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A importância da Linha Costeira na Estruturação do Reino Medieval Português. Algumas reflexõe

Abstract

Terminada la conquista portuguesa a mediados del siglo XIII las regiones litorales conocerán las condiciones para afirmarse como una de las áreas más importantes del reino de Portugal. El texto aquí presentado pretende explicitar, de forma sucinta, los ritmos y los principales líneas de desarrollo de las estrategias seguidas por los monarcas portugueses para fomentar el control y la exploración de todas las potencialidades de estos espacios.

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A importância da Linha Costeira na Estruturação do Reino Medieval Português. Algumas reflexõe

Author: Aguiar Andrade, Amélia
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2008
Source: https://idus.us.es/bitstreams/07a8699c-b7cd-4a28-8e0b-0db8822c4b27/download
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HID 35 (2008)
A IMPORTâNCIA DA LINHA COSTEIRA NA ESTRUTURAçãO
do REIno MEdIEVAL PoRTuguêS. ALguMAS RE LEXõES*.
AméliA AguiA And Ade
(FCSH-UNL/IEM)
Em 1143 quando o ei-impe ado A onso VII econheceu a seu p imo, o
conde po ucalense A onso Hen iques, a possibilidade de u iliza o í ulo de ei
de uma unidade polí ica que ecebeu o nome de Po ugal, o no o eino es a a de
cos as ol adas pa a o seu li o al, o qual, e a ainda mui o ci cunsc i o. Na e -
dade, o espaço do Condado Po ucalense ago a ans o mado em eino, localiza a-
se sob e udo en e os ios Minho e Mondego, uma zona onde os núcleos u banos
e am ainda escassos, dis ibuindo-se os mais impo an es pela á ea mais in e io
de ales lu iais ou pelas médias al i udes. Ra os e am os que se localiza am na
linha cos ei a, uma ez que apenas o bu go de senho io episcopal do Po o ocu-
pa a um mo o sob ancei o ao io Dou o, na imedia a p oximidade da sua oz. Po
ou o lado, os pólos u banos mais impo an es do nó el pode polí ico ou seja, a 1ª
capi al condal localizada em Guima ães e, Coimb a, a cidade com a qual o no o
ei mos a a e mais sin onia e am ainda cla amen e in e io es.
As zonas li o ais ca ac e iza am-se en ão po um po oamen o escasso, cons-
i uído po comunidades que, eco endo a eduzidos ecu sos écnicos p a ica am
as a es da pesca e uma cabo agem incipien e e insegu a de ido à ainda omnip e-
sen e pi a a ia muçulmana. Com e ei o, pa a es a sociedade c is ã gue ei a e u al,
a linha cos ei a não e a um elemen o a ac i o an o mais que se associa a ao ma ,
esse espaço de medos e e o es, au ên ica on ei a ex e io da C is andade e seu
mais ociden al limi e.
oi p eciso espe a quase um século ou seja, pelo im da conquis a po u-
guesa, oco ida em 1249 com a submissão da cidade de Fa o no Alga e, pa a que
Po ugal icasse com a sua linha de cos a es abilizada, comp eendendo um o al de
848 quilóme os, dis in os oda ia, na sua o ma, da que hoje ap esen a, uma ez
que icissi udes na u ais mui o complexas, desen ol idas num empo longo que
chega a é aos dias de hoje, lhe o am al e ando a con igu ação, num p ocesso que
começou nos dois úl imos séculos medie ais e que oi enca ado com angús ia e
pe plexidade pelas populações que o i e am.
* Tex o p esen ado en el Semina io El A lán ico en la es uc u ación del espacio eu opeo, o ga-
nizado po el Ins i u o de Es udios Medie ales y Renacen is as (Uni e sidad de La Laguna, oc ub e
2008), en el seno de las ac i idades de la ed A lán ica de Es udios Ma í imos Medie ales.
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AMéLIA AGUIAR ANDRADE
Mas oi p eciso ainda espe a mais algum empo pa a que a zona li o al se
a i masse como um p o agonis a impo an e no p ocesso de cons ução do eino
po uguês, o qual, encon a, como é sabido, na Idade Média, uma das suas c ono-
logias mais decisi as.
