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João Andresen: o Projecto da Casa Ruben A

Abstract

The paper approaches the house of Montedor (Viana do Castelo), which was designed by the architect João Andresen for the writer Ruben A. in the late 1940’s. The current context of adherence to and assertion of a modern approach within Portuguese architecture explains the general interpretation of a specific program, the priority given to functional aspects as well as the way a building relates by opposition to the landscape. The confrontation both with models of Brazilian architecture and proposals by Corbusier (particularly the project of the house Errázuriz, in Chile) enable us to confirm all its rational and modern characteristics, but also its unique and unexpected elements. The project attests the youth of national modern production, its feeble theoretical consistency as well as its tendency to appropriate and reinvent others’ schemes, transforming them freely according to its problems.

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João Andresen: o Projecto da Casa Ruben A

Author: PINTO, Miguel Moreira
Publisher: CEAA/ESAP-CESAP
Year: 2012
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/eef6108c-f678-4043-a4c0-23ae073268b9/download
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JOÃO ANDRESEN: O PROJECTO DA CASA RUBEN A
Miguel Mo ei a Pin o
Cen o de Es udos A naldo A aújo, Po ugal
Abs ac
The pape app oaches he house o Mon edo (Viana do Cas elo), which was designed
by he a chi ec João And esen o he w i e Ruben A. in he la e 1940’s. The cu en
con ex o adhe ence o and asse ion o a mode n app oach wi hin Po uguese
a chi ec u e explains he gene al in e p e a ion o a speci ic p og am, he p io i y gi en
o unc ional aspec s as well as he way a building ela es by opposi ion o he
landscape. The con on a ion bo h wi h models o B azilian a chi ec u e and p oposals
by Co busie (pa icula ly he p ojec o he house E ázu iz, in Chile) enable us o
con i m all i s a ional and mode n cha ac e is ics, bu also i s unique and unexpec ed
elemen s. The p ojec a es s he you h o na ional mode n p oduc ion, i s eeble
heo e ical consis ency as well as i s endency o app op ia e and ein en o he s’
schemes, ans o ming hem eely acco ding o i s p oblems.
Fo mado na Escola de Belas A es do Po o em 1948, João And esen (1920/1967)
igu a en e os mais des acados au o es da sua ge ação, apesa do seu pe cu so
ugaz ma cado po deslocações sensí eis en e mode nidade e adição numa
ap oximação ao que em de e minado momen o designou de Tempo Po uguês.
En e os seus abalhos mais ci ados – a Casa Lino Gaspa em Caxias (1953), a
Pousada de Valença (1954) ou o Monumen o ao In an e D. Hen ique (1956), con a-se
ainda a Casa de Fé ias em Mon edo , p óximo de Viana do Cas elo, que And esen
p ojec a no inal da década de 40 pa a o seu p imo, o esc i o Ruben And esen Lei ão.
Sol ei o, Lei o de Po uguês no King´s College em Lond es, apaixonado pelo Al o
Minho, Ruben A. p e endia cons ui uma casa onde não exis isse qualque elação
en e o seu passado e o p esen e, uma casa li e de sen imen os.
Escolhido o local, um e eno a poucos me os do Fa ol de Mon edo , ao
p imo/a qui ec o exigia-lhe ão só que o seu qua o icasse isolado, mesmo den o de
casa. Re úgio absolu o e in ansigen e, ole ando apenas o con ac o com a na u eza e
a paisagem.
Na sua au obiog a ia, O Mundo à Minha P ocu a, Ruben A. eco da as ci cuns âncias
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e as azões mais p o undas que es ão na o igem da encomenda:
“Sabia sem pensa que no mundo ha ia um e úgio único pa a mim, dali podia sai o
meu esqui e, dali eu podia emi i sinais de manda à me da quem me i esse pisado os
calos, bas a a pedi à onca do a ol pa a omi a o ne oei o das ilusões o meu nojo
de uma bílis macilen a. E a um es ado den o do Es ado, um encla e, e i ó io
au ónomo, c ia a uma Ando a, Liech ens eins, bandei a has eada, Mónaco, a mas,
(…). Rei da Minha Mona quia, P esiden e da minha República, Che e Sup emo de
odos os so ie es sup emos, o pensa , o espi a , o i e , o bebe , o o nica , ali
es a am p ojec ados na ealidade. Podia g i a de Impe ado , oupei a dei ando a
cabeça de o a, sim, se eu no inal de con as, ab indo a sessão, pondo o inho e de
na mesa, e omando banhos de ma sem con a, água ia pa a as ideias congela em,
pa a as saudades a i a em. Os amigos do senso comum: Mas u és doido, como ais
cons ui uma casa lá no im do mundo? Eu espondia: Pa a mim é o p incípio do
mundo” (Ruben A., 1994: 230).
