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Pediatria do Neurodesenvolvimento em Portugal: Movimento Hospitalar Assistencial, Recursos e Necessidades – Evolução em Dez Anos

Abstract

Introdução: As perturbações do neurodesenvolvimento são, nas sociedades modernas, as patologias crónicas mais frequentes da idade pediátrica. Muitas permanecem na vida adulta. A organização da rede de cuidados de saúde nacional carece de conhecimento fundamentado das necessidades assistenciais para lhes responder de um modo eficaz, eficiente e efetivo. Com o objetivo de conhecer a realidade assistencial hospitalar atual da Pediatria do Neurodesenvolvimento, a Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento da Sociedade Portuguesa de Pediatria procedeu a um levantamento nacional em 2007, repetindo-o dez anos depois. Material e Métodos: No biénio 2016-2017 procedeu-se a um inquérito dirigido ao universo de 45 unidades hospitalares abrangendo o movimento assistencial das consultas de Pediatria do Neurodesenvolvimento, a alocação de recursos humanos, e as necessidades de reforço de profissionais. Resultados: Obteve-se 100% de respostas. O número total de consultas de Pediatria do Neurodesenvolvimento subiu de 38 238 (2007) para 99 815 (2017). O número de profissionais também aumentou: os pediatras passaram de 82 a 156. Uma mediana de 101 crianças aguardavam primeira consulta, contra 185 em 2007. Discussão: Numa década, o movimento assistencial quase triplicou. O reforço de profissionais, apesar de positivo, não teve o mesmo incremento; ainda assim, o número de crianças em lista de espera para primeira consulta reduziu-se quase para metade, o que reflete o comprometimento dos profissionais. Conclusão: É de salientar a melhoria global da resposta nacional na área da Pediatria do Neurodesenvolvimento. Contudo, o reforço dos recursos humanos numa perspectiva pluridisciplinar não deve ser negligenciado, tendo em vista a melhoria contínua da prestação de cuidados numa área de grande cronicidade e complexidade.

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Pediatria do Neurodesenvolvimento em Portugal: Movimento Hospitalar Assistencial, Recursos e Necessidades – Evolução em Dez Anos

Author: Oliveira, Guiomar,Nunes Vicente, Inês,Guardiano, Micaela,Aguiar, Liza,Loureiro, Susana,Gouveia, Rosa,Glória Silva, Filipe
Publisher: Ordem dos Médicos
Year: 2021
DOI: 10.20344/amp.13316
Source: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/105760/1/Neurodevelopmental-pediatrics-in-Portugal-Hospital-patient-volume-resources-and-needs--Changes-after-ten-yearsActa-Medica-Portuguesa.pdf
ARTIGO ORIGINAL
Re is a Cien í ica da O dem dos Médicos www.ac amedicapo uguesa.com
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RESUMO
In odução: As pe u bações do neu odesen ol imen o são, nas sociedades mode nas, as pa ologias c ónicas mais equen es da
idade pediá ica. Mui as pe manecem na ida adul a. A o ganização da ede de cuidados de saúde nacional ca ece de conhecimen o
undamen ado das necessidades assis enciais pa a lhes esponde de um modo e icaz, e icien e e e e i o. Com o obje i o de conhece
a ealidade assis encial hospi ala a ual da Pedia ia do Neu odesen ol imen o, a Sociedade de Pedia ia do Neu odesen ol imen o
da Sociedade Po uguesa de Pedia ia p ocedeu a um le an amen o nacional em 2007, epe indo-o dez anos depois.
Ma e ial e Mé odos: No biénio 2016-2017 p ocedeu-se a um inqué i o di igido ao uni e so de 45 unidades hospi ala es ab angendo
o mo imen o assis encial das consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o, a alocação de ecu sos humanos, e as necessidades
de e o ço de p o issionais.
Resul ados: Ob e e-se 100% de espos as. O núme o o al de consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o subiu de 38 238
(2007) pa a 99 815 (2017). O núme o de p o issionais ambém aumen ou: os pedia as passa am de 82 a 156. Uma mediana de 101
c ianças agua da am p imei a consul a, con a 185 em 2007.
Discussão: Numa década, o mo imen o assis encial quase iplicou. O e o ço de p o issionais, apesa de posi i o, não e e o mesmo
inc emen o; ainda assim, o núme o de c ianças em lis a de espe a pa a p imei a consul a eduziu-se quase pa a me ade, o que e le e
o comp ome imen o dos p o issionais.
Conclusão: É de salien a a melho ia global da espos a nacional na á ea da Pedia ia do Neu odesen ol imen o. Con udo, o e o ço
dos ecu sos humanos numa pe spec i a plu idisciplina não de e se negligenciado, endo em is a a melho ia con ínua da p es ação
de cuidados numa á ea de g ande c onicidade e complexidade.
Pala as-cha e: Hospi ais; Pedia ia; Pe u bações do Neu odesen ol imen o; Po ugal; Recu sos em Saúde
Pedia ia do Neu odesen ol imen o em Po ugal:
Mo imen o Hospi ala Assis encial, Recu sos e
Necessidades – E olução em Dez Anos
Neu ode elopmen al Pedia ics in Po ugal: Hospi al
Pa ien Volume, Resou ces and Needs – Changes A e Ten
Yea s
1. Se iço do Cen o de Desen ol imen o da C iança. Cen o de In es igação e Fo mação Clínica. Hospi al Pediá ico. Cen o Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a. Coimb a.
Po ugal.
