(auto)educação, formação de si e aprendizagem da arte. Com ela,vamos elaborando e reelaborando as imagens que nos constituem. A produção dearte contaminada pelas imagens cotidianas, a contextualização, aquilo que você sente, expressa, vê, e a conscientização de si e do grupo com o qual se convive... e é assim que acontece a aprendizagem da arteem uma (auto)educação.

Read accessible full text

A arte(auto) educação para a consciência de si e do outro

Author: Negreiros do Amaral, Maria das Vitórias
Publisher: Editorial Universidad de Sevilla
Year: 2021
DOI: 10.12795/Communiars.2021.i05.05
Source: https://idus.us.es/bitstreams/2e8b9842-2d6b-4083-b346-87cb764c79ba/download
Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83 // 71
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681
A a e (au o)educação
pa a a consciência de si e
do ou o
A (sel )educa ion o he awa eness o sel and o he | A e
(au o)educación pa a la conciencia de uno mismo y del o o
Ma ia das Vi ó ias Neg ei os do Ama al | [email p o ec ed]
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO | BRASIL
Recibido · Recebido · Recei ed: 31/03/2021 | Acep ado · Acei o · Accep ed: 18/05/2021
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05
A ículo bajo licencia C ea i e Commons BY-NC-SA · A igo sob licença C ea i e Commons BY-
NC-SA · A icle unde C ea i e Commons license BY-NC-SA
Cómo ci a es e a ículo · Como ci a es e a igo · How o ci e his a icle:
Ama al, V. (2021). A a e (au o)educação pa a a consciência de si e do ou o. Communia s. Re is a
de Imagen, A es y Educacion C í ica y Social, 5, 71-83.
Resumo:
Depois de 39 anos abalhando como p o esso a de a e, inicialmen e na Educação Básica (escolas
públicas e p i adas) e pos e io men e no Ensino Supe io (UFPE), enho descob i a educação
in o mal como um p ocesso de ensino-ap endizagem, conside ando-a de g ande ele ância pa a a
ap endizagem da a e, pensando nessa possibilidade de se au oeduca e, consequen emen e, educa
quem es á p óximo. Depois de o ien a á ias/ á ios es udan es que não êm expe iência na educação
o mal ou mesmo na não o mal, ui iden i icando essa ap endizagem. E oi en ão que su giu a a e
(au o)educação, uma consciência de si e do ou o po meio do p ocesso a ís ico. Nes e a igo, ago
como esse e mo em omando co po em minhas pesquisas e pa e do esul ado dessas e lexões
ap esen ei em Pa is, em 2017. Essas e lexões sob e si na p odução a ís ica se ap o undou nesse empo
de pandemia, en e 2020 e 2021, momen o em que as/os es udan es es ão em casa e, com isso, iden i ico
que es ão me gulhados na p odução a ís ica pa a se comp eende , se o alece e não adoece nesse
empo de solidão que o isolamen o, po causa da Co id-19, p o oca. O ensino de a e o mal, na
o mação de p o esso as e p o esso es na Uni e sidade Fede al de Pe nambuco, campo que omo
como meu luga de ala, ai além da sala de aula, seja nas escolas ou nos espaços não o mais como
ongs, a eliês e ou os, se dá no p óp io co po dessas p o esso as e p o esso es em o mação. Com base
nas expe iências i idas em sala de aula e o a dela amos ap endendo e eap endendo a se quem
somos; o p ocesso a ís ico e a c ia i idade são elemen os undamen ais pa a essa a e (au o)educação,
o mação de si e ap endizagem da a e. Com ela, amos elabo ando e eelabo ando as imagens que
nos cons i uem. A p odução de a e con aminada pelas imagens co idianas, a con ex ualização, aquilo
que ocê sen e, exp essa, ê, e a conscien ização de si e do g upo com o qual se con i e... e é assim
que acon ece a ap endizagem da a e em uma (au o)educação.
72 // Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83
COMMUNIARS · 5 · 2020. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05
Pala as-cha e: Fo mação de p o esso as e p o esso es. A e (au o)educação. P ocesso de c iação.
C ia i idade. Al e idade.
Abs ac :
A e 39 yea s wo king as an a eache , ini ially in Basic Educa ion (public and public schools) and
la e in Highe Educa ion (UFPE), I ha e been disco e ing in o mal educa ion as a eaching-lea ning
p ocess, conside ing i o g ea ele ance o he lea ning o a , hinking in his possibili y o sel -
educa ing and, consequen ly, educa ing he ones a ound. A e guiding se e al/se e al s uden s who
ha e no expe ience in o mal educa ion o e en in non- o mal educa ion, I iden i ied ha lea ning.
