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"Os Limites? Que Limites?"

Abstract

From the illusion of the similitude of reality to the illusion of the representation of identity. The unsolvable tension between reference and representation. Self-portrait, identity and machine of capitalist de-territorialisation. Technically speaking, what is left of the subject? Limits? What limits?

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"Os Limites? Que Limites?"

Author: Neves, Eduarda
Publisher: CEAA/ESAP-CESAP
Year: 2013
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/8d5162fe-2643-4c48-93ac-31db8bad8d58/download
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O Au o- e a o e a máquina da des e i o ialização capi alis a.
Limi es? Que limi es?
“As pessoas admi á eis nas quais o sis ema se pe soni ica são bem conhecidas
po não se em aquilo que são; o na am-se g andes homens ao desce abaixo da
ealidade da mais pequena ida indi idual, e cada qual o sabe.” (Guy Debo d)1
“A ques ão do u u o da e olução é uma má ques ão, pois enquan o cada um
a ai colocando, há mui as pessoas que não se o nam e olucioná ias. Es á ei-
a p ecisamen e pa a isso, pa a impedi a ques ão do de i - e olucioná io das
pessoas, a odos os ní eis, em qualque luga .” (Gilles Deleuze e Clai e Pa ne )2
1 Guy Debo d – A sociedade do Espec áculo. Lisboa: Mobilis in Mobile, 1991, p. 45.
2 Gilles Deleuze e Clai e Pa ne – Diálogos. Valencia: P e-Tex os, 2004, p. 166.
OS LIMITES?
QUE LIMITES?*
EDUARDA NEVES
*Es e a igo enquad a-se no p ocesso de in es igação da nossa ese de dou o amen o concluída em 2012.
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O ema da iden idade, alimen ado pelos media, oi-se p og essi amen e impon-
do sob e udo na segunda me ade do século XX. A sua explíci a mani es ação na
p á ica a ís ica do au o- e a o objec i a-se em ca og a ias e e i ó ios despe -
cebidos3, em indícios e e enciais ou pu as ausências. Já não se a a da in ocação
da p esença, da iden i icação do modelo ou de um ealismo ecnicamen e idea-
lizado, nem ão pouco da p ocu a de uma imu á el essência.
O au o- e a o con empo âneo, ap oximando-se do homo pshycologicus, exp essa
a capacidade humana pa a ep esen a icções, con a uma supos a anspa ência
do pensamen o. Nes e âmbi o, a imagem o og á ica dissemina-se como e a-
men a que p oblema iza a pe cepção do a is a em elação a si mesmo: “se bem
que os a anços das ecnologias baseadas nas len es pe mi i am a a is as como
Acconci ou Nauman explo a a ep odução ins an ânea (…) do ídeo, como
e amen a pa a a análise de ques ões de also econhecimen o e de alienação do
eu; essa alienação oi semp e uma pa e ine en e à p óp ia imagem o og á ica.
Es a a já lá em 1924, nas jus aposições de mon agem da p óp ia imagem do
diag ama de O Cons u o , de El Lissi sky. Es a a lá em 1928, no au o- e a o
sem í ulo que Renge -Pa zch ez a a és do seu e lexo dis o cido num a ol de
au omó el e no uso que And é B e on ez de umas o og a ias que inha usado
pa a segui a sua p óp ia pis a mais do que pa a se ep esen a no au o- e a o
au obiog á ico Nadja, no qual en ou esponde à ques ão “quem sou eu?” colo-
cando es a ou a: quem pe sigo?“4
En e exe cícios que aduzem a manipulação da imagem ou o hipe - ealismo
des ealizan e que desa ia o espec ado , o au o- e a o ope a nes e luxo de códi-
gos isuais que con on a disciplinas e géne os, se ap op ia de acções e objec os
do quo idiano. Con on ações con empo âneas que man êm uma elação p i i-
legiada com a memó ia, seja ela indi idual, social ou colec i a. Num a igo pu-
3 No sen ido em que escapam à pe cepção ou são impe cep í eis.
4 Ha ie Riches – “Esa soy yo? Ras eando el yo en el a e con empo áneo”, Exi Exp ess –
Au o ep esen ación. Ras os del yo en el a e con empo áneo. Mad id: Oli a es & Associados, S.L., nº 43,
Ab il, 2009, p.26-27.
