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Referências artísticas no Cinema: contribuição dos Departamentos artísticos e dos Directores de fotografia

Abstract

Ao contrário da pintura o cinema é um meio que impõe um processo colaborativo, embora o realizador seja responsável em última instância pelo resultado final dum filme, auxiliado pelos seus colaboradores mais próximos: o director de fotografia e um desenhador de produção ou director artístico. Desde o seu nascimento o cinema incorporou referências artísticas, e tornou-se necessário a partir de certa altura constituir departamentos artísticos, que com o advento do cinema a cores ganharam progressivamente maior importância. Pouco a pouco, e sobretudo nas grandes produções, o desenhador de produção e/ ou director artístico assumiram funções decisivas na arte do cinema. Abordamos exemplos de alguns desenhadores de produção mais relevantes, na etapa decisiva do processo de pré-produção dum filme, assim como alguns directores de fotografia, cujo trabalho bem sucedido depende amiúde de uma boa colaboração com os departamentos artísticos.

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Referências artísticas no Cinema: contribuição dos Departamentos artísticos e dos Directores de fotografia

Author: Trindade, Carlos Alberto de Matos; Trindade, Maria Elisa Coelho de Almeida
Publisher: AO NORTE - ASSOCIAÇÃO DE PRODUÇÂO E ANIMAÇÂO AUDIOVISUAL
Year: 2018
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/6227016f-6a16-407f-8443-ea42ff842831/download
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6ª CoNFERêNCIA IN ERNACIoNAL DE CINEMA DE VIANA Do CAS ELo
e e êncIAs A ís IcAs no cInemA:
con IbuIção dos depA Amen os A ís Icos e dos dI ec o es de o og A IA
cA los Albe o de mA os IndAde
Uni e sidade
mA IA elIsA coelho de AlmeIdA IndAde
Uni e sidade
CaRlos albeR o de ma os Rindade
Licenciado em A es Plás icas/Pin u a pela FBAUP (1981). Dou o ado pela Uni-
e sidade de Vigo (Depa amen o de Escul u a, 2014). Foi bolsei o da Fundação
pa a a Ciência e a Tecnologia (2009-2012) e é memb o do g upo de in es igação
MODO (Dep. de Escul u a, Uni e sidade de Vigo). Nas suas ac i idades p o is-
sionais in e agiu com mui os colabo ado es em co-au o ias de abalhos cien-
í icos: ac ualmen e, é o IR do p ojec o ESAP/DAV- Pin u a, Fo og a ia e Cinema:
e e ências pic u ais nas imagens o og á icas e cinema og á icas. Desde 1982 é
p o esso na ESAP (Escola Supe io A ís ica do Po o), da qual oi um dos unda-
do es e onde em exe cido di e sos ca gos: no p esen e, é o di ec o da Licencia-
u a em A es Plás icas e In e média. Como a is a plás ico, começou a expo em
1978: ealizou 5 exposições indi iduais e pa icipou em mais de 150 colec i as,
em Po ugal e no es angei o; es á ep esen ado em algumas colecções públicas
e p i adas. En e 1976 e 1981 abalhou em Cinema de Animação, incluindo dois
ilmes subsidiados pelo IPC, p oduzidos po Cinema óga o-colec i o de in e -
enção, de que oi um dos undado es. Recen emen e, ecomeçou a abalha
em cinema: em 2015 ealizou a cu a-me agem Flashbulb memo ies, ap esen-
ada em alguns es i ais de cinema no es angei o.
maRia elisa Coelho de almeida Rindade
Dou o anda em Educação A ís ica na Faculdade de Belas A es da Uni e sida-
de do Po o. P ossegue a in es igação in i ulada Do Desenho ao Cinema. Mes e
em Desenho e Técnicas de Imp essão pela Faculdade de Belas A es da Uni e si-
dade do Po o, com a Disse ação Desenho e Cinema. In es igado a colabo a-
do a no p ojec o ESAP/DAV- Pin u a, Fo og a ia e Cinema: e e ências pic u ais
nas imagens o og á icas e cinema og á icas. Licenciada em Educação Visual e
Tecnológica, pela Escola Supe io de Educação do Ins i u o Poli écnico do Po o.
P o esso a do Ensino Básico e Secundá io. Pa icipou em á ias exposições cole-
i as no País e no Es angei o.
esumo
Ao con á io da pin u a o cinema é um meio que impõe um p ocesso colabo a i o, embo a o ealizado
seja esponsá el em úl ima ins ância pelo esul ado inal dum ilme, auxiliado pelos seus colabo ado es
mais p óximos: o di ec o de o og a ia e um desenhado de p odução ou di ec o a ís ico. Desde o seu
nascimen o o cinema inco po ou e e ências a ís icas, e o nou-se necessá io a pa i de ce a al u a
cons i ui depa amen os a ís icos, que com o ad en o do cinema a co es ganha am p og essi amen e
maio impo ância. Pouco a pouco, e sob e udo nas g andes p oduções, o desenhado de p odução e/
ou di ec o a ís ico assumi am unções decisi as na a e do cinema. Abo damos exemplos de alguns
desenhado es de p odução mais ele an es, na e apa decisi a do p ocesso de p é-p odução dum ilme,
assim como alguns di ec o es de o og a ia, cujo abalho bem sucedido depende amiúde de uma boa
colabo ação com os depa amen os a ís icos.