And i was hen ha a (sel )educa ion appea ed, an awa eness o onesel and o he o he h ough
he a is ic p ocess. In his a icle, I b ing how his e m has been aking shape in my esea ch and pa
o he esul o hese e lec ions I p esen ed in Pa is, in 2017. These e lec ions on he sel in a is ic
p oduc ion deepened in his ime o pandemic, be ween 2020 and 2021, a ime when s uden s a e a
home and, he e o e, I iden i y ha hey a e imme sed in a is ic p oduc ion o unde s and hemsel es,
s eng hen hemsel es and no ge sick in his ime o loneliness ha isola ion, because o Co id-19,
causes. The o mal a eaching, in he o ma ion o eache s a he Fede al Uni e si y o Pe nambuco,
ield ha I ake as my place o speech, goes beyond he class oom, whe he in schools o in non- o mal
spaces such as NGOs, s udios and o he s, i akes place in he e y body o hese eache s in aining.
Based on he expe iences li ed in he class oom and ou side i , we lea n and elea n o be who we a e;
he a is ic p ocess and c ea i i y a e undamen al elemen s o his a (sel )educa ion, sel - o ma ion
and a lea ning. Wi h i , we elabo a e and e-elabo a e he images ha cons i u e us. The p oduc ion
o a con amina ed by daily images, he con ex ualisa ion, wha you eel, exp ess, see, and he
awa eness o you sel and o he g oup wi h which you li e... and his is how he lea ning o a
happens in an (au o)educa ion.
Keywo ds: Fo ma ion o eache s. A (au o)educa ion. C ea ion p ocess. C ea i i y. Al e i y.
Resumen:
Después de 39 años abajando como p o eso a de a e, inicialmen e en la Educación Básica (escuelas
públicas y p i adas) y pos e io men e en la Educación Supe io (UFPE), he ido descub iendo la
educación in o mal como p oceso de enseñanza-ap endizaje, conside ándola de g an ele ancia pa a
el ap endizaje del a e, pensando en es a posibilidad de au oeduca se y, en consecuencia, educa a los
que es án al ededo . Después de guia a a ios/as es udian es que no ienen expe iencia en la
educación o mal o incluso en la educación no o mal, iden i iqué ese ap endizaje. Y ue en onces
cuando apa eció la (au o)educación a ís ica, la conciencia de uno mismo y del o o a a és del p oceso
a ís ico. En es e a ículo, expongo cómo es e é mino ha ido omando o ma en mi in es igación y
pa e del esul ado de es as e lexiones lo p esen é en Pa ís, en 2017. Es as e lexiones sob e el yo en la
p oducción a ís ica se p o undiza on en es e iempo de pandemia, en e el 2020 y el 2021, iempo en
el que los es udian es es án en casa y, po lo an o, iden i ico que es án inme sos en la p oducción
a ís ica pa a en ende se a sí mismos, o alece se y no en e ma se en es e iempo de soledad que el
aislamien o, po el Co id-19, p o oca. La educación a ís ica o mal en la o mación de los p o eso es
de la Uni e sidad Fede al de Pe nambuco, campo que omo como luga de in e ención, a más allá
del aula, ya sea en las escuelas o en espacios no o males como ONGs, es udios y o os, iene luga en
el p opio cue po de es os p o eso es en o mación. A pa i de las expe iencias i idas en el aula y
ue a de ella, ap endemos y eap endemos a se quienes somos; el p oceso a ís ico y la c ea i idad
son elemen os undamen ales pa a es a (au o)educación a ís ica, au o o mación y ap endizaje del
a e. Con ella, elabo amos y eelabo amos las imágenes que nos cons i uyen. La p oducción de a e
con aminada po las imágenes co idianas, la con ex ualización, lo que se sien e, se exp esa, se e, y la
conciencia de uno mismo y del g upo con el que se con i e... y así es como sucede el ap endizaje del
a e en una (au o)educación.
Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83 // 73
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681
Palab as cla e: Fo mación de p o eso es. A e (au o)educación. P oceso de c eación. C ea i idad.
Al e idad.
