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Teófilo Rego e os arquitectos do Porto, uma relação profissional

Abstract

Teófilo Rego trabalhou nos anos 50 e 60 do século XX em estreita colaboração com os arquitectos formados na Escola de Belas Artes do Porto. Vários projectos e obras construídas por estes arquitectos foram fotografados por Teófilo Rego com um inegável profissionalismo. As imagens resultantes das fotografias de desenhos, maquetas e obras construídas foram usadas em publicações, exposições e concursos e, apesar de muitas vezes o fotógrafo permanecer anónimo, contribuíram para o reconhecimento profissional dos arquitectos e daquela que ficou conhecida como a “Escola do Porto”. Nesta comunicação pretendemos articular a fotografia de Teófilo Rego tanto com a encomenda dos arquitectos como com as suas obras, contribuindo deste modo para o alargamento do campo disciplinar da História da Fotografia na sua articulação com a História da Arquitectura Moderna, e ainda, identificar as potencialidades do registo fotográfico enquanto ferramenta para o desenvolvimento de novas interpretações da História da Arquitectura.

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Teófilo Rego e os arquitectos do Porto, uma relação profissional

Author: MAIA, Maria Helena; TREVISAN, Alexandra
Publisher: CEAA - CESAP/ESAP
Year: 2015
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/0b498dc7-4f2f-4605-b000-1d5334e84bc6/download
A elação en e os o óg a os e os a qui ec os é um campo de in es igação que
em indo a se explo ado numa linha que p e ende comp eende , po um
lado, a cumplicidade en e o o óg a o e o a qui ec o e, po ou o, a
con ibuição da o og a ia pa a a di ulgação da imagem da a qui ec u a num
de e minado pe íodo, de uma ob a ou conjun o de ob as, ou da p odução de
um de e minado a qui ec o.
Desde a in enção da o og a ia no século XIX que a a qui ec u a se o nou
p esen e nos egis os dos o óg a os, assumindo essencialmen e uma unção
documen al. Como e e e Simón Ma chán Fiz, “quase po acaso, uma das
p imei as unções da o og a ia de a qui ec u a oi a de o na isí el o
pa imónio in en a iado com is a ao seu egis o his ó ico ou a um es au o
possí el, a a és de mé odos usados pela c iminologia ou pela bo ânica, no
1
âmbi o de uma incipien e cul u a do a qui o.”
O a qui o e o documen o o og á ico man êm a sua alidade como on e pa a
o ala gamen o do campo de in es igação da a qui ec u a dos séculos XIX e
XX, pa icula men e quando as imagens p oduzidas o am o esul ado de
uma encomenda especí ica do a qui ec o, com o igem num obje i o
p o issional.
Ou os aspe os da elação en e o óg a os e a qui ec os o am abo dados
con empo aneamen e po eó icos e his o iado es da a qui ec u a, como é o
caso de Bea iz Colomina que eio demons a que, a o og a ia de
a qui ec u a em indo a se usada com inalidades que ul apassam uma
unção me amen e documen al. Is o já pode se de ec ado em alguns
a qui ec os mode nos como, Le Co busie ou Mies an de Rohe, sendo es e
úl imo uma boa ilus ação de como a A qui ec u a Mode na é uma o ma de
media. A A qui ec u a Mode na o nou-se 'mode na' não po que
simplesmen e usou o id o, e o, ou o be ão p é-es o çado, como em ge al se
pensa, mas pelo comp ome imen o com os media: com publicações,
2
concu sos, exposições.”
Foi p ecisamen e a pa icipação dos a qui ec os do Po o em publicações,
concu sos e exposições que le ou a que se es abelecesse uma elação de
3
colabo ação p o ícua com o o óg a o Teó ilo Rego.
