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Uma reflexão sobre o discurso de ódio nas redes sociais brasileiras

Mello e Marques, Naomy Ester de; Nobre, Thalita Lacerda

Abstract

Este trabalho teve por objetivo identificar as manifestações psíquicas presentes na disseminação do ódio por meio de discursos nas redes sociais, bem como identificar as pulsões que regem este comportamento e descrever os mecanismos de defesas envolvidos, compreendendo a constituição da identidade dos indivíduos e o comportamento em grupo. A metodologia empregada foi a de pesquisa qualitativa de cunho documental, partindo do recorte de uma amostra contendo discursos de ódio publicadas no período de quarentena no ano de 2020, na página do Facebook do Ministério da Saúde. Os públicos alvos desta pesquisa foram indivíduos cadastrados no Facebook, alfabetizados, com escolaridade variada e de ambos os sexos, cuja idade atendesse os critérios para criação de um perfil nesta rede social sendo, portanto, maiores de 14 anos. Estas amostras foram posteriormente analisadas qualitativamente sob uma perspectiva psicanalítica, em que foram encontradas a presença da manifestação do mundo pulsional nas mensagens, assim como a expressão do narcisismo e o uso de mecanismos de defesa como a negação, projeção e racionalização.

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the mainstream review on communication VOL 1 N.4 N. 4, VOL. 1 institucional.us.es/irocamm https://revistascientificas.us.es/index.php/IROCAMM Authors guarantee the authorship and originality of the articles, and assume full and exclusive responsibility for damages that may occur as a result of third party claims regarding content, authorship or ownership of the content of the article. © Editorial Universidad de Sevilla 2021 PUBLISHERS University of Seville PUBLISHING LOCATION Seville – Spain E-MAIL AND WEBSITE [email protected] http://institucional.us.es/irocamm https://editorial.us.es/es/revistas/irocamm-international-review-communication-and-marketing-mix ORIGINAL DESIGN LA HUERTA www.lahuertaagencia.com ISSN 2605-0447 DOI https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM 4.0 EDITOR Gloria Jiménez-Marín (University of Seville) ASSISTANT EDITORS Irene García Medina (Glasgow Caledonian University) Rodrigo Elías Zambrano (University of Seville) Pedro A. Correia (Universidade da Madeira) María del Mar Ramírez Alvarado (University of Seville) Cristina González-Oñate (Universitat Jaume I) TECHNICAL SECRETARY Elena Bellido Pérez (University of Seville) ADVISORY BOARD Ph.D. Sandra Bustamante Martinez (Universidad de Belgrano, Buenos Aires, Argentina): [email protected] Ph.D. Francisco Cabezuelo Lorenzo (Universidad Complutense de Madrid, España): [email protected] Ph.D. Lindsey Carey (Glasgow Caledonian University – UK): l.car[email protected] Ph.D. Carlos Fanjul Peyró, Universitat Jaume I, España Ph.D. Patricia M. Farias Coelho (U. Santo Amaro, Brasil): patriciaf[email protected] Ph.D. Susan Giesecke (University of California Berkeley): [email protected] Ph.D. Mònika Jiménez Morales (Universitat Pompeu Fabra): [email protected] Ph.D. Ferran Lalueza Bosch (Universitat Oberta de Catalunya): [email protected] Ph.D. Umberto León Domínguez (U. de Monterrey): [email protected] Ph.D. Javier Lozano Del Mar (U. Loyola): [email protected] Ph.D. Juan Monserrat Gauchi (University of Alicante): [email protected] Ph.D. Concha Pérez Curiel (University of Seville): [email protected] Ph.D. Marta Pulido Polo (University of Seville): [email protected] Ph.D. Aránzazu Román-San-Miguel (University of Seville): [email protected] Ph.D. Nuria Sánchez-Gey Valenzuela (University Pablo de Olavide): [email protected] Ph.D. Carmen Silva Robles (Universitat Oberta de Catalunya): [email protected] SCIENTIFIC COMMITTEE Ana Almansa Martínez (University of Malaga): [email protected] Alejandro Álvarez Nobell (Unversity of Malaga): [email protected] Mónica Barrientos (University of Seville): [email protected] Lindsey Carey (Glasgow Caledonian University – UK): [email protected] Jordi De San Eugenio Vela (Universitat de Vic): [email protected] Rodrigo Elías Zambrano (University of Seville): [email protected] Patricia M. Farias Coelho (U. Santo Amaro, Brasil): [email protected] Irene García Medina (Glasgow Caledonian University - UK): [email protected] Cristina González Oñate (Universitat Jaume I): [email protected] Víctor Hernández de Santaolalla (University of Seville): [email protected] Mònika Jiménez Morales (Universita Pompeu Fabra): [email protected] Ferran Lalueza Bosch (Universitat Oberta de Catalunya): [email protected] Antonino Lagan (Universitat de Messina – Italia): [email protected] Antonio Leal Jiménez (University of Cadiz): [email protected] Umberto León Domínguez (U. de Monterrey): umberto[email protected] Javier Lozano Del Mar (University Loyola): [email protected] Andrew Luckham (University of Seville): [email protected] Julie McColl (Glasgow Caledonian University - Uk): [email protected] Mª Isabel Míguez (University of Vigo): [email protected] Juan Monserrat Gauchi (University of Alicante): [email protected] José Antonio Muñiz Velázquez (University Loyola): [email protected] Antonio Naranjo Mantero (University of Silesia – Katowice – Poland): a.nar[email protected] Elisa Palomino (University of the Arts London - England): [email protected] Marco Pedroni (U. ECampus de Novedrate / U. del Sacro Cuore – Italia): [email protected] Pedro A. Correia (Universidade da Madeira): [email protected] Antonio Pineda Cachero (University of Seville): [email protected] Christian Plantin (Université de Lyon): [email protected] Marina Ramos Serrano (University of Seville): [email protected] Paulo Ribeiro Cardoso (Universidade Fernando Pessoa, Oporto): pcar[email protected] Mar Rubio Hernández (University of Seville): [email protected] Ricardo San Martín (University of California Berkeley): [email protected] Sandra Vilajoana Alejandre (Universitat Ramón Llul): sandr[email protected] Kent Wilkinson (Texas Tech University, EE.UU.): [email protected] INDEX IROCAMM, N. 4, V. 1 (January - June 2021) PEMO: PERIODIMOS MÓVIL CAFETERO. Una mirada al uso de dispositivos moviles en tres salas de redacción del Eje Cafetero Colombiano Ricardo Bustamante-Echeverry & Franklyn Molano Gaona (Fundación Universitaria del Área Andina, seccional Pereira (FUAA). Colombia) 7-21 Un nuevo enfoque del marketing social en las redes sociales. Aplicación en las ONGD Araceli Galiano-Coronil (Universidad de Cádiz. España) 22-32 Ciberactivismo árabe: del papel a la red Salud Adelaida Flores Borjabad (Universidad Pablo de Olavide. Spain) 33-42 El Periodismo comunitario en la provincia de Santa Elena, Ecuador. Análisis de Radio Amor y Sección “La Península”, de Diario Súper. Norma Allyson Armijos Triviño (Universidad de Guayaquil - Universidad Internacional del Ecuador), Ingrid Viviana Estrella Tutivén (Universidad de Guayaquil - Instituto de Televisión Ecuador) & Juan Salvador Victoria Mas (Universidad de Málaga. España) 43-53 The importance of the communication strategy in tourism micro-enterprises in Seville Gladys Arlette Corona-León & Rosalba Mancinas-Chávez (University of Seville. Spain) 54-62 Reflexiones en torno al papel de la arquitectura en el visual merchandising como parte integral del plan estratégico de comunicación para eventos. Rita González Marzar (Universitat Oberta de Catalunya. España) 63-72 Uma reflexão sobre o discurso de ódio nas redes sociais brasileiras Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre (Universidad Católica de Santos. Brasil) 73-88 A influência da tecnologia da informação sobre os relacionamentos amorosos na modernidade líquida Thalita Lacerda Nobre, Camila Xavier Umbelino & Livia Onofre Alves (Universidad Católica de Santos. Brasil) 89-98 Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 Uma reflexão sobre o discurso de ódio nas redes sociais brasileiras Naomy Ester de Mello e Marques Universidad Católica de Santos. Brasil. naomy[email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4584-8123 Thalita Lacerda Nobre Universidad Católica de Santos. Brasil. [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4951-2301 73 A reflexion on the hate speech in Brazilian social networks Resumo Este trabalho teve por objetivo identificar as manifestações psíquicas presentes na disseminação do ódio por meio de discursos nas redes sociais, bem como identificar as pulsões que regem este comportamento e descrever os mecanismos de defesas envolvidos, compreendendo a constituição da identidade dos indivíduos e o comportamento em grupo. A metodologia empregada foi a de pesquisa qualitativa de cunho documental, partindo do recorte de uma amostra contendo discursos de ódio publicadas no período de quarentena no ano de 2020, na página do Facebook do Ministério da Saúde. Os públicos alvos desta pesquisa foram indivíduos cadastrados no Facebook, alfabetizados, com escolaridade variada e de ambos os sexos, cuja idade atendesse os critérios para criação de um perfil nesta rede social sendo, portanto, maiores de 14 anos. Estas amostras foram posteriormente analisadas qualitativamente sob uma perspectiva psicanalítica, em que foram encontradas a presença da manifestação do mundo pulsional nas mensagens, assim como a expressão do narcisismo e o uso de mecanismos de defesa como a negação, projeção e racionalização Palavras-chave Discurso