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Sermam em acçam de graças pelo feliz nascimento do serenissimo senhor, & augusto principe de Portugal Dom Pedro ...

Manoel da San Carlos (O.S.A.)

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SERMAM EM ACÇAM DE GRAÇAS PELO FELIZ NASCIMENTO DO SERENÍSSIMO Senhor, & Augufto Príncipe de Portugal dom PEDRO» Q.U E DEOS GUARDE. PREGOU-O N A SANTA SE’ DA CIDADE DO PORTO Em Presença do Illustrissimo, E Reverendíssimo Senhor D. THOMAS DE ALMEYDA BISPO DO PORTO GOVERNADOR DAS XV y d r f i- +y*JKf«> do Confelho de S. Magettade , é -feu Sumilher de Cortina , & c . P-.P-, M - Fr - MANOEL DE S. CARLOS Keíigiofo dc S. Agcftinho , Qiialificador do S. Officio, Proviíbr, & Vigário Geral de LeíTa, ■ & Commendas de Malta , que não pertencem ao do Crato , ôc Examinador Synodal do Bifpado do Porto. ^ *1 Na Officina LISBOA, Real deslandesianaM. DCC. XIII. Com todas as licenças necejfarias . 2 A 9 A -S 9 a -a M A 'i A í : __ - ' om&iAZám o a o r n : -:-vjo 2 i^: s i i ti oia> íf;Tjrjn-j r £ ob aqr:* rrIoi) , : ^ u Á . >í « s ori-ará o íi tbJ € í M O \ .a as a u o a o a a -a íii> o 7 \ í o V í A A A OTÍKH <XT5C/ «1ID AQ '32 ATI VA?. A^j 4 ic 3 .'-.MsaiaKiJisvaí; 3 .oumwrwiil ajkíí* 1 **•* AfíYJMJÁ .sa -8 AM OH T M l , . ,C>: V O '• V VA -V AT o >, -y - VI o •. I o ' ■ ■ iyy , 5 ; >/ 'V'' .t ò t ,íò v'.Ty ; À':vy .•-> m\'o t ■ /;• tv ■ - * 30 J Jí AO .2 Mil J30MAVA .i3 -H S.H MO ,,b»o ,2 ■ ! ' - o-o) t «.íVí ; 1 vt : 1 1 i ctb-r;. - ■ . tfiUjibfc r i;T:v>ori.';;i: • ‘ i7 " 4 ç ojjü ' 3 oL oi: rrpxTjrísq o£n oup c ob ; | .onolob oòaqíift oh Isborí^ lobcniífiüxd. / vY'. 0 . J\ 012 1 J a -Vi a í 2 a a w a a 2 3 a i. 3 yi wibíRO £/i jinc ,r>xi -.M NS • \\ 1 £» > ..VAi-UttijJ licenças. Da Religião. censura dom.r.p. presentado Fr. Manoel de G ouve a» O B e decendo à ordem de V.F.M.R.viefte Sermao,q pelo felice üafcimento do Príncipe N.S. que Deos guarde,prègou na Sé do Porto o M.R. P.M. Fr.Manoel de.s. C a r los, a quem para eu venerar Príncipe dos Prega¬ dores , jà lhe fobeja a gloria de o haver fido defte grande Príncipe. E fedo gfandd Alexandre fó Apelles foy digno Pintor-, hojeneíle papel fe renovãb as memóriasde*ftes dons Heroes da Antiguidade. Nas do noíTò Prínci¬ pe, as de hü Alexandre; & nas do feu Prègador,as do me¬ lhor Apelles. .• Gom altiíTima energia efcreve o Author, 6c juntamen* te defcreve pelas excellencias de hum Pedro, as de outro Pedro: as de Pedro Príncipe da Luíitania, pelas de outro Pedro Príncipe da Igreja. Duas pedras, faõ em que as roayorès duas Monarchiaseftribão firmes/& fenaconfere ncia de ambas, achamos, como dizem, que também as P e dras fe encontrão, n inguém,como o Orador(direy eu) ? let eo tão fem perigo a mão entre duas pedras. O certo jj e 5 que nem pedras tão preciófasife podião engaftar memor que qo ouro de tão apurada eloqueqda, nem efte ílno ouro moftrar melhor feqs quilates, que no toque deftas pedras. Duas faõ , mas tam ,bem engaítadas ambas, A ij que que parecem, fendo duas, hüa fó pedra.Fez o Author, o que de fi mefmo diz o meímò Chriílo: Egolapis angularis , qui facio utraque unam. O qiie, o como, o valente, o moral, o