2. Clínica Uni e si á ia de Pedia ia. Faculdade de Medicina. Uni e sidade de Coimb a. Coimb a. Po ugal.
3. Se iço de Pedia ia. Unidade de Neu odesen ol imen o. Cen o Uni e si á io Hospi ala de São João. Po o. Po ugal.
4. Se iço de Pedia ia. Unidade de Neu odesen ol imen o. Hospi al de San a ém. San a ém. Po ugal.
5. Se iço de Pedia ia. Unidade de Neu odesen ol imen o. Hospi ala Tondela-Viseu. Viseu. Po ugal.
6. Se iço de Pedia ia. Cen o de Neu odesen ol imen o In an il Logicamen es. Lisboa. Po ugal.
7. Se iço de Pedia ia. Consul a de Neu odesen ol imen o. Hospi al CUF Sin a. Sin a. Po ugal.
 Au o co esponden e: Guioma Oli ei a. [email p o ec ed]
Recebido: 20 de dezemb o de 2019 - Acei e: 22 de maio de 2020 - Fi s published: 26 de no emb o de 2020 - Online issue published: 01 de ma ço de 2021
Copy igh © O dem dos Médicos 2021
Guioma OLIVEIRA1,2, Inês NUNES VICENTE1, Micaela GUARDIANO3, Liza AGUIAR4, Susana LOUREIRO5,
Rosa GOUVEIA6, Filipe GLÓRIA SILVA7
Ac a Med Po 2021 Ma ;34(3):185-193 ▪ h ps://doi.o g/10.20344/amp.13316
ABSTRACT
In oduc ion: Neu ode elopmen al diso de s a e, in mode n socie ies, he mos common ch onic pedia ic condi ions. Many emain
in adul hood. O ganizing he na ional heal h ca e ne wo k o espond e icien ly and e ec i ely equi es g ounded knowledge o ca e
needs. The Neu ode elopmen al Pedia ics Socie y o he Po uguese Socie y o Pedia ics in o de o know he cu en hospi al ca e
eali y o Neu ode elopmen al Pedia ics, ca ied ou a na ional su ey in 2007, epea ing i en yea s la e .
Ma e ial e Me hods: In he 2016-2017 biennium, a su ey o 45 hospi al uni s was conduc ed on he pa ien olume o Neu ode elop-
men al clinics, he alloca ion o human esou ces, and he needs o p o essional ein o cemen .
Resul s: We ob ained a 100% esponse a e. The o al numbe o Neu ode elopmen al Pedia ics consul a ions ose om 38 238
(2007) o 99 815 (2017). The numbe o p o essionals has also inc eased: pedia icians inc eased om 82 o 156. A median o 101
child en we e awai ing i s consul a ion, compa ed wi h 185 in 2007.
Discussion: In a decade, he pa ien olume almos ipled. The ein o cemen o p o essionals, e en hough i was bene icial, did no
inc ease acco dingly; e en so, he numbe o child en on he wai ing lis o hei i s appoin men has almos hal ed, e lec ing he
commi men o p o essionals.
Conclusion: I is no ewo hy ha he o e all imp o emen o he na ional esponse in he a ea o Neu ode elopmen al Pedia ics is
ema kable. Howe e , he eques ed ein o cemen o human esou ces om a mul idisciplina y pe spec i e should no be neglec ed in
iew o he con inuous imp o emen in ca e deli e y in an a ea o g ea ch onici y and complexi y.
Keywo ds: Heal h Resou ces; Hospi als; Neu ode elopmen al Diso de s; Pedia ics; Po ugal
ARTIGO ORIGINAL
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Re is a Cien í ica da O dem dos Médicos www.ac amedicapo uguesa.com
Oli ei a G, e al. Pedia ia do neu odesen ol imen o em Po ugal, Ac a Med Po 2021 Ma ;34(3):185-193
INTRODUÇÃO
As pe u bações do neu odesen ol imen o, pela sua
ele ada e c escen e equência, c onicidade, complexidade
e especi icidade, ca ecem de uma o ganização da p es a-
ção de cuidados de o ma es u u ada e adap ada às ne-
cessidades a uais.1-3
Em Po ugal, es e pe cu so em indo a aze -se pau-
la inamen e. Há dez anos, sob a égide e coo denação da
Sociedade de Pedia ia do Neu odesen ol imen o da So-
ciedade Po uguesa de Pedia ia (SPND-SPP), publicou-
-se o p imei o le an amen o nacional sob e o mo imen o
assis encial hospi ala , os ecu sos p o issionais a ibuídos
a es a á ea, bem como os p oblemas exis en es e as ne-
cessidades pe cecionadas ela i amen e ao ano de 2007.4
As conclusões en ão alcançadas, com a ep esen ação
de 85,7% dos hospi ais inqui idos, o am as seguin es: as
consul as de desen ol imen o/neu odesen ol imen o e-
p esen a am 11% da o alidade das consul as de Pedia ia
hospi ala ; dedica am-se a es a á ea di e enciada da Pe-
dia ia 82 pedia as (um e ço a empo comple o); ou os
p o issionais (psicólogos, e apeu as da ala, e apeu as
ocupacionais, isio e apeu as, écnicos de psicomo icida-
de, docen es e écnicos de se iço social) in eg a am es as
equipas plu idisciplina es, mas em mui o meno núme o, e
só a amen e o aziam a empo comple o. Es es ecu sos
o am conside ados insu icien es endo em conside ação a
mediana do empo de espe a pa a consul a de seis meses,
bem como o núme o ele ado de c ianças (mediana de 185
c ianças) que se encon a a a agua da a p imei a consul a
de pedia ia do desen ol imen o/neu odesen ol imen o.4
Desde en ão, mui as al e ações se êm cons a ado nes-
a á ea, sob e udo no que diz espei o à equência e à con-
ce ualização diagnós ica e social das doenças pediá icas,
bem como à ele ada p ocu a de cuidados de saúde hospi-
ala es al amen e di e enciados.
