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Introdução

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Introdução

Author: Giuliani, Gaia
Publisher: Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Year: 2019
DOI: 10.4000/eces.4648
Source: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/100383/1/Introducao_ecadernos_32_2019.pdf
e-cade nos CES
32 | 2019
Cidadaniaempe igo:c ime, imdomundoe
biopolí icanasli e a u asenocinemapós-coloniais
In odução
GaiaGiuliani
Ediçãoelec ónica
URL: h p://jou nals.openedi ion.o g/eces/4648
DOI: 10.4000/eces.4648
ISSN: 1647-0737
Edi o a
Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a
Re ê enciaele ónica
Gaia Giuliani, « In odução », e-cade nos CES [Online], 32 | 2019, pos o online no dia 15 dezemb o 2019,
consul ado o 01 se emb o 2020. URL : h p://jou nals.openedi ion.o g/eces/4648 ; DOI : h ps://
doi.o g/10.4000/eces.4648
e-cade nos CES
, 32, 2019: 4-12
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In odução
O p esen e núme o emá ico nasce da colabo ação da o ganizado a com ou os dois
in elec uais, nomeadamen e, Fab ice Schu mans e And ea Pezzè, ambém
in es igado es do Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a, e em o
seu início nos seminá ios que o ganiza am conjun amen e em 2016 sob e os emas do
c ime, im do mundo e biopolí ica. Po a inidade nas linhas de in es igação, a inicia i a
de compilação dos ex os ali ap esen ados e o ala gamen o pos e io ao con i e à
ap esen ação de a igos ex e nos eio a se associada ao p oje o de in es igação
co en e (De)O he ing: Descons uindo o Risco e a Al e idade, di igido pela
o ganizado a e no âmbi o do qual se desen ol eu a o ganização des e núme o.
1
Em linha com a me odologia dos seminá ios, nes a coleção de ensaios os/as
au o es/as en am examina de uma o ma mul ipe spe i ada o modo como as
na a i as policiais, pós-apocalíp icas, an ás icas ou de icção cien í ica em ge al
ep esen am o social: como, po um lado, e le em p eocupações e medos em á ios
con ex os sociais, desde cidadanias em c ise e em pe igo ao c ime e a pe ceções
con empo âneas do im do mundo, e po ou o, como aduzem a p ocu a de no os
ho izon es simbólicos den o dos quais se pode pensa o iginalmen e as con adições
do p esen e e as espe anças do u u o. No conjun o dos ensaios, es as con adições
ão dos con li os en e sociedade e Es ado às ensões en e pe igo e eno ação
social, ca ás o e e pós-ca ás o e, humanidade e se es não/pós-humanos. Po sua
ez, as espe anças incluem uma e lexão sob e a iolência do passado colonial, a sua
he ança no p esen e e as expe a i as de ans o mação, an o social quan o ambien al,
an o epis emológica quan o ma e ial, no u u o. Não é ao acaso, po an o, que a
ques ão da elação en e aça e acismo nas suas o mas in e secionais, enquan o
he ança i a do passado colonial e hie a quias sociais e cul u ais con empo âneas,
1
P oje o com a e e ência POCI-01-0145-FEDER-029997, inanciado po undos FEDER – Fundo
Eu opeu de Desen ol imen o Regional a a és do COMPETE 2020 – P og ama Ope acional
Compe i i idade e Ino ação (POCI) e po undos nacionais a a és da Fundação pa a a Ciência e a
Tecnologia.
Gaia Giuliani
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es eja p esen e em odos os a igos que a compõem, de uma o ma mais ou menos
explíci a. Indícios cla os da iolência que oi e que é ins i ucional, aça e acismo
pe manecem nas o mas pelas quais o pe igo es á a se ep esen ado a pa i de um
olha hegemónico b anco que iden i ica nas ma gens acializadas, gende izadas e
pob es as o igens da ca ás o e. Ao mesmo empo, as na a i as podem con e a
espe ança de uma emancipação que passa pela lu a an i acis a e pelo diálogo
anscul u al.