pAlAV As cHAVe: Depa amen o a ís ico, desenhado de p odução, espaços cénicos, di ec o de
o og a ia, luz
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REFERêNCIAS AR íS ICAS No CINEMA: CoN RIBUIção DoS DEPAR AMEN oS AR íS ICoS E DoS DIREC oRES DE Fo o
ABs Ac
Unlike pain ing, cinema is a medium wich imposes a collabo a i e p ocess, al hough he di ec o i is
ul ima ely esponsible o he inal esul o a mo ie, wi h he assis ance o his closes collabo a o s:
he cinema og aphe and one p oduc ion designe o a di ec o . F om i s bi h cinema inco po a ed
a is ic e e ences, and i became necessa y om ce ain momen o cons i u e a is ic depa men s,
which ha e gained inc eased impo ance wi h he ad en o colo ilm. G adually, mainly in he g ea
p oduc ions, he p oduc ion designe and/o a di ec o assumed decisi e unc ions in he a o cine-
ma. We discuss examples o some mo e ele an p oduc ion designe s, in he decisi e s age o a mo ie
p e-p oduc ion p ocess, as well as some cinema og aphe s, whose success ul wo k o en depends on
he good coope a ion wi h a is ic depa men s.
Keywo ds: A Depa men , p oduc ion designe , scenic spaces, cinema og aphe , ligh
in odução
Em 1967, no ilme La Chinoise Jean-Luc Goda d pôs Jean-Pie e Léaud a dize que Augus e Lumiè e “e a o úl-
imo pin o imp essionis a”. A a i mação con i ma que logo nessa “p é-his ó ia” do cinema se es abelecem
elações em e mos isuais en e a a e nascen e e a ou a, a pin u a, com uma longuíssima his ó ia a ás
de si. Relações que se êm man ido desde en ão:
Si la pein u e a in luencé le cinéma à ses debu s, cela es ai pou une g ande pa ie de la p o-
duc ion cinéma og aphique, ou au long de son his oi e; […] La pein u e a alimen é le a ail
des pionnie s à la naissance du cinéma, des déco a eu s pendan la g ande pé iode classique du
cinéma hollywoodian e con inue de nou i celui des éalisa eu s con empo ains dans le monde
en ie , de la F ance au Japon […] en passan pa l’Allemagne ou l’I alie […] e bien sû l’Amé ique
don les pein es classiques e luminis es son sou en mal connus en Eu ope. ( hi a , 2007: 74)
Nos cená ios do início, no cinema di o ‘p imi i o’, aquele que se desen ola a é meados dos anos 10 do séc.
XX, como diz An onio Rod iges (1999: 55)
[…] al e na a ela pin ada, o cená io de ea o e, po ezes, alguns planos em cená ios u banos
na u ais, ge almen e b e es […] E é signi ica i o que ao começa a cons ui cená ios, a edi ica
espaços o cinema não se enha ol ado pa a a a qui ec u a do seu empo e sim pa a a da An i-
guidade, baseando-se em “lemb anças do liceu”, segundo a c uel obse ação de Hen i Langlois.
His o icamen e, o p imei o g ande cená io cons uído de e no cinema é o de CABIRIA, em 1914
(se não oi mesmo o p imei o, oi is o como al e po is o é o p imei o), com o imp essionan e
emplo de Moloch […]1”.
Foi a pa i des a al u a que o cinema en ou libe a -se da in luência inicial do ea o, mais os seus cená ios
pin ados, e começou delibe adamen e a i em busca do espaço idimensional, e ê-lo, é impo an e assi-
nala , cons uindo eno mes cená ios em amanho na u al. Mesmo assim, em 1919 su ge um dos p imei os
ilmes conside ado uma ob a de a e, no qual os cená ios o am pin ados de aco do com uma es é ica não-
-na u alis a, ma cadamen e exp essionis a: O gabine e do D . Caliga i, de Robe Wiene. Se es e ilme cedo
a ingiu o es a u o de ob a-p ima, mui o de e à qualidade dos seus cená ios pin ados; daí que, pa a mui os,
não de a se a ibuída a Robe Wiene a ‘au o ia’ do ilme, mas an es a Ca l Maye (au o do a gumen o) e
sob e udo aos ês cenóg a os, os pin o es He mann Wa m, Wal e Reinmann e Wal e Röh ig. Se con inua
a se um ilme emblemá ico da his ó ia do cinema é po que, como e e e An onio Rod iges (1999: 56), “na -
a uma acção imaginada em cená ios absolu amen e não- ealis as. E se há um ilme cujo p o agonis a é o
cená io, es e é CALIGARI, cujos cená ios pin ados e lec em as con icções p o undas dos seus cenóg a os.2”
Além dos cená ios, ambém a p esença de pin u as conc e as pode in e i de manei as mui o di e en es
nos ilmes de icção, como é e iden e: como símbolo, ci ação, como caução de econs ução de época, ou
mesmo como ca alizado da acção: assim acon ece em A mulhe na mon a (1944) de F i z Lang, O e a o
de Jennie (1948), de Willliam Die e le, A apa iga do b inco de pé ola (2003), de Pe e Webe , ou A dama dou-
ada (2015) de Simon Cu is. Uma pin u a ambém pode se i de inspi ação pa a o a gumen o dum ilme
1 O cená io de Cabi ia se ia uma e e ência de e minan e pa a os da Babilónia em In ole ância (1916) de D. W. G i i h (1875-1948).
