Full text
1 STANDARDS CULTURALES PORTUGUESES – EL PUNTO DE VISTA ESPAÑOL Antonio Robalo, [email protected], IBS-ISCTE, Lisboa RESUMEN El objetivo de esta comunicación es de presentar resultados preliminares de un estudio que procura identificar las características principales de la cultura portuguesa más relevantes desde un punto de vista español. Para tanto es usado el método de los “standards culturales”. Con base en entrevistas a dieciséis profesionales españoles con experiencia de trabajo en Portugal han sido identificados cuatro standards culturales portugueses: 1Importancia de títulos y jerarquías. Los españoles consideran a los portugueses como un pueblo que sobre valoriza los títulos académicos, con una noción de jerarquía muy marcada e con un grande distanciamiento al poder, mucho a causa de una predominante estructura jerárquica vertical; 2Miedo e Ambigüedad. Los portugueses son considerados personas con miedo del incierto y de la novedad, y poco dispuestos al riesgo y muy presos al saber enraizado. Son también maestros en el arte de asumir posiciones ambiguas porque son poco corajosos en la asunción de responsabilidades por sus actos. Adicionalmente se nota que se rigen por intrincadas tejas burocráticas; 3Poca importancia de Agendas y Relojes. Los portugueses tienen grande dificultad en cumplir plazos e horarios, y definir agendas realizables; 4Espíritu de Grupo. Los españoles reconocen los portugueses como personas que luchan mejor por el suceso del grupo de que hacen parte e que son más aplicados en sus tareas. Como limitación más importante de los resultados obtenidos se puede apuntar la poca diferenciación de los elementos de la muestra respecto al origen regional en España. Palabras clave Standards culturales; cultura nacional; Portugal; España
2 PORTUGUESE CULTURAL STANDARDS FROM THE SPANISH PERPECTIVE ABSTRACT The objective of this communication is to present some preliminary results of a study which tries to identify the main characteristics of the Portuguese culture which are relevant from a Spanish perspective. A new qualitative methodology is used – the cultural standards method. Drawing on interviews of sixteen Spanish nationals working in Portugal, four Portuguese cultural standards could be identified: 1. Importance of titles and hierarchies. Spaniards think of the Portuguese as a culture which overemphasizes academic titles and with a strict and marked notion of hierarchy. 2. Fear and ambiguity. The Portuguese are considered as persons with fear of the unknown and of new things, risk avoiding and too tied to traditional knowledge. They are masters in adopting an ambiguous stance, as they are less courageous in taking responsibility for their deeds. Additionally they are bound by a complex bureaucratic web. 3. Less emphasis regarding agendas and clocks. Portuguese have considerable difficulty in observing deadlines and timetables, as well as in scheduling feasible agendas. 4. “Esprit de corps”. Portuguese are held as persons who fight harder for the success of the group to which they belong and who are more concentrated on their tasks. The main limitation of this preliminary study has to do with the fact that there is little variation within the sample regarding the regional origin of the Spanish persons interviewed and this may influence the results obtained so far. Key words Cultural standards; national culture; Portugal; Spain
3 Standards Culturais Portugueses – o ponto de vista espanhol 1. Introdução A crescente globalização em que vivemos é sinónimo de contacto e interacção constante entre parceiros de países e culturas diferentes. Embora se possa admitir que a globalização alberga uma tendência para a uniformização, é também certo que as diferenças interculturais se mantém e mesmo em certa medida as identidades regionais se reforçam. As empresas não se podem permitir delinear estratégias apenas para o mercado doméstico e devem preocupar-se com a concorrência a nível global ou pelo menos a nível do espaço económico onde actuam e que não se limita às fronteiras nacionais. Porém, necessitam simultaneamente ter em atenção as particularidades de cada mercado e levar em consideração as suas especificidades a vários níveis (quadro legal, redes de distribuição, ambiente competitivo, etc.). Há alguns anos um guru da gestão lançou a