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Ciudadanía digital y ecosistema de redes

Abstract

Resumen Inglés......: This article deals with the hyper-mediated society and its implications for citizenship. It tries to demonstrate that the growing use of technological intermediaries demands to clarify decisions that increase or reduce citizen liberties, and vindicates a new public, transnational and interconnected sphere. This sphere is made up around the transparency of protocols, software and networks architectures that help to explain and discuss the politics behind the informational codes.

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Ciudadanía digital y ecosistema de redes

Author: Silveira, Sergio Amadeu da
Year: 2007
Source: https://idus.us.es/bitstreams/a0f97397-66e9-4b8d-9a8e-30dea636b297/download
CIDADANIA DIGITAL E O ECOSSISTEMA DAS REDES
SERGIO AMADEU DA SILVEIRA1
Uni e sidad de Sao Paulo, B asil
Abs ac : O a igo a a da sociedade hipe media izada e suas implicações no campo da cidadania.
Busca demons a que o uso c escen e de in e mediá ios ecnológicos na comunicação exige
des enda as decisões que ampliam ou eduzem as libe dades dos cidadãos, bem como, ei indica
uma no a es e a pública, ansnacional e in e conec ada, o mada em o no da anspa ência dos
p o ocolos, so wa es e a qui e u as de ede que pe mi em comp eende e discu i a polí ica
emba cada nos códigos in o macionais.
Pala as-cha e: cidadania digi al, cibe di ei os, sociedade do con ole, polí ica dos códigos, In e ne .
Abs ac : This a icle deals wi h he hype -media ed socie y and i s implica ions o ci izenship. I
ies o demons a e ha he g owing use o echnological in e media ies demands o cla i y decisions
ha inc ease o educe ci izen libe ies, and indica es a new public, ansna ional and
in e connec ed sphe e. This sphe e is made up a ound he anspa ency o p o ocols, so wa e and
ne wo ks a chi ec u es ha help o explain and discuss he poli ics behind he in o ma ional codes.
Keywo ds: digi al ci izenship, cybe - igh s, con ol socie y, poli ics o codes, In e ne .
Des endando a ecnologia e suas de e minações
A comunicação é um enômeno indissociá el das o mações sociais ao longo de
nossa his ó ia. As sociedades buscam a pa i das o mas e meios de
comunicação ealiza suas p á icas co idianas. Assim, a comunicação é dis in a
em cada momen o his ó ico po que é a a és dela que a his ó ia é ealizada,
con ada e econ ada. Em di e sos momen os, g upos sociais c iam meios de
expandi suas o mas de comunica . Es es meios são c iados e condicionados
pelas elações sociais e se em pa a en ol e a sociedade nos o ma os que
in e essam aos g upos que a c ia am. Os meios de comunicação são ecnologias,
ou seja, são cons uções sociais e his ó icas que se em a consolidação ou
expansão de es ilos de ida de de e minados g upos sociais.
McLuhan esc e eu que os meios de comunicação al e am as nossas
pe cepções. O que ele não en a izou é que os meios ao al e a em as pe cepções
modi icam ambém o modo como as pessoas se elacionam hie a quicamen e
uma com as ou as e com as es u u as de pode social, seja pode polí ico,
1 Se gio Amadeu da Sil ei a é sociólogo e dou o em Ciência Polí ica pela Uni e sidade de São
Paulo. É p o esso i ula da pós-g aduação da Faculdade Cáspe Líbe o. Foi p esiden e do Ins i u o
Nacional de Tecnologia da In o mação e memb o do Comi ê Ges o da In e ne no B asil.