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blicado na e is a EXIT, diz José Luis B ea que “a p óp ia biog a ia, é o e ei o e
o alo em al a no mundo con empo âneo, o p odu o mais endido - e po ce o
o que mais al a – nos empos do capi alismo globalizado. Como dizia Ul ich
Beck, nada há que se deseje an o nas sociedades ac uais como – de ac o, o que
mais al a – e “uma ida p óp ia”.5 E mais à en e, equacionando o luga da
iden idade na economia capi alis a, eco da o que designou nou o luga como
“p incípio a quimédico” do no o “capi alismo das iden idades”, uma equação
eó ica que de ini ia a sua linha de lu uação no con as e en e o que a “no a
ase” desaloja – odo o po encial das elhas máquinas gené icas de p odução de
iden idade, os elhos e an iquados p og amas essencialis as/ undacionalis as – e
o olume de (e ei o de) iden idade que no seu deslocamen o o No o capi alismo
en a induzi .“6
A iden idade como me cado ia polí ica na época da globalização, con igu a as
con ingências e os declínios do sujei o. A a és da imagem o og á ica somos
con idados a ede ini singula idades de apa en e inacessibilidade e a, in e mi-
na elmen e, p ocede à a e a da desocul ação. Enquan o e i ó io de expe i-
men ação, o au o- e a o expõe-se como mecanismo que e lec e a necessidade
pe manen e que o pode mani es a de p oduzi e ep oduzi o apa en emen e
di e en e no campo da economia das iden idades. A alquimia da iden idade é a
da me cado ia, mas não só; o a is a o na-se um ope á io p odu i o pois é as-
sala iado de um capi alis a, de um agen e do espec áculo, como di ia Debo d e
não, como Ma x ad e iu, po que p oduz ideias. En iquece aquele pa a quem
abalha, dando a es e mais em abalho do que o que em oca ecebe como sa-
lá io. To na-se c iado de mais- alia. De aco do com Ma x e Engels “o p ocesso
de p odução capi alis a não é só uma p odução de me cado ias. É um p ocesso
que abso e abalho não pago e ans o ma os meios de p odução em meios de
5 José Luis B ea - “Fáb icas de Iden idad ( e ó icas del au o e a o)”, EXIT- Au o e a os, nº 10, Mad id,
2003, p. 84.
6 José Luis B ea - “ Fáb icas de Iden idad ( e ó icas del au o e a o)”, EXIT- Au o e a os, nº 10, Mad id,
2003, p. 9.
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abso ção do abalho não pago. Daí esul a que o ca ác e especí ico do abalho
p odu i o não em qualque ligação com o con eúdo de e minado do abalho,
com a sua u ilidade pa icula ou com o alo de uso especial com que se ap e-
sen a. O mesmo géne o de abalho pode se p odu i o ou imp odu i o.”7
Tudo se ans o ma em moeda, em objec o de comp a e enda, o nando-se a
ci culação nessa g ande co nucópia social.8 As me cado ias equi alem-se na o-
ca: um objec o a ís ico pode e o mesmo alo de oca de uma la a de ce eja,
apesa da objec i a di e ença en e os espec i os alo es de uso. A ap op iação
da mais- alia po ou o, que não o p odu o , ca ac e iza o capi alismo. A is o
Ma x chamou explo ação. É semp e do pode que se a a e não apenas da so-
ciedade capi alis a, pois no sis ema socialis a so ié ico assis imos ao mesmo ipo
de acumulação de capi al.9
O au o- e a o, ocupando um posicionamen o no domínio da economia polí i-
ca, ei indica o que o sis ema capi alis a espe a e necessi a que seja ei indicado.
