Uni e sidade NOVA de Lisboa
Ins i u o Higiene e Medicina T opical
A aliação da Ciência desen ol ida pelo
P oje o HAITool - Uma Fe amen a pa a
P e eni , Ge i e Con ola as In eções
associadas aos Cuidados de Saúde
Be na do Rocha Baião
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Saúde Pública e Desen ol imen o
ab il 2018
Uni e sidade NOVA de Lisboa
Ins i u o Higiene e Medicina T opical
A aliação e Análise da Ciência desen ol ida pelo
p oje o HAITool - Uma Fe amen a pa a P e eni ,
Ge i e Con ola as In eções associadas aos
Cuidados de Saúde
Be na do Rocha Baião
O ien ado : P o esso Dou o Luís Velez Lapão
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Saúde Pública e Desen ol imen o
i
Ag adecimen os
Em p imei o luga , começo po ag adece ao P o esso Dou o Luís Velez Lapão
po me acei a e pelo seu apoio ao longo da ese, pois sem o seu conhecimen o e sem a
sua o ien ação es e abalho não se ia possí el.
Ag adeço à P o esso a Inês F on ei a coo denado a do Mes ado em Saúde Pública e
Desen ol imen o pela disponibilidade e p eocupação pa a com odos os alunos ao
longo do mes ado.
Deixo um especial ag adecimen o à P o esso a Dou o a Lenea Campino que me
acompanhou e ma cou odo o meu pe cu so académico, desde a Licencia u a a é ao
Mes ado, e que semp e se disponibilizou pa a me ajuda em qualque dia e a qualque
ho a.
O p incipal ag adecimen o, sem ma gem pa a dú idas, é à minha amília, aos meus pais
e ao meu i mão que êm sido incansá eis, sac i icando odos os dias um pouco do seu
bem-es a , pa a que eu possa e um u u o melho . Ob igada a odos pelo ca inho e
apoio incondicional.
Po úl imo e não menos impo an e, ag adeço aos meus amigos. Aos que me i am
c esce como pessoa e como p o issional. Aos que me acompanha am nes a jo nada nos
dias bons e nos dias maus, e que semp e con ibuí am pa a a minha elicidade.
ii
Abs ac
Demog aphic and epidemiological changes ha e led o he need o applying scien i ic ad ances
in clinical p ac ice. Despi e all he e idence, good p ac ice is no ye a eali y in heal h sys ems. The
di icul y in applying hese p ac ices ega ding he heal h p o essionals, esides in he many cul u al
ba ie s, in he a ailable in o ma ion managemen , and in he lack o in e ins i u ional collabo a ion.
Heal hca e Associa ed In ec ions (HAIs) a e one o he majo causes o mo bidi y and mo ali y,
accoun ing o abou 37,000 dea hs pe yea in Eu ope. An ibio ics a e impo an in HAIs con ol, bu
inadequa e p esc ip ion leads o inc eased an imic obial esis ance, u he inc easing mo bidi y,
mo ali y, and expenses.
An ibio ics a e among he mos commonly p esc ibed d ugs used in clinical p ac ice and i is es ima ed
ha 20-50% o an imic obials a e inadequa ely p esc ibed. An ibio ic S ewa dship P og ams (ASP)
con ibu e o he op imiza ion o an imic obial he apy, ensu ing he p ope use o an ibio ics and
minimizing side e ec s. S a egies based on su eillance and moni o ing sys ems a e an impo an ool
o he implemen a ion o An ibio ic S ewa dship, which, combined wi h he social, educa ional and
cul u al con ex , a e bes o p e en ing and con olling (HAIs) and an imic obial esis ance.
Following he whole p ocess o b inging inno a ion o heal h o ganiza ions, applying scien i ic
e idence in he local eali y acing he pe manen p oblem o hospi al in ec ions and esis ance o
an ibio ics, he HAITool scien i ic p ojec (an in o ma ion sys em wi h he aim o suppo ing clinical
decision) eme ged.
In he p esen s udy, he de elopmen o his scien i ic p ojec and i s impac on heal h sys ems we e
analyzed and e alua ed. A imeline o he HAITool scien i ic p ojec was buil o unde s and how i
de eloped and how i con ibu ed o scien i ic de elopmen . HAITool was also e alua ed h ough
in e iews wi h p ojec esea che s o analyze i s implemen a ion, i s e ec s and i s clinical impac .
The esul s demons a e ha esea ch akes a long ime o each an e ec i e impac in socie y
due o he many a emp s and e o s ha occu ed o e ime. Despi e all he ba ie s in he
implemen a ion o his p ojec , om heal hca e p o essionals o he hospi al adminis a ion h ough
echnical issues, o e ime his sys em has demons a ed ha i is clea ly an inno a ion wi h ega ds o
pa ien sa e y and agains he Public Heal h p oblem.
The u u e o his p ojec will be ollowed by a wo k wi h he Communi y o Po uguese
Speaking Coun ies, namely in Cape Ve de and Mozambique, whe e i has been shown in e es in his
p ojec and in he igh agains HAIs and an imic obial esis ance. The ool has al eady s a ed o be
in e na ionally ecognised as an inno a ion ha con ibu es o pa ien sa e y.
Keywo ds: Heal hca e-Associa ed In ec ions; An imic obial Resis ance; An ibio ic S ewa dship;
In o ma ion Sys ems; Design Science Resea ch Me hodology.
iii
Resumo
Com as al e ações demog á icas e epidemiológicas, su ge a necessidade de aplica os a anços
cien í icos na p á ica clínica. Apesa de odas as e idências, as boas p á icas ainda não são uma ealidade
nos sis emas de saúde. A di iculdade em aplica es as p á icas no con ex o dos p o issionais de saúde
eside nas á ias ba ei as cul u ais, na ges ão de oda a in o mação disponí el e pela escassa colabo ação
in e ins i ucional.
As in eções associadas aos cuidados de saúde (IACS) são uma das p incipais causas de
mo bidade e mo alidade com ce ca de 37.000 óbi os po ano na Eu opa. Os an ibió icos são impo an es
no con olo das IACS, po ém, a sua p esc ição inadequada le a a um aumen o da esis ência
an imic obiana, aumen ando ainda mais a mo bidade, a mo alidade e os cus os.
Os an ibió icos es ão en e os medicamen os mais p esc i os e u ilizados na p á ica clínica, e es ima-se
que 20-50% dos an imic obianos sejam p esc i os de o ma inadequada. Os An ibio ic S ewa dship
P og ams (ASP), con ibuem pa a a o imização da e apia an imic obiana, ga an indo o uso adequado de
an ibió icos e minimizando os e ei os cola e ais. As es a égias baseadas em sis emas de igilância e
moni o ização são uma e amen a impo an e pa a a implemen ação de An ibio ic S ewa dship que, bem
combinadas com o con ex o social, educacional e cul u al, são as melho es pa a p e eni e con ola as
IACS e a esis ências an imic obianas.
No seguimen o de odo o p ocesso de aze a ino ação pa a as o ganizações de saúde, aplica as
e idências cien í icas na ealidade local, ace ao p oblema pe manen e das in eções hospi ala es e da
esis ência aos an ibió icos, su giu o p oje o cien í ico HAITool, que é um sis ema de in o mação de
apoio à decisão clínica.
No p esen e es udo oi en ão analisado e a aliado o desen ol imen o des e p oje o cien í ico e o seu
impac o nos sis emas de saúde. Foi cons uída uma linha empo al do p oje o cien í ico HAITool, pa a
comp eende como es e se desen ol eu e como con ibuiu pa a o desen ol imen o cien í ico. Foi
ambém ealizada uma a aliação ao HAITool, a a és de á ias en e is as a pessoas cha e do p oje o
pa a analisa a sua implemen ação, os seus e ei os e o seu impac o clínico.
Os esul ados demons am que a pesquisa le a mui o empo a é alcança impac o e e i o na
sociedade, que é esul ado das di e sas en a i as e dos di e sos e os ao longo do empo. Apesa de odas
as ba ei as na implemen ação des e p oje o, desde os p o issionais de saúde a é as adminis ações
hospi ala es passando po as ques ões écnicas, ao longo do empo, es e sis ema em demons ado que é
cla amen e uma ino ação no que diz espei o à segu ança do pacien e e no comba e des e p oblema de
Saúde Pública.
O u u o des e p oje o passa en ão po um abalho jun o da Comunidade de Países de Língua
Po uguesa, nomeadamen e em Cabo Ve de e Moçambique, onde já oi demons ado o in e esse nes e
p oje o e em comba e as IACS e as esis ências an imic obianas. A e amen a ambém já es á a se
no ada in e nacionalmen e como um ino ação que con ibui pa a a segu ança do pacien e.
Pala as-cha e: In eções Associadas aos Cuidados de Saúde; Resis ência An imic obiana; An ibio ic
S ewa dship; Sis emas de In o mação; Design Science Resea ch Me hodology.
i
Índice
Ag adecimen os ................................................................................................................ i
Abs ac ........................................................................................................................... ii
Resumo ............................................................................................................................ iii
Índice de Figu as ............................................................................................................ i
Índice de Tabelas .......................................................................................................... ii
Lis a de Siglas ............................................................................................................... iii
Capí ulo 1 – In odução ................................................................................................. 1
1.1 Es u u a ................................................................................................................... 1
1.2 Ino ação em Saúde ................................................................................................... 2
T anslação Cien í ica ..................................................... E o! Ma cado não de inido.