Na e dade, a conquis a dos e i ó ios localizados a sul do Mondego eio in-
se i sob a u ela dos mona cas po ugueses um espaço onde a p esença u bana e a
mais signi ica i a e a iculada, na qual se des aca a um conjun o de núcleos u ba-
nos ma í imos e/ou lú io-ma í imos de adição medi e ânica, de en e os quais
se podem ealça não só os localizados no li o al do Alga e, os quais de inham
uma adição de con ac os com o Medi e âneo que emon a a à An iguidade mas
ambém e sob e udo, Lisboa, um po o excepcional de ido não apenas à sua con-
igu ação mas ambém à sua ampli ude.
Um li o al que se assumia como um espaço de passagem en e o Medi e â-
neo e o A lân ico, algo que os ajec os das a madas c uzadas inham o nado e i-
den e aos olhos dos p imei os mona cas po ugueses- eco de-se o especial papel
dessa passagem na conquis a de Lisboa, oco ida em 1147, uma ez que co pos
mili a es c uzados o am decisi os no bem sucedido assédio à cidade- e que em
b e e deixa ia an e e as possibilidades de uma u u a ampliação de con ac os
com o A lân ico sul me cê das pe ipécias esul an es dos en en amen os com os
mou os de Ma ocos, oco idas no início do século XIV.
Um espaço que e a ainda he dei o, na sua á ea mais me idional, de uma con-
solidada adição de inse ção nas linhas de na egação ma í ima medi e ânicas,
uma pode osa he ança que i e a como p incipais p o agonis as os omanos e os
muçulmanos e que se aduzia na de enção de um conjun o de decisi os conheci-
men os que na a e de na ega que na de inição de o as come ciais e ma í imas.
A dimensão e i o ial en e an o adqui ida pelo eino po uguês no inal da
1ª me ade do séc. XIII, bem como o p ocesso de ede inição das suas on ei as
com o eino de Cas ela oco ida na 2ª me ade dessa cen ú ia e que culminou com
o pos ulado no a ado de Alcanices eio, po ou o lado, es abelece uma no a
hie a quia nos espaços do eino, con ibuindo pa a a p og essi a a i mação da
cen alidade da egião da Es emadu a, uma egião li o ânea en e os ios Mon-
dego e Tejo e, com ela, a e ecção p og essi a de Lisboa à unção de capu egni,
de inindo-se simul aneamen e uma ou a á ea, a de con ac o com Cas ela, como
um espaço cen í ugo, ca a e izado po uma cla a eição mili a , exp essa numa
linha de cas elos e de o alezas u banas e associá el a ho izon es de insegu ança
e de con on o, p opícios à a e acção de população, uma zona onde e a ainda
e iden e a di iculdade de implemen ação do enquad amen o polí ico e adminis-
a i o égio.
As ci cuns âncias apon adas mos a am-se a o á eis ao ecupe a da impo -
ância das á eas li o ais, as quais, desde que se ob i esse um mais e icaz domínio
do ma e um ul apassa dos medos ances ais, podia adqui i as condições neces-
sá ias pa a se ans o ma num espaço p o agonizan e pa a a cons ução do espaço
do eino medie al po uguês, an o mais que bene icia a, en e o es uá io do Tejo e
as zonas mais se en ionais, da exis ência de um eixo me idiano na u al subli o al,
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o qual, desde empos imemo iais, desenha a um undamen al eixo iá io, capaz de
ga an i uma e ec i a conexão não só pa a no e como com o in e land p óximo.
Mas, o eno a do in e esse pelo li o al oi po enciado po algumas cons-
a ações deco en es, po ce o, do a ança da conquis a po uguesa em di ec-
ção a e i ó ios mais islamizados. An es de mais po que impo ância es a égica
dos episódios de gue a ma í ima en ão i idos, especialmen e os oco idos
aquando da submissão do Alga e nos inais da 1ª me ade do século XIII, ainda
que escassos demons a am a necessidade de le a a e ei o o enquad amen o mi-
li a do ma e das zonas cos ei as cuja unção p imo dial em u u os con on os
já se adi inha a.
