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A leitura do espaço urbano e paisagem como patrimonio cultural e recurso indissociável ao desenvolvimento de um turismo sustentável – o caso da Baixa de Luanda

Abstract

A relação entre espaço urbano e paisagem com o fenómeno do turismo constitui um tema crescentemente pertinente e interessante de se estudar, sobretudo quando recorrendo aos elementos desse espaço como o recurso para o desenvolvimento de um território nas mais diversas valências. Um território enquanto espaço humanizado, pressupõe uma dimensão turística, logo que os seus elementos de património cultural sejam submetidos a uma leitura holística de articulação entre as dimensões do turismo sustentável e as caraterísticas desse mesmo território. Esta circunstância condiciona positivamente a procura e oferta turística e a qualidade do ambiente urbano, favorecendo as populações, fomentando dinâmica económica, divulgando a cultura e o património, reforçando a identidade e autoestima de um povo, ao mesmo tempo que lhes preserva os componentes materiais e imateriais. A transversalidade destes temas com outras áreas, para além de ser indispensável, torna o ambiente de acontecimentos e relações mais complexo, mas ao mesmo tempo, mais sustentável. O território da Baixa da cidade de Luanda em Angola, apresenta-se como o estudo de caso aqui desenvolvido, em que se pretende demonstrar que o potencial do património cultural existente tem a capacidade de, sob determinadas circunstâncias, transformar a Baixa da cidade num local de excelência no país com a implementação de uma estratégia de turismo sustentável. No sentido de provar esta tese, recorre-se a uma proposta metodológica de intervenção que implica um tipo de abordagem em rede estruturada no território, analisando os seus elementos constituintes do património cultural material e imaterial, demonstrando que estes respondem ás dimensões exigidas para a existência de um turismo sustentável, e por conseguinte, a reunião de condições para a sua aplicabilidade.

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A leitura do espaço urbano e paisagem como patrimonio cultural e recurso indissociável ao desenvolvimento de um turismo sustentável – o caso da Baixa de Luanda

Author: Carvalho, Marta Filipa Almeida
Year: 2017
Source: https://idus.us.es/bitstreams/5a984a25-ed41-40ed-8ec8-7fd1ad223c07/download
1
DISSERTAÇÃO PARA DOUTORAMENTO
2013/2017
“A Lei u a do Espaço U bano e Paisagem como Pa imónio
Cul u al e Recu so Indissociá el ao Desen ol imen o de
um Tu ismo Sus en á el – O caso da Baixa de Luanda
Uma p opos a me odológica de in e enção”
Pala as-cha e: espaço u bano; paisagem; pa imónio cul u al; u ismo sus en á el
Dou o anda: Ma a Filipa Almeida Ca alho
O ien ado : P o esso Dou o Domingo Sanches Fuen es e P o esso Dou o
José Manuel San os Cus ódio Ped ei inho
En idades: U Se ilha
2
Ag adecimen os
Dedica ó ia
Resumo
Resumen
Abs ac
Índice
3
Ag adecimen os
Aos meus o ien ado es P o . Dou o Domingo Sanches Fuen es e P o . Dou o
José Manuel San os Cus ódio Ped ei inho pela o ien ação e con iança nes a
disse ação.
Uma pa icula e p o unda g a idão ao úl imo, pelo incen i o pe manen e que
me pe mi iu nunca desis i de mais uma e apa impo an e do meu pe cu so
académico e pessoal. Pelo in e esse demons ado no ema, po me
p opo ciona a opo unidade de abalha p óximo de um g ande P o esso ,
Colega e Amigo que há mui o admi o e conside o.
Àqueles que em udo me apoia am, em Angola e Po ugal, dos quais des aco
apenas alguns, mas sem deses ima po an os ou os. À amiga e “Tia” Ca la
Suzana Fe nandes, aos Colegas Kahina Fe ei a, Thomaz Ramalho, Te esa
Qui ino, Ma ia João Teles G ilo, ao D . Nelson Ba os e às cuidado as e
zelado as do meu ilho ao longo de 4 anos, Má cia, Magui, e Lili, bem como à
Uni e sidade Me odis a de Angola, à Emp esa G.C.I. e ao Gabine e da UN-
HABITAT - P og ama das Nações Unidas “Baixa Vi a” em Luanda.
Finalmen e, e mais impo an e, ag adeço à minha Família, em pa icula ao
meu Filho Ped o Kussy pelo sac i ício dos momen os da minha ausência, pela
ole ância e coope ação, com a ingenuidade p óp ia de uma c iança, à minha
Mãe e ao meu Pai, à minha I mã Ana, aos meus Tios Zizi e An ónio Ped o, pela
o ça e mo i ação que p o oca am em mim, como aliás semp e o azem em
odas as minhas du as ba alhas.
4
Dedica ó ia
Ao P o esso Dou o José Manuel San os Cus ódio Ped ei inho
5
RESUMO
A elação en e espaço u bano e paisagem com o enómeno do u ismo
cons i ui um ema c escen emen e pe inen e e in e essan e de se es uda ,
sob e udo quando eco endo aos elemen os desse espaço como o ecu so
pa a o desen ol imen o de um e i ó io nas mais di e sas alências.
Um e i ó io enquan o espaço humanizado, p essupõe uma dimensão u ís ica,
logo que os seus elemen os de pa imónio cul u al sejam subme idos a uma
lei u a holís ica de a iculação en e as dimensões do u ismo sus en á el e as
ca a e ís icas desse mesmo e i ó io.
Es a ci cuns ância condiciona posi i amen e a p ocu a e o e a u ís ica e a
qualidade do ambien e u bano, a o ecendo as populações, omen ando
dinâmica económica, di ulgando a cul u a e o pa imónio, e o çando a
iden idade e au oes ima de um po o, ao mesmo empo que lhes p ese a os
componen es ma e iais e ima e iais. A ans e salidade des es emas com
ou as á eas, pa a além de se indispensá el, o na o ambien e de
acon ecimen os e elações mais complexo, mas ao mesmo empo, mais
sus en á el.
O e i ó io da Baixa da cidade de Luanda em Angola, ap esen a-se como o
es udo de caso aqui desen ol ido, em que se p e ende demons a que o
po encial do pa imónio cul u al exis en e em a capacidade de, sob
de e minadas ci cuns âncias, ans o ma a Baixa da cidade num local de
excelência no país com a implemen ação de uma es a égia de u ismo
sus en á el.
No sen ido de p o a es a ese, eco e-se a uma p opos a me odológica de
in e enção que implica um ipo de abo dagem em ede es u u ada no
e i ó io, analisando os seus elemen os cons i uin es do pa imónio cul u al
ma e ial e ima e ial, demons ando que es es espondem ás dimensões
exigidas pa a a exis ência de um u ismo sus en á el, e po conseguin e, a
eunião de condições pa a a sua aplicabilidade.

6
RESUMEN
La elación en e espacio u bano y paisaje con el enómeno del u ismo
cons i uye un ema c ecien emen e pe inen e e in e esan e de es udia , sob e
odo cuando ecu iendo a los elemen os de ese espacio como el ecu so pa a
el desa ollo de un e i o io en las más di e sas alencias.
Un e i o io como espacio humanizado, p esupone una dimensión u ís ica, an
p on o como sus elemen os de pa imonio cul u al sean some idos a una
lec u a holís ica de a iculación en e las dimensiones del u ismo sos enible y
las ca ac e ís icas de ese mismo e i o io.
Es a ci cuns ancia condiciona posi i amen e la demanda y o e a u ís ica y la
calidad del ambien e u bano, a o eciendo a las poblaciones, omen ando
dinámica económica, di ulgando la cul u a y el pa imonio, e o zando la
iden idad y au oes ima de un pueblo, al mismo iempo que les p ese a los
componen es ma e iales y Inma e iales. La ans e salidad de es os emas con
o as á eas, además de se indispensable, hace que el ambien e de
acon ecimien os y elaciones más complejo, pe o al mismo iempo, sea más
sos enible.
El e i o io de la Baja de la ciudad de Luanda en Angola, se p esen a como el
es udio de caso aquí desa ollado, en el que se p e ende demos a que el
po encial del pa imonio cul u al exis en e iene la capacidad de, bajo
de e minadas ci cuns ancias, ans o ma la Baja de la ciudad en un luga de
excelencia en el país con la implemen ación de una es a egia de u ismo
sos enible.
En el sen ido de p oba es a esis, se ecu e a una p opues a me odológica de
in e ención que implica un ipo de abo daje en ed es uc u ado en el e i o io,
analizando sus elemen os cons i uyen es del pa imonio cul u al ma e ial e
inma e ial, demos ando que és os esponden a las dimensiones exigidas pa a
la exis encia de un u ismo sos enible, y po consiguien e la eunión de la
eunión de condiciones pa a su aplicabilidad.
7
ABSTRACT
The ela ionship be ween u ban space and landscape wi h he phenomenon o
ou ism is an inc easingly pe inen and in e es ing subjec o s udy, especially
when using he elemen s o his space as he esou ce o he de elopmen o a
e i o y in he mos di e se alues.
A e i o y as a humanized space p esupposes a ou is dimension as soon as
i s elemen s o cul u al he i age a e subjec ed o a holis ic eading o he
a icula ion be ween he dimensions o sus ainable ou ism and he
cha ac e is ics o he same e i o y.
This ci cums ance posi i ely a ec s ou is demand and supply and he quali y
o he u ban en i onmen , a o ing he popula ion, omen ing economic
dynamics, sp eading cul u e and he i age, ein o cing he iden i y and sel -
es eem o a people, while p ese ing he ma e ial and Imma e ial. The
ans e sali y o hese hemes wi h o he a eas, besides being indispensable,
makes he en i onmen o e en s and ela ionships mo e complex, bu a he
same ime, mo e sus ainable.
The e i o y o Baixa o he ci y o Luanda in Angola, is p esen ed as he case
s udy de eloped he e, in which i is ied o demons a e ha he po en ial o he
exis ing cul u al he i age has he capaci y, unde ce ain ci cums ances, o
ans o m he down own o he ci y in o a place o excellence in he coun y wi h
he implemen a ion o a sus ainable ou ism s a egy.
In o de o p o e his hesis, a me hodological p oposal o in e en ion is
p oposed ha implies a ype o ne wo ked app oach s uc u ed in he e i o y,
analyzing i s cons i uen elemen s o he ma e ial and imma e ial cul u al
pa imony, demons a ing ha hese espond o he dimensions equi ed o he
exis ence o sus ainable ou ism, and he e o e mee ing condi ions o i s
applicabili y.
8
ÍNDICE
In odução
12
CAPÍTULO I – CONCEITOS E ENQUADRAMENTOS
TEÓRICOS
18
1 Espaço U bano e Paisagem como Pa imónio Cul u al
19
1.1 Concei o de Pa imónio - da simplicidade dos p imó dios à
e sa ilidade con empo ânea
19
1.1.1 Pa imónio Cul u al
23
1.2 Concei o de Espaço U bano e Paisagem – Conside ações no
con ex o de Pa imónio Cul u al
25
1.2.1 Da paisagem, á paisagem u bana
30
1.2.2 A complexidade do concei o
31
2 Desen ol imen o e Tu ismo Sus en á el
34
2.1 Desen ol imen o/subdesen ol imen o – conceções a uais
35
2.2 Desen ol imen o Sus en á el
39
2.3 Tu ismo Sus en á el
40
2.3.1 O u ismo quan i a i o e o u ismo quali a i o 44
3 A p ese ação e alo ização do pa imónio enquan o a o
de desen ol imen o dos cen os his ó icos
48
3.1 Conside ações sob e os cen os his ó icos 49
3.2 Conside ações sob e a á ea de es udo
50
3.3 Do no o pa adigma u ís ico ás dinâmicas e i o iais
con empo âneas
54
9
3.3.1 As modalidades u ís icas consequen es das mudanças sociais
55
3.3.2 O impac o do ma ke ing e i o ial no enómeno u ís ico
56
3.3.2.1
As componen es ma e iais e geog á icos no ma ke ing e i o ial
57
3.3.2.2
A di e sidade enquan o expe iência u ís ica au ên ica
58
3.3.2.3
E apas do p ocesso de planeamen o de ma ke ing e i o ial
es a égico
61
3.3.2.4
Dinamização sus en á el – pensa global e agi local
62
CAPÍTULO II – ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DO ESPAÇO
URBANO E PAISAGEM DA BAIXA DE LUANDA –
ENQUADRAMENTO CRÍTICO
67
1 Desc ição da e olução e con ex o si uacional – pe spe i as
emá icas
68
1.1 Geog á ica e clima
70
1.2 Pe spe i a U bana
72
1.2.1 C escimen o e desen ol imen o u bano da cidade de Luanda
desde as p imei as ocupações à si uação a ual
74
1.2.2 C escimen o e desen ol imen o u bano da Baixa de Luanda 83
1.3 Pe spe i a His ó ica
92
1.3.1 Con ex o Mundial do Desen ol imen o Global e U bano das
Cidades Subdesen ol idas
92
1.3.2 Con ex o Eu opeu 99
1.3.2.1
B e es conclusões 105
1.4 Pe spe i a Social/Polí ica
107
1.5 Pe spe i a Económica/polí ica
115
16
Pa alelamen e p ocu ou-se in o mação sob e o que es á p opos o a ní el
u ís ico pa a a cidade jun o do Plano Di e o do Tu ismo de Angola. Pa a o
es udo do espaço u bano e da paisagem da Baixa de Luanda p ocedeu-se à
iden i icação dos elemen os, dos agen es e das pe sonalidades mais
signi ica i os que ma cam es a zona da cidade, pe cebendo que geossímbolos
podem unciona como a a i o ou como elemen os-cha e de uma es a égia de
u ismo, a iculando a Baixa com a es an e cidade.
Quan o à o ganização da disse ação, es a ap esen a-se es u u ada em qua o
capí ulos. No capí ulo I encon a-se o enquad amen o ge al, abo dando
algumas ques ões da a ualidade bem como de his o icidade a ní el da isão do
pa imónio, da e idenciação u ís ica das cidades e do p ocesso pa alelo da
alo ização da imagem u bana bem com os concei os ine en es. Ap esen a-se
ainda o obje i o ge al da in es igação e a ques ão o mulada seguidos da
me odologia ado ada pa a a conc e ização da in es igação.
Ainda nes e capí ulo elabo a-se um quad o eó ico de e e ência que pode se
lido como endo duas pa es, dados os concei os que se de ini am. Numa
p imei a pa e a a -se-á dos concei os de espaço u bano e paisagem
enquan o pa imónio cul u al. Numa segunda pa e associa-se as de inições de
desen ol imen o e de u ismo sus en á el ao espaço u bano e paisagem numa
lei u a conjun a e a iculada.
No segundo capí ulo da disse ação, p ocede-se à análise, lei u a e
ca ac e ização do espaço u bano e paisagem cul u al da Baixa de Luanda,
explana-se a sua e olução e con ex ualização his ó icas, ap esen ando as
especi icidades do p óp io país, in oduzindo-se, num ou o pon o, o es udo das
dinâmicas u banís icas que a Baixa em conhecido e que podem se c uciais no
melho amen o da imagem da mesma, no desen ol imen o da cidade e, po
consequência, de g ande impo ância na cap ação de uma es a égia de
u ismo sus en á el.
No e cei o capí ulo ap esen a-se uma me odologia de in e enção que
p e ende comple a o abalho adian ando algumas p opos as que pa ecem se

17
iá eis pa a a Baixa de Luanda e que isam um no o en endimen o e lei u a
das po encialidades da mesma.
A consciencialização da impo ância da sal agua da pa imonial pa a a Baixa e
cidade é a mensagem que ci cula e que passa pa a o ex e io , mas diz-nos
pouco sob e a e dadei a essência da zona, ao mesmo empo que é
acompanhada de uma ce a apa ia in e en i a implicando o ado mecimen o do
assun o. Assim, p e ende-se ambém que es e abalho aco de a Baixa, Luanda
e as suas consciências ado mecidas.
A In odução e mina com o enquad amen o geog á ico do e i ó io do es udo
de caso, a sua localização na cidade de Luanda, bem como no país Angola e
con inen e A icano (Figu as 1, 2, 3 e 4).
Fig. - 1, 2, 3 e 4 (enquad amen o geog á ico da á ea de es udo)
18
Capí ulo I
Concei os e enquad amen os eó icos
19
Capí ulo I – Concei os e enquad amen os eó icos
1. Espaço U bano e Paisagem como Pa imónio Cul u al
Nes a ase p ocu a-se a qui e a um quad o eó ico de e e ência analisando
di e sos discu sos e pe spe i as eó icas assim como me odológicas. O
obje i o p ende-se com o cla i ica de concei os e de incen i o ao deba e sob e
as complexidades ine en es aos di e en es con eúdos.
Salien a-se que os di e en es concei os que se ão abo dados – pa imónio,
espaço u bano, paisagem e u ismo sus en á el – de em se e le idos e
ques ionados no âmbi o in e disciplina pa a que se p omo am diálogos
con ex ualmen e enquad ados.
Só assim se consegui á encon a o eixo comum aos di e en es concei os e
abalhá-los, não como es anques, an es como lexí eis e complemen a es, ao
mesmo empo que enquad ados num con ex o especí ico de uma cidade do
con inen e a icano e com his o ial de séculos de colonização, gue a e
subdesen ol imen o.
1.1 O concei o de Pa imónio
Na a ualidade assis isse-se a uma a iedade de discu sos, de índole mais ou
menos pa e nalis as, ela i amen e às ques ões pa imoniais. No en an o, o que
ealmen e se impõe sabe é o que se pode en ende como pa imónio, nes a
sociedade em cons an e mu ação.
A noção con empo ânea de pa imónio é ab angen e, possui múl iplas aceções
e a “ ans e ência semân ica so ida pela pala a assinala a opacidade da
20
coisa”4. Lança aqui a de inição de pa imónio não é o que se p e ende, pois
pa a além do isco de se cai no e o po de ei o, a ins á el sociedade em que
se i e apidamen e eme e ia pa a o obsole o uma ingénua en a i a. Assim, o
que se p e ende é a consciencialização dos seus con o nos e da mu ação que
so eu a é á sua pe ceção a ual.
Na sua o igem e imológica, Pa imónio p o em do la im pa imonium e su ge no
século XVIII associado a um conjun o de bens de pe ença amilia , às
es u u as económicas e ju ídicas de uma sociedade. É com o Iluminismo que o
pa imónio ai conhece no as eo izações e en endimen os onde a memó ia
lhe es á cada ez mais associada e as di e en es aceções ão su gindo numa
dimensão concep ual que ab ange, pa a além do he edi á io e do gené ico, o
cul u al, o his ó ico e o na u al, com uma conscien e pe ceção empo al.
Es a e olução do concei o desen ol e nas sociedades um “pode oso
mo imen o em a o da sal agua da, que se es o ça po con a ia as o ças da
des uição, da negligência e da mode nização excessi a (…) num mundo cuja
agilidade é ex ema5.
Es e medo da agilidade e da consequen e pe da de algo le a à e olução de
alguns c i é ios como: de monumen os isolados ao en endimen o do conjun o;
de bens cul u ais a sí ios e de uma dimensão ma e ial a uma ima e ial numa
e a em que os ideais de endidos pelo concei o de sal agua da chocam com os
de mode nização, como apon a Lac oix.
É nes a é ica da sal agua da que se desen ol e am o ganismos de ca ác e
in e nacional como a O ganização das Nações Unidas pa a a Educação,
Ciência e Cul u a (UNESCO) e de associações in e nacionais como o Conselho
da Eu opa, o Conselho In e nacional dos Monumen os e Sí ios (ICOMOS –
In e nacional Council o Monumen s and Si es), o Cen o In e nacional pa a o
Es udo da P ese ação e Res au o dos Bens Cul u ais (ICCROM –
In e na ional Cen e o he S udy o he P ese a ion and Res o a ion o
4 CHOAY, F ançoise, A Alego ia do Pa imónio, Edições 70, 1999. (Choay, 1999, p. 11)
5 Lac oix, 1997, p.12 LACROIX, Michel, O p incípio de Noé ou a é ica da sal agua da, Ins i u o
Piage , 1997.
21
Cul u al P ope y), o Conselho In e nacional de Museus (ICOM – In e nacional
Council o Museums) a é ó gãos es aduais, como o Ins i u o Ges ão do
Pa imónio A qui e ónico (IGESPAR), assim como, en idades p i adas e ou as
associações de base, que êm con ibuído de o ma a i a e eemen e pa a o
c escen e es o ço de manu enção do pa imónio.
Em pa alelo, é nume osa a panóplia de ca as, con enções e decla ações que
ab angem as mais ecen es noções de pa imónio, es ipulando di e izes na
o ma da sua p ese ação e dinamização.
No caso conc e o des a ese, apon am-se algumas en idades/o ganizações que
ap esen am uma simila p eocupação e empenho como a UNESCO, a UN
Habi a , o ICOMOS, CEICA-ULA (Cen o de In es igação da Uni e sidade
Lusíada), o De elopmen Wo kshop Angola, a Fundação Sindika Dokolo, o
Minis é io do Tu ismo e Ho ela ia, Minis é io da Cul u a, o Ins i u o Camões,
en e ou os não ão ele an es.
Salien a-se ainda o aco do en e a UNESCO e a CPLP em 2000, como
p o ocolo p i ilegiado pa a a p o eção do pa imónio angolano numa
coope ação di e a com Po ugal.
No en an o, a exp essão eal, bem como o impac o na aplicabilidade da
manu enção do pa imónio em Angola ap esen a-se demasiado dis an e
daquela que se cons a a nou os países e con inen es, icando mui o aquém do
desejá el.
Com e ei o, o pa imónio a icano pe manece mui as ezes desconhecido pela
his o iog a ia e menosp ezado pelos a o es polí icos esponsá eis pela sua
conse ação e alo ização, designadamen e em Angola6.
Pa a al con ibui ambém a quase inexis ência de menções à a qui e u a
a icana nos p incipais guias de a qui e u a mode na, demasiado cen ados na
Amé ica do No e e, pa icula men e, na Eu opa.
6 P ado, 2011; Milhei o, 20121

