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A primeira comunhão feminina entre dois lados do oceano (Brasil e Espanha): imagens arquivadas de educação e religião

Abstract

O estudo refere-se a arquivos que contêm imagens fotográficas femininas sobre o momento de realização da primeira comunhão, ritual ao qual as meninas estavam submetidas por suas famílias, como um dos cinco sacramentos principais da Igreja Católica. O objetivo central está em analisar os retratos produzidos expressamente para esse fim, o dia da primeira comunhão, com foco em aspectos como a postura, a indumentária, os objetos de cena, o mobiliário, a simbologia religiosa presente etc. De forma mais específica busca-se comparar imagens produzidas no Brasil e na Espanha, durante a primeira comunhão de meninas, na primeira metade do século XX, examinando-se as peculiaridades próprias de cada país. Os procedimentos metodológicos remetem a uma pesquisa qualitativa e histórico-documentalque utiliza o método comparado de investigação. Entre os resultados obtidos consta-se a relação estreita entre a primeira comunhão com as práticas escolares, caracterizando-se como um momento ritualizado no contexto do próprio cronograma escolar.

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A primeira comunhão feminina entre dois lados do oceano (Brasil e Espanha): imagens arquivadas de educação e religião

Author: Álvarez Domínguez, Pablo; Vasconcelos, Maria Celi Chaves
Year: 2021
Source: https://idus.us.es/bitstreams/01cadee2-4442-4832-98e0-047081a2e9b7/download
Cade nos de His ó ia da Educação, .20, p.1-22, e044, 2021
ISSN: 1982-7806 (on-line)
h ps://doi.o g/10.14393/che- 20-2021-44
DOSSIÊ
A p imei a comunhão eminina en e dois lados do oceano
(B asil e Espanha): imagens a qui adas de educação e eligião
The i s emale communion be ween wo sides o he ocean (B azil and Spain):
a chi ed images o educa ion and eligion
La p ime a comunión emenina en e dos lados del océano (B asil y España):
imágenes a chi adas de educación y eligión
Pablo Ál a ez Domínguez
Uni e sidad de Se illa (Espanha)
h ps://o cid.o g/0000-0003-0538-2565
h p://la es.cnpq.b /3047309926173426
[email p o ec ed]s
Ma ia Celi Cha es Vasconcelos
Uni e sidade do Es ado do Rio de Janei o (B asil)
h p://o cid.o g/0000-0002-3624-4854
h p://la es.cnpq.b /9511377122315447
ma ia2.ce[email p o ec ed]
Resumo
O es udo e e e-se a a qui os que con êm imagens o og á icas emininas sob e o momen o de
ealização da p imei a comunhão, i ual ao qual as meninas es a am subme idas po suas
amílias, como um dos cinco sac amen os p incipais da Ig eja Ca ólica. O obje i o cen al es á
em analisa os e a os p oduzidos exp essamen e pa a esse im, o dia da p imei a comunhão,
com oco em aspec os como a pos u a, a indumen á ia, os obje os de cena, o mobiliá io, a
simbologia eligiosa p esen e e c. De o ma mais especí ica busca-se compa a imagens
p oduzidas no B asil e na Espanha, du an e a p imei a comunhão de meninas, na p imei a
me ade do século XX, examinando-se as peculia idades p óp ias de cada país. Os
p ocedimen os me odológicos eme em a uma pesquisa quali a i a e his ó ico-documen al que
u iliza o mé odo compa ado de in es igação. En e os esul ados ob idos cons a-se a elação
es ei a en e a p imei a comunhão com as p á icas escola es, ca ac e izando-se como um
momen o i ualizado no con ex o do p óp io c onog ama escola .
Pala as-cha e: P imei a comunhão. Ri uais eligiosos. B asil e Espanha.
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Abs ac
The s udy e e s o a chi es con aining emale pho og aphic images abou he momen o he
i s communion, a i ual o which he gi ls we e subjec ed by hei amilies, as one o he i e
main sac amen s o he Ca holic Chu ch. The main objec i e is o analyze he po ai s exp essly
p oduced o his pu pose, he day o he i s communion, wi h a ocus on aspec s such as
pos u e, clo hing, s age objec s, u ni u e, eligious symbols p esen , e c. Mo e speci ically, we
seek o compa e images p oduced in B azil and Spain, du ing he i s communion o gi ls, in
he i s hal o he 20 h cen u y, examining he peculia i ies o each coun y. The
me hodological p ocedu es e e o a quali a i e and his o ical-documen a y esea ch, which
uses he compa a i e me hod o in es iga ion. Among he esul s ob ained is he close
ela ionship be ween he i s communion wi h school p ac ices, cha ac e ized as a i ualized
momen in he con ex o he school schedule i sel .
Keywo ds: Fi s communion. Religious i uals. B azil and Spain.
Resumen
El es udio se e ie e a a chi os que con ienen imágenes o og á icas emeninas sob e el momen o
de la p ime a comunión, i ual al que las niñas ue on some idas po sus amilias, median e uno
de los cinco sac amen os p incipales de la Iglesia Ca ólica. El obje i o p incipal es analiza los
e a os ealizados exp esamen e a al e ec o, el día de la p ime a comunión, a a és de un
en oque cen ado en analiza aspec os como la pos u a, la es imen a, los obje os escénicos, el
mobilia io, los símbolos eligiosos p esen es, e c. Más conc e amen e, buscamos compa a
imágenes p oducidas en B asil y España, du an e la p ime a comunión de niñas, en la p ime a
mi ad del siglo XX, examinando las peculia idades de cada país. Los p ocedimien os
me odológicos se inculan a una in es igación cuali a i a e his ó ico-documen al, que u iliza el
mé odo de in es igación compa a i o. En e los esul ados ob enidos se encuen a la es echa
elación en e la p ime a comunión con las p ác icas escola es, ca ac e izada como un momen o
i ualizado en el con ex o del p opio ho a io escola .
Palab as cla e: P ime a comunión. Ri uales eligiosos. B asil y España.
Recebido: 04/11/2020
Ap o ado: 24/02/2021
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In odução
Uma das o og a ias que es á semp e p esen e como pa e do ace o de memó ias da
in ância de quem i eu esse pe íodo em meados do século XX, é a do i ual da p imei a
comunhão. Momen o espe ado pelas amílias, exigido pela ig eja ca ólica, es imulado pelas
escolas e ensaiado pelas c ianças que e am p epa adas pa a “o g ande dia”, a p imei a
comunhão inco po ou ao sac amen o eclesiás ico um elabo ado i o de passagem
1
que, pa a as
meninas, con inha ade eços ela i os à simbologia que p e endia imp imi à ocasião.
