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A actividade do entalhador sevilhano Manuel Romero em Tavira (Algarve)

Abstract

O principal objectivo deste artigo é apresentar a obra do entalhador Manuel Romero na região do Algarve, os seus antecedentes familiares e profissionais em Sevilha, alguns acontecimentos que antecederam a sua vinda para o extremo sul do território português nas primeiras décadas do século XIX e, em especial, a actividade levada a cabo por este mestre em Tavira.

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A actividade do entalhador sevilhano Manuel Romero em Tavira (Algarve)

Author: Santos, Marco Sousa
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2013
Source: https://idus.us.es/bitstreams/20b781b8-7219-4cb3-a756-2586c4456ef7/download
A ac i idade do en alhado se ilhano Manuel Rome o em Ta i a (Alga e) 675
Labo a o io de a e 25 (2013), pp. 675-687, iSSN 1130-5762
A ACTIVIDADE DO ENTALHADOR
SEVILHANO MANUEL ROMERO EM TAVIRA
(ALGARVE)
THE LABOR OF THE SEVILLIAN WOODCARVER MANUEL
ROMERO IN TAVIRA (ALGARVE)
Po Ma co Sousa San os
Uni e sidade do Alga e, Po ugal
O p incipal objec i o des e a igo é ap esen a a ob a do en alhado Manuel Rome o na egião do Al-
ga e, os seus an eceden es amilia es e p o issionais em Se ilha, alguns acon ecimen os que an ecede am
a sua inda pa a o ex emo sul do e i ó io po uguês nas p imei as décadas do século XIX e, em especial,
a ac i idade le ada a cabo po es e mes e em Ta i a.
Pala as-cha e: Re ábulos, Neoclassicismo, Se ilha, Ta i a.
The main pu pose o his pape is o p esen he wo k o he se illian woodca e Manuel Rome o in
he Alga e, his amilia and a is ic backg ound in Se ille, some e en s p io o his coming o he sou h
end o he po uguese e i o y in he i s decades o he nine een h cen u y and, in pa icula , he ac i i y
de eloped by his mas e in Ta i a.
Keywo ds: Al a pieces, Neoclassicism, Se ille, Ta i a.
1. INTRODUÇÃO
A ac i idade a ís ica desen ol ida pelo mes e en alhado Manuel Rome o na
egião do Alga e oi inicialmen e e e ida po F ancisco Lamei a, na sua disse ação
de Dou o amen o em His ó ia da A e Mode na, in i ulada A Talha no Alga e du an e
o An igo Regime, ob a publicada em 2000. Nesse ensaio, o mencionado en alhado ,
en ão denominado como Manuel Romei a, é indicado como o au o dos e ábulos
cola e ais da ig eja da O dem Te cei a do Ca mo de Ta i a, exempla es p esumi el-
men e execu ados en e 1817 e 1818, segundo o o mulá io neoclássico, assim como
o esponsá el pela execução da essa (pla a o ma mó el onde se coloca am as u nas
du an e as ce imónias úneb es) da mesma ig eja, no ano de 1820. Pa a além disso, e a
ambém ido como o p o á el au o de um e cei o e ábulo, colocado no bap is é io
da ig eja de San a Ma ia do Cas elo, igualmen e na cidade de Ta i a, que ap esen a a
semelhanças o mais com os an e io es1.
1 F ancisco LAMEIRA, A Talha no Alga e du an e o An igo Regime, Fa o, 2000, pp. 342 a 344.
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Pouco mais se sabia ace ca des e en alhado , que en ão se suponha se alga io, e
que os li os de despesas da ig eja da O dem Te cei a do Ca mo iden i ica am semp e
como o mes e Manuel “Romei a”. Não obs an e, à pa ida, F ancisco Lamei a não
deixa ia de sublinha a o iginalidade dos e ábulos neoclássicos da di a ig eja, dois
exempla es idên icos, espec i amen e dedicados a N.ª S .ª das Angús ias (E angelho)
e ao Senho dos Passos (Epís ola), classi icando-os mesmo como exempla es únicos
den o do uni e so a ís ico da alha neoclássica do Alga e2. De ac o, a u ilização de
um ipo de plan a ligei amen e cônca a, numa época em que p edomina a a plan a ec a,
o ecu so a dois pa es de colunas, em ez de apenas um, assen es sob e pedes ais, u ili-
zando essas colunas uma ipologia sem pa alelo na egião alga ia (pelo menos du an e
a igência do o mulá io neoclássico), com o e ço in e io di e enciado e deco ado
com canelu as, ou ainda a in ulga u ilização de um as ígio sob e o on ão iangula ,
ladeado po u nas une á ias, no á ico, azia com que es es e ábulos se des acassem,
imedia amen e, den o do conjun o de e abulís ica neoclássica execu ada no Alga e.
