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O processo de intervenção do FMI em Portugal entre 1975 e 1985

Abstract

Between 1975 and 1985 the Portuguese economy went through several cycles of imbalance and adjustment, resorting several times in this period to Conditional Programs of the International Monetary Fund (IMF). Through an application of the qualitative causal process methodology, we sought to identify causal relationships between the different cycles and what was the particular impact that the IMF interventions on the evolution of the Portuguese economy during this period. We concluded that there was a causal relationship between the various cycles and that they resulted from the interaction between the IMF's actions and the internal and external context, and that the IMF had a more active role in the adjustment periods than in the periods of disequilibrium, but had a relevant role in both.

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O processo de intervenção do FMI em Portugal entre 1975 e 1985

Author: Zorrinho, João Francisco Valente de Matos
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/59602/1/O%20processo%20de%20interven%c3%a7%c3%a3o%20do%20FMI%20em%20Portugal%20entre%201975%20e%201985%20-%20Joao%20Zorrinho.pdf
O p ocesso de in e enção do FMI em Po ugal
en e 1975 e 1985
João Zo inho
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e
Relações In e nacionais
Se emb o 2018
O p ocesso de in e enção do FMI em Po ugal
en e 1975 e 1985
João Zo inho
O ien ado : P o . Dou o Tiago Mo ei a de Sá
Coo ien ado : P o . Dou o Joaquim Ramos
Sil a
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e
Relações In e nacionais
Se emb o 2018
i
Resumo
En e 1975 e 1985 a economia Po uguesa passou po á ios ciclos de
desequilíb io e ajus amen o, eco endo po di e sas ezes nesse pe íodo a
P og amas Condicionais do Fundo Mone á io In e nacional (FMI). A a és de uma
aplicação da me odologia da causalidade p ocessual quali a i a p ocu ámos
iden i ica elações de causalidade en e os di e sos ciclos e qual o impac o que as
in e enções do FMI i e am na e olução da economia po uguesa du an e esses
pe íodos.
Concluímos que exis iu uma elação de causalidade en e os di e sos ciclos
e que es es ciclos esul am da in e ação en e as ações do FMI e o con ex o in e no
e ex e no, endo ido o FMI um papel mais a i o nos pe íodos de ajus amen o do
que nos pe íodos de desequilíb io, embo a enha ido um papel ele an e em ambos
os momen os.
Pala as-cha e: FMI, Po ugal, Condicionalidade, Aco do S an-by, Balança
de pagamen os
Abs ac
Be ween 1975 and 1985 he Po uguese economy wen h ough se e al
cycles o imbalance and adjus men , eso ing se e al imes in his pe iod o
Condi ional P og ams o he In e na ional Mone a y Fund (IMF). Th ough an
applica ion o he quali a i e causal p ocess me hodology, we sough o iden i y
causal ela ionships be ween he di e en cycles and wha was he pa icula impac
ha he IMF in e en ions on he e olu ion o he Po uguese economy du ing his
pe iod.
We concluded ha he e was a causal ela ionship be ween he a ious
cycles and ha hey esul ed om he in e ac ion be ween he IMF's ac ions and he
in e nal and ex e nal con ex , and ha he IMF had a mo e ac i e ole in he
adjus men pe iods han in he pe iods o disequilib ium, bu had a ele an ole in
bo h.
Key Wo ds: IMF, Po ugal, Condi ionali y, S and-by Ag eemen , Balance o
pay
ii
Ag adecimen os
Ao p o esso Tiago Mo ei a de Sá e ao P o esso Joaquim Ramos Sil a po odo o apoio
e c í icas cons u i as ao longo do desen ol imen o des a disse ação.
Pa a a minha amília e Helena, po odo o apoio que me de am.
Aos meus amigos e colegas de abalho que se a a am de ou i ala do FMI nos
úl imos meses.
Ao meu Pai que o ien ou odos os meus abalhos desde que en ei pa a a escola.

iii
Índice
RESUMO I
1. INTRODUÇÃO 1
2. CONTEXTUALIZAÇÃO DO PERÍODO PRÉ-INTERVENÇÃO 4
2.1. A dinâmica ex e na 4
2.1.1. A época de ou o do Capi alismo: 1945-1970 5
2.1.2. A época das c ises: 1971-1975 8
2.1.3. O Fundo Mone á io In e nacional 1945-1975: E olução da condicionalidade 10
2.2. A DINÂMICA INTERNA 20
2.2.1. A época de Ou o: 1946 – 1974 21
2.2.2. A época dos choques: 1974-1975 28
2.2.3. Po ugal e o FMI: 1961-1975 32
3. METODOLOGIA: CAUSALIDADE PROCESSUAL QUALITATIVA 34
4. O PROCESSO DE INTERVENÇÃO DO FMI EM PORTUGAL:1975-1985 37
5. O PERÍODO DE ASSISTÊNCIA 75 - 79: O PRIMEIRO RESGATE 38
5.1. Oil Facili y de 1975 39
5.2. Oil Facili y de 1976 42
5.3. P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1976 43
5.4. A si uação ag a a-se 45
5.5. O p imei o Go e no Cons i ucional 47
5.6. O Aco do de S and-by em p imei a anche de c édi o de 1977 49
5.7. O G ande Emp és imo 50
5.8. O P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1977 52
i
5.9. Po ugal oma a inicia i a do ajus amen o 53
5.10. O Aco do S and-By em anche de c édi o supe io de 1978 56
5.11. Re isão do Aco do S and-by de 1978 60
5.12. Po ugal abandona o Aco do S and-by de 1978 62
5.13. Causalidade: 1975-1979 62
6. O PERÍODO DE TRANSIÇÃO: 1979-1983 68
6.1. A dinâmica ex e na 68
6.1.1. A década de 80: A c ise da dí ida 68
6.1.2. A década de 80: Um FMI em mudança 70
6.2. A dinâmica in e na 74
6.2.1. Da es abilidade à c ise: 79 a 83 74
6.2.2. Um ajus amen o insu icien e 78
6.2.3. Po ugal e o FMI: 79 a 83 83
6.3. Causalidade: 1979-1983 88
7. O PERÍODO DE ASSISTÊNCIA 83 - 85: O SEGUNDO RESGATE 91
7.1. O Go e no Po uguês oma a inicia i a 91
7.2. O aco do S and-by de 1983 92
7.3. P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1978 96
7.4. Re isão do aco do S and-by em 1984 98
7.5. P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1984 102
7.6. Pedido de dispensa: dí ida ex e na de cu o 103
7.7. Po ugal abandona o Aco do S and-by an ecipadamen e 104
7.8. Consul a anual do a igo IV de 1985 107
7.9. Causalidade: 1983-1985 109
8. CAUSALIDADE: O FMI E OS CICLOS DE DESEQUILÍBRIO E AJUSTAMENTO
DA ECONOMIA PORTUGUESA ENTRE 1975 E 1985 114
9. CONCLUSÃO 120
10. BIBLIOGRAFIA 122
11. ANEXOS 133
11.1. Anexo :Mecanismos de Financiamen o do FMI. 133
11.2. Aco do S and-by de 1977 135
11.3. Anexo: Aco do S and-by de 1978 137
11.4. Anexo: Aco do S and-by de 1983 139
11.5. Anexo: Causalidade 1978 142
11.5.1. Anexo: Indicado es de compe i i idade Po ugueses (1975-1979) 142
11.5.2. Anexo: Dinhei o, C édi o, Velocidade e Ju o (1975-1980) 143
11.5.3. Anexo: E olução da axa de câmbio (1975-1980) 144
11.6. Anexo: Causalidade 1983 145
11.6.1. Anexo: Indicado es de pe o mance do comé cio (1973-1982) 145
11.6.2. Anexo: Índice de e olução da axa de câmbio Po uguesa (1977-1983) 146
11.6.3. Di e enciais de axa de ju o en e Po ugal e EUA (1976-1982) 147
11.7. Anexo: Causalidade 1985 148
11.7.1. Anexo: Índice de e olução da axa de câmbio Po uguesa (1977-1984) 148
1
1. In odução
Es a disse ação inse e-se no Mes ado de Ciência Poli ica e Relações In e nacionais,
da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa e isa
iden i ica as elações de causalidade en e a in e enção do Fundo Mone á io In e nacional
(FMI) em Po ugal e a e olução da si uação económica Po uguesa en e 1975 e 1985.
A mo i ação pa a a sua elabo ação deco e do ema se ele an e e cons i ui um
obje o de es udo impo an e no quad o da o mação ecebida. Embo a o ema seja obje o de
as a bibliog a ia, p opomos uma abo dagem ino ado a que eco endo aos no os dados
disponí eis, como a publicação dos a qui os con idenciais do FMI, nos pe mi i á
comp eende melho as dinâmicas des e p ocesso e i a no as conclusões sob e o mesmo.
Pa a elabo a es a disse ação u iliza emos como base me odológica o mé odo da
causalidade p ocessual quali a i a (Maxwell, 2012), depois de e i ica mos se a mais
adequada ao seu obje o. A aplicação des a me odologia passa á pela elabo ação de uma
na a i a que desc e e á as conexões causais, c onológicas e con ex uais en e os e en os
analisados. Pa a e o ça a alidade da análise ado a emos uma es a égia de iangulação das
on es e mé odos de ecolha u ilizados pa a ca ac e ização do p ocesso, combinando on es
p imá ias, uma análise eó ica de base bibliog á ica e en e is as a alguns in e enien es
di e os nes e p ocesso.
Pa a além da me odologia escolhida, es a disse ação di e encia-se dos es udos
exis en es sob e o ema, em di e sos ou os aspe os.
O ema é no malmen e abo dado de uma o ma unidimensional. No en an o, o
con ex o em que es e p ocesso deco eu esul a de uma cons an e in e ação en e a dinâmica
in e na e ex e na que se ão adap ando e e oluindo. Uma ez que os a o es con ex uais são
undamen ais pa a comp eende es e pe íodo e di icilmen e eplicá eis ou compa á eis com
ou os, nes e abalho damos um especial en oque à ca ac e ização das dinâmicas ex e nas e
in e nas que de ini am o p ocesso.
O segundo aspe o di e enciado des e p oje o é o ac o de analisa 10 anos de
in e enção do FMI em Po ugal como um p ocesso único que se subdi ide em ês ases
8
a i ma que p eços das commodi ies êm endência a de e io a -se em elação aos bens
indus iais no longo p azo, uma ez que a p ocu a des es bens é inelás ica ao aumen o dos
endimen os, es ando dependen es das endências da p ocu a global e dos e ei os das
ino ações ecnológicas (P ebisch, 1950).
A p ocu a dos países desen ol idos po bens p imá ios, p incipais expo ações dos
países em desen ol imen o, não acompanhou o aumen o dos endimen os, o que c iou
di iculdades pa a es es países equilib a em as suas con as ex e nas e ge ou um ala gamen o
das dispa idades en e países desen ol idos e em desen ol imen o, bem como en e os países
em desen ol imen o (Uni ed Na ions: Depa men o Economics and Social A ai s , 2017).
Em 1965, o endimen o pe capi a médio nos países desen ol idos a ingiu 1.725
dóla es po ano, em compa ação com a média de 157 dóla es nos países em desen ol imen o,
e i icando-se den o do uni e so conside ado de países em desen ol imen o g andes
di e enças de desempenho (Uni ed Na ions: Depa men o Economics and Social A ai s ,
2017).
Na úl ima me ade da década começa am a su gi os p imei os sinais de ins abilidade.
No as po ências come ciais como o Japão e a Alemanha e o su gimen o de á ios países
independen es, como consequência do p ocesso descolonização, le a am a um aumen o da
compe ição e a uma al e ação dos equilíb ios in e nacionais (De ine, 2007).A
des egulamen ação inancei a, o aumen o das axas de in lação, que a ingi am alo es
ele ados em di e sos países desen ol idos, e as mudanças nas polí icas económicas e
mone á ias pa a comba e es a ealidade, i iam a de e mina o im da época de ou o do
capi alismo.
2.1.2. A época das c ises: 1971-1975
O Sis ema de B e on Woods encon a a-se sob e p essão desde a segunda me ade da
década de 60, ace a pe da de c edibilidade dos EUA como ga an e impa cial do sis ema, a
uma maio ins abilidade económica e às c ises de á ias moedas eu opeias como o anco e a
lib a es e lina e as consequen es des alo izações das mesmas (Ga be , 1993). Es a si uação
colocou mais p essão sob e o dóla e aumen ou a dependência do sis ema mone á io
in e nacional dos dé ices come ciais e iscais dos Es ados Unidos da Amé ica.

9
Simul aneamen e, na Ci y de Lond es o am c iados os p imei os Eu obonds,que na
p á ica consis iam em ob igações ao po ado emi idas na Eu opa e con e í eis em Dóla es a
um alo de inido com ju os. Es as ob igações esul a am do ap o ei amen o das debilidades
legais na Eu opa, como o sigilo bancá io Suíço e o enquad amen o iscal Luxembu guês, pa a
ul apassa as limi ações à li e ci culação de capi al impos as pelo Sis ema de B e on
Woods, ou seja, o p incipio base do sis ema de que as moedas pe enciam aos países que as
emi iam e não exclusi amen e aos indi íduos oi co ompido (Bullough, 2018).
Em consequência hou e uma mul iplicação descon olada dos Dóla es, uma ez que
es es e am ein es idos e mul iplicados a a és do sis ema bancá io, c iando opo unidade
pa a que oco essem o es a aques especula i os ao Dóla , ap o ei ando a possibilidade de
a bi agem c iada pelas axas de ju o mais ele adas em á ios países Eu opeus (Uni ed
Na ions: Depa men o Economics and Social A ai s , 2017).
Nes e con ex o, os dé ices Ame icanos jun a am-se a uma mul iplicação des egulada
dos dóla es em ci culação. Es es Dóla es se iam ob iga o iamen e con e í eis em ou o, mas
as ese as de ou o não pude am acompanha es e g ande aumen o, de ido aos
desen ol imen os no me cado p i ado de ou o e po que pa a adqui i ou o se ia necessá io
inse i mais dóla es no sis ema, pe pe uando o p oblema (Bullough, 2018).
Face a es as p essões, o dóla abandonou a sua con e ibilidade em ou o, pondo im
ao egime de axas de câmbio ixas e des alo izou em elação às p incipais moedas, endo a
des alo ização alcançado os 12% em 1971.
Na impossibilidade de es abelece um no o egime de axas de câmbio ixo, embo a
enham exis ido di e sas en a i as, como o aco do de Smi hsonian, a maio ia dos países
acabou po op a po axas de câmbio lu uan es que, ace às c escen es p essões
in lacioná ias, o am ma cadas po g andes a iações (Ga be , 1993).
Assim, o Sis ema de B e on Woods oi abandonado e com ele o enquad amen o
egula ó io que es e e na génese da es abilidade económica dos anos 50 e 60, iniciando-se o
pe íodo de des egulamen ação inancei a que ainda hoje pe sis e.
Em 1973, oco eu o p imei o choque pe olí e o em consequência do emba go
impos o pela O ganização dos Países Expo ado es de Pe óleo Á abes (OAPEC) aos países
que, a seu e , inham apoiado Is ael du an e a Gue a de Ou ub o. Países como os Es ados
Unidos da Amé ica, Reino Unido e Canadá o am a e ados po es e emba go, (Po ugal oi
ambém incluído mais a de), o que e e como consequência um aumen o ab up o do p eço
10
do pe óleo, que quad uplicou en e 1973 e 1974 (Uni ed Na ions: Depa men o Economics
and Social A ai s , 2017) .
As p essões in lacioná ias ge adas pelo choque pe olí e o o am ag a adas pelo
aumen o do p eço dos p odu os alimen a es, de ido a uma queb a de p odução coinciden e
com o aumen o da p ocu a (Uni ed Na ions: Depa men o Economic and Social A ai s,
1974). Em consequência, e i icou-se uma subida mui o acen uada da in lação nos países
desen ol idos, que passou de uma média de 5,1 po cen o em 1971 pa a 10,4 po cen o em
1975.
Es a ins abilidade na economia mundial p o ocou uma queda no me cado de ações
em 1973-1974 e uma desacele ação do c escimen o nos países desen ol idos, com um
aumen o acen uado das axas de desemp ego. O g au em que os di e sos países o am
a e ados a iou, mas os e ei os nega i os ize am-se sen i em odas as economias
desen ol idas (Uni ed Na ions: Depa men o Economics and Social A ai s , 2017)e em
pa icula na Eu opa me idional (Lopes J. S., 2004).
O con ex o económico único que ma cou es a época ge ou, pela p imei a ez
es ag lação, ou seja, ele adas axas de in lação, c iadas pelo aumen o dos cus os,
simul aneamen e ao aco c escimen o económico e ao aumen o do desemp ego. Po es e se
um enómeno no o, hou e uma g ande di iculdade de espos a po pa e dos di e sos
go e nos e en idades in e nacionais. As en a i as de con ola a in lação a a és da es ição
ao c édi o, com o aumen o das axas de ju o, apenas aumen a am as di iculdades com o
se iço da dí ida em di e sos países em desen ol imen o. Ao mesmo empo, as en a i as de
equilib a a balança de pagamen os a a és da con ação da p ocu a, seja a a és da
dep eciação da moeda ou das es ições ao comé cio, con ibuí am pa a um ag a amen o da
si uação, com um ab andamen o da a i idade económica global, não conseguindo con a ia
os p oblemas causados pelo choque pe olí e o, (Dell, 1981) que i iam a exigi mudanças
es u u ais nas economias.
2.1.3. O Fundo Mone á io In e nacional 1945-1975: E olução da
condicionalidade
As duas g andes gue as e a dep essão económica que ma cou o inal dos anos in e e
p incípio dos anos in a mos a am a necessidade de c ia um sis ema económico que
11
subs i uísse o ácuo de eg as ela i as à ci culação de capi al, ao câmbio e ao comé cio
in e nacional que o na am o sis ema mone á io ins á el e não-coope a i o, e i ando a
epe ição des as pe u bações económicas e c iando condições pa a uma ápida ecupe ação
económica dos países en ol idos no con li o (Oli ei a, Maia, & Ma iano, 2008).
Em Julho de 1944, após mais de 2 anos de negociações, os ep esen an es da Aliança
das Nações Unidas euni am-se em B e on Woods pa a de ini um no o sis ema mone á io
in e nacional.
O sis ema que esul ou des a con e ência, conhecido pelo nome da cidade que a
acolheu, B e on Woods, em New Hampshi e, ca ac e iza a-se po se um sis ema de câmbios
ixos, onde os memb os es abeleciam uma pa idade das suas moedas nacionais com uma
moeda de ese a, comp ome endo-se a man e as axas de câmbio num limi e de lu uação
de 1% sob e a pa idade es ipulada. A moeda de ese a do Sis ema e a o Dóla Ame icano
que po sua ez oi inculado ao ou o à axa de 35 dóla es po onça de ou o (Oli ei a, Maia,
& Ma iano, 2008).
Na p á ica o Sis ema de B e on Woods es abeleceu um sis ema de pagamen os com
base no dóla , onde odas as moedas se de iniam em elação ao dóla e o dóla em elação ao
ou o. Es e p incípio, exigiu um enquad amen o egula ó io que pe mi isse aos Es ados
con ola a sua moeda e limi a a ci culação de capi ais en e países. Es as limi ações não
p e endiam impedi in es imen o de longo p azo além- on ei as, mas sim e o ça o con olo
sob e as moedas e e i a in es imen os especula i os que des abilizassem o sis ema
(Bullough, 2018).
Os dois pila es ins i ucionais de B e on Woods e am o BIRD e o FMI. O BIRD, que é
uma das cinco agências que compõem a ualmen e o G upo do Banco Mundial, oi do ado de
uma capi alização de 10 biliões de dóla es des inados a inancia a ecupe ação no pós-gue a
e a p omo e o desen ol imen o económico
O FMI, que cons i ui o oco p incipal des a disse ação, oi c iado em 1944 na
Con e encia de B e on Woods, e ins i uído o malmen e em 27 de Dezemb o de 1945,
quando os p imei os 29 países assina am os A igos do Aco do (Bo do, 1993).
O FMI em como ó gão máximo o Conselho de Go e nado es, nomeados pelos
Es ados-memb os e esponsá el pelas p incipais decisões poli icas. O Conselho nomeia uma
Comissão Execu i a em quem delega a ges ão co en e das ope ações. Es a, po sua ez,
elege um Di e o Execu i o.
12
O núme o de o os de cada Es ado-memb o é de inido pelo amanho da sua quo a. A
cada Es ado-memb o do FMI é a ibuída uma quo a de aco do com o seu pode económico
ela i o, sendo que em unção da quo a a ibuída, os Es ados-memb os de em paga uma
subsc ição, (25% da mesma, que co esponde à anche de ese a, em ou o, dóla es ou ou o
bem de ese a e 75% em moeda nacional), ao FMI.
As quo as, que o iginalmen e o aliza am 8,8 biliões de dóla es, podem se e is as de
5 em 5 anos, caso a maio ia do Es ados-memb os es eja de aco do (Bo do, 1993).
Cons i uindo-se como o pila p incipal do Sis ema de B e on Woods, o FMI inha
como obje i os a expansão e o c escimen o equilib ado do comé cio in e nacional e a
p omoção da es abilidade cambial (os Es ados-memb os apenas pode iam al e a a axa de
câmbio das suas moedas em mais de 10% com a ap o ação do FMI), e a eliminação das
es ições cambiais a a és do es abelecimen o de um sis ema mul ila e al e libe al de
pagamen os e ans e ências in e nacionais (Gui ian, 1981) .
O FMI e e, ambém, desde a sua génese, a missão de unciona como on e de apoio
inancei o aos Es ados-memb os que en en assem p oblemas eais ou po enciais de
desequilíb io na balança de pagamen os, disponibilizando empo a iamen e os seus ecu sos
ge ais de o ma a p opo ciona uma opo unidade pa a co igi esses desajus es sem eco e
a medidas des u i as da p ospe idade nacional ou in e nacional (Bo do, 1993) (Golds ein,
2000).
Des a o ma, o FMI p ocu a a eduzi a du ação e o g au de desequilíb io da balança
de pagamen os ex e nos dos seus memb os, que pode iam agiliza o sis ema.
A pe secução des es obje i os le a ia a um e o ço da coope ação económica e
inancei a en e os países memb os, a qual, po sua ez, aumen a ia o bem-es a económico
mundial p omo endo ele ados ní eis de emp ego, endimen o e c escimen os económico
(Gui ian, 1981).
O FMI desen ol eu e adap ou con inuamen e um conjun o de polí icas e
p ocedimen os que egulam o acesso aos seus ecu sos pelos países memb os. Es e conjun o
de polí icas e p ocedimen os ep esen a a condicionalidade, ou seja, o conjun o de polí icas
que o FMI espe a que os seus memb os apliquem de o ma a pode em a acede ao seu
inanciamen o (Gold, 1979).
Se á sob e o desen ol imen o e aplicação da condicionalidade que cen a emos a
nossa análise. No en an o, uma ez que a condicionalidade es á in insecamen e ligada à
13
e olução do ambien e económico in e nacional e à adap ação que o FMI lhe ez, a emos
ambém uma análise da sua e olução ao longo do empo.
O deba e sob e a condicionalidade é an e io à con e ência de B e on Woods, sendo
que logo em 1943, quando se começou a es uda a possibilidade da c iação do FMI, as
condições de acesso ao inanciamen o o am um pon o de discó dia. As p incipais igu as
des a discussão o am Ha y Whi e, ep esen an e dos Es ados Unidos, e John Keynes,
ep esen an e do Reino Unido, que de am oz a duas isões di e en es.
O Reino Unido e p a icamen e odos os ou os países en ol idos nas negociações
deseja am que o FMI osse um a o passi o, não in e e indo a i amen e nas polí icas
económicas dos seus memb os, e ga an isse o acesso di e o ao inanciamen o de apoio à
balança de pagamen os. Po ou o lado, os Es ados Unidos da Amé ica opunham-se a um
FMI passi o. Es a posição de ia-se ao ac o de os E.U.A. conside a em que o Reino Unido e
os es an es memb os se iam po encialmen e países em dé ice, que p ocu a am
inanciamen o assegu ado, o que naquele momen o, pós II Gue a, só pode ia se
disponibilizado pelos E.U.A. (Dell, 1981).
Ou o pon o de discó dia consis ia na posição assumida pelo Reino Unido de de esa
de que os desequilíb ios da balança de e iam se comba idos a a és de medidas dissuaso as
pa a os países com dé ice, mas ambém pa a os países com supe a i . Es a segunda
componen e inha a oposição dos E.U.A. (Lopes J. S., 2004).
O deba e sob e a condicionalidade es endeu-se a é à ealização da con e ência de
B e on Woods em Julho de 1944, sendo impo an e des aca os in ensos deba es nas euniões
de p epa ação da mesma, que deco e am em A lan ic Ci y em Junho, e que esul a am numa
apa en e i ó ia da posição do Reino Unido (Dell, 1981).
A o mulação que saiu das euniões de A lan ic Ci y oi incluída no ex o inal do
aco do de B e on Woods, onde o ema da condicionalidade não oi deba ido de ido à sua
sensibilidade pa a os E.U.A. e à opinião dos es an es países de que a ques ão e ia icado
escla ecida em A lan ic Ci y (Dell, 1981). Nes e con ex o, a maio ia dos países a i icou o
aco do con ic os que o FMI não e ia o di ei o de nega o acesso ao inanciamen o dos seus
memb os, den o das eg as e limi es de inidos pelos a igos (Lopes H. M., 2015) (Dell,
1981).
No en an o, os E.U.A. não desis i am da sua isão pa a o FMI como um a o a i o e
com capacidade de supe isão no acesso ao inanciamen o e, não endo conseguido impo a