A gumen os de Razón Técnica, nº 10, 2007, pp. 251-264
Recibido: 03/07/2007 Acep ado: 13/09/2007
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econômico ou simbólico. Nesse sen ido, um dos elemen os mais impo an es da
discussão sob e a cidadania, ou seja, sob e a cons ução e manu enção de di ei os
em uma sociedade em ede (CASTELLS) passa po des enda como as edes
in o macionais são pe cebidas, inco po adas, con oladas e u ilizados pelos
cidadãos e g upos que dispu am os ecu sos sociais (econômicos, simbólicos,
polí icos) pa a de ende e es u u a seu quad o de di ei os. No mesmo caminho,
Thompson ale ou que
“só pode emos en ende o impac o social do desen ol imen o de no as
edes de comunicação e do luxo de in o mação, se puse mos de lado a
idéia in ui i amen e plausí el de que os meios de comunicação se em
pa a ansmi i in o mação e con eúdo simbólico a indi íduos cujas
elações pe manecem undamen almen e inal e adas. Nós i emos e , ao
in és, que o uso dos meios de comunicação implica a c iação de no as
o mas de ação e de in e ação no mundo social, no os ipos de elações
sociais e no as manei as de elacionamen o do indi íduo com os ou os
e consigo mesmo.” (THOMPSON, 13)
Os meios e o mas de comunicação, seus ipos de in e a i idade e in e aces, uma
ez expandidas pelos g upos in e essados em espalha sua isão de mundo e de
pode , acabam moldando e condicionado as sociedades. Os meios de
comunicação, ou melho , as ecnologias da comunicação concen am e
es abilizam os in e esses dos ag upamen os sociais que a c ia am. Onde? Em
seus o ma os, mecanismos, códigos e pad ões. Quan o mais ecnológica o a
comunicação, mais seus códigos e a qui e u as de in o mação gua da am em
seus desenhos e in e aces as de e minações e, mui as ezes, as dispu as en e os
ag upamen os sociais que a c ia am e a man ém. Des enda os in e esses
o iginais embu idos nos códigos, p o ocolos e pad ões dessas ecnologias, bem
como, suas econ igu ações e eap op iações que pe mi i am, e, p incipalmen e,
os condicionamen os sociais que c ia am, são exigências a uais do es udo da
cidadania, bem como, do es udo da comunicação e da análise con empo ânea da
sociedade e do pode .
A ques ão da neu alidade e da in e e ência
Jesus Ma ín-Ba be o ao e le i sob e a a ual sociedade media izada des acou
que “as ecnologias não são neu as, pois hoje, mais do que nunca, elas
cons i uem g upos de condensação e in e ação de in e esses econômicos e
polí icos com mediações sociais e con li os simbólicos. Mas, po isso mesmo,
elas são cons i u i as dos no os modos de cons ui opinião pública e das no as
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o mas de cidadania, is o é, das no as condições em que se diz e se az polí ica.”
(MARTÍN-BARBERO, 70) Tal pe cepção implica na ecusa do discu so
hegemônico p a icado no me cado de que as ecnologias são u o de um
p og esso impa cial, obje i o, desideologizado e que es á a se iço de odos.
Po exemplo, o ádio ao se c iado oi socialmen e dispu ado e sua
na u eza écnica an o pe mi ia a comunicação bi-di ecional como unidi ecional.
Independen e dis o, a in enção do ádio seguia o empenho das eli es em ge a
um meio de expandi as possibilidades de comunicação pa a além da localidade,
pa a supe a as dis âncias, pa a se i a expansão capi alis a em sua colonização
do plane a. A sociedade de consumo, a sociedade de massas exigia meios de
c iação de um cul u a de massas, de compo amen os pad onizados que ossem
adequados a pad onização dos p odu os e dos gos os. O capi alismo p ecisa a do
b oadcas ing pa a se expandi economicamen e. Os g upos polí icos ambém
necessi a am do b oadcas ing pa a dissemina suas e sões de mundo e
ideologias.