Mas ambém po que se o nou e iden e o papel undamen al das ac i idades
lú io-ma í imas na p ospe idade de cidades como Lisboa, San a ém, Alcáce do
Sal, Fa o ou Sil es bem como do ele o que nelas assumiam os eixos de con ac o
ma í imos com ex e io , algo que podia se po enciado quando a pi a a ia mou a
deixasse de assedia a linha cos ei a. Uma si uação que ha e ia de p opo ciona ,
uma ez inda a conquis a po uguesa e, sob e udo depois de e nando III, ao ga-
an i a emblemá ica submissão de Se ilha em 1248, e abe o caminho ao domí-
nio e ec i o c is ão sob e a zona cos ei a andaluza e consequen emen e, sob e o
Es ei o, a incon es ada cha e das ligações Medi e âneo –A lân ico.
Mas, no eino medie al po uguês, o li o al e a um espaço de di ícil de ini-
ção po que se inse ia num e i ó io que, e a e é, em si p óp io, uma egião li o al
da Península Ibé ica e po isso, o emen e ma cada pelas in luências ma í imas,
as quais cons i uem pa a os geóg a os um dos poucos elemen os con e en es de
iden idade especí ica a Po ugal no con ex o da geog a ia ibé ica. Po ém, se se
conside a que à linha de cos a se pode associa a á ea hie a quizada pelo cu so na-
egá el dos ios que aí desagua am ica -se-á, em empos medie ais, pe an e mais
812 quilóme os de na egação e uma ampla á ea en ol en e, se bem que a com-
plexidade na u al da á ea cos ei a e as mu ações ambien ais e e enciadas desde os
dois úl imos séculos da Idade Média não pe mi am a con inuidade imu á el dessa
ealidade. Desenha a-se assim uma dico omia ac i a en e cos a e in e land g a-
ças à disposição a o á el da maio ia dos ios po ugueses, nume osos na á ea do
en e Minho e Tejo, mas odos desenhando cu sos que co em pa alelamen e uns
aos ou os desde a nascen e a é à oz. Rios e ma complemen a am-se e po encia-
am-se sem que cada um pe desse a sua iden idade al como a documen ação e-
ela ao sepa a as ainas do ma das ainas do io, p incipalmen e no momen o de
impô o pagamen o de di ei os e axas iscais.
Assim pode -se-á conside a que o li o al po uguês, cujas i egula idades
e especi icidades cabe aos geóg a os es abelece e jus i ica e a, na Idade Média,
uma á ea lú io-ma í ima cujos con o nos pa a ociden e se pe diam nos limi es co-
nhecidos e dominados po uma na egação ma í ima p og essi amen e mais audaz
mas que pa a o ien e man inham linhas imp ecisas, ajus adas não apenas à á ea de
in luência que as ac i idades lú io –ma í imas log a am a ingi mas ambém à
na igabilidade dos ios, a qual, ao con á io do que acon ecia com a ma í ima, en-
dia a diminui con o me os empos medie ais a ança am.
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Mas, a á ea li o ânea e a ambém, de ido às suas po encialidades económi-
cas e iscais, um espaço em dispu a, mesmo que o ei osse o senho e á bi o de
odas as águas do eino. equen es, os con li os opunham ao mona ca os g andes
po en ados eclesiás icos, os senho es, as o dens mili a es que de inham p op ieda-
des ou in e esses nas egiões cos ei as os quais, não poucas ezes, se en en a am
ambém en e si. Si uações que esul a am sob e udo da dispu a do usu u o das
iquezas da pesca, da explo ação salinei a e da na egação, no mais das ezes con-
subs anciada numa di ícil pa ilha de di ei os iscais.
Mas, o li o al e a ambém um espaço sujei o a um ele ado núme o de ul-
ne abilidades. An es de mais, as que esul a am das a iabilidades climá icas,
pa icula men e sen idas na achada a lân ica, mais a ei a a empo ais e ondas al-
e osas, ci cuns âncias que se aduziam na sazonalidade de ac i idades como a
pesca e a cabo agem in e ompidas ou, pelo menos, mui o diminuídas pelo igo
dos in e nos ou pelas ce adas neblinas dos cálidos e ões. Condições climá icas
em g ande pa e esponsá eis pelo asso eamen o ou al e ação das á eas po uá ias
na u ais as quais, cedo começa am a e in luência na geog a ia dos po os medie-
ais po ugueses: eco dem-se as p o undas al e ações que, na Idade Média, se
ize am sen i na zona cos ei a localizada en e os ios Vouga e Tejo e que oi es-
ponsá el pela comple a in iabilização ou pelo menos, pela pe da impo ância de
um conjun o de pequenos po os que a é en ão dinamiza am a in ensa ac i idade
pesquei a e me can il dessa egião.
