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Influência dos media portugueses na perceção pública do autismo

Abstract

A presente investigação foi desenvolvida tendo em vista uma melhor compreensão das mensagens transmitidas pelos media acerca do autismo, tendo em conta que estes exercem um papel preponderante na forma de pensar do ser humano. Considerou-se igualmente importante caraterizar o conhecimento da população portuguesa acerca das perturbações do espetro do autismo. Para a concretização destes objetivos de investigação, foi realizada uma entrevista à diretora de uma das principais instituições de autismo em Portugal, foram analisados alguns dos principais meios de imprensa escrita e elaborado um questionário para uma análise mais aprofundada da perceção pública do autismo no país. Os resultados deste estudo refletem uma necessidade de maior atenção à temática do autismo.

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Influência dos media portugueses na perceção pública do autismo

Author: Sancho, Joana Maria de Carvalho
Year: 2021
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/136012/1/Influ%c3%aancia%20dos%20media%20portugueses%20na%20perce%c3%a7%c3%a3o%20p%c3%bablica%20do%20autismo.pdf
In luência dos media po ugueses na pe ceção pública do au ismo
Joana Ma ia de Ca alho Sancho
Ou ub o, 2021
Disse ação de Mes ado em Comunicação de Ciência
2
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Comunicação de Ciência, ealizada sob a o ien ação cien í ica de Inês Quei oz
3
AGRADECIMENTOS
Começo po ag adece às pessoas que acompanha am e o na am possí el es e
abalho:
ag adeço à p o esso a Inês Quei oz, po o ien a a minha disse ação e po se e
in e essado pelo ema que me p opus es uda , e igualmen e pelas aulas de Ciência e
Sociedade onde ap endi que es es dois concei os são indissociá eis;
aos jo nais Público, Diá io de No ícias, Exp esso, Obse ado e Visão, po oda a
disponibilidade pa a pedido de in o mações e consul a de a qui os;
à D a. Paula Figuei edo, di e o a da APPDA-Lisboa, pela en e is a concedida, e po
oda a sua disponibilidade e simpa ia que o nou possí el es e abalho;
a odos os p o esso es do Mes ado de Comunicação de Ciência pela o mação;
aos meus colegas de u ma do mes ado, que se demons a am semp e disponí eis
pa a ajuda ;
aos meus amigos e amília, especialmen e ao meu i mão Miguel que, po se au is a,
me mo i ou a elabo a uma disse ação com es e ema.
4
In luência dos media po ugueses na pe ceção pública do au ismo
Po uguese media in luence on he public pe cep ion o au ism
Joana Ma ia de Ca alho Sancho
5
[RESUMO]
A p esen e in es igao oi desen ol ida endo em is a uma melho
comp eenso das mensagens ansmi idas pelos media ace ca do au ismo, endo em
con a que es es exe cem um papel p eponde an e na o ma de pensa do se
humano. Conside ou-se igualmen e impo an e ca a e iza o conhecimen o da
população po uguesa ace ca das pe u bações do espe o do au ismo. Pa a a
conc e ização des es obje i os de in es igação, oi ealizada uma en e is a à
di e o a de uma das p incipais ins i uições de au ismo em Po ugal, o am analisados
alguns dos p incipais meios de imp ensa esc i a e elabo ado um ques ioná io pa a
uma análise mais ap o undada da pe ceção pública do au ismo no país. Os esul ados
des e es udo e le em uma necessidade de maio a enção à emá ica do au ismo.
[ABSTRACT]
The p esen in es iga ion was elabo a ed wi h he goal o ha ing a be e
unde s anding o he messages con eyed by he media abou au ism, conside ing
ha he media ha e a majo ole in he way o hinking o he human being. I
becomes also impo an o cha ac e ise he exis ence o awa eness by he
po uguese popula ion abou he au ism spec um diso de s. To achie e hese
esea ch objec i es, an in e iew was conduc ed wi h he di ec o o one o he main
au ism ins i u ions in Po ugal, some o he main p in media we e analysed and a
ques ionnai e was de eloped o u he analyse he public pe cep ion o au ism in
he coun y. The esul s o his s udy e lec a need o g ea e a en ion o he opic
o au ism.
Pala as-cha e: Au ismo, Media, Pe u bações, Pe ceção, Comunicação de Ciência
Keywo ds: Au ism, Media, Diso de s, Pe cep ion, Science Communica ion

6
ÍNDICE
1. In odução 11
2. Enquad amen o Teó ico 15
2.1. O que é o au ismo 15
2.2. Polí ica: da in isibilidade à ep esen ação do au ismo 18
2.3. Associações de au ismo em Po ugal 20
2.4. O au ismo e a sociedade 22
2.5. O papel das ake news na desin o mação do público 25
2.6. As ecen es in es igações sob e o au ismo em Po ugal 28
2.7. A media ização da ciência 29
3. P oblemá ica, Obje i os e Me odologia 32
4. Análise e ap esen ação dos esul ados 36
4.1. Análise da en e is a a Paula Figuei edo, di e o a da APPDA-Lisboa 36
4.1.1. Iden idade da APPDA-Lisboa e papel do Es ado nas associações 36
4.1.2. O papel da comunicação de ciência no au ismo 38
4.2. Análise documen al – P esença da emá ica do au ismo nos media 41
po ugueses
7
4.2.1. Público 42
4.2.2. Diá io de No ícias 43
4.2.3. Exp esso 45
4.2.4. Obse ado 47
4.2.5. Visão 49
4.2.6. Temá icas ace ca do au ismo nos media 51
4.3. Ques ioná io ace ca da ap op iação dos media pelo público 52
4.3.1. Ca a e ização da amos a 53
4.3.2. Pe ceção do au ismo pela amos a 56
5. Conclusões 65
6. Bibliog a ia 69
7. Apêndice A: En e is a à di e o a da APPDA-Lisboa, Paula Figuei edo 72
8. Apêndice B: Ques ioná io 77
8
LISTA DE ABREVIATURAS
APPDA – Associação Po uguesa pa a as Pe u bações do Desen ol imen o e
Au ismo
PEA – Pe u bações do Espe o do Au ismo
FPDA – Fede ação Po uguesa de Au ismo
BNP – Biblio eca Nacional de Po ugal
CNIS – Con ede ação Nacional das Ins i uições de Solida iedade
CRI – Cen o de Recu sos pa a a Inclusão
OMS – O ganização Mundial da Saúde
9
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1 – Tópico do au ismo no Obse ado 48
Figu a 2 - Mapa concep ual de concei os associados à de inição de au ismo 54
ÍNDICE DE GRÁFICOS
G á ico 1 – E olução do nº de a igos ace ca do au ismo no jo nal Público en e 2000
e 2020 42
G á ico 2 – Tipo de a igos ace ca do au ismo no jo nal Público, na secção de ciência,
en e 2000 e 2020 43
G á ico 3 - E olução do nº de a igos ace ca do au ismo no jo nal Diá io de No ícias
en e 2000 e 2020 44
G á ico 4 - Tipo de a igos ace ca do au ismo no jo nal Diá io de No ícias, na secção
de ciência, en e 2000 e 2020 45
G á ico 5 - E olução do nº de a igos ace ca do au ismo no jo nal Exp esso en e 2000
e 2020 46
G á ico 6 - Tipo de a igos ace ca do au ismo no jo nal Exp esso, na secção de ciência,
en e 2000 e 2020 46
G á ico 7 - Tipo de a igos ace ca do au ismo no Obse ado , na secção de ciência,
en e 2014 e 2020 48
G á ico 8 - G á ico 8 – E olução do nº de a igos ace ca do au ismo na e is a Visão
en e 2000 e 2020 49
G á ico 9 – Tipo de a igos ace ca do au ismo na e is a Visão, na secção de ciência,
en e 2000 e 2020 50
G á ico 10 – Temá icas sob e o au ismo nos media 51
G á ico 11 - Géne o dos indi íduos da amos a 53
G á ico 12 - Idade dos indi íduos da amos a 54
G á ico 13 – Ní el de es udos dos indi íduos da amos a 55
16
ela i amen e à sua ep esen ação nos media, o que o igina um impo an e deba e
ace ca das suas ca a e izações e obje i idade de ela os.
Apesa de e ha ido a anços signi ica i os quan o ao núme o de casos de
au ismo de e ados globalmen e, não em ha ido um p og esso equi alen e no
es udo dos p oblemas que os pais das c ianças en en am (Ca la Ma ques, 2002). A
p imei a sociedade da c iança é a amília, pois é no seio amilia que exis em as
condições indispensá eis ao desen ol imen o da c iança. A amília que possui
c ianças com algum ipo de de iciência, seja em que e mos o , en en a desa ios e
si uações que as ou as amílias desconhecem. Enquan o exis em amílias que se
conseguem adap a bem à no a ealidade, ou as não são capazes nem bem-
sucedidas na acei ação do seu ilho de o ma ealis a. O au ismo, hoje em dia, é uma
emá ica abo dada po á ios se o es: de saúde, de educação, de segu ança social e
do abalho. Des e modo, a amília es á pe manen emen e em con ac o com mui os
p o issionais. É de ex ema impo ância en a comp eende quais são as
necessidades que ap esen am e os apoios com que os amilia es dos indi íduos com
au ismo podem con a .