2 Não podemos inclui aqui uma ex ensa ci ação duma decla ação de He mann Wa m (apud Rod igues 1999: 55-57), que dá bem a medida de como
o am os ês pin o es mencionados os e dadei os au o es do ilme, e onde se ala da concepção dos p imei os desenhos. Vd. ambém a es e espei o
Lo e Eisne (s. d.: 20-23), que des aca o papel dominan e dos deco ado es no cinema alemão.
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in ei o, como acon eceu com Ronda da Noi e (2007) de Pe e G eenaway, ou Belle (2013) da cineas a b i â-
nica Amma Asan e, baseado no Po ai o Dido Elizabe h Belle (1761-1804) wi h he cousin Elizabe h Mu ay
(1779) de Johann Zo anny (1777-1810), pin o neoclássico alemão que exe ceu a sua ac i idade sob e udo
em Ingla e a: a his ó ia de uma mula a, ilha ilegí ima (de mãe esc a a) do capi ão da Royal Na y Si John
Lindsay, que i eu no século XVIII no meio da a is oc acia inglesa e oi econhecida como igual - ou quase
- po pa e da amília pa e na.
os depa amen os a ís icos
Na passagem da e a do cinema mudo pa a o cinema sono o o ‘sis ema de es údios’ em Hollywood já es a a
comple amen e es abelecido, e assen a a undamen almen e num modelo cen alizado de p odução, no
qual e e papel undamen al I ing halbe g, que na MGM como lemb a João Má io G ilo (2010 [2007]:
124),
[…] o icializou e consolidou uma iloso ia de p odução cujos p incípios básicos assen a am na
e icalização da es u u a hie á quica do es údio e na co esponden e cen alização do
papel do p odu o na de e minação das polí icas de p odução da companhia e na ges ão dos
ecu sos humanos e ma e iais do es údio.
E com esse ‘sis ema’ cons i uí am-se depa amen os de a e al amen e p o issionais, di igidos po um
di ec o a ís ico, c iado es do look dos ilmes aí p oduzidos. No início do cinema sono o já se dis inguiam
os es ilos isuais dos cinco maio es es údios (majo s), po que o che e do depa amen o inha quase o al
con ole na c iação duma es é ica p óp ia, que cons i ui ia a pe sonalidade do es údio; de ac o, supe -
isiona a a di ecção a ís ica de odos os ilmes saídos do seu es údio, com equência á ios ao mesmo
empo: um dos mais amosos, Ced ic Gibbons, é c edi ado pela di ecção a ís ica de 1500 ilmes da MGM,
en e 1924 e 1956.
Embo a o papel desempenhado na ealização dum ilme pelo di ec o de o og a ia seja mais “ angí el”,
na e dade o do desenhado de p odução ou di ec o a ís ico não é menos undamen al pa a que udo
esul e con o me p e endido. Po ém, como assinala Fionnuala Halligan (2013: 8 – adução nossa),
o depa amen o a ís ico ende a se o he ói não celeb ado de um ilme inalizado. É ácil no a
um ângulo de câme a ou il o, ou um aje de an asia, da po adqui ida a pe sonalidade isual
dum ilme e a ibuí-la ao guião ou à ealização.” Um ealizado pode chega a de a um p ojec o
cuja p odução já es á em andamen o há mui o empo, o di ec o de o og a ia pode inicia o seu
abalho apenas uma semana an es do início da odagem, mas o depa amen o a ís ico es á
p esen e nele desde a ase de p é-p odução, omando já algumas decisões impo an es pa a a
sua conc e ização.
o ad en o do cinema a co es ouxe consigo no as possibilidades exp essi as, e o aumen o p og essi o da
impo ância, e in luência, dos depa amen os a ís icos. Nesse pe íodo, o ilme E udo o en o le ou (1939)
p oduzido po Da id o. Selznick é um ma co. Conscien e da complexa p odução do ilme, e da ampli ude
do necessá io abalho p é io de p epa ação g á ica, Selznick pe cebeu que p ecisa a dum p o issional
com a en e gadu a de William Came on Menzies (1896, New Ha en – Los Angeles, 1957), como deixou
cla o numa no a esc i a aos seus colabo ado es em 1 de Se emb o de 1937, na qual explanou as unções
que ele i ia desempenha , bem como o g au de p ecisão que espe a a alcança a a és do seu con ibu o3.