O o alecimen o dos laços nacionais e a c iação de uma iden i icação
dos in e esses dos g upos polí icos dominan es com o in e esse da chamada
nação ambém e a ealizada pelo discu so adio ônico e pelo con ole da
ansmissão das ondas adioelé icas. T a as ecnológicas e am impos as pa a
assegu a um modelo de con ole sob e o en e enimen o e sob e a ampli ude das
mensagens polí icas. Asa B iggs e Pe e Bu ke desc e e am que “a adiodi usão
inha a an agem de pode se con olada, e os apa elhos de ádio das pessoas,
p oduzidos du an e o im da década de 1930, não cap a am as ansmissões de
ou os países”. (BRIGGS, BURKE, 222) Mas, não somen e a adiodi usão podia
se con olada, odas as ecnologias de comunicação e in o mação são
socialmen e condicionadas, desde sua na u eza a é seus usos e econ igu ações.
A ilusão de uma écnica neu a, ao despoli iza sua na u eza e seus
impac os, se e a omada de decisões a o á eis aos in e esses dos g andes
g upos econômicos. O g upo Monsan o diz que os angênicos são u o da
necessidade do p og esso, mas não admi e que seja um modelo especí ico de
in e esse das emp esas de e ilizan es que p e endem con ola os códigos
gené icos das semen es pa a, assim, monopoliza o me cado ag ícola. A
mic oso a i ma que seu sis ema ope acional é u ilizado em mais de 90% dos
compu ado es pessoais de ido a suas qualidades écnicas, mas não assume que
es a si uação é u o da combinação de écnicas de ap isionamen o das
companhias de ha dwa e2, clien es e go e nos, em que milhões de dóla es são
u ilizados em lobbies pelo mundo a o a.
2 O monopólio da mic oso em sis emas ope acionais oco eu em um con ex o mui o pa icula de
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O deba e sob e a TV digi al no B asil, oco ido a pa i de 2003,
ambém oi a ado em o no do discu so de uma supos a neu alidade écnica.
Os adiodi uso es, p incipalmen e os ep esen an es da Rede Globo,
ei indica am que osse u ilizado no país o ISDB (In eg a ed Se ices Digi al
B oadcas ing), conhecido como pad ão japonês. O a gumen o colocado e a sua
obus ez e supe io idade écnica. Toda ia, o pad ão japonês é o mais es i i o do
pon o de is a da ampliação do núme o de emp esas que podem ocupa o
espec o pa a a ansmissão digi al. Com a implan ação do pad ão ISDB, a Globo
p e endia, p incipalmen e, e i a a dispe são de e bas de publicidade e o
su gimen o de no os conco en es. A possibilidade de o mação de um pad ão
desen ol ido no B asil oi desca ada.
A p óp ia ocupação a ual do espec o adioelé ico, ap esen ada como a
única o ma de ealiza ansmissões po ondas de ádio em um espaço de
escassez, não passa de um mi o. Ke in We bach escla ece:
“Quase udo que ocê pensa que sabe sob e o espec o es á e ado.
Du an e quase um século, o espec o de adio eqüência oi a ado
como um ecu so escasso que o go e no em de dis ibui po meio de
concessões exclusi as. A concessão do espec o nos ouxe o ádio, a
ele isão, os ele ones celula es e os se iços i ais de segu ança púbica.
Du an e esse pe íodo o modelo de concessão o nou-se um pa adigma
incon es á el que pe meia a nossa o ma de e . (...) As ecnologias
digi ais de hoje são capazes de dis ingui en e sinais, pe mi indo aos
usuá ios compa ilha as ondas sem necessidade de concessão exclusi a.