O T ans o no do Espec o do Au ismo en ol e um conjun o de ans o nos
neu ológicos de causas o gânicas, ca a e izado po di iculdades de in e ação e
comunicação que podem es a associadas a al e ações senso iais, compo amen os
es e eo ipados e/ou in e esses es i os. A sua mani es ação é mui o di e sa e os
seus sinais, embo a equen emen e p esen es na in ância, podem su gi somen e
quando os con ex os sociais ex apola em os limi es de suas capacidades (Ame ican
Psychia ic Associa ion, 2013).
Vá ios es udos ealizados demons am que os a o es emocionais no so
causado es isolados da doena, e que su gem a o es biológicos em quase ou em
odos os casos de au ismo. Con udo, ainda no oi descobe o um ma cado biológico
espec ico (Isabel San os e Ped o Sousa, 2005). Apesa de exis i em a o es gené icos

17
e ambien ais que são conside ados como de e minan es, mui os au o es apon am
hoje pa a a mul icausalidade do au ismo.
A ualmen e sabe-se que as causas do au ismo são bas an e mais complexas do
que an es se pensa a. Hou e mui a con usão quan o às causas do au ismo nas
p imei as duas décadas seguin es à sua p imei a desc ição. A especulação começou
na década de 1950, concen ando-se nos a o es psicossociais. Pos e io men e,
du an e as décadas de 1960 e 1970, começa am a acumula -se as e idências que
demons a am que o ans o no e a uma condição com o igem neu ológica e
o emen e gené ica. Ainda na década passada, mui os cien is as ac edi a am que
apenas alguns genes es a iam en ol idos no desen ol imen o do au ismo. Não
exis e, de ac o, nenhuma causa única des e ans o no. Apesa de a gené ica e um
papel signi ica i o, es ima-se hoje em dia que pelo menos mil genes e e en os
gené icos desempenhem uma unção no desen ol imen o do au ismo. Todos es es
e ei os gené icos in e ligam-se depois com o his ó ico de desen ol imen o e de
ap endizagem e com a pe sonalidade da c iança. O esul ado inal é um in ini o
núme o de compo amen os di e en es que podemos obse a em indi íduos com o
mesmo sínd ome (Be nie e al., 2020).
Em Po ugal, não exis em es a ís icas sob e a e dadei a ealidade do au ismo.
Um es udo elabo ado po Oli ei a (2005) que apon a pa a uma p e alência es imada
em Po ugal de ce ca de uma em cada mil c ianças de idade escola . Ba bosa (2009)
e e uou uma pesquisa sob e a emá ica em causa onde es ima a exis ência 65 mil
c ianças com PEA em Po ugal, esul ando de 5 nascimen os pa a cada 10000
habi an es.
Mui os indi íduos ainda não o am diagnos icados nem ecebe am um
a amen o adequado. O único aspe o de que se em conhecimen o é que, de ac o,
em ha ido um aumen o signi ica i o da p e alência do au ismo, an o em Po ugal
como a ní el mundial. Es e aumen o do núme o de casos pode de e -se an o a um
aumen o dos c i é ios de diagnós ico, que são mui o ab angen es, ou se exis e um
18
c escimen o eal em equência do au ismo, que pode á es a a ganha con o nos de
uma e dadei a epidemia mundial.
Ca los Nunes Filipe, na sua ob a in i ulada Au ismo: Concei os, Mi os e
P econcei os, e e e que é ex emamen e di ícil ealiza es udos de incidência do
au ismo pela di iculdade de diagnós ico p ecoce. É indiscu í el, no en an o, o
aumen o do núme o de casos diagnos icados, seja po que a incidência es á a
aumen a , seja po que exis e uma maio a enção ao diagnós ico, ou ainda po ambas
as azões.
Ainda segundo o mesmo au o , não oi encon ada nenhuma co elação en e o
apa ecimen o de au ismo e a exis ência de in ole âncias alimen a es, o uso de
de e minadas acinas ou a exposição (p é ou pós-na al) a agen es ex e nos,
nomeadamen e álcool, abaco ou me ais pesados.
2.2. Polí ica: da in isibilidade à ep esen ação do au ismo
A Lei de Saúde Men al (Lei n.º 2118/63, de 3 de ab il), su giu, pela p imei a ez,
na década de 60, conhecida à da a como Lei Sena, dado o seu c iado , endo sido
e is a a 24 de julho de 1998. Es a lei pe mi ia es ingi a libe dade do cidadão
isando o seu a amen o, assen e em ês undamen os de a uação,
designadamen e: p o ege o p óp io, p o ege e cei os e p o ege pessoas e bens.
A in eg ação des es jo ens começou a se desen ol ida, em Po ugal, na década
de se en a do século XX, com a inse ção de algumas c ianças e jo ens po ado es de
de iciências em de e minados liceus do país, a a és da Di eção do Ensino Especial.
A Decla ação de Salamanca, ap esen ada em 1994, eio de ini p incípios,
polí icas e p á icas ela i amen e às necessidades educa i as especiais. O p incipal
ópico abo dado nes a decla ação oi a inclusão de c ianças, jo ens e adul os com
necessidades educa i as especiais no sis ema egula de ensino. Es e documen o
19
de ende que as escolas inclusi as de em basea -se na possibilidade de odos os
alunos ap ende em jun os, sejam quais o em as suas di e enças, limi ações ou
di iculdades. As escolas êm a unção de se adap a aos seus alunos e às suas
ca a e ís icas especí icas (Sanches e Teodo o, 2006).
Os a igos 73º e 74º da Cons i uição da República Po uguesa (1976) e e em
que odos êm di ei o à educação, cul u a e ciência, sendo que a igualdade de
opo unidades de e se assegu ada pelo Es ado. Ki k & Gallaghe (2000) explicam
que o am a a essadas qua o e apas undamen ais na inclusão de pessoas com
necessidades educa i as especiais. Numa ase inicial, es as c ianças e jo ens e am
ma ginalizadas, não sendo acei es pela sociedade.
Mais a de, deu-se a emancipação des as c ianças e jo ens, que passa am a se
p o egidas, mui as delas pe manecendo em casa, sem e em acesso ao mundo que
as odeia. No os concei os e p á icas o am in oduzidos a pa i de 1960, e passou-
se a olha pa a os indi íduos com necessidade educa i as especiais com bas an e
p eocupação. Inicia-se en ão, nos anos 70, em Po ugal, um ompe com a exclusão,
passando a exis i uma escola que in eg a a odo o ipo de alunos. O modo de ensino
so eu al e ações, deixou de se ão eli is a, e as unções da escola so e am
mudanças pa a melho a as espos as educa i as dadas a es as c ianças e jo ens. No
ano de 2008, o am dados os p imei os passos legisla i os pa a a inclusão de c ianças
com au ismo na escola, com a publicação do Dec e o Lei 3/2008 de 7 de janei o, o
qual “de ine os apoios especializados a p es a na educao p é-escola e nos ensinos
básico e secundá io dos sec o es público, pa icula e coope a i o”.
Apenas mui o ecen emen e se começou a a alia os bene ícios da inclusão
des es indi íduos em u mas do ensino egula , su gindo des a o ma a inclusão e o
mo imen o Escola Inclusi a. Pa a a p omoção de uma escola mais inclusi a
começa am a exis i apoios educa i os, pa a esponde da melho o ma possí el aos
alunos com necessidades educa i as especiais.
20
Es e diploma con inha p incípios o ien ado es, ais como o ac o de a escola não
pode “ ejei a a ma ícula ou a insc ição de qualque c iança ou jo em com base na
incapacidade ou nas necessidades educa i as especiais que mani es em”, gozando
es es de p io idade na ma ícula, endo assim o di ei o a equen a a escola, ou a é
mesmo o ja dim de in ância, nos mesmos e mos das es an es c ianças. Des e modo,
p ocu a a-se o e ece espos as educa i as adequadas, econhecendo a
singula idade das c ianças e jo ens com es e ipo de necessidades educa i as
especiais.
Também no plano do apoio social, êm-se e i icado mudanças com o in ui o de
apoia es e ipo de alunos, exis indo o abono de amília pa a c ianças e jo ens com
de iciência, com o obje i o de compensa os enca gos da amília espei an es ao
sus en o e educação de c ianças e jo ens com de iciência com idade in e io aos 24
anos; o subsídio po equência de um es abelecimen o de educação especial, que
p e ende compensa os enca gos ad indos da equência de um es abelecimen o de
educação especial ou ou o que implique o pagamen o de mensalidade; e, po im, a
p es ação social pa a a inclusão, des inada a indi íduos com um g au de de iciência
igual ou supe io a 60%.
