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Pertubação obsessivo-compulsiva e religião: uma revisão sistemática

Abstract

RESUMO - Introdução: A relação entre perturbação obsessivo-compulsiva e religião tem vindo a ser estudada, quer na perturbação obsessivo-compulsiva com temas de religião quer nas outras formas de expressão da doença. Com este estudo pretendeu- se analisar a forma como as crenças religiosas podem influenciar as obsessões e compulsões de cada paciente, e vice-versa. Métodos: Foi efetuada uma pesquisa na PubMed seguida da aplicação de diversos critérios de acordo com as regras PRISMA para revisão sistemática. Foram selecionados 14 artigos que foram interpretados e relacionados entre si. Resultados: Verificou-se que existe uma estreita relação entre a religião e a perturbação obsessivo-compulsiva, existindo, contudo, um pequeno número de estudos que não confirma esta associação. A relação entre a religião e a perturbação obsessivo-compulsiva pode ser conceptualizada como causa ou como consequência, verificando-se que diferentes tipos de crenças têm diferentes efeitos no pensamento e, por esse meio, influenciam a apresentação clínica da doença. Discussão: Em suma, a perturbação obsessivo-compulsiva é fortemente influenciada pelas crenças religiosas dos pacientes. Futuras investigações poderão ajudar a esclarecer esta interação com vista a melhor compreender e tratar os doentes com elevados níveis de religiosidade.

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Pertubação obsessivo-compulsiva e religião: uma revisão sistemática

Author: Couto, Maria Beatriz,Morgado, Pedro
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/112149/1/RUN%20-%20PJPH%20-%202017%20-%20v35n2a02%20-%20p77-83.pdf
Re iew A icle
Po J Public Heal h 2017;35:77–83
Pe ubação Obsessi o-Compulsi a e
Religião: Uma Re isão Sis emá ica
Ma ia Bea iz Cou o
a Ped o Mo gado
a–d
a Li e and Heal h Sciences Resea ch Ins i u e (ICVS), School o Medicine, Uni e sidade do Minho, B aga, Po ugal;
b Labo a ó io Associado ICVS/3B’s, B aga/Guima ães, Po ugal; c Hospi al de B aga, B aga, Po ugal; d Clinical
Academic Cen e – B aga (2CA), B aga, Po ugal
Recei ed: June 13, 2016
Accep ed: June 4, 2017
Published online: 22. Sep embe 2017
Ma ia Bea iz Cou o
School o Medicine, Uni e sidade do Minho
Campus de 4710-057
PT–Gual a , B aga (Po ugal)
E-Mail bea iz.aze edo.cou o @ gmail.com
© 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
E-Mail ka ge @ka ge .com
www.ka ge .com/pjp
DOI: 10.1159/000479754
Pal as Cha e
Religião · Compo amen o obsessi o · Pe u bação
obsessi o-compulsi a
Resumo
In odução: A elação en e pe u bação obsessi o-compul-
si a e eligião em indo a se es udada, que na pe u bação
obsessi o-compulsi a com emas de eligião que nas ou as
o mas de exp essão da doença. Com es e es udo p e end-
eu-se analisa a o ma como as c enças eligiosas podem in-
luencia as obsessões e compulsões de cada pacien e, e
ice- e sa. Mé odos: Foi e e uada uma pesquisa na PubMed
seguida da aplicação de di e sos c i é ios de aco do com as
eg as PRISMA pa a e isão sis emá ica. Fo am selecionados
14 a igos que o am in e p e ados e elacionados en e si.
Resul ados: Ve i icou-se que exis e uma es ei a elação en-
e a eligião e a pe u bação obsessi o-compulsi a, exis in-
do, con udo, um pequeno núme o de es udos que não con-
i ma es a associação. A elação en e a eligião e a pe u ba-
ção obsessi o-compulsi a pode se concep ualizada como
causa ou como consequência, e i icando-se que di e en es
ipos de c enças êm di e en es e ei os no pensamen o e,
po esse meio, in luenciam a ap esen ação clínica da doença.