Exis iam, po an o, indícios que apon a am no sen ido de es a mos pe an e a ob a de
um a is a não alga io, o iundo de ou o cen o a ís ico.
Con udo, a e dadei a iden idade do au o dos e ábulos cola e ais da ig eja dos
Te cei os ca meli as só se ia e elada na sequência da descobe a de um ecibo de
despesas, manusc i o, da ado e assinado pelo p óp io. Nesse documen o, a ecadado
no a qui o da O dem Te cei a do Ca mo de Ta i a, e ela i o às despesas e ec uadas
com o conse o do esqui e da ig eja, podia le -se, em cas elhano: “Impo o la com-
pos u a del Esqui e […] Tabi a, 5 de Mayo de 1815. Manuel Rome o”3. G aças a es e
apon amen o, oi possí el de e mina a nacionalidade do en alhado Manuel Rome o,
que a é en ão se imagina a pode se um a is a egional, is o é, de o igem alga ia,
bem como a co ec a g a ia do seu apelido, sis ema icamen e apo uguesado pelas
on es documen ais da época. Mais in o mações ace ca do e e ido indi íduo se iam
o necidas po um assen o de casamen o, ealizado na eguesia de San a Ma ia de
Ta i a, da ado de 21 de Junho de 1820, no qual o nuben e é iden i icado como An ónio
Ma ia Tho íbio, “o icial de en alhado ”, na u al da pa óquia de São Vicen e da cidade
de Se ilha, ilho de Manuel Rome o e de Ci ila Se ápia da Cos a, ne o pa e no de um
ou o Manuel Rome o e de Ma ia Rosa, e ma e no de F ancisco da Cos a e Felipa de
Cáce es, odos da cidade de Se ilha4. À luz des as in o mações, pa ecia admissí el
2 Idem, Ibidem, p. 373.
3 AOTCT (ARQUIVO DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE TAVIRA), Recibo da
quan ia gas a com o conse o do esqui e, 1815, Fundo de olhas a ulsas. Publ. po Ma co Sousa
SANTOS, A ig eja da Vene á el O dem Te cei a de Nossa Senho a do Ca mo de Ta i a (subsídios
pa a a sua in e p e ação), Tese de Licencia u a em Pa imónio Cul u al ap esen ada à Faculdade
de Ciências Humanas e Sociais da Uni e sidade do Alga e, 2009, p. 26.
4 IAN/TT (INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS / TORRE DO TOMBO), Li o
de egis o de casamen os da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1819-1827), ólio 13). Publ. po
Ma co Sousa SANTOS, “O mes e en alhado Manuel Rome o: um a is a se ilhano em Ta i a no
início do século XIX”, P omon o ia, 7/8, Fa o, 2009/2010, p. 284.
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a i ma que o mes e en alhado esponsá el pela execução dos e ábulos cola e ais da
ig eja dos Te cei os ca meli as de Ta i a nas p imei as décadas de Oi ocen os e a, na
e dade, o mesmo Manuel Rome o indicado como pai do o icial de en alhado An ónio
Ma ia Tu íbio, e que ambos e am na u ais da cidade andaluza de Se ilha, al como
es emunha a o egis o de casamen o des e úl imo.
2. O CÍRCULO FAMILIAR E A FORMAÇÃO ARTÍSTICA
As in o mações documen ais a é ago a coligidas, ela i as à ac i idade le ada a
cabo pelo mes e en alhado Manuel Rome o na cidade de Se ilha, dão con a de um
p o issional com alguma no o iedade, pelo menos den o do pano ama a ís ico local,
especialmen e compe en e no que diz espei o à a e do en alhe da madei a, pa idá-
io da aplicação do o mulá io a ís ico neoclássico e, pa a além disso, com es ei as
ligações amilia es, e p o issionais, a algumas impo an es igu as do meio a ís ico
se ilhano da sua época.
