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Trigger tool na segurança do doente: uma revisão sistemática de literatura

Pierdevara, Ludmila,Ventura, Inês Margarida,Eiras, Margarida,Gracias, Amélia Maria Brito

Abstract

RESUMO - Introdução: A elevada incidência de eventos adversos (EA) é uma das situações preocupantes descritas na literatura sendo relacionada diretamente com o aumento dos custos com a prestação de cuidados de saúde e com o aumento do número de dias de internamento. A metodologia Global Trigger Tool (GTT) é relativamente nova mas tem-se mostrado promissora, em contextos internacionais, em ações de rastreio dos EA. Objetivo: Obter um corpo de evidência, reunindo um conjunto de informações acerca da utilização desta metodologia em contexto hospitalar. Metodologia: Tratase de uma revisão sistemática da literatura, baseada em estudos primários relacionados com esta temática, publicados entre o ano 2009 e 2014. Resultados: O estudo incluiu 8 estudos primários e os resultados evidenciam dados relevantes acerca da utilidade da ferramenta GTT no âmbito hospitalar. Conclusão: A evidência científica mostra que a aplicação do método GTT, como estratégia de monitorização dos EA, é uma ferramenta viável, uma vez que permite acompanhar a implementação de mudanças orientadas para a redução da ocorrência dos EA.

Full text

Re iew A icle Po J Public Heal h 2017;35:69–76 T igge Tool na Segu ança do Doen e: Uma Re isão Sis emá ica de Li e a u a Ludmila Pie de a a a Inês Ma ga ida Ven u a a Ma ga ida Ei as b Amélia Ma ia B i o G acias c a Unidade Hospi ala de Lagos, Cen o Hospi ala Alga e (CHA), Lagos, Po ugal; b Escola Supe io de Tecnologia em Saúde Lisboa (ESTeSL), Ins i u o Poli écnico de Lisboa (IPL), Lisbon, Po ugal; c Unidade Hospi ala de Po imão, Cen o Hospi ala Alga e (CHA), Po imão, Po ugal Recei ed: Ma ch 19, 2015 Accep ed: June 9, 2017 Published online: Sep embe 29, 2017 Ludmila Pie de a a P aça do Pode Local, Lo e 7A, 6º en e PR–8600-524 Lagos (Po ugal) E-Mail pie de a a @ ho mail.com © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública E-Mail ka ge @ka ge .com www.ka ge .com/pjp DOI: 10.1159/000479606 Pala as Cha e Global T igge Tool · Segu ança do pacien e · E en os ad e sos · Ges ão de segu ança · Dano do doen e · E os médicos Resumo In odução: A ele ada incidência de e en os ad e sos (EA) é uma das si uações p eocupan es desc i as na li e a u a sendo elacionada di e amen e com o aumen o dos cus os com a p es ação de cuidados de saúde e com o aumen o do núme o de dias de in e namen o. A me odologia Global T ig- ge Tool (GTT) é ela i amen e no a mas em-se mos ado p omisso a, em con ex os in e nacionais, em ações de as - eio dos EA. Obje i o: Ob e um co po de e idência, eun- indo um conjun o de in o mações ace ca da u ilização des a me odologia em con ex o hospi ala . Me odologia: T a a- se de uma e isão sis emá ica da li e a u a, baseada em es- udos p imá ios elacionados com es a emá ica, publicados en e o ano 2009 e 2014. Resul ados: O es udo incluiu 8 es- udos p imá ios e os esul ados e idenciam dados ele an es ace ca da u ilidade da e amen a GTT no âmbi o hospi ala . Conclusão: A e idência cien í ica mos a que a aplicação do mé odo GTT, como es a égia de moni o ização dos EA, é uma e amen a iá el, uma ez que pe mi e acompanha a implemen ação de mudanças o ien adas pa a a edução da oco ência dos EA. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública T igge Tool in Pa ien Sa e y: A Sys ema ic Re iew o he Li e a u e Keywo ds Global T igge Tool · Pa ien sa e y · Ad e se e en s · Sa e y managemen · Pa ien ha m · Medical e o s Abs ac In oduc ion: The high incidence o ad e se e en s (AE) is one o he oubling si ua ions desc ibed in he li e a- u e ha is di ec ly ela ed wi h he ise o heal hca e cos s and he days o hospi aliza ion. The Global T igge Tool (GTT) me hodology is ela i ely new bu has shown p om- ising esul s, in in e na ional con ex s, by acking AE ac- ions. Objec i e: To ob ain a body o p oo , se s o in o - ma ion ela ing o he use o his me hodology in a hos- This a icle is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion- NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional License (CC BY- NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense). Usage and dis ibu ion o comme cial pu poses as well as any dis- ibu ion o modi ied ma e ial equi es w i en pe mission. Pie de a a/Ven u a/Ei as/B i oG acias Po J Public Heal h 2017;35:69–76 70 DOI: 10.1159/000479606 pi al se ing we e ga he ed. Me hodology: This is a sys ema ic e iew o he li e a u e, based on p ima y s udies o his subjec , published be ween 2009 and 2014. Resul s: The s udy includes 8 p ima y s udies and hei esul s show ele an da a on he u ili y o GTT in a hospi- al se ing. Conclusion: The scien i ic e idence shows ha he implemen a ion o he GTT me hod as an AE moni o - ing s a egy is a iable ool, since i allows o ollow up he implemen a ion o AE occu ence educ ion changes. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública In odução Nas úl imas décadas, os a anços na ecnologia e no con- hecimen o c ia am sis emas de saúde cada ez mais com- plexos. A e idência cien í ica mos a que essa complexi- dade aca e a mui os iscos [1]. A ele ada incidência dos e en os ad e sos (EA) em hospi ais em p eocupado in- es igado es, p o issionais e ges o es em saúde, de ido ao seu impac o socioeconómico com cus os ele ados pa a os doen es e pa a as ins i uições. Pa a a O ganização Mundial de Saúde, um EA é um inciden e que esul a em danos pa a o doen e. Os danos implicam p ejuízo na es u u a ou unções do co po do doen e, ou qualque e ei o pe nicioso daí esul an e, in- cluindo doença, lesão, so imen o, incapacidade ou mo - e, podendo se ísico, social ou psicológico [2]. A ualmen e, o na-se cada ez mais imp escindí el e- conhece que a iden i icação dos EA pe mi e a a aliação da qualidade em saúde, con ibuindo, decisi amen e, pa a as mudanças na p á ica clínica. Pa a al, são neces- sá ios p og amas e ins umen os de ges ão do isco clíni- co, incluindo a de eção p ecoce e a co eção dos EA. Encon am-se desc i os na li e a u a á ios mé odos de a aliação dos EA, ais como ela ó ios olun á ios de inciden es, ela ó ios espon âneos com ale a, obse ação di e a, e isão de p ocessos clínicos, en e is a a u en es, ou a combinação des es mé odos [3]. A sua seleção de e depende da sua inalidade, endo em conside ação o e en ual sucesso na u ilização em ins i uições/con ex os simila es [4]. Em Po ugal, a Di eção-Ge al da Saúde, po p opos a do Depa amen o da Qualidade na Saúde e no âmbi o da qualidade o ganizacional, emi iu a no ma 025/2012, de 19 de dezemb o que o ien a as ins i uições p es ado as de cuidados do Sis ema Nacional de Saúde ela i amen e ao Sis ema Nacional de No i icação de Inciden es e E en os Ad e sos. A elabo ação da p esen e no ma baseou-se na colabo ação da Agencia de Calidad Sani a ia de Andalu- cía. Es e sis ema pode se um ins umen o impo an e, desde que sejam, de ac o, comunicados e analisados os EA. No en an o, as pesquisas mos am que a maio ia dos inciden es não são comunicados pelos p o issionais de saúde [5]. São conhecidos mui o menos e os do que aqueles que são p a icados, sendo a p incipal azão a cul- pabilização associada aos e os, o que az com que a maio- ia não seja di ulgada. Es