Discussão: Em suma, a pe u bação obsessi o-compulsi a é
o emen e in luenciada pelas c enças eligiosas dos pacien-
es. Fu u as in es igações pode ão ajuda a escla ece es a
in e ação com is a a melho comp eende e a a os doen-
es com ele ados ní eis de eligiosidade.
© 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
Obsessi e-Compulsi e Diso de and Religion:
A Sys ema ic Re iew
Keywo ds
Religion · Obsessi e beha io · Obsessi e-compulsi e
diso de
Abs ac
In oduc ion: The ela ion be ween obsessi e-compul-
si e diso de and eligion has been s udied bo h in obses-
si e-compulsi e diso de wi h eligious hemes and in
o he o ms o exp ession o he disease. This s udy aims
o examine how eligious belie s can in luence he obses-
sions and compulsions o each pa ien , and ice e sa.
This a icle is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion-
NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional License (CC BY-
NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense).
Usage and dis ibu ion o comme cial pu poses as well as any dis-
ibu ion o modi ied ma e ial equi es w i en pe mission.
Cou o/Mo gado
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DOI: 10.1159/000479754
Me hods: A su ey was pe o med on PubMed ollowed
by he applica ion o a ious c i e ia acco ding o he
PRISMA ules o a sys ema ic e iew. Fou een a icles
we e selec ed. The a icles we e in e p e ed and ela ed.
Resul s: We ound a close ela ion be ween eligion and
obsessi e-compulsi e diso de . Howe e , he e a e a ew
s udies ha do no con i m his associa ion. The ela ion
be ween eligion and obsessi e-compulsi e diso de can
be concep ualized as a cause o as a consequence. I was
con i med ha di e en kinds o belie s ha e di e en e -
ec s on he human mind and human hough s and, by
his means, hey in luence he clinical p esen a ion o he
disease. Discussion: The obsessi e-compulsi e diso de
is s ongly in luenced by he pa ien ’s eligious belie s.
Fu he in es iga ions may help cla i y his in e ac ion in
o de o be e unde s and and ea he pa ien s wi h
high le els o eligiousness.
© 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
In odução
A pe u bação obsessi o-compulsi a (POC) é uma
doença c ónica que a e a ce ca de 2.5% da população [1,
2] e se ca ac e iza pela p esença de obsessões e/ou com-
pulsões. As obsessões su gem como pensamen os ou ima-
gens pe sis en es que causam ansiedade e le am à ealiza-
ção de de e minadas ações (compulsões) numa en a i a
de edução desse mesmo s ess. Esses pensamen os, a os
ou imagens es ão na maio ia das ezes associados à saúde,
higiene, o ganização, sime ia, pe eição e eligião [3] e o
seu con eúdo pode e impo ância na comp eensão da
doença [4].
A eligião consis e num conjun o de c enças que in-
luenciam a cul u a e a ida de cada pessoa que nelas ac e-
di am. De ac o, as ligações en e a eligião, as c enças
pessoais e a saúde men al êm indo a se cada ez mais
es udadas [5], sendo que, en e as doenças psiquiá icas,
a POC é, sem dú ida, uma daquelas que em indo a me-
ece maio a enção. Vá ios es udos eme em pa a a im-
po ância que as pessoas eligiosas con e em ao cump i-
men o dos de e es di ados pela eligião. Po conse-
quência, essas mesmas pessoas demons am uma
sob e alo ização do pensamen o que se i á e le i na
POC [6, 7].
Nes e con ex o, assumem pa icula ele ância os e-
nómenos de Fusão Pensamen o–Ação (“Though -Ac ion
Fusion” em inglês, TAF) que co espondem a uma en-
dência c iada pelo se humano de iguala os pensamen os
com as ações e que podem se di ididos em 2 ipos [8, 9]:
o TAF elacionado com p obabilidade (“TAF-like-
lihood”) que consis e na ideia de que se a pessoa pensa
ou ala em algum acon ecimen o nega i o aumen a a hi-
pó ese desse e en o acon ece ; e o TAF-mo al que consis-
e na ideia de que pensa num acon ecimen o é ão nega-
i o como ealiza esse mesmo a o. Es a noção es á p e-
sen e em mui os doen es com POC e é elacionada
equen emen e com a eligião [9, 10].