Alain Badiou des aca o que Deleuze já disse a cla amen e: “(…) a des e i o-
ialização capi alis a necessi a de uma pe manen e e e i o ialização. O capi al
exige, pa a que o seu p incípio de mo imen o o ne homogéneo o seu espaço
de exe cício, um su gimen o pe manen e de iden idades subjec i as e e i o-
ializadas, que, no undo, nada eclamam pa a além de um di ei o de exposição
idên ico aos ou os, segundo uni o mes p e oga i as de me cado. É a lógica ca-
pi alis a do equi alen e ge al e a lógica cul u al e iden i á ia de comunidades e
mino ias10. Ou, na e são de Pe e Slo e dijk, “quem que o pode , em de se i
os pode osos a é se o na indispensá el.”11
7 Ma x-Engels -”Teo ias sob e a Mais- alia”, omo I, in - Sob e Li e a u a e A e. Lisboa: Edi o ial
Es ampa, 1974, p. 75.
8 Ma x – “O Capi al, li o I”, in - Sob e Li e a u a e A e. Lisboa: Edi o ial Es ampa, 1974, p. 58.
9 “Sociedade indus ial ou sociedade capi alis a? Não sabe ia esponde senão dizendo que es as o mas de
pode se encon am ambém nas sociedades socialis as: a ans e ência oi imedia a.” (“El ojo del pode ”,
En e is a con Michel Foucaul in Ma ia Jesus Mi anda – Ben ham en España. Mad id: Las ediciones de
La Pique a, 1989, p. 22).
10 Alain Badiou – Sain Paul: La Fonda ion de L’Úni e si ali é. Pa is: PUF, p. 11.
11 Pe e Slo e dijk – Palácio de C is al. Pa a uma Teo ia Filosó ica da Globalização. Lisboa: Relógio d’Água
Edi o es, 2008, p. 68.
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Es e “conhece- e a i mesmo”, a es ido de c í ica imanen e e e o no soc á i-
co, cons i ui mo i ação su icien e pa a o desen ol imen o da indús ia da sub-
jec i idade. Ao au o- e a o subjaz as ma cas da mode nidade: o in e esse pela
subjec i idade (o humanismo), o p essupos o de que o Homem se in en a a si
mesmo (o idealismo), o sujei o de ine-se pelas suas ep esen ações, ao que hoje
adicionamos a ma ca da desinibição pois, no espaço discu si o da a e (apenas
apa en emen e des asado do espaço económico, social ou poli ico), a pala a
Ino ação soa a algo já usado e menos endá el.
Tal como a No idade - mas não o Homem No o - cons i ui uma exigência pa a
o a is a mode no, a Desinibição é ac ualmen e um equisi o especí ico do au-
o- e a o e do a is a que, “sem culpa”, já não p e ende mode namen e ino a
mas sim, con empo aneamen e, desinibi sem limi es. A i ma Slo e dijk que o
“único slogan o e de desinibição que, após o empalidece das ideologias, ab e
em odo o mundo a passagem pa a a p á ica, le a, em esumo, o nome de ino a-
ção. Ra os são os que êm consciência do ac o de aquilo que assim se ap esen a
cons i ui um es ígio das an igas “leis da his ó ia”. Desde que o Homem No o
oi e i ado do Me cado numa ope ação de ecolha de p odu os de ei uosos,
as no idades écnicas, as no idades de p ocedimen o e as no idades de design
cons i uem as mais pode osas a acções pa a odos os que es ão condenados a
pe gun a : que aze pa a chega ao cume? Aquele que ino a pode es a ce o: a
qualque momen o, o lema da sua acção pode á o na -se o p incípio de uma
legislação uni e sal”12.