…
“As ideias são como peixes: se ocê que pega um
peixinho, pode ica em águas asas. Mas, se que um peixe
g ande, e á que en a em águas p o undas”
Da id Lynch, Em Águas P o undas: c ia i idade e medi ação
(2015, p. 01)
Pa a en a mos em águas p o undas, emos que da um me gulho em nossas p óp ias
imagens. As imagens que o am c iadas pa a es e a igo pa a se ap esen ado no coloquio
C éa ion-c éa i i é, no Ca eau du Temple, em Pa is, em 2017, o am bem dis in as das
imagens que hoje os ap esen o. Naquele momen o, é amos li es, íamos aos museus,
andá amos pelas uas, pa á amos nos ca és; apesa de oda a ensão de um cong esso
acadêmico in e nacional, alado em línguas ( ancês e inglês) que não são as nossas. Hoje, em
2021, em plena pandemia da Co id-19, imagens de is eza, pe das, solidão, desespe ança, são
as que es ão omando con a do nosso co po em isolamen o e sem ab aços que nos acolham.
Pa a en en a mos essas imagens a uais, o me gulho de e se bem maio .
As imagens c iadas e eelabo adas po uma pessoa dependem do con ex o i ido. O con ex o
his ó ico, polí ico e mí ico con ém imagens que alimen am a imaginação. A imaginação
econs ói as pe das, impulsiona a c ia i idade e a o ganização social da qual es amos an o
p ecisando pa a um edi ica um mundo melho . Pa a isso, o au o econhecimen o é
imp escindí el, e pa a a ingi-lo é necessá io pene a em águas p o undas do nosso se . Com
a a e e a c iação, conseguimos da esse me gulho no conhecimen o de nós mesmas. Em
sociedades con empo âneas que se negam a escu a, a a e é o luga de se expo , de se e e de
se econhece como sujei o humano, cul u al, social e his ó ico. É a cons ução da sua p óp ia
his ó ia den o de um dado momen o que é ambém polí ico; uma omada de decisão;
e elação dos seg edos; descobe as de si pa a se elaciona com o ou o.
Nesse me gulho, a a e p o ocando o sujei o a se conhece , puxam-se os ios que ão se
en elaçando com a c ia i idade, pa a a econs ução desse sujei o, que ece his ó ias, do es,
amo es, sabe es e dú idas, e que ao da isibilidade a essas na a i as que, apesa de
indi iduais, e e be am em g upos sociais nos quais pa icipamos no co idiano. A a e
p oduzida no silêncio e na solidão em epe cussão nos g upos de mulhe es, de homens, de
c ianças, p o esso es/as, mães, pais, amigos, LGBTQI+, é nicos e c. São na a i as que puxam
ios das memó ias, das his ó ias e ão se en elaçando com ou os... e as eias ão se
en endando...
Pa a a mãe-a anha aquilo não passa a de mau senso.
Pa a que an o labo se depois não se da a a inde ida aplicação?
Mas a jo em a anhiça não azia ou idos.
E al aia a a, al ina a a, cega a os nós.
Tecia e e ecia o io, en elaça a mais e mais eia.
74 // Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83
COMMUNIARS · 5 · 2020. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05
Sem nunca aze mo ada em nenhuma.
Recusa a a u ili á ia ocação da sua espécie.
-Não aço eias po ins in o.
- En ão, az po quê?
-Faço po a e.
Mia Cou o, O Fio das Miçangas (2004, p. 73-74)
Os ios começam a se em iados a pa i da a anha. A a anha ai ecendo seu des ino, seu
u u o, seus passos... Assim como nós, que amos ecendo nossos caminhos. Tudo começa com
o EU. Quando nascemos! Quando somos c ianças! Quando c escemos e de epen e en amos
na escola. Nessa ápida aje ó ia do c escimen o e da socialização, pouco a pouco a
c ia i idade ai sendo apagada das nossas idas. P ocu amos descob i caminhos di e en es
do que nos são impos os, mas as po as ão se echando. F es as são encon adas se i e mos
um/a p o esso /a ou um io/a, p imo/a que gos e de a e e nos dê um giz de ce a ou um in a.
Pa a os mais ousados, bas a desenha na a eia da p aia... e a c ia i idade ai sendo ecida.
Ge almen e, a escola pouco se in e essa pelo es udo da c ia i idade e da a e, a não se que
seja pa a “auxilia ” na o mação mo o a e cogni i a, mui as ezes sem en ende que a
c ia i idade le a à cognição, le a a uma ap endizagem com signi icado pa a a c iança.
C ia i idade nas a i idades a ís icas é um pon o c ucial pa a a ap endizagem ambém de
ou os conhecimen os e esponsá el po man e a saúde ísica e men al de quem a p oduz, de
quem a c ia. E, pa a c ia , é necessá io imaginação.