22
O pa imónio é um ema que en ou no quo idiano, mas es á longe de se
paci icamen e acei e. Na aceção a ual, o pa imónio cons i ui “uma das maio es
(mas, ao mesmo empo, mais o uosas) in enções da con empo aneidade
ociden al, sendo, p o a elmen e, uma das suas mais ele an es c iações
p opagadas à escala mundial e de ins umen alização de p opagação po odos
os países do ideá io de uma de e minada ociden alidade”7.
Uma das ques ões que se julga pe inen e aqui le an a é p ecisamen e a
endência pa a a in e nacionalização e uni e salidade dos concei os, modelos e
undamen os ideológicos, que endem pa a uma ce a lei u a eu opeís a.
Com e ei o, julga-se que as lei u as de e iam se mais di e si icadas e com
maio pa icipação de ep esen an es de ou as cul u as. Uma abo dagem com
essa p eocupação se ia não só impo an e a endendo ao en iquecimen o
académico, mas ambém cons u i o do pon o de is a do cump imen o
ala gado dos obje i os aqui subjacen es.
Po ou o lado, o na-se cada ez mais imp escindí el conhece o espec o de
isão que cada qual e ém sob e si mesmo e sob e as demais cul u as. Com
e ei o, a alo ização de cada um e a do odo uni e sal se iam ecip ocamen e
e o çadas, os mi os e p econcei os a enuados, a au en icidade e o iginalidade
acen uados.
Ainda nes e con ex o, ou o assun o que impo a aqui le an a , p ende-se com
a condição de “idade” do pa imónio, ainda que se ap esen e como uma
ques ão mais consensual. É acei e á pa ida que es e não seja, po si só, um
c i é io classi icado , mas que, na e dade o pa imónio his ó ico com
an iguidade é aquele que concen a uma maio a enção de odos exigindo á
pa ida mais e eno ados cuidados.
7 (Ma ins, 2004, p.115). MARTINS, Ana C is ina, A memó ia da uína, ou a uína da memó ia,
8ª Mesa Redonda de p ima e a ealizada na Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
nos dias 26 e 27 de Ma ço, 2004.
23
No en an o, es abelece uma on ei a empo al é um p oblema complexo e
se ia mui o edu o desco a um pa imónio his ó ico como po exemplo o dos
úl imos 50 anos, que compa a i amen e com ou o cen ena é ela i amen e
ecen e e obedece a conceções e modelos que, de uma manei a ge al e
du an e mui o empo, o am conside ados como desp o idos de ca iz cul u al,
colocando em esquecimen o a impo ância da in luência e do campo de ação
que os emas da a qui e u a e u banismo de êm.
Po úl imo, apon a-se pa a uma especial a enção a uma ce a di iculdade que
eside na a aliação do espaço público como ob a a qui e u al, como obje o
pa imonial independen e e conside ado como monumen o, au onomamen e do
con ex o u bano em que se inse e. Com e ei o, é no malmen e enquad ado no
con ex o dos cen os his ó icos, em conjun os ou sí ios, sob e alo izando-se o
cons uído do ipo edi icado isolado ou conjun os, em de imen o do espaço
público.
1.1.1 O Pa imónio Cul u al
A aplicação do e mo pa imónio cul u al ob iga-nos a cla i ica es a noção de
cul u a que se associa ao as íssimo e ab angen e concei o de pa imónio.
Deslinda os con o nos ao concei o de pa imónio ap esen a-se como algo de
complexo.
Da mesma o ma, o concei o de cul u a mos a-se uma a e a demasiado
ex ensa pa a o espaço disponí el de indagação eó ica. Con udo desenha-se
os con o nos do concei o no con ex o des e abalho sem se que e assumi
uma pos u a edu o a ou simplis a.
Analisando a cul u a enquan o concei o ala gado e gené ico, e i ica-se que
es a assume á ios e dis in os con o nos, pelo que se aduz num campo de
a uação que ai desde a li e a u a às a es pe o ma i as, do u ismo ao
24
pa imónio. É nes a aceção que in e essa e le i a cul u a desco inando o
en endimen o que a sociedade possui da sua iden idade e do seu pa imónio.
O a, se se en ende a cul u a como iden idade e pa imónio, endo em con a as
dinâmicas do empo e da a i idade humana, de e -se-á pensa em duas
dimensões que lhe es ão associadas: po um lado a mu abilidade,
necessa iamen e ins á el, e po ou o, a pe manência es á ica mas sem
abandona uma hipo é ica mudança.
A noção de pa imónio cul u al so e uma ampliação, sob e udo de ido ao
con ibu o decisi o da An opologia que, numa pe spe i a ela i izado a, nele
in eg a con ibu os de g upos e segmen os sociais que se encon a am à
ma gem da his ó ia e da cul u a dominan e. Nesse p ocesso, a noção de
cul u a deixa de se elaciona exclusi amen e à chamada cul u a e udi a,
passando a engloba ambém as mani es ações popula es e a mode na cul u a
de massa.
Po ou o lado, supe ando a isão subs ancializada da cul u a como um
“conjun o de coisas”, ende-se cada ez mais a abo dá-la como um p ocesso,
ocalizando-se a ques ão do “ima e ial” como pa e ine en e da o mação do
signi icado.
A iden idade não se dissocia da plu alidade, concei o que cada ez mais se
a i ma numa al u a em que as di e enças se alo izam, uncionando como
elemen o di e enciado dos luga es numa lógica global. O pensa global e agi
local é o pa adigma da a ualidade e aplica-se na pe eição às cidades no ge al
e conc e amen e na de Luanda. São as especi icidades locais que ca apul am o
meio pa a as dinâmicas u ís icas e de laze des acando-as dos es an es e
azendo com que se dis ancie do ca ác e ambíguo e massi icado.
Assim, as iden idades cul u ais e pa imoniais podem unciona como mo o de
a i mação e, po consequência, de desen ol imen o numa lógica sus en á el e
in eg ada. É nes a ase que as en idades go e namen ais locais, êm um papel
decisi o, es abelecendo di e izes e moni o izando p ocedimen os a a és de
25
um plano es a égico de cidade. Caso con á io, há agilidades que se impõem
comp ome endo o u u o das cidades nas mais di e sas á eas de a uação,
en e as quais no u ismo u bano.
1.2 Concei o de Espaço U bano e Paisagem – Conside ações no
con ex o de Pa imónio Cul u al.
A noção de Pa imónio His ó ico U bano (pa imónio especí ico susce í el de
se p ese ado como monumen o his ó ico) e e a sua o igem na G ã-B e anha
com Ruskin8.
Na busca da noção de Pa imónio His ó ico U bano9, Choay adian a que a
complexidade e a dimensão do espaço u bano, a associação da cidade a uma
comunidade e a inexis ência de documen ação ca og á ica c edí el
conduzi am a um apa ecimen o a dio da noção de “Cidade His ó ica” o que po
sua ez se aduz na escassez de es udos a é à segunda me ade do século
XX10.
A e dade é que, os p opulso es que consegui am um g ande a anço nes a
ma é ia, se ão os undado es do u banismo que econhecem às o mações
an igas uma iden idade concep ual, oda ia sem a p eocupação da
conse ação do Pa imónio His ó ico U bano11.
O su gimen o dessa p eocupação só se o na isí el depois de es abelecida a
lei Mal aux12 de 4 de Agos o de 1962 que nomeia pa a o opo das p io idades a
necessidade de p ese ação dos conjun os u banos com alo a qui e ónico e
his ó ico. O obje i o des a di e i a se ia o de p ese a o sen ido e a cul u a dos
luga es, ala gando as p eocupações de p ese ação pa a além do monumen o
8 Ruskin (Choay, 1999, p 155-156)
9 Choay (1999)
10 idem, p.157-158
11 (Chueca, 1996, p.135)
12 Mal aux
32
A paisagem, no pe íodo em que a geog a ia se cons i uía o eixo ne álgico
en e as ciências ísicas e humanas, unciona a como uma sín ese e
epi enómeno, os quais de i a am da elação en e a o es na u ais e bio ísicos
e a in e enção da humanidade o ganizada em sociedades que de êm uma
his o icidade, uma cul u a e uma e olução ecnológica.
Re le indo sob e a Paisagem-Pa imónio, es a cons i ui um caso pa icula no
con ex o das Paisagens Cul u ais e que nos in e essa especi icamen e pa a o
abalho em causa. Cen ando-se numa abo dagem menos incisi a, e i ica-se
que o alo pa imonial da paisagem ci cunsc e e-se, equen emen e, a
dinâmicas cenog á icas dis an es das condições in ínsecas de p odução e de
e olução dessas paisagens, caindo em jogos de hipe alo ização de elemen os
com cono ações adicionalis as que, po sua ez, são al o de uma ecen e
abo dagem iconog á ica exal ada, ans o mando-os em símbolos de uma
“au en icidade cul u al pe dida”.
O enómeno eme e pa a p ocessos de ab icação da imagem da cidade,
es a égia la gamen e aplicada nos modelos de ges ão que en endem a cidade
numa pe spe i a emp esa ial.
Con udo, não é isso que isa o ma ke ing e i o ial, hoje mais comp eendido e
aplicado nas dinâmicas compe i i as en e luga es e na conquis a de um
es a u o a o á el no âmbi o dos luxos u ís icos in e nacionais e que não
excluem a comunidade ece o a, o meio emp esa ial e e en uais s akeholde s.
Es e abalho da imagem le ou ao enómeno do consumo das paisagens que
se aduziu consequen emen e numa alo ização mais ab angen e e au en ica
do pa imónio. Is o é, o in e esse pela peça pa imonial em si deu luga ao
in e esse pelo conjun o e pela en ol en e paisagís ica. Aqui, julga-se pode i
mais longe in eg ando a ima e ialidade da cidade como a o in ínseco de alo
e in e esse no p ocesso de obse ação e abso ção da paisagem cul u al
u bana.

33
Re omando a abo dagem eó ica, a paisagem, enquan o obje o de es udo,
o na-se p og essi amen e uma emá ica de in e esse cien í ico pa a no as
á eas e abo dagens, as quais acaba am po eme e a sua concep ualização
pa a uma si uação menos di ecionada e p eenchida de alguma inde inição.
Is o e i ica-se em á ias e en es, nomeadamen e pela pe da da geog a ia do
seu pa imónio hegemónico – a paisagem; pela eme gência de no as ciências
do ambien e que le a à inco po ação de no as a iá eis, cons i uindo uma
on e de en iquecimen o, mas, em con apa ida pode se en endida como um
elemen o de ameaça à p óp ia e e enciação e ca ac e ização do seu obje o de
es udo; pelo c escen e in e esse a ibuído aos alo es pa imoniais que
concedem à paisagem um g ande impac o social e, po ou o lado, con ibui
pa a o aumen o da di e sidade dos es udos e dos in es igado es da paisagem
que se aduz num e o ço dos alo es do concei o de au en icidade cul u al
das paisagens pa imoniais.
A e isão e econcep ualização da paisagem du an e as úl imas décadas e
sob e udo po pa e da geog a ia angló ona conduzi am ine i a elmen e à
a iação do concei o e à sua complexa ap op iação o que se aduz numa
u u a, numa “c ise” da paisagem, no undo, numa mudança de pa adigma.
A paisagem deixa de se in e p e ada como uma “combinação hie á quica das
componen es ísicas e simbólicas numa is a es á ica, alo izando o isual e
es é ico” pa a se eme ida a “in e p e ações bem menos asse i as e
de ini i as, que p ocu am posiciona e enquad a as paisagens em con ex os
mais complexos, dinâmicos e ins á eis”22.
No que espei a às paisagens u banas, podem subdi idi -se, segundo Geo ge,
em á eas cen ais, á eas consolidadas e á eas subu banas/pe i é icas23, sendo
que pa a o caso in e essa deb uça sob e as á eas cen ais, mais
conc e amen e da á ea de es udo aqui em causa - a Baixa de Luanda, ema
que se á abo dado no p óximo capí ulo.
22 (Linehan, 2006, p.115)
23 (Geo ge, 2001, p.115-116)
34
2. Desen ol imen o e u ismo sus en á el
2.1 Desen ol imen o/Subdesen ol imen o – as conceções a uais
Ao ala de “desen ol imen o do u ismo sus en á el”, impõe-se an es abo da
algumas conside ações sob e o concei o de desen ol imen o, bem como
subdesen ol imen o no sen ido de enquad a es a disse ação no con ex o da
cidade de Luanda e nos seus p essupos os e ci cuns âncias his ó icas, assun o
que se desen ol e á com mais p o undidade no p óximo capí ulo.
É equen e a ibui -se ó ulos, designações e enquad amen os pa a que se
possa lida com os di e sos concei os que azem pa e das di e en es
abo dagens aqui p esen es. Con udo, de ini desen ol imen o é uma a e a que
se ap esen a ex ensa e de di ícil concep ualização encon ando-se
desadequada pa a o enquad amen o que aqui se p opõe, a é po que o p óp io
concei o de “desen ol imen o” encon a-se algo desgas ado pela al a de
consenso nos discu sos e pela mul iplicidade de adje i os que oi conquis ando
à medida que as sociedades e oluí am.
Assis e-se acilmen e a de inições mais ou menos elabo adas e ans e sais,
mas semp e a pa i de uma pe spe i a ociden alizada de desen ol imen o.
O que se p e ende pa a o enquad amen o em causa é pe cebe a e olução da
aplicabilidade do concei o no âmbi o do pa imónio e do u ismo u bano numa
pe spe i a de sus en abilidade, e numa abo dagem di ecionada pa a o eal
con ex o da cidade em oco nes e abalho.
No sen ido es i o do e mo, desen ol imen o em su gido equen emen e
associado à ideia de al e ação da es u u a económica e do c escimen o das
suas a iá eis. P essupõe-se assim que, pa a que haja desen ol imen o, em
de ha e uma melho ia, um a anço e uma mudança signi ica i a. Is o pode
p ocessa -se no domínio económico- inancei o, na polí ica, em con ex os
sociais e comuni á ios e na cul u a.
35
A di iculdade de a a es e concei o p ende-se igualmen e com a e sa ilidade
que possui e com a incessan e busca de no as o mulações pa a uma
aplicabilidade mais di ecionada. Po isso julga-se necessá io eco e a dados
his ó icos pa a enquad amos c onologicamen e a sua e olução.
O inal da II Gue a Mundial (GM) ma ca o pe íodo a pa i do qual começa am
a exis i p eocupações com as ques ões do desen ol imen o e de iden i icação
das componen es que i iam a se delineado as da sua noção, pe mi indo-lhe
adqui i alidade cien í ica, desconhecida a é en ão.
Po ou o lado, com a di usão dos no os pa adigmas económicos p opos os po
es udiosos da ma é ia, despe ou-se pa a a demons ação de que o p og esso,
o bem-es a e o desen ol imen o se encon a am di e amen e dependen es da
in e enção es a al, pe mi indo esse a o que o p óp io Es ado despe asse
pa a o papel de ele o que de e ia e no assun o.
Nes e con ex o é ele an e o con ibu o que a Re olução Indus ial ( e mina
com a II Gue a Mundial en e os séculos XIX e XX) deu nes e campo,
nomeadamen e a a és da maio impo ância dada à componen e humana nas
eo ias de c escimen o, esul an es das consequências danosas des a
Re olução, an o a ní el das ques ões ambien ais como p o issionais e
humanas.
Em pa alelo, as eo ias economicis as não a ingi am esul ados sa is a ó ios
nos países designados como subdesen ol idos, o que conduziu
ine i a elmen e ao ques iona do sis ema de desen ol imen o economicis a
ado ado, e ao le an amen o de no as in e ogações sob e o p óp io concei o
de desen ol imen o uma ez isionado no enquad amen o de di e en es
países, o que au oma icamen e ez eme e a pe spe i a economicis a do
desen ol imen o pa a uma si uação menos p es igian e.
Des a si uação ao início da mul iplicação das c ises económicas nos países
desen ol idos oi uma ques ão de pouco empo, e i icando-se a pa i dos
36
anos 70 do século XX a es agnação e a é mesmo e ocesso do p og esso
cien í ico, o que eio co obo a com a desadequação do modelo.
A li e a u a é as a e nem semp e consensual no que diz espei a às
designações que o concei o de desen ol imen o oi adqui indo. Con udo,
op ou-se aqui po ap esen a as “cadeias concep uais” p opos as po Ama o24
podendo sin e iza os di e sos concei os no seguin e quad o, ao mesmo empo
que se cons a a a in odução do concei o de “Desen ol imen o Sus en á el”
nas décadas de 80 e 90.
Décadas
Designação
Anos 60 Desen ol imen o Comuni á io
Anos 60 e uma no a e são nos anos 90 Desen ol imen o In eg ado
Anos 70 Desen ol imen o Au ocen ado
Anos 70 Ou o Desen ol imen o
Anos 70 Ecodesen ol imen o
Anos 70 e 80 Villageconcep
Anos 70 e 80 Desen ol imen o Al e na i o
Anos 80 e 90 Desen ol imen o Pa icipa i o
Anos 80 e 90 Desen ol imen o Endógeno
Anos 80 e 90 Desen ol imen o Sus en á el
Anos 90 Desen ol imen o Humano
Quad o 1 – Sin e ização dos di e sos concei os de desen ol imen o a pa i da
década de 60.25
Foi es a alência do modelo economicis a que pe mi iu o a anço, no sen ido em
que se p ocu a am abo dagens al e na i as e se in es iu na cons ução de uma
no a noção de desen ol imen o.
24 Ama o (1996)
25 Idem
37
Pa a a p esen e disse ação decidiu-se expandi , de en e odos os concei os
exis en es, ambém o de desen ol imen o sus en á el, uma ez que os
discu sos sob e u ismo e o pa imónio equen emen e abo dam es e concei o,
anspo ando a sua essência e adap ando-a.
An es, po ém, impo a in oduzi as noções de subdesen ol imen o.
A ualmen e o e mo em indo a se mui o discu ido, pois alguns au o es
de endem que não exis em países subdesen ol idos, mais sim países em ia
de desen ol imen o a gumen ando que o subdesen ol imen o não é es á ico.
A ualmen e, subdesen ol imen o é u ilizado pa a de ini o es ágio de um país
com enda pe capi a baixa, elacionando-se ao mesmo, as assime ias quando
compa adas com ou os países, po os ou egiões, bem como a ausência de
emp ego, alimen ação, educação e habi ação pa a a população.
“Na e dade, o subdesen ol imen o não é a ausência de desen ol imen o,
mas o p odu o de um ipo uni e sal de desen ol imen o mal conduzido. É a
concen ação abusi a de iqueza – sob e udo nes e pe íodo his ó ico dominado
pelo neocolonialismo capi alis a que oi o a o de e minan e do
subdesen ol imen o de uma g ande pa e do mundo: as egiões dominadas
sob a o ma de colónias polí icas di e as ou de colónias económica”26.
Nos dias de hoje, o concei o de subdesen ol imen o en ol e de alguma o ma
um signi icado que in lui na o ma de pensa e de agi das pessoas num sen ido
po ezes disc imina ó io ou a é de subjugação.
Há, no en an o, uma sé ie de eo ias que en am explica o enómeno de
subdesen ol imen o de aco do com a época, o luga , en e ou as dimensões
cuidando a subje i idade que lhe é ine en e.
26 (T abalho ap esen ado na Con e ência En i onmen and Socie y in T ansi ion e publicado no
Annals o he New Yo k Academy o Sciences, sob o pa ocínio da Ame ican Geog aphical
Socie y e da Ame ican Di ision os he Wo ld Academy o A and Science, No a Yo k, 1970.
Incluído no li o Fome, Um ema p oibido.)