A é meados do século passado, as doenças agudas
e am as dominan es e p e alecia o modelo biomédico. As
doenças c ónicas mais equen es e am doenças ‘ ísicas’,
como a asma e ou as doenças espi a ó ias. Po mo i os
ainda não o almen e comp eendidos, nas úl imas déca-
das em-se assis ido a um aumen o ela i o das si uações
clínicas que se exp essam como al e ações do compo a-
men o, das emoções, da ap endizagem e da capacidade
de adap ação social. Desen ol eu-se en ão a pe spe i a
biopsicossocial da incapacidade ou dis unção adap a i a
como exp essão de meno saúde na c iança, que mo i ou
a O ganização Mundial de Saúde (OMS) a c ia a Classi i-
cação In e nacional de Funcionalidade e Incapacidade em
Saúde.5
Nos Es ados Unidos da Amé ica (EUA), a p e alência
de condições c ónicas elacionadas com doença ‘ ísica’ di-
minuiu 11,8% en e 2001 e 2011, enquan o as associadas
com p oblemas de neu odesen ol imen o e de saúde men-
al aumen a am 20,9%.6 Há ainda e idência de que a limi-
ação da capacidade adap a i a das c ianças ao seu meio
ambien e na u al, po condições c ónicas des e âmbi o,
quad uplicou de 1960 a 2009.5 Nes e domínio, egis a-se o
aumen o do diagnós ico dos p oblemas de linguagem e de
ap endizagem, da pe u bação do desen ol imen o in elec-
ual, da pe u bação do espe o do au ismo, e do dé ice de
a enção e hipe a i idade, en e ou os p oblemas de com-
po amen o e emocionais.6
Es e aumen o não se explica somen e pelo a anço nas
ecnologias da saúde e pela melho ia da qualidade de ida
e dos cuidados de saúde o e ecidos às populações, que
pe mi i am a sob e i ência de c ianças com doenças an-
e io men e a ais. Ou as a iá eis es a ão em causa pa a
além des as.7
Os a uais modelos de saúde e sociais, o ien ados pa a
uma moni o ização ape ada da no malidade e p omo o as
de as eios p ecoces das doenças, podem e en ualmen e
p omo e o diagnós ico de condições clínicas que no pas-
sado ica iam omissas (o e u iliza ion).8 Há au o es que
apelidam nega i amen e es e pe íodo de ‘ oo much medici-
ne’.9
No con ex o das pa ologias do neu odesen ol imen o,
es as ques ões podem se ainda mais ele an es, no sen-
ido em que não exis em bioma cado es que possam auxi-
lia na a i mação ou negação p ecisa do diagnós ico. Es a
conclusão baseia-se essencialmen e na obse ação clínica
e na in o mação eiculada pelos pais e educado es. Ac es-
ce ainda que a a iabilidade no mal do compo amen o e
das e apas de aquisição do neu odesen ol imen o é mui o
ampla e nem semp e conhecida e alo izada pelos pais e
p o issionais, o que pode le an a p eocupações po ezes
in undadas. Po ou o lado, o oco social a ual numa ap en-
dizagem pad onizada imp ime nas c ianças com ca ac e-
ís icas cogni i as e compo amen ais nos limi es in e io es
da no malidade um isco ac escido de insucesso escola e,
em consequência, a necessidade de cuidados de saúde no
domínio do neu odesen ol imen o. En e ou os, es es a-
o es pode ão con ibui pa a explica a ci cuns ância a ual
de se assis i a um aumen o do diagnós ico das doenças
do neu odesen ol imen o, emocionais e compo amen ais,
sob e udo em c ianças p o enien es de amílias em an-
agem social, nas quais se em e i icado um inc emen o
mais acen uado.6
Nes a ealidade epidemiológica, e com o obje i o de
uni o miza os c i é ios de diagnós ico, e de de ini en ida-
des clínicas especí icas e disc e as que com equência
coexis em, a Associação Ame icana de Psiquia ia, na sua
quin a edição do Diagnos ic and S a is ical Manual o Men-
al Diso de s (DSM), in oduziu pela p imei a ez o capí ulo
das pe u bações do neu odesen ol imen o (neu ode elo-
pmen al diso de s).10 Es a abo dagem da dis unção das ca-
pacidades de ap endizagem e adap a i as na p og essão
do desen ol imen o psicomo o az consigo o concei o de
o ganicidade neu ológica. Es a em início p ecocemen e e
man em-se po oda a ida, embo a com espe o de ma-
ni es ações clínicas mui o di e en e ao longo do empo.2
Es as pe u bações passa am assim a se conside adas
ísicas ou o gânicas, al como as demais que a e am ou os
ó gãos que não o sis ema ne oso.11
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Reconhecendo a p emência da in es igação e iológica
e da comp eensão dos ci cui os neu onais anómalos que
lhe es ão subjacen es, o Na ional Ins i u e o Men al Heal h
dos Es ados Unidos da Amé ica lançou ecen emen e o
Resea ch Domain C i e ia (RDoC). Es e p oje o de in es i-
gação p econiza uma es u u a de es udo cien í ico que liga
a e en e dimensional aos di e en es domínios da in es-
igação biológica, po g upos semiológicos. Es e modelo
em a an agem de não o na necessá ia a classi icação
em condições clínicas especí icas, o que pode acili a a
análise e eduzi os en iesamen os cien í icos deco en es
de e os de diagnós ico em en idades clínicas disc e as ou
ca egó icas.12
Nes e enquad amen o de g ande especi icidade, os
se iços de saúde, pa icula men e na especialidade de
Pedia ia, êm que se p epa a pa a esponde às neces-
sidades das c ianças, das amílias, das equipas de p o is-
sionais da educação, da saúde e dos in es igado es em
neu ociência. Es a necessidade de análise, de p epa ação
de p o issionais e de de inição do melho modelo de es-
pos a em saúde é discu ida e abo dada em odo o mundo,
e ca ece ainda de ma u idade e melho ia.1-3,13,14
Com e ei o, a espos a dos sis emas de saúde a es e
ní el é conside ada insu icien e, mesmo que se conside-
e apenas a e en e clínica, dado o dé ice es u u al da
p epa ação médica nes a á ea e a escassez dos ecu sos
humanos que lhe es ão alocados.
Apesa do pa adigma do modelo de saúde clássico e -
ical, cen ado na elação es ei a médico - doen e, e e o-
luído pa a o concei o ho izon al, em que se en ol e a c ian-
ça e a amília na omada de decisões ela i amen e à sua
saúde, a á ea do neu odesen ol imen o exige ainda um
con ac o com as equipas de in e enção na comunidade.
Nes e con ex o é de ealça ainda a impo ância das eu-
niões plu idisciplina es e da in o mação esc i a de alhada.