agudo, o douto, o corrente, Sc o efpiritual defta grande obra, tudo he mais digno de admiraçaõ, que de cenfura > antes não deve fer outra a cenfura, que pormos em cada ponto] huma admi¬ ração. E fuppoíto não havpr coufa quenefte Sermão en¬ contre a pureza danoífa Santa Fé, Sc bons coítumeSi o que fó acho lhe pòde contradizer a eftampa, he, naó haver letras de ouro com q imprimirfe, ou cara&eres de luzes para eftamparfe. He o meu parecer. Lisboa,CollegiodeN.P.S.Agoftinhoem 15.de Janeyro de 1713. Fr. Man bei de G ouve a . CENSURA DO M.R. P, M. Fr. MA* mel de Albuquerque. P O r ordem de V.F.M.R. tilefte Sermão, que pelo nafcimentagloriofodoSereniílimoPrincipe D. Pedro que Deos guarde, pregou na Cidade do Porto o M.R P* M.Fr.Manoelde S.Carlos, Sc confeífo que afua liçaõ fe£ tão goftofa a minha obediência, que tenho muy to que agradecer aV.P.M.R.o nomearme por feu Re vedor. O Sermão he digno de Author tão grave, Sc não havendo em todoelle ( como não ha) coufa que encontre a noda Santa Fé,ou bonscoftumes, fe faz merecedor da licença? que pede, Sc no mais me remeto em tudo à primeyra cenr lura. Efte he o meu parecer. Lisboa, Collegio de N. P Agoftinhoem 18. de Janeyro de 1713. Fr.Manoel de Albuquerque. V I ftas as informações dos MM. RR. PP. o Prefentado P r.Manoel de Gouvea,Sc o Lente Fr. Manoel de Albuquerque 3 damos licença ao M.R. P. M.Fr. Mano^ de S.Carlos para imprknjr o Sermão que pregou no nas¬ cimento do Príncipe noífo Sefthor que Deos guarde, ha¬ vidas primeyro as mais licenças neceífarias.Lisboa, Con¬ vento de N . Senhora da Graça'em 25 .dejaney ro de 1713. 0 M.Fr.Luis da Cruz Provwcial; Do S. Officio. approvaçoens. eminentíssimo senhor. N E m o Sermão, nem asapprovaçóes, que délle man¬ dou fazer a Religião, contém coufa alguma contra n °fíaS. Fé, ou bons coftumes. Saõ Domingos de Lisboa 5 • de Fevereyro de 1713. Fr. Antonio deAlmeyda. P O r [mandado de'V. Eminência vi o Sèímaõ , que pregou na Seda Cidade do Porto o M.R. P. M.Fr. Manoel de S. Cari os da preclara ReligiaÕ de S Agoílinho, em acçãode graças pelo feliz nafeimento donoíTo Sereniílimo Senhor , U Augufto Prineipe D. Pedro qué Déos güárde • & para íiihir o Sermão approvado, bailava compollo hum fitgey to riãslef rãs, & na erudicção tão co¬ nhecido, & erajuíloque quem tem tanta fciencia, nao déflètootivQs pãra a cenfura, antes fim para a admiração inuy ta caufá; pelo quê ,'para fahir a publico me parece obra muyto digna ,, & principalmente por não conter coufa, que à noílã Santa Fé, ou bons coíliimes feja con¬ traria. Convento de N. Senhora de jefiis de Lisboa 20. de Fevereyro de 1713; _ Fr.Joaade S.Therefa. \T Iílas as informações, pode-fe imprimir ò SeririaÕ dè •V acção de graças pelo nafeimento do Sereniílimo A nncipe, de que trata cila petição, 8é impreífo tornará Para fe Conferir,ôcckr licença quetorra, & fem ellánaó correrá. Lisboa 21. de Fevereyro dé 1713. . Moniz. Ha (Te* Monteyro . Ribeyro. Rocha . Barreto . Ã iij • DQ Do Ordinário. D Amos licença para que fepoíla imprimir o Sermão de acçaõ de graças, 6c impreíío torne para fe confe¬ rir, 6c darmos, licença que corra > 6t fem ella não correra. Lisboa 25. de Fevereyro de 1713 , . 