de ódio; redes sociais; psicanálise. Una reflexión sobre el discurso de odio en las redes sociales brasileñas Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 74 1. Introdução A internet mostra-se um ambiente promotor de interações sociais, que aproxima as pessoas em tempo e espaço, gerando um grande fluxo de troca de mensagens e informações. Entretanto, também pode ser palco de violência e intolerância, por meio da disseminação do discurso de ódio. Especificamente no Brasil, o site de Indicadores da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da Safernet, organização não governamental que se responsabiliza pelas denúncias de crimes online, recebeu entre os anos de 2006 e 2019 a seguinte quantidade de denúncias separadas por categoria: racismo, 5.791 páginas em 1.183 domínios; xenofobia, 982 páginas em 215 domínios; apologia e incitação de crimes contra a vida, 3.609 páginas em 1.198 domínios; homofobia, 1.203 páginas em 316 domínios; intolerância religiosa, 933 páginas em 303 domínios; neonazismo, 366 páginas em 136 domínios; violência ou discriminação contra mulheres, 281 páginas em 129 domínios. Em um ranking mundial, o Brasil se encontra entre os cinco países que mais possuem denúncias online incluindo o total de páginas duplicadas, páginas distintas, hosts, IPs e páginas removidas (Safernet, s/f-a). Estes dados mostram comportamentos online movidos pelo ódio e que sofreram denúncia. No entanto, existem ainda, diversas formas de discurso de ódio difundidas diariamente e que não recebem o mesmo tratamento. A relevância para a realização deste trabalho, se deu pelo interesse em entender quais os aspectos inconscientes do ser humano poderiam motivar a manifestação de tais discursos agressivos e buscar compreensão do comportamento no contexto social. Para tal, a pesquisa foi dividida em três partes que antecedem a análise das amostras. A primeira teve por objetivo discutir sobre a pós-modernidade, compreendendo as mudanças sociais ocorridas nesta era por meio do avanço tecnológico e a popularização da internet, acompanhando as mudanças de pensamento, comportamento e valores sociais que se deram concomitantemente. A segunda, aprofundou a relação entre Abstract This work aimed to identify as psychic manifestations present in the dissemination of the medium of discourses on social networks, as well as to identify as drives that govern this behavior and to define the mechanisms of defenses involved, including the constitution of the identity of individuals and the behavior in group. The methodology used was a qualitative documentary research, based on a sample of hate speech published in the quarantine period in 2020, on the Ministry of Health’s Facebook page. The target audiences for this research were registered on Facebook, literate, with varied education and of both sexes, whose age met the criteria for creating a profile in this network and are therefore over 14 years old. These were analyzed qualitatively from a psychoanalytic perspective, in which the presence of the manifestation of the drive world was found in the messages, as well as the expression of narcissism and the use of defense mechanisms such as denial, projection and rationalization. Keywords Hate speech; psychoanalysis; social networks. Resumen Este trabajo tuvo como objetivo identificar como manifestaciones psíquicas presentes en la difusión del medio de los discursos en las redes sociales, así como identificar como impulsos que rigen este comportamiento y definir los mecanismos de defensa involucrados, incluyendo la constitución de la identidad de los individuos y el comportamiento en grupo. La metodología utilizada fue una investigación documental cualitativa, basada en una muestra de discursos de odio publicados en el período de cuarentena en 2020, en la página de Facebook del Ministerio de Salud. El público objetivo de esta investigación fue registrado en Facebook, alfabetizado, con educación variada y de ambos sexos, cuya edad cumplía con los criterios para crear un perfil en esta red y por lo tanto son mayores de 14 años. Se analizaron cualitativamente desde una perspectiva psicoanalítica, en la que se encontró la presencia de la manifestación del mundo pulsional en los mensajes, así como la expresión del narcisismo y el uso de mecanismos de defensa como la negación, la proyección y la racionalización. Palabras clave Discurso de odio; redes sociales; psicoanálisis. Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 75 o sujeito e o meio virtual, abordando como se dá o uso das redes sociais pelo sujeito, como este pode se comportar de forma agressiva online e quais são as formas de enfretamento para este discurso. Procurou-se discutir, também, sobre os mecanismos que as redes sociais dispõem, como o anonimato, os perfis fakes e os filtros. Então, a terceira parte, visou discutir, por meio do referencial teórico da psicanálise, o contexto do discurso de ódio online, a fim de compreender os mecanismos psíquicos atuantes nesta disseminação. Em seguida, realizou-se uma pesquisa documental, com análise qualitativa, a fim de verificar os aspectos psíquicos que poderiam permear a divulgação das mensagens ofensivas apontadas nas amostras, utilizando-se a seguinte metodologia: 2. Referencial metodológico O método empregado para a realização da pesquisa foi o de pesquisa qualitativa de cunho documental que consiste na busca de dados por meio de documentos que ainda não receberam um tratamento analítico, podendo ser utilizados documentos “de primeira mão” que são documentos como cartas pessoais, diários, gravações, fotografias, ofícios etc. (Gil, 2002). O critério de delimitação do termo “discurso de ódio” considerou o que se enquadra na manifestação de preconceito, julgamento, ironia, desigualdade e inferioridade. Para detectar estes fatores, foi utilizado o paradigma indiciário, uma metodologia derivada de historiadores proposta por Carlo Ginzburg que é caracterizada por “um método de conhecimento cuja força está na observação do pormenor que pode ser revelado, mais do que apenas uma dedução sobre algum aspecto investigativo” (Gomes, 2017, p.34). Portanto, o paradigma indiciário empregado aqui, visou buscar comentários que contivessem vestígios de que o autor não estava promovendo uma reflexão e sim um ataque. Figueiredo e Minerbo (2006) propõem que a pesquisa em psicanálise consiste na produção de conhecimentos em que a própria psicanálise pode assumir diversas formas, tanto como objeto de estudo assim como pode contribuir com o uso dos seus conceitos para investigar e compreender diversos fenômenos sociais ou subjetivos. Desta forma, os conceitos em psicanálise foram usados na análise das amostras a fim de interpretar o fenômeno do discurso de ódio no meio social virtual. 2.1. Procedimentos Foi escolhida uma postagem, disposta em três amostras com comentários contendo discurso de ódio que relacionam a pandemia causada pelo vírus Covid-19 e a política, publicados por usuários na página do Facebook do Ministério da Saúde compreendendo o período de quarentena no país em 2020. Posteriormente, estes recortes foram analisados qualitativamente sob uma perspectiva psicanalítica. Os públicos alvos desta pesquisa são indivíduos que possuem uma conta cadastrada no Facebook, cuja idade atenda os critérios para criação de um perfil nesta rede social sendo, portanto, maiores de 14 anos, alfabetizados, com escolaridade variada e de ambos os sexos. 3. Quadro teórico 3.1. O homem pós-moderno e a sua relação com a tecnologia. Lipovetsky (1993) elaborou uma distinção entre as características subjetivas da era moderna e pós-moderna, iniciando por dizer que a pós-modernidade se deu pela união entre o processo de personalização da esfera social e o recuo do processo disciplinar que era vigente até então na modernidade. O sujeito pós-moderno é aquele que passou a viver pelo individualismo hedonista e não encontra oposições em seu caminho, ele, portanto, rompeu com aquele sujeito moderno marcado pelo ideal de revolução em busca de um futuro com mais esperança. Para o autor, a sociedade pós-moderna é formada por uma massa indiferenciada onde há o predomínio de um sentimento de estagnação, uma vez que a inovação se tornou banal e o futuro não está mais associado Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 82 Ao tomar por base esta descrição feita pelo autor referido e tudo o que já foi relatado até aqui acerca do discurso de ódio online, se faz necessário colocar o olhar da psicanálise sobre o comportamento do ser humano frente ao ódio e frente ao grupo social a fim de introduzir os conceitos próprios dessa abordagem que serão utilizados para as análises posteriores. Para Freud (1938) o ser humano possui dois instintos básicos, sendo eles o instinto de vida, representado por Eros, e o instinto de morte, Tânatos. O instinto de vida, procura unir e preservar, enquanto o outro, visa desfazer conexões e destruir coisas. Quanto a Eros, a libido, que é sua expoente, é voltada para o ego em princípio, formando o narcisismo primário, onde investimos energia libidinal em nós mesmos, permanecendo assim, até que esta libido narcísica se transforme em uma libido objetal, e assim podemos também investir no outro. Desta forma, durante a vida toda, o ego funciona como um reservatório, direcionando as catexias libidinais aos objetos e recolhendo-as novamente (Freud, 1938/1996). O instinto