h p://dx.doi.o g/10.5821/SIIU.9746
XIISIIU2020
ARTICULADORES ORDINÁRIOS
Tipologia a qui e ônica das in aes u u as de ânsi o me opoli ano
ORDINARY ARTICULATORS
A chi ec u al ypology o me opoli an ansi in as uc u es
A. Cauê Capillé, B. Thiago So e al & C. A iane Pe ei a
U CA PROURB FAUUFRJ, U banismo C í ica e A qui e u a (U CA), P og ama de Pós-
G aduação em U banismo (PROURB), Faculdade de A qui e u a e U banismo da Uni e sidade
Fede al do Rio de Janei o (FAUUFRJ), B asil
[email p o ec ed]
hiago.so e [email protected] g
[email p o ec ed]
RESUMO
O empo médio de deslocamen o diá io na me ópole do Rio de Janei o é de 2 ho as e 21 minu os. Essa
condição coloca as in aes u u as de ânsi o em uma posição cen al nas dispu as polí icas e sociais
con empo âneas: se o nam a a ena, o ‘espaço de apa ece ’, o mundo comum co idiano de milhões de
pessoas. Es e a igo analisou ipologicamen e como a a qui e u a do maio e mais u ilizado amal de em da
me ópole do Rio de Janei o (o Ramal Jape i-Pa acambi) a ua pa a essa ‘ unção polí ica’ de o ganiza e
dis ibui essa sociedade do ‘es ado de ânsi o'. Es a análise esul ou na cons ução de um epe ó io de
elemen os a qui e ônicos que são mul iplicados nas 22 es ações do amal: ipos de mu os, ipos de ampa,
ipos de a a essamen os, ipos de es ação. A o ça polí ica da a iação ipológica desses elemen os es á em
cons ui , a icula , es imula ou inibi – de o ma o diná ia, banal e co idiana – di e en es noções de cole i o.
Pala as-cha e: In aes u u as de ânsi o; Tipologia; Comum; Ramal Jape i-Pa acambi
Linha de in es igação: 2: Cidade e p oje o.
Tópico: P oje o u bano e espaço público.
ABSTRACT
The a e age daily commu e ime in he me opolis o Rio de Janei o is 2 hou s and 21 minu es. This condi ion
pu s mobili y in as uc u es in a cen al posi ion in con empo a y poli ical and social dispu es: hey become
he a ena, he ‘space o appea ance’, he e e yday common wo ld o millions o people. This a icle analyzed
how he a chi ec u e o he la ges and mos used ain b anch in he me opolis o Rio de Janei o ( he Jape i-
Pa acambi b anch) ac s o his ‘poli ical unc ion’ o o ganizing and dis ibu ing his ‘ ansi socie y’. This
analysis esul ed in he cons uc ion o a epe oi e o a chi ec u al elemen s ha a e mul iplied in he 22
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s a ions o he b anch: ypes o walls, ypes o amp, ypes o c ossings, ypes o s a ion. The poli ical s eng h
o he ypological a ia ion o hese elemen s is o build, a icula e, s imula e o inhibi – in an o dina y, banal
and daily way – di e en no ions o he collec i e.
Keywo ds: Mobili y in as uc u es; Typology; Common; Jape i-Pa acambi B anch
Resea ch line: 2: Ci y and p ojec .
Topic: U ban design and public space.
1. Pe i e ias e a p omessa da in aes u u a: ânsi o comum
A Região Me opoli ana do Rio de Janei o, esponsá el pela segunda maio economia e concen ação
habi acional do B asil, é equen emen e
1
ca ac e izada espacialmen e po ês condições in e elacionadas:
po uma es u u a ‘cen o-pe i e ia’ de dependência econômica, cul u al e polí ica; po dis âncias e i o iais
en e a i idades u banas; e po inúme as de iciências in aes u u ais. Essas ês condições—dependência,
dis ância e de iciência
2
—sin e izam p o undos p oblemas sócio-espaciais co idianamen e i idos po quase
dez milhões de habi an es.