0 1 3 .0 M-BJeTagafte. Do Paço. A P P R O V AÇA M. H E Y.Mageft^de fervido que veja efte Sermaó de aeçaõ de graças rqne pelo feliz nafcimento do foberáno,6c SerenilTimo Principe D. Pedro pregou na Sèda Ci¬ dade do Porto o M.R.P.M.Fr. Manoelr.de S» Carlos, Rer ligiofo da fagradà Ordemde*S. Âgòftinho. Ingenuamente ; c onfeíTd que ttydo fqrão.ad.mifações quanto vi neíte Sermaõ. Admireyme de ver logo no nafcimento hum In¬ fante homem como o Author alta,6c profundamente difcorrq,,prova, 6c pprfuade: 6c admirçyme de haver hj^ífí homem tão grande homem , qiieajiintalTe j 6c unihehiias noticias tão vaftas, 6c taõ largas, que parece para a fua çóprehenfaõ não baílavão muytos homens, 6c que fo quem foflemais q homem, (como dizem as palav.ça s oQ thema deftp Sermão ) as poderia explicar, reíumir* & expor.Com que nefte Sermão tem os homens, muyto que aprender, & os Pregadores muyto,que imitar;8í em hum tão grande homem como feq Author não fe podia encon¬ trar coufa, que fofíe contra as Reacs leys de V. Magcftar de, pelo que me parece digno da licença, que pede.Voíla Mageftade mandará q,que fqr fervido. Santo“Eloy 6. de Março de 1713. Prancifco de S. Bernardo. Q l JpLe-pqí^ dq cio, 6c Ordinário ? , 6c. depois de ijnprefife to-çnaf a f mela para fe taxará; conferir,6c íem iífo não correrá.Lisb0a9. de Março de 1713. Duque P. Caruejro. Çofta. Andrade. Botelho. Bereyra * •jSjTg ú < v .Vf.i.a.vK .U t flUMQUlD SION D1CE1: HO MO, & homo natus eft in ea,, Q? tpfe jundtrvit eam ■ dltiflimus ?, Domtnus narrabit in (crifturisfofttlorum,Q?i>rmif>um. Ex Pfalm, 8 6 .vérf. A V E M A R I A. §. I. •• í LORIQSTVSdua^Mçnarchiaáiaida Igre¬ ja, & a da Lufitania / (Illuftrifilmo, Reverendiflj moA Preclariíllmo Senhor) Glorioías duas Monarchias,a da Igreja, & a da LufRania ! He gloriofa a Monarchia da Igrejas porque excede as njais nas regalias. He gloriofa a Monarchia da Luíírania 5 por íe afifemelhar nas regalias com a Monarchia da Igreja. A mayor regalia da Igreja he fer Chrifto, Rey dos ^eys, &• verdadeyro Deos , o feu im m e d i ato Fundador; ^ beiinjfe aífemelha aLuíitaniaeqm a Igreja nefta regalia, : Pelo muytoque nas fundações fe afiemelhaõ. E day atíençaõà noftahiftoria. Fundou Chrifto nofib Redemptor a efpiritual Mo¬ narchia da Igreja, eftando crucificado no Calvario. Di¬ zem-no todos os Santos Padres. E quando no Campo ^eOurique fundou a temporai Monarchia da LufitaSiraa Tii» ma 8 Sermão em acçaõ degraçds nit.Kfidc. nia,appareceocrucificado. Publicaó-noosnoíTosEfcri' guft.tr. 9. tO r es * , injoan. & O fim com que fundou Chrifto a Monarchia da Igreja Genad ií ^°Y a confervaçaõ do Evangelho , ôc dilataçaõ de feu c.^9* K * faiuiífimojiome : Conjlitiies eos Príncipes fuper cmneffl dív. Hicr. ferram.Memores erunt noministui, E com adequada feRupcríün melhança também nafundaçaõ da noífa Monarchia mofc 5-Gcncí. trouo Senhor o mefmofim: Ut deferatur mmenmeum ^'frW^adexter as gentes. montesina A Monarchia da Igreja tem por bràzaó glòriofo as:cin- &c * co Chagas de Chrifto, como he notorio ? .