Richa d Sylbe , conside ado um dos desenhado es de p odução mais in luen es da indús ia cinema og á-
ica, esumiu o eno me papel de Menzies4 do seguin e modo:
abajó pa a di ec o es como Sam Wood, quien no hubie a sabido dónde si ua la cáma a de no habe sido
po las ilus aciones de Menzies. (…) El g an log o de Menzies consis ió en do a de es uc u a al con eni-
do isual de una película. al ue la impo ancia de su apo ación a Gone wi h he Wind, que Selznick c eó
pa a él la denominación de diseñado de p oducción. Cada oma se basaba en sus s o yboa ds y la película
3 C . Da id O. Selznick, 1984, Cinéma (mémos). Pa is: Edi ions Ramsay (apud Fa on, Pee e s e Pie pon 1992: 21)
4 Cu iosamen e, o p imei o ilme em que Sylbe abalhou como desenhado (em 1950) oi ealizado po Menzies
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pudo oda se ín eg amen e sin necesidad de sali del es udio. Aquello sí que e a díseño de p oducción.
(Sylbe , apud E edgui 2001: 40)5
Como se sabe, embo a a ealização de E udo o en o le ou enha sido c edi ada apenas a Vic o Fleming
es e e á di igido na ealidade apenas 45% do ilme: o es an e coube a Geo ge Cuko , Sam Wood, Sidney
F anklin, e ao p óp io Menzies que ilmou oda a sequência do incêndio em A lan a, pa a a qual ez o
s o yboa d [ ig. 1], além de ou as cen enas de desenhos elabo ados de con inuidade pa a ou as pa es
do ilme, e eio a ecebe um ósca hono á io como desenhado de p odução, pelas soluções encon adas
pa a a co .
Fig. 1. W. C. Menzies, desenhos a agua ela do s o yboa d de E udo o en o le ou (1939). Sequência do incêndio em A lan a
Pouco a pouco, e sob e udo nas g andes p oduções, o desenhado de p odução e/ou di ec o a ís ico as-
sumi am unções decisi as na a e do cinema. oda ia, o desenhado de p odução não se limi a a concebe
e desenha os cená ios, ou a oma decisões sob e os elemen os isuais da es é ica dum ilme; ambém é
ele que aconselha o cineas a na escolha do melho local pa a a odagem do ilme, em es údio ou no ex-
e io , num país (ou países) mais indicado(s), e que es eja de aco do com o guião: de ac o, o guião é sem-
p e, ou quase semp e, o pon o de pa ida pa a a pesquisa daquele, que após a sua lei u a ai o ma uma
p imei a imp essão isual do ipo de localização que necessi a, mas como a i ma e ence S .John Ma ne
(1974: 63), “ine i ably his ini ial isualisa ion will ha e o be modi ied. one a ely inds loca ions ha a e
exac ly like he o iginal isualisa ion.”
E iden emen e, es as decisões implicam g ande in es imen o inancei o e azem pa e do p ocesso no -
mal de p é-p odução pa a le a a cabo qualque p ojec o cinema og á ico, pois só depois se passa à e a-
pa seguin e. No e-se, que mesmo quando é encon ado um local adequado pa a aquilo que se p e ende
ilma é necessá io ob e p e iamen e a necessá ia au o ização jun o das au o idades compe en es, se se
a a de um local público, ou, no caso de uma p op iedade pa icula , negocia um aco do.
5 Menzies iniciou a sua ca ei a em Hollywood quando Douglas Fai banks (pai) o con a ou como ilus ado ; dep essa se o nou um di ec o a ís ico
p es igiado ao ganha o p imei o ósca a ibuído nessa ca ego ia, na p imei a edição da ce imónia (1929) de a ibuição dos almejados p émios da
indús ia cinema og á ica ame icana. Sob e o papel pe cu so de Menzies, d. ambém S e en D. Ka z (1991: 9).
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o amoso di ec o a ís ico Eugene Lou ie, desenhado de p odução de A G ande Ilusão (1937) de Jean Re-
noi , a p opósi o das unções desempenhadas em a seguin e decla ação escla ecedo a:
I also wan o desc ibe my wo k since I am equen ly asked, “Wha exac ly does an a di ec o
do?” (I is amazing o me how e en some p o essional cinema echniciens a e no awa e o an a
di ec o ’s o p oduc ion designe ’s unc ion.)
Is he he pe son who chooses loca ions whe e he ilm will be sho ? Does he supe ise he choo-
sing and placing o he u ni u e, he se d essing, he colo s used in he se s? Does he design and
coo dina e he cons uc ion o new se s when hey a e needed? Does he supe ise he making o
hund eds o ac ion ske ches, he s o yboa ds ha illus a e he con inui y o he shoo ing sc ip ?