A esc upulosidade é uma ca ac e ís ica de pe sonali-
dade que, quando p esen e na o ma mais se e a, pode
cons i ui -se como um sub ipo de POC. Nela o pacien e
a ibui um alo ex emamen e ele ado às ques ões mo-
ais e/ou eligiosas, ap esen ando obsessões elacionadas
com pecado, punição e a ependimen o e, em consequên-
cia, ealizando a os compulsi os de o ação e de p á ica
dos i uais eligiosos como, po exemplo, as con issões
sucessi as [10]. Nes e sub ipo de POC, podem se ca ac-
e izados dois pensamen os de eo obsessi o cuja exp es-
são a ia en e di e en es eligiões e en e di e en es ní-
eis de eligiosidade: o medo de peca e o medo da puni-
ção po pa e de Deus [1,10].
Com es e abalho p e endemos ap esen a e in e p e-
a os úl imos es udos publicados sob e o ema em ques-
ão, com o obje i o de os elaciona en e si e ob e in o -
mação sob e a elação en e a eligião e a POC.
Me odologia
A e isão sis emá ica oi e e uada de aco do com as eg as
PRISMA [11]. A es a égia de pesquisa bem como os c i é ios de
inclusão e exclusão o am de inidos an ecipadamen e. Em p imei-
o, oi e e uada uma pesquisa na base de dados PubMed, em inglês,
u ilizando as pala as-cha e “ eligion AND OCD”. A p imei a
pesquisa oi e e uada sem limi e empo al, endo sido iden i icados
66 a igos (Fig.1).
Em seguida e e uou-se uma pesquisa no pe íodo que inha sido
inicialmen e de inido e que engloba a os úl imos 10 anos (a igos
publicados en e junho de 2005 e junho de 2016), sendo conside-
ados os a igos esc i os em inglês e ancês.
Os a igos o am conside ados caso cump issem os seguin es
c i é ios de inclusão: (1) POC como diagnós ico p incipal; (2) pa-
cien es diagnos icados de aco do com os c i é ios de diagnós ico
no malizado (c i é ios DSM ou ICD); (3) epo a uma elação
en e POC e eligião.
Os a igos o am excluídos quando: (1) não incluíam dados es-
peci icamen e elacionados com POC; (2) não o neciam in o ma-
ção sob e os p ocedimen os diagnós icos; (3) não con inham in-
o mação sob e a elação en e POC e eligião; (4) a a am de
casos clínicos isolados.
Den o do limi e empo al es abelecido o am iden i icados 45
a igos, des es o am excluídos 31 po não co esponde em aos
c i é ios de inclusão (17 po não incluí em dados especí icos de
Pe ubação Obsessi o-Compulsi a e
Religião
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POC, 5 po não in o ma em como inham sido diagnos icados os
pacien es, 6 po não elaciona em a POC com a eligião e 3 po se
a a de casos clínicos especí icos de Rabis). Assim, no inal o am
analisados 14 a igos.
Pa a cada es udo oi ex aída in o mação sob e o amanho da
amos a, a na u eza da amos a, o desenho da amos a e os esul-
ados ele an es sob e a elação en e POC e eligião.
Resul ados
A Tabela 1 ap esen a a in o mação mais ele an e e-
la i a a cada a igo analisado.
De uma o ma ge al, exis e uma elação posi i a en e
a POC e a eligião. Es a elação oi con i mada po 13 a -
igos, sendo in luenciada po á ios a o es, ais como o
ipo de obsessões, nomeadamen e a esc upulosidade [1,
3, 10, 12–15, 18], o ipo de eligião [6–8, 10, 13, 14, 17],
mas ambém aspe os cogni i os, mais p op iamen e, o e-
nómeno de usão pensamen o-ação [7, 8, 12, 17]. Apenas
um dos 14 a igos selecionados e e e o con á io [14].