buzzword de “Glocal” (pensar global, actuar local), para se referir a esta dupla tendência. Afinal até uma empresa como a McDonalds teve de adaptar-se e alterar o seu produto farol para poder entrar na Índia! O que é facto é que quando parceiros de diferentes culturas interagem, as diferenças culturais podem constituir um obstáculo a essa interacção. O paradigma mais difundido para a investigação das culturas nacionais é o de Hofstede, que se baseia na identificação de dimensões susceptíveis de explicar o mais importante das diferenças interculturais. Através de algumas dimensões, idealmente independentes entre si, podem comparar-se as várias culturas nacionais e países e assim ganhar-se a percepção das necessidades de adaptação e das dificuldades que podem surgir no relacionamento entre duas culturas. A existência de scores em cada dimensão para diferentes países torna possível essa comparação e permite investigação empírica de base quantitativa na área intercultural. Para além de Hofstede, outros modelos bastante conhecidos, dentro do mesmo paradigma, são os de Trompenaars e mais recentemente do projecto GLOBE. As investigações referidas permitiram sem dúvida fazer avançar de forma significativa o nosso conhecimento na área, mas não constituem o único caminho para lidar com o fenómeno da cultura nacional e em determinados casos mesmo, podem revelar limitações importantes. Uma das limitações tem que ver com o próprio modelo assente em dimensões. Dois países podem ter o mesmo score numa dada dimensão e no entanto serem caracterizados por realidades bem diferentes. Por exemplo a Argentina e o Japão têm exactamente o mesmo score (46) na dimensão “Individualismo”de Hofstede. Mas qual o significado a atribuir a este score? Certamente podemos pensar que ambas as culturas são mais colectivistas (ou menos individualistas) quando comparadas com a dos Estados Unidos, que registou um score de 91. Porém pouco podemos concluir relativamente à comparação entre Argentina e Japão, e pelo contrário podemos suspeitar que o mesmo score quer dizer coisas diferentes em cada um destes dois países. Isto é, o individualismo (/colectivismo) pode manifestar-se de maneiras concretas bem diversas e ter consequências distintas, mesmo
4 com scores iguais ou muito próximos. As dimensões são valiosas para classificar de forma genérica muitos países, mas não são adequadas para proceder a uma diferenciação mais fina. Em segundo lugar as dimensões não são adequadas para diferenciar culturas relativamente próximas, com baixa distância cultural, nem para distinguir as especificidades de uma cultura relativamente a outra. Pode pensar-se que as culturas espanhola e portuguesa são muito parecidas, pelo menos quando comparadas com a culturas asiáticas por exemplo, e que portanto não se registarão grandes problemas na comunicação e na interacção entre pessoas destas duas culturas. Se isto é verdade, em certa medida, não é menos verdade que as diferenças existem e que podem até causar ocasionalmente problemas sérios, pois as pessoas envolvidas estão menos conscientes dessas diferenças por elas não serem tão evidentes. 2. Standards Culturais Um método diferente e particularmente relevante para o estudo mais aprofundado de culturas próximas, é o dos “standards culturais”. Trata-se de um método qualitativo que nos permite obter um conhecimento aprofundado das diferenças mais importantes e também das mais subtis entre duas culturas. Não se destina assim a permitir comparar muitos países entre si, mas a detectar as características que numa cultura são mais relevantes do ponto de vista de uma outra cultura específica. Quais são as características mais importantes da cultura portuguesa? A resposta dependerá do ponto de vista de quem responde. O que para um alemão pode ser percepcionado como uma característica marcante dos portugueses, pode não o ser para um espanhol. Dito de outra forma, o que é relevante para alemães no contacto com portugueses, pode não o ser para os espanhóis no contacto com os mesmos portugueses. “Cultural standards combine all forms of perception, thinking, judgement and behaviour which people sharing a common cultural background rate as normal, self-evident, typical and binding for themselves and for others. Thus, cultural standards determine the way we interpret our own behaviour as