Ou a das ulne abilidades dos espaços li o ais p o inha das conjun u as
de gue a, que es as en ol essem di ec amen e o eino po uguês a a és de si-
uações de con li o na al com ou os einos ibé icos que i essem os seus ce-
ná ios e p o agonis as bem longe das cos as de Po ugal. No p imei o caso, a
ulne abilidade e a mais e ec i a e imedia a pois as zonas li o ais ou o ma que
lhes e a con íguo podiam se palco de comba es e consequen emen e, de dep a-
dações nas suas cons uções po uá ias, nas emba cações que con ibuiam pa a
a sua animação ma í ima e nos seus con igen es de homens ligados ao ma . Si-
uações que se aduziam semp e em momen os de pa alisia das ac i idades
quo idianas, não apenas de ido à insegu ança que se azia sen i mas po que
mui os homens des as zonas li o ais inham de se des iados das suas a e as
habi uais pa a a pa icipação nas a madas ou em ou as ac i idades que ossem
conside adas indispensá eis. In e upções que se o na am ainda mais e iden-
es quando inham luga bloqueios impedi i os do uncionamen o no mal das
en adas e saídas po uá ias al como como acon eceu em Lisboa, du an e os en-
en amen os ma í imos que opuse am po ugueses e cas elhanos, de o ma e-
co en e, en e 1369 e 1384.
Em ou os momen os, equen es po exemplo du an e a gue a dos Cem
Anos, se bem que os cená ios de gue a deco essem longe, as consequências a-
ziam-se sen i a a és de pe u bações de luxos de ci culação, que inham como
co olá io a diminuição do dinamismo po uá io, p i ado que ica a da inda de na-
ios es angei os ou, po que as suas emba cações não podiam demanda sem e-
ceio de ep esálias os p incipais po os eu opeus, o que se aduzia na as enia das
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ac i idades me can is e sob e udo, numa e ec i a pe da de édi os p o enien es
das cob anças iscais que lhe es a am associadas.
Mas, pa a os p imei os mona cas po ugueses, as á eas li o ais implica-
am um es o ço de p omoção do po oamen o u al e de ins i uição de núcleos
com ca ac e ís icas u banas nos pon os mais es a égicos, p incipalmen e nos
que pudessem assegu a uma e icaz explo ação das po encialidades das zonas
es ua inas. Mas e a ambém um espaço a explo a uma ez que ap esen a a e-
cu sos a iados, indispensá eis, luc a i os e iscalmen e p o ei osos: a pesca,
a ex acção de sal, a na egação e ac i idade me can il se bem que, pa a que al
osse p o ei oso à Co oa e ao eino se o nasse necessá io le a a cabo es a é-
gias de enquad amen o adminis a i o e iscal a que se de ia associa a implan-
ação de pon os de apoio de ca ác e mili a e sob e udo, a cons i uição de uma
a mada pe manen e que pudesse ga an i uma maio segu ança pe an e as si ua-
ções, semp e endémicas, de pi a a ia e co so que ao longo dos séculos XIV e XV
pe u ba am não apenas as á eas li o ais po uguesas mas ambém as o as ma í-
imas mais u ilizadas, que es as se di igissem pa a o A lân ico se en ional que
pa a o Medi e âneo.
o li o al ca ac e iza a-se ainda po uma paisagem especí ica na qual o ma e
os ios e am elemen os p eponde an es e onde os núcleos po uá ios o am paula-
inamen e adqui indo algumas especi icidades na o ganização do espaço, nomea-
damen e a a és da exis ência da Ribei a, um espaço emb icado nas suas o mas e
unções com a ida ma í imo – lu ial e ainda, pela p og essi a implan ação de es-
u u as edi icadas– al ândegas, a acenas, a mazéns, pon os de enda e locais de
secagem e a amen o dos p odu os do ma - des inadas a apoia as ac i idades li-
gadas à pesca, à come cialização, à cons ução e epa ação na al bem como a al-
be ga as es u u as adminis a i as e iscais de enquad amen o en e an o c iadas
e p og essi amen e ape eiçoadas.