38
Como já oi aqui e e ido, é com o impac o da II Gue a Mundial que su gem as
eo ias do concei o de desen ol imen o. Nesse ambien e de pós-gue a, os
Es ados Unidos in oduzem en ão o concei o de subdesen ol imen o,
ap esen ando-se como nação hegemónica, enquan o a Eu opa des uída
p ecisa a ecupe a -se e desen ol e -se.
Os Es ados unidos in oduzem a an í ese do desen ol imen o como obje o de
sua polí ica ex e na azendo c e os demais países que esses encon am
subdesen ol idos ou abaixo do desen ol imen o al a desc iminação que o
concei o con ém a sub ileza da sua polí ica de condição colonizado a.
Nas décadas de 60/70 as p opos as de ação da ONU de e mina am que o
p oblema dos países subdesen ol idos não se cen a a simplesmen e no
c escimen o, mas sim no desen ol imen o implicando mudanças sociais,
cul u ais e económicas sob e udo mais quali a i as do que quan i a i as, sendo
o concei o cha e di ecionado pa a a melho ia da qualidade de ida das
pessoas. Nes a ase, ques ões impo an es como a deg adação do meio
ambien e, o c escimen o demog á ico, a ome, a op essão das mulhe es, o
de ici habi acional e o desemp ego, o am discu idas, mas não solucionadas.
A discussão em o no da sa is ação das necessidades humanas em cada país
en ou em moda e pe maneceu nos deba es po algum empo, me ecendo uma
c í ica p o unda pois o capi alismo ampliou mui o a noção de necessidade pelo
consumo.
A exp essão “país subdesen ol ido” e oca ideias que podem se conside adas
cien i icamen e alsas. Suge e que os luga es designados assim es ejam
simplesmen e em a aso em elação àqueles desen ol idos, designados como
luga es “a ançados” do capi alismo.
39
U ge en ão subs i ui a análise mis i icado a dessa ealidade po uma ealis a,
que não isole a si uação desses luga es, idos como subdesen ol idos do
con ex o global. Pelo con á io, eles de e ão se colocados na cadeia dos elos
de dependência e de explo ação em que os luga es es ão inse idos27.
Po ou o lado, analisando de uma o ma c í ica ambos os concei os
desen ol imen o e sus subdesen ol imen o, e eco endo às eo ias de
Th o ski28, o desen ol imen o é um p ocesso que acon ece de o ma desigual e
combinada, logo o mesmo p ocesso que p oduz iqueza pa a uns, az ambém
pob eza pa a ou os, em que esses ou os podem a é chega a ep esen a a
maio ia.
E nes a lógica não se de e ia dize que uns países são desen ol idos e ou os
subdesen ol idos, mas sim que o enómeno es á p esen e em qualque um
deles e em odos eles, o que á pa ida le an a uma análise ela i a de ambos
os concei os. É pa indo des e p essupos o que se inicia o abandono da
denominação de “países subdesen ol idos” pa a se subs i uída po “países
em ias de desen ol imen o”.
Angola, depende undamen almen e de ecei as de explo ação e
come cialização do pe óleo. Como a maio ia dos países a icanos, depende
ambém de uma p odução p ima ia, que inclui a ag icul u a e pecuá ia, mas
cuja indus ialização se encon a mui o pouco desen ol ida pa a a demanda
das necessidades nacionais.
Embo a possua ambém algumas jazidas pa a a ex ação de miné ios e
pequenas indús ias pa a o bene iciamen o dos p odu os p oduzidos, o país
depende sob e udo da impo ação de bens e p odu os.
27 (Os limi es do desen ol imen o e do u ismo)
28 Th o ski
40
O país ainda não sus en a a sua economia pelo uso da o e ecnologia, do
mesmo modo que países como os Es ados Unidos ou Eu opa. Po esses
mo i os, mas não só, a Angola acaba po se conside ada como um país
subdesen ol ido, de economia aca e o emen e dependen e de a o es
ex e nos, assun o que se o na á a abo da no p óximo capí ulo.
2.2 Desen ol imen o sus en á el
En endendo-se o pa imónio e o u ismo enquan o a o es de p og esso e
desen ol imen o das cidades his ó icas, ob iga o iamen e e á que se ala ga a
abo dagem ao concei o de desen ol imen o sus en á el.
Es e concei o é hoje u ilizado inúme as ezes sob e udo em discu sos
go e namen ais e nos p eâmbulos de p oje os de in es imen o ala gado e,
cada ez mais, em e lexões e deba es sob e o pa imónio como ecu so
endógeno explo ado de o ma sus en á el, sob e o u ismo sus en á el e sob e
cidades sus en á eis.
O a, impõe-se ques iona sob e o que é “sus en á el”. Se abo da mos o caso
de uma o ma mais p o unda pe cebemos que o concei o es á en ol o nalguma
al a de consenso.
No en an o, a im de e i a cai na análise dos inúme os discu sos sob e a
ma é ia, julga-se indicado o ecu so à de inição que em sido amplamen e
u ilizada e que se encon a em impo an es documen os como a Es a égia
Mundial pa a a Conse ação e na Comissão de B und land29.
A de inição mais conhecida é a da Comissão de B und land30, segundo a qual o
desen ol imen o sus en ado é aquele que sa is az as necessidades do
29 (ONU, 1987)
30 (O Nosso Fu u o Comum, 1987)
41
p esen e sem comp ome e a possibilidade de as ge ações u u as
sa is aze em as suas.
Apesa de se encon a es a de inição aplicada de o ma as a na a iada
li e a u a, o que suge e uma co e a e adequada concep ualização, a e dade é
que em sido al o de c í icas. Conside am os especialis as que a de inição não
dá a ên ase necessá ia às condições in e nacionais e i icando-se, po isso, a
necessidade de pensa numa ou a deon ologia, mais in eg ado a. Des a o ma,
a mul iplicidade de de inições que se c ia am p opicia alguma ela i idade na
abo dagem ao concei o.
Toda ia, o eixo ne álgico é comum a odas as de inições, sendo que os
obje i os in ínsecos man êm-se consensuais e passam pelo a ingi de um
p ocesso de desen ol imen o que ga an a a manu enção da capacidade de
supo e de ida e de qualidade ambien al, assim como a equidade de cus os e
bene ícios do desen ol imen o, não só em elação às ge ações do p esen e
como em elação às indou as.
Não esquecendo que um dos elemen os basila es do desen ol imen o
sus en á el é a sua componen e ecológica, conse ação dos ecossis emas e
dos ecu sos na u ais, es e em sido anspo ado pa a as p oblemá icas
pa imoniais, u banas e u ís icas. Es a ampla acei ação do concei o sucede da
apa en e exequibilidade de in e ligação en e ambien e e desen ol imen o e da
consequen e a enuação em que o desen ol imen o sus en á el assen a.
A inco po ação desses p essupos os à análise u ís ica conduziu a uma maio
lexibilidade do e mo pe mi indo que se chegasse ao concei o de “ u ismo
sus en á el”.
48
3 A p ese ação e alo ização do pa imónio como a o de
desen ol imen o
3.1 Conside ações ge ais sob e os cen os his ó icos
Ve i ica-se que os cen os his ó icos se assumem como espaços peculia men e
susce í eis ao desen ol imen o u ís ico e, po ezes, a uma p ocu a não
con olada e não planeada co esponde e ei os des u i os, deg adação e
especulação. Aqui impõe-se a c iação de um plano es a égico de
desen ol imen o sus en ado do u ismo, que de e assen a em es udos que
p ognos iquem a dinâmica dos luxos u ís icos e p oponham di e izes quan o
a p og amas de ação especí icos pa a es as á eas.
Com es a a i ude p ó-a i a pode-se e i a e p e eni que a indús ia
comp ome a ou des ua ecu sos pa imoniais aliosos. A explo ação u ís ica
dos locais com in e esse his ó ico não é u o do acaso. Embo a o u ismo não
de a se en endido como o único agen e a molda a cidade con empo ânea, ele
é, sem dú ida, um agen e de o e impac o, o qual é econhecido quase
ins an aneamen e pelas cidades. Daí que se enha o nado e a i mado como
uma es a égia po enciado a de egene ação u bana gene alizada.
O in e esse u ís ico dos cen os his ó icos esul a, simul aneamen e, do que
Lew32 designa po “he i agiza ion”, ou seja, o p ocesso a a és do qual o
Pa imónio é ab icado com a ibu os do passado, e elando his ó ias,
memó ias e i ências cul u ais, p a icado à escala global. Is o conduz-nos à
p oblemá ica da ab icação da imagem de um de e minado local.
Es a alo ização e c escen e con a o com o u ismo u bano em cidades
his ó icas suge em ambém que o passado é alo izado enquan o uma das
dimensões mais impo an es da singula idade.
32 Lew (2004)

49
Es e, “ma e ializado na paisagem, p ese ado em “ins i uições de memó ia ‟,
ou ainda i o na cul u a e no quo idiano dos luga es” ans o ma-se no “supo e
mais sólido dessa p ocu a de di e ença”33. Daí que a co e a alo ização das
especi icidades locais se aduza em desen ol imen o económico, social e
cul u al da egião.
3.2 Conside ações sob e a á ea de es udo
A cidade do Luanda enquan o im u ís ico, no con ex o do país, cons i ui-se
assim, de en e odos os ou os des inos u banos, o de maio a a i idade;
signi ica is o que cap a não apenas olumes mais ele ados de u is as, mas
ambém u is as de mais longe, o que suge e uma isibilidade ex e na e uma
capacidade de i adiação supe io à dos es an es u ismos u banos do país.
O u ismo u bano, com a sua o e componen e cul u al em sido conside ado
como uma á ea de consumo ele ado e em expansão, pelo que em con ibuído
pa a a conc e ização de me as que passam pela egene ação económica e
cul u al.
Es a modalidade u ís ica ep esen a uma o ma de a ação de in es imen o
in e no e ex e no que se aduz no in es imen o da melho ia da imagem da
cidade, no sen ido em que i am p o ei o das ecei as que a despesa u ís ica
mo imen a. Assim, a p omoção pa imonial com ins u ís icos pode, median e
uma boa ges ão, se enca ado como uma o ma c ucial de ecompensa o
cus o da disponibilização de in aes u u as e equipamen os cul u ais.
Em Luanda, mais conc e amen e na Baixa, já se encon a um núme o
ela i amen e ele ado de elemen os insc i os na Lis a do Pa imónio Nacional
(LPN) o que suge e, alguma p eocupação no âmbi o da p ese ação e
sal agua da do pa imónio e a alo ização do passado, um papel cada ez
mais (mas ainda insu icien e) in e en i o do pa imónio da humanidade nos
33 (Ab eu, 1998, p.79)
50
p ocessos de desen ol imen o, não só a ní el da a i mação local e de uma
comunidade humana mais di ecionada pa a o omen o das elações
in e nacionais, mas ambém na p omoção do exe cício de cidadania po pa e
das populações.
Apesa des a cons a ação, é ainda mui o pouco isí el no que espei a a
exemplos conc e os, a p eocupação po pa e das au o idades esponsá eis
go e namen ais no que espei a a es a ma é ia.
Com e ei o, ao analisa -se o documen o go e namen al do “Plano de
Desen ol imen o P o incial de Luanda 2013/2017” cons a a-se a o al al a de
e e encia à zona da Baixa de Luanda enquan o pon o de in e esse pa imonial
ou u ís ico, o que e ela p eocupação de um lei o ex e no, a endendo ao
po encial des e e i ó io nes as ma é ias.
Nes e documen o, o capí ulo da Ho ela ia e Tu ismo e e e o seguin e:
“(…) Alguns dos pon os de in e esse u ís ico na P o íncia que
me ecem pa icula des aque são a Ba a do Cuanza, Cabo Ledo, o
Mi adou o da Lua, a Península do Mussulo, San uá io da Muxima e o
Pa que Nacional da Quiçama.(…)”34
No mesmo documen o, no capí ulo da sus en abilidade ambien al, e azendo
e e encia á poli ica de u ismo, mais uma ez não se e i ica qualque menção
ao e i ó io da Baixa, ao seu Pa imónio e po encial u ís ico ou ambien al:
“(…) Rela i amen e à Ho ela ia e Tu ismo o PND 2013
‐
2017
p econiza que a «de esa do ambien e» es eja en e as p incipais
p eocupações no desen ol imen o de uma polí ica de u ismo, dando
assim o ça ambém nesse sec o à necessidade de inco po a
elemen os que, ao de ende o ambien e, o p ese em e con ibuam
pa a a sua sus en abilidade, o que é da maio impo ância pa a a
P o íncia, mo men e no seu Pólo Tu ís ico de Cabo Ledo e Pa que
da Quiçama (…)”35
34 “Plano de Desen ol imen o P o incial de Luanda 2013/2017
35 Idem
51
Po ou o lado, analisando um ou o documen o ele an e, a “Agenda 2011-
2020 pa a o desen ol imen o do u ismo em Angola”, pa e in eg an e do
documen o do “Plano Di e o do Tu ismo de Angola”, desen ol ido pelo
Minis é io da Ho ela ia e Tu ismo, é possí el e i a algumas elações.
De aco do com os quad os abaixo indicado, e em odo o documen o, é
e iden e a p eocupação, no con ex o do u ismo, da qualidade u bana e
ambien al, a p ese ação dos ecu sos e do pa imónio, ao suge i a
in en a iação do pa imónio na u al, his ó ico e cul u al, a equali icação do
pa imónio, en e ou as, mas sem ap o unda mais especi icamen e quais são
esses elemen os ou ecu sos (Quad os 2 e 3).
Quad o 2 – Exce o do documen o “Agenda 2011-2020 pa a o
desen ol imen o do u ismo em Angola”
52
Quad o 3 – Exce o do documen o “Agenda 2011-2020 pa a o
desen ol imen o do u ismo em Angola”.
Re e e-se inclusi amen e que “a melho ia da a a i idade dos des inos
u ís icos só ica comple a com o in es imen o na ges ão do pa imónio e na
p ese ação da qualidade u bana e ambien al”, sendo que no que espei a a
ges ão do pa imónio a única e e ência ei a que se julga ele an e é
“incen i a a ecupe ação e p ese ação da au en icidade dos cen os
his ó icos das cidades e ilas, bem como incen i a a conse ação de edi ícios
his ó icos e museus e a ecupe ação de edi ícios abandonados”.
Mas na e dade, quando abo dados es es assun os, oda a in o mação é aga
e pouco ap o undada, e quando é e e i amen e mais especí ica, o en oque da
o e a é nas iquezas na u ais, p aias, sol, ma inas e clubes náu icos.
O documen o ac escen a ainda que “O es o ço de desen ol imen o da o e a
de e á en oca -se num conjun o de Polos de desen ol imen o Tu ís ico
selecionados em unção do seu po encial de explo ação u ís ica a cu o p azo”,
sendo que em Luanda a p io idade apon ada no domínio “Cul u al” são a zona
de Fu ungo de Belas e Cabo Ledo no domínio do “Sol e Ma ”.
53
Ou seja, no caso de Luanda, nos dois documen os a ás ci ados, não é ei a
nenhuma e e ência exp essa á Baixa de Luanda enquan o ecu so pa imonial
nas suas di e en es dimensões, p essupondo es a á ea do e i ó io de Luanda
como pouco alo izada ou igno ada.
De aco do com a opinião do A qui e o Vic o Leonel, Bas oná io da O dem dos
A qui e os de Angola, “apesa de exis i pa imónio já classi icado, pelo Ins i u o
Nacional de Pa imónio Cul u al, a sua p ese ação ou conse ação não em
co espondido às exigências, si uação que em es ado a p o oca a sua
deg adação paula ina.
Pa a além de edi ícios, exis em á ios sí ios e locais conside ados pa imónio
cul u al e de in e esse público, mas que es ão ambém em mau es ado de
conse ação. Daí a impe iosa necessidade de se abalha com as au o idades
compe en es pa a da a ol a à si uação”.
Es e au o escla ece ainda que a p o eção que o ca imbo de pa imónio
a qui e ónico o e ece aos edi ícios, monumen os, sí ios e luga es, “pe mi e que
as no as ge ações conheçam a cul u a sem de o mação”36.
Es a no a abo dagem aos emas cul u ais e ela “a o ma como as ques ões
de sal agua da do pa imónio se o na am num obje o co en e da a enção da
opinião pública”37 o que con ibui di e amen e pa a a di e si icação dos
elemen os sob e os quais incide a p ocu a do u ismo u bano.
Pa a inaliza , o Pa imónio pode unciona como um excelen e mo o de
desen ol imen o se o pensado de o ma mul idisciplina e se o em p opos os
os mecanismos co e os de conse ação, eno ação e eabili ação.
36 (h p://opais.co.ao/ ic o -leonel-p ese acao-do-pa imonio-a qui ec onico/
37 (Hen iques, 1996, p. 55)