No Po o, a di ulgação da a qui ec u a encon ou nas exposições uma o ma
de ap oximação às pessoas, das quais se espe a a a comp eensão e a
TEÓFILO REGO E OS ARQUITECTOS DO PORTO,
UMA RELAÇÃO PROFISSIONAL
Ma ia Helena Maia e Alexand a T e isan
17
1. “(...) almos acciden ally, one o he i s unc ions
o a chi ec u al pho og aphy was o isually
in en o y pa imony o i s his o ical eco d o
plausible es o a ion, h ough he me hods in
c iminology o bo any, in an incipien cul u e o he
a chi e” Fiz, Simón Ma chán - ”The Aes he ic
Pe cep ion o A chi ec u e Th ough Pho og aphy” in
Exi , A chi ec u e II. The A is 's View, Mad id,
2010, p.38.
2. “(...) a good illus a ion on he poin ha mode n
a chi ec u e is a o m o media. Mode n a chi ec u e
becomes 'mode n' no simply by using glass, s eel, o
ein o ced conc e e, as i is usually unde s ood, bu
by engaging wi h he media: wi h publica ions,
compe i ions, exhibi ions.” Colomina, B. “Media as
Mode n A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II. The
A is 's View, Mad id, 2010, p.134.
3. Teó ilo Rego (1913/1993) oi um o óg a o
po uguês, nascido no B asil, mas que eio com a sua
amília pa a Po ugal com apenas 11 anos. Vi eu e
mo eu na cidade do Po o, cidade em que ez a sua
o mação p o issional e onde c iou a seu es údio e
casa come cial dedicada à o og a ia. Com apenas 12
anos, depois de e icado ó ão, ing essou na O icina
de Ma ques de Ab eu (Tábua, 1879- Po o, 1958),
igu a impo an e no con ex o cul u al do Po o, que
desde do início da sua ac i idade se dedicou à
g a u a, sob e udo no campo da g a u a química,
endo-se especializado em zincog a u a. Em 1944,
aos 31anos, já como p o issional habili ado nas á eas
da g a u a, o og a u a e ipog a ia, Teó ilo Rego
deixou as O icinas de Ma ques de Ab eu e decidiu
abalha du an e dois anos nas o icinas da Li o
Maia, como o óg a o de o oli o. Após es e pe íodo,
undou o seu p imei o es údio o og á ico, na Rua da
Aleg ia e, em 1956, mudou as suas ins alações pa a a
Rua San a Ca a ina, a é ia na qual, desde os anos 30,
se inham es abelecido inúme as casas o og á icas.
acei ação das escolhas a qui ec ónicas que es a am a se ei as po uma no a
ge ação de a qui ec os que começa a e exp essão na década de 40.
4
Pa a isso oi undamen al a exposição ealizada pela ODAM (O ganização
dos A qui ec os Mode nos) em 1951, em de esa da A qui ec u a Mode na
que, de algum modo, c iou o modelo das exposições de a qui ec u a que se lhe
segui am. A exposição oi p oje ada cuidadosamen e, soco endo-se pa a
5
isso de uma adap ação da g elha CIAM mas ambém de placa ds com
o og a ias de ob as de idamen e iden i icadas e legendadas.
In luenciados pelo Mo imen o Mode no e pelos CIAM na sua on ade de
es abelece uma ligação com um público não especializado, os a qui ec os da
ODAM i am nes a exposição uma o ma de explica em as azões que os
le a am a de ende a A qui ec u a Mode na. O lema da exposição os nossos
edi ícios são di e en es dos do passado po que i emos num mundo
di e en e , oi e i ado de um ex o edi ado pelo Museum o Mode n A de
No a Yo k (Wha is Mode n A chi ec u e?).
A exposição da ODAM con ou com 32 abalhos de 22 a qui ec os, alguns já
“
”
18
4. A “O ganização dos A qui ec os Mode nos”
(ODAM) oi c iada no Po o em 1947 e nes a cidade
desen ol eu a sua acção a é 1953. O g upo de
a qui ec os que o mou a ODAM ez pa e de uma
segunda ge ação do Mo imen o Mode no ou, pelo
menos, de uma ge ação que desen ol eu a sua acção
no pós 2ª Gue a Mundial, abso endo algumas das
expe iências que i e am luga nos anos 20 e 30 em
Po ugal e que se ab iu às endências mais ma can es
do pano ama a qui ec ónico e u banís ico
in e nacional.