O mes e en alhado Manuel Felipe Rome o5, ou simplesmen e Manuel Rome o,
e á nascido na década de 50, ou 60, do século XVIII, mui o p o a elmen e na eguesia
de San Vicen e da cidade de Se ilha, ilho de ou o Manuel Rome o e de Ma ia Rosa6
(apesa de não e sido possí el localiza o espec i o assen o de bap ismo). Tampouco
oi possí el apu a nada ace ca da sua o mação. No en an o, sabe-se que, em 1787,
na pa óquia se ilhana de San Ma ín, Manuel Rome o ai con ai ma imónio com
Ci ila Se ápia de Acos a, ilha de F ancisco de Acos a O Velho, mes e en alhado das
ob as do A cebispado, e de Felipa de Cáce es7, e, consequen emen e, ne a pa e na de
Cae ano Albe o da Cos a, o celeb ado mes e po uguês, ambém en alhado -mo das
ob as do A cebispado de Se ilha, com o icina sedeada na capi al andaluza a pa i da
1ª me ade do século XVIII, e de sua mulhe , Isabel de Amil8.
Tudo indica que, após o sup amencionado enlace, Manuel Rome o e á ixado e-
sidência na pa óquia se ilhana de San Vicen e, já que o seu ilho, An ónio Ma ia, se á
mais a de iden i icado como na u al dessa mesma eguesia9. Pa ece que a amília e á
i ido numa casa da ua de Los Ti os, da e e ida pa óquia de San Vicen e. De ac o,
em Ma ço de 1787, Manuel Rome o, en ão iden i icado como o icial de en alhado , e
mo ado nessa mesma ua, ai in e i numa esc i u a de a endamen o, na qualidade
5 Al onso Pleguezuelo HERNÁNDEZ, Un e a o amilia de los Acos a en su segunda ase
se illana, in Labo a o io de A e, nº 7, Se ilha, 1994, p. 142.
6 IAN/TT, Li o de egis o de casamen os da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1819-1827),
ólio 13). Publ. po Ma co Sousa SANTOS, op. ci ., 2009, p. 27 ( ex o policopiado).
7 Al onso Pleguezuelo HERNÁNDEZ, op. ci ., 1994, pp. 141 e 142.
8 A espei o da ida e ob a de Cae ano da Cos a, eja-se: Al onso Pleguezuelo HERNÁNDEZ,
Caye ano de Acos a (1710-1778), Se ilha, 2007; F ancisco LAMEIRA e Síl ia FERREIRA, Os an-
eceden es a ís icos de Cae ano da Cos a: A ase lisboe a, in Labo a o io de A e 20, Se ilha, 2007.
9 IAN/TT, Li o de egis o de casamen os da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1819-1827),
ólio 13. Publ. po Ma co Sousa SANTOS, op. ci ., 2009, p. 27 ( ex o policopiado).
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de iado do mes e F ancisco de Acos a, mo ado na ua da Caña e e ía10. É nessa
mesma ua de Los Ti os que, em Ou ub o de 1793, o en alhado Manuel Rome o ai
a enda , po um pe íodo de dois anos, umas casas de mo ada que e am p op iedade
do Hospi al da Mise icó dia11.
Como já oi e e ido, nada se sabe a espei o da o mação a ís ica de Manuel
Rome o. Toda ia, o mais p o á el é que enha iniciado a sua ca ei a, na qualidade de
ap endiz, numa das á ias o icinas de en alhe es abelecidas na capi al andaluza, e que
aí enha ap endido os undamen os da sua a e, abalhando sob a o ien ação de um
mes e mais expe imen ado.
Apesa de, objec i amen e, não se possí el apon a o nome do esponsá el pela
ins ução do jo em Rome o, nem ampouco a o icina onde e á iniciado a sua ca ei a,
é admissí el pensa que, em alguma ase da sua o mação, es e possa e colabo ado
com a o icina de en alhe da amília Acos a, e en ualmen e ainda sob o comando do
mes e Cae ano de Acos a ou, o que pa ece mais exequí el em e mos c onológicos,
já sob a di ecção do seu ilho F ancisco de Acos a, que assume a di ecção da o icina
amilia após a mo e do pai, oco ida em 177812. De ac o, o subsequen e casamen o
de Manuel Rome o com Ci ila Se ápia de Acos a pa ece suge i a exis ência de algum
ipo de elação en e o a is a e os en alhado es de apelido Acos a, e en ualmen e de
na u eza p o issional.
