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A sombra do arquitecto, da colaboração entre João Andresen e Teófilo Rego

PINTO, Miguel Moreira

Abstract

Do levantamento do espólio do fotógrafo Teófilo Rego podemos concluir que dos vários profissionais da “Escola do Porto” com quem colaborou intensivamente entre as décadas de 1940 e 1960, a figura que mais se destaca é sem dúvida a do arquitecto João Andresen (1920/67). Como nenhum outro, o lote das imagens da obra deste autor revela de facto, pela quantidade e diversidade do material fotográfico, uma colaboração regular, sem igual, que abrange um número considerável dos seus trabalhos, desde o projecto que apresenta ao concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique (1954/56) ao Plano de Desenvolvimento Turístico dos Reis Magos na ilha da Madeira (1964). A comunicação passa em revista as diversas reportagens que Rego realizou das obras e projectos de Andresen, aborda as histórias, as razões e os motivos que estão na sua origem, demonstrando como desde cedo a fotografia constituiu para os profissionais portugueses um instrumento imprescindível tanto na elaboração de arquivos de memória pessoal como na divulgação e apresentação dos seus trabalhos em concursos, exposições e revistas, ou ainda como meio de comunicação e suporte das ideias que pretendiam afirmar.

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A SOMBRA DO ARQUITECTO, DA COLABORAÇÃO ENTRE 1 JOÃO ANDRESEN E TEÓFILO REGO Miguel Mo ei a Pin o 25 Em Ou ub o de 1956, ce amen e enco ajado pelo p imei o p émio que ob ém no Concu so pa a o Monumen o ao In an e D. Hen ique, João And esen (Po o, 1920/1967), a qui ec o da ge ação que se o ma na Escola de Belas A es do Po o no inal de 1940, en a jun o dos edi o es das e is as Domus e L'A chi ec u e d'Aujou d'hui e publicado (sem sucesso) o p ojec o da Casa Lino Gaspa em Caxias (1953/55) – ob a emblemá ica da a qui ec u a mode na po uguesa dos anos 1950, que And esen semp e aca inhou como um dos seus abalhos mais que idos e conseguidos. Na ca a, com a p opos a in ulga , que ende eça em pa icula ao di ec o da e is a ancesa podemos le : “Comme idèle lec eu e abonné de o e magni ique e ue, j'ai le plaisi de ous en oye pa pos e les plans e les pho og aphies d'une maison que j'ai cons ui e en 1954 à Caxias, à mi- dis ance de Lisbonne à Es o il, ace à l'es uai e du Tage. Si ous a ez l'occasion e l'in é ê à les publie , je me s olon ie s à o e disposi ion les élémen s que je ous en oie”. No inal ac escen a em pos -sc ip um: “À i e d'in o ma ion, oici les noms des au eu s e collabo a eu s de ce e oeu e: A chi ec e: J. And esen, Ingénieu : J.M. Simões Coelho, Cé amique 2 polych ome de Hein Semke, Sculp eu – e, po im – Pho os de H. No ais” . Des a no a, ao lado daqueles que in e ém mais di ec amen e no abalho, chama a a enção o c édi o e a e e ência ao o óg a o da ob a, igu a ge almen e esquecida e o ada ao anonima o pelas p óp ias e is as da especialidade que publicam as suas imagens. De ac o, quando a Casa Lino Gaspa é inalmen e publicada em 1957 pela e is a A qui ec u a não encon amos qualque menção ao au o das o og a ias que a inal es ão na base da di usão gene alizada do p ojec o. Es e episódio pa ece assim ep esen a , da pa e de And esen, um econhecimen o pouco habi ual da impo ância de um no o in e enien e que, uma ez inalizada a ob a, o na possí el a sua di ulgação e publicidade, a discussão e o deba e, em o no de uma a qui ec u a imo alizada em imagens pa a a pos e idade. Além des e c édi o, e i a-se o zelo p o issional do p óp io Ho ácio No ais (Lisboa, 1910/1988) que deixa imp essa a sua “assina u a” na en e de cada uma das p o as o og á icas que en ega ao a qui ec o, a ando-as quase ao ní el de uma ep odução em se ig a ia ou giclée, a i ude que e ela uma 1. Es e abalho é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE – P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do p ojec o PTDC/ATP-AQI/4805/2012 ( Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego ). 