5. Vd. Ma ia Helena Maia; Alexand a Ca doso –
“Po ugueses in CIAM X” in 20 h Cen u y New
Towns. A che ypes and Unce ain ies. Con e ence
P oceedings. Po o: Depa amen o de A qui ec u a e
Cen o de Es udos A naldo A aújo da ESAP, 2014,
p.195-196.
Figu a 1. Exposição ODAM. A qui o Teó ilo Rego,
Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão.
6
execu ados ou em ase de execução e ou os que ainda es a am em p oje o.
En e os pa icipan es encon a am-se a qui ec os que, em di e en es
momen os da sua a i idade p o issional, encomenda am o og a ias dos seus
abalhos a Teó ilo Rego. Re e imo-nos a A ménio Losa, Cassiano Ba bosa,
Agos inho Ricca Gonçal es, José Ca los Lou ei o, Viana de Lima, João
And esen ou Fe nando Tá o a, en e ou os.
Os p oje os da exposição da ODAM cob i am um leque di e si icado de
p og amas que incluía pousadas, habi ações uni amilia es e blocos
habi acionais, áb icas, ho éis, piscinas e pa ilhões de exposição. Es es
p oje os localiza am-se ou e a p e is o i em a localiza -se não só no Po o e
a edo es mas ambém em Vila do Conde, Pó oa do Va zim, Guima ães e
Ge ês, cob indo uma á ea conside á el da egião No e do País. Es a
geog a ia e a bem conhecida de Teó ilo Rego que aí ealizou g ande pa e do
seu abalho p o issional, an o no que se e e e à o og a ia de a qui ec u a,
como ao egis o o og á ico do pa imónio a ís ico e dos cos umes e es as
egionais.
Dois anos mais a de, em 1953, ealizou-se no Po o uma exposição com um
obje i o di e en e, mas que oi undamen al pa a o es ei amen o da elação
p o issional de Teó ilo Rego com os a qui ec os da cidade. Re e imo-nos à
exposição de homenagem ao a qui ec o Ma ques da Sil a, na qual o am
expos as as suas ob as, mas ambém de mui os dos seus an igos alunos.
As o og a ias da ob a de Ma ques da Sil a, bem como as do espaço
exposi i o e espe i os placa ds, o am ealizadas po Teó ilo Rego.
19
6. Ba bosa, Cassiano – ODAM - O ganização dos
A qui ec os Mode nos - 1947-1952, Po o: Edições
Asa, 1972, s/p.
Figu a 2. Exposição Ma ques da Sil a. A qui o
Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação
Manuel Leão.
Ac edi amos que oi es a encomenda que lhe ab iu a possibilidade de
colabo ação com um g upo ala gado de jo ens p o issionais que ao longo de
ês décadas o escolhe am pa a o og a a an o os seus p oje os – desenhos e
maque as – como a sua ob a cons uída.
Ainda em 1953, po inicia i a de Ca los Ramos, enquan o di e o da Escola
Supe io de Belas A es do Po o (ESBAP), inicia am-se as Exposições
Magnas com o obje i o de mos a publicamen e os abalhos dos mes es e
dos alunos melho classi icados no ano le i o an e io , dos cu sos de
A qui ec u a, Escul u a e Pin u a.
Uma ez mais, Teó ilo Rego oi escolhido pa a ealiza o egis o da p imei a
Magna bem como das exposições que lhe segui am o ganizadas pela ESBAP.
Es a sequência de encomendas da eli e po uense de a is as e a qui ec os pa a
que Teó ilo Rego egis asse exposições que e am pa a eles mui o
impo an es, an o pa a a sua p ojecção ins i ucional como pa a a de esa de
no as pe spec i as p o issionais, le a-nos a conclui que a qualidade do seu
abalho e a já econhecida. O núme o c escen e de a qui ec os e a is as
plás icos que escolhem Teó ilo Rego pa a o og a a a sua ob a em ambém
e o ça es a nossa con icção.