A Ig eja Ca ólica, po meio de seus Códigos e Cons i uições eclesiás icas, é de en o a
dos mesmos i uais e ce imônias espalhadas pela c is andade, a pa i das de e minações papais,
azendo com que seus sac amen os oco am de manei a exa amen e igual em g ande pa e do
mundo ca ólico ociden al sob égide do Va icano, com pouquíssimas a iações elacionadas às
peculia idades cul u ais e às pe missões de sinc e ismos que o am inco po adas ao longo dos
séculos. Dessa o ma, a Ig eja ca ólica se con e e, desde os mais emo os empos, em
o mado a de um modelo c is ão comum de ce imônias i uais, possí el de se iden i icado em
qualque país do mundo, po se basea em uma dou ina única, adap á el às di e en es
sociedades e aplicá el a qualque língua.
En e os i os que são amplamen e p a icados e con e idos como es ejos públicos em
quase odos os países ca ólicos es á a p imei a comunhão, es abelecida pa a as c ianças quando já
es ão com o p ocesso de al abe ização consolidado, já a ingi am um ní el de abs ação pa a
comp eende as subje i idades p esen es no ca ecismo e ambém pa a p ocede à con issão dos seus
“pecados” que an ecede a iniciação à euca is ia. De aco do com Scholl e G imaldi (2013, p.352),
ci ando o Papa Pio X, “as c ianças de iam comunga logo que pudessem e a mínima noção do
que iam ecebe , mesmo que o es o de sua o mação seguisse depois”.
Como modelo ado ado de o ma mui o semelhan e na maio ia dos países, esse i o
en ol e as amílias, as pa óquias e as escolas, obse ando as esponsabilidades p e is as
nas p óp ias p esc ições da Ig eja. Po um lado, o i o sag ado é o mesmo, baseado na
dou ina, de alhado nos ca ecismos, ensaiado em suas e apas de p epa ação, p o issão de é,
con issão e comunhão, com odo o simbolismo e as insígnias necessá ias pa a ap oxima em
o céu e a e a nesse pac o que i á acon ece en e os “no os” iéis e a Ig eja. Po ou o lado,
a es a p o ana, ambém semelhan e, en ol e a p epa ação da ce imônia de exibição pública,
especialmen e das meninas, como minia u as de san as, anjos, noi as de C is o, eque endo,
igualmen e, uma elabo ação cuidadosa das amílias, quase semp e, endo como im úl imo,
se e e nizada em uma o og a ia edi ican e, capaz de cap a não só uma imagem, mas as
sensações e a pe enidade ins an ânea do momen o i ido.
O es udo em pau a e e e-se à p imei a comunhão como obje o de in es igação, a
pa i da análise de a qui os que con êm imagens o og á icas emininas sob e esse momen o
i ual, ao qual as meninas es a am subme idas po suas amílias, como um dos cinco
sac amen os p incipais da Ig eja Ca ólica, em odo o mundo. O obje i o cen al es á em
analisa as imagens p oduzidas exp essamen e pa a esse im, o dia da p imei a comunhão,
com oco em aspec os como a pos u a, a indumen á ia, os obje os de cena, o mobiliá io, a
simbologia eligiosa p esen e e c. De o ma mais especí ica e idenciam-se imagens i uais,
como os “san inhos”
2
, p oduzidas no B asil e na Espanha, du an e a p imei a comunhão de
1
O concei o de i o de passagem u ilizado nesse abalho eme e a A nold Van Gennep (1873 -1957), em sua
ob a “Os i os de passagem”, en endido como pe íodo in e mediá io, limina , ma ginal ou on ei iço que o sujei o
pe co e pa a se enquad a no plano cole i o. En e os i os de passagem Gennep iden i ica aqueles cujo obje i o
é ag ega -se ao mundo sag ado, o que só se pode aze pondo em ação esquemas p óp ios da eligião.
2
G azzio in e Bas os (2017, p.576) iden i icam os san inhos como ca ões imp essos com “pequena imagem
que ep esen a a igu a humana de C is o, Vi gem Ma ia ou de um san o”.
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meninas, na p imei a me ade do século XX, examinando-se as peculia idades p óp ias dessa
simbologia em cada país.
No que ange aos p ocedimen os me odológicos, a a-se de uma pesquisa
quali a i a e his ó ico-documen al que pa e de um es udo eó ico sob e a p imei a
comunhão como i o eligioso, pa a, a segui , analisa a ma e ialidade das imagens
o og á icas ob idas sob e essa ce imônia, u ilizando, po im, o mé odo compa ado de
in es igação. Reconhecendo o uso da imagem como documen o his ó ico educa i o (DEL
POZO, RABAZAS, 2010; 2012), en e as on es acessadas no es udo o am pesquisados
a qui os pessoais (CUNHA, 2019), além de ace os p i ados e públicos possuido es de
imagens o og á icas de ce imônias de p imei a comunhão, com ên ase em a qui os com
imagens do Colégio No e Dame de Sion em Pe ópolis, uma escola ca ólica eminina,
onde essa e a uma das solenidades mais impo an es do ano le i o, e no ace o do Museo
Pedagógico da Faculdade de Ciências da Educação da Uni e sidade de Se ilha
(MPFCCEUS) (ÁLVAREZ; REBOLLO; NÚÑEZ, 2016), que possui uma coleção de
o og a ias ela i as a essas ce imônias em di e en es locais da Espanha, especialmen e
em Andaluzia.
Pa a a a de um ema que em seus p imei os egis os jun o à p óp ia popula ização
dos mecanismos o og á icos, o nou-se necessá io delimi a um pe íodo de análise pa a o
de alhamen o dos aspec os de ma e ialidade que podem se dep eendidos das imagens
pesquisadas. Nesse sen ido, op amos pela p imei a me ade do século XX, conside ando que, no
pe íodo en e gue as, hou e um a anço e di usão do ca olicismo no mundo e a consolidação
do Código de Di ei o Canônico de 1917
3
.