Es as ques ões, não sendo acau eladas, mo i am ele ada
insa is ação dos p o issionais.14
A ní el mundial, a especialidade de Pedia ia e e ne-
cessidade de se di e encia na á ea do neu odesen ol i-
men o e de p omo e modelos de abalho mul ip o issional
em ede, que en ol em ou os écnicos de saúde, como os
psicólogos, e ou as á eas de a aliação e de in e enção
e apêu ica, bem como as amílias.2,3,11
Es e abalho em como obje i o p incipal aze um e-
a o da ealidade assis encial da Pedia ia do Neu ode-
sen ol imen o (á ea di e enciada da Pedia ia que em a
esponsabilidade nes e campo) a ní el nacional, de modo
a ob e dados undamen ados que possam con ibui pa a
a melho ia con ínua des a ede de cuidados em Po ugal.
Adicionalmen e, compa ou-se a e olução des es indicado-
es com os ob idos em 2007.4,15
MATERIAL E MÉTODOS
Em 2018 e 2019, a Di eção da SPND-SPP lançou
um ques ioná io online (h ps://docs.google.com/ o ms/d/
e/1FAIpQLSdzM9sKZziVdT_EAI3KgY_uP H pEkQYi4c-
NUJLMYxMs5 2Rg/ iew o m) que oi en iado a odos os
hospi ais com consul as indi idualizadas de Pedia ia do
Desen ol imen o/Neu odesen ol imen o [(do a an e u ili-
za emos nes e sen ido a e minologia ‘Pedia ia do Neu o-
desen ol imen o’ (PND)].
Pa a iden i icação dos cen os hospi ala es, hospi ais e
unidades locais de saúde do Se iço Nacional de Saúde
(SNS) com consul as de PND usou-se, em 2018, a lis a-
gem acessí el no si io ins i ucional (h ps://www.sns.go .p /
ins i ucional/en idades-de-saude/). O con ac o oi ealizado
po co eio ele ónico di igido ao email ins i ucional dos 43
es abelecimen os hospi ala es do SNS, nas condições e-
e idas, no Con inen e, no a quipélago da Madei a e dos
Aço es, e a dois hospi ais p i ados com adição assis en-
cial na á ea da PND, o que pe ez um uni e so o al de 45
ins i uições de Saúde [lis adas no Apêndice 1 ( e Apêndice
1: h ps://www.ac amedicapo uguesa.com/ e is a/index.
php/amp/a icle/ iew/13316/Apendice_01.pd )].
Tendo o es udo como e e ência o pe íodo empo al do
biénio 2016-2017, o am colocadas as pe gun as que a se-
gui se e e em, ela i amen e ao mo imen o e ao ipo as-
sis encial em PND; aos ecu sos humanos e empos sema-
nais dispensados a es a á ea; à capacidade o ma i a; ao
empo de espe a pa a p imei a consul a; e ainda à p ojeção
de necessidades de ec u amen o de p o issionais a cu o
p azo:
i) núme o de consul as de PND (p imei as e o al) onde
se de e iam engloba as consul as especí icas des a á ea,
como po exemplo as de hipe a i idade e de au ismo, en e
ou as;
ii) núme o o al de consul as de Pedia ia (onde de e-
iam es a englobadas as de á eas subespecializadas ou
di e enciadas, como po exemplo de ne ologia ou endoc i-
nologia, caso exis issem);
iii) exis ência de consul as especí icas englobadas na
PND, e quais;
i ) exis ência de in e nos de Pedia ia in eg ados na
consul a de PND e em que con ex o o ma i o;
) núme o de pedia as que se dedica a à PND a empo
comple o (única a i idade assis encial pa a além do se iço
de u gência) ou pa cial;
i) núme o de psicólogos, e apeu as da ala e ocupa-
cionais, isio e apeu as, écnicos de psicomo icidade, do-
cen es e écnicos do se iço social que aziam pa e des as
equipas mul ip o issionais;
ii) núme o de ho as de pedia as e dos ou os écnicos
de saúde dispensados à á ea de PND, po semana;
iii) núme o de pedia as com o mação em ciclo de es-
udos especiais em PND, ou com a sua equipa ação;
ix) núme o de u en es em lis a de espe a pa a p imei a
consul a de PND, bem como o espe i o empo de esolu-
ção a 31 de dezemb o de 2017;
x) necessidade de ec u a ecu sos humanos a cu o
p azo, e quais.
As espos as a es as ques ões o am o necidas endo
como on e o icial os espe i os egis os es a ís icos hospi-
ala es.
Dada a na u eza do es udo, baseado na análise de
Oli ei a G, e al. Pedia ia do neu odesen ol imen o em Po ugal, Ac a Med Po 2021 Ma ;34(3):185-193
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indicado es numé icos p o enien es de on es o iciais e em
inqué i o online espondido de li e e espon ânea on ade,
e ao ac o de não e em sido abalhados quaisque dados
clínicos pessoais, não hou e necessidade de submissão á
Comissão de É ica pa a a Saúde.
RESULTADOS
Ob e e-se espos a das 45 ins i uições hospi ala es
ques ionadas (100%), que con i ma am p es a cuidados
de PND de um modo di e enciado, es u u ado e egula
em egime de ambula ó io. Des as 45 ins i uições de saú-
de, 43 es ão in eg adas no SNS, e duas (4%) pe encem ao
sis ema de saúde p i ado.
Segundo os dados ob idos nes e le an amen o, o nú-
me o o al de consul as de PND em 2016 e 2017, oi es-
pe i amen e de 98 519 (SNS-93 529; 94,9%) e de 99 815
(SNS-94 980; 95,2%). Nas di e en es egiões e ilhas, nos
anos 2016/2017, es es núme os a ia am de alo es míni-
mos de 138/221 a máximos de 8970/8793; com médias ±
um des io pad ão de 2189/2218 ± 1662/1630 e medianas
de 1971/2001 (Tabela 1). O núme o o al de consul as de
Pedia ia do Neu odesen ol imen o po egiões e ilhas, e o
o al em Po ugal, ilus a-se na Fig. 1.