54
É a c escen e consciencialização pa a a sal agua da do pa imónio e o uso
u ís ico dos cen os his ó icos dos úl imos anos que êm uncionado como
ampa de lançamen o de nume osas inicia i as de conse ação e
dinamização38.
Nes e âmbi o e i ica-se que, de um modo ge al, cada ez mais os Es ados
apos am em in es imen os de en e gadu a conside á el, não só em
in aes u u as, como em p oje os de in es igação, conse ação e es au o,
semp e com a expec a i a do e o no. Aliás, a c escen e impo ância dada aos
empos de laze , pode p opo ciona a médio/longo p azo esse e o no dos
in es imen os a o ecendo a c iação de um espaço económico p óp io,
associado ao usu u o e di ulgação do Pa imónio cul u al.
3.3 Do no o pa adigma u ís ico às dinâmicas e i o iais con empo âneas
Na a ualidade, o u ismo nos cen os u banos ligado ao pa imónio e à cul u a
despe a g ande a enção não só nos meios académicos como jun o da
sociedade em ge al. No en an o, a e dade é que não é uma a i idade ecen e.
Pelo con á io, o u ismo baseado na he ança cul u al como indús ia
econhecida é um desen ol imen o mode no, emon ando ao século XVIII o
es ei amen o das elações en e u ismo e Pa imónio.
A é ao eme gi da sociedade u bana indus ial, o que conhecemos como empo
de abalho e de não- abalho ou o empo do abalho e do ócio, não aziam
pa e da o ganização labo al nem e am econhecidos como uma disposição
lógica biná ia da ida. O pano ama só conhece a u u a com o abalho
assala iado que ins i uiu an o o ócio como o não- abalho e ai conquis ando
p og essi amen e as é ias emune adas como um empo de laze em oposição
ao empo de abalho.
38 (A lan e, 2005, p. 45)
55
Se o capi alismo indus ial cons i ui o abalho como alo uni e sal, não a dou
a que o empo de ócio osse eclamado pelos assala iados. É nes a ase que a
noção con empo ânea de u ismo começa a e idencia os seus con o nos uma
ez que já não e a da exclusi idade das classes de eli e, mas ala ga a-se
ago a, a um leque maio e necessa iamen e mais di e si icado da população.
Es a conquis a de e-se às inúme as p essões sindicais e p og essi amen e o
empo de ócio das classes popula es e abalhado es ai sendo admi ido com
meno esis ência.
O que em de no o na indús ia do u ismo é o a o de cada ez mais os
des inos u iliza em as imagens do pa imónio como o ma de a i mação da sua
iden idade, assis indo-se em simul âneo ao aumen o da p ocu a in e na des e
ipo de p odu o, ago a democ a izado e passí el de se usu uído po ou as
camadas populacionais.
Es e uso ala gado da imagem do pa imónio eme e-nos pa a a hegemonia
isual sob e a cul u a e a cognição, alimen ada pela p oli e ação das
ecnologias de in o mação que nos le am a pensa que só conhecemos aquilo
que emos39.
Es a modalidade u ís ica com o e componen e cul u al expe imen ou um
desen ol imen o equilib ado ao longo da p imei a me ade do século XX. O
pe íodo mais espe acula do seu c escimen o mani es a-se os úl imos 50 anos,
acompanhando o c escimen o do u ismo in e nacional e das a i idades de
laze .
O c escimen o exponencial da indús ia u ís ica c iou uma o ma massi icada
da p ocu a e uma o e a pouco pe sonalizada, abo dagem que se ques iona
a ualmen e pelas consequências que pode á e com o meio.
39 (Fo una; Fe ei a, 1996, p.6)
56
Se conside a mos a elação do u is a com o meio, en ão pa ece-nos legi imo
que a indús ia u ís ica passe a a alia os seus luxos azendo a mediação
en e o u is a e o luga . Numa pe spe i a económica, a ges ão dos luxos é
uma mediação necessá ia, legi imada pela necessidade de p ese ação.
A u u a do u ismo adicional massi icado su ge mo i ada pelas
ans o mações que oco e am na sociedade e que possibili a am o
o alecimen o do “pós- o dismo” ou da sociedade “pós-indus ial”.
A ans o mação u ís ica su ge pela mudança de compo amen o dos
consumido es e da sua mo i ação pa a iaja , mani es ando-se con a uma
o e a homogénea conduzindo à “c ise da massi icação”. A c escen e
alo ização da cul u a isual sob e o conhecimen o esul a na e e ida
“espe acula ização” da sociedade “pós-mode na”. Nes a u u a a al e ação na
mo i ação do u is a não é um agen e singula .
De emos ainda econhece que o ma ke ing, as ca ac e ís icas dos p óp ios
des inos, en e ou os a o es de e minan es, coloca am em agilidade o
u ismo massi icado. Po an o são es as al e ações, que dão opo unidade ao
apa ecimen o do modelo u ís ico a ual ques ionando a essência do modelo
o dis a e os compo amen os que lhe es a am associados.
É nes a dinâmica de u u a que o in e esse pelo u ismo u bano su ge
acompanhado pelo in e esse das ques ões pa imoniais icando a p ocu a
u ís ica a as ada dos espaços u ís icos adicionais.
3.3.1. As modalidades u ís icas consequen es das mudanças sociais
Es e ap imo a das modalidades u ís icas esul ado do c escimen o ecen e da
indús ia do u ismo pode se enca ado como consequência de ês mudanças
sociais impo an es.
57
O desen ol imen o dos meios de anspo e e a c iação de in aes u u a pa a a
a i idade possibili a am a ap oximação do mundo e impulsiona am o acesso à
ecnologia da comunicação, le ando-nos a ques iona o no o en endimen o de
empo e espaço (comp essão do espaço- empo). A mo imen ação u ís ica
icou cla amen e a e ada no sen ido em que a iagem oi democ a izada e
des inos que nos pa eciam emo os o na am-se alcançá eis, alimen ando a
compe i i idade en e companhias da indús ia.
O in e esse pelo desconhecido e po hábi os di e en es dos que ado amos
conduziu à necessidade de conhece ou as cul u as e à on ade de i encia
expe iências es é icas, humanas e sociais únicas. Es e c escen e in e esse
pode se en endido como o esul ado da inúme a e ans e sal in o mação que
ci cula dia iamen e pela in e ne , pelos audio isuais e pela imp ensa do mundo
globalizado.
É es a sede de conhecimen o mú uo po pa e das di e en es cul u as, aliada à
e olução dos anspo es e a uma conjun u a polí ica e económica a o á el,
que a inicia i a de iaja pa a no os des inos, incluindo as cidades his ó icas e
g andes me ópoles, despon ou.
Assim, es as ês mudanças - sis ema de anspo es, maio disponibilidade
económica po pa e dos u is as e a ecnologia de comunicação – ize am com
que aumen asse o núme o de pessoas que iaja equen emen e
impulsionadas po múl iplas mo i ações. Es a endência se o bem ap o ei ada
pode se i como p ocesso po enciado de desen ol imen o dos e i ó ios e
das cidades.
3.3.2 O impac o do ma ke ing e i o ial no enómeno u ís ico
Con udo é c ucial que es as es ejam sensibilizadas pa a a impo ância do
ma ke ing e i o ial es a égico num p ocesso de cap ação de luxos u ís icos
não pad onizados e de p omoção da imagem de ma ca. Mesmo não emendo a
64
Po ou o lado, o es abelecimen o de edes a ní el sup a-local ai pe mi i que
a cidade e a sua capacidade de ino ação i em pa ido da p oximidade e do
elacionamen o que desen ol e com o ex e io . Ao longo da his ó ia da
humanidade, os e i ó ios que se mos a am mais dinâmicos o am os que
i a am pa ido do uncionamen o em ede, assumindo-se eles p óp ios como
agen es es u u ado es desse elacionamen o de ocas e de pode .
Es a sob e i ência dos e i ó ios encon a-se in imamen e ligada ao concei o
de esiliência que em a enua os e ei os das ad e sidades nas dinâmicas
e i o iais.
A ualmen e, na economia global há luga pa a di e sos e i ó ios com
di e en es ní eis de i alidade, mas a sua sob e i ência depende da o ma
como en en am os p oblemas, adap ando-se. Es a capacidade de adap ação e
de mino a as consequências dos múl iplos p oblemas sem ui é o que es á no
âmago do concei o de esiliência, ambém is a como uma capacidade passí el
de se aumen ada com o obje i o de melho a a adap ação de um de e minado
sis ema às condições en ol en es.
Is o implica que o e i ó io se conheça a im de iden i ica onde é que o sis ema
possui esiliência pa a que os p ocessos de adap ação e de ap endizagem se
e i iquem e icazes. O mesmo au o San os41, salien a ainda qua o
p op iedades cha e ine en es ao concei o de esiliência e que se julga
pe inen e expo : a La i ude que se e e e à “elas icidade” do sis ema, is o é, o
quan o ele pode muda an es de pe de a sua capacidade de ecupe ação; a
Resis ência que se e e e à capacidade, ap o ei ando as acilidades e
con o nando as di iculdades, de aze muda o sis ema; a P eca iedade que se
e e e à p oximidade do sis ema ao limi e e po úl imo a Pana quia que dada a
in e ação en e á ias escalas, a esiliência do sis ema numa dada escala ocal
o na-se dependen e da in luência das es an es escalas que se encon am
acima ou abaixo.
41 (San os41, 2009, p.15)

65
As cidades pa a se o na em esilien es de em apos a numa maio e e o çada
ligação en e o u banismo, o planeamen o e a ecologia pa a que possam mais
acilmen e ole a as dinâmicas e mu ações an es de se eo ganiza em em
o no de um no o conjun o de es u u as e p ocessos. Aqui de e e -se em
con a os luxos, as dinâmicas sociais, as edes e pa ce ias já es abelecidas, o
meio bio ísico, en e ou os.
Em jei o de conclusão, econhece-se que o u ismo pode se en endido como
agen e ne álgico da mudança económica, social e cul u al no âmbi o do
sis ema das cidades nas úl imas décadas mo i ado pelo a as amen o de uma
economia induzida e pela p odução indus ial, dando luga a no as o mas de
o ganização mais lexí eis, a uma maio mobilidade de capi al e de pessoas e,
sob e udo, a uma c escen e compe i i idade en e os locais.
A alo ização dos seus ecu sos pa imoniais e cul u ais, passa não só pela
sal agua da do pa imónio, mas, simul aneamen e, po inicia i as
dinamizado as que p omo am a imagem do e i ó io em causa e que
simul aneamen e pe mi i am que o u ismo e o pa imónio es ei assem
elações.
Quando p o agonizado pelo espaço u bano o a o u ís ico e ela-se mais
lexí el e segmen ado dada a mul iplicidade de dinâmicas em in e ação na
cidade, p opo cionando as expe iências mais di e si icadas que o u is a a ual
alo iza como é o caso do consumo das paisagens u banas.
O omen o do des u a u ís ico em cen os u banos não se p ende apenas
com o signi ica i o consumo da cul u a e do pa imónio, mas ambém pela
capacidade de an ecipação da o e a, o que le a à c escen e a enção dada
pelo pode local às polí icas u banas, que se aduz no econhecimen o da
impo ância do planeamen o es a égico da cidade e no ma ke ing e i o ial.
A capacidade de an ecipação es á ambém na a i a in e enção dos sec o es
público e p i ado no âmbi o do pa imónio, ans o mando-o em ecu so pa a a
a i idade u ís ica. O obje i o cen a-se na on ade de pe cebe o po encial do
66
pa imónio enquan o aspe o especí ico da o e a u ís ica, ambicionando a
cap ação de um de e minado segmen o.
Não sendo es e um ema de desen ol imen o, impo a apon a que há ambém
que eco e em pa alelo a ins umen os legais e a p á icas de planeamen o
sus en á eis, pa a que os alo es do passado sejam e dadei amen e
sal agua dados.
67
Capí ulo II
Análise e diagnós ico do Espaço U bano e
Paisagem da Baixa de Luanda –
enquad amen o c í ico
68
Capí ulo II – Análise e diagnós ico do Espaço U bano e
Paisagem da Baixa de Luanda – enquad amen o c í ico
1 - Desc ição da e olução e con ex o si uacional – pe spe i a geog á ica,
u bana, his ó ica, social, polí ica, u ís ica
1.1 Pe spe i a geog á ica/climá ica
Localizada na cos a com o Oceano A lân ico e com 2,442.60 Km de supe ície,
Luanda é a capi al polí ica e adminis a i a da República de Angola, si uada
geog a icamen e na la i ude 8º 50´ 00´´ Sul e longi ude 13º 14´ 00´´ Es e. Os
seus limi es não es ão bem de inidos, e o nome da capi al con unde-se com a
p o íncia do mesmo nome – Luanda - uma das 18 em que o país es á di idido.
A é há pouco empo a cidade e a cons i uída po se e Municípios, po ém, a
no a di isão adminis a i a, ecen emen e ap o ada con empla oi o Municípios,
mais conc e amen e, o município de Luanda, Viana, Cazenga, Belas, Cacuaco,
Icolo e Bengo e Quissama.
O clima é opical húmido, mas seco de ido à co en e ia de Benguela que
di icul a a condensação da humidade pa a p oduzi chu a. As empe a u as são
ge almen e ele adas mesmo du an e a noi e, de ido ao ne oei o. A
p ecipi ação média anual é de 323 milíme os com a iabilidade das mais al as
do mundo, com um coe icien e de a iação de 40%.
O cu o pe íodo de chu as de Fe e ei o a Ab il depende de uma con aco en e
húmida que em do no e do país. No que espei a aos en os dominan es,
cons a a-se que exis e uma maio in ensidade du an e o ano na di eção de
Es e pa a Oes e, o que indica a p esença de en os p o enien es em oda a
ex ensão da Baía de Luanda con ando com os en os que êm na u almen e
do ma .
69
Quad o 4 - Dis ibuição da di eção do en o42
Luanda em um ó imo enquad amen o na u al e du an e quase odo o ano em
um clima quen e mui o ag adá el a o ecido ambém pela localização no li o al.
Os ios Kwanza e Bengo são a base dos ecu sos híd icos, mas a cidade e o
seu in e io ambém êm ibu os na u ais a o á eis pa a que haja boas
condições ísicas e na u ais pa a uma boa qualidade de ida em ge al.
O ele o é ligei amen e aciden ado e di ide a cidade em duas pa es, a pa e
Baixa da cidade – oco des e es udo - com al i ude p óxima do ní el médio do
ma e a pa e al a da cidade, comummen e denominada de “Cidade Al a”, com
al i ude supe io , ce ca de 300 a 400 me os43.
42 - Fon e: h p://p .wind inde .com/winds a is ics/luanda
43 MODELAÇÃO DO CRESCIMENTO URBANO DA PROVÍNCIA DE LUANDA, ANGOLA -
Agos inho José João Secuma - Junho de 2012

70
Ilídio do Ama al desc e e num dos seus es udos a p opósi o do c escimen o da
cidade de Luanda:
(…) e mina a o século XVI, oi c escendo em dois planos
escalonados: o da “Cidade Al a”, num sec o de planal o, bem a ejado
pelos en os e b isas ma í imas, ocupada pelos se iços públicos e
gen es do go e no e da adminis ação, que ci il, que mili a , que
eligiosa, e o da “Cidade Baixa”, na p aia, menos “salu í e a”, sede do
comé cio e da na egação (…)
(…) En e as duas pa es da aglome ação se in e punham as
esca pas, an igas a ibas que em empos ecuados passa am a
en ol e como e en es, desde o momen o em que os p ocessos de
e osão ma inha deixa am de ac ua di ec amen e sob e as suas
bases e se cons uí am as p aias que as o lam (…)44
As ca ac e ís icas geog á icas e mo ológicas da Baixa apon am-se como
ele an es nes a zona uma ez que con ibuem pa a uma das po encialidades
do pon o de is a do pa imónio paisagís ico. Com e ei o, e como se de e á
demons a num p óximo capí ulo, a en ol en e paisagís ica da Baixa oma
o ma e assume-se na paisagem a a és da sua mo ologia con ex ualizada,
sendo um dos exemplos mais signi ica i os o mo o da Fo aleza de São
Miguel, ou a Ilha de Luanda, como elemen os paisagís icos localizados o a dos
limi es do e i ó io da Baixa, mas den o do seu limi e isual.
Nes e pon o do discu so há que se apon a a localização da já e e ida Baixa
da cidade. Ela ap esen a-se com uma si uação geog á ica p i ilegiada, limi ada
pelo ma e pelo Município de Luanda, sendo que o seu ele o não ap esen a
acon ecimen os ele an es com exceção da en ol en e p óxima, como é o
exemplo do mo o da Fo aleza de São Miguel, ou as esca pas esponsá eis,
em pa e, pela modelação da es u u a u bana ao ele o como apon a Ilídio do
Ama al.
44 “Luanda e os seus dois a cos complexos de ulne abilidade e isco: o das es ingas e ilhas baixas e o
das esca pas aba ocadas”, Ilídio do Ama al
71
Os exa os limi es do e i ó io da Baixa êm sido al o de a enção e es udo, sem
que, no en an o, exis a um documen o de ca iz go e namen al que indique
o malmen e essa in o mação. Des a o ma, pa a o es udo de caso que aqui se
ap esen a, eco eu-se à in o mação disponibilizada pelo p og ama das Nações
Unidas – “Baixa Vi a” delimi ado a e melho na imagem abaixo45 (Fig. 5).
Fig. 5 - Limi es da Baixa de Luanda a e melho
Es e documen o disponibilizado pelas Nações Unidas, indica ainda, de o ma
undamen ada, e em ês con ex os, os limi es de inidos da Baixa de Luanda46:
1. Con ex o opog á ico: á ea de meno co a na cidade, p óxima ao ní el
do ma ci cundado ao Sul pela Cidade Al a, a les e pelo Kinaxixe ao no e pelo
Mi ama (Mapa 1).
2. Con ex o his ó ico: his o icamen e, e e e-se a Baixa como a cidade
o mal e u banizada (con apon o BAIXA e MUSSEQUE).
45 (UN-HABITAT, P og ama das Nações Unidas “Baixa Vi a”)
46 Idem
72
3. Con ex o a ual: No imaginá io dos luandenses, a Baixa signi ica “cen o
da cidade” ou mesmo cidade an iga (Baixa) em con apon o à no a cidade
(Cidade Al a).
Impo a elucida que, pa a o es udo aqui em causa, e endo como base a on e
de in o mação acima ci ada, não es á incluída no e i ó io em es udo, a zona
no a de a e o, bas an e signi ica i a em e mos de á ea de in asão do ma ,
ambém deco en e das úl imas in e enções na baía, si uada jun o ao Po o de
Luanda e que se apon a na imagem abaixo (Fig. 6, 7 e 8).
Com e ei o, es á á ea ainda não se encon a o almen e inalizada em e mos
de execução de ob a, não es ando, po isso acessí el ou a cump i unções
conc e as que jus i iquem a sua inclusão na á ea de es udo.
Fig. 6 – Vis a aé ea de oda a Baía de Luanda e ecen e in e enção
Á ea somb eada não
incluída nos limi es
de inidos pa a a á ea de
es udo
73
Fig. 7 - Vis a aé ea pa cial da Baía de Luanda e ecen e in e enção
Fig. 8 - Vis a aé ea pa cial da Baía de Luanda e ecen e in e enção
80
Hoje é na Cidade Al a que ainda se man êm g ande pa e dos edi ícios da
a qui e u a colonial do im do século XIX e p incípios do século XX. Es a zona
da cidade conside a-se p o egida, pois aqui se encon am alguns se iços
públicos e g ande pa e das esidências das en idades mili a es e do Go e no.
Os musseques e am cada ez mais habi ados po população mig an e inda
das á eas u ais, com poucos meios e sem capacidade de se ins ala na cidade
o mal. Essa população mig an e oi es imada em 8.300 habi an es po ano no
pe íodo en e 1950 e 1960 e aumen ou 25 mil habi an es em cada ano no
pe íodo en e 1960 e 1970.
Os se iços u banos i e am um c escimen o len o, de al o ma que o sis ema
de abas ecimen o de água implan ado em 1952 só aumen ou a capacidade em
1971. O consumo de ene gia aumen ou signi ica i amen e no pe íodo en e os
inais dos anos 1950 e os inais dos anos 1960, ha endo a necessidade de se
eco e ao abas ecimen o adicional da ba agem de Cambambe, no io
Kwanza.
A população dos musseques que, em 1971 e a de ce ca de 200 mil habi an es,
não oi ab angida po nenhum des es se iços públicos, dependendo apenas
de abas ecimen o de água po cha a izes. O c escimen o da cidade oi de al
o ma galopan e que em 1971, já se ecomenda a a necessidade de
ans e ência do ae opo o pa a o Sul da Ba a do Rio Kwanza.
No pe íodo an es da independência, em 1974-1975, Luanda oi al o de
con li os iolen os de ido à gue a con a o colonialismo que se alas a a a
odo o país. Com a decla ação da independência a maio ia da população
b anca eg essou a Po ugal.
Assim, as á eas esidenciais da “cidade do as al o” começa am a ica azias
com o abandono dos colonos sendo pos e io men e ocupadas po angolanos
eg essados do exílio, po populações o iundas das egiões mais c í icas do
e i ó io ab angidas pela gue a e populações que p ocu a am al e na i as de
sob e i ência.