1.2 Obje i os .................................................................................................................... 3
Capí ulo 2 - Enquad amen o Teó ico ........................................................................... 4
2.1 Um p oblema de Saúde Global ................................................................................ 4
2.1.1 In eções associadas aos Cuidados de Saúde .................................................... 4
2.1.2 Resis ência aos An ibió icos .............................................................................. 6
2.1.3 P esc ição inadequada de An ibió icos ............................................................ 9
2.2. Es a égias pa a o con olo e p e enção de In eções associadas aos Cuidados
de Saúde e Resis ência a an ibió icos .......................................................................... 11
2.2.1 An ibio ic S ewa dship P og ams ..................................................................... 11
2.2.3 HAITool – Uma e amen a pa a supe a implemen ação de “An ibio ic
S ewa dship” .............................................................................................................. 12
Capí ulo 3 - Ma e ial e Mé odos .................................................................................. 15
3.1 Desenho do Es udo .................................................................................................. 15
3.1.1 Linha Tempo al ............................................................................................... 15
3.1.2 A aliação em Saúde ......................................................................................... 16
3.2 Recolha de Dados .................................................................................................... 17
3.2.1 Análise Documen al ......................................................................................... 17
3.2.2 Pa icipan es ..................................................................................................... 19
3.2.3 Conside ações É icas e Legais ........................................................................ 19
Capí ulo 4 - Resul ados e Discussão ............................................................................ 21
4.1 Desc ição dos e en os da linha do empo ............................................................. 21
........................................................................................................................................ 33
4.2 A aliação HAITool ................................................................................................. 34
........................................................................................................................................ 34
........................................................................................................................................ 34
4.2.1 A o es In e essados na A aliação ................................................................... 35
4.2.3 Seleção das Pe gun as A alia i as ................................................................. 41
4.2.4 Análise Es a égica .......................................................................................... 43
4.2.5 Análise da Implemen ação .............................................................................. 45
Capí ulo 5 – Conclusão e Pe spe i as Fu u as ........................................................... 51
Bibliog a ia .................................................................................................................... 53
Anexos ............................................................................................................................ 58
Anexo 1. Fo mulá io Consen imen o In o mado pa a En e is as ..................... 59
Anexo 2. P incipais e en os do p oje o HAITool .................................................. 60
i
Índice de Figu as
Figu a 1. Compa ação en e o núme o de mo es po in eções hospi ala es e o núme o
de mo es po aciden es odo iá ios..................................................................................5
Figu a 2. P e isão da mo alidade causada po esis ência a an ibió icos em 2050.........7
Figu a 3. Consumo de an ibac e ianos pa a uso sis émico no se o hospi ala em países
de União Eu opeia em 2016..............................................................................................8
Figu a 4. Pe cen agem de Klebsiella pneumoniae isolados esis en es aos
Ca bapenemos, en e 2013 e 2016 na Eu opa...................................................................9
Figu a 5. Uso de an ibió icos pa a p o ilaxia ci ú gica em Po ugal: pe cen agem
doen es que usam an ibió ico após in e enção ci ú gica, sem sinais de in eção...........10
Figu a 6. P ocesso Colabo a i o de Design e Implemen ação do Sis ema HAITool.....14
Figu a 7. Linha empo al do desen ol imen o do p oje o cien i ico HAITool..............21
Figu a 8. To al do empo gas o po os médicos nas di e en es a i idades.....................25
Figu a 9. Equipa mul idisciplina do p oje o HAITool..................................................27
Figu a 10. E apas na a aliação de p og amas em saúde................................................34
ii
Índice de Tabelas
Tabela 1. Iden i icação dos in e essados na a aliação do p oje o HAITool..................37
Tabela 2. Modelo Lógico do P oje o HAITool..............................................................40
Tabela 3. Pe gun as de a aliação do P oje o HAITool..................................................42
6
Todos os dias, as in eções associadas aos cuidados de saúde esul am num aumen o da
ca ga an ibió ica e consequen emen e, no aumen o das esis ências dos mic o ganismos
a esses an ibió icos, em hospi alizações p olongadas e em cus os adicionais ao sis ema
de saúde. Es as in eções in iabilizam a qualidade dos cuidados de saúde e são a
p incipal ameaça à segu ança dos cidadãos.11
2.1.2 Resis ência aos An ibió icos
Em 1940, a descobe a do p imei o an ibió ico, a Penicilina, po Alexande
Fleming e olucionou a medicina. Es es compos os capazes de inibi o c escimen o e
causa a mo e de bac é ias, es ão en e os mais u ilizados e essenciais na p á ica médica
pois pe mi em que as in eções le ais sejam a adas de o ma ácil e e icaz, eduzindo a
mo bilidade e a mo alidade. 12
Em apenas 10 anos, en e 2000 e 2010 exis iu um aumen o de 40% no consumo global
de an ibió icos na medicina humana. Num empo onde exis e um consumo excessi o e
inadequado de an ibió icos e onde a indús ia a macêu ica es agnou na descobe a de
no os an ibió icos, as bac é ias es ão a e olui o nando-se esis en es a esses
an ibió icos, sendo a ualmen e uma ameaça global e um dos maio es p oblemas de
saúde pública.13,14
O Cen e o Disease P e en ion and Con ol (CDC) es ima que po ano, dois
milhões de pessoas adqui em uma in eção esis en e a an ibió icos. A ualmen e exis em
700 mil de mo es po ano a ní el mundial elacionadas com a esis ência aos
an ibió icos e segundo dados do Eu opean Cen e o Disease P e en ion and Con ol
(ECDC), no con inen e Eu opeu mo em ce ca de 25.000 pessoas com in eções
esis en es. Es e é um p oblema c escen e e cada ez mais p eocupan e. Es ima-se que
em 2050, exis i ão mais de 10 milhões de mo es causadas po in eções esis en es, em
que ce ca de 390.000 mo es, pe ence ão ao con inen e Eu opeu.13,15
7
Os an ibió icos são de al a impo ância no con olo das in eções associadas aos cuidados
de saúde. No en an o, de ido ao consumo inadequado e desmedido des es á macos, a
esis ência aos an imic obianos é uma ameaça que a e a odas as egiões do globo, que
pa a além da mo bilidade e mo alidade i á causa cus os adicionais aos sis emas de
saúde.
No que diz espei o ao consumo de an ibió icos em Po ugal, os alo es êm-se man ido,
nos úl imos anos, abaixo da média da União Eu opeia, an o na comunidade como em
meio hospi ala . Apesa de Po ugal e sido um dos países com maio consumo de
an imic obianos, onde quase me ade dos pacien es in e nados (45,3%) e am subme idos
a e apia an ibió ica, ace os 35,8% da média Eu opeia, desde 2012 que se em no ado
uma e olução posi i a no consumo de an ibió icos em meio hospi ala .16
Figu a 2. P e isão da mo alidade causada po esis ência a an ibió icos em 2050. Fon e:
Adap ado de Re iew on An imic obial Resis ance: T ackling a C isis o he Heal h and Weal h
o Na ions. 2014. 13
8
Os an ibió icos consumidos a ní el hospi ala ep esen am, quan i a i amen e, uma
pa e mui o pequena no global de odos os an ibió icos. A impo ância do consumo
des es á macos no con ex o hospi ala eside no ac o de, nes e con ex o, se em
u ilizados, maio i a iamen e, an ibió icos de la go espec o. Es e consumo maciço dos
an ibió icos de la go espec o aumen a a p essão de seleção de es i pes esis en es,
elacionando-se di e amen e com as in eções hospi ala es.8,17
Embo a a ualmen e o consumo de an ibió icos em Po ugal seja baixo quando
compa ado com ou os países eu opeus, os alo es con inuam ele ados e e le em-se no
núme o de bac é ias esis en es, que é, em alguns casos, supe io à média da Eu opa, e
con inua a aumen a deixando Po ugal em des aque no mapa. É assim cada ez mais
necessá io p omo e o uso acional des es á macos e p e eni o aumen o das
esis ências.9,18
Figu a 3. Consumo de an ibac e ianos pa a uso sis émico no se o hospi ala em países de
União Eu opeia em 2016 (exp esso em Dose Diá ia De inida po 1000 habi an es/dia). Fon e:
ECDC, 2017.17
9
2.1.3 P esc ição inadequada de An ibió icos
A e apia an ibió ica é, em mui as si uações, desadequada, u ilizada quando não
exis e in eção bac e iana e p olongada no empo sem aze qualque bene ício clínico e
segu ança ao pacien e. O uso excessi o e inco e o de an ibió icos que exis e
a ualmen e, es á a ameaça a e icácia des es á macos que são essenciais pa a comba e
e icazmen e as in eções e pa a a ealização, em segu ança, de mui as in e enções e
p ocessos de saúde. Es ima-se que 20-50% dos an ibió icos são p esc i os
inco e amen e e que ep esen am 30-40% dos cus os em medicamen os dos
hospi ais.9,19
Na génese des e p oblema, es á o p ocesso de p esc ição, que é um p ocesso de g ande
complexidade. A p esc ição inadequada de an ibió icos de e-se mui as ezes a al a de
empo dos p o issionais de saúde, sendo que a in o mação ela i a ao pacien e es á
dispe sa po di e en es bases de dados, não endo os clínicos em di e sas si uações, as
in o mações c uciais pa a oma a melho decisão. Exis e ambém ausência dos
Figu a 4. Pe cen agem de Klebsiella pneumoniae isolados esis en es aos Ca bapenemos, en e
2013 e 2016 na Eu opa. Fon e: ECDC, 2017.18
10
36%
64%
Sim Não
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
70,0%
esul ados labo a o iais da mic obiologia, em que mui as as ezes os médicos não êm
acesso aos pad ões de susce ibilidade. Em di e sas si uações as di e izes de p esc ição
ambém não são lemb adas, acabando po não da ao p ocesso de p esc ição de
an ibió icos a impo ância que es e eque . 20
Ou a a ian e do p oblema es á assen e na educação e na in o mação dos p o issionais
de saúde. A ualmen e exis em mui as e idências que uma an ibio e apia mais cu a az
melho ias ao doen e e eduz a mo alidade, o que acaba po se con adi ó io. Em alguns
casos (Figu a 5) exis e o p olongamen o inap op iado da adminis ação de an ibió ico
no pós-ope a ó io em doen es sem in eção, o que não melho a o p ognós ico, mas sim
aumen a o isco de in eção po agen es mul i esis en es no doen e ope ado, e a p essão
ge ado a de esis ências no hospi al. Es e con inua a se um dos p incipais des ios nas
boas p á icas, que é e i icado na u ilização de an ibió icos nos hospi ais po ugueses.