Reconhece que coisas, e dades e alo es são cons i uídos po odos os se es humanos,
incluindo as c ianças, à medida que se o ien am pa a aspec os de seus mundos i idos, é
começa a undamen a o que azemos em sala de aula. Habili a as c ianças a e em um mundo
signi ica i o es á en e as p eocupações c uciais de uma pedagogia humana e c í ica. A ideia de
Me leau-Pon y de que o logos de e nasce suge e que nossos es udan es (como nós quando
é amos jo ens), pe cebendo pe is e incomple ude ao edo , i em em um mundo de
pe spec i as e ho izon es em cons an e mudança. Imaginando pa a onde a es ada i a, pa a
onde ão seus pais e mães de mad ugada, o que as ozes indis in as es ão ealmen e dizendo,
o que a escu idão de ém; eles se o nam g adualmen e conscien es do que signi ica aze
conexões com a expe iência (G eene, 2000, p.55).
O que azemos na sala de aula de a e pa a e mos um mundo signi ica i o? Pa a uma
pedagogia humana e c í ica, o ensino de a e e a c ia i idade são undamen ais. A a e alimen a
a imaginação, a inquie ude e a o mação de c iado es/as. A c iação le a a caminhos,
descobe as, encon os e desencon os de um mundo de incomple udes e de pessoas que es ão
em cons an es mudanças. E é nesses caminhos e/ou descaminhos que encon amos a nossa
imagem. E quem somos nas imagens de c iação? Somos c iadas/os na a e? Nós nos
en endemos na a e? Se nos o em possibili ados esses momen os de c iação, seja em casa ou
na escola, podemos nos econhece nas imagens c iadas, nas memó ias do passado, no nosso
empo, no nosso luga , e assim, acei a emo-nos na his ó ia em que es amos inse idas/os; com
a nossa e nia, gêne o, c enças e adições. En endemo-nos em nós e no ou o quem somos.
O a o de a e/(au o)educa le a as pessoas a se econhece em, e, consequen emen e,
econhece em os sujei os que es ão no seu en o no, o nando cole i a uma educação que,
inicialmen e, pa ece se apenas de um. É uma au oeducação que acon ece em ede a pa i de
Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83 // 75
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681
si. Quando es amos c iando, nunca es amos isoladas/os, mesmo que es ejamos na solidão. As
imagens dos pensamen os, das expe iências de ida, que são po oadas de pe sonagens da
ances alidade, são p oduzidas acionadas du an e os momen os de c iação.
Ap ende com a dialógica en e a educado a ou o educado e os seus educandos/as é o que
Paulo F ei e e e e-se ao educa ap endendo e ap ende educando; eu ca ac e izo e denomino
essa elação como uma educação de si an o pa a os/as educado es/as como pa a os/as
educandos/as. Pa a um educado humanis a na,
Sua ação, iden i icando-se, desde logo, com a dos educandos, de e o ien a -se no sen ido da
humanização de ambos. Do pensa au ên ico e não no sen ido da doação, da en ega do sabe .
Sua ação de e es a in undida da p o unda c ença nos homens. C ença no seu pode c iado
(F ei e, 2005, p. 71).
Educa e c ia são ações que de em es a bem conec adas en e si pela o ça da c ia i idade.
Educa não pode se segui uma planilha com eg as e o dens. Segundo Paulo F ei e, a
educação é uma p á ica de libe dade, “é um jei o de ensina que qualque um pode ap ende .
Esse p ocesso de ap endizado é mais ácil pa a aqueles p o esso es que ambém c eem que
nosso abalho não é simplesmen e pa ilha in o mação, mas sim o pa icipa do c escimen o
in elec ual e espi i ual dos nossos alunos” (hooks, 2017, p. 25). E essa pa icipação oco e na
c iação, na pa ilha e no ap endizado co idianamen e, seja escola ou amilia , indi idual ou
cole i o. E a imaginação é o e men o da c ia i idade pa a a ap endizagem dos conhecimen os,
sejam eles quais o em, a é mesmo das á eas di as du as. Segundo Eisne :
A imaginação o nece as condições pa a a cons ução do conhecimen o, na sua o ma mais
genuína. Mas, as cons uções imagina i as e os planos desen ol idos a pa i delas não de em
se conside ados como especi icações ou o ei os a segui ; o a o de exp essão é ambém uma
ocasião pa a e isa , a é mesmo descob i e al e a p opósi os. Os p opósi os ep esen ados com
imaginação são man idos de manei a lexí el. O abalhado não ala apenas com o abalho; o
abalho ambém ala ao abalhado (Eisne , 2002, p. 23). (T adução da au o a)
A a e nos az ap ende com c ia i idade e nos az c ia possibilidades cogni i as, o que é
undamen al pa a a educação. Pa a a p o esso a Ana Mae Ba bosa (2020), em en e is a pa a
o Cong esso In e nacional de a e/educação de 2020, “a a e é a ib a ó ica da educação. Ela
consegue es abelece uma ligação com odos os lobos ce eb ais, ela consegue es abelece uma
elação com odos os conhecimen os” (CANAL EMAC UFG, no You ube).