Em ez de a a o espec o como um ecu so ísico escasso, pode íamos
o ná-lo disponí el pa a odos como commons, abo dagem conhecida
como 'espec o abe o'. (WERBACH, 58)
Com o su gimen o de ansmisso es e ecep o es digi ais não exis e mais a
necessidade de uma única emp esa ocupa exclusi amen e uma equência. A
ecnologia digi al pe mi e e i a a in e e ência de uma ansmisso em odos os
ou os. O uído pode se e i ado em um cená io digi al. Tal possibilidade ica
abe u a da a qui e u a do ha dwa e da IBM que eio a se chamado de PC, Pe sonal Compu e . Um
aco do come cial ob iga a a IBM a coloca em odos os PCs o sis ema ope acional da mic oso , o
DOS. Como o ha dwa e da IBM se o nou pad ão de mic oin o má ica mundial, o so wa e que ele
ca ega a se o nou o mais u ilizado. Mas o ha dwa e da IBM e a abe o e podia se copiado e
ab icado po ou as emp esas. A mic oso que ha ia comp ado o DOS de um es udan e po
ap oximadamen e US$ 40 mil dóla es, só e e o abalho de ab i e endas e con a a esc i ó ios de
ad ocacia no mundo pa a cob a as licenças de copy igh das emp esas que usa am o seu so wa e al
como usa am o esquema do ha dwa e PC. Assim, o ha dwa e abe o, não-pa en eado, iabilizou a
es a égia de so wa e echado e p op ie á io da Mic oso .
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mui a cla a quando se obse a os ele ones celula es digi ais. É comum no a
dezenas de pessoas a endendo os celula es, ao mesmo empo, sem nenhuma
in e e ência de uns nos ou os. Mui os deles es ão usando a mesma equência.
Ou o exemplo es á nos ae opo os. É possí el e á ias pessoas conec adas à
In e ne com seus lap ops. Exis e, em ge al, uma pequena an ena que consegue
conec a en e 30 e 50 compu ado es usando a ecnologia wi eless, ou seja, de
conexão sem io. Todos eles es ão ecebendo e en iando sinais usando as
mesmas equências. O download de um não in e e e nem no download nem no
upload dos ou os. A ede pode ica mais len a quan o mais lap ops se conec am
nela, não de ido as ondas de ádio, mas exa amen e po que o sinal que é en iado
pela ib a ó ica da emp esa ele ônica a é a an ena é baixo.
Rádios digi ais são ope ados po so wa e e são in eligen es. Conseguem
sepa a o sinal do uído e podem encon a exa amen e seus ecep o es ou
ansmisso es. Quando uma eqüência es i e mui o ca egada os ansmisso es
digi ais podem muda au oma icamen e de aixa e os ecep o es podem
acompanha sem p oblemas. Es a ecnologia já é emp egada em á ios locais do
plane a e é chamada de Rádio In eligen e ou Rádio Ope ado po So wa e.
Não há nenhum impedimen o écnico pa a ans o ma a ocupação do
espec o de uma á ea sob o con ole dos oligopólios da comunicação, em um
espaço de odos, com a abe u a de eqüências de uso comum, al como são as
a enidas, es adas e uas, locais em que odos podem passa . Os usos e
ap op iações democ a izan es das ecnologias digi ais pe mi em supe a a
si uação em que somen e alguns êm o di ei o de ansmi i seus sinais e seus
con eúdos pelas ondas do ádio e da TV. O bloqueio é polí ico.
Os códigos gua dam decisões de quem os p og amou
A sociedade hipe media izada implica no uso c escen e de in e mediá ios
ecnológicos na comunicação. “A con e gência da globalização e da e olução
ecnológica con igu a um no o ecossis ema de linguagens e esc i as.”
(MARTÍN-BARBERO, 70) A ques ão que se coloca é se es es in e mediá ios
ecnológicos, essas linguagens da ede, são condicionan es ou não de p á icas
sociais. Se podem a e a o co idiano, se podem es ingi ou amplia as
libe dades que compõe os di ei os das pessoas e dos g upos sociais.
Thompson a gumen ou que “o uso dos meios écnicos p essupõe um
p ocesso de codi icação, is o é, implica o uso de um conjun o de eg as e
p ocedimen os de codi icação e decodi icação da in o mação ou do con eúdo
simbólico. Os indi íduos que emp egam um meio de em conhece , a é ce o
pon o, as eg as e os p ocedimen os. O domínio des as eg as e p ocedimen os
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não exige necessa iamen e a capacidade de os o mula de modo cla o e
explíci o; apenas a habilidade de usá-los na p á ica, sabe como con inua , di ia
Wi gens ein.” (THOMPSON, 29) Toda ia, o desconhecimen o das implicações
que os códigos azem é g a e, uma ez que es es são ins umen os de con ole.