O uso acional dos an ibió icos além de eduzi o aumen o de bac é ias
mul i esis en es, az ambém mais segu ança ao pacien e que não é expos o
desnecessa iamen e a an ibió icos, que, como odos os medicamen os, ambém êm
e ei os cola e ais nos quais se incluem eações ad e sas com ou os medicamen os e
ou as in eções associadas.21
Figu a 5. Uso de an ibió icos pa a p o ilaxia ci ú gica em Po ugal: pe cen agem doen es
que usam an ibió ico após in e enção ci ú gica, sem sinais de in eção. Fon e: PPCIRA/DGS
2015.9
11
2.2. Es a égias pa a o con olo e p e enção de
In eções associadas aos Cuidados de Saúde e
Resis ência a an ibió icos
2.2.1 An ibio ic S ewa dship P og ams
O mé odo mais e icaz pa a o con olo das in eções associadas aos cuidados de
saúde e das esis ências aos an imic obianos é a p e enção. Os p og amas de “ges ão do
uso de an ibió icos” de em se incluídos em odos os p og amas de con olo e
p e enção das IACS, com o in ui o de melho a o uso dos an ibió icos, limi ando a
p essão an ibió ica desnecessá ia que con ibui pa a a eme gência de bac é ias
esis en es.22
Es es p og amas são essenciais pa a euni a in o mação epidemiológica e molecula
sob e as esis ências e os seus pad ões. Não só con ibuem pa a a o imização da e apia
an imic obiana e ga an em que es a seja adequada (indicação, dose, ia de
adminis ação e du ação) eduzindo os e ei os ad e sos, mas ambém p omo em a
educação sob e es as subs âncias. Des e modo, os An ibio ic S ewa dship P og ams
(ASP) ajudam os clínicos a melho a o a endimen o aos pacien es, aumen ando as axas
de cu a e a equência da p esc ição co e a pa a e apia e p o ilaxia, eduzindo as alhas
no a amen o e as esis ências aos an imic obianos, ao mesmo empo que economizam
dinhei o aos sis emas de saúde. 15,23
O sucesso de implemen ação dos p og amas de An ibio ic S ewa dship depende
em p imei o luga , de um comp omisso com a adminis ação dos hospi ais, pois é
necessá io que es a apoie a educação e o mação dos p o issionais e aça in es imen os
de o ma a ga an i ecu sos humanos e ma e iais. É necessá ia uma equipa
mul idisciplina coo denada, cons i uída po clínicos, en e mei os, p o issionais das
á eas da a mácia, mic obiologia, ges ão e saúde pública, com expe iência em doenças
in eciosas. De e se ei a com equência uma análise e a aliação ao p oblema e uma
igilância da p esc ição de an ibió icos e pad ões de esis ência. É ainda necessá io que
12
exis a a educação e o mação con ínua dos p o issionais de saúde sob e a esis ência aos
an ibió icos, p esc ição e p ocedimen os especí icos pa a doenças in eciosas, a a és de
euniões, seminá ios, pós e es ou ap esen ações.
Apesa de odas as o ien ações e e idências, a implemen ação de ASP não é uma a e a
simples. Exis em di e sas ba ei as que a iam de con ex o pa a con ex o, como a al a
de inanciamen o, a al a de comp omisso da adminis ação do hospi al, a oposição de
alguns clínicos ou a al a de um sis ema de in o mação. Assim pa a que es as es a égias
esul em e sejam e icazes de em se adap adas à ealidade em que es ão inse idas.24
Uma no a e ino ado a abo dagem des es p og amas em sido o desen ol imen o
de mecanismos de apoio à decisão pa a aqueles que p esc e em an ibió icos, com o
obje i o de apoia no p ocesso de mudança. Mui os dos p esc i o es não são
especialis as na ges ão de con olo in eções e, po an o, podem e uma comp eensão
mais limi ada dos an imic obianos e das e idências sob e a esis ência an imic obiana.
Pa a en en a es e desa io, os sis emas de in o mação o am concebidos com o
obje i o de p opo ciona ao p esc i o um acesso ácil e ápido à in o mação, que é
necessá io pa a oma decisões e apêu icas. Os sis emas de apoio à decisão assumem
a ualmen e, um papel impo an e na ges ão das in eções associadas aos cuidados de
saúde demons ando um po encial pa a melho a o uso de an imic obianos azendo
bene ícios pa a os pacien es, médicos e o ganizações de saúde. Es es sis emas de apoio
à decisão cons i uem um g ande desa io pa a os in es igado es, pois es es sis emas, po
si só, podem não aze um bene ício clínico signi ica i o. Exigem o en ol imen o a i o
dos p o issionais, um design e dadei amen e ú il na p á ica clínica, e
educação/ o mação con ínua.25
2.2.3 HAITool – Uma e amen a pa a supe a
implemen ação de “An ibio ic S ewa dship”
O uso de sis emas de in o mação de igilância, moni o ização e apoio à decisão
em sido desc i o como e icaz na igilância epidemiológica, na edução de e os na
p esc ição, na melho ia da assis ência ao pacien e e na comunicação com o mesmo, no
13
comp imen o das ecomendações, na edução de consumo de an ibió icos, da esis ência
an imic obiana e dos cus os.26
O HAITool é um sis ema de moni o ização e apoio à decisão e uma e amen a
impo an e na implemen ação de An ibio ic S ewa dship. Foi desen ol ido po uma
equipa mul idisciplina de in es igado es e p o issionais de saúde, usando o Design
Science Resea ch Me hodology (DSRM). Es a me odologia une as e idências cien í icas
à p á ica p o issional c iando, nes e caso, um sis ema de in o mação, pa a esol e os
p oblemas o ganizacionais no que diz espei o a in o mação, moni o izando a
esis ência aos an ibió icos e auxiliando o p ocesso de p esc ição. O desen ol imen o
des e p oje o oi um p ocesso com seis a i idades (Figu a 6) e comple amen e
adap adas ao con ex o.19
Passou em p imei o luga po iden i ica o p oblema: o empo gas o pelos p o issionais
de saúde pe didos nos sis emas de in o mação de ido à in o mação es a dispe sa po
di e en es bases de dados, a al a de ale as da pa e da mic obiologia e dados
epidemiológicos ace ca das bac é ias mul i esis en es. Em seguida de ini am-se como
Figu a 6. P ocesso Colabo a i o de Design e Implemen ação do Sis ema HAITool. Fon e:
Folhe o HAITool : “Boas P á icas pa a a Implemen ação de “An ibio ic S ewa dship”.27
14
obje i os: a c iação de um sis ema ino ado que pe mi e o acesso em empo eal aos
dados do doen e e capaz de moni o iza o consumo de an ibió icos, as bac é ias
mul i esis en es e p omo e uma p esc ição baseada nas o ien ações. No que diz
espei o ao design, o HAITool oi desen ol ido pa a da supo e aos clínicos e
implemen a An ibio ic S ewa dship, A demons ação, implemen ação e a aliação des e
sis ema oi ealizada com a pa icipação dos hospi ais e lado a lado com os p o issionais
de saúde. 19,26
O HAITool oi uma solução c iada com base numa necessidade eal sen ida pelos
p o issionais, desen ol ida com es es e adequada ao con ex o eal. O HAITool pe mi e
assim, o acesso em empo eal aos dados do doen e, aos consumos da a mácia e aos
esul ados da mic obiologia, conseguindo moni o iza o consumo de an ibió icos;
moni o iza as bac é ias esis en es ( endo in o mações sob e os pad ões de esis ência)
e p omo e a p esc ição de an ibió icos seguindo as di e izes.14
Des a o ma consegue-se uma p esc ição mais in o mada e conscien e de an ibió icos,
uma ez que pe mi e aos médicos e i ica a esis ência aos an ibió icos, o nando o
p ocesso de p esc ição mais e e i o. Além disso, ao o nece uma isão in eg ada sob e
os dados do pacien e, consegue-se acele a o p ocesso de decisão clínica.