A a és da imagem se exp ime a ob igação de ex e io iza uma qualque in e io-
idade, de exibi um qualque sec e ismo que inquie a. A câma a, domes icada
pela dualidade in e io -ex e io , emon a à p á ica ana ómica, aqui como que
ein en ada ecnologicamen e.
T a a-se do excesso de con issão pública, do pa ilha seg edos sem que nada haja
em comum, a es a égia de um aco do sob e coisa nenhuma: “En e esse seg edo
12 Pe e Slo e dijk – Palácio de C is al…, p. 74.
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e aquilo a que habi ualmen e se chama “seg edo”, embo a sejam he e ogéneos,
há uma analogia que me az p e e i o seg edo, à pala a pública, à exibição, à
enomenicidade. Tenho o gos o do seg edo, o que em dece o a e com a não-
pe ença; enho um mo imen o de emo ou e o dian e de um espaço público
que não dê espaço ao seg edo. Pa a mim, exigi que se aça sai udo à p aça e
não haja o o ín imo, é já o aze -se o ali á ia da democ acia. Posso ans o ma
o que disse em é ica polí ica: se não se man i e o di ei o ao seg edo, en a -se-á
num espaço o ali á io.”13
A câma a, ao se iço da máquina capi alis a, en a no domínio do seg edo. Sa-
bemos que, desde o século XIX, a o og a ia se a i mou como ins umen o ao
se iço da economia capi alis a e do con ole da in o mação, al como a ádio, o
cinema ou a imp ensa. Ren abilidade, compe i i idade, especulação ou expan-
são domina am desde cedo a indús ia e o me cado da o og a ia. Desde os anos
cinquen a do século XIX (quando Talbo c ia a p imei a áb ica de e elação o-
og á ica do mundo, es abelecendo dessa o ma uma elação económica com os
p odu o es de ma e iais de o og a ia, al como película, câma as, en e ou os),
a é à dependência de mul inacionais como a Kodak ou a Fuji, o me cado das
ins i uições económicas da o og a ia alia-se aos sis emas cul u ais e ideológicos
dominan es.
A hipe - isibilidade que enclausu a a imagem o og á ica e o au o- e a o à dico-
omia in e io -ex e io , enquad a-se nes e egime de e dade e na lógica do ca-
pi alismo: “Es e é o sonho mais p o undo da a qui ec u a do capi alismo, como
se pode e nos cen os come ciais. No Japão, in eg a am-se mesmo pis as de
ski em salas eno mes e cons uí am-se p aias a lân icas sob uma g ande cúpu-
la. A lógica da abolição do ex e io é ine en e ao capi alismo, na medida em
que o capi alismo comp eendeu que não busca a a en u a mas a segu ança. O
ex e io não lhe in e essa e deixa-o àqueles que são su icien emen e pob es e
13 Jacques De ida, Mau izio Fe a is – O Gos o do Seg edo. Lisboa: Fim de Século-Edições, 2006, p. 78-
79.
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mise á eis.”14
Hoje, como on em, luxo de dinhei o e me cado ias, objec os a ís icos que ci -
culam nos sis emas de con olo. O capi alismo p ojec a a ida no pode de com-
p a. O comunismo su ge como e apa a se supe ada pelo capi alismo, po um
qualque e o de dialéc ica15. Como mos ou Slo e dijk, o comunismo e o seu
essen imen o con a a p op iedade p i ada dos meios de p odução, não in iabi-
lizou o ac o de a economia mode na se , sob e udo, uma economia da p op ie-
dade. Os p óp ios mo imen os que se eclama am de Ma x en a am dis ibui
mais jus amen e a iqueza, mas essa ba alha mo al não aboliu o luxo do capi-
al: ”De ac o, o comunismo não p oduziu uma sociedade pós-capi alis a, mas
uma sociedade pós-mone á ia que, de aco do com Bo is G oys, abandonou esse
meio ca dinal que e a o dinhei o pa a o subs i ui pela língua pu a do comando,
assemelhando-se nisso a um despo ismo o ien al (e a um einado es opiado dos
ilóso os)”. Consequen emen e, “os mo imen os de ex ema-esque da de i ados
de Ma x ( al como alguns dos seus i ais ascis as de di ei a) nunca em momen-
o algum consegui am des aze -se da sua descon iança ela i amen e à iqueza
enquan o al (…). As suas al as económicas o am semp e ambém con issões
psicopolí icas.”16 Con a o au o que F ied ich Engels u ilizou du an e mais de
ês décadas os acos luc os da sua áb ica de Manches e pa a a sob e i ência
14 Pe e Slo e dijk – Se a Eu opa Aco da . Re lexões sob e o P og ama duma Po ência Mundial no Te mo da
sua Ausência Polí ica. Lisboa: Relógio D’Água Edi o es, 2008, p. 74.