A p imei a comunhão como um i o eligioso: de e das amílias, pá ocos e p o esso es
O século XX es á ma cado po sua localização em meio aos dois Concílios
Ecumênicos da Ig eja Ca ólica da e a mode na, o Concílio Va icano I ealizado en e 1869
e 1870 e o Concílio Va icano II de 1962 a 1965, sendo que, ambos, cada um em seu empo,
p ocu a am da espos as às ques ões da con empo aneidade, desde concilia a “oposição
en e é e azão”, a é a en a i a de “amplia os ho izon es da au oconsciência da Ig eja
ca ólica em á ios aspec os” (RIBEIRO, 2006, p.72).Na “Decla ação de Fé Ca ólica”, a
pa i do Concílio Va icano I, a p o issão de é obse a a que exis iam se e sac amen os
da “No a Lei”, “ins i uídos po Nosso Senho Jesus C is o e necessá ios pa a a sal ação,
ainda que cada pessoa não p ecise ecebê-los odos”. São eles: ba ismo, con i mação,
euca is ia, peni ência, ex ema unção, o dem e ma imônio (CONCÍLIO VATICANO I,
1870, s/p.). Quan o à euca is ia, sua p epa ação e a undamen al pa a ecebê-la, pois e a
conside ado que
no San íssimo Sac amen o da Euca is ia es ão e dadei a, eal e
subs ancialmen e o Co po e o Sangue, jun amen e com a Alma e a
Di indade, de Nosso Senho Jesus C is o; e que ali oco e a con e são
de oda a subs ância do pão em Seu Co po e de oda a subs ância do
inho em Seu Sangue; a es a con e são a Ig eja Ca ólica chama
“ ansubs anciação” (CONCÍLIO VATICANO I, 1870, s/p.)
Na úl ima ceia que Jesus C is o celeb ou com os Doze Após olos podemos encon a
a base da p imei a comunhão como i ual c is ão e como a o ce imonial e sac amen al, endo
3
O Código de Di ei o Canónico “Codex iu is canonici” oi p omulgado po Ben o XV em 1917. O Código
en ou em igo em 19 de maio de 1918, e é conhecido pelos seus dois Papas idealizado es, como Código
Pio-Benedi ino.
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a sua o igem no século XIII, especi icamen e em 1215, quando o Concílio de La ão decidiu
que apenas os meno es que hou essem alcançado a idade da disc ição (en e doze e qua o ze
anos) podiam ecebe es e sac amen o (RICO, 2006). Assim, a euca is ia e e ia-se em um
dos mais impo an es sac amen os da Ig eja Ca ólica, is o que, após o ba ismo, e a quando
o c is ão já conscien e, na in ância, ade ia de “li e on ade” à eligião. De aco do com
Pe ei a (2012), a p imei a comunhão é o a o de ecebe a euca is ia pela p imei a ez, o que
di e e da comunhão da pessoa adul a, já iniciada na ida c is ã, que oco e em odas as
missas, quando ecebe a euca is ia. Pa a esse au o , a comunhão é a essência da ida da
Ig eja e es á imb icada de “um conjun o de elemen os simbólicos que o mam não só uma
ce imônia eple a de signos e de ep esen ações, mas ambém algo medula da eligião
ca ólica” (PEREIRA, 2012, p.34). O au o abo da esse sac amen o como o “elo” que
pe meia odos os ou os sac amen os, con igu ando um pac o social com o sag ado, cuja
iniciação se dá pela p imei a comunhão, que é is a como i o de passagem e de iniciação à
adesão à comunidade eligiosa.
Pa a Pe ei a (2012, p.35-36), a comunhão se a a de um “pac o social inclusi o” e a sua
iniciação, a p imei a comunhão, az pa e dos chamados “sac amen os de iniciação c is ã”,
exis en es desde os p imei os cinco séculos do c is ianismo, quando e a ealizada an es e/ou
jun o do ba ismo, endo em is a que es e já oco ia com o indi íduo adul o. A p á ica de ob iga
as c ianças a se con essa e comunga oco e po ol a do século XIII, quando a idade da azão
e a conside ada en e os 7 e 8 anos. En e o Concílio Va icano I e Va icano II, essas idades
a ia am de aco do com as ecomendações eclesiais, obse ando-se que as c ianças izessem a
p imei a comunhão quando já es i essem al abe izadas.
O Código de Di ei o Canônico (CDC) de 1917, igen e du an e o pe íodo em que esse
es udo se concen a, p esc e ia no seu cânone 853 que “qualque bap izado, não p oibido po
lei, pode e de e se admi ido à comunhão”, mas a euca is ia somen e de e ia se dada às
c ianças que i essem o conhecimen o e o gos o po es e sac amen o, ou seja, com idade pa a
“dis ingui o co po de C is o da comida habi ual, e ado á-la com e e ência”, exce o em pe igo
de mo e. (CDC, 1917, cân. 854). Ou a condição p esc i a no CDC de 1917 e a “um
conhecimen o mais comple o da dou ina c is ã e uma p epa ação mais cuidadosa,
nomeadamen e que, de o ma adequada à sua idade” (Ibidem). Ainda assim, cabe ia ao
con esso “o julgamen o sob e os a anjos su icien es dessas c ianças pa a a p imei a
comunhão”, bem como aos pais ou aqueles que omam o luga dos pais (Ibidem). Ou seja, o
pá oco e a esponsá el po ga an i que as c ianças chegassem “à mesa sag ada” em pleno uso
da azão e com p o isões de ca equeses su icien es.
Além do pá oco, o cânone 860 impu a a a esponsabilidade pela p imei a comunhão a
odo o cí culo mais p óximo da c iança, o nando esse sac amen o uma ob igação cole i a que
en ol ia a amília, a ig eja e a escola: “A ob igação do p ecei o da comunhão, que incumbe aos
impubes, ecai ambém p incipalmen e sob e os seus esponsá eis, a sabe , pais, u o es,
con esso , p o esso es e pá oco”. Adian e, os cânones 1329 e 1330 e o ça am o de e
ca equé ico dos pá ocos como “um de e especial e mui o sé io”, de p epa a os ilhos pa a
ecebe em com dignidade os sac amen os da peni ência e da p imei a comunhão (CDC, 1917).
As no mas do CDC de 1917 pe du a am ao longo de g ande pa e do século XX,
conside ando que o p óximo Código de Di ei o Canônico só se á p omulgado pelo Papa João
Paulo II em 1983, como Cons i uição Apos ólica “Sac ae Disciplinae Leges” (CDC, 1983).