2.3. Associações de au ismo em Po ugal
A impo ância c escen e do au ismo, em e mos sociais, educa i os e de saúde
pública, em-se mani es ado a a és da c iação de ins i uições em p ol de indi íduos
com ans o nos do espe o do au ismo, pa a além das con e ências públicas,
jo nadas de es udo ace ca des a emá ica e a comemo ação do Dia Mundial da
Consciencialização do Au ismo, no dia 2 ab il.
Ao longo dos úl imos 50 anos, a unção das associações de pais e de p o issionais
ligados ao au ismo em sido c ucial pa a o desen ol imen o de es u u as e
condições de apoio pa a pessoas com au ismo, assim como pa a o desen ol imen o
21
de uma consciência cí ica e, inclusi amen e, o c escimen o da in es igação médica e
psicológica nes a á ea (Ca los Nunes Filipe, 2012).
Em Po ugal, oi undada a p imei a associação de au ismo em 1971, a
Associação Po uguesa pa a P o eção às C ianças Au is as, que mais a de eio a
chama -se Associação Po uguesa Pa a P o eção aos De icien es Au is as (APPDA). A
pa i da APPDA sediada em Lisboa, nasce am ou as em di e en es egiões de
Po ugal e nas Regiões Au ónomas.
A Fede ação Po uguesa de Au ismo (FPDA)
4
, undada em 2003, em o igem na
APPDA, que eúne as seguin es associações de solida iedade social: APPDA-Lisboa,
APPDA-Coimb a, APPDA-No e, APPDA-Viseu, APPDA S. Miguel e S a. Ma ia, APPDA-
Se úbal, APPDA Madei a e APPDA Alga e. Es a ede ação em como unção
ep esen a as suas ins i uições iliadas, de o ma a de ende incondicionalmen e os
di ei os das pessoas com pe u bações do espe o do au ismo e das pessoas com elas
signi ica i amen e elacionadas. Todas es as associações e e idas êm os seguin es
se iços de apoio a c ianças e jo ens au is as: Es abelecimen o de Ensino Especial,
Cen o de A i idades Ocupacionais, Unidade P es ado a de Cuidados de Saúde e La
Residencial.
Exis em ainda as seguin es ins i uições de apoio ao au ismo: a Associação de
Apoio e Inclusão ao Au is a, cons i uída em 2010 em Coimb a, que em como missão
p incipal o apoio a pessoas com pe u bações do desen ol imen o e au ismo, de
odos os g upos e á ios e secunda iamen e p opõe-se desen ol e a i idades no
âmbi o da Saúde e Fo mação P o issional; a Vence Au ismo, c iada em 2010, que
p e ende o nece os conhecimen os, écnicas e es a égias pa a odas as pessoas
que lidam com alguém com pe u bações do espe o do au ismo en ende em e
passa em a se dinamizado es da solução; a Associação de Amigos do Au ismo, c iada
em 2008, com is a à c iação de espos as ino ado as e sus en á eis que possam i
4
h ps://www. pda.p /

22
de encon o às necessidades dos indi íduos com PEA e das suas amílias; e, po im,
a Ino a Au ismo, que su giu em 2017, com o in ui o de inclui as c ianças, jo ens e
adul os com au ismo na comunidade.
Como podemos e i ica , a g ande maio ia das associações em Po ugal
dedicadas ao au ismo o am c iadas após 2000, o que suge e um c escen e
econhecimen o público do au ismo em Po ugal mais ecen emen e.
Os p incipais obje i os ao c ia -se es e ipo de ins i uições, pa a além da in enção
p incipal de apoia o au ismo e os pais de c ianças e jo ens au is as em Po ugal, são
es imula o desen ol imen o social e comunica i o de indi íduos com es e ans o no,
ape eiçoa a ap endizagem e a capacidade de es es soluciona em p oblemas e ajuda
as amílias a lida com es a pe u bação. De uma o ma ge al, é necessá io eco e a
p o issionais de saúde como médicos e e apeu as da ala, en e ou os, pa a se
encon a as melho es espos as adequadas a cada ipo de caso, podendo se
necessá io o uso de medicação e sessões de e apia da ala.
2.4. O au ismo e a sociedade
Pa a que a a i idade cien í ica seja comp eendida, a comunicação de ciência
desempenha um papel cen al, dado que pe mi e aos a o es sociais oma con ac o
com in o mação ela i a ao abalho em desen ol imen o pelos cien is as (Rui B i o
Fonseca, 2010).
Enquan o sociedade, exis em di e sos es e eó ipos ela i os a
incapacidades neu o-cogni i as. Em ez de se em conside adas algo na u al na ida,
es es es e eó ipos con êm ge almen e cono ações de u padas (Bejoian & Conno ,
2006). De aco do com es es mesmos au o es, "as pessoas eem e ou em es as
in luências po que ci culam nos media».
23
Segundo o que LaC eanna S. Young e e e no seu a igo Awa eness wi h
Accu acy: An Analysis o he Rep esen a ion o Au ism in Film and Tele ision, a
maio ia das pessoas despende mais empo na ap endizagem ace ca do mundo eal a
pa i de ilmes ou con eúdos ele isi os do que a a és de jo nais ou e is as. Hoje
em dia, os consumido es de no ícias es ão mui o mais expos os aos media digi ais do
que aos media adicionais. As o ganizações e os elemen os da imp ensa êm indo
a conhece al e ações p o undas, deco en es das ans o mações ecnológicas,
essencialmen e. De ido a es as mudanças, assis iu-se ao su gimen o de dinâmicas
ecen es na in o mação, na comunicação e no jo nalismo.
As implicações das no as ecnologias e da indús ia do digi al, pa a se em
comp eendidas de o ma ap o undada e e lexi a, êm que se pe cecionadas de
aco do com a expe iência que os indi íduos êm com os obje os e ealidades. A pa i
daquilo que obse am nos media, as pessoas ge am cons uções cul u ais, mui as
ezes aliosas, oda ia não p oblema izadas, equi ocadas, enganosas ou
p econcei uosas dessas mesmas ealidades.
Embo a a ciência e a ecnologia exe çam uma g ande in luência em odos os
aspe os das sociedades mode nas, ainda con inua a exis i uma eno me lacuna de
comunicação en e as comunidades cien í icas e não-cien í icas, o que az um
g ande p ejuízo ao pleno exe cício da cidadania. De aco do com Sa a Va ela Ama al,
na sua ese de dou o amen o in i ulada “Desa ios na ino ação da comunicação de
ciência em Po ugal”, o dis anciamen o en e o uni e so cien í ico e as ou as
dimensões sociais oi c iando uma eno me lacuna de comunicação, con iança e
comp eensão en e as comunidades cien í icas e não-cien í icas. No en an o,
a ualmen e, a ciência e a ecnologia in luenciam odos os aspe os da sociedade, o
que o na impe a i o o es abelecimen o de elações mais p o undas en e a ciência
e a sociedade.
Um es udo de Hans Pe e s, ealizado em 2013, demons a que os cien is as não
es ão con encidos em elação à capacidade da comunidade não cien í ica em
24
comp eende descobe as cien í icas e e e e que são bas an e c í icos em elação à
pa icipação pública nos p ocessos de decisão em polí icas de in es igação. No
en an o, os esul ados des e es udo ambém indicam que os in es igado es
ac edi am que exis em a i udes mais posi i as da sociedade em elação à ciência a
pa i do aumen o do conhecimen o e do en ol imen o do público. Pa a além dis o,
a in e ação com a comunicação social é comp ome ida po os in es igado es não se
sen i em con o á eis e com pouco con olo nas elações com jo nalis as.
De aco do com um es udo publicado em maio de 2021, in i ulado B inging back
he deba e on media ed and unmedia ed science communica ion: he public’s
pe spec i e, de Ana Delicado, Jussa a Rowland e João Es e ens, o público demons a
uma cla a p e e ência po comunicação cien í ica ealizada po cien is as, em ez de
jo nalis as, apesa de a c edibilidade e a con iança depende em de á ios a o es.
Pa a além disso, de aco do com Alexand ia P ochnow na sua ob a An Analysis
o Au ism Th ough Media Rep esen a ion, as ep esen ações nos media quase nunca
e a am de o ma exa a os g upos sociais ais como são na ealidade. No caso do
au ismo, com an os ipos di e en es de ans o nos do espe o au is a, se ia
impossí el ep esen a p ecisamen e cada aspe o do au ismo a a és da ele isão, po
exemplo.
De aco do com o es udo “Au ismo nos Media – conside ações a espei o dos
c i é ios de no iciabilidade”, de Nelci Guima es e Mau a Ma ins, desen ol ido em
2006, a emá ica do au ismo em sido polémica desde que oi desc i a pela p imei a
ez e pe manece en ol a em con o é sia a é aos dias de hoje. Ao con á io do que se
p opõe na comunicação a ual, que de e se cada ez mais as a e acessí el ao público,
os media con inuam a man e um ce o a as amen o ela i amen e a á ios assun os
cada ez mais p esen es na sociedade. Ainda hoje, a pe u bação do au ismo é
desconhecida po mui as pessoas. A al a de in o mações adequadas o na o ema
pouco comp eendido pela população e p omo e a es igma ização dos po ado es de
au ismo, assim como as suas amílias.
