TEÓFILO REGO
E OS ARQUITECTOS
Alexand a T e isan
Jo ge Cunha Pimen el
Miguel Mo ei a Pin o
Edi o es
CEAA Edições Casei as 26 I
Cen o de Es udos A naldo A aújo
Escola Supe io A ís ica do Po o
CEAA I
As Edições Casei as, publicadas pelo Cen o de Es udos A naldo
A aújo da ESAP, p e endem di ulga em pequenos cade nos,
es udos académicos sujei os a e isão po pa es (pee e iew),
elabo ados no seu âmbi o de in es igação e in e esses.
Es a publicação cen a-se, po um lado, em ês casos especí icos
de colabo ação en e Teó ilo Rego e a qui ec os, no caso, Rogé io
de Aze edo, Januá io Godinho e João And esen; po ou o lado,
a a a colabo ação que esul ou das encomendas de a qui ec os
menos conhecidos, que o am esga ados pelo le an amen o do
a qui o o og á ico, e que con ibuí am pa a um conhecimen o
mais ex enso da elação que se es abeleceu a pa i da o og a ia
en e es es p o issionais..
escola
supe io
a ís ica
do
po o
coope a i a
de
ensino
supe io
a ís ico
do
po o.CRL
Cen o de Es udos A naldo A aújo
Escola Supe io A ís ica do Po o
TEÓFILO REGO
E OS ARQUITECTOS
Alexand a T e isan
Jo ge Cunha Pimen el
Miguel Mo ei a Pin o
Edi o es
Edições Casei as / 26
Tí ulo:
TEÓFILO REGO E OS ARQUITECTOS
Edi o es:
Di ecção g á ica:
Jo ge Cunha Pimen el
A anjo g á ico:
Joana Cou o
Edição:
Cen o de Es udos A naldo A aújo da CESAP/ESAP
P op iedade:
Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o
R. do In an e D. Hen ique, 131
4050-298 PORTO, PORTUGAL
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Fax: +351 223 392 101
1ª edição, Po o, Se emb o de 2015
Ti agem: 500 exempla es
Escola Supe io A ís ica do Po o
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Alexand a T e isan, Jo ge Cunha Pimen el e Miguel Mo ei a Pin o
© dos au o es e CESAP/CEAA, 2015
Imp essão e acabamen o:
Li opo o A es G á icas Lda
ISBN: 978-972-8784-68-3
Depósi o Legal: 396208/15
Es e li o oi sujei o a a bi agem cien í ica (double blind pee
e iew). Re e ees: Fá ima Sales, Joana Cunha Leal, Paolo
Ma colin, Ru e Figuei edo e Susana Milão
Es a publicação é co- inanciado pela Fundação pa a a Ciência
e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Eu opeu de
Desen ol imen o Regional – FEDER, a a és do COMPETE
– P og ama Ope acional Fa o es de Compe i i idade (POFC),
no âmbi o do p ojec o "Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a
«Escola do Po o»: In e p e ações em o no do A qui o
Teó ilo Rego" (PTDC/ATP-AQI/4805/2012)
A ob enção dos di ei os de ep odução das imagens é da
exclusi a esponsabilidade dos au o es dos ex os a que as
mesmas es ão associadas, não se esponsabilizando os edi o es
po qualque u ilização inde ida e espec i as consequências
Cen o de Es udos A naldo A aújo
NOTA INTRODUTÓRIA
FOTOGRAFIA, ARQUITECTURA MODERNA E A 'ESCOLA
DO PORTO': INTERPRETAÇÕES EM TORNO DO ARQUIVO
DE TEÓFILO REGO. EXPECTATIVAS E SURPRESAS
TEÓFILO REGO E OS ARQUITECTOS DO PORTO, UMA
RELAÇÃO PROFISSIONAL
Ma ia Helena Maia e Alexand a T e isan
A SOMBRA DO ARQUITECTO, DA COLABORAÇÃO
ENTRE JOÃO ANDRESEN E TEÓFILO REGO
Miguel Mo ei a Pin o
A PRESENÇA DA OBRA DE ROGÉRIO DE AZEVEDO NA
FOTOGRAFIA DE TEÓFILO REGO
Jo ge Cunha Pimen el
UMA IDEIA DE PAISAGEM NA ACÇÃO DA HICA. DA
TRANSFORMAÇÃO À PERCEPÇÃO
Césa Machado Mo ei a
Alexand a T e isan, Jo ge Cunha Pimen el e Miguel Mo ei a Pin o
Alexand a T e isan
Índice
7
9
17
25
35
45
Teó ilo Rego e os A qui ec os esul a da in es igação p oduzida a pa i das
o og a ias encomendadas pelos a qui ec os a Teó ilo Rego de desenhos,
maque as e edi ícios. Es as imagens, dos anos 50 a 70 do século passado,
o am usadas em publicações, exposições e concu sos e, nalguns casos,
e elam uma es ei a colabo ação e cumplicidade en e os A qui ec os
Mode nos e o Fo óg a o.
Es a publicação cen a-se, po um lado, em ês casos especí icos de
colabo ação en e Teó ilo Rego e a qui ec os, no caso, Rogé io de Aze edo,
Januá io Godinho e João And esen; po ou o lado, a a a colabo ação que
esul ou das encomendas de a qui ec os menos conhecidos, que o am
esga ados pelo le an amen o do a qui o o og á ico, e que con ibuí am
pa a um conhecimen o mais ex enso da elação que se es abeleceu a pa i da
o og a ia en e es es p o issionais.
Os ex os que aqui se publicam, desen ol em alguns dos emas que
começa am po se a ados nas II Jo nadas FAMEP – O Fo óg a o e os
A qui ec os, que deco e am em Dezemb o de 2014, no âmbi o do P ojec o
Fo og a ia, A qui ec u a Mode na e a “Escola do Po o”: in e p e ações em
o no do A qui o Teó ilo Rego a deco e no CEAA.
NOTA INTRODUTÓRIA
Alexand a T e isan, Jo ge Cunha Pimen el e Miguel Mo ei a Pin o
7
nosso p ojec o, a possibilidade de ace ao a qui o de Teó ilo Rego, come cial
e pessoal, enquad a es e o óg a o no âmbi o da o og a ia po uguesa dos
anos 50 e 60.
Podemos al ez a ança com a ideia de que a sua o og a ia em egis o li e é,
simul aneamen e, documen al e a ec i a, num sen ido humanis a e que, po
seu lado, o Po o não é apenas um ema da sua o og a ia, mas um cená io
mais complexo, no qual cap a as ans o mações que ao longo des es anos se
ão ope ando na cidade.
A ob a de Teó ilo Rego abo dada apenas pelas o og a ias expos as a a és do
G émio ou daquelas que escolheu pa a a sua exposição indi idual em 1990,
ealizada na Casa do In an e, quan o a nós, não e elam oda a e sa ilidade e
qualidade o og á ica de Teó ilo Rego nas suas di e en es dimensões. A pa i
de uma abo dagem con empo ânea dos nega i os de edi ícios, de maque as e
desenhos de a qui ec u a, ou seja, do seu a qui o come cial, econhecemos
nalguns um alo plás ico indiscu í el esul an e, em ce os casos, da
manipulação que o o óg a o ope ou pa a esponde à encomenda do clien e.
Não é nossa in ensão des enda um no o alen o, mas en endemos que de e
se dado a Teó ilo Rego maio isibilidade e a ibui -lhe mais espaço na
his ó ia da o og a ia e da a qui ec u a po uguesas.
Se nos a i e mos apenas a es a ques ão cen al – a o og a ia ealizada po
encomenda dos a qui ec os – e a possibilidade de a pa i des e egis o
en iquece mos o conhecimen o sob e a a qui ec u a Mode na no Po o,
mesmo aí encon amos uma di e sidade (de i ações) de emas, alguns dos
14
Figu a 4. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da
Imagem - Fundação Manuel Leão.
quais nos o am susci ados pelo p óp io a qui o. Re e imo-nos
conc e amen e às o og a ias de maque as, assun o que se e elou uma
su p esa, sob e udo pela quan idade de nega i os e di e sidade de objec os
o og a ados.
O a qui o, nes e caso conc e o, uncionou, e es á ainda a unciona , como
incen i o e como impulsionado de no as possibilidades de in es igação,
colocando, no en an o, os in es igado es do P ojec o FAMEP numa si uação
de maio exigência ace à imp e isibilidade que algumas caixas e en elopes
in ocados acaba am po e ela .
No ou o ex emo, alguns p essupos os de que o g upo pa iu, undamen ados
num conhecimen o inicial limi ado ao con eúdo de en elopes e caixas com
nomes dos clien es/a qui ec os, e elou-nos que o núme o de ob as
o og a adas é in e io ao espec ado. Daí a necessidade de ala ga a
in es igação a ou os clien es que espo adicamen e ambém eco e am a
Teó ilo Rego pa a o og a a a qui ec u a, com ou as in enções e
enquad amen o, mas que não deixam de e a sua u ilidade.
A expec a i a log ada quan o à quan idade de o og a ias que p e íamos
encon a – cinco mil – despe ou ambém o in e esse pelo a qui o pessoal, o
que nos pe mi iu ealiza uma a iculação en e a isão mais pessoal do
o óg a o, que decide o que o og a a , com a e e en e às encomendas dos
a qui ec os, de eo come cial, as quais e ela am a es ei a colabo ação e o
diálogo que man e e com es es clien es. Ressal amos apesa disso, que a
ausência de assina u a nas o og a ias indicia a possí el des alo ização do
o óg a o ace ao a qui ec o, a i ude comum naqueles anos.
15
Figu a 5. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da
Imagem - Fundação Manuel Leão.
Es e é um dos aspec os que es amos a en a supe a , is o é, embo a o en oque
es eja nas ob as e nos a qui ec os que as ealiza am, o o óg a o é igualmen e
en endido com um p o agonis a nes e p ocesso.
Como emos indo a de ende , o con ac o p o issional en e Teó ilo Rego e os
a qui ec os do Po o, especialmen e quando se a ou de o og a a as suas
maque as, pa ece-nos e ela um apu amen o c escen e do abalho do
o óg a o, isí el na qualidade das imagens p oduzidas. Nalguns nega i os é
possí el de ec a a p esença dos a qui ec os e dos seus colabo ado es, umas
ezes, de o ma mais dissimulada, po exemplo, a segu a os panos p e os que
escondem o espaço en ol en e, ou as ezes, mas com menos equência,
assumindo o seu p o agonismo como au o es ao lado da maque a. Es a sé ie
de nega i os cons i ui uma p o a da colabo ação e ec i a e con inuada com
alguns des es clien es, espo ádica com ou os. Além disso, a quan idade de
maque as o og a adas e elou-se uma su p eenden e linha de in es igação,
que es á longe de es a esgo ada, e que possibili a, po exemplo, abalha a
pa i da in e ação en e a o og a ia de a qui ec u a e a p á ica da
a qui ec u a, que a ní el académico, que p o issional, num pe íodo
conc e o.
Assim, além dos nomes mais conhecidos de a qui ec os da “Escola do Po o”
como são exemplo João And esen e Januá io Godinho, Viana de Lima ou
A naldo A aújo, mui os ou os a qui ec os ize am encomendas a Teó ilo
Rego, possibili ando pelo egis o o og á ico das suas ob as cons uídas,
peças desenhadas ou maque as, pe cebe o ipo de p ojec os que
desen ol iam ou aqueles que po alguma azão p e endiam documen a . Es a
é sem dú ida uma mais- alia pa a a in es igação em cu so, po que pe mi e
não só o ap o undamen o de es udos monog á icos, mas sob e udo uma
in es igação ala gada a ou os p o agonis as, que aos poucos ão saindo do
anonima o ou do esquecimen o, ab e ambém no as ques ões que, po sua
ez, possibili am uma lei u a eno ada da a qui ec u a mode na. Nes e caso a
expec a i a oi supe ada e emos a possibilidade de abalha a qui ec os
sob e os quais nada se esc e eu, mas que nos o am e elados pelas
o og a ias do a qui o.
O balanço en e o que espe á amos e o que encon amos saldou-se
posi i amen e se bem que, como p e íamos, mui as ques ões iquem em
abe o.
16
A elação en e os o óg a os e os a qui ec os é um campo de in es igação que
em indo a se explo ado numa linha que p e ende comp eende , po um
lado, a cumplicidade en e o o óg a o e o a qui ec o e, po ou o, a
con ibuição da o og a ia pa a a di ulgação da imagem da a qui ec u a num
de e minado pe íodo, de uma ob a ou conjun o de ob as, ou da p odução de
um de e minado a qui ec o.