ôc à Monarchia Brif.oparr! Lufitana deo o meímo Chrifto nas fuas cinco Chagas o da ciirou. melhor brazao: Inf/gne tuumexpretio, qiio egohumamwt deCiftethg enus emi^compenes, ViegasUbr. Da Monarchia da Igreja diífe Chrifto, que nella havia 4 . Aimeyda de a { fi ftir em quanto o mundo durar: V obifeum fum ufque de potmg. a d confnmmationetffeculi ? 6c à Monarchia Lufitana prop.i.c.5. metteo Chrifto híía inalterável aíliftència da fua Divina Ma^orTriroifericordia : Non recedet umqtiam ab eis , neque a te mtjl - unfo in ricordiamea. principio. E fínalmente, ao primeyro dos fagrados A poftolos, & WC17. 44, para os mais Pontífices, entregou Chrifto o governo de Matth. 18. toda a Monarchia da Igreja: Pafce oves meas ? ou, como Toànn. IX. diz o Syriaco, Pafce mihi oves meas. E a quem naõ he ma¬ is. nifefto, que ao nofíb primeyro Rey, &c para os feus fucceífores, com femelhante referva , também Chrifto lhe latom'. 5?i. entregou a Monarchia: Volo inte , & infemmetuo Impe - 9. qiixft-7riurn mihiftabilire? num.4^ Gloriofas Monarchfas! gloriofa a da Igreja,pelo miiyto que a todas íe avenfaja í gloriofa a da Lu fita nia, pelo muyto que com a da Igreja íe aífemelha ! Neftas femeIhanças confifte, ò Portuguezes, a noífa mayor gloria? 6c para a noífa gloria ainda fer mayor, com que poderiaó crefeereftas femelhanças? Eu o digo. Com o feliz, & ditofo nafciffiento do Sereniífimo Senhor , 6c Augtíft° prin' feio mfçmerito do Privcipe D. Pedro. 9 Príncipe D.Pedro, que Deos guarde. Efta he a efclarecidefejada Prole da mais Regia Stirpe: efte he o novo Príncipe ,que.nos vem do alto Ceo: Jam novaprogenies Virg.Eeio. âemittitur alto. Efte he o Príncipe que nos dá Deos, 4 * ,u pnnc ‘ P ara que crefçaõ as femelhanças: entre a Monarchia da Eufitania 5 & a M o n a r c h iadaígreja. O primeyro Rey, que tivemos, pelas fuas raras virtudes, fez que eftas duas ^d°narchias íeaííemelhaíTem * & o ultimo Príncipe, que temos, com as fuas grandes proezas fará continuem as ei uelhanças entre eftas duas Monarchias. ■ § . n. E S e me pergunta o auditorio, em que haó eftas feme¬ lhanças de confiftir? Para que Khe poffa refponder, ue necefianonotar. Primò , que à Monarchia da Igreja PedS rme dura ? aõ > P ™ fcr fundada fobre mfhinon ^ ** mefmaIgrejadiílbomefraoChrifto'u!vU !]‘ c’ q fal o feu império, & fehavia de^n^^^do” In o mnem t aramexiwt '{onuseonm. Erit imurn ovile « a»- mus P aftor. Deíorte , que a Monarchia da Igreja ha dc p confervar-fe , & ha de extenderfe. Ha de confervar-fe ÍS""’ 1 * com firmeza, & ha de extender-fe, ou dilatar-íe com feli¬ cidade. Boisifto prenotado,faybaõosonvintes, que no feliz naícjmento do Principe Senhor nofíb,também na confer- ^f a °i & àilo.taçâo , confifté as duas femelhanças que conudero entre à Monarchia da Liifitania,^ a Monarchia da igreja. Com eftas femelhanças he que ha de crefcer a nofla gloria; pois no Sereniílimo Principe D.Pedro nos nafce ° hum Principe,que ferá Homem homem para confer- ^ a r c orn firmeza a Coroa da Monarchia: primeyra femehan Ç a 3 & ferá Homem homem para dilatar com ventura B a Mo- ALapid.in Provecb. Salom. cap. ai.verf.i, Píalm.i J7' 1 6 Sermão em ãcçaS de graças os ouvintes me perguiitão, porque eftes nomes fe duplicão? Etymologizem da virtude a varonia: Viravirtutei 8c creyo hão de dizer, que fera varão, & varão