A dis ibuição dos ácios de p imei as consul as de
PND em elação ao seu núme o o al a iou em Po ugal
em 2016 de 14,6% (Sul Alen ejo) a 28,5% (Madei a), e em
2017 de 12,8% (Madei a) a 19,1% (Sul Lisboa e Vale do
Tejo) (Tabela 2).
Tabela 1 – Mo imen o assis encial de consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o em 2016 e 2017, po egiões e ilhas
Regiões To al Média DP Mediana Mín. Máx.
Lisboa e Vale do Tejo 2016 33 012 2201 1578 2153 315 6919
2017 33 271 2218 1568 2001 339 6986
No e 2016 30 415 2172 1161 1973 200 4665
2017 30 727 2195 1175 2130 225 4530
Cen o 2016 26 158 3270 2615 2686 813 8970
2017 26 209 3276 2531 2727 842 8793
Alga e 2016 3789 1895 1298 1895 977 2812
2017 3704 1852 1266 1852 957 2747
Madei a 2016 2007 2007 . 2007 2007 2007
2017 2286 2286 . 2286 2286 2286
Alen ejo 2016 1915 638 305 715 302 898
2017 1829 610 361 674 221 934
Aço es 2016 1223 612 670 612 138 1085
2017 1789 895 271 895 703 1086
DP: des io pad ão; max: máximo; min: minimo
Figu a 1 – Dis ibuição do núme o o al de consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o em Po ugal, po egiões e ilhas em 2016 e
2017
100 000
90 000
80 000
70 000
60 000
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0To al
98 519 99 815
1223 1789
26 158 26 209
2007 2286
Ano 2016 Ano 2017
30 415 30 727
1915 1829 3789 3704
33 012 33 271
Aço es Cen o Madei a
Núme o o al de consul as de pedia ia neu odesen ol imen o em Po ugal po egião e ilhas
Anos 2016 e 2017
No e Alen ejo Alga e Lisboa e
Vale do Tejo
Oli ei a G, e al. Pedia ia do neu odesen ol imen o em Po ugal, Ac a Med Po 2021 Ma ;34(3):185-193
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O egis o acul ado nesses anos pelos hospi ais, ela i-
os ao núme o de consul as de Pedia ia no o al do país,
po egiões e ilhas, bem como a p opo ção das consul as
de PND ela i amen e ao alo das de Pedia ia, oi e le i-
do na Tabela 3. As consul as de PND, ela i amen e às de
Pedia ia no seu global, ep esen a am 14,4%, com uma
a iação, em 2016, en e 8,5% nos Aço es e 24,5% na e-
gião Cen o; em 2017, o alo a iou de 12,3% na egião de
Lisboa e Vale do Tejo a 24,2% no Cen o.
Rela i amen e ao ipo de consul as que o e eciam à
população, 31 es u u as hospi ala es dispunham de con-
sul as ge ais de PND onde seguiam odas as pa ologias
des a á ea. Nos es an es 14 (31%) o am c iadas consul-
as especí icas. De en e es as, oi o hospi ais dispunham
de consul as de hipe a i idade, oi o de isco biológico, se e
de au ismo, qua o de issomia 21, qua o de di iculdades
de ap endizagem, ês de pa alisia ce eb al, uma de neona-
ologia e uma de de ei os do ubo neu al.
Quan o à disponibilidade des a á ea médica pa a o ma-
ção em con ex o de in e na os de Pedia ia, no e hospi ais
p opo ciona am es e es ágio opcional. Em 27 (60% do o al
dos hospi ais), po o ina, os in e nos de pedia ia bene icia-
am de o mação nas consul as de PND, onde dispunham
de empo de es ágio (embo a não azendo pa e ob iga ó-
ia do p og ama de o mação especí ica em pedia ia). Em
no e, essa possibilidade não es a a disponí el.
O núme o de pedia as dedicados a empo in ei o à
PND e a de 56 e a empo pa cial de 100, dedicando a es a
á ea, no o al, 2279 ho as po semana. Des es pedia as,
in e e no e e am de en o es do ciclo de es udos especiais
em PND.
No que diz espei o à in eg ação de ou os p o issionais
de saúde nes as equipas, ap esen a-se en e pa ên esis o
seu núme o e a quan idade de ho as que dedica am po
semana à PND: psicólogos (82; 1447), e apeu as da ala
(64; 1325), isio e apeu as (40; 522), e apeu as ocupa-
cionais (28; 648), écnicos de psicomo icidade (16; 399),
docen es (30; 684) e écnicos do se iço social (32; 401)
(Tabelas 4 e 5).
A 31 de dezemb o de 2017, uma média de 101 c ian-
ças agua da am uma consul a de PND, a iando es e alo
en e 4 e 387. A axa de esolução da lis a de espe a, em
média de ês meses, a ia a de 1 a 10 (Tabela 6).
A necessidade de con a ação a cu o p azo de pedia-
as pa a a á ea de PND oi mani es ada po 14 hospi ais,
que no seu conjun o ec u a iam 15 p o issionais (oi o pa a
o Sul, qua o pa a o No e e ês pa a o Cen o). Pa a além
des es o am solici ados, po o dem dec escen e, psicólo-
gos (25), e apeu as da ala (14), e apeu as ocupacionais
(10), écnicos de psicomo icidade (9), isio e apeu as (6) e
docen es (1).