Desde a in enção da o og a ia no século XIX que a a qui ec u a se o nou
p esen e nos egis os dos o óg a os, assumindo essencialmen e uma unção
documen al. Como e e e Simón Ma chán Fiz, “quase po acaso, uma das
p imei as unções da o og a ia de a qui ec u a oi a de o na isí el o
pa imónio in en a iado com is a ao seu egis o his ó ico ou a um es au o
possí el, a a és de mé odos usados pela c iminologia ou pela bo ânica, no
1
âmbi o de uma incipien e cul u a do a qui o.”
O a qui o e o documen o o og á ico man êm a sua alidade como on e pa a
o ala gamen o do campo de in es igação da a qui ec u a dos séculos XIX e
XX, pa icula men e quando as imagens p oduzidas o am o esul ado de
uma encomenda especí ica do a qui ec o, com o igem num obje i o
p o issional.
Ou os aspe os da elação en e o óg a os e a qui ec os o am abo dados
con empo aneamen e po eó icos e his o iado es da a qui ec u a, como é o
caso de Bea iz Colomina que eio demons a que, a o og a ia de
a qui ec u a em indo a se usada com inalidades que ul apassam uma
unção me amen e documen al. Is o já pode se de ec ado em alguns
a qui ec os mode nos como, Le Co busie ou Mies an de Rohe, sendo es e
úl imo uma boa ilus ação de como a A qui ec u a Mode na é uma o ma de
media. A A qui ec u a Mode na o nou-se 'mode na' não po que
simplesmen e usou o id o, e o, ou o be ão p é-es o çado, como em ge al se
pensa, mas pelo comp ome imen o com os media: com publicações,
2
concu sos, exposições.”
Foi p ecisamen e a pa icipação dos a qui ec os do Po o em publicações,
concu sos e exposições que le ou a que se es abelecesse uma elação de
3
colabo ação p o ícua com o o óg a o Teó ilo Rego.
No Po o, a di ulgação da a qui ec u a encon ou nas exposições uma o ma
de ap oximação às pessoas, das quais se espe a a a comp eensão e a
TEÓFILO REGO E OS ARQUITECTOS DO PORTO,
UMA RELAÇÃO PROFISSIONAL
Ma ia Helena Maia e Alexand a T e isan
17
1. “(...) almos acciden ally, one o he i s unc ions
o a chi ec u al pho og aphy was o isually
in en o y pa imony o i s his o ical eco d o
plausible es o a ion, h ough he me hods in
c iminology o bo any, in an incipien cul u e o he
a chi e” Fiz, Simón Ma chán - ”The Aes he ic
Pe cep ion o A chi ec u e Th ough Pho og aphy” in
Exi , A chi ec u e II. The A is 's View, Mad id,
2010, p.38.
2. “(...) a good illus a ion on he poin ha mode n
a chi ec u e is a o m o media. Mode n a chi ec u e
becomes 'mode n' no simply by using glass, s eel, o
ein o ced conc e e, as i is usually unde s ood, bu
by engaging wi h he media: wi h publica ions,
compe i ions, exhibi ions.” Colomina, B. “Media as
Mode n A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II. The
A is 's View, Mad id, 2010, p.134.
3. Teó ilo Rego (1913/1993) oi um o óg a o
po uguês, nascido no B asil, mas que eio com a sua
amília pa a Po ugal com apenas 11 anos. Vi eu e
mo eu na cidade do Po o, cidade em que ez a sua
o mação p o issional e onde c iou a seu es údio e
casa come cial dedicada à o og a ia. Com apenas 12
anos, depois de e icado ó ão, ing essou na O icina
de Ma ques de Ab eu (Tábua, 1879- Po o, 1958),
igu a impo an e no con ex o cul u al do Po o, que
desde do início da sua ac i idade se dedicou à
g a u a, sob e udo no campo da g a u a química,
endo-se especializado em zincog a u a. Em 1944,
aos 31anos, já como p o issional habili ado nas á eas
da g a u a, o og a u a e ipog a ia, Teó ilo Rego
deixou as O icinas de Ma ques de Ab eu e decidiu
abalha du an e dois anos nas o icinas da Li o
Maia, como o óg a o de o oli o. Após es e pe íodo,
undou o seu p imei o es údio o og á ico, na Rua da
Aleg ia e, em 1956, mudou as suas ins alações pa a a
Rua San a Ca a ina, a é ia na qual, desde os anos 30,
se inham es abelecido inúme as casas o og á icas.
acei ação das escolhas a qui ec ónicas que es a am a se ei as po uma no a
ge ação de a qui ec os que começa a e exp essão na década de 40.
4
Pa a isso oi undamen al a exposição ealizada pela ODAM (O ganização
dos A qui ec os Mode nos) em 1951, em de esa da A qui ec u a Mode na
que, de algum modo, c iou o modelo das exposições de a qui ec u a que se lhe
segui am. A exposição oi p oje ada cuidadosamen e, soco endo-se pa a
5
isso de uma adap ação da g elha CIAM mas ambém de placa ds com
o og a ias de ob as de idamen e iden i icadas e legendadas.
In luenciados pelo Mo imen o Mode no e pelos CIAM na sua on ade de
es abelece uma ligação com um público não especializado, os a qui ec os da
ODAM i am nes a exposição uma o ma de explica em as azões que os
le a am a de ende a A qui ec u a Mode na. O lema da exposição os nossos
edi ícios são di e en es dos do passado po que i emos num mundo
di e en e , oi e i ado de um ex o edi ado pelo Museum o Mode n A de
No a Yo k (Wha is Mode n A chi ec u e?).
A exposição da ODAM con ou com 32 abalhos de 22 a qui ec os, alguns já
“
”
18
4. A “O ganização dos A qui ec os Mode nos”
(ODAM) oi c iada no Po o em 1947 e nes a cidade
desen ol eu a sua acção a é 1953. O g upo de
a qui ec os que o mou a ODAM ez pa e de uma
segunda ge ação do Mo imen o Mode no ou, pelo
menos, de uma ge ação que desen ol eu a sua acção
no pós 2ª Gue a Mundial, abso endo algumas das
expe iências que i e am luga nos anos 20 e 30 em
Po ugal e que se ab iu às endências mais ma can es
do pano ama a qui ec ónico e u banís ico
in e nacional.
5. Vd. Ma ia Helena Maia; Alexand a Ca doso –
“Po ugueses in CIAM X” in 20 h Cen u y New
Towns. A che ypes and Unce ain ies. Con e ence
P oceedings. Po o: Depa amen o de A qui ec u a e
Cen o de Es udos A naldo A aújo da ESAP, 2014,
p.195-196.
Figu a 1. Exposição ODAM. A qui o Teó ilo Rego,
Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão.
6
execu ados ou em ase de execução e ou os que ainda es a am em p oje o.
En e os pa icipan es encon a am-se a qui ec os que, em di e en es
momen os da sua a i idade p o issional, encomenda am o og a ias dos seus
abalhos a Teó ilo Rego. Re e imo-nos a A ménio Losa, Cassiano Ba bosa,
Agos inho Ricca Gonçal es, José Ca los Lou ei o, Viana de Lima, João
And esen ou Fe nando Tá o a, en e ou os.
Os p oje os da exposição da ODAM cob i am um leque di e si icado de
p og amas que incluía pousadas, habi ações uni amilia es e blocos
habi acionais, áb icas, ho éis, piscinas e pa ilhões de exposição. Es es
p oje os localiza am-se ou e a p e is o i em a localiza -se não só no Po o e
a edo es mas ambém em Vila do Conde, Pó oa do Va zim, Guima ães e
Ge ês, cob indo uma á ea conside á el da egião No e do País. Es a
geog a ia e a bem conhecida de Teó ilo Rego que aí ealizou g ande pa e do
seu abalho p o issional, an o no que se e e e à o og a ia de a qui ec u a,
como ao egis o o og á ico do pa imónio a ís ico e dos cos umes e es as
egionais.
Dois anos mais a de, em 1953, ealizou-se no Po o uma exposição com um
obje i o di e en e, mas que oi undamen al pa a o es ei amen o da elação
p o issional de Teó ilo Rego com os a qui ec os da cidade. Re e imo-nos à
exposição de homenagem ao a qui ec o Ma ques da Sil a, na qual o am
expos as as suas ob as, mas ambém de mui os dos seus an igos alunos.
As o og a ias da ob a de Ma ques da Sil a, bem como as do espaço
exposi i o e espe i os placa ds, o am ealizadas po Teó ilo Rego.
19
6. Ba bosa, Cassiano – ODAM - O ganização dos
A qui ec os Mode nos - 1947-1952, Po o: Edições
Asa, 1972, s/p.
Figu a 2. Exposição Ma ques da Sil a. A qui o
Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação
Manuel Leão.
Ac edi amos que oi es a encomenda que lhe ab iu a possibilidade de
colabo ação com um g upo ala gado de jo ens p o issionais que ao longo de
ês décadas o escolhe am pa a o og a a an o os seus p oje os – desenhos e
maque as – como a sua ob a cons uída.
Ainda em 1953, po inicia i a de Ca los Ramos, enquan o di e o da Escola
Supe io de Belas A es do Po o (ESBAP), inicia am-se as Exposições
Magnas com o obje i o de mos a publicamen e os abalhos dos mes es e
dos alunos melho classi icados no ano le i o an e io , dos cu sos de
A qui ec u a, Escul u a e Pin u a.
Uma ez mais, Teó ilo Rego oi escolhido pa a ealiza o egis o da p imei a
Magna bem como das exposições que lhe segui am o ganizadas pela ESBAP.
Es a sequência de encomendas da eli e po uense de a is as e a qui ec os pa a
que Teó ilo Rego egis asse exposições que e am pa a eles mui o
impo an es, an o pa a a sua p ojecção ins i ucional como pa a a de esa de
no as pe spec i as p o issionais, le a-nos a conclui que a qualidade do seu
abalho e a já econhecida. O núme o c escen e de a qui ec os e a is as
plás icos que escolhem Teó ilo Rego pa a o og a a a sua ob a em ambém
e o ça es a nossa con icção.
Aliás, pa indo das o og a ias de a qui ec u a de Rego, podemos a i ma
com Bea iz Colomina que a A qui ec u a Mode na, nes e caso po uguesa,
ambém oi c iada den o do espaço das o og a ias e das publicações e que
“es e espaço é na sua maio ia bidimensional, e a ce a al u a a a qui ec u a de
algum modo in e io iza esse espaço, que o na plano. O mundo
7
idimensional o na-se numa supe ície o og á ica” .
No en an o, o uni e so da a qui ec u a é po de inição idimensional o que
20
7. “(...) his space is o he mos pa wo-
dimensional, and a ce ain poin a chi ec u e
somehow in e nalizes ha space, ha la ness. The
h ee-dimensional wo ld becomes a pho og aphic
su ace”. Colomina, B. - “Media as Mode n
A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II.The A is 's
View, Mad id, 2010, p.136.
Figu a 3. Fo og a ia da maque a de uma ig eja
p ojec ada po Luís Cunha. A qui o Teó ilo Rego,
Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão.
le an a alguns p oblemas ao ní el da passagem da in o mação e e en e aos
p ojec os. A di iculdade de passa ao clien e a imagem dessa
idimensionalidade a pa i de plan as, co es e alçados, pa ece e le ado ao
ecu so sis emá ico a maque as, que são eco en emen e o og a adas.
Com a maque a é possí el c ia uma maio ap oximação à ealidade, is o é, a
possibilidade de conc e ização da ob a o na-se mais eal, mais a a i a e
comp eensí el pa a o clien e. Todo o p ocesso de encenação que Teó ilo
Rego c ia a pa i da maque a, mui as ezes com a ajuda e a cumplicidade dos
seus clien es, o igina uma imagem que p e ende deslumb a o clien e-
espec ado .