Po úl imo, não se á de desca a a hipó ese de Manuel Rome o e ecebido uma
o mação académica, mais a de complemen ada com a componen e p á ica, le ada a
cabo numa das o icinas pe encen es ao seu cí culo amilia , à semelhança do que e á
acon ecido com F ancisco An ónio de Acos a, ambém ilho de Cae ano de Acos a, e io
pa e no de Ci ila Se ápia, apenas alguns anos mais no o que o seu i mão homónimo, e
que, segundo apu ou Al onso Pleguezuelo He nández, e á es udado na Escola das T ês
Nob es A es, onde se e á ma iculado nas disciplinas de Pin u a e A qui ec u a, logo
em 1775, e no amen e na disciplina de A qui ec u a alguns anos mais a de, em 178313.
3. A ETAPA SEVILHANA
A ac i idade a ís ica desen ol ida pelo mes e Manuel Rome o e á ido início
no deco e do úl imo qua el do século XVIII, ainda que a mais an iga ob a que se
lhe pode a ibui , com ela i a segu ança, seja a execução do e ábulo da capela-mo
da ig eja pa oquial de São Ba olomeu de Se ilha, emp ei ada que assume em 1795,
já em pa ce ia com o mes e F ancisco de Acos a14.
10 Jesus Palome o PARAMO e F ancisco Ros GONZÁLEZ (p ólogo e di ecção), No ícias de
Escul u a (1781-1800), Se ilha, 1999, p. 665.
11 Idem, Ibidem, p. 666.
12 C . Al onso Pleguezuelo HERNÁNDEZ, op. ci ., 1994, pp. 138 a 143.
13 Idem, Ibidem, p. 143.
14 Jesus Palome o PARAMO e F ancisco Ros GONZÁLEZ (p ólogo e di ecção), op. ci ., 1999,
pp. 666 a 668.
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É p ecisamen e du an e es e pe íodo, is o é, ao longo do de adei o qua el de Se-
ecen os, que o o mulá io neoclássico se ai a i ma no pano ama a ís ico espanhol,
en en ando, ainda assim, a oposição dos cí culos mais conse ado es, que eimam em
pe manece indi e en es aos no os p incípios es é icos. E ec i amen e, a conjun u a só
começa a al e a -se quando, em 1777, pe an e a incómoda sob e i ência dos an igos
modelos ba ocos den o do uni e so a ís ico espanhol, e a on ade de algumas classes
mais ilus adas em aze aplica o mode no o mulá io classicis a, u ilizado em F ança
e em I ália, os memb os da Real Academia de Belas A es de São Fe nando, pedem ao
ei Ca los III (1759-1788) que ponha im aos “abusos” es é icos p a icados um pouco
po odo o país, p opondo como solução a censu a p é ia, e a e en ual co ecção, po
pa e dos p o esso es da Academia, de odos os “p ojec os de impo ância”. No campo
da e abulís ica, e pa icula men e no que diz espei o aos ma e iais a u iliza na exe-
cução dos e ábulos, os académicos mad ilenos ão ainda mais longe, ecomendando,
pa a além da aplicação dos p incípios es é icos neoclássicos, a subs i uição da madei a
en alhada e dou ada po ma e iais pé eos com aplicações de b onze, po se em, es es
úl imos, ma e iais mais nob es, du adou os, asseados, es a em isen os dos pe igos deco-
en es de incêndios e, pa a além disso, dispensa em o one oso p ocesso de dou amen o,
mui as ezes esponsá el pelo aumen o exponencial do cus o o al des e ipo de ob as.15
Como é na u al, e comp eensí el, o con ex o a ís ico que se i ia em Espanha,
du an e es e pe íodo, e á sido absolu amen e undamen al pa a a adesão de Manuel
Rome o aos p incípios es é icos do neoclassicismo. Também a con i ência p óxima
com ou os a is as econhecidamen e adep os da u ilização do o mulá io neoclássico,
nomeadamen e com o seu cunhado João Bap is a Pa one, escul o de o igem geno esa,
casado com Ma ia dos Anjos Acos a (i mã de Ci ila Se ápia Acos a) 16 e á in luenciado
decisi amen e o pe cu so a ís ico de Manuel Rome o, e especialmen e a sua a i mação
enquan o a is a neoclássico.