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sua p opos as em B e on Woods, ize am-no pos e io men e, p essionando a Comissão
Execu i a a in oduzi egulamen ações nesse sen ido, como condição pa a a libe ação de
ecu sos pa a o FMI.
Logo em 1947 deu-se o p imei o passo na imposição da condicionalidade, com a
decisão da comissão execu i a de a ibui ao FMI o di ei o de desa ia as p e ensões dos seus
memb os ao inanciamen o den o dos limi es de inidos pelos a igos (Ho se ield, 1969).
Em 1950 o FMI encon a a-se bloqueado, não exis indo qualque le an amen o
egis ado nesse ano (Dell, 1981). Es a si uação de ia-se em pa e ao ac o dos países
ab angidos pelo Plano Ma shall pode em apenas excecionalmen e aze le an amen os de
dóla es no FMI, mas, ambém, à insis ência Ame icana pa a uma supe isão ape ada, o que
bloqueou o inanciamen o a países como a Holanda e a Á ica do Sul.
Com is a a in e e es a si uação, Camille Gu , Di e o a Execu i a do FMI, a ançou
com uma p opos a, em no emb o de 1950, que p e endia liga o di ei o a aze le an amen os
no FMI ao comp omisso dos memb os em aplica de e minadas medidas com is a a esol e
os desequilíb ios na balança de pagamen os (Gui ian, 1981) (Ho se ield, 1969).
Embo a a p opos a enha ido a oposição de á ios países como o Reino Unido e a
F ança, que desa ia am inclusi amen e a sua legalidade, ela acabou po se ap o ada pela
maio ia dos memb os, endo o mesmo acon ecido com a p opos a Ame icana de impo o
limi e máximo de cinco anos pa a o eembolso dos le an amen os (Ho se ield, 1969).
A decisão da comissão execu i a de 13 de e e ei o de 1952 consag ou o icialmen e o
p incípio da condicionalidade (Dell, 1981).Es a decisão não esul ou da con icção da maio ia
dos memb os, mas da sup emacia dos E.U.A. de quem o inanciamen o do FMI es a a
dependen e. A condicionalidade oi a eg a impos a pelos E.U.A. pa a a libe ação dos undos
que pe mi i iam aos países memb os acede ao inanciamen o pa a aze ace aos
desequilíb ios nas suas balanças co en es (Ho se ield, 1969).
Apesa de e nascido no quad o de uma imposição polí ica, a condicionalidade
baseou-se em di e sos p incípios acionais como a limi ação do isco mo al na u ilização dos
ecu sos do FMI e a p o eção desses mesmos ecu sos. O uncionamen o do FMI em como
base a coope ação en e os di e sos Es ados-Memb os, baseando-se na o ação dos ecu sos
de aco do com as necessidades ( e anexo 11.1 Mecanismos de inanciamen o do Fundo). O
incump imen o de um memb o pa a com o FMI coloca em causa o apoio a odos os ou os
15
memb os e a condicionalidade p ocu a limi a es es incump imen os, eduzindo a exposição
do FMI (Gui ian, 1981).
A condicionalidade ins i uída pela decisão execu i a an es e e ida es abeleceu como
p incípios o ien ado es que as decisões do FMI, ela i as a pedidos de assis ência, es a iam
dependen es da a aliação ei a ao desequilíb io subjacen e, designadamen e se es e inha ou
não uma na u eza empo á ia e se as poli icas p opos as e am adequadas à sua esolução
den o de um de e minado pe íodo, es abelecido en e 3 a 5 anos.
Excluídos des es condicionalismos es a am os le an amen os com base nos 25%
co esponden es à quo a de ese a (Dell, 1981). A anche de ou o ou anche de ese a,
ep esen a o di ei o incondicional dos Es ados-memb os aze em le an amen os jun o do FMI,
sem cus os, endo apenas de ap esen a uma decla ação demons ando a necessidade do
le an amen o po ques ões elacionadas com o equilíb io da balança de pagamen os.
O meio de inido pa a os memb os p ocede em a um pedido de assis ência oi o aco do
S and-by (Dell, 1981). Es e mecanismo oi concebido como um disposi i o de p ecaução pa a
ga an i aos memb os que não inham necessidade imedia a de ecu sos do FMI, mas que
pode iam i a necessi a de assis ência num u u o p óximo, e iam esse acesso quando
necessá io. No en an o, ans o mou-se apidamen e no eículo pa a aplicação de p og amas
de assis ência condicionada a países com necessidades imedia as de apoio (Gui ian, 1981).
O p ocedimen o subjacen e a es e aco do conc e iza-se em dois momen os. O
p imei o momen o é a elabo ação e en io da ca a de in enções po pa e do e Es ado-
memb o solici an e ao FMI, em que é ap esen ado o pedido o mal de apoio inancei o e as
polí icas económicas que o Es ado-memb o p e ende aplica de o ma a supe a o
desequilíb io e cump i as suas ob igações com FMI den o do pe íodo de e minado. Ainda
que es a ca a esul e de negociações com o FMI, é da exclusi a esponsabilidade do Es ado-
memb o, sendo assinada pelo P esiden e do Banco Cen al e pelo Minis o esponsá el pela
pas a das Finanças (Macedo, 2007).
O segundo momen o é o Aco do S and-by em si mesmo, que ep esen a a decisão da
comissão execu i a do FMI de ap o a a assis ência inancei a a um memb o e que de ine as
suas ca ac e ís icas, indicando o mon an e disponibilizado, as ob igações a cump i , a du ação
da assis ência, o alo dos eembolsos e as ci cuns ancias em que a assis ência pode se
suspensa (Macedo, 2007).
16
Foi sob e es e enquad amen o que o FMI uncionou a é ao início da década de 70. No
en an o, a expe iencia adqui ida ao longo das di e en es in e enções e a necessidade de
adap ação a no as ealidades in e nas, como a adesão de no os memb os e o su gimen o de
di e en es ipos de desequilíb ios de i ados da e olução do con ex o económico in e nacional,
le a am a al e ações no modelo de a uação do FMI ao longo des e pe íodo.
Na p imei a ase os p og amas de assis ência inham uma du ação máxima de um ano,
sendo que o inanciamen o es a a limi ado a 100% da quo a po ano ou 300%
cumula i amen e, com um pe íodo de amo ização de 3 a 5 anos (FMI, 2000). A cu a
du ação dos p og amas não signi ica a que os Es ados-memb os i essem ob iga o iamen e
que co igi os seus desequilíb ios num ano. Vá ios Es ados-memb os eco e am a
p og amas sucessi os a a és de no os aco dos S and-by. A cu a du ação es a a ligada à
condicionalidade, pois pe mi ia aze p e isões económicas e, ao mesmo empo, a alia a
implemen ação das medidas de inidas nos aco dos de o ma a p ocede a uma a aliação do
cump imen o dos mesmos. Es a análise se ia o pon o de pa ida pa a os u u os aco dos que
se iam eno ados, modi icados ou inclusi e bloqueados de aco do com es a (Gui ian, 1981).
Em 1955 oi es abelecido que o inanciamen o co esponden e à p imei a anche de
c édi o, equi alen e a 25% da quo a, excluindo a anche de ese a, se ia al o de um
eduzido g au condicionalidade (Dell, 1981). Os Es ados-memb os apenas inham que
demons a nos seus aco dos S and-by que a iam es o ços signi ica i os pa a supe a os
desequilíb ios na balança de pagamen os.
P og essi amen e o FMI ado ou polí icas e medidas com obje i os quan i icá eis
como base dos seus p og amas de assis ência. Es a opção de eu-se à necessidade de o na os
p og amas mais especí icos e p ecisos e, ao mesmo empo, pe mi i uma a aliação mais
co e a da implemen ação e esul ados dos mesmos (Gui ian, 1981).
Nes e sen ido, as a iá eis mais u ilizadas pelo FMI nos seus p og amas de assis ência
o am a expansão do c édi o in e no, publico ou p i ado, a exposição do Es ado e se o
público ao inanciamen o bancá io nacional e in e nacional, a ges ão das ese as em moeda
es angei a e o equilíb io do sis ema de p eços e salá ios (Gui ian, 1981) (Dell, 1981).
Respei ando o seu p incípio base de p omoção do comé cio in e nacional, o FMI
e i ou a aplicação ou in ensi icação de es ições ao comé cio a a és do uso da polí ica
come cial ou mone á ia como solução pa a os desequilíb ios da balança de pagamen os. No
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en an o, hou e casos especí icos em que al e ações às axas de câmbio e a c iação de
ba ei as come ciais o am aplicadas (Dell, 1981).
A maio capacidade do FMI pa a a alia a aplicação e os esul ados dos seus
p og amas le ou a no as al e ações na condicionalidade.
Em 1956 oi in oduzido o escalonamen o do acesso ao inanciamen o den o dos
P og amas S and-by em anches de c édi o supe io (Dell, 1981). Fo am de inidos in e alos
especi icados nos quais as di e en es pa celas do inanciamen o aco dado se iam libe adas,
median e o cump imen o dos obje i os de implemen ação das polí icas es abelecidas no
aco do S and-by.
Na sequência des a al e ação, o am c iados os c i é ios de desempenho em 1958
(Dell, 1981). O cump imen o des es c i é ios passou a se condição essencial pa a con inua a
acede aos ecu sos do FMI du an e os P og amas S and-by em anches de c édi o supe io .
A ecupe ação do di ei o de acesso ao inanciamen o em caso de incump imen o, es a a
dependen e da ex ensão do pe íodo pa a cump imen o dos c i é ios, de uma au o ização de
incump imen o e da enegociação do p og ama, com a c iação de no os c i é ios de
desemp enho, ou, em úl imo caso, da anulação do aco do S and-by e da negociação de um
no o.
Es as al e ações esul a am num e o ço da condicionalidade nos aco dos S and-by,
com um aumen o mui o signi ica i o da supe isão e in e enção do FMI. Es a e a jus i icada
pela maio capacidade em iden i ica possí eis des ios e alhas nos p og amas e, assim,
p ocede a co eções dos mesmos, le ando a esul ados mais posi i os pa a os Es ados
in e encionados e um meno isco pa a o Fundo (Gui ian, 1981).
Em 1963 oi c iado o P og ama de Financiamen o Compensa ó io que p ocu a a
esponde a p oblemas da balança de pagamen os associados a choques exógenos, que seja
pela queb a das expo ações e, ou, emessas inancei as, que pelo aumen o das impo ações,
numa p imei a ase apenas no caso de impo ação de ce eais. Os desequilíb ios passí eis de
se em co igidos, a a és do Financiamen o Compensa ó io, e am conside ados empo á ios,
ou seja, causados po um choque momen âneo e au oco e i o, não sendo necessá io um
aco do S and-By, excluindo nos casos em que es e inanciamen o e a incluído no âmbi o de
um aco do S and-by já exis en e, exigido quando os desequilíb ios e am mui o supe io es aos
explicados pelo choque exógeno (FMI, Re iew o he Compensa o y Financing Facili y,
24
O ganização Eu opeia de Coope ação Económica, a ualmen e O ganização pa a a
Coope ação e Desen ol imen o Económico (OCDE). No en an o, só nos anos 60 a abe u a
da economia Po uguesa a a és do comé cio se o nou uma p io idade pa a o egime.
En e 1960 e 1974 a economia Po uguesa passou po uma p o unda ans o mação
(Ne es, 1994) ma cada pelo desen ol imen o da indús ia e pela abe u a da economia
(Mu ei a, 1976).
O Es ado No o man e e uma ela i a es abilidade ins i ucional du an e odo es e
pe íodo, esis indo à doença e mo e de Salaza e aos es o ços, alhados, de libe alização
polí ica de Ma cello Cae ano. No en an o, o egime oi g adualmen e abandonando a sua
ace a p o ecionis a e u alis a, não obs an e es a enha man ido semp e alguma in luência, a
a o de uma apos a mais comp ome ida na indus ialização e no comé cio (Ne es, 1994).
A o igem des a mudança es á na en a i a do egime adap a a economia po uguesa
aos desen ol imen os da economia in e nacional, em pa icula , ao g ande c escimen o das
economias eu opeias na década de 60, ou seja, as ans o mações in e nas o am moldadas
pela eação ao con ex o ex e no (Mu ei a, 1976).
Es e es o ço de mudança e adap ação é demons ado pelas opções omadas nos á ios
planos de omen o que de ini am a es a égia económica nes a época.
O plano de omen o pa a 1959-64 assinala a i ó ia da indús ia ace à ag icul u a
como apos a do egime pa a acele a o c escimen o do p odu o nacional e melho a o ní el de
ida da população (Caei o, 2005). Foi ado ada uma es a égia de c escimen o baseada no
desen ol imen o indús ia com o e o ço das indus ias-base, es imulo ao es abelecimen o de
no as indús ias ans o mado as e eo ganização das indús ias exis en es.
Ao mesmo empo, oi ei o um es o ço pa a melho a o ambien e de negócios a a és
da edução do condicionamen o indus ial, da melho ia das in aes u u as e do in es imen o
na capaci ação da mão-de-ob a e na in es igação cien í ica.
Es e pe íodo oi ma cado pela adesão de Po ugal a á ias ins i uições in e nacionais
de ca iz económico como a EFTA em 1960, da qual oi memb o undado , o Banco Mundial
e o FMI em 1961 e o GATT em 1962. Es a in eg ação oi undamen al no desen ol imen o
do comé cio ex e no Po uguês, com uma edução signi ica i a das ba ei as ao comé cio que
conduziu a aumen o das expo ações e das impo ações. Con udo man e e-se a polí ica
p o ecionis a em elação a alguns se o es da economia (Ne es, 1994) endo Po ugal gozado
de um es a u o especial, sob o anexo G da Con enção de Es ocolmo.

25
Não obs an e alguma esis ência de alguns g upos económicos, a aplicação des e
p og ama inaugu a uma época de desen ol imen o e c escimen o económico. O PIB
Po uguês c esceu em média acima de 6% du an e a igência des e plano (Ne es, 1994),
conseguindo o País man e ao mesmo empo a es abilidade económica.
Nes e pe íodo, Po ugal egis ou axas de in lação baixas, es abilidade cambial, axas
de ju o p opícias ao in es imen o e man e e o desemp ego e a balança co en e con oladas.
Pa a es a ealidade con ibuiu signi ica i amen e o aumen o da emig ação, que eduziu a
p essão sob e o emp ego e aumen ou as ans e ências in e nacionais, c iando um supe a i
na balança de ans e ência que pe mi iu con apo o desequilíb io da balança come cial
(Ne es, 1994). No en an o, hou e um ligei o aumen o do dé ice, de ido ao aumen o dos
gas os de de esa com a gue a colonial.
A apos a na indús ia como mo o do desen ol imen o man e e-se no plano in e cala
1965-1967, que a ibuiu ambém um papel ele an e ao u ismo e à cons ução.
Es e p og ama su giu num con ex o ma cado pela gue a colonial e po uma maio
exposição ao ex e io da economia, de ida à in eg ação na EFTA e no GATT.
Nes e con ex o, o plano in e cala p ocu ou acele a o i mo de c escimen o
económico de o ma a ap oxima a economia nacional das es an es economias da Eu opa
Ociden al e ao mesmo empo lida com p essões adicionais c iadas pelo aumen o da
conco ência ex e na, pelos gas os em de esa e pelo es o ço de in eg ação económica das
colónias, com is a à c iação de um me cado nacional, sem comp ome e a es abilidade
mac oeconómica. Du an e es e pe íodo hou e um e o ço do papel da inicia i a p i ada na
economia e começam a su gi p eocupações com a di isão jus a do endimen o e com a
dis ibuição geog á ica dos in es imen os (Caei o, 2005).Ve i ica-se um acele a do i mo de
c escimen o, que se man em nos anos seguin es.
A es a égia ado ada no plano de omen o 1968-1973 man e e o oco na indús ia,
u ismo e cons ução pa a assegu a o c escimen o da economia, mas di e enciou-se dos seus
an ecesso es, pois canaliza a a maio pa e do in es imen o pa a se o es mais a asados no
ní el nacional, em pa icula a saúde, a ag icul u a e a educação, e não pa a a indús ia e
in aes u u as.
O desen ol imen o des es se o es oi conside ado undamen al pa a ga an i o
desen ol imen o u u o do país em e mos económicos e sociais. É impo an e e e i que o
desin es imen o na ag icul u a, que ca a e izou os planos an e io es, le ou a uma es agnação
26
do se o , o que aumen ou a dependência do País da impo ação de p odu os ag ícolas e le ou
à dese i icação do in e io , p edominan emen e ag ícola, pa a o li o al mais indus ializado
(Mu ei a, 1976). Es es e ei os i iam e consequências nega i as a longo p azo.
O plano em análise man em mui as das endências e obje i os dos seus an ecesso es
como o e o ço da inicia i a p i ada, a es abilidade mac oeconómica e a in eg ação dos
me cados nacionais, mas nele exis e um cla o e o ço das p eocupações sociais, sendo
ino ado na c iação de uma polí ica social com is a à melho ia da qualidade de ida das
populações (Caei o, 2005).
Fo am conc e izadas medidas que isa am uma dis ibuição mais equi a i a do
endimen o nacional e o equilíb io en e as á ias egiões, p eocupações já isí eis no
p og ama an e io , no que se e e e ao aumen o do ní el educacional da população e ao
mi iga das p essões mig a ó ias e do êxodo u al.
Pa a além das medidas an es e e idas, des acam-se as melho ias ao ní el das
es u u as e elações nas emp esas e o es ímulo à c iação de in aes u u as públicas
indispensá eis na educação, saúde, p e idência social e habi ação.
Apesa da aplicação des a polí ica, Po ugal man e e, a é ao 25 de Ab il, uma
dis ibuição do endimen o p óxima dos 50% en e o abalho e os luc os, dis anciando-se do
pad ão exis en e na maio ia das economias da Eu opa Ociden al, onde o endimen o do
abalho e a supe io ao dos luc os (Ama al, 2016).
O econhecimen o que o desen ol imen o da indús ia Po uguesa só se ia possí el
a a és do comé cio in e nacional le ou a um maio a as amen o do adicional
p o ecionismo es a al pa a com as indús ias nacionais.
En e 1968 e 1973 o PIB eal em Po ugal c esceu em média 7,4 %. Es e c escimen o
de eu-se à es a égia económica ado ada e a um con ex o in e nacional mui o a o á el, que
em conjun o c ia am um ambien e único pa a o c escimen o da economia Po uguesa.
As expo ações c esce am de o ma mui o acen uada, mais de 6% ao ano,
impulsionadas sob e udo pelo aumen o das expo ações de bens indus iais (Schmi , 1981),
u o da apos a no desen ol imen o indus ial.
Ou o con ibu o undamen al oi dado pelo bom momen o da economia in e nacional,
em especial na Eu opa, que con ibuiu pa a o aumen o da p ocu a de p odu os nacionais,
c iou um luxo c escen e de u is as e pe mi iu a abso ção de um núme o c escen e de
27
abalhado es mig an es Po ugueses (Schmi , 1981). Um pad ão cons an e du an e odo es e
pe íodo oi a edução do peso das colónias nas expo ações Po uguesas e o aumen o da quo a
dos países da Eu opa Ociden al.
A emig ação e e um papel cen al no desempenho da economia Po uguesa. Em 1973
ce ca de 14% da o ça de abalho Po uguesa es a a emig ada, a aída pelo g ande
c escimen o das economias da eu opa ociden al (Lopes J. S., 1982).
O g ande aumen o das expo ações oi ul apassado po um aumen o supe io das
impo ações e em consequência os dé ices da balança come cial aumen a am
p og essi amen e en e 1964 e 1973, sendo que o exceden e da con a co en e que se
alcançou nes a época só oi possí el de ido às ecei as do u ismo, ao aumen o dos luxos de
In es imen o di e o es angei o e, sob e udo, às emessas dos emig an es sem as quais
Po ugal e ia inco ido em dé ices ex e nos signi ica i os (Schmi , 1981).
Es a dependência das emessas dos emig an es como on e de inanciamen o da
balança de pagamen os coloca a a economia e ém de a o es ex e nos (Mu ei a, 1976),
agilidade econhecida pelo p óp io egime (FMI, 1966), e c ia a desajus es no
uncionamen o do me cado, que analisa emos seguidamen e.
O g ande luxo de emig ação pe mi iu man e um ní el de desemp ego baixo, em
o no dos 2% (Ne es, 1994), mas c iou p oblemas na cap ação de mão-de-ob a quali icada e
p essões sob e os salá ios eais, que c esce am a ce ca de 3 % ao ano nes e pe íodo.
Es a ealidade colocou p essão sob e os p eços, le ando a um aumen o da in lação
pa a alo es p óximos de 10% no início dos anos 70 (FMI, 1976). O aumen o da in lação e e
um impac o nega i o nos se o es menos compe i i os da economia, como a ag icul u a, mas
oi mi igado pelo c escimen o supe io da p odu i idade na indús ia e pela manu enção do
alo da moeda (Schmi , 1981).
A opção do egime pela manu enção das axas de câmbio pa a p ese a a
compe i i idade, num con ex o de exceden es da con a co en e, só oi possí el a a és de um
g ande aumen o das ese as o iciais b u as, sob e udo ese as de ou o, que em 1973
cob iam mais de 12 meses de impo ações (Schmi , 1981) (Lopes J. S., 2004).
A acumulação de uma das maio es ese as de ou o a ní el mundial oi c i icada
in e namen e, mas acabou po se mui o an ajosa, se indo pa a esponde a choques
ex e nos que pudessem pô em causa o ágil equilíb io da balança de pagamen os (Lopes J.
S., 2004) (FMI, 1966).
28
O aumen o das ese as c iou um aumen o da liquidez da economia e pe mi iu a
expansão do c édi o in e no em condições a o á eis (Schmi , 1981).
Um elemen o essencial no c escimen o da economia po uguesa oi o acesso a capi al
ba a o. As axas de ju o man i e am-se compe i i as, o que c iou um ambien e a o á el ao
in es imen o em ecnologias capi al-in ensi as.
No inico da década de 70 Po ugal inha um PIB pe capi a de ce ca de 900 Dóla es, a
ag icul u a já não e a o p incipal se o emp egado e mais de 60 % das expo ações e am de
p odu os indus iais, uma ealidade mui o dis in a da que se e i ica a em 1950.
2.2.2. A época dos choques: 1974-1975
Como e i icámos no pon o an e io , a década que an ecedeu a Re olução de 25 de
Ab il oi ma cada pelo bom desempenho económico do país, que man e e uma balança de
pagamen os exceden á ia a é 1973, supo ada po um ápido c escimen o das expo ações, do
u ismo e, sob e udo, pelas emessas dos emig an es (Lopes J. S., 1982).
Em 1974 a economia Po uguesa oi a ingida simul aneamen e po um conjun o de
choques que al e a am d as icamen e es a ealidade (Ab eu, 2005) (Lopes J. S., 2004).
Po ugal, enquan o país dependen e da impo ação de pe óleo, so eu um g ande
impac o com o quad uplica do p eço des a ma é ia-p ima du an e o p imei o choque
pe olí e o. Es e aumen o le ou a uma signi ica i a de e io ação dos e mos de oca, o ácio
en e o índice de p eço das impo ações e das expo ações (Lopes J. S., 2004),14 % a 18%
en e 1973 e 1975, com a consequen e pe da eal de pode de comp a, 5% a 6% no mesmo
pe íodo, e a uma maio p essão sob e a balança de pagamen os (Lopes J. S., 1982) (Schmi ,
1981).
Es a si uação le ou igualmen e a um g ande aumen o da in lação, que em 1974 oi
supe io a 24%, com múl iplas consequências económicas e sociais (K ugman & Macedo,
1979) (FMI, 1976).
A c ise pe olí e a e e consequências globais, causando um ab andamen o da
economia, oco endo em 1974 uma ecessão na economia mundial. Es a c ise limi ou a
capacidade de Po ugal expandi as suas expo ações de bens e se iços e, ao mesmo empo,
con ibui pa a a diminuição das emessas de emig an es, di icul ando o eequilíb io da
balança de pagamen os (Lopes J. S., 2004).
29
Foi nes e con ex o económico des a o á el que a Re olução Po uguesa oco eu.
En e a Re olução e o 25 de No emb o de 75, pe íodo que engloba a maio ia do espaço
empo al em análise, Po ugal i eu um clima de g ande ins abilidade polí ica e social que
impediu o no mal uncionamen o da a i idade económica.
Po ugal e e seis go e nos p o isó ios en e 74 e 75, esul an es de elações p ecá ias
en e o ças polí icas, mili a es e ci is que, com a possí el exceção do VI Go e no, o am
ó gãos execu i os acos, plenos de ensões e con adições in e nas, que os o na am
incapazes de aplica uma es a égia económica a longo p azo (Mu ei a, 1976). No âmbi o
des e p oje o não i emos analisa o impac o económico das medidas de cada um des es
go e nos de o ma isolada, mas an es as p incipais ans o mações e endências económicas
que ca ac e iza am es e pe íodo his ó ico.
Um dos obje i os do 25 de Ab il oi o im da gue a colonial e o econhecimen o da
independência das an igas colónias.
Es a decisão e e consequências impo an es pa a a economia po uguesa pois
signi icou a pe da de me cados adicionais pa a as expo ações, como Angola e Moçambique,
que, embo a i essem indo a pe de ele ância, con inua am a ep esen a uma pe cen agem
signi ica i a dessas expo ações, em 1973, 12% a 15%, que se eduziu d as icamen e a é 1975,
pa a 3% a 5% (Schmi , 1981) (Lopes J. S., 1982).
No en an o, a p incipal consequência da descolonização, em e mos económicos,
o am os e o nados. Nos anos que se segui am à Re olução ce ca de 600 mil po ugueses,
habi an es nas an igas colónias, eg essa am a Po ugal, conduzindo a um aumen o de ce ca
de 7% da população, com as consequências nos ní eis sociais e económicos que lhe es ão
associados (Lopes J. S., 2004) (Lopes J. S., 1982). Es e aumen o da população c iou
consequen emen e um aumen o da população a i a e dos abalhado es disponí eis, num
momen o de ecessão económica nacional e mundial, o que impossibili ou a sua ápida
abso ção (FMI, 1978).
O 25 de Ab il inaugu ou um pe íodo de p o undas ans o mações sociais e
económicas. Foi implemen ado um as o p og ama de nacionalizações, que ab angeu bancos,
segu ado as, as p incipais indús ias nacionais e, a a és da e o ma ag á ia, á ias
explo ações ag ícolas no sul do país. No o al, es e p og ama de nacionalizações adicionou à
es e a do Es ado mais de 25% do PIB e ce ca de 20% do emp ego (Schmi , 1981).