A o og a ia de maque as p esen e na ob a de Rego co esponde à p á ica
iden i icada po Bea iz Colomina que chama a a enção pa a o ac o das
maque as cons uídas po Mies, Le Co busie e Cha les e Ray Eames e em
sido o og a adas a pa i de di e en es ângulos, de dia e de noi e, pa a de en e
elas elege am uma imagem pa a ap esen a a ob a. A au o a e e e ainda, que
“de ac o, os a qui ec os nunca se cansam de olha pa a as suas maque as. A é
8
se o og a am olhando pa a elas” . Como exemplo, ap esen a uma o og a ia
incluída na exposição que, em 1947 o MOMA dedicou à ob a de Mies an de
Rohe, e que mos a es e a qui ec o inclinado sob e a maque a da Casa
Fa nswo h, como se nunca a i esse is o, com a “sua g ande cabeça agindo
9
como uma câma a” .
A desc ição de Colomina pode ia e sido ei a a p opósi o de algumas das
21
8. “(...) in ac a chi ec s ne e seem o i e o
looking a hei models. They e en pho og aph
hemsel es doing so.” Colomina, B. - “Media as
Mode n A chi ec u e” in Exi , A chi ec u e II. The
A is 's View, Mad id, 2010, p.136.
9. “(...) his la ge head ac ing like a came a”.
Colomina, B. - “Media as Mode n A chi ec u e” in
Exi , A chi ec u e II. The A is 's View, Mad id,
2010, p.136.
Figu a 4. Pe ei a da Cos a o og a ado po Teó ilo
Rego olhando a maque a do seu p ojec o pa a o
bloco de habi ação da p aça A onso V (Po o). No e-
se a pose idên ica àquela com que, segundo B.
Colomina, Mies an de Rohe ambém se ez
o og a a . A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da
Imagem - Fundação Manuel Leão.
o og a ias de maque as exis en es no a qui o de Teó ilo Rego e da adas dos
anos 40-50, o que nos le a a pensa que, an o o o óg a o como os
a qui ec os, conheciam bem o pa alelo in e nacional. As maque as apa ecem
o og a adas de di e en es ângulos, com luz no es údio, no ex e io com luz
na u al, ou simulando uma iluminação no u na. Como já a ás e e imos, em
algumas das o og a ias êm-se os a qui ec os, po ezes em poses de
obse ação e enquad amen o mui o semelhan es às dos mes es do
Mo imen o Mode no.
As maque as o og a adas são maio i a iamen e de habi ações, an o
uni amilia es como blocos habi acionais, e conjun os u banos, p oje os que
e am mais eco en es en e os anos 50 e 70. São ainda o og a ados modelos
de algumas ig ejas e, com menos equência, as maque as pa a concu sos de
a qui ec u a.
Sabe-se que os a qui ec os que se o ma am na Escola do Po o conheciam
a a és das e is as in e nacionais, como a L'A chi ec u e d'Aujou d'hui, The
A chi ec u al Re iew, A chi ec u al Design, A chi ec u al Fo um, Domus,
10
Casabela (Ba bosa, 1977: s.p.) as o og a ias das ob as dos a qui ec os
mode nos. Ti e am acesso ambém às publicações da ob a de Le Co busie , o
a qui ec o mais ci ado e econhecido po es a ge ação e que é,
simul aneamen e, um caso pa adigmá ico da longa elação de cumplicidade
(de 1949 a 1965) en e um a qui ec o e um o óg a o, no caso Lucien He é.
Julgamos que não menos impo an e oi a pa icipação dos a qui ec os e
es udan es de a qui ec u a po ugueses nos concu sos p omo idos pela
União In e nacional de A qui ec os (UIA), cujos esul ados o am publicados
22
10. Ba bosa, Cassiano – ODAM - O ganização dos
A qui ec os Mode nos - 1947-1952, Po o: Edições
Asa, 1972, s/p.
Figu a 5. Nega i o com indicação de co e pa a a
o og a ia inal. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa
da Imagem - Fundação Manuel Leão.
em á ias e is as, nomeadamen e a edi ada po es a o ganização, mas
ambém na A chi ec u e d'Aujou d'hui, Baumeis e , A chi ec u al Re iew e
A chi ec u a Ch onaca. Aymone Nicolas e e e que os p oje os pa a os
concu sos dos anos 50 e 60 são ela i amen e pouco es é icos, pe du ando o
gos o pelos pon os de is a axonomé icos de aço neg o que inha dos anos
30, mas que oi sendo dado cada ez mais espaço à o og a ia a p e o e b anco
11
e às maque as dos concu sos.
Ha ia assim, oda uma in o mação eiculada pelas publicações
12
in e nacionais que ce amen e in luenciou o abalho de Teó ilo Rego, se
não de manei a conscien e, ce amen e a pa i da o ma como os seus
clien es que iam que as suas ob as ossem o og a adas. A é po que, como já
de endemos, odo o p ocesso de o og a a as maque as eside em g ande
pa e numa colabo ação p o issional de cumplicidade en e o o óg a o e os
a qui ec os.
A p esença dos a qui ec os na p epa ação da p odução o og á ica das
maque as das suas ob as, no es údio ou no a elie , pe mi e-nos a ança com a
in e p e ação de que a escolha dos planos e dos enquad amen os se de em
ambém ao olha do a qui ec o, ac escendo ainda o ac o de que os esul ados
não são uni o mes, des acando-se abalhos com maio qualidade
(enquad amen o, iluminação, de alhe) do que ou os.
Po sua ez, as eliminações e manipulações que Teó ilo Rego ealiza em
inúme os nega i os de peças desenhadas e ob as ealizadas, embo a podendo
ainda esul a de um diálogo com o clien e, pa ecem-nos um abalho de
maio in e enção do o óg a o.
Seja como o , o in e esse do esul ado des a p odução é duplo: po um lado
cons i ui um documen o impo an e pa a a his ó ia da A qui ec u a Mode na
e, po ou o, a qualidade das o og a ias ga an e-lhe um luga na his ó ia da
o og a ia como objec os a ís icos au ónomos.
Rela i amen e a es a úl ima asse ção de emos, no en an o, sal agua da que
a alo ização da plas icidade in ulga de algumas imagens, após a
in e enção écnica – po exemplo, másca a e co es – pa a consegui um
de e minado esul ado, p o a elmen e solici ado pelo clien e, esul a de uma
a aliação con empo ânea, ealizada a pa i de p emissas que não exis iam na
época.
P esen emen e não sabemos a é que pon o nas décadas de 50 e 60, os
a qui ec os po ugueses, pa a além do ecu so a p o issionais, o og a a am
eles p óp ios a sua ob a.
Sabemos, no en an o, que alguns deles ganha am luga na his ó ia da
o og a ia, como é o caso de An ónio Sena da Sil a ou da dupla Vic o
Palla/Cos a Ma ins.
Sabemos ambém que no Inqué i o à A qui ec u a Regional p omo ido pelo
11. Nicolas, Aymone – L'Apogée des Concou s
d'A chi ec u e. L'Ac ion de L'UIA 1948-1975, Pa is:
Pica d, 2007, p.154-55.
12. “Também no âmbi o in e nacional, a composição
das o og a ias nas publicações, com os ex os cada
ez menos equen es e ex ensos, acabou po
con igu a um discu so g á ico e uma na a i a
isual cuja impo ância ob igou às publicações –
A chi ec u al Re iew e a sua e são ame icana,
A chi ec u al Reco d, são casos pa adigmá icos – a
e di ec o es a ís icos pa a a alia da qualidade e
e icácia da mensagem.” Be ge a, Iñaki - “Fo os de
casas, cosas de o os” in Fo og a ía y a qui ec u a
mode na en España - 1925-1965, Iñaki Be ga a (ed),
Museo ICO, 2014, p.23.
23
5
osse “ e dadei amen e um pá io e não um saguão” . Segundo pon o, a
e iden e in luência de Januá io Godinho na ob a de And esen, que deco e á
da colabo ação e con i ência en e os dois, e que, se aqui nos eme e pa a o
edi ício-sede da UEP no Po o (1953), ambém é no ó ia na Pousada de S.
Teo ónio em Valença (1954/57), a aze lemb a aspec os das Pousadas da
Venda No a (1949/50) e Salamonde (1951/56), e ainda nos Paços do
Concelho de Viana do Cas elo que, na sua p imei a e são, eco da imagens e
de alhes da Câma a Municipal de Vila No a de Famalicão (1956/61).
A pa da encomenda de o og a ias das maque as, sublinhe-se o egis o de
desenhos igo osos de p ojec o que And esen pa ece euni com o (apa en e)
p opósi o da cons ução de um a qui o de memó ia pessoal. Cabem nes a
ca ego ia as o og a ias de plan as, alçados e pe spec i a do Ag upamen o de
Casas Económicas do Viso, no Po o (1959), os p imei os esboços do Palácio
de Jus iça de Lisboa (1958/65), os desenhos do Ho el na Quin a da Ma inha,
em Cascais (1965), as pe spec i as do Ins i u o Calous e Gulbenkian do
LNEC (1958/59) e das Ins alações da SOGRAPE em Vila No a de Gaia
(1964).
Na sequência des as imagens, um an o a ulsas, e i a-se a exis ência de um
conjun o de nega i os “sol os” que encon amos na “caixa” que diz espei o à
ob a de And esen, com mapas, g á icos, igu as e o og a ias e i adas de
li os, que o a qui ec o e á u ilizado na p epa ação e docência das aulas de
u banismo, de que oi assis en e e depois p o esso i ula da cadei a na
ESBAP. Es e apon amen o, ainda que ma ginal, diz bem da ab angência das
a e as e dos se iços p es ados po Teó ilo Rego a And esen, de quem
30
5. De aco do com Memó ia Desc i i a, de 13 de
Dezemb o de 1959.
Figu a 4. Re a o da amília And esen (s/ da a).
A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem -
Fundação Manuel Leão.
ambém oi a inal o óg a o de amília.
Pa a o im deixamos o mais impo an e lo e de imagens que esul a da ocasião
pa icula em que inalmen e Teó ilo Rego é chamado a o og a a a ob a
cons uída e acabada, o que só pa ece sucede quando ao a qui ec o é
p opos o a publicação dos seus p ojec os, como oco e an e io men e com as
Casas Valle Teixei a em Lamego, a Casa de Fé ias em O i , a Casa Ruben A.
em Mon edo e Reis Figuei a em Valongo, no inal de 1940 e início de 1950.
Nes e caso, em 1960, em co espondência com Ma ianna Gallo i Minola, é-
lhe suge ida a di ulgação de alguns dos abalhos a inclui numa edição
dedicada à a qui ec u a po uguesa que a e is a i aliana L'A chi e u a,
di igida po B uno Ze i, p e endia publica . Deixando de lado ob as, ambém
elas no á eis, como a Casa Ruben A., o p óp io Monumen o ao In an e D.
Hen ique e a Pousada de Valença, And esen selecciona es es qua o
p ojec os: a Casa Lino Gaspa em Caxias (de que já inha odo o ma e ial pa a
publicação, p oduzido po No ais), a Casa Lino Gaspa na Figuei a da Foz
(1955/57), a Casa Richa d Wall no Po o (1958/60) e o Bai o da FCP-HE em
Vila No a de Gaia (1957/60).
Ob as mui o di e en es, que e lec em empos di e en es, mas ambém a
pe sonalidade a ís ica excepcionalmen e múl ipla do a qui ec o, das ês
úl imas Teó ilo Rego ai ealiza uma epo agem ao ní el da des eza e do
b ilhan ismo que demons a a no p ojec o do concu so pa a Sag es.
B ilhan ismo, no p imei o caso da habi ação na Figuei a da Foz, acili ada
pela o ogenia de uma cons ução de plan a c uci o me ao jei o de F.L.
W igh , de um “b u alismo”, do be ão desco ado e do ijolo p ensado, que
eco da o Le Co busie das Maisons Jaoul (1954/56) e ainda de uma
in luência b asilei a, ou pelo menos es ígios, no emp ego do o ulado em
madei a que ence a o ão de escada da en ada p incipal e as a andas dos
qua os, a aze lemb a os e aços e os balcões de um Ho el em Ou o P e o
(1942), p ojec ado po Ósca Niemeye .
À ol a do edi ício, Teó ilo Rego ai cap a di e en es pe spec i as,
dis anciadas, ap oximadas e de po meno es da casa, nomeadamen e do al o-
ele o esculpido, uma ez mais, po Hein Semke. Fo og a a den o e o a, as
di isões de se iço (cozinha, ins alações sani á ias) e os compa imen os
p incipais (a sala comum, que exibe odos os sinais da ap op iação da casa
pelos seus habi an es), o og a a à luz do dia e ao anoi ece , o in e io e o
ex e io , dando especial des aque aos elemen os e espaços de in e secção e
ansição en e os dois.