Es a e amen a acaba po e ambém um papel mui o impo an e na comunicação en e
o médico e o labo a ó io de mic obiologia, sendo que es e úl imo desempenha um papel
mui o impo an e na p e enção e con olo das in eções, pois é ele que iden i ica a
in eção e ca ac e iza o pad ão de susce ibilidade de esis ência ao an ibió ico, que são
in o mações c uciais pa a a segu ança do pacien e.15
A ase da comunicação oi ealiza ao longo do p oje o a a és de ap esen ações
em con e ências, publicações em jo nais cien í icos e pós e es. A pa oi c iado um oi
um olhe o in o ma i o, uma página web do p oje o com oda a in o mação ela i a ao
mesmo e aos seus obje i os, pequenos ídeos di igidos aos p o issionais e ainda um
documen á io. Fo am ambém ei as algumas en e is as na comunicação social e uma
ap esen ação do p oje o às di e en es Adminis ações Regionais de Saúde (ARS).19,26,27
15
Capí ulo 3 - Ma e ial e Mé odos
3.1 Desenho do Es udo
Conside ando os obje i os de in es igação que o am an e io men e
es abelecidos, é possí el e i ica que es es es ão de aco do com os p incípios da
abo dagem quali a i a sendo que es a p ocu a desc e e como o enómeno em análise
se desen ol e e se al e a: as causas, os p ocessos e as consequências que dele esul am.
Na in es igação quali a i a é a ibuído especial ele o às expe iências e pe spe i as dos
pa icipan es no es udo, nes e caso, os pa cei os en ol idos no p oje o HAITool, de
o ma a consegui -se cap a a dinâmica e in e ações dos p ocessos e pessoas du an e o
desen ol imen o do p oje o assim como os seus e ei os e o impac o causado nos
se iços de saúde. 28,29
Quan o ao planeamen o do es udo, podem de ini -se duas ases dis in as: a p imei a, a
cons ução de uma linha empo al a a és de uma análise documen al, com a desc ição
dos e en os-cha e do p oje o HAITool. E uma segunda, endo em con a a linha do
empo cons uída, que se á a base de uma a aliação a a és de en e is as a di e en es
a o es en ol idos nes e p oje o.
3.1.1 Linha Tempo al
A cons ução de uma linha empo al com os p incipais e en os pode se
conside ada uma abo dagem de pesquisa que pe mi e uma comp eensão cla a dos
impac os e ino ações da pesquisa de longo p azo num de e minado con ex o. Embo a as
linhas do empo enham indo a se u ilizadas como uma on e de dados e um modo de
ela a os p incipais esul ados, o uso des a abo dagem é subu ilizada e não é
desen ol ida como um mé odo de cons ução e ansmissão da eo ia cien í ica. Es e
mé odo pe mi e-nos en ende o desen ol imen o, a ap esen ação e comp eensão dos
esul ados. Ao ap esen a a eo ia na o ma de uma linha do empo, o in es igado é
capaz de explica e desc e e como mui os dos e en os con ibuí am pa a o
22
2. P oje o OSYRISH
Após a alidação do p oblema, su giu o p oje o OSYRISH (O ganiza ional and
In o ma ional Sys em o Imp o e Heal h Ca e Associa ed In ec ion in a Hospi al) que
isa o nece melho es e ino ado as o mas de lida com as in eções associadas aos
cuidados de saúde abo dando ques ões compo amen ais. Sabe-se que um e ço des as
in eções que acon ecem nos hospi ais pode se e i ado e que en e as p incipais causas
es ão os p ocessos de abalho, como a higienização das mãos. 40
Apesa de á ios es udos nos ela a em que a higienização das mãos é a medida com
maio impac o na edução das in eções associadas aos cuidados de saúde, a axa de
adesão dos p o issionais de saúde a es a p á ica ainda es á longe dos esul ados
espe ados. Sendo as mãos acilmen e colonizadas po mic o ganismos, se es as não
o em la adas com a equência e de o ma co e a, du an e con ac o o com os doen es,
os mic o ganismos são ans e idos ao pacien e. A al a de p o issionais e o excesso de
abalho e a ele ada ca ga ho á ia dos mesmos são algumas das ba ei as à higienização
das mãos. 41
Lado a lado com os p o issionais de saúde, es e p oje o u ilizou en ão a me odologia
Lean com o in ui o de o imiza o abalho de en e magem, no sen ido de diminui o
despe dícios e oca na qualidade dos se iços p es ados, aumen ando o empo
disponí el dos en e mei os e consequen emen e aumen a ambém a adesão des es
p o issionais à higienização das mãos.42
O p oje o OSYRISH u ilizou os a anços digi ais como a gami icação, pa a al e a o
compo amen o dos p o issionais, aumen a a adesão à higienização das mãos e eduzi
as in eções associadas aos cuidados de saúde. 43
Ou a consequência des as in eções é a c iação de esis ências aos an ibió icos,
de ido ao maio consumo e mui as ezes inadequado des es medicamen os. Po esse
mo i o, a o ma de a amen o des as in eções é ambém um a o que pode se
modi icá el a a és do co e o uso de an ibió icos. O p oje o OSYRISH começou assim
23
a desen ol e abalhos na á ea da an ibio e apia, mais di ecionado pa a os médicos,
com o obje i o de ga an i ao pacien e uma maio segu ança.
3. HAITool
As bac é ias ao en a em con ac o com o pacien e podem causa uma in eção e
ag a ando o seu es ado de saúde. Es as in eções a am-se com an ibió icos e po es e
mo i o é necessá io que sejam p esc i os co e amen e. Os an ibió icos são limi ados e
se as bac é ias não ecebe em o an ibió ico co e o, além de não se es a a melho a o
es ado de saúde do pacien e, es ão a po encia -se as esis ências bac e ianas a es es
á macos. Com o passa do empo, os an ibió icos e icazes são cada ez menos e é
essencial que comece a exis i um con olo na adminis ação des es á macos. Com a
p esc ição inadequada de an ibió icos, que é ce ca de 50%, e econhecendo oda a
complexidade associada ao p ocesso de p esc ição, é necessá io encon a p á icas que
le em os médicos a aze uma melho ges ão do seu empo e a p esc e e melho es es
medicamen os, endo o apoio do labo a ó io da mic obiologia pa a um diagnós ico com
mais ce eza e azendo uma o mação con ínua dos p o issionais.
A a és da obse ação, pe cebeu-se que os médicos e as equipas de con olo de in eção
passam g ande pa e do seu empo (ce ca de duas ho as) pe didos nos di e sos sis emas
de in o mação, a in oduzi , p ocu a e analisa dados. Sis emas es es, o ganizados com
uma inalidade adminis a i a e não clínica, sendo que os dados necessá ios aos
clínicos es ão dis ibuídos po di e sas bases de dados, que mui as ezes não es ão
in e conec adas. Po ou o lado a al a de comunicação com o labo a ó io não é
su icien e, sendo no ada a ausência os esul ados da mic obiologia e o di ícil acesso aos
dados epidemiológicos.26,44
Des a o ma, o que se e i ou do p oje o OSYRISH pa a o HAITool oi a necessidade de
um sis ema de in o mação capaz de poupa empo nos p ocessos de abalho e que eúna
oda a in o mação necessá ia pa a auxilia o médico no p ocesso de p esc ição
an ibió ica.
24
4. De inição dos obje i os
O p imei o obje i o passou po iden i ica e a alia os p ocessos de ges ão das
in eções associadas aos cuidados de saúde exis en es nos hospi ais. Após ecolhe os
dados ela i os às IACS e à esis ência an ibió ica, e e-se como me a o
desen ol imen o de uma e amen a capaz de ajuda os p o issionais a en en a em
es as in eções e as bac é ias mul i esis en es.45
Es a e amen a en a assim esponde ao p oblema do uso excessi o de an ibió icos
c iando um único sis ema de in o mação. Es e sis ema em a in enção de moni o iza o
consumo de an ibió icos e as bac é ias esis en es, e p omo e o uso de an ibió icos
seguindo as di e izes. De e assim p o idencia acesso a in o mação em empo eal,
acili a o acesso aos esul ados do labo a ó io de mic obiologia, com dados a ualizados
ace ca das axas de esis ência dos mic o ganismos e do consumo de an ibió icos. De e
Figu a 8. To al do empo gas o pelos médicos nas di e en es a i idades. Fon e: “Scien i ic
Challenges in Designing and Implemen ing Public Heal h Da a: Managemen and
Communica ion Sys ems: The case o HAITool- An An ibio ic S ewa dship Decision- Suppo
Sys em”. 44
25
pe mi i uma isão in eg ada do pacien e ao longo do empo, conseguindo e i ica os
sinais i ais e quais os an ibió icos p esc i os; e p omo e uma p esc ição com base nas
guidelines. Des aca-se ambém o obje i o de acili a a comunicação en e os á ios
p o issionais de saúde: a macêu icos, mic obiologis as e médicos. Tendo semp e como
p incipal inalidade a melho ia da segu ança do pacien e. 26
5. Equipa Mul idisciplina
Reconhecendo o p oblema do uso excessi o de an ibió icos, as e idências suge em
que o desen ol imen o de p og amas de ges ão de usos dos an ibió icos de em se
adminis ados po equipas mul idisciplina es.46
Pa a es e p oje o, oi en ão c iada uma equipa com in es igado es de di e en es á eas e
di e en es p o issionais de saúde: médicos, equipas de con olo de in eção,
mic obiologis as, a macêu icos, en e mei os, in o má icos e ges o es. Todos eles
con ibuí am de o ma a i a desde o inicio do desen ol imen o do p oje o, endo odos
um papel c ucial.