ima-se que os inciden es no i- icados olun a iamen e e le em ce ca de 10 a 20% dos inciden es que ealmen e oco em e des as apenas 5% causam dano ao doen e [6]. Sendo assim, a esis ência em assumi o e o po pa e dos p o issionais e em no i ica olun a iamen e os inci- den es oco idos di icul a aos ges o es de qualidade pa a analisa esses e os e encon a soluções de implemen a- ção de bons p og amas de ges ão do isco clínico, incluin- do a de eção p ecoce e co eção de EA. Os es o ços pa a de e a os EA a a és de á ias me o- dologias (audi o ias, ela ó ios olun á ios), são dispen- diosos, com aca sensibilidade e, na maio pa e, menos e icien es [7]. Na en a i a de colma a es a lacuna, o Ins i u e o Heal hca e Imp o emen (IHI) desen ol eu em 2002 a me odologia IHI Global T igge Tool (GTT) pa a iden i- ica os EA. A me odologia GTT assen a numa e isão e ospe i a de p ocessos clínicos, que u iliza pis as pa a iden i ica possí eis EA. Es a me odologia pe mi e iden i ica de e - minadas pala as-sen inela ( igge s), que pode ão con- duzi à iden i icação de um possí el dano que pode á es- a elacionado com um EA [8]. Pa a aplica es a me odologia, o IHI aconselha que a e isão dos p ocessos de e se ei a po um g upo de, pelo menos, dois en e mei os, e iso es p imá ios e um médi- co que assume a unção de e iso secundá io ou á bi o. O médico não pa icipa na e isão dos p ocessos clínicos, mas au en ica o consenso dos e iso es e ajuda a classi i- ca os esul ados dos EA, em unção da g a idade dos da- nos. Os e iso es, de o ma independen e, duas ezes po mês, de 15 em 15 dias, selecionam, alea o iamen e, 10 dos p ocessos que i e am al a clínica, pelo menos há 2 meses. De o ma a aumen a a alidade in e na da e isão, cada e iso analisa os 10 p ocessos. A e isão é ei a com base nos igge s da e amen a GTT, e a análise de cada p o- cesso não de e excede 20 minu os. Os p ocessos só de- em se e is os, pa a iden i ica a p esença dos igge s, e não lidos na sua o alidade. Du an e a e isão, a p esen- ça de um igge posi i o encon ado, não signi ica, ob i- ga o iamen e, que um EA é con i mado. No im de cada T igge Tool na Segu ança do Doen e 71 Po J Public Heal h 2017;35:69–76 DOI: 10.1159/000479606 mês, os e iso es p imá ios eúnem-se, com o in ui o de e e odos os EA iden i icados e classi icados em unção da g a idade dos danos, de modo a chega a um consenso. Pos e io men e, ealiza-se uma eunião com o médico, pa a au en ica o consenso dos esul ados. A e amen a u iliza cinco ca ego ias de danos deco - en es de um EA, sendo elas: dano empo á io ao doen e com in e enção necessá ia (E), dano empo á io que exigiu p olongamen o da hospi alização (F), dano pe - manen e (G), in e enções necessá ias pa a sus en a a ida (H) e a mo e do doen e (I). Es a classi icação es á de aco do com a Na ional Coo dina ing Council o Medica- ion E o Repo ing and P e en ion (NCC MERP). A NCC MERP classi ica os e os associados ao uso de me- dicamen os em 9 ca ego ias (A a I), sendo que somen e as ca ego ias E, F, G, H e I es ão elacionadas com e os que ocasionam dano. A GTT con ém seis módulos que in eg am á ios ig- ge s, sendo eles: cuidados ge ais, ci u gia, cuidados in en- si os, medicação, pe ina al e depa amen o de eme gên- cia. Qua o dos módulos são desenhados pa a e le i os EA que oco em, ge almen e, em unidades especi icas. Os módulos de cuidados ge ais e medicação são pensados pa a e le i sob e os EA que podem oco e em qualque unidade hospi ala . A lexibilidade da GTT pe mi e a sua aplicação em di- e sos ambien es clínicos, desde unidades ambula ó ias, a é unidades de cuidados in ensi os. A e amen a não é po si só uma me odologia de melho ia, mas p opo ciona a