A sociedade em ede (CASTELLS) é o ganizada pelos luxos de
in o mação que dependem dos códigos, ou seja, dos p o ocolos de comunicação,
dos sis emas in o macionais e dos so wa es. Es es códigos são planejados,
desenhados e desen ol idos po p og amado es e companhias que possuem
in e esses e ideologias. Es es in e esses e concepções de mundo são ans e idos
ou emba cados nas codi icações. O g au de libe dade que um sis ema assegu a
aos seus usuá ios não é uma ques ões écnica, mui o menos neu a do pon o de
is a social e polí ico. Esc e e um sis ema que pe mi e moni o a as pessoas que
dele dependem sem que elas saibam ou enham ecu sos de e i a seu
as eamen o, ambém não se a a de uma ques ão de azão écnica.
O ju is a Law ence Lessig ad oga que “how he code egula es, who he
code w i es a e, and who con ols he code w i e s – hese ques ions ha any
p ac ice o jus ice mus ocus in he age o cybe space. The answe e eal how
cybe space is egula ed. (...) I s egula ion is i s code, and i s code is changing.”
(LESSIG, 60) Nesse sen ido, um dos papéis do cien is a social, hoje, é denuncia
o mi o da neu alidade ecnológica e ul apassa o senso comum, demons ando
como os códigos a e am o co idiano dos cidadãos.
“A In e ne cons i ui elemen o-cha e pa a o u u o das democ acias,
pois es á se o nando o líde do campo da in o mação e da plu alidade de
exp essão dos pon os de is a, esc e eu Pie e Mounie . Pa a ele, “na ICANN,
que ge encia o sis ema de ende eços, no IETF, que a a das especi icações
écnicas da ede, ou ainda no W3C, que ansmi e ecomendações sob e pad ões,
eles es ão p es es a edigi simplesmen e a 'Cons i uição' do cibe espaço”.
(MOUNIER, 17) Toda ia, omando emp es ado de Mon esquieu a idéia de um
espí i o das leis, é impo an e no a que o espí i o dos códigos que pe mi i am
cons ui a In e ne inha o e in luência da cul u a acadêmica e da cul u a
hacke no e-ame icana. Daí a ede e sido cons i uída com uma a qui e u a
abe a, não-p op ie á ia e que pe mi e mais a libe dade dos luxos de in o mação
do que o seu con ole, que assegu a a con ínua in enção écnica e econ igu ação
de seus usos.
“Os que Da id Weinbe ge chama de long bea ds ('ba budos'), os pais
undado es, o am, há in a anos os e dadei os a iculado es da ede e,
ao mesmo empo, os donos de uma mídia que não in e essa a a mui os.
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Eles es abelece am as p imei as conexões, mon a am os p imei os
se ido es,
ab i am os p imei os BBS, concebe am e expe imen a am os p o ocolos
de comunicação na ede. (...) Eles êm, po an o de um uni e so
cien í ico e écnico cujas eg as de uncionamen o não co espondem
em nada às dos no os senho es da ede: a pa ilha da in o mação, o
ca á e abe o e o es a u o público da In e ne , a de inição de pad ões
comuns e acessí eis ao maio núme o de pessoas são dogmas a seus
olhos. Alguns deles desempenham unções impo an es no seio de
o ganizações egulado as da ede e se êem um pouco como gua diães
do emplo dian e das de i ações come ciais, p incipalmen e das que
pode iam, um dia liquida com a In e ne que conhecemos. (...) É po
isso, que as emp esas que uncioan am com um modelo de dis ibuiçào
unila e al de con eúdos p o egidos po copy igh – AOL, mas ambém a
Mic oso – ado a am a In e ne bem a con agos o e com a idéia de
saí em dela o mais ápido possí el. Não é de admi a que essas
emp esas ep esen em hoje as maio es ameaças à manu enção do ca á e
abe o da In e ne .” (MOUNIER, 16-17)
Nesse sen ido, é possí el pe cebe a ideologia que os códigos e p o ocolos
po am. É impo an e no a que a comunicação em ede ealizada mundialmen e,
denominada de In e ne , é um conjun o de p o ocolos écnicos que es ão em
dispu a. A al e ação des e conjun o ou de pa es de seus códigos pode e um
p o undo impac o na comunicação en e os cidadãos e, po an o, de em se
a ados como elemen os cons i u i os de uma cidadania mundial.