Des aca-se o papel dos g upos locais de con olo de in eção e dos médicos, esponsá eis
pela p esc ição e icien e dos an ibió icos, que ize am a pon e en e a ecnologia e a
p á ica clínica, ela ando o que é necessá io ao seu dia-a-dia.19
O papel da a mácia, que já ha ia sido ela ado no p oje o OSYRISH, passa po
in o ma os clínicos ace ca de qual o melho an ibió ico disponí el pa a um caso
especí ico. 15
No que diz espei o ao labo a ó io de Mic obiologia Médica, es e assume uma unção
undamen al na p e enção e con olo de in eções associadas aos cuidados de saúde. É
esponsá el pelo isolamen o e iden i icação do agen e e iológico u ilizando os mé odos
de diagnós ico mais ap op iados e ápidos; e pelo o necimen o de in o mação
a ualizada ace ca dos pad ões de esis ência aos an imic obianos, essenciais pa a a
elabo ação de di e izes ap op iadas de p esc ição hospi ala e ajuda os clínicos a
26
escolhe a e apia empí ica mais ap op iada. Tem ambém a a e a de ela a aos clínicos
e à equipa de con olo de in eções odos os esul ados ace ca dos agen es isolados e da
p e alência de mic o ganismos esis en es. O labo a ó io de Mic obiologia em assim
um papel cen al, não só na igilância e de eção p ecoce de su os, mas ambém na
moni o ização de esul ados e na di ulgação de esul ados incomuns. Pa a maximiza a
e icácia dos p og amas de con olo de in eção, o labo a ó io de e p ocu a educa os
p o issionais de saúde pa ilhando in o mações sob e mic obiologia básica e
biossegu ança. Es e papel da mic obiologia, es á assim mui o bem desc i o e des acado
nas á ias publicações da equipa do p oje o HAITool, cons i uindo assim um a anço
cien í ico.15
Es a abo dagem mul idisciplina aumen ou o sucesso na implemen ação do p oje o
sendo es e adap ado ao con ex o ins i ucional, cul u al e social, pe mi indo assim os
hospi ais ado a em es a e amen a.19
Figu a 9. Equipa mul idisciplina do p oje o HAITool. Fon e: P e en ion and Con ol o
An imic obial Resis an Heal hca e-Associa ed In ec ions: The Mic obiology Labo a o y
Rocks! (2016).19
27
6. Desenha o HAITool
O maio desa io de um sis ema de igilância e de apoio à decisão é se e icien e e
e e i o no con ex o hospi ala , e se acei e pelos p o issionais de saúde como uma
e amen a que os ajude e dadei amen e. É de ex ema impo ância que es e sis ema de
igilância e apoio à decisão clínica seja ácil de usa e que os dados e in o mação
essencial es ejam ag egados e disponí eis de o ma ápida e ácil.
Os p o issionais de saúde es i e am en ol idos no desenho do HAITool, pois além da
e amen a desen ol ida i a se u ilizada po eles, é impo an e que es es sin am que
es e p oje o oi cons uído po eles, e que a u ilizem com mais equência. O HAITool é
en ão um sis ema de in o mação, desen ol ido em colabo ação com p o issionais de
saúde, adap ado às suas necessidades e de aco do com os p ocessos o ganizacionais,
que ag ega dados clínicos, mic obiológicos e da a mácia. Toda in o mação é exibida
numa ap esen ação g á ica ino ado a que pe mi e a isualização da e olução clínica do
pacien e, a a és de um c onog ama, as endências do consumo de an ibió icos, a
dis ibuição de in eções esis en es a an ibió icos e os pad ões locais de susce ibilidade
an imic obiana. 19
Fo am ainda suge idos ale as de apoio a p esc ição de an ibió icos de aco do com as
no mas da Di eção Ge al de Saúde. Pa alelamen e o am desen ol idas ou as
e amen as pa a agiliza o abalho des es p o issionais.26
Resul ou en ão num sis ema que in eg a oda a in o mação necessá ia pa a auxilia os
p o issionais de saúde na p esc ição an ibió ica, de o ma a que es a seja a mais p ecoce,
adequada e o mais cu a possí el, con olando de o ma mais e icaz as in eções
associadas aos cuidados de saúde.
28
7. Implemen ação do HAITool
O HAITool oi implemen ado nos hospi ais pa icipan es, jun amen e com os
p o issionais e com o especial en ol imen o dos depa amen os de sis emas de
in o mação que auxilia am a equipa na ges ão dos dados necessá ios ao HAITool. A
implemen ação des e p oje o e e, inicialmen e, algumas di iculdades de ido ao
ce icismo e à ele ada ca ga de abalho dos p o issionais, que não coloca am o HAITool
como uma p io idade. Es as ba ei as iniciais o am supe adas logo após os p imei os
es es, em que o am no adas as an agens des a e amen a e uma maio acei ação po
pa e dos p o issionais.
8. A aliação do HAITool
A pesquisa cien í ica, na sua gene alidade, de e se ca ac e izada de o ma que se
consiga pe cebe como as soluções ap esen adas se desen ol em no con ex o dos
p o issionais de saúde.47
Na e apa da a aliação, p e endeu-se ca ac e iza a e amen a e pe cebe como es a é
u ilizada pelos p o issionais de saúde. P e endeu-se es uda a usabilidade, se acili a a
e dadei amen e o abalho, se es a a bem desen ol ida e o que é ainda necessá io
ape eiçoa . Pa a a alia o design e implemen ação do HAITool o am u ilizados os
p incípios de Ös e le e a ealização de en e is as aos médicos e aos esponsá eis pelo
con olo de in eções.26
A pesquisa que e i icou a u ilidade do HAITool indicou-o como uma e amen a capaz
de poupa empo aos p o issionais de saúde e mui o ú il na p e enção e con olo da
esis ência aos an ibió icos. O sis ema o nece os pad ões de esis ência e moni o iza o
consumo de an ibió icos e as bac é ias esis en es. A capacidade de o nece em empo
eal os dados epidemiológicos ace ca da susce ibilidade aos an ibió icos oi econhecida
como uma das p incipais an agens des a e amen a, impo an e pa a apoia a
p esc ição an ibió ica e melho a a comunicação en e a equipa de con olo de in eção, o
29
labo a ó io de mic obiologia, médicos e a mácia, bem como p omo e uma adesão as
di e izes de p esc ição.20
Os ale as o am conside ados c uciais pa a acili a o p ocesso de decisão. A
capacidade de o nece uma isão ge al da si uação clínica do pacien e, a abo dagem
pa icipa i a e a possibilidade de especi ica qual a in o mação que se ia ú il pa a cada
p o issional de saúde o am e idenciadas como g andes an agens des e sis ema. Com
as en e is as pe cebeu-se que são ainda necessá ios alguns ajus es no que diz espei o
à isualização dos dados bem como à adição de no os ale as. 19
Pa a e i ica se o HAITool a ingiu os obje i os, oi a aliado segundo os p incípios de
Ös e le: Abs ação, se o HAITool é aplicá el a uma classe de p oblemas; O iginalidade,
se o HAITool con ibui subs ancialmen e pa a o a anço do co po de conhecimen o;
Jus i icação, se es a e amen a é jus i icada de uma o ma comp eensí el e Bene ício,
se o HAITool az bene ícios, seja a cu o ou a longo p azo, aos espe i os
in e essados.47
Quan o ao p imei o p incípio, es a e amen a demons ou, que pode se u ilizada po
di e en es ipos de p o issionais de saúde, como médicos ou equipa de con olo de
in eção, pa a lida com o uso inadequado de an ibió icos em di e sas si uações desde
que es eja adap ado aos dados de qualque hospi al. No que diz espei o à o iginalidade,
o HAITool oi desen ol ido po uma equipa mul idisciplina de in es igado es em
es ei a colabo ação com os p o issionais de saúde dos di e en es hospi ais
pa icipan es, c iando um sis ema pa a os p o issionais de saúde e assen e nas suas
necessidades eais. Es a e amen a ap esen a uma o ma p á ica, ácil e ápida de
isualiza os dados sendo uma ino ação no con olo e p e enção de in eções associadas
aos cuidados de saúde e esis ência aos an imic obianos. No que conce ne à jus i icação,
o HAITool su ge em espos a ao ele ado núme o de in eções associadas aos cuidados
de saúde que, de aco do com a O ganização Mundial de Saúde, são a maio causa de
mo e e incapacidade a ní el mundial. 48
30
Reconhecendo o uso excessi o de an ibió icos e a complexidade da p esc ição des es
á macos, es a e amen a é en ão um sis ema de igilância e apoio à decisão, pa a
auxilia os médicos na ges ão e p esc ição de an ibió icos, diminuindo as esis ências, e
con olando as IACS. Os obje i os des e p oje o o am ambém alidados po pa e dos
médicos e da mic obiologia médica.20
O HAITool ep esen a assim, um bene ício pa a as o ganizações e p o issionais de
saúde disponibilizando uma isualização in eg ada dos dados do pacien e, da
mic obiologia e da a mácia. Es a e amen a con ibui des e modo pa a uma p esc ição
de an ibió icos mais in o mada, podendo os médicos con e i os pad ões de esis ência,
o que o na o p ocesso de p esc ição mais e e i o. Es es dados agilizam ambém o
p ocesso de p esc ição, o nando-o mais ápido e segu o. O p incipal bene iciado acaba
po se assim o pacien e que ecebe a e apêu ica mais e icaz e mais segu a. 26
9. Comunicação
Com o po encial impac o clínico do HAITool, é necessá io que a comunicação seja
ei a de o ma ino ado a e que a inja di e en es al os, desde os p o issionais de saúde
a é a população em ge al, pa a que odos enham a consciência do p oblema global das
in eções associadas aos cuidados de saúde e da esis ência aos an imic obianos.