aquisição de dados e, consequen emen e, conduz a o - ganização à melho ia con ínua [9]. A GTT é conside ada uma me odologia ela i amen e no a, que se em mos ado p omisso a em con ex os in- e nacionais. Em i ude de se desconhece a exis ência de es udos que analisem es a emá ica em Po ugal, as implicações cien í icas des a e isão sis emá ica de li e a u a ão ao encon o da ca ência de dados cien í icos elacionados com a p esen e me odologia. An es de passa à me odologia da p esen e e isão sis- emá ica de li e a u a de iniu-se a ques ão o ien ado a em o ma o de ac ónimo PICO [10] (P oblema, In e en- ção, Compa ação e Ou comes): “Qual é a e idência cien- í ica, ela i amen e à u ilização da me odologia GTT, no as eio dos EA no con ex o hospi ala ?”. O obje i o des e abalho consis e em ob e um co po de e idência que eúna um conjun o de in o mações ace ca da u ilização da me odologia GTT no meio hospi- ala . Me odologia Realizou-se uma e isão sis emá ica da li e a u a, que consis iu na análise de es udos p imá ios que se epo am à me odologia GTT. A es u u a do es udo oi baseada em p incípios ecomenda- dos pelo Coch ane Handbook [11]. A p io i, de ini am-se as pala as-cha e: Global T igge Tool, pa ien sa e y, ad e se e en s, sa e y managemen , pa ien ha m e medical e o s. Pos e io men e, con i mou-se se as pala as-cha e p é ias cons i uíam desc i o es MeSH (Medical Subjec Headings). Ob e e-se espos a posi i a pa a pa ien sa e y, sa e y manage- men , pa ien ha m e medical e o s. Pa a as pala as-cha e Global T igge Tool e ad e se e en s não se encon ou um desc i o , mas po se em conside adas ele an es no es udo o am incluídas. Seguidamen e, oi ealizada uma pesquisa em bases de dados online Medline ia PubMed e B-on, en e julho e ou ub o de 2014. Como complemen o, u ilizou-se o mo o de busca Google Schola . Na cons ução da es a égia de busca dos es udos, o am u ili- zadas as pala as-cha e combinadas e/ou isoladas, e os ope ado es booleanos “AND”/“OR” que pe mi i am a ligação dos e mos de pesquisa. Fo am selecionados apenas os a igos cien í icos cujo ano de publicação se encon a comp eendido en e 2009 e 2014. De aco - do com as pala as-cha e u ilizadas, os mo o es de busca iden i i- ca am 639 a igos. A iagem dos a igos oi ealizada po dois e iso es de o ma independen e. A a és de uma lei u a ápida dos í ulos e esumos, o am conside ados, inicialmen e, 24 a igos. Pela lei u a do ab- s ac , e aplicando os c i é ios de inclusão e exclusão, o am excluí- dos 15 a igos, endo sido conside ados, inicialmen e, 9 es udos po encialmen e elegí eis, is o e em dados su icien es pa a o es- udo. Após a lei u a na ín eg a dos es udos e o consenso das duas in es igado as, oi ainda excluído um es udo, po não o nece oda a in o mação conside ada imp escindí el à análise, pe azen- do assim um o al de 8 a igos selecionados. Como c i é ios de inclusão, o am conside ados es udos p i- má ios publicados em inglês, espanhol e po uguês, disponí eis na ín eg a, ealizados com base nos p ocessos clínicos dos doen es que es i e am in e nados numa unidade hospi ala e aplica am e amen a GTT. Fo am excluídos os a igos de es udos que en ol- iam p ocessos clínicos de doen es in e nados com idade in e io a 18 anos, ou com diagnós ico do o o psiquiá ico. A a aliação da qualidade me odológica dos es udos incluídos oi ealizada po dois in es igado es independen es. Pa a al, u ili- zou-se um es e de e idência, adap ado e u ilizado po Vilelas [12]. O ins umen o é compos o po uma lis a cla a de 11 pe gun as, di idido em ês es es. O p imei o es e é conside ado de ele ân- cia p elimina , aplicado às e e ências bibliog á icas dos a igos, cons i uído po 3 ques ões; o