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Rebonds A - Iannis Xenakis

Abstract

Ao interpretar o repertório da música contemporânea, principalmente daquelas consideradas obras de vanguarda ou modernas, muitas vezes os intérpretes podem encontrar dificuldades na interpretação devido à complexidade musical das obras. É o caso de Rebonds do compositor Iannis Xenakis, personagem relevante da segunda metade do século XX, com um estilo musical próprio caracterizado principalmente pela utilização de técnicas compositivas inovadoras e que teve uma influência muito significativa na literatura para percussão. Este trabalho analisa detalhes relevantes de uma das obras mais importantes do repertório solista dedicado à percussão, Rebonds A, obra que retêm uma energia elementar, uma força vital que dá à música um impacto de eficácia visceral.

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Rebonds A - Iannis Xenakis

Author: Llopis Mata, Fernando
Publisher: Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO)
Year: 2021
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/cda6b6cf-2460-4ec8-8dcc-b40d41c7da16/download
P o as públicas pa a ob enção do Tí ulo de Especialis a
Rebonds A
Iannis Xenakis
Fe nando Llopis Ma a
Fe e ei o de 2021
Índice
In odução.............................................................................................................................................2
O composi o ........................................................................................................................................3
Xenakis e a música...............................................................................................................................4
Xenakis e a pe cussão...........................................................................................................................5
Rebonds A.............................................................................................................................................6
Planeamen o de ins umen os e disposição .....................................................................................8
Suges ões écnicas............................................................................................................................9
Baque as.........................................................................................................................................10
Poli i mias.....................................................................................................................................11
Suges ões pa a a in e p e ação.......................................................................................................12
Re lexão sob e a impo ância de Rebonds no ensino supe io .....................................................13
Bibliog a ia.........................................................................................................................................14
Anexos................................................................................................................................................15
Pa i u a.........................................................................................................................................16
G a ação Vídeo Rebonds A.
In odução
Ao in e p e a o epe ó io da música con empo ânea, p incipalmen e daquelas conside adas
ob as de angua da ou mode nas, mui as ezes os in é p e es podem encon a di iculdades na
in e p e ação de ido à complexidade musical das ob as.
É o caso de Rebonds do composi o Iannis Xenakis, pe sonagem ele an e da segunda me ade
do século XX, com um es ilo musical p óp io ca ac e izado p incipalmen e pela u ilização de
écnicas composi i as ino ado as e que e e uma in luência mui o signi ica i a na li e a u a pa a
pe cussão.
Es e abalho analisa de alhes ele an es de uma das ob as mais impo an es do epe ó io solis a
dedicado à pe cussão, Rebonds A, ob a que e êm uma ene gia elemen a , uma o ça i al que dá à
música um impac o de e icácia isce al.
Pa a ap ecia e execu a es a ob a, é necessá io examina os seus concei os musicais no que se
e e e à es u u a e pe ceção es é ica. Assim, a in e p e ação pode á se mais con incen e e mais
p óxima do concei o do composi o . Ao mesmo empo, os ou in es conhece ão melho o composi o
e e ão um concei o au ên ico da ob a.
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O composi o
Iannis Xenakis nasceu em B aîla, Roménia, ilho de pais g egos, em 29 de maio de 1922. Mo eu
em Pa is em 4 de e e ei o de 2001. Aos dez anos acompanha a amília no eg esso à G écia.
Fo ma-se na Escola Poli écnica de A enas com especialização em engenha ia, enquan o começa a
dedica -se a sé io na música. Esses in e esses complemen a es, engenha ia e música, molda am a
sua abo dagem à composição.
Em 1945, em comba es de ua em A enas, é g a emen e e ido. É pe seguido e condenado à
mo e. A a essou a on ei a, dis a çado, com a ajuda do pai, em di eção à Amé ica. De passagem
pela F ança, decide fixa -se na cidade que lhe azia lemb a a A enas an iga, Pa is, onde i eu a
maio pa e da sua ida.