A comunicação combinou assim a c iação de uma página Web onde es á desc i a
oda a in o mação do p oje o, os seus obje i os e os seus p incipais esul ados.
Des aca-se ambém a c iação de um manual in o ma i o, de ídeos de cu a du ação
di igidos pa a os p o issionais de saúde e de um documen á io onde es ão desc i as as
mo i ações do p oje o e como oi desen ol ido lado a lado com os p o issionais.
Pa a da a conhece o p oje o aos hospi ais, o am ealizadas á ias ap esen ações às
ARS pa a ap esen a e p omo e a implan ação do HAITool.19,45
31
A comunicação ambém oi ei a ao longo do p oje o com a publicação de á ios
ela ó ios, a igos cien í icos e pós e es, e com pa icipação em con e ências nacionais e
in e nacionais, ealçando a impo ância do p oblema e da solução desen ol ida.
A p imei a publicação, que ma cou a passagem do p oje o OSYRISH pa a o
P oje o HAITool, oi em 2015 e a a a-se de um “Guia p á ico pa a a implemen ação
de p og amas de ges ão de uso de an ibió icos”. Es e inha como obje i o o nece
ecomendações pa a que osse implemen ado ASP nos hospi ais po ugueses a im de
melho a os esul ados clínicos.45
Ainda em 2015 oi ap esen ado, no Pha maceu ical Socie y Cong ess, um pós e onde
da a a conhece o papel do a macêu ico nos p og amas de ges ão de uso de
an ibió icos. Nesse mesmo ano, alguns in es igado es do p oje o HAITool conhece am
o con ex o a icano e colabo a am em sessões de elemedicina com a emá ica das
in eções associadas aos cuidados de saúde.45
No ano de 2016 o HAITool es e e p esen e no 16º Cong esso da Fede ação
In e nacional de Con olo de In eção (IFIC) e no 26º Cong esso Eu opeu de
Mic obiologia Clínica e Doenças In eciosas, onde ap esen a am o ma ino ado a de
comba e e p e eni as in eções e as esis ências aos an ibió icos desen ol ida po uma
equipa mul idisciplina .
Na con e ência Heal h – Explo ing Complexi y oi exibido o documen o “Co-Design o
a Compu e -Assis ed Medical Decision Suppo Sys em o Manage An ibio ic
P esc ip ion in an ICU Wa d” ealçando o papel dos sis emas de in o mação no
comba e ao p oblema global de esis ência aos an ibió icos. A me odologia do HAITool
oi ambém ap esen ada na Con e ência Eu opeia, Medi e ânica e do Médio O ien e
sob e Sis emas de In o mação (EMCIS), a a és do documen o “Using Design Science
Resea ch Me hodology o Implemen a Su eillance and Decision Suppo Sys em To
manage Hea lhca e-Associa ed In ecions and An ibio ic use in Hospi als”.
38
Comissão de
Con olo de In eção
P e eni , de e a e con ola as in eções nos se iços de saúde.
P e enção das in eções associadas aos cuidados de saúde e do
desen ol imen o de es i pes esis en es.
X
GCL- PPCIRA
Implemen a es a égias de p e enção e con olo de in eção,
do uso adequado de an imic obianos e da p e enção de
esis ências a an imic obianos;
Ga an i o cump imen o dos p og amas de igilância
epidemiológica;
X
Pacien es
Hospi alizados
Aumen a a axa de cu a;
Aumen a a segu ança;
Diminui os dias de in e namen o.
X
Minis é io da Saúde
P o eção da Saúde Pública e p e enção da doença.
X
Di eção Ge al de
Saúde
Redução da axa de in eções associadas aos cuidados de saúde
e diminuição da axa de mic o ganismos com esis ência aos
an imic obianos.
X
Comunidade
Redução da axa de bac é ias mul i esis en es;
Redução da In eções Associadas aos cuidados de saúde;
Redução dos e os de p esc ição;
Melho ia dos se iços de saúde.
X
Tabela 1. Iden i icação dos in e essados na a aliação do p oje o HAITool.
39
4.2.2 Modelo lógico do p oje o HAITool
O modelo lógico possibili a e i ica isualmen e oda lógica e acionalidade de
uma in e enção, nes e caso do p oje o HAITool, a pa i da coe ência en e o obje i o
da mesma, os ecu sos necessá ios, as a i idades desen ol idas, os p odu os espe ados e
os esul ados p e endidos a cu o e longo p azo. A c iação des e modelo lógico, coe en e
com uma b e e e isão da li e a u a, ep esen a um passo impo an e pa a a legi imação
do p ocesso a alia i o.
Tendo en ão em conside ação p oblema da ele ada axa de in eções associadas aos
cuidados de saúde e esis ência aos an ibió icos, es e p oje o em assim como obje i o
ge al p e eni ge i e con ola es as in eções, apoiando a mudança dos p o issionais
ace ao usos dos an imic obianos. Como obje i os especí icos em-se: iden i ica e
a alia os p ocessos de ges ão das IACS; desen ol e um sis ema de igilância e de
apoio a decisão; p omo e uma co e a p esc ição de an ibió icos; melho a a segu ança
do pacien e; moni o iza o consumo de an ibió icos; p omo e o uso de an ibió icos
segundo as di e izes; acili a a comunicação en e os á ios p o issionais de saúde e
p omo e uma educação/ o mação con ínua.
Na abela seguin e es á ep esen ado o modelo lógico des e p oje o des acando suas ês
componen es: apoio à decisão clínica e igilância epidemiológica, ges ão, e
educação/ o mação dos p o issionais. As ês componen es êm em comum odos os
ecu sos e odas as a i idades/me odologia pa a o desen ol imen o do HAITool.
Embo a o esul ado inal seja comum, de aco do com cada componen e e de aco do com
os a o es en ol idos i emos e esul ados di e en es.
40
Componen es
Recu sos
A i idades
P odu os
Resul ados
Imedia os
Resul ados
In e mediá ios
Resul ado
Final
Apoio à decisão
clínica e
Vigilância
Epidemiológica
Sis ema de
In o mação
Recu sos
Humanos
Recu sos
Financei os
Recu sos
Ma e iais
Iden i ica do
p oblema;
Valida o p oblema;
De ini obje i os;
C iação de uma
equipa
mul idisciplina ;
Aco do com a
adminis ação dos
Hospi al;
En ol ência dos
p o issionais de
saúde:
mic obiologia,
a mácia, medicina
Ex ação dos dados
do Hospi al e
desen ol imen o da
e amen a;
Implemen ação;
Comunica os
esul ados;
Sis ema de ges ão
da in o mação
HAITool que
moni o iza e apoia
a decisão clínica
pa a médicos,
GCL-PPCIRA,
a mácia e
labo a ó io.
Uma e amen a
que ag ega os
esul ados da
mic obiologia e os
dados da a mácia
numa única base
de dados,
acili ando a
moni o ização das
in eções causadas
po bac é ias
esis en es aos
an ibió icos e a
moni o ização da
p esc ição de
an ibió icos.
Tempo ganho na
ecolha de in o mação
Tempo ganho na
omada de decisão
Melho comunicação
com o labo a ó io
P esc ição segundo as
di e izes;
Melho moni o ização
do pacien e
T a amen o
an ibió ico mais
e e i o;
Diminuição da
ca ga an ibió ico;
Diminuição do
consumo de
an ibió icos;
Diminuição das
bac é ias
esis en es;
Maio segu ança
pa a o pacien e;
Redução da axa de In eções associadas aos Cuidados de Saúde e Redução da axa da axa de esis ência aos an ibió icos
Ges ão
Melho ia dos
p ocessos de abalho.
Melho ia da qualidade
do se iço de saúde;
Redução dos cus os
associadas ao
consumo dos
an ibió icos;
Redução dos cus os
associados às
in eções associadas
aos cuidados de
saúde;
Redução dos dias de
in e namen o;
Educação/
Fo mação
Rela ó ios pa a
Hospi ais e P og ama
de Con olo de IACS
Con e ências nacionais
e in e nacionais
Reuniões e sessões
educa i as sob e o uso
de an ibió icos
Guias, ídeos e
bole ins in o ma i os
Melho pe ceção do
p oblema da
esis ência aos
an ibió icos e IACS;
O imização da
p esc ição;
O imização dos
p ocedimen os
especí icos pa a
doenças in eciosas.
Publicação de
abalhos em
e is as cien í icas
Tabela 2. Modelo Lógico do P oje o HAITool.