En e an o, a cons ução e ó ica dessa íade—dependência, dis ância e de iciência—se e equen emen e
como base pa a que se endossem p oje os g andiloquen es (e ‘compulsó ios’) nas pe i e ias, associados à
cons ução de in aes u u as de mobilidade me opoli ana. O a gumen o pa a que ais p oje os pa eçam
ine i á eis passa pela e ó ica p omessa do acesso das populações pe i é icas à cen alidade me opoli ana
e seus ecu sos e se iços. En e an o esses p oje os êm a endência de es imula o opos o, is o é,
economizam a possibilidade de domínio cen al aos ecu sos (humanos, na u ais, e c) das pe i e ias.
A ab angência do p oblema ica e iden e no ela ó io desen ol ido pelo SEBRAE ‘Mobilidade U bana e
Me cado de T abalho na Região Me opoli ana do Rio de Janei o: Es udo Es a égico’ (SEBRAE, 2013), que
a aliou as dinâmicas e i o iais e de in aes u u as de mobilidade (deslocamen o de anspo e) e
acessibilidade (a pos os de abalho). O es udo ap esen a e idências de uma al íssima dependência dos
municípios da egião me opoli ana à economia do município do Rio de Janei o: ce ca de 80% dos pos os de
abalho da egião me opoli ana luminense acon ecem na capi al. Ou seja, o es udo mos a que 2/3 da
população economicamen e a i a que não eside na capi al—uma população de quase 2 milhões de
pessoas—se desloca odos os dias en e a pe i e ia e a capi al. Fica e iden e, a pa i des a análise, que os
municípios se idos po em são, po an o, os mais a e ados po esse enômeno e as populações esiden es
nes as á eas são as com o maio empo médio de deslocamen o: no município de Jape i, po exemplo,
mo ado es le am em média 2 ho as e 40 minu os de deslocamen o diá io. Ao mesmo empo, essas á eas
se idas po em são, inclusi e, as com meno acessibilidade ela i a a pos os de abalho locais. Em ou as
pala as, uncionam quase que exclusi amen e como ‘pe i e ias-do mi ó io’. Em sín ese, na pe i e ia da
RMRJ, quan o melho o acesso a in aes u u as de mobilidade me opoli ana, maio a dependência aos
cen os econômicos, polí icos e cul u ais. Logo, o esquema esul an e é um p incípio onde a melho a do
1
Ve , po exemplo, os Cade nos publicados pela Câma a Me opoli ana do RJ (2015, 2017a, 2017b, 2017c).
2
Isabel A edondo (2005) sin e iza as me ópoles la ino-ame icanas nessa íade.
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sis ema de anspo e eduz as possibilidades de au onomia local e po encializa a explo ação da o ça de
abalho, es ingindo sua busca po al e na i as.
1.2. A unção polí ica das in aes u u as
Em sín ese, pa a os milhões que habi am a pe i e ia da RMRJ, o mundo comum—desde os p incipais
p oblemas u banos de sua ma e ialidade me opoli ana, ao p oje o público e p omessas de um legado
cole i o pa a o u u o (endossadas po uma necessidade “compulsó ia” de ans o mação)—é o ânsi o. Es e
‘es ado de ânsi o’ é ma e ialmen e p oduzido e adminis ado pelas inúme as in aes u u as a iculado as de
luxos— odo ias, ilhos, es ações, eículos, iadu os, passagens, passa elas, e c.—que o mam a a ena, o
‘espaço de apa ece ’
3
des a ‘sociedade do ânsi o’. Um dos aspec os undamen ais dessa ‘ unção polí ica’
das in aes u u as é o a o de pode em a ua de o ma ‘dissimulada’ (Eas e ling, 2014b), is o é: se, po um
lado, são jus i icadas po obje i os écnicos, onde o único c i é io é a e iciência co idiana da sociedade, ou
seja, são o ‘ undo’ e icien e da cidade, a apa en e me a ma e ialização das condições básicas de ida; po
ou o, êm uma eno me ‘disposição’, is o é, uma capacidade la en e (Eas e ling, 2014b) pa a de ini qual se á
a ‘ igu a’ ( o mal, polí ica e cul u al) da u banização e dos compo amen os co idianos (Ruby, Ruby,
Shipw igh , & Nichols, 2017).