Pa a pensa a a e, amos ci a alguns a is as que nos azem e le i sob e nós mesmos e a
nossa elação com a sociedade. Desde a década de 1960, com Lygia Cla k – “A Casa é o Co po”
(1968), Hélio Oi icica, com os “Pa angolés” (1964-1979), Lygia Pape, com o “Di iso ” (1968):

76 // Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83
COMMUNIARS · 5 · 2020. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05
Figu a 1. A Casa é o Co po, de Lygia Cla k, 1968.
h p://mul issenso.blogspo .com/2009/11/
Figu a 2. Pa angolés, de Hélio Oi icica, 1964-1979.
h p://www.lu ixs.com/no icia/hlio-oi icica-p oposi ions-
lygia-cla k-casa-e-o-co po-labi in o.h ml
Figu a 3. O Di iso , de Lygia Pape, 1968 h ps://laa .a .b /blog/lygia-pape/
Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83 // 77
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681
Os laços en e a a e e a ida o am se es ei ando. Esses a is as o am pe cebendo que a a e
não pode ia ica ocada na p óp ia a e ou no p óp io se a is a, mas na elação en e
a e/a is a e o público/espaço. Lígia Pape, assim como Lygia Cla k e Hélio Oi icica, az a
elação en e a e e ida e com ela ompe a es é ica que é cen ada no obje o a ís ico. O es udo
da a e no p óp io obje o a ís ico passa a se na sua elação com o público, num dado espaço
da exposição ou um espaço u bano (nas uas, escolas, e c).
Esses a is as bo a am as on ei as, as dico omias en e eo ia e p á ica, ob a de a e e público,
na u eza e ciência, a e e a esana o, p o esso e a is a, ap oximando as expe iências do
co idiano à a e nas discussões, nas eo ias e nas p á icas, essas já exis en es o nam-se isí eis
aos olhos dos eó icos. As p oduções a ís icas passa am a apon a pa a a a e elacional, en ão
com o e endência ou iés in e a i o, assim como pa a os a is as con empo âneos que
mos a am que a co po alidade (deles e do público) azem pa e da a e.
(…) baseia-se em uma cons ução poé ica cen ada nas elações humanas e sociais e ge almen e
é pensada o a do ambien e das ins i uições a ís icas. Es a p á ica ganha o ça a pa i da
década de 1960-70 e se des aca na poé ica de Hélio Oi icica, p incipalmen e na ob a Pa angolé.
Con udo, a concei ualização do ema acon ece apenas em 1990 pelo c í ico ancês N. Bou iaud,
que desconside a o abalho de Oi icica e oca suas análises em a is as eu opeus do inal do
século XX (Oli ei a & Co êa, 2016, p.254).
Isso se dá de aco do com a inse ção da expe iência com a a e, e essa inse ção pode se c uzada
com a concepção de John Dewey. Pa a os es udiosos Fabio Wosniak e Jociele Lampe , “a
iloso ia da A e como expe iência de Dewey (1934) e ela que o abalho a ís ico pe passa
odo o o ganismo humano, iniciando no de aneio e na p odução imagina i a. Po ém,
necessi a de o denação, ou seja, eque que o a is a domine conhecimen os especí icos – de
na u eza écnica, elacionados ao aze a ís ico” (2016, p. 259). A a e ans o ma e az pa e
de um p ocesso de busca, busca de um conhecimen o de si. De emos nos ap op ia de nós, da
nossa his ó ia e, nesse p ocesso de c iação, a a e ab e o caminho pa a que isso oco a.