Is he he a is who does he p e y pain ings ha show wha he se s will look like? o is he he
mys e ious ad iso wi h whom he di ec o con e s du ing he p epa a ion o he ilm and o en
du ing he ac ual shoo ing? he simples answe o he ques ion is – all o he abo e, and e y
o en mo e, much mo e. (Lou ie, 1984: 6-7)
No malmen e, o depa amen o a ís ico di ide-se em dois g andes blocos, e o desenhado de p odução
es á semp e com “uma pe na em cada lado”. o p imei o gi a em o no do abalho de desenho, e é aí que
os desenhado es ealizam os s o yboa ds, p epa am os p imei os esboços dos cená ios, os planos écnicos
e maque as que a equipa – compos a po pin o es, ma cenei os, es ucado es, ped ei os, elec icis as, e c.
– u iliza á na cons ução daqueles. Quan o ao segundo bloco cen a-se na elabo ação e selecção do mobi-
liá io, e ou os ade eços que compõem os di e en es cená ios.
Um dos desenhado es de p odução mais equisi ados pela indús ia cinema og á ica, Hen y Bums ead
(on a io, 1915-2006, Pasadena) iniciou a sua longa ac i idade p o issional du an e a época dou ada de
Hollywood, no depa amen o a ís ico da RKo, ainda an es de conclui a sua g aduação na Uni e sidade
da Cali ó nia do Sul (onde es udou A qui ec u a e Belas-A es), depois oi con a ado pelo da Pa amoun
(en e 1937-1960), donde saiu pa a o da Uni e sal (1961-1983). abalhou em odos os géne os de ilmes,
pondo o seu alen o a ís ico e a sua des eza écnica ao dispo de inúme os cineas as. Mas, p o a elmen-
e, a sua colabo ação mais impo an e oi com Al ed Hi chcock, nos ilmes O homem que sabia demais
(1954) Ve igo (1958), Topázio (1969) e In iga em Família (1976), o úl imo ealizado po Hi ch, po quem
e ia g ande admi ação6.
Não se ia, con udo, de ido à sua colabo ação com o mes e do suspense que Bums ead ganha ia os dois
ósca es da sua ca ei a, enquan o desenhado de p odução. Isso acon ece ia com os ilmes Po a o , não
ma em a co o ia (1962), de Robe Mulligan (1925-2008), e A golpada (1973) de Geo ge Roy Hill (1921-2002).
Com o objec i o de encon a inspi ação pa a a concepção de Po a o , não ma em a co o ia, Bums ead
iajou pa a o Es ado do Alabama (EUA) com Ha pe Lee, au o a da no ela que o ilme adap a, em cujas pai-
sagens se baseou pa a os s o yboa ds e desenhos concep uais que ealizou pa a a c iação de cená ios, pois
o ilme oi in ei amen e odado em es údio. Mui as ezes, são usadas ilmagens de ex e io es combinadas
com in e io es odados em es údio, pa a ob e um e ei o de maio ealismo em ce as cenas, mas nes e
caso não oi seguida essa opção.
Pa adoxalmen e, e es e ilme é um bom exemplo, po ezes o sucesso a ís ico dum desenhado de p o-
dução, num de e minado p ojec o, pode se a aliado quando aquilo que e a p e endido é alcançado ao
pon o do seu abalho quase se o na , po assim dize , “in isí el” aos olhos dos espec ado es, como se
comp o a po um depoimen o de Bums ead sob e a eacção dos seus colegas de p o issão após a es eia
daquele:
Cuando se es enó, ecebi llamadas de algunos de los di ec o es a ís icos más impo an es de
o os es udios p egun ándome en qué luga de Alabama habíamos odado la película. ‘ odo lo
hemos odado en el es údio, les con es aba, y ellos se eían y ol ían a p egun a me, ‘en se io,
Bummy, ¿dónde odas eis?. Fue en onces cuando empecé a comp eende que debíamos de ha-
be hecho un abajo bas an e bueno. (Bums ead, apud E edgui 2001: 19)
6 Vd. decla ação de Bums ead (apud E edgui 2001: 17).

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REFERêNCIAS AR íS ICAS No CINEMA: CoN RIBUIção DoS DEPAR AMEN oS AR íS ICoS E DoS DIREC oRES DE Fo o
Figs. 2 e 3. Hen y Bums ead, páginas do s o yboa d de Po a o , não ma em a co o ia (1962). Fo og ama do mesmo ilme
Já pa a A golpada, Bums ead eco eu às memó ias que conse a a da época da G ande Dep essão – “ odo
pa ecía ma ón en aquelles iempos”, disse (Bums ead, apud E edgui 2001: 16) –, assim como as o og a ias
da época de Walke E ans, de o ma a man e a coe ência es é ica do ilme; pa a isso, abalhou di ec a-
men e com o di ec o de o og a ia, o cenóg a o e o designe do gua da- oupa.