Aliás, pa indo das o og a ias de a qui ec u a de Rego, podemos a i ma
com Bea iz Colomina que a A qui ec u a Mode na, nes e caso po uguesa,
ambém oi c iada den o do espaço das o og a ias e das publicações e que
“es e espaço é na sua maio ia bidimensional, e a ce a al u a a a qui ec u a de
algum modo in e io iza esse espaço, que o na plano. O mundo
7
idimensional o na-se numa supe ície o og á ica” .
No en an o, o uni e so da a qui ec u a é po de inição idimensional o que
20
7. “(...) his space is o he mos pa wo-
dimensional, and a ce ain poin a chi ec u e
somehow in e nalizes ha space, ha la ness. The
h ee-dimensional wo ld becomes a pho og aphic
su ace”. Colomina, B. - “Media as Mode n
A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II.The A is 's
View, Mad id, 2010, p.136.
Figu a 3. Fo og a ia da maque a de uma ig eja
p ojec ada po Luís Cunha. A qui o Teó ilo Rego,
Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão.
le an a alguns p oblemas ao ní el da passagem da in o mação e e en e aos
p ojec os. A di iculdade de passa ao clien e a imagem dessa
idimensionalidade a pa i de plan as, co es e alçados, pa ece e le ado ao
ecu so sis emá ico a maque as, que são eco en emen e o og a adas.
Com a maque a é possí el c ia uma maio ap oximação à ealidade, is o é, a
possibilidade de conc e ização da ob a o na-se mais eal, mais a a i a e
comp eensí el pa a o clien e. Todo o p ocesso de encenação que Teó ilo
Rego c ia a pa i da maque a, mui as ezes com a ajuda e a cumplicidade dos
seus clien es, o igina uma imagem que p e ende deslumb a o clien e-
espec ado .
A o og a ia de maque as p esen e na ob a de Rego co esponde à p á ica
iden i icada po Bea iz Colomina que chama a a enção pa a o ac o das
maque as cons uídas po Mies, Le Co busie e Cha les e Ray Eames e em
sido o og a adas a pa i de di e en es ângulos, de dia e de noi e, pa a de en e
elas elege am uma imagem pa a ap esen a a ob a. A au o a e e e ainda, que
“de ac o, os a qui ec os nunca se cansam de olha pa a as suas maque as. A é
8
se o og a am olhando pa a elas” . Como exemplo, ap esen a uma o og a ia
incluída na exposição que, em 1947 o MOMA dedicou à ob a de Mies an de
Rohe, e que mos a es e a qui ec o inclinado sob e a maque a da Casa
Fa nswo h, como se nunca a i esse is o, com a “sua g ande cabeça agindo
9
como uma câma a” .
A desc ição de Colomina pode ia e sido ei a a p opósi o de algumas das
21
8. “(...) in ac a chi ec s ne e seem o i e o
looking a hei models. They e en pho og aph
hemsel es doing so.” Colomina, B. - “Media as
Mode n A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II. The
A is 's View, Mad id, 2010, p.136.
9. “(...) his la ge head ac ing like a came a”.
Colomina, B. - “Media as Mode n A chi ec u e” in
Exi , A chi ec u e II. The A is 's View, Mad id,
2010, p.136.
Figu a 4. Pe ei a da Cos a o og a ado po Teó ilo
Rego olhando a maque a do seu p ojec o pa a o
bloco de habi ação da p aça A onso V (Po o). No e-
se a pose idên ica àquela com que, segundo B.
Colomina, Mies an de Rohe ambém se ez
o og a a . A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da
Imagem - Fundação Manuel Leão.

o og a ias de maque as exis en es no a qui o de Teó ilo Rego e da adas dos
anos 40-50, o que nos le a a pensa que, an o o o óg a o como os
a qui ec os, conheciam bem o pa alelo in e nacional. As maque as apa ecem
o og a adas de di e en es ângulos, com luz no es údio, no ex e io com luz
na u al, ou simulando uma iluminação no u na. Como já a ás e e imos, em
algumas das o og a ias êm-se os a qui ec os, po ezes em poses de
obse ação e enquad amen o mui o semelhan es às dos mes es do
Mo imen o Mode no.