Con udo, no que ange à p imei a comunhão, con inuou sendo um impo an e pac o
sac amen al, en e os p incipais que egiam a ida eligiosa: “os sac amen os do ba ismo, da
con i mação e da san íssima Euca is ia acham-se de al o ma unidos en e si, que são
indispensá eis pa a a plena iniciação c is ã” (CDC, 1983, cân. 842). Pa a an o, de e ia se
p ecedido de o mação ca equé ica “ampla e ap o undada”, minis ada du an e “ empo

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con enien e”, p epa ando de idamen e as c ianças pa a a p imei a ecepção da euca is ia
(CDC, 1983, cân.777). Além disso, mais uma ez se ei e a a:
Pa a que a san íssima Euca is ia possa se adminis ada às c ianças,
eque -se que elas enham su icien e conhecimen o e cuidadosa
p epa ação, de modo que, possam comp eende o mis é io de C is o, de
aco do com sua capacidade, e ecebe o Co po do Senho com é e
de oção (CDC, 1983, cân. 913).
No amen e, no CDC de 1983, e a impu ada aos pais a esponsabilidade pela busca da
pa óquia, obse ância da p epa ação, ma cação e ealização, o mais b e e possí el, do
sac amen o da p imei a comunhão:
É de e , p imei amen e dos pais ou de quem az as suas ezes e do
pá oco, cuida que as c ianças que a ingi am o uso da azão se p epa em
con enien emen e e sejam nu idas quan o an es com esse di ino
alimen o, após a con issão sac amen al; compe e ambém ao pá oco
ela que não se ap oximem do sag ado Banque e às c ianças que ainda
não a ingi am o uso da azão ou aquelas que ele julga não es a em
su icien emen e dispos as (CDC, 1983, cân. 914).
Nesse con ex o de imposição da Ig eja, amílias, pa óquias e colégios acaba am po
ans o ma a ob igação em um i ual público, que ia do mais simples ao mais elabo ado e en o,
dependendo das condições do g upo de pa icipan es, e le indo nas p á icas eligiosas as
di e enças sociais acilmen e no á eis em ce imônias eclesiás icas com o mesmo im. Pe ei a
(2012, p.36) apon a que ao a ingi a amília, a p imei a comunhão se o na uma es a de
isibilidade social pa a a comunidade, inc emen ando-se “ odos os elemen os de solenização”,
en e eles as es es, os o namen os, as lo es. Sua magni ude ambém passa a se d ama izada
em um cená io de anjos, cí ios, p ocissões, deco ações, incensos, lemb anças imp essas,
cân icos, e, o mais impo an e, imo aliza o momen o po meio de o og a ias que
conseguissem cap a não apenas a cenog a ia, mas ambém o pe sonagem com a pos u a que
deno asse es a de idamen e capaci ado pa a aquela ocasião.
No co ejo p epa ado pa a a encenação do i ual, é mui o signi ica i a a hie a quia que
pode se obse ada na dis ância en e o sag ado e o mundano, en e os di igen es e os di igidos.
Além disso, se po um lado a dimensão social dos es ejos pode diminui a cono ação eológica
da ce imônia, po ou o, essa mesma dimensão a ai “ ínculos en e a Ig eja e o iel, e, à is a
disso, o na-se con enien e pa a ambas as pa es” (PEREIRA, 2012, p.38). Pe ei a (2012)
obse a, ainda, ci ando Du kheim, que é na u al que as c ianças dian e dos elemen os de pode ,
o ça e mis é io p esen es nas ce imônias de p imei a comunhão sin am emo , dependência e,
a é mesmo, en usiasmo.
No dia da celeb ação dessa ce imonia sag ada, o que a c iança ê a sua
ol a, de odos os lados, o que se o e ece aos seus sen idos, o que chama
a enção são as múl iplas imagens da euca is ia, desdob adas em
símbolos como as indumen á ias b ancas ou de ou as co es, mas
con eccionadas especialmen e pa a esse e en o, as elas, lo es,
imagens sac as, en im, an os símbolos que são as ex ensões do sag ado,
como o p óp io i ual li ú gico e o ce i icado sob e o qual se i ma o
pac o com Deus e com a Ig eja. [...] A p imei a comunhão, colocada
assim, de o ma i ualís ica, no cen o da ida das c ianças, o na-se
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p o undamen e ep esen a i a, ixando sob e elas seus signi icados
simbólicos, po que, segundo o ien ações ecebidas na ca equese, a
hós ia consag ada é o único obje o conc e o da p esença di ina que elas
podem isualiza (PEREIRA, 2012, p.48).
Nessa pe spec i a, as imagens i idas du an e a p imei a comunhão, en endida como
sac amen o p incipal que ma ca o mis é io c is ão (MIRALLES; 2000), são e e nizadas nas
o og a ias i adas pa a esse im, azendo com que o i ual “sob e i a” na memó ia, po meio
dos símbolos elacionados a ele. A o og a ia da p imei a comunhão se ia como um a es ado de
conc e ização do i o de passagem que, segundo Gennep (2011), sai ia do mundo an e io
p o ano pa a ing essa na zona sag ada, um no o mundo alcançado po meio daquele i o de
en ada en ão imo alizado pela imagem.
Ves idas de anjos ou pequenas Imaculadas: as imagens da comunhão de meninas
Pie e e Ma ie-Clai e Bou dieu (2006) no a igo “O camponês e a o og a ia”,
eco endo a uma e nog a ia da aldeia do Sudoes e ancês onde o au o passou sua in ância,
analisam os usos sociais e o sen ido das o og a ias e da p á ica o og á ica na sociedade
camponesa do Béa n, nos inícios de 1960, não em si mesmas e po si mesmas, “mas como
sociog amas leigos que possibili am um egis o isual das elações e papéis sociais exis en es”
(p.31). Os au o es demons am que as o og a ias o am in oduzidas no i ual das ce imônias
da aldeia, no início do século XX, co espondendo à impo ância social de cada uma delas:
p imei o as de casamen o e, po ol a de 1930, as de p imei a comunhão. Assim, as o og a ias
de iam se obje o de uma lei u a sociológica e possibili a uma ep esen ação su icien emen e
c í el, mas “nunca” po suas “qualidades écnicas e es é icas” (2005, p.34). Pie e e Ma ie-
Clai e Bou dieu (2006) ac edi a am que “ o og a a g andes ce imônias é possí el po que – e
apenas po que – essas imagens cap am compo amen os que são socialmen e acei os e
socialmen e egulados, ou seja, já solenizados. Nada além do que de e se o og a ado pode se
o og a ado” (p.34). A o og a ia não e a uma ep esen ação indi idual, mas a iden i icação de
um papel social.