25
No a igo Au ism Spec um Diso de s in Popula Media: S o ied Re lec ions o
Socie al Views, da e is a in i ulada B ock Educa ion (Vol. 23, 2014), os au o es
Ch is ina Belche e Kimbe ly Maich explo am como os indi íduos diagnos icados com
espe o do au ismo são ipi icados num mundo em que os media popula es, que
incluem a ele isão, a ádio e os li os, êm cada ez uma maio in luência no mundo.
A pa i da seleção de uma amos a de 20 con eúdos mediá icos, concluiu-se que as
pe sonagens ele isi as com ans o nos do espe o au is a são ge almen e e a ados
como génios com supe io idade in elec ual, que nos le am a que e se como eles; nos
ilmes, são ap esen ados como he óis que a ingem ei os quase impossí eis; nas
no elas, exibem-se inse idos num con ex o amilia complexo e adicional; nos li os,
são ca a e izados num con ex o mais clínico e p eciso. As ep esen ações do au ismo
nos mais di e sos media podem, po an o, se oman izadas, ao ansmi i noções
inco e as, es e eo ipadas e i eais do que são ealmen e os ans o nos do espe o
do au ismo.
2.5. O papel das “ ake news” na desin o mação do público
Pa a mui as pessoas, as no ícias ansmi idas pelos media são on es
e ídicas de ansmissão de in o mação ace ca de assun os elacionados com a
saúde. Os media ala gam e de inem o conhecimen o do mundo. Eles cons oem
aquilo que de e se me ecedo de isibilidade, de ele ância social e ema de
discussão pública. Os media a i mam-se a ualmen e no quo idiano como os
p incipais mediado es e cons u o es sociais, ao ans o ma em po comple o o
espaço público.
À medida que os esc i o es de ciência di ulgam in o mação o a do núcleo
das disciplinas cien í icas, a ciência pe de alguma p ecisão e mui o do ja gão écnico,
de aco do com Wa en Bu ke na sua ob a “Jo nalismo Cien  ico”, de 1990. Na
mesma ob a, a i ma que nos meios de comunicação de massa, ais como jo nais,
ádio e ele isão, a ciência o na-se popula izada e a é mesmo “sensacionalizada”,
32
pe spe i a c í ica pa a a alia os con ex os em que são c iados os discu sos de
ciência.
3. P oblemá ica, Obje i os e Me odologia
Nes e abalho, p e endeu-se essencialmen e de e mina a elação que
exis e en e a in o mação ansmi ida pelos media ace ca do au ismo,
p incipalmen e na imp ensa esc i a, e o conhecimen o do público ace ca da emá ica,
na sociedade po uguesa.
Ou os obje i os especí icos de e minan es pa a alcança os esul ados
p e endidos são a análise do igo da in o mação p esen e nos media ace ca do
au ismo, iden i ica possí eis causas pa a a de u pação da ep esen ação do au ismo
e o nece in o mação ele an e pa a um melho conhecimen o da emá ica na
sociedade.
Nes e pon o, ai ambém se de inida a me odologia do p oje o, ap esen ada
a pe inência de um es udo de ca á e quali a i o, a ca a e ização dos pa icipan es
e os ins umen os da ecolha de dados.
Es abelecendo uma associação en e a p oblemá ica e a me odologia, o na-
se necessá io ecolhe dados de o ma mais ap o undada ace ca do ní el de
conhecimen o da população po uguesa do au ismo. São poucos os dados que
exis em sob e as no ícias de au ismo e a adas nos media.
A p imei a e apa é cons i uída po uma en e is a à di e o a da APPDA-Lisboa
(Associação Po uguesa pa a as Pe u bações do Desen ol imen o e Au ismo), Paula
Figuei edo. Es a ins i uição é uma das mais econhecidas a ní el nacional, no que oca
ao au ismo, e e e o igem na p imei a o ganização po uguesa dedicada ao au ismo.
Numa abo dagem in o mal, solici ou-se à di eção a au o ização pa a a ealização de
uma en e is a pa a um es udo sob e a elação en e o au ismo e o conhecimen o

33
público a a és dos media em Po ugal. Após es es con ac os, a di e o a Paula
Figuei edo disponibilizou-se a colabo a e con ibui pa a a ealização do es udo.
Es a en e is a ocou-se essencialmen e no papel das associações de au ismo
em Po ugal, a a aliação do abalho da ciência ao longo dos úl imos anos em elação
à in es igação do au ismo e a análise da elação en e os media o conhecimen o do
público sob e o au ismo.
A en e is a em como inalidade a ecolha de dados de opinio, que
possibili am a aquisio de pis as pa a a ca a e izao do p ocesso em es udo, assim
como o conhecimen o dos in e enien es do p ocesso. (Es ela, 1994). Com um guião
semi-es u u ado, com pe gun as abe as e que pe mi em con e sas mais
desen ol idas, pa a uma maio possibilidade de analise de con eúdo, a en e is a
consis iu numa écnica de obse ao indi e a e ca a e izou-se po um con ac o
di e o en e o in es igado e o en e is ado. Es e ipo de en e is a pe mi e a
ob eno de dados de o ma a complemen a a obse ao e ambém o nece
in o maões mui o a iadas e bas an e comple as.
Numa segunda e apa, os con eúdos de media selecionados o am analisados
de alhadamen e pa a se conhece a e olução das no ícias sob e au ismo, em
Po ugal, ao longo dos anos. Na seleção dos media op ou-se pela imp ensa pe iódica,
po azões essencialmen e me odológicas, ais como a maio disponibilidade de
acesso aos con eúdos e aos ins umen os de ecolha e a amen o de dados e a
es abilidade da in o mação. Ao con á io da ele isão e da ádio, que implicam a
análise de con eúdos mul imédia, a imp ensa em con eúdos com uma maio
acilidade de o ganização e ca a e ização. São á ios os media po ugueses que êm
uma á ea dedicada à ciência, onde pode se abo dada a emá ica do au ismo. É o
caso do Diá io de No ícias, Público, Obse ado (jo nal online), Exp esso e Visão,
sendo que es es dois úl imos são publicados semanalmen e. De o ma a analisa a
e olução da abo dagem do au ismo nos media po ugueses, ao longo dos anos, oi
de inido um pe íodo de 20 anos, desde 2000 a é 2020, um pe íodo de empo
34
ela i amen e ab angen e. O único jo nal que oi uma exceção a es e pe íodo oi o
Obse ado , que oi c iado mais ecen emen e, em 2014, mas que oi conside ado
ele an e pa a a análise pelo ele ado núme o de a igos ace ca do au ismo.
Pa a a análise dos media e e idos an e io men e, oi ei a uma ecolha de
dados inicialmen e nos si es de odos os jo nais/ e is as. A pesquisa pelas pala a-
cha e “au ismo” e “au is a” oi o p imei o passo, com o il o de da as en e 2000 e
2020. Pos e io men e, pa a se comple a a análise dos dados, ealiza am-se isi as
às edações dos jo nais Diá io de No ícias e Público e e e uou-se a ecolha dos
a igos, manualmen e, em o ma o de papel, nas ins alações da Biblio eca Nacional
de Po ugal (BNP), mais p ecisamen e na á ea de ciência de cada um dos
jo nais/ e is as.
Numa úl ima ase, oi elabo ado um inqué i o po ques ioná io, que pa iu da
ecolha e a amen o de dados e da en e is a ealizada. U ilizou-se o mé odo
quan i a i o, que p ocu a uma maio ab angência da populao es udada e apon a
pa a a epe io e compa ao dos dados a e idos.
De uma o ma ge al, al como na pesquisa expe imen al, os es udos de campo
quan i a i os guiam-se po um modelo de pesquisa onde o in es igado pa e de
quad os concep uais de e e ência, o bem es u u ados quan o poss el, a pa i
dos quais o mula hipó eses sob e os enómenos e si uaões que que es uda . A
ecolha de dados en a iza pos e io men e os núme os (ou in o maões con e s eis
em núme os) que pe mi am e i ica a oco ência ou no das consequências, e da
en o a acei ao (ainda que p o isó ia) ou no da posio omada inicialmen e
(“Mé odos Quan i a i os e Quali a i os: Um Resga e Teó ico”, 2008).
Pa a a elabo ação do ques ioná io, oi u ilizada a e amen a Google Fo ms.
Apesa da acilidade na pa ilha do inqué i o po ques ioná io a a és des a
pla a o ma, apenas a olun a iedade dos indi íduos ajuda à cons i uição da amos a.
Foi escolhida, assim, uma amos a ep esen a i a da populao que que emos
es uda , nes e caso, os consumido es de media em Po ugal. Fo am ecolhidas
35
espos as de 200 indi duos, endo sido pos e io men e echada a submissão de
no as espos as. Pa a além da amos a se cons i uda po es e núme o de
indi duos, o campo de análise ab angeu indi duos pe encen es a di e en es aixas
e á ias, de o ma a no se ob e esul ados ocados num g upo somen e.