Po odas as mo i ações e pela desc ição que dele az, o p og ama da Casa Ruben A.
pa ece en onca na adição canónica de uma sé ie de cons uções que se i am de
e i o e luga à medi ação poé ica e ilosó ica – como a cabana de Hen y Da id
Tho eau que, nas suas p óp ias pala as, “a im de i e em p o undidade e suga oda
a medula da ida”, abandonou a ci ilização e en u nou-se nos bosques do Lago
Walden, onde, numa casa cons uída po ele mesmo, i eu em ín imo con ac o com a
na u eza, en egando-se à con emplação (Cab al, 2009: 8).
Ou o exemplo céleb e é o da Casa de Heidegge em Tod naube g, no sul da
Alemanha. Nela, mais do que uma habi ação, Heidegge encon ou uma companhei a
de diálogo, um in e locu o e um meio que o ajuda a a pensa (Sha , 2008: 14). Um
espaço i al, medido emocionalmen e, um e úgio pa a a e lexão soli á ia, po enciada
pela es ei a elação com a paisagem.
Luga , Na u eza, Memó ia, e am es es os alo es que ambém no caso da Casa
Ruben A. in e essa a a os a e aduzi em p ojec o mas que a a qui ec u a
po uguesa, p eocupada em a i ma -se acional e mode na, di icilmen e pode ia
comp eende .
Num momen o em que en usias icamen e se de ende a aplicação das eses
sus en adas pelos CIAM, não é su p eenden e, e e a a é ine i á el, que o p ojec o
mani es e an es de mais um en usiasmo mode nis a que de e mina o seu desenho e
o ganização.
Miguel Mo ei a Pin o, João And esen: O P ojec o da Casa Ruben A.
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Figu a 1. Casa Ruben A., Mon edo (Ca eço): Fo og a ias,
Plan as e Co e Longi udinal (A qui ec u a, 2.ª Sé ie, nº. 41,
Ma ço de 1952).
A habi ação, de plan a ec angula , é de inida po dois mu os pa alelos que supo am
uma cobe u a ipo bo bole a. Só a cozinha escapa ao pe íme o ixado po es as
pa edes pe mi indo um acesso independen e ao ex e io . Implan ada
pe pendicula men e em elação à penden e do e eno e ao ma , o acesso à mo adia
az-se po um alpend e ab igado sob a laje do qua o p incipal. A sala, de pé-di ei o
duplo, é o ganizada pela a iculação da la ei a com a escada que se e o pa ama de
se iços e a ampa que em sen ido con á io conduz ao qua o localizado no anda .
De aco do com p ecei os do acionalismo mode no, a habi ação assen a numa
disposição cla a e disc iminada das suas unções, ep oduzindo à escala do ogo o
Zoning p omo ido pela Ca a de A enas. De nascen e pa a poen e, em plan a, co e e
alçados, podem dis ingui -se os ês sec o es de um habi a seg egado e no malizado:
a á ea de se iços (cozinha, qua o de banho e qua o de hóspedes) si ua-se a uma
co a in e média que i a p o ei o da opog a ia do lo e, a zona de es a ocupa a á ea
cen al da cons ução e a zona de do mi ins alou-se no mezanino, sob e o alpend e
de en ada que p olonga a sala pa a o ex e io . Os á ios ní eis e a assime ia das
águas de cobe u a a i mam a sepa ação de usos e a sua dis ibuição longi udinal.
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A especialização das á eas da casa, a di isão es u u ada das ac i idades domés icas,
demons am a p io idade a ibuída à unção, que se assume como o p imei o e o mais
impo an e a gumen o na de inição o mal do olume edi icado, a ando-se de o dena
espacial e isualmen e a a qui ec u a de aco do com as a e as pa icula es do
p og ama, o nando-o legí el e acilmen e econhecí el.