41
4.2.3 Seleção das Pe gun as A alia i as
A escolha das pe gun as a alia i as é uma e apa impo an e na a aliação de uma
in e enção. São es as pe gun as que nos pe mi em es abelece qual o oco da nossa
a aliação, quais são os aspe os e in o mações ace ca do p oje o HAITool que que emos
e des acados. Es as pe gun as ão ga an i assim que a a aliação a ende às
necessidades da maio pa e dos in e essados, pe mi indo analisa odo o
desen ol imen o des a e amen a bem como os seus e ei os .49
Fo am en ão selecionadas pe gun as com o obje i o de oca e analisa di e en es e apas
no p oje o HAITool. Em p imei o luga analisa a pe inência da in e enção e a
p oblemá ica que lhe deu o igem, com o in ui o de e o ça e en a iza o p oblema das
IACS e da esis ência aos an imic obianos (Análise Es a égica). Fo am ainda e
p incipalmen e selecionadas pe gun as que ocam os e ei os e a implemen ação des e
p oje o. A análise dos e ei os é aquela que em como obje i o a alia a in luência e o
impac o do p oje o nos se iços e nos es ados de saúde, seja a cu o, médio o longo
p azo. Po úl imo emos en ão as pe gun as que p e endem analisa a implemen ação,
is o é, elaciona a implemen ação do p oje o com os seus e ei os, comp eende o
con ex o em que ela es á inse ida e pe cebe como o en ol imen o dos di e en es a o es
e os seus con ibu os podem in luencia o impac o e o sucesso da in e enção.31
As pe gun as selecionadas es ão assim ep esen adas na abela seguin e:
42
Pe gun as a alia i as
Tipo de pe gun a
(1) Como se pe cebeu a necessidade de um p oje o como o HAITool?
Análise
Es a égica
(2) Como oi papel do p oje o HAITool, em e mos de consciencializa pa a
p oblema da esis ência aos an ibió icos e a ajuda a educa os
p o issionais?
Análise dos
E ei os
(3) Quais conside a se em as maio es ba ei as ao aplica as e idências
cien í icas no con ex o eal i ido pelos p o issionais?
Análise da
Implemen ação
(4) Como oco eu o en ol imen o dos p o issionais de saúde ao longo do
p oje o?
Análise da
Implemen ação
(5) Como melho a a adesão dos p o issionais a es e ipo de p og amas,
nomeadamen e a u iliza os sis emas de apoio à decisão?
Análise da
Implemen ação
(6) Quais os a o es con ex uais que in luencia am posi i amen e a
implemen ação do HAITool ao longo do empo?
Análise da
Implemen ação
(7) Quais o am as p incipais ba ei as à implemen ação HAITool no con ex o
hospi ala ?
Análise da
Implemen ação
(8) O HAITool oi pe cebido pelos p o issionais de saúde como uma
e amen a impo an e na esolução do p oblema da ges ão de an ibió icos?
Análise dos
E ei os
(9) Qual conside a se o po encial impac o clínico do HAITool nos se iços de
saúde?
Análise dos
E ei os
(10) Que no as opo unidades há pa a o p oje o HAITool?
Análise dos
E ei os
Tabela 3. Pe gun as de a aliação do P oje o HAITool.
43
4.2.4 Análise Es a égica
Nes a análise em-se como obje i o analisa se o p oje o HAITool é necessá io e
pe inen e pe an e o p oblema de uma má ges ão dos an ibió icos, e das ele adas axas
de in eções associadas ao cuidados de saúde e esis ências an imic obianas.
Face a es e p oblema de Saúde Global, os p incipais obs áculos que o am e idenciados,
es ão elacionados com o diagnós ico e com a a aliação da espos a. Enquan o nou as
á eas da medicina, como é o exemplo do en a e do miocá dio ou aciden e ascula
ce eb al, os diagnós icos são ealizados com mui a ce eza. A dis inção en e o que é
uma in eção ou não, não se consegue aze da mesma o ma, mui o menos nos
p imei os dias. Acon ece en ão com que possam se a ados pacien es com an ibió icos
como es ando in e ados e não es ão, assim como pacien es in e ados e que podem não
se a ados. Não exis em ainda e amen as clínicas, labo a o iais e adiológicas que
pe mi am e mais ce ezas na ho a do diagnós ico. O ac o de exis i um isolamen o
mic obiológico, pode não signi ica uma in eção, podendo se apenas uma colonização
pa a qual não exis e e apêu ica.
No que conce ne à a aliação da espos a à e apêu ica, pode se p oblemá ico po que se
o pacien e es á a se a ado com an imic obianos, o que o médico pensa a a -se de
uma in eção e não é, não i á exis i espos a nesses pacien es, o que pode ge a um
p olongamen o desnecessá io da an ibio e apia, de ido a essa al a de espos a.
As en e is as e ela am que os dois aspe os acima e e idos, são zonas
delicadas e complicadas de esol e . Sendo que exis em médicos mais segu os que
ou os no que diz espei o à p á ica clínica, é necessá io que es es se sin am supo ados
na escolha do an imic obiano, pa a que nunca seja colocada em causa a saúde dos
pacien es. Pa e da solução pa a es es p oblemas, es á en ão em consegui da algum
apoio aos clínicos na omada de decisão.
Com as pe gun as ealizadas nas en e is as pe cebeu-se ambém que a
necessidade de exis i em p oje os que in e êm no con ex o eal é cada ez maio .
Dian e es e g a e p oblema de saúde pública, exis em poucas soluções no e eno.
44
Exis em á ios p oje os pilo o, mas quando são analisados com mais p o undidade,
pe cebe-se que es es não a ançam mui o pa a além do pilo o, es ão pouco consolidados
e que não são colocados em p á ica. É en ão p io i á io a exis ência de p oje os que
passem de esboços e que acabem po se abso idos e ado ados nos hospi ais e nos
sis emas de saúde.
Apesa de odas as campanhas e guidelines da OMS, ECDC e CDC, no a-se que ainda
al am mui os dados ela i amen e a es a p oblemá ica, o que e ela que os sis emas de
saúde não es ão a da a a enção de ida que es e p oblema eque . É en ão necessá io
que se con inue a abalha nes e ipo de p oje os, de ecolha de dados e in o mação,
pa a melho in o ma na decisão clínica. O p oje o HAITool su ge nes a linha de
in e enção.
Pe an e um conhecimen o passado de como os p ocessos clínicos e am
ealizados an es de passa em a se p ocessos ele ónicos, os en e is ados e ela am que
desa io es á en ão em melho a a in o mação e a o ma como es a in o mação es á
disponí el. A ualmen e, os p ocessos ele ónicos são, mui as ezes, desen ol idos sem
es a em in eg ados com a es an e in o mação e com uma inalidade me amen e
adminis a i a e não clínica, exis indo uma g ande quan idade de in o mação que é
pe dida e que é c ucial na omada de decisões. A ideia que exis iu com es e p oje o, oi
ein eg a algumas uncionalidades que se aziam nos p ocesso clínicos em papel e a
in o mação que já exis e mas que não es a a disponí el pa a os médicos, no momen o
de decidi qual a e apia an ibió ica pa a o pacien e. Uma das o mas que se em pa a
melho a a p esc ição de an imic obianos, es á elacionada com a in o mação clínica e
mic obiológica que nos pe mi em depois oma melho decisão possí el e o HAITool
pode e en ão impac o nes e campo, admi em os in es igado es.
O HAITool é um p oje o cien í ico mui o pe inen e e necessá io não só pa a apoia os
médicos na di ícil a e a de p esc e e um an imic obiano, comba endo o mau uso o dos
mesmos e melho a a segu ança do pacien e, mas que ambém é um exemplo a segui ,
no que diz espei o a aze a ino ação e as boas p á icas pa a os sis emas de saúde e
pa a con ex o i ido pelos p o issionais.
45
4.2.5 Análise da Implemen ação
Com um conhecimen o p é io que a o ma de como se implemen a es e ipo de
p oje os no con ex o dos p o issionais de saúde ai de ini o seu sucesso, es a análise
em como obje i o elaciona a implemen ação do p oje o com os seus e ei os.
Comp eende a in luência dos con ex os em que es á inse ida e pe cebe como o
en ol imen o dos di e en es in e enien es pode in luencia o impac o e o sucesso da
in e enção.
En ol imen o dos p o issionais
Os in es igado es do p oje o que o am en e is ados, e ela am que HAITool
não é apenas um sis ema de in o mação. É odo o p ocesso de implemen ação e
desen ol imen o des e sis ema. Es e p oje o cien í ico não é unicamen e um p oje o
académico, e p ocu ou en ol e , desde o início da ideia, os p o issionais de saúde e
u iliza como me odologia o Design Science Resea ch Me hodology. T a ando-se de
con ola as in eções associadas aos cuidados de saúde, os p o issionais a en ol e , em
p imei o luga , se ão as equipas de con olo de in eção (de inidas na no ma nacional).
Es as equipas es i e am en ol idas desde início do p oje o e de am o seu eedback pa a
cons ui o sis ema. Em seguida, en ou-se pe cebe o que in e essa a aquelas equipas
especí icas que i iam a u iliza a e amen a, e o am-se azendo as al e ações de
aco do com as suas necessidades. Fo am ealizadas á ias pesquisas e euniões, em que
os di e en es p o issionais de saúde o am olhando pa a a e amen a pa a da uma
a aliação do que podia se ape eiçoado, o que já es a a disponí el e o que ainda não
es a a e se ia pe inen e.
Es e en ol imen o ajudou aze a ges ão da quan idade de in o mação que podia se
dada e como se podia a alia essa in o mação. Nes es sis emas de e exis i um balanço
en e o que se pode i busca às di e en es pla a o mas in o má icas pa a ajuda na
decisão de inicia , suspende e ajus a a an ibio e apia.