2. De aco do com co espondência, de 22 de Ou ub o de 1956. “ ” consciência da excepcionalidade do abalho, que não e a nem come cial, o og a ia pos al ou de paisagem, mas de uma no a ca ego ia em ges ação – a o og a ia de a qui ec u a – a que, a pa da epo agem jo nalís ica e ou os emas, se dedica espondendo a encomendas de p o issionais como Ca los Ramos, Jo ge Segu ado, Pa dal Mon ei o e Keil do Ama al. A Casa Lino Gaspa em Caxias acaba á, en e an o, po cons i ui o único abalho que, po azões de opo unidade e con eniência, And esen en ega a No ais. Mais a no e, onde abalha e onde se concen a a maio pa e das suas ob as, cabe á a Teó ilo Rego (Po o, 1914/1993), acompanha e egis a um sem núme o de p ojec os que desen ol e ao longo dos anos 1950 e 1960. Sabemo-lo pela ecen e “descobe a” e le an amen o do a qui o do o óg a o po uense (p ese ado pela Casa da Imagem/Fundação Manuel Leão) que, ao lado das emá icas mais comuns, a que ambém se dedicam ou os es údios de o og a ia da época, e elou uma encomenda pa icula ei a po a qui ec os (e es udan es de a qui ec u a) com o igem na Escola de Belas A es do Po o. No âmbi o des e “géne o” o og á ico, em que é chamado a documen a a conclusão ou o início de uma ob a ainda em maque a, colabo a com igu as de ele o como Ma ques da Sil a, Rogé io de Aze edo, Januá io Godinho, Viana de Lima ou ainda com o g upo ARS. De odos, e de aco do com a in es igação a é ago a ealizada, de emos des aca a elação de abalho que man e e com João And esen, e lec ida num lo e de imagens que, pela quan idade e di e sidade do ma e ial o og á ico, pela quan idade e di e sidade dos p ojec os que comp eende, acusa uma colabo ação egula e con inuada, sem igual. 26 Figu a 1. Casa Lino Gaspa , Al o do Lagoal, em Caxias (1953/55), imagem da en ada, achada no e. A qui o C is iano Mo ei a. Das á ias epo agens e do ma e ial que esul a des a colabo ação chama a a enção aquele que diz espei o à p opos a pa a o Monumen o ao In an e D. Hen ique em Sag es (1954/56) pela pe ícia écnica, pelo in es imen o e o empenho que e ão exigido as mui as imagens p oduzidas po Teó ilo Rego. A pa i da maque a o o óg a o ealiza uma epo agem no á el que põe em e idência a mode nidade e os no os alo es es é icos que es ão na base do p ojec o, egis a e e a a a a qui ec u a de uma o ma i a e palpá el, de uma manei a em que icção e a ealidade se con undem, cap a di e en es e inespe adas pe spec i as do Monumen o, do seu e ei o cenog á ico, da sua ea alidade, das suas supe ícies imaculadas em con as e com a na u eza ag es e do p omon ó io. Es e episódio pa ece assinala em And esen uma p imei a omada de consciência do pode e da impo ância da imagem e da o og a ia como e amen as indispensá eis na p omoção e comunicação das eo ias e ideais mode nos que ai ab aça . Da ins umen alização des es meios, na undamen ação e de esa do que p opõe, cons i ui um cla o exemplo a memó ia desc i i a do p ojec o em que ex o, desenhos, o og a ias da maque a, o og a ias das peças escul ó ias, colagens e o omon agens dos espaços museológicos (esca ados no e eno), lado a lado com ou as imagens de monumen os an igos e ecen es, de pon es e ba agens, uns e ou os, no seu conjun o, ajudam a cons ui odo um discu so e uma na a i a ao jei o de um mani es o, a aze lemb a as ob as pan le á ias de Le Co busie ou ainda de um S. Giedion, de Espaço, Tempo e A qui ec u a 27 Figu a 2. Ma No o, Monumen o ao In an e D. Hen ique (1954/56), pe spec i a e o omon agem. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão. (1941). Se á jus amen e na lei u a de Giedion que And esen pa ece encon a os p incípios e os concei os de uma no a espacialidade e monumen alidade em 3 que a p opos a se baseia . Não po acaso, ao ilus a a memó ia do p ojec o, u iliza uma imagem de uma das pon es de Robe Mailla em que Giedion ia a aplicação e a conc e ização da noção mode na de espaço/ empo, de aco do com a qual nenhum objec o podia se mais comp eendido desde um único pon o de is a, sendo necessá io se i ido, manipulado e obse ado de di e en es ângulos, em pe manen e mo imen o. Na o ma dinâmica e assimé ica da espi al e do “ges o” desc i o pelo Monumen o de And esen podemos e a ma e ialização des e mesmo concei o que a objec i a de Teó ilo Rego cap a e deixa adi inha ao pe spec i a a maque a de di e en es ângulos, pano âmicos ou ap oximados, em que é possí el e i ica , po exemplo, o modo como a cons ução se ans o ma à medida que o obse ado se ap oxima e a a essa o “edi ício”, sob o eno me asgamen o pa abólico. De ou os pon os de is a, em “ oo de pássa o” ou a pa i do ma , podemos cons a a ainda como os con o nos do Monumen o se sob epõem pa a logo de seguida se alonga em, como se en ola em si mesmo e ao mesmo empo se desdob a, na diagonal, e ical e ho izon almen e. De um de alhe que as ap oxima da ealidade, quase ao pon o de pode em se ap eciadas como se de ac o o p ojec o i esse sido cons uído, as o og a ias, imagens e o omon agens abalhadas po Teó ilo Rego, ao se iço das ideias e da eo ia ab açada pelo a qui ec o, ca i am, ascinam, seduzem e ambém a elas, ce amen e, se de e a su p esa e o assomb o que o p ojec o de And esen causou no seu empo, e que lhe aleu a a ibuição de um p imei o p émio que cons i ui um dos pon os mais al os da sua cu a ca ei a p o issional. A pa i de aqui, And esen e Teó ilo Rego ão man e uma elação p o issional es ei a e p olongada no empo, e que o e á sido, ambém, a pa i de ce a al u a, de in o mal e ecíp oca amizade. Em 1958, ol am a colabo a num (úl imo) concu so pa a o Monumen o de Auschwi z, em que And esen ap esen a duas soluções, menos in e essan es, que p ocu a am aduzi em ob a, como se isso osse possí el, ou pelo menos daquela manei a ão olun a iosa, “a do ”, “os so imen os passados” e “a angús ia indesc i í el dos milhões de homens, mulhe es e c ianças que aí 4 deixa am as suas idas” . Mais à en e, do início da década de 1960 da a o egis o de desenhos e das maque as das ês soluções pa a o Palácio de Jus iça de Lisboa – in luenciadas, pelo menos uma delas, po imagens de B asília – que And esen, aqui em pa ce ia com Januá io Godinho, subme e à conside ação e ap eciação écnica do Conselho Supe io de Ob as Públicas. No mesmo campo disciplina da monumen alidade e ep esen ação, sensi elmen e da mesma al u a ambém da am as o og a ias ealizadas po 28 3. Espaço, Tempo e A qui ec u a, mas ambém Mechaniza ion Takes Command (1948) es ão en e as ob as que azem pa e da biblio eca de And esen e que mais o in luencia am. Sabemo-lo a a és de um dos seus clien es, Ca los Lino Gaspa , a quem And esen ecomenda a lei u a des es li os. Es e episódio (an e io a ealização do p ojec o Ma No o) é lemb ado em C is ina Guedes, “Casa Lino Gaspa , Al o do Lagoal, Caxias, 1953/1954-1955, João And esen”, Anne e Becke , Ana Tos ões, Wil ied Wang (O g.), A qui ec u a do Século XX: Po ugal, Lisboa/F ank u , P es el, 1997, pp.227. 4. De aco do com Memó ia Desc i i a, de 1958. Teó ilo Rego da maque a da p imei a p opos a que And esen ap esen a pa a os no os Paços do Concelho de Viana do Cas elo – p ojec o que conhece á di e en es e isões e soluções, e que oi elabo ado no âmbi o mais ala gado do eo denamen o u bano do cen o his ó ico da cidade que esul a, po sua ez, da cons ução do no o Me cado Municipal, ambém da sua au o ia. P oduzidas pa a ap esen ação e ap o ação do clien e, nes e g upo de imagens de maque as, o og a adas in a ia elmen e sob e um undo p e o, cabe ainda o conjun o de p opos as pa a a Anco agem No e da Pon e sob e o Tejo, de 1962, o Plano Tu ís ico da Ma inha – Sec o da Guia, em Cascais (1961), o mais ambicioso An eplano de U banização o Cen o de Tu ismo dos Reis Magos na ilha da Madei a, de 1964 (p ojec o que esume bem o ipo e a dimensão das encomendas que são con iadas a And esen na úl ima e apa do seu pe cu so), e po im, o edi ício do Banco Espí i o San o em S. João da Madei a (1959/62), que além dos espaços ese ados à agência bancá ia, ao ní el do /chão, comp eendia ainda esc i ó