well as the behaviour of others. They are considered “basic”, if they apply to a variety of situations and determine most of a group´s perception, thinking, judgement and behaviour. Furthermore, they are highly significant for perception-, judgementand behaviour mechanisms between individuals.” (Thomas, 1993, p. 381) O problema na identificação de standards culturais reside no facto de os elementos de uma determinada cultura apenas se aperceberem deles quando em contacto com elementos de uma cultura diferente. Dentro do mesmo grupo cultural eles são tidos como evidentes, como normais, partilhados por todos, portanto escapando em grande parte à percepção dos elementos dessa cultura. Apenas em contacto, em confronto com algo diferente, com outra normalidade, se ganha consciência da diferença. É importante salientar o carácter relativo dos standards culturais – faz sentido a sua identificação bilateralmente, de uma cultura para outra, e não de uma forma geral, pois eles podem variar de acordo com a perspectiva/cultura de “observação”. A identificação processa-se com base nas experiências e impressões de membros de uma cultura na sua interacção, nos seus encontros, com a outra cultura, a partir daquilo que é considerado estranho ou bizarro ou que resultou em dificuldades ou em situações desconfortáveis. Estes “incidentes críticos” não possuem uma
5 conotação necessariamente negativa, são sim sentidos como resultado de um comportamento diferente e estranho aos olhos do observador, da pessoa em questão. Crítico significa simplesmente não compatível com o sistema de orientação familiar. 3. Metodologia A análise destas experiências e incidentes críticos, geralmente recolhidos através de entrevistas com os protagonistas, pessoas duma cultura que têm considerável experiência profissional noutra cultura, permite-nos identificar os standards culturais correspondentes. Os standards culturais obtidos desta forma reflectem a relação entre as duas culturas em questão, têm um carácter claramente relativo e bilateral, e não podem ser usados duma forma geral para compararem uma cultura com várias outras. Esta limitação interpretativa é necessária de forma a evitar conclusões demasiado generalistas. O método mais apropriado para a condução destas entrevistas é o narrativo. 3.1. O método narrativo Em entrevistas qualitativas o papel do entrevistador é extremamente difícil, uma vez que está sempre presente o risco de influenciar o entrevistado de tal forma que as respostas obtidas sejam apenas aquelas que o entrevistador está à espera de receber. Uma técnica que duma forma geral resolve este problema, consiste numa entrevista em que a influência do entrevistador é mínima ou nula. Evitando o método tradicional de pergunta e resposta e as desvantagens associadas, os entrevistados são encorajados a controlar a entrevista sendo o entrevistador apenas um espectador da sua narração. 3.2. A narração Narrações não são apenas um processo natural (adquirido através da socialização comum a todos os níveis da sociedade), mas também reproduzem estruturas comportamentais e sequências cronológicas. Uma narração tem a vantagem de revelar mais informação do que a pergunta/resposta. Enquanto relata um evento, o narrador tem que observar um número de factores cronológicos e estruturais, que podem ser vistos como os princípios fundamentais para a ordenação e classificação das narrativas. A necessidade de detalhar, obriga o narrador a seguir uma ordem cronológica na descrição dos eventos. A transição entre os eventos A e B, por exemplo, deve ser clara e óbvia, para que a ligação dos eventos individuais seja bem conseguida. A necessidade de estruturação, força o narrador a completar o seu relato dos eventos e das estruturas cognitivas, uma vez que toda a narrativa faz parte duma estrutura cognitiva que também necessita de ser completada. As partes individuais da narrativa necessitam de fazer sentido como um todo. Determinando a relevância (i.e. o requisito de dividir a narração em secções ou em eventos individuais) implica ao narrador ter que classificar partes do seu relato de acordo com a sua relevância para a narrativa completa. Assim, o narrador faz uma interpretação retrospectiva de acções e comportamentos que permite criar uma imagem dos acontecimentos. 3.3. O procedimento Podem ser identificadas as seguintes cinco fases nas entrevistas narrativas: A fase explicativa