de morte torna-se explicito quando direciona a destruição para fora, para o outro. Por outro lado, este instinto agressivo também se fixa no ego, quando o superego é formado, agindo de forma autodestruitiva (Freud, 1938/1996). Esta manifestação do mundo pulsional, no entanto, deve ser contida para que seja possível o convívio em sociedade uma vez que, principalmente, a hostilidade ameaça a integridade social pois “paixões movidas por instintos são mais fortes que interesses ditados pela razão” (Freud, 1930/2010, p. 78) e por isso, a civilização se encube em colocar limites a estes instintos a fim de restringir as suas manifestações. Para compreender a dinâmica psíquica, será feita uma breve explicação acerca das instâncias psíquicas Id e Ego e a relação estabelecida entre ambas. De acordo com Freud (1923/2011) existe em cada pessoa uma instância denominada Ego, onde a consciência está associada, é ele quem controla as descargas de energia para o mundo externo. É dele que advém as repressões, usadas com o intuito de excluir determinadas tendências da mente. Em contrapartida, o Id é a instância que se relaciona com o ego, que armazena as pulsões e os conteúdos que foram reprimidos. Entende-se que o ego é responsável pela mediação entre os impulsos contidos no Id e que precisam ser satisfeitos, e adaptá-las ao meio externo, de modo a coadunar as exigências de ambos. Com isso “o ego representa o que se pode chamar de razão e circunspecção, em oposição ao Id, que contém as paixões” (Freud, 1923/2011 p.31). Vê-se que, ainda que contidas, essas pulsões surgem em sociedade e não têm se mostrado diferente no meio virtual. Quando se fala em obter visibilidade por meio da agressão ao outro, é possível avaliar que o indivíduo mostra o seu narcisismo ao buscar gratificar a sua autoimagem e repelir o que se diferencia pelo ódio, satisfazendo o impulso de morte por meio de uma fala agressiva. Sugere-se, ainda que, para que o sujeito consiga satisfazer seus impulsos ao mesmo tempo que preza pelo convívio social, deva utilizar-se de mecanismos de defesa que possam garantir a integridade do seu ego. Laplanche e Pontalis (1998, p. 277) explicam que os mecanismos de defesa são operações mentais responsáveis em estabelecer uma defesa específica ao ego. Os autores completam: “Os mecanismos predominantes diferem segundo o tipo de afecção considerado, a etapa genética, o grau de elaboração do conflito defensivo etc.”. Um dos mecanismos de defesa que podem ser citados no contexto de discurso de ódio é a negação, que também serve como base para o estabelecimento de outros mecanismos. A negação consiste em um processo em que o sujeito nega que seus sentimentos, pensamentos e desejos recalcados, lhe pertençam (Laplanche & Pontalis, 1998). Outro mecanismo que acompanha a negação é a projeção, que permite ao sujeito expulsar de si e colocar no outro, seja pessoa ou coisa, qualidades, sentimentos e desejos que desconhece ou recusa aceitar em si mesmo (Laplanche & Pontalis, 1998). Portanto, observa-se a possibilidade de o sujeito usar a negação para evitar o contato com algum conteúdo próprio e o redirecionar ao outro por meio da projeção, apontando no outro, características que na verdade, são suas. Assim como acontece no meio virtual, em que o discurso de ódio tem por base, apontar no outro, suas características, principalmente os estereótipos. Já o conceito de racionalização pode ser definido por: “processo pelo qual o sujeito procura apresentar uma explicação coerente do ponto de vista lógico ou aceitável do ponto de vista moral, para uma atitude, uma ação, uma ideia, um sentimento, etc”. (Laplanche & Pontalis, 1998, p.423). Posto isto, infere-se que a racionalização possa estar presente nos discursos ofensivos que não apresentam um ataque explícito ao alvo, mas naqueles que transmitem um pensamento hostil com base em argumentos que sustentem a ideia principal. Quanto ao comportamento no grupo virtual, Santos (2016) contribui mais uma vez ao dizer que o agressor é levado pela ideologia e pelo inconsciente. O indivíduo deixa de ser único para se tornar descentrado. Ele não é a fonte percussora do pensamento comunicado, ainda que acredite de forma ilusória que tenha formulado Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 83 o discurso. Assim, verifica-se que há uma oposição entre o sujeito que reproduz um pensamento, ao mesmo tempo que se considera a fonte de origem do mesmo, e age de forma inconsciente na massa, porém, crê que suas ações sejam unicamente de ordem consciente. Essa relação descrita entre sujeito e massa, pode ser encontrada em psicologia das massas e análise do eu. Freud (1921/2010) ao analisar a formação da massa, descreve que ocorre uma exaltação da emoção produzida por cada pessoa que compõe o grupo. Desta forma, as emoções são infladas e os sujeitos vivenciam uma experiência agradável que favorece e união entre os membros e consequentemente gera uma perda da individualidade. O sujeito perde a sua crítica e deixa-se levar pelas emoções compartilhadas, como uma compulsão automática, em que é impulsionado a agir do mesmo modo que os demais, com o intuito de manter a harmonia grupal. 