No Po o, na Casa Richa d Wall, pa ecem-nos pa icula men e in e essan es
as di e en es imagens da achada da en ada, uma en e echada aos olha es
da ua, como acon ece na gene alidade das casas p ojec adas po And esen,
mas ambém, na achada opos a, a imagem do espaço “ esco”, de
p olongamen o da sala de es a pa a o ex e io , ao ab igo da somb a, que
31
denuncia o ascenden e da cul u a medi e ânica na ob a do au o .
Ob a simples, de uma linguagem assumidamen e disc e a e anónima, que
eme e pa a ealizações do INA i aliano, o p ojec o do Bai o da FCP-HE em
Vila No a de Gaia baseia-se num concei o de Unidade de Vizinhança que
e ela p eocupações com alo es de comunidade, de uma ida social ao ní el
local.
Implan ado num e eno limi ado, nos seus qua o lados, po a uamen os, o
bai o comp eendeu a cons ução de seis blocos de habi ação, com ca e (pa a
a umos) e ês pisos apa amen os (T3 e T4), eunidos à ol a de um
equipamen o escola – que, po ce o, no pensamen o de And esen al ez
pudesse desempenha em simul âneo a unção de cen o cí ico e comuni á io.
Teó ilo Rego isi a e i a o og a ias da ob a numa ase inal de acabamen os,
de ainda algum eboliço, eg essando mais a de pa a, dos mesmo locais,
o og a a a escola e os p édios no seu conjun o, já concluídos e p on os a se
ocupados e u ilizados. Des a epo agem, em que i a p o ei o dos e ei os de
luz e somb a, e da modulação e epe ição de elemen os, chama a a enção uma
imagem especialmen e conseguida e suges i a:
A imagem é i ada a pa i de um dos dois pá ios da escola. Do lado di ei o,
implan ado numa co a mais ele ada, iluminado po uma luz de im de a de,
podemos e um dos blocos de habi ação com a achada mais anspa en e,
das salas, o ien ada a poen e – imaginamos que daquela posição sob ancei a,
p i ilegiada, podiam bem os pais igia as b incadei as e as opelias das
c ianças no in e alo das aulas. Do lado esque do, numa pla a o ma mais
baixa, emos, num plano con e gen e, em oda a ex ensão o pa ilhão
32
Figu a 5. Bai o da FCP-HE, Cabo-Mo , em Vila
No a de Gaia (1957/60), imagem de um dos blocos
de habi ação e de um dos qua o pa ilhões que
compõem o equipamen o escola p e is o em
p ojec o. A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da
Imagem - Fundação Manuel Leão.
eminino compos o po ec eio cobe o, ao ní el do /chão, e salas de aula, no
anda . Num enquad amen o pa icula men e eliz, à ho a em que é i ada a
o og a ia, do co po cen al da can ina e do pa ilhão implan ado a sul emos
p ojec adas as somb as no pa imen o, que p eenchem quase po comple o o
pá io. En e as duas, uma ou a somb a, de uma igu a que não é a inal, como
diz o í ulo, a somb a do a qui ec o, mas do o óg a o.
E no en an o, que melho í ulo, que melho imagem e me á o a do que es a
pa a desc e e o papel desempenhado Teó ilo Rego na sua elação
p o issional com And esen. De alguém que, pe manecendo disc e a e
dis a çadamen e na “somb a”, anonimamen e po de ás da câma a, não
deixa de pa icipa no p ojec o e de e luga na “ o og a ia”, pe seguindo
com o olha e a objec i a, a isão e os sonhos do a qui ec o.
33
35
A PRESENÇA DA OBRA DE ROGÉRIO DE AZEVEDO NA
1
FOTOGRAFIA DE TEÓFILO REGO
Jo ge Cunha Pimen el
Quando em 1953 Ca los Ramos, já como Di ec o da Escola Supe io de
Belas A es do Po o (ESBAP), o ganiza uma exposição de homenagem a
2
Ma ques da Sil a , lu a a po o na a escola num cen o de i adiação
a ís ica, p ocu a a a exposição pública do cu so de a qui ec u a, a
alo ização das múl iplas ace as da o mação do a qui ec o como a is a e
écnico e a ixação de uma genealogia da Escola que es abelecesse uma
iliação en e di e sas ge ações, an o pedagógica como a qui ec ónica.
Tal exposição conjun a das p incipais ob as do Mes e e de 30 dos seus
discípulos ealizou-se em Dezemb o de 1953. No discu so de inaugu ação da
exposição Ca los Ramos elogiou a acção do a qui ec o, p o issão em que
conciliou o a is a e o cons u o , e do pedagogo como exemplo de dedicação
à a qui ec u a. Nela o am expos as 286 peças cons i uídas po desenhos
a qui ec ónicos, maque es, agua elas e 120 ampliações o og á icas da ob a
edi icada de Ma ques da Sil a e dos seus discípulos. Coube ao o óg a o
po uense Teó ilo Rego (1914-1993) o abalho de o og a a , amplia e
imp imi as p o as o og á icas pa a a exposição.
O a qui ec o Rogé io de Aze edo, i ocinan e e colabo ado no a eliê de
Ma ques da Sil a, de 1917 a 1926, e p o esso da 8ª cadei a – Desenho
a qui ec ónico, cons ução e salub idade das edi icações – do Cu so de
A qui ec u a da Escola de Belas A es do Po o desde 1940, ez-se ep esen a
com o modelo do Conjun o de Habi ações de Casas Económicas jun o ao
Campo 24 de Agos o, no Po o, de 1941 – p ojec o nunca cons uído –, e oi o
o og a ias de edi ícios que p ojec ou en e 1927 e 1941.
Um conjun o de ob as exp essi amen e ep esen a i o das linguagens que
abalhou du an e um pe cu so de in ensa ac i idade p ojec ual, sozinho ou
em colabo ações com o a qui ec o Bal aza de Cas o ou com o a qui ec o
Januá io Godinho, desde o inal dos anos 20 a é meados da década de 40, e
onde a a iedade de p og amas es á bem pa en e.
No e ob as que e a am um pe cu so p o issional ei o an o de encomendas
p i adas como de ob as públicas e que ai do mode nismo – onde se incluem
as A es Deco a i as – à p ocu a de uma linguagem egionalis a ou mesmo à
3
ap op iação de uma linguagem p óxima da a qui ec u a i aliana , em que a
di e sidade de p og amas e es ilos oi uma cons an e, aspec o que ambém
ma cou a p odução a qui ec ónica no Po o en e 1925 e 1935, e onde
1. Es e abalho é co- inanciado pela Fundação pa a a
Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo
Eu opeu de Desen ol imen o Regional – FEDER,
a a és do COMPETE – P og ama Ope acional
Fa o es de Compe i i idade (POFC), no âmbi o do
p ojec o PTDC/ATP-AQI/4805/2012 ( Fo og a ia,
A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»:
In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego ).
2. Uma exposição à imagem das exposições Magnas
onde se elacionam os abalhos dos p o esso es e
dos discípulos. Ma ques da Sil a. Exposição
conjun a das p incipais ob as do Mes e e de alguns
dos seus discípulos. Homenagem p omo ida pela
Escola Supe io de Belas do Po o com a
colabo ação da Sociedade Nacional de Belas A es e
do Sindica o Nacional dos A qui ec os. Po o: Escola
Supe io de Belas A es do Po o, Dezemb o de
1953.
3. A inidades com p opos as como as que Piacen ini
e Muzio e ão deixado no Po o e com as quais e á
ido con ac o enquan o a qui ec o na Di ecção dos
Monumen os do No e. Veja-se a es e p opósi o Jo ge
Cunha Pimen el – Ob a Pública de Rogé io de
Aze edo. Os anos do SPN/SNI e da DGEMN.
Uni e sidad de Valladolid, 2014, pp. 61-76.
“
”
conciliou desejo c ia i o e o ício. Um pe cu so ei o ambém que de uma
4
a empo alidade, que julga a encon a no pa imónio edi icado da nação ,
que de uma on ade de eno ação e conciliação en e mode nidade e
5
adição que se ai e lec i , en e ou os, nos p ojec os das Escolas-Tipo
Regionalizadas de 1933-35 e nas Pousadas Regionais do Sec e a iado
Nacional de In o mação (SNI) de 1939-40.
É de no a que pa a a exposição Rogé io de Aze edo não ez cons a qualque
p ojec o de habi ação uni amilia ou das inúme as escolas p imá ias que
ealizou na década de 30.
Dos qua o nega i os da exposição na ESBAP, encon ados no A qui o
Teó ilo Rego, não cons a nenhum is a da secção da mos a ela i a às ob as
de Rogé io de Aze edo que nos pudesse o ien a .
Dos nega i os e p o as em papel de ob as de Rogé io de Aze edo hoje
exis en es no A qui o Teó ilo Rego, conse ado na Casa da Imagem –
Fundação Manuel Leão, p o a elmen e nenhum co esponde às o og a ias
que es i e am pa en es na exposição.
Ao con á io dos nega i os de o og a ias do Edi ício do Jo nal O Comé cio
do Po o exis en es no A qui o, e elando um enquad amen o mais abe o,
uma pe spec i a ligei amen e baixa, um céu comple amen e limpo e uma luz
algo di usa, a imp essão en ão expos a, hoje na colecção do Ins i u o
A qui ec o Ma ques da Sil a, e ela um ( e)enquad amen o cen ado no
edi ício do jo nal, eliminando os edi ícios adjacen es e dando ên ase à en ada
p incipal, ao co po o eado e ao alçado na A . dos Aliados. O céu, mui o
36
4. Sob e es a ques ão e a ideia de es ilo em Rogé io
de Aze edo consul a Jo ge Cunha Pimen el – Ob a
Pública de Rogé io de Aze edo…, pp. 37-38;
Rogé io de Aze edo – “A A qui ec u a no Plano
Social”, in Con e ências da Liga Po uguesa de
P o ilaxia Social (3ª sé ie). Po o: Imp ensa Social,
1936.
5. A adição é uma he ança que eio a é nós e
eclama ac escen amen o pa a os que hão-de i ”.
Rogé io de Aze edo – “Mes e Ma ques da Sil a”, in
O T ipei o, VI Sé ie, Ano IX, n.º 11, No emb o de
1969, p. 343.
Figu a 1. Teó ilo Rego. Edi ício do Jo nal O
Comé cio do Po o, c. 1953. A qui o Teó ilo Rego,
Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão.
PT-FML-TR-COM-459-001.
p o a elmen e abalhado, d ama iza a imagem enquan o a luz modela de
o ma cla i icado a oda a iqueza o mal da composição dos alçados.
De igual modo a o og a ia da Ga agem de O Comé cio do Po o, ambém na
colecção do Ins i u o A qui ec o Ma ques da Sil a, ao assumi um pon o de
is a a meia al u a, p o a elmen e ealizado a pa i de uma janela do Ho el
In an e de Sag es, põe em e idência as achadas uncionalis as de esc i ó io
a iculadas po uma o e cilínd ica coinciden e com a esquina, des acando a
a iculação dos olumes ex e io es e o jogo que o edi ício es abelece com o
desní el da ua.
Ambas são o os com pouco chão mas com p esença humana, com o
mo imen o da ua. Es ão mais p óximas do ins an âneo que da o o de
composição calculada e limpa.
O mesmo se pode dize do nega i o e da p o a em papel ealizados em épocas
di e en es po Teó ilo Rego ao Edi ício Mau ício Rial o, no Po o, cons uído
a nascen e da A . dos Aliados, no lado sul do que i á a se a P aça D. João I.
Um edi ício ino ado à época que pela sua concepção em al u a, chegando
mesmo a se designado po a anha-céus, que pela elação que es abelece ao
ní el da ua com o espaço público, ap esen a uma á ea come cial
pa cialmen e cobe a po uma ampla es u u a po icada. Fo og a ado
sis ema icamen e a pa i da Rua de Sá da Bandei a, os abalhos de Teó ilo
Rego ap oximam-se mui o da pe spec i a e do pon o de is a assumido po
Rogé io de Aze edo no desenho da 2ª e são do p ojec o, de 1941, an e io
aos p ojec os da P aça e do Palácio A lân ico (A.R.S. a qui ec os, 1944) a
37
Figu a 2. Teó ilo Rego. A P aça D. João I, segundo o
p ojec o do g upo A.R.S. a qui ec os, já com as
es á uas em b onze da au o ia de João F agoso
colocadas. Fo o pos e io a 1957. A qui o Teó ilo
Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel
Leão. PT-FML-TR-PES-16-066.
no e. Cu iosamen e o desenho de Rogé io de Aze edo já azia pa a a
imagem o mo imen o na ua no espaço de uma p aça que ainda não es a a
de inido, con ibuindo assim pa a c ia p o undidade de campo.