Assim, es e a igo analisou, a a és do es udo das ipologias, como a a qui e u a das in aes u u as de
ânsi o—en e es ações de em, es ações de me ô e e minais de ônibus—a ua pa a essa ‘ unção polí ica’
de o ganiza e dis ibui a ‘sociedade do ânsi o’. Pa a es e a igo, ocamos na análise do maio e mais
u ilizado amal de em da Região Me opoli ana do Rio de Janei o (o Ramal Jape i-Pa acambi).
2. A qui e u a da in aes u u a e o iá ia no Rio de Janei o
O desen ol imen o das e o ias a pa i do inal do século XIX e começo do século XX deu início a uma
sé ie de ans o mações nas dinâmicas u banas do que en endemos hoje como Região Me opoli ana do Rio
de Janei o (RMRJ). Na cidade do Rio de Janei o, o p ocesso de aumen o de mobilidade e acessibilidade
ha ia se iniciado pelo sis ema de bondes, seguido da implemen ação das e o ias subu banas em zonas de
ca á e u al, que unciona am como e o es de expansão u bana di e en es. Enquan o os bondes
expandi am a cidade de o ma con ínua a pa i de seu núcleo cen al, no caso das e o ias, as ocupações
oco e am de o ma descon ínua, inicialmen e de o ma adial em o no das es ações e linea ao longo das
linhas é eas (Sil a, 2012). Essa lógica de ‘ocupação e o iá ia’ o ien ou g ande pa e da u banização do
Rio de Janei o no inal do século XIX, especialmen e nas zonas Oes e e No e da cidade, bem como na
Baixada Fluminense.
Especialmen e na Baixada, há uma p o unda ans o mação com a chegada do em. An es os núcleos
u banos es a am p óximos a po os, ios e lagoas e, com a chegada da e o ia, começam a se o ganiza em
o no das linhas de em e es ações. Há um p ocesso de decadência dos po os lu iais dos ios na Baixada
Fluminense, que, num pe íodo de 50 anos, passa a se co ada de no e a sul po 4 linhas e o iá ias
(Vescina, 2010). A elação dos municípios da Baixada com a in aes u u a de em é, a é hoje, ques ão de
3
A end (1998, p. 199) chama de ‘espaço de apa ece ’ o espaço das pessoas eunidas em a os não elacionados a um
mundo u ili a is a ou biológico. O ‘espaço de apa ece ’ p ecede a o mação de um ‘domínio público’ e é undamen al pa a
a condição polí ica.
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es udos e p opos as que gi am em o no de uma melho in eg ação dessa in aes u u a me opoli ana com a
escala local e da especulação desses eixos como e o es de adensamen o
4
.
Assim, desde o século XIX, o ‘es ado de ânsi o’, começa a a se con igu a na pe i e ia luminense pela
impo ância que a mobilidade e a acessibilidade ganha am no di ecionamen o dos e o es de c escimen o
u bano. No século XX, a cons ução de inúme as odo ias e ias exp essas pa a ca os (p.ex. Plano
Doxiadis, A . B asil, Au oes ada Lagoa-Ba a, Pon e Rio-Ni e oi, Rodo ia Du a, Rodo ia Washing on Luiz,
e c.) con ibuiu pa a o c escimen o exponencial do e i ó io u bano da me ópole, bem como a consolidação
da es u u a cen o-pe i e ia (Fa ias, 2012).