No inal da ca ei a, ou a pa ce ia de g ande sucesso oi a que e e com Clin Eas wood, com quem cola-
bo ou nos ilmes Un o gi en (Impe doá el, 1991), Mys ic Ri e (2003), Million Dolla Baby (2004), Flags o Ou
Fa he s (2006) e Ca as de Iwo Jima (2007), en e ou os. Já não assis iu à es eia dos dois úl imos, e o p imei-
o deles con ém uma dedica ó ia à sua memó ia nos c édi os, onde apa ece nomeado com o diminu i o
“Bummy”, como e a conhecido no meio cinema og á ico.
o b i ânico de o igem alemã Ken Adam (1921, Be lim – Lond es, 2016) oi um dos mais concei uados de-
senhado es de p odução da indús ia cinema og á ica, endo exe cido uma eno me in luência nos seus
colegas de p o issão. Decidiu abalha no cinema após conhece em Ingla e a, pa a onde a amília se
mudou em 1934, o di ec o a ís ico Vincen Ko da, inha en ão apenas quinze anos. Mas, como explicou
numa en e is a, chegou ao o ício de modo mui o na u al:
Lo cie o es que ya desde muy pequeño siemp e se me dio bas an e bien lo de dibuja . El hecho
es que me c ié en Be lín, en pleno auge del nazismo. En aquellos días, mi imaginación se alimen-
aba de películas del cine exp esionis a alemán como Das Kabine de D . Caliga i […] y de las
ideas y la es é ica del mo imien o de la Bauhaus. […] (Adam, apud E edgui 2001: 25)
Seguindo um conselho de Ko da es udou a qui e u a, e essa ap endizagem oi-lhe mui o ú il quando ini-
ciou a sua ac i idade p o issional após o im da II Gue a Mundial, p imei o como desenhado écnico (1947)
e depois como assis en e de di ec o a ís ico (1948-53), po que anspo ou pa a o cinema o seu conhe-
cimen o dos á ios es ilos a qui e ónicos de di e en es pe íodos his ó icos, quando necessi ou cons ui
cená ios que ossem ao mesmo empo idedignos e uncionais. Igualmen e decisi a oi a ap endizagem
jun o do usso Geo ges Wakhé i ch, de quem oi colabo ado nas décadas de 1940 e 1950, conhecido pelo
seu abalho em p oduções ea ais e ópe as, que ambém abalhou como di ec o a ís ico em A G ande
Ilusão (1937) de Jean Renoi .
Con él ap endí algo que ma ca ia oda mi ca e a y que esul ó emendamen e ilus a i o en
mis inicios: que un escenóg a o debe c ea un uni e so independien e ciñéndose a los lími es
del escena io, que esos lími es hacen imposible dedica se a la me a ep oducción de la ealidad y
que, p ecisamen e po eso, el diseñado es á obligado a hace uso pe manen e de su imaginaci-
ón. Es deci , me ensenó a ans o ma los lími es (espaciales, p esupues a ios, de qualquie ipo)
en gene ado es de nue as ideas, en mo o es de mi p opia imaginación. (Adam, apud E edgui,
2001: 26)
Adam icou mui o associado, como desenhado de p odução (a pa i de 1959), à saga 007 James Bond,
pa a a qual concebeu e desenhou nos anos 60 e 70 – desde o p imei o D . No (1962) – os espaços cénicos,
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6ª CoNFERêNCIA IN ERNACIoNAL DE CINEMA DE VIANA Do CAS ELo
na es e es ações espaciais, os ca os do p o agonis a, de se e ilmes nos quais e e g ande libe dade de
decisão, o que lhe pe mi iu desen ol e a imaginação.
Figs. 4 e 5. Desenhos de Ken Adam pa a 007, Gold inge (1964)
Mas, o seu nome ica á ainda semp e assocido ao ex ao diná io abalho que desen ol eu pa a S anley
Kub ick, nos ilmes D . Es anho Amo (1963) e Ba y Lyndon (1974). Foi com es e úl imo que ganhou o seu
p imei o ósca ; o segundo alcançou-o com The Madness O King Geo ge (1994), de Nicholas Hy ne . Salien-
e-se que apesa do seu eno me alen o como c iado de cená ios, que a aiu a a enção de Kub ick, Adam
pe ence ao g upo de desenhado es de p odução que semp e p e e i iu abalha em localizações ao a
li e, em ez de es údios, apesa de se adap a acilmen e (como é isí el no seu pe cu so) às exigências
dos ealizado es com quem abalhou:
As a ule I ind loca ion shoo ing o be much simple om a designe ’s poin o iew han s u-
dio shoo ing whe e one has o c ea e one’s se . In e ms o loca ion design one has o ha e a
designe ’s eye; one has o ha e as e; and one has o be able o imp o ise and adap he loca ions
o he subjec ma e . In s udio ilms one has o in en e e y hing and make use, pa icula ly in
Bond ilms, o he ilm c a one has lea ned - ma e sho s, models, ea o on p ojec ion. his
hen becomes he es o you know-how in e ms o ilm design as i was o iginally concei ed.