O conjun o de ob as ac ualmen e a ibuí eis a Manuel Rome o inicia, con o me
an e io men e enunciado, com a ob a de execução do e ábulo da capela-mo da ig eja
de São Ba olomeu de Se ilha, um exempla em madei a pin ada e ma mo eada, com
plan a ligei amen e con exa, ap esen ando dois pa es de colunas, com o e ço in e io
di e enciado, e deco ado com canelu as, assen es sob e pedes ais, e as ígio ec angula ,
ladeado po u nas une á ias, no á ico, ob a adjudicada a a és de ajus e no a ial cele-
b ado en e o di o mes e e o pá oco da e e ida ma iz, da ado de 30 de Junho de 1795.
Em 1797, po esc i u a no a ial da ada de 30 de Janei o, Manuel Rome o, en ão
iden i icado como “p o esso de a qui ec o e ado nis a” comp ome e-se a cons ui
uma u na pa a a I mandade de Nues a Seño a de Regla, si a na ig eja de San a Luzia de
Se ilha, de endo a di a u na se execu ada em madei a da Fland es, e o nada de a jas
15 F ancisco S. Ros GONZÁLEZ, La polémica sob e los e ablos de es uco en Se illa en inales
del siglo XVIII, Labo a o io de A e, nº 14, 2001, pp. 110 e 111.
16 Al onso Pleguezuelo HERNÁNDEZ, op. ci ., 1994, pp. 142 a 144.

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deco adas com símbolos da Paixão, e um o al de dezasseis anjos à ol a, con o me
ica es ipulado no espec i o ajus e17.
Na úl ima década do século XVIII, Manuel Rome o ai se um dos mes es en-
alhado es en ol idos na “polémica” sob e os e ábulos de es uque, que en ol eu a
cons ução de um no o e ábulo pa a a capela-mo da ig eja de São João Bap is a da
pa óquia de Las Cabezas de San Juan. Nessa ocasião, es ando em causa a adjudicação
da ob a, o mes e Manuel Rome o oi um dos que se mos ou con á ios à execução de
um e ábulo em es uque, p opos a de endida po José Gab iel González, iden i icado
como p o esso da a e da a qui ec u a e p á ico em oda a classe de ob as de es uque.
Alega a Rome o, pa a obs a à ealização de um e ábulo em es uque, a supos a al a
de capacidade écnica de González, a ca ga excessi a que di a ob a exe ce ia sob e as
pa edes do cen ená io edi ício, o ac o de pa e da es u u a e de se necessa iamen e
cons uída em madei a, e o incon enien e ge al que esul a ia da subs i uição da secula
a e do en alhe da madei a pela in e io a e do es uque. No âmbi o des a polémica,
chega mesmo a se le an ada a descon o á el ques ão de Manuel Rome o se cunhado
de F ancisco de Acos a, mes e esponsá el pela e i icação da ob a.18
Em 1811, es e a is a e á sido ainda o esponsá el pela execução de uns ado nos
em b onze pa a as la ei as do Palácio dos Duques de Medina-Sidónia, cujo desenho
o a p e iamen e ap o ado pelo encomendado , o ba ão de De icau, go e nado mili a
da cidade de Se ilha, um dos o iciais do exé ci o de ancês que, desde Fe e ei o de
1810, ocupa a a capi al andaluza19. A p á ica da a e de undi o b onze, ainda que po
pa e de um econhecido mes e do en alhe da madei a, não se á de es anha , endo em
con a as di ec i as o iciais que, desde inais do século XVIII, aconselha am a execução
de e ábulos de ped a ia, com o namen os de b onze, em subs i uição dos exempla es
de madei a en alhada e dou ada.