O ques ioná io é «de adminis ao di e a», po se o p óp io inqui ido a
p eenchê-lo. Hou e a p eocupao de ga an i que as ques ões colocadas e am
acilmen e en endidas. Pa a o e ei o, oi cons udo um cabealho onde cons a am
os obje i os e as inalidades do mesmo. Foi pa ilhado a a és das edes sociais
Facebook e Ins ag am.
Todas as espos as ob idas o am espos as álidas 200/200, o que pe mi e
analisa uma sé ie de dados, de um modo mais iá el e c ed el.
O ques ioná io
6
englobou ques ões na sua maio ia di e as, ou seja, do ipo
sim ou no, e ambém de espos a abe a, po que pe mi em espos as mais ancas
e di e si icadas. O obje i o e a se -se o mais ab angen e possí el, sem sac i ica a
acilidade de espos a e o empo de p eenchimen o.
As p imei as pe gun as do ques ioná io comea am po se echadas,
abo dando a idade, o géne o e o ní el de es udo dos indi duos, de o ma a conhece
mais ap o undadamen e a audiência. De seguida, oi pedido pa a se de ini o au ismo
numa só pala a, pa a ecolhe uma ideia inicial da pe spe i a ge al da população
ace ca des a emá ica. Foi ambém impo an e ealiza ques ões ace ca dos hábi os
de consumo dos media, com uma pe gun a mais especí ica pa a os media de ciência.
Es as pe gun as o na -se-iam ulc ais pois a análise de dados, pos e io men e, i ia
basea -se maio i a iamen e na elao en e os hábi os de consumo de media e as
espos as às ou as ques ões.
6
h ps:// o ms.gle/cRC95PzLd1KkCMHk7
36
4. Análise e ap esen ação dos esul ados
4.1. Análise da en e is a a Paula Figuei edo, di e o a da APPDA-Lisboa
A APPDA-Lisboa é uma ins i uição que apoia pessoas com au ismo de odos os
ní eis e á ios e as suas amílias, das mais econhecidas a ní el nacional. A Associação
Po uguesa pa a as Pe u bações do Desen ol imen o e Au ismo de Lisboa é uma
ins i uição pa icula de solida iedade social, sem ins luc a i os. Es a oi undada em
1971 po amilia es de pessoas com PEA no sen ido de p es a se iços a essas pessoas
e às com elas signi ica i amen e elacionadas, p omo endo a de esa e o exe cício dos
di ei os e a aquisição e melho ia de qualidade de ida des as.
A escolha des a associação p ende-se com o ní el de impo ância que es a em
a ní el nacional, no con ex o do au ismo, e com a di e sidade de se iços e inicia i as
que a APPDA-Lisboa em pa a apoia as pessoas com au ismo. Os obje i os des a
en e is a são uma lei u a mais ap o undada do con ex o do au ismo em Po ugal,
nomeadamen e a ní el de apoio go e namen al, e a análise do papel que a
comunicação de ciência desempenha, an o ao ní el das ins i uições como das
in es igações ace ca do au ismo.
4.1.1. Iden idade da APPDA-Lisboa e papel do Es ado nas associações
Em en e is a a Paula Figuei edo, di e o a da APPDA-Lisboa, p ocu ou
ca a e iza -se o ca iz da ins i uição que ep esen a, a p incipal em Po ugal
di ecionada a pessoas com pe u bações do espe o do au ismo. A di e o a explicou,
desde logo, que a APPDA oi cons i uída em 1971, em Lisboa, sendo "a p imei a
en idade de ca iz associa i o especi icamen e dedicada às ques ões da á ea do
au ismo, sendo os seus undado es alguns pais de c ianças, de en e as p imei as que
em Po ugal ha iam sido diagnos icadas como endo au ismo e que não
encon a am espos a adequada pa a o apoio de que ca eciam os seus ilhos”,
37
e e e. A APPDA-Lisboa e e o igem na p imei a o ganização po uguesa dedicada ao
au ismo, a Associação Po uguesa pa a P o eção às C ianças Au is as. É memb o
undado e es á iliada no Au ism-Eu ope e, ao ní el nacional, es á iliada na CNIS. É
igualmen e memb o do Conselho Municipal pa a a Inclusão das Pessoas com
De iciência.
Ques ionada ace ca da boa ou má dis ibuição de associações dedicadas ao
au ismo em Po ugal, a D a. Paula Figuei edo az uma a aliação posi i a da si uação,
e e indo que na Fede ação Po uguesa de Au ismo (FPDA) es ão a ualmen e
ede adas eze associações, que cob em g ande pa e do e i ó io con inen al e
ambém as Regiões Au ónomas da Madei a e dos Aço es. Sem es a em ede adas na
FPDA, exis em ainda ou as ins i uições e en idades de ca á e emp esa ial que
ambém êm en e os seus ins o apoio a pessoas com au ismo.
Exis em ês minis é ios com ju isdição nacional (Minis é io da Saúde,
Minis é io do T abalho, Solida iedade e Segu ança Social e Minis é io da Educação)
que ge em a legislação, a p o isão de conhecimen o, o aconselhamen o e a
au o idade em ques ões elacionadas com a saúde, educação e apoio social pa a
adul os com au ismo. A legislação igen e es á de inida pa a pessoas com
incapacidade e não é especí ica pa a as Pe u bações do Espe o do Au ismo. No
plano social e de saúde, a legislação ab ange odo o ciclo de ida, enquan o ao ní el
educa i o es á limi ada ao ensino básico e secundá io (2017, Célia Rasga e As id M.
Vicen e).
Rela i amen e à sua opinião ace ca do apoio go e namen al em elação a
pe u bações como o au ismo, a di e o a da APPDA-Lisboa admi e que es e não em
ido uma e olução signi ica i a nem posi i a nos úl imos empos. Após a e ogação
do dec e o-lei nº 54/2018, de 6 de julho, a lei deixou de p e e medidas di e enciadas
a aplica especi icamen e pa a o ensino de alunos com pe u bações do espe o do
au ismo (PEA), às salas de ensino es u u ado, con endo apenas uma e e ência
gené ica à p omoção da c iação de ambien es es u u ados como obje i o do cen o

38
de apoio à ap endizagem. “Conside amos que a c iao na escola de espao
es u u ado especí ico pa a alunos com PEA, p epa ado pa a neles se in e i com
is a à acili ação da ap endizagem e, pela edução de es ímulos desadequados,
consegui edução ou eliminação de compo amen os dis up i os, é essencial pa a
p omo e a in eg ao das pessoas com PEA nas escolas”, a i ma Paula Figuei edo.
Em Po ugal exis em, de ac o, cen os especializados em a amen os pa a
os indi íduos com au ismo, no en an o no a-se que ainda al am equipas
mul idisciplina es especializadas no a amen o de au ismo em ó gãos públicos.
Pa indo do p incípio que Ba bosa (2005) e e e, as en idades esponsá eis em
Po ugal e ão ce amen e que e le i sob e a dimensão e o signi icado e o impac o
social des a pa ologia c ónica e g a e do neu o desen ol imen o.
Ainda no âmbi o da educação, a D a. Paula Figuei edo menciona que o
inanciamen o da a i idade dos Cen os de Recu sos pa a a Inclusão (CRI), que
apoiam os alunos com necessidades especiais nas escolas de ensino egula , endo a
APPDA-Lisboa o único especi icamen e pa a apoio a alunos com PEA, em sido
man ido pelo pa cei o Es ado nos mesmos mon an es nos úl imos ês anos le i os.
“Is o, no obs an e chamadas de a enção pa a o cons an e aumen o anual do
núme o de alunos com PEA e e enciados pelas escolas e o aumen o de enca gos
com a e ibuição dos écnicos a e os ao CRI, po o ça da egulamen ação cole i a
de abalho aplicá el, o que em como consequência a disponibilização de menos
empo de apoio”, complemen a.
4.1.2. O papel da comunicação de ciência no au ismo
Numa segunda pa e da en e is a, mais dedicada ao ema em especí ico da
elação en e a ciência, o au ismo e os media, começou po abo da -se o abalho da
ciência na in es igação do au ismo. O núme o de diagnós icos de c ianças com PEA
em indo a aumen a , não só de ido ao inc emen o do in e esse cien í ico pela
g a idade do au ismo, como em consequência duma maio di ulgação e ulga ização
do ema a a és dos canais de comunicação (Ca la So ia Gonçal es Pascoal, 2017)
39
A D a. Paula Figuei edo a i ma que a in es igação cien í ica sob e as PEA em
sido algo cons an e e que de em se acompanhados os a anços, que no campo da(s)
causa(s), que no das in e enões e apêu icas. “Na escolha das in e enões a
ado a , é undamen al que se enha em con a a sua adequação e e icácia, endo
como c i é io as e idências cien i icamen e comp o adas”, e e e.