O ema da p imei a comunhão oi, po an o, um dos p imei os que passou a igo a no
“uni e so do e a o o og á ico”, nas pala as de Scholl e G imaldi (2013, p.353). Além disso,
esse i o, que e a p óp io da p é-adolescência, ai, cada ez mais, sendo inculado à in ância,
con o me demons am as o og a ias (Idem).
Nesse con ex o de a ibui a ealização da p imei a comunhão en e a in ância e a
adolescência, nas p imei as décadas do século XX, à educação das jo ens meninas é
ca ac e izada po Philippe Lejeune (1997, p.107-108), a pa i dos egis os em seus diá ios, em
duas ases: a é os 14 ou 15 anos, oco ia a p imei a ase, “que gi a a em omo de um e en o
cen al e ob iga ó io, a p imei a comunhão, espe ada, p epa ada, depois lemb ada e
comemo ada. E a um pe íodo de segu ança pa a as ga o as. Tudo es a a o ganizado, e elas mal
inham alguma escolha a aze ”. E, a segui , a segunda ase, já ol ada à p epa ação pa a o
casamen o. Assim, as o og a ias da p imei a comunhão ma ca am o ápice social espe ado da
p imei a ase da ida das mulhe es ca ólicas, e e nizando a imagem do compo amen o egulado
e acei o pa a cada uma delas, ao cump i o seu i o de passagem.
De aco do com Mansk (2009, p.245) os i os de passagem são ca ac e izados po
elemen os simbólicos comuns que êm como obje i o alo iza e dema ca a iniciação. No caso
da p imei a comunhão a ada como um “ i o inicia ó io”, esses símbolos es ão p esen es no
uso “da água, uso da unção e imposição de mãos, da es e”, en e ou os elemen os que isa am
consolida e man e a p á ica i ualís ica. Dessa o ma, e a impo an e que es i essem expos os
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no cená io e na pos u a o og a ada, a im de co obo a a obse ação das p esc ições
necessá ias à iniciação.
Beleli (2012, p.16) ao eco da suas memó ias da p imei a comunhão nos anos de
1960 essal a a “cen alidade que as meninas ganha am na p epa ação do e en o – o
isson na escolha de modelos dos es idos e seus ade eços –, que não passa a
despe cebido ao olha de ce a ‘in eja’ de alguns meninos”, a uando como me os
coadju an es. Assim, as o og a ias es emunham algo que já podia se pe cebido, a
p imei a comunhão e a uma ce imônia, p io i a iamen e, eminina e os meninos cump iam
um papel secunda izado a é nas imagens. O i ual unciona a como uma p epa ação pa a
o casamen o, no qual a noi a é a p o agonis a, aquela cujas o os podem se indi iduais,
e pa a quem a p epa ação en ol e uma mescla de adição, sensibilidades, a e os e
memó ias. Como essal a a au o a:
Um pon o al o na p epa ação e a a pe missão pa a usa gui landas
ou g inaldas, em alguns casos, as mesmas usadas pelas mães ou
a ós em suas bodas. Em busca des e acessó io especial, baús e
memó ias e i adas e oca am lemb anças de momen os pe cebidos
como únicos. P imei a comunhão e casamen o se encon a am em
empos e espaços dis in os, como se o p imei o e en o já osse uma
p epa ação pa a o segundo, des ino “ap op iado” pa a a maio ia das
mulhe es (BELELI, 2012, p.17).
Quan o ao aspec o de gêne o, Scholl e G imaldi (2013, p.368) co obo am, nos anos de
1960, a pe manência da p á ica de sepa ação do g upo de meninos do das meninas pa a a
p imei a comunhão, mesmo nos colégios mis os, assim como os au o es des acam a
“p ecedência do g upo eminino na comunhão em elação ao g upo masculino”.
Embo a a p imei a comunhão osse o pon o al o das ce imônias dos colégios ca ólicos
e especialmen e aqueles des inados às mulhe es, sob e udo, na p imei a me ade do século XX,
quando essas ins i uições e am mui o p ocu adas, Jacques (2016) a i ma que o mesmo oco ia
em escolas e angélicas, ainda que buscassem man e -se laicas. Em seu es udo ela i o ao
Colégio Fa oupilha de Po o Aleg e, escola de ensino p i ado undada po alemães, a au o a
conclui, a pa i de en e is as ealizadas, que “mesmo sendo uma escola laica, os o ícios
eligiosos pa a ca ólicos e e angélicos no ea am as p á icas educa i as da ins i uição”
(JACQUES, 2016, p.7). As ce imônias de p imei a comunhão ealizadas no Colégio
Fa oupilha possuíam os mesmos aços islumb ados nos colégios ca ólicos, com semelhan e
simbologia ela ada pelas en e is adas da pesquisado a, em que os bancos da ig eja e am
en ei ados com laços b ancos e com as lâmulas do colégio, os alunos en a am em ila um
a ás do ou o, com uma ela na mão que e a acesa e colocada jun o aos bancos da na e cen al.
As meninas es iam b anco, assim como as p o esso as, e en a am segu ando um lí io ambém
b anco nas mãos (JACQUES, 2016).
As imagens e e nizadas a a és das o og a ias ambém êm a ca ac e ís ica de
ap oxima ge ações de mulhe es, na medida que o i o de passagem é impos o a odas as adep as
da eligião ca ólica omana. Assim, quando e isi adas po suas p o agonis as já adul as, podem
se ememo adas da o ma como desc e e Osman Lins em seu li o “Ma inhei o de p imei a
iagem”, analisado po Nakagome (2014). O au o egis a:
Dia san o ja dim manhã sol sen ado banco p esenciando pai mãe
dois a ós empenhados o og a a duas meninas p imei a comunhão
ajes li ú gicos uma sé ia ou a so iden e. Imagina como olha ão
meninas e a os den o qua en a anos. Ha e ão compa a
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o og a ias p imei a comunhão ne as achando-as pa ecidas consigo
não ac edi ando passagem empo lemb ando e nu a pais a ós
silenciosos mo a cla idade des a manhã es i a (LINS, 1980, p.65,
apud NAKAGOME, 2014, p.443).