(Adam, apud Ma ne 1974: 50)
Richa d Sylbe (No a Io que, 1928 – 2002, Cali ó nia) es udou Belas-A es em No a Io que (em 1992 oi
hon ado com a a ibuição do í ulo Dou o hono is causa em Belas-A es, pelo Ame ican Film Ins i u e) e
começou a sua ca ei a como colabo ado de alguns dos mais impo an es ealizado es no e-ame icanos
do pós-Gue a. Foi o di ec o a ís ico de ilmes como Baby Doll (1956) e Esplendo na Rel a (1961) de Elia
Kazan, ou Quem em medo de Vi ginia Wool (1966) de Mike Nichols. En e 1975 e 1978, ocupou o ca go de
ice-p esiden e do depa amen o de p odução dos es údios Pa amoun . Numa en e is a publicada, Syl-
be e idencia um juízo bas an e c í ico em elação a mui os dos seus colegas de p o issão, que ao mesmo
empo e lec e bem, no nosso en ende , as mudanças p o undas oco idas nos modos de p odução com o
p og essi o declínio do abalho em es údio.
Conozco a gen e sin ningún ipo de habilidad écnica que ha conseguido el osca a la mejo
di ección a ís ica sólo po habe alquilado cas illos en F ancia o mansiones en Ingla e a. En jus-
icia, el Na ional us debe ía posee más osca s que la mayo ía de diseñado es de p oducción
en ac i o. Concede un osca a la mejo di ección a ís ica a alguien que se dedica a alquila incas
esul a an descabellado como nomina a un di ec o de o og a ía po oda u ilizando única-
men e luz na u al (aunque es o úl imo ambién haya sucedido en más de una ocasión). Pa a mí,
algo así no iene nada que e con el diseño de p oducción. (Sylbe , apud E edgui 2001: 39)
No seu p ocesso de abalho Sylbe começa a habi ualmen e po aze plan as e alçados à escala, a pa i
dos quais elabo a a esboços em pe spe i a dos cená ios. Esses esboços e am en egues a ilus ado es, jun-
amen e com ins uções da co , que eles inham de segui . Cu iosamen e, ao con á io de mui os colegas
seus, e do que acon ece hoje em dia em qualque g ande p odução (onde os depa amen os a ís icos con-
am semp e com dezenas de pessoas), Sylbe p e e iu semp e abalha com equipas écnicas pequenas.
Assim, segundo ele, o ilme em que con ou com mais colabo ado es oi Dick T acy (1990) e, ainda assim,
apenas seis (!).
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REFERêNCIAS AR íS ICAS No CINEMA: CoN RIBUIção DoS DEPAR AMEN oS AR íS ICoS E DoS DIREC oRES DE Fo o
Figs. 6, 7, 8, 9. Richa d Sylbe , desenhos écnicos e concep uais pa a Dick acy (1990), de Wa en Bea y
Um dos mais consag ados desenhado es de p odução ainda em ac i idade, o i aliano dan e e e i (Ma-
ce a a, 1943) começou po abalha como ajudan e de di ec o a ís ico na década de 1960. A sua colabo-
ação em ilmes dos cineas as i alianos Pie o Paolo Pasolini e Fede ico Fellini e e uma in luência decisi a
na sua o mação como desenhado de p odução. Du an e as décadas de 70 e 80 abalhou em simul âneo
que pa a os es údios da Cineci à que pa a g andes p oduções ame icanas, em ilmes como O nome da
osa (1986) e As a en u as do ba ão Munchausen (1988), mas a sua consag ação in e nacional de ini i a
deu-se no início da década de 90, com Hamle (1990) de F anco Ze i elli. E oi nessa mesma década que
es abeleceu com Ma in Sco sese uma es ei a e u uosa elação p o issional, que se em man ido a é aos
dias de hoje, endo pa icipado em no e dos úl imos onze p ojec os daquele, incluindo o ecen e Silêncio
(2016).
Fe e i oi o esponsá el pela di ecção a ís ica de A Idade da Inocência (1993) de Sco sese, que é um ilme
“cheio de pin u as”, e segundo Ch is ian Vi iani (2007: 204) de e mui o do seu sucesso o mal a uma es-
colha bas an e segu a dos modelos pic u ais: o que e i a a dispe são é, ace à abundância de e e ências,
a eco ência à pin o a no eame icana Ma y Cassa (1844, Pi sbu gh – Pa is, 1926), desde a sequência
inícial no ea o. No decu so do ilme, emos pin u as no salão de baile de Julius Beau o – na pa ede do
undo, uma eno me de James isso (Hush! The Conce , 1875) –, ao qual se chega a a essando ou as salas
com pin u as, como a ‘sala ca mesim’ na qual se encon a o p o ocan e nu O eg esso da P ima e a (1886)
de Bougue eau; pin u as imp essionis as ame icanas e uma simbolis a – Des ca esses (1896) de Fe nand
Khnop ) – numa das casas da Condessa olenska (Michelle P ei e ); A che (Daniel Day-Lewis), sen ado
em casa a olhea es ampas japonesas; uma acumulação, deso denada, de paisagens e ‘ e a os’ de ani-
mais – de Geo ge S ubbs, en e ou os –, na casa da ma ia ca Miss Mingo ; um u ne na casa dos pais de
May (Winona Ryde ); pin u as de Rubens no Lou e (como Apo heosis o Hen y IV and he P oclama ion he
Regency o Ma ie de Medici), e c.