81
Es as populações o am ambém ocupando zonas já des inadas a u banização
mas que ainda não e am se idas po in aes u u as de idamen e concluídas.
Os mig an es u ais que a luí am à cidade nes e p ocesso pós-independência
ocupa am p e e encialmen e zonas que a é en ão e am p e is as pa a cin u a
e de. Os musseques que nes a ase eme gi am localiza am-se em zonas
cada ez mais dis an es do cen o da cidade, como o caso do Gol e da
Pe angol.
Cons a ou-se ambém que nos musseques, as casas abandonadas com
melho es condições e am ocupadas pelos ecém-chegados e izinhos, al
como na cidade se ocupa am, as melho es casas das zonas p i ilegiadas. Na
Baixa da cidade, po exemplo, hou e uma g ande ocupação po uma
comunidade de eg essados, indos do es angei o, especialmen e da an iga
República do Zai e.
Esse p ocesso de ocupação da u be po população o iunda do musseque e de
cul u a u al, a pa do desapa ecimen o da es u u a u bana e da e i ada das
pessoas esponsá eis pela manu enção dos se iços u banos, causa am uma
g ande de e io ação na pa e u banizada de Luanda. As in aes u u as
es a am subdimensionadas pa a o aumen o de população.
Es a não inha hábi os de ida adequados ao no o ipo de alojamen o. A
ansição ápida da casa é ea, com á ea social ao a li e e sem saneamen o,
pa a uma ida em apa amen o de p édios p o idos de ele ado es, acessos
e icais e espaços sociais in e io es comuns le ou à deg adação dos edi ícios.
Es e p ocesso de êxodo pa a a capi al explica a he e ogeneidade da população
esiden e nas zonas pe i-u banas da cidade, indas das zonas mais especí icas
do imenso e i ó io de Angola. Nes a ase a cidade c esceu p incipalmen e a
ní el populacional e não an o em e mos de á ea.
82
No início dos anos 1980, Luanda ap esen a a um o al u bano de 934.881
habi an es, de aco do com o censo de 198351.
Depois dos anos 1980, no pe íodo en e 1985 e 1995, a cidade oi c escendo
ao longo das ias p incipais de pene ação (es adas de Cacuaco, Ca e e e
es ada pa a a Ba a do Kwanza), con inando as zonas i egula es. A á ea
u bana de Luanda es endeu-se pa a Sul com o desen ol imen o dos bai os
P enda e Rocha Pin o e pa a Les e a ingindo o limi e adminis a i o en e
Luanda e Cacuaco. Es as ocupações alea ó ias e densi icadas jun o às ias de
pene ação di icul a am mais a de, o p og ama de eabili ação das es adas
ob igando à exp op iação das cons uções à população.
Com o deco e dos anos, o ag a a da gue a ci il pelo e i ó io angolano, o
con inuo luxo do êxodo u al e o colapso da economia, Luanda assis e nos
anos 1990 a ex ensão maciça dos seus musseques em cu o espaço de empo.
Os municípios pe i é icos de Cacuaco, Viana, Kilamba Kiaxi e a Samba o am
no os municípios que o am densamen e ocupados nes a ase. As cons uções
e ocupações des as zonas o na am-se cada ez mais alea ó ias e
deso denadas.
Qualque ipo de espaço azio e a ocupado, incluindo zonas de isco, como
linhas de água, ma gem da es ada ou da linha e o iá ia, ou e enos
ese ados a áb icas, po exemplo. As casas cons uídas pelos p óp ios
p op ie á ios, ep esen am um g ande es o ço po pa e de oda a amília, po
isso le am semp e alguns anos a se em concluídas. Ge almen e a cons ução
é ei a em blocos de cimen o e cobe a em chapa de zinco.
Com o inal da gue a ci il em 2002, hou e um c escimen o económico a la ga
escala, endo-se p i ilegiado p oje os u banos pa a o cen o e pe i e ia da
cidade. Des aca-se a pa ce ia com o sec o p i ado, pa a o desen ol imen o
u bano, com uma abo dagem endencialmen e i ada pa a g upos de
endimen o médio e al o. A espos a às necessidades dos g upos de baixo
51 (Pepe ela, 1990: 121)
83
endimen o a ní el de habi ação social e in aes u u as icou à
esponsabilidade do Go e no P o incial e cen al.
O c escimen o u bano p osseguiu ao longo das p incipais ias de ligação do
cen o à pe i e ia. Mais ecen emen e, com a conclusão da au oes ada ci cula
que liga a es ada de Cacuaco a Cabo Lombo (saída a Sul de Luanda),
c uzando a es ada de Ca e e, e com o c escimen o das á eas a Sul e a No e
de Luanda, p e ê-se a al e ação dos pad ões de c escimen o.
P e ende-se que es a au oes ada ci cula , pa a além de a ua como um oco
de desen ol imen o, enha a cons i ui um limi e à expansão dos musseques,
a a és do con olo da ocupação dos e enos disponí eis. A localização do
no o ae opo o, pa a lá da au oes ada ci cula , ai p opo ciona o su gimen o
de uma no a zona u bana a as ada do a ual cen o da cidade. Fo am
anunciados pelo Go e no g andes p oje os de u banização pa a a á ea
en ol en e do ae opo o.
Os p incipais usos do solo man êm a sua dis ibuição desde os anos 1990,
nomeadamen e: o CPA (Cen o Polí ico e Adminis a i o) es endeu-se da
Cidade Al a pa a a Ingombo a; as p incipais a i idades come ciais e de se iços
p i ilegiam a A . Ma ginal; o pequeno comé cio o mal localiza-se na baixa da
cidade; a indús ia concen a-se no Cazenga, es ada da Boa is a, es ada de
Cacuaco-Viana e em Viana.
Segundo o es udo em desen ol imen o pela UN, no qual se e e uou o
le an amen o das á eas uncionais da Baixa, cons a a-se que exis e
di e sidade uncional des acando-se uma o e p esença de comé cio, se iços
e en idades ins i ucionais como minis é ios (Fig. 14).
84
Fig. 14 – Plan a com indicação de uso do solo
O g á ico seguin e ap esen ado pela Zenki Real Es a e, apon a pa a a zona da
Baixa de Luanda como aquela que compo a a mais o e exis ência de
esc i ó ios em compa ação com ou as zonas da cidade (G á ico 1).
G á ico 1 – G á ico de dis ibuição de s ock de esc i ó ios po zonas
85
A cidade apa ece como um pe manen e es alei o de ob as de g andes
emp eendimen os, des es condomínios luxuosos, edi ícios de esc i ó ios e
habi ação, cen os come ciais, no as es adas, eabili ação de ias e passeios,
a é à pin u a de achadas.
Po ou o lado, con inuam de ici á ias as edes écnicas de água, esgo os e
ele icidade, an o de edi ícios como de ias públicas, a ede iá ia e o
es acionamen o são de icien es e insu icien es, assis e-se à ocupação ilegal de
espaços públicos, à d enagem plu ial ine icien e, à ecolha de lixo e limpeza de
ias de ici á ia e a maio ia dos edi ícios es ão em es ado mais ou menos
acen uado de deg adação.
Luanda u banizada, que engloba o cen o e agmen os a é aos limi es da
cidade, é hoje ma cada po uma dualidade en e no as cons uções e a
deg adação gene alizada. C esceu pa a o dob o da á ea num pe íodo de 10
anos, ocupando uma aixa de baixa densidade na di eção les e e sul.
Rela i amen e às á eas in o mais cons a a-se um desen ol imen o de
me cados e a i idades come ciais, como consequência da di iculdade de
acesso ao anspo e pa a o cen o pela população de baixa enda.
1.2.2 C escimen o e desen ol imen o u bano da Baixa de Luanda
O desen ol imen o da a i idade me can il deu o igem ao es abelecimen o, na
Cidade Baixa, das g andes i mas e a mazéns que ize am p ospe a a u be
luandense. As p imei as cons uções com ca ác e de ini i o e am ma cadas
pelo cunho dessa a i idade p edominan e e possuíam, eg a ge al, um és-do-
chão que e a ocupado pa a ins come ciais ou o a mazenamen o de p odu os,
um anda supe io que se des ina a à habi ação dos p op ie á ios e
emp egados e os seus quin alões que se iam pa a concen ação dos
esc a os.52
52 in lu p oce planem e p od espaço u bano - luanda.pd

86
Ao longo do empo a zona da Baixa oi sendo al o de in e enções e de
especial a enção po pa e das en idades esponsá eis pelo seu
desen ol imen o u bano, nomeadamen e com as ob as de a e o da baía que
al e ou e adap ou o seu eco e a a és da eliminação de duas enseadas e
cons ução de um pa edão (Fig.15).
Fig. 15 – Mapa indica i o da an iguidade ela i a dos edi ícios da Baixa - Ilídio
do Ama al 1962
Es as in e enções oma am consis ência com a conclusão da cons ução da
A enida Ma ginal já na década de 50 e que ha ia sido es udada an e io men e
no p imei o Plano de U banização de Luanda (Fig. 16 e 17).
87
Fig. 16 – Plan a de u banização de luanda – A e Ma ginal Es e da cidade.
A qui e os E iénne de G oe e Da id Mo ei a da Sil a, 1943
Fig. 17 – Ma ginal no inal da década de 50
88
Com e ei o, nos á ios Planos de U banização que se desen ol e am pa a a
cidade de Luanda, a zona da Baixa ep esen a a um oco de cuidado
especí ico. Em 1942 é ap esen ado, como já e e ido, o p imei o Plano de
U banização da cidade dos a qui e os De G oe e Da id Mo ei a da Sil a a
con i e da Câma a Municipal de Lisboa. Nes e plano e a já isí el na plan a
“A e Ma ginal Es e da Cidade” uma solução u bana que ence a a cla amen e
em desenho o limi e en e a linha do edi icado e a en e de ma .
Essa linha de limi e geomé ico se ia pon ualmen e in e ompida po
a a essamen os ans e sais ao longo da A enida Ma ginal que culmina am
em a uamen os in e io es com um desenho que acompanha a
longi udinalmen e a A enida Ma ginal, o mando qua ei ões bem de inidos.
Em 2009 o am execu adas al e ações es u u an es na sua con igu ação com
a cons ução de a e os e no as ins alações de edes écnicas bem como
in aes u u as de apoio. E a obje i o ge al do Es ado aumen a a capacidade
da ede iá ia e melho a o es acionamen o; con ibui pa a a despoluição das
águas da baía e melho a o escoamen o das águas plu iais; equali ica o
espaço u bano e amplia a á ea des inada a laze , do ando-a de equipamen os
e espaços e des53.
Po isso, equali icou-se o espaço público e ampliou-se as á eas des inadas ao
laze . O p oje o p opôs um pa que linea com 3.1 km ao lado da baía, en e a
zona ma ginal e o ma , cons i uído po á eas aja dinadas en eco adas po
pequenas zonas de es adia, um passeio pedonal, pe cu sos de mobilidade
sua e com ciclo ia e pequenas es u u as despo i as, incluindo comé cio e
es au ação.
As imagens seguin es ap esen am a no a in e enção ao ní el do espaço
público e a sua exp essão do desenho u bano e do impac o na es u u a da
ma ginal (Fig. 18 e 19).
53 (h p://www.landplan.p /p oje os/ equali icacao-da-ma ginal-da-baia-de-luanda/)
89
Fig. 18 - Requali icação da baía de Luanda em 2009
Fig. 19 - P oje o da baía de Luanda em 2009
96
O impac o ex emamen e des u i o da globalização sob e a es u u a indus ial
b asilei a, ao ameaça a con inuidade do p ocesso de indus ialização, elega a
bu guesia ao mesmo papel de me a "comp ado a" den o do sis ema capi alis a
mundial.
No caso de Angola, mas como consequência da inexis ência de uma his ó ia
indus ial, de uma o e dependência de impo ação de bens e o al
dependência do comé cio do pe óleo e diaman es, deixou a economia semp e
num ambien e de eminen e agilidade e ince eza ace ao impac o da
globalização, desp o egendo ao mesmo empo as classes mais ágeis cujo
acesso á dinâmica económica es e e p a icamen e omada pelas eli es
sobe anas.
O que impo a de a o des aca aqui é o p ocesso pelo qual a bu guesia
"mode na" ga an e os seus in e esses de hegemonia in e na, sob epondo-se às
eli es mais conse ado as ("a asadas") e p omo endo o a anço capi alis a
in e nacional sob e uma es u u a social a caica baseada em elações de
desigualdade e domínio he dadas de á ios a o es his ó icos e ac uais.
Não obs an e, é nesse cená io de an agonismo que se inse e o discu so da
globalização, inco po ado pelas bu guesias "mode nas" como o ins umen o
mais ap op iado, no no o con ex o his ó ico do capi alismo inancei o, pa a
pe pe ua uma no a imposição de inco po ação dos p og essos écnicos do
capi alismo hegemônico, que somen e à eli e bene icia ão e lhe ga an i ão a
manu enção de sua hegemonia in e na.
As g andes me ópoles subdesen ol idas são hoje a exp essão do
an agonismo e da desigualdade an e io men e desc i os. Em p imei o luga ,
po que o enômeno de u banização acele ada obse ado no mundo nos
úl imos 40 anos oco eu, em g ande pa e, nos países da pe i e ia do sis ema.
Em segundo luga , po que, uma ez is o pos o, obse a-se que são jus amen e
as cidades os ins umen os de excelência do enômeno de expansão da
economia-mundo capi alis a que se con encionou a chama de globalização.

97
O enômeno de u banização obse ado em g ande pa e dos países
subdesen ol idos em mui o se de e à ma iz de indus ialização a dia das
pe i e ias, ou como no caso de Angola, ao o e mo imen o da população u al
pa a Luanda, u o da insegu ança causada pelo ambien e de gue a.
Nou os países como b asil e Índia, a a a i idade exe cida pelos polos
indus iais sob e a massa de mão-de-ob a expulsa do campo (em especial nos
países que ecebe am emp esas mul inacionais que ala anca am a passagem
de economias ag oexpo ado as pa a economias "semi-indus ializadas", como
o B asil ou a Índia) p o ocou, a pa i da década de 60, a explosão de g andes
polos u banos no Te cei o Mundo, que não ecebe am a p o isão de
habi ações, in aes u u a e equipamen os u banos que ga an isse qualidade de
ida a essa população ecém-chegada em que que as axas de u banização
ele adíssimas ap esen am g ande núme o de me ópoles que, isoladamen e,
ul apassam os 5 milhões de habi an es, al como Luanda.
Essas g andes aglome ações u banas da pe i e ia, jus amen e em i ude
dessa u banização desigual, ap esen am hoje, in a ia elmen e, um absolu o
quad o de pob eza. As condições de pob eza encon adas nessas cidades
podem se e i icadas pela al a pe cen agem de mo ado es que habi am em
habi ações ano mais. No B asil, en ende-se po esse e mo mo adias em
a elas, co iços e lo eamen os clandes inos. Já em Angola, a ibui-se a
denominação de sanzalas ou musseques.
A in o malidade u bana diz espei o à inadequação ísico-cons u i a da
habi ação e/ou geomo ológica/ambien al do en o no (cons uções p ecá ias,
e enos em á eas de isco ou de p ese ação ambien al, á ea ú il insu icien e
pa a o núme o de mo ado es, e c.), à ausência de in aes u u a u bana
(saneamen o, água a ada, luz, acessibilidade iá ia, e c.), ou ainda à
ilegalidade da posse da e a ou do con a o de uso.
A í ulo de cu iosidade, nas g andes me ópoles b asilei as, es ima-se que
ce ca de 50% da população, em média, esida na in o malidade, o que só em
São Paulo ep esen a ce ca de 6 milhões de pessoas. Os mo ado es de
a elas chegam a ce ca de 20% da população dessa cidade.
98
Em Có doba, na A gen ina, ce ca de 20% da população mo a em a elas
( illas) (Luciano, 1997) e na egião me opoli ana de Lima (Pe u), 50% dos
habi an es mo am em condições subno mais, sendo 30% em a elas e 20% em
co iços (Cas o e Rio ío, 1997).
Esse núme o epe e-se em Qui o e em Ca acas, no Equado , a ingindo 59% na
Cidade do México e em Bogo á (Cepal, 2000b). Em Luanda, capi al da Angola,
70% da população mo a a na in o malidade. Em Adis Abeba, na E iópia, e am
85%64.
Esse é, po an o, o cená io das g andes cidades subdesen ol idas, no início do
século XXI: um al o g au de pob eza, o iundo da na u eza es u u almen e
desequilib ada da indus ialização e da u banização pe i é icas.
No con ex o u bano, a con adição es u u al das economias de
desen ol imen o desigual e combinado aduz-se pela incompa ibilidade en e
os bai os "globalizados" da cidade o mal e os assen amen os di os
“ano mais”, que con igu am a ipologia p edominan e da cidade eal, nas zonas
pe i é icas abandonadas pelo capi al e pelo pode público.
Como mos a am os núme os da exclusão u bana ap esen ados an e io men e,
há hoje mais pob es do que icos em mui as me ópoles do Te cei o Mundo,
sendo que luanda é ce amen e um dos g andes exemplos. Es a ci cuns ância
p o oca um enómeno de in e são do concei o daquilo que se conside a a
e dadei a cidade, pois as eli es es ão na e dade cada ez mais con i en es
com um ambien e de pob eza.
E na e dade, nunca as classes dominan es es i e am ão ameaçadas. No a-se
no caso de Luanda, um exp essa po pa e do pode polí ico, de ou os
agen es in luen es bem como a sociedade em ge al, de um sen imen o de que
a e dadei a cidade, a que " ale", é apenas a cidade o mal que as eli es
ocupam.
64 (Bueno, 2000) BUENO, L.M. de M. P oje o e a ela: me odologia pa a p oje os de
u banização. Tese de Dou o ado. São Paulo, Faculdade de A qui e u a e U banismo da
Uni e sidade de São Paulo, 2000.
99
Ou o mais, ao in és de pe cebe em, no c escimen o inexo á el da pob eza a
p eocupan e e inacei á el mudança do pe il socioeconômico ge al dos
habi an es, as eli es apenas se p eocupam com uma in asão indesejada da
"sua" cidade.
Es a ecusa em acei a que “essa” cidade já não é mais ep esen a i a da
cidade eal, e i ica-se an o na cons an e busca de segu ança e con o o em
bai os ou condomínios echados de al íssimo pad ão, mas ambém na eação
de indignação ace aos ní eis insus en á eis de iolência u bana. Com e ei o,
ci ando o A qui e o Thomaz Ramalho, “os musseques não são o p oblema, mas
sim pa e dele”.
Expos o o enómeno num con ex o global da si uação a ual da cidade de
Luanda, e suas ca ac e ís icas de con on o en e o o mal e o in o mal, impo a
enquad a a zona de es udo da Baixa nes es a os.
Com e ei o, a Baixa ep esen a uma ealidade de con as es en e o que é
o mal e in o mal que seja, no que espei a ao ipo de comé cio p a icado, ao
ipo de habi ações exis en es, ao ipo de cidadão que equen a, ao ipo de
unção labo al que se p a ica (Fig. 23, 24, 25 e 26).
Fig. 22 e 23 – Venda in o mal de p odu os po Mulhe es que se deslocam dos
musseques, onde esidem, pa a a Baixa.
100
Fig. 24 e 25 - Venda in o mal de p odu os po Mulhe es que se deslocam dos
musseques, onde esidem, pa a a Baixa.
É ambém ao ní el do espaço público e da paisagem que se e idencia es e
con as e e sepa ação/seg egação da i ência do e i ó io nas suas di e sas
ealidades, momen os, ca ac e ís icas (Fig. 27 e 28).
Fig. 26 – Vis a do C uzamen o da Rua Majo Kanhangulo, Rua Eng ácia
F agoso e D . A. Maciel – Vis a dos con as es paisagís icos com a qui e u as
de á ias épocas, es ilos e escalas e i o iais.
101
Fig. 27 – Rua Majo Kanhangulo – Vis a dos con as es paisagís icos com
a qui e u as de á ias épocas, es ilos e escalas e i o iais, com des aque pa a
o edi ício do Palácio de Fe o do lado esque do como exemplo de elemen o
pa imonial de des aque.
Nes a ese p e ende-se de ende a eliz con i ência da di e ença como uma
mais alia pa a a c iação de um ambien e u ís ico a a i o, au en ico e
sus en á el, acei ando os con as es que compõem es e e i ó io como
impulsionado es de in e esse, cu iosidade e es ímulo ao conhecimen o cul u al,
ambien al, paisagís ico e u bano com ecu so a es u u ação dos seus
elemen os componen es.
1.3.2 - Con ex o Eu opeu
P e ende-se analisa e ap esen a sucin amen e alguns exemplos de
es a égias e polí icas cul u ais aliadas à egene ação u bana, de aco do com a
isão da cidade c ia i a, mas nes es casos, ao con á io dos casos abo dados