O p ojec o da Casa Ruben A. lemb a de imedia o exemplos do mode nismo b asilei o
como a Casa Cha les O ai 1 e mesmo a Casa de Fé ias M. Passos, em Miguel
Pe ei a2, ambas da au o ia de Ósca Niemeye . Podem apon a -se semelhanças com
a Casa Ma hes3 e com a Vila Mand o , de Co busie , ou com as expe iências na
esolução da habi ação em módulos de dimensão mínima, como em Ma selha, mas
com maio e idência eme e pa a o p ojec o da Casa E ázu iz4.
A cons ui em Zapalla , uma es ância balnea na cos a cen al do Chile, o p ojec o
esul a de uma encomenda que lhe é ei a pelo embaixado chileno na A gen ina,
quando Co busie isi a a Amé ica do Sul pela p imei a ez (Vd. Vásquez, 2002).
Assumindo odas as ca ac e ís icas de um edu o pessoal, do encon o com o clien e
Co busie ano ou as seguin es ideias: La cellule, Pou un homme seul.
O enca go inha de encon o a uma das comunicações que ap esen ou em Buenos
Ai es: Une cellule à l’échelle humaine, em que apela a a um no o mé odo de
p ojec a , acional e ca esiano, que em up u a com o passado e com o apoio de
no as écnicas osse capaz de en en a as solici ações de uma no a época
mecanicis a.
Co busie ai anspo a es es p incípios pa a o p ojec o da Casa E ázu iz, que icou
signi ica i amen e egis ado como Habi a ion e en plus un Plan-Type de Pe i e Cellule
de Repos, ans o mando a encomenda de uma casa de im-de-semana numa solução
gené ica, epe í el, uni e salmen e álida, uma máquina de habi a pa a empos de
laze .
Os p imei os esquemas que Co busie ealiza, já em Pa is, e ela am-se con udo
1 Imagens em: <h p://www.ado ocasas.com/casas-de-osca -niemeye /a1943-casa-cha les-
o ai />
2 Imagens em: <h p://www.ado ocasas.com/casas-de-osca -niemeye /a1939-casa-m-passos/>
3 Imagens em: <h p://es.wikia qui ec u a.com/index.php/Casa_en_Les_Ma hes_%28Le_Sex
an %29>
4 Imagens em: <h p://es.wikia qui ec u a.com/index.php/Maison_E %C3%A1zu iz>
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in iá eis: o es udo p é io não só não se ajus a a à o e penden e do e eno como
não es a am disponí eis no local ecu sos e mão-de-ob a especializada pa a uma
cons ução que se p e endia mode na e como al em be ão a mado.
A solução inal, de Maio de 1930, p opunha dois olumes in e dependen es
cons uídos em mu os de ped a da egião: o p incipal albe ga a a sala e o qua o
si uado no mezanino, a que se acedia po uma ampa de dois lanços que in eg a a a
la ei a. A cobe u a de duas águas con e gen es, no sen ido de ocul a a sua p esença
no desenho dos alçados, e a sus en ada po uma linha in e média de pila es e igas
em madei a. A á ea de se iços e o qua o de hóspedes localiza am-se no olume
anexo, em L. Dispos a pa alelamen e em elação ao ma , a habi ação usu uía de
is as excepcionais sob e o oceano Pací ico.
Sob e a u ilização de ma e iais locais Co busie acaba á po enuncia um a gumen o
decisi o que legi ima a a adopção dos p incípios da A qui ec u a do Mo imen o
Mode no em con ex os sem acesso às mais a ançadas écnicas de cons ução,
a i mando que “La us ici é des ma é iaux n’es aucunemen une en a e à la
mani es a ion d’un plan clai e d’une es hé ique mode ne”.
As coincidências en e os p ojec os da Casa E ázu iz e da Casa em Mon edo são, a
odos os ní eis, e iden es. O mesmo p og ama: La cellule, Pou un homme seul, pa a
empos de laze . As mesmas ci cuns âncias: a si uação pe i é ica, um e eno isolado
sob e o ma . O mesmo con o no e exp essão abs ac izan e. As mesmas limi ações e
con ingências: o uso de ma e iais e p ocessos de cons ução a esanais, o que não
impede, po im, que não pa ilhem da mesma a i ude a i ma i a pe an e a paisagem,
in e indo po oposição em elação à na u eza.