Nes as á eas li o ais, um núme o conside á el dos seus habi an es desen-
ol iam ac i idades e/ou p o issões ligadas ao ma ou ao io, e am aqueles que,
como se esc e ia nos documen os « guanhauam ssuas idas no ma e ios», sendo
al ci cuns ância mais e iden e nos núcleos u banos ibei inhos. A sociedade nes-
as úl imas localidades aqui ia po isso uma especí ica iden idade con o me já oi
pe cepcionado pa a localidades cos ei as como Caminha, Viana, Vila do Conde,
A ei o ou Se úbal, mas que con inua a agua da um es udo de conjun o que possa
escla ece as ca ac e ís icas e pa icula idades das sociedades lú io-ma í imas
medie ais po uguesas, pa a as quais ainda nem seque se es abeleceu uma igo-
osa de inição quan o ao seu âmbi o e na u eza.
Espaço ulc al sob o pon o de is a mili a , polí ico, económico, o li o al oi
ainda o p incipal supo e da expansão ma í ima a qual, p e igu ada pelos ossados
do ma ecen is as nas cos as ma oquinas e nas Caná ias, conheceu o seu e ec-
i o dealba nos p imó dios do século XV, pelo que os úl imos decénios medie ais
pude am es emunha um subs ancial ala gamen o dos con o nos e limi es ma í-
imos, que ie am e i a à linha cos ei a do eino a condição de « on ei a» mais
ociden al da C is andade eu opeia. Um espaço que ao longo da Idade Média oi

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ea i mando e eno ando a sua ances al adição de con ac os cul u ais e écnicos
en e o Medi e âneo e o A lân ico.
Os aspec os an e io men e apon ados e que ajuda am a c ia a iden idade do
li o al po uguês con e indo-lhe a ele ância que conheceu em empos medie ais
e mesmo depois, uma ez que ainda hoje se a i ma como a egião mais po oada e
dinâmica de Po ugal, i e am oda ia i mos c onológicos e linhas e olu i as que
con ém ainda que em aços mui o sumá ios, especi ica .
Um p ocesso no qual oi semp e no ó io o p o agonismo do pode égio, pois
aos mona cas coube o papel de p incipais agen es dinamizado es, al como de-
mons ou José Ma oso, na composição de espaços di e sos num e i ó io coeso
e poli icamen e equipado: o eino de Po ugal. No en an o, e embo a se enha de
econhece que as p oblemá icas associadas às zonas li o ais ainda se encon am
mui o longe de se conhecidas na sua o alidade e em odas as suas implicações
pode conside a -se, como uma me a p opos a de análise diac ónica das p oble-
má icas que lhe são ine en es, a exis ência de ês épocas dis in as e simul anea-
men e, complemen a es. A p imei a, que se es endeu en e o e mina da conquis a
po uguesa (1249) e o inal do einado de d. dinis(1325) oi dominada pelo lan-
çamen o, po pa e dos mona cas, de es a égias que lhes pe mi issem con ola
melho as po encialidades económicas e iscais da zona cos ei a bem como ga an-
i um mais e icaz domínio sob e o ma e a oz dos ios mais impo an es. A se-
gunda co espondeu ao empo en e a ascensão ao ono de A onso IV em 1325
e a conquis a de Ceu a, oco ida em 1415 e ca ac e izou-se pela i ência de uma
conjun u a polí ico-mili a di ícil, dos p imó dios de g andes al e ações na u ais
lú io-ma í imas- no iciam-se as p imei as mani es ações dos e í eis asso ea-
men os cos ei os e lu iais- mas em que se de inem as g andes linhas de con ac o,
como acon eceu com o p i ilegia do comé cio com o No e eu opeu e de uma po-
lí ica de a acção de me cado es es angei os cujas consequências, a ní el in e no,
implica am uma cons an e a enção e in e enção dos mona cas. Uma ase em que
se ape eiçoam ainda as es u u as e ac i idades ligadas às ac i idades lú io-ma-
í imas, nomeadamen e, a a és do omen o da cons ução na al. os decénios i-
nais da Idade Média, po seu lado, i e am a ampliação cada ez mais ápida dos
espaços de na egação, a edi inição das linhas de con ac o com ou as egiões eu-
opeias, a p og essi a complexi icação das es u u as de enquad amen o, o çadas
que o am a adap a em-se ao ala gamen o espacial e ainda, a melho ia da máquina
iscal en ão solici ada a no as exigências que punham à p o a não apenas os p o-
cessos de cob ança em espaços mais as os e e i o ialmen e a as ados mas so-
b e udo, a necessidade de ob enção de um maio olume de édi os, indispensá el
ao supo e inancei o da implan ação das ins i uições adminis a i as e iscais cada
ez mais complexas da expansão ma í ima e ainda, a cus ea a a i mação c escen e
e i e e sí el do pode égio.