ios e habi ação dis ibuídos pelos anda es. A p opósi o des e p ojec o, de que esul a uma das mais in e essan es epo agens de modelo, e i am-se à ma gem es es dois pon os: p imei o, a cu iosa memó ia desc i i a em que And esen eco e a p ojec os alheios – de um Cen o de Cong essos em Zu ique, de uma Câma a Municipal na Lomba dia, em I ália, ou ainda da sede da Oli e i em Milão – pa a comunica e supo a , g á ica e isualmen e, ideias que de ende pa a a ob a, como po exemplo da u ilização a da ao pá io in e io p e is o, que se p e endia que 29 Figu a 3. Edi ício-sede do BESCL em São João da Madei a (1959/62), pe spec i a da maque a. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão. 5 osse “ e dadei amen e um pá io e não um saguão” . Segundo pon o, a e iden e in luência de Januá io Godinho na ob a de And esen, que deco e á da colabo ação e con i ência en e os dois, e que, se aqui nos eme e pa a o edi ício-sede da UEP no Po o (1953), ambém é no ó ia na Pousada de S. Teo ónio em Valença (1954/57), a aze lemb a aspec os das Pousadas da Venda No a (1949/50) e Salamonde (1951/56), e ainda nos Paços do Concelho de Viana do Cas elo que, na sua p imei a e são, eco da imagens e de alhes da Câma a Municipal de Vila No a de Famalicão (1956/61). A pa da encomenda de o og a ias das maque as, sublinhe-se o egis o de desenhos igo osos de p ojec o que And esen pa ece euni com o (apa en e) p opósi o da cons ução de um a qui o de memó ia pessoal. Cabem nes a ca ego ia as o og a ias de plan as, alçados e pe spec i a do Ag upamen o de Casas Económicas do Viso, no Po o (1959), os p imei os esboços do Palácio de Jus iça de Lisboa (1958/65), os desenhos do Ho el na Quin a da Ma inha, em Cascais (1965), as pe spec i as do Ins i u o Calous e Gulbenkian do LNEC (1958/59) e das Ins alações da SOGRAPE em Vila No a de Gaia (1964). Na sequência des as imagens, um an o a ulsas, e i a-se a exis ência de um conjun o de nega i os “sol os” que encon amos na “caixa” que diz espei o à ob a de And esen, com mapas, g á icos, igu as e o og a ias e i adas de li os, que o a qui ec o e á u ilizado na p epa ação e docência das aulas de u banismo, de que oi assis en e e depois p o esso i ula da cadei a na ESBAP. Es e apon amen o, ainda que ma ginal, diz bem da ab angência das a e as e dos se iços p es ados po Teó ilo Rego a And esen, de quem 30 5. De aco do com Memó ia Desc i i a, de 13 de Dezemb o de 1959. Figu a 4. Re a o da amília And esen (s/ da a). A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão. ambém oi a inal o óg a o de amília. Pa a o im deixamos o mais impo an e lo e de imagens que esul a da ocasião pa icula em que inalmen e Teó ilo Rego é chamado a o og a a a ob a cons uída e acabada, o que só pa ece sucede quando ao a qui ec o é p opos o a publicação dos seus p ojec os, como oco e an e io men e com as Casas Valle Teixei a em Lamego, a Casa de Fé ias em O i , a Casa Ruben A. em Mon edo e Reis Figuei a em Valongo, no inal de 1940 e início de 1950. Nes e caso, em 1960, em co espondência com Ma ianna Gallo i Minola, é- lhe suge ida a di ulgação de alguns dos abalhos a inclui numa edição dedicada à a qui ec u a po uguesa que a e is a i aliana L'A chi e u a, di igida po B uno Ze i, p e endia publica . Deixando de lado ob as, ambém elas no á eis, como a Casa Ruben A., o p óp io Monumen o ao In an e D. Hen ique e a Pousada de Valença, And esen selecciona es es qua o p ojec os: a Casa Lino Gaspa em Caxias (de que já inha odo o ma e ial pa a publicação, p oduzido po No ais), a Casa Lino Gaspa na Figuei a da Foz (1955/57), a Casa Richa d Wall no Po o (1958/60) e o Bai o da FCP-HE em Vila No a de Gaia (1957/60). Ob as mui o di e en es, que e lec em empos di e en es, mas ambém a pe sonalidade a ís ica excepcionalmen e múl ipla do a qui ec o, das ês úl imas Teó ilo Rego ai ealiza uma epo agem ao ní el da des eza e do b ilhan ismo que demons a a no p ojec o do concu so pa a Sag es. B ilhan ismo, no p imei o caso da habi ação na Figuei a da Foz, acili ada pela o