Inicialmen e, as linhas de em e am mo idas à ca ão e, po con a desse ipo de ecnologia, seu
uncionamen o p oduzia uma a qui e u a e elação com a cidade especí icas: ilhos a a essá eis, es ações
no ní el da ua (apenas com as pla a o mas mais ele adas). Após a ele i icação do sis ema e o iá io
(pe íodo en e 1933 e 1949), hou e uma p o unda mudança na o ma com que a in aes u u a e o iá ia se
ma e ializou na cidade, esul ando hoje em longos echos de mu os (po con a da al a ensão elé ica) e
epe idas o mas das es ações aé eas e das passa elas. Em ou as pala as, essa oca de ecnologia
esul ou em uma subsequen e mudança de elação com a cidade, pois a malha an es po osa, se con o mou
em uma ba ei a con ínua, uma di isão du a do ecido u bano, a a essá el ago a apenas a a és das
es ações e ou as in aes u u as (como iadu os e passagens sub e âneas).
2.1. Ramal Jape i-Pa acambi
A p imei a linha de ens subu banos, a Dom Ped o II ( enomeada Cen al do B asil a pa i da República), oi
cons uída em 1858 e seu p imei o echo liga a a F eguesia de San ana a Queimados (hoje No a Iguaçu).
Em 1883, oi inaugu ada a linha Rio D´Ou o, com o obje i o de anspo a ma e iais pa a a cons ução da
ede de dis ibuição e abas ecimen o de água pa a o Rio de Janei o, indos da se a de Tinguá e Xe ém, que
mais a de passa a aze o anspo e de passagei os. Em 1886, oi inaugu ada a Es ada de Fe o da
Leopoldina, pela Rio de Janei o No he n Railway Company. Seu p imei o echo azia conexão a é Mi i y
(hoje Duque de Caxias). Depois es endeu-se a é Inhomi im, onde en onca a com a Es ada de Fe o do
G ão Pa á, que pa ia do po o de Mauá a é Pe ópolis. Po úl imo, em 1893, passa a unciona o p imei o
echo da Es ada de Fe o Melho amen os do B asil, ligando Manguei a a Sapopemba (hoje Deodo o).
P oje ada inicialmen e pa a anspo a ao Rio de Janei o a p odução de Pa aíba do Sul, se ia mais a de
inco po ada como linha auxilia da Cen al do B asil. Es as linhas o am expandidas, al e adas e (po ezes)
enomeadas ao longo do século XX e hoje o mam uma ex ensa ede de amais e o iá ios que ligam,
p incipalmen e, o cen o do Rio de Janei o às zonas No e e Oes e da cidade, bem como aos municípios da
Baixada Fluminense. Os amais o am implemen ados no im da década de 1850 e azem pa e do pe íodo
em que as e o ias e am o p incipal ins umen o pa a a expansão e o c escimen o pe i é ico.
Nes e a igo, a análise se concen a nos amais de em Jape i e Pa acambi (Fig.01) que, jun os, ecebem a
maio demanda de passagei os da Supe ia (concessioná ia que adminis a os se iços de em na RMRJ
desde 1998), além de se o aje o mais longo da ede, com ap oximadamen e 70 km. O echo em início na
4
Ve , po exemplo, Plano Di e o do Município de Mesqui a (2006), Plano Di e o da Cidade de No a Iguaçu (2012) e
Cade nos Me opoli anos publicados pela Câma a Me opoli ana do RJ (2017c).
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es ação Cen al do B asil e e mina na es ação Pa acambi, a a essando em seu pe cu so a Baixada
Fluminense, a Zona No e, a Zona Oes e e o Cen o da Cidade do Rio de Janei o.
Fig. 01 A malha e o iá ia de passagei os da RMRJ é hoje compos a po 8 amais de em dis ibuídos po 12 municípios, com um
comp imen o ap oximado de 270 km. Em des aque o echo de análise. Elabo ação p óp ia a pa i de dados da Supe ia.