Os p imei os sinais de que a impo ância das ac i idades li o âneas de ia
es a em ascensão da am da 1ª me ade do século XIII, uma ez que em 1227 já
se dis inguiam, nos documen os, os ma inhei os dos pescado es, uma oco ência
que apon a cla amen e pa a uma especialização e au onomização de unções. no
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mesmo sen ido de e se in e p e ada a p imei a menção conhecida à exis ência de
umas a acenas em Lisboa, oco ida em 1237 ou seja, apenas duas décadas depois
da de ini i a conquis a de Alcáce do Sal e p opo cionado à cidade da oz do Tejo
a anquilidade e a segu ança que unanimen e se conside a que despole a am o seu
i e e sí el c escimen o como cidade e como po o lú io-ma í imo.
Mas oi apenas a pa i da 2ª me ade do século XIII, quando A onso III se li-
be ou dos enca gos da gue a com o Islão e se mos ou de e minado em enquad a
de modo mais e ec i o o eino sob a au o idade égia, que se deu início a uma es a-
égia mais consis en e e con inuada pa a as zonas li o ais. Assim, a p imei a pe ipé-
cia de uma longa e iolen a dispu a com o bispo do Po o pelo usu u o das endas
iscais p o enien es das ac i idades me can is e ma í imas associadas à emboca-
du a do dou o ab iu, logo em 1253, um ciclo de cla a a i mação da p e alência da
co oa pe an e os p i ilegiados na uição dos édi os p o enien es das ac i idades
especí icas das á eas li o ais que se a e do comé cio ma í imo, da na egação, da
pesca ou da explo ação salinei a, aduzida em con li os e con endas ap o ei adas
pa a a di usão de p á icas de igilância e igo sob e o exe cício dos seus di ei os e
p e oga i as de p op iedade, e eladas no cuidado pos o na p odução de comp o-
a i os esc i os ou na elabo ação de inqué i os.
Uma es a égia que se complemen ou com a a ibuição de o ais a localida-
des ibei inhas ou, o que é mais signi ica i o de ido ao seu peso iscal, a comuni-
dades ins aladas na oz de ios ou na sua imedia a p oximidade, uma p á ica que
conheceu nes a c onologia a ase um dinamismo único e sem con inuidade em
empos subsequen es, o qual e e como co olá io con ole iscal, po pa e da ea-
leza, das p incipais en adas/saídas do eino. Assim acon eceu po exemplo, com
Vila No a Gaia (1255) localidade on ei a ao Po o e po an o, na oz do Dou o
ou, com Viana (1258) que se desen ol eu no es uá io do io Lima. A odas es as
localidades não al ou, ul e io men e, o a o égio, a a és da concessão de p i-
ilégios, de isenções iscais e de ou os apoios que pudessem p opicia o seu de-
sen ol imen o e a assunção plena dos objec i os que inham, em g ande pa e,
jus i icado a a ibuição das ca as de o al. uma polí ica con inuada po seu ilho
e he dei o d. dinis median e a o mação de pó oas ma í imas e lú io-ma í imas
es a égicamen e localizadas e na p eocupação, em ecupe a aos p i ilegiados,
median e complexos e demo ados escambos, o senho io de localidades ibei i-
nhas, al como acon eceu com Almada e A ei o, si uadas espec i amen e, nos es-
uá ios dos ios Tejo e Vouga.