Es e es o ço coloca-se em linha com a análise c í ica que a o ganizado a
desen ol eu dos medos do p esen e (Giuliani, 2016a; 2017; no p elo) e in eg a-se
num ho izon e mais amplo ma cado, nos úl imos anos, po uma ec udescência da
in es igação académica sob e os géne os iccionais di os popula es, a qual compo ou
di e en es abo dagens c í icas que êm incluído p opos as li e á ias, es u u ais e
eó icas (Pea son e Singe , 2009; Lange , 2011; Hoagland e Sa wal, 2011), num
es o ço conce ado de ede inição dos con eúdos cul u ais que os di os géne os êm a
aculdade de exp essa . Tan o nas ipologias li e á ias como nas isuais e
cinema og á icas, as ques ões pós-coloniais, que de géne o (no duplo sen ido de
gende e gen e), que ela i as ao acismo, in oduzem no as o mas e
po encialidades na exp essão das ensões da con empo aneidade pós-colonial e na
deses u u ação/descons ução da expe iência his ó ica. No que se e e e à
abo dagem eó ica, os es udos de e e ência ab angem uma pe spe i a es u u al
sob e os géne os an e io men e e e idos (Al man, 2000; Gia dinelli, 1996), bem como
uma pe spe i a cul u al. Es a úl ima apoia-se em eo ias sob e biopolí ica (Foucaul ,
2005 [1978-1979]; Agamben, 1995; Esposi o, 2004), biopolí ica colonial num mundo
pós-colonial (S ole , 2016) e do complô social, que em e mos da ameaça do Es ado
con a a população (Piglia, 2005; Besa ón, 2009; B aham, 2004; He linghaus, 2009,
2013), que do medo da al e idade acial ou social. Des e pon o de is a, é possí el
e le i ambém sob e as implicações pós-coloniais que as di as o mas li e á ias êm
o e ecido à c í ica académica ( ejam-se, po exemplo, os abalhos de Giuliani, 2015,
2016a, 2016b, no p elo), o nando-se undamen ais pa a oca o p oblema das
ep esen ações do/a Ou o/a, especialmen e a a és da ea i ação do concei o de
mons uosidade (canibais, zombies ou alienígenas) na cul u a popula nacional e
in e nacional. No con ex o das análises ilosó ico-polí icas e in ínsecas aos es udos
cul u ais que a o ganizado a le ou a cabo, es as ep esen ações mons uosas são
lidas como alego ias an ás icas de uma as a ca ego ia de mons os sociais e
ins i ucionais, que na li e a u a e no cinema do c ime são equen emen e cons uídos
como e o is as, p o issionais da conspi ação e homicidas em sé ie – que
In odução
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al e nadamen e p oduzem pânico mo al, quando o/a c iminoso/a em da sociedade,
ou lu a polí ica, quando ele/ela coincide com o Es ado (Bol anski, 2012).
Em ge al, a elação en e a p esença da al e idade e a sua ep esen ação iccional
e an ás ica em e mos de p odução cul u al popula é hoje inspi ação cons an e pa a
um exame do nosso p esen e po pa e de mui as e di e en es disciplinas. Exemplos
impo an es do uso des e ipo de li e a u a e cinema como ex os his ó icos e
ilosó icos encon am-se nas e lexões an o no âmbi o dos já mencionados es udos
cul u ais e iloso ia polí ica quan o no da c i ica li e á ia, da his o iog a ia eminis a, dos
es udos an opológicos sob e esc a idão e colonialismo, das análises das
ans o mações geog á icas, geológicas e sociais na época da c í ica ao An opoceno
e ao neolibe alismo.
Es as disciplinas econhece am – após décadas de negligência du an e as quais
es es ipos de icção não e am conside ados álidos pela c í ica – como o elemen o
emocional desempenha um papel mui o impo an e na elação en e p o á el e
imp o á el, en e memó ia e an asia: a li e a u a e o cinema de icção (que de c ime,
que apocalíp icos) expõem e ampli icam medos e espe anças, o e ecem lei u as e
in e p e ações, eo ganizam elemen os da ealidade pa a que iquem mais e iden es,
com o obje i o não apenas de c í ica social e cul u al mas, como já se e e iu, ambém
de emancipação. Nes e sen ido, a c í ica pós-colonial, assim como as an i acis as,
eminis as, an icapi alis a e ecologis a in ínsecas a es es campos de es udo
pe mi i am e es es ex os como documen os his ó icos elacionados com as
u gências polí icas da a ualidade, como peças do mosaico em mo imen o que
compõem a imagem complexa do p esen e a pa i da sua elação com o passado.