15 “Uma ez acei e a me á o a do “palácio de c is al” como emblema pa a as ambições inais da
mode nidade, podemos e unda a sime ia mui as ezes assinalada e mui as ezes negada en e o p og ama
capi alis a e o p og ama socialis a: o socialismo/comunismo e a mui o simplesmen e o Segundo es alei o
do p ojec o de palácio. Ence ado o seu ciclo, o na-se e iden e que o comunismo e a uma e apa na ia
do consumismo. (…) Do capi alismo, po ém, só ago a se pode dize que ep esen ou semp e mais do
que uma “ elação de p odução”; desde semp e, a sua p egnância ul apassou amplamen e o que a igu a
in elec ual do “me cado mundial” podia designa . Ele implica o p ojec o que consis e em anspo a
o alidade da ida do abalho, dos desejos e da exp essão a ís ica dos se es pa a a imanência do pode de
comp a.” (Pe e Slo e dijk – Palácio de C is al… p. 191).
16 Pe e Slo e dijk - Cóle a e Tempo. Lisboa: Relógio d’ Água, 2010, p. 46-47. “(…) a alma dos abas ados
se e ol a a jus o í ulo con a si p óp ia quando não encon a meio de sai do cí culo da insaciabilidade.
Mesmo os ademanes cul u ais que ca ac e izam esse meio em nada al e am a si uação: eg a ge al, o
in e esse pela a e mais não é do que o ac o dominguei o da cupidez. A alma dos possiden es só se cu a ia
do desp ezo de si nos belos ac os que econquis am o assen imen o in e no da pa e nob e da alma.“
(Idem, p. 47-48).
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em Lond es da amília Ma x, enquan o es e os u iliza a pa a ecusa o que o -
na a Engels necessá io e possí el. Sem p e ende e esses ges os como pa e na-
lis as ou ípicos das p opos as bu guesas da e o ma, Slo e dijk neles an e ê “o
ho izon e me acapi alis a que se pe ila semp e que o capi al se ol a con a si
p óp io.”17
En e a sociedade disciplina es udada po Michel Foucaul e a sociedade de
con olo18, es udada po Deleuze19, a dis inção ope a-se a a és do dinhei o. Pa a
es e au o passamos da moeda cunhada a pa i do molde do ou o como núme-
o-pad ão pa a o con olo ondula ó io, pa a as ocas lu uan es. A se pen e, diz
Deleuze, subs i ui a oupei a.
Nes e âmbi o, não se á po acaso que a a e enha abandonado “os meios echa-
dos pa a en a nos ci cui os abe os da banca. (...). A co upção adqui e aqui
uma no a o ça. O se iço de enda o nou-se o cen o ou a “alma” da emp esa.