102
no pon o an e io , p ocu ando a maximização do capi al, a di e ença, a
ino ação, e po im, a comunicação.65
Po ém, a analogia en e o es udo de caso da Baixa e me odologia de
in e enção p opos a, pode se ei a com odos es es casos, na medida em que
se ap esen am elemen os u banos que podem se enca ados como ecu sos
u ís icos a explo a e o imiza no sen ido de esponde a uma es a égia de
u ismo sus en á el.
Pa a al, des acam-se, nes e es udo, oi o casos exempla es pa a qua o
modelos de sub-unidades u banas, ais como:
a) O qua ei ão e os conjun os de qua ei ões e espaços públicos. Dublin e
B uxelas;
b) O pá io, o azio e o in e io dos qua ei ões. Be lim e Ba celona;
c) A ua e os eixos u banos. Lond es/Yo kshi e e Copenhaga;
d) O edi ício: qua éis mili a es, áb icas, hospi ais, palácios, e c., Viena e
Ames e dão;
Na p imei a unidade de in e enção enunciada alo iza-se o qua ei ão e o
conjun o de qua ei ões à escala de bai o. Enquan o em Dublin, na zona
conhecida como Temple Ba , após um enómeno de gen i icação,66 seguiu-se
uma o e apos a na egene ação cul u al como a o p é io à in e enção ísica,
no segundo caso, Les Ma olles no cen o da cidade de B uxelas, o plano de
escala egional, simbio icamen e, e a a és do modelo do p ocesso
pa icipa i o en ol eu a população à escala do qua ei ão e do bai o.
65 .. .. TESE_dou o amen o_janei o 2013 03. bibliog a ia de abalho MUITO
IMPORTANTE modelos de egene ação u bana-modelo ese - MT IMPORTANTE.pd
66 O enómeno de gen i icação, con o me e e ido an e io men e, ca ac e iza-se po se cada
ez mais, algo p esen e na maio pa e das cidades e po um p ocesso de especulação
imobiliá ia po mudança do uso do solo ou po g andes in es imen os público e p i ados.
103
Con o me e e ido, nes e úl imo caso, a egião de B uxelas e o es ado ede al
es ão di e amen e en ol idos e empenhados na esolução dos p oblemas das
g andes cidades.
Nos dois casos, a in e enção de pequena escala, o qua ei ão - implicou um
plano de conjun o à escala in e média de bai o com a isão e eixos
es u u an es de ação. Nos dois casos, o espaço público, a sua equali icação e
no caso I landês a ans o mação do seu uso pa a p edominan emen e pedonal
cons i ui peça cha e do p ocesso de egene ação. Es e úl imo de ém mais
empo de ida endo iniciado o p ocesso em 1989 e concluído a in e enção
ísica após a egene ação cul u al em 2001.
O caso Belga e e o seu início em 1998 com dossie -base po bai o da ado de
1999 e início de in e enção em 2004/05. Quan o ao enquad amen o des es
es udos de casos como exemplos de modelos que se elacionam com o es udo
de caso des a disse ação, a isão e ideia de cidade ine en e à in e enção
I landesa baseia-se na c iação de uma zona ma cada po uma cul u a popula
jo em, pela mudança e apos a na cul u a isual e na c iação do luga a a és
do di e imen o, a e e cul u a, dia e noi e, comé cio e habi ação.
No caso Belga a in e enção à escala de bai o e do qua ei ão é baseado
numa pla a o ma de mic o-p oje os que p essupõe uma ideia de cidade
mul icul u al cons i uída po bai os com iden idades di e sas.
Rela i amen e à maximização dos ecu sos u banos e seus elemen os, em
B uxelas é dado incen i o à c iação a ís ica e aos encon os cul u ais ao ní el
do bai o, sendo e o çada a coesão social, igualmen e pela pa icipação a i a
das populações. Em Dublin, a apos a numa mudança da imagem e numa no a
cul u a isual undamen a o incen i o ao design e à a qui e u a e é p omo ido
a a és dos concu sos lançados pa a os jo ens a is as, a qui e os e designe s.
São, igualmen e, desen ol idas e incen i adas as indús ias e cen os cul u ais
eme gen es. No que diz espei o à di e ença, Temple Ba apos ou na
egene ação cul u al numa es a égia de planeamen o, al como iden i icou
104
G aeme E ans67 como sendo um dos modelos de egene ação u bana,
enquan o em B uxelas o mé odo pa icipa i o p essupõe a alo ização da
di e sidade cul u al.
Na segunda unidade de in e enção o pá io e miolo dos qua ei ões,
p ocu ou-se exempli ica a a és de dois exemplos, Be lim e Ba celona, as
duas escalas possí eis. No p imei o caso a conjugação de in e enções nos
in e io es dos qua ei ões, azios u banos, e o es abelecimen o po
consequência de edes pedonais pa alelas às p incipais da malha u bana e no
segundo caso a in e enção pe si no in e io dos qua ei ões de Ba celona.
A isão e ideia de cidade aqui p esen es esul a da p emência e necessidade
de espaços públicos de p oximidade como egene ado es u banos em
Ba celona, enquan o em Be lim a cidade é a ada po unidades de izinhança
ma cada po uma o e cul u a u bana.
A maximização do capi al c ia i o é, em Ba celona, is a como enómeno de
gen i icação na Ciu a Vella e mo o de egene ação a a és do uso dos
espaços públicos pa a e en os e ações sociocul u ais, incluindo no miolo dos
qua ei ões. Em Be lim é de inido como obje i o es imula ecu sos e po encia
expe iências em odas as á eas e ní eis dando pode es à ação cí ica e
cole i a.
Be lim em a di e sidade como apos a de uma poli ica do ipo sus en á el e
pa icipa i a e Ba celona as soluções a iadas de espaços públicos e as
di e en es medidas na cidade con ibuem pa a o inc emen o da di e sidade.
Ba celona des aca-se pelo en ol imen o com os p omo o es imobiliá ios numa
ação conce ada pela in e são do capi al social na ecupe ação do miolo dos
qua ei ões e a passagem do domínio p i ado pa a o uso público e Be lim
a a és do no o p ocesso de egene ação u bana.
67 G aeme E ans
105
Quan o à e cei a unidade de in e enção, a ua e os eixos u banos, salien a-
se o espaço publico como espaço expec an e de acon ecimen os no
elacionamen o en e o plano ho izon al, o chão, e o e ical, as achadas e
in e io do edi icado, em que o caso Inglês mos a um exemplo espon âneo de
clus e cul u al e um exemplo planeado de um p oje o cul u al pa a um eixo
u bano.
O caso Dinama quês começa po uma in e enção numa ua S oge e na sua
ans o mação em espaço exclusi amen e pedonal e o alas amen o da
in luência egene ado a des a ação à en ol en e e a ou as cidades. No eino
Unido os a o es e mediado es do p ocesso são di e sos e p o ícuos, pois a
apos a poli ica na egene ação é o íssima e de e minan e na sociedade
inglesa.
O p ocesso pa icipa i o de en ol imen o comuni á io ca ac e iza as endências
b i ânicas, seja em B icklane ou Yo kshi e. No caso dinama quês, a cidade é
espaço de encon o e de es a e po isso, a isão p esen e implica o disciplina
do á ego e a qualidade do ambien e, isual e ecológico.
Quan o à maximização do capi al c ia i o, nes e úl imo caso, o espaço público
e o luga de acon ecimen os são p opiciado es de e en os e acon ecimen os
cul u ais. No caso Inglês, a ua é o espaço de me cado, ei a de p odu os
al e na i os em B icklane e de a e pública em Yo kshi e.
Ob iamen e que, a di e ença es á p esen e pela a iedade é nica, a ís ica e
mul icul u al dos casos ingleses e di e sidade de acon ecimen os e éme os em
Copenhaga. A Ino ação encon a-se in e ligada e des aca-se pela in e enção
egene ado a começa pelo azio u bano que po sua ez in luencia a
qualidade ambien al e es imula a in e enção no edi icado.
Po im, a qua a unidade de in e enção, o edi ício, Museums Qua ie Wien,
designado po MQ e Wes e gas ab iek, Ames e dão na Holanda ca ac e izam
uma das endências a uais na eabili ação e ecupe ação de edi ícios de
g andes dimensões como espaços indus iais, qua éis mili a es, hospi ais,
ins alações eais, e c. a a és de p og amas cul u ais.
112
G á ico 2 - Dis ibuição da população esiden e po p o íncias
G á ico 3 - Pe cen agem da população no e i ó io nacional

113
As Nações unidas apon am, no ela ó io do índice de Desen ol imen o
Humano (IDH), uma p e isão pa a o olume global de população do país que
ul apassa os 30 milhões de pessoas em meados de 2030. Face a uma
mig ação galopan e o iunda do in e io pa a a cidade de Luanda, exis e uma
g ande concen ação populacional na capi al, com p a icamen e 30% da
população o al do país (ap oximadamen e 6 milhões de habi an es) (G á ico 4).
G á ico 4 – População Angolana
De aco do com o úl imo senso populacional ealizado em 2014 a população, só
do Município de Luanda (con ém lemb a que é nes e município que es á
localizada a Baixa, caso de es udo des a ese), ul apassa os dois milhões de
habi an es, e a população de oda a P o íncia de Luanda em ce ca de seis
milhões e meio de habi an es.
A sociedade luandense é bas an e he e ogénea como consequência da o igem
di e si icada dos seus habi an es, endo os hábi os e cos umes in luenciados
pelas mig ações, po um lado, e pelo enómeno da globalização, po ou o. Nos
p imó dios da sua exis ência, os habi an es de Luanda dedica am-se quase
exclusi amen e à pesca e os kimbundus e am o único g upo é nico a icano
que i ia na cidade. Com o á ico de esc a os e mais a de com a gue a pela
independência e a gue a ci il angolana, populações de ou as o igens de
Angola começa am a po oa a cidade.
114
Como consequência da sua his ó ia, o po uguês é a única língua o icial de
Angola, mas exis em nume osos diale os, ca ac e ís icos de cada egião, sendo
que a língua com mais alan es em Luanda, depois do po uguês, é o
kimbundu.
A população de Luanda é maio i a iamen e ca ólica omana. Po ém, o
segmen o c is ão de ou as denominações eligiosas em indo a c esce nos
úl imos anos, como é o caso da Ig eja Me odis a. A o e mig ação de
populações de ou as egiões do país pa a Luanda, em azão da Gue a pela
Independência e pos e io men e da Gue a Ci il angolana, e o çou
signi ica i amen e a p esença da Ig eja Bap is a em Luanda cuja p incipal base
social se encon a en e os Bakongos, e da Ig eja Cong egacional de Angola
en aizada signi ica i amen e en e os O imbundos.
Há ambém uma o e p esença de ig ejas pen ecos ais, em pa icula a Ig eja
Uni e sal do Reino de Deus e mui o ecen emen e a Ig eja Mundial do Pode
de Deus.
De o ma ge al, de ido ao c uzamen o de á ias cul u as, os hábi os e
cos umes dos luandenses não di e em mui o dos hábi os e cos umes dos
es an es angolanos, po ém, con a iamen e ao que oco e nas p o íncias, em
Luanda a “au o idade adicional” não se az sen i de o ma ão incada e a
sua p esença bem como in luência são mais énues.
Em con apa ida, em Luanda como nas es an es p o íncias, as a es
con inuam a mani es a -se exp essi amen e como uma o ma de a i mação
iden i á ia, cul u al. A dança dis ingue di e sos géne os, signi icados, o mas e
con ex os, equilib ando a e en e ec ea i a com a sua condição de eículo de
comunicação eligiosa, cu a i a, i ual e mesmo de in e enção social, onde a
dança se e ela de e minan e enquan o a o de in eg ação e p ese ação da
iden idade cul u al.
115
A música e as a es plás icas (Fig. 28) são ou a o ma de mani es ação de
iden idade cul u al e é aqui que se encon a um signi ica i o espaço de
p ojeção e sucesso. A li e a u a é ou o campo da cul u a que encon a em
Luanda o espaço ep esen a i o de odo o país. Ainda ele an e como o ma de
mani es ação cul u al é o Ca na al que, não obs an e oco e em odo país,
ealiza o a o cen al em Luanda e acon ece anualmen e com um des ile que
oco eu du an e la gos anos na A enida Ma ginal da cidade (Fig. 29 e 30).
Fig. 28 – Tela em écnica mis a do a is a plás ico Angolano Sabby
Fig. 29 e 30 – Imagens das es as anuais do Ca na al Angolano na Baía de
Luanda
116
Na ealidade de hoje, em Angola encon am-se si uações, que en ec uzam
elemen os que “mode nos” que “ adicionais” em á ias á eas. Es as soluções
de comp omisso, no en an o, não são apenas o esul ado de uma on ade de
man e e cul i a hábi os e p á icas ances ais, mas é ambém esul ado da
impossibilidade de, em algumas á eas, acede aos modos de ida e às
es u u as u banas (nomeadamen e o ensino, a segu ança social, as
in aes u u as mode nas).
Es a impossibilidade o na di ícil a de inição daquilo que cons i uem as
aspi ações e necessidades das populações inse idas em meio u bano já que
nem semp e se aduzem em p á icas e e i as, sendo apenas possí el acede
a es e conhecimen o a a és dos discu sos sob e aquilo que cons i uem as
aspi ações das populações u banas.
E, nes e âmbi o, é eco en e a eleição de modelos e modos de ida
ma cadamen e u banos e mode nos como aqueles que jus i icam os es o ços
diá ios de educação dos ilhos, a mig ação pa a a cidade, a p ocu a de
melho es condições de ida. Em odo o caso, os g aus de acesso a es u u as
u banas, a ans o mação dos hábi os e a inse ção u bana, c iam
di e enciações en e os indi íduos e en e os g upos.
Es as di e enças o nam-se e iden es na análise das a i idades económicas,
das amílias, da eligiosidade, da escola ização, das habi ações, dos hábi os e
cos umes diá ios. A es es indicado es é possí el adiciona ou os mais isí eis
(mas, no en an o, de mais di ícil de inição) como os locais onde são ei as as
e eições, os di e imen os u banos as ans o mações nas elações de géne o,
os i os une á ios, da música, da sexualidade, en e ou os73.
Impo a aqui ainda isa que são p ecisamen e es as di e enças sociais que
e idenciam a o e desigualdade a odos os ní eis p esen e na sociedade
luandense. Desigualdade que se e le e ambém numa desc iminação p o unda
no que espei a ao alcance de opo unidades imp escindí eis numa sociedade
73 (Recomposição Social e U banização em Luanda - C is ina Udelsmann Rod igues – cen o de es udos
a icanos)
117
democ á ica e li e, e na qual assen a a ga an ia de uma melho qualidade de
ida, mais jus a, bem como no g anjea de me as e obje i os pessoais, e na
sus en ação dos pila es básicos de uma sociedade, como acesso a saúde e
educação condigna.
Pa a além dos cons angimen os já apon ados sob e o país, como as
in aes u u as de icien es, a al a de capacidade ene gé ica ou a aca
capacidade ins i ucional do país, ac escen a-se ambém a al a de uma o ça de
abalho quali icada, que ai con inua a se uma des an agem es u u al que
a asa o p ocesso de c escimen o e que le a á algum empo a se colma ada,
exigindo, en e an o, o ecu so a mão-de-ob a e quad o o mados
es angei os74.
Es a ci cuns ância e le e-se consecu i amen e numa espécie de us ação
conjun a das camadas sociais mais ulne á eis, uma ez en egues a um
es ado de impo ência gene alizada, e o çada pela ausência de esul ados
sa is a ó ios e e icazes po pa e dos esponsá eis e deciso es polí icos.
Pa a conclusão des e subcapí ulo impo a e e i mais uma ez, a aga
impo ância a ibuída á zona de es udo aqui em causa, po pa e das en idades
go e namen ais e que indicam a eabili ação da “cidade an iga”, mas sem
especi ica o que e e i amen e é conside ado como “cidade an iga”, como uma
condição de ele o pa a a de inição de es a égias de desen ol imen o da
P o íncia de Luanda.
74 (h p://obse ado .p /2015/11/07/angola-pe oleo-ga an e- ecei as-desa io-e i a -
dependencia/)