As maque as o og a adas são maio i a iamen e de habi ações, an o
uni amilia es como blocos habi acionais, e conjun os u banos, p oje os que
e am mais eco en es en e os anos 50 e 70. São ainda o og a ados modelos
de algumas ig ejas e, com menos equência, as maque as pa a concu sos de
a qui ec u a.
Sabe-se que os a qui ec os que se o ma am na Escola do Po o conheciam
a a és das e is as in e nacionais, como a L'A chi ec u e d'Aujou d'hui, The
A chi ec u al Re iew, A chi ec u al Design, A chi ec u al Fo um, Domus,
10
Casabela (Ba bosa, 1977: s.p.) as o og a ias das ob as dos a qui ec os
mode nos. Ti e am acesso ambém às publicações da ob a de Le Co busie , o
a qui ec o mais ci ado e econhecido po es a ge ação e que é,
simul aneamen e, um caso pa adigmá ico da longa elação de cumplicidade
(de 1949 a 1965) en e um a qui ec o e um o óg a o, no caso Lucien He é.
Julgamos que não menos impo an e oi a pa icipação dos a qui ec os e
es udan es de a qui ec u a po ugueses nos concu sos p omo idos pela
União In e nacional de A qui ec os (UIA), cujos esul ados o am publicados
22
10. Ba bosa, Cassiano – ODAM - O ganização dos
A qui ec os Mode nos - 1947-1952, Po o: Edições
Asa, 1972, s/p.
Figu a 5. Nega i o com indicação de co e pa a a
o og a ia inal. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa
da Imagem - Fundação Manuel Leão.
em á ias e is as, nomeadamen e a edi ada po es a o ganização, mas
ambém na A chi ec u e d'Aujou d'hui, Baumeis e , A chi ec u al Re iew e
A chi ec u a Ch onaca. Aymone Nicolas e e e que os p oje os pa a os
concu sos dos anos 50 e 60 são ela i amen e pouco es é icos, pe du ando o
gos o pelos pon os de is a axonomé icos de aço neg o que inha dos anos
30, mas que oi sendo dado cada ez mais espaço à o og a ia a p e o e b anco
11
e às maque as dos concu sos.
Ha ia assim, oda uma in o mação eiculada pelas publicações
12
in e nacionais que ce amen e in luenciou o abalho de Teó ilo Rego, se
não de manei a conscien e, ce amen e a pa i da o ma como os seus
clien es que iam que as suas ob as ossem o og a adas. A é po que, como já
de endemos, odo o p ocesso de o og a a as maque as eside em g ande
pa e numa colabo ação p o issional de cumplicidade en e o o óg a o e os
a qui ec os.
A p esença dos a qui ec os na p epa ação da p odução o og á ica das
maque as das suas ob as, no es údio ou no a elie , pe mi e-nos a ança com a
in e p e ação de que a escolha dos planos e dos enquad amen os se de em
ambém ao olha do a qui ec o, ac escendo ainda o ac o de que os esul ados
não são uni o mes, des acando-se abalhos com maio qualidade
(enquad amen o, iluminação, de alhe) do que ou os.
Po sua ez, as eliminações e manipulações que Teó ilo Rego ealiza em
inúme os nega i os de peças desenhadas e ob as ealizadas, embo a podendo
ainda esul a de um diálogo com o clien e, pa ecem-nos um abalho de
maio in e enção do o óg a o.
Seja como o , o in e esse do esul ado des a p odução é duplo: po um lado
cons i ui um documen o impo an e pa a a his ó ia da A qui ec u a Mode na
e, po ou o, a qualidade das o og a ias ga an e-lhe um luga na his ó ia da
o og a ia como objec os a ís icos au ónomos.
Rela i amen e a es a úl ima asse ção de emos, no en an o, sal agua da que
a alo ização da plas icidade in ulga de algumas imagens, após a
in e enção écnica – po exemplo, másca a e co es – pa a consegui um
de e minado esul ado, p o a elmen e solici ado pelo clien e, esul a de uma
a aliação con empo ânea, ealizada a pa i de p emissas que não exis iam na
época.