segundo es e é o mado po 2 ques- ões e é aplicado aos esumos dos a igos; o e cei o é aplicado aos a igos na ín eg a, sendo compos o po 6 ques ões. Es as pe gun as de em se espondidas po cada in es igado , median e a a i ma- ção ou a negação. Na a aliação de cada a igo, oi a ibuída a pon uação 1, quan- do o i em e a posi i o, e ze o, quando nega i o. A qualidade me- odológica de cada a igo oi classi icada de baixa (0–3 pon os), mode ada (4–7 pon os), ou al a (8–11 pon os). Pa a aumen a o ní el de iabilidade do es udo, ealizou-se o es e de conco dância en e os in es igado es, a a és do índice de Kappa. Pie de a a/Ven u a/Ei as/B i oG acias Po J Public Heal h 2017;35:69–76 72 DOI: 10.1159/000479606 De modo a de e mina o ní el da e idência dos es udos incluí- dos, oi u ilizado o esquema de classi icação dos ní eis de e idência baseada na hie a quia, desc i o po Melnyk e Fineou -O e hol [13]. Pa a a análise des es es udos, eco eu-se ao mé odo quan i a- i o e desc i i o. Pa a se ob e uma ideia ab angen e e a ual do consenso cien í- ico ace ca da me odologia GTT, os dados encon ados o am es- u u ados numa abela que desc e e os es udos incluídos e pos e- io men e ap esen am-se os p incipais esul ados e conclusões en- con ados em cada es udo. Resul ados Analisando a Tabela 1, a o alidade dos es udos encon- ados o am em o ma o de a igo. Rela i amen e ao ipo de es udo, 2 são ans e sais, 1 co elacional e 5 obse a- cionais e ospe i os. Todos o am ealizados em con ex- o hospi ala e u iliza am a e amen a GTT. No que diz espei o aos países onde os es udos o am publicados, cons a ou-se que não o am encon ados es udos po u- gueses elacionados com a p esen e emá ica. Quan o à a aliação me odológica da qualidade dos es- udos incluídos, pode-se conside a que es a e isão da li e a u a oi ealizada com base em es udos a aliados como de al a qualidade (sco e 8–11). A conco dância en e os in es igado es ela i amen e ao consenso de seleção dos a igos incluídos, a a és do índice de Kappa, oi de 0,992. Seguidamen e ap esen am-se os p incipais esul ados e conclusões analisados dos es udos incluídos. No es udo de Von Plessen e al. [14] iden i ica am di e- enças signi ica i as en e axas de danos encon ados em 5 hospi ais, a a és da e amen a GTT e axa média dos EA oi de 25%, dos quais 96% dos danos o am empo á ios. Table 1. Desc ição dos es udos ela i os à u ilização do mé odo Global T igge Tool (GTT) Re e ência bibliog á ica e ano de publicação (a) Tipo de es udo (b) Fo ma o da publicação (c) País de o igem Obje i o do es udo e pe íodo do es udo Classi icação do es udo (Vilelas [12], 2009) Von Plessen e al. [14], 2012 (a) Obse acional e ospe i o (b) A igo (c) Dinama ca Iden i ica os EA com GTT, em 5 hospi ais dinama queses, du an e 18 meses (janei o 2010 a junho 2011) 10 pon os Rozen eld e al. [15], 2013 (a) Obse acional e ospe i o (b) A igo (c) B asil Analisa os p ocessos clínicos com T igge Tool, no hospi al do Rio de Janei o du an e o ano 2007 8 pon os Asa a oengchai e al. [16], 2009 (a) T ans e sal e ospe i o (b) A igo (c) Tailândia A alia a e icácia da e amen a GTT na iden i icação e classi icação dos EA, em ailandeses hospi alizados 10 pon os Classen e al. [17], 2011 (a) Obse acional e ospe i o (b) A igo (c) EUA A alia a incidência dos EA, a a és de 3 mé odos, em 3 hospi ais da Ca olina do No e: GTT, sis ema de no i icação olun á io e iagem pela Agency o Heal hca e Resea ch and Quali y (AHRQ) 9 pon os Land igan e al. [18], 2010 (a)T ans e sal e ospe i o (b) A igo (c) EUA A alia , du an e 5 anos, a incidência dos EA, a a és de GTT, em 10 hospi ais da Ca olina do No e 10 pon os Ru be g e al. [19], 2014 (a) Obse acional e ospe i o (b) A igo (c) Suécia Iden i ica e compa a a incidência dos EA, du an e 4 anos, a a és de 2 mé odos: GTT e sis ema de no i icação olun á ia, no Hospi al Uni e si á io de Linköping 8 pon os Ganacha ie al. [20], 2013 (a) Obse acional e ospe i o (b) A igo (c) Índia Iden i ica os EA, a a és de GTT, no hospi al e ciá io de Belgaum, du an e 3 meses 10 pon os Hwang e al. [21], 2014 (a) Co elacional e ospe i o (b) A igo (c) Co eia do Sul Iden i ica os EA, a a és de GTT, no hospi al uni e si á io de Bundang, du an e 6 meses 10 pon os T igge Tool na Segu ança do Doen e 73 Po J Public Heal h 2017;35:69–76 DOI: 10.1159/000479606 Concluí am que a GTT de e se u ilizada nos hospi- ais, de o ma a o ien a na melho ia da segu ança dos doen es e suge em a implemen ação nou os hospi ais do país. Rozen eld e al. [15] obse a am que ce ca de 70,0% dos p ocessos ap esen a am no mínimo um igge , dos quais 14,4% o am conside ados EA, sendo a incidência de 26,6 po 100 doen es e po im suge em que a e a- men a es udada pode se ú il como écnica de moni o i- zação e a aliação do esul ado dos cuidados p es ados aos doen es in e nados. O es udo de Ase a oenghchai e al. [16] iden i ica am uma axa média de 41 EA po 100 doen es; 53% o am de dano empo á io, enquan o 51,7% e am e i á eis. Os e- sul ados encon ados apon am que a GTT de e ou mais EA do que os mé odos an e io es. A maio ia dos EA i e- am baixa g a idade e e am e i á eis. Suge em a necessi- dade de a aliação e alidação dos igge s an es de usa GTT nos se iços de in e namen o. Rela i amen e a Classen e al. [17] encon a am 90.1% de EA a a és da GTT, 1% com sis ema de no i icação olun á ia e 8,99% pela AHRQ. Alega am que a a és dos esul ados encon ados a e amen a GTT mos ou que os EA em hospi ais podem se 10 ezes melho iden i i- cados, compa a i amen e aos esul ados p e iamen e a aliados com ou os mé odos. No que diz espei o ao es udo de Land igan e al. [18], os au o es iden i ica am 25,1 de danos po 100 admissões, sendo a axa de incidência dos EA de 25%. A i mam que a GTT iden i icou axas de danos mais ele ados do que ou os mé odos u ilizados an e io men e. Os índices de con iança e de especi icidade das e isões oi ele ado, con udo, hou e di e enças signi ica i as en e os esul a- dos ap esen ados pelos e iso es expe ien es e os ecém- o mados, suge indo a necessidade de eino da equipa e iso a an es de ou os es udos. Quan o ao es udo de Ru be g e al. [19], os in es iga- do es alegam que a GTT iden i icou 20,5% de EA e com o sis ema de no i icação olun á io apenas 6,3% e con- cluem que a GTT pe mi e iden i ica um núme o mui o mais signi ica i o de EA do que com o sis ema de no i i- cação olun á io. Es es au o es suge em que as ins i ui- ções de saúde de em u iliza um conjun o de e amen as ú eis pa a iden i ica os EA, po o ma a diminui , sub- s ancialmen e, os cus os elacionados com a p e enção dos EA. Ganacha i e al. [20] a alia am a axa de EA a a és da e amen a GTT. A axa dos EA iden i icados oi de 18,1%, es ando 50,6% elacionados com a medicação. Po im, salien am que a GTT supe a os mé odos adicionais na iden i icação dos EA e suge em a aplicação da mesma em no os es udos. Hwang e al. [21] iden i ica am os EA a a és da GTT e encon a am di e enças es a is icamen e signi ica i as en e a iden i icação dos igge s e a oco ência dos EA. Dos 13,3% igge s iden i icados, 10% o am conside a- dos EA. Os esul ados ob idos pe mi i am conclui que a e amen a GTT oi um mé odo ú il pa a iden i ica os EA num hospi al co eano e a aplicação da mesma pode ia e bons esul ados nou as o ganizações de saúde. Discussão Da pesquisa e e uada, e i icou-se que exis e uma es- cassez de es udos ealizados em Po ugal