30
Um dos p incipais obje i os da Re olução e a a melho ia das condições de ida dos
abalhado es. Es a p io idade polí ica oi ap o ei ada pelos ecém- o mados sindicados,
se e amen e ep imidos du an e o Es ado No o, que consegui am aumen os dos salá ios de
93% em e mos nominais e aumen os en e 21% a 25% dos salá ios eais, en e 1973 e 1975,
e a implemen ação de uma polí ica de p o eção do abalho, que na p á ica, impedia os
despedimen os.
O aumen o dos salá ios eais oi conseguido a a és da manu enção da axa de câmbio
do escudo e da c iação de um sis ema de con olo de p eços, ei o pa a p o ege o aumen o do
pode de comp a, que se es endeu a di e sos bens e se iços (Lopes J. S., 1982). Es a polí ica
pe mi iu con ola a i icialmen e a axa de in lação, que se eduziu pa a ce ca de 16% em
1975 (Ne es, 1994) (FMI, 1976) .
Es a opção polí ica, num con ex o de con ação dos me cados ex e nos e de excesso
de mão-de-ob a disponí el, con ibuiu signi ica i amen e pa a a edução das expo ações e
aumen o das impo ações, le ando a um maio desequilíb io da balança de pagamen os e ao
aumen o da axa de desemp ego.
O aumen o dos cus os eduziu a p odu i idade e le ou a uma pe da de
compe i i idade nos me cados in e nacionais, com os p odu o es a apos a em no me cado
nacional, exis indo simul aneamen e uma ealocação do consumo pa a bens impo ados
ela i amen e mais acessí eis, ou seja, exis iu um aumen o das impo ações e edução das
expo ações, com um e ei o opos o ao necessá io pa a equilib a a balança de pagamen os que
e e um dé ice equi alen e a 6% do PIB em 74 e 75 (FMI, 1976).
A aplicação de um sis ema de con olo de p eços simul aneamen e com o aumen o dos
cus os colocou mui as emp esas em si uação di ícil, icando mui as na dependência de apoios
do Es ado pa a man e a sua a i idade (Lopes J. S., 1982).
Es a si uação eduziu a capacidade da economia abso e a mão-de-ob a adicional o
que con ibuiu pa a uma axa de desemp ego supe io a 6%.
O aumen o dos salá ios eais le ou ambém a uma al e ação da dis ibuição dos
endimen os en e salá ios e luc os, com os salá ios a aumen a em a sua p opo ção no
endimen o nacional, eduzindo a pe cen agem dos luc os (FMI, 1976) (Schmi , 1981).
Es a al e ação na dis ibuição do endimen o e e dois e ei os opos os. A edução dos
luc os le ou a uma diminuição do in es imen o o que, em e mos de equilíb io da balança de
31
pagamen os, oi posi i o, mas, po ou o lado, o aumen o do endimen o dos salá ios le ou a
um aumen o do consumo p i ado, acompanhado po um aumen o do consumo público.
O choque en es es es dois e ei os mode ou a queb a no PIB, que c esceu ce ca de 1%
em 1974 e caiu 4% em 1975, mas não e i ou um ag a amen o signi ica i o do dé ice da
balança de pagamen os (Schmi , 1981) (FMI, 1978). Os dé ices ex e nos e i a am liquidez
ao sis ema bancá io nacional, eduzindo o c édi o disponí el, o que e o çou a queb a no
in es imen o (Schmi , 1981).
A ins abilidade polí ica, as nacionalizações, os obje i os sociais da e olução, o
inanciamen o do es ado ao se o emp esa ial e o aumen o da população de ido aos
e o nados das ex-colónias, le a am a uma maio p essão sob e o se o público que expandiu
as suas despesas con ibuindo pa a o aumen o do consumo.
Es a expansão do Es ado oi acompanhada po um aumen o dos impos os, mas com
um ní el insu icien e pa a e i a que o se o público, exceden á io em 2% em 1973, passasse
a e um dé ice de 11% em 1975.
Como imos an e io men e, a axa de câmbio man e e-se cons an e de o ma p o ege
o aumen o eal dos salá ios. Es a opção comp ome eu a compe i i idade da economia
nacional, uma ez que a des alo ização da moeda pe mi i a con a ia a diminuição da
p odu i idade e le ou a uma p og essi a edução das ese as nacionais de ou o e moeda
es angei a (Schmi , 1981).
Mui o signi ica i os pa a o ag a amen o da si uação económica Po uguesa o am a
edução do u ismo e, p incipalmen e, das emessas dos emig an es, que como imos e am
undamen ais pa a o equilíb io ex e no de Po ugal.
A edução das emessas es á associada a di e sos a o es como a ins abilidade poli ica
que ma cou es es anos, a al a de con iança na manu enção da axa de câmbio e, em g ande
medida, às axas ju o mui o nega i as, endo em con a a in lação, nos depósi os a p azo,
p incipal ins umen o u ilizado pelos emig an es pa a coloca as suas poupanças (Schmi ,
1981) (Mu ei a, 1976).
As axas de ju o nega i as induzi am uma g ande uga de capi ais, com as es ições
c iadas a mos a em-se ine icazes. Nes e con ex o, hou e uma pe da de con iança no sis ema
mone á io e inancei o, o que le ou a uma diminuição da capacidade do sis ema bancá io
nacional pa a inancia a economia, aumen ando a necessidade de inanciamen o ex e no.
32
2.2.3. Po ugal e o FMI: 1961-1975
Como imos an e io men e, a década de 60 oi ma cada pela in e nacionalização da
economia Po uguesa. É nes e con ex o que Po ugal ade iu ao Fundo Mone á io
In e nacional e ao Banco In e nacional pa a a Recons ução e Desen ol imen o em 29 de
ma ço de 1961.
O p imei o ela ó io elabo ado pelo FMI sob e Po ugal oi em 1948. Nele oi ei a
uma ca ac e ização ge al da economia (Thou enin, 1948). No en an o, en e a elabo ação
des e ela ó io e o início do p ocesso de adesão, as elações en e Po ugal e o FMI o am
bas an e limi adas. Não exis i am no os ela ó ios sob e a economia Po uguesa e as
e e ências a Po ugal que podemos encon a nos a qui os do FMI são poucas e dizem
espei o, sob e udo, à celeb ação de aco dos de comé cio com ou os países como a G écia e
a Indonésia.
Em 4 de agos o de 1959, a a és do embaixado em Washing on, Luís Es e es
Fe nandes, o Go e no de Po ugal pediu o malmen e adesão ao Fundo Mone á io
In e nacional e ao Banco In e nacional pa a a Recons ução e Desen ol imen o (FMI, 1959).
Após es e pedido de adesão inicia am-se as negociações en e Po ugal e o Fundo com
is a a es abelece as condições de adesão e, especialmen e, o amanho da quo a a a ibui e a
pe cen agem da mesma que de e ia se paga em ou o (FMI, 1959).
A quo a po uguesa oi de inida no limi e de 60 milhões de dóla es, den o do
in e alo p opos o pelos écnicos do FMI que ia de 55 a 65 milhões (FMI, 1959), com 25%
da subsc ição a se paga em ou o, endo em con a a exis ência no país de ese as
ela i amen e ele adas ase ao PIB, e o es an e pago em Escudos (FMI, 1959), após a
de inição da sua pa idade. Fo am ainda es abelecidos os aspe os o mais da adesão,
designadamen e o de e de consul a pa a al e ações à axa de câmbio e o pe íodo pa a adesão,
que oi es abelecido em 6 meses, podendo po azões de o dem in e na ha e uma
p o ogação do p azo (FMI, 1959).
Po ugal acei ou os e mos de adesão p opos os em se emb o de 1959, endo o pe íodo
de adesão sido iniciado o icialmen e a 29 de se emb o. Logo em e e ei o de 1960 oi
en egue um pedido pa a ex ensão po mais 6 meses do pe íodo pa a adesão (FMI, 1960)
de ido a cons angimen os in e nos. A es e pedido, segui am-se mais dois, em Julho de 1960
33
e em no emb o do mesmo ano, acei es pelo FMI, e que es abelece am a da a limi e pa a
adesão no dia 31 de Ma ço de 1961 (FMI, 1960)
Po ugal o nou-se o icialmen e memb o do Fundo Mone á io In e nacional e do
Banco In e nacional pa a a Recons ução e Desen ol imen o no dia 29 de Ma ço de 1961,
com a assina u a dos A igos do Aco do com ambas as ins i uições em Washing on pelo
embaixado , Luís Es e es Fe nandes, em ep esen ação do Es ado Po uguês (FMI & BIRD,
1961).
Após a adesão, inicia am-se as negociações pa a es abelece a pa idade do Escudo
com o ou o e o Dóla , ao alo de Julho de 1944, e e encia u ilizada pelo FMI a é à c iação
dos SDR, endo o FMI, após a aliação écnica, acei e a p opos a po uguesa que es abeleceu
a pa idade de 28.75 Escudos po Dóla em Julho de 1944 (Nunes & Valé io, 2005) (FMI,
1962).
En e a adesão Po uguesa e Julho de 1975 a elação com o FMI, pa a além das
ob iga ó ias consul as anuais no âmbi o do a igo IV en e o FMI e o Go e no onde e a ei o
um enquad amen o do con ex o económico e iden i icados os p incipais desen ol imen os,
e e alguns pon os ma can es que des aca emos em seguida.
Em e e ei o de 1964 o Banco de Po ugal, em ep esen ação do Go e no Po uguês,
ez um pedido de assis ência écnica ao FMI pa a adap ação do sis ema inancei o nacional às
necessidades de inanciamen o pa a o desen ol imen o económico. O FMI acedeu a es e
pedido en iando dois écnicos pa a Po ugal po ês meses (FMI, 1964)
Em dezemb o de 1966 e julho de 1969 a ap o ação po pa e da Assembleia Ge al das
Nações Unidas de esoluções con á ias a Po ugal, p essionando a descolonização
Po uguesa e econhecendo o di ei o à independência das colónias, e e consequências na
elação de Po ugal com o FMI.
Ambas as esoluções apela am a odas as agências especializadas da ONU e, em
pa icula ao FMI, pa a e ea a assis ência écnica ou inancei a a Po ugal a é o Go e no
Po uguês implemen a a esolução nume o 1514 da Assembleia Ge al das Nações Unidas
(FMI, 1966) (FMI, 1969). Po ugal não ez qualque ou o pedido de assis ência écnica ou
inancei a ao FMI a é à Re olução do 25 de Ab il.
Em 1971, no âmbi o de um ealinhamen o das moedas, Po ugal comunicou ao FMI a
al e ação da pa idade do Escudo em elação ao Dóla , que passou a se de 27.15 Escudos pa a
40
Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y, 1975). Es a si uação oi ag a ada pela
descolonização de Angola, onde exis ia capacidade de p odução de pe óleo.
No que diz espei o ao cump imen o dos p incípios do FMI, Po ugal inha
in oduzido em Maio de 1975 uma sob e axa sob e impo ações, que se aplica a a ce ca de
45% do seu olume, e que mesmo endo um ca a e empo á io a é ao im de 1976,
con a ia a os e e idos p incípios. Toda ia, endo em con a a si uação especial em que o país
se encon a a o FMI não conside ou que es e osse um impedimen o no acesso ao
inanciamen o, icando Po ugal ob igado a consul a o FMI em caso de p e ende aze
al e ações ou in oduzi no as es ições ao comé cio (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he
Oil Facili y, 1975).
Ve i icámos na análise an e io que o desequilíb io da balança de pagamen os oi o
esul ado de uma mul iplicidade de choques simul âneos, não podendo se a ibuída apenas
ao choque pe olí e o. Es a si uação é econhecida po Po ugal e pelo FMI, sendo que no
p óp io pedido en iado pelo Go e no Po uguês, a a és do Go e nado do Banco de
Po ugal José Sil a Lopes, é econhecido que o choque pe olí e o e a esponsá el po apenas
30% do dé ice da balança de pagamen os (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y,
1975).
Tal ez po es a azão, o memo ando en iado po Po ugal ao FMI com as medidas
que se p opunha aplica pa a ecupe a o equilíb io da balança de pagamen os, não se limi ou
a ques ões ene gé icas, incluindo um as o conjun o de medidas que isa am adap a a
economia à no a ealidade c iada pela Re olução.
Em elação à ques ão ene gé ica, o Go e no Po uguês e e iu um conjun o de
medidas pa a eduzi as impo ações de pe óleo e de i ados, em pa icula o aumen o do
p eço dos combus í eis, do qual ica am excluídos os combus í eis pa a uso indus ial, e o
e o ço da p ospeção de pe óleo em Po ugal pa a u u a explo ação (FMI, Po ugal -
Pu chase Unde he Oil Facili y, 1975).
Quan o ao desequilíb io da balança de pagamen os em ge al o memo ando é mui o
mais exaus i o, ap esen ando um p og ama de polí ica inancei a e económica que de aco do
com o Go e no Po uguês isa a no médio p azo uma ans o mação da es u u a do
comé cio in e nacional Po uguês, a edução dependência da balança de pagamen os das
emessas dos emig an es e a melho ia da balança come cial, com o aumen o da p odu i idade
nacional (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y, 1975).

41
Nes e sen ido, o am ap esen adas di e sas medidas que incluíam:
O econhecimen o da necessidade de pe mi i um aumen o dos p eços domés icos
pa a a ecupe ação da indús ia nacional e um con olo acional do aumen o dos salá ios de
o ma a ecupe a a compe i i idade in e nacional. O Go e no e e ia ainda o congelamen o
dos salá ios que oi impos o a é ao im de 1975 e comp ome eu-se com a c iação de uma
no a polí ica de salá ios que i esse em con a a ealidade económica (FMI, Po ugal -
Pu chase Unde he Oil Facili y, 1975).
O Go e no comp ome eu-se igualmen e a man e uma abo dagem lexí el à axa de
câmbio, pe mi indo a des alo ização do escudo, a oma medidas pa a con olo da expansão
do c édi o bancá io domés ico, que não de e ia ul apassa os 100 biliões de Escudos, e a não
in oduzi no as es ições ao comé cio, mas ea i mando a manu enção da sob e axa a
algumas impo ações a é ao im de 1976 (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y,
1975).
Ou o pon o abo dado no memo ando oi o o çamen o de Es ado pa a 1976 e a
in enção Po uguesa de eadqui i um maio equilíb io das con as públicas a a és de um
aumen o das ecei as com impos os indi e os e da edução das despesas em subsídios ao
consumo e à indús ia, diminuindo des a o ma as necessidades de c édi o do se o publico
que não excede ia os 30 biliões de Escudos (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y,
1975).
Po úl imo, são ap esen adas medidas pa a comba e a uga de capi ais, como os
limi es com despesas em u ismo e um maio con olo do Banco de Po ugal sob e as
ans e ências in e nacionais (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y, 1975).
Embo a es e memo ando não se cons i ua de nenhuma o ma como um aco do S and-
by, nem exis a no âmbi o da Oil Facili y escalonamen o do inanciamen o ou c i é ios de
desempenho, o ipo de medidas que es e ab ange co espondem às a iá eis u ilizadas pelo
FMI, à época, pa a p og amas de maio condicionalidade.
Ques ões como a expansão do c édi o in e no, a exposição do se o público ao
inanciamen o bancá io, a ges ão das ese as de moeda es angei a e o equilíb io do sis ema
de p eços e salá ios, p incipais a iá eis u ilizadas pelo FMI em p og amas S and-by (Gui ian,
1981), são a base des e memo ando.
A análise dos documen os ela i os à Oil Facili y, o pedido Po uguês com o
memo ando e a a aliação écnica do FMI (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y,
42
1975) pe mi e-nos conclui que ambém o ipo de polí ica p opos a segue a p á ica do FMI.
No en an o, o g au e o modo como es as medidas o am aplicadas não o am necessa iamen e
os desejados pelo FMI. Po ugal, com os apoio dos consul o es écnicos inha já iniciado o
desenho de uma es a égia económica, o que lhe pe mi iu negocia a i amen e com o Fundo,
moldando o p óp io p og ama aco dado (Ca doso, 2018), o que não impediu um pa ece
écnico posi i o ao pedido e às polí icas p opos as (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil
Facili y, 1975).
A nosso e , o ecu so à Oil Facili y in luenciou a al e ação da es a égia económica
Po uguesa. Embo a, es e inanciamen o não seja condicionado após a sua ap o ação, as
au o idades Po uguesas p epa a am-se e en a am demons a que o desequilíb io e a
empo á io, esul ado do con ex o especial que se i ia no País, e que i iam implemen a
medidas pa a uma ápida ecupe ação, desca ando ou o ipo de in e enção do FMI, como
um aco do S and-by, ao qual pode ia es a condicionado o ecu so à Oil Facili y (FMI,
Re iew o he Compensa o y Financing Facili y, 2004) undamen al pa a o inanciamen o do
dé ice da balança de pagamen os.
Ligado a es e pedido es á um segundo le an amen o do es an e da anche de ou o.
Es e le an amen o no alo de 7 milhões de DES e e como obje i o paga as despesas
eco en es do le an amen o ei o na Oil Facili y, que inham um cus o es imado de 7,8
milhões de DES (FMI, 1975).
Com es es dois le an amen os, os capi ais do FMI em Escudos passa am a se de
162.5% da co a Po uguesa que se man e e em 117 milhões de DES.
5.2. Oil Facili y de 1976
A 10 de Ma ço de 1976 Po ugal, mais uma ez a a és do Go e nado do Banco de
Po ugal, José Sil a Lopes, comunicou ao FMI a in enção de aze um segundo le an amen o
den o da Oil Facili y, co esponden e ao mon an e ainda disponí el. Es e pedido não incluiu
um no o plano de es abilização, eme endo pa a o memo ando en iado em Dezemb o de
1975 (FMI, Po ugal - Pu chase Unde he Oil Facili y, 1976).
No en an o, a comunicação Po uguesa ela a a os desen ol imen os e i icados na
aplicação das medidas ap esen adas ao FMI an e io men e (FMI, Po ugal - Pu chase Unde
he Oil Facili y, 1976).
43
O comp omisso em elação à expansão da dí ida pública e aos limi es da expansão do
c édi o domés ico e am e o çados. Fo am in oduzidas di e sas medidas iscais e de p eços
com is a à edução do consumo. Hou e ambém aumen o dos impos os sob e as ansações e
sob e o endimen o de imo eis e p op iedades ag ícolas, acompanhado po uma subida
gene alizada dos p eços, que incluiu os bens de consumo inse idos no sis ema de p eços
con olados que i e am aumen os a é 70%.
Simul aneamen e, a polí ica de con olo dos salá ios oi man ida, com o congelamen o
a es ende -se a é 1976, sem que enham exis ido al e ações signi ica i as nos salá ios após o
seu im. A axa de desemp ego man inha-se ele ada.
Po ugal man e e a abo dagem lexí el à axa de câmbio do Escudo, com es e a
des alo iza ce ca de 2% desde o início de 1976.
Em elação à polí ica ene gé ica, egis ou-se uma subida gene alizada do p eço dos
combus í eis de i ados de pe óleo, ce ca de 40% na gasolina e mais de 50% no gasóleo. O
go e no aumen ou mui o signi ica i amen e os impos os sob e eículos, que no egis o que
na comp a.
Não o am in oduzidas no as, nem o am e o çadas as es ições exis en es ao
comé cio e pagamen os, endo Po ugal indicado a in enção de libe aliza os mon an es de
moeda es angei a pa a despesas de u ismo.
A a aliação écnica do FMI conside ou sa is a ó ia a aplicação das polí icas
económicas e inancei as p opos as po Po ugal e p opôs a ap o ação do pedido Po uguês.
Po ugal ez o segundo le an amen o na Oil Facili y, em ab il de 1976, no alo de
41.64 milhões de DES. Com es e no o le an amen o os capi ais do FMI em Escudos
passa am a se de 193% da co a Po uguesa que se man e e em 117 milhões (FMI, Po ugal -
Use o Fund Resou ces - Compensa o y Financing, 1976).
5.3. P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1976
Em 1976 o am e omadas as consul as anuais com o FMI, endo es as deco ido em
Lisboa de 1 a 16 de Junho desse ano. Na sequência des as consul as Po ugal en iou ao FMI
um pedido de comp a de 58.5 milhões de DES no âmbi o do P og ama de Financiamen o
44
Compensa ó io pa a Flu uação de Expo ações, de ido a uma queb a acen uada nas
expo ações no ano de 1975.
Es e pedido e a cons i uído po 9.2 milhões de DES, o equi alen e em Dóla es
Ame icanos a 29.3 milhões de DES e a 20 milhões em Dóla es Canadianos. No o al es a
comp a ep esen a a 50% do máximo disponí el pa a Po ugal sob e es e p og ama.
A a aliação écnica des e pedido não se dis anciou signi ica i amen e das an e io es
no que diz espei o à análise do desequilíb io da balança de pagamen os, mas sublinhou o
p ocesso de es abilização a deco e em Po ugal.
Em 25 de Ab il de 1976 ealiza am-se as p imei as eleições legisla i as do pós-25 de
Ab il, que esul a am na i ó ia do Pa ido Socialis a e na omada de posse do I Go e no
Cons i ucional, lide ado po Má io Soa es a 23 julho. A 27 de Junho do mesmo ano
oco e iam as p imei as eleições p esidenciais que de am a i ó ia a Ramalho Eanes.
A a aliação écnica iu nes a es abilização polí ica e social um mo o pa a a in e são
de endências nega i as como a uga de capi ais e a pe da de compe i i idade, p e endo uma
melho ia na balança de pagamen os, embo a es a se man i esse signi ica i amen e de ici á ia
em 1976.
O ela ó io ez igualmen e e e ência à edução da incidência da sob e axa sob e
impo ações, que passou a incidi apenas sob e 30% do seu olume.
Em elação à queb a das expo ações, c i é io base pa a acede ao Financiamen o
Compensa ó io, Po ugal e e um dé ice da balança de pagamen os de 878 milhões de DES e
uma sub-pe o mance das expo ações equi alen e a 113 milhões de DES em 1975,
e i icando-se uma edução de 16% das ecei as de expo ações em elação a 1974. O alo
da sub-pe o mance e a su icien e pa a eque e es e p og ama. (FMI, Po ugal - Use o Fund
Resou ces - Compensa o y Financing, 1976).
Es a queb a nas expo ações é a ibuída a ês a o es. A pe da dos e i ó ios
ul ama inos, a ins abilidade polí ica e social nos anos pós 25 de Ab il e a ecessão na
economia mundial, em pa icula nos países desen ol idos.
Os écnicos concluí am que embo a os a o es in e nos explicassem a maio ia da
queb a nas expo ações, a ecessão económica nos p incipais me cados de expo ação
Po ugueses e e um impac o di e o de ce ca de 50 milhões de DES. Es e alo oi su icien e
45
pa a conside a que uma pe cen agem adequada de edução das expo ações se de eu a
a o es exógenos, condição de acesso ao P og ama de Financiamen o Compensa ó io.
O FMI espe a a uma ecupe ação das expo ações Po uguesas, com um aumen o de
9% em 1976/77 dependen e da es abilidade poli ica in e na e da ecupe ação económica dos
me cados ex e nos.
Com es a comp a, os a i os do FMI em Escudos passa am a equi ale a 248% da co a
po uguesa.
5.4. A si uação ag a a-se
No im de agos o de 1976 oi emi ido o pa ece écnico do FMI sob e a consul a a
Po ugal do a igo IV e nes e pa ece oi iden i icada uma de e io ação das p e isões ace ao
que espe ado no pa ece do P og ama de Financiamen o Compensa ó io de Junho.
No en an o es e pa ece , mais uma ez, a i ma que o p og ama ap esen ado po
Po ugal no memo ando anexado ao pedido no P og ama Oil Facili y, em Dezemb o de 1975,
es a a a se , de o ma ge al, implemen ado. Foi ei o um epa o à ul apassagem dos limi es
do c édi o ao se o público, mas o FMI econheceu que es e se ia compensado po um alo
mui o abaixo dos limi es no que diz espei o à expansão do c édi o in e no (FMI, Po ugal -
S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV Consul a ion, 1976).
A aplicação des e p og ama não e i ou que, após uma apa en e melho ia no p imei o
imes e de 1976, hou esse um ag a amen o signi ica i o da balança co en e, com o FMI a
al e a a sua p e isão de melho ia em elação a 1976, pa a um signi ica i o ag a amen o
(FMI, Po ugal - S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV Consul a ion,
1976).
Es e ag a amen o e e a sua o igem numa ecupe ação mais ápida das impo ações
em elação às expo ações e a uma signi ica i a uga de capi ais que se e i icou. Po ugal
en ou con a ia es a endência com um conjun o de medidas de es ímulo à cap ação de
in es imen o di e o es angei o e pe mi indo uma des alo ização acen uada da Escudo de
ce ca de 9% em 1976. Es a des alo ização acen uada, jun amen e com as axas de ju o
nega i as, em e mos eais, con ibuiu pa a a especulação inancei a, com a uga de capi ais
dai esul an e e a c iação de s ocks especula i os ase à des alo ização do Escudo e à in lação,