A ideia da semelhança en e as o og a ias das a ós e das ne as é explici ada po Reznick
e Gonçal es (2003, p.79) quando demons am que a p imei a comunhão se e es e de uma
concepção de “ es a cíclica, epe i i a”, na qual os mesmos elemen os se ep oduzem e es ão
e a ados nas imagens ainda que no in e alo de décadas, sua “ empo alidade é a iá el”.
Desse modo, a p imei a comunhão não pode ia se da ada unicamen e pelos elemen os de cena
de suas o og a ias po que se assemelham e odos i em esses acon ecimen os epe idamen e,
em empos dissonan es, em con ex os comple amen e dis in os, em países di e en es, como no
caso do B asil e da Espanha. De aco do com os au o es, a p imei a comunhão “possibili a uma
pe cepção ambígua em elação ao empo” (REZNICK e GONÇALVES, 2003, p.79).
Além disso, Mague a (2015), em es udo ap o undado sob e a p á ica da o og a ia
na p imei a comunhão, chama a enção pa a o a o de que os cená ios seguem um modelo
cons an e dos manuais de ca equese u ilizados de o ma a empo al, com os mesmos obje os
ecomendados pa a compo o e a o: o genu lexó io, o al a , c uci ixo, cas içal com elas,
e ço, missal, asos de lo es, imagens sac as ou painéis-cená ios com cenas que podiam
se escolhidas en e uma ou duas, sendo comum a de C is o ce cado de iluminação. Tais
“painéis-cená ios”, po ezes, aziam pa e do es údio do o óg a o con a ado, ou mesmo
de um pequeno es údio mon ado no p óp io local da ce imônia pa a cap a as imagens da
ocasião. Em meno escala, é possí el que algumas o og a ias ossem i adas nas p óp ias
casas das c ianças, an es ou depois da ce imônia, con o me a disponibilidade de con a ação
exclusi a da amília.
De aco do com a au o a (MAGUETA, 2015, p.67), “as câme as de es údio na
década de 1940 ainda se ap esen a am p esas aos ipés”. Dian e dessa limi ação, as
c ianças e am imobilizadas, du an e algum empo, obedecendo as o dens do o óg a o,
que manusea a sua câme a sob e o ipé, pa a que as meninas, es idas de san as
imaculadas, e e nizassem o ão espe ado dia da comunhão. A pos u a ambém seguia o
pad ão das “neocomungan es”, que de e ia e idencia a de oção, com a pose ajoelhada
ou em pé e as mãos unidas em o ação, segu ando o e ço e o missal. Pa a Mague a (2015,
p.175), os ca equizandos e am o ien ados, con o me os manuais da década de 1940, a
ado a o co po de C is o, e, po an o, a pos u a mais e i icada é a de joelhos,
p o agonizando uma “ an asia” do acon ecimen o, que con a a com a “anuência de odos
os en ol idos, em di e en es ní eis – o óg a os, amília, o og a ado”.
A maio ia das o og a ias indi iduais do dia da p imei a comunhão é de co po
in ei o, especialmen e po se a a de meninas, cujas oupas e ade eços o am elabo ados
pa a se em mos ados, o og a ados e gua dados. Assim, desde a g inalda, a medalha no
co dão, a é o sapa o, o ângulo do egis o o og á ico p ocu a a p ese a ao máximo as
possibilidades de isualização dessa indumen á ia. Uma ez e eladas, as o og a ias
passa am a aze pa e dos álbuns amilia es, a maio ia deles de papel ca ão e de, cobe o
po uma olha de seda pa a não mancha as o og a ias, p esas com pequenas can onei as
em cada página, ou simplesmen e coladas. Na capa dos álbuns, paisagens ou igu as de
c ianças, es o adas, pin adas ou aplicadas em abalho de ma che a ia ou me ais, com
acabamen o em um co dão inalizado po um pingen e de anjas que se ia como ma cado ,
azia de alguns, e dadei as ob as de a e. Os álbuns emoldu a am as o og a ias que se
p e endiam ão pe enes quan o seu in óluc o.
As imagens que escolhemos pa a ap esen a nesse es udo, no que se e e e à
p imei a comunhão no con ex o b asilei o, na p imei a me ade do século XX, são ela i as
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(Bíblia Sag ada. An igo Tes amen o. Salmo 45:9). Jesus, que é a pala a que se ez ca ne, se
az p esen e na ida da menina a a és dos con eúdos que gua da no missal. O missal, que
subs i ui a Bíblia, simboliza o con i e à menina pa a en a na ida c is ã. «Não só de pão i e
o homem, mas de oda a pala a que sai da boca de Deus» (San os E angelhos. São Ma eus, 4,
3-4). Rosá io ambém ca ega uma bolsinha na qual, como odas as meninas, gua da ia os
san inhos que depois da es a da ia como lemb ança des e dia pa a sua amília e amigos. Todos
esses ade eços o am comp ados po di e en es memb os da unidade amilia , que, como
p esen es, o e eciam udo de melho pa a aquelas que es a am se p epa ando pa a ecebe Deus
pa a semp e em seus co ações. A en ada na comunidade eclesiás ica, a pa i des e dia,
ap esen a a-se como mo i o de o gulho, especialmen e pa a as amílias c is ãs p a ican es.
Nes e dia, as meninas e am ambém encomendadas à Vi gem Ma ia ou a ou as san as,
ge almen e a pad oei a de suas ilas e cidades. No caso de Huel a, a pa ona a que e am
con iadas as meninas é à Vi gem de la Cin a.
Imagem 6 – Fo og a ia da p imei a comunhão de Rosa io, uma menina de Huel a (Espanha).
Fon e: A qui o do MPFCCEUS. Da a: 23/05/1945.
Comunhão, que p o ém do la im "communio", signi ica "pa icipa em comum". E
é o momen o que, em comunidade, eúnem-se amilia es, amigos e pessoas que
compa ilham c enças eligiosas mais ou menos semelhan es, pa a celeb a a união de um
de seus memb os com Deus, sob e udo, se o uma menina, de quem é espe ada uma ida
i uosa como a da san a pad oei a.