4. Descrição e análise das amostras de discurso de ódio O Ministério da Saúde do Brasil possui uma página para contato e divulgação de informações no Facebook na categoria de serviço público e governamental. Para a seleção das postagens, foi utilizado o critério de paradigma indiciário proposto por Ginzburg para determinar “discurso de ódio”. Foi escolhida uma postagem disposta em três imagens com comentários que promovem ataque a uma pessoa ou grupo, publicadas por usuários na página do Ministério da Saúde e que estimulam uma discussão política. Imagems 1, 2 e 3: Postagens do Ministério da Saúde no Facebook Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 84 Fonte: Ministério da Saúde. https://www.facebook.com/minsaude/about/?ref=page_internal Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 85 A postagem selecionada se refere à importação de máscaras cirúrgicas produzidas na China, para a prevenção da disseminação do vírus no Brasil. O primeiro comentário “É porque a China não tem presidente que corta a verba de educação e ciência” possui uma conotação irônica, o autor faz uma distinção entre os governantes de ambos os países, sugerindo a comparação entre duas formas de governar. Existem aqueles que prezam pela saúde e educação e, portanto, distribuem a verba para manter estes setores (China), e aqueles que dão prioridades a outros assuntos e cortam a verba para solucionar outras questões consideradas mais emergentes (Brasil). Diante desta colocação, fica então subentendido que a administração inadequada da verba no Brasil é o fator que torna necessária a importação de máscaras de outro país com melhor administração. Deste modo, o autor do comentário introduz o assunto da política no manejo da saúde pública em meio a pandemia. Todos os comentários seguintes manifestam ideias contrárias ao primeiro. Sendo assim, o comentário a seguir “Faz-me rir este comentário... Só a China tem capacidade... aham... continue comprando suas muambas de lá e nem precisa divulgar, nos poupe” responde também com ironia em oposição ao pensamento manifestado pelo autor anterior. Este comentário sugere que a outra pessoa que favoreceu o sistema político chinês também seria conivente com a comercialização de produtos contrabandeados deste mesmo país, apontado pelo termo muamba (Diccionario Michaelis). Assim, a razão em defender a administração chinesa estaria em obter benefícios por meio desta, uma vez que existe uma procura pela importação de produtos chineses devido ao baixo custo que oferecem e à possibilidade de revenda no Brasil. Por conseguinte, o comentário “É porque nos governos anteriores foram construídos Estádios superfaturados ao invés de hospitais, e também foram cortadas verbas para educação, além dos desvios, a começar pelo FIES”, não traduz por si só um discurso de ódio. Entretanto, é reforçada a polarização estabelecida nos comentários anteriores e pode auxiliar na compreensão dos embates estabelecidos, considerando que o partido que governou o Brasil anteriormente era de esquerda e por isso foi, e ainda é associado ao regime político e as condutas adotadas pela China. O último comentário da segunda imagem faz um ataque mais explícito ao governo chinês, escrito da seguinte forma: “Lá tem um partido comunista sumindo com médicos e jornalistas que tentam falar o que está por trás do vírus, verdades que mídia não mostra. Bonzinho o presidente genocida.” O autor propõe que exista algum fator subjacente à contaminação mundial pelo vírus, de conhecimento do governo chinês e que é encoberto pelo mesmo. Atribui-se uma culpabilização à China por esta disseminação observada pelo emprego do termo genocida. Na terceira imagem, o que se destaca é o último comentário que diz “Por isso que eu sou a favor de VARRER esse país do mapa”, deixando explicita a vontade do usuário em exterminar uma nação para que não tenha que lidar com as divergências políticas, sociais e culturais entre países. Ao transferir o assunto da postagem para o cenário político, torna-se possível inferir que os autores projetam o ódio para as figuras dos cargos de presidência, já que aproveitam a reputação internacional de ambos e dos regimes políticos que defendem para encontrar culpados pelo cenário crítico