46
que i ia a a ingi os 30% no im de 1976, o que es imulou as impo ações (FMI, Po ugal -
S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV Consul a ion, 1976).
Adicionalmen e, oi conside ado ine i á el, ace à acele ada pe da de ese as pa a
inanciamen o do dé ice ex e no, a c iação de no as ba ei as ao comé cio e pagamen os. As
au o idades conside a am impossí el aumen a signi ica i amen e as expo ações no cu o
p azo, ace aos di e sos cons angimen os exis en es ao aumen o da p odu i idade e
in es imen o (FMI, Po ugal - S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV
Consul a ion, 1976). Du an e o e ão de 1976 Po ugal ape ou as eg as sob e as ocas
mone á ias e os mon an es disponí eis pa a o u ismo e em 9 ou ub o aumen ou o alo da
sob e axa sob e as impo ações, aumen ando a du ação da mesma pa a Ma ço de 1977, e
in oduziu ambém um sis ema de depósi os ob iga ó ios de 50% do alo , pa a um conjun o
de bens conside ados supé luos (FMI, Po ugal--Exchange and T ade Sys em, 1976).
No im de 1976 a si uação económica po uguesa es a a a o na -se c í ica. Pa a o
FMI as au o idades po uguesas não es a am a consegui co igi os desequilíb ios na
economia c iados pela ins abilidade poli ica e social no Pós 25 de Ab il. As pe spe i as
económicas pa a o país e am desanimado as, com o in es imen o, publico e p i ado, a ica
aquém do p e is o, as expo ações a não acompanha em a ecupe ação da economia mundial,
o desemp ego a aumen a , a in lação a subi e o PIB a c esce a um i mo mais len o que o
espe ado (FMI, Po ugal - S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV
Consul a ion, 1976)
As amplas ese as que Po ugal possuía quando da Re olução pe mi i am con ola
as queb as na p odução e emp ego, apesa dos desequilíb ios ex e nos, mas em 1976 a
con ínua d enagem das mesmas, a e icência nacional em aliena as ese as de ou o e uma
banca in e nacional pouco abe a ace à jo em democ acia po uguesa (Ho a, 2018) colocou
o inanciamen o necessá io pa a a balança de pagamen os nes es anos em g ande medida
dependen e de emp és imos jun o de on es o iciais como a CEE, EFTA, BRI e o como
e i icamos o FMI.
Fo am ambém undamen ais os emp és imos de países como os EUA a Alemanha e a
Suíça que no pós-25 de No emb o concede am a Po ugal inanciamen o com is a a
minimiza os e ei os da c ise económica e apoia a consolidação da democ acia. Es es
emp és imos bila e ais de cu o p azo a ingi am de alo es mui o signi ica i os, en e os 700
47
e os 800 milhões de DES, endo alguns como ga an ia as ese as de ou o (B uneau, 1982)
(Lopes J. S., 2004) .
Visando a e e são da si uação económica Po uguesa, o ela ó io da Consul a en e o
FMI e Po ugal em 1976 ap esen ou um conjun o de ecomendações écnicas (FMI, Po ugal -
S a Repo and P oposed Decision o he 1976 A icle XIV Consul a ion, 1976),
designadamen e:
A edução do i mo de c escimen o dos salá ios eais e a acele ação do c escimen o
económico o am conside ados essenciais pa a c iação de emp ego e pa a c ia no as
opo unidades de emp ego e diminui as di e enças de endimen o en e abalhado es e
desemp egados.
O Es ado de e ia ge a condições pa a o aumen o da poupança que pe mi isse
canaliza in es imen o pa a se o es de mão-de-ob a in ensi a, p omo o es das expo ações e
que eduzissem a necessidade de impo ações.
E a undamen al de ini qual o papel do se o p i ado na economia, lexibiliza a
polí ica labo al e acili a o inanciamen o das emp esas. O Es ado de e ia o alece a sua
adminis ação e soluciona os p oblemas de i ados do p og ama de nacionalizações.
O equilíb io do sis ema de p eços e a imp escindí el pa a o desen ol imen o
económico. O sis ema de subsídios e p eços con olados, c iado pa a p o ege os ganhos
sala iais con olando a in lação, c ia a dis o ções na economia e es imula a inde idamen e o
consumo.
A al e ação da axa de câmbio, a a és da des alo ização da moeda pode ia e um
papel impo an e na co eção do desequilíb io ex e no.
O FMI c i ica a ainda a opção po uguesa de eco e a no as es ições ao comé cio e
pagamen os, conside ando que es as es ições, sem a in odução de medidas es u u ais que
al e assem o con ex o económico nacional se iam con ap oducen es.
5.5. O p imei o Go e no Cons i ucional
No im de Julho de 1976 omou posse o p imei o Go e no Cons i ucional da Te cei a
República, lide ado po Má io Soa es do Pa ido Socialis a, que acele ou os es o ços,
iniciados no VI Go e no p o isó io, pa a eadqui i a es abilidade económica no País. As
48
bases dessa es a égia passa am pela u u a adesão à CEE, o im do p ocesso de
nacionalizações, a lexibilização da polí ica labo al, con olo dos salá ios, e o ma iscal,
con olo do dé ice público e al e ação da polí ica cambial.
Como imos an e io men e, o Go e no começou po ado a medidas es i i as do
comé cio e pagamen os, mas o seu p incipal ma co na es a égica económica oi o conjun o
de medidas in oduzidas em Fe e ei o de 1977 (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1977).
O Escudo oi des alo izado em 15 %, sendo es abelecido um peg en e es e e um
conjun o de moedas de aco do com a sua ele ância pa a Po ugal (Ab eu, 2005), e os
impos os sob e ansações o am aumen ados em 20%.
Foi in oduzida legislação que limi a a o aumen o dos salá ios a 15%, pa a odos os
abalhado es dependen es, e, simul aneamen e, o sis ema de con olo de p eços oi
subs i uído po um sis ema mais lexí el, que pe mi ia a e isão pe iódica dos mesmos.
Con udo, o am de inidos 16 bens essenciais que, após um aumen o de ce ca de 20%, i e am
os seus p eços congelados a é ao im do ano (Ho a, 2018).
A axa de descon o do Banco de Po ugal e os ju os bancá ios nos emp és imos e
depósi os o am aumen ados. Fo am ambém c iadas sob e axas pa a emp és imos ligados à
impo ação de bens de consumo.
Pela p imei a ez o am in oduzidas co as pa a a impo ação de de e minados bens
como componen es au omó eis, ca é, bananas, que no o al a e a am ce ca de 6% das
impo ações.
Fo am omadas ainda ou as medidas como a c iação de um Fundo de Ga an ia de
Risco de Câmbios, a eabe u a da Bolsa de Valo es e a compensação de es angei os po
pe das associadas ao p og ama de nacionalizações ou à e o ma ag á ia.
Podemos e i ica que, com exceção do ag a amen o das es ições come ciais e de
pagamen os, as e o mas in oduzidas pelo Go e no Po uguês seguem as indicações
ap esen adas pelo FMI no ela ó io de Consul a de 1976. Na nossa opinião exis e, mais uma
ez, uma cla a elação en e as posições omadas pelo FMI e as poli icas ado adas em
Po ugal, embo a es a não se de a di e amen e a uma condicionalidade impos a pelo FMI.
Es a posição baseia-se em á ios ac os. A economia po uguesa e a ágil no início de
1977, o que le ou a uma eap oximação de Po ugal ao FMI, com quem as elações inham
49
es iado du an e 1976, com a deslocação de uma delegação Po uguesa a Washing on
(Ca doso, 2018) e a inda, logo em janei o, de uma equipa écnica do FMI a Lisboa pa a
negocia as bases do Aco do S an-by que i ia a oco e em ab il. Na década de 70
in odução de medidas á p io i de um Aco do S and-by e am uma imposição comum, que
inha como obje i o e o ça as ga an ias do FMI sob e a aplicação u u a das medidas
aco dadas (Gui ian, 1981).
O ela ó io do FMI sob e o Aco do S and-by (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1978) e o ça ambém es a posição, a i mando que o p og ama dele esul an e
em como p incipal base as medidas in oduzidas pelo I Go e no Cons i ucional e em
pa icula o paco e de 25 de Fe e ei o, não obs an e exis i em no as medidas in oduzidas
pelo p og ama.
5.6. O Aco do de S and-by em p imei a anche de c édi o de 1977
Em 12 de ab il de 1977 Po ugal, a a és de uma ca a de in enções assinada po José
Sil a Lopes, Go e nado do Banco de Po ugal, e po Medina Ca ei a, Minis o das Finanças,
subme eu ao FMI um pedido de apoio no âmbi o de um Aco do de S and-by ( e anexo 11.2.
Aco do S and-by de 1977), com a du ação de um ano, no alo de 42,4 milhões de DES
co esponden es à p imei a anche de c édi o ala gada, equi alen e a 36,2% da co a
po uguesa.
Po se uma comp a den o da p imei a anche de c édi o, o g au de condicionalidade
oi meno , não es ando sujei o ao escalonamen o do inanciamen o ou a c i é ios de
desempenho (Dell, 1981).
Es e p og ama não inha como obje i o esol e os p oblemas es u u ais da economia
Po uguesa, mas sim esponde aos p oblemas mais imedia os pa a o eequilíb io da balança
de pagamen os (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1977).
A es a égia ado ada passou po eduzi o dé ice da balança de pagamen os a a és da
edução do consumo e de impo ações, conjugada com o aumen o do in es imen o e
expo ações, endo como base as medidas an e io men e in oduzidas, inclusi e as es ições
ao comé cio e pagamen os que o FMI lamen ou, mas acei ou median e comp omisso de es as
se em empo á ias.
56
As ecei as com o u ismo c esce am 22% e as emessas dos emig an es ecupe a am
os alo es an e io es à Re olução em 1977, mas não o am su icien es pa a acompanha o
alo das impo ações. O g ande aumen o do consumo in e no e a cons ução de s ocks
especula i os de bens impo ados impulsiona am as impo ações pa a alo es mui o
supe io es aos espe ados.
Es e e ei o oi e o çado pela in lação que aumen ou os cus os dos p odu os nacionais,
aumen ado assim a compe i i idade dos bens impo ados no me cado in e no. O aumen o do
consumo, ao abso e g ande pa e da p odução in e na, con ibuiu ambém pa a a
diminuição das expo ações.
No im de 1977 a dí ida pública e a supe io a 2,5 mil milhões de Dóla es, g ande
pa e no a dí ida de cu o p azo, des espei ando o es abelecido no p og ama S and-by, o que
induziu cus os adicionais associados ao se iço da dí ida. O passi o ex e no da banca
nacional onda a os 3 mil milhões de Dóla es.
5.10. O Aco do S and-By em anche de c édi o supe io de 1978
Em janei o de 1978 o I Go e no cons i ucional oi de ubado na Assembleia da
República pela ejeição de uma moção de con iança, sendo subs i uído pelo II Go e no
Cons i ucional que esul ou de uma coligação en e o Pa ido Socialis a e o Cen o
Democ á ico Social, man endo-se Má io Soa es como P imei o-minis o.
Con on ado com o ag a amen o da si uação económica o II Go e no Cons i ucional
conclui em 5 de junho de 1978 um no o Aco do S and-By ( e anexo 11.3. Aco do S and-by
de 1978) com o FMI, ago a numa anche de c édi o supe io . Como imos an e io men e, a
ealização des e Aco do e a uma condição impos a pelo consó cio in e nacional pa a
disponibiliza o G ande Emp és imo a Po ugal que oi a peça cha e do p ocesso de
ecupe ação de economia. Es a e a uma p á ica comum, que inha como obje i o e o ça as
ga an ias no inanciamen o, ou seja, o FMI só disponibiliza ia os seus ecu sos quando es es
ossem acompanhados po ou as on es de inanciamen o, ajuda in e nacional, emp és imos
bancá ios, en e ou as, que cob issem o dé ice na balança de pagamen os, assegu ando a
exequibilidade do p og ama de ajus amen o e, da mesma o ma, os ou os po enciais
inanciado es só disponibiliza iam os seus ecu sos se o País aplicasse um p og ama do FMI

57
que aumen asse as ga an ias sob e a sua capacidade pa a eembolsa esse inanciamen o
(Polak, 1991).
O p og ama aco dado inha a du ação de um ano e p e ia a comp a de 57.35 milhões
de DES. O p og ama inha como p incipal obje i o eduzi o dé ice ex e no po uguês de 1,
350 milhões de dóla es em Ma ço de 1978 pa a 800 milhões de dóla es em Ma ço de 1979,
man endo o c escimen o mode ado da economia. Es e dé ice se ia inanciado eco endo aos
c édi os de Pa is, ao emp és imo do FMI e às ese as de ou o po uguesas.
Uma ez que es e P og ama dizia espei o a uma anche de c édi o supe io es e e
sujei o a maio condicionalidade, com o escalonamen o do inanciamen o e a aplicação de
c i é ios de desempenho (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1978).
O Aco do S and-by es abeleceu que Po ugal pode ia le an a a é 14.3 milhões de
DES a é 1 de Julho de 78, 24.35 milhões de DES a é 1 de ou ub o de 78, 34.35 milhões de
DES a é 1 de janei o de 79 e 44.35 milhões de DES a é 1 de ab il de 79. Es es limi es
pode iam se modi icados com a p é ia au o ização do FMI.
Em elação aos c i é ios de desempenho, o am de inidos limi es imes ais à
expansão do passi o ex e no líquido do sis ema bancá io, do c édi o do domés ico e do
c édi o líquido do se o bancá io sob e o Es ado.
O passi o ex e no liquido do sis ema Bancá io que, endo como base o alo de 1,352
milhões de Dóla es no im de 1977, não pode ia excede os 1,922 milhões a é 30 de Junho de
78, 2,092 milhões a é 30 de se emb o de 78, 2,297 milhões a é 31 de Dezemb o de 78 e 2,457
milhões a é 31 de Ma ço de 79,
O c édi o do domés ico que, endo como base o alo de 654 biliões de Escudos no
im de 1977, não pode ia excede os 701.6 biliões a é 30 de Junho de 78, 738.6 biliões a é 30
de se emb o de 78, 795,7 biliões a é 31 de Dezemb o de 78 e 811.4 a é 31 de Ma ço de 79.
O c édi o líquido do se o bancá io sob e o Es ado que, endo como base o alo de
129.8 biliões de Escudos no im de 1977, não pode ia excede os 143.8 biliões a é 30 de
Junho de 78, 148.8 biliões a é 30 de se emb o de 78, 166.8 biliões a é 31 de Dezemb o de 78
e 183.8 biliões a é 31 de Ma ço de 79.
A es es limi es soma am-se as ob igações de concede ap o ação au omá ica a odas
as licenças de impo ação, não ab angidas po es ições quan i a i as, e da seguimen o aos
pedidos acumulados an e io men e a é 30 de Junho de 1978, bem como eduzi
58
p og essi amen e a sob e axa de 30% sob e as impo ações pa a 20% a é 1 de ou ub o de 78,
pa a 10% a é 1 de ab il de 1979 e elimina-la o almen e em ou ub o de 1979.
Cons i uía-se ainda como c i é io de desempenho, o comp omisso de Po ugal não
ag a a ou in oduzi no as es ições ao comé cio e pagamen os (FMI, Po ugal - Reques
o S and-By A angemen , 1978).
Es e p og ama de es abilização incluiu di e sas medidas que desc e e emos
seguidamen e. Algumas das medidas são an e io es à assina u a do Aco do S and-by, mas
su gem no âmbi o da sua negociação, en e ma ço e ab il de 78, como medidas à p io i.
A p incipal en ase des e p og ama oi na es ição do c édi o de o ma a eduzi o
consumo in e no. Foi es abelecido um limi e de 134,4 Biliões de Escudos pa a a expansão do
c édi o que, como imos an e io men e, oi di idido em limi es imes ais que se cons i uíam
como c i é ios de desempenho. Com is a ao cump imen o des es limi es a axa de ju o base
dos emp és imos bancá ios oi aumen ada em 3,5%, embo a enham sido ei as exceções, e
o am c iados limi es indica i os pa a a concessão de c édi o da banca come cial, que caso
osse necessá io passa iam a se compulsi os.
As medidas egula ó ias in oduzidas an e io men e, como a c iação do me cado
in e bancá io e o es abelecimen o de uma ese a ob iga ó ia uni o me, pe mi i am ao
go e no e um maio con olo sob e es e se o .
O câmbio deslizan e do Escudo oi man ido, mas exis iu uma acele ação da sua
des alo ização que passou de 1% ao mês pa a 1,25% a pa i de Ma ço de 1978, com uma
des alo ização adicional de 6,1% em Maio (Ab eu, 2005), com o obje i o de a ingi uma
des alo ização acumulada de 19% du an e o p og ama. Es a es a égia cambial oi supo ada
po aumen o da axa de edescon o do Banco de Po ugal em 5%, icando en e 18% e 23%, e
aumen o dos ju os nos depósi os a p azo supe io es a 6 meses em 4%, a ingindo os 19%, com
o obje i o de a ai capi al, como as emessas dos emig an es, e con a ia a c iação de s ocks
especula i os e a uga de capi ais.
Espe a a-se com es as medidas eduzi igualmen e o declínio das ese as
es angei as da Banca, cump indo os c i é ios de desempenho es abelecidos.
Em e mos iscais o p og ama p e iu um conjun o de medidas com is a ao aumen o
das ecei as em 2% do PIB en e as quais des acamos uma sob e axa de 10% sob e os
endimen os dos salá ios e sob e a axa de ansações, com a ex ensão da mesma a no os
p odu os, e de 15% sob e a maio ia dos impos os di e os. Ao mesmo empo o p og ama
59
p e iu a manu enção dos alo es da despesa pública a a és de um aumen o signi ica i o do
p eço dos bens e se iços subsidiados que eduzi ia o alo dos apoios públicos.
Embo a se espe asse que a con a co en e do se o público osse posi i a, o aumen o
dos gas os de capi al com o se o emp esa ial do Es ado de e iam man e o dé ice em 53
Biliões de Escudos, eduzindo em elação ao PIB de 8% pa a 6% em Ma ço de 1979. A pa e
do dé ice inanciada pelo se o bancá io de e ia ambém se eduzida em elação ao ano
an e io , com uma maio disponibilidade de inanciamen o o a des e se o .
As au o idades po uguesas comp ome e am-se a impo medidas adicionais, caso
osse necessá io compensa queb as nas ecei as, e a man e os ní eis de despesas mesmo que
exis isse um aumen o das ecei as supe io ao espe ado.
Em espos a à in lação e aos aumen os dos cus os dos bens subsidiados, o salá io
mínimo oi aumen ado em 30%, o subsídio de desemp ego em 25% e as e o mas em 22%,
mas a polí ica de con olo sala ial man e e-se, sendo in oduzida no a legislação que limi a a
os aumen os sala iais em 20% pa a abalhado es con a ados e es abelecia um pe íodo
con a ual mínimo de 12 meses. Com a in lação espe ada a supe a os 25%, o p og ama
isa a uma edução de ce ca de 5% nos salá ios eais.
O Go e no ea i mou o seu empenho em eduzi a exposição da dí ida de cu o p azo
du an e o p og ama e aumen a os es o ços pa a e i a um excessi o endi idamen o ex e no.
O ápido aumen o da dí ida nos anos an e io es ouxe cus os ele ados com o seu se iço.
O Aco do en e Po ugal e o FMI p e ia o p og essi o abandono das medidas
es i i as ao comé cio e pagamen os. Como imos an e io men e, es e e a um dos c i é ios
de desempenho do p og ama. Exceções a es a imposição o am a manu enção da sob e axa de
60% sob e bens de luxo e as quo as sob e de e minados bens, sendo que de uma o ma ge al
as quo as o am aumen adas.
Dado o ele ado g au de ince eza quan o à e olução da dinâmica económica in e na e
ex e na, o Aco do p e ia a e isão da e olução do p og ama em janei o de 1979, ocasião em
pode iam se negociadas al e ações com o FMI.
Ve i icamos que es e p og ama inha como base uma polí ica de lexibilidade cambial
e axas de ju o, o con olo dos salá ios, aus e idade iscal e es ição do c édi o domés ico,
endências que ma ca am, igualmen e, as e o mas ealizadas no âmbi o do p imei o Aco do
S and-by. O pa ece écnico do FMI conside ou que a os e ei os cumula i os des as e o mas
se iam su icien es pa a e e e os compo amen os especula i os, ecupe a a con iança na
60
economia e eequilib a p og essi amen e o dé ice ex e no (FMI, Po ugal - Reques o
S and-By A angemen , 1978).
Es e p og ama de es abilização oi de cu a du ação e inha como p incipal obje i o
uma imedia a melho ia do desequilíb io da balança pagamen os Po uguesa. O FMI e o
Go e no Po uguês econheciam que o desequilíb io Po uguês de i a a em g ande medida
de p oblemas es u u ais da economia que só pode iam se esol idos com e o mas a médio
p azo, pa a as quais e a imp escindí el o eequilíb io das con as ex e nas, ou seja, es e
p og ama é econhecido como um p imei o e necessá io passo pa a a e o ma da economia
Po uguesa, mas não inha como obje i o aze uma ans o mação es u u al da mesma.
Toda ia, o p og ama incluiu uma abo dagem inicial à esolução de alguns p oblemas
es u u ais como como a al a compe i i idade in e nacional da economia po uguesa, que
p ocu a a aumen a com lexibilização da axa de câmbio e do con olo dos salá ios, o dé ice
das con as públicas, com a e o ma iscal e o con olo dos gas os, a al a de con iança no
sis ema bancá io o mal, a a és do aumen o das axas de ju o e egulamen ação, e as
es ições ao come cio e pagamen os, com o p og essi o desman ela das mesmas.
5.11. Re isão do Aco do S and-by de 1978
Po pedido das au o idades Po uguesas, a e isão da e olução do p og ama que
de e ia oco e em janei o de 1979 oi an ecipada pa a no emb o de 1978, po ocasião da
isi a a Po ugal dos écnicos do FMI no âmbi o da consul a anual. É undamen al e e i que
no momen o da e isão Po ugal não inha ei o qualque le an amen o no âmbi o des e
Aco do S and-by (FMI, Po ugal -Re iew o S and-By A angemen , 1978) .
Es a an ecipação es á ligada à ins abilidade polí ica em Po ugal. Má io Soa es do
Pa ido Socialis a que lide ou o I e II Go e nos cons i ucionais, esponsá eis pela negociação
de ambos os Aco dos S and-by, oi subs i uído, em 29 de agos o de 1978, po um Go e no de
Inicia i a P esidencial lide ado po Al edo Nob e da Cos a. O Go e no de Al edo Nob e da
Cos a du ou menos de 3 meses sendo subs i uído po um no o Go e no de inicia i a
P esidencial lide ado po Ca los Mo a Pin o a 22 de no emb o. No en an o, a e isão do
Aco do oco eu nos úl imos dias do Go e no de Al edo Nob e da Cos a, já numa ase de
ansição, o que lhe e i ou a capacidade negocial pa a al e a o Aco do em igo pa a o es o
da sua igência (FMI, Po ugal -Re iew o S and-By A angemen , 1978). Exceção oi o
61
pedido de 20 de no emb o pa a e isão do alo de alguns dos limi es es abelecidos no
Aco do, de o ma a e le i em al e ações ei as nas es a ís icas nacionais. Es a al e ação oi
acei e pelo FMI.
A e isão do Aco do S and-by concluiu que Po ugal inha ei o p og essos no á eis
quan o ao cump imen o dos obje i os do p og ama ao ní el da balança de pagamen os, da
edução das p essões in lacioná ias in e nas e da manu enção do c escimen o económico. A
a aliação do FMI p e ia que os obje i os em e mos de edução do dé ice ex e no po uguês
se iam cump idos a é Ma ço de 1979, com a in lação a si ua -se em 22% e o c escimen o
económico a a ingi os 4%, 2% acima do alo p e is o.
No en an o, Po ugal não inha espei ado algum dos c i é ios de desempenho
es abelecidos. Os limi es imes ais à expansão do passi o ex e no líquido do sis ema
bancá io o am espei ados, mas os do c édi o do domés ico e do c édi o líquido do se o
bancá io sob e o Es ado o am la gamen e ul apassados.
A expansão do c édi o domés ico que es a a limi ada a 84.6 biliões de Escudos a é 31
de dezemb o de 1978 a ingiu os 117.6 biliões de Escudos nesse pe íodo e a expansão do
c édi o líquido do se o bancá io sob e o Es ado, que não de e ia ul apassa os 19 biliões de
Escudos, oi de 33.3 biliões de Escudos, com consequências a ní el do aumen o do dé ice do
o çamen o e da con a co en e do Es ado.
O aumen o das axas de ju o, a diminuição da in lação e o e o ço da con iança na
economia aumen a am a p edisposição da população pa a man e saldos mone á ios em
Escudos o que pe mi iu o cump imen o dos limi es imes ais à expansão do passi o ex e no
líquido do sis ema bancá io, apesa da expansão do c édi o domés ico acima dos alo es
p e is os. Ou o a o ele an e pa a es a si uação oi o ac o de uma pa e signi ica i a do
no o c édi o ao se o público e o igem em en idades es angei as.
Os c i é ios de desempenho ela i os à edução da sob e axa sob e as impo ações e à
libe alização das au o izações pa a impo ações o am cump idos, embo a não enham
exis ido a anços na eliminação das es ições quan i a i as às impo ações.
Assim, apesa dos obje i os do Aco do S and-by es a em a se a ingidos, Po ugal
icou impedido de aze le an amen os nes e p og ama po queb a das eg as de
condicionalidade, não endo cump ido os c i é ios de desempenho es abelecidos, a é
enegocia com o FMI no as condições. Embo a o FMI enha mos ado abe u a pa a es a