4. A VINDA PARA O ALGARVE E A ESTADIA EM TAVIRA
Não se conhecem as azões que e ão le ado o mes e Manuel Rome o, e pa e da
sua amília mais p óxima, a ins ala -se em Ta i a, no p incípio do século XIX, po ém,
a hipó ese mais p o á el é que enham sido mo i os p o issionais a azê-lo pa a a
cidade alga ia. É mesmo possí el que a O dem Te cei a do Ca mo de Ta i a, a única
ins i uição pa a a qual o en alhado se ilhano comp o adamen e abalhou, enha sido
a p incipal esponsá el pela sua inda pa a a egião.
Como já oi indicado, a mais an iga e e ência documen al à p esença do mes e
se ilhano na egião alga ia, mais p ecisamen e em Ta i a, é um ecibo de pagamen o,
da ado de 5 de Maio de 1815, esc i o e assinado pelo p óp io, no qual se dá con a das
17 Jesus Palome o PARAMO; F ancisco Ros GONZÁLEZ (p ólogo e di ecção), op. ci , 1999,
pp. 668 e 669.
18 F ancisco S. Ros GONZÁLEZ, op. ci ., 2001, pp. 123 a 126.
19 F ancisco Olle o LOBATO, La ocupación ancesa de Se illa y la di usión del neoclasicismo:
la deco ación de la Casa de los Ca ale i, Labo a o io de A e, n. 15, Se ilha, 2002, p. 192.
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despesas ela i as à compos u a do esqui e da ig eja dos Te cei os ca meli as. Des e
modo, e apesa de não se possí el de e mina com maio exac idão a da a da sua
chegada a Ta i a, es a e á necessa iamen e oco ido en e Ou ub o de 1811, quando
Rome o execu a os ado nos de b onze pa a o palácio dos Medina-Sidónia, ainda em
Se ilha, e Maio de 1815, quando o di o mes e assina o sup amencionado ecibo, já
em Ta i a.
Quando Manuel Rome o chega à egião alga ia a cul u a es é ica dominan e em
Po ugal e a, à semelhança do que se passa a no país izinho, o neoclassicismo, mui o
imidamen e in oduzido no meio a ís ico nacional a pa i de 1787, a a és do escul o
Joaquim Machado de Cas o (1731-1822) que, no seu Discu so sob e as u ilidades do
Desenho, dado à es ampa nesse mesmo ano, ai assumi abe amen e a p edilecção
pelo “gos o dos an igos g egos e omanos”20. Con udo, o no o es ilo, desde logo de-
signado como “ao mode no”, se ia sob e udo adop ado nos sec o es mais e udi os da
sociedade. De ac o, e pa icula men e no que espei a à alha, a maio pa e da clien ela
con inua ia a op a po soluções a ís icas pouco ino ado as, de ca ác e adicionalis a
e a é mesmo e es idas de um ce o espí i o saudosis a21.
O papel desempenhado pelas classes mais ilus adas na di usão do no o es ilo é
pa icula men e isí el em algumas egiões pe i é icas, nomeadamen e no Alga e,
onde o bispo D. F ancisco Gomes do A ela (1739-1816) desempenha ia um papel
undamen al na di usão do no o o mulá io a ís ico, com o qual ha ia con ac ado,
em p imei a mão, du an e uma es adia em Roma22. Du an e o pe íodo em que es e e à
en e da diocese alga ia, is o é, en e 1789 e 1816, o di o p elado p ocu ou semp e
man e um con ole ape ado sob e a p odução a ís ica egional, especialmen e sob e
os p ojec os di ec amen e elacionados com o cul o eligioso, que ez subme e à p é ia
ap eciação do a qui ec o bolonhês F ancisco Xa ie Fab i (1761-1817), seu p o egido,
ga an indo assim a co ec a aplicação dos académicos alo es es é icos neoclássicos,
di ec amen e iliados no neoclassicismo i aliano.
Em Agos o de 1817, o en alhado Manuel Rome o es a ia já comp ome ido com a
ob a dos e ábulos cola e ais da ig eja da O dem Te cei a do Ca mo de Ta i a, como
suge em os egis os dos Te cei os ca meli as, que dão con a da quan ia gas a, nessa
da a, com a comp a de di e sos ma e iais necessá ios à execução da e e ida ob a, e
com um p imei o pagamen o ao di o mes e. No e-se, os egis os da O dem Te cei a do
Ca mo suge em que a execução des es dois e ábulos cola e ais e á implicado o p é io
en aipamen o das espec i as capelas. De ac o, em Agos o de 1817, os Te cei os ão
manda apa “ a po a e al a ” do Senho dos Passos e, alguns meses mais a de, em
Junho de 1818, é ambém en aipado o al a de N.ª S .ª das Angús ias23. Tudo indica que
20 José Edua do Ho a CORREIA, O signi icado do mecena o do bispo D. F ancisco Gomes
do A ela , Anais do Município de Fa o, n. XXVI, Fa o, 1996, p. 89.