Os p o ocolos de inem as a qui e u as
P o ocolos de ede compõem um quad o de eg as e p ocedimen os que
go e nam a comunicação en e as máquinas e os sis emas compu acionais. Os
p o ocolos de inem como de e se a comunicação de dados en e duas ou mais
edes, en e compu ado es e sis emas. P o ocolos são como uma linguagem que
pe mi e uma máquina en ende a ou a. Um conjun o de p o ocolos somados aos
equipamen os que cons i uem a ede é chamado de a qui e u a de ede. Di o de
ou a o ma, a a qui e u a de ede e e e-se ao desenho ísico e lógico de uma
ede, as suas con igu ações ísicas, sua o ganização uncional, aos p ocedimen os
ope acionais, aos o ma os de dados, en im, de ine como a ede es á es u u ada.
As a qui e u as podem se desenhadas de á ias o mas. São echadas
ou abe as, cen alizadas ou dis ibuídas, en e ou as de inições. Compos a de
p o ocolos, a a qui e u as podem se en endidas como o a anjo dos códigos que
pe mi em uma maio ou meno libe dade dos luxos de comunicação. As
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a qui e u as podem acili a ou bloquea acessos, podem di icul a a igilância e
o con ole ou iabiliza a comunicação sob con ole. Lessig de ende que
“a chi ec u e is a kind o law: i de e mines wha people can and canno do.
When comme cial in e es s de e mine he a chi ec u e, hey c ea e a kind o
p i a ized law.” (LESSIG, 59)
Na e a in o macional, dian e de uma sociedade em ede, as a qui e u as
de in o mação são elemen os essenciais pa a a ga an ia de di ei os. A p á ica da
libe dade de c iação, exp essão e pensamen o na ede mundial de compu ado es
depende da sua a qui e u a abe a e descen alizada. Oco e que a a qui e u a da
In e ne incomoda mui o os g andes conglome ados da e a indus ial que i em
da p op iedade sob e as idéias e bens simbólicos. Es es g upos que em al e a a
a qui e u a da ede pa a colocá-la sob o seu con ole econômico, cul u al e
polí ico.
De ce o modo, é possí el en ende es e enômeno como emba es do
p ocesso de cons i uição das sociedades do con ole, no sen ido oucaul iano.
Ha d e Neg i apon a am:
“O pode ago a é exe cido median e máquinas que o ganizam di e amen e o
cé eb o (em sis emas de comunicação, edes de in o mação, e c) e os co pos
(em sis emas de bem-es a , a i idades moni o adas, e c) no obje i o de um
es ado de alienação independen e do sen ido da ida e do desejo de c ia i idade.
A sociedade de con ole pode, dessa o ma, se ca ac e izada po uma
in ensi icação e uma sín ese dos apa elhos de no malização de disciplina idade
que animam in e namen e nossas p á icas diá ias e comuns, mas, em con as e
com a disciplina, esse con ole es ende bem pa a o a os locais es u u ados de
ins i uições sociais median e edes lexí eis e lu uan es.” (HARDT, NEGRI,
43)
As a qui e u as de comunicação cons i uem o co po do p ocesso de comunicação
in e mediada po apa elhos de p ocessamen o de in o mações. Tal como as
pa edes dos p édios, os espaços das cidades, as a qui e u as in o macionais
pe mi em a comunicação en e cidadãos que a iculam suas idas comunicando-
se no cibe espaço. O p ocesso de con e gência digi al ai expandindo as
possibilidades dos cidadãos se desloca em sem desconec a -se. Assim, o acesso à
ede po celula es amplia a lexibilidade de conexão e, ao mesmo empo,
iabiliza odos os con oles p esen es na ede e pe mi em que ais con oles
acompanhem o cidadão comunican e o empo odo.