In o mam-nos que as emp esas êm uma alma, o que é de ac o a no ícia mais
a e ado a do mundo. O ma ke ing é ago a o ins umen o do con olo social e
o ma a aça mais imp uden e dos nossos senho es. O con olo é a cu o p azo e
de o ação ápida, mas ambém con ínuo e ilimi ado, enquan o a disciplina e a
de longa du ação, in ini a e descon ínua.”20
A in e io idade o na-se o espaço de ci culação do capi al. O au o- e a o o e e-
ce as suas desinibições ao capi alismo global. A a e o na-se um equi alen e da
c iação e es a um equi alen e da comunicação. Tudo de e se is o pa a se con-
sumido, udo de e se cla o pa a se comunicá el: os asos comunican es, como
17 Pe e Slo e dijk – Cóle a e Tempo…, p. 48.
18 Sob e es a ques ão seguimos de pe o Gilles Deleuze – “Pos -sc ip um, sob e as sociedades de con olo“
in Con e sações. Lisboa: Fim de Século, 2003, p. 239- 46.
19 “É ce o que en amos em sociedades de “con olo”, que já não são exac amen e disciplina es. Foucaul
é mui as ezes conside ado como o pensado das sociedades de disciplina, e da sua écnica p incipal, o
ence amen o (não só o hospi al e a p isão, mas ambém a escola, a áb ica, a case na). Mas, de ac o é ele
um dos p imei os a dize que as sociedades disciplina es são aquilo que es amos em ias de deixa pa a
ás, aquilo que es amos a deixa de se . En amos em sociedades de con olo, que uncionam já não po
ence amen o, mas po con olo con ínuo e comunicação ins an ânea.” (Gilles Deleuze – Con e sações.
Lisboa: Fim de Século, 2003, p. 234).
20 Gilles Deleuze - “Pos -sc ip um…, p. 245.
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anéis de se pen e, p o egem o con olo de qualque in e upção e assegu am a
passagem.
Sub e endo as eses mecanicis as Deleuze e Gua a i p oduzem um concei o de
máquina que não apenas ep esen a mas p oduz o uncionamen o do homem e
da na u eza. A máquina é a p óp ia ealidade na sua p odução de desejo e de so-
cius; o inconscien e cons i ui-se como campo de luxos li es e não codi icados:
“Já não há homem nem na u eza, mas unicamen e um p ocesso que os p oduz
um no ou o, e liga as máquinas. Há po odo o lado máquinas p odu o as ou
desejan es, máquinas esquizo énicas, oda a ida gené ica: eu e não-eu, ex e io
e in e io , já nada que em dize (…) Se o desejo p oduz, p oduz eal. Se o desejo
é p odu o , só o pode se a ealidade e da ealidade. (…) Não exis e nenhuma
o ma de exis ência pa icula a que possamos chama ealidade psíquica. Como
diz Ma x, não há al a, o que há é paixão.”21
Em ez da al a, Deleuze ala-nos da dinâmica e do pode das mul iplicidades e
das di e enças. Em ez da in es igação sob e o que is o signi ica, uma in es iga-
ção sob e como is o unciona. T a a-se de ul apassa o au os, p ocu a o que nele
se desloca de si mesmo. Animal des e i o ializado, pa a escapa à máquina biná-
ia, como di ia Gua a i. Só deslocando os elemen os é que deles se pode ugi ,
neles encon ando – sejam dois ou mais - uma b echa que o na á o conjun o
numa mul iplicidade, num agenciamen o com os seus códigos e e i o ialida-
des, as suas ep essões e pode es.
Se o po encial c í ico e polí ico da o og a ia eside na possibilidade de o seu in-
21 Gilles Deleuze e Félix Gua a i - O An i-Édipo…, p. 31 “Ao desejo não al a nada, não lhe al a o seu
objec o. É an es o sujei o que al a ao desejo, ou o desejo que não em sujei o ixo, é semp e a ep essão
que c ia o sujei o ixo. O desejo e o seu objec o são uma só e a mesma coisa: a máquina, enquan o
máquina de máquina. O desejo é máquina, o objec o do desejo é ambém máquina conec ada, de modo
que o p odu o é ex aído do p oduzi , e qualque coisa no p odu o se a as a do p oduzi , que ai da ao
sujei o nómada e agabundo um es o.” (Idem, p.31).
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