62
enegociação, como imos, a si uação poli ica em Po ugal impedia o go e no de enegocia
as condições do Aco do pa a o u u o.
5.12. Po ugal abandona o Aco do S and-by de 1978
O no o Go e no lide ado po Ca los Mo a Pin o comunicou ao FMI, no dia 5 de
dezemb o de 1978, a in enção de subs i ui o a ual Aco do S and-by po um no o, a negocia
em 1979, não exp essando qualque in enção de al e a as condições do p og ama igen e
(FMI, Po ugal -Re iew o S and-By A angemen , 1978).
Não hou e um no o Aco do S and-by em 1979 nem uma enegociação dos emos do
P og ama. Po ugal não ez qualque le an amen o no âmbi o do Aco do S and-by de 1978.
Na e isão ei a ao Aco do no âmbi o da Consul a en e Po ugal e o FMI em Junho
de 1980 (FMI, Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980), icou
cla o que as endências e i icadas em dezemb o de 1978 se man i e am. Os limi es
es abelecidos pa a a expansão do c édi o do domés ico e do c édi o líquido do se o bancá io
sob e o Es ado o am des espei ados, endo Po ugal espei ado os es an es c i é ios de
desempenho. O eequilíb io da balança de pagamen os po uguesa oi supe io ao p e is o
com o dé ice da balança co en e a se in e io a 500 milhões de Dóla es e balança de
pagamen os a egis a um supe a i de 609 milhões de Dóla es (FMI, Po ugal - S a Repo
o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
Na conclusão da consul a do FMI a Po ugal de 1980, o Di e o es execu i os do FMI
cong a ula am as au o idades Po uguesas pelo sucesso ob ido nos es o ços de es abilização,
que nos úl imos dois anos inham le ado a uma signi ica i a melho ia da balança de
pagamen os, à edução da in lação e a um ní el de c escimen o do PIB supe io à média dos
países da OCDE.
5.13. Causalidade: 1975-1979
Nes e abalho conside ámos que as dinâmicas ex e nas e in e nas e am undamen ais
pa a comp eende es e pe íodo e di icilmen e eplicá eis ou compa á eis com ou os,
jus i icando-se o especial en oque que lhe decidimos a ibui . A alidade des a p emissa
63
e i ica-se logo na de inição das o igens da c ise que, como pudemos e i ica , esul ou de
um conjun o de choques in e nos e ex e nos esul an es de um con ex o único.
Também a opção de não limi a a análise aos Aco dos S and-by se mos ou jus i icada.
A aplicação da me odologia da causalidade p ocessual quali a i a, a a és da na a i a
an e io , que desc e eu as conexões causais, c onológicas e con ex uais en e os á ios
momen os do p ocesso de es abilização p o ou que es e oi cumula i o, esul ando de um
conjun o de e o mas e e uadas desde o im de 1975, que em meno ou maio g au su gi am
associadas a P og amas do FMI.
Po ugal en ou adia ao máximo a condicionalidade do FMI. Na p imei a ase
Po ugal inanciou o seu desequilíb io a a és das as as ese as de moeda es angei a que
possuía e, a pa i do im de 1975, com o esgo amen o das mesmas, e não que endo u iliza
di e amen e as ese as de ou o, passou a eco e a emp és imos, na sua maio ia, jun o de
c edo es o iciais nos quais se incluiu o FMI.
A elação com o Fundo oi p og essi a endo Po ugal começado po eco e a
p og amas incondicionais e, com o ag a a da si uação ex e na e a edução do inanciamen o
disponí el, e oluindo pa a p og amas como maio g au de condicionalidade, sendo que o
Aco do S and-by em anche de c édi o supe io , o único com um ele ado g au de
condicionalidade, esul ou de uma imposição do g ande emp és imo e não de uma opção
Po uguesa.
No en an o, na p á ica a condicionalidade no Aco do S and-by de 1978 em anche de
c édi o supe io não oi subs ancialmen e di e en e daquela que exis iu no p imei o aco do
S and-by de 1977 na p imei a anche de c édi o e, em ce a medida, da que imos nos
p og amas e Financiamen o Compensa ó io. A condicionalidade e a o c i é io impos o pa a
acesso ao inanciamen o e Po ugal não ez qualque le an amen o no âmbi o do Aco do
S and-by de 1978, ou seja, e i icamos que o sucesso alcançado en e 1978/79 não esul ou
da maio condicionalidade impos a pelo FMI no Aco do S and-by de 1978.
Da mesma o ma que não podemos a ibui o sucesso de 1978/79 à condicionalidade
do Aco do S and-by de anche de c édi o supe io , ambém não o podemos a ibui
exclusi amen e ao p og ama de es abilização que lhe es á subjacen e, uma ez que embo a
enha ido uma g ande in luencia, es e man e e as bases dos an e io es P og amas,
designadamen e a es ição do c édi o, a des alo ização da axa de câmbio e o aumen o das
axas de ju o, aumen ando sim o g au e a elocidade de implemen ação des as polí icas.
64
Na nossa análise concluímos que o ac o de es a es a égia e sido ão e e i a em
1978/79 de e-se a um conjun o de ci cuns âncias ex e nas e in e nas únicas que analisa emos
seguidamen e. Es a conclusão não e i a ele ância ao papel do Fundo na es abilização
Po uguesa, uma ez que, na nossa opinião, oi o e ei o cumula i o das medidas aco dadas
en e Po ugal e o Fundo que pe mi iu o ap o ei amen o des e con ex o e po enciou a
ecupe ação.
Em p imei o luga de emos assinala a ele ância do g ande emp és imo que pe mi iu
aze um ajus amen o mais g adual e com menos en ase na edução da p ocu a in e na, ou se
pe mi iu um meno g au de aus e idade no ajus amen o. O g ande emp és imo con ibuiu pa a
a aplicação pa cial do p og ama de es abilização aco dado com o FMI em 1978, o nando-se
condicional a es e e subs i uindo-se dessa o ma à condicionalidade uma ez que mais
impo an e que o inanciamen o di e o do Fundo oi a ga an ia que es e deu ao inanciamen o
ex e no.
Ou o aspe o impo an e oi o ac o de os p og amas esul a em de uma negociação
en e as pa es e não de uma imposição di e a do FMI. Es e ac o le ou a que as au o idades
Po uguesas se iden i icassem com a es a égia económica, embo a nem semp e com o g au
(Ca doso, 2018).
Um aspe o comum a odos os p og amas do FMI em Po ugal du an e es e pe íodo oi
a en ase na des alo ização do Escudo jun amen e com a polí ica de con olo sala ial e no
aumen o das axas de ju o. Embo a o Fundo baseasse es a es a égia num acional económico
es a opção não e a consensual, exis indo opiniões que es a poli ica i a apenas dep imi a
economia in e na (Lopes J. S., 1982), e se os seus mé i os e am discu idos o seu ca a e
impopula e a cla o, implicando pe das no endimen o das amílias.
Es a discussão adqui iu um en ase ainda maio ase á necessidade de in eg a os
e o nados, o que e ia sido mui o di ícil sem um es imulo á p ocu a in e na que c iasse o
c escimen o necessá io pa a essa in eg ação (Ama al J. F., 2018). A es a égia pós- e olução
en ou acomoda os impe a i os ex e nos com es a in eg ação, e embo a no longo p azo não
i esse ido sucesso, em 1978, quando as polí icas de ajus amen o o am mais exigen es em
e mos de queb a da p ocu a in e na, a in eg ação dos e o nados já inha em g ande medida
oco ido com meno es cus os sociais.
Na p á ica a aplicação da ecei a do Fundo le ou a p og essi a des alo ização de 17%
dos salá ios eais en e 1976 e 1979 o que eduziu signi ica i amen e o cus o da mão da ob a
65
po uguesa em elação aos seus p incipais pa cei os come ciais ( e anexo 11.5. Causalidade
1978). Em 1978, a compe i i idade de Po ugal ecupe ou pa a os ní eis an e io es à
e olução o que le ou ao aumen o das expo ações, 15 % do olume em 1978 e 28% em
1979, que oi supe io ao aumen o global da p ocu a, e à ecupe ação da co a po uguesa nos
me cados in e nacionais (Lopes J. S., 1982) (Schmi , 1981).
Es a ex ao diná ia ecupe ação das expo ações só oi possí el de ido a um con ex o
ex e no e in e no mui o pa icula ma cado pela ecupe ação da economia mundial e pela
acei ação po pa e dos abalhado es de uma acen uada des alo ização dos salá ios eais. São
apon adas á ias azões pa a es e ac o, como a ele ada axa de desemp ego, a in luência dos
pa idos nos sindicados e os g andes aumen os sala iais pós- e olução que ela i iza am es as
eduções (Lopes J. S., 1982), mas a ealidade é que es e ipo de eação é di icilmen e
eplicá el em egimes democ á icos.
Ou o elemen o cha e oi a g ande pe cen agem de capacidade p odu i a não u ilizada
que exis ia no se o expo ado , de ido à edução dos olumes de expo ação nos anos Pós 25
de Ab il, o que pe mi iu um ápido aumen o da p odução em espos a à p ocu a in e nacional
(Lopes J. S., 1982) .
A des alo ização do Escudo impulsionou o u ismo, com um aumen o mui o
signi ica i o das ecei as nes e se o (Lopes J. S., 1982) (Schmi , 1981).Po ou o lado, a
des alo ização e e um e ei o dep essi o na p ocu a in e na e em pa icula a ní el das
impo ações o que con ibuiu pa a o eequilíb io ex e no. Es e e ei o dep essi o não impediu
o c escimen o de economia, supe io ao p e is o no p og ama, impulsionado pelo aumen o da
p ocu a ex e na (Lopes J. S., 1982) (Schmi , 1981).
Apesa dos sucessi os aumen os, as axas de ju o em Po ugal o am semp e nega i as
em e mos eais, mas com o aumen o mais acen uado impos o pelo Aco do de 1978 hou e
uma edução signi ica i a dessa ma gem nega i a de 9% em 1977 pa a 3% em 1978 (Schmi ,
1981).
Es a es a égia e e esul ado mui o posi i os. Fo am eliminados pa e dos incen i os
à especulação inancei a, uga de capi ais e eduzida a p opensão ao c édi o, o que e e
impac os mui o signi ica i os na melho ia balança co en e.
As axas de ju o ma cadamen e nega i as en e 1974 e 1978 eduzi am a a a i idade
dos a i os em Escudos, le a am a uma g ande expansão do me cado neg o pa a as ecei as do
u ismo e emessas dos emig an es, à alsi icação em massa dos alo es das expo ações e
72
com a ques ão da dí ida (Sga d, 2015) e e desde o início um papel a i o nes a c ise, endo
ao longo da década adap ado as suas p á icas a es a no a ealidade.
A p incipal di iculdade encon ada pelo FMI oi a conjugação en e o c escimen o e
os luxos de dí ida ex e na. Numa p imei a ase, a es a égia ado ada passa a pelo ajus e do
lado do de edo ou seja a esolução do p oblema da dí ida a a és de um p og ama de
ajus amen o no Es ado de edo . Es a opção es a a adap ada às p á icas de condicionalidade
exis en es pois passa a essencialmen e pela ges ão de a iá eis mac oeconómicas de o ma a
equilib a a economia (Gui ian, 1981).
No en an o, com o a ança da década, o FMI pe cebeu que os ajus es necessá ios em
mui as das economias a e adas pela c ise da dí ida apenas pode iam se alcançados no médio
p azo e a a és de e o mas es u u ais e medidas mic oeconómicas que e o çassem a
e iciência na alocação de ecu sos e pe mi issem o c escimen o da economia.
O FMI comp eendeu, ambém, que o ajus e não pode ia se ealizado apenas pelo
de edo , sendo que os c edo es e iam ambém de pa icipa nos es o ços pa a es au a o
equilíb io (Sga d, 2015).
Es a omada de consciência, di ada pela expe iência, le ou à ino ação nas p á icas de
condicionalidade do FMI (Gui ian, 1981).
O FMI passou a inclui os c edo es nas negociações de p og amas de assis ência com
is a à c iação de paco es de emp és imos conce ados. Na p á ica, o FMI começou a exigi
que os c edo es dessem ga an ias i mes quan o ao inanciamen o dos Es ados de edo es,
an es de acei a em a ealização de um p og ama de ajus amen o nesses mesmos Es ados,
en ando assim dis ibui de uma o ma mais equilib ada os cus os do ajus amen o.
Uma ez que os p og amas do FMI isa am a ecupe ação do equilíb io e a c iação de
condições pa a o pagamen o a médio e longo p azo da dí ida, os c edo es e am pa e
in e essada nes as negociações e o seu comp omisso com o p og ama e a um p é- equisi o
pa a o sucesso do mesmo, o que signi ica a uma ex ensão da condicionalidade aos c edo es.
(Sga d, 2015) (Gui ian, 1981).
A o ma como es es emp és imos combinados se ma e ializa am ambém oi
e oluindo g adualmen e, sendo que inicialmen e inham como base o eescalonamen o e
e inanciamen o da dí ida, ao longo da década passa am a inclui paco es mone á ios mais
so is icados e chega am mesmo a inclui eduções olun á ias da dí ida (Gui ian, 1981)

73
Apesa das di iculdades ine en es à negociação en e g upos com in e esses imedia os
di e en es, a abo dagem do FMI quan o à c ise da dí ida oi que a complemen a idade en e
de edo es e c edo es e a o caminho pa a a esolução dos p oblemas, uma ez que um ajus e
sólido se ia ga an ia de um inanciamen o mais acessí el, c iando as condições pa a o
desen ol imen o da economia e o pagamen o da dí ida (Gui ian, 1981).
O equilíb io dos cus os do ajus amen o en e de edo es e c edo es, as consequências
pa a os países em desen ol imen o e o papel que o FMI desempenhou em odo o p ocesso,
o am e são obje o de p o unda discussão (Sachs, 1989) (Nunes A. B., 2011) (Uni ed Na ions:
Depa men o Economics and Social A ai s , 2017), mas no âmbi o des e abalho não
desen ol e emos es as ques ões.
A condicionalidade e os modelos de inanciamen o adap a am-se ambém à maio
necessidade de aplicação de e o mas es u u ais de médio p azo nos países in e encionados.
Ope acionalmen e, es a dinâmica esul ou na c iação de no os ipos de p og amas de
inanciamen o.
Em 1986 oi c iado o P og ama de Ajus amen o Es u u al (PAE) e, dois anos depois,
o P og ama de Ajus amen o Es u u al Melho ado (PAEM). Ambos os p og amas se
des ina am exclusi amen e a países em desen ol imen o com PIB pe capi a baixo. A
p incipal dis inção en e es es no os p og amas e os an e io es, oi a axa de ju o eduzida de
0,5% nos emp és imos, enquan o nos es an es se p a ica am axas p óximas das de me cado.
Os dois p og amas inham pe íodos de eembolso en e 5 anos e meio e 10 anos e uma
du ação no mal de 3 anos, embo a o PAEM enha em alguns casos chegado aos 4 anos.
No PAEM os mon an es disponí eis e am mais ele ados e os le an amen os e am
ei os semes almen e de aco do com o cump imen o dos c i é ios de desempenho e das
e isões ealizadas, enquan o no PAE os mon an es e am meno es e os le an amen os e am
ei os anualmen e, sendo que as cláusulas de desempenho e e isão do p og ama e am
ambém es abelecidas anualmen e.
O FMI aplica a uma meno condicionalidade no PAE do que no PAEM e, embo a
ambos se ocassem na aplicação de e o mas es u u ais, no p imei o as e o mas exigidas
e am menos p o undas e ambiciosas. Na p á ica, o FMI apenas da a acesso ao PAEM a
memb os dos quais espe a a um bom desempenho, enquan o os memb os que conside a a
menos comp ome idos pode iam acede ao PAE numa p imei a ase e, caso o desempenho
osse posi i o, acede pos e io men e a um PAEM. Es a poli ica e le iu-se nos melho es
74
esul ados ob idos compa a i amen e em países que in eg a am o PAEM do que os que
in eg a am o PAE (Polak, 1991).
Como imos an e io men e, o P og ama de Financiamen o Compensa ó io oi c iado em
1963, mas em 1988 o FMI decidiu adiciona a es e p og ama uma componen e de
inanciamen o de con ingência, passando o p og ama se conhecido como P og ama de
Financiamen o Compensa ó io e de Con ingência (PFCC).
O PFCC su giu como um complemen o à condicionalidade do FMI, pois os Es ados
in e encionados pode iam eco e a es e p og ama du an e a igência de um dos ou os
p og amas, como um Aco do S and-by, quando se iam con on ados com a o es exógenos,
de que é exemplo o aumen o das axas de ju o nos me cados ex e nos, que a e assem
nega i amen e o seu equilíb io ex e no, comp ome endo os obje i os iniciais da in e enção.
Os le an amen os no PFCC não e am au omá icos, exis indo a necessidade de no as
negociações com o FMI pa a e o ça o ajus amen o. Ou o aspe o pa icula do PFCC oi a
sua sime ia, ou seja, caso sob es e p og ama a balança de pagamen os passasse a se
a o a elmen e in luenciada po a o es exógenos, os Es ados e iam que adap a os seus
obje i os de aco do. Es es a o es le a am a que o inanciamen o de con ingência osse mui o
pouco u ilizado a é ao im da década de 80 (Polak, The Changing Na u e o IMF
Condi ionali y , 1991).
6.2. A dinâmica in e na
6.2.1. Da es abilidade à c ise: 79 a 83
Como e e imos an es, os es o ços de es abilização ealizados po Po ugal i e am
um sucesso inegá el, com a balança co en e a passa de um dé ice de 9% em 1977 pa a uma
si uação p óxima do equilíb io em 1979 e o c escimen o do PIB a a ingi os 4% (FMI,
Po ugal - S a Repo o he 1982 A icle IV Consul a ion, 1982).
No en an o, logo em 1979 a economia mundial oi a ingida po um no o choque
pe olí e o que mais do duplicou o p eço des e bem, em consequência da e olução I aniana e
da ins abilidade p o ocada naquele país, que le ou a uma edução da sua p odução de
pe óleo. Es e no o choque ex e no e e consequências globais le ando à aplicação de
medidas de con ação nos países indus ializados, pa a en en a as p essões in lacioná ias.
75
Em consequência, Po ugal oi a ingido po um no o choque ex e no com g a es
consequências pa a a economia. O aumen o do p eço do pe óleo impulsionou a in lação pelo
lado dos cus os e, com o a e ecimen o da economia mundial, a p ocu a caiu, ha endo uma
edução das expo ações e um no o ag a amen o dos e mos de oca. A si uação oi ainda
ag a ada pela alo ização ela i a do dóla e pelo aumen o das axas de ju o (Lopes J. S.,
2004).
Nes e con ex o ex e no nega i o a espos a po uguesa oi opos a à dos es an es
países eu opeus. Após um ciclo de c ise, a melho ia da posição ex e na da economia
Po uguesa associada à p eocupação com as condições do me cado in e no, le ou a que
mui as das medidas omadas du an e o pe íodo de es abilização começassem
p og essi amen e a se a ouxadas e, em alguns casos, abandonadas (Ab eu, 2005), (FMI,
Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
Em ab il de 1979, du an e o IV Go e no Cons i ucional, di igido po Ca los Mo a
Pin o (Go e no Po uguês, 1978), hou e uma al e ação da polí ica cambial po uguesa, com a
edução do i mo de des alo ização do escudo de 1,25% po mês pa a 1 %, que oi e o çada
em Julho do mesmo ano, quando a axa passou pa a 0,75%.
A polí ica sala ial p e endia man e a compe i i idade po uguesa a a és da c iação
de limi es aos aumen os sala iais que não pode iam supe a a in lação p e is a de 20%, ou
seja impedindo aumen os eais. Con udo, o go e no p e endia aumen a os endimen os dos
abalhado es a a és da edução do impos o sob e os salá ios, do aumen o dos apoios
públicos às amílias e da manu enção do sis ema de p eços con olados pa a á ios bens
essenciais, que não acompanha am os aumen os de p eço no me cado in e nacional (FMI,
Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
No im de 1979, du an e o V Go e no Cons i ucional lide ado po Ma ia de Lu des
Pin assilgo, exis iu uma mode ação da polí ica mone á ia com a edução dos
cons angimen os à expansão do c édi o bancá io (Go e no Po uguês, 1979). Os limi es
impos os aos bancos pa a aumen o do c édi o domés ico ao se o p i ado o am
signi ica i amen e ul apassados e o declínio em e mos eais das axas de ju o e le iu-se
num aumen o do i mo de expansão do c édi o, que alcançou os 25% no início de 1980 (FMI,
Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
O aumen o de liquidez causado pela expansão do c édi o oi e o çado pelo
c escimen o dos dé ices do se o público. O desequilíb io das con as públicas man e e-se
76
du an e o pe íodo de es abilização (Schmi , 1981) e, ao con á io do planeado, con inuou
ele ado em 1978 e 1979 com o dé ice a si ua -se nos 11% e 10% do PIB espe i amen e,
de ido a insu iciências a ní el das ecei as, que ica am aquém do espe ado, e do aumen o
dos gas os, sob e udo com salá ios no se o público e na manu enção do sis ema de p eços
con olados (FMI, Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
Es es dé ices do se o público o am inanciados po c édi os bancá ios, que i e am
um con ibu o mui o signi ica i o pa a o aumen o o al do c édi o domés ico em 1979 (FMI,
Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV Consul a ion, 1980).
P og essi amen e e i icou-se uma acele ação do i mo dos aumen os sala iais em
elação aos anos an e io es e uma econs i uição das ma gens de luc o das emp esas.
Es a polí ica, que na p á ica oi uma e e são de pa e das medidas de es abilização,
e e di e sas consequências pa a a economia po uguesa e pa a seu equilíb io ex e no que
começa am a sen i -se no im de 1979 e início de 1980.
Con udo, 1979 oi um ano posi i o pa a economia Po uguesa apesa da de e io ação
dos e mos de oca, de ido ao choque pe olí e o (A onso & Aguia , 2005) e à dep eciação
ela i a do escudo (Lopes J. S., 2004) (FMI, 1980), que ainda não se aziam sen i com a
in ensidade que se e i ica ia no u u o. Como e i icámos, es es esul ados de e am-se à
manu enção, apesa da p og essi a eg essão ao longo do ano, dos e ei os posi i os do
ajus amen o na compe i i idade, com um bom desempenho das expo ações, que jun amen e
com o aumen o da p ocu a in e na impulsionou o c escimen o da p odução indus ial e do
PIB (FMI, 1980). O aumen o da p ocu a le ou a um aumen o supe io das impo ações em
elação às expo ações, mas o desequilíb io da balança come cial oi compensado pelas
ecei as do u ismo e das emessas dos emig an es, o que pe mi iu o bom esul ado da balança
co en e.
No dia 2 de dezemb o de 1979 ealiza am-se eleições legisla i as que esul a am na
i ó ia da Aliança Democ á ica, o mada pelo PSD, CDS e PPM, e de am o igem ao VI
Go e no cons i ucional, lide ado po F ancisco Sá Ca nei o, que oi nomeado P imei o-
Minis o a 3 de janei o de 1980.
Face ao bom desempenho ex e no em 1979, ao calendá io elei o al que p e ia no as
eleições legisla i as em ou ub o de 1980 e P esidenciais em dezemb o (Ab eu, 2005) e á
on ade de da um sinal de i agem ao país, iniciando um no o ciclo ma cado pelo
in es imen o pela ecupe ação do endimen o das amílias (Ho a, 2018), o go e no igno ou
77
os desen ol imen os ex e nos (Lopes J. S., 2004), e man e e a es a égia expansionis a com o
a ouxamen o das polí icas de es abilização (Go e no Po uguês, 1980) (Ne es, 1994).
Es a opção começou a ma e ializa -se logo em e e ei o de 1980 quando o Go e no,
numa en a i a de eduzi as p essões in lacionis as, ez uma alo ização de 6% do Escudo
(Ama al J. F., 2018) e, simul aneamen e, e o çou o con olo sob e os p eços, o que num
con ex o in e nacional nega i o ob igou as emp esas públicas a eco e em ao endi idamen o
ex e no pa a compensa os p ejuízos das endas abaixo do cus o (Ca doso, 2018).
Em junho do mesmo ano e i icou-se uma no a al e ação, no mesmo sen ido, da
polí ica cambial com a edução do i mo de des alo ização mensal do escudo de 0,75% pa a
0,50% (Ab eu, 2005).
A expansão do c édi o bancá io con inuou a acele a em 1980 e o dé ice do se o
público aumen ou pa a 11% do PIB, apesa do sucesso da campanha con a a e asão iscal
que pe mi iu aumen a a ecei a, de ido ao aumen o das despesas com salá ios, bene ícios
sociais e com as despesas do se o emp esa ial do Es ado (FMI, Po ugal - S a Repo o
he 1982 A icle IV Consul a ion, 1982)
Em 1980 hou e uma edução da axa de in lação pa a 16%. Es a edução de eu-se em
pa e às medidas ado adas pelo go e no e ambém ao bom ano ag ícola que pe mi iu uma
edução dos p eços dos bens alimen a es. No en an o, os aumen os sala iais em e mos
nominais man i e am-se nos 20%, o que esul ou num aumen o dos salá ios eais, mo imen o
opos o ao e i icado du an e os anos de es abilização, e numa edis ibuição do endimen o a
a o dos abalhado es.
Es a polí ica le ou a aumen o mui o signi ica i o, 6,7 %, da p ocu a in e na que oi
maio i a iamen e canalizada pa a o in es imen o em capi al ixo, de ido a maio es abilidade
do ambien e polí ico e à c iação de incen i os iscais e inancei os pa a in es imen os
p odu i os e habi ação.
Es e aumen o da p ocu a in e na e le iu-se no ápido aumen o das impo ações, ao
mesmo empo que o c escimen o das expo ações se eduzia signi ica i amen e de ido à
queb a da p ocu a ex e na e à edução da compe i i idade dos p odu os po ugueses, com a
alo ização do Escudo e o ag a amen o dos e mos de oca. Po ugal con inuou
ex emamen e dependen e da impo ação de pe óleo, que ep esen a a 85% da ene gia
u ilizada, o que o o nou mui o ulne á el ao aumen o do p eço do pe óleo, que se e le iu no
aumen o do alo das impo ações.