Uma ou a linha de ac uação de g ande con inuidade ganhou os seus con o -
nos nes a 1º ase. T a ou-se do in e esse égio pelas ac i idades pisca ó ias e de
ex acção de sal, ac i idades que, apesa de se em comuns a oda a linha cos ei a
me ece am uma especial a enção nas zonas mais p opícias à p odução salinei a-
cada ez as localizadas a sul do Dou o em de imen o das mais se en ionais con-
inadas que es as úl imas es a am a um p og essi o apagamen o de ido aos seus
olumes p odu i os mais baixos e, à cap u a de ce áceos, espécies de g ande alo
económico e que e am mais equen es nas cos as es emenhas e no li o al do
Alen ejo e do Alga e.
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A concessão de p i ilégios aos pescado es como oi o caso da isenção de pa-
gamen o de alguns di ei os sob e o pescado ou sob e as emba cações, o omen o e
a é a c iação de pequenos cen os pisca ó ios lú io-ma í imos aduzi am-se não
apenas numa mais dinâmica explo ação desse ecu so mas ambém no undamen-
al p opicia do desen ol imen o de con ingen es humanos habi uados às lides do
ma , uma compe ência que os o na a ap op iados pa a o ec u amen o pa a as a -
madas eais em o ganização.
Mas no desen ol imen o des a linha es a égica de explo ação dos ecu sos
na u ais oi semp e pa en e que as p eocupações égias associa am o omen o ao
desejo de ga an i o máximo do usu u o, como acon eceu com a opção pelos con-
a os de a endamen o da cap u a de ce áceos na cos a do Alen ejo e do Alga e
ou, a ins i uição de monopólios da pesca do a um e da p odução e come cialização
de sal que oi inse ida nos ex os o alengos concedidos pelos mona cas de Duzen-
os a localidades alga ias.
A o mação de uma a mada capaz de ga an i , pa a além da in e enção em
si uações de con on o na al, a segu ança do ma e da linha cos ei a em elação às
dep adações da pi a a ia e do co so e e como é e iden e, g andes epe cussões na
dinâmica cos ei a do eino po uguês. Uma inicia i a p o agonizada po D. Dinis
ao le a a cabo em 1317, um con a o com ma inhei os es angei os- inicia a-se
assim a longa pe manência da amília Pessanha à en e da a mada égia po u-
guesa- que queb a a a adição de con e i essa unção a um memb o des acado da
nob eza. Es e ecu so a especialis as na a e de na ega , os geno eses, eio ga an i
uma no a e mais e ec i a e icácia an o mais que compe ia a Miçe Pessanha e aos
seus sucesso es o desempenho do ca go de almi an e e po an o, a supe in endência
de oda a logís ica e de inição de es a égias des a es u u a na al. Mas se os ho i-
zon es ma í imos e cos ei os se o na am assim mais segu os, es a decisão ma cou
a ine i abilidade da p esença da gue a ma í ima nas si uações de con li o a i e
po Po ugal nos empos subsequen es e cujas consequências se a iam sen i sob e-
udo nas localidades cos ei as e/ou ibei inhas. A um undamen al papel na ob en-
ção de ecu sos alimen a es, de dinamização do comé cio ma í imo, de ecolha de
ele ados ecu sos iscais, o li o al ac escen a a a pa i de ago a, uma unção bas-
an e mais p o agonizado a e in e enien e sob o pon o de is a na al.
Mas, a cons i uição da a mada assumiu-se ainda como um elemen o de di e si-
icação de ac i idades p o issionais ligadas ao ma pois o seu uncionamen o impli-
ca a a exis ência de um co po ixo de pessoal especializado que pudesse enquad a
odos os ou os que o se iço compulsi o, sob e udo depois da ins i uição das in-
enas do ma , in eg a a nas emba cações da a mada eal. o ec u amen o de uns e
ou os ai a ec a se sob e udo mas comunidades li o âneas que se conside a a dispo-
em de homens mais ap os pa a o desempenho dessas ac i idades. As queixas jun o
do mona ca, p incipalmen e nas assembleias de co es, o am uma cons an e desde
início das equisições, uma insis ência que al ez explique po exemplo, a p og es-
si a subs i uição dos pescado es po ca i os e condenados na unção de emado es.