118
No documen o do “Plano de Desen ol imen o P o incial de Luanda 2013-
2017”75, pode-se le :
(…) Co espondendo ao po encial já exis en e na P o íncia, e com is a a
en abiliza social e economicamen e os in es imen os signi ica i os na
mode nização de in a‐es u u as já ealizados, as soluções es a égicas
de e ão e necessa iamen e em a enção o seguin e:
● A eabili ação da cidade an iga;
● A undação de no as cen alidades;
● A c iação de no os bai os bem es u u ados;
● Readequação dos cen os logís icos e indus iais, ace ao no o ae opo o
in e nacional e ao no o po o do Dande;
● Inse ção dos pa ques e ese as na u ais na dinâmica da g ande
me ópole.
Pa ece ób io ambém a necessidade de se de ini um no o pa adigma
es a égico de in e enção, pois que apesa das ele adas po encialidades da
P o íncia, incluindo a sua o çahis ó ica e cul u al, os planos de inidos no
passado i e am di iculdades de implemen ação, o que não em conduzido a
que Luanda se ea i me como o mo o cen al do c escimen o económico no
País.(…)
No úl imo pa ág a o des e exce o, chama-se a a enção pa a a a i mação
“necessidade de se de ini um no o pa adigma de in e enção”, o que de ce o
modo em con i ma a conco dância da necessidade de pensa no os pad ões,
no sen ido de da espos a a uma es a égia de in e enção nas polí icas
in eg adas de desen ol imen o.
1.5 Pe spe i a Económica/Polí ica
Uma das consequências do c escimen o não plani icado das cidades é a
deg adação das condições de ida dos seus ci adinos. A cidade de Luanda é
um exemplo dessa ealidade.
75 Plano de Desen ol imen o P o incial de Luanda 2013-2017
119
Apesa do a o da qualidade de ida se uma ques ão ela i a, is o é,
dependen e da a aliação de cada indi íduo ou g upo de indi íduos, exis em
pad ões uni e salmen e acei es pa a ca ac e iza o bem-es a endo em con a
as á ias dimensões do desen ol imen o social e humano.
A economia angolana, em pa e de ido à gue a, mas ambém pelas
ca ac e ís icas especiais dos sec o es in ensi os em capi al, es u u ou-se de
modo mui o desa iculado e dependen e. A gue a p o ocou a agmen ação do
ecido social e a a omização dos me cados, desligados en e si, quase
au ossu icien es ao ní el de uma ep odução simples da a i idade económica.
Um dos p incipais obje i os que as polí icas públicas de em pe segui é a
busca da qualidade de ida, isso não acon ece na maio ia dos países
subdesen ol idos de ido ge almen e a co upção e a p i ação das libe dades
dos cidadãos. A qualidade de ida de e se aplicá el a qualque pessoa
independen emen e da sua condição ísica, social e ideológica.
Ela não de e ia se de e minada pelas condições ambien ais nem pelo
compo amen o do meio social em que a pessoa i e. De e ia sim, se ine en e
ao indi íduo, aos seus anseios mais pessoais. A qualidade de ida é po isso,
algo que somen e o p óp io indi íduo de e a alia sem o julgamen o a pa i de
alo es ex a indi íduo.
Ques ões elacionadas com a assis ência médica e medicamen osa,
saneamen o básico do meio, disponibilidade de água po á el e ene gia elé ica,
acilidade de desloca -se de e pa a casa, segu ança das pessoas e bens,
ealização sócio p o issional e inancei a, emp ego, educação, cul u a,
habi ação condigna, laze , en im, mo a bem é e o que cada indi íduo
conside a como impo an e e necessá io pa a o seu bem-es a . A endendo a
es es p essupos os, pode-se conside a como baixa a qualidade de ida em
Luanda.
120
Conside ando es as dimensões, a qualidade de ida em Luanda es á longe de
co esponde a ais obje i os, senão eja-se: g ande pa e dos habi an es não
dispõe de água po á el e ene gia elé ica, os cidadãos le am en e qua o a
seis ho as pa a se desloca em de casa pa a o abalho e ice- e sa, po ezes
co em-se sé ios iscos no que espei a à in eg idade ísica e mo al ameaçada
po se anspo a um simples obje o.
O comé cio in o mal é ainda o g ande me cado a que as se eco e em Luanda,
co endo o isco de se adqui i p odu os expos os a condições ambien ais e
higiénicas inadequadas. Com e ei o, as condições de salub idade na maio
pa e das uas de Luanda são débeis, sob e udo nas zonas pe iu banas; ao
pe co e a cidade a pé ou de ca o, e i icam-se quan idades signi ica i as de
poei as que pai am no a bem como gases libe ados pelos au omó eis,
con ibuindo pa a um aumen o g adual da poluição a mos é ica.
A maio ia dos ci adinos êm endimen os que não chegam pa a sup i as
necessidades básicas p o ocando sen imen os de deceção e s esse às
populações. Es es são apenas alguns exemplos que demos am a
p eca iedade da qualidade de ida em Luanda.
Pa a além de se o cen o polí ico e adminis a i o do país, Luanda é ambém o
cen o económico e com especial en âse na zona da Baixa, onde se localizam
as sedes das p incipais emp esas do país, bem como a maio pa e dos
Minis é ios nomeadamen e o das Finanças, Jus iça, In e io , en e ou os.
As p incipais a i idades económicas são a indús ia ans o mado a e se iços,
sendo que dos p odu os mais p oduzidos em Luanda, des acam-se os p odu os
alimen a es, bebidas, êx eis, ma e iais de cons ução, p odu os plás icos,
ciga os, e c. Es es sec o es económicos, no en an o, es ão longe de se
au ossu icien es pa a da espos a às necessidades e demanda da p ocu a,
uma ez que a p odução indus ial depende em demasia da impo ação de
ma é ia-p ima p o enien e de ou os con inen es.
121
Como consequência di e a no cidadão, é equen e a escassez de p odu os
básicos no me cado que o mal que in o mal, com e lexo na in lação e
a iação cons an e de p eços dos p odu os e bens.
Po ou o lado, a iqueza das on es de pe óleo – ema indispensá el - é,
simul aneamen e, uma eno me an agem pa a o país e um cons angimen o ao
desen ol imen o dos ou os sec o es, o que o na o país dependen e das
a iações de p eços e, consequen emen e, de ecei a, o que se mani es a
pa icula men e g a e num país ainda com eno mes lacunas ao ní el das
in aes u u as básicas.
Angola c esceu mui o apidamen e nos úl imos 40 anos, mas p incipalmen e
desde o im da gue a ci il, em 2002. Is o oi possí el po que o país aumen ou
signi ica i amen e a ecei a do pe óleo, não só pelo p eço, mas ambém pelo
aumen o da p odução a segui ao im da gue a ci il, e pos e io men e po que
hou e um c escimen o mui o ápido do sec o não pe olí e o76.
Em Angola, o pe óleo ocupa uma pa e cen al da ida, sendo que essa
ci cuns ância ap esen a aspe os posi i os e nega i os: A exis ência de g andes
quan idades de pe óleo é um bene ício po que pe mi iu que a econs ução da
economia e a edução da pob eza nos anos seguin es ao con li o osse mais
ápida.
Po ou o lado, como acon ece nou os países p odu o es de ma é ias-p imas e
que dependem delas, a elocidade com que se azem as e o mas pa a
di e si ica a economia é mais len a e o nam-se complacen es e icam
expos as às lu uações dos p eços.
76 (h p://obse ado .p /2015/11/07/angola-pe oleo-ga an e- ecei as-desa io-e i a -
dependencia/)
128
A p ese ação dessas di e enças é p imo dial e cons i ui um un o de p imei o
plano na p omoção de Angola no es o do mundo.
No en an o, o desen ol imen o do sec o ainda se encon a limi ado po
di e en es obs áculos, ais como os p ocessos adminis a i os (como é o caso
dos is os de en ada), a polí ica de p eços nas unidades ho elei as, a al a de
p epa ação dos a o es e a aca p omoção do país como des ino u ís ico, a
inexis ência de uma legislação comple a e e icaz, ou ainda o clima de
insegu ança que ainda classi ica o país.
2 - Análise e Diagnós ico – Le an amen o si uacional
2.1 - A Baixa de Luanda pa imónio - O pe cu so pa a a
con empo aneidade
A cidade con empo ânea é de a o o "luga onde se deposi am odas as
an e io es conceções"79. Rela i amen e ao cen o his ó ico da Baixa, apesa de
no plano das ações pa ece ha e um a as amen o, um desin e esse inibido do
in es imen o ou mesmo a incapacidade inancei a de o aze , no plano eó ico e
cien í ico a ques ão é mais discu í el.80
Os cen os his ó icos, como já se e e iu no capí ulo an e io , le an am "a
ques ão do azio simbólico e uncional deixado po essas in aes u u as ou po
esses espaços consolidados que aziam pa e da memó ia cole i a e da
oponímia das cidades.
Com e ei o, da Baixa es a-nos apenas um e i ó io ulne á el e de inido pela
ausência de uma e dadei a iden idade u bana.
79 AMARAL Ilídio do. Ensaio de um Es udo Geog á ico da Rede U bana de Angola, I962, p. 59
80 Susana Fe az

129
Nes e sen ido, o na-se pe inen e ques iona sob e as polí icas de eno ação
u bana", bem como a es a égia de inida pa a o u ismo nes e e i ó io e
sob e udo o in e esse sob e os di e sos elemen os pa imoniais que a
compõem81.
Na e dade, pa ece ha e uma pendência pa a um eencon o da cidade
con empo ânea com a cidade his ó ica que ai sendo sucessi amen e
idealizado, expe imen ado, buscando-se o melho modo e o ma de causa e
um ina ingí el consenso de opinião.
É equen e a ibui -se uma ca ga d amá ica ás me amo oses imp essas no
nosso empo po que não exis e se enidade ou esignação pa a acei a que a
his ó ia se az dessas mu ações e que simplesmen e e olui.
O empo p esen e, na emá ica aqui es udada, assim como em mui as ou as
disciplinas, ica á egis ado pela plu alidade ideológica e mo o-linguís ica,
plu idi eccionada, ela i izada pelo g upo e subje i ada pelo indi íduo. P ocu a-
se assim a icula a adição e a mode nidade, po con inuidade ou po u u a,
esponde a necessidades quo idianas e p o idencia o u u o, omen am-se
nos algias e e i alismos.
A é a co en e apa en emen e mais conse ado a pode se olhada sob os
desígnios da mode nidade e con empo aneidade, como uma espécie de
endência. O adicional, bem como o pa imónio, é cons uído semp e na
con empo aneidade, no hoje.
T a a-se de in e e a endência da plani icação ope acional de apenas ge i e
adminis a o consumo de espaço indi e en e às di e sas dimensões que o
compõem, e con o na a ideia de que a a qui e u a e os elemen os u banos já
não podem p e ende in e i numa escala e i o ial.
81 (POMBOTManuel Ruela. Paulo Dias de No ais e a Fundação de Luanda. 25 de Janei o de
I576 - 25 de Janei o 1926.)
130
Pelo con á io, eles de em unciona como io condu o da o ganização
e i o ial, con apondo os seus modelos ambien ais aos modelos
essencialmen e uncionais, económicos e adminis a i os, cuja alência em
sido demons ada ao se sob epo o c escimen o in e essei o do p odu o à cus a
da des uição do ambien e e da cidade his ó ica.
O u banismo de e econs i ui , com a a qui e u a, um con eúdo disciplina de
base cul u al, écnica e me odológica comum sob e a qual possa assen a em
bases sólidas o exe cício do desenho u bano82.
Nuno G ande83 explica es a ideia ao a i ma : "Não em sen ido, po isso,
con inua a deba e o mosaico o mado pelos ecidos u banos, sem conside a
o que os cose ou ompe, nem alo iza as peças do puzzle que con o ma a
cidade con empo ânea sem pe cebe as es u u as que as supo am.
É sob e es a dimensão es u u al, es e espaço-en e, que se de e coloca o
es udo e lei u a da mo ologia u bana con empo ânea"84 e consequen emen e
assen a o desen ol imen o de uma es a égia de u ismo sus en á el no
e i ó io da Baixa com ecu so á sua paisagem e pa imónio.
2.2. A paisagem e o espaço u bano da Baixa como pa imónio
cul u al
A «cul u a da paisagem» e a «consciência do pa imónio cul u al» nos
p o issionais do planeamen o das suas di e sas dimensões, e do p oje o
u bano, o na-se uma condição essencial pa a a cons i uição de polí icas de
alo ização e p ese ação dos bens pa imoniais he dados, e pa a uma polí ica
de desen ol imen o u bano o ien ado pa a a paisagem e de egene ação da
82 AMARAL Ilídio do. Ensaio de um Es udo Geog á ico da Rede U bana de Angola, 1962, p.56-
57-59
83 Nuno G ande
84 AMARAL, Ilídio do. Luanda. Es udo de Geog a ia U bana, 1968, p. 121
131
cidade que equacione a his ó ia do luga , a ecologia e a cul u a como
undamen o da in e enção con empo ânea, a o es aliás undamen ais pa a o
desen ol imen o de um u ismo sus en á el no e i ó io aqui em es udo.
Pa a desenha o pe il paisagís ico cul u al da Baixa da cidade de Luanda
eco e-se ao que se pe ceciona nas deambulações pelas uas da mesma,
numa en a i a de abso ção das suas ca ac e ís icas ma e iais e ima e iais, da
sua his ó ia, das suas adições e expe iências i enciadas.
No undo, sen i-la e in e p e a os seus espaços e os seus e i ó ios
simbólicos, uns amilia es, ou os es anhos. Op a-se, assim ambém, po uma
abo dagem senso ial dado que a “cidade é uma expe iência senso ial e isso
não de e se descu ado quando se pensa no seu u u o. Acima de udo, nós
emos, ou imos, chei amos, ocamos e sabo eamos a cidade.”85
Es a abo dagem ez-nos econhece que o cen o his ó ico da Baixa,
pa alelamen e a ou as á eas da cidade, cons i ui-se c ucial pa a a alo ização
da paisagem cul u al da p óp ia cidade de Luanda, pois nele conjugam-se
elemen os do espaço u bano e da paisagem, do passado e do p esen e, numa
dinâmica e di e sidade que se e le em na concen ação da c iação da o e a
cul u al e na abe u a de espaços pa a esse im, denunciando uma Luanda que
anseia cosmopoli ismo.
Po isso, a obse ação di e a é a condição sine qua non pa a o na possí el a
e lexão e a in e p e ação imagina i a do u bano, es imulando o pensamen o
c í ico sob e o espaço da Baixa, e do conhecimen o dos seus componen es
ca ac e ís icos, seus elemen os pa icula es, seg edos, pe igos, e e ências,
segu idades.
85 (Land y, 2007, p.75)
132
Es e exe cício pe mi iu pe cebe , ambém, a essência da Baixa enquan o
Pa imónio da cidade e do país, com o es aízes no passado que se aduzem
numa iqueza pa imonial cul u al, his ó ica e paisagís ica com a g andeza
su icien e pa a a colocação de Angola num des ino u ís ico de qualidade, pese
embo a as di iculdades polí ico-ins i ucionais impe em como um obs áculo a al
a es e obje i o.
Não sendo es e um ema a desen ol e , impo a e o ça a con icção de que
pa a se e sucesso na es a égia que aqui se de ende, é impo an e desde logo
que se consigam de ini as esponsabilidades dos á ios a o es e agen es
en ol idos, quan o às es a égias e sob e o mecanismo de se a ingi a
sus en abilidade, o que pode se ei o a pa i do en ol imen o de ês agen es
p incipais que pe mi am assegu a : (i) uma isão de es ado; (ii) uma isão
comuni á ia e (iii) uma isão de me cado86.
Há que se p opo ciona mais abe u a á en ada de u is as acili ando o acesso
a is os de en ada, o e ecendo os de idos se iços de acili ação des es
p ocessos; há que se o ma quad os especializados que possam da uma
espos a com qualidade ao u is a.
Há que se esol e os p oblemas de al a de condições básicas como o acesso
a água e ene gia; E ob iamen e, há que se da uma impo ância maio ao
pa imónio cul u al exis en e alo izando-o e cuidando-o em de imen o de
ou os in e esses pa alelos que a ingem apenas um nicho da população, e não
a população em ge al.
86 (Bene i, 2006)
133
2.2.1 Conclusão
To na-se um a o adqui ido o o e po encial pa imonial cul u al no que
conce ne á lei u a do espaço u bano e paisagem bem como os seus elemen os
cons i uin es, como ecu sos indissociá eis ao desen ol imen o de um u ismo
sus en á el, que nes a disse ação se p e ende de ende .
É nes e con ex o que su ge a opo unidade de epensa a cidade, com
pe spe i as de u u o e de conhecimen o do passado e en ende-la enquan o
espaço de di e enças, de subje i idades, de in e ações de iden idades e de
con on o com o “ou o”.
A Baixa de Luanda em duas ca ac e ís icas pa icula es, que in luem
decisi amen e na cons ução da imagem da cidade e na conceção espacial do
e i ó io e sua paisagem, sob e udo quan o ao ca ác e e à mo ologia:
Uma p ende-se com as condições geog á icas e opog á icas na u ais do luga
(o acen uado desní el ma cado po um deg au a que chamam ba ocas), que a
di ide em cidade al a e cidade baixa (que de êm unções dominan es
di e en es); e, a ou a, é a (co)exis ência de uma cidade b anca e de uma
cidade neg a, po ado as de uma linguagem p óp ia e de uma exp essão na
u be signi ica i amen e di e en es.
Nes as e minologias não es ão implíci as desc emações aciais, mas sim
u banís icas e sociais. A p imei a, que é basicamen e a cidade colonial
("his ó ica" e mode na), é conside ada a cidade u banizada e, a segunda,
con a iamen e ao que suge e, é a ípica ela i amen e aos adicionais modelos
a icanos, e é ida como a cidade subu bana.
É impo an e e e i que en e a cidade b anca e a cidade neg a hou e semp e
pe meabilidade de pessoas e bens, oi o p edomínio de esiden es b ancos ou
neg os, numa ou nou a, que espelhou u banis icamen e as di e enças
cul u ais.

134
Desde a independência de Angola que a ocupação maio i á ia, de oda a
Luanda, é ei a pelos Luandenses e po ou os cidadãos angolanos, o que,
ob iamen e, não esul ou na al e ação do seu ca ác e e as di e enças
sup aci adas aduzem apenas disc epâncias sociais en e classes. Po an o,
man ém-se a aça e as ca ac e ís icas a qui e ónico-u banís icas que lusíadas
que angolanas.
A mode nidade é o sen ido apon ado pelo e pa a o seu desen ol imen o. Mas,
ala de mode nidade não é só ala das á eas de expansão ecen e da cidade,
do adas de equisi os pa a as exigências de ida a uais e de uma linguagem
a qui e ónica con empo ânea e uni e sal; é ala ambém duma a i ude que
passa pela con emplação da exis ência de um cen o his ó ico na cidade,
delibe ando sob e o seu u u o, ace ca da sua conse ação e em o no das
p oblemá icas dos musseques (o papel social, u bano e cul u al), que ago a
são es udados e analisados po écnicos angolanos, o que cons i ui um a o
undamen al pa a uma lei u a e in e p e ação mais ealis a e au en ica.
2.3 – Desc ição e ca ac e ização c í ica dos elemen os
2.3.1 – In odução
Já oi aqui de endido o o e po encial pa imonial da Baixa de Luanda, o seu
con ex o nas á ias dimensões, bem como a as a iqueza des e e i ó io em
elemen os que su gem ag egados a uma his ó ia mui o p óp ia com séculos de
exis ência e e olução.
Exis em já alguns documen os e abalhos ealizados nes e sen ido, ou seja,
num le an amen o e in en á io do pa imónio não só da Baixa de Luanda, mas
da p óp ia cidade e país. De en e os á ios que apoia am as on es des a ese,
e e encia-se aqui o li o “A qui e u as de Luanda” coo denado po Isabel Ma ia
Ma ins, Ma ia João Teles G ilo e Robe o Machado, ou o abalho “Es udio,
ca alogación y de inición de es a égias de ecupe ación del pa imónio
135
mode no de Luanda” com di eção de Robe o Goycoolea P ado y Paz Núnez
Ma í, en e ou os.
Des a o ma, no con ex o des a disse ação, a desc ição e apon amen os dos
elemen os cul u ais do espaço u bano e paisagem, que se p esenciam no
e i ó io da Baixa se ão selecionados pa a que seja possí el no capí ulo
seguin e abo da a p opos a me odológica de in e enção.
Com e ei o, não é in ensão elabo a um in en á io de elemen os, mas sim
seleciona os mais ele an es e pe inen es pa a a demons ação da
me odologia, bem como a undamen ação do po encial da Baixa da cidade de
Luanda no con ex o do ema da disse ação. Pa a isso oi e e uada uma
seleção c i e iosa dos elemen os com base em ca ac e ís icas que
co espondam ás espec a i as do ema.
2.3.2 – Os elemen os do e i ó io e as dimensões do u ismo
Des a o ma, o esquema de ap esen ação des a seleção comp eende uma
desc ição ag upada de elemen os que compõem o ecu so u ís ico “pa imónio
cul u al do espaço u bano e paisagem” po ês dimensões que se de ende
como essenciais pa a o alcance dos p incípios de um u ismo sus en á el e que
são ambém as de endidas pela O ganização Mundial do Tu ismo, mais
conc e amen e uma Dimensão Ambien al, uma Dimensão Sociocul u al e
inalmen e uma Dimensão Socioeconómica.
Pa a a comp eensão da desc ição e ca ac e ização dos espe i os elemen os,
impo a explica o signi icado das ês dimensões a que aqui se az e e ência.
Es as dimensões se ão ambém undamen ais pa a a explanação e
undamen ação eó ica da p opos a me odológica de in e enção.
136
No si e des a o ganização pode-se le mais desen ol idamen e:
“(…) sus ainable ou ism should:
1) Make op imal use o en i onmen al esou ces ha cons i u e a key
elemen in ou ism de elopmen , main aining essen ial ecological
p ocesses and helping o conse e na u al he i age and biodi e si y.
2) Respec he socio-cul u al au hen ici y o hos communi ies,
conse e hei buil and li ing cul u al he i age and adi ional alues,
and con ibu e o in e -cul u al unde s anding and ole ance.
3) Ensu e iable, long- e m economic ope a ions, p o iding socio-
economic bene i s o all s akeholde s ha a e ai ly dis ibu ed,
including s able employmen and income-ea ning oppo uni ies and
social se ices o hos communi ies, and con ibu ing o po e y
alle ia ion (…)”87
Como de ende ambém es a o ganização, é p imo dial o es abelecimen o de
um equilíb io ajus ado en e es as dimensões pa a a ga an ia de um ambien e
sus en á el a longo p azo.
Ao con á io dos es udos aqui ci ados no pon o 2.3.1 de apoio á seleção dos
elemen os, que assen am sob e udo, mas não só, num c i é io empo al, de uso
e ipologia, op ou-se pelo apon amen o dos elemen os com base nas ês
87 (O ganização Mundial do Tu ismo) ou Making Tou ism Mo e Sus ainable - A Guide o Policy
Make s, UNEP and UNWTO, 2005, p.11-12 ou h p://sd .unw o.o g/con en /abou -us-5
"(...) o u ismo sus en á el de e:
1) o imiza a u ilização dos ecu sos ambien ais que cons i uem um elemen o-cha e no desen ol imen o
do u ismo, man e p ocessos ecológicos essenciais e ajuda a conse a o pa imónio na u al e a
biodi e sidade.
2) espei a a au en icidade sociocul u al das comunidades an i iãs, conse a o seu edi icado, pa imónio
cul u al e alo es e con ibui pa a o en endimen o e a ole ância in e cul u ais.
3) assegu a ope ações económicas iá eis e de longo-p azo, p o idenciando bene ícios socioeconómicos
pa a odas as pa es in e essadas que sejam dis ibuídas de o ma equi a i a, incluindo emp ego es á el e
opo unidades de endimen o e se iços sociais à comunidade an i iã, e con ibuindo pa a a diminuição
da pob eza (…)”
137
dimensões acima e e enciadas pa a a ga an ia no alcance dos p incípios de
um u ismo sus en á el com uma o ganização de ap esen ação po Espaços
Públicos, Edi icado e Paisagem, sendo que, al como já oi explanado e
de endido nos capí ulos an e io es, os elemen os de e ão elacionam-se num
ambien e holís ico, cons i uindo uma es u u a ag egado a.
A í ulo de cu iosidade e e o ço da impo ância e pe inência des e ema,
apon a-se uma passagem de um encon o p opo cionado pelo OMT em
Ma akech a 10 de No emb o de 2016, no qual Angola, en e ou os países
a icanos, assinam um documen o que se i á de e e ência pa a a
implemen ação de p incípios sus en á eis e esponsá eis no u ismo em A ica.
“(…) A ican Minis e s o Tou ism and heads o delega ion along wi h
UNWTO o icials assembled in Ma akech in he amewo k o he
22nd Session o he UNFCCC Con e ence o Pa ies (COP22) o
adop he i s A ican Cha e on Sus ainable and Responsible
Tou ism and sign he Decla a ion on ‘Tou ism and Clima e Issues in
A ica’. Bo h documen s pa e he way o he implemen a ion o
sus ainabili y and esponsibili y p inciples in he ou ism sec o in
A ica. The mee ing was held in Ma akech on 10 No embe 2016.
The A ican con inen has now a common e e ence amewo k o
p omo e sus ainabili y and esponsibili y in he ou ism sec o . The
A ican Cha e on Sus ainable and Responsible Tou ism, signed
du ing he Minis e ial Fo um on Tou ism and Clima e in A ica, on he
sidelines o he COP22, aims a becoming an ins umen al ool o he
con inen o engage in sus ainable ou ism bes p ac ices by
econciling social and economic g ow h, he p ese a ion o he
en i onmen and he espec o he cul u al di e si y o each coun y.
Du ing he opening, H.E.M. Aziz Akhannouch, Minis e o Tou ism o
Mo occo, said “ he cha e which is signed oday is a commi men o
he u u e in o de o p omo e sus ainable ou ism o he bene i o
A ica while showing espec o biodi e si y and he he i age o each
A ican coun y”.
UNWTO was ep esen ed by i s Má cio Fa illa, Execu i e Di ec o o
Ope a ional P og ammes and Ins i u ional Rela ions, who highligh ed
ha he signa u e o his signi ican documen “is he esul o he
ision ha A ican coun ies ha e o he u u e o hei ou ism sec o :
one ha espec s he en i onmen , local communi ies, p omo es
144
Fig. 37 – Vis a ge al do La go do Ambien e – en iamen os isuais pa a o ma
Fig. 38 – Vis a descenden e do La go do Ambien e – en iamen o isual pa a o
ma