DISCUSSÃO
No enquad amen o mundial, em que assis imos a um
aumen o da p e alência das pe u bações do neu odesen-
ol imen o e consequen e p ocu a de cuidados de saúde
Tabela 2 – Relação en e p imei as consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o e o alo o al de consul as de Pedia ia do Neu o-
desen ol imen o po egiões e ilhas em 2016 e 2017
Região Consul as PND 2016 Consul as PND 2017
P imei as To al Taxa P imei as/ To al P imei as To al Taxa P imei as/ To al
Lisboa e Vale do Tejo 5998 33 012 18,20% 6357 33 271 19,10%
No e 5445 30 415 17,90% 5158 30 727 16,80%
Cen o 4292 26 158 16,40% 4208 26 209 16,10%
Alga e 750 3789 19,80% 686 3704 18,50%
Madei a 571 2007 28,50% 292 2286 12,80%
Alen ejo 280 1915 14,60% 279 1829 15,30%
Aço es 259 1223 21,20% 329 1789 18,40%
To al 17 595 98 519 17,86% 17 309 99 815 17,34%
PND: Pedia ia do neu odesen ol imen o
Tabela 3 – P opo ção en e as consul as de Pedia ia do Neu odesen ol imen o e as de Pedia ia em Po ugal em 2016 e 2017
Região Nº Consul as
Ped 2016
Nº Consul as
PND 2016
PND/ Ped 2016
(%)
Nº Consul as
Ped 2017
Nº Consul as
PND 2017
PND/Ped 2017
(%)
Lisboa e Vale do Tejo 265 775 33 012 12,40% 270 364 33 271 12,30%
No e 258 529 30 415 11,80% 259 131 30 727 11,90%
Cen o 106 949 26 158 24,50% 108480 26 209 24,20%
Alga e 15 871 3789 23,90% 15 503 3704 23,90%
Madei a 13 837 2007 14,50% 12 337 2286 18,50%
Alen ejo 16 560 1915 11,60% 15 523 1829 11,80%
Aço es 14 351 1223 8,50% 13 751 1789 13,00%
To al 691 872 98 519 14,24% 695 089 99 815 14,36%
Ped: Pedia ia; PND: Pedia ia do neu odesen ol imen o
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adequados, Po ugal em inco po ando es a ealidade. Em
dez anos (2007 a 2017), o núme o o al de consul as hos-
pi ala es de Pedia ia do Neu odesen ol imen o aumen ou
de 38 2384 pa a 99 815, o que ep esen a quase o iplo: 2,6
ezes (Tabela 7).
Es e enómeno pode ia es a con ex ualizado no au-
men o, em e mos globais, das consul as médicas hospi-
ala es a que se em assis indo, pa icula men e na espe-
cialidade de Pedia ia. No en an o, nes e pe íodo empo al,
azendo uma análise des e mo imen o, e endo po base
e e ências o iciais,16,17 o núme o de consul as de pedia ia
so eu um inc emen o de 7%, o que es á bas an e abaixo
do e i icado nas consul as de PND, como demons amos
no nosso abalho, e o çando o seu eal aumen o absolu o
e ela i o.
No es udo an e io , em 2007, a axa global calculada de
consul as de PND ela i amen e ao o al das de Pedia ia
co espondia a 11%, sendo na egião Cen o a mais ele a-
da, (p óxima de 17%).4 A ualmen e, essa elação global su-
biu ês pon os pe cen uais, ul apassando ago a os 14%.
Na egião Cen o con inua a man e -se a axa mais ele a-
da, a ingido p esen emen e as consul as de PND quase um
qua o das de Pedia ia (Tabela 3). De salien a que es a
ele ada p opo ção, compa a i amen e ao es o do País,
pode á e como explicação o ac o de a egião Cen o se
a á ea do país onde o núme o de consul as hospi ala es de
PND no sis ema p i ado menos se a á no a , o que pode,
ela i amen e às ou as egiões, aze aumen a es a es-
pos a hospi ala no con ex o do SNS.
Em 2017, o núme o de especialis as em Pedia ia dedi-
cados a es a á ea e a de 56 a empo in ei o e 100 a empo
pa cial. Os dados disponí eis pe mi em-nos conclui que
o núme o de pedia as a e os à á ea da Pedia ia do Neu-
odesen ol imen o quase duplicou (de 82 em 2007 pa a
156 em 2017). Em 2007, a elação de pedia as dedica-
dos à PND (82) ela i amen e ao o al de pedia as (1479)
e a de 5,5%18. Em 2017, essa p opo ção subiu pa a 7,5%
(156/2085) - Tabela 7.
Nesse mesmo ano, a amos a nacional es udada, e-
elou que o núme o de ho as de abalho da especialidade
hospi ala de pedia ia alocada à á ea de PND, e a de 2279
ho as po semana. Conside ando que o co po clínico hos-
pi ala abalha ce ca de 45 semanas po ano (exce ua-se o
Tabela 4 – P o issionais que in eg a am as equipas de PND em 2017, dis ibuídos po egiões e ilhas, ela i amen e ao núme o de ele-
men os e de ho as po semana dedicados à á ea
Região Ped TC Ped TP Ped H/S Psi Psic H/S TF TF H/S Fis Fis H/S
Lisboa e Vale do Tejo 20 33 898 32 710 22 488 9 115
Cen o 16 18 479 17 300 15 394 4 70
No e 15 33 631 22 204 13 126 18 119
Alga e 4 3 138 2 35 3 55 2 70
Alen ejo 17 76 3 42 3 79 135
Aço es 0 3 17 4 86 6 113 578
Madei a 0 3 40 2 70 2 70 135
To al 56 100 2279 82 1447 64 1325 40 522
Fis: isio e apeu as. H/S: ho as po semana; Ped: pedia as; Psi: psicólogos; TC: empo comple o; TF: e apeu as alas; TP: empo pa cial
Tabela 5 – P o issionais que in eg a am as equipas de PND em 2017, dis ibuídos po egiões e ilhas, ela i amen e ao núme o de ele-
men os e de ho as po semana dedicados à á ea
Região TO TO H/S TPsi TPsi H/S Doc Doc H/S TSS TSS H/S
Lisboa e Vale do Tejo 6 183 9 204 8180 6 43
No e 10 92 2 35 4 14 14 132
Cen o 5175 2 55 15 441 6 101
Alga e 3 105 0 0 14112
Alen ejo 0 0 135 0 0 2 35
Aço es 3 58 2 70 110 2 43
Madei a 135 0 0 135 135
To al 28 648 16 399 30 684 32 401
Doc: docen es; H/S: ho as po semana; TO: e apeu as ocupacionais; TC: empo comple o; TP: empo pa cial; Tpsi: écnicos de psicomo icidade; TSS: écnicos de se iço social
Tabela 6 – Núme o de c ianças em lis a de espe a pa a p imei a
consul a de PND em Po ugal a 31 dezemb o de 2017
Nº c ianças lis a
espe a
(31/12/2017)
Taxa esolução lis a
espe a
(31/12/2017), meses
Média 101 3
Mediana 73 3
Des io pad ão 95 2
Minimo 4 1
Máximo 387 10
Pe cen is
25 40 1,6
50 73 3,0
75 112 3,3
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pe íodo de é ias e licença pa a o mação sem pe da de e-
mune ação, en e ou as), conclui-se que o núme o de ho-
as calculado po ano epo a ia a 102 555 ho as. Pa indo
do p incípcio de que o núme o o al de consul as de PND
nesse ano, em Po ugal, oi de 99 815, pode emos conclui
que o empo médico dedicado a cada consul a oi em mé-
dia de uma ho a. No egulamen o ecen emen e publica-
do pela O dem dos Médicos, ela i o aos empos pad ão
das consul as, o Colégio de Pedia ia ecomenda que as
consul as de PND enha uma du ação de 60 minu os pa a
p imei as e 45 pa a subsequen es.19 Tendo po base es es
empos, e conside ando o núme o de consul as de PND
nes e le an amen o (99 815), e o peso ela i o das p imei-
as e sus subsequen es (17 309/82 506), es e mo imen o
consumi ia 79 188 ho as po ano. Nes a p ojeção, es a ia
menos de um qua o des e empo (23 367/102 555 ho as;
22.8%) pa a aloca a euniões, con ac os com o ex e io e
elabo ação de ela ó ios, o que se ia mani es amen e insu-
icien e.