ò noíTo excelfo Príncipe. Serà varão, porque para o exercício d@ heroicas virtudes, no Príncipe, que lhe deo o nome, tem oprototypo. E fera varão, porque para zelar o Divino culto, Sc o fçu íagrado Templo, no noíTo Augufto Rey, que lhe deo o fer, tem o exemplar. . Políticos houve, que determinando tempo aosReys para o expediente da Monarchia, 8c para odefafogoda occupação, fomente lhe não determinárão tempo para o exercido da virtude. Errada política, 6c indigna de Reys da Chriftandade! Grande Rey foy David, 6c fendo cer¬ to que dilatou Conquiftas , fufléntou guerras, ajuftou pazes,expedioarmadas,deoinftmcções,pa(d:oualiançasi adminiílroujuftiça jdefpachou confultas, 6c não negou audiências j quem ignora foy David hum Rey, que lou¬ vava a Deos, c a n tava Pfalmos, 6c frequentava o Templo: , Adorabo ad Templumfan&um tmm , & confiteborwomini tuo ? Semelhantes íaõ as virtudes, em que o Príncipe noíTo Senhor ha de admirar, que poriíTojá nafee Homem ho¬ mem , ou he varão, 6c varão ao nafeer :Vir'i & vir natus efi in Príncipe, que para o exercício de heroicas virtudes tem em SuPedro prototy po / Príncipe,que para o zelo do culto Divino, 6c Templo (agrado tem em David cabal exemplo,6c em feu feliciíTimo Pay,6c noífoAugufto Rey tão digno exemplar, verdadeyramente, que efte grande Príncipe, 6c efte grande Rey, agora juntamente obrarão prodígios nos progreíTos do feu rey nado j 6c para que fe-. jãomuytosno Reyno os progreíTos, agora fe verão me¬ lhor os feus prodígios. Houve tempo,em que S. Pedro, 6c S. João obrarão hum grande prodígio, 6c noto eu houve efte prodigi°» quando Pedro, 6c João hião para o Templo: Petrus, & ^ joennes -pelo mfcimentó do Príncipe D. Pedro» 17 Jocinnes afcendebant iulemplum. N aõ ouve o prodígio A< ^- A Pc * indo fó João, ou indo fó Pedro; mas hia Pedro com Joaõ 5,1 ‘ ^ando fe obrou o prodigio.N ão fe vio prodígio tão raro em outro algum lugar, como notou o Texto j & fó quan¬ do Pedro, &: João buícavãoa Deos no Templo, obrárão efteprodigio.O pobre,em quem o prodígio íè obrou, pe¬ dia afuaefmola, parece não efperava milagres; mas João, & Pedro, ou já Pedro com João hiaõparao t emplo, logo fe fizerão milagres,logo iè obrarão prodi- £ 10s , & com os prodígios, & milagres logo fe virão progteífos: Surge , & ambala . -Applicay, Senhores, os fucceíFos, que para a Deos os Padecermos , eu fomente declaro os prodígios. Em IRey noílb Senhor, & no Príncipe Senhor noífo, já tem os João , &já temos Pedro, ou já temos a Pedro com J oão.Em ambos fe vera o zelo doDivino culto,em ambos §. VI. P Rodigio , & progreflb he para o Reyno nafcerlhe com o Príncipe, que lhe nafceo, não fó a reforma aajuíhça, que já vimos, mas aabundancia da'paz, que ^ Piamos. Orietur in dicbws cjttsjvjfitiâ , & nbutidãntiã • aa v i a d £ vir tempo, em que a paz fe abraçaíle com ujiutiça ; .