Na mesma linha da o og a ia an e io , conhecemos na Imagem 7, Manuela, uma menina
de Gib aleón, uma ila de Huel a, cuja pad oei a é San ’Ana. A menina apa en emen e de
classe média, com es ido b anco imaculado e sapa os a combina , mos a-se pu a e p on a pa a
ecebe a Deus pela p imei a ez. A o og a ia é i ada po um p o issional e da ada do inal de
maio, pouco an es das es i idades de Co pus Ch is i. Pe ei amen e cobe a da cabeça aos pés,
Manuela posa so iden e e inocen e pa a imo aliza a aleg ia de uma da a ão impo an e no
calendá io de sua ida. Tan o o ecido do es ido como o éu de Manuela são de qualidade
supe io aos da o og a ia an e io . Nes e caso, es ão deco ados com i as bo dadas, as quais
ep esen am as boas ob as que es a jo em i á ealiza ao longo de sua ida. Pa a a ocasião,
Manuela usa um c uci ixo no pescoço, em ez de um osá io, como o que apa ece na Imagem
6. O c uci ixo nos lemb a que, a pa i daquele momen o, os ensinamen os de Jesus de em se
seguidos, omando cada um a sua p óp ia c uz. “Se alguém que se meu discípulo, em que
nega a si mesmo, oma sua c uz e me segui ”. (San os E angelhos. No o Tes amen o. São

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Ma eus, 16:24). Na o o, Manuela segu a uma ela que ep esen a a luz de C is o, que a guia á
e a ilumina á em seus passos a é a ida e e na, assumindo o comp omisso de se ela mesma
ambém, uma luz no mundo. Ao lado da ela, encon a-se um amo de lo es b ancas, cujo
signi icado espi i ual es á elacionado com a necessidade de exp essa , com delicadeza, um
es emunho de é. As lo es b ancas de em se en endidas como signo de lou o , o ação e
de oção à Ma ia, mãe de Jesus, exemplo a se seguido po oda a mulhe c is ã. Mais uma ez,
a menina apa ece o og a ada com seu missal de o ações e sua bolsinha. A o og a ia, em
o ma o de ca ão pos al, con ibui pa a imo aliza a ão sublime eco dação c is ã.
Imagem 7 – Fo og a ia da p imei a comunhão de Manuela, uma menina de Gib aleón, Huel a
(Espanha).
Fon e: A qui o do MPFCCEUS. Da a: 29/05/1940.
Como no caso b asilei o, na Espanha, a adição de oca de san inhos no dia da
p imei a comunhão en e amigos e amilia es e a uma p á ica mui o di undida em odo o
país. San inhos, que, como as o og a ias, êm se ido de es ígios pa a a econs ução de
empos his ó icos educa i os de ou o a. T a a-se de obje os que, sem oz, nos alam de
memó ias e emoções ligadas à p imei a comunhão como i o social, cul u al e eligioso.
En e eles, des acam-se os san inhos que aziam pa e des es i os, an o no B asil, como
na Espanha, de o ma mui o semelhan e.
A segui , na Imagem 8, obse a-se um san inho que Mª. An onia o e ece à amiga, a
í ulo de pa abéns. Nele, se ê a imagem de São Luís Gonzaga, pad e jesuí a i aliano,
pad oei o da ju en ude, que apa ece ep esen ado como um homem jo em, es ido com uma
ba ina p e a e um sob epeliz. Seus ade eços mais ca ac e ís icos são um lí io, e e indo-se à
sua inocência; uma c uz, e e indo-se à sua piedade e sac i ício; uma ca ei a, e e indo-se à
sua mo e p ema u a; e um osá io, e e en e à sua de oção à Vi gem Ma ia. Ce amen e, a
escolha de um san inho com es a imagem pa a ilus a o dia da p imei a comunhão não é
casual, sob e udo, se conside a mos que uma boa c is ã de e ia se inocen e, p es a i a,
de o ada e sac i ica -se pelo p óximo.
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Imagem 8 - San inho o e ecido a uma menina po sua amiga, como lemb ança e elici ações
no dia de sua p imei a comunhão, Se ilha (Espanha)
10
.
Fon e: A qui o do MPFCCEUS. Da a: 16/07/1939.
O i o de dis ibuição dos san inhos na Espanha, no dia da p imei a comunhão,
co esponde ao desejo de imo aliza a lemb ança de um signi ica i o momen o amilia ,
memo á el e his ó ico como o da p imei a euca is ia. Os san inhos con ibuíam pa a da
um es emunho do e en o, e pa a isso, no e so, e am desc i os os de alhes dessa
e emé ide. Em p imei o luga , apa ece o nome e os sob enomes da menina que comunga a
pela p imei a ez, p ecedidos po um desenho de um cálice e do co po de C is o. Abaixo,
indica a-se o nome da pa óquia ou capela onde se celeb ou a p imei a comunhão, a da a
e o nome da espec i a ila ou cidade. No malmen e, os san inhos e am ei os de papel
pe gaminho e/ou de ou o ipo de ma e ial de qualidade, com mo i os dou ados ou
p a eados, e, na en e, um desenho ou ilus ação de ca á e angelical ou ma iano.
Seguem, na Imagem 9, di e sos modelos de san inhos, an o e icais quan o
ho izon ais, cujas insc ições con i mam os egis os assinalados. A menina El i a Hi os
Co ez ez a sua p imei a comunhão em Huel a, no dia 17 de maio de 1937, no Colégio
do San o Ángel de la Gua dia e, pa a imo aliza es e dia, o e eceu à amília e aos amigos
um san inho no qual um anjo posa de lado, placidamen e, e, à sua di ei a, encon a-se uma
imagem da hós ia sag ada. T a a-se de um Colégio pe encen e à Cong egação das I mãs
do San o Ángel de la Gua da, que oi undado em 1880, como a p imei a escola da cidade,
que a endia, p io i a iamen e, à educação e à o mação eminina, com p e e ência pa a as
camadas sociais mais necessi adas.
10
T ansc ição do e so do san inho: Muchas elicidades e desea u amiga que pide po í a Jesús. Mª. An onia
Ju ado. Se illa - 16-7-39.
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Imagem 9 – Fo og a ias de san inhos eco da ó ios da p imei a comunhão
11
.
Fon e: A qui o do MPFCCEUS. Da a: 1937.