Vá ios es udos e idenciam insa is ação e desmo i ação
p o issional dos pedia as que se dedicam a es a á ea.14
Uma das azões é a a ibuição insu icien e de ho as pa a
a e as pós consul a, como ambém se e i ica em Po u-
gal. A ou a é a eclamação de al a de o mação especí ica
na á ea.20 Num es udo ecen e da Academia Ame icana de
Pedia ia, 65% dos ques ionados e e ia e al a de p epa-
ação pa a in e i nas pa ologias do neu odesen ol imen-
o.20
Em Po ugal, es as ques ões êm sendo acau eladas,
embo a ainda a ca ece de melho ia.
O e o ço do quad o médico a ibuído a es a á ea em
sido e iden e, a pa de um es o ço de o mação especí ica
na á ea do neu odesen ol imen o, que a ní el do in e na o
de Pedia ia, que numa ase pos e io de di e enciação.
De ac o, o nosso es udo e elou que um quin o dos
hospi ais públicos (9/43) êm idoneidade o ma i a pa a
p opo ciona es ágio opcional nes a á ea, sendo que em 27
(60%), os in e nos de pedia ia equen am habi ualmen e
as consul as de PND (embo a no p og ama de o mação
a ual de pedia ia a o mação nes a á ea seja opcional, pas-
sando a se ob iga ó ia na a ualização em cu so).
A o mação di e enciada de dois anos nes a á ea, a a-
és da equência do Ciclo de Es udos Especiais (CEE)
pa a especialis as em Pedia ia, exis e em Po ugal desde
2009,15 o que pe mi iu que 29 des e 156 pedia as sejam
de en o es do CEE em PND (18,6%).
A plu idisciplina idade hospi ala e a ligação des es p o-
issionais aos da comunidade onde as c ianças se encon-
am in eg adas são especi icidades da PND e one am es a
á ea em e mos de ecu sos humanos e de empos di e os
(consul a) e indi e os (pós consul a), como já oi salien ado.
No le an amen o de 2007, a escassez de ecu sos de
saúde a ibuídos à PND na á ea dos p o issionais não mé-
dicos ambém e a mui o e iden e, endo-se e i icado um
ele ado núme o de solici ações pa a o seu e o ço. Na Ta-
bela 8 ilus a-se o núme o de p o issionais exis en es em
2007, a solici ação de con a ações en ão elencada e os
egis os de p o issionais a ualmen e exis en es. Pode e-
i ica -se que o aumen o oi posi i o, em odas as á eas,
sob e udo nas de pedia ia (ac éscimo de 90%), psicologia
(26%), e apia da ala (52%) e isio e apia (21%). Assis iu-
-se a uma edução de 3% no núme o de e apeu as ocu-
pacionais que e en ualmen e de am luga aos écnicos de
psicomo icidade, não a ibuídos em 2007. O núme o de
docen es aumen ou 11%, mas icou aquém do p og amado,
assim como os p o issionais de se iço social que so e am
uma edução de 5%.