46
Ba ei as na Implemen ação do HAITool
A implemen ação do HAITool no con ex o hospi ala oi um p ocesso complexo
sujei o á ias ba ei as de na u ezas di e en es. A génese des as ba ei as oi e elada
nas en e is as e es á elacionada polí ica dos sis emas de saúde, uma ez que es a não
pe mi e a di ulgação de alguns dados o que di icul a não só odo o p ocesso inicial de
implemen ação des es p oje os mas ambém a p odução de conhecimen o. Inicialmen e
pensou-se que a não pa ilha de dados pode ia es a associada a uma ques ão de
con olo, no en an o du an e a alidação do sis ema (na ase da demons ação do
HAITool) le an ou-se a ques ão do médico não que e pa ilha as suas p á icas, se
bem que os médicos se sen em a on ade pa a pa ilha e acham pe inen e pa ilha as
suas p á icas e deba e oda a p oblemá ica das in eções associadas aos cuidados de
saúde a ní el in e no. O silêncio passa em g ande pa e pela adminis ação hospi ala ,
que se sen e insegu a ao pa ilha alguns dados que podem coloca em causa a
con idencialidade.
Foi ambém mui o e idenciada a g ande ba ei a dos ecu sos humanos em saúde.
Exis e mui o pouco in es imen o nos p o issionais de saúde, e os poucos p o issionais
de saúde que exis em nos sis emas de saúde es ão sob eca egados, que seja os
médicos, os en e mei os ou os écnicos de labo a ó io, a mácia e in o má ica. O
excesso de abalho des es p o issionais, não lhes pe mi e que enham empo disponí el
pa a que se consiga pe cebe quais as suas necessidades e pa a que seja possí el
dedica em-se a es e ipo de sis emas.
Após adesão ao p og ama, os in es igado es ela a am que pode su gi no amen e como
ba ei a a adminis ação. Sendo que acon eceu, em alguns hospi ais pa icipan es, que
com a mudança de adminis ação e embo a endo es a conhecimen o do que a equipa do
con olo de in eção es a a a aze , es a deixou de apoia o p oje o e ol ou-se ao pon o
de pa ida em e e que exis i a p ocu a de um no o comp omisso com a adminis ação.
47
Além da ba ei a da p óp ia adesão os p o issionais de saúde e da adminis ação ao
p oje o e depois su gem as ba ei as écnicas. A ques ão in o má ica oi ambém
assumida como uma g ande ba ei a uma ez que os dados es ão disponí eis pelos
di e en es sis emas de in o mação, e são o necidos po di e en es emp esas, endo que
se aze uma abo dagem po in e médio do hospi al o que causa cons angimen os e
a asos no p oje o. Ou a di iculdade es e e elacionada com as in e aces da e amen a
e a o ma como a in o mação oi disponibilizada, sendo que o HAITool ai busca
in o mações a di e en es á eas exis indo algumas complicações.
A g ande pa e dos p oblemas que su gi am du an e a implemen ação des a e amen a,
o am en ão bu oc á icos e in o má icos uma ez que não exis iu p oblemas no desenho
e na u ilidade da e amen a.
Fa o es que po encia am a implemen ação do HAITool
Foi assumido pelos en e is ados, que o sucesso des e p oje o es á elacionado
com a sua u ilidade. Se a e amen a o ú il, os p o issionais de saúde i ão u iliza . Se
não o ú il os p o issionais não i ão pe de o seu empo com ela. Os memb o da equipa
e idencia am ambém que sucesso do HAITool passou em pa e, po os p o issionais
sen i em que naquela e amen a exis e uma in o mação adicional que não es a a
disponí el. Foi ambém ela ado que o ac o de os u ilizado es e em a possibilidade de
acede à in o mação necessá ia que pe mi e auxilia a escolha da e apêu ica mais
indicada e a alia a espos a à mesma num único sis ema de in o mação no luga de
e em que acede a á ios sis emas de in o mação po dia, é algo que lhes dá con iança e
que o a á usa es a e amen a dia iamen e.
A adesão po pa e dos médicos a es e sis ema, esul a ambém na o ma como es e oi
desenhado. A me odologia u ilizada no p oje o HAITool, en ol e os p o issionais de
saúde na c iação da e amen a que ele p óp io i á u iliza odos os dias. Des a o ma i á
c ia um sen ido de esponsabilidade e ai se o p óp io que ai de ende e con inua a
abalha a e amen a e que a ai p omo e e pa ilha com os seus pa es. Mui os des es
sis emas de in o mação são desenhados o a do con ex o hospi ala , onde i ão se
54
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beha io s o be e design an ibio ic s ewa dship p og ams. Jou nal o Global
An imic obial Resis ance. 2018.
58
Anexos
59
Anexo 1. Fo mulá io Consen imen o In o mado pa a En e is as
Designação do es udo: A aliação e Análise da Ciência desen ol ida pelo P oje o
HAITool - Uma Fe amen a pa a P e eni , Ge i e Con ola as In eções associadas aos
Cuidados de Saúde.
Da a: ___/____/____
Eu, abaixo-assinado:
§ Fui in o mado de que o es udo acima mencionado se des ina a a alia e analisa
a ciência desen ol ida pelo p oje o HAITool e pe cebe o seu impac o nos
se iços de saúde;
§ É de minha li e on ade pa icipa nes e es udo e, ao acei a aze es a
en e is a, sei que a qualque momen o pode ei cessa a minha pa icipação sem
se penalizado(a);
§ Conco do que sejam ecolhidos dados áudio, caso sejam necessá ios;
§ Sei que a in o mação ob ida se á a ada e analisada de o ma con idencial e que
a minha iden idade não se á e elada nem na ese de mes ado nem em qualque
ou a ci cuns ância, a menos que eu au o ize po esc i o;
§ Também au o izo a di ulgação dos esul ados ob idos no meio cien í ico;
§ Comp eendi a in o mação que me oi dada, i e a opo unidade de aze
pe gun as e as minhas dú idas o am escla ecidas.
Nome do In es igado : Be na do Baião | O ien ado : P o . Luís Velez Lapão
Assina u a do(a) pa icipan e:
60
Anexo 2. P incipais e en os do p oje o HAITool
E en os
Da a
Início de p oje o HAITool
maio 2015
Benchma king no Hospi al Uni e si á io do No e da No uega e Suíça
junho 2015
Design da Fe amen a HAITool
julho 2015
HAITool no P imei o Encon o Anual de Con olo de In eção e Resis ência aos An imic obianos do Hospi al do Hospi al Espí i o
San o em É o a (HESE)
se emb o 2015
IHMT publica um guia p á ico pa a a implemen ação de P og amas de Manejo de An ibió icos
se emb o 2015
Benchma king no Hospi al Uni e si á io de Geneb a
ou ub o 2015
A equipe da HAITool colabo a nas Sessões de Fo mação de Telemedicina
dezemb o 2015
Visi a dos pa cei os do Hospi al Uni e si á io da No uega a Po ugal
janei o 2016
Implemen ação Hospi al S. F ancisco Xa ie
ma ço 2016
Implemen ação Hospi al Espí i o San o É o a
ma ço 2016
HAITool no 16º Cong esso da Fede ação In e nacional de Con ole de In eção (IFIC)
ma ço 2016
HAITool no 26º Cong esso Eu opeu de Mic obiologia Clínica e Doenças In eciosas
ma ço 2016
HAITool se á ap esen ada na Heal h – Explo ing Complexi y (HEC2016)
ab il 2016
Ap esen ação HAITool na Con e ência Eu opeia, Medi e ânica e do O ien e Médio sob e Sis emas de In o mação - EMCIS 2016
ab il 2016
A aliação do P oje o HAITool
maio 2016
HAITool ap esen ado no 6º Seminá io de P e enção e Con olo de In eção , em Coimb a
maio 2016
Publicação do a igo “P e en ion and Con ol o An imic obial Resis an Heal hca e-Associa ed In ec ions: The Mic obiology
Labo a o y Rocks!” na e is a F on ie s in Mic obiology
junho 2016
Publicação do HAITool Book : Boas P á icas pa a a Implemen ação de P og amas de Ges ão do usos de An ibió icos
ou ub o 2016
Equipa HAITool O ganizou Seminá io In e nacional de Lisboa sob e Implemen ação de Ge enciamen o de An ibió icos
ou ub o 2016
Publicação dos ilmes sob e a Resis ência aos An ibió icos e Ges ão do uso de An ibió icos
no emb o 2016
HAITool Roadshow ARS No e
no emb o 2016
HAITool oi ap esen ado no "Cong esso Nacional de HIV, Doenças In eciosas e Mic obiologia Clínica"
dezemb o 2016
HAITool Roadshow ARS Cen o
dezemb o 2016
HAITool Roadshow Lisboa
Dezemb o
2016
HAITool Roadshow ARS Alen ejo
dezemb o 2016
Implemen ação Hospi al Dis i al da Figuei a da Foz
dezemb o 2016
Colabo ação com Cabo Ve de
janei o 2017
HAITool oi ap esen ado na Con e ência de T abalho da 10ª Con e ência de T abalho da Rede de Cuidados Fa macêu icos.
e e ei o 2017
HAITool oi ap esen ado na 4ª Con e ência In e nacional sob e P e enção e Con ole de In eção.
ab il 2017
HAITool no “An imic obial Resis ence Awa eness Day “ do IHMT
no emb o 2017
Seminá io - “Con olo de In eção e Ges ão de An ibió icos “ em Cabo Ve de
no emb o 2017
“Figh ing an ibio ic esis ance in Po uguese Hospi als: unde s anding an ibio ic p esc ip ion beha io s o be e design an ibio ic
s ewa dship p og ams,” no Jou nal o Global An imic obial Resis ance
janei o 2018
61