Conco do com Dewey e com a ideia de La osa sob e “expe iência”, especi icamen e essas
expe iências mencionadas e a possibilidade de anspo á-las pa a as salas de aulas das
escolas. Complemen ando o pensamen o de Dewey, La osa diz que: “O que p oponho aqui é
que explo emos jun os ou a possibilidade, digamos mais exis encial (sem se exis encial) e
mais es é ica (sem se es e icis a), ou seja, pensa a educação a pa i do pa expe iência /
sen ido”. (2002, p.20).
Pa a a c ia i idade lo esce em campo é il na ida dos sujei os, é necessá ia a
expe imen ação da a e e, po isso, é ão impo an e p o esso as e p o esso es aze em a e,
p a ica em a i idades a ís icas, do bo dado à pin u a a óleo, da modelagem em a gila à
pe o mance, das na a i as indígenas ao podcas ; sem hie a quiza essas expe imen ações, a
in enção é c ia .
78 // Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83
COMMUNIARS · 5 · 2020. ISSN 2603-6681 · DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05
Figu a 4. A udeio, de Thaysa Aussuba (2020): Pe o mance o og a ada no con ex o do isolamen o da pandemia da
Co id-19, na sala e qua o da minha casa, locais de in imidade modelados pela ação do empo e da mo adia. U iliza
a g a u a de Jean-Bap is e Deb e , "Soldados índios da p o íncia de Cu i iba escol ando sel agens" (1834), como
o ma de ques iona e essigni ica imagens que acabam po de ini o que é se indígena no B asil. Eu, como
indígena, ecuso a imagem do bom sel agem que é comumen e associada aos po os o iginá ios e amo caminhos
e na a i as que o aleçam a esis ência pela p ese ação das medicinas, seg edos e ciência, ainda que em
pe manen e p ocesso de esc a ização e mili a ização de nosso po o, cul u a e e i ó io. (Es e ex o oi cedido pela
a is a).
Ama al, V. Communia s. 5. 2021: 71-83 // 79
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Communia s.2021.i05.05 · COMMUNIARS · 5 · 2021. ISSN 2603-6681
Figu a 5. Suspi os, de Rennan Peixe (2020): A sé ie o og á ica “Suspi os” pa e do a a essamen o em mim du an e
o pe íodo de qua en ena no ano de 2020, ocasionada pela p oli e ação mundial do í us causado da Co id-19. As
imagens suge em um deb uça nas inquie udes do imaginá io pandêmico, e le indo as possibilidades de
con aminação e di usão dessa doença. O uso da másca a é uma alusão ao apagamen o das iden idades indi iduais.
Ao es i o os o, escondemos nossas exp essões aciais que indicam nossas emoções. As o og a ias exp essam
ambém a dimensão apocalíp ica des e con u bado ano que nos impulsionou a um possí el im ou um no o
ecomeço, especulando nossas o mas de lida com o mundo. Tomo como eco e o co po neg o ep esen ado
nessas imagens como con adiscu so aos dados ac uais das mo es desse pe íodo. Mo es que mais a e a am a
população neg a no B asil, e lexo da polí ica de genocídio ou “desca ilhamen o” do acismo es u u al p opagada
e es imulada po g ande pa e da go e nança do país. (Tex o cedido pelo a is a)
Thaysa e Rennan são a is as isuais/docen es e nas suas c iações a ís icas ap esen am
e lexões sob e as suas e nias, suas o igens e o momen o em que es amos i endo de
pandemia. Ao p oduzi em seus abalhos a ís icos, seja em pe o mances, ídeope o mances
ou o og a ia a e am os/as que êm as mesmas inquie ações, e esses exemplos mos am como
um abalho que pa ece se soli á io em seus aspec os simbólicos que êm da cul u a e pa a
ela e o na, alcançando o cole i o. Isso é o que eu chamo de a e au oeducação, nasce na
cul u a e nos g upos cul u ais essoa.
Ensina inexis e sem ap ende e ice- e sa e oi ap endendo socialmen e que, his o icamen e,
mulhe es e homens descob i am que e a possí el ensina . Foi assim, socialmen e ap endendo,
que ao longo dos empos mulhe es e homens pe cebe am que e a possí el – depois, p eciso –
abalha manei as, caminhos, mé odos de ensina . Ap ende p ecedeu ensina ou, em ou as
pala as, ensina se diluía na expe iência ealmen e undan e de ap ende . Não emo dize que
inexis e alidade no ensino de que não esul a um ap endizado em que o ap endiz não se o nou
capaz de ec ia ou de e aze o ensinado, em que o ensinado que não oi ap eendido não pode
se ealmen e ap endido pelo ap endiz (F ei e, 1996, p.17).