No que conce ne os media, ga an e que hou e uma maio a enção dos
meios de comunicao à emá ica do au ismo, nos úl imos 10 anos. “Po ém, nem
semp e pelas melho es azões. Reco da-se a in undada ligação en e o au ismo e a
acinação, nomeadamen e, a acina con a o sa ampo, com e í eis consequências
no ec udescimen o mundial dos su os des a doença”, comple a. O dia 26 de
e e ei o de 1998 ma cou o início de uma descon iança in e nacional sob e a
associação en e acinas e o au ismo. O médico And ew Wake ield ap esen ou uma
pesquisa p elimina , que oi pos e io men e publicada na concei uada e is a na
al u a chamada Lance , onde desc e eu casos de 12 c ianças que desen ol e am
compo amen os au is as e in lamação in es inal g a e. O es udo e e ia que odas
es as c ianças inham es ígios do í us do sa ampo no co po. Wake ield le an ou
assim a possibilidade de uma elação causal des es p oblemas com a acina MMR,
que p o ege con a o sa ampo, a ubéola e a papei a e que inha sido aplicada em 11
das c ianças es udadas. Como consequência, os índices de acinação de MMR
começa am a cai no Reino Unido e, mais a de, em odo o mundo. Os media
começa am a di ulga es a no a eo ia em massa. O elo en e au ismo e acinas só
acabou e oi desca ado pela comunidade cien í ica após mui os anos de deba e.
Apesa dis o, as consequências nunca o am o almen e e e idas. A
O ganização Mundial de Saúde (OMS) nomeou a hesi ação em elação à acinação
como uma das dez p incipais ameaças pa a a saúde global em 2019. Es a pe sis ência
de in o mação comp o adamen e alsa na memó ia pública ealça a impo ância do
igo cien í ico na in es igação, bem como a p udência na in e p e ação dos ac os,
uma ez que não há p o as de associação en e as acinas e o au ismo.
40
Segundo a di e o a da APPDA-Lisboa, a isão do au ismo ap esen ada pelos
media não é, em mui os casos, a que melho e a a a di e sidade ab angida pelas
PEA e a ealidade da maio pa e das pessoas den o do espe o. De ende que é
apela i o pa a o público ealça -se compe ências acima da média que só alguns êm,
sendo comum o pensamen o de que exis e um génio escondido den o da pessoa
com au ismo, enquan o a e dade é que a maio pa e ca ece de eino em
compe ências básicas da ida quo idiana.
Es a isão é alimen ada po alguns ilmes sob e a emá ica, sendo ambém
comuns os ilmes e os li os que ela am cu as espan osas de pessoas com au ismo,
equen emen e, po que lhes são dispensadas a enção e e nu a em g andes doses.
Paula Figuei edo conside a is o e ado, “po que culpabiliza os amilia es e le a-os a
culpabiliza em-se, pa ecendo em ce a medida, um e ocesso à a ibuição da o igem
do au ismo à chamada mãe- igo í ico, que oi ão ime ecidamen e c uel pa a an as
mes”.
Es e e a um ó ulo a ibuído às mães de c ianças au is as nos anos 50 e 60,
quando se ac edi a a que es as podiam se a causa do au ismo dos seus ilhos, po
se em pessoas ias. O psiquia a Leo Kanne , que oi ambém o p imei o a desc e e
o au ismo, explicou es a eo ia ao analisa que as c ianças au is as possuíam,
ge almen e, pais mui o in eligen es mas pouco dados aos a e os e ca inhos. Es a
eo ia oi pos e io men e bas an e c i icada.
Em jei o de conclusão, a opinião da D a. Paula Figuei edo ela i amen e ao
au ismo, à ciência e aos media, sus en ada com es es a gumen os, é a de que há uma
al a de isibilidade, ca ência de opo unidades de inclusão social e que é necessá io
os media di ulga em in o mação que con ibua pa a o melho conhecimen o do
au ismo e a consciencialização do espei o pelos di ei os das pessoas com
pe u bações do espe o do au ismo e das suas amílias. É igualmen e undamen al
a comunidade cien í ica comba e e escla ece o público ace ca do que é ealmen e
41
o au ismo, ao p omo e es udos sob e a p e alência com a adoção de me odologias
adequadas.
4.2. Análise documen al – P esença da emá ica do au ismo nos media
po ugueses
Tendo como base a eo ia de que os media, no ge al, e os media no iciosos,
em pa icula , exe cem uma g ande in luência na cons ução social da ealidade e
con ibuem pa a a c iação de imaginá ios sociais, é impo an e cons ui indicado es
de análise que possam da pis as sob e que imagens do au ismo es ão a se
ansmi idas po alguns dos p incipais media no iciosos po ugueses.
A escolha de qua o meios de comunicação di e en es, no meio da imp ensa
esc i a, ez-se no sen ido de pode alcança uma pe spe i a mais ab angen e sob e a
emá ica do es udo, bem como aze uma análise compa a i a en e os di e en es
meios.
Todos os meios de comunicação selecionados o am analisados an o na sua
e são imp essa, como online, no pe íodo es abelecido en e 2000 e 2020 (à exceção
do Obse ado , al como já oi e e ido na me odologia). E e uou-se a análise
somen e da secção de ciência, caso con á io a pesquisa o na -se-ia mui o exaus i a.
Apesa da á ea da sociedade mui as ezes inclui no ícias elacionadas com o
au ismo, o obje i o nes e es udo é pe ceciona essencialmen e o papel da
comunicação de ciência e as no ícias nesse se o e e em mui as ezes o au ismo
como algo complemen a , não sendo o concei o o essencial das no ícias.
48
No jo nal Obse ado , cujo g á ico com o ipo de a igos publicados en e
2014 e 2020 es á ep esen ado acima, hou e um cla o des aque pa a as no ícias, que
Figu a 1 – Tópico do au ismo no Obse ado
G á ico 7 – Tipo de a igos ace ca do au ismo no Obse ado , na secção de ciência, en e 2014 e 2020

49
cons i uem 76,5% da o alidade de a igos publicados sob e o au ismo. Hou e ambém
a publicação de algumas epo agens e a igos de opinião ace ca da emá ica, não
ha endo egis o de nenhuma en e is a.
4.2.5. Visão
O g á ico 8 ep esen a o núme o de a igos ace ca do au ismo na e is a Visão
en e 2000 e 2020. A Visão, uma e is a semanal, dedica-se a esc e e sob e a á ea
da ciência desde 2000. Tem apenas uma jo nalis a na á ea, Sa a Sá, e a ciência não
em uma página especí ica e nem semp e é um ema p esen e nas edições (G anado
& Malhei os, 2015). Tal como se pode e i ica no g á ico acima, hou e uma e olução
exponencial no pe íodo em análise, endo em con a que en e 2000 e 2010 não há
egis o de a igos na á ea da ciência sob e o au ismo. No en an o, en e 2016 e 2020
hou e um maio des aque pa a a á ea, com um o al de oi o a igos publicados sob e
a emá ica.
G á ico 8 – E olução do nº de a igos ace ca do au ismo na e is a Visão en e 2000 e 2020
50
Tal como se pode obse a no g á ico 9, hou e apenas egis os de no ícias
publicadas no conjun o de a igos publicados pela Visão ace ca do au ismo, en e 2000
e 2020. Não hou e quaisque epo agens, a igos de opinião ou en e is as conc e as
ace ca da emá ica.
4.2.6. Temá icas ace ca do au ismo nos media
A pa i da análise ge al dos media selecionados, pode e i ica -se que oi o
jo nal Público o que di ulgou um maio núme o de a igos sob e o au ismo, no pe íodo
selecionado. Po ém, numa ou a pe spe i a de análise da e olução do núme o de
a igos em odos os ó gãos de imp ensa, conclui-se que de o ma ge al, ao longo dos
anos, em ha ido um aumen o g adual do núme o de a igos, consequen e da maio
impo ância a ibuída à emá ica, na á ea do jo nalismo.
G á ico 9 – Tipo de a igos ace ca do au ismo na e is a Visão, na secção de ciência, en e 2000 e 2020
51
No g á ico 10, es ão ep esen adas as emá icas dos a igos con abilizados em
odos os ó gãos de imp ensa selecionados pa a es e es udo. Tal como se pode e i ica
pela análise do g á ico, a maio ia dos a igos (45,4%, ou seja, 44 dos 97 a igos) oca-
se em no os es udos ou in es igações ace ca do au ismo. Ve i icou-se es a endência
em odos os jo nais/ e is a, nas análises indi iduais dos mesmos.
Em segundo luga , a explicação de o que é o au ismo ou as causas do mesmo
êm igualmen e uma exp essão ele an e no conjun o de a igos analisados,
co espondendo a 21,6% das emá icas de odos as no ícias. Os no os mé odos pa a
ensino do au ismo, no os p oje os ino ado es na á ea ou no as e apias aplicadas a
indi íduos com PEA ambém é uma das emá icas mais abo dadas.
G á ico 10 – Temá icas das no ícias sob e o au ismo nos ó gãos de imp ensa selecionados, en e 2000 e 2020
52
Com uma meno exp essão, encon am-se as his ó ias de indi íduos com
au ismo, que nes a análise es ão em meno núme o po que es e es udo oca-se na
secção de ciência dos jo nais, e es as his ó ias encon am-se mui as ezes na secção
de sociedade dos jo nais/ e is as.