Assim, a eligião in luencia a sin oma ologia da POC
[2, 6, 7, 10, 13, 15], mas a POC ambém in e e e com os
hábi os eligiosos [1, 16]. De ac o, quan o mais eligioso
um indi íduo o maio impo ância con e e ao con eúdo
e ao con olo do pensamen o e mais obsessões e compul-
sões ap esen a [6, 7]. Os sin omas ap esen ados ambém
a iam em unção do ipo de eligião: Inozu e colabo a-
do es [6] demons a am que os Muçulmanos endem a
possui mais compulsões [6] e mais medo de Deus [10]
que os C is ãos, que, po sua ez, endem a demons a
mais obsessões que os Muçulmanos [10]. Em sen ido in-
e so, os doen es com POC e e i am que os sin omas da
doença in e e i am com a sua eligiosidade [1].
A esc upulosidade ambém se elaciona posi i amen e
com o sen ido hipe o iado de esponsabilidade e com a
sob e alo ização da impo ância do con olo do pensa-
men o [11]. Es e sub ipo de POC in luencia o núme o de
di e en es ipos de obsessões que se i ão ap esen a no
pacien e [14] e o a amen o da doença [1], mas é ecip o-
camen e a e ada pelo ní el de eligiosidade [1, 10], po
ca ac e ís icas da pe sonalidade [3] e po concei os eli-
giosos [1, 17, 18].
Po úl imo, e i icamos que o TAF-mo al es á mais p e-
sen e em pessoas com maio ní el de eligiosidade [7] e que,
dependendo do ipo de cul u a eligiosa, pode es a di e a-
men e elacionado com a eligião, caso dos C is ãos [8],
sendo nes e caso o mediado da elação en e eligião e POC
[17], ou pode es a apenas elacionado com os sin omas
obsessi o-compulsi os, como é o caso dos Judeus [8].
Discussão
A exp essão das doenças psiquiá icas, incluindo a
doença obsessi o-compulsi a, é o emen e in luenciada
pelo con ex o social, económico e cul u al. Du an e sécu-
los, conside ou-se que a eligião inha um impac o posi-
i o na saúde men al, uncionando como um elemen o
anquilizado em si uações de s ess [5, 15, 18] e le ando
a que alguns doen es aumen assem os seus ní eis de eli-
giosidade [1]. Con udo, o papel da eligião na sociedade
em indo a al e a -se e os ní eis de eligiosidade êm in-
do a diminui , pelo que impo a analisa de que o ma se
al e ou o impac o da eligião na exp essão das doenças,
nomeadamen e, da POC.
De ac o, es udos mais an igos e e idos po Ago as os
e colabo ado es [5], p é ios à da a conside ada nes a e-
isão, não mos a am elação en e a eligião e a POC,
desc e endo mesmo que, quando compa ada com ou as
doenças men ais, a POC e a a pa ologia que possuía maio
p e alência de pacien es a eus. Con udo, os es udos mais
ecen es que o am analisados nes a e isão demons a-
am uma elação en e es as duas a iá eis, exis indo ape-
nas um a igo [14] onde não oi encon ada uma elação
es a is icamen e signi ica i a.
66 a igos iden i icados na base de
dados
45 a igos
Exclusão de 21 que não se encon am
den o do pe íodo de inido
17 a igos que não incluem dados
especi icamen e elacionados com POC;
5 a igos que não p o idenciam
in o mação sob e os p ocedimen os
diagnós icos
6 a igos que não incluí am in o mação
sob e a elação en e POC e eligião;
3 a igos que a am casos clínicos
isolados
14 a igos
Fig. 1. Rep esen ação do p ocesso de seleção dos a igos.
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Table 1. Ap esen ação dos esul ados
Es udo Tamanho
da amos a
Na u eza da
amos a
Desenho da amos a Resul ados
Nelson e al.
[12], 2006
71 Clínica
(POC)
Obse acional, ans e sal A esc upulosidade associa-se ao TAF-mo al, ao sen ido
hipe o iado de esponsabilidade e à sob e alo ização
da impo ância de con olo dos pensamen os;
As compulsões ap esen adas pelos pacien es em es udo
não incluem os sin omas de e i icação e de
neu alização.
Ka adaĝ e al.