6 O entrevistador tenta criar uma atmosfera que encoraja uma narração detalhada e ajuda o entrevistado a sentir-se menos constrangido com a entrevista. A fase introdutória Nesta fase, o entrevistador deve dar uma ideia geral sobre os objectivos da entrevista, um esboço de guião de entrevista, tendo sempre o cuidado de não influenciar o narrador. A fase narrativa Aqui o narrador deve contar a sua história. A parte principal da narração deve ser contada sem qualquer interrupção ou intervenção do entrevistador. Deve ser permitido ao narrador escolher o que quer ou não contar, a sucessão de eventos e quais os que quer detalhar. Quanto mais detalhados forem os eventos individuais, melhores serão os resultados. A fase de investigação Depois de ouvida a narração, o entrevistador pode obter informação adicional do narrador. Contudo, o carácter narrativo da entrevista não pode ser alterado. O objectivo aqui é encorajar o narrador a detalhar ainda mais o seu relato. A fase de classificação e interpretação Deve-se agora dar por finalizada a parte narrativa, uma vez que neste ponto é impossível voltar à fase narrativa novamente. O narrador e o entrevistador devem classificar e interpretar as sequências narrativas (Lamnek, 1995). 3.4. O processo de classificação O resultado destas entrevistas são textos narrativos com várias curtas histórias – incidentes críticos. Com vista a extrair padrões de comportamento típicos, estas curtas histórias devem ser examinadas. Para se atingir este propósito, deve ser feita uma análise qualitativa de conteúdo de cada entrevista. De seguida, categorias são formadas duma forma indutiva. Estas categorias, que derivam das entrevistas, são a base para os standards culturais. Os resultados são então comparados com situações e exemplos similares. Interpretando estes exemplos, ajuda-nos a definir categorias bilaterais – standards culturais. Naturalmente, os resultados devem demonstrar distinções culturais típicas entre duas culturas e nunca meramente descrever experiências pessoais. Relatos de situações atípicas não devem ser considerados para não darem origem a interpretações incorrectas. Poderá ser necessário a participação de alguns dos entrevistados ou de outras pessoas da mesma nacionalidade para confirmar os resultados preliminares. O processo de pesquisa geral e a fase de classificação podem ser ilustrados nas figuras seguintes:
7 Figura 1. O processo de identificação de standards culturais Figura 2. Processo de classificação identical or similar behavior is Checking weather the culturally adequate attributions of the situations which have been combined Final system of classification Comparing the empirically based system of classification Naming of each such group or PEXISTIN THE TOPIC (from literature, discussions) Conhecimento pré-existente sobre o tópico Extracção das características relevantes de cada situação Relacionar situações com características idênticas ou similares Verificar a classificação das situações num determinado grupo quanto à sua compatibilidade Atribuição de uma designação a cada grupo/categoria Comparar a classificação empírica obtida com a literatura Classificação final Se necessário, reagrupar Verificar e se necessário, modificar sistema de classificação Se necessário, alterar as categorias ou standards Entrevistas Narrativas Incidentes Críticos Classificação Indutiva Standards Culturais Preliminares Discussão de Grupo Análise dos Resultados Standards Culturais Relativos
8 4. Resultados1 As entrevistas foram realizadas a 16 indivíduos de nacionalidade espanhola, representando diferentes profissões e diferentes regiões de Espanha e constituindo uma amostra de conveniência. Os entrevistados chegaram a Portugal, salvo duas excepções, há mais de 1 ano e meio e estão em contacto directo com trabalhadores portugueses. As profissões representadas são: gestores, directores administrativos, engenheiros, economistas e médicos, entre outros. A média de idades é de 36 anos, havendo 9 mulheres e 7 homens. Os entrevistados são apresentados pela ordem em que foram feitas as entrevistas e com um nome fictício. N º N ome Sexo Idade Chegada Proveniência Profissão 1 Irene F 26 Out-07 Valência Finalista em Engenharia Florestal 2 Laia F 23 Set-07 Barcelona Finalista