Os mi os, co esponden es a 6,2% dos a igos analisados, são em g ande
maio ia ace ca da associação en e o au ismo e as acinas, e hou e ambém alguns
a igos dedicados aos p émios de es udos ou bolsas a ibuídas po causa de
de e minadas in es igações. Com quase sem exp essão na análise ge al, encon am-
se as no ícias ace ca de lançamen os de no os li os sob e o au ismo.
A pa i da análise compa a i a com ou os países, o jo nalismo em Po ugal
dedica uma g ande impo ância aos no os a anços na á ea da ciência, enquan o em
ou os países é no á el um maio equilíb io de emá icas, sendo ambém a ibuída
uma g ande impo ância à explicação do au ismo e a mi os elacionados com o
mesmo. Exis e igualmen e um maio núme o de a igos de opinião e de en e is as,
algo que no nosso país não em an a ele ância, e que se ia impo an e pa a ou os
ipos de abo dagem ao ema.
4.3. Ques ioná io ace ca da ap op iação dos media pelo público
A elabo ação de um ques ioná io o na-se undamen al pa a a análise des a
emá ica, is o que são conside ados uma me odologia de medida. Es e aduz-se na
obse ação, a a és de pe gun as di e as ou indi e as, de populações ela i amen e
as as, ob endo-se espos as susce í eis de se em analisadas quan i a i amen e. A
u ilização des a me odologia de ecolha de in o mação p essupõe ês ases
impo an es: a plani icação, execução e o a amen o da in o mação.
O ques ioná io oi lançado online nas edes sociais Facebook e Ins ag am, no
pe íodo de 1 mês (ab il de 2021), e e e uma amos a de 200 indi íduos,
pe encen es a di e en es aixas e á ios e com di e en es ní eis de es udos.
53
4.3.1. Ca a e ização da amos a
Tal como se pode obse a pela análise do g á ico 10, a maio ia dos inqui idos
é do sexo eminino (70,5%), o que co esponde a 141 mulhe es. Os es an es
pa icipan es (29,5%), são do sexo masculino, co esponden e a 59 homens.
G á ico 11 – Géne o dos indi íduos da amos a

54
E a ele an e que a amos a ab angesse indi duos pe encen es a odos os
g upos e á ios, que o am ag upados em g upos de 10 anos, pa a pos e io men e
se em eduzidos a apenas 4 g upos e á ios. Os jo ens o am classi icados como
aqueles com uma idade en e 15 e 30 anos. A pa i dos 31 a é aos 50 anos, se iam
ipi icados como pe encendo ao g upo de Adul os Tipo 1. Os Adul os Tipo 2 se iam
os que i essem idades comp eendidas en e os 51 e os 70 anos e, po im, os
senio es se iam conside ados os que i essem en e 71 e 90 anos.
Fo am es abelecidos es es g upos e á ios de o ma a acili a a análise dos
dados. Vis o que o g upo dos adul os engloba ia a maio ia das idades, o am
sepa ados en e Tipo 1 e Tipo 2, pa a se mais pe ce í el na obse ação dos
esul ados.
Rela i amen e à idade dos inqui idos, podemos in e p e a a pa i do g á ico
11 que 44%, ou seja, 88 indi íduos, em en e 21 e 30 anos, que cons i ui a maio ia
G á ico 12 – Idade dos indi íduos da amos a
55
da amos a. De seguida, com 21% (42 inqui idos), es ão os indi íduos en e 31 e 40
anos o segundo g upo e á io com maio exp essão na amos a. Com uma exp essão
mui o semelhan e, os indi íduos en e 41 e 40 anos cons i uí am 19% (38) do o al
de inqui idos.
Em elação ao ní el de es udo das pessoas inqui idas, pode e i ica -se que a
maio ia em a licencia u a (42%, co esponden e a 84 inqui idos). De seguida, com
uma exp essão igualmen e ele an e, 28% dos indi íduos e minou o ensino
secundá io (28%, ou seja, 56 inqui idos). Com uma pe cen agem mui o p óxima
(23,5%), 47 do o al de inqui idos em o mes ado. Com pe cen agens pouco
ele an es mas ainda assim p esen es na amos a es ão os inqui idos que êm o ensino
básico (4,5%) e o dou o amen o (2%).
G á ico 13 – Ní el de es udo dos indi íduos da amos a
56
4.3.2. Pe ceção do au ismo pela amos a
Es e mapa concep ual ep esen a as espos as dadas à seguin e ques ão:
“Numa pala a, como de ini ia o concei o de au ismo?”. Tal como podemos e i ica
pela análise do mapa, conside ando que quan o maio o amanho da le a maio o
núme o de espos as co esponden e a esse mesmo concei o, a pala a mais ezes
espondida oi “di e en e”, com 34 espos as. De seguida, “especial” ambém oi um
concei o bas an e u ilizado, com 16 espos as. “Pe u bao” oi uma espos a dada
po 10 pessoas, ambém com alguma exp essi idade, assim como “de iciência” e
“ ans o no”, com 9 e 8 espos as, espe i amen e. Ou os dos concei os mais
Figu a 2 – Mapa concep ual de concei os associados à de inição de au ismo
57
u ilizados o am “di cil” (6), “al e ao compo amen al” (6), “ausen e” (5) e
“isolamen o” (5).
A análise que podemos e i a des as espos as dadas é que a maio ia da
amos a ep esen a i a des e es udo em uma pe spe i a do au ismo como sendo
algo di e en e do comum, que em ca a e ís icas mui o especí icas ou singula . A
pa i da isualização des e mapa, pe ceciona-se de o ma ge al quais os concei os
ge almen e associados quando se ou e o concei o “au ismo”.
Quan o à ques ão ace ca de que ipos de media a amos a mais u iliza no
seu dia-a-dia, 70% a i ma e uma p e e ência po media digi ais, associados à
in e ne , enquan o os es an es 30% dão p imazia aos media adicionais, ais como
os jo nais, e is as, ele isão e ádio.
G á ico 14 – Tipos de media u ilizados pelos indi íduos da amos a
64
O g á ico 20 ep esen a a opinião das pessoas em elação ao que az al a pa a
ha e uma maio e melho di ulgação do au ismo em Po ugal. A maio ia da amos a
conside a que é necessá ia uma maio e melho di ulgação dos media (36%, ou seja,
72 indi íduos). Em segundo luga , 23,5% a i ma que al a um maio in e esse e espei o
pela emá ica. O desen ol imen o de um maio núme o de pales as, deba es e
documen á ios oi a espos a dada po 30 indi íduos.
G á ico 21 – Aspe os que possibili am uma maio e melho di ulgação do au ismo em Po ugal
ãa

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5. Conclusões
Com a acilidade de acesso aos mass media hoje em dia, po se em de baixo
cus o e es a em disponí eis em qualque sí io, a in o mação sob e emas cons uídos
socialmen e sob e a sociedade, a cul u a ou a na u eza humana é ansmi ida na sua
maio ia a a és des es meios.
Os jo nalis as desempenham um papel signi ica i o no enquad amen o e
ep esen ação de p oblemas de saúde men al e de iciências. Enquan o es es se eem
mais como endo a unção de en e e e ansmi i in o mação, são os p incipais
esponsá eis po pa ilha con eúdos impa ciais, anspa en es e não
disc imina ó ios que con ibuam pa a o conhecimen o público. A elação en e a
ciência e a sociedade ap esen a cada ez uma maio impo ância nas ins i uições
cien í icas e exis e uma p eocupação c escen e em p omo e o en ol imen o da
sociedade com a ciência e o diálogo en e ambos.
Os jo nalis as que a am de assun os elacionados com a ciência ou saúde
êm uma unção complemen a de in e p e a as complexidades dos concei os
cien í icos. Es e es udo p e endia analisa se a cobe u a de no ícias sob e o au ismo
nos media po ugueses necessi a de e olui ou se, pelo con á io, já se encon a no
expoen e máximo de excelência.
A Pe u bação do Espe o do Au ismo é he e ogénea, uma ez que há c ianças
com a pe u bação que podem, po exemplo, ap ende a le aos 3 anos e ou as que
nunca i ão se al abe izadas. Algumas e ão a capacidade de i e em sociedade e
ou as nunca i ão consegui . Há c ianças na ase do desen ol imen o que já alam e
ou as nem uma pala a dizem.
Ainda que exis a mui a in es igação em elação ao au ismo, dada a ele ada
p e alência de casos e a endência pa a aumen a o núme o de diagnós icos, e i ica-
se que ainda exis e mui o po aze no que oca à di ulgação da comunicação
cien í ica. Es e oi um dos mo i os pelo qual es a disse ação oi desen ol ida,
66
isando analisa as pe ceções da população em elação aos indi íduos com au ismo
no que espei a às mensagens ansmi idas pelos media.