3. Análise ipológica e epe ó io de a iculado es o diná ios
A im de es uda sob e o Ramal Jape i-Pa acambi e sua a uação a a és de disposições a qui e ônicas pa a
o ganiza e dis ibui a ‘sociedade do ânsi o’, a análise que conduzimos le ou em conside ação dois c i é ios
p incipais:
(a) a elação da in aes u u a com o con ex o imedia o: a pesquisa obse ou quais disposi i os a qui e ônicos
pe mi iam que a in aes u u a in e e isse nas dinâmicas u banas (econômicas, con inuidades e in e upções
de luxo, mo ológicas, e c.) em seu en o no;
(b) a capacidade da in aes u u a em o ganiza cole i amen e as pessoas: a pesquisa obse ou como a
a qui e u a dessa in aes u u a con ibui pa a a na u alização de ce as condições de cole i idade.
Iniciamos a obse ação do amal a a és da sepa ação em es ações e echos en e as es ações, como
o ma de quali ica si uações dis in as da in aes u u a. A disposição e epe ição desses elemen os, que
inicialmen e apa en am idên icos e gené icos, e elam um epe ó io de casos o diná ios que con o mam e
es u u am o co idiano comum da pe i e ia.
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Fig. 02 Fo og a ias de algumas das es ações analisadas na pesquisa. Na o dem da di ei a pa a a esque da, de cima pa a baixo,
es ações: Madu ei a, Deodo o, Sil a F ei e, Jape i, Anchie a e Lages. Fon e: Google S ee View
As 22 es ações dos amais Jape i e Pa acambi (Fig. 2 e 3) es ão dis ibuídas em 6 municípios da Baixada
Fluminense e no Rio de Janei o. Pa a analisa esses casos, izemos isi as de campo às es ações, onde
ealizamos es udos a a és de o og a ias e en e is as com usuá ios da ede (Fig. 2); modelamos e
desenhamos em compu ado odas as es ações (Fig. 3); e a aliamos os possí eis ag upamen os en e
es ações conside ando p oximidades de ou os meios de anspo e, po e das es ações, ipo e quan idade de
acessos, usos p og amados e não p og amados, e o mas de implan ação.
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Fig. 03 Desenhos axonomé icos das 22 es ações analisadas. Elabo ação p óp ia a pa i de le an amen os.
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Essa análise oi sin e izada em dois esul ados p incipais: um mapa e g á ico de compa ação en e es ações;
e um epe ó io de elemen os gené icos do uncionamen o da in aes u u a de em. O ap o undamen o
sob e o mapa se á con eúdo de ou o a igo. Nes e abalho, ap esen amos os qua o elemen os que
iden i icamos como condicionan es pa a ce as disposições a qui e ônicas das in aes u u as: os mu os
(limi es), as ampas e passa elas (a a essado es) e o ‘BiCEP’ (bilhe e ia-ca aca-escada-pla a o mas).
3.1. O mu o
O mu o, elemen o que mais se epe e no co po in aes u u al, delimi a o limi e do e i ó io e o iá io.
Funciona como uma achada me opoli ana da in aes u u a. Quando mínimos (imagem a na Fig. 04) e
opacos, es abelecem uma elação mais du a com o en o no, numa espécie de im de cidade. Isso é
amenizado quando compos os po elemen os que pe mi em o acesso isual ao ou o lado, como g adis.
Nomeamos ‘mu o espesso’ (imagem b na Fig. 04) quando p og amas são anexados ao mu o, o nando-o um
híb ido ‘mu o-com-p og amas’. No malmen e são edi ícios come ciais e esidenciais com um a ês anda es.
Essa achada, ago a “a i a”, es abelece uma elação mais in eg ada com o en o no se compa ado ao ‘mu o
mínimo’.