Mas, além de quad os eais, iden i icá eis, é ainda possí el epa a na alusão cons an e a Ma y Cassa ,
como já dissemos – a iações em o no de pin u as como Women in Black A The Ope a (1879) –, e a ou-
os pin o es imp essionis as e pós-imp essionis as como Mone , Caillebo e ou Seu a , p incipalmen e em
o no dum ema, como salien a F ançoise Zamou (2007: 100-102): o da mulhe com somb inha. Falamos
em quad os eais, mas como é ób io as pin u as que emos du an e o ilme são cópias (embo a não sejam
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ep oduções), is o que caso os museus ou coleccionado es as emp es assem cus a iam uma o una à
p odução.
As cópias não o am execu adas no depa amen o a ís ico. Como Fe e i e Sco sese necessi a am que
ossem boas, de ido aos close-ups, o am encomendadas 200 pin u as a uma i ma especializada: a ou-
be zkoy Pain ings L d, com esc i ó ios em No a Io que e Pa is, que ecebeu $200,000 pela sua ealização.
Figs. 10 e 11. Planos de A Idade da Inocência (1993) de Ma in Sco sese. A che e olenska jun o a Des ca esses (1896) de Fe nand
Khnop . A pin u a Hush! he Conce (1875) de James isso no salão de baile de Julius Beau o
Figs. 12, 13, 14. Pin u a Women in Black A he ope a (1879), de Ma y Cassa . Dois o og amas de A Idade da Inocência
os di ec o es de o og a ia
Como e e e Ca los Ebe (2003: 70), di ec o de o og a ia e ice-p esiden e da Associação B asilei a de
Cinema og a ia ABC, a p opósi o da pe inência de se discu i e e ências pic ó icas nas imagens cinema o-
g á icas, “…a his ó ia da ep esen ação g á ica e pic ó ica em milha es de anos e a não se que quei amos
ica ein en ando udo a odo o ins an e, é nosso de e es udá-la e ex ai dos seus nexos udo aquilo que
possa se pe inen e, escla ecedo e exp essi o pa a a cinema og a ia.”
Nos p imó dios do cinema só se ilma a à luz do dia, com as limi ações ine en es. Depois, com a e olução
écnica e com a u ilização da luz a i icial o am descobe os os ecu sos do cla o-escu o, que já inha uma
la ga adição na pin u a. o cinema alemão, em pa icula , soube i a pa ido dessa no a linguagem es é-
ica em ilmes como O gabine e do dou o Caliga i (1919), ou Nos e a u (1922) e O úl imo dos homens (1924),
ambos de F ied ich W. Mu nau, que anspuse am a in luência da pin u a exp essionis a pa a o cinema. A
impo ância da oposição en e luz e somb as ambém pode se ap eciada em oda a ob a de F i z Lang,
embo a es e nunca enha ade ido à de o mação do eal implíci a na es é ica exp essionis a.
Mas igualmen e o “ e ismo” da ep esen ação da luz di usa, al como a encon amos nos pin o es do No e
da Eu opa, cuja e e ência maio é Ve mee , in luenciou o emen e as imagens cinema og á icas, al como
é salien ado po mui os di ec o es de o og a ia.
o aus aliano John seale (1942, Wa wick, Queensland) iniciou a ca ei a como ope ado de câme a na
pequena indús ia cinema og á ica do seu país; oi nessa condição, quando abalhou no ilme Picnic em
Hanging Rock (1975), que conheceu o ealizado Pe e Wei , que o con a ou dez anos mais a de como di-
ec o de o og a ia pa a o ilme A Tes emunha (1985), com o qual ecebeu a sua p imei a nomeação pa a o
ósca da ca ego ia. Vol ou a abalha com ele, na mesma unção, em A Cos a do Mosqui o (1986) e O Clube
dos Poe as Mo os (1989), um ilme pa adigmá ico da década de 80. Des aquem-se ainda ilmes como Rain
Man (1988) de Ba y Le inson, que lhe aleu ou a nomeação pa a o ósca , O Pacien e Inglês (1997) de An-
hony Minghella, com o qual ganhou um ósca , e, mais ecen emen e, Mad Max, Fu y Road (2015), ealizado
po Geo ge Mille .