e os a igos ana- lisados, publicados in e nacionalmen e, são, na sua maio- ia, ecen es (2013 e 2014). O g au de conco dância en e os in es igado es ace ca dos es udos incluídos, calculado a a és do índice de Kap- pa, oi conside ado segundo classi icação do Landis e Koch [22] pe ei o. No que diz espei o à hie a quia da e idência cien í ica dos es udos, dado que na globalidade são de na u eza des- c i i os, conside a-se que es amos pe an e um ní el de e idência cinco [13]. Apesa que os esul ados dos es udos analisados o am di e en es, cons a ou-se que as conclusões dos a igos não o am disc epan es, endo, na e dade, odos eles ap e- sen ado suges ões que apon am no mesmo sen ido. Im- po a ambém salien a que a globalidade das conclusões e idencia dados ele an es ace ca da u ilidade da e a- men a GTT no âmbi o hospi ala , pa a iden i ica os EA. Qua o es udos analisados [17–20] e o çam que a me o- dologia GTT supe a os mé odos adicionais na iden i i- cação dos EA e salien am a impo ância de aplicação da mesma em ou os con ex os hospi ala es. Es es dados ão ao encon o do es udo ealizado pelo IHI, que es a am a me odologia GTT em 86 hospi ais in e nacionais, que pa icipa am no desen ol imen o des a e amen a. Com base no ela ó io IHI Global T i- gge Tool o Measu ing Ad e se E en s [23], e i ica-se que a e amen a GTT cons i ui um mé odo ácil de usa pa a iden i ica , com p ecisão, os EA e medi a axa dos mesmos ao longo do empo. A implemen ação des a e - amen a não necessi a de ecu so a ecnologia, nem ca e- ce de ecu sos inancei os ele ados [7]. No que diz espei o ela i amen e a a i mação do IHI ace ca da GTT, ambém, es ão de aco do e um g upo de in es igado es po ugueses, que ealiza am em 2015 um Pie de a a/Ven u a/Ei as/B i oG acias Po J Public Heal h 2017;35:69–76 74 DOI: 10.1159/000479606 es udo desc i i o, aplicando es a me odologia num se i- ço de medicina. Segundo Pie de a a e al. [24] os esul a- dos ob idos a a és da aplicação da GTT e le em a eal dimensão e magni ude do p oblema de iden i ica os EA ao ní el ins i ucional e suge em que ou as ins i uições po ugueses ealizem es udos des a na u eza. Es a e isão sis emá ica de li e a u a é al o de algumas limi ações. A maio limi ação des a e isão oi o ac o de não ha e um consenso, ela i amen e à u ilização de um ins umen o pad ão de a aliação das e idências da quali- dade dos es udos p imá ios. Ou a limi ação des e abalho é o eduzido núme o de es udos cien í icos elacionados com es a emá ica dispo- ní eis na ín eg a. Com base nes a limi ação, pa a explica a escassez das publicações elacionadas com o p esen e ema e pa a as- segu a que não o am excluídos es udos ele an es, p e- endeu-se a e igua qual é a endência da emá ica T ig- ge Tool a ní el mundial. Sendo assim, eco eu-se à e - amen a Google T ends que pe mi e analisa a e olução do núme o de pesquisas nos moni o es de busca de uma pala a-cha e ao longo do empo (Fig.1). Os esul ados ob idos são o necidos den o de um índice en e 0 e 100 em que 100 é o pon o no empo em que a pesquisa e e o seu máximo. Analisando o g á ico abaixo, e i icou-se que a pesqui- sa des a emá ica e e início no im do ano 2006 e o seu máximo a ingiu en e os anos 2013 e 2014. A linha de endência so eu uma ligei a descida em meados de 2014 e uma subida desde o im do ano 2014 a é ao p esen e. Po an o, examinando es a in o mação e i icou-se que es amos pe an e uma á ea de in es igação no a e em an- co c escimen o, azão pela qual não o am desca ados a igos po di iculdade de não acesso. Rela i amen e aos con li os de in e esse, apenas os es- udos de Asa a oengchai e al. [16] e de Ganacha i e al. [20] e e em que não êm con li os de in e esse. Ou