Xenakis oi a qui e o, engenhei o e composi o . Engenhei o de Le Co busie , seguiu o ensino de
Messiaen e de Milhaud. Xenakis disse uma ez: “Eu que ia aze udo em simul âneo. Ganha a
ida, ap ende ma emá ica e ísica: o único luga ealmen e sé io e a a Uni e sidade Poli écnica
de A enas... mas, ao mesmo empo, azia música, a queologia e di ei o.” Mesmo com os seus
mui os in e esses, ele conside a a a música pa icula men e signi ica i a na sua ida, a i mando “O
pode da música é al que e anspo a de um es ado pa a ou o... se eu quisesse ap ende a
compo música, al ez osse adqui i esse pode ”.
Xenakis oi um dos composi o es que e oluciona am a música do séc. XX após a Segunda
Gue a Mundial. Foi um dos líde es do mode nismo na música, um composi o ex emamen e
in luen e, p incipalmen e en e os anos 1950 e 1960, quando azia expe iências com écnicas
composi i as que logo en a am no ocabulá io básico da angua da do séc. XX. O seu nome es á
associado à música es ocás ica, à música compu ado izada e ao uso de mé odos ma emá icos ou
a qui e ónicos pa a ealiza a composição musical.
Foi na década de 1950, que as composições de Xenakis começa am a se publicadas. Em 1952
equen ou aulas de composição com Oli ie Messaien, que suge iu que Xenakis aplicasse à música
a sua o mação cien í ica.
Foi assis en e do a qui e o Le Co busie e em 1958 Xenakis ajudou a p oje a o pa ilhão Philips
na Exposição de B uxelas, desen ol endo ainda mais as suas ideias sob e a qui e u a, acús ica e
música.
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Nas décadas seguin es des aca-se a c iação de espe áculos en ol endo “design” a qui e ónico,
luz e som, os chamados Poly opes; o apa a o ecnológico denominado UPIC pa a c iação de ob as a
pa i de desenhos con e idos em ma e ial sono o e a é mesmo pa a composição musical. Po im,
na década de 1990, oi o desen ol imen o de um “so wa e” pa a a ealização de sín ese sono a
baseada em p ocedimen os p obabilís icos: o GENDY. Essa úl ima ealização e oma as p emissas
que le a am Xenakis a compo as suas p imei as peças es ocás icas, concluindo um p oje o de
o malização musical ao qual dedicou a maio pa e da sua ida.
Como igu a de dimensão mundial, o am-lhe a ibuídos á ios p émios, des acando-se o P émio
Quio o, equi alen e ao P émio Nobel da Música.
Xenakis e a música
Iannis Xenakis é al ez a igu a mais o iginal da música con empo ânea. A sua o mação em
iloso ia, ma emá ica e ciências o nou-o um isioná io e o e eceu uma no a pe spe i a pa a a
composição musical. Nos seus abalhos musicais, a es é ica es á in imamen e ligada à iloso ia e à
humanidade. Ele es a a mais p eocupado com a “na u eza abs a a” da música.
Xenakis a i mou o seguin e: “Faze música signi ica exp essa a in eligência humana po meios
sono os.” Cabe des aca se con a sis emas adicionalmen e es abelecidos de composição e odas
as o mas de es u u a, e é e dade po que nunca ab açou o se ialismo o al, e ambém e i ou as
o mas mais adicionais de ha monia e con apon o. Em ez disso, desen ol eu ou as manei as de
o ganiza as massas densas sono as que são ca ac e ís icas das suas p imei as composições.
A música de Xenakis con ém mui os elemen os di e sos soando simul aneamen e. A sua
abo dagem es ocás ica e ma emá ica da música es á p o undamen e en aizada na inde e minação do
p ocesso composicional. Foi ino ado nes e sen ido, a a és da in odução do cálculo de
p obabilidade e eo ia dos conjun os na composição musical ins umen al, ele oacús ica e
compu ado izada, e in en ou á ias écnicas composicionais que cons i uem a “língua anca” da
angua da.