No ex o Weal h o Ne wo ks, Yochai Benkle a i mou que a di e ença
undamen al en e a economia in o macional das edes e o mass media es a a na
a qui e u a das edes e nos cus os de o na -se um alan e ou emisso de
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in o mações. Benkle ê cla amen e que a a qui e u a unidi ecional dos luxos,
ípica dos mass media, é comple amen e dis in a da a qui e u a dis ibuída com
conexões mul idi ecionais en e odos os nós em um ambien e de in o mação
in e conec ada, al como na In e ne . Apesa des a dis inção básica, u o da
his ó ia de desen ol imen o da In e ne e da in luência de acadêmicos e hacke s
no desenho dos p o ocolos essenciais da ede, Benkle econhece que exis em
iscos dos g andes g upos econômicos anula em o e ei o democ a izan e das
a qui e u as dis ibuídas (BENKLER, 2400).
O que os economis as chamam de alha na economia de ede pode
consolida suas endências monopolis as e pe mi i a concen ação da in a-
es u u a de banda la ga em poucas companhias de Telecom. Benkle ale a que
sob condições oligopolis as dos ins umen os básicos da ede, os cus os da
comunicação se ele a ão e a libe dade dos luxos pode se a e ada pela
in e e ência nos luxos dos o ma os e con eúdos das in o mações.
O exemplo do p o ocolo Bi To en é elucida i o. No si e In oWes e
podemos encon a a seguin e de inição “Bi To en é uma ecnologia c iada po
B am Cohen que pe mi e o compa ilhamen o de qualque ipo de a qui o pela
in e ne , sendo mui o usado pa a a dis ibuição de ídeos, músicas e p og amas.”
O modelo de compa ilhamen o de a qui os digi ais do Bi To en ans o ma o
usuá io da ede que es á baixando um a qui o em ambém se ido dos a qui os
baixados. No p o ocolo Bi To en a axa de download acompanha a axa de
upload. Assim, quan o mais pessoas i e em baixando um a qui o maio pode á
se a elocidade de download.
O p o ocolo Bi To en é um dos p o ocolos do chamado P2P (pee - o-
pee ), que ab iu no as possibilidades na ede mundial de compu ado es. O P2P
ul apassa a a qui e u a de ede baseado em compu ado es que são se ido es de
in o mação que se comunicam com compu ado es limi ados a condição de
clien es de in o mações. Na a qui e u a P2P, odas as máquinas passam a se
clien es e se ido es de in o mação. A igidez da hie a quia é subs i uída pelas
possibilidades de descen alização da comunicação.
Pa a os de enso es do en ijecimen o das legislações e mecanismos de
p op iedade in elec ual, pa a a MPAA (Mo ion Pic u e Associa ion o Ame ica)
e pa a a RIAA (Reco ding Indus y Associa ion o Ame ica), o uso do p o ocolo
BiTo en iabiliza a “pi a a ia” e a oca de a qui os sem au o ização. Po isso,
a MPAA eco eu a Jus iça no e-ame icana pa a en a p oibi o seu uso.
A a qui e u a dis ibuída, sem cen o, que coloca uma máquina
compa ilhando a qui os di e amen e com ou as máquinas, apenas es á
ap o undando a ca ac e ís ica undamen al das edes digi ais que é a
in e a i idade. Exa amen e is o é que es á sob a aque da elha indús ia cul u al.
A gumen os de Razón Técnica, nº 10, 2007, pp. 251-264