Apesa de menos cen ada no edi ício, amos encon a o mesmo ipo de
p eocupações de enquad amen o e de composição isual na disposição das
massas, aqui e dadei amen e quase mimé ico do desenho de Rogé io de
Aze edo, na o og a ia do Edi ício Mau ício Rial o e da P aça D. João I
6
ealizada pela Fo og a ia Beleza , an e io a 1957.
O espaço público e a sua i ência, a es a uá ia, a a qui ec u a, a luz e a
iluminação a i icial da cidade do Po o são emas eco en es no abalho de
Teó ilo Rego. É des a o ma que encon amos no seu A qui o nume osas
p o as em papel e nega i os da P aça D. João I que documen am es e espaço
u bano. Teó ilo Rego não o abo da apenas ao ní el da ua; in e essa-se pelo
espaço público e pela a qui ec u a, explo ando di e en es pon os de is a,
di e en es len es e a é no os enquad amen os sob e os nega i os ealizados.
Es a mesma P aça é ainda mo i o pa a omadas de is a ao im do dia e à noi e
numa p ocu a de imagens que, a p e o e b anco, ealcem os ambien es
lumínicos. Nelas, Teó ilo Rego e ela uma P aça di e en e, c iada pela
iluminação pública, pelos anúncios luminosos e pela ida noc u na; uma
P aça ans o mada pelo con as e das somb as e das luzes nas achadas dos
edi ícios.
Po es as e ou as p o as e nega i os exis en es no A qui o de Teó ilo Rego,
ap esen ando ma cas manusc i as e másca as, podemos pe cebe o quan o e a
no mal no seu abalho labo a o ial a manipulação dos nega i os, o eco e ou
eenquad amen o das omadas de is a e a al e ação localizada de onalidades
7
nas p o as que ealiza a. Ma ques Ab eu (1879-1958) , edi o , g a ado e
o óg a o especializado na o og a ia de a qui ec u a, com quem Teó ilo
Rego iniciou a sua ida de abalho, “não manipula a nega i os ou posi i os,
mas masca a a-os só quando as necessidades da o og a u a o
aconselha am. Os o iginais de iam se espei ados, embo a os pudesse
8
eenquad a , ou eco a , consoan e a moldu a da publicação” . Já no p ocesso
c ia i o de Teó ilo Rego a escolha e domínio de aspec os écnicos e
exp essi os, quando da exposição do nega i o e am impo an es, mas a
manipulação de nega i os e posi i os e a imp essão não espei ando a
in eg alidade dos o iginais e a p a icada, numa p ocu a de pe eição nos
e ei os o mais da emá ica. Ou o aspec o impo an e na sua o og a ia é o
céu. Elemen o de d ama ização da imagem, apa en emen e su ge-nos
múl iplas ezes manipulado senão mesmo u o de um abalho de eco e e
mon agem.
Os já e e idos ês edi ícios de Rogé io de Aze edo o am ambém objec o
do abalho de ou o g ande es údio o og á ico do Po o. Re i o-me ao
9
abalho de Domingos Al ão (1872-1946), da Pho og aphia Al ão .
Rep esen an e de uma co en e na u alis a/pic o alis a, a pa de Ma ques
38
6. Fundada em 1907 po An ónio Beleza, na Rua de
San a Te eza, n.º 18, Po o.
7. Ma ques Ab eu desen ol eu a sua ac i idade
como edi o , g a ado e o óg a o, endo sido
esponsá el pelo lançamen o de publicações
p o usamen e ilus adas, como a colecção de
monog a ias A A e em Po ugal (1905 a 1912) ou a
e is a Ilus ação Mode na (2ª sé ie, 1926-1938), e
álbuns o og á icos na p imei a me ade do século
XX. Dando especial a enção à a qui ec u a omânica,
c iou um a qui o la gamen e u ilizado pela DGEMN
nos seus abalhos e publicações. A sua ob a
“ ep esen a, cinquen a anos depois da in odução da
o o ipia e ês anos an es da o og a u a, o apogeu
da o ozincog a u a [ou similig a u a] em Po ugal,
e é uma das úl imas mani es ações da o og a ia
na u alis a/pic o alis a de que Domingos Al ão oi
mes e.” An ónio Sena – His ó ia da Imagem
Fo og á ica em Po ugal – 1839-1997. Po o: Po o
Edi o a, 1998, p. 230.
8. José Ped o de Aboim Bo ges – Ma ques Ab eu: A
Fo og a ia e a Edição Fo og á ica na de esa do
Pa imónio Cul u al. Lisboa: Uni e sidade No a de
Lisboa, 2013, p. 77.
9. Inicia a sua ca ei a como ap endiz na Casa Biel.
Em 1903 unda a Pho og aphia Al ão, na Rua de
San a Ca a ina, n.º 120, Po o. Os seus abalhos
o og á icos são apon ados “como imagens de g ande
beleza e nacionalismo”, e elado es “da beleza e
in imismo da u alidade po uguesa. Os seus
le an amen os o og á icos incluem a e en e de
paisagem u bana, o ien ada pa a as colecções de
pos ais, nomeadamen e o Po o”. M. Te eza Siza
(coo d.) – O Po o e os seus Fo óg a os. Po o: Po o
Edi o a, 2001, p. 203.
Ab eu, as suas o os, “pe manecendo en e as ambiguidades da luz e a
composição da o og a ia «de géne o» [… sem u iliza ] a manipulação dos
10
nega i os ou dos posi i os” , p i ilegiam os espaços em de imen o dos
edi ícios, aduzem mais os ambien es u banos, os espaços azios e a
i ência da ua do que os objec os a qui ec ónicos que o og a a.
A sequência Edi ício Mau ício Rial o e o que i á a se a u u a P aça D. João
I, Rua D . Magalhães Lemos, A . dos Aliados, Rua Elísio de Melo e Rua do
Almada, ainda an e io à abe u a da P aça D. Filipa de Lencas e – as
demolições só começa iam em 1943 –, é es emunho de uma ealidade u bana
em e olução nos seus aspec os ísicos, o ganizacionais e empo ais, ha endo
nela uma ideia de pe cu so que é p incipalmen e isual, mas ambém
documen al, em que a p esença e ac i idade humanas são p a icamen e
excluídas.
Cu iosamen e, encon am-se no A qui o de Teó ilo Rego se e p o as em
papel da cons ução dos edi ícios do Jo nal O Comé cio do Po o e da
Ga agem. É di ícil explica a sua p o eniência e a sua au o ia. Sabe-se que de
1925 a 1944 Teó ilo Rego abalhou nas O icinas do o óg a o e p odu o
edi o ial Ma ques Ab eu, inicialmen e como ipóg a o imp esso e depois na
11
á ea da g a u a. Só em 1946 mon a o seu p óp io es údio o og á ico . Tais
p o as e a am qua o momen os da cons ução do Edi ício do Jo nal O
Comé cio do Po o e o início da edi icação da Ga agem. São o os i adas dos
mesmos ângulos que Teó ilo Rego u iliza ia mais a de pa a e a a o
Edi ício do Jo nal, apenas di e indo na posição em al u a do obse ado e
onde não se êm homens a abalha ou mo imen o na ua.
Quan o à p o a em papel do Ho el In an e de Sag es, na P aça D. Filipa de
Lencas e no Po o, com p ojec o de 1943 e inaugu ado em 1951, Teó ilo
Rego op a po u iliza , al ez u o das condicionan es locais, um
enquad ando echado sob e o p óp io edi ício, um pon o de is a é eo com
uma pe spec i a mui o acen uada e uma ho a ma inal com a luz quase asan e
ao plano de achada do edi ício. Já o abalho da Fo og a ia Al ão ap esen a
um pon o de is a al o enquad ando a no a P aça D. Filipa de Lencas e,
ocupada pelas ia u as das companhias de iagem ai ins aladas e limi ada
pelo Ho el In an e de Sag es e pela Ga agem de O Comé cio do Po o e a
ligação à A . dos Aliados a a és da Rua de Elísio de Melo. Também aqui a
di e ença de olha es que sob e a cidade que sob e os seus edi ícios se
man ém. De alguma o ma, al como a P aça Filipa de Lencas e é o
con apon o u bano à P aça D. João I, ambém as o os que Domingos Al ão
ealizou des es espaços se con apõem e complemen am.
Exis em no A qui o Teó ilo Rego o os de ou as ob as de Rogé io de
Aze edo que ambém aziam pa e da exposição. A Fáb ica de Vila-Flo ,
Guima ães, é uma delas. Encon amos ês nega i os no A qui o Teó ilo
Rego que e a am dois pon os de is a opos os do alçado p incipal do
10. An ónio Sena – His ó ia da Imagem..., p. 212.
11. O p imei o oi na Rua da Aleg ia, n.º 482, Po o.
Em 1956 mudou-se pa a a Rua de San a Ca a ina, n.º
1583, onde pe maneceu a é 2001.
39
dadas as possibilidades dos meios de in o mação de massas en ão exis en es,
como a ádio, o cinema, o pe iodismo ilus ado ou a o og a ia. O pode dos
meios de comunicação, e en e eles o da imagem, oi das ace as de
comunicação mode nas mais explo adas pelo egime, endo sido nas
inicia i as do Es ado, o ganizadas pelo Sec e a iado Nacional de In o mação
6
(SNI), que os p incipais o óg a os desen ol e am g ande pa e da sua
7
ac i idade. Du an e as décadas de 1920 a 1940, os o óg a os p oduzi am
8
uma o ogenia do es ado no o, cons uída a a és da acção dos pe iódicos
ilus ados e das ob as de p opaganda e de di ulgação. A o og a ia assumiu-se
como um eículo essencial pa a aze chega a in o mação ao g ande público,
cons i uindo-se como elemen o cen al en e o conhecimen o e o p og esso
que o Es ado ambiciona a. En e a ecolha de in o mação e as mo i ações
poli icas, a o og a ia, assim como o cinema, pe mi i am p oduzi uma ideia
9
do país, ou melho dizendo, da memó ia desse país.
Sendo as ob as públicas o os o mais isí el do desen ol imen o, é na u al,
que as g andes emp esas que abalha am, di ec a ou indi ec amen e pa a o
Es ado, na cons ução desse ideal, enham adop ado a o og a ia e o cinema
10
como meios pa a documen a em as ob as que es a am a ealiza .
As emp esas hid oeléc icas, cons i uídas pelo Es ado du an e os anos 1940,
não o am excepção e, apesa da sua au onomia adminis a i a, odas elas
u iliza am a o og a ia pa a documen a a cons ução das ba agens, a sua
conclusão e a consequen e u ilização das in a-es u u as ine en es. Na Hica e
na Hid oeléc ica do Zêze e (Hez), as duas emp esas que inaugu a am as
espec i as concessões em simul âneo, a u ilização da o og a ia oi
igualmen e coinciden e e, numa p imei a ase, ambas con a a am a Casa
11
Al ão, pa a da em início aos espec i os a qui os o og á icos.
Apesa dos objec i os não se em, apenas, p opagandís icos, a u ilização da
o og a ia e dos mesmos o óg a os, pela Hica e pela Hez, de i am dessa
condição. No caso da Hica, é o p óp io Conselho de adminis ação que o
con i ma. Em 1949, enquan o discu iam a p opos a pa a a ealização de um
documen á io cinema og á ico sob e as ob as da emp esa, oi e e ida a
impo ância das imagens e em de se pe iódicas, e em pa alelo com o egis o
o og á ico que se es a a a ealiza , salien ando que ambos, os ilmes e as
o og a ias encomendados, não se des ina am “...exclusi amen e à
12
p opaganda” . Suben ende-se, nessa a i mação, um duplo sen ido na
u ilização da imagem. Po um lado a o og a ia su ge como e lexo de um
con eúdo ideológico e polí ico ma cadamen e a ec o ao egime e po ou o
como um ins umen o de egis o e acumulação ex ensi a de dados pa a a
emp esa.