& ■ guardou-íe efta felicidade para eíte tempo, ***»» *<**" Prodígio, & progreíTo he para o Reyno, quando fe vonlideravão diminutos osfeus thefouros, offereccrlhe. Pouco antes de naícer o Príncipe, hum» tão ricafrotao u á cjo, que fomente por efta vaflállagem deyxou com C mil i 8 Semafi em úcçm de graças Fatia Èpjt. mft invejas ao noflb Douro,Do ouro do rio Tejo fabricoü pau. j. c, 7 . EIRey D. Diniz hum Sceptro, 6c huma Coroa.E fendo o num.i 7 . j a n e y r o ma i s liberal para a Gotoa, 6c Sceptro, mayor felicidade promette ao Reyno o noftb grande Principe} pois que no feu nafcimentoentrárão pelo Tejo rios de ouro. Prodigio , 6c progreífo he para o Reyno, que tiveífeni em Campo Mayor as noífas armas tão gloriofo triunfo, ' pouco depois de nafcer o noííoexcelfo Principe. Em ou¬ tras occafiaés atacou o inimigo outras Praças do Alente¬ jo^ parece que mais alta Providencia o levou à de Cam¬ po mayor neíta occafiaõ. He Campo Mayor aPraçaquetem aS. JoaõBautifta por Prote&or. E era tempo que hum Scipiáõ Portuguez, ou Marte Luíitano com o nome de Pedro he General, ainda que o Caftelhano com muyta força atacaííe a Pra¬ ça, 6c a invefti{fe,em Joaõ, 6c Pedro, (myfteriofos nomes do noflb Rey, 6c Principe ! ) çin Joaó, Sc Pedro tinha a Praça com ventura quem a defendeífe. Verdade he, que em todas eftas guerras foy efteo combate mais renhido, 6coconfli£fcomais fanguinolento j más parece difpoz a Providencia, quevieíleo inimigo a Campo Mayor com eftas forças na ultima campanha, para que retirando-fe defcompofto, 6c rechaçado , poíla dizer o mundo em conclufaõ das guerras, que ficou Portugal vitoriofo,pois he certo ficou por elle o Campo. E finalmente, prodigio,6c progreífo he para o Reyno, que do nafcimento do Serenillimo Principe , 6c Senhor D.PedrOjhouveíle defer feliz prefagio a mais fublime Purpura. Havia de nafcer efte grande^Principe para confervar aquellas femelhãiiças, que entre a Monarchia Portugueza , & Bcclefiaftica reconheceo o mundo em todo o tempo. & fe a Igreja lhe ha de fer devedora defta femelhança, que muyto lhe preveniífe huma Purpura para a aíliftencia,ôc lhe difponha outraPurpura augmétandp * noíTi felicidade? , Eftes feio nafcimntódo PrincifeD, Pedro. rp Eftes-faõ pois os progrefíos> & prodígios, que no nafcimento do Principe Senhor noíTo afianção anofía confervação/& na femelhança da Monarchia da Igreja proniettem eftabilidade à nofla Monarchia. Efta em fim he aeítavel confervação,, que devemos gratificar à Divina beneficencia. Demos a Deos graças , por nos dar hum Erincipe, para os progreííos do Reyno taõ prodigiofo. ^emos a Deos graças", por nos dar hum Principe, que ferà Homem homem na confervaçaó do Reyno Lufitano > ou na confervaçao do Reyno do AltiíTimo: Entmihi Eegnumfiàe puriim* Homo, crhomonatusejl in ea y & i pfe fundarcit eam AltiffmusPONTO IL §. VII. O Segundo ponto da rnaxima dos Príncipes he dila¬ tar a Monarchia da fua Coroa, ca fegunda parte delta maximaeonfiíte afegunda femelhança , que tem a Monarchia da Lufitaniacom a Monarchia da Igreja. A todo o âmbito do müdo fe ha de extender o efpiritual dominiode S. Pedro : I n omnemt erram exivitfonas eorarn . Eritnnü oviU,& unuspafiorE no feliz nafcimento do Sereniflimo Senhor, & Principe D. Pedro, parece podemos dar graças aDeosjporqueò temporal Império deite gran¬ de Principe também íe hade extender a todo o mundo. No Campo de Ourique difie Chriíto ao nofid primei¬ ro Rey de Portugal, que não íó fundava Reynos , mas também Impérios: Eg o adifcator