em Engenharia Florestal 3 Sara F 26 Nov-06 Granada Tradutora de Inglês e Alemão 4 Ester F 37 Jun-98 Madrid Economista 5 David M 31 Abr-07 Barcelona Manager de operações e tecnologias 6 Ana F 46 Jan-99 Pontevedra Médica (Saúde Publica) 7 Noélia F 29 Jan-03 Ourense Médica (VMER) 8 Isabel F 33 Out-99 Lugo Professora Universitária 9 Alba F 29 Abr-02 Huelva Terapeuta Ocupacional 10 Carlos M 56 Ago-79 Vigo Professor de Português 11 Alejandro M 47 Mar-99 Lugo Médico (Delegado de Saúde) 12 José M 40 Jan-99 Ourense Médico (Clínica Geral) 13 Fidel M 57 Nov-97 Santiago de Compostela Militar na reserva 14 Manuel M 37 Mai-01 Badajoz Advogado Gestor 15 Pablo M 30 Abr-07 Ourense Director Administrativo 16 Lori F 30 Mar-00 Sevilha Fisioterapeuta Quadro 1 A recolha da informação decorreu entre os meses de Maio e Julho de 2008. Posteriormente o resumo foi enviado por e-mail para os entrevistados para que os mesmos os aprovassem ou sugerissem alterações de acordo com as suas convicções. Todos os entrevistados disseram gostar de viver em Portugal, apesar de alguns terem manifestado vontade de regressar a Espanha brevemente. Os aspectos mais referidos para justificar esse gosto pela vida em Portugal são a simpatia das pessoas e as boas condições de trabalho. 1 “Os resultados baseiam-se na tese de mestrado “Standards Culturais Portugueses - O ponto de vista espanhol” por Gonçalo de Carvalho Oliveira Tavares, ISCTE, 2008.
9 Apesar de tudo isto as diferenças culturais existem e são frequentes as situações caricatas e os mal entendidos. Após o processamento da informação recolhida nas entrevistas foram identificados 4 standards culturais referidos pela grande maioria dos entrevistados. Ei-los no seguinte quadro: Standards Culturais 1 Ênfase nos títulos e hierarquias 2 Medo e ambiguidade 3 Pouca Importância das agendas e relógios 4 Espírito de grupo Quadro 2. Standards Culturais Portugueses 4.1 Ênfase nos títulos e hierarquias Este é um dos mais fortes standards culturais dos portugueses do ponto de vista espanhol e é referido por todos os entrevistados. É um dado assente que em Portugal um doutor ou um engenheiro são mais importantes que um canalizador e que um chefe é mais importante que um empregado. Qualquer pessoa quer ser doutora ou engenheira e qualquer pai quer que os seus filhos sejam doutores ou engenheiros. Isto nota-se até nos cartões bancários, diz o Manuel. Na realidade empresarial é importante ter um chefe bom, e um chefe bom é aquele que dá ordens sob a forma de indicações, que dá liberdade para que as pessoas façam mas ao mesmo tempo controle tudo o que se passa para que as coisas funcionem. Desta forma as pessoas nunca se esquecem de quem é o chefe e o chefe tem a noção de que tudo é feito com o seu cunho. Um chefe tem que ser capaz de delegar e isso não costuma muito acontecer em Portugal, conta a maioria dos entrevistados. Também fora do trabalho está bem presente o poder que têm os elevados níveis hierárquicos, os títulos académicos e as manifestações de riqueza. Quinze dos entrevistados referiram a existência de uma estrutura hierárquica muito rígida e definida, tanto nas empresas portuguesas como no Estado, sempre comandada por um doutor ou engenheiro, ainda que muitos só de título pois não possuem a formação compatível com o título! Todos consideraram esta obsessão pelo título e pelo poder como sendo algo contraproducente porque impede que as pessoas dos níveis mais baixos cheguem às pessoas dos níveis mais elevados e, com isso, impede-se o livre fluxo de ideias e a criatividade. Também o contacto com o mundo em que a empresa se insere fica comprometido porque os contactos com as classes mais baixas são relativamente raros. A utilização dos títulos é uma constante e, no entender dos entrevistados, é outra das causas da falta de ligação entre os diferentes níveis hierárquicos porque cria uma barreira psicológica muito forte, quase como um temor. A formalidade dentro das empresas é bem marcada e em consequência disso as relações entre as pessoas estão condicionadas pelas posições que cada um ocupa na hierarquia. Na hora do almoço, por exemplo, os chefes não almoçam como os empregados e os médicos não almoçam com os enfermeiros, etc. Os entrevistados dizem que estas distinções não acrescentam nem valor nem eficácia à organização e que em Espanha as coisas não