Fig. 04 Exemplos do epe ó io de mu os . Na imagem (a), echo p óximo da es ação Edson Passos. Imagem (b) echo p óximo da
es ação Aus in. Elabo ação p óp ia a pa i de le an amen os.
3.2. Rampa
A ampa, echo oblíquo do a a essamen o, é o elemen o com maio g au de a iação de implan ação e
o mas obse ado. Isso oco e po que esse elemen o é o esponsá el po a icula a es ação ao sí io. É ela
que ‘ oca’ e esponde às ques ões do luga , ganhando uma escala local. No epe ó io le an ado, odas elas,
a seu modo, ge am espaços signi ica i os seja em sua supe ície, com a i idades e ap op iações e ême as,
seja em seus espaços- esíduo que ecebem p og amas, ou onde dis ibuem seus luxos. Em elação à
disposição desse elemen o, iden i icamos 5 ipos de ampa no echo analisado.
A ‘ ampa linea ’ (imagem a na Fig. 05) é a que mais se epe e. Na maio ia dos casos, es á implan ada em
echos de calçada jun o à es ação. Esse ipo pouco se a icula com o luga e acaba uncionando como uma
espécie de obs áculo pa a quem es á na calçada.
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A ‘ ampa p og amada’ (imagem b na Fig. 05) é linea e ab iga módulos de comé cio como ba es, me cea ias
e lojas. Esses p og amas se ap o ei am do azio exis en e em sua pa e in e io (de ido à al u a das
es ações, esse espaço em dimensões signi ica i as) e do luxo co idiano que as es ações a aem. Esse ipo
de con igu ação al e a a elação da ampa com a calçada, pois a o na ‘a i a’. Em ou as pala as, a ampa
passa a unciona como um edi ício no ní el é eo.
A ‘ ampa la ga’ (imagem c na Fig. 05) é encon ada nas 2 es ações que es ão associadas a g andes es ádios
de u ebol (Es ação Olímpica de Engenho de Den o e a Es ação Ma acanã). Es e ipo ge a uma
monumen alização do acesso po con a da sua o ma e dimensões. Pa a além de conec a os ní eis, es e
ipo alo iza o pe cu so, numa espécie de passeio ele ado. Ap esen am la gu a ap oximada de 10 me os,
que acili a g andes luxos em dias de jogos e uso pa a ou as unções em dias no mais.
A ‘ ampa espa amada’ (imagem d na Fig. 05) é ci cula e comumen e apelidada como ‘ca acol’ pelos
usuá ios do em. Seu o ma o ge a menos espaço esidual em sua pa e in e io e não pe mi e que seja
implan ada em calçadas es ei as, p ecisam de uma á ea maio em sua base. Isso auxilia na dispe são dos
luxos, ans o mando o chão onde ela se implan a numa espécie de ‘hall comum’.
A ‘ ampa en e-lo es’, assim como a ampa espa amada, ambém ge a um hall de dispe são de luxo, po ém
mais gene oso, o mando uma espécie de pequena p aça. Isso pe mi e a con o mação de ou as dinâmicas
de uso e ap op iação que ão além do acesso e de a a essamen o.
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Os ‘elemen os cons i uin es’ iden i icados—mu o, ampa, passa ela, BiCEP—compõe odas as es ações
es udadas, e con o mam ‘os elemen os que não podem mais se eduzidos’
7
. Podemos dize que, sem um
desses elemen os, as es ações es udadas não se iam o que são. Em con apon o, ou os elemen os que
possam se encon ados nessas es ações (comé cios, se iços, p o eções con a in empé ies, ba ei as, e c.)
podem se is os como i ele an es em elação a sua pe o mance ipológica.
Em conjun o, os qua o elemen os cons i uin es o mam o o diná io, o medíoc e, o undo sob e o qual a
cidade acon ece. São esses elemen os apa en emen e secundá ios e mundanos que, a pa i de suas
a iações, a iculam as p incipais possibilidades u banas do ‘es ado de ânsi o’. Di o de ou a o ma, as
pe o mances do co idiano da cidade dependem das a iações ipológicas desses qua os elemen os.