Regmrim, ac Imperiorumftm. E ninguém ignora que nomeímo Campo deo a Portugal nome de Império , como querendo dizer, que lhe não^baítaria ode Reyno; Erit rnihi Regtoumfidcpúrutn-Volointè j &infemine tuo Imperiammihi Etabihre.. C ij Effe 2ó Sermão em acçaS de gr a f às Efte he pois o mais claro fundamento, para haver Por¬ tugal de fer Império. Alguns o affirmàrão fundando-fe 4.ETdt.u. naquella Águia, que vioÊfdras, 6c que dizem osnoífos *• Efcritores fer da Lufitania o melhor fymbolo: Aqnda, Antoaíode qitãmvidifti, afcen dentem demari,.eft Lufitaniafymboluni, souía de diz Macedo. Macedo. Outros oconfideraõ.fundando-fe com S. Boaventura na obfervaçáo, de que fendo o primeyro Império no Ori¬ ente,ha de fer no Occidente o ultimo Imperio.O primeyro Império vio-fè nos Aífyrios, queerão mais Orientaes que os Perfas, que os Medos, que os Gregos, 6t que os Romanos* o ultimo Império verfeha nos Portuguezes, mais Occidentaes , 6c naõ menos valerofos que os Ro¬ manos j que qs. Gregos., que os Medos, que os Perfas, 6c D.Batnv. que os Aífyrios: Ab Oriente incepit , diz S. Boaventura o^b dc hallando do Império univerfal / Ab Oriente incepit , & Condi d terram h abitabilem percnrrit ufque ad Occid cntem. Deforte que por obfervaçóes, por vaticínios , Sc por textos pa¬ rece fe faz claro, que ha Portugal de fer Império. Pois ifto aííim fuppofto, deyxem-me dizer, que pode¬ mos dar muytas graças a Deos noífo Senhor, porque no SereniíIImo Príncipe D. Pedro parece vem nafccndo hü Homem homem para efte Império. He efte o Príncipe, que à Monarchia da Igreja ha de aífemelhar a noífa Monarchia. He efte o Principe, que daqui a muytosannos fem que Deos nos guarde a EIRey noífo Senhor) ferá en¬ tre os Reys de Porrugal o terceyro Rey, que tenha o no¬ me de Pedro. Pois para queeftas Monarchias fe aífemeIhem ,6c para que feaffemelhem os Príncipes deftas Mo¬ narchias , do modo que hü Pedro Principe da Igreja tem efpiritualmente Império univerfal, também para o Prin¬ cipe da Lufitania D.Pedro, que ha de fer terceyro defte nome, ferá univerfal o feu Império. E çuydo tem a figu*- ra grande fundamento. Para Chrifto bem noífo entregar a S. Pedro afua Mo- & nar- 'pelo nnfútnenio do Principe D,Pedro. 21 flarchia , & o feu Império, tres vezes examinou o feu amor: < 57 mon Joannisdiligis me plus his ? Simon^Joânnis âijoann. 'ligis m ef Simon Joannisamas me ? Naó reparo jà em que MPara Chrifto entregar a Pedro hum taó largo Império, íctDpre o publicou por filho de Joaõ. Reparo fim, em £L Ue íp depois de examinar tres vezes o amor dePedrq,! he houve de entregar aquelle Império. Mas aílim havia de ^ er j para q naõfófeaffemelhaíTeoImperio daIgreja,&o Lufitaniai mas também os Principes Pedros daLufi- £ anra com Pedro Príncipe da Igreja. E dem-me Senhores a ^ençaõ. Tinha Chrifto afiirmado, que havia Portugal de Ter perio: V olo in te, <&. infetnine tuo lmpermm mihi ftúbihre. E para haver de entregar efte Império a Portugal,q fa¬ ria? Fez, o que fez a Pedro : examinou tres vezes o feu amor - Examinou-o noSeremíIimo ReyD. Pedro I. em cuja mão fevioa balança da Juftiça: Diligtsme* Exami¬ nou-o no Sereniílimo ReyD. Pedro II. em cujas acções fevio