[13], 2006
141 Clínico
(POC)
Obse acional, desc i i o A eligião in e e e na exp essão das obsessões e das
compulsões.
Assa ian e al.
[14], 2006
293 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Sem associação signi ica i a en e a i udes eligiosas e
POC.
Yo ulmaz
e al. [7],
2009
219 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Quan o maio o ní el de eligiosidade, mais
impo ância se con e e ao con olo do pensamen o e
mais se ap esen a pensamen os obsessi os e sin omas de
e i icação;
A maio eligiosidade associa-se a mais TAF-mo al, mas
apenas nos C is ãos;
O Muçulmanos ap esen am mais sin omas de POC do
que os C is ãos.
Sie e al. [8],
2010
341 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal C is ãos ap esen am mais TAF-mo al do que os Judeus;
Nos C is ãos, o TAF-mo al elaciona-se com a eligião,
enquan o que nos Judeus se elaciona com os sin omas
obsessi os-compulsi os.
Khoubila e
Kad i [15],
2010
144 Clínica Obse acional, ans e sal A POC com emas eligiosos ap esen a maio núme o
de di e en es ipos de obsessões.
Sie e al. [1],
2011
14 Coho
populacional
(72 POC; 75
sem POC)
Obse acional, ans e sal Pessoas com maio ní el de eligiosidade desen ol em
mais esc upulosidade, con udo 1/5 da população com
es a ca ac e ís ica de pe sonalidade decla a não se
eligioso;
Pacien es com maio esc upulosidade eco em mais a
a amen os com base no aconselhamen o pas o al do
que a medicação;
Os doen es com maio esc upulosidade indicam que os
sin omas in e e i am com a sua eligiosidade, endo
mesmo bene iciado a sua elação com Deus;
A se e idade da esc upulosidade em uma elação
posi i a com o concei o nega i o de Deus, enquan o
que pa a o concei o posi i o não oi encon ada elação.
Himle e al.
[16], 2012
6.082 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Exis e uma elação posi i a en e a impo ância de eza
em si uações de s ess e a POC;
In e samen e, exis e uma elação nega i a en e a
equência de isi as aos se iços de a endimen o
eligiosos e a mesma doença.
Rady e al. [2],
2012
1.299 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Não exis em di e enças signi ica i as en e adolescen es
com POC (93,1%) e adolescen es apenas com sin omas
(79,6%) em elação aos hábi os eligiosos;
As di e enças encon adas eme em pa a a in luência da
eligião na exp essão das obsessões e compulsões.
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Religião
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Uma pessoa que ap esen e c enças eligiosas em en-
dência pa a sob e alo iza os seus pensamen os, con e-
indo-lhe impo ância idên ica à das suas ações. Daqui
deco e que es es pacien es endem a sob e alo iza o
con eúdo dos pensamen os e a en a con olá-los em o-
dos os momen os. Na e dade, quando compa amos os
g upos que possuem maio ní el de eligiosidade, ou seja,
os que i em com maio in ensidade as c enças eligiosas,
com os que ap esen am meno ní el de de oção, a e i-
guamos que os p imei os exp essam mais pensamen os
in lexí eis e con olam mais equen emen e os pensa-
men os [6, 7]. Tudo is o conduz a um aumen o das obses-
sões e, po consequência, das compulsões, nomeadamen-
e os sin omas de e i icação [6, 7]. Nes a mesma sequên-
cia, o g upo e e ido ambém ap esen a mais TAF-mo al
do que os menos eligiosos. Be man e colabo ado es [9]
p e ende am comp eende a elação en e a eligião e o
TAF usando um pa adigma eal e obse a am que são os
mais eligiosos, quando compa ados com os que possuem
um meno ní el de eligião, que conside am com maio
equência e in ensidade que pensa ou esc e e sob e um
assun o é ão inco e o como ealizá-lo e que is o aumen-
Es udo Tamanho
da amos a
Na u eza da
amos a
Desenho da amos a Resul ados
Inozu e al.