os 6 es udos não mencionam, con udo o Classen p e ense ao IHI como undado da e amen a. Conclusão A e idência cien í ica apon a que a aplicação da me o- dologia GTT, como es a égia de moni o ização dos EA, é uma e amen a iá el, pe mi indo a edução da oco - ência dos EA, o necendo aos deciso es da ges ão da qua- lidade, in o mação impo an e pa a implemen a medi- das de melho ia con ínua. Conside a-se que a emá ica analisada e os esul ados encon ados nes a e isão de li e a u a são incen i ado- es pa a os p o issionais de saúde ligados à p es ação de cuidados c ia em no os p oje os no âmbi o da segu ança do doen e, o nando-se mui o ú il como base me odoló- gica pa a uma u u a in es igação nes a á ea. São neces- sá ios mais es udos, uma ez que não exis em publicações elacionadas com a p esen e emá ica em Po ugal. 80 60 40 20 100 2005 2007 2009 2011 2013 2015 Fig. 1. A popula idade do e mo T igge Tool ao longo do empo. Fon e: Google T ends, consul ado 17/02/2015. T igge Tool na Segu ança do Doen e 75 Po J Public Heal h 2017;35:69–76 DOI: 10.1159/000479606 Anexo I G elha do es e de e idência dos a igos [12] Anexo II Classi icação dos ní eis de e idência baseada na hie a quia [13] Tes e de e idência I/ es e de ele ância p elimina Ques ões de in e esse Sim Não O es udo abo da o ema de in e esse pa a a in es igação? O es udo oi publicado no pe íodo selecionado pa a a in es igação p opos a pelos in es igado es? O es udo oi publicado num idioma selecionado pa a a in es igação? Pa ece do a aliado : Inclusão □ Exclusão □ A aliado : Tes e de e idência II aplicado aos esumos dos a igos Ques ões de in e esse Sim Não T a a-se de um es udo que en ol e di e amen e se es humanos como sujei os? O es udo es á di ecionado pa a a solução do p oblema especí ico que es á a se in es igado? Pa ece do a aliado : Inclusão □ Exclusão □ A aliado : Tes e de e idência III aplicados aos a igos na in eg a Ques ões de in e esse Sim Não A de inição do p oblema es á cla a? Os obje i os do a igo es ão elacionados com a ques ão que es a a se al o da e isão sis emá ica da li e a u a? A me odologia es á cla amen e desc i a? A in es igação possui uma me odologia adequada? A in e enção p opos a pelo esul ado encon ado pelo in es igado é ac í el? Os esul ados con ibuem pa a a p á ica? Pa ece do a aliado : Inclusão □ Exclusão □ A aliado : Type o e idence Le el o e idence Desc ip ion Sys ema ic e iew o me a-analysis I A syn hesis o e idence om all ele an andomized con olled ials Randomized con olled ial II An expe imen in which subjec s a e andomized o a ea men g oup o con ol g oup Con olled ial wi hou andomiza ion III An expe imen in which subjec s a e non andomly assigned o a ea men g oup o con ol g oup Case-con ol o coho s udy IV Case-con ol s udy: a compa ison o subjec s wi h a condi ion (case) wi h hose who do no ha e he condi ion (con ol) o de e mine cha ac e is ics ha migh p edic he condi ion Coho s udy: an obse a ion o a g oup(s) (coho (s)) o de e mine he de elopmen o an ou come(s) such as a disease Sys ema ic e iew o quali a i e o desc ip i e s udies V A syn hesis o e idence om quali a i e o desc ip i e s udies o answe a clinical ques ion Quali a i e o desc ip i e s udy VI Quali a i e s udy: ga he s da a on human beha io o unde s and why and how decisions a e made Desc ip i e s udy: p o ides backg ound in o ma ion on he wha , whe e, and when o a opic o in e es Opinion o consensus VII Au ho i a i e opinion o expe commi ee Pie de a a/Ven u a/Ei as/B i oG acias Po J Public Heal h 2017;35:69–76 76 DOI: 10.1159/000479606 Re e ences 1 Balding C: F om quali y assu ance o clinical go e nance. 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