21 F ancisco LAMEIRA, O e ábulo em Po ugal – das o igens ao declínio, Fa o, 2005,
p. 110.
22 José Edua do Ho a CORREIA, op. ci ., 1996, p. 90.
23 Ma co Sousa SANTOS, op. ci ., 2009, p. 26.
Ma co Sousa San os
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a necessidade de en aipa as capelas e á sido de e minada pelo p ojec o delineado po
Rome o, que p e ia a execução de um e ábulo de plan a p a icamen e plana, mas com
um nicho cen al pa icula men e p o undo.
A ob a de execução dos e ábulos cola e ais e -se-á p olongado, pelo menos, a é
ao início de 1821, al u a em que os li os de despesas da O dem Te cei a dão con a da
comp a dos “p egos pa a p ega o ema e dos al a es” 24. No en an o, no e-se, apesa
de es u u almen e concluídos no início da década de 20, os dois e ábulos cola e ais,
de madei a en alhada, só se iam pin ados e ma mo eados algumas décadas depois, mais
p ecisamen e em 1849, pelo I mão An ónio José Guima ães25.
Vale á a pena sublinha que, no que diz espei o à composição, são e iden es as
semelhanças o mais que se podem es abelece en e os e ábulos cola e ais da ig eja
dos Te cei os ca meli as de Ta i a e o e ábulo execu ado po Manuel Rome o pa a a
capela-mo da ig eja de São Ba olomeu de Se ilha, em 1795. De ac o, sal agua dadas
as di e enças de escala, e o ac o de, no caso se ilhano, es a mos pe an e um e ábulo
des inado à capela-mo , em ambas as si uações se e i ica o ecu so a um ipo de plan a
p a icamen e plana, a u ilização de dois pa es de colunas lisas, mas com o e ço in e io
di e enciado, e deco ado com canelu as, assen es sob e pedes ais, e as ígio ec angula ,
ladeado po u nas une á ias, no á ico.
Pa a além de Manuel Rome o, o mes e esponsá el pelo p ojec o dos e ábulos
cola e ais da ig eja dos Te cei os ca meli as de Ta i a, é mui o p o á el que ambém
o o icial de en alhado An ónio Ma ia Tho íbio, um dos ilhos do mes e se ilhano,
cuja p esença na cidade alga ia, no início da década de 20, es á documen almen e
comp o ada26, possa e colabo ado na di a ob a. Pa a além disso, ambém ou o ilho
de Manuel Rome o, de nome José Rome o, iden i icado como “assis en e” na eguesia
de San a Ma ia de Ta i a, no ano de 1821,27 pode á e in eg ado a equipa de abalho,
24 AOTCT, Li o da ecei a e despesa da O dem III de N.ª S .ª. do Ca mo de Ta i a (1816-
1822), ólio 18.
25 Ma co Sousa SANTOS, op. ci ., 2009, p. 29.
26 No e-se que, na sequência do seu casamen o com uma jo em a i ense, oco ido em 1820,
An ónio Ma ia Tho íbio, po ezes ambém iden i icado como An ónio Ma ia Rome o, ou Rome a,
e -se-á ixado de ini i amen e em Ta i a, já que é nes a cidade alga ia que, nos anos que se seguem,
são bap izados os seus ilhos, ne os pa e nos de Manuel Rome o. Regis em-se, a es e espei o, os
bap ismos, em San a Ma ia de Ta i a, de Manuel, o p imogéni o, logo em 1821, sendo pad inho o
io pa e no, José Rome o, na al u a e e ido como assis en e na cidade de Ta i a (C . ANTT, Li o de
egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1818-1822), ólio 173), de An ónio, em
1823, de Albe o, em 1826 (C . ANTT, Li o de egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia
de Ta i a (1822-1827), ls. 41 e 207 ), de José, em 1829 (C . ANTT, Li o de egis o de bap ismos
da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1827-1832), ólio 99 ), de Felipa, em 1834, de Joaquim, em
1836, de Tibú cio, em 1839 (C . ANTT, Li o de egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia
de Ta i a (1832–), ls. 62, 147 , 148, 235 e 236), e de Godo edo, em 1841 (C . ANTT, Li o de
egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1839-1846), ólio 65 )
27 C . ANTT, Li o de egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1818-1822),
ólio 173.