Po ‘ a iações’, nos e e imos aos ipos que ap esen amos nes e a igo (e ou os que a pesquisa em
de inindo) e, não, às di e en es o mas como esses elemen os o am cons uídos e como são u ilizados. É
e iden e que di e en es ma e ialidades, p og amas e o mas a iam de caso a caso e in luenciam na
pe o mance de cada elemen o. En e an o, o que a gumen amos é que essas ou as a iações que não são
as que nomeamos êm e ei os secundá ios dian e da pe o mance em a icula luxos u banos e ag upa
pessoas cole i amen e. Nesse sen ido – e comp eendendo as limi ações do es udo – esse ipo de análise
não p e ende uma classi icação (não há ‘pio ou melho ’, ou ecei as do que se aze ), mas a o ganização de
uma coleção
8
: há ipos de pe o mance, que o mam um epe ó io. Em ou as pala as, esse epe ó io se
con igu a como um ins umen o de p oje o a a és do qual se omam decisões e, não, um modelo a se
seguido com decisões omadas a p io i
9
.
5. Repe ó io pa a um p oje o a a és das in aes u u as
O ‘es ado de ânsi o’ de 2 ho as e 21 minu os de empo médio de deslocamen o diá io na me ópole do Rio
de Janei o coloca as in aes u u as de mobilidade em uma posição cen al nas dispu as polí icas e sociais do
planejamen o u bano me opoli ano. Dian e dessa si uação insus en á el, o es udo do SEBRAE (2013)
conclui que, sob e udo no con ex o de um e i ó io com a ex ensão da egião me opoli ana luminense, “a
ques ão da mobilidade u bana [...] de e se conside ada den o de uma polí ica que conside e não apenas os
deslocamen os pendula es e a e iciência no sis ema de anspo e público, mas igualmen e as possiblidades
de desen ol imen o locais” (2013). Em ou as pala as, o “apoio aos pequenos negócios locais e o
desen ol imen o da o e a de se iço em odo o e i ó io me opoli ano podem con ibui pa a a abso ção de
mão-de-ob a locais” (2013).
Se, como desc e emos, as in aes u u as se o na am o undo ubíquo e anônimo que “se in eg ou de al
o ma em nossas idas, ao pon o de di eciona nossos hábi os e compo amen os cole i os” (Ruby e al.,
2017, p. 5), p ecisamos po an o expandi as ecomendações do SEBRAE e comp eende não somen e o
p oje o u bano na escala local de ação, mas p incipalmen e como se in eg a à ede global de in aes u u as.
Nesse sen ido, somen e quando comp eende mos as ipologias e disposições das in aes u u as – e
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Aldo Rossi (1984) chama de ‘elemen os que não podem mais se eduzidos’ as es u u as undamen ais da cidade.
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A ideia de ‘colecionado de pequenas his ó ias do co idiano’ é baseada na ob a de Wal e Benjamin (1999).
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Sob e esse assun o, e o ecen e deba e de Lassance (2019) sob e a cons ução de uma coleção ins umen al de ‘lições da cidade’
que pe mi am supe a lógicas de p oje o que a uam no esquema de ‘p oblema-análise-solução’.
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p oje a mos a a és delas e de seu ‘es ado de ânsi o’—é que os p oje os u banos pode ão con apo as
a uais condições de dependência, dis ância e de iciência da me ópole.
A pesquisa que ap esen amos con ibui nesse sen ido, p incipalmen e a a és da cons ução de um
epe ó io de elemen os a qui e ônicos o diná ios que são mul iplicados nas in aes u u as de mobilidade
me opoli ana: ipos de ampa, ipos de pla a o mas, ipos de a a essamen o, ipos de es ação (BiCEPs), e c.