78
Es e con ex o causou um g ande e ápido desequilíb io da balança co en e Po uguesa
que a ingiu um dé ice de 1,25 Biliões de Dóla es, 5% do PIB, em 1980 (FMI, Po ugal -
Reques o S and-By A angemen , 1983). Con udo o PIB Po uguês con inuou a c esce a
um i mo ele ado, 5,5%, em elação aos seus p incipais pa cei os económicos que c esce am
ce ca de 1% em média.
Em 1981, a expansão mone á ia con inuou a ag a a -se ace ao con ínuo des espei o
pelos limi es à expansão do c édi o domés ico, que em agos o de 1981 a ingia os 33%, e à
desadequação das axas de ju o, que pe mi i am o acesso ao c édi o a cus os mui o baixos, a
que se jun ou o aumen o dos gas os do se o público que o am em g ande pa e inanciados
a a és da con ação de dí ida ex e na (Ma eus, 1985).
6.2.2. Um ajus amen o insu icien e
A debilidade das es a ís icas po uguesas na época em análise impediu que as
au o idades comp eendessem o g au de desequilíb io da economia com a apidez necessá ia,
sendo que es e oi apenas econhecido já no segundo imes e de 1981 (FMI, Po ugal - S a
Repo o he 1982 A icle IV Consul a ion, 1982). Es e ac o, a que se somou a ins abilidade
poli ica causada pela mo e do p imei o-minis o F ancisco Sá Ca nei o, em dezemb o de
1980, e a sua sucessão po F ancisco Pin o Balsemão no VII e VIII Go e nos, le ou a que a
es a égia expansionis a só começasse a se e e ida na segunda me ade do ano.
Algumas das medidas omadas pa a essa e e são o am o aumen o das axas de ju o
em 2%, o aumen o do i mo de des alo ização mensal do Escudo pa a 0,75%, a edução dos
e os pa a expansão do c édi o e aumen o das penalidades, o es abelecimen o de limi es aos
aumen os sala iais no se o publico e p i ado, o aumen o dos p eços dos p odu os subsidiados
e um maio con olo dos gas os do se o publico. Es as medidas i e am algum sucesso na
con enção da expansão do c édi o no se o p i ado, mas o am cla amen e insu icien es pa a
e i a a de e io ação da posição ex e na da economia Po uguesa (FMI, Po ugal - S a
Repo o he 1982 A icle IV Consul a ion, 1982) (Lopes J. S., 2004).
O dé ice público oi ce ca de 12% em 1981, com o c édi o ao se o público a
aumen a no amen e, sob e udo no se o emp esa ial do Es ado. G ande pa e des e
inanciamen o oi ei o a a és da con ação de dí ida ex e na, com a dí ida de cu o p azo a
ep esen a um e ço da mesma, o que aumen ou o peso dos pagamen os do se iço da dí ida
79
ex e na, que a ingi am 10 biliões de dóla es em 1981 (Lopes J. S., 2004) (FMI, Po ugal -
S a Repo o he 1982 A icle IV Consul a ion, 1982).
Os salá ios ol a am a aumen a em e mos eais e os e mos de oca pa a Po ugal
con inua am a de e io a -se (FMI, Po ugal - S a Repo o he 1982 A icle IV
Consul a ion, 1982).
A pe o mance das expo ações man e e-se dececionan e. Ao ag a amen o das
condições da p ocu a ex e na e da compe i i idade nacional somou-se o aumen o das medidas
p o ecionais em di e sos me cados ex e nos em elação aos p odu os êx eis (Uni ed Na ions:
Depa men o Economics and Social A ai s , 2017), uma das p incipais expo ações
po uguesas.
Ao mesmo empo hou e um aumen o das impo ações, consequência do aumen o da
p ocu a in e na, que aumen ou 4,3% em 1981, pela necessidade de econs ui s ocks e de ido
ao mau ano ag ícola, que ampliou a necessidade de impo ação de bens alimen a es.
A desadequação das axas de ju o em Po ugal em elação aos me cados
in e nacionais c iou opo unidades pa a a bi agem, o que impulsionou a uga de capi ais
apesa das es ições exis en es à ans e ência de capi ais. As ecei as com u ismo e as
emessas dos emig an es o am in e io es ao espe ado. Pa a es a si uação con ibui-o o clima
de ins abilidade polí ica e económica e a desadequação das axas de ju o que o na am os
depósi os em escudos menos a a i os pa a os emig an es e que, ao impulsiona em a uga de
capi ais, le a am ao aumen o de ní el dos endimen os não decla ados.
Es a conjun u a le ou a uma g ande edução das ese as o iciais em moeda
es angei a, que no im de 1981 e am in e io es a 500 milhões de Dóla es, o equi alen e a
menos de 3 semanas de impo ações, e com as ese as do sis ema bancá io a si ua em-se em
apenas 1 Bilião de dóla es. Toda ia, Po ugal man inha ese as de ou o signi ica i as.
Em 1981 Po ugal e e um g ande ag a amen o do dé ice da balança co en e que
excedeu os 2,5 Biliões de Dóla es, 11% do PIB (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1983), o c escimen o do PIB oi in e io a 1,5%, o desemp ego a ingiu os 9% e
a in lação ol ou a subi pa a 20% (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen ,
1983).
Apesa da si uação da economia Po uguesa se es a a o na apidamen e
insus en á el, no médio p azo não se e i icou uma al e ação de undo na es a égia
80
económica Po uguesa. O go e no en ou adia ao máximo as du as medidas de ajus amen o
necessá ias, o que i ia a e g a es consequências (Lopes J. S., 2004) (Te -Minassian, 2011).
Pa a es a espos a con ibuí am alguns a o es de o dem in e na como a ins abilidade
que se i ia den o do PSD, p incipal pa ido do go e no, e en e os pa cei os da p óp ia
Aliança Democ á ica, o que impediu uma espos a mais asse i a ao ag a amen o da si uação
ex e na. Ou o elemen o essencial oi o oco do go e no na ap o ação da e isão
cons i ucional de 1982, ou seja, a manu enção do consenso pa lamen a pa a a ap o ação da
e isão cons i ucional sob epôs-se a algumas decisões impopula es necessá ias pa a o
ajus amen o (Ben o, 2018) (Ama al J. F., 2018).
O i mo de c escimen o do c édi o domés ico, após uma pequena desacele ação no
início de 1982, ol ou a aumen a pa a ce ca de 25% no im do ano, sendo que os e os
impos os pelo go e no à expansão do c édi o bancá io o am la gamen e ul apassados
de ido à p essão da p ocu a e à ine icácia das penalizações (FMI, 1983).
A p ocu a de c édi o oi es imulada pelas baixas axas de ju o, apesa do go e no e
ei o um pequeno aumen o das mesmas em ab il de 1982. Simul aneamen e, man e e-se um
sis ema de subsídios ao c édi o pa a in es imen o e habi ação que es imulou o c escimen o do
c édi o pa a es es se o es. As axas de ju o nega i as em e mos eais, mui o in e io es às
axas em igo no ex e io , con inua am a p omo e a uga de capi ais.
O dé ice do se o público a ingiu os 11,7% em 1982, com o endi idamen o do se o
emp esa ial do Es ado a aumen a signi ica i amen e, eco endo sob e udo à con ação de
dí ida ex e na, que aumen ou 30%. O g ande aumen o do endi idamen o das emp esas
públicas de eu-se p incipalmen e a dois a o es. A necessidade de inancia as pe das c iadas
pelo desajus e o sis ema de p eços (Ca doso, 2018) e a pe da p og essi a de c edibilidade nos
me cados de capi al do es ado cen al, le a am o go e no a eco e ao endi idamen o a a és
de emp esas com c edibilidade ex e na, como a EDP, o que comp ome eu a sua iabilidade
(Ama al J. F., 2018).
No o al, em 1982 a dí ida ex e na po uguesa aumen ou ce ca de 2,5 biliões de
dóla es, a ingindo os 13,5 biliões de dóla es, que se somou ao aumen o do c édi o domés ico
(FMI, 1983).
Es a polí ica expansionis a e le iu-se na con inuação do aumen o da p ocu a in e na,
que ol ou a c esce 4,3% acili ada pelos baixos cus os do c édi o e canalizada pa a a
cons i uição de s ocks, (alguns deles especula i os ace às pe spe i as de des alo ização do
81
Escudo), pa a o in es imen o, que embo a enha diminuído em elação aos anos an e io es se
man e e posi i o, e pa a o consumo (FMI, 1983).
O aumen o do consumo p i ado oi ambém in luenciado pelos aumen os eais no
endimen o. O i mo de aumen o dos salá ios acele ou em 1982 pa a aze ace à in lação,
mas com as medidas impos as pelo go e no, como o congelamen o dos salá ios e p eços
du an e ês meses no e ão, e i icou-se uma p og essi a edução da in lação ao longo do
ano, ixando-se em 19%, o que signi icou ganhos eais nos salá ios. O aumen o do consumo
de i ou ambém da diminuição da poupança, de ido as axas de ju o eais nega i as (FMI,
1983).
A o e p ocu a in e na p o ocou um no o aumen o das impo ações que c esce am
5,6% em olume, o que con abalançou o signi ica i o aumen o das expo ações, em g ande
pa e a ibuí el ao início do uncionamen o do complexo pe oquímico de Sines. Exis iu uma
melho ia, pouco signi ica i a, dos e mos de oca em 1982, embo a os p eços das
commodi ies impo adas, como o pe óleo, se enham eduzido signi ica i amen e (Bough on,
2001).
Em consequência, Po ugal conseguiu uma pequena edução do dé ice da balança
come cial. No en an o, es es esul ados o am p o undamen e in luenciados pela
sub ac u ação das ecei as de expo ação, com uma pa e do endimen o a se u ilizado na
uga de capi ais. A mesma si uação oi isí el nas ecei as do u ismo onde, apesa de um
g ande aumen o no olume, se e i icou uma edução das ecei as. As emessas dos
emig an es, que semp e i e am um papel cen al no equilíb io ex e no Po uguês, o am
nega i amen e in luenciadas pela dep eciação do F anco, pelas axas de ju o pouco a a i as e
pelas acas pe spe i as ace à e olução do Escudo (FMI, 1983).
A despesa com o se iço da dí ida ex e na alcançou em 1982 16% do o al de ecei as
em moeda es angei a e o o al da dí ida mais de 27%, o que e e um eno me impac o no
equilíb io ex e no Po uguês (FMI, 1983).
No im de 1982 a posição ex e na da economia Po uguesa inha-se ag a ado
signi ica i amen e com a con a co en e a alcança um dé ice de 3,3 biliões de dóla es o
equi alen e a 13,2% do PIB (Ab eu, 2005) (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1983). Es e dé ice oi inanciado pela con ação de dí ida ex e na (Lopes J. S.,
2004) e esul ou na edução das ese as o iciais de moeda es angei a pa a um alo in e io
a 400 milhões de dóla es, com as ese as do sis ema bancá io a si ua em-se em 1,2 biliões de
88
a i os em Escudos, inclusi e ob igações do Es ado, e a poupança, eduzindo a p ocu a in e na
sem necessidade de co es di e os na despesa.
Conside ando as mudanças es u u ais que a e a am a balança de pagamen os
Po uguesa nos úl imos anos, como o aumen o dos cus os com o se iço da dí ida e a edução
es u u al das emessas dos emig an es, o FMI conside ou que se ia necessá io aumen a a
compe i i idade dos p odu os nacionais pa a alo es supe io es aos alcançados em 1979. Pa a
es e aumen o de compe i i idade e a undamen al a manu enção de uma axa de câmbio
lexí el que pe mi isse a des alo ização do Escudo pa a os alo es necessá ios em cada
momen o.
A edução do i mo de c escimen o do c édi o domés ico e do endi idamen o ex e no
- O aumen o do c édi o po ia em causa as polí icas de con olo da p ocu a a ás desc i as e
aumen a ia a p essão sob e a balança de pagamen os.
Es as medidas de e iam se complemen adas pela mode ação dos aumen os sala iais,
com a polí ica sala ial a desempenha um papel signi ica i o na con enção da p ocu a in e na.
Os écnicos do FMI concluí am que dada a dimensão do ajus amen o necessá io, a
aplicação des as e ou as medidas necessá ias pa a es au a o equilíb io ex e no exigiam um
plano de ação coo denado em á ias á eas da económica e ecomenda am que o design e
aplicação des e p og ama osse uma p io idade pa a o no o go e no esul an e das eleições
de 25 de ab il de 1983 (Lo a o, 1983).
6.3. Causalidade: 1979-1983
Es e pe íodo dis ingue-se pelo ac o de Po ugal não e eco ido a nenhum p og ama
do FMI. No en an o, Po ugal man e e elações egula es com o Fundo e, al como no
pe íodo an e io , é possí el a e i elações en e as ações e ecomendações do FMI e as
opções de polí ica económica ado ada pelo go e no po uguês, embo a a ação do FMI não
i esse uma e en e condicional.
Ou o aspe o comum com o pe íodo an e io oi a impo ância das dinâmicas ex e nas
e in e nas pa a a eeme gência da c ise ex e na. No en an o, en e 1979 e 1983 a c ise esul ou
não de uma coincidência en e choques ex e nos e in e nos, mas da inadequação da espos a
poli ica dada ao choque ex e no p o ocado pela segunda c ise pe olí e a (Nunes A. B., 2015)
(Te -Minassian, 2011) (Ga ido, 2005) (Ama al J. F., 2018).