Fazia sen ido pa a Xenakis usa es es modelos mui o p óp ios de ido à ideia de que ma emá ica
e ciências são os mais “impessoais e anscenden es dos concei os de e dade,” mas apesa dos
p ocessos ma emá icos, Xenakis a i ma que a música de e domina a composição e que a
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ma emá ica é apenas uma e amen a que pode se ajus ada pa a ins musicais.
As suas composições es ão en e as mais o iginais e con unden es do seu empo. O igo do seu
pensamen o eó ico desa iou suposições e endências. A mais no ó ia sendo a sua demons ação de
que o se ialismo e a música onal podem se en endidos como subclasses de uma abo dagem mais
ge al pa a a o ganização da onalidade e ou os pa âme os. Ele, mais do que qualque ou a pessoa,
apon ou o caminho pa a no as o mas de comp eende a música e de a o ganiza .
Xenakis e a pe cussão
A maio ia dos composi o es do século XX o am a aídos pelos sons colo idos ge ados pela
conjunção de á ios ins umen os de pe cussão e a música e a mais complexa em es u u a e o ma.
Igo S a insky oi o p imei o composi o a u iliza uma con igu ação de mul ipe cussão em
L'His oi e du Solda , esc i a em 1918. Com o a anço do século XX, os composi o es o am a aídos
pelas possibilidades ímb icas da pe cussão, especialmen e pelo ac o de que mui os sons pode iam
se p oduzidos pelo mesmo músico. S e en Schick, um dos maio es pe cussionis as, desc e eu essa
a ação: “Os composi o es ica am ascinados com a e iciência ímb ica da pe cussão.”
Du an e os anos 1930 e 1940, o concei o da mul ipe cussão ganhou mais acei ação com a ajuda
de John Cage e Lou Ha ison, como p á ica co en e em luga de incomum.
Xenakis esc e eu mui as ob as com e pa a pe cussão e não há dú ida que pa a além de gos a da
pe cussão, es a le ou-o a a ingi a exp essão máxima. Den o do seu amplo abalho musical de
mais de 150 ob as incluiu abalhos a solo ou com ou os ins umen os em di e en es o mações,
como música de câma a, g upo de pe cussão e o ques a. O seu ca álogo inclui cinco ob as usando
unicamen e ins umen os de pe cussão: Pe sephassa (1969) e Pléïades (1979) são pa a sex e o de
pe cussão, abalhos encomendados e es eados pelo amoso g upo ancês de pe cussão, Les
Pe cussions de S asbou g; Okho (1989) é um io pa a djembes dedicado ao T io Le Ce cle (g upo
de pe cussão ancês). Os 2 únicos abalhos de pe cussão solo são Psappha (1975) e Rebonds
(1987-1989).
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Rebonds A
Rebonds ep esen a a segunda e úl ima ob a esc i a pa a pe cussão solo pelo composi o e es á
cons uída em dois andamen os, Rebonds A e Rebonds B. Es a ob a-p ima é um dos clássicos mais
execu ados do epe ó io solis a dedicado à pe cussão e é conside ado um dos abalhos mais
exigen es e desa ian es pa a os pe cussionis as. Es á compos a pa a 7 ins umen os de peles: 2
bongôs, 3 om- oms, 2 bombos.
Rebonds A, em compa ação com ou as ob as, em meno quan idade de ins umen os, e em uma
ins umen ação mais homogénea (se e memb ano ones). A es u u a í mica é mais simples, mas
ainda complexa, a é ce o pon o. Também é menos complicada em ex u a e es u u a. Xenakis
explica numa en e is a o seguin e sob e a ins umen ação homogénea: “esc e e pa a pe cussão é
mais ou menos como esc e e pa a piano do que pa a o ques a. O piano em um som mais
homogéneo e, consequen emen e, é mui o mais di ícil de esc e e pa a in e essa , em apenas uma
co . Foi igualmen e um desa io p oduzi uma peça que alesse a pena pa a unciona apenas pa a
peles.” Nou a en e is a admi iu: “no passado, expe imen ei música sem pulso í mico, ou seja,
sem sen ido í mico. Nas minhas úl imas peças, pa eço e ol ado a algo mui o ní ido e simples,
es u u as que são imedia amen e pe ce í eis.”