A p imei a a i mação é na u al e deco en e do ac o dos ap o ei amen os
hid oeléc icos e em sido, pa a o Es ado No o, o lado mais isí el das
g andes ob as públicas, le adas a cabo após a II Gue a Mundial. Na Linha de
umo açada pelo engenhei o Fe ei a Dias Júnio (1900-1966), isando o
46
6. O o ganismo oi c iado em 1933, com a
denominação de Sec e a iado de p opaganda
Nacional SPN, adop ando a designação SNI em
1945. Em 1968 oi ans o mado na Sec e a ia de
Es ado da In o mação e Tu ismo (SEIT).
7. Emília Ta a es, apon a o pode dos meios de
comunicação, e en e eles o da imagem como uma
das ace as de comunicação mode nas mais
explo adas pelo egime. Ve TAVARES, Emília, A
o og a ia ideológica de João Ma ins (1898-1972),
Po o, Mimesis, 2002.
8. An ónio Sena, na His o ia da imagem o og á ica
em Po ugal, 1939-1997 u iliza a exp essão o ogenia
do es ado no o pa a e e encia o pe íodo de 1920 a
1945. Essa exp essão e i ica-se na imp ensa
adicional, sujei a a uma igo osa censu a, nos
magazines ilus ados que apa ece am em 1928,
No icias Ilus ado, nas edições de p opaganda,
Po ugal 1934 e Images Po ugaises, 1937, ambas
edi adas pela SPN, nas exposições o iciais (exemplo
das o omon agens mu ais na exposição de pa is de
1937 ealiza-das po Al ão e Má io No ais). E desde
de 1932, nos salões de a e o og á ica do g émio
po uguês de o og a ia com uma secção dedicada
exclusi amen e à SPN.
9. Aby Wa bu g (1866-1929) a a és dos a las isuais
que c iou elacionando imagens da his ó ia da a e
em e mos simplesmen e isuais desen ol eu a eo ia
da memó ia social ou colec i a a a és das imagens,
de endendo que, “...es as pe du am pa a além do seu
empo numa ida pós uma, ou mig am pa a além das
suas o igens.” In BORGES, Ped o Mau ício, O
Desenho do Te i ó io e a Cons ução da paisagem
na Ilha de S. Miguel, Aço es, na segunda me ade do
século XIX, a a és de um dos seus p o agonis as.
Coimb a, Disse ação de Dou o amen o,
Depa amen o de A qui ec u a da Faculdade de
Ciências e ecnologia da uni e sidade de Coimb a,
2007. p.21. Em Modos de Ve , de John Be ge
podemos pe cebe epe cussões dessa o ma de
pensa c iada po Wa bu g no início do século XX.
Sob e Wa bu g e An ónio Gue ei o, “Abby
Wa bu g e os a qui os da memó ia”, disponí el em
<h p://www.educ. c.ul.p /hype / esou ces/ague ei o
pwa bu g/> consul ado em Ma ço de 2014.
10. Du an e o século XX, a u ilização da o og a ia,
no egis o da cons ução dos g andes
ap o ei amen os, oi amplamen e u ilizada em odos
os países que ealiza am ap o ei amen os
hid oeléc icos. Com alguns o óg a os a
no abiliza em-se pelo abalho ealizado nesse
campo. Exemplo dos o óg a os do esc i ó io de
in o mação de Knox ille pa a a Tennessee Valley
Au ho i y', Cha les K u ch, Emil Sienknech e Billy
Glenn, cujas imagens azem, hoje, pa e da colecção
do museu de a e mode na de No a Yo k.
11. Na Hid oeléc ica do Dou o, a e cei a g ande
emp esa a se c iada pa a a explo ação de ecu sos
híd icos em Po ugal, esse p ocesso pode se mais
acilmen e comp eendido, dado que a cons i uição da
emp esa e os abalhos pa a a explo ação do io
Dou o inicia am-se mais a de do que na Hica ou na
desen ol imen o indus ial e económico do País, a ideia da u ilização da água
como o ça mo iz pa a p odução de ene gia eléc ica, impôs-se como
undamen al. A alo ização da ene gia hid oeléc ica assen ou numa
compa ação écnico-económica di ec a com a solução al e na i a
e moeléc ica, que ag a a a ainda mais a dependência do ex e io e que
jus i icou o g ande in es imen o ealizado nou as o mas de p odução de
ene gia.
Essas ob as, de g ande dimensão, que o Es ado anda a a ealiza , e que
es a am al e a p o undamen e o e i ó io, a a és das ba agens e das in a-
es u u as pa a o anspo e da ene gia, não e am pe cep í eis pelo po o. A
não se , a a és das imagens p omo idas pelas emp esas e pelo egime,
des inadas a se i de supo e imagé ico às ealizações e ideais que
sus en a am o úl imo. Pa a as p e ensões do Es ado, não chega a aze
chega a elec icidade a g ande pa e da população que esidia nas p incipais
cidades, e a necessá io p oduzi e aze ci cula imagens da cons ução desse
p og esso e o na-lo pa e do imaginá io de odos os po ugueses.
Po ou o lado, pa a a emp esa, o egis o das di e en es ases da ob a e a
undamen al pa a o desen ol imen o das écnicas u ilizadas. Engenhei os,
opóg a os e geólogos se i am-se da o og a ia como ins umen o de
abalho, pe mi indo-lhes egis a elemen os impo an es da cons ução, das
esca ações e da opog a ia, que e am depois u ilizados no desen ol imen o
dos p ojec os.
Os Fo óg a os
13
Desde do início da c iação do Spn/Sni, em 1933, Domingos Al ão (1869-
14
1946), jun amen e com alguns dos o óg a os mais impo an es da época,
ez pa e das p e e ências de An ónio Fe o (1896-1956), pa a a elabo ação
dos álbuns o og á icos ealizados pelo Sec e a iado. Na década de 1930, a
Casa Al ão ap esen ou-se como um es údio de o og a ia cujas capacidades
écnicas e qualidades a ís icas e am econhecidas publicamen e. Em 1937,
com o a as amen o p ecoce, de Al ão coube ao seu colabo ado e sócio,
15
Ca doso de Aze edo a a e a de assumi a di ecção da emp esa.
Em 1946, oi Ca doso de Aze edo quem se deslocou ao Cá ado pa a inicia o
egis o do ap o ei amen o daqueles ios, documen ando o local onde se ia
ealizado o 1º escalão. A pa i desse momen o, a Casa Al ão man e e-se a
o og a a , odas as ases de cons ução dos di e en es escalões. Além da Casa
Al ão, du an e aqueles anos, ou os o óg a os se des aca am a egis a
16
imagens dos ap o ei amen os. Con a ados pelo es ado , pelas emp esas de
17 18
cons ução ou pelo a qui ec o Januá io Godinho (1910-1990), são á ios
os egis os que encon amos sob e as ob as da Hica. Mas, a é ao início da
cons ução do úl imo escalão, no Al o Rabagão, apenas a Casa Al ão oi
esponsá el pelo a qui o o og á ico da Hica. Uma o ien ação, que só se
al e ou em 1961, com a con a ação de Teó ilo Rego (1914-1993) da
Hez. Dada a oca de in o mação cons an e en e as
emp esas, é na u al que, desde do início da
cons ução, enham es ado p esen es no Dou o
o óg a os pa a documen a odas as ases da ob a.
12. Ac a nº210 de 02 de Agos o de 1949, AHME,
ARCAHICA. p.2.
13. Domingos do Espí i o San o Al ão, colabo ou
com Emílio Biel e Leopoldo Cy ne. Em 1903
es abeleceu a Fo og a ia Al ão desen ol endo á ios
abalhos pa a as g andes emp esas, ins i uições e
pa a o Es ado.
14. Além de Al ão aziam pa e das p e e ências do
SPN: Má io No ais, J. Ma ins, O. Bobone, J.
Benoliel, H. No ais. Ve Má io No ais, Exposição
do Mundo Po uguês 1940, A qui o de A e do
Se iço de Belas A es, Fundação Calous e
Gulbenkian, Lisboa, ca álogo, 1998, p.19.
15. Em 1906, Ál a o Ca doso de Aze edo, após uma
b e e passagem pelo Rio de Janei o, iniciou a sua
ac i idade na Fo og a ia Al ão. Em 1914, Al ão
con iou-lhe a ge ência da i ma e em 1921
cons i uí am a sociedade Al ão & Cª. Em 1937,
Al ão e i ou-se e Ca doso de Aze edo assumiu
in eg almen e as esponsabilidade da Fo og a ia
Al ão, icando como seu único p op ie á io. Todas as
o og a ias con inua am a sai com a chancela
come cial Al ão. Na década de 1940 c iou a
Sociedade Aze edo & Fe nandes, Ldº - Fo og a ia
Al ão jun amen e com José Fe nandes Mendes de
Oli ei a. Pa a mais in o mação sob e a Fo og a ia
Al ão consul a a ese de mes ado de Filipe And é
Co dei o Figuei edo, Nacionalismo e Pic o ialismo
na Fo og a ia Po uguesa na 1º me ade do século
XX: O caso exempla de Domingos Al ão, Faculdade
de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade
No a de Lisboa, 2000, SIZA, Ma ia Te eza; SERÉN,
Ma ia do Ca mo, T ipé da Imagem - O Po o e os
seus o óg a os. [o g.] Po o 2001 Capi al Eu opeia
da Cul u a. Po o Edi o a, 2001. PEREIRA, Albano
da Sil a, O Dou o de Domingos Al ão. T ad.
Alexand e Ma os. [S.l.: s.n], 1995. Tá o a, Fe nando;
Viei a, Joaquim, A Cidade do Po o na ob a do
o óg a o Al ão - 1872-1946. 2ª ed. Po o: Fo og a ia
Al ão, 1993.
16. No a qui o do o óg a o Má io No ais, na
Fundação Calous e Gulbenkian exis em á ias sé ies
ela i as aos ap o ei amen os hid oeléc icos do
Cá ado e ambém do Zêze e. Algumas dessas
imagens só es ão ep oduzidas em pan le os ou
ca álogos p opagandís icos ealizados pelo SPN, pelo
que se induz que osse a pedido do Es ado que es e
o óg a o enha es ado no Cá ado.
17. No ace o documen al de Teó ilo Rego
encon amos uma caixa da Seop, emp esa
esponsá el pela cons ução de á ias in a-es u u as
pa a a Hica, com á ias o og a ias ela i as à
cons ução da ba - agem e cen al do Al o Rabagão.
18. Exis iam no espólio do Januá io Godinho á ios
nega i os das suas ob as ealizadas pa a a Hica, dos
quais não oi possí el a e i a au o ia. Nos nega i os
47
Fo og a ia Come cial.
Conhecido sob e udo no No e do País, Teó ilo Rego, ealizou os mais
di e sos abalhos de o og a ia: abalhou pa a o Spn/Sni, o og a ou ob as
pa a á ios a qui ec os, incluindo Januá io Godinho, ez cen enas de e a os
e especializou-se como o óg a o come cial abalhando pa a inúme as
19
emp esas na ealização de ca álogos. Te á sido essa di e sidade p o issional
que in e essou à Hica, nos úl imos anos da concessioná ia. Du an e o pe íodo
que abalhou pa a a emp esa, pa a além de o og a a a cons ução do Al o
Rabagão e as ob as já concluídas nos escalões an e io es, Teó ilo ambém
ealizou á ios o óli os con endo g á icos e desenhos sob e os
ap o ei amen os pa a se em u ilizados pela Hica na ep odução em sé ie nas
á ias monog a ias e ca álogos que a emp esa lança a pe iodicamen e.
Du an e a cons ução do úl imo ap o ei amen o, coube a Teó ilo Rego a
maio a e a. A Casa Al ão, man e e-se a o og a a pa a a Hica a é ao inal da
cons ução desse escalão, mas pe cebe-se, pelo eduzido núme o de
o og a ias encon adas no a qui o, com a chancela Al ão, que a sua
pe manência du an e esse pe íodo oi mui o meno do que inha acon ecido
nos an e io es escalões.
Os álbuns o og á icos
Os álbuns da Hica ão, p og essi amen e, des endando agmen os de uma
paisagem em mudança. São o og a ias documen ais e de abalho, cujos
au o es não as limi a am a um le an amen o o og á ico me amen e
desc i i o. O que se obse a e in e p e a é uma ans o mação das paisagens
do Cá ado e do a luen e Rabagão que nem semp e é con i mada nos
documen os da emp esa, onde são á ias as desc ições sob e as di íceis
condições de habi abilidade dos abalhado es, desde os p ocessos de
exp op iação in eg al de aldeias, da inundação dos campos ag ícolas, da
ans e ência dos habi an es da egião e das opo unidades económicas
abe as com a cons ução da ba agem.