o exemplar da Chriftandade: Diligis ml Agora o examina, &: pela fu a Divina prefciencia o tem examina¬ do no SereniífimoPríncipeD.Pedro, que,comodifiettw», daquiamuytosannos ferá D. Pedro III. do feu no* : Simon Joannis âmas me ? Pois notem, que como neíle Erincipe Ped ro,depois de tres exames fe houve de quali¬ ficar o amor do Rey no,por iífo fóméte a eftePrincipe, pa¬ rece ha de ent regar Deos aquelle Im perio. O Império uni- ^erfal da Igreja deo-o Chrifto a Pedro, depois que do feu ar ^or fez tres exames ; & o Impériouniverfal domundo, parece o ha de dar Deos ao Príncipe D. Pedro, pois que Para a qualificação do amor doReynoem Principes do nòme, neíle fe ha de acabar o exame do amor, ou fe ha acabai nelle a terceyra pergunta do exame; Simon Jòppms amas me ? Êcuydo me diz oauditorio que também tempo de acabar o ponto do Sermaõ. Eu o acabo , dizçndo fomente em conclufaõ do afC iij fa n 1 p - 2i Sermão em acção de graças íiimpto, que efta he a felicidade com que nafce o Sereniríimo Principe Dom Pedro Senhor nofío. Nafce Homem homem para confervar com firmeza a Coroa da Monarchia, deíòrte que verdadeyramentefeja Eflado. Nafce Homem homem para dilatar eom ventura a Monarchia da Coroa, deforte que comece nelle hum novo Império. Saõ eílas as duas partes da rnaxima dos Príncipes: fao eílas as duas propoílas femelhanças entre as duas mais gloriofas Monarchias. E fe no Principe Senhor noíTo nos dáDeos hum Principe, que continue eílas íeraelhanças, &• pratique aquella rnaxima * ccm devida gratificação, Ç ò inclytos,& famofos Portuguezes, illuftres Cidadaós da mais famoía, 6c inclyta Cidade) com devida gratifica*, çaõ demos a Deos graças, por nos haver dado hum tao grande Principe» §. VIII. M Uytasgraças vos damos, meu Deos, Sc meu Se¬ nhor j Sc fentimos não ferinos todos línguas para melhor vos render as graças i masfe diííe Enodio, que fò o reconhecimento pode agradecer grandes benefícios* fuípendaõríè as expreííoês da noíía lingiia, Sc reconheça¬ mos as graças da vofla beneficencia. Reconhecemos,Se¬ nhor > a grandeza da noíía obrigaçaò, por dares hum taõ grande Principe à noíía Monarchia , Sc com elle para a confervação do Eftado a melhor firmeza ,Sc para a dilata¬ ção do império a mayòr ventura. Agorameu Senhor, já que a noíía Cala Real moílra fer Caía do Sol, por fe eftribar em taõ fublimes columnas: fuílentay, Senhor, as columnas, para fe firmar a Caía. Entre muytas felicidades concedey aos noflbs muyto Altos x S c Poderofos Reys huma larga.vida: entre felices progreílos, fazey fe conte a vida dos noííos Secen-fílím o s Principe, Sc Infantes naõló por muy tos annos, mas por largos luftros. Yivao. pelo nxfcimento do Príncipe D.Pedro, 23 Vivaõ para encher o mundo de admirações: vivaõ para eternizar os feus nomes nas memórias: vivaõ para darem emblemasà fortuna:vivaõ para ferem deimayodainveja: vivaõ para nos governar com felicidade: vivaõ para nos evitar os eítragos de Bellona : vivaõ para ncs procurar foíTegos de Minerva* & finalmente vivaõ para nefta vida vos fervirem em graça, & merecerem a gloria: Ad qnatn nosfier.ducat ,&c.: L AVS D E O. • ( • * .C %-vx':vi cVi gjiv^v'-• V.c-V-4 ‘ - . ü :& ■ 3» ,