145
Os á ios a a essamen os pa a ambas as di eções cons i uem o início da
es u u a u bana adial que ca ac e iza a cidade de Luanda e que aliás já o
A qui e o Vaco Viei a da Cos a desc e ia de o ma simples, mas conc e a, na
sua disse ação pa a ob enção do diploma do a qui e o, em 1948 da seguin e
o ma:
“(…) os p incipais elemen os ge ado es que explicam a con o mação
do plano de Luanda são odos de o dem geog á ica:
a) O ma
b) O clima
c) A opog a ia
Após a escolha dum sí io ab igado, - a baía – seguiu-se o clássico
açado e uas con e gen es, co adas po ias secundá ias
g ossei amen e pa alelas à cos a.
A “g osso modo” podemos dize que o esquema ge al do plano
pe ence ao ipo “ adioconcên ico”, onde algumas uas se
ap esen am sabiamen e o ien adas segundo a di eção dos en os
dominan es. (…)89
Alguns des es a a essamen os êm o ma no oco do seu en iamen o isual
(Fig. 37, 38, 39, 40 e 41). Es a ci cuns ância ap oxima isualmen e es as duas
uas (Rua Rainha Ginga e A . 4 de Fe e ei o) de ca ac e di e en e, mas
igualmen e impo an es no e i ó io.
89 Cidade sa éli e nº 3 – luanda – plano pa a a cidade sa éli e – asco iei a da
cos a
146
Fig. 39 – Rua da Al ândega – a a essamen o en iamen o isual pa a o ma
Fig. 40 – Rua Dua e Lopes, Coquei os - is a pa a o La go do Baleizão com
en iamen o isual pa a o ma
147
Fig. 41 – Rua dos En o cado (acesso à pa e Al a da cidade) – is a pa a o
La go do Baleizão com en iamen o isual pa a o ma
Po ou o lado, o elemen o aqui em causa ap esen a uma o ma ligei amen e
cu a deco en e da e olução do seu açado ao longo do empo que
acompanha o pe il da baía, mas pe co endo um longo espaço geog á ico, o
que pe mi e um campo de isão bas an e p o undo pa a ambos as o ien ações.
Há que se aze e e ência ao a o de que es a ua é p o agonis a do ema e de
quase odos os qua ei ões o mados no e i ó io da Baixa. Pa indo do
p essupos o que o qua ei ão se enquad a no con ex o des a ese como um
dos elemen os que suge e a lei u a do espaço u bano e da paisagem como
pa imónio cul u al, en ão o na-se impo an e assinala a elação en e a Rua
Rainha Ginga e os Qua ei ões (manchados a p e o na imagem seguin e) que a
mesma con o ma, do ando-a de uma signi ica i a in luência na es u u a
u bana.
A coesão ísica u bana en e a Rua e o Qua ei ão (Fig. 42) ap esen am-se
como uma ca ac e ís ica de po encial des e e i ó io uma ez que pe mi em a
elação en e as á ias dimensões desc i as (económico-social, sociocul u al e
ambien al) de o ma holís ica.
148
Fig. 42 – Apon amen o dos Qua ei ões o mados com a Rua ainha Ginga
A elação isual e geog á ica julga-se undamen al no que espei a á
segu ança, o ien ação e es u u ação do e i ó io como um odo, bem como ao
supo e da cons i uição de uma es u u a u bana que e á os seus e lexos na
composição de uma es u u a de elemen os undamen al a uma es a égia de
u ismo sus en á el, cujos p essupos os o am já explanados no capí ulo
an e io .
No que espei a á co espondência com as ês dimensões an e io men e
apon adas no pon o 2.3.2 des e capí ulo, e i ica-se que se a a de um
elemen o o emen e ca ac e izado pelas ês dimensões, o que lhe con e e
uma impo ância signi ica i a pa a a p opos a me odológica que se p e ende
desen ol e á en e.
Qua ei ões
o mados
Rua Rainha Ginga Limi e da
á ea de
es udo
149
Ao longo da Rua Rainha Ginga exis em elemen os de unções di e sas
alguns dos quais se i á abo da em pa icula . A di e sidade uncional e a
cosmopoli ização são uma ca ac e ís ica que se obse a num ápido deambula
pela zona.
Se iços, comé cio, espaços cul u ais, g andes emp esas in e nacionais,
edi icado de ca ac e ís icas pa imoniais de odas as épocas, edi ícios
ins i ucionais e eligiosos, es au ação, en e ou os elemen os que con am a
his ó ia de Luanda (Fig. 44, 45, 46, 47, 48 e 49) a a és do seu simbolismo
como a li a ia Lello, ou o Ho el Globo (Fig. 43), bem como os i uais eligiosos
e cul u ais ealizados jun o das ig ejas, ca egam o elemen o “Rua Rainha
Ginga” de uma o e ca ga cen al dinâmica, di e si icada, simbólica e
iden i á ia da Luanda dos dias de hoje.
.
Fig. 43 – Vis a do Ho el Globo na Rua Rainha Ginga

150
Fig. 44 – Rua Rainha Ginga – Vis a pa a o La go Rainha Ginga
Fig. 45 – Rua Rainha Ginga – Vis a de pa e do edi icado
151
Fig. 46 – Rua Rainha Ginga - Vis a do Ho el Con inen al
Fig. 47 – Rua Rainha Ginga - Vis a de um edi ício em es ado de deg adação
47
152
Fig. 48 – Final da Rua Rainha Ginga - Vis a po meno izada da no a
in e enção no La go do Ambien e
Fig. 49 – Rua Rainha Ginga - Vis a do edi ício Sede da emp esa Sonangol
153
47
2.4.1.2 - A A . 4 de Fe e ei o
A A enida 4 de Fe e ei o, cons i ui pe si um elemen o único em oda a cidade.
Ela ence a a Baixa de Luanda ao longo da Baía com o ma aos pés (Fig.50). É
desde há mui o um pedaço de e i ó io mul i uncional no qual se desen ol em
a i idades po uá ias, come ciais, u ís icas, lúdicas, se iços, do ando-a de um
ca ac e de ep esen a i idade da Baixa e da P óp ia cidade.
Fig. 50 – Apon amen o da A . 4 de Fe e ei o assinalada a e de na Baixa de
Luanda, enquad ada com a en ol en e da cidade
Limi e da
á ea de
es udo
A enida 4 de
Fe e ei o/Baía de
Luanda
256
Fig. 17 - h p://skywa e land.blogspo .p /2014/03/
Fig. 18 - Requali icação da baía de Luanda em 2009
(Fon e: h p://www.landplan.p /p oje os/ equali icacao-da-ma ginal-da-baia-de-
luanda/
Fig. 19 - P oje o da baía de Luanda em 2009 (Fon e:
h p://www.s ee dog.p /po olio/46-baia-de-luanda
Fig. 20 - Plano Di e o de Luanda, cama a municipal de luanda – di eção dos
se iços de cadas o de a qui e u a e u banismo, plan a de zonagens, 1971;
on e: Ins i u o nacional de o denamen o do e i ó io de angola, 2004
Fig. 21 - Es udo u bano sob e baixa de Luanda (Fon e: Co eia, 2012) Co eia,
M. A. (2012). O pa imónio do mo imen o mode no: Luanda 1950 - 1975. ( ese
de Mes ado). FAU - Uni e sidade de São Paulo. São Paulo-B asil.
Fig. 22 a 25 – Imagens da ida social da Baixa. Au o ia p óp ia
Fig. 26 - C uzamen o da Rua Majo Kanhangulo, Rua Eng ácia F agoso e D .
A. Maciel – Vis a dos con as es paisagís icos com a qui e u as de á ias
épocas, es ilos e escalas e i o iais. – kahina
Fig. 27 - Rua Majo Kanhangulo – Vis a dos con as es paisagís icos com
a qui e u as de á ias épocas, es ilos e escalas e i o iais, com des aque pa a
o edi ício do Palácio de Fe o do lado esque do como exemplo de elemen o
pa imonial de des aque. - kahina
Fig. 28 - Tela em écnica mis a do a is a plás ico Angolano Sabby
Fig. 29 e 30 – Imagens das es as anuais do Ca na al Angolano na Baía de
Luandah p:// o os.sapo.p /eu ico31/ o os/?uid=Z5ZUMz5o5kZe3JuP7aZu
h p://www.a ica21online.com/a igo.php?a=9664&e=Sociedade
Fig. 31 - Plan a u ís ica de Luanda em 1953 (Fon e:
h p://www.sanzalangola.com/gale ia/ /Albuns-
Tempo a ios/albun17/Luanda_1953.jpg.h ml)
Fig. 32 – Limi e da á ea de es udo - Baixa de Luanda - enquad ada com a
en ol en e da cidade
Fig. 33 – Apon amen o da Rua Rainha Ginga a e de na Baixa de Luanda,
enquad ada com a en ol en e da cidade
Fig. 34 e 35 – La go do Baleizão e ambien e h p://www.alamy.com/s ock-
pho o-a ica-angola-luanda-monumen -a - he-la go-do-baleizao-60569025.h ml

257
Fig. 36 – Plan a da Baixa de Luanda com apon amen o da Rua Rainha Ginga,
A . 4 de Fe e ei o e espe i os a a essamen os de a uamen os secundá ios
Fig. 37 – Vis a ge al do La go do Ambien e – en iamen os isuais pa a o ma ;
SITE DA ANGOP
Fig. 38 – Vis a descenden e do La go do Ambien e – en iamen o isual pa a o
ma ; Fo o: kahina e ei a
Fig. 39 – Rua da Al ândega – a a essamen o en iamen o isual pa a o ma ;
Fon e: Kahina Fe ei a
Fig. 40 – Rua Dua e Lopes, Coquei os - is a pa a o La go do Baleizão com
en iamen o isual pa a o ma . Fon e: Kahina Fe ei a
Fig. 41 – Rua dos En o cado (acesso à pa e Al a da cidade) – is a pa a o
La go do Baleizão com en iamen o isual pa a o ma . Fon e: Kahina Fe ei a
Fig. 42 – Apon amen o dos Qua ei ões o mados com a Rua ainha Ginga
Fig. 43 – Vis a do Ho el Globo na Rua Rainha Ginga
Fig. 44 – Rua Rainha Ginga – Vis a pa a o La go Rainha Ginga Fo o: Kahina
Fe ei a
Fig. 45 – Rua Rainha Ginga - Vis a de pa e do edi icado;
wikimedia.o g/wiki/File:Rua_Rainha_Ginga_Luanda_03.JPG?uselang=p
Fig. 46 – Rua Rainha Ginga - Vis a do Ho el Con inen al
47 46h ps://www.google.p /maps/place/Ho el+Con inen al+Luanda/@-
8.8122865,13.2291525,15.93z/da a=!4m8!1m2!2m1!1sdesc i%C3%A7%C3%A
3o+da+ ua+ ainha+ginga+em+luanda!3m4!1s0x0:0x5bd80760eb34e871!8m2!3
d-8.8108344!4d13.2254711
Fig. 47 – Rua Rainha Ginga - Vis a de um edi ício em es ado de deg adação
47 h p://www.skysc ape ci y.com/show h ead.php? =329829&page=144
Fig. 48 – Final da Rua Rainha Ginga - Vis a po meno izada da no a
in e enção no La go do Ambien e
47
47 h p://www.skysc ape ci y.com/show h ead.php? =329829&page=144
Fig. 49 – Rua Rainha Ginga - Vis a de um edi ício da emp esa Sonangol
47 h p://www.skysc ape ci y.com/show h ead.php? =329829&page=144
49 h ps://www.pin e es .p /pin/521362094338401691/
Fig. 50 – Apon amen o da A . 4 de Fe e ei o assinalada a e de na Baixa de
Luanda, enquad ada com a en ol en e da cidade
258
Fig. 51 – Apon amen o da A . 4 de Fe e ei o assinalada e a a essamen os
que unem à Rua Rainha Ginga
Fig. 52 – A . 4 de Fe e ei o e espe i os en iamen os isuais di e os com a
Rua Rainha Ginga
Fig. 53 – A . 4 de Fe e ei o e espe i as en es com os qua ei ões
Fig. 54 e 55 – A . 4 de Fe e ei o com ep esen ação da linha da cu a da baía
ab angendo uma di e sidade de elemen os de in e esse u ís ico
Fig. 56, 57, 58 e 59 – A . 4 de Fe e ei o na desc ição de Vasco
Viei a da Cos a
h p://angolaimagebank.pho oshel e .com/image/I0000OK7_IDD00lY
(Angola Image Bank)
Fig. 60 - A . 4 de Fe e ei o – na desc ição de Vasco Viei a da Cos a
com is a de edi ícios de gale ias
h p://angolaimagebank.pho oshel e .com/image/I0000OK7_IDD00lY
(Angola Image Bank)
Fig. 61 - A . 4 de Fe e ei o com is a da no a en e u bana e seus
edi ícios em al u a
h p://angolaimagebank.pho oshel e .com/image/I0000OK7_IDD00lY
(Angola Image Bank)
Fig. 62 – No os edi ícios em al u a na Baixa de Luanda – con as es do
edi icado
Fig. 63 – Vis a dos no os edi ícios em al u a na Baixa de Luanda e al e ação
da sua paisagem
63 h p://www. umo.co.ao/2016/01/05/baia-de-luanda- ai- ende -casas-abaixo-
de-e300-mil/
Fig. 64 – Vis a da A . 4 de Fe e ei o enquan o ba ei a ísica com o es an e
e i ó io da Baixa
64 h p://www.jaimagens.com/index.php?pagina=3&ac ion=a ual&id=69671
Fig. 65 – Vis a do edi ício do Banco Nacional de Angola (à di ei a) e edi ício do
Museu da Moeda (à esque da) com en iamen o isual pa a a A . 4 de
Fe e ei o. Fo o: kahina e ei a
Fig. 66 e 67 – Apon amen o do Qua ei ão de análise no enquad amen o do
e i ó io da Baixa
Fig. 68 – Apon amen o das ca a e ís icas do Qua ei ão enquan o elemen o de
ecu so u ís ico
259
Fig. 69 – Edi ício da União na Rua Rainha Ginga ae og ama
Fig. 70 – Rua dos Me cado es (uma das mais an igas uas da Baixa com
exis ência de alguns sob ados);
h p://jo naldeangola.sapo.ao/cul u a/abe o_o_cen o_cul u al_do_b asil
Fig. 71 e 72 – Edi ício do a ual Cen o Cul u al B asil/Angola an es da sua
ecupe ação a qui e ónica
Fig. 73 - Edi ício do a ual Cen o Cul u al B asil/Angola após a sua ecupe ação
a qui e ónica
Fig. 74 e 75 – Sob ado ecupe ado no c uzamen o da Rua dos Coquei os e
sob ado em es ado de deg adação
Fig. 76 – Edi ício da an iga esplanada Baleizão em 1963. A ualmen e encon a-
se em es ado de deg adação e ao abandono
Fig. 77 – Plan a com apon amen o de alguns dos elemen os selecionados ao
longo de odo o e i ó io da Baixa
Fig. 78 – Edi ício sede da EPAL e asei as da Ig eja da Sé
Fig. 79 – Posicionamen o es u u al: ede di usa e ede densa; Fon e: Gnyawali
e Madha an (2001)
Fig. 80 – Esquema do equilíb io de combinação da dinâmica dos elemen os
com os quais se c ia um ambien e sus en á el de longo p azo numa lógica de
ede es u u ada o mada po elemen os e suas in e - elações.
Fig. 81 – Ap esen ação da á ea de es udo pa a a aplicabilidade da me odologia
p opos a
Fig. 82 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Ambien al e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz ho izon al
Fig. 83 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Ambien al e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz e ical
Fig. 84 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Sociocul u al e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz ho izon al
260
Fig. 85 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Sociocul u al e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz e ical
Fig. 86 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Socioeconómica e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz ho izon al
Fig. 87 – Esquema de análise dos elemen os de dimensão Socioeconómica e o
equilíb io da combinação dinâmica dos elemen os de di e iz e ical
Fig. 88, 89 e 90 – Esquema de análise das elações que se p opo cionam em
simul âneo en e as ês dimensões
Fig. 91 – Esquema com apon amen o da lis a comple a dos elemen os
selecionados nas di e en es dimensões
Fig. 92 – Esquema com apon amen o dos elemen os de Ní el de in ensidade
Maio
Fig. 93 – Esquema com apon amen o dos elemen os de Ní el de in ensidade
Media
Fig. 94 – Esquema com apon amen o dos elemen os de Ní el de in ensidade
Meno
Fig. 95 – Esquema de canais de ligação en e elemen os
261
Índice de Quad os e G á icos

262
Índice de Quad os
Quad o 1 – Sin e ização dos di e sos concei os de desen ol imen o a pa i da
década de 60. Fon e: Ama o (1996)
Quad o 2 – Exce o do documen o “Agenda 2011-2020 pa a o
desen ol imen o do u ismo em Angola”
Quad o 3 – Exce o do documen o “Agenda 2011-2020 pa a o
desen ol imen o do u ismo em Angola”
Quad o 4 - Dis ibuição da di eção do en o
(Fon e: h p://p .wind inde .com/winds a is ics/luanda)
Índice de G á icos
G á ico 1 – G á ico de dis ibuição de s ock de esc i ó ios po zonas
G á ico 2 - Dis ibuição da população esiden e po p o íncias (Fon e: INE -
Angola, 2014)
G á ico 3 - Pe cen agem da população no e i ó io nacional (Fon e: INE -
Angola, 2014)
G á ico 4 – População Angolana – Nações Unidas
263
Lis a de Ab e ia u as
264
Lis a de Ab e ia u as
265
Bibliog a ia Ge al
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