ogenia de uma cons ução de plan a c uci o me ao jei o de F.L. W igh , de um “b u alismo”, do be ão desco ado e do ijolo p ensado, que eco da o Le Co busie das Maisons Jaoul (1954/56) e ainda de uma in luência b asilei a, ou pelo menos es ígios, no emp ego do o ulado em madei a que ence a o ão de escada da en ada p incipal e as a andas dos qua os, a aze lemb a os e aços e os balcões de um Ho el em Ou o P e o (1942), p ojec ado po Ósca Niemeye . À ol a do edi ício, Teó ilo Rego ai cap a di e en es pe spec i as, dis anciadas, ap oximadas e de po meno es da casa, nomeadamen e do al o- ele o esculpido, uma ez mais, po Hein Semke. Fo og a a den o e o a, as di isões de se iço (cozinha, ins alações sani á ias) e os compa imen os p incipais (a sala comum, que exibe odos os sinais da ap op iação da casa pelos seus habi an es), o og a a à luz do dia e ao anoi ece , o in e io e o ex e io , dando especial des aque aos elemen os e espaços de in e secção e ansição en e os dois. No Po o, na Casa Richa d Wall, pa ecem-nos pa icula men e in e essan es as di e en es imagens da achada da en ada, uma en e echada aos olha es da ua, como acon ece na gene alidade das casas p ojec adas po And esen, mas ambém, na achada opos a, a imagem do espaço “ esco”, de p olongamen o da sala de es a pa a o ex e io , ao ab igo da somb a, que 31 denuncia o ascenden e da cul u a medi e ânica na ob a do au o . Ob a simples, de uma linguagem assumidamen e disc e a e anónima, que eme e pa a ealizações do INA i aliano, o p ojec o do Bai o da FCP-HE em Vila No a de Gaia baseia-se num concei o de Unidade de Vizinhança que e ela p eocupações com alo es de comunidade, de uma ida social ao ní el local. Implan ado num e eno limi ado, nos seus qua o lados, po a uamen os, o bai o comp eendeu a cons ução de seis blocos de habi ação, com ca e (pa a a umos) e ês pisos apa amen os (T3 e T4), eunidos à ol a de um equipamen o escola – que, po ce o, no pensamen o de And esen al ez pudesse desempenha em simul âneo a unção de cen o cí ico e comuni á io. Teó ilo Rego isi a e i a o og a ias da ob a numa ase inal de acabamen os, de ainda algum eboliço, eg essando mais a de pa a, dos mesmo locais, o og a a a escola e os p édios no seu conjun o, já concluídos e p on os a se ocupados e u ilizados. Des a epo agem, em que i a p o ei o dos e ei os de luz e somb a, e da modulação e epe ição de elemen os, chama a a enção uma imagem especialmen e conseguida e suges i a: A imagem é i ada a pa i de um dos dois pá ios da escola. Do lado di ei o, implan ado numa co a mais ele ada, iluminado po uma luz de im de a de, podemos e um dos blocos de habi ação com a achada mais anspa en e, das salas, o ien ada a poen e – imaginamos que daquela posição sob ancei a, p i ilegiada, podiam bem os pais igia as b incadei as e as opelias das c ianças no in e alo das aulas. Do lado esque do, numa pla a o ma mais baixa, emos, num plano con e gen e, em oda a ex ensão o pa ilhão 32 Figu a 5. Bai o da FCP-HE, Cabo-Mo , em Vila No a de Gaia (1957/60), imagem de um dos blocos de habi ação e de um dos qua o pa ilhões que compõem o equipamen o escola p e is o em p ojec o. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão. eminino compos o po ec eio cobe o, ao ní el do /chão, e salas de aula, no anda . Num enquad amen o pa icula men e eliz, à ho a em que é i ada a o og a ia, do co po cen al da can ina e do pa ilhão implan ado a sul emos p ojec adas as somb as no pa imen o, que p eenchem quase po comple o o pá io. En e as duas, uma ou a somb a, de uma igu a que não é a inal, como diz o í ulo, a somb a do a qui ec o, mas do o óg a o. E no en an o, que melho í ulo, que melho imagem e me á o a do que es a pa a desc e e o papel desempenhado Teó ilo Rego na sua elação p o issional com And esen. De alguém que, pe manecendo disc e a e dis a çadamen e na “somb a”, anonimamen e po de ás da câma a, não deixa de pa icipa no p ojec o e de e luga na “ o og a ia”, pe seguindo com o olha e a objec i a, a isão e os sonhos do a qui ec o. 33