scieee Science in your language
[po] (orig)

OSCE: O Risco de Uma História Clínica Retalhada

Read accessible full text

OSCE: O Risco de Uma História Clínica Retalhada

Author: Mota, Henrique Carmona da
Publisher: Ordem dos Médicos
Year: 2020
DOI: 10.20344/amp.13507
Source: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/105767/1/OSCE-The-risk-of-a-fragmented-medical-historyActa-Medica-Portuguesa.pdf
290
Re is a Cien í ica da O dem dos Médicos www.ac amedicapo uguesa.com
CARTAS AO EDITOR
Ca as ao Edi o , Ac a Med Po 2020 Ap ;33(4):289-292
OSCE: O Risco de Uma His ó ia Clínica Re alhada
OSCE: The Risk o a F agmen ed Medical His o y
Pala as-cha e: A aliação Educacional; Cu ículo Médico; Edu-
cação; Escolas Médicas; In e na o Médico; Médicos; Modelos Edu-
cacionais; Po ugal
Keywo ds: Cu iculum; Educa ion, Medical; Educa ional Measu e-
men ; Models, Educa ional; Physicians; Po ugal; Schools, Medical
O depoimen o do P o . José Pon e1 ea i ou uma e le-
xão que iz em empos sob e o OSCE (Objec i e S uc u ed
Clinical Examina ion).
Conclui en ão, e man enho ago a, que o OSCE inha
um aspec o mui o posi i o, mas ambém ou o mui o pe i-
goso. Posi i a e a a exigência de p o as assis idas po um
docen e, de p e e ência sénio , an o no exame inal como
nas aulas; é assim que as écnicas ci ú gicas se ensinam
e ap endem. E o g a e é o a i ício de simulação da ela-
ção médico doen e e a ac u a da colhei a da his ó ia clíni-
ca.
Po isso, acabei po ejei a os OSCEs, sob e udo como
p ocesso de a aliação inal. Em al e na i a, elabo ei g e-
lhas pa a análise dos sucessi os episódios da colhei a de
uma his ó ia clínica al como nas es ações do OSCE.
A a aliação da compe ência de um u u o médi-
co ou especialis a ica incomple a sem que um (ou dois)
examinado (es) assis am à colhei a da his ó ia clínica de
um doen e pelo candida o. Só dessa o ma se podem a a-
lia dois aspec os undamen ais dessa compe ência – as
a i udes e o aciocínio clínico ao i o.
É um p ocesso demo ado? Se á, mas assim o exige
a sua ele ância; al como o exigem os julgamen os nos
ibunais. O OSCE não se á mui o menos demo ado.
Mas se á excessi o que um docen e uni e si á io do ci-
clo clínico de Medicina passe uma ho a a obse a como
um g upo de ês alunos seus colhem uma his ó ia clínica,
dois dias po semana, num dos úl imos anos do cu so?
Uma c í ica a es e exame à cabecei a do doen e é a
do ine i á el g au de subjec i idade; é esse ac o humano
que a adopção de g elhas p ocu a a enua . Há que subli-
nha que se não a a de um concu so mas de um exame
– p ocu a sabe -se se o aluno a ingiu ou não os objec i os.
Um exame de e simula o mais possí el a ida eal; o a
na ida clínica o que não al a é subjec i idade, a iedade e
acaso e ali nem semp e há segunda chamada.
O OSCE e á oda a u ilidade na a aliação de écnicas
médicas que não impliquem uma elação médico doen e.
O OSCE é uma en a i a de di e si ica o leque das
á eas indispensá eis à a aliação in eg al das compe ên-
cias clínicas e de pad oniza o p ocesso pa a ob e um e-
sul ado iá el.
Há que en a um sensa o equilíb io en e a necessida-
de de pad oniza o exame - que não é um concu so - com o
obje i o da a aliação de compe ências de como a a pes-
soas doen es, na u almen e a iá eis.
O excesso le a a ans o ma o exame numa ia-sac a
com á ias es ações, cuja obsessão de pad oniza le a a
escolhe p o as isoladas do con ex o clínico ou a ec u a
ac o es que simulem queixas na al a de ‘exempla es’ dis-
poní eis no momen o do exame. São p o as a i iciais cuja
pe inência de cada uma eclipsa o objec i o inal.
O mesmo obje i o, menos homogéneo mas mui o mais
ealis a, pode se ob ido com g elhas de a aliação duma
p o a clínica; g elhas que a aliem os i ens que se en en-
de em pe inen es pa a esse objec i o e que, inse idos na
p á ica clínica, pode ão se mais na u almen e in eg ados
no compo amen o u u o do que um OSCE clássico onde o
ca ác e a i icial é ób io e pedagogicamen e pe igoso – o
p ocesso diagnós ico não é uma linha de mon agem.
Po exemplo:
a) Abo dagem inicial do doen e: condições p é ias
assegu adas? Qualidade do acolhimen o? P imei a
pe gun a?
b) In e oga ó io: a i ude? Diálogo conduzido pelo p o-
blema ou ques ioná io?
c) Exame ísico: inspecção, (opo una ou bu oc á ica?
E icien e ou pe unc ó ia1? Ou os p ocessos clíni-
cos - sis emá icos ou dependen e do p oblema? e c.
d) Pon os da si uação no decu so do in e oga ó io?