A peça oi dedicada ao amoso pe cussionis a ancês, Syl io Gualda, que a es eou em 1988 na
Villa Medici em Roma e o c í ico musical ancês Jacques Lonchamp desc e eu o abalho como
“um imenso i ual abs a o, um conjun o de mo imen os e de ma eladas sem qualque
`con aminação´ olcló ica, música pu a cheia de i mos ma a ilhosamen e lo escen es, indo além
do d ama e da empes ade.”
A ob a começa com i mos simples que pouco a pouco ão icando mais densos. A elabo ação
aqui é undamen almen e í mica, em ez de ex u al. Os p imei os compassos começam com uma
ase í mica epe ida, cons uída a pa i de um pulso con ínuo. O pad ão é a iado na u almen e e
o pulso é g adualmen e p eenchido com elemen os í micos cada ez mais ápidos. A ensão su ge
da necessidade de p eenche o espaço, mas à medida que o espaço é p eenchido, os pon os densos
o nam-se os pon os ocais com semicolcheias cons an es, pe manecendo em segondo plano. Os
acen os ambém o e ecem di eção no aseado, especialmen e os duplos que são in oduzidos quase
na me ade da peça. Mas o elemen o mais impo an e são os poli i mos que começam a p eenche o
espaço e se o nam mais p oeminen es, eliminando o mo imen o linea que ege as pa es iniciais da
peça. Após a densidade máxima de i mo, a ex u a diminui apidamen e nos seis compassos inais,
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deixando uma sé ie de no as e um mo i o inal no bongô agudo e no bombo. A o alidade da música
eside no amen e em p imei o plano, mas des a ez sem a ensão inicial; o silêncio é bem- indo.
Rebonds é um excelen e exemplo do uso de écnicas ma emá icas na composição pa a p oduzi
uma música de som na u al. S e en Schick, a i ma ão eloquen emen e sob e a peça: “Fo ça não é
b u alidade; in eligência não é aca; a mudança é ine i á el, mas se ocê ize as coisas ce as,
ainda pode á se lemb a de onde eio.”
Na minha opinião o i mo é o elemen o mais impo an e. Pa a en ende o empo musical é
necessá io comp eende a es u u a í mica. Em Rebonds A, os i mos são mui o cla os. No en an o,
embo a os i mos sejam no ados explici amen e e possam se comp eendidos de o ma in eligen e,
ao es uda a pa i u a, a es u u a í mica não pode se en endida a a és da expe iência.
Exemplo manusc i o ano 1989
Exemplo pa i u a pa a ap esen ações.
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Planeamen o de ins umen os e disposição
Rebonds A, eque os seguin es ins umen os: 2 bongôs, 3 om- oms e 2 bombos. Es es
ins umen os são classi icados como memb ano ones de a inação inde e minada. A escolha de e se
baseada na ob enção de um som de qualidade e que esponda aos gos os e in luências pessoais do
in é p e e.
A minha expe iência le ou-me às seguin es conclusões em elação à qualidade sono a: a pele
na u al ai o e ece semp e um som mais cálido, p o undo e de maio qualidade. Quan o aos om-
oms é p e e í el que sejam com duas peles (acima / abaixo) po que p oje am com maio
p o undidade o som. É impo an e que a a inação enha o egis o mais amplo possí el, en e o
bombo mais g a e e o bongô mais agudo.
An es de começa a abalha qualque ob a de mul ipe cussão é necessá io ponde a e de ini a
colocação dos ins umen os. A disposição mais idónea é a que se pode obse a no desenho, com os
ins umen os de maio amanho à esque da e os de meno amanho à di ei a, colocados em
ziguezague e o mais p óximo uns aos ou os. Es a colocação ai pe mi i ao in é p e e ica
posicionado no mesmo pon o e e ao alcance odos os ins umen os.
Exemplo de colocação dos ins umen os.
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Anexos
Pa i u a
Rebonds A ( 1987-1989)
Iannis Xenakis
G a ação ídeo
Audi o io do Liceu Camões, Lisboa
No emb o 2015
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