no pe íodo que se es ende en e o inal do einado de d. dinis e a conquis a
de Ceu a, as si uações eco en es de con li o i idas na 2ª me ade do século XIV
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A impo ância da linha cos ei a na es u u ação do Reino medie al po uguês... 17
ans o ma am as egiões cos ei as – com especial ele o pa a Lisboa- num es-
paço ulc al se bem que nem semp e pelas azões mais a o á eis. o que ajuda
a comp eende a polí ica égia de omen o das disponibilidades do eino em em-
ba cações, que an o passou pela concessão de p i ilégios aos in e essados em
cons uí-las ou adqui i-las como pelo acili a da ob enção de ma é ias-p imas-
madei as po exemplo- a a és da sua comp a o a do eino ou do o necimen o
a pa i das ma as eais. No mesmo sen ido de e se in e p e ada a concessão em
1381, aos ca pin ei os e cala a es das a acenas de Lisboa da isenção da equisição
pa a as in enas do ma e pa a os se iços concelhios. Mas es a c onologia oi a
que mais sac i ícios exigiu às zonas li o ais pa a a ende cíclicas si uações de con-
li o ma í imo nem semp e a o á eis po ugueses. Reco dem-se a pesada de o a
em equipamen os e homens de Sal es ou, os es o ços que os ce cos e bloqueios a
Lisboa como o de 1384, exigi am às p incipais localidades po uá ias da cos a po -
uguesa, com especial ele o pa a a cidade do Po o.
Pouco a o á el no aspec o na al, es a ase coincide con udo, com a p o-
g essi o ala gamen o dos ho izon es das o as come ciais em que os me cado es
p o enien es das cidades e ilas do li o al se a en u a am, o que con igu a uma
época de alguma p ospe idade pa a o comé cio ma í imo associado ao li o al po -
uguês. Uma si uação que se p ende, sem dú ida, com a expansão u bana i ida
em oda a C is andade eu opeia e que ambém se ez sen i em Po ugal. Mas que
alguns au o es não deixam de associa às pe ipécias da gue a do Cem Anos, que
mau g ado a oco ência de si uações de ep esália, não deixa am de a o ece a pe-
ne ação da na egação ibé ica no A lân ico. Enquan o ou os conside am que esse
impulso posi i o se de e às isenções de dízimas sob e o comé cio ma í imo com
ce as egiões - ança ou á eas muçulmanas, po exemplo- es abelecidas nas ca -
as de o al concedidas às localidades ibei inhas.
O dinamismo da ac i idade come cial ma í ima oi ainda esponsá el pela
p esença de es angei os nos po os po ugueses, a qual, nos mais impo an es
como o Po o, as ilas e cidades alga ias e sob e udo Lisboa começou p og essi-
amen e a se mais nume osa, p opiciando uma ins alação con inuada que eio in-
oduzi um elemen o no o na sociedade dessas localidades. Mas que se a e de
p esenças e éme as que de ins alações p olongadas, a p esença de es angei os,
sob e udo po que ligados a uma ac i idade ão luc a i a e concu encial, não se
azia sem p oblemas de in eg ação p opiciado es de ixas e con li os que cabia aos
mona cas a bi a . Uma a e a di ícil quando se inha de equilib a os desejos dos
au óc ones que p e endiam e a as ada oda e qualque conco ência es angei a
e os in e esses do eino pa a o qual, essa p esença e a undamen al, is o ga an i
pa a além de a ul ados édi os iscais e abas ecimen os indispensá eis, es a égias
de elacionamen o polí ico-diplomá ico com ou as unidades polí icas eu opeias
com as quais Po ugal es abelecia um xad ez complexo de con ac os, que nes a
c onologia se pa ecia o ien a mais pa a o gol o da Gasconha, pa a as cos as ingle-
sas e sob e udo, pa a a Fland es.
A ase que se inicia com a conquis a de Ceu a em 1415 ca ac e izou-se pa a
as zonas li o âneas po uguesas como um pe íodo de con inuidades e de up u as.
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