Na p imei a ase da me odologia da disse ação, a pa i da en e is a à
di e o a da APPDA-Lisboa, a D a. Paula Figuei edo, e espe i a análise e associação
com ou as on es bibliog á icas, conclui-se que que há ainda um longo caminho de
apoio público a pe co e , an o em e mos de apoio do Es ado como de apoio da
sociedade. O papel e a impo ância que o Es ado a ibui aos concei os ai es a
di e amen e elacionado com a pe ceção que as pessoas êm dos mesmos. As ações
e inicia i as desen ol idas são di ulgadas e a sociedade ica mais in o mada.
Pa a além dis o, apesa de se es a a e e ua um bom abalho na in es igação
do au ismo e de ha e cada ez uma maio a enção dos media pa a a emá ica do
au ismo ao longo dos anos, g ande pa e dessa a enção oca-se nos mi os e his ó ias
nega i as elacionadas com o au ismo. A sociedade, is o que admi e como
e dadei o aquilo que es á ep esen ado nos media, não ai e uma isão ealis a
do que ealmen e signi ica o concei o.
É e dade que o jo nalismo de ciência não em o mesmo signi icado que a
di ulgação cien í ica, po ém, é uma e amen a essencial da comunicação de ciência,
que se e pa a p omo e a ciência e ap oximação des a à sociedade. A pa i daqui,
a e e-se que é necessá io ainda um g ande in es imen o nas his ó ias sob e ciência
publicadas nos jo nais nacionais. Os jo nais Público e Obse ado são os únicos com
uma secção e jo nalis as dedicados exclusi amen e a es a á ea, o que pode indica
um maio desin e esse da sociedade em emas como o au ismo. A al a de
p o issionais especializados nos media con ibui pa a o a as amen o en e o público
e a ciência, pa a além de con ibui pa a meno es ní eis de li e acia cien í ica en e
a população.
Os esul ados suge em que ainda exis e uma insu icien e pa icipação dos
media na di ulgação da ciência, nomeadamen e de assun os elacionados com o
au ismo, apesa de a p esença da emá ica do au ismo nos media po ugueses
67
es udados e aumen ado, de modo ge al, ao longo dos anos, desde 2000 a é 2020.
Em odos os media analisados, hou e en e 5 e 14 a igos publicados sob e o au ismo
en e 2016 e 2020, o que não se sucedeu nos anos an e io es, nos quais o núme o
de a igos se ixa a en e os ze o e os 3, à exceção do Jo nal Público, que semp e
man e e uma dinâmica es á el de publicação de no ícias sob e o au ismo.
As ep esen ações do au ismo nos media são algumas ezes nega i as.
Algumas das e minologias usadas nas no cias analisadas o am “so em de au ismo”
e so “  imas” dessa condio. Es es são exemplos de ep esen ações que podem
pe pe ua mi os sob e o au ismo, ao c ia -se expec a i as i eais sob e as
capacidades ou habilidades dos indi íduos au is as.
Com o inqué i o po ques ioná io, conseguiu a alia -se mais idedignamen e
a pe ceção da sociedade sob e a ciência, os media e a associação en e os dois
concei os. A pa i des e, em p imei o luga , chega-se à conclusão de que enquan o
as no ícias no ge al são acompanhadas dia iamen e pela maio ia das pessoas, as
no ícias de ciência são acompanhadas an o dia iamen e, mas numa meno
pe cen agem, semanalmen e, mensalmen e, ou a amen e. De ido a es as
es a ís icas, é de ealça que se o na necessá ia uma maio di ulgação da ciência em
Po ugal. Numa sociedade democ á ica é undamen al le a a é aos cidadãos
conhecimen os sob e ciência e ecnologia, de o ma a pe mi i molda o seu
pensamen o sob e o hoje e o seu u u o, pa a que possam comp eende , c i ica e
desen ol e as e amen as pa a aze ace às suas escolhas indi iduais. (Emília
A onso, 2008)
A maio ia dos indi duos ca a e iza o au ismo com o concei o “di e en e”, que
é um concei o bas an e ago, não em uma de inição única e especí ica. Pode e
como azão a al a de de alhe e de explicação na ansmissão ao público da
in o mação. Po ou o lado, a maio ia ambém conside a que o au ismo é
ep esen ado nos media como uma genialidade, uma ideia um pouco i eal e
68
de u pada do que signi ica ealmen e o au ismo, pois nem odos os indi íduos
au is as possuem um al o ní el de in eligência.
Numa análise ge al de odo o abalho, a ep esen ação do au ismo ei a
pelos media necessi a de melho ias e de uma maio p ecisão de ansmissão da
in o mação. O ca á e especializado dos con eúdos cien í icos é, sem dú ida, um
obs áculo na cobe u a de ciência e ecnologia na comunicação. Os jo nalis as que
compõem a igos sob e o au ismo de em e uma o mação mais especializada que
lhes pe mi a comp eende o que es á a ansmi i ao público, assim como es a em
maio con ac o com a comunidade cien í ica. No en an o, um ou o a o impo an e
é que o público que ecebe a in o mação apenas pode á comp eende co e amen e
o que lhe es á a se ansmi ido se possui os conhecimen os necessá ios pa a al.
Pe sis e a exis ência de lacunas na o ma como as in o mações são eiculadas, mais
conc e amen e a u ilização de linguagem demasiado écnica e a al a de p ecisão das
in o mações.
As ep esen ações ei as pelos media semp e o am di e amen e ligadas à
men alidade e pe ceção do público. No que oca às pe u bações do espe o do
au ismo, a e olução g adual dos con eúdos jo nalís icos em con ibuído pa a um
maio econhecimen o do ans o no pela comunidade. No en an o, o
econhecimen o e a comp eensão básica não são su icien es.
Ao e -se em con a o impac o global do au ismo, e o aumen o do diagnós ico
do mesmo, o na-se u gen e a diminuição do es igma e dos mi os associados à
pe u bação, sendo pe inen es ações de sensibilização dos media, de ido à
impo ância que ocupam na sociedade. As no ícias sob e o au ismo são mui o pouco
comuns quando se em uma isão ala gada do ema, o que az com o que os media
ansmi em sob e a doença seja isolado a cada caso e não uma isão gene alizada e,
po isso, o na-se necessá ia uma mudança de pa adigma na ansmissão de no ícias
elacionadas com o au ismo.
69
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in Film and Tele ision», 2012.
7.
Apêndice A: En e is a à di e o a da APPDA-Lisboa, Paula Figuei edo
1. Em que con ex o su giu a APPDA-Lisboa?
Em 16-03-1971, oi cons i uída em Lisboa a p imei a en idade de ca iz
associa i o especi icamen e dedicada às ques ões da á ea do au ismo. Fo am seus
undado es alguns pais de c ianças, de en e as p imei as que em Po ugal ha iam
sido diagnos icadas como endo au ismo (pa a algumas, esse diagnós ico e e luga
ou oi con i mado o a des e país) e que não encon a am espos a adequada pa a
o apoio de que ca eciam os seus ilhos. O modelo em que se inspi a am oi o da
associação do Reino Unido (a ual NAS – Na ional Au is ic Socie y), de ido aos
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con a os de á ios dos p omo o es com essa associação e uma das g andes
in es igado as da á ea, Lo na Wing.
A APPCA, Associação Po uguesa pa a P o eção às C ianças Au is as, cuja
denominação oi mais a de al e ada pa a APPDA, Associação Po uguesa pa a
P o eção aos De icien es Au is as, inha como á ea geog á ica o e i ó io nacional e,
ao longo dos empos, man endo embo a a sede em Lisboa, oi ado ando uma
es u u a egionalizada, com 3 delegações (Lisboa, Coimb a e No e), algumas
subdelegações (Lei ia, Viseu) e alguns núcleos (ex: Se úbal).
A consciência da necessidade de adoção de uma di e en e abo dagem do
au ismo, co esponden e à mudança de pa adigma de uma ó ica assis encial pa a
uma ó ica holís ica de econhecimen o e espei o dos di ei os da pessoa com au ismo
e das suas amílias e apoio no exe cício desses di ei os e, bem assim, a on ade de
melho a a o ganização, median e uma e e i a descen alização, sem abandono de
coo denação de obje i os e polí icas, le ou à delibe ação da cisão em 2002, da qual
esul a am as associações que ado a am a denominação de APPDA – Associação
Po uguesa pa a as Pe u bações do Desen ol imen o e Au ismo, ac escida do
elemen o dis in i o escla ecedo quan o à sua localização: Lisboa, Coimb a, No e e
Viseu.
2. Exis e uma boa dis ibuição de ins i uições de apoio ao au ismo em Po ugal?
Es as qua o associações egionais, que sucede am nas espe i as á eas nos
di ei os e ob igações da associação de que p o inham, ie am a cons i ui a Fede ação
Po uguesa de Au ismo – FPDA, na qual es ão a ualmen e ede adas 13 associações, que
cob em g ande pa e do e i ó io con inen al e ambém as Regiões Au ónomas da
Madei a e dos Aço es.
Não ede adas na FPDA, há ou as ins i uições e en idades de ca á e
emp esa ial que ambém êm en e os seus ins o apoio a pessoas com au ismo.