A especi icidade e unicidade des e núme o emá ico de i a do ac o de explo a
na a i as di as popula es que emanam do Sul, mais especi icamen e do espaço
A lân ico – nomeadamen e Á ica, Eu opa, Amé ica do No e e Amé ica do Sul. Es e
espaço de e se en endido não an o como luga geog á ico, mas mais como um
conjun o de o mas de ep esen ação da di e ença ( acial, polí ica), da biopolí ica e da
iolência. As ealidades his ó icas, cul u ais e sociais da A gen ina, do B asil, de
Moçambique, de Pa is pós-colonial, e dos luga es ísicos e simbólicos que emanam
das c í icas do(s) Sul(is) ao An opoceno e à ca ás o e climá ica es ão aqui a se
in e peladas como luga es in e ligados ao longo de laços e elações de pode , an o
locais quan o ansnacionais e ansoceânicas. É p ecisamen e a a és de uma
pe spe i a compa ada, plu i e in e disciplina que os ex os aqui p opos os, p e endem
explo a a o ma como mui as des as na a i as eiculam e a iculam as suas
especi icidades cul u ais num espaço ansnacional. A sua o iginalidade eside,
po an o, an o no ipo de na a i as em análise como na manei a de as le e
Gaia Giuliani
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in e p e a , à luz de um diálogo cons an e en e c í ica li e á ia, iloso ia, semió ica,
ilologia, an opologia, geog a ia e sociologia. Es e diálogo é ine i á el, sendo que nos
ex os aqui ap esen ados, as análises ganham ida a pa i da ideia de que a icção e
o hipe - eal são elemen os de uma cons ução simbólica que a e a a
au ocomp eensão indi idual e cole i a e a comp eensão do momen o his ó ico no qual
i emos. É, po an o, necessá ia uma e amen a de análise complexa, capaz de
deci a como his ó ias de c ime, de in asão alienígena e de ca ás o e ambien al
podem cons i ui uma das len es a a és das quais as sociedades con empo âneas
olham o p esen e. Es a e amen a pe mi e cap a as di e en es ozes, as mais
ma ginais, as mais esquecidas, as mais silenciadas, e comp eende como os aspe os
apa en emen e mais pa oxís icos das sociedades a uais (como a iolência e o c ime
e oz), que pa ecem pe ence ao passado, con inuam ainda hoje es u u ais pa a
as/os mais excluídas/os, e como os seus desen ol imen os mais imp o á eis (como a
in asão alienígena e a e ação do ADN) são al ez alego ia de endências ambien ais,
sociais, cul u ais e polí icas mui o eais.
A mul iespacialidade e a plu i ocalidade que es e núme o emá ico p e ende
explo a nas c í icas à iolência, à biopolí ica e aos c imes de Es ado, e as abo dagens
in e disciplina es que ele p opõe e le em-se na a iedade das pe enças disciplina es
das/os au o as/es, dos seus in e esses de pesquisa e das e amen as eó icas e
me odológicas que u ilizam. Assim, li e a os especializados em li e a u a e cinema
pós-colonial como Fab ice Schu mans, Elena B ugioni, Fe nanda Gallo, And ea Pezzè
e Anne-Lau e Bon alo conseguem dialoga com ilóso as polí icas especializadas em
es udos c í icos da aça e da b anqui ude como Gaia Giuliani, com geóg a os
humanos especializados em mudança climá ica como Gio anni Be ini, com
es udiosas eminis as pe i as em li e a u a e cinema da Amé ica La ina como C is ina
San os ou em comunicação social e jo nalismo como Luciana Ma inez e, inalmen e,
esc i o es como Nicola Cosen ino.
Os a igos são aqui o denados po á eas emá icas e geog á icas pelo que no
início do núme o se encon am as e lexões sob e li e a u a e cinema do c ime e de
an asia p oduzida na Amé ica La ina, nomeadamen e na A gen ina e no B asil.
Seguem-se depois os a igos ocados nas p oduções a icanas e, pa a conclui , os que
analisam ex os li e á ios e isuais que se ocam no apocalipse climá ico e na c í ica
ao An opoceno.
O p imei o a igo, da au o ia de And ea Pezzè, in i ula-se “Li e a u a policial e
icção cien í ica na A gen ina do século XIX: Edua do L. Holmbe g”. O au o p e ende
ap esen a a igu a excên ica do esc i o a gen ino Holmbe g e as ob as que ele
compôs no im da sua ida e que podem se conside adas de icção cien í ica ou

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pe encen es ao géne o policial. O obje i o de Pezzè é o de elacioná-las an o com as
especi icidades a gen inas como ocalizá-las à luz dos es udos mais ecen es sob e
biopolí ica e con olo social. Pezzè enquad a Holmbe g e a sua ob a numa análise do
cânone dos géne os, o início do qual oi iden i icado na ob a de Jo ge Luis Bo ges e
na análise li e á ia e eó ica c í ica do papel do Es ado na ges ão do conhecimen o
cien í ico.