Conscien e ou in olun a iamen e, And esen p ojec a um no á el sucedâneo do Plan-
Type de Pe i e Cellule de Repos, concebido po Co busie , uma solução que p ima
pela sua simplicidade, con enção e unidade, pe mi indo po ém apon a -lhe es e
equí oco: o de negligencia as e en es elú icas a que apela a Ruben A., o de
eduzi o p og ama da casa ao de uma casa- ipo de im-de-semana, o de con undi
laze e escape com um p o undo desejo de e asão e de iden i icação com o luga .
A pa i da compa ação da Casa em Mon edo com a Casa E ázu iz podem
iden i ica -se os mais u gen es in e esses de And esen mas ambém se e pa a
assinala udo o que em de singula e único, e desconce an e.

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Os dois p ojec os são, nas suas ci cuns âncias e apa ência, essencialmen e análogos
mas são na sua esolução inal es u u almen e dis in os:
1. Ausen e em Co busie , subsis e na p opos a de And esen uma p eocupação em
agencia um espaço que p olonga pa a o ex e io a á ea de es a da sala, numa cla a
cedência a modos de habi a adicionais, de ida na ua.
2. Ao in és do que sucede em Zapalla , em que a sala goza de amplas abe u as
sob e a paisagem, em Ca eço é o qua o de Ruben A. quem de e mina a o ien ação
pe pendicula da habi ação, cedendo as melho es is as ao alçado mais es ei o.
Decisão que em cadeia acaba á po in luencia a dis ibuição dos espaços e o
esquema de ci culação no in e io da casa.
3. Com um p opósi o e um des echo absolu amen e di e sos, os dois p ojec os
p econizam o mesmo sen ido dinâmico do espaço em que o pe cu so e o ho izon e
es ão p esen es como linhas undamen ais do p ojec o.
Todo o açado da casa no Chile, a impe meabilidade inicial da cons ução, a pos e io
anspa ência, a luidez espacial, a ampa dispos a em unção da in e acção e uição
da na u eza, o mezanino abe o sob e a sala, êm sus en a a dou ina de Giedion: a
a qui ec u a mode na conseguiu o na ealidade a in e pene ação en e os espaços
in e io e ex e io , e en e di e en es ní eis, e oi capaz de in eg a o mo imen o na sua
concepção.
T açado que no p ojec o de And esen se encon a decisi amen e uncado, sub e ido
a a o do ema p incipal do enca go: do qua o isolado, mesmo den o de casa.
Em Mon edo , o acesso à habi ação az-se po um caminho pa alelo ao ma , adossado
à penden e do e eno. No alpend e, a en ada localiza-se sob a ampa que aqui
cump e um papel mui o di e en e: ci culação pe pendicula à achada, sem con ac o
com o ex e io , não se p es a ao econhecimen o da paisagem, mas do isolamen o
p e endido pelo clien e. Ma ca um passo mais len o em di ecção a um espaço que se
deseja li e de gen es, um i mo que a dis ingue dos passos ápidos da escada que
se e o pa ama de se iços, a pa i do qual e a impo an e es abelece uma on ei a,
cons ui um disposi i o de acesso ese ado, que ma casse uma maio dis ância e
ce imónia.
Ao ence a na quase o alidade o mezanino And esen al e a i e oga elmen e a
solução p ojec ada po Co busie . Há uma in e pene ação en e os espaços in e io e
ex e io que não se e i ica en e os di e en es ní eis. Rompe am-se as elações
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isuais c uzadas, a pa ilha do mesmo ec o, a liquidez espacial sem ba ei as.
O alçado cego de en ada da Casa E ázu iz, a an ecipação e a cu iosidade que
susci a, si ua-se em Mon edo no in e io da habi ação, à co a al a. Coinciden e com a
achada da en ada, a di isó ia do qua o de Ruben A. unciona, suges i amen e, como
o espelho de Alice: o qua o pa ece exis i no ex e io , numa ou a dimensão que não a
do alpend e.