[10], 2012
746 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Pessoas com maio ní el de eligiosidade ap esen am
mais esc upulosidade e ambém mais eceio de peca ;
Os C is ãos demons am e mais obsessões do que os
Muçulmanos;
Os Muçulmanos ap esen am mais medo de Deus do que
os C is ãos, enquan o que o medo de peca não
demons a di e enças en e os dois ipos de eligião.
Inozu e al.
[6], 2012
196 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal Os g upos com maio eligiosidade possuem mais
pensamen os in lexí eis e êm maio endência pa a
con ola esses mesmos pensamen os; es es g upos
ambém possuem mais obsessões do que os g upos com
menos eligiosidade;
Os Muçulmanos ap esen am mais sin omas
compulsi os do que os C is ãos.
Williams e al
[17], 2013
85 Coho
populacional
Es udo quase expe imen al,
com p o ocolo pa a indução
de pensamen os
C is ãos ap esen am mais TAF-mo al do que Judeus;
É ambém nos C is ãos que se e i ica que a eligião es á
elacionada com os sin omas de POC, mas apenas
indi e amen e, sendo que o mediado é o TAF-mo al.
Fe gus e
Rowa [18],
2015
120 Coho
populacional
Es udo de manipulação
expe imen al de saliência
(ince eza e insegu ança) e
p iming (Deus e concei os
neu os)
A ince eza e o concei o p iming de Deus in luenciam os
medos ca ac e ís icos da esc upulosidade, mas é o medo
de peca que é mais in luenciado.
Besha a e
Kamali [3],
2016
66 Coho
populacional
Obse acional, ans e sal O pe ecionismo es á posi i amen e elacionado que
com os sin omas de POC não eligiosa que com a
esc upulosidade, con udo é apenas um bom p edi o
pa a o úl imo sub ipo;
A ai a mos a a mesma elação, mas é um bom
p edi o pa a a POC não eligiosa;
O con olo do ego em uma elação nega i a com a
esc upulosidade e não ap esen a qualque ipo de
elação com a POC não eligiosa, po an o é um bom
p edi o pa a a esc upulosidade;
Não o am encon adas elações pa a a esiliência do
ego.
Table 1 (con inued)

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a a p obabilidade desse mesmo e en o acon ece . No
mesmo sen ido, Yo ulmaz e colabo ado es [7] chega am
à mesma conclusão.
Ou o aspe o ele an e p ende-se com a in luência di-
e encial das di e en es eligiões na exp essão da doença,
o que se co elaciona com as pe spec i as é ico- ilosó icas
de cada c ença p o essada. Po exemplo, enquan o no Is-
lamismo é con e ida mais impo ância ao cump imen o
dos i uais, no C is ianismo con e e-se maio alo à
consciência e aos alo es indi iduais. Daqui esul a que
os Muçulmanos ap esen am mais sin omas compulsi os
[6], pa a cump i os i uais es ipulados, e mais medo de
Deus [10] quando compa ados com os C is ãos. Po ou-
o lado, os C is ãos demons am mais obsessões do que
os Muçulmanos [10].
No mesmo sen ido, Sie e colabo ado es [1] e Williams
e colabo ado es [17] analisa am as di e enças en e C is-
ãos e Judeus quan o ao TAF-mo al, endo e i icado que
os C is ãos ap esen am ní eis mais ele ados des e enó-
meno cogni i o quando compa ados com os Judeus, o
que pode deco e do posicionamen o é ico- ilosó ico de
cada eligião [8, 17]. Assim, no C is ianismo o TAF-mo-
al elaciona-se com a p óp ia eligião [8] e unciona
como mediado da elação en e a eligião e a POC [17]
enquan o nos Judeus, se es e enómeno es i e p esen e,
é um sinal de pa ologia associado à POC [8]. Quan o ao
TAF associado a p obabilidade não o am encon adas
di e enças en e as di e en es eligiões es udadas.