A o ça polí ica desses disposi i os es á jus amen e na banalidade a qui e ônica que p oduzem: o mam o
o diná io, o medíoc e, o mundano, o undo, uma espécie de inques ioná el na u eza da condição u bana
me opoli ana.
Nesse sen ido, a pesquisa a ança sob e o modo de p oje a e e o ma es ações na RMRJ. Se omamos
como exemplo as e o mas oco idas em seis es ações no Rio de Janei o
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pa a os jogos olímpicos de 2016,
e emos que se oca am basicamen e na e ó ica do ideal de mobilidade olímpica a a és da alo ização
icônica desses obje os—que, na melho das hipó eses, con ibui em uma melho ia de ‘au o-es ima cole i a’
pa a as populações dos bai os que a endem. Em ou as pala as, essas e o mas pe de am a opo unidade
de al e a em seus uncionamen os como ma e ialização da condição u bana me opoli ana. Pa a esse im,
is o é, pa a um p oje o que ise al e a a a ual lógica insus en á el do ‘es ado de ânsi o’, é p eciso sabe
a ua a a és das disposições u banas das in aes u u as e, não, de suas ep esen ações como obje os.
Nesse sen ido, é p eciso sabe segui o exemplo con empo âneo de ou as cidades que êm in es ido em
no os equipamen os de ânsi o, que buscam cons ui , além do modal de mobilidade, ambiciosos espaços
cí icos, a im de p omo e o uso cole i o da cidade e alo iza os in es imen os públicos nesses p oje os
(Gonçal es, 2019). Além disso, é p eciso conhece as dinâmicas e pa es especí icas de cada in aes u u a,
aspec o que es e abalho busca con ibui a a és do epe ó io que ap esen a.
As in aes u u as de em, especialmen e as es ações, uncionam como impo an e elemen o de a iculação
en e a escala me opoli ana e a escala local. Isso acon ece a a és da coexis ência de á ias elocidades e
modos de p esença di e en es nes e espaço. As es ações, apesa de exis i em pa a a conexão
me opoli ana, es abelecem ambém conexões ans e sais: pe mi em o a a essamen o local, conec ando
os dois lados da linha, a a és dos seus elemen os como as ampas, passa elas e escadas. T ans o mam a
p óp ia in aes u u a em um espaço cí ico mundano, p oduzindo a pla a o ma da negociação en e luxos de
passagei os, a a essado es e o comé cio. São elas que azem a mediação ia a a essamen o com o limi e
que a linha é ea con o ma.
A a és do epe ó io que ap esen amos, pe cebemos que cada elemen o da in aes u u a se o na uma
pla a o ma pa a di e en es dispu as polí icas co idianas: os mu os p oduzem dispu as de p op iedade na
cidade, o mando ba ei as e noções de iden idade cole i a (se de um lado do mu o passa a se uma o ma
de se iden i ica cole i amen e); as ampas p omo em uma si uação de uso comum que oge às eg as e
cul u as adicionais de espaço público/p i ado, em ou as pala as, inaugu am um campo ‘sem dono’, onde
a polí ica é ei a de negociação local co idiana; as passa elas con e gem o choque en e o campo comum
das ampas e o espaço con olado do ‘BiCEP’, nos quais gua das do em lidam com o dia-a-dia da cidade
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As 6 es ações são: Rica do de Albuque que, Magalhães Bas os, Vila Mili a , Olímpica de Engenho de Den o, Deodo o e São
C is ó ão
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que a a essa; e os BiCEPs, po im, pe manecem como as pla a o mas que ag upam as pessoas como
massa dócil e obedien e, que pacien emen e (mas nem semp e) agua da a chegada do em.
6. Ag adecimen os
Ag adecemos a odas as con ibuições eó icas e p á icas que ecebemos de colegas e colabo ado es pa a a
p odução desse abalho. Ag adecemos inclusi e à FAPERJ e CNPq pelos apoios e omen os à pesquisa da
qual esse abalho az pa e.
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