vigente na saúde pública mundial. É possível verificar que existe nestas falas, a expressão do mundo pulsional, uma vez que a pulsão de morte visa a desunião, e a agressão transparece nos comentários como fonte de segregação de pessoas, ou seja, o que é repudiado deve ser diferenciado, então é transferido para um grupo com menos valia. Quanto a libido, vê-se que sobressai aquela direcionada ao próprio sujeito, a libido narcísica. O narcisismo aparece pela valorização que o sujeito dá a si e pessoas parecidas consigo, no caso, as que tem os mesmos ideais políticos. Este narcisismo o faz capaz de enxergar apenas as próprias necessidades, tendo pouca ou nenhuma consideração à diferença. Esse modo de investimento libidinal em si, faz com que o ego precise preservar a sua identidade e, portanto, pode ser evidenciado o uso de mecanismos de defesa que tem esta função protetora do ego. Observa-se então, o uso da negação, que por meio do auto apreço, os indivíduos ocultam os seus aspectos menos promissores. E ainda se utiliza da projeção, que é outro mecanismo de defesa, que transfere inconscientemente ao outro, todos os aspectos negativos que repudiam em si mesmos, mas que não reconhecem ou não aceitam. E existe ainda, um terceiro mecanismo identificado nestas falas, a racionalização. Os sujeitos não expressam deliberadamente o seu sentimento de insatisfação com o outro, mas o encobre com um argumento de base racional para justificar, pela união dos fatos, a sua fala agressiva. Outro viés possível de interpretação é que o pensamento desenvolvido repercute um pensamento massificado, que tem como característica a indiferenciação do sujeito no grupo, torna-se difícil identificar o que é pessoal e o que é cultural, uma vez que o indivíduo replica um pensamento, salvaguardando-se na massa. Entretanto, ao reproduzir um pensamento é possível que a mensagem repercutida possa estar intrincada no sujeito que o repete. Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 86 Este pensamento massificado também reproduz uma ideologia que polariza a sociedade em boa ou má, cidadão de bem ou infrator, defensor da posição política de direita ou de esquerda. O “narcisismo das pequenas diferenças” aparece aqui também pela rixa entre as ideologias partidárias, uma vez que a China é representante de um partido de esquerda, enquanto o Brasil passou a ser governado por um partido de direita. Os comentários geram uma auto validação para si e para o partido defendido por meio da degradação do outro. O comentário sobre varrer o país do mapa, demonstra que a separação entre pessoas poderia ser feita inclusive de forma concreta. Nesse sentido, o narcisismo alimenta o desejo de investir energia apenas em si e em tudo que seja semelhante, o diferente é percebido como uma agressão, é perigoso, portanto, deve ser rechaçado. Observa-se que a crítica dos sujeitos fica rebaixada, pois não fazem uma reflexão acerca da situação noticiada pelo Ministério da Saúde brasileiro, mas expressam-se de modo impulsivo no intuito de retalhar a postagem e reafirmar o pensamento bipolarizado transmitido pela massa. Quanto ao confronto entre os usuários, observa-se também, pelo teor dos comentários, que a impulsividade toma o lugar da reflexão, uma vez que são contaminados pelo afeto de raiva e se dedicam em responder ofensivamente algo que não lhes foi atribuído diretamente. 5. Resultados e discussão Os resultados encontrados pela análise das amostras apontam que o sujeito manifesta no ambiente virtual os seus aspectos psíquicos inconscientes, sendo estes a pulsão de morte, que conforme Freud postulou, necessita ser em parte defletida para fora do psiquismo do sujeito. Também se observou a busca pela alimentação do narcisismo, a fim de proteger o ego quanto aos perigos dos “ataques” virtuais e quanto ao desejo de ser aceito pelo grupo que pretende estar inserido. Também, a fim de proteger o ego, observou-se o uso de mecanismos de defesa, tais como projeção, negação e racionalização. O impulso agressivo encontra um meio de ser satisfeito tanto quando o autor expressa a sua raiva e direciona o seu comentário ofensivo a alguém, quanto em mensagens que visam a desunião. O narcisismo aparece de forma não declarada, mas se faz presente no momento que difama o outro colocando-o em posição inferior, de forma que o sujeito se reafirma ao adquirir uma posição mais favorável em seu ponto de vista, assumindo o “lado da razão”. É próprio da tentativa de sustentação do narcisismo não aceitar a diferença e o tentar repelir atribuindo-lhe características negativas. Neste sentido, pensa-se que alguns mecanismos da própria rede social possam contribuir para que este narcisismo se torne mais