A ac i idade do en alhado se ilhano Manuel Rome o em Ta i a (Alga e) 683
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apesa de, ao con á io do que sucede com o seu i mão An ónio Ma ia, não exis i em
quaisque indícios documen ais que pe mi em associa esse indi íduo à p á ica da a e
do en alhe da madei a.
Como já oi e e ido, udo indica que, du an e a sua es adia em Ta i a, Manuel
Rome o abalhou exclusi amen e pa a a O dem Te cei a do Ca mo, execu ando dois
e ábulos cola e ais e le ando a cabo ou as ob as de meno dimensão na sua ig eja p i-
a i a. Con udo, e apesa de não se conhece em documen os que o comp o em, pa ece
admissí el que o mes e se ilhano possa e execu ado ambém o cadei al e o a co da
capela-mo da ig eja dos Te cei os ca meli as, ob as de au o ia desconhecida, concluí-
das an es de Julho de 181328, que ap esen am elemen os de alha dou ada, o malmen e
bas an e semelhan es aos u ilizados nos mencionados e ábulos cola e ais. De ac o, essa
ci cuns ância explica ia a p esença do mes e Rome o em Ta i a logo em 1815, apesa
de só e começado a ob a dos di os e ábulos em 1817. Pa a além disso, em e mos
p o issionais, só a ga an ia de uma g ande ob a e á jus i icado a opção de abandona
a capi al andaluza e es abelece -se num cen o a ís ico pe i é ico como e a o Alga e.
De algum modo, os e ábulos cola e ais da ig eja da O dem Te cei a do Ca mo de
Ta i a acaba iam po cons i ui o úl imo ôlego da a e do en alhe na egião alga ia.
De ac o, a cu o p azo, a u ilização do o mulá io neoclássico, que eduzia ao mínimo
o uso de elemen os em madei a en alhada, associada a uma conjun u a socioeconómica
bas an e des a o á el, acaba ia po p o oca a decadência do o ício de en alhado .
Mais do que ob as de en alhe, os poucos e ábulos que se execu am daí em dian e se ão
peças de ca pin a ia. Apesa de não se sabe ao ce o de que modo es a ans o mação
conjun u al e á a ec ado o mes e Manuel Rome o (que p o a elmen e i eu o es o
dos seus dias em Ta i a), a des alo ização p o issional do o ício de en alhado é isí-
el no pe cu so do seu ilho, An ónio Ma ia Rome o, que se es abelece ia na cidade
alga ia e que, em 1820, é ainda iden i icado como “o icial de en alhado ”, mas que
a documen ação pos e io ai classi ica como “o icial de ca pin ei o”29 e, inalmen e,
apenas como “ca pin ei o”30.
CONCLUSÃO
O mes e Manuel Rome o, esponsá el po algumas ob as de en alhe na cidade
de Ta i a, nas p imei as décadas do século XIX, en a as quais se pode á des aca a
28 Po esc i u a no a ial, da ada de 17 de Julho de 1813, os Te cei os ca meli as de Ta i a
ajus am com o mes e pin o José Fe ei a da Rocha a “ob a do dou ado e pin u a do a co da
capela-mo da ig eja da di a O dem, e as cadei as da Mesa den o da mesma capela” (C . ADF
(ARQUIVO DISTRITAL DE FARO), Ca ó io No a ial de Ta i a, co a 8-6-455, ólios 6 e 7.
F ancisco LAMEIRA, op. ci ., 2000, p. 297).
29 ANTT, Li o de egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1827-1832),
ólio 99 .
30 ANTT, Li o de egis o de bap ismos da eguesia de San a Ma ia de Ta i a (1832-1839),
ls. 147 e 148.