A paisagem é pe cepcionada pela o og a ia e oi enquad ada pela on ade do
o óg a o, que delineou a pe spec i a e enquad ou o ângulo de isão. Esses
limi es, colocados, o am indispensá eis à cons i uição da paisagem que
podemos e a a és dessas o og a ias. Toda a imagem enca na um modo de
20
e sendo as leis da o og a ia que egem a elação do nosso pon o de is a
com a ealidade daquele e i ó io. Como e e e Cauquelin, “...cons i ui o
agmen o é uma ope ação a p io i, que es á isen a de qualque in enção
pa icula ... ela é e iden e, po que é uma das condições de p eenchimen o do
21
enunciado paisagem”.
Uma paisagem cons uída segundo agmen os, a a és do olha desses
o óg a os, cujas al e ações egis adas podemos di idi em ês momen os
essenciais:
1. As p imei as o og a ias: ealizadas an es do início das ob as e que
48
encon ados os enquad amen os do o óg a o são
( e)enquad ados pelo a qui ec o, de inindo aquilo
que se ia mos ado. É e iden e o desejo de domina a
mensagem ansmi ida e o modo como os edi ícios
e am ap esen ados.
19. A ob a de Teó ilo Rego não oi ainda
de idamen e es udada. A p imei a in es igação sob e
a sua ob a es á a se ealizada pelo Cen o de Es udos
A naldo A aújo da Escola Supe io A ís ica do Po o
(CEAA-ESAP), o p ojec o de IC&DT “Fo og a ia,
A qui ec u a Mode na e a «Escola do Po o»:
In e p e ações em o no do A qui o Teó ilo Rego”. O
espólio o og á ico es á sob a esponsabilidade da
Fundação Manuel Leão.
20. John Be ge abo da a o ma como os modos de
e in e e em na nossa o ma de in e p e a e a
capacidade das imagens em adqui i em au onomia
po si só. “Toda a imagen enca na un modo de e .
Incluso una o og a ía, pues la o og a ía no son
como se supone a menudo, un egis o mecánico...
oda a imagen enca na un modo de e , nues a
pe cepción o ap eciación de una imagen depende
ambién de nues o p opio modo de e . BERGER,
John, Modos de Ve (1972), Ba celona, Edi o ial GG
SA, 2000 (4ºedición) p.16.
21. CAUQUELIN, Anne, A in enção da paisagem,
Lisboa, Edições 70, 2008, p. 100.
e a am uma egião “na u al” ca ac e izada po ele os igo osos, p opícios
à cons ução de ba agens, e onde não se p essen e a p esença humana. Um
olha c i e ioso que des acou aquilo que que ia que osse obse ado.
2. A cons ução: Não o am os habi an es que pa icipa am com o seu
abalho na mudança das o mas do e i ó io, mas sim emp esas
deslocalizadas que impuse am cons uções e in a-es u u as que
ans o ma am adicalmen e a egião. Nessas imagens da cons ução de uma
22 23
paisagem “eléc ica” , não apa ecem os elemen os de uma paisagem u al ,
p es es a se des uída.
3. As úl imas imagens: As imagens das inaugu ações e do pe íodo de
explo ação desempenham unções que p eexis i am à sua ap esen ação – a
e e nização de um empo de uma ida colec i a ab icada.
As p imei as o og a ias
Em 1944, quando a Hica iniciou os abalhos com base no plano ge al
en egue pela Di ecção Ge al dos Se iços Hid áulicos (Dgsh), os écnicos da
emp esa já sabiam que e iam a necessidade de amplia e comple a os
es udos iniciais ealizados po aqueles se iços. A ea aliação do local
escolhido pa a a ba agem de Venda No a, le ou a que ossem os geólogos,
os p imei os a es uda em o local. Du an e quase dois anos, o am os únicos a
es a em na egião. Só em 1946, a Hica iniciou os abalhos de campo,
en iando os p imei os engenhei os e abalhado es pa a o Cá ado.
Ob igados a ixa em-se po pe íodos longos na egião, os écnicos da Hica,
depa a am-se com á ios condicionalismos pa a encon a em locais com o
mínimo de condições de habi abilidade que pe mi issem a sua pe manência.
Inicialmen e, começa am po ocupa , como base das ins alações, algumas
casas de uma das aldeias que i ia a se inundada pela albu ei a. Habi ações
desp o idas das condições essenciais de habi abilidade e de abalho pa a o
núme o de écnicos que a Hica necessi a a no e eno pa a, nessa p imei a
ase, ixa em a localização e o ipo de ba agem a cons ui .
Não sendo possí el ins ala odos os écnicos necessá ios, e po pe íodos de
empo dila ados, uma das o mas de abalho encon adas oi o egis o
o og á ico. As p imei as o og a ias, ealizadas po Ca doso de Aze edo,
mais do que cons i uí em imagens con empla i as do e eno an es da
ealização das ob as pela Hica, ajuda am a ca og a a o e i ó io. Imagens
que e am depois analisadas, pelos engenhei os da Hica, no Po o, e u ilizadas
como e amen a de abalho pa a a e i da melho localização e desenho da
ba agem de Venda No a, o elemen o essencial pa a a de inição do escalão.
Pa a além dos esul ados dos es udos opog á icos e geológicos, os écnicos
u iliza am a o og a ia pa a a comp eensão dos e enos que es a am a
es uda .
São á ias as e elações de o og a ias dos possí eis locais de implan ação da
ba agem, nas quais os engenhei os planea am di e en es o mas pa a a
49
22. PAVIA, Rosá io, La ci á della sipe sione, Roma,
Mel eni, 2002 / SARAIVA, Tiago, Ciência y Ciudad,
1851-1900, Mad id, Ayun amien o de Mad id, 2005.
23. Seguindo Ál a o Domingues, u iliza-se Ru al
como “...um adjec i o que quali ica cul u as, isões
do mundo imaginá ios...e po a as amen o, as
gen es e a geog a ia, o e i ó io e as paisagens
desses imaginá ios.” In Vida no Campo, Po o,
Da ne Edi o a, 2013, p.121.
ba agem. Vis as de jusan e e de mon an e, mos ando os ele os igo osos e
ales ac u ados, p edominan emen e ochosos e de ege ação escassa, e que
se i am de supo e pa a os p imei os esboços da ba agem.
O conhecimen o do luga , o que o ca ac e iza a e que ans o mações inham
oco ido naquelas encos as, p eocupações equen es dos engenhei os,
geólogos e ca óg a os, o am elemen os ecolhidos com o auxílio das
imagens. Pa a in e i em naquele e i ó io, oi necessá io aos p ojec is as
24
c ia em uma consciência paisagís ica que dependeu em pa e da u ilização
que ize am da o og a ia.
A cons ução
As o og a ias do segundo momen o, são, p o a elmen e, onde as al e ações
ao e i ó io são mais ma can es. As imagens e a am a chegada do pessoal
das cons u o as pa a da em início aos abalhos p epa a ó ios. Numa al u a
em que nada inha sido e igido o que é dado a e é o p incípio da
ans o mação do e i ó io. Em i ude da in e enção humana naquele local
a paisagem na u al an e io men e e a ada, de i a numa paisagem da
25
acção . Du an e aquele pe íodo, as duas paisagens coexis i am num mesmo
empo. O io e as suas encos as, a é ai, o og a ados sem es ígios da p esença
humana, passa am a se o cená io das ob as da Hica e da p esença de uma
abundan e mão de ob a inda de longe. A abe u a das es adas, de acesso aos
locais dos es alei os, e o des io do io, pa a deixa a seco o local de
implan ação da ba agem, con apõem-se às desc ições de uma paisagem
exis en e que es a a elacionada com um p ojec o, ainda que inconscien e, da
o ganização de ida social dos habi an es daquela egião. Uma p esença
equen emen e desc i a nos ela ó ios do Conselho de adminis ação, com
e e ências às populações esiden es e aos g andes cons angimen os que elas
causa am no p osseguimen o dos abalhos pa a a cons ução dos
ap o ei amen os.
Com excepção das o og a ias i adas du an e o enchimen o da albu ei a de
Venda No a, em que é isí el a aldeia do mesmo nome a se cobe a pelas
águas, não exis em nos álbuns ela i os aos cinco ap o ei amen os ou as
e e ências às aldeias que o am subme sas ou às comunidades des uídas
com a cons ução das ba agens. A excepção dessas imagens, só pode ão se
jus i icadas pois, o que es a ia a se egis ado não e a a an iga, mas sim a no a
aldeia de Venda No a, que su ge nas imagens em segundo plano, numa zona
mais ele ada. A no a po oação, pa a onde a emp esa p opôs que se
ans e issem os ocupan es das casas exp op iadas da an iga po oação e na
qual cons uiu, à sua con a, os edi ícios de in e esse ge al.
Dada a ele ância do assun o pa a a emp esa, as populações esiden es e as
exp op iações, me ece am uma secção p óp ia no colóquio, sob e os
p oblemas de uma g ande emp esa, que a Hica o ganizou em 1957, no qual,
24. Concei o desen ol ido po Augus in Be que, no
qual in e i na paisagem não é uma ques ão de gos o
ou de sensibilidade mas sim de conhecimen o. Os
conhecimen os não se in en am mas adqui em-se,
com o es udo e a in es igação. Ve , po exemplo,
Augus in Be que, Les Raisons du Paysage de la
Chine an iqúe aux en i onnemen s de syn hése,
Hazan, Pa is, 1995.
25. Simón Ma chán Fiz sepa a a noção de paisagem
em ês ca ego ias. A Vo s ellung _ Paisagem de
con emplação; a Da s ellung_ ep esen ação a ís ica
e a Ges al ung_paisagem da acção. Ve Simón
Ma chán Fiz, La expe iencia es é ica de la
na u aleza, in Paisaje y pensamien o, Di . Ja ie
Made uelo, Mad id, Abada edi o es, 2006.
50
ambém, o am deba idas as ques ões aqui abo dadas. A na ação desses
acon ecimen os, que não con e em com as imagens con empla i as que os
álbuns nos o e ecem, desc e em um e i ó io densamen e po oado pa a
quem a cons ução dos ap o ei amen os al e ou adicalmen e a ap eciação da
paisagem ao se em al e ados os ní eis de sa is ação dos in e esses pessoais
26
que inham naquela egião.
As imagens do e i ó io, is o é, as paisagens, alam, undamen almen e, das
27
elações en e os e i ó ios e os seus ans o mado es, os no os habi an es.
Os documen os da Hica desc e em as al e ações das populações p esen es,
dos seus hábi os, das suas ideias e dos seus in e esses. Nes a pe spec i a a
paisagem ans o ma-se num duplo sen ido, enquan o supo e ísico e
enquan o o ma de se pe cebida.
Essa dupla pe cepção dos ac os, não oi ci cunsc i a apenas às elações com
as populações esiden es, es endendo-se a á ios episódios em que a
ealidade desc i a nas ac as e ela ó ios da Hica não coincidem com as
imagens ap esen adas.
Desde o início, a emp esa deba eu-se com di iculdades na o ganização dos
seus quad os. Hou e que p ocu a pessoal habili ado onde o ha ia e deslocá-
lo pa a os es alei os e pa a as cen ais. Essa adap ação a uma no a ealidade
oi mais ag a ada pelos p oblemas da he e ogeneidade do pessoal, desde o
supe io e di igen e, de cu sos médios e supe io es, colocados nas cen ais,
a é ao simples abalhado sem especialização, de cul u a udimen a e mui as
ezes anal abe o que esidia nos es alei os e abalha a nas ob as. Essas
desigualdades, sociais e labo ais, c ia am di e gências di íceis de
26. DONADIEU, Pie e, A cons ução de paisagens
u banas pode á c ia bens comuns? in Paisagem
Pa imónio, Po o, Da ne Edi o a, 2013, p.77.
27. MADERUELO, Ja ie , La ac ualidad del paisaje,
in Paisagem y pensamien o, di . Ja ie Made uelo,
Mad id, Abada Edi o es, 2006, p.236.
51
Figu a 1. Cons ução dos acessos pa a a Cen al de
Venda, Casa Al ao, 1947. A qui o EDP, Po o.
adminis a pela Hica. Os bai os ealizados pa a os ope á ios da cen al,
e am cons uídos p e iamen e e se iam pa a ins ala os écnicos da Hica
du an e as ob as da ba agem, enquan o que os abalhado es dos cons u o es
e am alojados nas ins alações empo á ias localizadas jun o aos es alei os.