A esc upulosidade ca ac e iza-se pela p esença do e-
nómeno de usão pensamen o–ação e ambém po uma
sob e alo ização da impo ância do con olo do pensa-
men o. Assim, Sie e colabo ado es [1] e Inozu e colabo-
ado es [10] concluí am que as pessoas com maio ní el
de eligiosidade desen ol em mais esc upulosidade do
que as pessoas com meno ní el de de oção. Con udo,
Sie e colabo ado es [1] cons a a am, ainda, que um em
cada cinco pacien es diagnos icados com esc upulosida-
de decla a a não possui nenhum ní el de eligiosidade,
um alo su p eenden emen e ele ado que pode á se ex-
plicado pelo abandono da eligião após diagnós ico.
A esc upulosidade, quando se e a, pode se es u u a-
da como um sub ipo de POC, le ando ao desen ol imen-
o de compulsões, con udo nem odas as compulsões se
mani es am, nomeadamen e as compulsões de e i ica-
ção e de neu alização [12]. Es es sin omas são dos que
mais in e e em com a ida de um pacien e com POC e,
po an o, se não es ão p esen es na esc upulosidade es a
não é a o ma mais se e a de POC. Toda ia, a se e idade
da esc upulosidade su ge ambém elacionada com o
concei o nega i o de Deus [1], ou seja, quan o mais a pes-
soa conside a Deus como uma en idade puni i a, maio-
es os ní eis de esc upulosidade mani es ados.
De ac o, a eligião in e e e na esc upulosidade. Os 2
ipos de medos ca ac e ís icos des e sub ipo de POC
(medo de Deus e medo de Peca ), mais p op iamen e o
medo de peca , são in luenciados pelos concei os de in-
ce eza e pelo concei o p iming de Deus [18]. Ve i ica-
mos, ambém, que a eligião in e e e com o a amen o
da esc upulosidade, pois quando compa amos pacien es
com es a pa ologia com pacien es que o am diagnos ica-
dos com POC não elacionada com eligião cons a amos
que os p imei os eco em mais a a amen os que êm
como base o aconselhamen o pas o al do que à medica-
ção p esc i a po especialis as [1]. Con udo, ambém se
e i ica que a esc upulosidade in luencia a eligião, uma
ez que, no es udo conduzido po Sie e colabo ado es
[1], se apu ou que 20% dos pacien es diagnos icados com
es a pa ologia indicam que a sua elação com Deus e e
bene ícios após os sin omas.
Pode-se conclui que exis e uma elação en e eligião
e POC, sendo que a eligião não in e e e di e amen e
com a p e alência da doença, mas sim com a o ma como
os sin omas são exp essos. Impo a, con udo, conside a
que a inexis ência de ensaios clínicos andomizados com
um núme o de pacien es adequado à análise do p oblema
em ques ão se cons i ui como uma impo an e limi ação
pa a a comp eensão des e enómeno de elação en e
POC e eligião.
Conclusão
Em suma, e i icamos que apesa das conclusões dos
di e sos a igos nem semp e se em cla as, podemos assu-
mi que a eligião e a POC se in luenciam mu uamen e.
Po um lado, a eligião in e e e com os pensamen os dos
seus c en es, o nando-os mais in lexí eis e mais p eocu-
pados com o au ocon olo, o que se pode á aduzi no
enómeno de usão pensamen o-ação e que se i á como
in e mediá io pa a o desen ol imen o dos sin omas de
POC. Po ou o lado, a POC in e e e com a i ência da
eligião podendo le a à adoção de compo amen os i-
ualizados de eo eligioso.
É impo an e salien a que cada eligião em os seus
ensinamen os e dependendo des es a o ma como i á in-
luencia a POC e a sua exp essão se á di e en e, an o no
caso de esc upulosidade como nos ou os sub ipos de
POC.
Fu u as in es igações se ão impo an es pa a com-
p eende com maio de alhe a elação en e POC e eli-
Pe ubação Obsessi o-Compulsi a e
Religião
83
Po J Public Heal h 2017;35:77–83
DOI: 10.1159/000479754
gião, aplica com maio e icácia os conhecimen os à p á-
ica clínica e p omo e o diagnós ico p ecoce com is a à
implemen ação de a amen os e icazes e à edução das
complicações da doença.
Con li os de In e esse
Os au o es decla am não e nenhum con li o de in e esses e-
la i amen e ao p esen e a igo.
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