P esen emen e não sabemos a é que pon o nas décadas de 50 e 60, os
a qui ec os po ugueses, pa a além do ecu so a p o issionais, o og a a am
eles p óp ios a sua ob a.
Sabemos, no en an o, que alguns deles ganha am luga na his ó ia da
o og a ia, como é o caso de An ónio Sena da Sil a ou da dupla Vic o
Palla/Cos a Ma ins.
Sabemos ambém que no Inqué i o à A qui ec u a Regional p omo ido pelo
11. Nicolas, Aymone – L'Apogée des Concou s
d'A chi ec u e. L'Ac ion de L'UIA 1948-1975, Pa is:
Pica d, 2007, p.154-55.
12. “Também no âmbi o in e nacional, a composição
das o og a ias nas publicações, com os ex os cada
ez menos equen es e ex ensos, acabou po
con igu a um discu so g á ico e uma na a i a
isual cuja impo ância ob igou às publicações –
A chi ec u al Re iew e a sua e são ame icana,
A chi ec u al Reco d, são casos pa adigmá icos – a
e di ec o es a ís icos pa a a alia da qualidade e
e icácia da mensagem.” Be ge a, Iñaki - “Fo os de
casas, cosas de o os” in Fo og a ía y a qui ec u a
mode na en España - 1925-1965, Iñaki Be ga a (ed),
Museo ICO, 2014, p.23.
23
Sindica o dos A qui ec os com apoio o icial, em meados dos anos 50, a
o og a ia cons i uiu uma e amen a p i ilegiada de egis o desse
le an amen o monumen al da a qui ec u a e nacula po uguesa, e que
o am as equipas de a qui ec os quem as ez, alguns desses a qui ec os
usa am pela p imei a ez uma câma a o og á ica. A o og a ia se á
dominan e na A qui ec u a Popula em Po ugal (1961), ob a que esul a
13
des e abalho.
Não emos dú idas que nos anos 50, a o og a ia e a já um ins umen o
imp escindí el pa a os a qui ec os e que alguns deles a p a ica am. Pa a isso
e á con ibuído a p og essi a acilidade de aquisição das máquinas
o og á icas. No en an o, ambém ac edi amos que o p eço da e elação e
imp essão, pa a além da qualidade da imagem que p e endiam ob e , ez
pe du a a elação com os o óg a os, en e os quais se encon a Teó ilo Rego.
A abo dagem que nos p opusemos aze , a icula a elação de um o óg a o
com á ios a qui ec os a a és das o og a ias que ealizou das suas ob as.
No en an o, não es á ainda sis ema izado em cada caso qual oi o des ino dado
às imagens. Conhecemos casos conc e os, que não deixam dú idas –
And esen e o Concu so de Sag es; José Ca los Lou ei o e o Palácio de C is al,
encomendado pela Câma a Municipal do Po o; He mínio Bea o de Oli ei a
e Magalhães Ca nei o, com o concu so “um ea o ambulan e” pa a a UIA –
mas es á po es uda o impac o das o og a ias nas e is as po uguesas
dedicadas à A qui ec u a, não sendo possí el medi a impo ância que Teó ilo
Rego possa e ido na cons ução da imagem da a qui ec u a mode na.
Uma ce eza emos, o o óg a o na g ande maio ia das publicações
pe maneceu anónimo, daí a impo ância do es udo do seu espólio, a ualmen e
em cu so, única ia que pode á possibili a a iden i icação do seu abalho
inédi o e publicado, assim con ibuindo pa a a his ó ia da o og a ia de
a qui ec u a em Po ugal.
24
13. Alexand a Ca doso; Ma ia Helena Maia –
“Pho og aphy and e nacula a chi ec u e: he
Po uguese app oach” in Pho og aphy & Mode n
A chi ec u e. Con e ence P oceedings. Po o: ESAP,
Ab il 2015, p.122.