Segue-se o con ibu o de C is ina San os, “Ho o as Real and he Real as Ho o :
Ghos s o he Desapa ecidos in A gen ina”, no qual se explo a o medo da al e idade
polí ica no con o b e e “The Inn”, de Ma iana En íquez. Nele, a esc i o a a gen ina
conjuga a his ó ia con empo ânea do seu país com alguns elemen os de ho o gó ico,
man endo uma cla a abo dagem de c í ica social. O con o de En íquez mis u a a
ealidade de um passado ecen e com elemen os supe na u ais de o ma a me gulha
na memó ia da úl ima di adu a. O a igo de C is ina San os p e ende examina o uso
da igu a do desapa ecido como ep esen a i a de uma polí ica do cancelamen o da
al e idade polí ica, que oi sis ema icamen e censu ada e não econhecida. P e ende
ambém analisa a eco dação e einsc ição do desapa ecido como exe cício cul u al
in e ge acional que se opõe às na a i as ins i ucionais do cancelamen o e do
esquecimen o.
O a igo que echa a p imei a emá ica é da au o ia de Luciana Ma inez e in i ula-
se “Vi e o im, epensa um começo: ep esen ações pós-coloniais do u u o na
cul u a b asilei a”. O ex o pe co e ês ep esen ações do im do mundo p oduzidas
no B asil: a música E o mundo não se acabou (1938), in e p e ada po Ca men
Mi anda; a ídeo-ob a Luz neg a (2002), de Nuno Ramos e Edua do Climachauska; e
o documen á io de icção cien í ica B anco sai, p e o ica (2014), de Adi ley Quei ós. O
aje o suge e a cons ância da ideia de apocalipse no imaginá io cul u al b asilei o e a
di e ença en e ais e a os que ci culam pelo país. O pe cu so em en oque na ob a
mais ecen e – o ilme de Quei ós – numa época em que a expe iência do im adqui e
singula solidez. A pa i de Quei ós, o ensaio e le e sob e o nec opode no B asil e
em que sen idos a al e idade en e B asília e a iccional Ceilândia pe mi e pensa o
apocalipse a a és de no os imaginá ios e no as o mas de i e cole i amen e.
A segunda emá ica – a das p oduções a icanas – ecolhe os con ibu os de Elena
B ugioni e Fe nanda Gallo bem como de Fab ice Schu mans. O a igo de Elena
B ugioni e Fe nanda Gallo – “Es é icas da memó ia e do u u o em João Paulo Bo ges
Coelho e Ungulani Ba Ka Khosa” – oca-se nas na a i as esc i as e isuais
co esponden es ao géne o da icção cien í ica, in e p e ando-as como no as
ep esen ações da con empo aneidade a icana (Bould, 2015). Examinando as ob as
li e á ias Ualalapi (2016) e Cidade dos espelhos (2011), espe i amen e dos esc i o es
Gaia Giuliani
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moçambicanos Ungulani Ba Ka Khosa e João Paulo Bo ges Coelho, a a és dos
quad os c í icos da icção cien í ica e icção especula i a, as au o as p e endem e le i
sob e as es é icas da memó ia e do u u o, enquad ando es as ob as li e á ias como
o mas de eno a os sen idos do “ u u o do passado” na
pós-colónia.
O a igo que se segue e que echa a segunda emá ica é o de Fab ice Schu mans
in i ulado “Angola-Zaï e su Seine. Iden i és pos coloniales e hyb idi és u baines dans
le oman policie Agence Black Ba oussa de Achille F. Ngoye”. O au o a i ma que o
omance Agence Black Ba oussa (1996) do esc i o congolês p opõe uma
ep esen ação iccional de um ambien e social mal conhecido, que é o das
comunidades que emig a am da Á ica subsaa iana pa a Pa is. O país de o igem dos
p o agonis as é imaginá io, mas as alusões ao im da di adu a do Mobu u são
nume osas. Schu mans econs ói num p imei o momen o o con ex o his ó ico do
omance, que é o de um Zai e em c ise. De seguida, analisa o con ex o li e á io da
ob a pa a sublinha como o omance pode se conside ado pe encen e an o à
ca ego ia da li e a u a a icana ancó ona como à do omance policial. Es as são as
e amen as que pe mi em ao au o analisa como a capi al ancesa se o nou num
espaço pós-colonial e de hib idação das cul u as numa Pa is a icana.