Também as ob as não o am isen as de di iculdades sendo o caso do
ap o ei amen o de Venda No a o mais e iden e. Ao se a p imei a ob a, a
Hica, acusou a inexpe iência e lec indo-se numa sé ie de con a iedades no
decu so da cons ução. Os concu sos das emp ei adas o am lançados e as
ob as adjudicadas ainda com os p ojec os na ase de es udo p é io. Os
emp ei ei os, ambém pouco habi uados a ob as daquela en e gadu a, o am
pa a o e eno munidos apenas daqueles es udos, sendo os p ojec os de
execução en egues à medida que as ob as iam a ançando. Essa al a de
p epa ação acabou po e á ias consequências nega i as. Episódios, que
não são pe cep í eis nas o og a ias daquele pe íodo e que o am eco en es
nas ob as do p imei o escalão, mas não impedi am os o óg a os de ob e em
imagens de g ande exp essi idade. As o og a ias das es u u as me álicas
mon adas pa a as cen ais de b i agem e de be onagem, a en ada em ob a dos
g andes camiões Euclids ou os blondins a anspo a em os ma e iais, en e as
encos as, anunciam uma capacidade écnica mui o dis in a dos mé odos
udimen a es u ilizados que encon amos du an e a p imei a ase de
p epa ação das ob as. As o og a ias das p imei as es adas a se em abe as
pela o ça humana e com ajuda de ca oças e de animais, deu luga a uma
ou a ealidade écnica. Nas o og a ias da cons ução da ba agem há uma
cla a isão do u u o, elas p onunciam-se sob e a ocupação do e i ó io,
sob e como o “p og esso” es a a a se cons uído, mas ocul am as du as
condições de abalho dos cons u o es e as di e enças exis en es en e esses e
os ope á ios ao se iço da Hica. Os g andes es alei os são, no malmen e,
egis ados à dis ância pe mi indo pe cebe -se a g ande dimensão das ob as,
mas impedindo a comp eensão das es u u as empo á ias, dos do mi ó ios e
can inas onde esidiam a maio ia dos abalhado es, em condições que nem
semp e o am as melho es.
As úl imas imagens
Dos egis os ealizados no inal das cons uções, e idenciam-se dois
momen os. As o o- epo agens às inaugu ações dos ap o ei amen os e o
egis o das no as in a-es u u as após a sua inalização.
Ocupamo-nos p imei o das o og a ias dos edi ícios em uncionamen o,
onde a dissociação en e a acção e a ep esen ação con inua a es a p esen e.
Dado o ca ác e p opagandís ico das inaugu ações, os emas a ados
pe mi em-nos uma abo dagem em sepa ado.
Teó ilo Rego começou a abalha pa a a Hica em 1962. A concessioná ia
es a a a e mina a cons ução da ba agem de Pa adela e já es a am
52
concluídos e em pleno uncionamen o os ap o ei amen os de Venda No a, de
Salamonde e de Caniçada.
Es a obse ação empo al ganha impo ância pa a a comp eensão dos
di e en es egis os ealizados, pelas duas emp esas de o og a ia, à ase inal
dos ap o ei amen os. Se dos pe íodos das cons uções, não é ácil de e mina
a au o ia das o og a ias, p incipalmen e nos casos do Al o Cá ado e Al o
Rabagão, coinciden es com a p esença da Casa Al ão e da Fo o Come cial no
e eno, já nas imagens dos ap o ei amen os concluídos é possí el obse a -
se duas o mas dis in as de ap eciação daqueles luga es.
As imagens, cap adas pela Casa Al ão, são acções do espaço como do
empo, com os edi ícios a su gi em azios de pessoas con as ando com a
agi ação que se e i icou nas imagens ob idas du an e a cons ução. O
aspec o limpo e objec i o das o og a ias do inal das ob as, con ibuem pa a
uma eno ação da isão que emos daqueles luga es, pe mi indo da -lhes
no as qualidades. São o egis o acabado de odas as in a-es u u as
ealizadas: as ba agens e as albu ei as, as cen ais, os cen os de comando e
os bai os.
A p esença de pessoas apenas é no ada nas cen ais e na sala de comando, com
os écnicos a abalha em em en e aos painéis de con olo da ba agem. Uma
in e acção en e o homem e a máquina que eme e pa a uma a mos e a
ecnológica com pe sonagens so is icadas, es idas com a os b ancos, que os
des acam das máquinas e dos in e io es des i uídos de ado nos, aos quais
essas igu as dão a escala necessá ia. Que nas cen ais como nos edi ícios
das sub-es ações, apenas o am egis ados o piso das u binas e a sala de
comando espec i amen e. Apesa da qualidade colocada no desenho e
acabamen os dos gabine es e dos espaços auxilia es, esses espaços não
ize am pa e da imagem “mode na” que a Hica p e endeu di undi .
Nas o og a ias de Ca doso de Aze edo, a ansição en e esse cená io
ecnológico, das cen ais e comandos, e as es an es zonas, elacionadas com
o espaço habi acional dos bai os dos ope á ios, dá-se de uma o ma b usca. A
p esença humana desapa ece, quase po comple o, e a ecnologia dá luga à
28
e alo ização de elemen os adicionais. Nas casas e nos equipamen os dos
bai os assis e-se a uma homogeneização da imagem do conjun o,
ansmi ida pelas qualidades plás icas da a qui ec u a. Independen emen e do
p og ama e p odu o da op imização de cus os, os edi ícios pa ilham
elemen os e soluções cons u i as, como os alpend es, as a andas, as
gelosias em c i o, as cobe u as inclinadas em elha ou as pa edes em g ani o.
As uas azias, as casas mobiladas e as pe spec i as dos edi ícios, com
ângulos ala gados, conduzem o olha pa a uma ou a mode nidade, uma
29
e idência, não do que ali es a a mas do que alguém a aliou. Os ex e io es
dos edi ícios, nos bai os, o am enquad ados po uma en ol en e p óxima,
ambém ela um p odu o ab icado u o do ambien e que a p oduziu. O
53
28. FERNANDEZ, Sé gio, Januá io Godinho,
P o issional con o e so, in Januá io Godinho,
Lei u as do mo imen o mode no, Po o, CEAA,
2012, p.50.
29. SONTAG, Susan, Ensaios sob e o og a ia,
Lisboa, Que zal, 2012, p.91.
p opósi o das o og a ias é o e ece uma in e p e ação dos edi ícios onde
p edominam a objec i idade e a p eocupação em e ela o objec o cons uído
com o máximo de de alhe. O esul ado é uma unidade isual inédi a a é en ão,
onde se alo izou os espaços azios e encenados nos quais a ealidade e a
expe iência se ocul a am, p e alecendo o lado mais es é ico da o og a ia,
pa a mos a aquilo que oi ealizado. Um p ocesso de a ialização,
u ilizando a de inição de Alain Roge , onde o e i ó io oi adqui ido po um
modo de ans o mação do espaço isí el a a és de uma ap eciação es é ica
30
posi i a in luenciada pela imagem.
Nos egis os cap ados po Teó ilo Rego, uma ou a imagem é mos ada. Da
necessidade de ope á ios a con ola as cen ais, o am c iadas no as
31
comunidades que i e am naqueles locais á ios anos. São o og a ias que
e a am o dia-a-dia, dos ope á ios e das suas amílias, nos bai os c iados
pela Hica. Se po um lado denunciam a a dia pe manência do o óg a o nos
á ios ap o ei amen os, po ou o, con i mam algumas das p eocupações
que a Hica se deba eu em elação ao ambien e dos seus ope á ios o a dos
espaços de abalho. As o og a ias o nam-se em on es impo an es pa a a
32
comp eensão dos aspec os sociais das comunidades ope á ias da Hica.
Fo am essas i ências, esul ado das inicia i as da Hica, que Teó ilo Rego
documen ou e que ajudam a comp eende a o ma como os bai os
unciona am du an e a explo ação das cen ais. O que oi e a ado são
si uações eais, são as condições de ida e habi a du an e os anos em que os
33
ap o ei amen os e am con olados no local: os alunos nas salas de aulas, os
54
Figu a 2. Res au an e de Caniçada, Casa Al ao,
1956. A qui o EDP, Po o.
30. ROGER, Alain, Cou T ai é du paysage,
Mayenne, Gallima d, 1997.
31. No e-se que o ap o ei amen o de Venda No a
en ou em uncionamen o em 1951 e o, úl imo no
Al o Rabagão só oi e minado eze anos mais a de,
em 1964. A en ada em uncionamen o no inal dos
anos 1970 do cen o de elecomando da EDP,
ins alado no Peso da Régua pa a con ola odas as
ba agens do Pais, le ou ao desapa ecimen o das
comunidades ope á ias jun o às ba agens.
32. Pa a uma ap oximação às di e enças en e classes
sociais e ao papel da o og a ia na p á ica e nog á ica
e BOURDIEU, Pie e, Un A e médio, Ba celona,
Edi o ial Gus a o Gili, S.a. 2003.
ope á ios a joga em u ebol, as mulhe es em cu sos de cos u a ou as es as de
ani e sá io e de na al. As imagens o e ecem-nos a p odução de um no o
pa imónio cul u al, cuja dimensão plás ica e ex ensão ompeu com a an e io
34
iden idade do luga , p oduzindo “...um modo de ida u bano e mode no”
cen ado nos pequenos bai os si uados jun o às ba agens. Ao con á io das
imagens es á icas de Ca doso de Aze edo, de uma “...supos a conquis a
35
au o al, a a és da o og a ia, de um e i ó io iluso iamen e i gem” ,
Teó ilo de iniu o luga , c iando um momen o den o de um mo imen o, no
qual “... habi a no luga é es a em mo imen o, é es a no mo imen o desse
36
luga , no qual pa icipamos.” O que obse amos são os pe sonagens
daquelas ob as a deixa em de es a o a da paisagem e a passa em a mo e -se
nela.
Du an e os 19 anos, a Hica, cons uiu cinco ap o ei amen os cons i uídos po
seis ba agens, qua o cen ais e qua o bai os. Nesse pe íodo os engenhei os
e os a qui ec os insc e e am os seus p ojec os di ec amen e na ma e ialidade
do luga , sob e o e i ó io exis en e. A cons ução das ba agens ins alou à
sua ol a um ambien e paisagís ico, ans o mando a e a em água e os
37
mon es em cons uções.
Os e i ó ios, omados pela Hica, le a am à ans o mação da na u eza pela
38
colec i idade, es abelecendo luga es onde a isão oi guiada pelas no as
ep esen ações do espaço, assim como pelas no as p á icas e usos locais. Os
o óg a os ac ua am sob e o olha colec i o, p opo cionando modelos de
isão, esquemas de pe cepção e delei amen o. Eles não se limi a am a um
ac o mecânico, a sua obse ação pe an e aqueles objec os, os seus egis os,
Figu a 3. Piscina da pousada do Al o Rabagão
du an e a inaugu ação do ap o ei amen o, 1965.
A qui o Teó ilo Rego, Museu Casa da Imagem -
Fundação Manuel Leão.
33. Nos anos 1970, com o desen ol imen o da
ecnologia, as cen ais passa am a se con oladas à
dis ância e a p esença do homem deixou de se
necessá ia jun o às cen ais. Essa ci cuns ância le ou
ao es aziamen o e abandono g adual dos bai os da
Hica.
34. RAPOSO, Isabel, “A u banização da paisagem
u al e o papel das casas dos emig an es”, in
Paisagem Pa imónio, Po o, Da ne Edi o a, 2013,
p.181.
35. BANDEIRA, Ped o, “Um ex o sob e o pô -do-
sol”, in Só nós e San a Tecla, Da ne, p.67.
36. BESSE, Jean-Ma c, “Es a na paisagem, habi a ,
caminha ”, in Paisagem Pa imónio, Po o, Da ne
Edi o a, 2013, p.52.
37. Segundo Anne Cauquelin, qualque que seja a
ap esen ação que a paisagem nos concede, pa a que
ela exis a, de e ão su gi e es a elacionados os
qua o elemen os de e e ência: a água, o ogo, o a e
a e a. A in enção da paisagem, pp.104-112.
38. COSGROVE'S, Denis E., Social Fo ma ion and
Symbolic landscape, New Je sey, Ba nes and Noble
Books, 1984.
55