enfático, pois com o sistema de filtros online os usuários passam a ficar cada vez mais próximos de conteúdos e pessoas semelhantes a si, que é justamente o que se faz ao alimentar o narcisismo. Estar longe de informações e pessoas distintas, evita que o sujeito tenha que lidar com o que lhe traz aversão, assim ele tende a alimentar intolerância com os demais. Em contrapartida, a internet favorece a globalização que torna possível a aproximação de diferentes raças e culturas, o que faz dela um meio de comunicação com grande diversidade podendo gerar esses embates, quando a diferença esbarra nos limites do narcisismo. Quanto aos mecanismos de defesa, foram identificados três deles, que atuam de forma relacionada. A projeção permite ao indivíduo transferir seus aspectos negativos ao objeto, sendo que estes aspectos não são reconhecidos ou aceitos por si mesmo, pois ele utiliza para isso, o mecanismo de negação. Esta relação entre negação e projeção está intimamente associada ao narcisismo, pois permite ao sujeito justificar a sua aversão ao apontar no outro, seus aspectos negativos, preservando-o. A racionalização, por outro lado, possibilita que estes dois mecanismos citados se expressem por meio de mensagens de cunho moral ou lógico que expliquem suas aversões. O comportamento do usuário dentro do grupo na rede social também foi verificado e foi percebido que, assim como nas massas, o sujeito online tende a ter sua crítica rebaixada para deixar fluir o pensamento do grupo. Com isso, repercute ideias por meio da repetição de ideologias. É importante ressaltar que a indiferenciação da massa também é uma característica do sujeito pós-moderno, que tenta afirmar a sua identidade por meio dos valores sociais, valores estes que visam a individualidade e o apreço pela imagem. E que levam os aspectos antes pertencentes à vida privada para a vida pública e, posteriormente se estende às redes sociais, gerando um conflito devido à dificuldade em delimitar e diferenciar o que é público ou privado; liberdade de expressão ou discurso de ódio. Naomy Ester de Mello e Marques & Thalita Lacerda Nobre IROCAMM VOL. 1, N. 4 - Year 2021 Received: 19/10/2020 | Reviewed: 29/11/2020 | Accepted: 30/11/2020 | Published: 02/01/2021 DOI: https://dx.doi.org/10.12795/IROCAMM.2021.v01.i04.07 Pp.: 73-88 e-ISSN: 2605-0447 87 6. Considerações finais Este trabalho teve o objetivo de analisar por uma perceptiva psicanalítica algumas manifestações psíquicas que permearam a disseminação do discurso de ódio nas redes sociais, durante o período de quarentena ocasionado pela pandemia de 2020. Visando identificar também a iniciativa destes usuários de politizar as discussões de saúde pública por meio discurso de ódio. A partir da pesquisa documental desenvolvida, objetivou-se fazer o recorte de publicações de discurso de ódio publicadas em plataforma online do Ministério da Saúde do Brasil. Estes recortes foram analisados e verificouse a presença da manifestação do mundo pulsional nas mensagens, assim como a expressão do narcisismo e o uso de mecanismos de defesa como a negação, projeção e a racionalização. Corroborando com a hipótese do trabalho. O comportamento em massa também foi acurado e foi percebida a repercussão de um pensamento massificado pautado em discurso ideológico individualista construído socialmente. Estes resultados encontrados, aliados à revisão de literatura, puderam demonstrar que a internet torna-se um meio favorável para a propagação deste discurso, uma vez que propicia o sentimento de distância e impunidade proporcionada pela dificuldade em delimitar o público e privado neste espaço, e pelo modo como se lida, culturalmente, com o discurso de ódio. As redes sociais digitais também favorecem a aproximação por meio de troca de mensagens virtuais, porém com distância física, o que permite a exposição de opiniões e julgamentos que não se fariam presencialmente. Diante disso, se faz necessário que mais pesquisas sejam feitas para continuar a investigação acerca do funcionamento psíquico que envolve essa prática, pois configura-se como tema atual, devido a sua proporção de deflagração e denúncias oficiais recebidas, bem como a sua associação ao momento político nacional. Também, em momentos distintos da pandemia do novo coronavírus, alguns comportamentos tendem a se exacerbar em detrimento de outros. Acreditamos que, uma vez que a internet e as redes sociais digitais são universos cada vez mais habitados pela população, há o risco da naturalização do discurso de ódio, o que afasta a compreensão das diferenças e o desenvolvimento do sentimento de tolerância. 7. Referências Albuquerque, F. E. T. (2014). 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