A úl ima emá ica ab e com o a igo de Gio anni Be ini, ao qual se segue o
con ibu o de Anne-Lau e Bon alo e ence a com o de Gaia Giuliani. O a igo de
Gio anni Be ini, “Abou Time! The Abyss o he Fu u e and End(s) o Subjec i i y in
(Clima e) Dys opias”, p e ende explo a como num con ex o no qual a eme gência
climá ica se o na angí el, a mesma ica, con udo, in a á el nos pa adigmas a uais, o
que suge e a necessidade de pe spe i a e po em p a ica no os “mundos” e no as
o mas de subje i idade. A cul u a popula li e á ia e cinema og á ica u iliza ge almen e
a dis opia e o apocalipse pa a na a um mundo pós-c ise climá ica. A pa i de
es udos que c i icam es a endência, Be ini analisa duas no elas dis ópicas – The
Wa e Kni e (2015) do esc i o i alo-ame icano Paolo Bacigalupi e La galassia dei
demen i do esc i o i aliano E manno Ca azzoni (2018) – e con on a os desas es
u u os que es es au o es desc e em, a gumen ando que se Bacigalupi e i aliza
an asias de uma humanidade no ma i a, Ca azzoni pe mi e imagina no os mundos
socioecológicos mais jus os.
No a igo “Écologies du plu i e s e (dé)coloniali é dans quelques ic ions
d’enquê e en i onnemen ale du Sud global”, Anne-Lau e Bon alo p e ende es uda
um co pus li e á io de ex os que a iculam um discu so socioambien al não dualis a e
decolonial, pa a en ende as con ibuições especí icas da icção con empo ânea no
pensamen o do Sul global, que de ende a necessidade de uma econside ação
In odução
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u gen e das ca ego ias de comp eensão das comunidades do Plu i e so, humanas e
não humanas, e dos e i ó ios que habi am. Bon alo p opõe analisa a a és dos
omances Os anspa en es (2012) do esc i o angolano Ondjaki e By he Ri e s o
Babylon (2017) do esc i o e poe a jamaicano Kei Mille , algumas implicações é icas e
es é icas, mas ambém polí icas e on ológicas, dessa ecoli e a u a do Sul global,
undamen ada em icções de in es igação p é-apocalíp icas que assumem uma
pe spe i a decolonial pa a abo da , isibiliza e ( e) abula ecologias e on ologias hoje
em pe igo.
Fecha es a emá ica o con ibu o de Gaia Giuliani “The End o he Wo ld as We
Know I . Fo a Pos colonial In es iga ion o he Meaning(s) o En i onmen al
Ca as ophe in Sci-Fi Films”. Nele, a au o a explo a as an asias subjacen es às ideias
de desas e e de egene ação da sociedade humana a a és de ou con a uma
en idade não-humana. O a igo oca-se na análise de dois p odu os de cul u a isual
de massa, Annihila ion de Alex Ga land (USA, 2018) e A i al de Denis Villeneu e
(USA, 2016). A lei u a em con aluz des es ilmes acon ece á a a és de uma análise
de ou as ês p oduções cinema og á icas: Blindness (B asil, 2008) de Fe nando de
Mei elles, The Happening (USA, 2008) de M. Nigh Shyamalan e The Impossible (UK,
2012) de Juan An onio Bayona. A e lexão p e ende mos a , a a és da e amen a
socioan opológica da análise do discu so – que c uza es udos cul u ais e pós-
coloniais – como a ca ás o e, enquan o c ise (no discu so ociden al hegemónico), se
opõe ao concei o de desas e, enquan o e en o incon olá el localizado o a do
Ociden e e onde supos amen e as populações que aí i em não possuem as
ecnologias e os conhecimen os pa a p e e e ge i-lo. O obje i o do a igo é o do
in es iga c i icamen e o signi icado de uma “sociedade melho ”, que sob e i e à
ca ás o e em e mos de aça, ci ilização e cul u a.
Na secção @ce e a, que ence a o núme o, é publicada uma en e is a de Nicola
Cosen ino ao esc i o de icção i aliano Fabio Deo o. A úl ima ob a de Deo o, Un
a imo p ima [um momen o an es] (2017), explo a a ida de um homem comum numa
Milão u u ís ica, esul ado da e ol a iniciada pelo mo imen o Occupy, usando um
sub-plo psicanalí ico. Na en e is a, Cosen ino in es iga a elação en e dis opia,
u opia e cidadania no omance e, de o ma mais ge al, no pensamen o do esc i o e
como as ques ões polí icas – pode , au o i a ismo, con li o, disc iminações,
consciência social – são hoje aduzidas nas ob as de icção.
Re isão de Pa ícia Sil a e Ana So ia Veloso
Gaia Giuliani
11
GAIA GIULIANI
Cen o de Es udos Sociais da Uni e sidade de Coimb a
Colégio de S. Je ónimo, La go D. Dinis, Apa ado 3087, 3000-995 Coimb a, Po ugal
Con ac o: [email protected]
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