Resumo inal?
e) Qualidade da discussão do diagnós ico; diagnós ico
p o isó io.
) Exames complemen a es. Pe inência? In e p e a-
ção de cada.
g) Diagnós ico inal.
h) Conselhos, p og ama e despedida.
Pa a isso é indispensá el que o docen e assis a à co-
lhei a da his ó ia clínica pelo aluno, que é a única a aliação
in eg al da ap endizagem de que é co- esponsá el. Em ez
de a alia 20 ezes a mesma p o a numa das es ações
do OSCE o docen e a alia á in e alunos a aze his ó ias
clínicas de di e en es doen es a seu ca go. O aluno se á
subme ido a uma p o a como na ida eal; o docen e da á
con a dos e os sis emá icos e adequa á o ensino conse-
quen emen e.
Se se quise pad oniza c i é ios de co ação en e os
docen es (a aliado es), bas a á que á ios docen es assis-
am à colhei a de uma his ó ia clínica e co ejem as espec-
i as co ações..
Des e modo o doen e (ob ido o consen imen o in o ma-
do) não se sen i á e alhado - o necedo de dados ou de
ó gãos pa a a aliação - e da á con a que o aluno es á a se
a aliado pela capacidade de a alia o seu p oblema e não
apenas o seu pulmão como se se a asse de uma i is-
secção pa a p epa a a peça pa a um museu semiológico
- mui o bem expos a mas isolada do con ex o.
E o aluno, que semp e se p epa a pa a o ipo de exame
que espe a, conside a á que es e é o pad ão de compo -
amen o que se espe a dum médico – o diagnós ico como
soma de ac o es (sin omas, sinais, esul ados de exames)
colhidos em cada um dos passos da cadeia de mon agem
semiológica e que, pa a a ingi es e objec i o, não con am
Re is a Ci en í i ca da O dem dos Médico s www.ac amedica po u guesa.co m
291
CARTAS AO EDITOR
Ca as ao Edi o , Ac a Med Po 2020 Ap ;33(4):289-292
Hen ique Ca mona da MOTA1
1. P o esso Aposen ado. Faculdade de Medicina. Uni e sidade de Coimb a. Coimb a. Po ugal.
Au o co esponden e: Hen ique Ca mona Mo a. [email p o ec ed]
Recebido: 27 de janei o de 2020 - Acei e: 29 de janei o de 2020 | Copy igh © O dem dos Médicos 2020
h ps://doi.o g/10.20344/amp.13507
os a os a que o doen e é sujei o.
O OSCE se á ú il nou as á eas que não a da clínica;
aqui é um o o de se pen e algo í mica a choca , o e o í-
us que embo a o aciocínio e o ensejo de ou i uma his ó-
ia.
REFERÊNCIAS
1. Pon e J. O que é um bom médico? Ac a Med Po . 2019;32:565–7.
Respos a a um Comen á io do P o . Hen ique Ca mona
Mo a Sob e o A igo Publicado em Ac a Med Po 2019
Sep;32(9):565–567
Reply o a Commen by P o . Hen ique Ca mona Mo a
Abou he A icle Published in Ac a Med Po 2019
Sep;32(9):565–567
Pala as-cha e: A aliação Educacional; Cu ículo Médico; Edu-
cação; Escolas Médicas; In e na o Médico; Médicos; Modelos Edu-
cacionais; Po ugal
Keywo ds: Cu iculum; Educa ion, Medical; Educa ional Measu e-
men ; Models, Educa ional; Physicians; Po ugal; Schools, Medical
Ag adeço o in e esse e os comen á ios do P o . Ca mo-
na Mo a pelo meu a igo publicado em Se emb o 2019 na
AMP.1
Os comen á ios do P o . Ca mona Mo a e elam, con-
udo, que pa ece não e en endido o con eúdo do a igo na
sua o alidade.
O uso de OSCEs não isa subs i ui ou as o mas de
a aliação clínica. Visa apenas aze objec i idade na a a-
liação de mais de 100 compe ências p á icas que odos os
médicos de em possui . Os OSCEs são uni e salmen e
acei es nas uni e sidades de opo e nos exames das espe-
cialidades nos países anglo-saxónicos, al como as pe gun-
as de escolha múl ipla (MCQ) desde meados do Século
XX.
MCQs, OSCEs e ‘wo k based assessmen s’ comple-
men am-se numa a aliação ‘em 360º’ da qualidade de um
es udan e ou de um médico. Onde es á o lado ‘pe igoso’
que o P o esso apon a nes e con ex o? Usando a mesma
lógica, qual é o pe igo dos MCQ?
Os adicionais exames clínicos que o P o . Ca mona
Mo a an o ecomenda es ão ul apassados. Pa a além de
não ha e capacidade p á ica pa a os aze (onde es ão
os docen es expe imen ados em núme os su icien es?), a
e idência acumulada indica como são suscep í eis ao iés
do examinado e ao elemen o ‘so e’.2
José PONTE1
1. P o esso Emé i o. Uni e sidade do Alga e. Fa o. Po ugal.
Au o co esponden e: José Pon e. [email p o ec ed]
Recebido: 29 de janei o de 2020 - Acei e: 30 de janei o de 2020 | Copy igh © O dem dos Médicos 2020
h ps://doi.o g/10.20344/amp.13518
REFERÊNCIAS
1. Pon e J. O que é um bom médico? Ac a Med Po . 2019;32:565–7.
2. Van de Vleu en C. Validi y o inal examina ion in unde g adua e medical aining. BMJ. 2000;321:1217–9.