Das solici ações a cu o p azo que nes e le an amen o
Tabela 7 – Dados compa a i os en e os anos 2007 e 2017
Anos de es udo Nº o al
Consul as PND
Nº Pedia as
dedicados PND/ o al pedia as
(%)
Mediana de c ianças em lis a espe a a
31 de dezemb o pa a consul a PND
(mediana de espe a em meses)
2007 38.238 82/1479
(5,5%)
185
(6)
2017 99.815 156/2085
(7,5%)
101
(3)
PND: Pedia ia do neu odesen ol imen o
Tabela 8 – P o issionais das equipas de Pedia ia do Neu odesen ol imen o em 2007 e 2017, exis en es e solici ados
P o issionais Exis en es
2007
Solici ados
2007
Exis en es
2017
Ac éscimo
2007/2017 (%)
Solici ados cu o
p azo
Pedia ia 82 34 156 +90% 15
Psicologia 65 21 82 +26% 25
Te apia ala 42 20 64 +52% 14
Fisio e apia 33 840 +21% 6
Te apia ocupacional 29 14 28 -3% 10
Psicomo icidade - - 16 9
Docência 27 20 30 +11% 1
Se iço social 38 6 36 -5% -
No a: Po limi ação de dados de con iança ela i amen e ao egime de abalho não se disc imina se é de empo comple o ou pa cial
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o am in en a iadas (Tabela 8), man ém-se, sob e udo, a
necessidade de e o ço do quad o de Pedia ia, de Psicolo-
gia e de Te apia da Fala, seguido pela Te apia Ocupacional,
Psicomo icidade e Fisio e apia. Es es p o issionais cons i-
uem o núcleo cen al das equipas plu idisciplina es hospi-
ala es em Po ugal, à semelhança do p econizado nou os
países.2,5-7
Apesa do aumen o exp essi o de p o issionais dedica-
dos à á ea da Pedia ia do Neu odesen ol imen o a ní el
do SNS (somen e dois hospi ais pe enciam ao sis ema
p i ado), e do núme o de consul as quase e iplicado, a
espos a às necessidades demons adas pela população
pediá ica ainda não es á de idamen e acau elada. Em
dezemb o de 2017, a mediana do núme o de c ianças em
lis a de espe a e a de 101 c ianças ( a iando de 4 a 387),
as quais agua da am po p imei a consul a en e um a dez
meses (mediana ês) - Tabela 6. Não sendo es es dados
os ideais, são ancamen e melho es que os egis ados há
dez anos, em que a mediana de c ianças em lis a de espe-
a há seis meses (mediana) e a de 185 (Tabela 7).4
O pano ama da c iança doen e al e ou-se nas úl imas
décadas, com as pa ologias do neu odesen ol imen o a i-
gu a em a ualmen e no opo da lis a das doenças c ónicas,
como sendo as mais equen es. Se no passado o p o ó ipo
da c iança doen e e a a que so ia de um quad o in ecioso e
a é de desnu ição, hoje se á o da que so e de pe u bação
do neu odesen ol imen o.5 Nes e âmbi o, des acam-se os
p oblemas do dé ice de a enção e hipe a i idade, da pe -
u bação do desen ol imen o in elec ual, da pe u bação
do espe o do au ismo e das condições clínicas an e io -
men e a ais associadas a ele ado isco de sequelas de
uncionamen o ce eb al nos sob e i en es, como a g ande
p ema u idade, a doença oncológica, neu ológica degene-
a i a e as doenças c ónicas em ge al.5,21 Des e modo, as
en idades hospi ala es de saúde êm-se o ganizando no
sen ido de esponde às necessidades da população.
Nes e es udo podemos cons a a que nos hospi ais na-
cionais e e idos es á e le ida es a di e sidade de espos-
as na á ea da PND. Em ce ca de um e ço dos nossos
hospi ais (14/45) o am c iadas consul as especí icas no
âmbi o das pa ologias do neu odesen ol imen o, que cla-
amen e e le em as pe u bações mais comuns, ou mais
complexas, ou g upos clínicos eme gen es. Oi o hospi ais
dispõem de consul a di e enciada de hipe a i idade, oi o de
isco biológico, e se e de au ismo, o que pe mi e esponde
a pa ologias mais especí icas de um modo no malizado.1
CONCLUSÃO
Es e é um abalho de âmbi o nacional, com uma axa de
espos as de 100%, baseado em egis os o iciais hospi ala-
es e dados o necidos po colegas di e amen e en ol idos
na á ea, que pe mi e demons a que a espos a hospi ala
do SNS em Pedia ia do Neu odesen ol imen o aumen ou
de um modo signi ica i o. O mo imen o de consul as ipli-
cou. Em e mos globais, o núme o de p o issionais, numa
pe spe i a plu idisciplina , aumen ou de um modo e iden-
e, sendo in e io o núme o de c ianças em lis a de espe a
e o empo que agua dam pela consul a. Na o mação dos
p o issionais médicos há ac os que obje i am p og essos,
dado que ce ca de um quin o dos pedia as dedicados a
es a á ea são de en o es do CEE em PND, e há dez anos
essa o mação não exis ia. Apesa de se econhece obje-
i amen e es a e olução posi i a, ainda assim, subsis em
eixos pa a melho ia. Aos p o issionais médicos apenas es-
a a menos de um qua o do seu ho á io pa a abalho após
a consul a, o que é cla amen e insu icien e nes a á ea da
saúde, e p omo o de insa is ação.
Nessa pe spe i a, os hospi ais ize am a de ida e le-
xão, con inuando a solici a o e o ço de p o issionais pa a
es as equipas, com um oco mais exp essi o na á ea da
Psicologia.
Con udo, é impo an e acau ela que es a é uma com-
plexa á ea de doença c ónica, que se mani es a na idade
pediá ica, mas que, na maio ia dos casos, pe manece á e
con inua á a necessi a de cuidados de saúde e psicosso-
ciais na idade adul a.2
AGRADECIMENTOS
A Sociedade de Pedia ia do Neu odesen ol imen o
da Sociedade Po uguesa de Pedia ia es á mui o g a a às
Di eções e Equipas do Neu odesen ol imen o dos Hospi-
ais elencados no Apêndice 1 ( e Apêndice 1: h ps://www.
ac amedicapo uguesa.com/ e is a/index.php/amp/a icle/
iew/13316/Apendice_01.pd ), que de um modo al uís a,
com al a qualidade e e iciência, colabo a am nes e es udo
de ele ância ele ada pa a a o ganização da Pedia ia na-
cional.
PROTEÇÃO DE PESSOAS E ANIMAIS
Os au o es decla am que os p ocedimen os seguidos
es a am de aco do com os egulamen os es abelecidos
pelos esponsá eis da Comissão de In es igação Clínica
e É ica e de aco do com a Decla ação de Helsínquia da
Associação Médica Mundial ac ualizada em 2013.
CONFIDENCIALIDADE DOS DADOS
Os au o es decla am e seguido os p o ocolos do seu
cen o de abalho ace ca da publicação de dados.
CONFLITOS DE INTERESSE
Os au o es decla am não e con li os de in e esses e-
lacionados com o p esen e abalho.
FONTES DE FINANCIAMENTO
Es e abalho não ecebeu qualque ipo de supo e i-
nancei o de nenhuma en idade no domínio público ou p i-
ado.
Oli ei a G, e al. Pedia ia do neu odesen ol imen o em Po ugal, Ac a Med Po 2021 Ma ;34(3):185-193
ARTIGO ORIGINAL
Re is a Cien í ica da O dem dos Médicos www.ac amedicapo uguesa.com
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