De aco do com G azzio in e Bas os (2017), os san inhos ep esen a am mui o mais
do que a simples imagem es ampada, possuindo um “ alo simbólico”, além de sua p á ica
de dis ibuição ul apassa as on ei as en e os países, podendo se encon ada em
di e en es sociedades, com ca ac e ís icas idên icas ela i as às subje i idades do a o de
o e a, do ecebimen o e da simbologia que ca ega am ao se em dis ibuídos em uma
da a ão solene.
A semelhança das ci cuns âncias que en ol iam a p imei a comunhão no B asil e
na Espanha demons am, gua dadas as peculia idades de cada luga , que as imagens
a qui adas de educação e eligião ela i as à p imei a comunhão eminina são mui o
p óximas, embo a a dis ância que sepa a esses países es eja dimensionada en e os dois
lados do oceano.
Conside ações inais
A pa i da análise dos a qui os de imagens o og á icas emininas p oduzidas no
B asil e na Espanha, sob e o momen o de ealização da p imei a comunhão, com oco em
aspec os como a pos u a, a indumen á ia, os obje os de cena e a simbologia exis en e,
pe cebemos que a eligião es a a p esen e no cu ículo das escolas, po meio das aulas de
ca equese e a p imei a comunhão e a o ápice de p epa ação dessas aulas. Pa a an o, e a
u ilizado o ca ecismo ca ólico ensinado an o po pad es e ei as ca equis as, quan o po
p o esso es leigos quando se a a a de escolas públicas. De aco do com Pin assilgo (2002,
p.555), no que se e e e ao ensino básico, a educação eligiosa ca ólica é “um dos mais
impo an es elemen os do cu ículo escola elemen a , endo como inalidade cla a e
inequí oca a socialização das c ianças e jo ens nos p incípios do ca olicismo”, o que ai se
es ende a é adian ado o século XX.
11
T ansc ição do e so dos san inhos do o iginal em espanhol: a) Has alimen ado Seño a u pueblo
con el manja de los Ángeles y lo has saciado con Pan Celes ial y di ino. / Ado emos a Jesús con los
Ángeles y pidámosles que le p esen en nues os o os em a o de los se es que nos son que idos. (Mons.
De Segu .). b) Recue do de la P ime a Comunión de la niña El i a Hi os Co ez. Celeb ada em la Capilla
del San o Ángel el día 17 de mayo. Huel a, 1937.
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O ma e ial o og á ico examinado deno a “a imb icação do i ual da p imei a
comunhão com a cul u a escola ”, como já ha ia concluído Jacques (2016, p.12), a pa i
de en e is as, que co obo am a elação es ei a en e a p imei a comunhão com as p á icas
escola es, ca ac e izando-se como um momen o i ualizado no con ex o do p óp io
c onog ama escola .
Além disso, e i ica-se que a p imei a comunhão e a um i ual com ma can e
p o agonismo eminino, no qual o papel dos meninos e a o de coadju an es ao das meninas,
cuja pose, es imen a e indumen á ia ca ega a signi icados ela i os à p o issão de é exigida
no momen o da euca is ia.
Embo a ossem as p incipais p o agonis as do “pac o social inclusi o” e do i o de
passagem de iniciação à ida conscien e c is ã ca ólica, às mulhe es ambém e a in ingida
maio esponsabilidade po gua da em o sac amen o ecebido e delas e a cob ado maio igo
na obse ação de sua condu a social, mo al e sexual. Aos coadju an es da ce imônia, os
meninos, ambém e am menos igo osas as ma cas de o mação que en ol iam, po ezes, esses
pac os, e ha ia maio lexibilização na concepção dos pecados.
Ce o é que a ig eja aliada à escola cons i uía jun o à amília um po en e iun i a o
de o mação, não sendo possí el deixa de cump i com os i os es abelecidos no CDC em
igo , que esponsabiliza a a odos pela o mação dos jo ens ca ólicos. Como
demons am as imagens o og a adas e as esc i as nos san inhos dados como
lemb ancinhas, a p imei a comunhão e a um i o de iniciação ob iga ó io, e a é pouco
empo, o mais impo an e da ase de in ância da ida de odas as meninas. As an igas
o og a ias da p imei a comunhão, desgas adas pelo empo, e e em-se a es e ema que
em sido secunda izado do pon o de is a his ó ico, mas que necessa iamen e incula-se
com a nossa memó ia e que p ecisa se his o icizado.
Com as melho es oupas e ajes compa í eis com a sua classe social e com as suas
condições econômicas, as meninas e am p epa adas ísica e espi i ualmen e pa a ecebe Jesus
pela p imei a ez, no ão es ejado dia de sua p imei a comunhão. No en an o, ambém é p eciso
econhece que essa e a uma p á ica pouco inclusi a, pois as meninas de amílias com ecu sos
econômicos limi ados, que não inham possibilidade de a ca com os cus os eque idos pa a a
ocasião, sen iam a inopo una di e enciação de e que compa ece e assis i ao a o eligioso
com es idos mui o mais simples e modes os que as ou as, quando não os ob inham
emp es ados ou doados po ca idade.
Ainda assim, o a o da p imei a comunhão em sido his o icamen e a es a po excelência
de oda a amília e da comunidade eclesiás ica; e as o og a ias ligadas à his ó ia des e a o
eligioso e idenciam os momen os de aleg ia e júbilo i idos po odos ao celeb a es e
acon ecimen o. Além disso, em ambos os países, B asil e Espanha, os es idos das meninas do
dia de sua p imei a comunhão são ma cos de memó ia, que não se apagam, mesmo pa a aquelas
cujas o og a ias se pe de am ou que, po azões econômicas, não o am o og a adas,
demons ando que essa indumen á ia ep esen a a mui o mais do que uma simples es imen a
naquele dia ão especial.
Con udo, não podemos pe de de is a que as acele adas mudanças que
ans o mam os i os podem le a ao abandono, du an e um pe íodo de ansição, de
obje os conside ados em desuso. Nesse sen ido, as o og a ias de p imei a comunhão das
meninas, assim como os san inhos, são ap esen ados como in e essan es documen os
iconog á icos de cunho his ó ico educacional, que necessi am do olha a en o de
pesquisado es, endo em is a que podem ajuda a econs ui e in e p e a passagens da
his ó ia da educação eminina.
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