89
Es e ac o não in alida a eno me impo ância do impac o da con ação da economia
in e nacional na economia Po uguesa, nem que ou os a o es in e nos, como a ins abilidade
polí ica, enham ido um papel no ag a amen o da si uação económica.
Como imos, a aplicação do p og ama de es abilização do FMI con ibuiu pa a a
queda do II Go e no Cons i ucional, inaugu ando uma época ma cada pela ins abilidade e
com sucessi os Go e nos de inicia i a p esidencial. A dico omia en e a aus e idade pedida
pelo Fundo e uma Assembleia da Republica a essa a mais aus e idade, ouxe eno mes
di iculdades a es es Go e nos. O IV Go e no Cons i ucional iu o O çamen o de Es ado pa a
1979 chumbado, endo que ap esen a um no o o çamen o, menos es i i o, num p ocesso
que culminou com a demissão do en ão P imei o-Minis o Ca los Albe o da Mo a Pin o
(Nunes M. J., 2011).
Nes e con ex o, mui as das medidas de es abilização começa am a se e e idas
ado ando-se uma es a égia expansionis a.
O FMI admi iu que o sucesso da es abilização inha colocado o país numa posição
melho pa a en en a as di iculdades esul an es da c ise económica in e nacional, mas logo
em 1980 ale ou pa a o p og essi o ag a amen o da si uação po uguesa p e endo que sem
uma ápida co eção a economia en a ia apidamen e em desequilíb io ex e no.
O FMI ecomendou ambém um conjun o de medidas de cu o p azo, na linha das
medidas an e io men e aplicadas, com is a a in e e es a endência. Apesa des e ale a o VI
Go e no Cons i ucional, lide ado po F ancisco Sá Ca nei o, man e e e inclusi amen e
e o çou as medidas expansionis as ao longo do ano de 1980. Es a opção de eu-se ao bom
desempenho ex e no em 1979, a es a égia an i-in lacionis a (Ama al J. F., 2018) e o
calendá io elei o al (Lopes J. S., 2004).
Como imos, só no segundo semes e de 1981, ace ao cla o ag a amen o da posição
ex e na em 1980, o VII Go e no Cons i ucional ado ou medidas de co eção. Aqui podemos
e i ica que as medidas de co eção ado adas es ão em linha com as ecomendações ei as
pelo Fundo em 1980. Pa a es e ac o podem e con ibuído as negociações com o Fundo em
1981 pa a a ealização de um Aco do S and-by, embo a es e nunca de enha e e i ado.
Os maus esul ados que se e i ica am 1981, com o dé ice da balança co en e a
a ingi os 11%, p o a am as insu iciências das medidas aplicadas, o que oi ea i mado pelo
FMI no ela ó io de 1982 que insis iu na u gência do go e no aplica medidas pa a e e e
90
es a endência. Es e ela ó io ale ou ambém pa a os pe igos do g ande c escimen o da dí ida
ex e na pa a o desen ol imen o u u o do país.
Com um dé ice da balança co en e supe io ao de 1977 e 1978 e sem ese as
signi ica i as em moeda es angei a, o adiamen o do ajus amen o Po uguês só oi possí el
dada a disponibilidade de c édi o ex e no, que se inha abe o a Po ugal após o sucesso do
seu ajus amen o.
Na nossa análise, e i icámos que os Go e nos lide ados po Pin o Balsemão adia am
o máximo que pude am o necessá io ajus amen o da economia, com ou sem o apoio do FMI,
eco endo ao c édi o ex e no pa a inancia os desequilíb ios, o que esul ou num eno me
aumen o da dí ida ex e na (Lopes J. S., 2004). Es a a i mação, não in alida que enham sido
aplicadas algumas medidas, mas es as ica am mui o aquém do necessá io pa a in e e o
aumen o da p ocu a ou pe da de compe i i idade que con inua am a aumen a du an e odo o
pe íodo ( e anexo 11.6. Causalidade 1983). Pa a es e ac o pa ecem e con ibuído as
icções exis en es den o dos go e nos e a p eocupação em c ia os consensos necessá ios
pa a a ap o ação da e isão cons i ucional de 1982 (Ama al J. F., 2018) (Ben o, 2018).
No inal de 1982 o país egis ou o maio dé ice da balança co en e na OCDE. O
p og essi o ag a amen o da si uação o nou o inanciamen o in e nacional ex emamen e
limi ado, Po ugal e e que eco e mais uma ez às ese as de ou o no início de 1983.
Con on ado com es a ealidade, em dezemb o de 1982, o P imei o-minis o Pin o Balsemão
pediu a demissão endo sido ma cadas eleições an ecipadas pa a 25 de ab il de 1983.
Concluímos da nossa análise que oi enquan o demissioná io que o VIII Go e no
Cons i ucional aplicou medidas mais signi ica i as pa a o eequilíb io ex e no Po uguês, de
que é exemplo o O çamen o de Es ado de 1983 e o aumen o das axas de ju o. A aplicação
des as medidas na éspe a de eleições de eu-se à al a de al e na i as em que o a as amen o
da si uação inha esul ado (Ama al J. F., 2018).
O ela ó io do FMI no âmbi o do a igo IV em 1983, con on ado com a si uação de
eme gência em Po ugal, con ém já as bases pa a um p og ama de es abilização, que o Fundo
conside a a ine i á el, sendo que conclusão dos écnicos ecomenda, indi e amen e, a
ealização de um no o p og ama de ajus amen o jun o do FMI.
Es e p og ama de Es abilização começa ia a se aplicado logo após a omada de posse
do IX Go e no Cons i ucional em junho, inaugu ando uma no a ase de in e enção do FMI
em Po ugal.
91
7. O pe íodo de assis ência 83 - 85: O segundo esga e
7.1. O Go e no Po uguês oma a inicia i a
Logo após a omada de posse, em 9 de Junho de 1983, o IX Go e no Cons i ucional,
cons i uído po uma coligação pós-elei o al en e o Pa ido Socialis a e o Pa ido Social-
Democ a a e p esidido po Má io Soa es, con on ado com a g a idade da si uação ex e na do
país e a al a de al e na i as ao ajus amen o (Te -Minassian, 2011), in oduziu um paco e de
medidas de es abilização inancei as e económicas (Lo a o, 1983)e p ocedeu ao
le an amen o da anche de ese a da co a jun o do FMI, que nesse momen o co espondia a
258 milhões de DES, colocando as ese as de Escudos em 100% da co a e inaugu ando um
no o pe íodo de in e enção do FMI em Po ugal (FMI, 1983)
Como imos an e io men e, o le an amen o da anche de ese a é ei o de o ma
incondicional, mas o plano de es abilização aplicado pelo go e no, que incluiu uma
des alo ização de 12% do Escudo, o congelamen o do p og ama de in es imen os públicos,
um aumen o subs ancial e gene alizado do p eço dos bens subsidiados, a in odução de um
no o impos o sob e o luc o das emp esas e o aumen o das axas de ju o sob e os depósi os
em 2% e sob e os emp és imos em 2,5% seguiu as ecomendações an e io es do Fundo que
inha man endo con e sações pe iódicas com as au o idades Po uguesas (Ca doso, 2018).
Es as medidas cons i uí am a base do ajus amen o Po uguês, endo sido aplicadas an es do
início das negociações o iciais de um no o aco do S and-By jun o do FMI (Te -Minassian,
2011), mas cons i uindo-se como um p imei o passo pa a que es as oco essem.
As negociações en e Po ugal e o FMI pa a es e aco do deco e am en e 18 de julho
e 8 de agos o de 1983 em Lisboa, indo a ma e ializa -se em 9 se emb o (FMI, Po ugal -
Reques o S and-By A angemen , 1983) com o en io da ca a de in enções pelo en ão
Minis o das Finanças e Planeamen o, E nâni Rod igues Lopes e pelo Go e nado do Banco
de Po ugal, Manuel Jacin o Nunes.
O pedido Po uguês oi acei e o icialmen e no dia 9 de ou ub o. O aco do S and-by
( e anexo 11.4. Aco do S and-by de 1983) inha a du ação de 16 meses, pe mi ida pela
segunda e isão ge al das p á icas de condicionalidade em 1979 (FMI, 2002) , cob indo o
pe íodo en e 7 de ou ub o de 1983 e 28 de Fe e ei o de 1985 e p e ia a comp a de 445
milhões de DES, equi alen e a 172% da co a, aumen ando a do ação de Escudos do FMI pa a
92
272% da co a. Simul aneamen e, em ou ub o de 1983, Po ugal ez um pedido pa a um
P og ama de Financiamen o Compensa ó io no alo de 258 milhões de DES, 100% da co a.
No âmbi o des e p oje o, analisa emos os p og amas an es e e idos, sepa adamen e.
7.2. O aco do S and-by de 1983
O p og ama es ipulado pelo Aco do S and-by inha como p incipal obje i o eduzi o
dé ice da balança co en e na balança de pagamen os, que a ingiu os 3,2 Biliões de dóla es
em 1982 (13,2% do PIB), pa a 2 Biliões de dóla es em 1983, 9,3% do PIB, e ce ca de 1,25
Biliões de dóla es em 1984, 6% do PIB (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen ,
1983).
O p og ama p e endia ambém eduzi e es abiliza as pe das de a i os em moeda
es angei a pelo se o bancá io, eduzi o alo da in lação de 29% na da a do aco do, pa a
20% no im de 1984, e eduzi o dé ice do se o público de 12,6% do PIB em 1982, pa a 6%
do PIB em 1984.
O cump imen o des es obje i os pe mi i ia a Po ugal diminui as di iculdades de
inanciamen o da economia no cu o p azo e, ao mesmo empo, eduzi p og essi amen e os
enca gos com o se iço da dí ida, a o es essenciais pa a um c escimen o sus en ado da
economia no u u o (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
Es e P og ama incluía inanciamen o com ecu so a le an amen os em anches de
c édi o supe io e, de aco do com as eg as de condicionalidade igen es (Polak, 1991), inha
escalonamen o do inanciamen o e c i é ios de desempenho (FMI, Po ugal - Reques o
S and-By A angemen , 1983).
O escalonamen o no inanciamen o es abelecido no Aco do S and-by oi de 96.75
milhões de DES a é 31 de janei o de 1984 78, a é 30 de ab il 166,40, a é 31 de Julho 236,05,
a é 31 de ou ub o 305,70 e 375,50 a é 31 de janei o de 1985 (FMI, 1983).
Em elação aos c i é ios de desempenho, o am de inidos obje i os a alcança a é 31
de dezemb o de 1983 e obje i os p o isó ios a alcança a é 31 de dezemb o de 1984 (FMI,
1983). Os obje i os es abelecidos de ini am limi es à expansão c édi o do sis ema bancá io
nacional a ní el domés ico e ao se o publico, limi es máximos do o al da dí ida ex e na
con aída do sec o não mone á io, limi es máximos da dí ida ex e na de cu o p azo
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con aída e um es e de a i os ex e nos líquidos pa a o pe íodo desde o início do aco do a é
29 de e e ei o de 1984 (FMI, 1983).
O c édi o domés ico do se o bancá io, endo como base o alo de 2,148,9 biliões de
Escudos no im de 1982, não pode ia excede os 2, 786,5 biliões a é 31 de dezemb o de 83 e
3,416,5 biliões a é 31 de dezemb o de 1984. Den o do c édi o domés ico, o c édi o ao se o
público que e a de 462, 3 biliões de Escudos no im de 1982, não pode ia excede os 629,3
biliões a é 31 de dezemb o de 83 e 779 biliões a é 31 de dezemb o de 1984 (FMI, 1983).
Os limi es máximos do o al da dí ida ex e na con aída do sec o não mone á io,
pa indo do alo 12, 864 milhões de dóla es, e i icado no im de 1982, o am 13, 800
milhões a é 31 de dezemb o de 83 e 15,000 milhões a é 31 de dezemb o de 1984. Den o
des es limi es, os sublimi es pa a o endi idamen o ex e no de cu o p azo, endo como base o
alo de 3,752 milhões de dóla es e i icados no im de 1982, o am 3, 800 milhões a é 31 de
dezemb o de 83 e 4,000 milhões a é 31 de dezemb o de 1984 (FMI, 1983).
Em elação ao es e de a i os ex e nos líquidos, que p e endia con abiliza a pe da
acumulada de a i os em moeda es angei a do se o bancá io, que desde o início de 1983
ascendiam a 981 milhões de dóla es, o aco do S and-By es abelecia que não pode iam
ul apassa os 1, 6 biliões en e 7 de ou ub o de 83 e o im de e e ei o de 84, sendo que
no os limi es se iam es abelecidos pa a o es an e pe íodo de igência. (FMI, 1983).
O aco do p e ia que os limi es es abelecidos como c i é ios de desempenho ossem
e is os egula men e du an e o desen ol imen o do p og ama, podendo exis i al e ações e
ajus es aos mesmos, caso necessá io (FMI, 1983). Foi incluída como c i é io de desempenho,
a necessidade de alcança um aco do sob e o es abelecimen o de e os imes ais, e e en es a
1984, pa a a expansão do c édi o domés ico e pa a o se o publico a é 31 de Ma ço de 1984,
sob pena de Po ugal ica impedido de aze le an amen os a pa i dessa da a (FMI,
Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
Cons i uíam-se ainda como c i é ios de desempenho, o comp omisso de Po ugal não
ag a a ou in oduzi no as es ições ao comé cio e aos pagamen os e a ob igação de eduzi
a sob e axa sob e as impo ações de 30% pa a 10% no o çamen o pa a 1984, aplicando es a
al e ação a é 31 de Ma ço de 1984 (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen ,
1983).
O p og ama de es abilização aco dado p e endia alcança a melho ia da balança
co en e a a és da conjugação de medidas que p ocu a am simul aneamen e eduzi a

94
p ocu a in e na e aloca mais ecu sos ao se o expo ado . Como imos an e io men e,
algumas das medidas são p é ias à assina u a do Aco do S and-by, mas cons i uem um
p imei o es o ço do go e no Po uguês de ecupe a a es abilidade, se indo de base pa a a
in odução das no as medidas p e is as no aco do.
Nes e p og ama oi a ibuída uma g ande en ase ao se o público. Um dos obje i os
es abelecidos oi a edução do dé ice do se o publico e pa a al o am aco dadas um as o
conjun o de medidas, como o aumen o da ca ga iscal a a és de no os impos os indi e os
c iados em se emb o de 1983, o aumen o dos p eços adminis ados pelo undo de
abas ecimen o, em pa icula de ce os bens como o pe óleo e de i ados, e um maio
con olo da despesa pública, que passa ia pela con enção dos aumen os sala iais dos
uncioná ios públicos em 17%, o congelamen o das con a ações e do p og ama de
in es imen o, a edução das ans e ências do Es ado Cen al pa a ou as en idades publicas e
a al e ação do mecanismo de calculo das axas de ju o pagas ao Banco de Po ugal (FMI,
Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
O sis ema iscal Po uguês e a is o pelo FMI como demasiado complexo, eple o de
exceções e com á ias de iciências de aplicação, o que esul a a numa dis ibuição injus a da
ca ga iscal e numa e asão mui o signi ica i a. Em consequência, o p og ama apoia a a
es au ação do sis ema iscal Po uguês e o e o ço da sua aplicação (FMI, Po ugal - Reques
o S and-By A angemen , 1983).
Ou o aspe o essencial des e p og ama oi o e o ço da si uação inancei a do se o
emp esa ial do Es ado e, sob e udo, a edução do ecu so ao endi idamen o in e no e ex e no.
Es e obje i o se ia alcançado a a és de um co e nos p og amas de in es imen o e no
aumen o das capacidades de au o inanciamen o a a és da ixação de p eços ealis as, a
con enção dos salá ios, aumen o da p odu i idade e, caso necessá io, o ajus amen o da o ça
labo al (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
A limi ação do endi idamen o es endeu-se ambém ao Go e no Cen al, com a
c iação de e os à expansão do c édi o domés ico a es a componen e da adminis ação do
Es ado que implicou uma diminuição do i mo de c escimen o des e c édi o dos 33,3%
e i icados em 1982 pa a 18,8 % em 1984 (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1983).
O con olo do c édi o domés ico oi um pon o cen al nes e p og ama, que isa a a
diminuição do i mo de expansão de 29% em 1982 pa a 21,5% em 1984. Pa a es e im, pa a
95
além dos limi es à expansão do c édi o incluídos no aco do como cláusulas de desempenho,
con ibui iam ambém a melho ia das inanças públicas, uma melho aplicação dos limi es ao
c édi o impos os pelo Banco de Po ugal, a a és do aumen o das penalizações pa a os bancos
que en assem em incump imen o, e o aumen o dos ju os do c édi o (FMI, Po ugal - Reques
o S and-By A angemen , 1983).
O sis ema de p eços e salá ios oi ou o dos aspe os isados nes e p og ama. Os
p eços dos bens subsidiados, que já inham sido al o de aumen os signi ica i os em junho,
de e iam so e no os aumen os no início de 1984, sendo os p eços e is os ao longo do ano
de o ma a e le i a e olução dos p eços no me cado in e nacional, pe mi indo uma melho ia
da posição inancei a do undo de abas ecimen o (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1983).
Os aumen os sala iais em 1983 e 1984 de e iam ixa -se signi ica i amen e abaixo
dos alo es da in lação, ou seja, os salá ios de e iam diminui em e mos eais. O aco do
es abelecia ainda que os aumen os sala iais dos abalhado es das emp esas públicas es a am
limi ados a 20%. Po ou o lado, es a am p e is os aumen os signi ica i os no subsídio de
desemp ego, pa a aze ace ao p e isí el aumen o do desemp ego esul an e do p og ama de
ajus amen o (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983)
O aumen o das axas de ju o nos depósi os e no c édi o, como pa e do paco e de
medidas de es abilização aplicadas pelo go e no Po uguês a p io i, ele a am as mesmas
pa a alo es posi i os em e mos eais. No en an o, o p og ama sublinha a a impo ância de
uma ges ão lexí el das axas de ju o, de o ma a adap á-las aos alo es da in lação e à
e olução das axas no me cado de ex e no. O p og ama exigia ainda que os subsídios às axas
de ju o pa a expo ação exis en es ossem eliminados a é ao im de 1983 e os ou os sis emas
de incen i os ossem e is os (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
A des alo ização do Escudo em 12% em junho aumen ou a compe i i idade do país
pa a alo es supe io es aos e i icados em 1979. No en an o, o p og ama p e ia a
con inuação da polí ica de des alo ização deslizan e a um i mo de 1% ao mês, es abelecida
em ma ço de 1983, do Escudo ace a um conjun o de moedas de e e ência. Es a
des alo ização oi conside ada su icien e pa a man e a compe i i idade do país, mas es a a
p e is a a e isão do i mo de des alo ização caso o con ex o o exigisse (FMI, Po ugal -
Reques o S and-By A angemen , 1983).
96
O FMI espe a a que as axas de ju o e câmbio ealis as, associadas a uma maio
es abilidade polí ica, le assem a um aumen o das ecei as com o u ismo e das emessas dos
emig an es.
Ainda em e mos de polí ica ex e na, o aco do impunha um maio con olo sob e o
c escimen o da dí ida ex e na, em pa icula de cu o p azo, com is a eduzi os enca gos
com o se iço da mesma, a manu enção de um sis ema li e de es ições aos pagamen os e
ans e ências in e nacionais e a edução das ba ei as ao comé cio. Es es obje i os o am
incluídos no aco do, como c i é ios de desempenho (FMI, Po ugal - Reques o S and-By
A angemen , 1983).
Tal como os an e io es, es e p og ama de es abilização oi de cu a du ação e inha
como p incipal obje i o uma imedia a melho ia do desequilíb io da balança pagamen os
Po uguesa eco endo a uma polí ica de aus e idade iscal, con olo dos salá ios, es ição do
c édi o e lexibilidade cambial e de axas de ju o, pa a diminui a p ocu a in e na e ecupe a
o equilíb io ex e no (Lopes J. S., 2004). No en an o, es e aco do p e endia ambém inicia
algumas e o mas de médio p azo com is a a esol e algumas debilidades es u u ais como
a e o ma do sis ema iscal, o con olo das inanças públicas e o desen ol imen o do me cado
inancei o e lexibiliza o me cado de abalho (Te -Minassian, 2011).
As consequências e os impac os sociais des e p og ama são econhecidos pelo
go e no Po uguês e pelo FMI. A queb a da p ocu a in e na basea a-se numa signi ica i a
edução do endimen o eal das amílias e po sua ez do consumo, acompanhado pela queb a
no in es imen o publico e p i ado, esul an e da es ição do c édi o e da despesa pública. O
balanço ex e no, com o aumen o das expo ações, de ido ao aumen o da compe i i idade
nacional, e a edução das impo ações, de e ia con ibui posi i amen e pa a o PIB, mas não
o su icien e pa a e i a uma edução do mesmo du an e o p og ama e o consequen e aumen o
do desemp ego num con ex o de aumen os gene alizados dos p eços, incluindo os p eços
adminis ados, aumen os da ca ga iscal e mode ação das ans e ências sociais (Lopes J. S.,
2004) (FMI, Po ugal - Reques o S and-By A angemen , 1983).
7.3. P og ama de Financiamen o Compensa ó io de 1978
97
Como e e imos no início des e capí ulo, jun amen e com o pedido pa a o aco do
S and-by, Po ugal subme eu um pedido pa a um P og ama de Financiamen o Compensa ó io
no alo de 258 milhões de DES, 100% da co a (FMI, 1983). Es e pedido incidia sob e o
dé ice nas ecei as das expo ações de bens, das emessas dos emig an es e do u ismo,
de ido à sub-pe o mance das mesmas nos 12 meses an e io es a Ma ço de 1983 (FMI, 1983).
Uma ez que es e pedido excedia o alo de 50% da co a, segundo as eg as da
condicionalidade, só pode ia se acei e caso o FMI conside asse a coope ação com o Fundo e
os es o ços ealizados pa a a esolução dos desequilíb ios de pagamen os, sa is a ó ios. O
FMI conside ou que esse equisi o oi cump ido pela adoção do p og ama de es abilização
es abelecido no aco do S and-by (FMI, 1983).
Em elação ao dé ice nas ecei as das expo ações de bens, das emessas dos
emig an es e do u ismo, c i é io base pa a acede ao Financiamen o Compensa ó io, o FMI
calculou que, com base nos esul ados alcançados en e 80 e 82 e as es ima i as pa a os anos
83 a 85, es e se si ua ia em 359 milhões de DES, ou seja, um alo 40% supe io ao pedido
no p og ama (FMI, 1983). Es e dé ice subdi idia-se em 121 milhões de DES em expo ação
de bens, 92 milhões de DES em ecei as do u ismo e 141 milhões de DES em emessas dos
emig an es (FMI, 1983).
Em ma ço de 1984 es es alo es o am e is os pelo FMI com base nos no os dados
disponí eis, sendo o dé ice e is o pa a 354 milhões de DES. Uma ez que o mon an e
eque ido po Po ugal con inua a a se in e io ao dé ice, não hou e impac o no p og ama
(FMI, 1984).
A p incipal azão apon ada pa a a e i icação des e dé ice oi o e ei o ad e so da
ecessão económica global, embo a a ins abilidade polí ica e económica em Po ugal, ace à
ince eza c iada pelas eleições de 1983, ambém enha ido um impac o signi ica i o (FMI,
1983).
Segundo o FMI, a ecupe ação das ecei as das expo ações de bens, das emessas dos
emig an es e do u ismo es a a dependen e da expec á el melho ia da si uação económica
nos países indus ializados e da aplicação do p og ama de es abilização, designadamen e com
a melho ia da compe i i idade da economia Po uguesa e o ajus amen o das axas de ju o pa a
alo es posi i os (FMI, 1983).
Em conjun o, os dois p og amas p e iam a disponibilização a Po ugal po pa e do
FMI de 703 milhões de DES, o equi alen e a 272,5 da co a nacional (FMI, 1983).
104
No que se e e e à ul apassagem do limi e ao aumen o da dí ida ex e na de cu o
p azo, que oi de 31 milhões, es a oi a ibuída, em consonância com o que oi expos o pelas
au o idades po uguesas, a uma alha écnica, de i ada dos dados p elimina es que se i am
de base ao cálculo dos limi es e em subes imado o aumen o da dí ida ex e na nos p imei os
meses de 1984. Inclusi amen e, o FMI p e iu que ace aos es o ços e e uados po Po ugal, o
limi e de inido pa a 30 de se emb o se ia espei ado (FMI, 1984).
O Fundo conside ou ainda que o desempenho da economia es a a de aco do com os
obje i os do p og ama. A balança co en e e oluiu de o ma mais posi i a do que o espe ado
p e endo-se que o obje i o es abelecido pa a o dé ice, de 1,25 biliões de dóla es em 1984,
se ia con o a elmen e supe ado em consequência do o e c escimen o das expo ações de
me cado ias, pe mi ida pela manu enção da des alo ização mensal do escudo e consequen e
aumen o da compe i i idade, e da ecupe ação acen uada das ecei as do u ismo,
conjun amen e com um signi ica i o declínio das impo ações esul an e da queb a de 6% da
p ocu a in e na (FMI, 1984).
O declínio nos salá ios eais oi supe io a 10% e o a aso na aplicação dos aumen os
dos p eços adminis ados le a am a uma desacele ação da in lação no segundo semes e de
1984, p e endo-se que o obje i o de eduzi a in lação pa a 23% a é ao im do ano pudesse
se alcançado (FMI, 1984).
Es a endência posi i a es endia-se às a iá eis mone á ias e inancei as, com o FMI a
p e e que ace à manu enção das polí icas de con olo do c édi o, os limi es à expansão do
c édi o domés ico se iam espei ados. No en an o, o Fundo an ecipa a que o e o es abelecido
pa a o c édi o in e no ao se o público, incluindo as emp esas públicas, pudesse se
ligei amen e ul apassado em se emb o e janei o, ace à subs i uição de dí ida ex e na po
c édi o domés ico no se o emp esa ial público, aos a asos no aumen o dos p eços dos bens
subsidiados e às eduzidas endas de ou o ace ao planeado (FMI, 1984).
Face a es a análise, os écnicos do Fundo p opuse am a ap o ação do pedido
Po uguês, o que eio a acon ece a 12 de dezemb o de 1984 (FMI, 1984).
7.7. Po ugal abandona o Aco do S and-by an ecipadamen e