E se à p opos a de Co busie a de ine uma ajec ó ia luen e, um caminha dis aído
em espi al, a Casa em Ca eço dis ingue-se pelo seu i ine á io sem im à is a. Mais
do que uma P omenade A chi ec u ale p opõe uma e ância, um Wande lus .
Sem abandona um esquema de absolu a seg egação, And esen modi ica po
comple o uma o ganização espacial consag ada, ou o gando-lhe um no o e
inespe ado sen ido.
Não é p esumí el, po ém, que o enha ei o p emedi ada e c i e iosamen e. Não
pa ece u o de uma es udada manipulação, de uma in encionada e calculada
e o mulação, mas de um p ocesso empí ico, de li e ap op iação e co ecção de um
modelo p ede inido, emendado em unção das exigências do clien e, a pos e io i.
Es e ema, o da ci ação e ap op iação, lemb a a cu a his ó ia de Pie e Mena d, o
Au o de Quixo e, esc i a po Jo ge Luis Bo ges.
No p imei o con o, de á ios, que o o na am céleb e, Bo ges na a a his ó ia de um
esc i o , no início do século XX, que em de e minada al u a se p opõe eesc e e a
ob a de Ce an es.
A sua ideia não e a a de ansc e e mecanicamen e o o iginal. Não se p opunha
copiá-lo. A sua admi á el ambição e a a de que as suas pala as coincidissem pala a
po pala a, linha po linha, com o ex o de D. Quijo e de la Mancha.
O mé odo inicial que imaginou e a simples: conhece bem o cas elhano, ecupe a a é
ca ólica, gue ea os mou os, esquece a his ó ia da Eu opa en e os anos 1602 e
1918, se Miguel de Ce an es. Rejei ou-o po ácil. Mais in e essan e e a con inua a
se Pie e Mena d e chega ao Quixo e a pa i das suas p óp ias expe iências.
Concluía o na ado que os ex os de Ce an es e de Mena d e am e balmen e
idên icos, mas o de Mena d e a in ini amen e mais ico. “Mais ambíguo, di ão os seus
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de ac o es, mas a ambiguidade é uma iqueza”. As pala as di as po Ce an es
es a am de aco do com a época em que i eu, mas as de Mena d ganha am ou o
sen ido esc i as a pa i do seu empo e das suas ci cuns âncias pessoais.
Pa a Albe o Manguel a lição que se pode i a do con o de Bo ges é mui o cla a:
nunca lemos um a qué ipo o iginal, lemos uma adução desse o iginal em unção do
nosso idioma, da nossa oz, do nosso momen o his ó ico, do nosso luga no mundo.
Como lei o es, Mena d ez de nós conscien es da nossa esponsabilidade c ia i a.
Aplicá el ao mundo da a qui ec u a o con o de Bo ges eme e pa a a ideia do
a qui ec o, ambém ele, como lei o de ob as e modelos alheios que ein en a e
ans o ma em unção dos seus p oblemas.
Aplicá el à p odução nacional eco da a ocação uni e salis a da a qui ec u a
po uguesa, a longa adição e a endência pa a se ap op ia e aze suas ou as
cul u as, ins i uindo a lei u a como mé odo c ia i o de desenho.
Caindo po ezes na en ação de se con undi com “Ce an es”, a ob a de And esen e,
de um modo ge al, a eadopção da linguagem mode na no inal da década de 40
insc e em-se nes a adição, encon ando na in eg ação e e o mulação de ou as
expe iências, e na con ocação de igu as u ela es, um e eno segu o, no in e io da
disciplina, pa a in oduzi uma up u a na a qui ec u a nacional, numa lu a cul u al
con a o olclo e.
Nes e caso pa icula , o Quixo e de Mena d, e os que lhe sucede am, eco da po im
as inúme as cópias e as ep oduções a que os p ojec os de Co busie de am o igem,
mas lemb a ambém que quem con a um con o ac escen a-lhe pon o. E à
anspa ência da Casa E ázu iz a p opos a de And esen ac escen a-lhe, po o ça das
ci cuns âncias, p i acidade e compa imen ação, à luidez, ambi alência, ao espaço
indi e enciado, hie a quia e en edo. “Mais ambíguo, di ão os seus de ac o es, mas a
ambiguidade é uma iqueza”.
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