105
Tal como p e is o na a aliação écnica do Fundo, Po ugal acaba ia po excede os
limi es es abelecidos pa a o c édi o in e no ao se o público de se emb o de 1984 e 31 de
dezemb o de 1984. Ao con á io do que inha acon ecido an e io men e, Po ugal não pediu
dispensa do cump imen o des es c i é ios, icando impedido de aze no os le an amen os
jun o do FMI. Assim 185,7 milhões de DES disponibilizados no Aco do S and-by não o am
u ilizados po Po ugal (FMI, 1985).
Face à melho ia nas con as ex e nas e i icada em 1983 e 1984, e à consequen e
melho ia das condições de inanciamen o, em janei o de 1985, Po ugal in o mou o FMI que
não p e endia solici a a eno ação do Aco do S and-by pa a 1985. Apesa des a opção,
Po ugal p e endia man e as consul as com o Fundo e solici ou que o Fundo e isse o
desempenho do país sob e o p og ama en e 1983 e 1984.
Nes e sen ido, uma equipa do FMI, o mada po T. Te -Minassian e E. Spi aelle ,
es e e Lisboa de 25 de e e ei o de 1985 a 01 de ma ço de 1985 (FMI, 1985).
Nes a e isão, o FMI concluiu que o ajus amen o das con as ex e nas desen ol ido
po Po ugal sob o aco do S and-by oi mui o bem-sucedido. O dé ice da balança co en e,
que a ingiu os 13% do PIB em 1982, oi in e io a 2,5% do PIB em 1984, egis ando uma
melho ia mui o supe io ao p e is o no p og ama (FMI, 1985). O mesmo acon eceu
ela i amen e à dí ida ex e na do se o não mone á io e à dí ida ex e na de cu o p azo, em
que os esul ados alcançados supe a am la gamen e as p e isões. Exceção a es e sucesso, oi
o desequilíb io das inanças públicas, com o dé ice do se o público, incluindo o se o
emp esa ial a supe a os 17,5% do PIB em 1984, mui o acima do obje i o de 14,5 % e o
des espei o pelos limi es do c édi o ao se o público. O FMI lamen ou ambém os acos
a anços na esolução dos p oblemas es u u ais iden i icados.
O documen o elabo ado após a isi a dos écnicos do Fundo a Po ugal incluía
ambém uma análise da es a égia económica pa a 1985 e uma análise p ospe i a à e olução
da economia Po uguesa. Nes a análise, é des acado o ac o de o ano de 1985 se um ano
ma cado pelo calendá io polí ico, com a ealização de eleições p esidenciais no im do ano e
eleições locais no início de 1986, o que pode ia aumen a as ensões den o da coligação que
supo a a o go e no.
O go e no Po uguês, po seu lado, conside a a que ace à melho ia da posição
ex e na da economia, ha ia espaço pa a um mode ado aumen o da p ocu a in e na e do PIB.
106
Assim a es a égia económica pa a 1985 p e ia um aumen o ela i o do PIB de 3% e de 3,5%
da p ocu a in e na.
O mo o des e c escimen o se ia o in es imen o, a a és do aumen o do c édi o
disponí el pa a o se o p i ado, uma ez que o consumo de e ia aumen a apenas 1% ace à
manu enção do alo eal dos salá ios em 1985, em que se p e ia uma in lação de 22%.
O go e no p e endia man e a polí ica de des alo ização mensal do escudo em 1% de
o ma man e a posição compe i i a da economia. Es a a p e is a uma ecupe ação das
impo ações, ace ao aumen o da p ocu a in e na, e uma desacele ação do i mo de
c escimen o das expo ações, esul ando num ag a amen o do dé ice da balança co en e que
es a a p oje ado em 850 milhões de dóla es, equi alen e a 4,5% do PIB. O go e no não
espe a a di iculdades pa a encon a inanciamen o pa a es e dé ice.
O p og ama económico p e ia a manu enção do alo do dé ice em elação ao PIB,
inal e ado em elação a 1984. Es a a p e is a uma desacele ação do c escimen o do c édi o
domés ico e das necessidades de inanciamen o do se o público, o que de e ia aumen a o
c édi o disponí el pa a o se o p i ado, que supo a ia o aumen o do in es imen o p odu i o.
Os dados disponí eis no im de e e ei o não mos a am uma ecupe ação do
consumo p i ado, com a p ocu a in e na a man e -se dep imida, mas egis a a-se um
modes o aumen o do in es imen o no se o expo ado . O Fundo p e ia que caso es a
endência se man i esse, os obje i os pa a a p ocu a in e na e c escimen o do PIB não se iam
alcançados.
Face à al a de espos a da p ocu a in e na, o dé ice da balança co en e man inha a
endência posi i a, melho ando ela i amen e ao pe íodo homólogo em 1984, p e endo-se
que assim se man i esse du an e o p imei o semes e do ano, de ido ao declínio das
impo ações.
Os cus os do abalho man inham-se ge almen e inal e ados com os alo es dos
aumen os e da in lação a ixa em-se den o dos alo es p e endidos. Nes e con ex o o FMI
conside a a que a des alo ização mensal de 1% do Escudo se ia su icien e pa a man e a
compe i i idade das expo ações po uguesas.
A p incipal p eocupação exp essada pelo Fundo e a a alha na implemen ação das
medidas p e is as, p e endo a oco ência de queb as na ecei a e aumen os na despesa, po
a o es imp e is os. Embo a não exis issem dados sob e o desempenho das emp esas públicas
em 1985, o FMI apon a a no amen e pa a debilidade des e se o . Os p eços adminis ados
107
man inham-se mui o abaixo dos cus os eais e os cus os com o se iço da dí ida con inua am
a aumen a , o que apon a a pa a um no o aumen o signi ica i o das necessidades de
inanciamen o.
A a aliação inal ei a pelos écnicos do FMI, no âmbi o des a e isão, econhecia que
o sucesso do p og ama de es abilização possibili ou uma ecupe ação mode ada da p ocu a
in e na e do PIB. No en an o, es a ecupe ação só pode ia se sus en ada no longo p azo, sem
c ia um no o desequilíb io ex e no, a a és do aumen o das expo ações e do in es imen o
p odu i o. Es a necessidade e a e o çada pela u u a en ada na Comunidade Económica
Eu opeia (CEE), o que o na a a apos a nas indús ias expo ado as, na mode nização das
in aes u u as e no se o ag ícola, mui o a asado, p io idades essenciais.
O Fundo apoia a a in enção po uguesa de man e uma axa de câmbio lexí el e a
mode ação dos cus os de abalho e e o ça a a impo ância de encaminha os ecu sos
inancei os adequados pa a o in es imen o p odu i o. Pa a o Fundo, o p e isí el aumen o das
necessidades de inanciamen o do se o público punha em causa es e obje i o, pois limi a ia o
c édi o disponí el pa a o se o p i ado, no quad o de uma polí ica mone á ia p uden e.
Ou o aspe o p eocupan e e a a e olução do dé ice público, que e le ia os ele ados
ní eis de consumo público e de subsídios, as pe das no se o emp esa ial e os ele ados cus os
com o se iço da dí ida. Foi conside ado imp escindí el a aplicação de medidas co e i as no
cu o p azo nes a á ea, como no os aumen os dos p eços adminis ados, mode nização do
sis ema ibu á io, melho a do con olo sob e despesas, o alecimen o do con olo inancei o
sob e as emp esas públicas e implemen ação p og amas de ees u u ação adequados pa a
essas emp esas.
O Fundo ale ou ambém pa a o ac o da aqueza da p ocu a in e na pode masca a
as consequências nega i as do adiamen o da aplicação de medidas co e i as no cu o p azo,
mas salien ou que es as se sen i iam o almen e assim que hou esse uma ecupe ação da
p ocu a, podendo me gulha Po ugal numa no a c ise que hipo eca ia o desen ol imen o
u u o do país.
7.8. Consul a anual do a igo IV de 1985
108
As endências iden i icadas nes e ela ó io o am, em g ande medida, con i madas na
consul a anual do a igo IV ealizada pelos écnicos do FMI en e 18 de junho e 2 de julho
(FMI, 1985).
Os dados disponí eis mos a am a melho ia da posição ex e na Po uguesa a é ao
e ão de 1985 com as expo ações a aumen a em 12,5% e as impo ações a eduzi em mais
6%.
A al a de dinamismo do consumo e in es imen o que se e i icou punha em causa os
obje i os pa a o c escimen o do PIB em 1985, com o go e no Po uguês a admi i a
possibilidade do PIB c esce menos de 2% apesa do desempenho ex e no do país.
Também a ní el poli ico as p e isões do Fundo se ma e ializa am. O cong esso
nacional do PSD, pa ido memb o da coligação de go e no, ealizado em maio de 1985,
elegeu uma no a di eção lide ada po Aníbal Ca aco Sil a que decidiu e i a -se da coligação,
acabando com o designado bloco cen al. A incapacidade do PS pa a o ma um no o
go e no no Pa lamen o le ou o P esiden e da República, Ramalho Eanes, a dissol e o
Pa lamen o após a a i icação do T a ado de Adesão da CEE em julho e a con oca eleições
legisla i as pa a ou ub o, a que se segui iam eleições locais e depois p esidenciais no início
de 1986.
A es e clima de ins abilidade e ince eza polí ica somou-se a adesão à CEE em 1986,
que e ia eno mes consequências em e mos económicos e de equilíb io ex e no, o que
o na a impossí el de es abelece um plano económico sólido ou aze p e isões com algum
g au de ce eza pa a 1986, no momen o em que deco eu es a consul a (FMI, Agos o 1985).
É ambém no e ão de 1985, ace á melho ia da balança ex e na e à con ínua aqueza
da p ocu a in e na, que o go e no Po uguês começa a in e e mui as das medidas
implemen adas, ado ando uma poli ica expansionis a com o obje i o de es imula a p ocu a
in e na (FMI, 1987), e minando assim, no âmbi o da nossa análise, o pe íodo de ajus amen o
mac oeconómico.
O ajus amen o ex e no da economia Po uguesa en e 1983 e 1985 inha ido um
inegá el sucesso. As medidas de cu o p azo aplicadas sob o p og ama de apoio do Fundo
inham e i ado o país da si uação de eme gência. Pa a o FMI e a ago a necessá io aze
e o mas es u u ais que e i assem que os ciclos i idos en e 75 e 85 se ol assem a epe i
(FMI, 1985) (FMI, 1985).
109
7.9. Causalidade: 1983-1985
Á imagem do que acon eceu nos pe íodos an e io men e analisados a e olução de
economia Po uguesa en e 1983 e 1985 oi p o undamen e in luenciada pela al e ação das
dinâmicas ex e nas e in e nas, que ge a am um con ex o único indispensá el pa a os
esul ados alcançados.
Ao con á io do que acon eceu no p imei o esga e Po ugal eco eu logo a um
P og ama com ele ado g au de condicionalidade, um aco do S and-by em anche de c édi o
supe io , complemen ado po dois p og amas de Financiamen o Compensa ó io.
Em 1983 a si uação Po uguesa e a c í ica, o que limi a a a ma gem pa a eco e a
ou o ipo de p og amas, com alo es de inanciamen o meno es, mas es a opção pa ece
e le i ambém o comp ome imen o do Go e no Po uguês com o ajus amen o e a
consciência que es e e a ine i á el.
Como imos as medidas que cons i uem a base do p og ama de ajus amen o
mac oeconómico o am in oduzidas an es do início das negociações o iciais com o Fundo,
mas exis e uma isí el in luência das ecomendações an e io es.
Ao paco e de medidas de junho o Aco do S and-by de 1978 adicionou, a a és dos
c i é ios de desempenho, o con olo da expansão do c édi o e a eliminação das ba ei as ao
comé cio. No aco do é, ambém, isí el um e o ço das medidas em ce as á eas como a
polí ica iscal e um p imei o es o ço pa a esolução de bloqueios es u u ais na economia. De
uma o ma ge al o p og ama de es abilização em 1983 não di e giu mui o do de 1978 (Nunes
A. B., 2015) (Ca doso, 2018). Ambos e am p og amas de cu a du ação que, eco endo ao
mesmo ipo de ins umen os, p ocu a am con ai a p ocu a in e na, aumen a a
compe i i idade das expo ações e a a a i idade dos a i os em Escudo pa a esol e os
p oblemas da balança de pagamen os no cu o p azo. No en an o, em 1983, dado o
a as amen o da si uação de desequilíb io, as medidas de con ação da p ocu a in e na o am
mais se e as o que se e le iu em cus os maio es pa a a qualidade e as condições de ida dos
Po ugueses.
Es e pe íodo de ajus amen o di ide-se em duas pa es. Uma p imei a ase em que
Po ugal ez á ios le an amen os cump indo os c i é ios de desempenho ou aco dando com
o Fundo o seu incump imen o e uma segunda ase, a pa i de se emb o de 1984, em que os
c i é ios de desempenho deixam de se cump idos e Po ugal não eno ou o aco do pa a 1985,
embo a i esse man ido a coope ação com o FMI.

110
A p imei a ase do ajus amen o oi mui o bem-sucedido, com os esul ados em e mos
de equilíb io ex e no a supe a em la gamen e as p e isões. O dé ice da balança co en e
ixou-se em 2,5% do PIB em 1984 em compa ação com os 6% p e is os no Aco do S and-by.
Exceção a es e sucesso oi o equilíb io das inanças públicas. O FMI lamen ou ambém os
acos a anços na esolução dos p oblemas es u u ais iden i icados.
Es a g ande melho ia da posição ex e na da economia Po uguesa esul ou das
polí icas de es abilização implemen adas e de ques ões con ex uais, não p e is as no
p og ama, que amplia am os e ei os espe ados no declínio da p ocu a in e na e no aumen o
da compe i i idade da economia.
À imagem do p og ama an e io Po ugal ado ou uma polí ica de des alo ização do
Escudo jun amen e com a polí ica de con olo sala ial que esul ou numa des alo ização
mui o signi ica i a do Escudo e na des alo ização de 13% dos salá ios eais en e 1983 e
1984 o que aumen ou signi ica i amen e a compe i i idade das expo ações Po uguesas ( e
anexo 11.7. Causalidade 1985).
A aplicação das polí icas inancei as de con enção do c édi o du an e o p og ama
pe mi iu que Po ugal alcançasse os obje i os em e mos de c escimen o do c édi o ex e no
ao se o mone á io, com o i mo de c escimen o da dí ida ex e na a passa de 23% em 1982
pa a 3,1% em 1984, e do c escimen o do c édi o in e no o al, que icou signi ica i amen e
abaixo do limi e.
Es e ac o oi undamen al pa a a ecupe ação da con iança dos me cados
in e nacionais, o que pe mi iu a melho ia das condições de inanciamen o, e pa a a edução
do endi idamen o ex e no de cu o p azo cump indo os obje i os do p og ama (Zecchini,
1985).
Apenas as necessidades de inanciamen o do se o público supe a am os limi es
es abelecidos, o que le ou a um es angulamen o do c édi o disponí el pa a o se o p i ado.
No en an o, ace à olga exis en e nos limi es de c édi o in e no, o baixo olume de c édi o ao
se o p i ado é sob e udo a ibuí el aos cus os do c édi o e às acas expe a i as, ace à queda
da p ocu a, o que desincen i ou o in es imen o.
Indi e amen e, a diminuição do c édi o pa a os p i ados, con ibuiu posi i amen e
pa a a balança co en e, uma ez que es e se o é es u u almen e mais dependen e de
impo ações, mas as consequências em e mos de queb a na o mação de capi al ixo, com o
111
in es imen o a eduzi signi ica i amen e nes e pe íodo, comp ome iam a e olução da
p odução e da p odu i idade.
Assim, a p ocu a in e na caiu 14% en e 1983 e 1984, ao mesmo empo que se
egis ou um c escimen o de 4% nos p incipais pa cei os come ciais de Po ugal.
Es e con ex o, que le ou uma ecupe ação supe io ao p e is o da p ocu a ex e na em
elação aos p odu os po ugueses (Zecchini, 1985), esul ou num c escimen o das expo ações
de bens de 37%, em olume, e a uma diminuição de 11,7%, em olume das impo ações.
A balança co en e oi ambém ajudada pelo melho desempenho das expo ações de
se iços e das emessas dos emig an es em 1984. Ou o a o impo an e pa a o equilíb io
ex e no Po uguês oi a diminuição das axas de ju o nos me cados in e nacionais, que
associada à diminuição do endi idamen o ex e no, pe mi iu uma edução dos cus os com o
se iço da di ida.
Con udo, os mesmos a o es que le a am a es e desempenho das con as ex e nas,
aumen a am ambém a ecessão na economia Po uguesa, sendo que o bom desempenho
ex e no não oi su icien e pa a compensa o e ei o da queb a da p ocu a in e na no PIB, que
dec esceu ce ca de 2% en e 1983 e 1984, 0,5% mais do que o obje i o de inido no p og ama.
O e ei o da ecessão no emp ego oi in e io ao expec á el ace à igidez das leis labo ais e ao
espi i o de sac i ício de mui os abalhado es po ugueses que con inua am a abalha com
si uações sala iais i egula es (Ama al J. F., 2018), mas o endimen o das amílias diminuiu
ce ca de 8% nes e pe íodo, sendo que a dep essão do consumo oi amo ecida pela
diminuição do ácio de poupanças, que ainda assim supe ou o p e is o no p og ama. Em
e ospe i a, ace ao ápido ajus amen o da economia, os cus os sociais des e p og ama
pode iam e sido mino ados.
Como imos, um dos e ei os mais nega i os e i icou-se ao ní el do in es imen o em
capi al ixo, que caiu ce ca de 20% em 1984.
A in e enção do Fundo oi impo an e pa a a implemen ação des a polí ica de
aus e idade de duas o mas. Em p imei o luga Po ugal necessi a a do inanciamen o e logo
de cump i os c i é ios de condicionalidade legi imando in e namen e es as medidas e, po
ou o lado, uncionando como bode expia ó io pa a o go e no (Ben o, 2018).
O obje i o de alcança uma in lação in e io a 23% no im de 1984 oi alcançado, mas
o Fundo lamen ou que es e inha sido conseguido eco endo a a asos no ajus amen o dos
p eços dos bens subsidiados, o que colocou em causa o equilíb io das inanças públicas.
112
As inanças públicas o am o pon o aco do desempenho Po uguês. Após uma
melho ia signi ica i a em 1983, o dé ice do se o público ag a ou-se e supe ou os 17,5% do
PIB em 1984, mui o acima do obje i o es abelecido de se in e io a 14,5% do PIB.
O c édi o in e no e ex e no ao se o público, incluído o se o emp esa ial, c esceu
24,6% supe ando signi ica i amen e o obje i o es abelecido no p og ama, de se in e io a
22%.
O c édi o ao go e no cen al, sem inclui as emp esas públicas, excedeu o limi e em
ce ca de 1% do PIB, de ido às eduzidas endas de ou o ace ao planeado, à queb a nas
ecei as iscais, em pa icula nos impos os indi e os e nas p es ações sociais, e à
ul apassagem da despesa p e is a em i ens di e sos.
O desempenho do se o emp esa ial do Es ado oi ainda mais nega i o, com o c édi o
a es e se o a supe a os limi es em ce ca de 2% do PIB. A p incipal azão pa a es e esul ado
o am os a asos nos aumen os dos p eços adminis ados, especialmen e dos alimen os
essenciais, p odu os pe olí e os e se iços públicos, e a alha na implemen ação dos co es
planeados nos p og amas de in es imen o de algumas emp esas públicas.
O FMI lamen ou os poucos es o ços ei os pa a co igi os p oblemas es u u ais das
inanças públicas. Ao con á io do que se e i icou em 1978, em 1983 a ealização de um
P og ama de Financiamen o Ala gado, com uma du ação de 3 anos, que se oca ia em
e o mas es u u ais oi p opos o e discu ido com o Fundo, mas os cus os polí icos des e ipo
de p og ama de longo p azo le a am a que a hipó ese osse desca ada (Ca doso, 2018).
O FMI des acou a on ade do go e no de in oduzi o IVA no segundo semes e de
1985 e a c iação de uma comissão pa a a e o ma da ibu ação di e a. No âmbi o des a
e o ma, em janei o de 1985, Po ugal en iou ao FMI um pedido de assis ência écnica
ela i o à adminis ação do sis ema iscal endo o Fundo en iando ês écnicos do
depa amen o iscal, acompanhados po consul o es especializados. (FMI, janei o de 1985).
O FMI econheceu ainda algum sucesso no comba e à e asão iscal e no melho
con olo da despesa pública. Con udo, á eas pa icula men e p oblemá icas como o sis ema
de p eços adminis ados e os mecanismos de con olo das emp esas públicas man inham
de iciências es u u ais. Pa a o Fundo o ajus e nos p eços dos bens subsidiados e a ei o de
o ma disc icioná ia, e com cons an es a asos, não e le indo a e olução dos cus os de
p odução ou dos p eços no me cado in e nacional.
113
O con olo da adminis ação cen al sob e as emp esas públicas e a aco, em
pa icula a ní el inancei o, o que esul a a na descoo denação das decisões, sendo que a
p e is a e o ma des e se o con inua a a asada e com poucos esul ados isí eis, o que
azia g andes cus os pa a o Es ado. Quan o ao emp és imo pa a ees u u ação de emp esas
públicas jun o do BIRD que de e ia e sido inalizado em 1984, as negociações ainda se
man inham ace ao a aso das au o idades Po uguesas em ap esen a um plano de ação e o
Fundo p e ia que não se inalizassem em 1985.
O sucesso do ajus amen o ex e no con ibuiu pa a o abandono p ecoce do Aco do
S and-by. O papel do Fundo não e a apenas como inanciado , mas sob e udo como ga an e
do inanciamen o ex e no a a és da legi imidade que a ibuía aos países in e encionados. O
ápido sucesso alcançado pe mi iu ao go e no eco e a inanciamen o ex e no an es do im
do p og ama de ajus amen o, op ando po não cump i o Aco do in eg almen e, e i ando
assim os cus os polí icos de um ajus amen o condicionado mais longo (Ben o, 2018). No
en an o, es es ganhos polí icos de cu o p azo comp ome e am as e o mas de longo p azo
necessá ias (Ben o, 2018) (Ca doso, 2018).
No âmbi o des e abalho incluímos o p imei o semes e de 1985 no pe íodo de
ajus amen o, embo a Po ugal já não es i esse sob o Aco do S and-by. Es a opção de e-se ao
ac o de nes e pe íodo e exis ido uma con inuidade nas polí icas de ajus amen o, endo
Po ugal discu ido a es a égia económica a segui com o Fundo.
Como imos o go e no Po uguês conside ou que a g ande melho ia da posição
ex e na da economia e a consequen e eabe u a dos me cados de capi ais pa a o país pe mi ia
um ligei o aumen o da p ocu a in e na, 3,5%, e do PIB, 3%, ou seja, passou a exis i uma
p eocupação maio com as consequências da ecessão económica, sob e udo a ní el da
es u u a p odu i a do país. Es e ac o oi isí el na opção de es imula a p ocu a a a és do
aumen o do c édi o pa a o se o p i ado, que esul a ia num ag a amen o do dé ice da
balança co en e, que de e ia se acilmen e inanciado.
O FMI conco dou com es a es a égia, embo a conside asse que e am necessá ias
e o mas es u u ais na economia pa a conjuga o c escimen o com o equilíb io ex e no no
longo p azo.
Os esul ados ob idos o am mis os. Em e mos ex e nos a posição Po uguesa
con inuou a melho a de ido à al a de dinamismo da p ocu a in e na, que se man e e aca, à
posição compe i i a de economia e, ambém, ao bom ano ag ícola que diminui as
120
Mais uma ez, concluímos que a aplicação incondicional e condicional da ecei a do
Fundo ob e e um ápido sucesso no eequilíb io da posição ex e na da economia. No en an o,
ambém as aquezas que encon amos no p imei o pe íodo de ajus amen o se epe i am.
O sucesso do ajus amen o aumen ou a disponibilidade de inanciamen o de Po ugal
nos me cados de capi ais, que, comp o ando a nossa conclusão an e io , abandonou
p ecocemen e o Aco do S and-by, embo a enha man ido a coope ação com o Fundo na
de inição da es a égia económica.
O ajus amen o oi ei o a a és de medidas de cu o p azo impos as pelo aco do, mas
não o am acompanhadas pelas e o mas es u u ais que o FMI conside a a undamen ais
pa a conjuga o c escimen o da economia com o equilíb io ex e no no médio p azo, mas não
conseguiu o na condicionais ace á indisponibilidade poli ica pa a emp eende um
P og ama de Financiamen o Ala gado, de ido aos cus os elei o ais que lhe es a am
associados.
9. Conclusão
A análise ealizada con i mou a alidade da abo dagem p opos a. A aplicação da
me odologia da causalidade p ocessual quali a i a, a a és da na a i a an e io , pe mi iu-nos
analisa ciclos de desequilíb io e ajus amen o da economia Po uguesa en e 1975 e 1985
como um p ocesso único e e olu i o, em que o con ex o in e no, ex e no e o p óp io FMI se
in luencia am e adap a am mu uamen e.
Es a opção, embo a possa induzi uma ilusão de epe ição, u o da p óp ia epe ição
dos ciclos que oco e am, o nou possí el não só iden i ica as elações de causalidade en e
as ês ases iden i icadas, como a causalidade den o de cada uma delas.
Concluímos que exis iu uma elação de causalidade en e os ês pe íodos
iden i icados, sendo possí el e i ica uma elação causa e ei o en e os desen ol imen os e
esul ados ob idos no p imei o ciclo de ajus amen o e os desen ol imen os e esul ados
ob idos du an e o ciclo de desequilíb io, os quais le a am a um no o ciclo de ajus amen o.
Concluímos, ambém, que os ciclos de desequilíb io e ajus amen o esul am da
in e ação en e as ações do FMI e o con ex o in e no e ex e no, endo ido o FMI um papel

121
mais a i o nos pe íodos de ajus amen o do que nos pe íodos de desequilíb io, embo a enha
um papel ele an e em ambos os momen os.
Em sín ese, Po ugal eco eu ao FMI como inanciado de ul imo ecu so e sob e udo
como legi imado ex e no da sua economia, ou seja, como ga an ia pa a ou os
inanciamen os, is o o inanciamen o di e o do Fundo se necessa iamen e eduzido.
Ve i icámos ambém que em ambos os pe íodos de ajus amen o os P og amas
condicionais do FMI, com maio ou meno cus o e apidez, i e am um inegá el sucesso na
ecupe ação do equilíb io ex e no no cu o p azo, que se cons i uía como obje i o decla ado
dos p og amas. O Fundo nunca o nou as e o mas es u u ais de economia condicionais nos
seus p og amas, mas semp e as conside ou imp escindí eis pa a conjuga o c escimen o com
o equilíb io ex e no no médio longo p azo e a en a i a de inicia es as e o mas du an e as
suas in e enções é isí el.
No en an o, e i icámos ambém que quando um ce o g au de eequilíb io oi
alcançado e o inanciamen o da economia jun o dos me cados de capi ais se o nou
no amen e possí el, em ambos os ciclos de ajus amen o, os go e nos con on ados com os
cus os elei o ais do p ocesso, abandona am os p og amas com o FMI e p og essi amen e
e e e am as medidas de ajus amen o de cu o p azo e po consequência as e o mas
es u u ais iniciadas, o nando cíclico o essu gimen o dos p oblemas económicos.
Da nossa análise esul a uma ques ão pa a que não emos espos a. Te ia a e olução
da economia em 1975 e 1985 sido di e en e se o FMI i esse exigido que as e o mas
es u u ais, que conside ou imp escindí eis, ossem condicionais aos seus p og amas, ou e ia
Po ugal con inuado a se i ima do seu p óp io sucesso, abandonando as e o mas assim que
es as deixassem de se impos as pelas ci cuns ancias.
A pa i do es udo e e uado e como p opos a de in es igação u u a, conside amos que
se ia ú il ealiza uma análise da causalidade que incluísse ambém a ul ima in e enção do
FMI em Po ugal, como memb o da T oika en e 2011 e 2014.
Essa análise e á que en en a a di iculdade de compa ação en e os con ex os
in e nos e ex e nos em que es as in e enções oco e am, mas com a de ida con ex ualização
pode ia não só iden i ica algumas elações de causalidade en e os pe íodos, como a a és da
compa ação en e as in e enções, aze uma maio comp eensão da in e enção global do
FMI em Po ugal e con ibui pa a a não epe ição dos desequilíb ios cíclicos que
iden i icámos.
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136
Fon e: FMI. (Ab il de 1977). Po ugal - Reques o S and-By A angemen . Ob ido em 01
de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g: a chi esca alog.im .o g

137
11.3. Anexo: Aco do S and-by de 1978
138
Fon e: FMI. (Maio de 1978). Po ugal Reques o S and-By A angemen . Ob ido em 01
de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g: a chi esca alog.im .o g
139
11.4. Anexo: Aco do S and-by de 1983
140
141
Fon e: FMI. (Se emb o de 1983). Po ugal - Reques o S and-By A angemen . Ob ido
em 01 de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g: a chi esca alog.im .o g

142
11.5. Anexo: Causalidade 1978
11.5.1. Anexo: Indicado es de compe i i idade Po ugueses (1975-1979)
Fon e: FMI. (Junho de 1980). Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV
Consul a ion. Ob ido em 01 de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g:
a chi esca alog.im .o g
143
11.5.2. Anexo: Dinhei o, C édi o, Velocidade e Ju o (1975-1980)
Fon e: FMI. (Junho de 1980). Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV
Consul a ion. Ob ido em 01 de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g:
a chi esca alog.im .o g
144
11.5.3. Anexo: E olução da axa de câmbio (1975-1980)
Fon e: FMI. (Junho de 1980). Po ugal - S a Repo o he 1980 A icle IV
Consul a ion. Ob ido em 01 de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g:
a chi esca alog.im .o g
145
11.6. Anexo: Causalidade 1983
11.6.1. Anexo: Indicado es de pe o mance do comé cio (1973-1982)
Fon e FMI. (Maio de 1983). Po ugal - S a Repo o he 1983 A icle IV Consul a ion.
Ob ido em 01 de 05 de 2018, de a chi esca alog.im .o g: a chi esca alog.im .o g